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ALGARVE INFORMATIVO #155

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ALGARVE INFORMATIVO 12 de maio, 2018

AMEIXIAL - UM PARAÍSO PARA AS CAMINHADAS «LIBERTAÇÃO» DO HOTEL EUROPA | JOGOS DE QUELFES NO TERRENO | VI OPTO DE ALBUFEIRA RONDA DOS 4 CAMINHOS E RICARDO J. MARTINS EM LOULÉ | FESTA DA ESPIGA DE SALIR 1

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CONTEÚDOS #155 12 DE MAIO, 2018 46

ARTIGOS 10 - Conferência Internacional de Cultura de Tavira 16 - Jogos de Quelfes 22 - VI OPTO de Albufeira 28 - Vinho do Algarve em competição e debate 36 - Dia de Loulé 46 - Festa da Espiga 58 - «Libertação» 66 - Ronda dos 4 Caminhos e Ricardo J. Martins 76 - Caminhadas no Ameixial 104 - Atualidade

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OPINIÃO 92 - Paulo Cunha 94 - Adília César 96 - José Graça 98 - Mirian Tavares 100 - Antónia Correia ALGARVE INFORMATIVO #155

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REPORTAGEM

Jorge Queiroz, Alexandra Gonçalves, Jorge Botelho, Saúl Neves de Jesus e Emanuel Sancho

AGECAL ASSINALOU 10.º ANIVERSÁRIO COM CONFERÊNCIA INTERNACIONAL SOBRE GESTÃO CULTURAL Texto:

| Fotografia:

AGECAL - Associação de Gestores Culturais do Algarve levou a cabo, nos dias 4 e 5 de maio, em Tavira, uma Conferência Internacional sobre a Gestão Cultural coincidindo com o seu 10.º aniversário. O objetivo foi promover a análise sobre a evolução e perspetivas para o sector cultural internacional e nacional, com a

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presença de especialistas e personalidades com larga experiência na gestão de recursos culturais, havendo igualmente a possibilidade de se assistir a painéis onde se abordou a atualidade de Portugal, Espanha, Brasil e Marrocos, bem como a debates sobre a investigação universitária do fenómeno cultural e a formação de profissionais para a cultura. 10


“A conferência tem um formato que permite às pessoas conversar informalmente, quase em família, e vão ser apresentadas experiências bastante ricas”, começou por explicar Jorge Queiroz, presidente da Direção da AGECAL, com Saúl Neves de Jesus, vicereitor da Universidade do Algarve para a Educação e Cultura, a recordar, por sua vez, a ligação que existe entre ambas as entidades há quase uma década, na sequência da criação de cursos de PósGraduação e de Mestrado em Gestão Cultural, em 2009. “É uma relação que valorizamos e que queremos continuar a aprofundar e tenho que manifestar a minha satisfação pela persistência e resiliência da AGECAL porque, não obstante a crise financeira ocorrida em alguns dos anos da sua existência – e sabemos que os apoios para a Cultura não costumam ser abundantes – tem conseguido manter a sua atividade e dar o seu contributo para o desenvolvimento cultural da nossa região”. Presente na sessão de abertura da conferência, Alexandra Gonçalves, Diretora Regional de Cultura do Algarve, falou dos desafios que enfrentam os gestores culturais dos tempos modernos, nomeadamente a necessidade de identificar novos financiamentos e fundos para a cultura. “Áreas que, até há pouco tempo, eram encaradas como não sendo geradoras de receitas, ganharam uma pressão no sentido de venderem mais bilhetes, de desenvolverem merchandising, de criarem outros serviços geradores de proveitos. É uma realidade que resulta grandemente da competição pelos recursos disponíveis e 11

pelas audiências”, observou, lembrando ainda que existem, hoje, mais entidades culturais do que no passado, o que leva a um aumento da concorrência por apoios e públicos. Alexandra Gonçalves reconheceu que há uma tendência para o incremento do apoio público às artes e à cultura, contudo, as comunidades locais ainda não têm real perceção da sua importância para o desenvolvimento da sociedade. “O suporte privado para este setor é também muito reduzido em Portugal e, no Algarve, isso é ainda mais notório”, frisou. “As preocupações com a equidade, igualdade de género e de oportunidades, a interculturalidade e a identidade, são desafios crescentes. Do mesmo modo, a participação nas artes por comunidades mais alargadas, que envolvem abordagens multidisciplinares, a multimédia e o cruzamento entre várias áreas artísticas, tem tendência para crescer. Também o digital é incontornável, a conetividade é permanente e constitui uma enorme oportunidade para se chegar a todo o lado e a todas as pessoas”, considerou a Diretora Regional de Cultura do Algarve. Lideranças fortes e aptidões de gestão são fulcrais, no entender de Alexandra Gonçalves, para se criar programas capazes de originar benefícios percebidos junto das populações locais, “e isto exige um investimento continuado de diversos agentes públicos e privados”, destacando ainda a necessidade de cooperação permanente, de partilha e de troca de ALGARVE INFORMATIVO #155


experiências, três coisas diferentes na sua opinião. “Ninguém consegue enfrentar os desafios sozinho, nem criar uma comunidade entusiástica e fervilhante por si só. É algo que requer um esforço conjunto e o Algarve tem bons exemplos de parcerias na cultura, mas não tanto em relação à colaboração como noutros setores. Podemos melhorar e trabalhar sinergias entre Cultura e Turismo, Educação e Cultura, Ciência e Cultura, Ambiente e Cultura e por aí adiante. Interessa partilhar recursos, mas também conhecimento especializado”, defendeu. A concluir a sua intervenção, Alexandra Gonçalves sublinhou que a Gestão Cultural deixou de ser um tópico exclusivo da Política Cultural. “Temos que reconhecer uma complexidade crescente nos processos de planeamento e desenvolvimento que envolvem um ALGARVE INFORMATIVO #155

número cada vez maior de atores e uma participação mais alargada da comunidade. Estas tendências marcam também a Administração Pública e a Gestão Cultural que aí se desenvolve, com uma administração mais próxima do cidadão, com maior valor atribuído à gestão dos dinheiros concedidos, com maior transparência e flexibilidade”, referiu. “Se, por um lado, a descentralização e municipalização contribuem para a aproximação da decisão ao cidadão, em alguns territórios esta discussão já propõe um regresso a modelos mais congregadores, por se ter originado uma fragmentação de decisões que dificultam o planeamento e criam uma atomização do controlo da política cultural”. A abertura da Conferência Internacional sobre a Gestão Cultural 12


terminou com as palavras de Jorge Botelho, presidente da Câmara Municipal de Tavira, que admitiu que, em tempos de crise, a Cultura tende a ser encarada como o «parente pobre» no que toca ao investimento do poder local e central. “Basta olhar para a luta que estamos a ter para que o Orçamento Geral de Estado contemple mais verbas para a Cultura, para que cheguemos a 1 por cento do PIB para esse setor. O verdadeiro Ministério da Cultura acaba por ser os municípios, daí que a descentralização é bem-vinda, desde que haja uma consciência regional para agregar vontades de todos os atores culturais nos vários focos de decisão”, apontou o autarca. Ter um setor cultural saudável, criativo, financiado, com estruturas que trabalhem, pelo menos, a médio prazo, é uma vontade de Jorge Botelho, num concelho que aposta bastante na cultura, mesmo sabendo-se que as receitas autárquicas são muito flutuantes. “Tavira tem cultura, arquitetura, ambiente, uma capacidade importante de criar, possui imensos atores culturais fruto da sua longa história, mas ainda temos incipiências que precisamos resolver ao longo dos próximos anos. Precisamos de estabilidade ao nível dos apoios, articulando-se os apoios regionais e os nacionais, necessitamos de um investimento 13

substancial, essencialmente em espaços cobertos, e todas as câmaras municipais devem estar disponíveis para trabalhar em conjunto, o que nem sempre é possível”, lamentou. “Conseguimos entender isso em conjuntos de um, dois ou três projetos em que todos ganham, e às vezes nem todos participam com a mesma dinâmica, o que é perfeitamente normal, mas é crucial que conversemos todos uns com os outros em matéria de gestão da oferta cultural e dos apoios”, reforçou. Depois das palestras que preencheram a sexta-feira, na Biblioteca Municipal de Tavira, no sábado, dia 5 de maio, realizaram-se visitas de trabalho e reflexão a museus em Tavira e São Brás de Alportel, à biblioteca central da Universidade do Algarve e ao Teatro das Figuras em Faro, num evento que contou o apoio da Câmara Municipal de Tavira e da Direção Regional de Cultura do Algarve .

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REPORTAGEM

Gustavo Marcos, o fundador dos Jogos de Quelfes

JOGOS DE QUELFES ESTÃO DE VOLTA AO TERRENO Texto:

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Fotografia:

oi apresentada oficialmente, no dia 4 de maio, na Direção Regional do Algarve do Instituto Português do Desporto e Juventude, em Faro, a nona edição dos Jogos de Quelfes, ocasião que serviu igualmente para a inauguração da exposição «Mascotes Olímpicas. De Talismãs a Símbolos de Identidade». A mostra foi produzida pela Academia Olímpica de Portugal e é constituída por 47 mascotes, ALGARVE INFORMATIVO #155

complementada por textos que relembram cada edição dos Jogos Olímpicos, retratando meio século de história olímpica. Quanto aos Jogos de Quelfes, são um ponto de encontro e de celebração desportiva e cultural para as diversas comunidades escolares envolvidas e têm desempenhado um papel importante no Algarve, não só ao nível do desenvolvimento desportivo e da 16


promoção dos valores éticos no desporto no 1.º Ciclo do Ensino Básico, mas também no que concerne a objetivos mais amplos de promoção da dimensão humanista do Olimpismo enquanto filosofia de vida e instrumento de educação para a cidadania. Depois da estafeta «Chamada para os Jogos» ter começado a 9 de janeiro, em Olhão, na Escola EB1 de Marim, e ter passado por várias localidades dos 21 municípios da Península Ibérica que acolhem a iniciativa, os jogos propriamente ditos iniciaram-se, a 11 de maio, em São Brás de Alportel, estando o encerramento marcado para o dia 25 de maio, no IPDJ, em Faro. Os IX Jogos de Quelfes incluem manifestações que vão desde a educação – através dos valores olímpicos – à dieta mediterrânica e à

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prática desportiva, por via de modalidades individuais e coletivas como o basquetebol, atletismo, natação, rugby, andebol, equitação adaptada, lenço grego e futebol. A organização dos Jogos de Quelfes é levada a cabo por uma Comissão Organizadora que envolve a Associação Jogos de Quelfes, a Academia Olímpica de Portugal, a Academia Olímpica Espanhola, o Comité Paralímpico de Portugal, a Delegação Regional de Educação do Algarve, os Municípios de Ayamonte, Loulé, Olhão, S. Brás de Alportel e Tavira, Juntas de Freguesia, Associações, Agrupamentos de Escolas e a Direção Regional do Algarve do IPDJ, IP. “Mais importante do que sonhar é depois concretizar esses sonhos e é

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Custódio Moreno, Diretor Regional do IPDJ de Faro, no uso da palavra

isso que tem acontecido com os Jogos de Quelfes. O Gustavo Marcos idealizou este projeto há uma década atrás e tem conseguido juntar à sua volta pessoas para levar por diante este evento. E, no século XXI, nada acontece sem parcerias e sem remarmos todos para o mesmo lado, ao invés de olharmos apenas para os nossos umbigos”, afirmou o anfitrião da cerimónia, Custódio Moreno. “Não tenho quaisquer dúvidas de que Pierre de Coubertin (fundador do olimpismo moderno) teria muito orgulho em conhecer o Gustavo Marcos”, reforçou o Diretor Regional do Algarve do IPDJ. Aproveitando a presença de dois atletas olímpicos na sala – Ezequiel Canário e Jorge Costa – Custódio Moreno declarou que quem praticou desporto é uma pessoa

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diferente, mais saudável, disponível e responsável. “Os valores não se incutem com livros, mas com a prática, e os Jogos de Quelfes são um grande projeto educativo e espaço de formação”, concluiu, antes de passar a palavra a Gustavo Marcos, fundador dos Jogos de Quelfes e cuja nona edição começa já esta sexta-feira, dia 11 de maio. “Este evento é o culminar de uma abordagem educativa que procuramos levar aos alunos do primeiro ciclo do ensino básico, transmitindo-lhes os valores, a filosofia e a vivência do olimpismo. O nosso cérebro passa por um período de desenvolvimento crucial nos primeiros 10 anos de vida, portanto, esta idade é fundamental se queremos inspirar os jovens para o olimpismo e para a

