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ALGARVE INFORMATIVO #149

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ALGARVE INFORMATIVO 24 de março, 2018

CRAQUES DO DOWNHILL EM SÃO BRÁS FESTIVAL DE ARTES ENCANTOU ALBUFEIRA | INOVA ALGARVE 2020 ADFECTUS NA TOMÁS CABREIRA| OCTÁVIO DE MATOS FEZINFORMATIVO RIR LAGOA 1 ALGARVE #149


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CONTEÚDOS #149 24 DE MARÇO, 2018 56

ARTIGOS

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10 - Rede AZUL 16 - Inova Algarve 2020 26 - Taça de Portugal de Downhill em São Brás 42 - Festival de Artes de Albufeira 56 - Quem é o Jeremias? 64 - Adfectus 90 - Atualidade

OPINIÃO

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76 - Paulo Cunha 78 - José Graça 80 - Mirian Tavares 82 - Adília César 84 - Nelson Dias 86 - Antónia Correia

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REPORTAGEM

Dália Paulo e João Frade

FORMAÇÃO, UM SEMINÁRIO SOBRE «PERIFERIAS» E O ESPETÁCULO «MODA VESTRA» SÃO AS APOSTAS DA REDE AZUL PARA 2018 Texto:

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Fotografia:

AZUL – Rede de Teatros do Algarve apresentou, no dia 16 de março, na Galeria Municipal de São Brás de Alportel, o seu plano de atividades para 2018, denotando-se, de imediato, uma forte aposta na formação,

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mas também mudanças no que concerne ao apoio à criação. Recordese que a Rede surgiu, em 2016, como uma estrutura cultural informal que visa o estímulo e facilitação da criação, circulação e promoção da oferta cultural de qualidade existente no 10


Algarve ao nível das artes performativas e das suas derivações e diálogos. É igualmente intenção da AZUL fomentar uma desejável e útil articulação entre os vários equipamentos culturais da região algarvia, nomeadamente no que diz respeito às suas estratégias, metodologias e práticas de programação em determinadas áreas e segmentos, contribuindo, deste modo, para a formação, consolidação e circulação de públicos na região para as áreas musical, teatral, performativa e coreográfica.

Teatro das Figuras pela equipa que está afeta a esse equipamento cultural, já durante os meses de abril, maio e junho, estando aberta aos técnicos da rede, mas também a outras pessoas que estejam interessadas nas vertentes da luz, som e imagem”, adiantou Gil Silva, Diretor do Teatro das Figuras, acrescentando que a comunicação e marketing, a programação e a produção serão igualmente abordadas nestas sessões de formação.

A formação é, de facto, um dos pilares da AZUL, rede que esteve um pouco mais «adormecida» em 2017 mas que surge este ano com uma maior dinâmica e algumas novidades. “Pretendemos fazer formações para capacitar os nossos técnicos, para que estes possam desempenhar melhor as suas funções. A primeira ação será desenvolvida no

O apoio à criação e circulação é outro dos pilares da Rede e pretende-se reforçar financeiramente esta vertente, dirigida às estruturas culturais do Algarve no intuito de criar novos objetos artísticos a serem apresentados, ao longo de 2018, nos diferentes espaços que integram a AZUL. “Em 2016 foi feita uma Open

Gil Silva 11

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DÁLIA PAULO: “NÃO É A PARTIR DAS PERIFERIAS QUE SE TEM ARRISCADO E PROMOVIDO A MUDANÇA? NÃO É NAS PERIFERIAS QUE SE ERRA PARA SE CONSEGUIR AVANÇAR? AS PERIFERIAS HOJE DÃO-NOS UMA COISA QUE AS GRANDES CIDADES NÃO DÃO: TEMPO PARA REFLETIR E CRIAR”. Call, ou seja, convidamos as estruturas da região a concorrer e a experiência foi boa. Este ano optamos por fazer uma encomenda direta a um coletivo de artistas composto pelo João Frade, Gijoe (Rafael Correia) e Ana Perfeito, acompanhados pelos músicos Paulo Machado, João Guerreiro e Emanuel Marçal, para que criassem um espetáculo para circular na rede, mas que possa igualmente ser visto a nível nacional e internacional. O objetivo é que o Algarve seja, de alguma forma, representado nesta criação”, revelou Gil Silva. “A encomenda deverá estar pronta para ir a palco durante o último trimestre do ano, estendendo-

