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ALGARVE INFORMATIVO #173

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ALGARVE #173 INFORMATIVO 29 de setembro, 2018

MIGUEL SANTOS EM «UM SOLO PARA A SOCIEDADE» «THE BRIDE» | TOM LEWIS VENCEU 12.º PORTUGAL MASTERS | «A BAILARINA» PAULO ÁGUAS | CALOIROS DA UALG |«ERÊNDIRA! SIM AVÓ…» |ALGARVE OUT INFORMATIVO OF SIGHT#173FEST 1


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CONTEÚDOS #173 29 DE SETEMBRO 2018

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ARTIGOS 10 - A «nova» Rua Gago Coutinho em São Brás 16 - Albufeira já desvendou o seu Réveillon 22 - 12.º Portugal Masters 32 - Reitor da UAlg Paulo Águas 46 - Caloiros da UAlg 62 - «The Bride» 70 - «Um Solo para a Sociedade» 80 - «Erêndira! Sim, avó…» 88 - Out of Sight Fest 100 - «A Bailarina» da APPC 120 - Atualidade

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OPINIÃO 108 - Paulo Cunha 110 - Mirian Tavares 112 - Adília César 114 - Ana Isabel Soares 116 - Carla Serol ALGARVE INFORMATIVO #173

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REPORTAGEM

REQUALIFICAÇÃO DO CENTRO HISTÓRICO DE SÃO BRÁS DE ALPORTEL CONTINUA COM A «NOVA» RUA GAGO COUTINHO Texto:

| Fotografia:

Bruno Sousa Costa, David Gonçalves, Marlene Guerreiro, Vítor Guerreiro, Acácio Martins e João Rosa

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ealizou-se, na solarenga tarde de 22 de setembro, a inauguração oficial da obra de requalificação da Rua Gago Coutinho, no Centro Histórico de São Brás de Alportel, assim se concretizando a segunda fase do projeto

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de Reabilitação do Largo de São Sebastião e ruas adjacentes, no âmbito do Plano de Ação de Regeneração Urbana de São Brás de Alportel. Uma rua que é muito emblemática para as gentes de São Brás de Alportel, daí a presença de vários moradores e lojistas 10


de porta aberta, e que ganhou o nome atual em 1922, em homenagem a esse grande navegador aéreo cuja ascendência terá sido deste concelho. Antes, chamava-se Rua de São Sebastião, por ali ao lado se encontrar a Capela de São Sebastião que foi entretanto relocalizada, e tem, realmente, muita história para contar. “O Centro Histórico faz uma ponte importante entre o património e o urbanismo, olhando o futuro com o coração no passado”, confirmou Marlene Guerreiro, Vice-Presidente da Câmara Municipal de São Brás de Alportel, antes de passar a palavra ao colega de vereação Acácio Martins. “Esta rua acaba por ser a porta do Centro Histórico, dos Paços do Concelho e da Igreja Matriz e a sua requalificação obrigou-nos a fazer vários melhoramentos nas drenagens e na rede 11

de águas e, essencialmente, nas infraestruturas elétricas. Colocamos os ditos «armários» no subsolo, cruciais para dar vida e desenvolvimento ao Centro Histórico, porque temos que investir no presente para estarmos preparados para o futuro, mesmo não sabendo se, daqui a cinco ou dez anos, algumas destas infraestruturas continuarão a ser necessárias”, referiu o Vereador. A Rua Gago Coutinho está, entretanto, a ver muitas das suas habitações remodeladas e o objetivo, de acordo com Acácio Martins, é retirar-se igualmente todas as cabelagens de comunicações da vista do olho humano e serem colocadas no subsolo. “Todas estas intervenções são bastante importantes para valorizarmos o nosso património e história e para ALGARVE INFORMATIVO #173


Municipal de São Brás de Alportel, adiantando ainda que os «armários» elétricos que permanecem à superfícies vão ser transformados em verdadeiras obras de arte.

homenagearmos os nossos antepassados. Também queremos devolver o espaço urbano às pessoas, motivo pelo qual as acessibilidades são fundamentais para cidadãos com mobilidade reduzida ou invisuais”, frisou Vítor Guerreiro, presidente da Câmara ALGARVE INFORMATIVO #173

Centro Histórico que, de acordo com o edil sãobrasense, tem sido muito requisitado pelo ramo imobiliário, com casas devolutas a serem recuperadas e a atraírem novos cidadãos para o concelho. “A primeira intervenção que realizamos no âmbito do PARU foi o Largo de São Sebastião e é inquestionável a vivência que ele ganhou. Esta é a segunda fase e, no início de 2019, vamos avançar com o projeto de requalificação do primeiro 12


troço da Avenida da Liberdade, também para a tornar mais apetecível e acessível para todos”, revelou Vítor Guerreiro. Quanto à requalificação da Rua Gago Coutinho, teve um custo que rondou os 167 mil euros, com financiamento comunitário de 65 por cento, atestando a preocupação da autarquia em colocar dinheiros da União Europeia ao serviço destes munícipes. “Só assim é possível, numa Câmara Municipal que tem um orçamento na ordem dos 14 milhões de euros, realizar tanta obra. Temos muitos projetos prontos em carteira para aproveitar essas oportunidades de financiamento, porque manter a estabilidade financeira da autarquia é essencial”, afirmou Vítor Guerreiro. A requalificação da Avenida da Liberdade deverá arrancar no final do Verão de 2019 e estar concluída até à Páscoa de 2020, altura em que São Brás de Alportel recebe a famosa Festa das Tochas Floridas. “O

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investimento previsto anda à volta dos 300 mil euros e a rua ficará com sentido único. Ainda estamos a estudar bem se será a subir ou a descer e o objetivo é dar mais espaço aos peões, com árvores e zonas de carga e descarga, crucial para o comércio local”, declarou. Mais projetos para o futuro próximo são a requalificação do Parque da Fonte Férrea, com um espelho de água e praia fluvial; a requalificação do edifício dos 4 Olhos, com investimento superior a um milhão de euros; e o miradouro localizado no antigo depósito de água. “Tudo com garantias de financiamento de fundos comunitários e para concluir neste mandato. Estamos ainda em fase de negociações para adquirir uma propriedade na entrada de São Brás de Alportel para criar mais espaços de lazer e aumentar o estacionamento”, concluiu Vítor Guerreiro .

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REPORTAGEM

HMB, FERNANDO DANIEL E WILSON HONRADO AQUECEM RÉVEILLON DE ALBUFEIRA Texto:

| Fotografia:

oi no Inatel Praia Hotel de Albufeira que se ficou a conhecer, na tarde 27 de setembro, Dia Mundial do Turismo, o cartaz do Réveillon de Albufeira, que terá como grandes protagonistas da última noite do ano a banda HMB, o artista Fernando Daniel e o DJ Wilson Honrado. Mas muitos mais aliciantes existem para rumar à capital do ALGARVE INFORMATIVO #173

turismo algarvio nos últimos dias de 2018, como são mais uma edição do Paderne Medieval (29 de dezembro a 1 de janeiro), a Star Parade (29 de dezembro) e o Festival Sol Rir (28 de dezembro a 1 de janeiro). Serão, então, cinco dias e cinco noites repletas de música, entretenimento e recriação histórica, numa simbiose entre 16


o passado e o presente, divididas entre a Praça dos Pescadores e a Rua da Oura, na cidade de Albufeira, a aldeia de Paderne e o Palácio de Congressos do Algarve, na Herdade dos Salgados, a que se juntam três locais para o lançamento do famoso fogo-de-artifício da noite de passagem de ano, mais concretamente as Praias dos Pescadores, da Oura e dos Olhos d’Água. “Esperamos sensivelmente 150 mil pessoas, a grande maioria portugueses, mas também muitos estrangeiros, para desfrutar deste programa de Réveillon. Claro que não somos os únicos a organizar festas nesta altura do ano, também os hotéis e os restaurantes do concelho terão as suas iniciativas, e esta complementaridade é extremamente importante”, considerou José Carlos Rolo, durante a conferência de imprensa de lançamento do Réveillon de Albufeira.

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Por isso mesmo, o presidente da Câmara Municipal de Albufeira apelou ao tecido empresarial, nomeadamente à hotelaria, restauração e espaços de animação noturna, para que mantivessem as portas abertas nestas noites, ao mesmo tempo que destacou a parceria com a APAL – Associação de Promoção de Albufeira. “Albufeira precisa continuar a catapultar-se para o futuro, motivo pelo qual as atividades não cessam ao longo de praticamente todo o ano. Aliás, já temos o projeto em andamento para requalificar a Avenida Sá Carneiro e uma série de outras artérias da cidade, para que todos possam desfrutar ainda mais do nosso concelho”, frisou o edil, antes de passar a palavra a José Lourenço dos Santos, presidente da Direção da APAL, que confirmou a

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José Lourenço dos Santos e José Carlos Rolo, presidentes da APAL e da Câmara Municipal de Albufeira

importância do Réveillon para a dinâmica turística de Albufeira. “No passado, por constrangimentos económicos da autarquia, houve uma maior dificuldade em se organizar este evento, mas soubemos encontrar formas de entendimento para salvaguardar a sua continuidade. Neste momento a situação alterou-se, a Câmara Municipal tem outra disponibilidade financeira, mas a APAL continuará sempre a corresponder à chamada para colaborar naquilo que for necessário, para defender os interesses superiores do concelho de Albufeira”, afirmou o dirigente. Promoção turística que é, sem dúvida, a principal função da APAL, daí estar precisamente nesta altura uma comitiva a divulgar Albufeira no Canadá e a tentar ALGARVE INFORMATIVO #173

atrair mais visitantes durante a época baixa. “Estamos bastante entusiasmados por participar na organização do Réveillon de Albufeira e temos que enaltecer igualmente o papel de todas as forças de segurança que asseguram que tudo corre bem durante esses dias”, destacou José Lourenço dos Santos. E, a terminar a apresentação, ficou a garantia dos próprios HMB de que a noite de 31 de dezembro de 2018 será mesmo inesquecível para quem estiver na Praia dos Pescadores. “Sentimo-nos em casa em Albufeira e estamos confiantes de que será o melhor concerto do ano. O cartaz é de luxo, a ocasião é especial, sabemos que a responsabilidade é grande, mas estejam preparados para uma grande festa” .

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REPORTAGEM

TOM LEWIS VENCEU 12.ยบ PORTUGAL MASTERS DE GOLFE Texto:

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om Lewis tornou-se no primeiro jogador a vencer por duas vezes o Portugal Masters, numa 12.ª edição histórica a vários níveis. O inglês de 27 anos entra para a história do mais importante torneio de golfe português e, curiosamente, os dois únicos títulos da sua carreir, no European Tour foram obtidos precisamente no Dom Pedro Victoria Golf Course, em Vilamoura, qualquer um deles com uma importância especial. Em 2011 foi apenas o seu terceiro torneio como profissional no European Tour. Em 2018, só pode participar com uma categoria especial de antigo campeão e o triunfo alcançado no dia 23 de setembro permitiu-se sair imediatamente do Challenge Tour – onde militou este ano, ao lado de Pedro Figueiredo e de Filipe Lima – para ascender automaticamente ao European Tour, a primeira divisão europeia, onde irá rivalizar com Ricardo Melo Gouveia. Com voltas de 72, 63, 61 e 66, para um total de 262 pancadas, 22 abaixo do Par, Tom Lewis ficou a apenas uma pancada do recorde de 72 buracos (23) do campo algarvio desenhado por Arnold Palmer, estabelecido pelo inglês Andy Sullivan quando venceu o Portugal Masters de 2015, e depois igualado, em 2016, pelo irlandês Padraig Harrington. A três pancadas de distância ficaram dois jogadores a partilharem o 2.º lugar: o australiano Lucas Herbert (voltas de 63+67+64+71), que tinha liderado desde o primeiro dia, e o inglês Eddie Pepperell (64+66+68+67), que no ano passado tinha sido 3.º classificado. Lewis embolsou os 333 mil e 330 euros de prémio monetário ALGARVE INFORMATIVO #173

destinado ao campeão e subiu do 163.º para o 62.º posto na Corrida para o Dubai, ao mesmo tempo que irá aproximar-se do Top-100 do ranking mundial. Com apenas esta vitória, o inglês deixou de andar na vida de «aflitos» da segunda divisão europeia, para lutar agora pela qualificação para a Final Series do European Tour, a primeira divisão.