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prática desportiva. Envolvê-los em programas de educação para a cidadania e de atividade física que sejam divertidos, inclusivos, educativos e estimulantes ajuda a garantir uma experiência positiva, aumentando a probabilidade de continuarem ativos ao longo da vida e de integrarem esses valores e ideais como um património próprio, isto é, que sejam melhores seres humanos”, salientou o Vice-Presidente do Conselho Diretivo da Academia Olímpica de Portugal. Gustavo Marcos recordou que o olimpismo nasceu pelas mãos de Pierre de Coubertin, inspirado pela trégua sagrada da Grécia Antiga durante a qual todos os conflitos cessavam para se disputarem os Jogos Olímpicos. “Na Atlantíada temos dois países irmãos – Portugal e Espanha – que convergem para a difusão do olimpismo que começa nas escolas. Temos alguns elementos pedagógicos ambiciosos, desde logo o livro «Kelfi e os Jogos Olímpicos», que vamos conseguir reeditar, em breve, graças a um programa do IPDJ, mas também uma publicação mensal – o «Kelfi News», traduções do Museu Olímpico e fichas pedagógicas para serem implementadas nas escolas”, revelou o advogado de profissão, enaltecendo o papel dos professores em todo este processo. “O olimpismo é uma filosofia de vida desconhecida de muitos, mas é um estado de espírito que constitui uma mais-valia para todos os seres humanos. Nele se incluem a capacidade de trabalhar o autocontrolo, a educação alimentar, o valorizar os avanços e progressos, o superar os medos, o sentido de responsabilidade, o aprender 19

a tomar decisões, o favorecer o espírito de entreajuda, o admirar e não invejar o sucesso dos outros, entre outros aspetos que influenciam todos os domínios do desenvolvimento humano”. Os Jogos de Quelfes envolvem, este ano, perto de dois mil alunos e professores oriundos de 29 agrupamentos e colégios do Algarve, Alentejo e Ayamonte. Antes das partidas começarem, as equipas reúnem-se no centro do recinto e fazem um elogio aos adversários. Depois, durante os jogos, todos respeitam as regras, os árbitros e os oponentes. No final, forma-se um corredor dos aplausos para todos se cumprimentarem e tirarem uma foto de grupo. Mas a Atlantíada também pretende difundir o olimpismo mediante ações realizadas nas escolas, através do Centro de Estudos Olímpicos do Guadiana, que está sedeado em Ayamonte, e da Estafeta «Chamada para os Jogos». “Quando oferecemos o desporto apenas a alguns, àqueles que têm jeito, que poderão ser grandes atletas, estamos a excluir a maior parte dos jovens, o que pode gerar enormes problemas nas populações, entre os quais o sedentarismo e a obesidade. E uma criança que sofra uma má experiência no desporto, porque não é capaz de ter um desempenho ao nível de excelência, depois vai transmitir isso aos seus filhos. Nenhum aluno pode ficar para trás”, defende Gustavo Marcos. “Crianças motivadas para o desporto têm melhor desempenho académico, comportamento, saúde e vida”, ALGARVE INFORMATIVO #155


acrescenta o Vice-Presidente do Conselho Diretivo da Academia Olímpica de Portugal. A IX edição dos Jogos de Quelfes está no terreno de 11 a 25 de maio, com abertura em São Brás de Alportel. No dia 13 começam as atividades desportivas com uma marcha-corrida inserida no calendário regional do IPDJ, em Cachopo. A 14, a partir das 10h, volta-se a São Brás de Alportel para basquetebol 3x3, com 24 equipas provenientes de 10 concelho em prova. O atletismo brilha, no dia 15, no Estádio Municipal de Ayamonte, com 400 participantes oriundos de nove concelhos. A quarta-feira, 16 de maio, será dia de natação, nas Piscinas Municipais de Olhão, com 120 atletas de cinco concelhos. O Estádio Municipal de Olhão vai acolher, no dia 17, o tag rugby, com 12 equipas de cinco concelhos. A semana termina em

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Tavira, no Pavilhão Dr. Eduardo Mansinho, com 18 equipas de nove concelhos a jogarem andebol for kids. Na reta final dos IX Jogos de Quelfes, a equitação adaptada vai ter lugar no Centro Hípico Pinetrees, em Almancil, e o lenço grego vai envolver 150 participantes, de cinco concelhos, no Pavilhão da Escola Secundária Pinheiro e Rosa, em Faro. As atividades desportivas chegam ao fim, a 24 de maio, com o futebol, no Estádio Algarve, com 18 equipas de 11 concelhos, estando a cerimónia de encerramento agendada, para 25 de maio, na sede do IPDJ, em Faro. “Vai ser uma grande jornada com 14 estações de experimentação de desporto, cultura e valores para terminarmos em beleza os Jogos de Quelfes”, garante Gustavo Marcos .

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REPORTAGEM

ALBUFEIRA CONTINUA A APOSTAR FORTE NA EDUCAÇÃO E O OPTO É DISSO BOM EXEMPLO Texto:

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Pavilhão Desportivo de Albufeira recebeu, de 9 a 11 de maio, um dos maiores fóruns de juventude e educação de Portugal, com os visitantes a terem acesso a informação atualizada sobre as diversas alternativas escolares e formativas disponíveis no sistema educativo nacional (ensino secundário, profissional e superior)

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e experiências no estrangeiro, bem como a possibilidade de estabelecerem um primeiro contacto com profissionais de diferentes áreas e organizações. Do programa constaram workshops, conferências, apresentação de experiências, demonstrações culinárias (cozinha e pastelaria, doçaria regional, sobremesas saudáveis e batidos, lanches saudáveis e sumos Detox,

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José Carlos Rolo, presidente da Câmara Municipal de Albufeira (à direita), com Francisco Marques, Delegado Regional da Educação do Algarve e restante comitiva durante a visita ao VI OPTO

cocktails e crepes, degustação de produtos regionais, dieta mediterrânica, cozinha do mundo) e um leque variado de propostas de animação no interior e exterior do recinto. No palco instalado no interior do Pavilhão, a animação foi protagonizada maioritariamente pelos alunos das escolas participantes, com momentos musicais, aulas de fitness, zumba e teatro, apresentação de filmes, entre outras manifestações culturais e artísticas. No exterior do recinto eram também muitas as atrações e, este ano, para além da sempre requisitada parede de escalada e rappel, houve demonstrações de Skate, Parkour, Golfe e percursos de orientação. Outros aliciantes foram a «Experiência em 23

Movimento», no âmbito da atividade OPTO Ciência, e o tradicional Jogo da Glória. O OPTO é uma organização conjunta do Município de Albufeira, DireçãoGeral dos Estabelecimentos EscolaresDireção de Serviços da Região do Algarve (DGEstE) e Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) e conta com a colaboração dos três Agrupamentos de Escolas do concelho. “É um evento importante a nível local, regional e mesmo nacional, só ficando atrás, em termos de dimensão, dos realizados em Lisboa e Porto. Aliás, basta olhar para os estabelecimentos de ensino provenientes de outras zonas do país que marcam presença no ALGARVE INFORMATIVO #155


OPTO para divulgar as suas ofertas educativas”, referiu José Carlos Rolo, durante a visita inaugural ao VI Fórum de Educação e Formação do Algarve. À conversa com o presidente da Câmara Municipal de Albufeira ficou a certeza de que o evento é mesmo para continuar, face aos bons resultados alcançados nos primeiros cinco anos e à grande adesão por parte das escolas profissionais, universidades e associações, não faltando, inclusive, os stands das diversas forças de segurança e militares. “Cada vez são mais os expositores a quererem participar no OPTO e três dias é uma boa dimensão temporal para um evento desta natureza, a participação torna-se motivante e cativante”, entende o autarca, sublinhando a importância do fórum para que os jovens consigam definir ALGARVE INFORMATIVO #155

melhor os seus futuros académicos e profissionais. “Levam para casa muita informação para analisarem com mais atenção as suas opções, seja para ingressarem num curso profissional a seguir ao 9.º ano, ou para rumarem ao ensino superior após concluírem o secundário. Aliás, é por isso mesmo que o fórum se chama OPTO, por querer alargar o espectro de opções dos jovens”. Escolhas acertadas que são cada vez mais cruciais nos dias atuais, reconhece José Carlos Rolo, porque, apesar de Portugal estar com uma taxa de desemprego relativamente reduzida, continua a haver muitos jovens sem conseguirem arranjar colocação. “Antigamente havia quatro ou cinco grandes grupos de profissões em torno 24


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dos quais giravam todas as carreiras. Hoje, há tantos cursos que se torna difícil perceber bem o que cada um comporta, quais são as suas saídas profissionais. Este leque tão alargado que se assiste no Século XXI até cria alguma confusão junto dos empresários. Penso que as universidades deveriam condensar, especializar, os cursos que oferecem”, declarou o edil. “Albufeira continua a apostar forte na Educação, pois ela deve ser o «parente rico» de qualquer sociedade. Sem uma Educação com ALGARVE INFORMATIVO #155

valores e bem sustentada não se consegue ter um futuro muito risonho”, concluiu José Carlos Rolo, antes de retomar a visita ao Pavilhão Municipal de Albufeira . 26


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REPORTAGEM

VINHO ALGARVIO EM COMPETIÇÃO E DEBATE Texto e Fotografia:

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(Wine Educator)

ia 7 de maio passado foi um dia importante para o Vinho Algarvio. Organizado e promovido pela CVA – Comissão Vitivinícola do Algarve, com o apoio do Município de Silves, decorreu o XI Concurso de Vinhos, exclusivamente do Algarve e o 2.º Simpósio Vitivinícola do Algarve. Ambos

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ocorreram em Silves, o concurso no Teatro Mascarenhas Gregório e o Simpósio na Biblioteca Municipal de Silves. O concurso era sobretudo técnico e, portanto, não aberto ao público. Com a coordenação técnica da Associação de Escanções de Portugal, o júri, composto 28


por 20 membros da dita associação, teve um caráter internacional com escanções vindos do Brasil e de Londres, entre um mix de outros do Algarve e do resto do país. A sua missão – a de provar e classificar 85 vinhos do Algarve que se propuseram a concurso, e dessa pontuação atribuir os respetivos galardões de ouro, prata e bronze assim como o de eleger o melhor vinho do concurso, que consiste naquele que obtém a melhor pontuação. O sistema de classificação é simples. O júri avalia, através de prova cega, os 85 vinhos entre brancos, rosés e tintos e depois pontua de acordo com os oito critérios definidos: Cor, Limpidez, Aroma, Persistência, Sabor, Intensidade,

Final de boca e a Apreciação do conjunto, que é como quem diz a opinião global. Para quem não tem um gosto apurado e sentido de avaliação treinado, estes parâmetros começam-se rapidamente a confundir, digamos que após uma meia dúzia de vinhos ou pouco mais. E aqui estamos a falar em provar 85, o que não é fácil de o fazer com critério e rigor, e por isso a importância de ter profissionais do setor a coordenar esta competição, sendo este um termo talvez exagerado, face ao conceito que temos de competição. Aqui os vinhos são na verdade avaliados e classificados, podendo haver empates e até, em

Rosa Palma, presidente da Câmara Municipal de Silves, entrega a Grande Medalha de Ouro à Quinta dos Vales, pelo melhor vinho 2018 do concurso - Marquês dos Vales Grace Vineyard, tinto 2012 29

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Para além do recente Esquerdino do novo produtor Quinta do Canhoto apresentado aqui a semana passada, temos agora também o novo Sentidos Tato do igualmente novo produtor Quinta dos Sentidos

teoria, todos obterem a mesma pontuação. A comprovar isso mesmo está o facto de não ter sido atribuída qualquer medalha de bronze, apenas ouro e prata. Isto sucedeu porque todos os vinhos que se destacaram, ficaram acima dos 84 pontos e, portanto, somente medalhas de prata e ouro foram atribuídas. A exceção vai para a grande medalha de ouro, que na prática determina o vinho que melhor pontuação teve e que, desta forma, é considerado o melhor vinho do concurso. Não devemos exagerar e chamar o melhor Vinho do Algarve, pois muitos outros vinhos não ALGARVE INFORMATIVO #155

Um Negra Mole de vinhas de Pé Franco com 75 anos, muito jovem e fresco para a idade. Já está no mercado e a bom preço.

foram a concurso e será injusto compará-lo com outros. Porém, poderse-á claramente afirmar que é o melhor do concurso e o eleito pelos 20 membros do júri, profissionais na prova, avaliação e classificação de vinhos, o que tem muito mérito. E então qual foi o melhor? O melhor foi o Marquês dos Vales Grace Vineyard, tinto 2012, da Quinta dos Vales, localizada em Estômbar. Esta quinta acabou por dominar o concurso, tendo obtido seis medalhas das 27 distribuídas no total. Tirando a Grande Medalha de Ouro, as restantes 26 ficaram repartidas 30


Carlos Gracias, presidente da CVA, aproveitou para fazer um ponto de situação da atividade da CVA até à data, com destaque para a recente divulgação do Mapa Vitivinícola da Região do Algarve, para promover o enoturismo.

