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ALGARVE INFORMATIVO #150

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ALGARVE INFORMATIVO 7 de abril, 2018

FESTA DAS TOCHAS FLORIDAS PRÉMIOS VICENTE | FOLHA DE MEDRONHO | ANABELA AFONSO SILVA 1 FESTIVAL DO CONTRABANDO| MAZGANI| DESIDÉRIO ALGARVE INFORMATIVO #150


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CONTEÚDOS #150 7 DE ABRIL, 2018 60

ARTIGOS 8 - Espaço Jovem São Brás 14 - ETAR Companheira 24 - Casa da Tella 32 - Saúde e Cultura 38 - Festival do Contrabando 48 - Festa das Tochas Floridas 60 - Desidério Silva 70 - Prémios Vicente do Teatro 78 - Anabela Afonso 88 - Mazgani 96 - Folha de Medronho 118 - Atualidade

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OPINIÃO 104 - Paulo Cunha 106 - Paulo Bernardo 110 - Mirian Tavares 112 - Adília César 114 - Fábio Jesuíno ALGARVE INFORMATIVO #150

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REPORTAGEM

SÃO BRÁS DE ALPORTEL INAUGUROU «ESPAÇO JOVEM» COM PROJETOS «CRIA+» E «JOVENS SEGUROS, FAMÍLIAS FELIZES» EM DESTAQUE Texto:

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Fotografia:

Município de São Brás de Alportel abriu as portas do novo «Espaço Jovem», no dia 21 de março, marcando o início de um novo ciclo de políticas da juventude neste concelho do coração da Serra do Caldeirão, centradas na intervenção sobre os jovens e as famílias. O espaço era há muito idealizado ALGARVE INFORMATIVO #150

pelos mais jovens e defendido pelo Fórum Municipal da Juventude e irá agora acolher vários projetos, serviços e atividades dirigidas a este estrato etário, entre os quais o «Cria+», no âmbito do Programa Escolhas do Alto Comissariado para as Migrações, e «Jovens Seguros, Famílias Felizes»,

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apoiado pelo Ministério da Administração Interna. Os dois projetos são promovidos pela Câmara Municipal de São Brás de Alportel, sob coordenação da Associação IN LOCO e com a parceria do Agrupamento de Escolas José Belchior Viegas, Comissão de Proteção de Crianças e Jovens e a colaboração das associações e comunidade local. Mas o «Espaço Jovem», localizado no número 22 da Rua Virgílio Coelho, foi igualmente dotado de uma zona polivalente para sessões e reuniões, de um gabinete de atendimento, de uma área para formação, de atividades de apoio ao estudo e similares e ainda de um espaço exterior, num investimento que rondou os 13 mil euros. “Quando temos um sonho que demora algum tempo para concretizar, vamos acumulando muitas emoções, daí esta felicidade quando ele

finalmente se torna realidade”, começou por dizer Marlene Guerreiro, vice-presidente da Câmara Municipal de São Brás de Alportel. As emoções eram, realmente, fortes e notaram-se logo no momento de descerrar da placa comemorativa da inauguração do «Espaço Jovem», onde constavam os nomes do edil Vítor Guerreiro, mas também de Custódio Moreno, Diretor Regional do Instituto Português do Desporto e da Juventude do Distrito de Faro, que foi totalmente apanhado de surpresa com o gesto. “Queremos ajudar os jovens da nossa terra a concretizarem os seus sonhos e, curiosamente, foi no primeiro andar deste prédio que, há 28 anos, nascia o primeiro Gabinete de Apoio e Informação de São Brás de Alportel, que depois se transformou em Centro

Custódio Moreno, Diretor Regional do Instituto Português do Desporto e Juventude de Faro, e Vítor Guerreiro, presidente da Câmara Municipal de São Brás de Alportel 9

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Vítor Guerreiro, Marlene Guerreiro, Vice-Presidente da Câmara Municipal de São Brás de Alportel, e Ângelo Marques, assessor da Secretária de Estado Adjunto e da Administração Interna

de Apoio à Juventude, numa parceria com o Instituto Português da Juventude”, recordou Marlene Guerreiro. A Associação IN LOCO tem sido parceira da autarquia, há vários anos, em projetos do Programa Escolhas e Vânia Martins confirmou esta aposta na intervenção com crianças e jovens, sempre articulando com outras entidades que estão no território, casos do IPDJ, do MAPS, da CPCJ e do Agrupamento de Escolas José Belchior Viegas. “Estão a par dos interesses e das necessidades dos jovens e é importante envolver toda a gente nestas matérias. Para além disso, o Município dá a voz aos jovens, escuta os seus desejos, e este espaço é disso exemplo”, salientou a técnica da IN LOCO, antes de passar a palavra a Nídia Amaro, Diretora do Agrupamento de Escolas. “Os jovens são ALGARVE INFORMATIVO #150

o nosso público, a mão-de-obra com que trabalhamos todos os dias, e a saúde deles, a sua felicidade e sucesso, são o nosso objetivo primeiro. Trabalhamos com a Câmara Municipal de uma maneira tão informal que parece uma simbiose perfeita e é muito gratificante poder contar com o apoio de outros parceiros, num concelho onde é bastante fácil fazer as coisas acontecer”, destacou Nídia Amaro. A par do «Cria+», o «Espaço Jovem» acolhe «Jovens Seguros, Famílias Felizes», o que justificou a presença na inauguração de Ângelo Marques, em representação da Secretária de Estado Adjunto e da Administração Interna. “Damos hoje mais um passo significativo no Contrato Local de 10


Segurança de São Brás de Alportel com um projeto que integra um vasto leque de ações destinadas a prevenir a delinquência juvenil, a fomentar a redução das vulnerabilidades sociais e a promover a cidadania e a igualdade. O CLS de São Brás de Alportel enquadra-se na tipologia «MAI Município» e não se circunscreve a áreas de especial incidência criminal, mas sim a todo o concelho, de modo a manter e aumentar os níveis globais de segurança e o sentimento de segurança das populações”, evidenciou o assessor de Isabel Oneto. Para Ângelo Marques, as diversas entidades inseridas no projeto «Jovens Seguros, Famílias Felizes» potenciam as competências gerais das crianças e jovens, seja no trabalho em equipa, na capacidade de relacionar elementos, no aumento do rigor e do cumprimento de horários. “Aumenta a motivação e a autoestima dos jovens e, acima de tudo, incrementa a identidade destas crianças e das suas famílias, por promover o desenvolvimento e a inclusão social. Este projeto financiado pelo Ministério da Administração Interna condensa grande parte dos objetivos que presidem aos Contratos Locais de Segurança”, assumiu o representante do governo.

TRABALHAR «COM», NÃO «PARA» Trabalhar na prevenção junto das famílias e da população, envolvendo toda a comunidade, é fundamental, concordou Vítor Guerreiro, presidente da Câmara Municipal de São Brás de Alportel. “Foi há 11

VÍTOR GUERREIRO: “O FUTURO ESTÁ NA JUVENTUDE E JOVENS MELHOR PREPARADOS, COM OUTROS HORIZONTES E VISÕES, CERTAMENTE QUE DARÃO UM CONTRIBUTO MAIS POSITIVO PARA CRIAR UMA SOCIEDADE ONDE AS PESSOAS SE SINTAM BEM, FELIZES E SEGURAS. QUEREMOS DAR-LHES FERRAMENTAS PARA QUE TENHAM ÊXITO E PARA CONQUISTAR AQUILO QUE AINDA NÃO TEMOS”. quase 30 anos que nasceu aqui o primeiro projeto jovem do concelho, era José Pires o presidente de Câmara e Nídia Amaro a vereadora da área da juventude. E esta casa é dos jovens, usem-na, deem ideias, tragam os vossos amigos. O futuro está na juventude e jovens melhor preparados, com outros horizontes e visões, certamente que darão um contributo mais positivo para criar uma sociedade onde as pessoas se sintam bem, felizes e seguras. Queremos dar-lhes ferramentas para que tenham êxito e para conquistar ALGARVE INFORMATIVO #150


Vânia Martins, da Associação IN LOCO, Nídia Amaro, Diretora do Agrupamento de Escolas José Belchior Viegas, e João Rosa, presidente da Junta de Freguesia de São Brás de Alportel

aquilo que ainda não temos”, defendeu o edil são-brasense. “Este momento vem congregar as nossas visões e projetos para o futuro e desejamos envolver jovens de todos os estratos sociais, de toda a comunidade. Não fazemos «para», fazemos «com». A partilha e inclusão são essenciais nesta batalha do dia-a-dia para proporcionarmos melhores condições à nossa população e concelho”, reforçou. Mais oferta de educação informal, novos equipamentos culturais e desportivas, mais opções para a ocupação de tempos livres, tudo isso é crucial, no entender de Vítor Guerreiro, para afastar os jovens de situações de risco. Uma opinião partilhada por Custódio Moreno, Diretor Regional do IPDJ de Faro, que não escondeu a emoção por ter o seu nome registado, para a posteridade, na placa de inauguração do ALGARVE INFORMATIVO #150

«Espaço Jovem». “Quando um político diz que está cheio de ideias para os jovens, é de desconfiar, porque os jovens é que têm as melhores ideias. Nós não andamos cá para impingir as nossas ideias, nem para sermos um travão às ideias dos jovens”, frisou, no seu habitual discurso sem papas na língua e com o coração na boca. “Se eles não se identificam com os espaços, não entram neles. Se eles não concordam com os projetos, não participam neles. Nada acontece do nada e os autarcas e dirigentes de São Brás de Alportel não estão aqui simplesmente a ocupar cadeiras. São Brás está na linha da frente em matéria de juventude”, salientou ainda Custódio Moreno, antes de se iniciar uma visita pelo espaço e ficar a conhecer melhor os projetos ali dinamizados .

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REPORTAGEM

MINISTRO DO AMBIENTE INAUGUROU

NOVA ETAR DA COMPANHEIRA DA «ÁGUAS DO ALGARVE» Texto:

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Fotografia:

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Ministro do Ambiente João Pedro Matos Fernandes e o Secretário de Estado do Ambiente Carlos Manuel Martins deslocaram-se ao Algarve, no dia 3 de abril, para a inauguração da ETAR da Companheira, em Portimão, uma das maiores infraestruturas do sistema de saneamento da «Águas do Algarve». A nova Estação de Tratamento de Águas Residuais implicou um investimento na ordem dos 13,8 milhões de euros, cofinanciada pro fundos comunitários no âmbito do Programa Operacional de Sustentabilidade e Eficiência no Uso dos Recursos (POSEUR), e permitirá desativar a atual ETAR da Companheira, em funcionamento desde 1982 e já bastante obsoleta, promovendo, desta forma, com maior eficiência o tratamento dos efluentes da zona e melhorando a qualidade da água da Ribeira de Boina e as condições ambientais do estuário do Rio Arade.

A nova ETAR está dimensionada para tratar um causal médio de cerca de 32 mil e 61 metros cúbicos/dia e vai servir uma população de cerca de 140 mil habitantes-equivalentes dos concelhos de Portimão, Silves e Monchique. Faz parte do subsistema de saneamento homónimo, no concelho de Portimão, que integra cerca de 53 quilómetros de intercetores/emissários, incluindo perto de 10 quilómetros de túnel intercetor e 24 estações elevatórias. Em fase de conclusão encontram-se também neste concelho cerca de 20 quilómetros de intercetores, bem como três estações elevatórias. O novo projeto integrou a requalificação ambiental da área de intervenção, nomeadamente o enquadramento e recuperação paisagística dos cerca de 38 mil metros quadrados de terreno de implantação da

O Ministro do Ambiente João Pedro Matos Fernandes ALGARVE INFORMATIVO #150

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ETAR, incluindo edifícios, equipamentos, arruamentos e áreas verdes. Não foi de admirar, por isso, a enorme satisfação de Isilda Gomes, presidente da Câmara Municipal de Portimão, com a nova infraestrutura que agora entrou em funcionamento. “É um dia excecional e muito feliz para Portimão. Os empresários imobiliários queixavam-se que não conseguiam vender casas nesta zona por causa do cheiro que se fazia sentir. Os turistas, quando passavam pela ponte e pela estrada, fechavam logo os vidros dos carros. A situação não era agradável para ninguém, ainda mais numa região turística por excelência como o Algarve, em que os padrões ambientais devem ser da máxima qualidade”, considerou a edil portimonense. Isilda Gomes admitiu que, para muita gente, esta obra era considerada uma «miragem», que jamais viria a ser 17

concretizada, mas agora tornou-se uma realidade “graças ao empenho de um governo que, de facto, pugna pela qualidade ambiental e pela qualidade de vida das populações e de todos aqueles que nos visitam”. A autarca falou também da vontade de se aproveitarem as lagoas existentes no local para a construção de um parque ambiental e, em final de intervenção, garantiu que esta data ficaria, de facto, na história do concelho. “Vai ser um dia marcante nos nossos mandatos enquanto autarcas, mas também marcará a passagem do Ministro do Ambiente pelo Governo. É uma obra que orgulha os portimonenses e os algarvios, porque aquilo que é bom para um concelho, é bom para toda a região. Temos que olhar para o Algarve no seu todo e acabar com as «capelinhas» e «quintais», pois as coisas só funcionarão se remarmos todos para o mesmo lado e ALGARVE INFORMATIVO #150


trabalharmos em rede”, concluiu a presidente da Câmara Municipal de Portimão. O processo de construção da ETAR da Companheira foi descrito, de forma sucinta, por Joaquim Peres, presidente do Conselho de Administração da «Águas do Algarve, S.A.», lembrando a tarefa não foi fácil, mas foi cumprida dentro dos prazos definidos e sem quaisquer incidentes. “Houve um conjunto de vontades que se uniram e que possibilitaram que a obra acontecesse, desde o Ministério e a Secretaria de Estado do Ambiente à Câmara Municipal de Portimão, passando pelo POSEUR, pela APA, pela ARH e pelo ICNF. Todos juntos fomos capazes de ultrapassar as várias surpresas que foram surgindo numa obra construída numa zona de maciços cársicos”, referiu, falando, nomeadamente, da existência de um geoespaço que anteriormente foi ocupado por outras pessoas, cujos vestígios foram preservados e podem, inclusive, ser