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Com 12 mil e 974 entradas registadas, o derradeiro dia do Portugal Masters passou a ser um novo recorde numa única jornada, e as 39 mil e 623 entradas ao longo dos cinco dias (incluido Pro-Am) são a segunda maior afluência de sempre, superadas apenas pelas 40 mil e 177 de 2012. Para estes números foram muito importantes dois fatores: a presença inédita de Sergio Garcia e a boa prestação de Ricardo Melo 25

Gouveia. O espanhol, antigo n.º 2 mundial, veio rodar para a Ryder Cup e conseguiu o que queria. Vai para França defrontar os Estados Unidos na próxima semana, cheio de confiança depois de assinar voltas de 66, 70, 68 e 65. Sergio Garcia totalizou 269 pancadas, 15 abaixo do Par, e embolsou 46 mil e 320 euros de prémio por integrar o grupo dos 7.º classificados que contou ALGARVE INFORMATIVO #173


Também em segundo lugar ficou Eddie Pepperell, numa jornada de emoções fortes até ao último buraco

ainda com o francês Raphael Jacquelin (66+68+67+68), o inglês Oliver Fisher (71+59+69+70), o finlandês Kim Koivu (66+68+68+67) e o português Ricardo Melo Gouveia (67+66+70+66). Fisher entrou na história pela melhor volta de sempre do European Tour e o «Sr. 59» recebeu um troféu de Keith Cousins e Stefano Saviotti a assinalar ter sido no Dom Pedro Victoria Golf Course que esse recorde europeu foi alcançado. Jacquelin tem quatro títulos no European Tour e ostenta um dos swings mais lindos do Mundo. Koivu cotou-se este ano como uma estrela do Challenge Tour, onde ganhou três torneios esta época, ascendendo automaticamente ao European Tour, apenas oito meses depois de ter-se tornado profissional, e tem ainda ALGARVE INFORMATIVO #173

a curiosidade de ser treinado por um português (David Silva) e de ter um caddie português (Daniel Silva, filho de David). Melo Gouveia tornou-se no primeiro português a somar dois top-10 consecutivos no Portugal Masters. Depois de ter partilhado o 5.º lugar há um ano com Filipe Lima, Ricardo Melo Gouveia alcançou agora a segunda melhor classificação de sempre de um português no Portugal Masters com este 7.º posto. E se não falarmos de classificação, mas de resultado, 15 pancadas abaixo do Par iguala a melhor marca de sempre de um português na prova, que já lhe pertencia desde 2015, quando esses mesmos -15 não lhe deram mais do que o 22.º lugar. Tal como há um ano, o atleta olímpico 26


Ricardo Melo Gouveia alcanรงou mais um Top 10 no Portugal Masters

27segundo classificado, Lucas Herbert, no buraco 18 O

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português chegou a Vilamoura a lutar para manter-se no European Tour, no 132.º lugar da Corrida para o Dubai. Esta 7.ª posição no Portugal Masters permitiu-lhe ascender ao 120.º posto, ou seja, mais perto do top-100 que lhe garante a permanência no escalão principal. E tem ainda três torneios até ao final da época para atingir esse objetivo.

Luís Correia da Silva (Dom Pedro Golf), Pedro Pimpão (C.M. Loulé), Miguel Franco Sousa (F.P.G.), Ricardo Lopes (P.G.A. Portugal), Custódio Moreno (IPDJ), Peter Adams (European Tour) e José Maria Zamora (European Tour) .

Na cerimónia de entrega de prémios, durante a qual Tom Lewis anunciou que o Portugal Masters poderá voltar a jogar-se em outubro em 2019, estiveram Filipe Silva (Turismo de Portugal), João Fernandes (Turismo do Algarve), Stefano Saviotti (Dom Pedro Hotels & Golf Collection), Keith Cousins (Dom Pedro Golf),

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ENTREVISTA

UNIVERSIDADE DO ALGARVE CADA VEZ MAIS ATRATIVA E RECONHECIDA INTERNACIONALMENTE Texto:

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rrancou, a 17 de setembro, o ano letivo 2018/2019 na Universidade do Algarve, em mais um ano de recordes para a academia algarvia, conforme comprova o aumento de quatro por cento do número de colocados durante a primeira fase, quando, a nível nacional, se verificou uma redução de dois por cento. E se pensarmos que a UAlg não está inserida nas grandes áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, maior destaque assume esse resultado, o que deixou, naturalmente, bastante satisfeita a equipa liderada pelo Reitor Paulo Águas. “Satisfeitos, mas com mais responsabilidade, porque temos que ir ao encontro das expetativas destes mil e 210 alunos que foram colocados através do Concurso Nacional de Acesso e que não esgotam o nosso universo de recrutamento. Estamos muito empenhados em atrair estudantes internacionais e também nesse campo se verificam aumentos relativamente a anos anteriores”, referiu. Para esta situação contribuiu a possibilidade dada pelo poder central em se incrementar, em cinco por cento, o número de vagas disponíveis na Universidade do Algarve, o que lhe permitiu reforçar a oferta formativa nos cursos com maior procura e com níveis mais elevados de empregabilidade. “Em 2017/2018, tivemos cerca de 400 candidatos de primeira opção a cursos da UAlg que não conseguiram entrar. Este ano esse número baixou, mas continua a ser elevado. Simplesmente não temos a capacidade e agilidade, nem isso faria muito sentido, para haver grandes oscilações do número de vagas dos ALGARVE INFORMATIVO #173

cursos de um ano letivo para o outro”, explica Paulo Águas, avisando que a tendência será, de facto, para os candidatos ao ensino superior irem sendo cada vez menos à medida que os anos vão passando. “A redução registada este ano é, em larga medida, justificada pelas flutuações nos exames nacionais, que estão bastante testados, mas não são alvos de 34


normalização. Nos últimos dois ou três anos tivemos mais candidatos porque a taxa de sucesso nos exames nacionais foi superior, contudo, se não alterarmos o quadro de acesso ao ensino superior, o cenário vai alterar-se significativamente. Em 2018/2019 estamos a recrutar, sobretudo, os nascidos em 2000 e, em 2001, já nasceram menos quatro ou cinco por cento de crianças, e essa quebra tem35

se verificado sucessivamente”, alerta o Reitor da Universidade do Algarve. Paulo Águas fala, sem hesitações, de uma “catástrofe demográfica” que Portugal atravessa, uma realidade para a qual o país desperta pontualmente, mas à qual o grosso da população ainda não dá a devida importância. E se é verdade que muitos jovens já vão ALGARVE INFORMATIVO #173


perdendo o encanto pelo ensino superior, por constatarem que o «canudo» não lhes dá garantia de emprego, o entrevistado entende que essa não é uma situação generalizada. “A percentagem dos jovens na faixa etária dos 18 aos 24 anos que frequentam o ensino superior em Portugal nunca baixou, mas ainda estamos abaixo das médias da OCDE. Obviamente que, hoje, o que o ensino superior dá aos estudantes é bastante diferente do que dava há 30 ou 40 anos. ALGARVE INFORMATIVO #173

Naquela altura, quando se saia na universidade, as profissões não tinham mudado durante aqueles cinco anos. Agora, quando um estudante termina o seu curso, parte do conhecimento que ele adquiriu no primeiro ano já se tornou obsoleto”, verifica. Isto não significa que frequentar o ensino superior não sirva para nada, ou que é menos importante agora do que noutros tempos, defende Paulo Águas, 36


maior”, declara o reitor, daí que seja fundamental incutir nas novas gerações capacidade analítica e crítica, de trabalhar e investigar. “O que os jovens levam desta sua primeira passagem pelo ensino superior é o aumento da sua autonomia, da sua capacidade de pensar. Para além, obviamente, de se criar cidadãos com outra perspetiva do que é a sociedade, que sejam mais tolerantes, que levem valores civilizacionais essenciais para o futuro das novas gerações. Não se trata apenas de aprendizagem em sala de aula, mas de todo o convívio que estes jovens têm na universidade e que os faz crescer e ser melhores”.

porque é ali que os jovens recebem as ferramentas necessárias para estarem em constante atualização ao longo das suas vidas. “Há cursos que não estão a formar para profissões específicas, mas sim a capacitar os jovens para ingressar num mercado de trabalho que é muito transversal e que está em permanente mudança. Sinceramente, acho que ninguém sabe muito bem o que está para vir. Será 4.0 e mais digital, mas a velocidade da mudança é cada vez 37

Paulo Águas falou de uma primeira passagem pelo ensino superior, deixando antever que, no século XXI, não nos podemos limitar a tirar um curso e pensar que já não precisamos estudar mais no resto das nossas vidas, que esse assunto está despachado. E incutir esse espírito de aprendizagem contínua é também uma das missões dos docentes, confirma o nosso interlocutor. “No passado, era o conhecimento pelo conhecimento, a universidade na sua Torre de Marfim. A investigação é algo relativamente recente, embora não faça sentido termos ensino sem investigação. A verdade é que, há uns anos, tínhamos uma investigação sem propósitos claramente de aplicação imediata, de transformar a realidade, de contribuir para o nosso bem-estar e ALGARVE INFORMATIVO #173


desenvolvimento, para além do conhecimento de onde vimos e para onde podemos ir”, compara o Reitor da Universidade do Algarve, falando igualmente de uma maior interação das universidades com o meio empresarial, o que faz com que os alunos saiam do ensino superior com vivências completamente distintas. De igual modo, uma universidade deve estar em sintonia com o território em que está inserida, o que não é o mesmo que dizer que uma universidade deva assumir um carater ou dimensão meramente regionais. “É óbvio que as universidades têm muitos elementos em comum, mas todas elas possuem, também, as suas especificidades, e isso é influenciado pelo ALGARVE INFORMATIVO #173

seu meio envolvente. Algumas coisas que a UAlg faz só as consegue fazer por estar no Algarve, mas há outras que se podem realizar no interior ou no litoral, no norte ou no sul do país. Temos maior facilidade em ir mais longe em campos que estejam relacionados com o Mar e o Sol, mas isso não invalida que não tenhamos igualmente investigação de ponta em áreas em que não estamos dependentes dos recursos endógenos”, sublinha Paulo Águas. Ora, com todas estas mais-valias, não admira que a Universidade do Algarve seja cada vez mais o estabelecimento de ensino superior predileto dos algarvios, contrariando uma tendência de décadas 38


passadas em que os jovens do Algarve rumavam preferencialmente para Lisboa, Porto ou Coimbra. “Mais de metade dos jovens algarvios estudam na UAlg e os resultados de 2018/2019 apontam para um reforço dessa realidade, com aumentos significativos em escolas mais próximas de Faro. Claro que, se o Algarve tivesse mais mobilidade, teríamos muito mais estudantes de Albufeira, Portimão ou Vila Real de Santo António. Dominamos claramente no Algarve Central, onde ainda se consegue vir todos os dias para a universidade em transportes públicos, mas o mesmo não acontece se pensarmos nas extremidades da região”, nota Paulo Águas. “A perceção da qualidade é relativamente homogénea de uma ponta do barlavento à outra ponta do sotavento, o que difere são os custos e a possibilidade de se frequentar a UAlg”, acrescenta, apelando a políticas regionais que incentivem a mobilidade intrarregional. Por falar em custos, as propinas continuam a ser uma despesa importante, mas o alojamento está-se a tornar numa das principais dores de cabeça dos jovens universitários, devido à pressão do ramo imobiliário que se faz sentir nas principais cidades portuguesas. “Estamos a tentar aumentar a capacidade das nossas residências, onde temos, atualmente, cerca de 560 camas, mas elas têm como finalidade primeira acolher os estudantes bolseiros, que constituem 20 por cento do universo da Universidade do Algarve. O preço do imobiliário aumentou bastante nos últimos anos, o que afetou o mercado de arrendamento dos estudantes, com muitos quartos e 39

apartamentos privados a passarem a estar mais vocacionados para os turistas”, analisa Paulo Águas, embora desconheça casos de alarme entre os novos alunos que vão frequentar a Universidade do Algarve neste ano letivo. “É uma situação que espero que não venha para ficar, porque sabemos que a construção esteve muito tempo parada. Existindo mais oferta, os preços baixam, mas hoje a procura é claramente superior à oferta”.