por 12 medalhas de prata, dos quais sete foram para tintos, quatro para brancos e uma para rosés; e nas medalhas de ouro, das 14 atribuídas, 10 foram para tintos, duas para brancos e duas para rosés. (ver infografia) Porquê que estes prémios são importantes? Por várias razões. A primeira é comercial, diria eu. Um vinho que obtenha uma boa classificação pode capitalizar o impacto desta sobre a opinião pública e também proporcionar algum «buzz» nos media que falem e mencionem o vinho, e que de outra forma não o fariam. Depois, há o lado social e de validação interna de um trabalho que vem de muito atrás no tempo, começando logo na vinha, estendendo-se durante a vindima, seguido da vinificação e depois durante o estágio e o blend final e ainda o 31

engarrafamento, rotulagem e distribuição. São muitas as etapas que estão por detrás de um rótulo e quando um produtor e enófilo vê o seu trabalho reconhecido em prova cega, por um painel de especialistas, sabe que está no rumo certo e sabe que o trabalho colhe, neste setor, normalmente os seus frutos. Há quem opte por não se expor a este circo mediático e competitivo. São opções que devem ser respeitadas e que não tiram o mérito dos vinhos que por aqui não passam. No entanto, há que valorizar e destacar aqueles que arriscam e de certa forma dão a cara, sem estratégias de bastidores. Enquanto o Concurso decorre, o Simpósio acontece noutro edifício e, durante a manhã, após as apresentações oficiais da praxe, ALGARVE INFORMATIVO #155


Paula Sousa trouxe a experiência do Enoturismo do Douro, com o caso de sucesso da Quinta Nova

entramos nos painéis sérios da discussão. O primeiro tem a ver com os dados estatísticos do mercado nacional, apresentados pela Maria João Dias, do Departamento de Estudos e Apoio à ALGARVE INFORMATIVO #155

Internacionalização do IVV. Há um dado apresentado que causa alguma discussão na sala, pois o Algarve apresenta um valor médio algo exagerado face às outras regiões. 32


Maria João Dias, diretora do Departamento de Estudos e Apoio à Internacionalização do IVV, apresentou os dados estatísticos do mercado nacional relativos ao 1.º trimestre de 2018

Maria João Dias explica que os dados têm uma ponderação maior na restauração e menos na distribuição o que pode enviesar a realidade. E sim, de facto será isso, talvez devido aos vinhos algarvios ainda não estarem devidamente representados na distribuição. Algo que tem mudado muito ultimamente e já é fácil encontrar muitos vinhos nas principais superfícies comerciais, vários deles a preço competitivo e alguns a preços muito competitivos mesmo. Só para dar um exemplo concreto, o vencedor de melhor vinho – o Grace Vineyard, tinto de 2012, está à venda no site do produtor a 13,5 Euros, o que é um preço muito razoável e competitivo para um vinho de topo, 33

reserva com estágio em madeira e em garrafa. O Enoturismo também esteve em destaque no Simpósio e para além da apresentação do projeto Algarve Eating Food Tours – efetuado por António Guerreiro – que visa colocar os visitantes a degustar as iguarias algarvias, tanto na versão petisco como na versão vínica, evidenciou-se o valioso contributo da experiência da Quinta Nova da Nossa Senhora do Carmo, localizada em pleno Douro vinhateiro, apresentada de forma muito sugestiva e didática pela diretora de Marketing e Turismo da quinta – Paula Sousa.

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Ao almoço decorre uma das melhores partes do evento, porque é possível provar uma boa parte dos vinhos que estiveram em concurso e aí descubro um novo rosé, feito com a casta nobre e exclusiva do Algarve – a Negra Mole – e ainda por cima com vinhas velhas com 75 anos e plantadas em Pé Franco, isto é, sem recurso ao porta-enxerto, o que para os especialistas é a forma ideal para tirar toda a expressão do terroir. Um rosé muito bem feito, com apetência gastronómica e cor apelativa e sugestiva. Mais ao lado está outra novidade e ainda por cima de um novo produtor – A Quinta dos Sentidos – que levou a concurso o Sentidos Tato, tinto 2016, obtendo uma medalha de prata. Beat Buchmann é o proprietário, de origem suíça, e que elegeu o Algarve para fazer o que está na moda para os estrangeiros, vir gozar a reforma e

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manter-se ativo com um projeto que dê gozo e lhe permita deixar algum legado. E aí o setor dos vinhos é um investimento atrativo e de longo prazo. Curioso é também o facto de ele comentar que se dedica à produção de Verjus como forma de aproveitar as muitas uvas que opta por cortar em verde. Com estas uvas espremidas fazse o delicado e afamado Verjus, tão apreciado pela alta cozinha devido à sua acidez discreta e frutada, impossível de se obter num vinagre. Achei piada e algum orgulho quando termino a entrevista e me afasto e ele vem ter comigo para confessar: “Esqueci-me de referir que, para além do clima e da paisagem, quis vir para Portugal pela vossa simpatia e pelo modo com que aqui sou tratado”. Sem dúvida que estamos na moda e pelos vistos até merecemos .

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REPORTAGEM

LOULÉ FESTEJOU O SEU FERIADO MUNICIPAL Texto:

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o dia 10 de maio, QuintaFeira de Ascensão/Dia da Espiga, voltou a comemorar-se mais um Dia do Município de Loulé, com o programa festivo a arrancar logo às 9h, na Praça da República, com o hastear da Bandeira ao som da Banda Filarmónica Artistas de Minerva e dos Bombeiros Municipais de Loulé, seguindo-se a atuação do Coro Infantil de Loulé, acompanhado pela Banda Escolar da Sociedade Filarmónica Artistas de Minerva. Uma hora depois, a Sala da Assembleia Municipal recebeu a Cerimónia Protocolar de Agraciados do Município de

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Loulé, tendo sido este ano condecorados, com a Medalha de Mérito Municipal Grau Ouro, o jogador de futsal e campeão europeu pela seleção nacional, Pedro Cary, e o diretor da Escola Secundária de Loulé e presidente do Conselho Executivo da Associação Europeia para o Ensino da Astronomia, Alexandre Costa, distinguido em 2010, pelo Ministério da Educação, com o Prémio Nacional do Professor. Feitas as homenagens, Vítor Aleixo afirmou que o concelho de Loulé vive, atualmente, um momento histórico no 36


O irmão e a mãe de Pedro Cary, com Vítor Aleixo

seu trajeto de desenvolvimento, depois de uma “brutal crise com o seu rol de misérias, como o desemprego de maciço, falências numerosas de empresas, queda abrupta da natalidade, emigração e debandada de jovens – formados ou não –, desmoralização e descrédito nas instituições, empobrecimento generalizado e dívida pública municipal bastante expressiva”. “Graças a um notável espírito de sacrifício coletivo e, sobretudo, ao corte com as políticas de austeridade operada por uma nova solução governativa e ao tônus moralizador trazido pela ação do Presidente da República, somos hoje capazes de virar a página de um capítulo triste da nossa história recente”, referiu o presidente da Câmara Municipal de Loulé. “No momento em que o governo central falhou clamorosamente, a Autarquia de Loulé e a rede numerosa de IPSS disse «presente», não permitindo que a brutalidade da crise social fosse ainda 37

mais devastadora do que aquilo que foi. Sentimos o maior orgulho nesse trabalho feito, com o Regulamento Loulé Solidário, férias para todos, oferta de manuais escolares, políticas locais de apoio à integração dos cidadãos migrantes e de promoção do envelhecimento ativo”, destacou o edil louletano. Ultrapassada a situação mais crítica, Vítor Aleixo falou de outros desafios, como o acesso à habitação e a revisão do Plano Diretor Municipal. “É o momento de atacar aquele que é, quiçá, o maior problema social e económico com que hoje nos debatemos: as enormes dificuldades no acesso à habitação. Chegou a hora de encararmos de frente esta situação que tanto nos atormenta, para que os primeiros realojamentos em regime de renda apoiada ou acessível possam acontecer ainda durante este ALGARVE INFORMATIVO #155


Alexandre Costa e Vítor Aleixo

mandato”, frisou o autarca. “As grandes questões emergentes da gestão autárquica são a sustentabilidade ambiental e económica, a promoção vigorosa do acesso à criação e fruição de bens culturais, a qualificação e requalificação do espaço público citadino, a aposta numa economia cada vez mais focada no conhecimento e na tecnologia e o combate à desertificação e declínio de extensas áreas do nosso território. Mas também, no caso concreto de Loulé, uma forte ação de solidariedade generosa com toda a região do Algarve, no que diz respeito à modernização e dignificação de vários serviços do Estado Central que estamos a acolher no nosso concelho”. Disso são exemplo a BAL – Base de Apoio Logístico e o CDOS – Centro Distrital de Operação de Socorro da Autoridade Nacional de Proteção Civil, em fase ALGARVE INFORMATIVO #155

adiantada de construção, em Quarteira e Loulé, bem como a primeira escola pública do ensino especializado de música a Sul de Lisboa, que terá o nome de Francisco Rosado e ficará sediada no Solar da Música Nova, já em fase final de reabilitação. “Esta escola terá capacidade para receber mais de 400 alunos, distribuídos por 11 turmas do 5.º ao 12.º ano”, revelou, tendo sido assinado, no dia 11 de maio, com a Secretária de Estado Adjunta e da Educação, o protocolo que regulará o seu funcionamento. Já no dia anterior tinha sido também assinado, com o presidente do Conselho Diretivo do Instituto Nacional de Emergência Médica, um contrato de acordo com o qual Loulé irá receber, até 2020, as instalações regionais do INEM e do Centro de Orientação de Doentes Urgentes. “E estamos já a trabalhar no processo para a construção de uma 38


nova Unidade de Saúde Familiar e de outras valências do dispositivo médico do Serviço Nacional de Saúde no local onde hoje se situa o Centro de Saúde de Loulé, num investimento que rondará os 4,5 milhões de euros”, adiantou Vítor Aleixo. De acordo com o autarca, o investimento público municipal de Loulé deverá atingir os 80 milhões de euros até 2020, com vários projetos concluídos e bastantes obras a caminho. “O futuro próximo do nosso concelho vai conhecer muitas mudanças que surgirão da necessidade imperiosa para nos prepararmos para períodos de seca prolongados cada vez mais frequentes, para as inundações na orla costeira, para ondas de calor, entre outros malefícios que as alterações climáticas nos vão trazer. E Loulé está na vanguarda do que melhor se faz neste domínio por este mundo fora”, garantiu

Vítor Aleixo. “Os municípios algarvios chegaram a um estádio do seu desenvolvimento que, daqui para a frente, têm muito mais a ganhar em cooperarem, do que continuarem nas lógicas de pequena escala, numa competição redutora que a todos enfraquece. Se concertamos esforços, o Algarve pode ser mais atrativo para o investimento privado e, sobretudo, ter outro peso na hora de reclamar a alocação de mais investimento da parte da administração central”, defendeu. Nessa ótica, Vítor Aleixo entende que Faro, Olhão, Loulé e São Brás de Alportel são, atualmente, uma aglomeração urbana com densidade crítica suficiente para ser competitiva à escala nacional. “Juntos e articulados, com o interesse público a sobrelevar as lógicas municipalistas e partidárias,

Vítor Aleixo, Mário Cláudio e José Manuel Mendes 39

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talvez consigamos mais facilmente impor a construção célere do Hospital Central do Algarve, a redução significativa do preço das portagens na A22 e a travagem na prospeção e exploração de petróleo na costa algarvia”, afirmou, aproveitando para oferecer publicamente à cidade de Faro “a nossa mão amiga para, com os nossos recursos humanos, patrimoniais, históricos e financeiros, alavancarmos a candidatura de Faro a «Capital Europeia da Cultura 2027»”. “Loulé tem recursos fabulosos, mas o seu principal capital são as pessoas e é nelas que continuarem, sempre, todos os dias, a apostar e investir”, completou o presidente da Câmara Municipal de Loulé.

MÁRIO CLÁUDIO RECEBEU O GRANDE PREMIO DE LITERATURA ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE ESCRITORES/CÂMARA MUNICIPAL DE LOULÉ DE 2018 O escritor Mário Cláudio recebeu, no dia 10 de maio, o Grande Prémio de Literatura Associação Portuguesa de Escritores/Câmara Municipal de Loulé – Crónica e Dispersos Literários 2018, pela sua obra «A Alma Vagueante». A decisão foi unânime do júri constituído por Cândido Oliveira Martins, Carina Infante do Carmo e Carlos Albino Guerreiro, “pela brilhante qualidade da sua escrita; o enorme poder de sugestão dos perfis delineados; e a singularidade de serem crónicas sobre personalidades merecedoras de homenagem, enquanto relevantes criadores da cultura portuguesa”.