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visitados e estudados por historiadores e investigadores. Joaquim Peres enalteceu também o afinco dos empreiteiros envolvidos na construção da ETAR da Companheira, depois de quatro meses iniciais mais complicados que poderiam ter levado a uma derrapagem dos prazos contratualizados. “Foi necessário recorrer a uma técnica de utilização de explosivos para fazer o desmonte destes maciços, o que não estava previsto inicialmente. Depois, por aqui apareceu uma água freática em tal quantidade que fazia com que o tanque de equalização pudesse vir a flutuar, mais um desafio que tivemos que encarar e que resolvemos”, destacou, agradecendo ainda a posição pró-ativa da fiscalização, que procurou antecipar problemas e encontrar rapidamente soluções. “Grande parte deste betão tem como inertes as pedras que daqui foram retiradas. Estes pavimentos têm, na sua base e

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Isilda Gomes, presidente da Câmara Municipal de Portimão

sub-base, o material que, tendo sido desmontado pelo fogo, foi depois britado e utilizado. Colocam-se agora mais uns desafios, porque, do tratamento destas águas, vão sair subprodutos como as lamas, que vão passar por uma secagem solar. Desse modo, estamos a reduzir o volume de água transportado de 85 para 15 por cento, o que pagará, por si só, o custo dessas estufas de secagem. E essas estufas vão resolver também o problema da desodorização”, preconizou. As possíveis utilizações das lamas secas produzidas são mais outro desafio abraçado pela «Águas do Algarve», assim como a questão da energia, estando prevista a construção de um parque fotovoltaico no local. “E estas águas que estamos a rejeitar para o meio-ambiente podem ser utilizadas para rega, lavagem 19

e produção de energia. Tudo isto é importante para o Algarve, não apenas para Portimão, e este ano queremos repetir este momento com a inauguração da ETAR de Faro/Olhão”, terminou Joaquim Peres. Já João Nuno Mendes, presidente do Conselho de Administração do Grupo Águas de Portugal, sublinhou que a ETAR da Companheira vai ser um projeto emblemático de saneamento e de economia circular em Portugal. “Não é apenas o nível da qualidade do tratamento do efluente que é radicalmente diferente e que faz tão bem à questão estratégica ambiental do Algarve, é também pensar os subprodutos e a autossuficiência do ponto de vista energético”, afirmou, acrescentando ainda que os dois projetos de maior dimensão do Grupo em execução ou conclusão se situam, ALGARVE INFORMATIVO #150


Joaquim Peres, presidente do Conselho de Administração da «Águas do Algarve, S.A.»

precisamente, na região algarvia, designadamente a ETAR da Companheira (13,8 milhões de euros) e a ETAR de Faro/Olhão (16,6 milhões de euros).

O MUNDO SÓ MUDA QUANDO A SUA ECONOMIA REGENERAR RECURSOS No uso da palavra, o Ministro do Ambiente reconheceu que qualquer problema que possa acontecer num concelho do Algarve provoca danos à imagem deste destino turístico de excelência como um todo, pelo que estas intervenções devem ser efetuadas de forma criteriosa e eficiente, tanto do ponto de vista económico-financeiro, como ambiental. “Só em termos de POSEUR tenho conhecimento de 588 candidaturas aprovadas no círculo urbano da água – abastecimento, ALGARVE INFORMATIVO #150

recolha e tratamento de efluentes – que conduzem a um investimento em curso de 550 milhões de euros, num país que, nos últimos 25 anos, investiu 10 mil milhões de euros neste setor. O resultado é que, em menos de um quarto de século, passamos de 50 para 99 por cento de água segura na torneira”, evidenciou João Pedro Matos Fernandes. O salto que se deu no abastecimento de água aconteceu igualmente, de acordo com o governante, na recolha e tratamento dos efluentes e prova disso, por exemplo, é que praticamente todas as praias portuguesas possuem «Bandeira Azul». “Não foi o mar que se autodepurou, mas sim os efluentes que são tratados com muito maior qualidade e que há uma perceção evidente do quão importante é, para as condições ambientais, para a saúde 20


pública e para a geração de riqueza e de emprego, que estes investimentos se façam. À qualidade da paisagem e da gastronomia, à afabilidade com que as pessoas são recebidas em tantas línguas que aqui sabemos falar, também do ponto de vista das infraestruturas o Algarve é uma região de excelência”, enfatizou o Ministro do Ambiente, revelando ainda a intenção de vir inaugurar a ETAR de Faro/Olhão antes do término de outubro de 2018.

ventoinhas elétricas que existem no mundo. Se aproveitarmos também a energia perpétua das marés, vamos sempre ter energia”, anteviu o Ministro do Ambiente. Neste sentido, o mundo só vai mudar quando tiver uma economia que regenere os seus recursos e João Pedro Matos Fernandes indicou que o setor da construção é aquele onde são precisos mais quilos de matéria para produzir um euro de valor. “Usar como agregados a pedra que veio daqui e perceber que boa parte dos subprodutos do tratamento dos efluentes pode ter tantas utilizações a posteriori, isso sim é economia circular. Há que abandonar o modelo em que se extrai, transforma, usa e deita fora, porque só nove por cento das matérias-primas que são retiradas à terra são usadas mais do que uma vez”, apontou, preocupado .

Reutilizar 20 por cento dos efluentes tratados nas maiores 50 ETAR de Portugal é outra vontade de João Pedro Matos Fernandes, assim como a contínua renovação da frota da «Águas de Portugal» por viaturas elétricas, situação ainda melhor se essa energia for produzida nas próprias infraestruturas. “O mundo confronta-se com dois desafios muito exigentes: um de que se fala muito – o da eficiência energética; outro de que se fala menos – o da eficiência material. Apesar das projeções de consumo de energia nos próximos anos serem brutais em termos daquilo que elas vão escalar, se formos espertos, vamos ser capazes de enfrentar este desafio utilizando apenas fontes renováveis. A quantidade de energia que todos os dias chega do Sol à Terra é infinitamente maior do que o somatório de todas as centrais a João Nuno Mendes, presidente do Conselho de Administração carvão, nucleares, do Grupo Águas de Portugal 21

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REPORTAGEM

CASA DA TELLA SOFISTICAÇÃO E TRANQUILIDADE NO CENTRO HISTÓRICO DE TAVIRA Texto:

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Alessandra de Albuquerque e Marisa Dias de Macedo, as proprietárias da «Casa da Tella», em Tavira

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«Casa da Tella» Boutique Hotel e Bar & Restaurante promoveu, na tarde de 26 de março, um cocktail de apresentação do seu espaço à população local e ao trade, dando a conhecer um espaço bastante agradável, envolvente, sereno e revitalizador situado em pleno centro histórico de Tavira. O edifício com o número 22 da Praça Dr. António Padinha foi adquirido por duas amigas brasileiras, Alessandra de Albuquerque e Marisa Dias de Macedo, e remodelado com um design contemporâneo e elegante, respeitando o charme e a história dos elementos típicos da cidade do Rio Gilão. De facto, todos os espaços foram decorados com atenção ao pormenor de ALGARVE INFORMATIVO #150

modo a garantir aos hóspedes conforto, bem-estar e tranquilidade, com soluções ecológicas, materiais de elevado padrão de qualidade e também com muitos elementos locais. Ao todo são cinco suites – Tesouro, Séqua, São Paulo, Páteo e Papiro – uma sala de estar e um pátio e piscina, mas também um restaurante onde, a cada semana, o chef de cozinha prepara um menu diferente, com um cardápio gastronómico, sofisticado, versátil e fresco que respeita a sazonalidade dos ingredientes locais. O projeto nasceu há cerca de ano e meio, na sequência de uma viagem de Marisa Dias de Macedo a França, onde ficou num boutique hotel desta natureza. “Os avós da Marisa eram portugueses e ela sentia uma enorme 26


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vontade de regressar às origens. Fizemos um longo périplo por Portugal, do Douro ao Algarve, e acabamos por descobrir esta casa, que era do Francisco Neto”, conta Alessandra de Albuquerque. “Quando chegamos a Tavira ficamos imediatamente apaixonadas pela cidade e decidimos logo abrir aqui o restaurante e o hotel”, acrescenta a antiga publicitária. O conceito é simples, garantir que os hóspedes se sintam como se estivessem nas suas próprias casas, com tudo o que um boutique hotel e um restaurante de eleição têm para oferecer e isso parece ter sido bem conseguido na «Casa da Tella». Aliás, boa parte do mobiliário veio diretamente das residências das duas

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empresárias no Brasil, para elas próprias se sentirem em casa. “São cinco suites que vão dos 23 aos 66 metros quadrados, quartos de duas a quatro pessoas, um pátio com uma pequena piscina, uma sala de pequeno-almoço comum. O restaurante está aberto a qualquer pessoa e serve essencialmente jantares”, resume Alessandra de Albuquerque. “Trabalhamos com alimentos frescos da época e trouxemos um chef bastante conceituado de São Paulo para nos ajudar nesta primeira-fase de funcionamento. Tavira tem um astral excelente, foi uma escolha feita de coração, não hesitamos” .

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REPORTAGEM

Paulo Morgado, Presidente do Conselho Diretivo da Administração Regional de Saúde do Algarve Alexandra Gonçalves, Diretora Regional de Cultura do Algarve, Saúl Neves de Jesus, Vice-Reitor da Universidade do Algarve, e Vítor Guerreiro, Presidente da Câmara Municipal de São Brás de Alportel

GRIPE ESPANHOLA, SANATÓRIO DE SÃO BRÁS DE ALPORTEL E FIM DA 1.ª GUERRA MUNDIAL DÃO MOTE PARA CICLO DE CONFERÊNCIAS SOBRE SAÚDE E CULTURA Texto:

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Direção Regional de Cultura do Algarve, a Administração Regional de Saúde do Algarve, a Universidade do Algarve e a Câmara Municipal de São Brás de Alportel assinaram, no dia 29 de março, um protocolo de colaboração para a realização conjunta de um Ciclo de Conferências evocativas do centenário de três acontecimentos marcantes de 1918: a Pneumónica ou Gripe Espanhola, a inauguração do Sanatório Carlos Vasconcelos Porto em São Brás de Alportel e o fim da 1.ª Guerra Mundial. As várias conferências, promovidas por cada uma das entidades entre os meses de abril e novembro do corrente ano, terão como mote uma contextualização histórica e cultural da época, associada a uma abordagem em torno de fenómenos semelhantes existentes na atualidade. Ao todo serão quatro conferências e uma exposição sobre Saúde e Cultura, porque a história e a cultura de um povo é constituída por várias dimensões, “que decorrem frequentemente de acontecimentos mais ou menos globais, por vezes catastróficos e responsáveis por mudanças profundas nos locais e na sua forma de organização, mas que resultam também de uma evolução científico-tecnológica que trazem novas respostas à sociedade e aos seus problemas, ou que até podem ter origem em personalidades ou novos equipamentos e infraestruturas que trazem propostas inovadoras com vista à construção de um novo futuro”, considerou Alexandra Gonçalves, Diretora Regional de Cultura do Algarve. “É uma abordagem coletiva e sistémica da 33

cultura que nos exige um trabalho contínuo de abertura e integração de novas preocupações e de novas temáticas na nossa ação. Sem a história e um maior conhecimento dos factos passados é sempre difícil perceber onde nos encontramos hoje e como chegamos até aqui”, acrescentou. Paulo Morgado lembrou, entretanto, que a Gripe Espanhola vitimou cinco por cento da população mundial nos anos 18 e 19 do século passado, sendo a maior pandemia conhecida, até à data. “Estima-se que tenham morrido cerca de 100 milhões de pessoas por causa de uma gripe e é importante recordarmos esse episódio numa altura em que se discute tanto a prevenção através da vacinação. Hoje, felizmente, temos armas para prevenir estas doenças evitáveis e para reduzir o impacto que elas têm”, frisou o Presidente do Conselho Diretivo da Administração Regional de Saúde do Algarve. “A cultura dos povos também se faz das suas tragédias, das suas doenças, porque temos que aprender com aquilo que não corre tão bem. Só trazendo à memória os acontecimentos passados e a forma como, em conjunto, as sociedades reagiram, com os instrumentos que tinham à sua disposição, é que poderemos também evoluir”, reforçou Paulo Morgado. Um importante parceiro envolvido neste ciclo de conferências é a Universidade do Algarve, o que faz todo o sentido para o Vice-Reitor Saúl Neves de Jesus, não só por ser a principal ALGARVE INFORMATIVO #150


Paulo Morgado, Alexandra Gonçalves, Saúl Neves de Jesus e Vítor Guerreiro na assinatura do protocolo de colaboração

instituição de ensino superior da região, mas também por ter na sua estrutura a Escola Superior de Saúde e o Departamento de Ciências Biomédicas e Medicina. “Devemos recordar e celebrar os bons momentos da história, mas também devemos evocar os maus momentos, para que os erros do passado não se repitam, e para que as novas gerações possam aprender com o sucedido e com os avanços que foram realizados com o decorrer do tempo. Queremos contribuir para esta reflexão e aprendizagem”. As intervenções oficiais terminaram com as palavras de Vítor Guerreiro, Presidente da Câmara Municipal de São Brás de Alportel, que se mostrou satisfeito por o ciclo de conferências assinalar os 100 anos ALGARVE INFORMATIVO #150

de um equipamento que foi determinante para a história deste concelho da Serra do Caldeirão. “Em boa hora os Caminhos-de-Ferro escolheram São Brás de Alportel para localizarem esta unidade de saúde, apesar de nunca termos chegado a ter comboio. Quase que bastava às pessoas estarem naquele sanatório do Sítio das Almargens, com cuidados de saúde, boa-alimentação e ar puro, para ficarem curadas das doenças do foro respiratório. Não tenho dúvidas de que as conferências e a exposição vão ser uma mais-valia para a região algarvia e acredito também que o atual Centro de Medicina e Reabilitação do Sul – que era uma unidade de referência a nível europeu na área da reabilitação – volte 34


rapidamente a trabalhar na plenitude das suas capacidades. Espero que, dentro de muito pouco tempo, se possam ultrapassar os constrangimentos existentes e se consigam captar profissionais de saúde para essa unidade”, referiu o edil são-brasense, apelando ainda à participação da população nas várias iniciativas inseridas neste Ciclo.