Independente destas questões, a Universidade do Algarve continua a participar em múltiplos projetos de carater regional, nacional e internacional, para além das descobertas constantes realizadas pelos seus vários Centros de Investigação. Infelizmente, comenta Paulo Águas, nem todos estão cientes desse papel e peso. “Temos um excelente relacionamento com as entidades regionais, com a CCDR, a AMAL e as autarquias, mas uma boa parte dos estudantes da Universidade do Algarve não votam no Algarve, o que pode condicionar algumas prioridades dos nossos decisores políticos. É indiscutível o impacto que a UAlg tem, aliás, já ultrapassamos os 60 mil alunos na nossa história. Se juntássemos todos os estudantes que passaram pela UAlg, precisávamos de dois Estádios do Algarve para os meter a todos lá dentro”, compara, com um sorriso. “Existe um impacto direto quando fazemos investigação e participamos em variadíssimos ALGARVE INFORMATIVO #173


projetos, planos e programas, a que se soma um impacto indireto dos milhares de graduados da UAlg, dos quais 50 a 60 por cento acabam por ficar no Algarve. Sentimos que a região está, sem qualquer dúvida, com a Universidade do Algarve, mas precisamos de um pouco mais, de mobilidade, de acessibilidade, de mais alojamento a pensar nos estudantes”, exemplifica o Reitor. ALGARVE INFORMATIVO #173

A conversa não podia terminar sem se abordar a eterna dor-de-cabeça que é gerir o orçamento de uma universidade, com grande parte das verbas a chegar do Orçamento Geral do Estado. Mas, se compararmos essas dotações financeiras com a média europeia, Portugal surge na cauda do pelotão. “O financiamento público do ensino 40


recrutamento de estudantes internacionais – já são quase 20 por cento do total de alunos da UAlg, da investigação ou da prestação de serviços. Claro que não estamos à espera que a região nos entregue dotações, isso é uma responsabilidade do governo, mas queremos interagir com os agentes regionais e estes, de facto, solicitam-nos mais serviços”, salienta Paulo Águas.

superior, em percentagem do PIB, é manifestamente inferior ao que se verifica no resto da Europa. Há poucos dias alguém dizia que seriam necessários mais 200 milhões de euros, ou seja, um aumento de 20 por cento, para deixarmos de ser o último na OCDE. Felizmente que temos conseguido aumentar as receitas próprias, nomeadamente através do 41

A finalizar a entrevista, o Reitor da Universidade do Algarve confirma que a grande novidade do ano letivo 2018/2019 é a transferência da Escola Superior de Saúde para o Campus das Gambelas, deixando as aulas de ter lugar no edifício existente à entrada da cidade de Faro. Foi igualmente submetida a candidatura para o Pólo Tecnológico da Universidade do Algarve, que deverá nascer no Campus da Penha dentro de dois anos. “Este ano não lançamos novos cursos, porque é necessário ter alguma estabilidade na oferta formativa, mas vamos ter em Faro uma PósGraduação em Enfermagem Comunitária e levamos para Portimão uma pós-graduação na área da atividade imobiliária. Recentemente foi feito também o registo da associação para o desenvolvimento do Centro Académico Clínico e estamos a dar os primeiros passos para um Centro de Simulação Clínica nas Gambelas”, resume Paulo Águas. “O Algarve é bom para viver, para trabalhar, para visitar e para estudar, através da Universidade do Algarve”, termina .

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CALOIROS DA UNIVERSIDADE DO ALGARVE VOLTARAM A DESFILAR PELAS RUAS DE FARO Texto:

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ano letivo 2018/2019 arrancou, na Universidade do Algarve, a 17 de setembro e, como reza a tradição, a Associação Académica da Universidade do Algarve preparou mais uma receção ao caloiro, com muitos concertos a aquecerem o ambiente no recinto das Muralhas de Faro, de 19 a 27 do corrente mês. Para além do cartaz musical, multiplicaram-se as iniciativas diurnas, com o intuito de integrar os novos alunos da academia algarvia no quotidiano da capital de distrito, uma vez que muitos deles chegam de outros pontos do país e de outros países espalhados por esse mundo fora. ALGARVE INFORMATIVO #173

Um dos momentos mais marcantes da Receção ao Caloiro voltou a ser o desfile pelas ruas de Faro, que teve lugar no dia 25 de setembro, logo a seguir ao almoço. Depois de uma manhã consumida pelos muitos preparativos dos jovens estudantes, desde as indumentárias às «maquilhagens» e «penteados», os caloiros dos cursos dos polos das Gambelas e da Penha da Universidade do Algarve fizeram-se à estrada, num percurso até ao Largo de São Francisco onde demonstraram terem a lição de casa bem estudada, com os habituais cânticos e as serenatas

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aos cidadãos que assistiam ao cortejo das janelas de suas casas. Claro que, como é natural, o desfile não se fez só de cantigas e cânticos, houve muita interação entre os diversos cursos ao longo do trajeto, verdadeiras «batalhas campais» – perdoe-se o exagero, porque decorreram sem qualquer incidente ou problemas de maior – onde os balões de água, as pistolas com vinagre, os sacos de farinha e os ovos, foram as «armas» de eleição. Ação que forçou, como também é costume, a algumas paragens de trânsito pelas forças de segurança, mas os próprios condutores dos automóveis, e até quem ALGARVE INFORMATIVO #173

seguia no comboio turístico, aproveitou para tirar fotografias à paródia que, na tarde de terça-feira, tomou conta das ruas de Faro. Depois, no final do trajeto, no Largo de São Francisco, lá os esperava o autotanque dos Bombeiros Voluntários de Faro, porque só mesmo à mangueirada de alta pressão é que se conseguia eliminar alguma da sujidade, e do intenso cheiro, que as centenas de caloiros exibiam, de sorriso nos lábios, após mais uma prova superada no seu ingresso no ensino superior.

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The Bride estreou no Teatro das Figuras Texto:

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Teatro das Figuras, em Faro, assistiu, no dia 20 de setembro, à estreia do solo «The Bride», interpretado pela bailarina coreana Hyaejin Lee, que mostrou, pela sua graciosidade, expressividade e mensagem, que não são as diferenças de género, culturais ou outras, que afastam os povos, assim que estiverem resolvidas as quezílias políticas comuns às pessoas, a cada região ou país. “Esta matriarca representada por nós como a noiva é uma personagem forte, organizada, determinada e corajosa que nos irá permitir utilizá-la como fio condutor para a nossa apresentação”, descrevem os encenadores Hyaejin Lee e Sérgio Miguel Mendes. «The Bride» é uma coprodução do Teatro das Figuras e da Molecule Kingdom – Associação Artística e Cultural, com Encenação e Coordenação Artística de Hyaejin Lee e Sérgio Miguel Mendes, Composição e Direção Musical de Hyaejin Lee, Cenografia de Sérgio Miguel Mendes, Figurinos e Adereços de Hyaejin Lee e Sérgio Miguel Mendes e Luz de Sérgio Miguel Mendes . ALGARVE INFORMATIVO #173

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REPORTAGEM

UM SOLO PARA A SOCIEDADE NO FESTIVAL DANCE, DANCE, DANCE 2018 Texto:

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partir do monólogo «O Contrabaixo», de Patrick Süskind, António Cabrita e São Castro aprofundam, em «Um Solo para a Sociedade», a reflexão sobre como as pessoas ocupam um território comum, abordando problemáticas que norteiam a condição humana; ampliando o gesto como movimento elaborado e exteriorizado dessa reflexão. Este confronto do eu e dos outros, do barulho e do silêncio, em som visível no corpo, foi magistralmente interpretado por Miguel Santos, no Teatro das Figuras, em Faro, no dia 20 de setembro, em mais um ALGARVE INFORMATIVO #173

espetáculo integrado no Festival Dance, Dance, Dance 2018. Acima de tudo, estamos perante um solo diante da sociedade, o público, que observa o indivíduo, um intérprete que, por sua vez, observa a sociedade, explica a dupla de coreógrafos, que são, igualmente, os diretores da Companhia Paulo Ribeiro, de Viseu. “O nosso movimento é muito complexo do ponto de vista técnico, motivo pelo qual a peça é praticamente toda escrita ao pormenor, tirando algumas partes em que o Miguel tem liberdade para brincar com as coisas”, indicou 72


António Cabrita, lembrando que «O Contrabaixo» é do mesmo autor do conhecido livro e filme «O Perfume». “A obra teatral é um monólogo em que ele está em cena e em constante comunicação com o público. Assume que está em palco, é essa a sua casa, e passa a peça toda a falar diretamente com a assistência e achamos que seria interessante manter essa relação de proximidade. No fundo, o contrabaixo é um elemento que passa quase despercebido numa orquestra, mas é totalmente imprescindível, é ele que dá a base, toda a parte grave”, referiu António Cabrita. «O Contrabaixo» pretende ser, então, uma sátira à sociedade perfeitamente 73

dividida em classes, esquecendo-se, porém, “que todos os indivíduos têm a sua importância”, entende Miguel Santos, confessando que o regresso a Faro foi um momento especial, de nervosismo e de tremenda responsabilidade, depois de ter estudado na Companhia de Dança do Algarve. “Foram muitos anos nesta casa e quase todas as pessoas que estão na assistência tiveram algum tipo de relacionamento comigo no passado. Os artistas aprendem imenso com aquilo que veem e trabalhar diariamente com a São Castro e o António Cabrita permitiu-me crescer, a nível pessoal e profissional, de uma forma bastante repentina”, destacou o bailarino. ALGARVE INFORMATIVO #173


Elogios foram dados, também, por António Cabrita a Miguel Santos. “Está no Top 3 nacional, a sério. Ele consegue apanhar o conceito muito facilmente e não temos que estar sempre a corrigir a essência do movimento. Preocupamonos mais com a interpretação e a microdinâmica do movimento e quisemos que esta peça fosse altamente desenhada do ponto de vista da ALGARVE INFORMATIVO #173

motricidade fina”, revelou António Cabrita. “É sempre difícil passar a nossa linguagem a outros intérpretes, há uns que têm mais facilidade do que outros para compreender aquilo que queremos, e também depende de cada obra. Escolhemos o Miguel para «Um Solo para a Sociedade», vai trabalhar agora com o Henrique Rodovalho e vai colaborar igualmente com o Paulo Ribeiro”. 74


«Um Solo para a Sociedade» sobe ao palco, no dia 24 de novembro, no Festival Internacional de Solos, no CineTeatro Garrett, na Póvoa do Varzim, e depois, a 1 de dezembro, no Teatro Virgínia, em Torres Novas. Mais duas excelentes oportunidades para assistir ao lado mais poético dos coreógrafos São Castro e António Cabrita, “dos tempos que não são muitos comuns, dos silêncios, do tamanho das coisas”. “São todos esses ínfimos detalhes que nos desafiam”, admite António Cabrita, adiantando que a nova criação da dupla – Last – deverá estrear em novembro de 2019. “Vai ser uma peça com música ao vivo pelo Quarteto de Cordas de Matosinhos e vamos trabalhar sobre os Late String Quartets de Beethoven”.

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Ficha artística e técnica Conceito: São Castro Coreografia, Desenho de Luz e Figurino: António Cabrita e São Castro Música Original: São Castro Música Adicional: Daniel Bjarnason, Hildur Gudnadóttir, Jean Sibelius e Jean-Baptiste Lully Interpretação: Miguel Santos Produção: Companhia Paulo Ribeiro Coprodução: Teatro Viriato

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CINE-TEATRO LOULETANO APRESENTOU PEÇA SOBRE A EXPLORAÇÃO SEXUAL DE MENORES NA COLÔMBIA Texto:

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Cine-Teatro Louletano recebeu, no dia 21 de setembro, a prestigiada companhia de teatro «A Barraca», que trouxe, pela primeira vez ao Algarve, a inquietante peça «Erêndira! Sim Avó…», com um grande elenco em que se inclui a conceituada atriz Maria do Céu Guerra. O texto do espetáculo é baseado na obra «A incrível e triste história de Cândida Erêndira e sua Avó Desalmada» do Nobel da Literatura Gabriel García Márquez. A direção e adaptação desta criação teatral são assinadas por Rita Lello, que descreve assim a obra: “‘Estava Erêndira a dar banho à Avó quando começou o vento da sua desgraça.’ É com estas palavras que ALGARVE INFORMATIVO #173

o Prémio Nobel da Literatura Gabriel García Marquez abre a novela curta que está na base deste espetáculo. Usando como pano de fundo a triste realidade da exploração sexual de menores na 82


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profunda Colômbia mágica, Gabo dá-nos a conhecer a relação de exploração entre uma Avó desalmada e uma neta cuja candidez e cega obediência suporta extremos de violência sexual impensáveis. ‘Se as coisas continuarem assim pagas-me a dívida dentro de oito anos, sete meses e 11 dias’, contabiliza a Avó. Se tivermos em conta que a média diária são 70 homens a quem Erêndira presta por dia os seus serviços, teremos ideia do nível da exploração que este corpo de 14 anos acabados de fazer terá de suportar, da crueldade da Avó e do desnorte a que

chega uma sociedade indígena violentada por missionários evangelizadores e regida por militares sem escrúpulos”. Não podendo olhar para esta narrativa senão como uma metáfora, e tendo em conta que García Marquez é um escritor que aliou como poucos uma escrita mágica às preocupações sociais e políticas, não é estranho, para Rita Lello, “que ela nos evoque imediatamente a relação de exploração existente entre países ricos e países pobres”. “A dívida de Erêndira – nascida de um descuido numa desgraçada noite de vento em que, caída de cansaço, adormeceu antes de apagar uma vela – vai aumentando à medida que a paga”, descreve a encenadora. O espetáculo inseriu-se no ciclo «Estórias Silenciosas», que desde 2017 procura apresentar propostas performativas na área do teatro que incidam sobre temáticas atuais e dotadas de pertinência social, política, económica, cultural ou ecológica, suscitando também o debate e reflexão crítica com os criadores, demais artistas e público. O elenco desta peça é composto por Maria do Céu Guerra, Sara Rio Frio, João Maria Pinto, Adérito Lopes, Cláudio Castro, Fernando Belo, João Parreira, Miguel Santos, Rita Soares, Rúben Garcia, Sérgio Moras e Samuel Moura, cabendo a luminoplastia, vídeo e projeção a Paulo Vargues. A sonoplastia é da responsabilidade de Ricardo Santos e a operação de som de Bárbara Rocha, com Fernando Belo no apoio à montagem .