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Escritor português de nome verdadeiro Rui Manuel Pinto Barbot Costa, nascido a 6 de novembro de 1941, no Porto, a sua obra apresenta uma faceta de investigador e de bibliófilo que, encontrando continuidade na sua atividade profissional, inscreve eruditamente cada um dos livros numa herança cultural e literária, portuguesa ou universal. “Dir-se-ia que a sua escrita, seja romanesca, seja em coletâneas de pequenas narrativas, funciona como um espelho que devolve a cada período a sua imagem, perspetivada através de um rosto ou de um local, em que o próprio autor se reflete, e isto sem a preocupação de qualquer tipo de realismo, mas num todo difuso e compósito, capaz de evocar o sentido ou o tom de uma época que concorre ainda para formar a época presente”, referiu ainda o júri deste prémio com o valor monetário de 10 mil euros. No uso da palavra, Mário Cláudio descreveu «A Alma Vagueante» como um livro de memórias, “daquelas que nos fazem viver com alegria”, mas lamentou que muitos dos escritores que ali são recordados são perfeitos desconhecidos para as novas gerações. “Se perguntarem a um jovem de 23 ou 24 anos quem foi Virgílio Ferreira, raramente encontrarão uma resposta satisfatória; ou José Cardoso Pires ou Eugénio de Andrade, porque deixaram de figurar nos compêndios de história e, hoje, não se compram livros. O que está a dar é o que acontece no momento, o que é despejado de uma forma muito relâmpago nos cartazes das livrarias durante quatro ou cinco 40


Vítor Aleixo e José Manuel Mendes, presidente da Associação Portuguesa de Escritores

dias, antes de serem substituídos por uma nova enxurrada de títulos”, desabafou o autor. “Claro que há espaço para a literatura de entretenimento, eu próprio a consumo às vezes, mas nem toda a gente sabe distinguir o que tem ou não qualidade. E o que não tem qualidade, infelizmente, é avassalador. Qualquer jovem, hoje em dia, se deixa enganar pela perspetiva de ter um livro impresso que possa oferecer à namorada ou à madrinha, sentindo-se escritor por esse facto”, apontou o premiado escritor. “Loulé é uma cidade organizada, estabilizada, harmoniosa, que está aberta ao futuro, sem deixar de ter um pé, claramente, fixado no passado”, manifestou ainda Mário Cláudio. Na ocasião foi, entretanto, assinado o protocolo entre a Câmara Municipal de Loulé e a Associação Portuguesa de Escritores para a manutenção do prémio para o triénio 2019-2021, sendo que o valor 41

monetário subirá para os 12 mil euros. “O triénio que agora acaba, com o Mário Cláudio, foi a vários níveis exuberante e transformou este prémio de crónicas num dos grandes momentos cultural e literário do país”, afirmou José Manuel Mendes, presidente da APE, reconhecendo que a atividade cultural tem vindo a crescer de uma forma notável no concelho de Loulé. “Existe um elo de conexão entre a APE e a Câmara Municipal de Loulé que passa por outras dimensões não menos relevantes. Este espaço de cultura viva, que congrega a tradição e a modernidade nos seus mais exatos sentidos, torna-se imperativo para o exercício escorreito de todos os atos que já praticamos e mais ainda aqueles que estão em agenda para virem a ser realizados brevemente”. Pegando nas palavras de José Manuel Mendes, Dália Paulo, Diretora Municipal ALGARVE INFORMATIVO #155


da autarquia louletana, revelou que está em curso o processo de classificação como Tesouro Nacional das Atas de Vereação de Loulé, as mais antigas conhecidas de Portugal, datadas dos séculos XIV e XV.

DOIS GUERREIROS, DE NOME, CORAÇÃO E ALMA, FORAM IMORTALIZADOS EM RUAS DE LOULÉ Um dos momentos mais emotivos das comemorações do Dia do Município de Loulé aconteceu, sem dúvida, na Urbanização Boa Entrada, ao final da manhã do dia 10 de maio, com o descerramento das placas toponímicas com os nomes de Luís Guerreiro e Joaquim Guerreiro, duas personalidades ligados à vida autárquica e cultural do concelho louletano e da região algarvia que faleceram em 2017. Uma verdadeira multidão assistiu a um ato de “total justiça”, nas palavras de Vítor Aleixo,

presidente da Câmara Municipal de Loulé. “São dois homens bons que ainda há pouco tempo saíram do nosso convívio, mas que nos deixaram uma enorme saudade, pois estiveram muito envolvidos, ao longo das suas vidas, na gestão da coisa pública. Tive a sorte e o privilégio de conviver de perto com o Luís Guerreiro, no desempenho de funções autárquicas, e era um homem absolutamente generoso. Vivia ao ritmo dele, não se deixava ir na vida apressada e louca que nos devora a todos”, descreveu o edil antes do descerrar da placa. “Luís Guerreiro era um homem de uma inteligência prática, de um sentimento de partilha dos bons momentos, de convívio com os amigos. Um homem que cultivava nas suas conversas a memória e é impossível esquecermonos dele, como amigo e profissional”, reforçou Vítor Aleixo, perante os

Cristina Guerreiro, viúva de Luís Guerreiro, com Vítor Aleixo ALGARVE INFORMATIVO #155

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Vítor Aleixo com a mãe, as filhas e a companheira de Joaquim Guerreiro

familiares do engenheiro civil, bibliófilo e investigador da história local. Alguns metros mais à frente situava-se a placa toponímica de homenagem a Joaquim Guerreiro e por entre os louletanos presentes vislumbravam-se, igualmente, muitos farenses, nomeadamente elementos do executivo camarário e responsáveis e funcionários do Teatro das Figuras, que liderou durante vários anos. “É com bastante emoção como mãe do Joaquim Guerreiro que agradeço, em meu nome, das suas filhas, irmã e restante família, a homenagem póstuma que hoje lhe é feita, como reconhecimento do seu trabalho e dedicação à nossa autarquia que serviu com humildade e abnegação”, declarou, na ocasião, a progenitora de Joaquim Guerreiro. Vítor Aleixo lembrou que a Joaquim Guerreiro se devem algumas das criações, 43

nas áreas da cultura e do entretenimento, mais emblemáticas do concelho de Loulé, casos do Festival MED e da Noite Branca de Loulé, “iniciativas que trouxeram uma nota de diferenciação muito positiva relativamente àquilo que era comum fazer noutros municípios do Algarve”. “Estas criações devem-se ao espírito voluntarista e empreendedor de um homem bom, que serviu o seu município e que é um exemplo a seguir. Não era um homem, comigo, de convergências políticas, mas era um homem com um espírito suficientemente aberto e democrático com quem falava naturalmente, com respeito e consideração mútuas”, disse ainda o autarca sobre o antigo presidente do PSD/Loulé e ex-Vereador da Câmara Municipal de Loulé, com os pelouros da Cultura, Eventos e Turismo, entre 2009 e 2013 .

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SALIR VIBROU COM MAIS UMA FESTA DA ESPIGA Texto:

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iz o calendário litúrgico que, na Quinta-Feira da Ascensão, se comemora a ascensão de Jesus Cristo ao Céu, dando assim término a um ciclo de 40 dias após a Páscoa. Celebrase também, em Portugal, o Dia da Espiga ou Quinta-Feira da Espiga, sendo tradição, no Algarve, as pessoas irem para os campos apanhar a espiga de trigo e outras flores silvestres com os quais fazem ramos simbólicos da fecundidade da terra e da alegria de viver. Certas espigas, normalmente as de trigo, simbolizam a abundância, enquanto as papoilas, rosas,

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margaridas e malmequeres ilustram a beleza e a oliveira significa a paz. Este ramo é depois pendurado dentro de casa durante um ano, até ser substituído pela «espiga» do ano seguinte. Festejada em vários pontos da região, é em Salir, freguesia rural do concelho de Loulé, que a Festa da Espiga assume especial preponderância, atraindo todos os anos milhares de turistas. Uma festividade que teve início em 1968, dinamizada pelo então Presidente da Junta de Freguesia José Viegas Gregório. O sucesso foi imediato e 48


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desde então Salir tem feito do Dia da Espiga um acontecimento de dimensão regional, acolhendo visitantes de todos os pontos do Algarve, e alémfronteiras, para apreciar o artesanato, a gastronomia, o folclore, a etnografia, a poesia e tudo o que de mais genuíno se pode encontrar no interior rural do Algarve. E tão grande foi a importância granjeada pelo evento que a própria Câmara Municipal de Loulé decidiu mudar para este dia o seu feriado municipal. No centro das atenções está o cortejo etnográfico que desfila ao longo da principal rua da vila e que representa toda a atividade agrícola e artesanal da freguesia, desde as sementeiras, mondas, ceifas, debulhas à fabricação de pão, apanha do medronho e destilação, apicultura e extração de cortiça, ao varejo do figo, amêndoa e alfarroba, ao artesanato de linho, lã, palma, esparto e cestaria de verga. Uma das particularidades da Festa da Espiga é que a população pode deixar as suas mensagens, em forma de poema ou quadra preparada ou apenas de improviso, aos governantes locais e regionais presentes, para pedir

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ou agradecer as obras feitas na terra ou queixarem-se do que demora a tornar-se realidade. Tudo este frenesim se voltou a vivenciar no dia 10 de maio, com Salir a ser palco, logo a partir das 9h, de um Passeio BTT e de um Passeio Pedestre «Trilhos da Espiga», que permitiram aos participantes um contacto com o património ambiental e as belezas naturais da Serra do Caldeirão. As Tasquinhas com manjares e petiscos serranos começaram a dar nas vistas por volta da hora do almoço e pouco depois abriu a exposição de produtos regionais. A meio da tarde deu-se o momento mais esperado, o desfile etnográfico, no qual ALGARVE INFORMATIVO #155

participaram igualmente o Rancho Folclórico «As Mondadeiras das Barrosas» e o Grupo Etnográfico da Serra do Caldeirão (Cortelha). A festa prosseguiu pela noite dentro, com o baile com Rui Soares&Lau e o concerto de Toy, um dos mais importantes nomes da música popular em Portugal. No dia 11 de maio, sexta-feira, a Festa da Espiga foi dedicada aos seniores com uma tarde plena de animação. A versão noturna do tradicional desfile etnográfico realizou-se a partir das 20h30, seguindose uma Grande Noite de Fado, com Filipa Nobre, o projeto «Amália Sempre», que reúne várias vozes do Fado na região, e Cuca Roseta, um dos maiores nomes da 52


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nova vanguarda de fadistas. A finalizar os festejos, mais um baile tradicional, desta vez com Gonçalo Tardão. O programa concluiu, a 12 de maio, com vários atividades direcionadas para os mais novos, entre as quais o III Torneio de Futebol «Os Espiguinhas» e a Tarde das Espiguinhas. Depois, à noite, lugar para as sonoridades da música moderna portuguesa, este ano com Bezegol&Rude Bowy Banda, artista que, com um timbre rouco inconfundível, é um dos grandes «poetas urbanos» do panorama musical nacional; mas também com «Throes+The Shine», que levam ao palco a energia eletrizante da fusão singular do kuduro com o rock; e Riot (DJ7) que, sem limite de géneros ou estilos, apresenta nas suas atuações todas as mais recentes sonoridades da Música de Dança atual . 55

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ENCONTROS DO DEVIR LEVARAM COLONIALISMO PORTUGUÊS AO CINE-TEATRO LOULETANO Texto:

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o âmbito do 4.º Festival «Encontros do DeVIR», o Cine-Teatro Louletano recebeu, no dia 4 de maio, a peça de teatro «Libertação», uma das criações mais recentes do Hotel Europa de André Amálio. «Libertação» investiga o maior trauma do Colonialismo Português, a Guerra do Ultramar, sem dúvida um dos episódios mais dramáticos da história recente de Portugal que vitimou e mutilou milhares de portugueses. A peça fala sobre este acontecimento histórico a partir do ponto de vista da luta de libertação que foi desenvolvida em Angola, Guiné e Moçambique e do seu impacto no Estado Novo que, consequentemente, levou à derrota do Fascismo em Portugal. Ao longo de hora e meia, André Amálio, Lucília Raimundo, Nelson Makossa lançam um olhar sobre a questão das independências a partir do ponto de vista africano. O espetáculo começa por descrever e analisar o movimento das independências em África, para melhor entender o caso do Colonialismo Português no contexto mundial, sendo construído a partir de entrevistas feitas a antigos soldados das guerras de independência e de uma rigorosa pesquisa de arquivo sobre a Guerra Colonial. No texto encontram-se igualmente discursos políticos produzidos pelos líderes de ambos lados da guerra, em particular de António Oliveira Salazar, Amílcar Cabral, Eduardo Mondelane, Marcelo Caetano, Agostinho Cabral, Jonas Savimbi, Holden Roberto e Samora Machel .