O Ciclo tem início, no dia 13 de abril, com a Conferência «A Gripe Pneumónica – Investigação», no Auditório da Unidade de Faro do Centro Hospitalar e Universitário do Algarve, prosseguindo, no dia 30 de maio, com a Conferência «Instituições e Património Arquitetónico: Um Século de Arquitetura Hospitalar no Algarve, no Auditório da Direção Regional de Cultura do Algarve. A 1 de junho será inaugurada a exposição «Espaços e Personalidades 35

Ligadas à Saúde no Concelho de São Brás de Alportel», em São Brás de Alportel. No dia 8 de setembro é a vez das «Comemorações do Centenário do Sanatório Carlos Vasconcelos Porto – São Brás de Alportel», no Museu do Traje de São Brás de Alportel e o ciclo encerra, a 9 de novembro, com a Conferência «Fim da I Guerra Mundial», na Universidade do Algarve. Para além

dos quatro parceiros já referidos, o Ciclo de Conferências conta com o apoio do Centro Hospitalar Universitário do Algarve, do Instituto de Higiene e Medicina Tropical da Universidade Nova de Lisboa, do Museu do Trajo de São Brás de Alportel, da Secção Regional do Sul Ordem dos Arquitetos e da SubRegião de Faro da Ordem dos Médicos.

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REPORTAGEM

FESTIVAL DO CONTRABANDO VOLTOU A UNIR AS DUAS MARGEM DO RIO GUADIANA Texto: ALGARVE ALGARVE INFORMATIVO INFORMATIVO #150 #150

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e 23 a 25 de março, o Festival do Contrabando voltou a unir as duas margens do Rio Guadiana, nomeadamente Alcoutim e Sanlúcar de Guadiana, com a Ponte Flutuante Transfronteiriça a ser apenas um dos muitos aliciantes da segunda edição deste evento inserido no programa cultural «365 Algarve». O Guadiana, fonte de inspiração mercê da sua imponência natural, atrai marinheiros de todo o mundo, bem como caminhantes à procura do ar tranquilo do campo, mas foi, noutros tempos, a grande barreira a ultrapassar pelos contrabandistas, agora figuras principais deste festival. A ponte que ligou Alcoutim e Sanlúcar de Guadiana utilizou mil e 680 cubos, criando uma extensão de 225 metros para permitir a travessia pedonal do Rio Guadiana. A segurança e

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estabilidade foram garantidas com a colocação de 24 âncoras e cabos de sustentação, proporcionando, de facto, uma experiência única para todos aqueles que a cruzaram ao longo destes três dias. Neste fim-de-semana estiveram em evidência os contrabandistas, guardasfiscais e carabineiros, os vendedores ambulantes e os mestres de outros ofícios, as vivências nas tabernas, os jogos populares e rixas de cajados, mas a programação do 2.º Festival do Contrabando apresentou igualmente duas estreias em Portugal: Chacovachi (cujo nome real é Fernando Cavarozzi), um palhaço e bufão argentino que trouxe o espetáculo «Cuidado! Um palhaço mau pode arruinar a tua vida»; e Adam Read, um artista sem fronteiras que trabalhou no «Cirque du Soleil» e que trouxe também algumas das suas 40


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personagens, palhaços e mimos sobre andas. O Festival do Contrabando contou, por isso, com espetáculos musicais, arruado, desfiles etnográficos, workshops, exposições, encontro de Poesia Popular, concurso de fotografia e as Jornadas do Contrabando. A estes somaram-se os espetáculos musicais «Fado Violado», «Roncos do Diabo» e «Moçoilas», numa excelente organização da Câmara Municipal de Alcoutim em parceria com o Ayuntamiento Sanlúcar de Guadiana, com o apoio do Governo de Portugal, Turismo de Portugal, Região de Turismo do Algarve, 365 Algarve, Junta de Andaluzia e Mancomunidad da Betúria. “Este evento é o nosso contributo para o combate à sazonalidade durante a época baixa do turismo algarvio e quer afirmar-se à escala regional. Temos, a montante e jusante, o Festival Islâmico de Mértola e ALGARVE INFORMATIVO #150

os Dias Medievais de Castro Marim e desejamos que o Festival do Contrabando alcance essa dimensão”, afirmou Osvaldo Gonçalves, presidente da Câmara Municipal de Alcoutim. “É também uma forma de dizermos aos nossos governantes que estamos cá, que temos algumas dificuldades, que são bem conhecidas, mas que também temos muito potencial. Esta ponte pedonal simboliza as nossas vontades de unir as duas margens do Rio Guadiana e alimentamos a esperança de que possamos ter um ponto de ligação permanente no futuro”, acrescentou ainda o edil alcoutenejo. Presente no início do Festival do Contrabando esteve o Secretário de Estado da Cultura, Miguel Honrado, que lembrou que a história celebrada neste fim-de-semana é antiga e nos irá ultrapassar a todos, sendo, por isso, 42


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“uma oportunidade para pensarmos como enfrentar os desafios da globalização”. “Há um trabalho a fazer pautado pela estratégia, cooperação, complementaridade, que deve ter como objetivo principal a aproximação das instituições e dos públicos. O mundo que se mostra nestes três dias de festa é mais um exemplo daquilo que pode tornar os territórios atrativos, sem perderem uma identidade que respeita as tradições dos seus cidadãos”, considerou o governante. Miguel Honrado frisou, igualmente, que o ALGARVE INFORMATIVO #150

Festival do Contrabando é um dos eventos mais emblemáticos nascidos no seio do programa «365 Algarve», tendo alcançado um assinalável sucesso em apenas dois anos de existência. “Através da cultura podemos reforçar uma região, convocando a economia, o social, o turismo, a educação e a inovação. Acreditamos na diversidade e no potencial de cooperação que devem alimentar uma prática onde a cultura não surja no final da linha, mas nas preocupações principais de um território. Devemos construir um 44


percurso que nos orgulhe, recusando escolher entre cultura e economia, entre oferta turística e tradição, porque precisamos de tudo isso para marcar a diferença”, defendeu o Secretário de Estado da Cultura. A encerrar a inauguração oficial do Festival do Contrabando interveio a Secretária de Estado do Turismo, Ana Mendes Godinho, que salientou que o melhor que Portugal tem para oferecer aos visitantes são as suas gentes, cultura, história e tradições. “O «365 Algarve» é 45

uma ponte entre as comunidades e os agentes culturais locais, que constroem produtos, não só para colocar ao serviço da população residente, mas também dos turistas, que são um dos principais motores da economia portuguesa. E o Festival do Contrabando funciona também como uma ponte entre dois países e, se juntarmos Portugal e Espanha, transformamo-nos num dos maiores destinos turísticos do mundo, com mais de 100 milhões de visitantes” .

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REPORTAGEM

FESTA DAS TOCHAS FLORIDAS: UMA TRADIÇÃO PARA «VIVER» COM TODOS OS SENTIDOS São Brás de Alportel voltou a encher-se de cor, alegria e fervor religioso com a realização de mais uma Festa das Tochas Floridas, no dia 1 de abril, Domingo de Páscoa. A par da carismática e lindíssima procissão, a vertente gastronómica, o artesanato e a música popular de Romana ajudaram a dinamizar um evento que, de ano para ano, atrai a este concelho da Serra do Caldeirão milhares de turistas estrangeiros, para além dos muitos portugueses de férias na região. Texto:

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e entre as manifestações religiosas que animam o Domingo de Páscoa no Algarve, nenhuma tem tanto colorido e alegria como a Festa das Tochas Floridas, em São Brás de Alportel, que voltou a levar até ao coração do Algarve, no dia 1 de abril, milhares de turistas estrangeiros que chegam de vários pontos da Europa e do outro lado do Atlântico, para além de muitos emigrantes são-brasenses que regressam às origens nesta emblemática festa do seu concelho. Por isso, o Largo da Igreja Matriz depressa ficou repleto de pessoas, a grande parte de máquinas fotográficas em punho para captar os homens com as suas tochas floridas, o percurso florido de um quilómetro que percorre as principais ruas da vila, as colchas penduradas das janelas e varandas. São, de facto, imagens de rara beleza as que vislumbramos em São Brás de Alportel, mas assistir à Festa das Tochas Floridas é um cocktail para todos os sentidos: as cores e o movimento para a visão; o cheiro das flores para o olfato; os cânticos para a audição; o sentir a textura das folhas para o tato; o degustar dos doces regionais, medronho, gastronomia serrana, para o paladar. E os turistas, de sorriso nos lábios e olhos brilhantes ao longo do percurso, deixam-se encantar com a traça genuína dos são-brasenses e interagem com as gentes locais, perguntam a que se deve esta procissão, por que motivo só participam homens, o que significam as tochas, por que razão umas são mais elaboradas do que outras. E, claro, pedem-lhes, sem pudor ou vergonha, para fazer pose para a

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fotografia, para depois mostrarem aos amigos e familiares dos seus países de origem. Tradição, gastronomia, artesanato, tudo está em perfeita comunhão neste Domingo de Páscoa, mas a «festa» começa com muitos dias de antecedência, com a preparação dos moldes para colocar nas ruas, a organização dos vários grupos de voluntários e funcionários da autarquia, a apanha das flores e sua consequente 50


preparação, pois há que tirar as pétalas e cortar a verdura. Depois, de madrugada, encontram-se todos junto à igreja para montar as passadeiras de flores, numa árdua tarefa que atesta o tremendo amor de todos à festa e à terra. Às 10h começou a missa na Igreja Matriz e sensivelmente uma hora e meia depois, com os naturais atrasos devido à multidão que enchia por completo o Largo da Igreja, arrancou a procissão pelas principais artérias da vila, com os homens a gritarem, 51

de vozes bem altas: «Ressuscitou como Disse. Aleluia! Aleluia! Aleluia!». Seguiuse a tarde cultural, este ano abrilhantada pela cantora Romana, numa tradição que remonta aos primeiros anos do século XVII, época em que os algarvios começaram a realizar a Procissão de Aleluia, na manhã do Domingo de Páscoa, com um forte frenesim religioso. Nessa altura, as confrarias, constituídas unicamente por homens, ALGARVE INFORMATIVO #150


eram obrigadas a levar uma tocha acesa ou luminária e opas vestidas. Com o passar dos anos, a escassez de cera levou à sua substituição por paus pintados e ornamentados com flores, no cimo do qual se colocava, então, uma pequena vela. Uma característica que se manteve, contudo, foi a de apenas os homens erguerem as tochas na frente da procissão, isto porque as irmandades, onde estavam as mulheres, seguiam atrás. As confrarias viriam a desaparecer mais tarde, mas a procissão das «Tochas Floridas» mantevese, com outra alteração de fundo: os hinos, responsos e o Aleluia em honra da Ressurreição do Senhor deixaram de ser entoados por coros e passaram a ser proferidos unicamente pelo povo, devido à falta de clero e de cantores. Há, contudo, outra história por detrás desta manifestação. Segundo reza a história, a 25 de julho de 1596, deu-se a invasão da cidade de Faro e seus arredores ALGARVE INFORMATIVO #150

pelas tropas do Duque de Essex, após este ter infligido uma penosa derrota à esquadra de Filipe II, na Baía de Cádis. Depois de saquearem e incendiarem toda a cidade, os britânicos tiveram conhecimento de que a povoação de São Brás era rica e importante e para lá marcharam, tendo apanhado os seus habitantes completamente desprevenidos. As tropas não ficaram, todavia, completamente satisfeitas com os roubos e mortes que provocaram e decidiram lançar fogo à igreja, o que foi a gota de água para alguns rapazes solteiros que, munidos de machados rústicos, chucos alfaias agrícolas, conseguiram pôr os invasores em fuga. Logo de seguida, enfeitaram as armas improvisadas com flores para comemorar e assim nasceu, de acordo com alguns, a Festa das Tochas Floridas de São Brás de Alportel .