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I OUT OF SIGHT FEST

SONORIDADES PESADAS MARCARAM FIM-DESEMANA NO ALGARVE Texto:

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utros até se podem promover como o «último grande festival de Verão», mas a primeira edição do «Out Of Sight Fest», que teve lugar no recinto da Associação Recreativa e Cultural de Músicos, em Faro, prova-nos não só que o tamanho não interessa, mas também que o festival tem argumentos para tornar-se num festival underground de referência. ALGARVE INFORMATIVO #173

A disposição das salas e a existência de um espaço aberto, ainda que entre os muros da antiga fábrica que acolhe a associação, criam as condições perfeitas para um evento do género. De um lado, os concertos. Do outro, as bancas do merch, paragem obrigatória para os visitantes entre as atuações. Além disso, tanto numa sala como noutra, serviço de bar, sempre importante para 90


refrescar a garganta e hidratar, já que, apesar da chuva que se fez sentir no primeiro dia de Festival, continuava a sentir-se o calor no algarvio, não obstante estarmos já em setembro. E porque, no segundo dia, os concertos começavam ainda antes da hora de jantar, havia até cozinha que disponibilizava bifanas e a respetiva alternativa vegan para que ninguém passasse fome.

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Em relação aos concertos propriamente ditos, na noite de 14 de setembro, e dentro da hora, coube aos Villain Outbreak a sempre árdua tarefa de iniciar as hostilidades. Apesar de tocarem para uma sala ainda a meio gás, souberam capitalizar o facto de estarem a atuar para um público familiar, não fossem eles do Algarve, e brindaram os presentes com o seu metal energético. Logo de seguida os To All My Friends, vindos de Setúbal, apresentaram o seu registo de pop punk sem complexos, ALGARVE INFORMATIVO #173


para uma audiência que ia crescendo em número à medida que as músicas passavam. O facto de cantarem em inglês parece tornar o formato mais familiar e entre fãs e meros «curiosos» conseguiram cativar as atenções, num concerto bastante competente. Pela primeira vez em terras luzas, os alemães Giver deram um concerto curto, mas intenso. Com um disco lançado no início de 2018, a banda surpreendeu não só pela sua música, com uma prestação bastante competente que terá deixado fãs em Portugal, mas também pelas intervenções do vocalista entre músicas – tão habituais nos concertos de Hardcore - que abordou questões tão complexas e sensíveis como a depressão e a crise de refugiados. Para quem acha que a «mensagem» se tem perdido no ALGARVE INFORMATIVO #173

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Punk Hardcore, os Giver são a prova de que existe ainda quem não tenha esquecido as suas raízes.

lançamentos nacionais daquele ano, a banda deu um concerto que não desiludiu quem ali tinha ido para os ver.

E porque o trânsito em Lisboa é tão mau que cria complicações até no Algarve, uma alteração no programa levou a que tivessem sido os Fita Cola a subir ao palco, em vez dos Primal Attack. A banda que já não tocava em Faro há sete anos mostrou todas as suas credenciais e o motivo de manter-se no ativo desde 2003. O coletivo de Coimbra presenteou a assistência com um punk rock cantado em português que aqueceu a sala e trouxe sorrisos a muitos dos presentes, havendo até direito a um cover de José Cid.

De seguida, os alemães Risk It subiram a palco e fecharam a noite num ambiente festivo. A banda alemã que não é desconhecida do público português apresentou-se com o seu hardcore potente, carregado de um misto de raiva, atitude e humildade, como se quer. O público, que nesta altura já compunha a sala, retribuiu e fez a festa com muito membro pelo ar e com direito a balcony dives, um evidente upgrade em relação aos habituais stage dives. O final da noite chegava e antecipava coisas boas para o dia que se seguia.

Já chegados, os Primal Attack meteram as cabeças a mexer com o seu groove/thrash metal. Com um disco lançado o ano passado, considerado por alguns como um dos melhores

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No dia 15 de setembro, as festividades iniciaram-se logo pelas 18 horas, com o sol ainda a brilhar cá fora. Desta feita,

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coube aos Linchpin subir a palco em primeiro lugar. Apresentando-se como uma banda Hardcore, parece-nos redutor o enquadramento nesse estilo. Certo é que nota-se ainda a falta de entrosamento com o público, situação que ficará certamente resolvida nos próximos concertos agora que o EP da banda já está disponível. Logo em seguida, coube aos algarvios Shadowmare atuar. A banda tem cerca de três anos mas parece já movimentar pessoal, como fica provado pelo número de merch que se via na sala. Proporcionaram cerca de trinta minutos de um Death Thrash Melódico sólido que encanta, certamente, os fãs do género. Em seguida foi a vez dos Decreto 77 mostrarem que o punk rock em Portugal ALGARVE INFORMATIVO #173

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ainda está vivo. A banda que esteve algum tempo sem dar concertos mostrou que isto é um pouco como andar de bicicleta e meteram o público a cantar e a dançar. Pelo meio houve até direito a músicas novas. Ainda o pessoal estava a recuperar de Decreto 77 e os bascos Meltdown já faziam jus ao nome. O coletivo que se apresenta como uma banda de Post-Metalcore tocou alto e tocou rápido, mas tocou bem e depressa a energia que se fazia sentir em palco contagiou o público. Não foi de menor importância o conjunto de «nuestros hermanos» que se encontrava por essa altura na sala e que fizeram, em grande medida, a festa, nesta que foi a primeira atuação dos Meltdown em Portugal. Os Albert Fish vieram a seguir e mostraram, com o seu punk rock ritmado,

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que estão aí para as curvas e a apelar ao público de todas as idades. Ficou a sensação que a banda consegue transformar os concertos em convívios de amigos, tal é a «boa vibe» que transmitem na conversa que surge com naturalidade entre músicas, sem aligeirar, contudo, a mensagem incisiva que transportam em tantos dos seus hinos. Houvesse quem não os conhecesse e levariam, certamente, boa impressão da banda. Os portugueses Grankapo vieram logo a seguir e deixaram claro que não vinham para brincadeiras. A banda que se encontra no ativo desde 2006 presenteou o público com um hardcore que vai buscar inspiração aos grandes clássicos e que deixou bem evidentes os pontos fortes de um grupo que tem já vários longos anos de experiência nisto. Não faltaram os singalongs e os circle

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pits a acompanhar a «violência» das palavras e dos riffs da banda. Como diria, mais à frente, Martijn, vocalista de NTB, fossem os Grankapo uma banda dos EUA e seriam enormes. Numa mudança de registo, elemento que caracterizou este fest que não quis prender-se apenas a um género, vimos os ANALEPSY a subir a palco. Apesar da competência demonstrada, não andassem eles nisto há já cinco anos, o concerto acabou por ser uma quebra no ritmo da noite. Apesar disso, os fãs do género Brutal Death Metal não ficaram certamente indiferentes ao concerto. Se no dia anterior já tinha ameaçado que esta primeira edição do Fest não passaria sem que acontecesse um imprevisto de última hora, com o atraso dos Primal Attack, o segundo dia confirmou essa situação, com os Holocausto Canibal a ALGARVE INFORMATIVO #173

verem-se obrigados a cancelar a sua participação no evento depois de terem ficado parados na estrada devido a problemas mecânicos. A organização ainda procurou alterar a ordem das atuações, passando os No Turning Back para a slot que seria inicialmente dos metaleiros de Rio Tinto, de modo a dar tempo de permitir a sua chegada, mas chegou entretanto a confirmação de que a banda não iria conseguir chegar, de todo, a tempo. Apesar de ser a primeira edição do Fest, a experiência da organização nestas andanças depressa permitiu resolver, de certa forma, a situação, sendo que no dia 15 os presentes puderam voltar a ver os alemães Giver que disponibilizaram-se para um segundo set. Entre o desenrascanço de uns e a disponibilidade dos outros, fica claro que a máxima «Hardcore Lives» é ainda verdadeira. 96


E pegando naquela máxima, foi com enorme expectativa de muitos que os No Turning Back subiram a palco. A banda hardcore estrangeira mais portuguesa de sempre, tal é o número de vezes que já atuou em terras lusas, foi certamente o nome que mais gente trouxe até ao recinto. Desde o pessoal de outros tempos aos mais novos, não faltou quem quisesse estar presente em mais uma performance da poderosa banda vinda dos Países Baixos. O Martijn, vocalista da banda que anda nisto desde 1997, é um frontman nato e a sua química com o público é inegável, não ficando nunca sem resposta os seus convites a stage dives, circle pits ou a, simplesmente, partilhar o microfone.

atuação e voltaram a presentar o público resistente com uma prestação sólida que fechou em beleza esta primeira edição do Out Of Sight Fest. Em suma, não obstante um ou outro contratempo, o Out Of Sight Fest confirmou-se como um evento a ter em conta em futuras edições. Apesar de surgir numa altura em que o underground em Faro parece mais adormecido que no passado - não obstante a resistência de algumas pessoas e projetos, sempre de salutar – o Fest foi capaz de atrair pessoas e mostrar que a cena está ainda viva e está hoje mais aberta a experiências diferentes, e novas, do que estaria até, provavelmente, noutros tempos .

E foram muitos os que quiseram mostrar os seus dotes vocais, mostrando que as letras de No Turning Back são bem sabidas por cá. Entre as músicas falou-se do estado do Punk Hardcore no Algarve, sobre como as ideologias de ódio não têm lugar no underground e até houve espaço para promessas de que, a haver mais edições do Fest, teremos certamente o vocalista de NTB por cá a apoiar. Enquanto as decisões sobre eventos futuros não chegam, a verdade é que NTB fizeram a festa nesta primeira edição do Fest com o seu hardcore com gostinho ao old school NYHC, breaks intensos e oportunidades para sing alongs. Chegados ao fim da atuação de No Turning Back, como prometido, vimos o regresso dos Giver a palco. Não sendo tarefa fácil tocar a seguir aos powerhouse que são os NTB, já para não falar do facto de ser toda uma situação inesperada, os Giver assumiram ainda assim as rédeas da 97

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REPORTAGEM

GRUPO DE TEATRO VIVA DA APPC LEVOU A BAILARINA AO IPDJ Texto:

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s utentes da Associação Portuguesa de Paralisia Cerebral de Faro (APPC Faro) levaram, através do Grupo de Teatro Viva, no dia 21 de setembro, a peça «A Bailarina» ao auditório da Direção Regional do Algarve do Instituto Português do Desporto e da Juventude. A peça resulta de um trabalho desenvolvido no Centro de Atividades Ocupacionais da APCC e dá a conhecer a história de amor, de paixão, de tragédia e mistério de uma bailarina que, por desgosto, terá cometido suicídio no Teatro Lethes. E dizem que, até à data, ainda o seu espírito vagueia pelas instalações do imponente edifício . ALGARVE INFORMATIVO #173

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Emprego para a vida? Paulo Cunha (Professor) o tempo em que comecei a estudar, tal como no tempo de muitos de vós, era usual os nossos familiares e amigos dos nossos pais perguntarem-nos: “O que é que queres ser quando fores grande?”. Hoje, aprendi a já não fazer essa pergunta, pois, invariavelmente, grande parte dos meus alunos responde-me que ainda não pensou nisso, ou então que são tantas os desejos e aspirações para a sua vida futura que preferem também não responder. Mais do que muitos adultos, eles já aprenderam a ler os sinais que a sociedade lhes transmite para o que virá ser o «seu tempo». Hoje, no tempo em que aqui vos escrevo, a realidade pura e dura dos recibos verdes, que pouco garante aos trabalhadores quanto a direitos sociais, confronta-se com a rigidez dos contratos efetivos ou sem termo, que dificulta a empregabilidade, a mobilidade profissional, a renovação geracional e, por vezes, a avaliação do mérito dos trabalhadores. Daí, muitos empregadores optarem pela modalidade dos recibos verdes, que tem, pelo menos, a virtude de proporcionar, ainda que com todas as contingências e vicissitudes conhecidas, uma ocupação remunerada. E assim se vai conseguindo que os «números do desemprego» se mantenham baixos, evitando, ao mesmo tempo, convulsões sociais e instabilidade política. Existem cada vez mais candidatos a um emprego com excelentes qualificações profissionais, por isso as empresas, para além de procurarem gastar menos com os seus empregados, tentam também obter competência e «know how» a bom preço. Surgem, a toda a hora, novos nichos de mercado onde o trabalho temporário e o «outsourcing» são, cada vez mais, a solução procurada pelas administrações para não terem que integrar trabalhadores nos quadros das suas empresas. A celeridade e a volatilidade da