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REPORTAGEM

RONDA DOS QUATRO CAMINHOS E RICARDO J. MARTINS REVISITARAM MÚSICA TRADICIONAL PORTUGUESA Texto:

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Cine-Teatro Louletano foi palco, no dia 6 de maio, de mais um concerto no âmbito do ciclo musical «O Longe é Aqui», que junta consagrados projetos nacionais com músicos locais de reconhecida qualidade. Desta feita, a Ronda dos Quatro Caminhos teve como convidado especial Ricardo J. Martins, num espetáculo que revisitou o melhor e mais genuíno legado da música tradicional portuguesa, colorida pelos acordes da guitarra portuguesa e pela toada encantatória do cante alentejano.

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Novos arranjos e uma abordagem contemporânea e apelativa estiveram em evidência numa grande produção que colocou mais de 30 elementos em palco, entre cantadores e instrumentistas, uma ALGARVE INFORMATIVO #155

vez que a Ronda dos Quatro Caminhos se fez acompanhar de uma formação alargada, com ensemble de cordas clássico e os Cantares de Évora. A banda é composta atualmente por António Prata (violino, bandolim, guitarra), Carlos Barata (acordeão, bandolim, voz), João Oliveira (guitarra, voz solo), Mário Peniche (baixo), Pedro Fragoso (piano) e Pedro Pitta Grós (bateria e percussões), tendo lançado o primeiro disco em 1984, mostrando desde logo a vontade de recriar canções regionais. Em 1991 lançou o sétimo álbum da sua carreira, «Romarias», fazendo mais de 70 concertos no país e no estrangeiro. Dois anos depois, no Teatro Municipal São Luiz, em Lisboa, o grupo apresentou o seu primeiro concerto com 68


a intenção de uma gravação ao vivo. O espetáculo «Uma Noite de Música Tradicional», para além do memorável êxito que obteve, resultou ainda no oitavo disco. Em 1997 foi editado «Recantos», disco com uma sonoridade mais urbana e conceptual, e dois anos depois é publicado «Outras Terras», que reflete as vivências de tantas viagens. Em novembro de 2000, no Teatro Garcia de Resende, em Évora, o grupo grava o seu primeiro disco duplo ao vivo: «Alçude». Em 2003, e após dois anos e meio de trabalho, a Ronda publicou o seu mais ousado trabalho, «Terra de Abrigo», um disco exclusivamente dedicado ao Cante Alentejano. Em 2014, o grupo grava o CD «Tierra Alantre», uma vez mais ao reencontro da música erudita e, em 2017, vem a público o álbum «Sopas do Espírito Santo», dedicado à música tradicional dos

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Açores, num percurso que faz da Ronda um dos projetos mais ousados e consistentes na área da música tradicional portuguesa. Quanto a Ricardo J. Martins, jovem sãobrasense a residir em Loulé, faz parte da nova geração de músicos de Guitarra Portuguesa que tem raízes noutros mundos musicais e também dos poucos guitarristas que compõe peças para este instrumento tão português. No seu percurso, o algarvio partilhou o palco com grandes nomes da poesia e teatro como Ângela Pinto, Maria do Céu Guerra, José Fanha, Irene Flunser Pimentel (Prémio Pessoa 2007), mas também da música, como Marco Rodrigues, Pedro Moutinho, Diamantina, Filipa Cardoso, Isabel de Noronha, Ilda Maria, Ana Sofia Varela e Viviane. Apresentou ainda a sua música alémfronteiras, em Espanha, França, Bélgica, Holanda, Inglaterra, Alemanha, Luxemburgo, Sérvia, Canadá, Estados Unidos e Cabo Verde .

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O TEMPO EM QUE TODOS OS CAMINHOS PARTEM DO AMEIXIAL Texto:

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ais do que uma reportagem, crónica ou artigo de opinião, este somatório de palavras relata uma experiência na primeira pessoa. Não que pretenda que estas linhas de texto tenham algum significado transcendental ou esotérico, apenas é um aviso de que as palavras que o compõem são escritas num misto de relato vivido e sentido e recolha de informação factual, ocorrida durante os

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três dias da 6.ª edição do WFA – Walking Festival Ameixial, realizado nesta mesma aldeia do interior algarvio, já em plena Serra do Caldeirão, no Concelho de Loulé, durante os dias 27 a 29 de abril de 2018. O evento está integrado no calendário de festivais de caminhadas AWS – Algarve Walking Season (são apenas três os que fazem parte deste calendário) com a organização a cargo da Cooperativa 78


atividade que levasse muito a sério, porém, posso dizer que a redescobri aqui. O facto de tudo levar tempo, pois, para percorrer vários quilómetros e por vezes em caminhos e veredas irregulares e estreitas, leva a que demoremos umas boas horas para realizar objetivos considerados muito singelos na azáfama do dia-a-dia, com deslocações de carro ou com outro transporte que não a nossa sola. Neste evento podemos tirar pleno partido de tudo. Do piso, dos cheiros, do vento ou da chuva e do frio, que por aqui passou de forma peculiar durante o fim-desemana, e, claro, da paisagem e do ambiente e da envolvente que a rodeia.

QRER, que conta com o apoio da Região de Turismo do Algarve, Câmara Municipal de Loulé, Junta de Freguesia do Ameixial, Proactivetur e Projeto Estela. Em primeiro lugar, devo destacar que este é um evento que precisa de tempo. Tempo para ser apreciado, tempo para ser desfrutado, tempo para ser realizado e depois tempo para ser processado. Apesar de ser um caminhante, nunca foi uma 79

Como as coisas aqui precisam de tempo, recomendo vivamente a vinda logo no primeiro dia e a desligar a ficha da suposta civilização litoral, trocando-a pela civilização da Serra. Pessoalmente, foi fácil para mim, porque raramente tive rede de telemóvel e não há wifi disponível com facilidade por estas bandas, se é que a há de todo. O alojamento pode ser feito no campismo organizado para o efeito. Não tem luxos, mas tem o essencial e contribuiu para o lado da aventura que dá todo o tempero para que o WFA se torne inesquecível. O melhor de tudo é que a organização não nos brinda só com uma variedade de percursos disponíveis para fazermos. Há uma série de eventos paralelos, ou em complemento, que têm o dom de nos complicar as escolhas e de dificultar a seleção, pois muitas vezes queremos estar em dois ou três lugares ao mesmo tempo. Mas, nada de stress, que é algo ALGARVE INFORMATIVO #155


que não funciona aqui. Qualquer opção é boa e temos que ficar satisfeitos com o que obtemos e não com o que poderíamos obter. Logo no dia da abertura, tenho que destacar a Conferência «Comunicar Destinos de Natureza», que reuniu um painel muito interessante, e pena é que não tenha tido a audiência merecida. Para além de uma boa presença institucional com apresentações interessantes, como foram a de Filipe Silva do Turismo de Portugal, que reforçou a aposta turística nos percursos pedestres e eventos que promovam o turismo de natureza e a atratividade do território nacional nesse sentido, tendo para o efeito, o Turismo de Portugal lançado o portal portuguesetrails.pt, exclusivamente para esta oferta. E logo a seguir um grande exemplo de como se pode realmente trabalhar o Turismo de Natureza, com a apresentação de Filipe Macedo, do Turismo dos Açores, um caso de sucesso e emblemático de uma região com qualidades ímpares para estas atividades e que tão bem tem realizado a sua promoção. Por forma a aprender com exemplos de fora, e que trazem outra visão sobre o setor, a conferência contou com dois convidados de luxo, os catalães Gonçal Portabella e Arcadi Castillo, o primeiro deles, consultor especializado em Turismo de Caminhadas e responsável pela promoção e estruturação da comunicação na região de Lleida na Catalunha, cabendo ao segundo a apresentação do caso da promoção dos Pirinéus, a cargo do instituto público onde trabalha.

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No final, o debate levantou sobretudo a questão, que na minha opinião consiste na pedra de toque de um turismo sustentável e de real qualidade: a relação entre promoção e massificação. Ou seja, o que se pretende para o Turismo de Natureza? Que seja o novo turismo de massas ou uma real alternativa e complementaridade de 80


oferta, que será sempre um nicho, que não precisa ser obviamente ínfimo, mas que tem que encontrar o real equilíbrio entre oferta e procura e entre o que o território pode suportar. Isto a meu ver é o que tem faltado quando hoje se fala dos problemas de Lisboa e Porto, e de outros locais já sobejamente conhecidos caso de Barcelona, Roma, Amesterdão e outros de forte atração. É claro que o Ameixial está a 81

anos luz destes problemas, mas é algo que os agentes envolvidos têm que equacionar no panorama geral. Bem, mas isto foi só a abertura, ainda faltam dois dias. À noite, há que mexer as pernas e não há nada como uma caminhada noturna para fechar o primeiro dia e preparar o corpo para a manhã seguinte. A alvorada é suave, ALGARVE INFORMATIVO #155


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apenas às 9 horas se reúnem todos junto à Escola Primária da aldeia e se vão formando os grupos dos muitos passeios propostos. E eles os há para todos os gostos. Desde os mais radicais, que atravessam as frescas águas do Vascão, aos mais intensos e de maior desnível, passando pelos mais didáticos e educativos, que abordam desde a observação de aves, à geologia do território no seu todo, ou aos inclusivos, organizados em parceria com a ACAPO e que integram invisuais no seu circuito. E isto sem esquecer os mais novos e as famílias, que têm passeios de burro ou com a companhia de um pastor, excelente desculpa para levar os filhos a fazer uns quilómetros sem eles darem por isso. Os passeios e percursos ocupam toda a manhã e à tarde são as atividades 83

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complementares que tomam conta do evento. Desde workshops diversos, onde se aprende a escolher o melhor equipamento e calçado para os percursos, ou as melhores ervas e plantas para a saúde dos caminhantes, realizam-se também atividades diversas num dos mais belos locais do Ameixial a Fonte da Seiceira. Espaço muito bem mantido e agradável, num misto de natureza com infraestruturas de apoio bem conservadas e idealizadas para o sítio. O local é praticamente uma segunda base para o evento, realizando-se aqui um vasto conjunto de atividades, refeições e inclusive uma pequena feira e mostra de produtos locais, desde o artesanato à inevitável gastronomia. E digo inevitável gastronomia, porque aqui come-se bem, e não só pela qualidade. Destaco sobretudo o facto de os sabores serem mais intensos porque a confeção é diferente, é feita com produtos caseiros, de melhor qualidade, preparados com um carinho e atenção que não se tem ALGARVE INFORMATIVO #155

fora destes locais. Por exemplo o Café Central, onde fiz a maioria das refeições, tinha várias senhoras a trabalhar na cozinha, todas elas com um aquele aspeto patusco e simpático das avós (que com certeza serão), pois a média de idades ultrapassava os 60 anos na cozinha. Mas a simpatia e atenção valia mais de três estrelas Michelin, porque era genuína e sincera. A comida era apresentada e comentada com carinho e com dicas de como era feita para adquirir o sabor pretendido. Recordo que num dos dias precisei de almoçar um pouco mais cedo e disseram-me logo que podiam servir as favas, que já estavam feitas, mas que se pudesse esperar um pouco elas iam apurar mais e ficar realmente saborosas. Precisavam daquilo que nos queixamos sempre, daquilo que sinto falta todos os dias e que é um dos espinhos da vida moderna – o tempo – era novamente ele a surgir como protagonista e novamente ele a fazer valer o seu atributo de deixar as coisas acontecerem naturalmente. 86


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O tempo também prega partidas, mas agora no sentido meteorológico, e não cronológico, e a grande festa do evento é transferida, num grande golpe de rins da organização, da Fonte da Seiceira para o Pavilhão do Grupo Desportivo. Uma decisão de última hora que se veio a revelar sábia, pois estava a chegar uma frente fria pouco habitual para época e para além da chuva prevista o frio gélido esse era uma certeza. O ambiente de festa, música e convívio, foi também ele muito agradável e é outro dos fatores que relevo no WFA. O ambiente e boa disposição e facilidade com que se trava conhecimentos e amizades são ímpares

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neste evento. Há momentos em que todos parecem uma família que se conhece há muito. Para reforçar essa ideia e esse conceito, houve uma atividade e projeto muito interessante durante o evento, que foi a realização de uma experiência participativa em arte pública, a cargo da artista plástica Leonor Pêgo. A ideia era a de realizar uma obra coletiva, idealizada pela artista, mas em que todos pudessem contribuir na sua execução. A obra foi inspirada nos muitos vestígios arqueológicos da zona e nas rochas que abundam no terreno, usadas não só para as obras ancestrais

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como em muitos muros, casas, moinhos e palheiros que predominam na paisagem. O conceito foi o de colocar os participantes a transportar e a montar e ajeitar pedras variadas, num conjunto arquitetónico e artístico que marcasse a paisagem, mas sem destoar do ambiente envolvente. Quase a fechar o Festival, e após as caminhadas da manhã de domingo, houve um conjunto de workshops e eventos à tarde, destacando o dedicado à bolota e às suas propriedades e potencialidades. Para além do uso da farinha de bolota para a execução de um pão, depois cozido em forno de lenha, houve uma palestra de Alfredo Sendim, um dos pioneiros da revolução que este fruto esquecido começa a ter, e que chegou a ser considerado, segundo nos relata, o “alimento dos homens invencíveis”, tem

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tudo para funcionar, pois para além da riqueza e versatilidade alimentar, é isento de glúten, apresenta baixas calorias e as gorduras que tem são tão saudáveis como a do azeite. Alfredo Sendim fala com paixão sobre a Bolota e a conversa sabe ainda melhor com a companhia de um café do dito fruto, que também tem antioxidantes, mas não a cafeína do tradicional. E a conversa continua com tempo, porque é com ele que o pão irá levedar e é também com ele que iremos chegar ao encerramento do WFA, e novamente com o tempo, irá chegar a edição de 2019, para a qual não devemos ficar ansiosos, porque aumenta os nossos níveis de stress, mas apenas desejosos, porque ainda há tempo para apreciar outros percursos até lá .