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ENTREVISTA

“O PIOR QUE SE PODE FAZER É DEFRAUDAR AS EXPETATIVAS DE QUEM NOS VISITA", AVISA DESIDÉRIO SILVA, RECANDIDATO À PRESIDÊNCIA DA RTA Os dados não mentem: o Algarve atravessa um dos melhores momentos da sua história enquanto região turística, com valores recordes ao nível do número de visitantes e de dormidas, de chegadas ao Aeroporto de Faro, de taxas de ocupação e de índices de rentabilidade. E se compararmos este cenário com aquele que se vivia em 2013, quando Desidério Silva assumiu a presidência da Região de Turismo do Algarve, a evolução é mais do que evidente. Nada mais natural, portanto, que a recandidatura a um novo mandato à frente da RTA, com as eleições agendadas para 11 de maio. Texto:

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iz a gíria futebolística que em equipa que ganha não se mexe e, por isso, foi com naturalidade que se teve conhecimento da recandidatura de Desidério Silva a um novo mandato à frente da Região de Turismo do Algarve. Uma decisão fácil de tomar, garante o dirigente, que está de consciência perfeitamente tranquila em relação ao trabalho desenvolvido desde 2013 à frente da RTA. Aliás, contra factos não há argumentos e o Algarve voltou a bater todos os recordes em 2017, pelo que o balanço deste mandato não podia ser mais positivo. “Penso que ninguém coloca em dúvida a minha entrega a esta causa, nem os resultados alcançados nestes cinco anos e, depois de ouvir todo o setor, desde os municípios às associações empresariais e sindicatos, entendi que não tinha uma única razão para não me recandidatar. Foi uma decisão suportada no trabalho, na dinâmica e no envolvimento da RTA num período que não foi fácil, em que as exigências foram imensas”, explica Desidério Silva. Numa luta incessante por um Algarve mais sustentável e pela valorização de todos os concelhos, e não apenas daqueles localizados junto à orla costeira, Desidério Silva cedo arregaçou mangas e trabalhou lado a lado com os autarcas locais, mas a tarefa não foi, conforme é sabido, fácil. De facto, o presente mandato iniciou-se quando Portugal estava numa crise profunda, sob o jugo da troika, o que levou a um corte profundo nos fundos das diversas Regiões de Turismo. Neste período ocorreram, igualmente, eleições legislativas, com o país a trocar a ALGARVE INFORMATIVO #150

governação de direita por uma «geringonça» de esquerda, portanto, não foi uma pera-doce comandar o Turismo do Algarve, reconhece o entrevistado. “Fomos confrontados com muitas dificuldades financeiras e burocráticas e, com a mudança de governo, a situação ficou exatamente igual, sem descativações nem cortes orçamentais. As Regiões de Turismo têm uma função muito específica de requalificar e estruturar os territórios e 62


os produtos e, depois de isso estar feito, há que promover o destino em Portugal e Espanha. Obviamente que, não havendo capacidade financeira, as Regiões de Turismo perdem grande parte da sua autonomia e temos que fazer muito com poucos meios”, desabafa Desidério Silva. Apesar das dificuldades sentidas, o Algarve foi sucessivamente eleito como «Melhor Região de Turismo» de Portugal, 63

«Marca de Confiança», «Melhor Destino de Golfe» e «Melhor Destino de Praia», um conjunto de prémios que atesta a qualidade da região e, acima de tudo, a excelente perceção que os visitantes têm do Algarve. “Somos uma região de referência, com segurança, bom acolhimento, onde os serviços funcionam, onde as paisagens são deslumbrantes e onde começa a existir uma oferta ainda mais diversificada de atrativos. São disso exemplo as ALGARVE INFORMATIVO #150


caminhadas e os passeios de bicicleta, o surf, a cultura, os vinhos, a gastronomia, um potencial enorme que estava um pouco adormecido. Reinventámos o território com o nosso Plano Estratégico 2014-2018”, evidencia. Desidério Silva indicou vários produtos que, noutros tempos, eram meramente encarados como nichos de mercado de pouca expressão nos quais não valia a pena investir muito e, como tal, o Algarve estava praticamente todo focado no «Sol e Praia» e no «Golfe». O certo é que, no ano transato, grande parte do aumento verificado na taxa de ocupação aconteceu na chamada «época baixa», o que demonstra que, afinal, não estávamos a falar de produtos que interessavam a muitos poucos turistas. “Em 2012, a taxa de ocupação do Algarve rondava os 50 por cento. Em 2017, atingimos os 67 por ALGARVE INFORMATIVO #150

cento. O Aeroporto de Faro passou de cinco para nove milhões de passageiros. As voltas de golfe subiram das 900 mil para um milhão e 300 mil. A RTA e a ATA tiveram uma grande capacidade para qualificar e valorizar os nossos produtos turísticos no contexto nacional e internacional e os resultados estão à vista, não se discutem, são factuais. Quando cheguei à RTA manifestei, de imediato, que havia municípios algarvios que não estavam a potenciar toda a oferta que possuíam, iniciou-se um trabalho bastante sério e sereno com os autarcas e as coisas começaram a acontecer”, destaca Desidério Silva. O presidente da Região de Turismo do Algarve lembra, por exemplo, que a proposta inicial para o programa cultural 64


«365 Algarve» apenas abarcava 11 municípios algarvios, ideia que foi rapidamente rejeitada. “Curiosamente, os concelhos que não estavam na primeira proposta têm, agora, eventos de referência, como Monchique, Aljezur, Alcoutim, Vila do Bispo ou São Brás de Alportel”, sublinha, admitindo que, durante muito tempo, os concelhos que não se situavam na orla costeira, ou que não possuíam campos de golfe no seu território, estavam algo conformados com o seu papel de outsiders, de não terem capacidade turística. “O Algarve é conhecido, e bem, pelas praias e golfe. Estes eram, e continuam a ser, os dois fatores principais para os turistas escolherem a região, mas o perfil do turista mudou radicalmente nos últimos anos. Hoje, não se preocupam apenas em chegar ao quarto do hotel, dormir, levantar, ir à praia ou piscina, comer e dar uma voltinha à noite. O Algarve tornou-se, sem dúvida, um destino de família e os vários membros dividem-se por múltiplas atividades. Há quem goste da praia e do golfe, de caminhar, de andar de bicicleta, de observar os pássaros, de saltar de paraquedas ou ir ao Autódromo em Portimão, de ir ao surf e windsurf na costa vicentina, de ir à Serra de Monchique, etc, etc”, analisa o entrevistado.

NUNCA OLHEI A CORES POLÍTICAS As propostas diversificaram-se, os visitantes em época baixa dispararam e os resultados globais da região são bem melhores do que há cinco anos, mas houve também que fazer ver ao poder central 65

DESIDÉRIO SILVA: "QUANDO CHEGUEI À RTA MANIFESTEI, DE IMEDIATO, QUE HAVIA MUNICÍPIOS ALGARVIOS QUE NÃO ESTAVAM A POTENCIAR TODA A OFERTA QUE POSSUÍAM, INICIOUSE UM TRABALHO BASTANTE SÉRIO E SERENO COM OS AUTARCAS E AS COISAS COMEÇARAM A ACONTECER”. que havia que mudar o paradigma do Algarve. E o certo é que o Algarve foi, no passado recente, escolhido como região-piloto para os produtos das caminhadas e passeios de bicicleta, o que só se consegue quando há um capital de credibilidade de quem propõe as iniciativas, entende Desidério Silva. “Essa abordagem foi feita, de forma natural, com a Secretária de Estado do Turismo e o Turismo de Portugal, porque a sazonalidade só pode ser esbatida com investimento nas coisas ALGARVE INFORMATIVO #150


DESIDÉRIO SILVA: “A SAZONALIDADE SÓ PODE SER ESBATIDA COM INVESTIMENTO NAS COISAS QUE PODEM GERAR RIQUEZA E RETORNO. TEMOS QUE COMPREENDER, DE UMA VEZ POR TODOS, QUE AS DESPESAS, NO TURISMO, SÃO INVESTIMENTOS, NÃO SÃO CUSTOS”. que podem gerar riqueza e retorno. Temos que compreender, de uma vez por todos, que as despesas, no turismo, são investimentos, não são custos”, manifesta o presidente da Região de Turismo do Algarve. Falar de investir nos locais certos é falar na transmissão televisiva para todo o mundo, através da Eurosport, da Volta ao Algarve em Bicicleta, que levou as paisagens maravilhosas da região a milhões de lares. E o mesmo acontece com o Portugal Masters de golfe, ou os torneios de equitação e outros eventos desportivos de referência internacional que potencializam as belezas naturais da região. “Não há sorte sem trabalho, sem ALGARVE INFORMATIVO #150

investimento, sem uma capacidade reivindicativa, e tenho procurado intervir em todas as áreas que possam valorizar o Algarve, uma região de excelência que representa quase 40 por cento do turismo nacional e que anda muito próximo dos sete ou oito mil milhões de euros de proveitos anuais”, aponta Desidério Silva, um dirigente que defende a sua «senhora» junto do governo, independentemente de qual o partido que dirige a nação, e para quem todos os presidentes de câmara são iguais. “Enquanto autarca, sempre reivindiquei junto dos vários governos com quem trabalhei e mantive a mesma postura quando cheguei à Região de Turismo do Algarve. Aliás, nas comemorações dos 45 anos da RTA, era Primeiro-Ministro Pedro Passos Coelho, o meu discurso foi muito crítico e violento em relação ao governo”, recorda o socialdemocrata. “Procuro fazer exigências com responsabilidade, equilíbrio e respeito, não sou um arruaceiro, e é assim que continuarei a ser caso seja reeleito. E, na relação com os presidentes de câmara, nunca olhei para as suas cores políticas. As minhas intervenções serão sempre pelas causas do Algarve”, garante. O Algarve nunca esteve tão bem, é uma realidade, mas isso não significa que se possa «adormecer à sombra da bananeira», com os perigos advindo do Brexit e com a luta dos destinos concorrentes da Bacia do Mediterrânico para sair da crise que atravessam bem presentes no horizonte. “Os sinais que aí vêm são preocupantes, temos que estar atentos à recuperação de países 66


como a Tunísia, a Turquia, o Egito, a Grécia, a Espanha ou a Itália, e a nossa capacidade de intervenção tem muito a ver com aquilo que formos capazes de exigir ao governo. O Algarve precisa ter, por exemplo, mais rotas aéreas para vários países europeus, mas também é necessário investir em promoção nesses locais para gerar um aumento de procura que torne esses voos rentáveis para as companhias”, considera Desidério Silva. A poucas semanas das eleições para a presidência da Região de Turismo do Algarve, Desidério Silva mostra-se perfeitamente tranquilo porque defendeu o Algarve em todas as frentes onde era necessário intervir, “desde a questão do petróleo às portagens na Via do Infante e às obras na EN 125”. “Note-se que sou quase uma persona non grata junto da 67

TAP, por entender que ela presta um mau serviço à região. Podia perfeitamente fazer mais voos de Faro para Lisboa e de Faro para outras cidades europeias, procura para isso não falta. O que exijo é para o Algarve, nunca pedi nada para mim, e vou continuar a batalhar pela valorização da região, pela aposta em novos produtos e pela qualificação dos recursos-humanos e das infraestruturas. Se vier outra pessoa para este cargo, espero que aproveite bem as bases que vai receber e que a RTA não se torne numa correia de transmissão ou numa junta de freguesia. E o pior que se pode fazer é defraudar as expetativas de um turista, porque nunca mais volta e passa uma imagem negativa aos seus amigos” . ALGARVE INFORMATIVO #150


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REPORTAGEM

Anabela Afonso, comissária do «365 Algarve», entregou o prémio na categoria de Dramaturgia a Luísa Monteiro, pelo texto «O Judeu que guardou portugueses no quarto de Van Gogh»

“AND THE VICENTE GOES TO…” Texto:

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ão houve necessidade de passadeira vermelha à porta do Auditório Municipal de Albufeira, nem de gigantescos holofotes a iluminar os céus da capital do turismo algarvio, pois foi uma plateia numerosa e atenta que assistiu, na noite

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de 27 de março – Dia Mundial do Teatro – à entrega dos Prémios Vicente de Teatro, instituídos, em 2017, no âmbito do Festival T – Festival Internacional de Teatro de Albufeira. Prémios que “não pretendem distinguir, mas reconhecer o trabalho cénico das pessoas que trabalham em artes cénicas no 70


Algarve”, explicou Luísa Monteira, dramaturga, encenadora, atriz e responsável por este certame que atingiu, em 2018, a sua 11.ª edição. “Assistindo esta região a uma lenta mudança estrutural no campo das artes, o objetivo é o de incentivar à sua continuidade e não conhecemos melhor maneira de o fazer do que dizer que tem havido público, atento e reconhecido. Por isso, este ano voltamos a lembrar ao público quem trabalhou nesta região para que o Teatro fosse uma marca também nossa”, acrescentou Luísa Monteiro. O objetivo dos Prémios Vicente de Teatro é, então, fomentar o interesse do público e incentivar as companhias que existem e o método de seleção dos nomeados passou pelo pedido de colaboração feito a nove personalidades da região afetas ao teatro, às artes

performáticas e à cultura, direta ou indiretamente, e de inegável idoneidade. Deste grupo fizeram parte Ana Cristina Oliveira, docente de artes do espetáculo, atriz, encenadora e dramaturga; Carla Ponte, Chefe de Divisão de Cultura do Município de Albufeira; Conceição Agostinho, especialista em Fotografia de Cena; Dália Paulo, ex-comissária do Programa Cultural «365 Algarve»; Daniel Pina, jornalista e diretor do Algarve Informativo, vencedor do Prémio Vicente de Teatro em 2017 na categoria de Imprensa que mais divulgou o Teatro Algarvio; Elisabete Martins, atriz, formadora e encenadora da ACTA – A Companhia de Teatro do Algarve; Luísa Monteiro, ex-docente universitária de Estética Teatral, dramaturga, encenadora e atriz; Paulo Moreira, exdocente de Artes do Espetáculo,

Joana Martins, do LAMA, recebeu de Desidério Silva, presidente da RTA, o prémio na categoria Encenação, entregue a João de Brito por «Leôncio e Lena» 71

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A vereadora da Câmara Municipal de Albufeira Cláudia Guedelha entregou o prémio na categoria Interpretação a Paula Marreiros, mãe de Luís Marreiros

dramaturgo e encenador; e Paulo Pires, programador cultural. Conhecidos os nomeados, a metodologia de apuramento foi quantitativa, valendo o maior número de escolhas sobre quatro categorias: Dramaturgia (texto dramático), Encenação, Interpretação e Melhor Espetáculo. E os nomeados eram: Dramaturgia – Luísa Monteiro, pelo texto «O Judeu que guardou portugueses no quarto de Van Gogh»; Antónia Gambóias, pelo texto «Frente a Frente»; Luís Campião, pelo texto «A Menina da Burra»; João de Brito, por «Leôncio e Lena». Encenação – Elisabete Martins, por «Um Espetáculo (Bela e Abel); Jeannine Trevidic, por «Dá-me um Abraço»; João de Brito, por «Leôncio e Lena»; Pedro Ramos, por «Oxalá»; Luís Vicente, por «Catarina». Interpretação – Bruno Martins como Abel ALGARVE INFORMATIVO #150

em «Um Espetáculo (Bela e Abel); Luís Marreiros, como Tomás Vieira em «O Judeu que guardou portugueses no quarto de Van Gogh»; Tânia Silva no papel de Sara em «O Silêncio de Sara»; Luís Vicente como Raimundo Silva, em «História do Cerco de Lisboa». Melhor Espetáculo - «Scroll» pela Companhia Ar Quente; «O Judeu que guardou portugueses no quarto de Van Gogh», pela Companhia de Teatro Contemporâneo; «Catarina», pela ACTA; «História do Cerco de Lisboa», também pela ACTA. Recorde-se que o Prémio Vicente de Teatro deriva de uma homenagem a Vicente Pereira Simões, que terá sido o primeiro profissional de artes ligado à representação cénica do Algarve. Nascido no Castelo de Albufeira, em 72