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procura condicionam a criação da oferta, e a formação de base deixou de ser condição «sine qua non» para a empregabilidade. Assim sendo, os empregos acabam por ter vida própria, condicionando, dessa forma, a vida dos empregados. É fundamental que os mais velhos, como eu, entendam que as alterações operadas pela revolução tecnológica estão, em catadupa, a condicionar as mudanças socioeconómicas que já estão a influenciar e continuarão a influenciar a vida dos nossos filhos. Filhos de pais com empregos para a vida, habituámo-nos a um paradigma de vida que já faz parte do passado. Por isso, assisto com alguma reserva e preocupação à forma como muitos dos meus pares reagem à entrada dos seus filhos em determinados cursos superiores, que depois de concluídos, por si só, não garantirão os sonhados empregos para a vida. Os tais empregos que, legitimamente, gostaríamos que os nossos descendentes viessem a ter, como forma de garantir uma base de sustentabilidade, de segurança e de continuidade enquanto família, mas que a vida dos nossos dias se encarrega de transformar em trabalhos precários. Nada que os jovens já não saibam, mas que muitos pais ainda não interiorizaram, levando-os a não entender as mudanças quase drásticas que se têm vindo a operar no mercado de trabalho global, bem como as consequentes repercussões na vida das famílias. Numa altura em que a mobilidade, a formação contínua e a flexibilidade são apenas garantias de trabalho e não de emprego, é cada vez mais importante interiorizarmos que cada um de nós é detentor de inúmeras capacidades e competências, que aplicadas de forma construtiva, criativa e prazenteira, poder-nosão realizar pessoal e profissionalmente. Uma vida, cada vez mais, alicerçada numa constante mudança. Assim sendo: saibamos também mudar interiormente! . 108


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Dura lex sed lex Mirian Tavares (Professora) lei é dura, mas é a lei. É um princípio que aparece nas constituições de diversos países: o desconhecimento da lei não escusa o perpetrador do castigo. Devem estar a pensar que enlouqueci, ou que bebi gasolina, por começar uma crónica com palavreado jurídico e, ainda por cima, em latim! Pois a verdade é que o latim dá outro peso às expressões, dá-lhes uma espécie de legitimidade consuetudinária. Não dormi sobre a constituição, nem ando a ler livros de direito. Só se os romances e séries policiais contarem! Acordei com esta expressão na cabeça porque venho pensando, há algum tempo, sobre duas coisas que me incomodam profundamente: a mania dos regulamentos e a incapacidade, aparentemente inata, de se aplicar a lei sobre um indivíduo em particular, o prevaricador, o que ignora que a lei, ou o regulamento, aplica-se, ou deveria aplicar-se a todos, e vezes sem conta faz o que quer e lhe apetece. E o único castigo que sofre, é ser mal visto e mal-falado, coisa que já devíamos ter percebido, não lhes afeta minimamente e é para o lado em que eles, ou elas, dormem melhor. Estas duas coisas estão ligadas de maneira indissociável – ao não se ter coragem de aplicar a lei sobre quem de direito, criam-se mais regulamentos, cada vez mais absurdos e opressivos, para todos, na esperança vã de, finalmente, atingir o malandro, ou a malandra, que continua sem dar por nada e a fazer o que bem lhes dá na real gana. E perdemos todos. Perdemos tempo precioso em redigir regulamentos ALGARVE INFORMATIVO #173

sobre regulamentos, perdemos tempo quando vemos que afinal aquele regulamento fere juridicamente a lei geral e tem de ser revisto e rediscutido e criada uma comissão para fazer uma revisão e um novo regulamento, que por sua vez precisa ser aprovado e revisto e assim passamos a nossa vida (in)útil. E claro, temos ainda de arranjar tempo, e espaço, para fazer investigação, publicar, rever textos para revistas indexadas e participar de comissões científicas de congressos, organizar e apresentar comunicações em colóquios e afins, orientar teses e dissertações e, last but not the least, dar aulas. E os outros, e outras, os nossos malfalados colegas, seguem pelos corredores a fazer o que querem, pois a lei jamais os atingirá se não for aplicada. Não sobre, e para todos, mas sobre aqueles que merecem e que já são velhos, e velhas, conhecidos da casa. Quando comecei a dar aulas em Portugal, o que mais me encantava era o clima de confiança entre pares – somos todos professores universitários e, como tal, sabemos das nossas responsabilidades e deveres. E somos adultos, ou pelo menos, velhos. Este clima de confiança foi sendo dirimido e substituído por regulamentos e declarações e documentos e chatices infinitas. Não sou, de modo algum, contra a existência de leis/regulamentos – muito pelo contrário. Só acho que os que existem nos bastam. Precisam é ser aplicados em quem não os cumpre. E deixar o resto de nós com mais tempo para produzir aquilo para o qual fomos contratados: conhecimento .

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OPINIÃO

O meu Cavalo de Turim Adília César (Escritora) calor a dobrar o ar inventa novas formas no horizonte. É Outono, mas o clima faz-se rogado e não antecipa as poéticas transformações da natureza. A semântica do Verão perdeu a validade e o Outono está tão atrasado como um comboio que descarrilou a norte de nenhum sul e nunca mais chega a este preciso ponto onde me encontro. Neste rigoroso lugar de esquecimento. Os potenciais passageiros amontoam-se na Estação, mal-encarados. As malas são tão pesadas. Carregam toda uma vida de recordações inúteis. Doem-me as mãos e as costas. Talvez já esteja velha demais para mudar de vida. Talvez já não valha a pena tentar recuperar o que se perdeu. Talvez as malas estejam, afinal, vazias. É fim-de-semana. Malfadado fim-de-semana. Mais um fim-de-semana a menos. Estou presa à cobardia de não procurar um transporte alternativo para a melancolia que carrego desde sempre. O comboio está atrasado e é melhor pernoitar aqui por perto. Ali mesmo. Dez passos e entro no Hostel. Parece acolhedor. A pequena porta branca contrasta com o chão de madeira envernizada e as paredes em vários tons de verde. De repente, um «dejá vu». Junto ao bar, o rapaz franzino mostra à surpreendida rapariga loura a última tatuagem acabada de fazer, ainda quente, ainda vermelha de dor: - Ai que impressão que isso me faz… Dói-te? - Não dói, quer dizer, dói, mas dá-me gozo. A um canto da sala de entrada, de mão dada com o pai, a criança choraminga e a mãe puxa-a para o seu colo, destapa um seio e dá-lhe de mamar. - Não devias mostrar as mamas em público. - E tu não devias usar as calças tão apertadas. A mulher de ancas largas não consegue levantar-se do sofá e pede ajuda ao homem careca, ligeiramente distraído:

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- Tenho o pé dormente. Puxa aí. - Pois, não devias comer tantos pastéis de nata. Fiquei com a impressão que poderia ser o mesmo casal em três fases diferentes das suas vidas. E três episódios simultâneos de uma telenovela real, como se fosse um reality show ao vivo, ou um big brother ao longo de 50 anos. A mulher de cada um desses episódios podia ser eu. Passei por tudo aquilo e mais ainda do que o que poderia imaginar. Está tudo guardado nas malas. A televisão colocada junto ao tecto vomita uma sucessão de anúncios publicitários, em ritmo alucinante. Sento-me numa cadeira de lona e fecho os olhos. Quando os abro, perdida na linha do tempo, a mesma televisão denuncia uma chuva torrencial. Chove torrencialmente? Num canal qualquer passa um filme a preto e preto. «O cavalo de Turim» de Béla Tarr. Mas dezoito minutos de cena em que um cavalo puxa uma carroça e um velho no meio de uma intempérie é demais para mim. Uma estética agonizante da vida, uma estética anunciadora da morte. Apetece-me caminhar sem destino. Recordo outros tempos, em que gostava de pisar o chão molhado. Sujar os sapatos e sentir os salpicos arenosos nas barrigas das pernas. Desta vez, não vou levar o guarda-chuva. Desta vez, vai ser como nos filmes. Uma cena romântica de gaja a escorrer água por ela abaixo. Em câmara lenta. Abriu-se uma nesga de céu cinzento claro e a rua chamou por mim. As poças de água suja, na beira dos meus pés, retardaram os passos e os olhos. Olhei a porta entreaberta de uma casa térrea, de paredes descascadas, ao fundo da rua. Uma luz tremeluzente projectada pelas imagens da televisão acesa. A velha a dormitar num sofá coberto por uma manta desbotada. E as manchas de luz e sombra no seu corpo morto-vivo, a transfigurar a

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atmosfera do lar degradado pela solidão. A cena podia ser de um filme de Béla Tarr. Dezoito minutos a olhar para uma velha que não olha a televisão que está a olhar para a velha. A preto e branco. E nuances de cinzento. Fiquei ali, de pé, parada. Dezoito minutos. Tenho a certeza do tempo de espectador porque é o tempo-limite estabelecido pelo génio cineasta no empenhamento poético da sua filmografia. Complexo, na verdade. Há que confiar e aguentar. E depois há aquele segundo em que se percebe tudo. Uma coexistência de vida e de morte no objecto inanimado e no ser que ainda respira. A televisão está mais viva do que aquela velha. Está mais viva do que eu. Sinto isso na minha dor de cabeça e no estômago contraído. Saio dali a correr. Tão perto da morte feita de luz e de sombras. Mas ganho coragem e volto atrás. Na última indicação de cena junto-me a Béla Tarr e realizo o fim do filme. Fecho a porta daquele lar violado por dentro e por fora e volto-lhe as costas. Para circunscrever a geografia da morte e atenuar a deterioração da vida. Chove agora torrencialmente outra vez. Tremo de frio. Tão molhada, tão viva, tão bom. Caminho pela rua com um sorriso vitorioso. Um carro passa por mim a alta velocidade e encharca-me com uma avalanche de água suja que entra impúdica pela minha boca adentro, pelas narinas, pelos olhos. Conspurca-me por dentro e por fora. Deixo-me cair e desato a chorar. As lágrimas sujas de rímel e de lama caem nos meus joelhos. As 113

malas abrem-se e este tempo afoga-se na impossibilidade de voltar atrás: - Ganhaste, Béla Tarr. Tu é que sabes qual é a cena final deste filme. E eu, apenas uma figurante da tua genialidade .