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OPINIÃO

Sementes de Leste Paulo Cunha (Professor)

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oi ainda antes do colapso da União Soviética em 1989, altura em que os imigrantes da Europa de Leste eram raros em Portugal, que tive o grato prazer de ter sido professor, no Conservatório Regional do Algarve, de alguns filhos de emigrantes da Bulgária e da Rússia que, por motivos familiares e profissionais, tinham vindo então residir para o Algarve. Conheci, ainda jovem, crianças e adolescentes estrangeiros que, não dominando a língua portuguesa, todos os dias me mostraram um grande desejo de aprender, de se superar e de se afirmar, justificando assim o investimento que os seus pais, emigrantes, fizeram na sua formação musical. Foi para mim uma experiência única que muito influiu na forma como comecei a encarar e a exercer o ensino da música. Recordo, na altura, de ter uma encarregada de educação de proveniência russa que, sempre que mais um filho entrava no Conservatório, fazia o possível e o impossível para que fosse eu o seu professor de Formação Musical. Embora eu justificasse que todos os professores eram competentes e bons profissionais, ela, de forma intransigente e perentória, afirmava que era a minha forma de ensinar a que mais se aproximava com a «escola de leste», a tal que colocava o rigor, a exigência e o empenho como regras básicas para prossecução dos objetivos que ajudariam a atingir a excelência. Já na segunda metade da década de 90 iniciou-se o fluxo imigratório proveniente dos países de leste, o qual se estendeu até aos dias que correm. As principais razões que determinaram a direção do fluxo migratório para Portugal foram as diferenças que ALGARVE INFORMATIVO #155

existiam entre o nosso país e os vários países de origem, quer em relação aos salários, quer em relação ao nível de vida, bem como a falta de mão de obra em vários setores, tais como a construção civil e obras públicas e a área dos serviços domésticos, entre outras. Não foi, por isso, difícil de observar cidadãos ucranianos, moldavos, russos, romenos, cazaques e bielorrussos com habilitações académicas médias e superiores a trabalhar na construção civil. Posteriormente, já com as suas famílias a residir em Portugal, muitas mulheres, também com habilitações médias e superiores, acabaram por vir a preencher o mercado, na altura deficitário, das «mulheres a dias». Entretanto, muitos dos seus filhos começaram os seus estudos já em Portugal, tendo outros já nascido cá. Foram alguns desses alunos que, ao longo das duas últimas décadas, me passaram pela sala de aula, tendo-me deixado, invariavelmente, boas recordações. Acredito que, tal como eu, muitos de vós tenhais contactado, em diversas situações, com cidadãos provenientes do leste europeu. Acredito também que, como resultado dessa interação, a vossa apreciação ao seu trato, à sua eficiência e brio profissional e ao seu esmero e orgulho tenham merecido avaliação positiva. Trouxeram para os usos e costumes dos portugueses uma forma de ser e de estar própria dos países cinzentos, gélidos e rigorosos de leste, onde o peso da história (passada e atual) se faz sentir nos seus atos quotidianos. É claro que não pretendo generalizar ao grande «Leste» esta análise feita de observação e contactos pessoais, pois sei que, tal como nós somos bem diferentes dos nossos vizinhos espanhóis, também os países do antigo bloco de leste o são entre si. Têm alguns 92


denominadores comuns que transmitem aos seus filhos, educando-os como foram educados pelos seus progenitores, e esse «marca», obviamente, marca a diferença. Habituei-me a ver nos filhos dos licenciados pedreiros e das licenciadas «mulheres a dias» os alunos que, entre outros, obtinham o melhor aproveitamento, a melhor assiduidade e o melhor comportamento. Muitos deles são os leitores do mês nas bibliotecas escolares, sabendo mais dos nossos usos e costumes do que muitos filhos de «portugueses de gema». De tal forma que, muitas vezes, servem de exemplo, explicando aos outros a razão de ser de tal forma de estar e de ser. Sabem o que custou aos pais deixar as suas famílias, a sua cultura e a sua pátria. Sabem também que nada na vida é dado como garantido. Filhos de emigrantes que, a exemplo de muitos portugueses que tiveram também que emigrar, querem aproveitar o que o país que os acolheu tem para dar, retribuindo com o melhor que sabem e possuem. Tendo nascido longe desta terra lusa, enviam para as terras de proveniência as suas pequenas poupanças, deixando por cá muito de si. Mais tarde, partindo, levam um coração a bater por Portugal… a suspirar pelas raízes que cá plantaram e que, tendo cá ficado, se tornaram detentoras de duas pátrias. São eles, entre tantos outros migrantes, que tornam este país, cultural, social e etnicamente mais rico. Um amplo arco-íris que resulta de uma mistura boa e que torna Portugal uma grande casa, onde todos os que a respeitam e dignificam são bem-vindos! . 93

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OPINIÃO

Fronteiras éticas do amor e da compaixão – O caso de Samira e Amani Adília César (Escritora) existência é uma história de fronteiras geográficas, humanas e divinas. Mapas de sobrevivência que testam todos os limites. Lados opostos da humanidade que se atraem. O sentimento e a razão, o abstracto e o concreto, a morte e a vida. As ambivalências da existência ensaiam-se através dos diversificados exercícios de livre arbítrio, mais ou menos ingénuos, evidenciando diferentes graus de maturidade ética, como uma sucessão de estações do ano, nas quais se vai acrescentando calor ou frio ao ambiente em que vivemos, de acordo com variáveis relativas aos movimentos de rotação e de translacção da terra. Uma eficácia científica que não se coaduna linearmente com as intermitências emocionais, como se cada ser humano revelasse uma complexidade similar à do próprio universo. Na verdade, cada ser é um cosmos, a viver num estado de procura incessante por uma ideologia que não o confunda e que dê resposta às inúmeras transgressões existenciais a que está sujeito. Tal como a vontade do universo impera, também as movimentações emocionais e éticas se organizam na nossa interioridade, pautados pelos acontecimentos exteriores a nós, onde pessoas, culturas e espaços se entrelaçam em várias direcções e patamares, reinventando continuamente novas formas para as fronteiras locais e

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globais que organizam a civilização. Por sua vez, as fronteiras humanas humanizam-se e/ou desumanizam-se através de transformações radicais, de acordo com as representações do mundo, a percepção de identidades, as definições de paz e conflito. Uma interioridade em constante mutação, fragmentação e equilíbrio. Como se cada um de nós fosse capaz de nada ou de tudo, em certo momento e de acordo com determinada circunstância. Subitamente, o caos da desumanidade acontece. Eis-nos chegados a um ponto sem retorno, como um precipício, a mostrar-nos que não há um bem maior, há apenas um bem, a única alternativa visível e possível naquele momento. Mas por mais insignificante que seja o acto, não podemos esquecer que para cada acto, há sempre uma reacção igual e oposta. Não existem, portanto, actos inconsequentes. Nos universos circunscritos da guerra, o instinto de sobrevivência é aprisionado pela necessidade de acabar com o sofrimento, a aspiração ao alívio é sempre a primeira a chegar à meta. Também se mata por amor? E é este o dilema de Samira, a mãe perdida e solitária de Amani, a menina que vai nascer num dos muitos campos de refugiados de ontem, de hoje e de amanhã. Amani, prestes a nascer, dialoga com a sua mãe através do idioma do amor. A mulher e a criança, em pé de igualdade, tomam a única decisão possível, a decisão que faz sentido naquele 94


preciso momento, aspirando ao alívio e à felicidade de ambas. Um dilema controverso sobre o direito de uma mãe decidir sobre a vida de sua filha. Não há respostas certas, apenas pensamentos dolorosos relativos às fronteiras éticas humanas que algumas pessoas estão dispostas a atravessar. – Também se mata por amor? – pergunta Samira. – Este fim do frio, da sede e da fome, que fazer com tudo isto que não acaba e me transforma em qualquer coisa que já não é uma pessoa? E este cordão umbilical feito de sangue e de aço que não consigo apartar… Samira amou Amani, tanto, tanto, que não podia suportar que a sua filha vivesse uma existência de miséria, solidão e desamor. A morte poderia ser a derradeira sensação, o último grito de liberdade, a passagem para um paraíso onde haveria sol ameno, fontes de água fresca e fruta doce. Samira perguntou mais uma vez – também se mata por amor? – e Amani disse que sim . 95

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OPINIÃO

Finanças (mais) Locais… José Graça (Deputado da Assembleia Intermunicipal do Algarve)

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o último Conselho de Ministros, o Governo aprovou uma proposta de lei que procede à alteração da Lei das Finanças Locais (LFL) com o objetivo de reforçar o quadro de financiamento dos Municípios e das Freguesias e contribuindo para assegurar o cumprimento dos objetivos estabelecidos no Programa Nacional de Reformas. O comunicado do Conselho de Ministros refere que esta alteração vai «permitir a Portugal convergir efetivamente para a média europeia de participação das autarquias na receita pública», tendo o Ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, realçado o objetivo de concretizar esta proposta até ao final da sessão legislativa, destacando «a aprovação de peças essenciais de descentralização de competências». Desde o princípio do processo negocial, os representantes dos autarcas exigiram que a passagem de mais competências para o Poder Local fosse acompanhada do pacote financeiro, tendo Eduardo Cabrita garantido que a estabilização da lei-quadro de transferência de competências será acompanhada pela LFL, para «dotar as autarquias dos instrumentos necessários para este alargamento». Como é público, parte destas medidas constam no acordo firmado entre o Governo e o (novo) PSD no passado dia 18 de Abril uma declaração conjunta sobre descentralização, permitindo antecipar uma aprovação tranquila na Assembleia da República, sendo que os partidos que têm apoiado o Governo não vão querer ficar de fora e, mais do que certo, até vão elevar a fasquia das exigências noutras áreas da atuação governativa. Na sua intervenção após o Conselho de Ministros, Eduardo Cabrita destacou a criação do Fundo de Financiamento da Descentralização, um instrumento fundamental para a concretização do processo de descentralização e no qual serão previstos os recursos financeiros a ALGARVE INFORMATIVO #155

atribuir às autarquias locais e entidades intermunicipais para o exercício das novas competências. Este mecanismo de convergência assegurará o cumprimento da LFL quanto às transferências para o setor local vai ser faseado durante três anos, coincidindo com o fim do atual ciclo autárquico em 2021. Por outro lado, os municípios passam também a ter uma participação de 5% na receita do IVA cobrado nos setores do alojamento, restauração, comunicações, eletricidade, água e gás, garantindo um importante reforço da autonomia financeira do poder local. Numa primeira apreciação, fica por esclarecer se a transferência de competências é feita para todas as autarquias de igual forma ou será feito de acordo com a sua dimensão e capacidade, nomeadamente nos domínios da educação e da saúde, embora o acordo preveja o reforço de transferências financeiras a favor de municípios em territórios de baixa densidade. Por outro lado, uma gestão mais eficaz de determinadas matérias depende da escala de execução, sendo legítimo que nos questionemos sobre a capacidade de algumas autarquias para garantirem uma gestão eficiente dos recursos públicos, parecendo-nos mais adequado que tais tarefas sejam acometidas aos níveis inter ou supramunicipal. Mesmo neste capítulo, o acordo entre o Governo e o PSD refugia-se na necessidade de “estudos técnicos que ajudem o poder político a rever o modelo de organização políticoadministrativa do país à escala subnacional”, como bem sublinhou Rui Nuno Baleiras no Público. De qualquer forma, a redistribuição de competências entre os diversos níveis da administração permitirá fortalecer o papel das autarquias locais, obter ganhos de eficiência e garantir uma mais adequada presença do Estado, combatendo o despovoamento e favorecendo a sustentabilidade dos territórios!.