1590, faleceu em Nagasaki, no Japão, em 1632. Foi para Lisboa aos 14 anos para se formar em Artes, tendo sido esta a sua primeira atividade, antes da Medicina e do Sacerdócio Cristão. Depois deste breve aparte, foi chamada ao palco Anabela Afonso, comissária do «365 Algarve», para entregar o prémio da categoria Dramaturgia. Antes disso, porém, enalteceu a iniciativa de distinguir quem trabalha no teatro e lembrou as palavras de Jervi Grotowski: ’No dia em que fecharem as televisões, toda a gente reparará e irá para as ruas. No dia em que fecharem os cinemas, as pessoas demorarão algum tempo a notar. No dia em que fecharem os teatros, demorarão muito tempo a notar’. “O melhor ato de resistência que podemos fazer em defesa do teatro é, precisamente, ir ver teatro”, referiu, antes de anunciar o nome de Luísa Monteiro como vencedora pelo texto «O

Judeu que guardou portugueses no quarto de Van Gogh». “Obrigado às instituições que apoiam este festival, sem elas era quase impossível fazer as comemorações do Dia Mundial do Teatro com este brilho”, agradeceu a dramaturga, retomando de imediato a sua posição na régie. Para dar a conhecer o vencedor da categoria de Encenação foi chamado Desidério Silva, presidente da Região de Turismo do Algarve e que era o edil albufeirense quando o Festival T nasceu, em 2006. “Tenho muito orgulho em ver que o festival continua de pé, porque é sinal de que as pessoas que trabalham e vivem o teatro conseguiram chegar aos dias de hoje e continuar a organizar um evento desta dimensão. A Luísa Monteiro é uma pessoa extraordinária, tem um

A Vice-Presidente da Câmara Municipal de Albufeira Ana Pífaro entregou o prémio na categoria Espetáculo a Paulo Moreira, encenador da ACTA, pela peça «Catarina» 73

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coração enorme e está sempre disponível para a Cultura”, destacou o homem forte do turismo algarvio, antes de revelar João de Brito como grande vencedor nesta categoria, com o espetáculo «Leôncio e Lena». O encenador não pode estar presente por estar precisamente a estrear uma nova peça no Dia Mundial do Teatro, fazendo-se representar por Joana Martins, sócia-fundadora do LAMA – Laboratório de Artes e Media do Algarve. “Quero agradecer aos programadores do Algarve e a todo o público que votou neste espetáculo. O teatro é uma arte coletiva e, para encenar, é preciso ter autores e atores; para que os atores não se percam tem de haver cenógrafos; para que os atores não estejam na escuridão nem desacompanhados musicalmente, é preciso desenhadores de luz e de som; para que o teatro tenha público, é preciso fazer cartazes, vídeos promocionais e tirar fotografias de cena.

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Este prémio não é só meu, é do coletivo, de todas as pessoas, nas mais variadas funções, que abraçaram este «Leôncio e Lena» com muito carinho desde o início”, sublinhou. Na mensagem lida por Joana Martins, João de Brito confessou estar muito feliz por este reconhecimento. “Orgulho-me muito de dizer que sou um ator e encenador Farense. Criei o LAMA em 2010 e não conto parar de criar espetáculos. Passo grande parte da minha vida na A2 entre Faro e Lisboa, porque nunca desisti da minha cidade e da minha região. Respiro teatro, a minha cabeça não pára e sonho muito, sim sonho muito”, frisou o encenador e ator. “O sonho mais recorrente é fazer do Algarve uma referência cultural, assente em cidadãos com um poder cada vez mais crítico e que se questionem constantemente sobre o

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que andamos a fazer neste mundo. Em último lugar, queria agradecer aos meus amigos e à minha família, em especial à minha Mãe, heroína de todas as horas e ao meu Pai, que viajou para outro lugar em 2017, mas que ainda conseguiu ver parte do meu percurso. Sei que estás orgulhoso. Vês?... Valeu a pena desistir do curso de Economia”, terminou, de forma emotiva, a mensagem. O vencedor da categoria Interpretação foi dado a conhecer pela Vereadora da Câmara Municipal de Albufeira, Cláudia Guedelha, que desvendou o nome de Luís Marreiros, pelo papel de Tomás Vieira em «O Judeu que guardou portugueses no quarto de Van Gogh». Na ausência de Luís Marreiros, que há três anos desempenha a profissão profissional de ator em Itália, foi a mãe, Paula Marreiros, a receber o Prémio Vicente de Teatro. Finalmente, foi chamada ao palco Ana Pífaro, vice-

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presidente da Câmara Municipal de Albufeira e Vereadora da Cultura, para anunciar «Catarina» como melhor Espetáculo de 2016/2017. “Foi um espetáculo sobre a Catarina Eufémia, com texto do Jacinto Lucas Pires, bastante completo, com música, dança, vários atores, até um cavalo em cena. Para esse efeito foi arrancada a plateia do Teatro Lethes e por esse mesmo motivo o espetáculo não andou em digressão por outras salas. O meu profundo reconhecimento por este prémio”, indicou Paulo Moreira, encenador da ACTA. Terminada a atribuição dos Prémios Vicente do Teatro, João Sousa leu a habitual mensagem do Dia Mundial do Teatro, findo o que se assistiu a alguns excertos da nova produção da CTC, «Simetria», sobre a vida de Vicente Pereira Simões .

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«365 ALGARVE» ENTRA NA RETA FINAL E AS EXPETATIVAS PARA A TERCEIRA EDIÇÃO SÃO ELEVADAS Faltam menos de dois meses para finalizar a segunda edição do «365 Algarve» e o prazo de entrega de candidaturas para o terceiro capítulo deste programa conjunto das Secretarias de Estado da Cultura e do Turismo termina a 16 de abril, o que nos levou à conversa com Anabela Afonso, para se fazer um balanço do que tem acontecido até à data e saber que novidades são de esperar a partir de 1 de outubro. Texto:

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or estes dias a azáfama é tremenda no sexto andar no edifício-sede da Região de Turismo do Algarve, em Faro, onde está instalado o quartelgeneral do «365 Algarve». Isto porque o programa cultural promovido pelas Secretarias de Estado da Cultura e do Turismo e executado no terreno pela RTA entrou na sua reta final, mas também porque decorre, até 16 de abril, o período de receção de candidaturas para a terceira edição. Quanto ao balanço da segunda edição é, para já, bastante positivo. “Faltam apenas abril e maio que, por sinal, até são os meses com a programação mais intensa e, apesar desta edição ter conhecido uma redução considerável do número de eventos em relação à sua antecessora, tal não se refletiu em termos de público. Acabamos de ter, por exemplo, o Festival do Contrabando, cujo êxito superou todas as expetativas, em termos de visitantes e de visibilidade”, referiu Anabela Afonso, comissária do «365 Algarve». Dúvidas não tem a entrevistada de que o «365 Algarve» tem demonstrado que, fora da época alta do turismo, e de forma transversal a todo o território regional, desde o litoral ao interior, desde o barlavento ao sotavento, existe uma programação cultural regular e bastante diversificada. “Obviamente que o objetivo mais ambicioso, mas também o mais difícil de concretizar, é que o programa funcione efetivamente como um fator de atração para quem nos visita e isso está-se a começar a verificar. Estamos a falar de objetivos estratégicos que se vão alcançando no médio prazo e não podemos exigir tudo a uma iniciativa

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que vai apenas na sua segunda edição, mas o Algarve não se pode dar ao luxo de prescindir do «365 Algarve», porque ele é fundamental para complementar a oferta turística da região”, entende a comissária. A verdade é que eventos como o Festival do Contrabando, o Festival Luza, o «Lavrar o Mar», o «Jazz das Adegas», o «Video Lucem» e outros conseguem, de facto, trazer pessoas de propósito para a região e fazer parte de circuitos internacionais dentro das suas especialidades. “Durante o Festival do Contrabando foram turistas estrangeiros a Alcoutim atraídos pela possibilidade de fazer aquela travessia pedonal do Rio Guadiana. O «Lavrar do Mar» fixa-se, de outubro a maio, em Aljezur e Monchique, um território que, à partida, poderia não parecer evidente que conseguisse ter uma oferta cultural com esta regularidade e dimensão. E, no espaço de duas semanas, apresentamos um projeto de teatro nas destilarias de medronho e o teatro aquático, duas experiências culturais e artísticas bastante diferentes do habitual”, sublinha Anabela Afonso, de sorriso nos lábios. A entrevistada lembra, entretanto, que falar de turistas não significa apenas pensar nos visitantes estrangeiros, uma vez que os portugueses oriundos de outros pontos do país são igualmente importantes para a dinâmica regional. Por isso, há que criar um conjunto de produtos que atraia a vários gostos e Anabela Afonso aponta, por exemplo, o «Video Lucem». “É uma forma de promovermos o nosso património 80


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religioso, as igrejas do Algarve, mas também o património fílmico, apresentando filmes que, em muitos casos, há anos que não estavam disponíveis ao público”, indica. Conforme referido, uma das grandes diferenças da primeira para a segunda edição do «365 Algarve» foi a redução, quase para metade, do número de eventos a acontecer entre outubro de 2017 e maio ALGARVE INFORMATIVO #150

de 2018, mas o total de visitantes, o volume de público, até deve aumentar, demonstrando que a quantidade nem sempre é o mais importante. “Houve mais cuidado na seleção das iniciativas para garantir que a qualidade do programa tenha a capacidade de surpreender e fidelizar o público. Essa postura também nos permitiu trabalhar melhor, do ponto de vista da comunicação, aquilo que temos para 82


mudanças da metodologia de trabalho do programa obrigaram os próprios agentes culturais a prepararem com mais cuidado as propostas que apresentaram e julga que essa evolução se irá manter. “É um crescimento conjunto dos agentes culturais e da equipa do «365 Algarve» que acompanha o que está a acontecer no terreno e espero que isso se note na qualidade da terceira edição”, afirma, confirmando que as alterações que houve ao nível do regulamento são um reflexo do progresso do «365 Algarve». “Parecia-nos evidente a ideia de obrigatoriedade de parceria entre os setores da cultura e do turismo nas candidaturas submetidas. O que aconteceu na segunda edição é que, ou eram agentes culturais a apresentar propostas, ou eram empresas de animação turística, não existia uma grande ligação entre as duas partes. Contudo, os projetos onde essa relação acontecia, mesmo que de forma informal, foram os que funcionaram melhor”, revela.

oferecer e assim chegarmos a mais público”, justifica Anabela Afonso.

Apesar de ter chegado ao «365 Algarve» sensivelmente a meio da segunda edição, Anabela Afonso considera que as 83

Disso é exemplo o «Jazz nas Adegas», com os espetáculos a terem lugar em adegas do concelho de Silves e, para além da notória vertente cultural, a servirem para promover os vinhos de Silves. O mesmo acontece com o «Teatro nas Destilarias» de medronho, em Monchique, onde se mostra um património e um produto tipicamente regionais, a par de uma proposta artística de qualidade indiscutível. “Isto foi-nos demonstrando que é possível existir este género de ligações, de parcerias, num programa como o «365 Algarve». Definimos o perfil dos ALGARVE INFORMATIVO #150


ANABELA AFONSO: “O MEIO ARTÍSTICO E CULTURAL É SEMPRE UM MEIO DE CONTAMINAÇÃO, BENEFICIAMOS TODOS QUANDO NOS CRUZAMOS UNS COM OS OUTROS. (…) TEMOS QUE VALORIZAR O QUE SE FAZ CÁ, É ESSENCIAL PRODUZIRMOS E CRIARMOS ARTISTICAMENTE A PARTIR DAS NOSSAS EXPERIÊNCIAS, MAS TAMBÉM É CRUCIAL MOSTRARMOS QUE O ALGARVE É UMA REGIÃO COSMOPOLITA ABERTA AO MUNDO”.