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OPINIÃO

Do Reboliço #9 Ana Isabel Soares (Professora) spreguiçar, espreguiçar, espreguiçar, espreguiçar com bocejo. Coçar, coçar, coçar, coçar, coçar – espreguiçar outra vez, sacudir o corpo, desde a cauda até ao focinho. Coçar de novo. O Reboliço cumpre todos os caninos rituais, passada a noite, antes de sossegar para poder passar o dia. É um cão a quem não assustam as horas, o sol a subir e a descer, o trânsito da lua ou dos rebanhos de cabras. Entre as coisas que o incomodam, isso sim, conta: motorizadas que arrancam perto de onde ele esteja a dormitar; uma porta que com mais forte lufada de vento se feche, ou com mais pesada mão, o som alto de uma televisão nas redondezas – – e aquele gato que agora decidiu passear-se na varanda. O Reboliço cruzara-se com ele na rua, uma vez só, ia o bichano dentro de uma gaiola de plástico às cores, destas que usam os donos para os levarem ao veterinário. (Quando a Carolina era viva, se saía à rua, levavam-na por uma trela fininha de cabedal encarnado, que ela desprezava, safando-se para subir os troncos das árvores com as garrazinhas preênseis, as orelhas puxadas para trás e a boca em esgar de ataque pronto – não havia cá gaiolas.) Cruzara-se com o gato e achara curioso não o ter sentido ainda, habitantes de um mesmo piso. Certo, ele também não é de latidos, não é de ladrar, igual de discreto. Mas do gato nem o cheiro sentira, curioso. Ficou-lhe a surpresa. Foram-se as semanas, esqueceu-lhe o bichano – até que o viu, um dia destes, passear-se, lânguido, de abusado langor, na sua varanda. Na varanda do Reboliço, entre os vasos das tomateiras, das folhinhas recortadas que lhe parecem ser de roseira, dos coentros clandestinos, da orquídea de folhas gigantes, do solitário espinafre. Na varanda da treliça de suculentas, o insolente. É amareliço, talvez branco. Foi assim que o percebeu no primeiro instante: uma sombra branca, uma assombração pelo canto do olho entreaberto. Não, não devia ser nada. Algum pombo. Mas os pombos da rua (os abomináveis ALGARVE INFORMATIVO #173

pombos da rua, não os do pombal do Moinho, que arrulhavam uns arrulhos doces e faziam mais saboroso o arroz) são escuros, dariam escuras sombras. E isto era um fantasma da varanda. Grande como não é grande a osga que ali mora, e muito mais agigantado do que as melgas, as aranhas, as moscas a esvoaçar ao fim do dia. Não. Isto era coisa de medo, pensou o Reboliço no momento inicial em que percebeu, ainda sem ver, o gato. Foi dois ou três dias depois que o viu com olhos de ver, corpo de entesar e orelhas de levantar, passeando-se, indiferente a qualquer noção de domínio, na varanda. Nem um mover de olhos. Nem a cabeça virou. Só as patas se mexeram, no salto do parapeito ao chão, no passeio lento de um extremo da varanda ao outro e, depois, na elevação para o parapeito da varanda seguinte. O Reboliço, a quem a surpresa daquela invasão petulante deixou no incómodo que se adivinha, ergueu-se – não de um salto, que a lentidão do gato lhe contagiou a reação, mas em movimentos hesitantes, de quem ainda descrê e não consegue aceitar a afronta –, avançou até fora da sala, pisou a tijoleira da varanda, olhou para onde o bicho se sumira, depois para o lado contrário, porque o não via, abanou a cabeça, sentou-se, bocejou ainda em desconforto, e voltou para dentro. Já confirmara a presença. O sono não o aquietava: pensava num modo de agir, no que deveria fazer para manifestar ao invasor o desagrado. Quando, por fim, respirou fundo e se preparava para dormir, convencido talvez de que o bichano não voltaria a causar-lhe alvoroço, eis que regressa e faz retesar o sossego manso do Reboliço: elegante, silente, na mesma languidez com que chegara, avançando cada pata branco-amarelada, cada ligeiríssima ondulação do corpo, cada bigode passeando, indolente, na varanda. O gato . * Reboliço é o nome de um cão que o avô teve, no Moinho Grande. É a partir do seu olhar que aqui escrevo.

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Foto: Vasco Célio

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OPINIÃO - Tudo em Particular e Nada em Geral

Diz Que São o Sexo Forte Carla Serol (Uma loira qualquer) que mais gosto nos homens em geral é o facto de serem indiscutivelmente muito mais fortes que nós mulheres. Que me perdoem as sexistas defensoras da igualdade de género, mas eu aprecio que os homens sejam reconhecidos como o sexo forte na nossa sociedade. Acho ridículo as mulheres quererem equiparar-se aos homens, quando, simplesmente o que fazem é movimentar o mundo inteiro através da sua fraca participação em papéis e funções de destaque. Imaginemos o descalabro de mundo que teríamos se as mulheres ocupassem mais postos de chefia ou de poder e fossem o sexo forte! Aprecio o facto de, quando um homem procura algo em casa durante uns escassos 30 segundos ser estupidamente forte na convicção de que esse objeto, que pode ir desde os óculos de sol ao cinto das calças, não está em casa e que provavelmente, e com base em relatos de outros homens, foram engolidos por uma força magnética, vulgarmente conhecida por buraco negro. A sua forte convicção de que o tão procurado objeto desapareceu, faz com que os homens sejam fortemente pragmáticos quanto à busca incessante por algo que nunca mais aparecerá. Normalmente desistem e esperam que o objeto apareça ou então procuram ajuda especializada. Uma mulher não desistiria enquanto não o encontrasse, o que faria com que a tese de buraco negro caísse por terra… e as teorias dos homens não devem nunca ser postas em causa. As mulheres são, assim, fracas, e acautelem-se com elas, porque uma mulher descobre sempre tudo… sempre! Não dá também para contornar o quanto eles são fortes na doença. Um homem quando está doente não dá parte fraca. Ele assume desde o primeiro minuto que a morte vai

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chegar e prepara-se como ninguém para a partida. Encara de frente a probabilidade da derradeira hora, sem medos, e aceita gritando: “Ai, ai que eu vou morrer!”. Uma mulher, na hora de parir, e somente nessa hora, consegue imaginar o que um homem sente quando tem uma gripe. Fracas, nem imaginam o que um desgraçado sofre! Gosto também da forte capacidade para simplificar coisas, que nós mulheres teimamos em complicar, designadamente no que toca a vestir as crianças! Nada mais simples do que pegar nuns calções de tamanho 2/3 anos e conjugar com a t-shirt com nódoas de chocolate que nem por milagre saem e que só serve para dormir, no puto que já veste tamanho 5/6. Nós mulheres somos fracas também nisto. Cedemos ao brio e ao bom gosto e mandamos os meninos e as meninas todos pipis para a escola como se fossem a uma festa. Isto enquanto fazemos o pequenoalmoço, lavamos os dentes, maquilhamo-nos, inspecionamos as mochilas e os lanches e fazemos um check-up completo aos dentes dos moços para ver se estão bem lavados. E com isto tudo corremos o risco de complicar tudo e chegarmos atrasadas. Na escola dirão logo: “O Joãozinho hoje veio com o pai, chegou a horas. Quando vem com a mãe é uma desgraça, sempre atrasado. Esta mãe é uma irresponsável!”. Espero sinceramente que os homens continuem a ser considerados o sexo forte. Devem continuar unidos nesta ideia de que são mal compreendidos, e aproveitar esta nova tendência de igualdade de género e inclusão e reivindicar a alteração desta antiga designação de sexo forte para «Sexo Supra Forte». Nós mulheres continuaremos assim, fracas, a movimentar o mundo diariamente com as nossas tão preciosas e confessadas fraquezas . 116


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ATUALIDADE

ALCOUTIM ADERIU AO PROGRAMA «PORTUGAL A NADAR» Câmara Municipal de Alcoutim assinou, no dia 17 de setembro, um protocolo de colaboração integrado no Programa «Portugal a Nadar» com a Federação Portuguesa de Natação, num ato que contou com a presença do presidente da Câmara Municipal de Alcoutim, Osvaldo dos Santos Gonçalves, do vereador do Desporto, Luís Conceição, e do vicepresidente da FPN, Alexsander Esteves. Este programa tem como objetivo principal promover, divulgar e desenvolver ALGARVE INFORMATIVO #173

a prática da natação no concelho, a formação profissional e a melhoria qualitativa das entidades praticantes. Com este protocolo inicia-se o processo de certificação da Escola Municipal de Natação e a filiação direta de todos os seus alunos/atletas. A adesão ao «Portugal a Nadar» marca o início de um novo ciclo da Escola de Natação do Município de Alcoutim, que a partir deste ano letivo 2018/2019 terá um acompanhamento direto em diversas áreas de intervenção, por parte da Federação Portuguesa de Natação . 120


FARO LANÇA PROJETO-PILOTO DE TELEASSISTÊNCIA DOMICILIÁRIA PARA OS IDOSOS DO CONCELHO Município de Faro vai dar início, em outubro, ao Projeto-Piloto de Teleassistência Domiciliária, a título gratuito, para os munícipes idosos do concelho. Este projeto resulta de uma parceria com a empresa Helpphone e o montante de investimento previsto para o ano de 2019 ronda os seis mil e 200 euros, abrangendo 30 idosos. Até ao final do presente ano, este serviço funcionará como um projeto-piloto e irá abranger 20 idosos, não apresentando qualquer encargo financeiro para o Município. Com este Serviço de Teleassistência, os munícipes idosos terão à sua disposição um colar ou uma pulseira e um dispositivo de alarme que, quando pressionado, aciona a ligação com a central de atendimento da empresa, que reconhece logo todas as informações acerca do utente e pode responder imediatamente a qualquer situação de emergência. Este serviço proporciona uma segurança e tranquilidade a todos os idosos, ao mesmo tempo que preserva a sua autonomia, pois sabem ter, à distância de um botão, a ajuda necessária sempre que precisarem, completando desta forma o apoio dos seus familiares e das instituições que os acompanham. Podem beneficiar deste serviço todos os idosos, com mais de 65 anos, que se 121

encontrem numa situação de vulnerabilidade social, ou se encontrem sozinhos em alguma parte do dia/noite por um período igual ou superior a quatro horas diárias. Para poderem beneficiar desta resposta, os munícipes idosos deverão dirigir-se ao Gabinete de Apoio ao Idoso do Município de Faro, sito na Praça José Afonso N.º 1, onde podem preencher o necessário requerimento que depois, caso a caso, será avaliado para verificar se reúne os critérios para beneficiar do Serviço de Teleassistência, suportado pelo Município. O acesso ao requerimento também pode ser feito online no site do Município de Faro e depois enviado para o endereço de email acaosocial@cmfaro.pt. Para além dos munícipes idosos interessados, todos os munícipes podem «sinalizar/referenciar» idosos que possam necessitar desta resposta.

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ATUALIDADE

ALUNA DA UNIVERSIDADE DO ALGARVE VENCE PRÉMIO JOVENS INVESTIGADORES aquel Gaião Silva, aluna de mestrado em Biodiversidade e Conservação Marinha (EMBC) da Universidade do Algarve, é a primeira portuguesa a vencer o prémio «Jovens Investigadores 2018», promovido pelo Global Biodiversity Information Facility (GBIF), uma rede internacional e infraestrutura de investigação financiada por governos de todo o mundo, que tem como objetivo fornecer, a qualquer pessoa e em qualquer lugar, o acesso aberto a dados sobre todos os tipos de vida na Terra. A investigação de Raquel Gaião tem como objetivo usar registos de ocorrência de espécies, da rede GBIF e de outras fontes, para examinar se e como o aumento da temperatura dos oceanos pode estar a alterar a distribuição de macroalgas na costa Atlântica da Península Ibérica. ALGARVE INFORMATIVO #173

As algas castanhas, como laminárias e fucos, e outras macroalgas de outros grupos, agem mundialmente como espécies-chave para florestas marinhas. Os ecossistemas ricos e complexos a que dão origem fornecem alimento e habitat e funcionam como berçários para inúmeros organismos marinhos, incluindo espécies piscatórias de grande importância económica e cultural. Em latitudes mais baixas, perto da área a sul da sua distribuição, as macroalgas são mais sensíveis a alterações de temperatura da água, que podem levar à adaptação, à redução ou expansão da área de ocorrência destes organismos, assim como a extinções locais. A investigadora sente-se “muito agradecida a toda a comunidade GBIF por tornar possível o acesso a dados com tanto potencial para projetos de investigação e por fomentar a 122


colaboração, participação e inovação na ciência”. Sobre este prémio, com um valor monetário de cinco mil euros, reconhece que é “um enorme incentivo para o desenvolvimento do meu estudo e para continuar a acreditar no impacto positivo que poderá trazer, não só para a ciência, mas também para todos os setores dependentes da presença de florestas marinhas de macroalgas e, por fim, para uma melhor consciencialização das consequências das alterações climáticas”. Espera-se que a investigação da Raquel Gaião possa destacar questões importantes relacionadas com os impactos induzidos por efeitos climáticos em macroalgas marinhas, do Golfo da Biscaia até o Estreito de Gibraltar, incluindo as alterações recentes na distribuição, particularmente nos limites geográficos mais a sul, das espécies. Espera-se ainda que possa avaliar as tendências da temperatura, uma vez que se relacionam com as preferências fisiológicas conhecidas e com os limites geográficos das espécies sob investigação, prevendo padrões de distribuição das espécies com base em modelos de temperatura. As ocorrências de espécies presentes no GBIF compreendem cerca de metade dos dados do estudo da Raquel Gaião, sendo o restante proveniente de outras fontes de dados online como o OBIS – Sistema de Informação Biogeográfica dos Oceanos e a coleção de macroalgas da Universidade de Coimbra (MACOI), ambos publicadores no GBIF. Foram usadas também as coleções de herbário portugueses do Porto, Aveiro, Lisboa, Faro e do projeto Marine Forests, uma plataforma de ciência cidadã, de acesso aberto, que promove a monitorização coletiva e internacional de algas. Os resultados da sua pesquisa 123

poderão vir a beneficiar investigadores, decisores políticos e residentes costeiros, dentro e fora das áreas de estudo. Sob a orientação de Ester Serrão, docente da UAlg, Raquel Gaião acabou de completar a sua dissertação no âmbito do EMBC, um mestrado internacional em Biodiversidade e Conservação Marinha, formado pelo consórcio de seis universidades Europeias, entre as quais a Universidade do Algarve, com mais de 60 parceiros em todo o mundo. Durante o terceiro semestre do mestrado, a aluna estudou no Instituto de Tecnologia de GalwayMayo, onde realizou cursos essenciais para o desenvolvimento de sua investigação. Em 2017, o mestrado em Biodiversidade e Conservação Marinha foi substituído pelo mestrado internacional em Recursos Biológicos Marinhos (IMBRSea). O Comité Científico do GBIF selecionou, além da aluna da UAlg, uma estudante de doutoramento norte americana, Kate Ingenloff, de um grupo de 14 candidatos nomeados por chefes de delegação de 11 países participantes do GBIF. Os membros do comité destacaram o potencial do estudo de Raquel Gaião para a produção de importante conteúdo científico, com resultados sobre os impactos climáticos para macroalgas, um grupo taxonómico de importância ecológica, social e económica nas comunidades costeiras em todo o mundo. Desde a sua criação, em 2010, o Prémio Anual Jovens Investigadores GBIF tem procurado promover e encorajar a inovação e investigação em tópicos relacionados com a biodiversidade que utilize dados partilhados através da rede GBIF . ALGARVE INFORMATIVO #173