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OPINIÃO

Por uma cidade para todos Mirian Tavares (Professora) “É preciso pensar a cidade com todos e para todos”. Charles Landry

turismo é, sem dúvida, uma das apostas portuguesas para o crescimento económico. Portugal é vendido lá fora como o último paraíso na terra, o segredo mais bem escondido do universo, ou seja lá os termos que se usam quando querem atrair potenciais visitantes. O problema é que os turistas compraram a ideia, e estão a comprar o país que se vende barato para quem não ganha os salários nacionais. Para os que cá vivem, a história é bem outra. Pois se, por um lado, a autoestima da nação, bem como as divisas que entram, são mais-valias, por outro lado, o turismo predatório que se tem praticado nos últimos anos vai, aos poucos, deixando um rasto de destruição por onde passa. Não sei se já fizeram bem as contas, entre investimento e arrecadação, entre aquilo que entra e o que sai de seguida, mas deve certamente compensar e há mesmo quem viva disto. Nada contra o turismo em si, mas não se pode, ou não se deveria, pensar a cidade para os que nela passam e não para aqueles que nela vivem todos os dias do ano. Nada contra as 365 feiras, festivais e eventos que foram, e são criados, todas as semanas, nem contra o aparecimento de novos hostels ou de Alojamentos Locais, muito menos contra a diversidade que se instaura nas cidades abertas ao mundo. O que não percebo é a falta de apoio, por exemplo, aos jovens trabalhadores, que se mudam para os lugares e que não conseguem casas para viver porque o mercado imobiliário entrou em

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rota de colisão com os astros celestes: os preços dos imóveis, quer para arrendar quer para comprar, atingem preços incompatíveis com a renda média nacional. Um T2 que podia ser arrendado por 450 euros passou a custar 900. É muito giro viver numa cidade internacional, multicultural e etc. mas não é giro não se conseguir viver nesta mesma cidade porque não se pode pagar uma renda metade das casas tornaram-se alojamento local ou figuram na lista do Airbnb e a outra metade está muito cara, pois se não há casas, há especulação e os preços disparam. Confesso que não tenho a receita para que se promova um turismo lucrativo, mas não predatório, sem se descurar o bem-estar das pessoas que habitam os sítios visitados. Um amigo suíço, super cosmopolita e viajado, estava chocado com a maior parte dos turistas que pululam por Lisboa porque, dizia ele, comportavam-se como se estivessem de visita à Disneyland: os habitantes locais são figurantes na sua própria cidade e são tratados como tal. Servem apenas de pano fundo para compor a mise-en-scène, para dar uma cor local, para fazer ruídos caraterísticos. Há alguns anos já que os venezianos bradam contra o turismo desenfreado que lhes roubou a cidade. Acho que não precisamos chegar a tanto, mas é necessário que as cidades sejam pensadas para quem nela habita. E que venham os turistas, mas que ajam como convidados bem comportados de uma festa que, se bem gerida, pode ser de todos nós .

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OPINIÃO

Festivais no Algarve: Sim ou Não? Antónia Correia (Professora) gora que o Verão se aproxima, preparam-se festivais por todo o país. Esta tradição remonta aos anos 60 e despoleta com o festival Woodstock. Este festival, realizado em Nova Iorque, recebeu meio milhão de pessoas em três dias e, não sendo o primeiro, foi sem dúvida o mais marcante na história do Rock. Durante o Verão contam-se mais de meia centena de festivais espalhados por todo o país, curiosamente, no Algarve, apenas está previsto o Festival F, em setembro. Curiosamente, um vendedor de cachorros quentes em Inglaterra fatura 41 milhões de salsichas num festival (Hudson et al, 2015). Em 2016, mais de dois milhões de espetadores e duas centenas de eventos sugerem um impacto económico e turístico que não é de todo despiciente. A este movimento importa ainda reforçar que a presença num festival é obrigatoriamente partilhada nas redes

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sociais. Tendo em conta que um cliente satisfeito recomenda o serviço a cinco pessoas, enquanto os não satisfeitos propagam por nove pessoas a imagem negativa, pode estimar-se um tráfego online da ordem dos 30,4 milhões de notícias sobre Portugal. Sendo o Algarve uma das principais regiões turísticas do país, importa escalar estes eventos para que a região não fique indiferente a este movimento de partilhas e de ambiente social e cultural, assumido como um dos principais eixos estratégicos de desenvolvimento turístico, por suporte às experiências. Paralelamente, os ashtags e os meios de comunicação online assumem-se como determinantes na decisão de escolha do destino. Comecemos então a ashtagar para que seja realizado no Algarve um mega evento musical. #FestivaisnoAlgarve# .

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ATUALIDADE

«ARTE SEM FRONTEIRAS» ESGOTOU REVELIM DE SANTO ANTÓNIO

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urante a tarde do domingo, 6 de maio, o VII Festival Internacional de Dança «Arte sem Fronteiras» lotou o Revelim de Santo António, em Castro Marim. Conhecido por trazer ritmos do mundo, pelo evento passaram diferentes culturas regionais e nacionais, num conjunto de coreografias onde se reconhecem os traços das suas tradições e valores. Em palco estiveram bailarinos de várias idades e nacionalidades, unidos pela mesma paixão, a dança. Desde o clássico, contemporâneo, sapateado, hip-hop, oriental, passaram pelo Festival vários tipos de dança, num encontro marcadamente multicultural. “Hoje, que é

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também o dia da mãe, inspiremo-nos neste Festival, que é esforço da paixão e do trabalho de uma mãe e filha. Que a sua cumplicidade seja inspiradora para outras famílias”, realçou a vice-presidente da Câmara Municipal de Castro Marim, Filomena Sintra, referindo-se às fundadoras da Escola de Dança «Splash». “Também hoje, neste Festival, mães, pais, avós e tios, festejamos com orgulho a mestria dos nossos filhos”, terminou. O VII Festival Internacional de Dança «Arte sem Fronteiras» foi uma coorganização da Escola de Dança «Splash» e da Câmara Municipal de Castro Marim, com apoio logístico e financeiro .

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COMEÇARAM OBRAS DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA A MAIS 28 POVOAÇÕES DO CONCELHO DE CASTRO MARIM

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epois de aprovada a candidatura apresentada pela Câmara Municipal de Castro Marim (agosto de 2016) ao programa PO SEUR (Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos), começaram agora as obras para o abastecimento de água, em quantidade e qualidade, a 28 povoações do concelho ainda não servidas. A intervenção permite a articulação entre a vertente em alta e a vertente em baixa, configurando as infraestruturas municipais de modo a permitir a ligação eficaz aos Sistemas Multimunicipais de Abastecimento de Águas do Algarve. São quatro milhões de euros de investimento, que concretizam que o abastecimento de água domiciliário chegue a 50 por cento da população do concelho ainda não servida. Além do desenvolvimento e melhoria das condições de vida da população residente, o projeto representa também uma indiscutível valorização do interior do concelho de Castro Marim, funcionando como fator de atratividade a novos residentes e como alavanca da economia local, nomeadamente no setor do turismo. Serão, deste modo, abastecidas numa primeira fase as povoações de Portela Alta de Cima, Portela Alta de Baixo, Murteira de Cima, Murteira de Baixo, Sentinela, Eira Grande, Piçarral, Quebradas, Choça

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Queimada, Casa Branca, Brenhosa e Corujos, e posteriormente as povoações de Magoito, Alcaria da Arraia, Alta Mora, Nora Nova, Nora Velha, Monte das Pereiras, Casa Nova, Monte da Estrada, Pernadeira, Funchosa de Cima, Funchosa de Baixo, Cabacinhos, Vales, Alfarrobeira, Fernão Gil, Soalheira, Eira Verde, Casa Velha, Corte Pequena e Casas Novas. De referir que este projeto foi aprovado pelo programa PO SEUR, sendo apoiada por Portugal e União Europeia, cofinanciada a 85 por cento pelo Fundo de Coesão no montante máximo possível nos termos do aviso para o abastecimento de água, sendo que a componente de saneamento não era elegível. É um investimento articulável com as intervenções levadas a cabo e permite o fornecimento de água até Alta Mora, a fronteira poente do concelho de Castro Marim, ou seja, um canal de adução com cerca de 54 quilómetros de condutas . ALGARVE INFORMATIVO #155


ATUALIDADE

UNIVERSIDADE DO ALGARVE MARCOU PRESENÇA NA «EDUCA MOÇAMBIQUE» Universidade do Algarve esteve presente, de 3 a 5 de maio, na Educa Moçambique – Feira e Conferência Internacional de Educação, que se realizou no Centro de Conferências Joaquim Chissano, em Maputo. Mais uma vez a UAlg divulgou a sua oferta formativa junto de uma comunidade internacional, apresentando a instituição e os cursos ministrados e abordando questões como o custo de vida e os apoios de que os estudantes estrangeiros podem usufruir se escolherem «Estudar Onde é Bom Viver». Durante os três dias, os alunos das escolas do Ensino Secundário de Maputo foram presença assídua no certame, tendo como principal interesse os cursos de licenciatura e mestrado. A língua de ensino e a experiência que a academia algarvia

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detém no acolhimento de estudantes internacionais, que permite ao estudante uma experiência académica única, de grande proximidade entre estudantes e professores, foram fatores determinantes para que os jovens moçambicanos procurassem o stand da UAlg. No primeiro dia, 3 de maio, o stand da UAlg recebeu a visita de Maria Amélia Paiva, Embaixadora de Portugal em Moçambique. Ainda durante esse dia, Nuno Bicho, coordenador do Centro Interdisciplinar de Arqueologia e Evolução do Comportamento Humano (ICArEHB) e membro da comitiva da UAlg que se deslocou a Moçambique, reuniu com o Gabinete de Cooperação da Universidade Eduardo Mondlane, aproveitando a ocasião para estudar novas possibilidades 106


de cooperação conjunta entre as instituições. Durante o evento, a UAlg divulgou ainda os seus programas de férias (cursos de curta duração) destinados a alunos internacionais: os «Summer Campus», para alunos até aos 18 anos que pretendem ingressar no Ensino Superior; e os «Mid Season Campus», para investigadores e alunos que já frequentam o Ensino Superior e que têm como objetivo divulgar a formação avançada da UAlg em duas áreas distintas, Economia e Biologia/Ciências do Mar. A Educa Moçambique – Feira e Conferência Internacional de Educação teve como públicos-alvo estudantes, educadores, profissionais do ensino, empresas de educação, institutos culturais, entre outros. Em 2017, o evento contou com a participação de cerca de 100 expositores e mais de 35 mil visitantes, dos quais 50 por cento eram candidatos ao Ensino Superior. A participação da UAlg insere-se no projeto «Algarve is Our

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Campus - Study and Research in Algarve», cofinanciado pelo Programa Operacional Regional do Algarve - CRESC Algarve 2020, através do Sistema de Apoio a Ações Coletivas – Internacionalização, que tem como objetivo promover e reforçar a notoriedade e atratividade da Universidade do Algarve e da Região, através da implementação de ações que visam a internacionalização e o consequente aumento do número de estudantes, docentes e investigadores internacionais. Recorde-se que todos os anos a UAlg recebe mais de mil e 500 alunos estrangeiros provenientes de mais de 70 países, o que resulta numa oportunidade única de contacto multicultural, apresentando para os alunos deste país africano grandes vantagens como a qualidade de ensino, a proximidade geográfica, as características naturais e a cultura dos portugueses .