beneficiários, de quem pode concorrer, mas não colocamos limites às parcerias e cabe à criatividade de quem está no terreno explorar esse potencial enorme”, manifesta Anabela Afonso, não concordando igualmente com as barreiras que se levantam, por vezes, entre promoção de identidade cultural e cultura contemporânea. “O «Teatro nas Destilarias» tem textos inéditos escritos propositadamente para esses eventos e mostra, em simultâneo, um produto e uma realidade tradicionais de uma ALGARVE INFORMATIVO #150

maneira completamente inovadora. A exposição «Tochas» do Vasco Célio contempla o olhar de um artista que produz arte contemporânea sobre uma tradição antiga e muito vivida junto da população de São Brás de Alportel”, exemplifica. São, portanto, dois mundos que tem toda a lógica mesclar, na opinião de Anabela Afonso, que também não é apologista de se gastar toda a verba do «365 Algarve» em alguns eventos de massas. “O turista que nos visita não é diferente de nós e, enquanto sociedade, não gostamos todos das mesmas coisas. Há quem prefira cinema, outros a música – clássica ou contemporânea, outros o teatro ou a dança. Se queremos acolher bem quem nos visita, a oferta cultural deve ser diversificada e essa é outra maisvalia deste programa”, assegura. E se não falta, de facto, criatividade aos agentes locais, tal não impede que se continue a abrir as portas aos artistas do resto do país ou do mundo, julga Anabela Afonso. “O meio artístico e cultural é sempre um meio de contaminação, beneficiamos todos quando nos cruzamos uns com os outros. As estruturas que podem concorrer ao «365 Algarve» têm que estar sedeadas na região há mais de um ano, mas não colocamos limites às parcerias e elas demonstram a importância de ter pessoas de fora com olhares diferentes sobre este território. Temos que valorizar o que se faz cá, é essencial produzirmos e criarmos artisticamente a partir das nossas experiências, mas também é crucial mostrarmos que o Algarve é 84


uma região cosmopolita aberta ao mundo”, enfatiza a comissária do programa. Posto tudo isto, as expetativas são elevadas para a terceira edição do «365 Algarve», sendo de esperar que os eventos âncora se mantenham e que haja mais novidades de grande qualidade. Quanto ao orçamento, é o mesmo, um milhão e meio de euros, dos quais cerca de 300 mil euros são para comunicação e funcionamento da estrutura. De igual modo haverá, também, cuidado para não sobrepor muitos eventos nas mesmas datas, até porque grande parte das iniciativas são apresentadas em consonância com as agendas culturais dos diferentes parceiros. “Mas eu até acho que é um bom sinal para o Algarve quando começamos a ter várias coisas a acontecer ao mesmo tempo, é sinal do 85

tal cosmopolitismo que temos em termos culturais. Num fim-de-semana tivemos o Festival do Contrabando, o Festival Internacional de Teatro de Albufeira, o Festival Internacional de Música do Algarve e o «Teatro das Destilarias», tudo com grandes assistências. O Algarve tem público para tudo isto, mas é sempre importante haver diálogo entre as estruturas para se conciliar agendas”, refere. “Essa ideia de que no Algarve não se passa nada já há algum tempo que não corresponde à realidade. O que ainda se pode melhorar é a comunicação e o «365 Algarve» está a ser uma experiência pioneira nesse sentido, ao divulgar uma oferta cultural de uma região como um todo”.

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MAZGANI APRESENTOU NOVO DISCO NO CINE-TEATRO LOULETANO Texto:

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azgani trouxe, no dia 24 de março, e pela primeira vez ao Algarve, mais concretamente ao CineTeatro Louletano, o seu novo disco, intitulado «The Poet’s Death». O álbum foi coproduzido pelo próprio músico e por Peixe (Ornatos Violeta), que também contribuiu na gravação de guitarras e teclas. Em estúdio, Mazgani contou igualmente com a colaboração de Victor Coimbra, no baixo, e de Isaac Achega, na bateria. O álbum foi considerado pelos leitores da revista Blitz como o 5.º melhor disco nacional de 2017 e é o sucessor de «Lifeboat», lançado em 2015. Antes disso, este escritor de canções, cantor e guitarrista iraniano, radicado em Portugal 91

desde a revolução que afetou o seu país em 1979, já tinha editado «Common Ground» (2013), «Song of Distance» (2010) e «Song of the New Heart» (2007). Mas antes mesmo de ter dado a conhecer o seu primeiro disco, Mazgani já fora considerado, em 2005, pela revista Francesa «Les Inrockuptibles» como um dos melhores 20 novos artistas europeus. E do seu álbum de estreia, o tema «Somewhere Beneath This Sky» ganhou o terceiro prémio do International Songwriting Competition de Nashville, nos Estados Unidos da América. Um percurso repleto de êxitos que se traduziu num excelente concerto, em terras louletanas, na noite de 24 de março . ALGARVE INFORMATIVO #150


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FOLHA DE MEDRONHO ESTREIA-SE COM «ALGUÉM ME SABE DIZER SE O MEU CHAPÉU ESTÁ BEM-POSTO?» Texto:

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Folha de Medronho – Associação de Artes Performativas, sediada em Loulé, apresentou, no dia 29 de março, no Cine-Teatro Louletano, a peça «Alguém me sabe dizer se o meu chapéu está bem posto?», no âmbito dos CENÁRIOS – XIII Mostra de Teatro do Concelho de Loulé. O espetáculo baseado em textos de Karl Valentin e Pedro Malaquias teve encenação de João de Mello Alvim e ALGARVE INFORMATIVO #150

produção e interpretação de Alexandra Diogo, com Sara Mendes Vicente a assinar a assistência de produção e apoio vocal, cabendo a Martim Santos a sonoplastia, design e comunicação, bem como a Rafael Guerreiro a assistência de comunicação. A peça marca a estreia da nova estrutura teatral do Algarve e a história é simples, mas bastante bem-disposta. Sozinha em cena e na vida, tendo como 98


espetáculo que não quer ditar uma moral, mas também não tem a pretensão de ser amoral”, explicam João de Mello Alvim e Alexandra Diogo.

interlocutor vários animais de estimação, uma mulher da limpeza, ou técnica assistente de higiene e limpeza, reflete em voz alta sobre o que vê e ouve nos pequenos mundos onde o seu dia-a-dia se consome. “A narrativa não segue uma lógica, trata-se de pensamentos soltos em voz alta, um desfile de pequenas estórias que constroem uma vida, pedaços agridoces de um mundo que gira entre a crueldade, o sarcasmo e o nonsense. É, de forma propositada, um 99

Quanto à «Folha de Medronho» em si, a sua atividade artística preponderante assenta na formação, criação e produção nas artes performativas, tendo o teatro como eixo central, “diversificada por projetos que delas emanem e com elas se cruzem, gerando, nas programações anuais, um todo que se pretende homogéneo para uma oferta permanente e variada na área”, refere o fundador, João de Mello Alvim. “Todavia, o tempo ensinou-nos que este programa artístico só pode ser concretizado em pleno se se apoiar numa estrutura profissional sólida, erguida pedra a pedra e sustentada nos pilares de uma boa gestão e produção. Vivemos numa encruzilhada que radica na falência de modelos sociais e políticos, com reflexos na criação artística. O caminho que pretendemos trilhar assenta na reflexão sobre o atual estado da arte contemporânea, marcada por tensões ainda não resolvidas do passado, confluências e interrogações que a atualidade levanta e que retraçam anteriores conceitos sobre a arte em geral e as artes performativas em particular”, reforça. O objetivo é encontrar “uma outra maneira de estar neste jogo de possíveis, evitando fórmulas gastas, caminhando e caindo para, na elevação após a queda, procurar novas vias, como se fôssemos interpelantes do «Angelus Novus» de Klee, na feliz ALGARVE INFORMATIVO #150


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alusão de W.Benjamin”, compara João de Mello Alvim, adiantando que os objetivos artísticos das atividades de formação, criação, difusão e produção da «Folha de Medronho» têm por denominador comum a revisitação e o confronto com o estruturado historicamente. “Para alargar este território artístico de possibilitação, apostamos igualmente no intercâmbio de saberes com outros grupos, locais e nacionais, porque não queremos experimentar sozinhos; queremos a partilha de responsabilidades para projetar cultural, artística e socialmente o nosso trabalho e refletir e intervir sobre a realidade em que vivemos. Mas também queremos que o mar, a cultura e a língua nos liguem a estruturas internacionais, num abraço especial aos países do mediterrâneo e a outros onde o português é a língua oficial”.

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A direção da nova companhia tem consciência de estar instalada numa região marcada por contrastes geográficos e sociais e servida por práticas onde se confunde cultura com animação cultural. “Sem menosprezar esta última, que se carateriza pelos eventos efémeros, vocacionados mais para a população flutuante do que para a residente, defendemos que a cultura, no sentido do desenvolvimento integral do indivíduo e da comunidade, tem de assentar num trabalho contínuo que crie raízes e mobilize a reflexão e a participação ativa dos cidadãos na esteira da célebre frase de Almeida Garret: ‘O teatro (a cultura) é um grande meio de civilização, mas não prospera onde a não há’. E este caminho passa por roturas nas acomodações instaladas ALGARVE INFORMATIVO #150


que sinalizam e geram a crónica abstenção social e política, no redesenhar do âmbito de intervenção das entidades públicas e da iniciativa cidadã, na desequilibrada alocação de meios financeiros e logísticos”, entende o responsável. “Mas, também, na luta contra a discriminação negativa das periferias pelo centralismo macrocéfalo e na afirmação do trabalho cultural num meio geográfico específico, que não pode obliterar uma relação atenta e, sempre que possível sinergética, com o que se passa no meio artístico nacional e transnacional. Essencialmente, com a fundação da «Folha de Medronho», não queremos perder o rasto da esperança”, sintetiza João de Mello Alvim . ALGARVE INFORMATIVO #150

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OPINIÃO

Egos à parte Paulo Cunha (Professor)

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endo, desde tenra idade, sido solicitado para integrar júris de vários concursos e festivais de música e de outras vertentes artísticas, observando-os e analisando-os com sentido crítico, acabei por aprender imenso sobre tudo o que os rodeia e envolve. Sendo a competição o principal móbil da sua organização, cedo me apercebi que não fui feito para avaliar talentos. Sendo a parte que menos prazer me dá na minha atividade letiva, avaliar é algo inerente à minha profissão e dela, infelizmente, não posso fugir. Tal não posso dizer dos múltiplos eventos para os quais me convidam na qualidade de jurado, e, há já algum tempo, educadamente, declino o convite. Ter talento, por definição é, de forma natural ou adquirida, ter aptidão, engenho, capacidade, disposição ou habilidade para qualquer função ou atividade. Ora assim sendo, qualquer talento que possamos ter ou vir a desenvolver, naturalmente emergirá e destacar-se-á da normalidade, não sendo imperioso escaloná-lo num qualquer concurso onde a competição entre egos dê mais sentido à vida dos emergentes talentosos artistas. Mas isso é apenas uma opinião, muito minha, que reconheço ser diferente de muitas que proliferam no meio artístico. Tendo pautado a minha vida musical na construção, na união, na partilha e na comunhão, sempre me fez aversão a competição que, a vários níveis, mina as relações interpessoais entre artistas de várias vertentes culturais. Talvez por isso, hoje, orgulho-me de nunca ter integrado nenhum agrupamento musical construído na base da competição. Não o necessitei, nem precisaram os muitos músicos que me enriqueceram (e continuam a enriquecer) com o seu talento. Talento que sempre esteve à vista de todos que o sabem e conseguem apreciar! Aliás, é «apreciar» o verbo que mais uso quando falo de arte e de artistas. Doutra forma não poderia ser, pois já nos basta toda uma vida construída em função da competição. E se eu conseguir fazer a minha parte, já fico feliz! Neste mês que ora decorre, e porque foi uma amiga e colega que mo solicitou, acedi ao pedido para integrar o júri de mais um famigerado concurso de talentos, organizado por uma turma de alunos do ensino

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secundário. Mal me colocaram o microfone na mão, logo expliquei que estava ali, não na qualidade de professor avaliador, mas, tão-somente, como um apreciador. Desde logo me apercebi da estranheza e da admiração que provoquei no rosto dos concorrentes e dos restantes membros do júri. Chegada a desejada final, constatei que, para além dos concorrentes, tanto os colegas como os seus familiares depositavam sérias expetativas nos jovens aspirantes a artistas da sua eleição. Ora eu, que já tinha deixado a minha posição bem clarificada, logo percebi onde estava e ao que ia… Sem querer, mais uma vez me encontrava envolvido num evento cultural onde a competição ditava as regras. Tendo em conta que os três finalistas tinham demonstrado um ótimo nível performativo e criativo nas diferentes modalidades a que concorriam, decidimos, unanimemente, atribuir, «ex aequo», o primeiro prémio a todos. Esperando ver o contentamento e a satisfação espelhados nas suas faces quando no palco lhes demos a notícia, qual foi a minha surpresa ao perceber a desilusão e o desalento que lhes iam na alma (mal disfarçados num tímido sorriso amarelo). Ao contrário do que pensávamos, a partilha do primeiro lugar não era motivo de regozijo. Motivo de exultação teria sido vencerem os outros, tal como num jogo! Já em ambiente escolar, ao ouvir os comentários que tiveram para com os seus colegas e professores, acabei por certificar-me daquilo que tinha constatado no concurso: Nada a fazer! O espírito competitivo já se encontra de tal forma enraizado e inculcado desde crianças, que, seja em que circunstância for, o prazer da comunhão e da partilha é facilmente substituído pelo êxtase da vitória. Até na arte! Ora eu, que tento ser fiel aos meus princípios e aos ensinamentos que a passagem do tempo me tem proporcionado, mais uma vez percebi que não sirvo para formatar, nem para alimentar egos de (pseudo) artistas em formação. Mostras, tertúlias, saraus, récitas, comemorações e concertos onde a arte não seja um meio, mas sim um fim – podem contar comigo. Porque nem sempre quem chega em primeiro lugar desfruta melhor o caminho! . 104


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OPINIÃO

Lula e Bruno Paulo Bernardo (Empresário)

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or estranho que pareça, e apesar de serem pessoas com caminhos nada cruzados, hoje encontraram-se nas notícias em Portugal. Luiz Inácio Lula da Silva é aquele tipo de pessoa que tem um carisma enorme que conquista os seus ouvintes como uma estrela do mundo artístico e um génio nessa arte. Bruno de Carvalho gostaria de ter o carisma de Lula, mas até conseguiu manter esse estranho carisma junto dos adeptos do seu clube e até conseguiu simpatia por parte dos adeptos de futebol em Portugal. Pessoalmente, admirei Lula pelo trabalho que fez no Brasil e pela forma como isso era comunicado, tinha a minha simpatia. Bruno de Carvalho nunca teve a minha simpatia, mas até entendia a sua forma de estar no mundo estranho do futebol. Hoje, ambos chegaram ao fim da linha. Lula não teve a coragem que tantos dizem que ele tem e não cumpriu uma ordem de um sistema judicial que ele até há pouco tempo governou. Cada vez se afunda mais, ali não é uma questão de resistência, é de cobardia. Bruno de Carvalho não podia ter colocado a culpa na sua equipa por ter perdido em Madrid, não podia suspender os jogadores que ele não teve coragem de enfrentar. Especialmente Rui Patrício, sem menosprezar os outros, não se faz isto a quem tanto deu ao Clube. Ambos cobardes de formas diferente: um não enfrentou a justiça e o outro os seus jogadores. Ambos tiveram méritos, sim, um mudou algumas coisas no Brasil, outro mudou algumas coisas no Clube. Contudo, o que fizeram a seguir estragou todo o seu percurso.