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CIAC TRAZ HANSPETER AMMANN A FARO

Galeria Trem, em Faro, será o palco de um evento único, no dia 16 de outubro, por ocasião da inauguração de uma exposição inédita com uma seleção de fotografias inspiradoras em preto e branco, em grande formato, de Rocco, a mais recente fotonovela criada por Hanspeter Ammann, em colaboração com o fotógrafo italiano Matteo Pezzi. Realizado na Malásia, com atores locais, e inspirado no filme de Visconti, Rocco e seus irmãos, trata-se de uma produção que combina elementos europeus e asiáticos de expressão artística e que nos convida a olhar e a imaginar. A Coordenadora do CIAC, Mirian Tavares e Brian Curtin (Bangkok e Saigon) ALGARVE INFORMATIVO #173

contribuíram com textos sublimes que refletem novamente uma abordagem asiática e europeia presente nos projetos artísticos e no vocabulário do artista. Como escreveu Mirian Tavares: "Rocco é uma obra que pede tempo, que é feita de imagens que se arrastam no tempo, seguindo outra lógica que não a do movimento contínuo e progressivo (...). O olhar amoroso de Visconti e de Pasolini está presente aqui – amor pelos personagens, amor pelos seus corpos e pela sua imperfeição. A câmara espreita e admira. A câmara acompanha delicadamente cada gesto e vai registando o movimento que se prolonga em cada nova foto". O evento incluirá o lançamento europeu do livro Rocco, bem como uma mesa redonda, moderada pela investigadora do CIAC, Ana Isabel Soares, em que participarão Hanspeter Ammann, Matteo Pezzi e Mirian Tavares. A inauguração, no âmbito da programação do Curso de Artes Visuais da Universidade do Algarve para a Galeria Trem, conta com o apoio da Embaixada Suíça em Lisboa e da FCT. Acontece, no dia 16 de outubro, pelas 18h30 .

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INVESTIGADOR DA UALG DESCOBRE FÁRMACO CAPAZ DE ATRASAR A PROGRESSÃO DE DOENÇA INCURÁVEL lévio Nóbrega, investigador do Centro de Investigação em Biomedicina (CBMR), da Universidade do Algarve, acaba de publicar na revista «Human Molecular Genetics» o resultado de uma investigação que culmina com uma importante descoberta na área das doenças neurodegenerativas. O investigador e a sua equipa descobriram que existe um novo fármaco capaz de atrasar a progressão da doença de Machado-Joseph, uma doença de origem genética, incurável, e que se manifesta por uma progressiva perda de controlo nos músculos e na coordenação motora, provocando atrofia muscular, rigidez dos membros, dificuldades na deglutição, fala e visão, associadas a um progressivo dano de zonas cerebrais específicas. Após diversas experiências, com resultados bastante positivos em modelos animais, os investigadores avançam agora com importantes revelações para aquela que parece ser, até ao momento, uma possível opção terapêutica para esta doença neurodegenerativa que apresenta especial prevalência nos Açores. A cordicepina, o fármaco estudado na investigação de Clévio Nóbrega, já se encontra aprovado, para outros fins, nos Estados Unidos, pela agência reguladora FDA (Food and Drug Administration), o que pode acelerar a sua utilização num contexto clínico e tornar-se uma opção futura no tratamento da doença.

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Embora, como afirma o investigador, seja necessário esclarecer que “não se trata de uma cura”, a descoberta, levada a cabo na Universidade do Algarve, reveste-se de especial importância uma vez que, como assegura Clévio Nóbrega “a cordicepina pode constituir, no futuro, uma estratégia eficaz para atrasar a progressão desta e até de outras doenças neurodegenerativas”. Para já fica uma certeza: a de que este medicamento constitui uma nova abordagem - segura e efetiva - a uma doença relativamente rara em quase todo o mundo, mas que afeta uma em cada quatro mil pessoas de ascendência portuguesa e que, só nos Açores, bate todos os recordes, com uma pessoa afetada em cada 140 indivíduos .

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ROMANCEIRO.PT JUNTA-SE AO UNIVERSO OMEKA E RENOVA PLATAFORMA DIGITAL

projeto Romanceiro.pt, liderado por Pedro Ferré e Sandra Boto, investigadores do Centro de Investigação em Artes e Comunicação (CIAC) da Universidade do Algarve, acaba de lançar online uma plataforma digital renovada através da qual disponibiliza, em acesso aberto, milhares de versões de romances tradicionais portugueses publicados desde 1828 até à atualidade. Em causa está a migração do Arquivo do Romanceiro Português da Tradição Oral Moderna, apresentado, na sua primeira versão digital, em fevereiro de 2016, e agora potenciado através da integração no sistema OMEKA, um sistema de gestão de coleções que permite aos utilizadores publicar e disponibilizar, em tempo real, registos documentais na área do património documental.

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Tendo como principal objetivo trabalhar na ampliação do Arquivo e na disponibilização de novos dados referentes à Tradição Antiga, os investigadores garantem que a migração da base de dados se trata de um importante passo, uma vez que se traduzirá “num melhor desempenho, oferecendo uma estrutura mais coerente e mais organizada, que facilitará as consultas por parte do público”. Acrescentam ainda que a “robustez do sistema, a devolução de resultados mais fiáveis e a aparência de design renovado e mais apelativo” são apenas alguns dos pontos fortes da nova plataforma que, encontrando-se alojada num sistema open source, conta ainda com uma comunidade de programadores a trabalhar em permanência para garantir a constante atualização do software. Recorde-se que Romanceiro.pt é, até ao momento, um projeto com características únicas à escala internacional, apresentando-se, para o público especializado, como uma ferramenta de difusão e de estudo que promete prosseguir com um intuito de modernização e sofisticação tecnológicas no sentido de atualizar e potenciar, no âmbito das Humanidades Digitais, o trabalho de centenas de investigadores a atuar no campo da Filologia e, em particular, da Literatura de Tradição Oral . 126


MISERICÓRDIA DE LOULÉ CELEBRA 500 ANOS

Santa Casa da Misericórdia de Loulé (SCML) inicia, este domingo, dia 30 de setembro, as comemorações dos seus 500 anos. A cerimónia solene que assinala esta efeméride tem lugar às 17h, na Igreja da Misericórdia, com uma eucaristia solene à qual se seguirá a palestra «A Fundação da Irmandade da Misericórdia de Loulé», proferida pelo historiador de arte Marco Sousa Santos. Segue-se a atuação do Coral Feminino «Outras Vozes». Destaca-se ainda a homenagem aos colaboradores com 20 e 25 anos de serviço, com entrega de diploma de reconhecimento profissional e uma medalha criada em especial para a data dos 500 anos. Este momento especial vai contar com a presença do presidente da Câmara Municipal de Loulé, Vítor Aleixo, da Diretora Municipal Dália Paulo, da Diretora do Centro Distrital de Segurança 127

Social de Faro, Margarida Flores, e ainda de Cardoso Ferreira, da União das Misericórdias Portuguesas, entre outras entidades do distrito. Esta instituição particular de solidariedade social foi fundada ainda em tempo de vida da Rainha D. Leonor e de D. Manuel. Tendo em conta a documentação conhecida, a Santa Casa da Misericórdia de Loulé terá iniciado funções no Concelho a 1518. Na época, o apoio dado à comunidade consistia fundamentalmente nas obras de misericórdia (espirituais e corporais). Atualmente, conta com uma Estrutura Residencial para Idosos, com capacidade para 120 utentes, Centro de Dia para 40 utentes, Serviço de Apoio Domiciliário a 59 idosos e Serviço de Apoio Domiciliário Integrado a 10 pessoas. A Santa Casa da Misericórdia de Loulé é ainda mediadora do Programa Operacional de Apoio às Pessoas Mais Carenciadas (POAPMC), coordenado pelo Banco Alimentar do Algarve, apoiando 43 agregados e perfazendo um total de 114 elementos. Em 2011, conseguiu recuperar o antigo Hospital de Loulé, com o apoio da Câmara Municipal de Loulé. Presentemente, este espaço acolhe o Hospital de Loulé, administrado pela sociedade de cotas da qual a Misericórdia é sócia .

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SECRETÁRIA DE ESTADO DA CIÊNCIA, TECNOLOGIA E ENSINO SUPERIOR VISITOU UNIVERSIDADE DO ALGARVE Secretária de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (SECTES), Maria Fernanda Rollo, assinalou a abertura do ano académico com uma visita à Universidade do Algarve, no dia 19 de setembro. No Campus de Gambelas, perante uma turma de 45 alunos do 1.º ano do mestrado em Biologia Marinha, Fernanda Rollo assumiu o papel de professora, questionando os novos alunos sobre a sua proveniência, o porquê de terem escolhido este curso e esta Academia, e como estavam a viver esta experiência. O diálogo foi mantido em inglês, já que nesta turma existem alunos ALGARVE INFORMATIVO #173

de 12 países: Alemanha (2), Áustria (3), Brasil (6), Espanha (3), Estados Unidos (2), França (6), Israel (1), Itália (3), Luxemburgo (1), Polónia (1), Portugal (16) e Roménia (1). De uma forma unânime, os alunos elegeram, entre muitas outras razões, “a excelência do ensino na área do mar”. Visivelmente impressionada, Fernanda Rollo referiu: “Penso que todos ficamos muito sensibilizados por perceber a alegria destes estudantes, que vêm de países tão diferentes, sobretudo quando dizem que escolheram a Universidade do Algarve porque querem fazer aqui os seus estudos em Biologia Marinha e este é 128


o sítio que encontram mais adequado aos seus interesses”. A secretária de Estado realçou ainda que “o facto de muitos destes estudantes, com proveniências tão diferentes, terem escolhido esta Universidade, mostra bem o reconhecimento internacional que a UAlg tem, a sua competência e capacidade de formação nestas áreas específicas”. Atenta às dificuldades com que alguns estudantes deslocados se têm deparado, a governante constatou ainda que “todos estão instalados, foram muito bem acolhidos e estão muito contentes”. Depois, voltou a lembrar o papel preponderante do Mar, e, na sua opinião, este é um recurso inestimável que deve ser cada vez mais valorizado. A Secretária de Estado também assistiu à apresentação dos resultados do Projeto SIAC: Algarve Is Our Campus – Study and Research in Algarve, cofinanciado pelo Programa Operacional Regional do Algarve - CRESC Algarve 2020, através do Sistema de Apoio a Ações Coletivas – Internacionalização, que tem como objetivo promover e reforçar a notoriedade e atratividade da Universidade do Algarve e da Região, através da implementação de ações que visam a internacionalização e o consequente aumento do número de estudantes, docentes e investigadores internacionais. Ainda no Campus de Gambelas, reuniuse com o Núcleo de Estudantes Brasileiros da Associação Académica da Universidade do Algarve (ABRAUALG), que tomou posse no dia 14 de setembro, tendo como presidente Roberto Chiodelli, aluno do 129

doutoramento em Psicologia. A representante do Governo procurou saber quais as principais dificuldades com que estes alunos se deparam quando escolhem Portugal para prosseguir os estudos. Recorde-se que atualmente já estudam na UAlg cerca de 800 alunos brasileiros, sendo, além da portuguesa, a nacionalidade mais representada. Já no Campus da Penha, Fernanda Rollo promoveu um diálogo aberto com alunos de Cursos Técnicos Superiores Profissionais (TeSP), onde realçou, uma vez mais, a “relevância destes cursos superiores, bem como a sua importância na ligação com o mundo empresarial”. A terminar a visita, assistiu à apresentação do Projeto do Polo Tecnológico da UAlg, que se propõe criar uma unidade agregadora de um Centro de Valorização e Transferência de Tecnologia, que assentará a sua atuação na área da Saúde e Bem-Estar; e um Parque de Ciência e Tecnologia, que atuará na área das Tecnologias de Informação, Comunicação e Eletrónica . ALGARVE INFORMATIVO #173