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ATUALIDADE

BRUNO SENRA DOMINOU DC SKATE CHALLENGE BY MOCHE 2018

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runo Senra foi o grande vencedor da primeira etapa do DC Skate Challenge by MOCHE 2018 que, nos dias 28 e 29 de abril, juntou quase uma centena de skaters, em Loulé para o arranque oficial do Circuito. No sábado o dia foi de eliminatórias, com destaque para Tiago Pinto, Guilherme Lima e Duarte Pires a passar às finais de prós nos lugares cimeiros, logo atrás de Bruno Senra. De realçar também a forte presença de skaters locais, a confirmar que a modalidade continua a crescer no Sul do País. Na categoria dos Iniciados, os algarvios mostraram o seu potencial, ocupando dois dos três lugares do pódio. Miguel Silva, do Barreiro conquistou a 1.ª posição, deixando Cristiano Graça, de São Brás de Alportel em 2.º e Leon Kearney, da Raposeira, em 3.º. Nos Amadores, a grande «surpresa» foi Daniel Santos, de Palmela. Campeão Iniciado em título, Daniel corre pela primeira vez nesta categoria e foi o grande vencedor em ALGARVE INFORMATIVO #155

Amadores. Em 2.º lugar, por uma diferença mínima de pontos, ficou Patrick Costa, de Oeiras e o 3.º lugar foi entregue a João Gomes, de Braga. Na categoria Profissional, Bruno Senra esteve imparável. Com uma run surpreendente e grandes toques na secção, 108


foi o vencedor indiscutível da 1.ª Etapa do DC Skate Challenge by MOCHE 2018. Tiago Lopes foi outro dos skaters que deixou o parque em êxtase com os seus toques únicos e inconfundíveis, tendo-se classificado na 2.ª posição. Para Almada foi o 3.º lugar do pódio, pelas mãos de Tiago Pinto, que surpreendeu todos pela consistência e grandes manobras durante toda a etapa. O fim de semana terminou da melhor forma com o

Município de Loulé a homenagear o Radical Skate Clube com um prémio pela dedicação, empenho e apoio ao skate nacional. O DC Skate Challenge by MOCHE 2018 ruma agora a Cascais, para a 2.ª Etapa, que decorre a 26 e 27 de maio, no Parque das Gerações. 109

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ATUALIDADE

27.º TORNEIO INTERNACIONAL DE PORTIMÃO TERMINOU COM PORTUGAL EM GRANDE DESTAQUE

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or duas vezes se ouviu «A portuguesa», no dia 6 de maio, no Portimão Arena, com Laura Sales a conquistar duas medalhas de Ouro nas finais individuais de Fita e Arco, no escalão Sénior, com uma pontuação de 14,900 e 15,350, respetivamente. Nas finais individuais de Bola, a atleta do Ginásio Clube Português foi medalha de Prata com 16.050 pontos e, em Maças, foi terceira classificada com 15,350. A mesma pontuação foi obtida pela sua colega de equipa Margarida Ferreira, que foi medalha de Prata neste aparelho, contando para o desempate entre as duas ginastas a nota de execução. As duas ginastas da Seleção Nacional vão representar Portugal na Taça do Mundo de Ginástica Rítmica – Jogos Santa Casa que tem lugar, de 11 a 13 de maio, em Portimão. Mas a chuva de medalhas continuou com Maria Canilhas a conquistar a medalha de Bronze em Fita, com uma

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pontuação de 14,000 e, no escalão Júnior, Dinora Bondar, GCP, foi medalha de Bronze na final individual de Fita e Bola, com uma pontuação de 14,500 e 14,650. Estes resultados juntam-se aos obtidos na véspera, em que Portugal conquistou três medalhas. No escalão Sénior, Laura Sales do Ginásio Clube Português, arrecadou o segundo lugar no All Around e Margarida Ferreira (GCP) foi terceira e medalha de Bronze. A terceira medalha, de Bronze, foi ganha no escalão Júnior, onde Portugal registou o terceiro lugar por Equipas. Dinora Bondar e Rita Araújo, ambas do GCP, foram as melhores portuguesas em prova, no final dos dois dias de competição . 110


MAIAS «INVADIRAM» RUAS DO CONCELHO DE VILA DO BISPO erca de uma centena de «Maias» tradição primaveril cujas origens se perdem no tempo – estão colocadas em vários locais no concelho de Vila do Bispo até ao dia 31 de maio. As Maias são bonecos de trapos brancos, enfeitados com roupas velhas e flores do campo que são criados para celebrar a chegada do mês de maio e da primavera, sendo acompanhados por versos ou dizeres de crítica ou gracejos sociais. A iniciativa é organizada pela Câmara Municipal de Vila do Bispo, em colaboração com a Santa Casa da Misericórdia de Vila do Bispo, Agrupamento de Escolas do Concelho e população do concelho e tem como objetivo não deixar morrer uma tradição com mais de dois mil anos, com origem

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nas festas e nas tradições dos antigos Romanos. Espalhada um pouco por todo Portugal, está bastante enraizada no Algarve, nomeadamente nos concelhos de Olhão, Faro, Monchique, Lagos e Vila do Bispo – aqui, sobretudo, na localidade da Raposeira. As expressões mais conhecidas destas festas estavam ligadas à Natureza Cíclica da Primavera e tinham o significado de mudança, de passagem, de recomeço e de ponto alto de um novo tempo, a Primavera, que precisava de ser recordada e festejada pelas pessoas. Os bonecos/bonecas de Maio (maios/maias) eram colocados em vários sítios e lugares e parecem ter tido um significado mágico, de espantar o mal ou de chamar a boa sorte .

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ATUALIDADE

ALGARVE VOLTA A SER A REGIÃO DO PAÍS COM MAIS BANDEIRAS AZUIS

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ste Verão, o Algarve vai voltar a liderar o ranking das regiões com mais bandeiras azuis em Portugal, ao hastear 93 bandeiras, em 89 praias e quatro Marinas (Albufeira, Lagos, Portimão e Vilamoura). Este ano, o Algarve conta ainda com dois Centros Azuis, em Loulé e Faro. Em 2018, o Algarve recebe mais uma bandeira do que no ano transato, ao registar a reentrada da Praia do Pintadinho, no Concelho de Lagoa. Albufeira vê a totalidade das suas praias galardoadas (25) e torna-se o concelho do país com mais bandeiras azuis. Este reconhecimento de qualidade ambiental surge a poucos dias da abertura oficial da época balnear em Albufeira e Lagoa, que ALGARVE INFORMATIVO #155

decorre este ano num período alargado, entre 15 de maio e 15 de outubro (em Lagoa, nas praias de Carvalho, Ferragudo, Marinha e Albandeira decorre normalmente entre 1 de junho e 30 de setembro). “O Algarve reforça este ano a sua posição de liderança com 93 bandeiras azuis, sendo a região do país a receber o maior número de galardões a nível nacional, continuando a ser reconhecido mundialmente como um destino de Sol e Praia de elevada excelência. A aposta da Região de Turismo do Algarve e dos municípios algarvios na sustentabilidade ambiental e na qualidade das zonas balneares e das marinas tem sido fundamental para fortalecer a Imagem do Destino”, explica Desidério Silva, 112


Presidente da Região de Turismo do Algarve. Este ano, a bandeira azul vai ser hasteada em 332 praias (299 costeiras e 33 fluviais) – o que corresponde a mais de metade das praias nacionais, mais 12 do que em 2017. Este galardão é atribuído

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pela Associação Bandeira Azul da Europa (ABAE), com o apoio técnico da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) às praias, marinas e portos de recreio em função de critérios rigorosos de gestão ambiental, qualidade da água, serviços e segurança disponibilizados aos veraneantes .

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ATUALIDADE

UALG ORGANIZOU JORNADAS SOBRE ENVELHECIMENTO SAUDÁVEL

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o âmbito do Projeto CENIE Centro Internacional sobre o Envelhecimento, realizaram-se, no dia 3 de maio, as II Jornadas «Viver Bem Envelhecer Melhor», no Campus de Gambelas da Universidade do Algarve. Dirigido ao público em geral e a técnicos e cuidadores informais, o evento contou com a presença de cerca 300 utentes idosos e 100 técnicos de instituições da região, perfazendo um total de mais de 400 participantes. Na sessão de abertura estiveram presentes Saúl Neves de Jesus, vice-reitor da Universidade do Algarve, Rogério Bacalhau, Presidente da Câmara Municipal de Faro, e Sandra Pais, docente da UAlg e representante da comissão organizadora das Jornadas. As II Jornadas «Viver Bem Envelhecer Melhor» tiveram como principal objetivo debater e promover a qualidade de vida no processo do envelhecimento e pretenderam dinamizar uma reflexão ALGARVE INFORMATIVO #155

sobre o envelhecimento bem-sucedido, a partir das experiências promotoras de maior participação social, saúde e segurança das pessoas idosas nas comunidades. O projeto CENIE é parte integrante do «PROGRAMA DE COOPERACIÓN INTERREG V A ESPAÑA-PORTUGAL (POCTEP) 2014-2020» e tem como principais metas sensibilizar a sociedade e gerar uma mudança de atitude que promova o envelhecimento como uma fonte de oportunidades e não como uma ameaça. Este consórcio entre várias instituições portuguesas e espanholas pretende promover a investigação, inovação e o desenvolvimento, no sentido de enfrentar o fenómeno do envelhecimento populacional como uma oportunidade de desenvolvimento económico e social, incentivando a criação de novos investigadores e novos perfis profissionais, especializados na área do envelhecimento .

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ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE OLHÃO APROVOU AQUISIÇÃO DE TERRENO PARA HABITAÇÃO A CUSTOS CONTROLADOS Assembleia Municipal de Olhão aprovou, por larga maioria, no dia 7 de maio, a proposta do executivo camarário para a aquisição de um terreno com vista à construção de habitação a custos controlados. O terreno em causa, situado no Gaveto da Rua Ginásio Clube Olhanense com a Rua António Henrique Cabrita, tem uma área de dois mil e 500 metros quadrados e será adquirido pelo valor de 670 mil euros. No final da Assembleia Municipal, o presidente da autarquia, António Miguel Pina, mostrou-se satisfeito pelo amplo consenso que a proposta mereceu por parte dos deputados municipais olhanenses. “O acesso à habitação é um dos pilares da visão estratégica de desenvolvimento que temos para a

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cidade de Olhão. É imperioso permitir aos jovens o acesso à habitação dentro do perímetro urbano, a preços sustentáveis”, defendeu o edil, lembrando a crescente demanda no setor imobiliário de que o concelho tem sido alvo. “Se, por um lado, são indiscutíveis as vantagens de que este interesse se reveste para o desenvolvimento do concelho, por outro, há que acautelar os interesses daqueles que são naturais de Olhão e aqui pretendem permanecer e não serem «expulsos» da sua cidade devido ao aumento do preço da habitação. A autarquia está disposta a desempenhar o seu papel, construindo habitação a custos controlados, que será comercializada a preços sustentáveis”, enfatizou António Miguel Pina . ALGARVE INFORMATIVO #155


ATUALIDADE

CONCEIÇÃO DE FARO VAI TER NOVO POLIDESPORTIVO

Câmara Municipal de Faro já adjudicou a construção do novo polidesportivo de Conceição de Faro, num investimento de 270 mil euros que pretende fixar e atrair população jovem para esta localidade do interior do concelho. O contrato de execução foi assinado com a Sociedade Martins Gago & Filhos, Lda, pelo montante global de 269 mil e 574,23 euros, acrescido de IVA à taxa legal em vigor. O polidesportivo vai situar-se no loteamento municipal da Conceição de Faro, numa zona destinada a equipamento, atualmente utilizada para parqueamento automóvel. “A construção deste equipamento responde cabalmente às velhas e justas reivindicações da população local, que ansiava por mais uma solução que permitisse a prática desportiva em

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condições de conforto e segurança”, explica Rogério Bacalhau, presidente da Câmara Municipal de Faro, adiantando que o novo polidesportivo se insere numa estratégia assumida neste mandato de “procurar fixar e atrair mais população jovem ao nosso concelho e, muito em particular, às designadas «freguesias rurais» de Faro”. A empreitada envolve o projeto de arquitetura, execução, abastecimento de água, drenagem das águas, arranjos exteriores e eletricidade. Está ainda contemplada a construção de um edifício a nascente do polidesportivo, que albergará os balneários, divididos em cinco áreas distintas – duas destinadas às equipas/atletas envolvidas/os no jogo/treino, uma outra para as equipas de arbitragem, uma instalação sanitária de uso público preparada para pessoas com 116


mobilidade condicionada e, ainda uma zona específica para arrecadação e arrumos. O pavimento do recinto será em resina acrílica com marcação das linhas de jogo, destinadas a futebol de salão, andebol, voleibol e basquetebol – e outras ainda que venham a ser consideradas, no âmbito do projeto

desportivo municipal. Está também prevista iluminação através de projetores LED, que serão colocados em quatro postes com oito metros de altura com potência e direcionamento compatíveis à luminotecnia exigível para os potenciais eventos desportivos .

ALUNAS DO CURSO DE TURISMO DA UALG GANHAM PRÉMIO EM CONFERÊNCIA INTERNACIONAL NA SUÉCIA

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m grupo de alunas do curso de Turismo da Escola Superior de Gestão, Hotelaria e Turismo (ESGHT) da Universidade do Algarve participou, de 24 a 27 de abril, na 33.ª edição do International Tourism Students

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Conference - ITSC 2018, na Universidade de Dalarna, Suécia, onde venceram o prémio «Best Market Stall». «Social Impacts of Tourism: Residents' perceptions of tourism growth in Algarve» foi o título do paper que as alunas Inês Beijinha, Marisa Raposo e Maria Luísa Adriano apresentaram na conferência «Limits to Growth: Challenges for the Tourism Industry». Para além das apresentações, as alunas participaram em workshops relacionados com o tema, visitas de estudo, atividades sociais e ainda numa feira de turismo em que cada delegação apresentou a sua região e a sua universidade. Estiveram presentes estudantes de nove universidades da Alemanha, Espanha, Estónia, Finlândia, França, Holanda, Portugal, Suécia e Suíça. No próximo ano, a conferência terá lugar na Universidade de Chur, na Suíça .

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