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De Luiz Inácio Lula da Silva o que tenho a dizer é aquilo que sinto nas ruas do Brasil, que o povo não o quer, que o povo apenas quer a mudança, que o roubo foi grande, que a descrença nos políticos é enorme. Sinto-me revoltado pela forma com Lula acabou com um sonho, o sonho de que qualquer um podia ser presidente do Brasil. Bruno de Carvalho era o adepto que tinha chegado a Presidente, o homem que veio da claque e chegou ao topo da hierarquia do seu clube. Hoje, seja qual for o desfecho para ambos, chegaram ao fim da linha. A culpa não é dos outros, a culpa é deles próprios. Poderiam ter um futuro bonito e brilhante, um como líder histórico do Brasil e o outro como o homem que devolveu o lugar de destaque ao Sporting Clube de Portugal, mas ambos caíram da pior forma. Podemos sempre dizer que políticos corruptos no Brasil existem muitos e porquê o Lula. Podemos também dizer que líderes de clubes de futebol meio loucos existem muitos pelo mundo. Todavia, os erros dos outros não justificam os erros de Lula e Bruno, os exemplos deles devem servir para melhorar o Brasil e o futebol português. Que o Brasil se reponha rápido pois é demasiadamente importante para a economia e para política mundial, bem como o Sporting também tem que ultrapassar depressa esta crise, pois é importante para o futebol português ter um Sporting forte e tranquilo. Que amanhã o dia nasça com menos nuvens e que o povo brasileiro e o povo Sportinguista tenham a vida mais tranquila .

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O empoderamento dos imbecis Mirian Tavares (Professora) O cliente: Deus fez o mundo em seis dias, e você não é capaz de me fazer um par de calças em seis meses? O alfaiate: mas senhor, olhe para o mundo e veja suas calças. Samuel Beckett

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evo começar por confessar que não gosto da palavra «empoderamento», apesar de apoiar a ideia de pessoas que, por questão de género, etnia ou outras quaisquer, seja empoderada, ou seja, que tenham acesso a tudo a que todos nós devemos ter acesso: respeito, trabalho, dignidade, estudos, cultura, enfim, o que torna a nossa vida melhor. Dito isso, odeio a palavra. Principalmente porque se tornou uma palavra da moda, usada indiscriminadamente nos discursos que se querem mais de esquerda e politicamente corretos. Mas sinto que ultimamente tem-se dado, concedido, ou seja, o que quer que se faça com o tal termo, um imenso espaço aos imbecis, aos seus discursos de ódio ou de pura estultice. Li noutro dia uma notícia sobre uma senhora que interrompeu uma peça de teatro, aos berros, porque a atriz em palco falava de política. O que fazia parte da própria peça, que era, justamente, sobre política. A dita senhora queixava-se que não tinha pago bilhete para ouvir discurso político. E achou-se no direito, por ter pago bilhete, de interromper a peça a meio. Há tantos graus diferentes de imbecilidade nessa atitude que é difícil enumerar. Mas o que mais me chamou a atenção foi a falta de pudor, e o completo descaramento de alguém que se julga no direito de interromper uma peça a meio. Por que não saiu da sala? O preço do bilhete não paga a obra, até porque a arte é, ainda, um espaço de liberdade e de assombro. E quem não quiser ser confrontado com quaisquer coisas

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menos agradáveis, que fique em casa a assistir televisão e a mudar os canais, conforme o seu gosto. Por outro lado, e não vi a peça, mas percebi pelo enredo que os discursos políticos que compunham o texto eram discursos demasiado diretos e panfletários. Talvez porque se tenha assumido que os imbecis tomaram o poder e que são incapazes de perceber um texto do Beckett ou mesmo do Brecht, mais pedagógico, e precisem ouvir e ver as coisas sem subtextos, ou metáforas, pois já não são capazes de descodificar nada que não seja linear. Um dia estava a ver uma peça do Beckett, «Os dias felizes», com a grande atriz Fernanda Montenegro, numa encenação muito contemporânea em que ela, enterrada num monte de areia quase até ao pescoço, contracenava com o seu marido. Num dado momento uma senhora na plateia desatou a rir, histericamente. A atriz parou a peça, pediu que se acendessem as luzes e disse que aquilo não era uma comédia, e que quem queria ver telenovela, e não Beckett, devia ficar em casa. Houve uma onda de constrangimento, mas ao final tudo se recompôs. Não me parece que esta senhora, que riu, possa ser comparada com a outra, que berrou. Beckett, e sobretudo nesta peça, mexe demasiado com os nossos sentimentos, e o absurdo assalta-nos de formas diversas. O problema é que a arte, e o mundo, anda a fazer demasiadas concessões e os imbecis, que até eram algo tímidos, ou menos visíveis, tomaram, de forma clara e indiscutível, o poder .

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Férias escolares e angústias familiares Adília César (Escritora)

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ara muitas famílias, os períodos de férias escolares e encerramento das escolas poderão ser um constrangimento: ou porque o pai e a mãe estão a trabalhar e não têm com quem deixar os filhos; ou porque não estão a trabalhar e preferem deixar os filhos com outras pessoas; ou porque consideram que os filhos estão melhor na escola e em casa torna-se difícil atender a todas as suas necessidades. Não importa agora dar relevância à atitude de alguns pais e mães que têm dificuldade em passar vinte e quatro horas com os seus filhos, apesar de ser verdadeiro o amor que os une a todos. Independentemente da veracidade da ideia de que algumas crianças são, de facto, muito difíceis de aturar, não me compete neste contexto criticar as famílias angustiadas e expectantes do retorno das ditas criancinhas à escola. Poderia sugerir uma mão cheia de actividades interessantes para as crianças e as suas famílias fazerem e divertirem-se em conjunto, mas não o farei, porque não me compete e acredito que cada família, intuitivamente, encontrará a sua própria solução para este problema. Na verdade, por oposição mas em relação directa com este assunto, é sobre a escola que pretendo falar. Vejamos: ultrapassando o número de dias por ano e o número de horas por dia que as crianças passam na escola (dados alarmantes registados nos relatórios do Serviço Nacional de Estatística), verificamos que praticamente tudo o que diz respeito à vida dos menores está a cargo da instituição: atendimento permanente; educação e ensino; higiene e saúde; sinalização e referenciação de dificuldades, problemas e instabilidade social; encaminhamento para outras instituições e entidades, apoio às famílias; etc. E isto acontece até que a «criança» atinja os dezoito anos de idade. É legal? Sim. Todo este processo está amplamente legislado e protocolado. É exequível? Sim. Todas as condições humanas e materiais estão salvaguardadas e organizadas por forma a operacionalizar o atendimento. É importante para as crianças? Sim. Têm ao seu dispor instituições onde são investidos milhões de euros e colocados milhares de técnicos a trabalhar para o seu processo de ALGARVE INFORMATIVO #150

desenvolvimento e aprendizagem, em estreita convivência com os seus pares. É importante para as suas famílias? Sim. Os educandos permanecem grande parte da sua existência num local que lhes é destinado em exclusividade, caracterizado pela adequação educativa e securizante, através de vivências organizadas de acordo com regras que garantem ambientes com potencialidades pedagógicas, tranquilos e proporcionadores de condições de segurança, de acordo com um projecto educativo delineado para aquela comunidade. Então qual é o problema? O problema tem a ver com a forma como as famílias vêem a escola/instituição: os pais de pleno direito assumem-na como lugar potenciador do desenvolvimento e da aprendizagem dos seus filhos; ou então, apenas preconizam para a escola um papel de depósito da pequenada; deste modo, a família delega a sua missão de educação, submetendo-se e acomodando-se ao projeto pedagógico concebido, muitas vezes, à margem das necessidades reais da comunidade e do aluno. De facto, a família é também uma instituição e o maior tesouro que as crianças possuem. É (ou deveria ser) o espelho do amor, da compreensão, do crescimento, da aprendizagem, da segurança, do apego, da felicidade. A família, esse lugar de vivências significativas e de qualidade – emocionais, sentimentais, sociais e morais. Quando nasce um bebé, o pai e a mãe não mais deveriam deixar de zelar por ele, assim nos dizem a ética e a lei. Contudo, todos nós conhecemos inúmeros casos de negligência familiar, de todo o tipo, uns que acontecem de forma quase ingénua, na nossa vizinhança: “Hoje estou de folga, mas vou levar o meu filho ao jardim-de-infância e depois vou passar o dia com as minhas amigas no centro comercial.” E ainda outras ocorrências, bem mais graves, de desapego e negligência, do foro criminoso, conhecidas através das notícias nos meios de comunicação social: abandono, maus tratos, violência e crimes sobre os menores. O seu filho esteve de férias. Passou algum tempo com ele? .

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OPINIÃO

Criativos, aqueles que mudam o mundo Fábio Jesuíno (Empresário)

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er criativo é o mesmo que pensar diferente, é ser original. São os criadores de ideias que acham que podem mudar o mundo, são os que efetivamente o fazem. A criatividade faz a diferença como capacidade humana responsável por grandes mudanças e transformações. É a criatividade a grande responsável pela evolução da humanidade. Através da reflexão e do silêncio conseguimos encontrar os caminhos para a criatividade. Qualquer pessoa pode desenvolver esta qualidade e treiná-la, está ao alcance de todos este superpoder útil para as mais diversas situações. A criatividade pode ser estimulada através de um processo onde existem três ações que são colocadas em prática. A primeira é a atenção, que se refere ao momento em que o indivíduo vê uma oportunidade ou problema. A segunda é a fuga, onde a pessoa deixa de pensar na realidade presente e abre a mente. Por último, o movimento, onde o indivíduo explora a sua imaginação, gerando novas ideias e fazendo ligações inéditas. Outras das formas para estimular a criatividade é utilizando o brainstorming, uma técnica de grupo ou individual, na qual são realizados exercícios mentais com o objetivo de explorar potencial de ideias com um baixo risco de atitudes inibidoras. Conhecido também como

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«tempestade de ideias», foi popularizado pelo publicitário Alex Faickney Osborn. Este formato é implementado em três fases distintas, onde a primeira é aquela onde são geradas as ideias, a segunda tem com objetivo esclarecer os processos, e a terceira é a avaliação das ideias propostas. É importante mudar a forma como olhamos para as coisas, pois muitas vezes as nossas rotinas criam uma monotonia, inibindo assim a nossa imaginação. É importante imaginar abordagens contraditórias e, dessa forma, promover o pensamento do impossível, o inatingível, o inigualável, deixar a nossa caixa de pensamentos limitadora e pensar fora dela, explorando novos horizontes através de uma floresta preenchida por muitos obstáculos. Aqueles que atingem níveis de criatividade elevados conseguem criar ideias de grande impacto na sociedade, são eles que têm a capacidade de mudar o mundo. Sem medo de errarem e aceitando o risco de não serem compreendidos, estão à frente do seu tempo, são os verdadeiros criadores do futuro, sonhadores realistas de uma coragem inigualável. Chegou a era da criatividade .

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CÂMARA MUNICIPAL DE ALBUFEIRA DELEGA COMPETÊNCIAS NAS JUNTAS DE FREGUESIA

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s Acordos de Execução de Delegação de Competências da Câmara Municipal de Albufeira nas Juntas de Freguesia de Ferreiras, Guia e Paderne foram assinados, no dia 4 de abril, nos Paços do Concelho, pelo presidente da Câmara Municipal, José Carlos Rolo, e pelos presidentes das referidas autarquias, Jorge Carmo, Dinis Nascimento e Miguel Coelho, respetivamente. Em causa está a delegação de competências nas seguintes áreas de atuação: gestão e manutenção dos espaços verdes; limpeza das vias e espaços públicos, sarjetas e sumidouros; manutenção, reparação e substituição do mobiliário urbano instalado no espaço público (com exceção daquele que seja objeto de conceção); gestão e manutenção corrente de feiras e mercados; realização de pequenas reparações nos estabelecimentos de educação pré-escolar e do primeiro ciclo do ensino básico e manutenção dos respetivos espaços envolventes. Para que possam desempenhar o exercício das referidas competências com o máximo de eficácia e eficiência, as Juntas de Freguesia irão também receber um pacote financeiro associado: 133 mil e 325 euros (Ferreiras), 128 mil e 419 euros (Guia) e 118 mil e 806 ALGARVE INFORMATIVO #150

euros (Paderne), bem como os recursos humanos e materiais necessários. De acordo com José Carlos Rolo, os Acordos visam promover a coesão territorial do concelho, o reforço da solidariedade interautarquias, a melhoraria da qualidade dos serviços prestados às populações, a racionalização dos recursos disponíveis, a promoção da desconcentração administrativa, o reforço da proximidade com os munícipes e uma maior celeridade, economia e eficiência das decisões administrativas. Entretanto, ficou marcada para a próxima semana uma reunião com todos os intervenientes, destinada à clarificação e agilização de algumas das competências, com destaque para as questões que se prendem com as escolas, caminhos e desconcentração administrativa, que irão ser objeto de Adenda aos referidos Acordos, bem como de outras que se considerem importantes para o desenvolvimento das freguesias . 118


MORADORES DA QUINTA DO SOBRAL INAUGURARAM REQUALIFICAÇÃO DA ENTRADA DA URBANIZAÇÃO

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lguns dos moradores da Quinta do Sobral, em Castro Marim, reuniram-se, no dia 3 de abril, com o executivo da Câmara Municipal para inaugurar a requalificação e embelezamento da entrada da Urbanização, concluída no final de 2017. Com cerca de 200 habitantes, a Quinta do Sobral é hoje um dos principais polos habitacionais do concelho de Castro Marim e, no âmbito do plano de intervenção de manutenção e conservação do espaço público, foram realizadas outras

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intervenções, como a melhoria dos arruamentos da Urbanização, respondendo a uma já antiga necessidade dos residentes, que viram dificultada a circulação automóvel e pedonal por largos anos, ou a requalificação do espaço de deposição de resíduos. A requalificação da entrada passou pela limpeza e corte de ervas, plantação de nova vegetação, instalação de sistema de rega automática e reativação de um lago já existente .