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LAGOS INVESTE QUASE UM MILHÃO DE EUROS NO DESPORTO E NA JUVENTUDE Programa de Formação e Apoio ao Associativismo Desportivo (PFAAD) para a época 2018/2019 foi aprovado na última reunião do executivo lacobrigense. O documento compila as várias medidas e tipologias de apoio a disponibilizar aos clubes desportivos, prevendo-se a atribuição de apoios financeiros no montante global de 433 mil e 500 euros e ALGARVE INFORMATIVO #173

de apoios não financeiros (cedência de instalações desportivas e outros), que representam um encargo direto para a autarquia no montante de 390 mil e 832 euros. Somando os custos decorrentes da cedência gratuita de viaturas municipais, regularmente requisitadas para as deslocações de clubes, equipas e atletas às competições que se realizam fora do concelho, a previsão do custo

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global do programa para a autarquia ascende a quase um milhão de euros. Com base nas candidaturas já apresentadas pelos clubes à Medida 3 – apoio à organização de atividades de relevo e a projetos especiais (incluindo Desporto Adaptado), é possível antecipar alguns dos eventos que serão apoiados financeira e logisticamente e que marcarão a época desportiva em Lagos, abrangendo um leque alargado de modalidades que vai desde os desportos náuticos (Vela, Windsurf) ao Voleibol de Praia, passando pela Patinagem de Velocidade, pelo Andebol, pela Ginástica Acrobática, pelo Ténis de Mesa, pelo BTT e pelo Atletismo. Nesta componente, a autarquia prevê atribuir subsídios no valor global de 171 mil euros. Menos visível, mas com impacto determinante, é o apoio financeiro que o Município disponibiliza aos clubes para fazer face ao pagamento das taxas federativas dos seus atletas, equipas, técnicos e dirigentes, assim como o reembolso em 100 ou 50 por cento das mensalidades cobradas às crianças e jovens atletas beneficiárias respetivamente de escalão A ou B de ação social escolar, contemplado na Medida 1 (Apoio à atividade regular federada). O objetivo desta medida, que tem um custo previsto de 110 mil euros para o orçamento municipal, é que nenhuma criança ou jovem deixe de praticar desporto devido a dificuldades económicas do agregado familiar, garantindo-se, assim, um acesso universal a esta componente essencial do crescimento, formação e socialização do ser humano. Para Maria Joaquina Matos, presidente do Município, trata-se de uma boa aplicação do dinheiro público, pois 131

“investir no desporto e, concretamente, nos escalões de formação, é sinónimo de investir na formação dos jovens”. Referindo-se a este, assim como a outros projetos municipais que têm promovido a prática desportiva de uma forma generalizada e envolvendo diversas faixas etárias, a autarca considerou que os mesmos ajudam a dar concretização à famosa expressão de origem latina «mente sã em corpo são». Em matéria de modernização e autonomia associativa, correspondente à Medida 2, estão também definidos vários tipos de apoio financeiro a que os clubes se podem candidatar, a título de comparticipação municipal nas despesas com formação (de treinadores e dirigentes) e aquisição de materiais de desgaste rápido específicos das modalidades, assim como despesas de ordem associativa (rendas, eletricidade, água, etc.) e relacionadas com a manutenção e reparação de viaturas. A construção, ampliação, reabilitação e apetrechamento de instalações desportivas é outra das necessidades a que o Município de Lagos pretende dar resposta através da atribuição de subsídios, tendo para o efeito destinado uma verba de 152 mil e 500 euros. O documento agora aprovado em reunião de Câmara será ainda apreciado e objeto de deliberação pela Assembleia Municipal de Lagos, por envolver compromissos financeiros plurianuais, assim como apresentado aos clubes desportivos locais em reunião que irá ter lugar hoje nos Paços do Concelho Séc. XXI .

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MUNICÍPIO DE LOULÉ E INFRALOBO REFORÇAM REDE PARA BICICLETAS Município de Loulé e a Infralobo E.M., que gere o primeiro Smart Resort do concelho Loulé, concluíram, no âmbito da Semana Europeia da Mobilidade, uma operação para aumentar a capacidade de estacionamento para bicicletas, com o alargamento da rede de estações, uma forma de incentivar a utilização deste meio de transporte em detrimento do automóvel em deslocações mais curtas. Ao todo, a área de intervenção da Infralobo passará a ter mais 16 pontos de estacionamento, com a instalação de ilhas concebidas por uma empresa portuguesa de design urbano, acessíveis aos utilizadores das Smart Bikes, bicicletas elétricas de uso partilhado, mas também às outras pessoas que se desloquem na sua própria bicicleta. O sistema de bicicletas de uso partilhado «Smart Bikes by Infralobo», lançado em maio do corrente ano, integra 30 bicicletas elétricas dispostas por cinco estações e encontra-se já disponível para os residentes que queiram utilizar esta solução amiga do ambiente. “Com o alargamento da rede de estações, a Infralobo pretende fomentar a utilização da bicicleta, tornando as deslocações mais práticas, cómodas e acessíveis a uma maior franja da população residente ou visitante. O objetivo é que as pessoas ALGARVE INFORMATIVO #173

privilegiem este meio de transporte, reduzindo o transporte individual em pequenas deslocações dentro da área de intervenção da Infralobo”, explica o Presidente do Conselho de Administração, Carlos Manso. Estas medidas surgem no seguimento da adesão formal ao Movimento «Compromisso pela Bicicleta», assinado em 2016, no âmbito da missão assumida pelo Município de Loulé em liderar ações em que estimulem a redução da poluição e a defesa ambiental apelando à mobilidade suave. Em janeiro de 2015, o Município de Loulé começou a delinear a Estratégia Municipal de Adaptação às Alterações Climáticas EMAAC, inserida no projeto Loulé Adapta, mediante a qual pretende dar uma resposta coerente, em todo o concelho, à problemática das alterações climáticas, colocando o município na vanguarda nacional nesta matéria .

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LOULÉ JÁ TEM EQUIPA MUNICIPAL OPERACIONAL DE PROTEÇÃO CIVIL

Câmara Municipal de Loulé, através do seu Serviço Municipal de Proteção Civil (SMPC), constituiu uma Equipa Municipal Operacional (EMO) de Proteção Civil que tem como principal desígnio a prevenção, proteção e segurança de pessoas e bens. A EMO é uma equipa de carácter permanente, que funcionará durante todo ano, colmatando uma necessidade sentida pelo Serviço Municipal de Proteção Civil, reforçando a sua capacidade de resposta no cumprimento das suas competências em matéria de planeamento e operações, prevenção e segurança, sensibilização e informação pública. A equipa será constituída por cinco elementos apoiados por uma viatura 4x4 munida de comunicações, equipamento de primeira intervenção para incêndios 133

florestais (com capacidade para 500 litros), material sapador e equipamento operacional para apoio às operações de proteção e socorro. Tem como valências o apoio operacional às ocorrências no Município, a colaboração nas ações de sensibilização e informação pública à população, ações de gestão florestal, silvicultura preventiva e o apoio e controlo na realização de queimas e de queimadas, vigilância florestal, entre outras. É intenção da autarquia louletana constituir, durante o próximo ano, mais uma equipa com estas valências, dotando assim o Serviço Municipal de Proteção Civil de Loulé de uma estrutura de apoio e resposta adequada as exigências atuais, considerando que estamos sujeitos cada vez mais a situações inusitadas que requerem uma resposta rápida e eficiente. Recorde-se que Loulé é o maior e mais populoso concelho do Algarve, e também um dos que regista um maior número de ocorrências, sendo por isso fundamental o envolvimento do Serviço Municipal de Proteção Civil .

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MAIS DE 500 PESSOAS PARTICIPARAM NO PADDLE OUT FOR NATURE os dias 22 e 23 de setembro, a praia da Mareta, em Sagres, acolheu o cerimonial «Paddle Out», onde a comunidade surfista de Norte a Sul de Portugal assumiu no Mar o compromisso com o ideal da proteção e defesa das praias, dos oceanos e da natureza. Segundo a organização, o evento atraiu ao local centenas de surfistas conseguiu unir o mundo do surf nacional e sensibilizar a população para a grande causa do nosso século, a proteção e defesa da natureza, das praias e dos oceanos. Dos vários surfistas que participaram nesta iniciativa destaque para Alex Botelho, Eurico Gonçalves, Dora Gomes, Manuel Mestre (Necas), João Dantas, Sérgio Brandão, Tiago Oliveira, Concha Balsemão, João Mealha, Marco Perini, Filipe Queimada (Kalhi), Manuel Dantas, Roberto Pimenta, João Xufre, Zé Mestre, Eurico Romaguera. Realce ainda para a

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participação do presidente da Câmara Municipal de Vila do Bispo, Adelino Soares, do vice-presidente da Câmara Municipal de Loulé, Pedro Pimpão, e do vice-presidente da Região de Turismo do Algarve, Nuno Monteiro, que também vestiram o fato e remaram neste evento. A organização do evento, a Associação Paddle Out For Nature, agradece a todos aqueles que remaram nesta iniciativa e partilharam a sua energia positiva e a alegria de celebrar a vida. Depois da cerimónia, a alegria passou para o Forte do Beliche com concertos dos Time For T, Daniel Kemish, Raposeira Dub Colective e Dj set de Toby One, mesas redondas, exposições de arte e mercadinho, culminando com a confraternização nos bares de Sagres. O evento contou com o apoio da Câmara Municipal de Vila do Bispo .

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PELO 7.º ANO CONSECUTIVO, O MELHOR CAMPO DE GOLFE PORTUGUÊS É ALGARVIO rês unidades hoteleiras de luxo e um campo de golfe do Algarve foram distinguidos na 15.ª edição dos Publituris Portugal Travel Awards, um dos mais importantes prémios do setor, cuja cerimónia oficial decorreu, no dia 21 de setembro, na Península de Troia. Os Óscares do turismo nacional galardoaram o VILA VITA Parc, em Lagoa, como «Melhor Resort», o Salgados Palm Village, em Albufeira, como «Melhor Family Resort Hotel» e o Vila Joya, igualmente em Albufeira, como «Melhor Hotel de Praia» em Portugal. O Algarve foi ainda distinguido na categoria de «Melhor Campo de Golfe», entregue novamente ao Onyria Palmares Beach & Golf Resort, em Lagos, que assim alcança o prémio por sete vezes seguidas. Ao longo dos anos, a hotelaria de luxo tem vindo a crescer na Europa e o Algarve desde cedo se destacou pela diferenciação e excelência das suas unidades, com experiências exclusivas, de valor acrescentado para o turista. O Algarve também tem vindo a ser distinguido pela qualidade dos seus campos de golfe e pela experiência turística integrada que oferece, chegando a ser considerado o melhor destino para a prática desta modalidade na Europa. “É com satisfação que a hotelaria do Algarve é mais uma vez distinguida pela excelência da sua oferta, pelos profissionais do setor que avaliaram e premiaram o melhor que a indústria do turismo tem para oferecer

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em Portugal. É ainda com orgulho acrescido que o Algarve se destaca mais uma vez enquanto melhor destino de golfe nacional, ao albergar o melhor campo de golfe do país, o que tanto nos orgulha”, confessa o presidente da Região de Turismo do Algarve, João Fernandes. Os vencedores resultaram de uma média ponderada entre os votos dos assinantes da newsletter do jornal Publituris (40 por cento) e dos votos de um júri (60 por cento) constituído por personalidades como Luís Araújo, presidente do Turismo de Portugal, Raúl Martins, presidente da Associação da Hotelaria de Portugal, Pedro Costa Ferreira, presidente da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo, Jorge Rebelo de Almeida, presidente do grupo Vila Galé, ou Frederico Costa, administrador das Pousadas de Portugal .

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DIRETOR: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina (danielpina@sapo.pt) CPJ 3924 Telefone: 919 266 930 EDITOR: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina SEDE DA REDAÇÃO: Rua Estrada de Faro, Vivenda Tomizé, N.º 12P, 8135-157 Almancil Email: algarveinformativo@sapo.pt Web: www.algarveinformativo.blogspot.pt PROPRIETÁRIO: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina Contribuinte N.º 211192279 Registado na Entidade Reguladora para a Comunicação Social com o nº 126782 PERIODICIDADE: Semanal CONCEÇÃO GRÁFICA E PAGINAÇÃO: Daniel Pina FOTO DE CAPA: Daniel Pina

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