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CBMR SCIENCE PLATFORM DEU-SE A CONHECER NO MERCADO DE INOVAÇÃO ABERTA EM SAÚDE

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CBMR – Centro de Investigação em Biomedicina da Universidade do Algarve participou, no dia 4 de abril, conjuntamente com o ABC – Algarve Biomedical Center, no Mercado de Inovação Aberta em Saúde – PORTUGAL 2018, que se realizou na cidade do Porto. A iniciativa, promovida pela Agência Portuguesa de Inovação, aconteceu no âmbito da Conferência de Inovação de Saúde Pública de Portugal - «Novas agendas de investigação e inovação para a Saúde do futuro», que reuniu cerca de 250 representantes dos setores da pesquisa e indústria da saúde, autoridades governamentais de Portugal e partes interessadas de outros Países europeus.

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O evento serviu ainda para que os participantes se encontrassem, bilateralmente, em reuniões de 30 minutos, com o intuito de identificar potenciais parceiros para projetos de investigação e desenvolvimento e transferência de tecnologia, explorar oportunidade de negócio e trocar boas práticas e conhecimentos sobre serviços de saúde inovadores, modelos e instrumentos de políticas e financiamento. No âmbito do evento, o CBMR deu ainda a conhecer a CBMR Science Platform, a sua mais recente plataforma tecnológica de comunicação de ciência na área da saúde.

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AUDITÓRIO MUNICIPAL DE LAGOA RECEBE NOME DO FADISTA CARLOS DO CARMO

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partir do dia 28 de abril, o Auditório Municipal de Lagoa passará a chamar-se Auditório Carlos do Carmo. O principal equipamento cultural do Município de Lagoa adotará assim a designação do nome maior da música e da cultura portuguesa, numa homenagem única e inédita a nível nacional, que terá lugar a 28 de abril, pelas 17h. Pelas 21h30, Camané, Cristina Banco, Marco Rodrigues e Paulo de Carvalho, entre outros nomes da música portuguesa, darão voz a um momento que revisitará canções imortalizadas na voz de Carlos do Carmo ao longo destes mais de 50 anos de carreira. “Dirigimos este pedido a Carlos do Carmo no dia 20 de janeiro, depois da sua atuação no Centro de Congressos do Arade, e a sua resposta foi imediata, o que nos deixou muito felizes”, referiu o presidente do município, Francisco Martins. O autarca apontou a visão estratégica de Lagoa na área cultural, realçando que este é um trabalho que “visa reconhecer, mostrar e valorizar o património material e imaterial, dando primordial importância à educação e formação de públicos”. O percurso de Carlos do Carmo dentro e fora do país e a forma como o seu trabalho se relaciona com a identidade do povo português foram alguns dos motivos que levaram a autarquia a escolher o seu nome. Desde o seu primeiro registo discográfico «Fado Loucura», em 1963, a sua voz foi registada em mais de 80 discos individuais, coparticipações e coletâneas.

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Foi distinguido, em 1997, com o grau de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique pelo presidente Jorge Sampaio e, em 2006, com a Ordem de Mérito pelo atual presidente, Marcelo Rebelo de Sousa. Em 1998 ganhou um Globo de Ouro de Excelência e Mérito e, em 2002, o Globo de Melhor Disco do Ano, atribuído pela SIC, com o seu trabalho «Nove fados e uma canção de amor». Em 2008, depois de participar no filme «Fados», do realizador espanhol Carlos Saura, viu o seu «Fado da Saudade» ser distinguido com o Prémio Goya. O município de Lisboa atribuiu-lhe em duas ocasiões a Medalha de Mérito da cidade, a última logo após vencer o Grammy Latino de Carreira, que lhe foi entregue em Las Vegas, distinção inédita para um artista português .

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«TERRAS DO INFANTE» DISTINGUIU MELHORES ALUNOS DOS CURSOS DE APRENDIZAGEM DO IEFP

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conteceu, no dia 2 de abril, no Auditório do edifício dos Paços do Concelho Século XXI, em Lagos, a Cerimónia de Entrega de Prémios aos melhores alunos do ensino secundário dos Cursos de Aprendizagem do IEFP (Instituto do Emprego e Formação Profissional), cabendo a cada um a atribuição de um diploma e de um cheque no valor de 500 euros. Distinguir os melhores alunos, premiar publicamente o seu mérito e incentivá-los a prosseguir os estudos noutros níveis, bem como motivar os restantes colegas a seguir o seu exemplo de trabalho e dedicação, são os principais objetivos desta iniciativa da Associação «Terras do

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Infante» que terá um caráter anual. Os alunos premiados, do ano letivo 2016/2017, foram: Soraia Daniela Almeida Ribeiro do Curso de Rececionista de Hotel; e Hélder João Elias Pereira, do Curso de Técnico de vendas A mesa de honra foi composta pela Presidente do Município de Lagos, Maria Joaquina Matos, na qualidade de Presidente do Conselho Diretivo da Associação de Municípios das Terras do Infante, composta pelos Municípios de Lagos, Aljezur e Vila do Bispo; pela Vice-Presidente da Câmara Municipal de Aljezur, Maria de Fátima Silva, e pela Delegada Regional do Algarve do Instituto de Emprego e Formação Profissional, Madalena Feu . 122


MAR SHOPPING ALGARVE VENCEU PRÉMIO NACIONAL DO IMOBILIÁRIO

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MAR Shopping Algarve foi o grande vencedor do Prémio Nacional do Imobiliário 2018, na categoria «Comércio», em cerimónia que aconteceu, no dia 3 de abril, em Cascais. Para o Diretor-Geral Herman Gewert, trata-se do reconhecimento de um projeto que nasceu para oferecer ao Algarve e a Portugal “um complexo diferenciador que, além de garantir uma oferta comercial alargada, com a loja IKEA e a estreia de lojas com dimensões e formatos inovadores no país e na região, oferece uma dinâmica de lazer única que convida os nossos visitantes a passarem momentos nunca antes vividos num centro comercial”.

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Resultante de um investimento global de 200 milhões de euros do Grupo IKEA, o MAR Shopping Algarve é o maior e mais inovador centro comercial da região, integrado com uma loja IKEA e o Designer Outlet Algarve. Apresentando um espaço moderno que incorpora as mais sofisticadas soluções digitais, uma decoração inspirada em elementos típicos da região e uma área de lazer ao ar livre, a primeira a ser integrada num centro comercial do país, o MAR Shopping Algarve assenta na sustentabilidade energética e ambiental e integra algumas das mais inovadoras soluções digitais desenvolvidas para superfícies comerciais .

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PRESIDENTES DAS ASSEMBLEIAS MUNICIPAIS DO ALGARVE REUNIRAM-SE EM LOULÉ

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o dia 29 de março reuniram-se em Loulé os Presidentes das Assembleias Municipais do Algarve, ou seus representantes, dos Municípios de Albufeira, Castro Marim, Lagoa, Lagos, Loulé, Monchique, Portimão, S. Brás de Alportel, Silves, Tavira, Vila do Bispo e Vila Real de Sto. António, com o intuito de analisarem um conjunto de opções políticas e de organização, no âmbito das suas competências como órgãos deliberativos dos respetivos Municípios. A esta primeira reunião seguir-se-ão outras com carácter rotativo por todos os municípios, estando já agendada nova reunião no princípio de maio em Albufeira.

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O aumento das competências das Autarquias Locais, no âmbito do anunciado processo de descentralização, vem reforçar a responsabilidade e o papel fiscalizador das Assembleias Municipais, devendo estas ser dotadas dos meios e de todos os instrumentos previstos na Lei, que permitam desempenhar com autonomia e eficácia as suas funções. Todos os representantes das Assembleias acordaram numa metodologia de troca de experiências visando o aumento da intervenção destes órgãos, nos termos da Constituição e demais legislação aplicável, não só a nível de cada Município, mas também no quadro da Assembleia Intermunicipal da AMAL .

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PORTIMÃO RECEBE ELITE MUNDIAL DA GINÁSTICA RÍTMICA EM MAIO

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ortimão será, em maio, a capital internacional da Ginástica Rítmica, ao voltar a receber uma etapa do circuito mundial de Taças do Mundo de Ginástica Rítmica, numa organização da Federação de Ginástica de Portugal, da Câmara Municipal de Portimão e da Associação de Turismo de Portimão. A competição terá lugar entre os dias 11 e 13 de maio, no Pavilhão Arena de Portimão. Na edição de 2018 da Taça do Mundo de Ginástica Rítmica de Portimão – Jogos Santa Casa, são esperados mais de três centenas de participantes, em representação de 34 países. Estarão em competição 56 ginastas individuais e 14 conjuntos, num total de 140 ginastas. Os números ainda são provisórios, mas deixam antever um forte crescimento face à edição anterior, que contou com a participação de 42 ginastas provenientes de 12 países. 2017 que foi o ano do regresso da etapa portuguesa da Taça do Mundo de Ginástica Rítmica a Portimão, após um interregno de vários anos. Aquela que já foi apelidada da melhor Taça do Mundo do circuito, pela excelente organização, logística e infraestruturas, volta, assim, a lutar pela conquista do seu antigo estatuto. Num ano que será marcado por uma forte participação e pela presença da elite mundial da disciplina, destacam-se desde já as maiores delegações em competição, designadamente a Rússia, Bielorrússia, Azerbaijão e Uzebaquistão, mas só em meados de abril serão confirmados os 125

nomes das ginastas que irão competir em Portimão. Como habitualmente, o Torneio Internacional de Portimão de Ginástica Rítmica antecede a realização da Taça do Mundo, oferecendo uma oportunidade para as ginastas mais jovens competirem na mesma arena que a elite da ginástica rítmica mundial. A prova mais antiga do calendário nacional de competições realizase entre 4 e 6 de maio e receberá, este ano, 45 ginastas juniores e 11 seniores, com destaque para a presença de países como a Itália e a Rússia . ALGARVE INFORMATIVO #150


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OLHÃO CADA VEZ MAIS NA ROTA DO CINEMA

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22 - Um gato, um chinês e o meu pai» é um road movie/comédia dramática sobre George, uma jovem residente em Sevilha que acaba por fazer uma viagem emocionante a Portugal com o objetivo de enterrar as cinzas do seu gato junto da avó. Com o amigo Hao, aventura-se pelo Algarve fora numa jornada que atravessa o passado de George. A história passa por várias localidades algarvias, entre elas Olhão e o seu cais de embarque, e é uma coprodução entre a Ukbar Filmes e a Tarkemoto, apoiada pelo Instituto do Cinema e do Audiovisual e pelo Ministério da Cultura, sendo protagonizada pela popular atriz espanhola Maria León. A cidade de Olhão está a ser cada vez mais procurada para servir de cenário de filmes e novelas e, em 2017, Nuno Lopes foi um dos atores que por ali passou ALGARVE INFORMATIVO #150

durante a rodagem de «No Mar». O realizador olhanense André Badalo também já filmou várias vezes no concelho e ainda na semana passada a Ilha da Armona recebeu novas filmagens da novela Paixão (SIC), projeto apoiado pelo Município de Olhão. Longas e curtas-metragens, novelas ou reportagens que mostram o melhor deste destino turístico são uma constante numa cidade que se dá cada vez mais a conhecer ao Mundo. “Temos trabalhado nesse sentido e o investimento feito está a surtir efeito. Olhão está cada vez mais na rota das produções cinematográficas e televisivas, mas também das revistas e jornais de referência”, salienta o autarca olhanense António Miguel Pina, para quem “é importante deixar que nos descubram sem perder as características que nos tornam únicos” . 126


PALESTRA DÁ A CONHECER A HISTÓRIA DO MOSTEIRO DAS BERNARDAS DE TAVIRA

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o âmbito do programa «Passeios na História de Tavira» e das celebrações do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios e do Ano Europeu do Património Cultural 2018 decorre, no dia 14 de abril, pelas 10h30, na Ermida de São Sebastião, a palestra «O Mosteiro das Bernardas de Tavira: História e Património», por Andreia Lopes Fidalgo, Historiadora da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade do Algarve. O Mosteiro das Bernardas foi fundado, em 1509, pelo rei D. Manuel I em ação de graças pelo levantamento do cerco de Arzila, no qual o auxílio prestado pelos tavirenses havia sido fundamental. Tratase de um modelo arquitetónico digno de atenção a vários níveis, designadamente pela história que envolve a sua edificação

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e existência, pela arquitetura quinhentista que o carateriza, pelo portal manuelino (um dos mais antigos exemplares de arte manuelina no Algarve) e por ter sido, também, a maior casa religiosa feminina da região e a única da Ordem de Cister. Andreia Fidalgo é licenciada em Património Cultural e Mestre em História do Algarve, pela Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade do Algarve. Atualmente, é doutoranda e bolseira do Doutoramento FCT do Programa Interuniversitário de Doutoramento em História (PIUDHist), no qual se encontra a desenvolver uma tese sobre «O Plano de Restauração do Reino do Algarve: reformismo económico entre 1773 e 1820». É Assistente Convidada na Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade do Algarve .

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