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se as suas apresentações ao primeiro trimestre de 2019”. Antes de prosseguir com a apresentação do plano de atividades para o corrente ano da AZUL, Dália Paulo recordou o falecido Joaquim Guerreiro, um dos precursores da Rede de Teatros do Algarve. Dos que já não se encontram entre nós, a Diretora Municipal da Câmara de Loulé passou para os que ainda estão por chegar, para as novas gerações, falando da importância do serviço educativo. “Não é uma área fácil, pois implica refletir muito no que queremos apresentar de arte aos mais novos, do melhor que se faz na região, e não só. São espetáculos que, de facto, trazem pouco retorno financeiro para os equipamentos culturais, o que às vezes condiciona as opções de quem os tutela. No entanto, se criarmos sinergias e trabalharmos em conjunto a educação pela arte, tudo fica mais fácil. Por isso, a programação em rede da AZUL, em 2018, vai-se centrar exclusivamente no campo do serviço educativo”, indicou. Dália Paulo lembrou, porém, que os serviços educativos não trabalham meramente com crianças, mas sim com todo o tipo de público, incluindo os portadores de algum tipo de deficiência ou em situação social mais fragilizada. “Isto é deixar sementes para o futuro e pensamos melhor em conjunto do que sozinhos”, salientou, antes de virar as atenções para um seminário sobre «Periferias» a ter lugar, provavelmente, em novembro de 2018. “Não é a partir das periferias que se tem arriscado 12


Gil Silva, Vítor Guerreiro, Dália Paulo e João Frade

e promovido a mudança? Não é nas periferias que se erra para se conseguir avançar? As periferias hoje dão-nos uma coisa que as grandes cidades não dão: tempo para refletir e criar”, defendeu a antiga Diretora Regional de Cultura do Algarve e exComissária do programa «365 Algarve». Ao abordar as periferias geográficas nas artes, o intuito da Rede AZUL é refletir e debater o afastamento geográfico das regiões em relação ao poder central e como isso condiciona toda uma política cultural das regiões e do país. “Mas, quando falamos em arte, não devemos pensar apenas na questão demográfica, em massa crítica. É na questão da criação que nós mais precisamos da ajuda dos autarcas, nomeadamente no apoio ao surgimento de comunidades criativas, 13

porque elas não são apenas cultura, mas sim desenvolvimento regional, economia, emprego qualificado e ao longo de todo o ano”, salientou Dália Paulo. “O desafio é sairmos daqui todos inquietos para agirmos de modo diferente ao que temos feito até agora e conseguirmos colocar a cultura e as artes na agenda de política do Algarve”, enfatizou. Sobre o espetáculo a ser criado pela AZUL em 2018, deseja-se que seja uma nova e questionadora abordagem à música tradicional algarvia, assente na reinvenção e experimentação aos níveis musical e visual, dirigindo-se, assim, a um público generalista, mas não descurando segmentos de público mais minoritários. “Será um projeto multidisciplinar chamado «Moda Vestra», uma convergência que ALGARVE INFORMATIVO #149


Vitor Guerreiro, presidente da Câmara Municipal de São Brás de Alportel

derivará de vários confrontos criativos. E, conforme foi referido, é importante que nos seja permitido errar e, com isso, chegar a algum lado, a um espetáculo mais interessante”, destacou o conhecido acordeonista e produtor musical João Frade, que será um dos Diretores Artísticos do projeto. Na ocasião, Vítor Guerreiro, presidente da Câmara Municipal de São Brás de Alportel, destacou a importância da Rede AZUL para a partilha da programação das iniciativas culturais algarvias, mas também do conhecimento e da formação de técnicos especializados. “O Algarve é um destino turístico de excelência e temos que continuar a criar incentivos para que seja apetecível 365 dias por ano. Foi com muito agrado que abraçamos este projeto desde a primeira hora, porque é uma forma de ALGARVE INFORMATIVO #149

conseguir maximizar o que se faz na região, aproveitando os recursos que estão disponíveis”, referiu o edil. “O Município de São Brás está cá para que esta parceria dê frutos e também para lançar sementes para o futuro”, reforçou Vítor Guerreiro. A Rede AZUL é, presentemente, formada pelo Auditório Municipal de Albufeira, Auditório Municipal de Lagoa, Auditório Municipal de Olhão, Casa do Sal (Castro Marim), Centro Cultural António Aleixo (Vila Real de Santo António), Centro Cultural de Lagos, Cine-Teatro António Pinheiro (Tavira), Cine-Teatro Louletano, CineTeatro São Brás de Alportel, Teatro das Figuras (Faro), Teatro Mascarenhas Gregório (Silves) e TEMPO – Teatro Municipal de Portimão .

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REPORTAGEM

Jorge Botelho, presidente da Câmara Municipal de Tavira, Ana Mendes Godinho, Secretária de Estado do Turismo, Vítor Neto, presidente do NERA, Miguel Freitas, Secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural, e Vítor Aleixo, presidente da Câmara Municipal de Loulé

NERA E AMAL PROMOVERAM DEBATE SOBRE INOVAÇÃO NO ALGARVE Texto:

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Fotografia:

NERA – Associação Empresarial da Região do Algarve e a AMAL – Comunidade Intermunicipal do Algarve levaram a cabo, nos dias 15 e 16 de março, a Conferência «Inova Algarve 2020», dedicada às tendências e oportunidades da inovação

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empresarial em Portugal e na Europa. Participaram na iniciativa os Secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural, Miguel Freitas, do Turismo, Ana Mendes Godinho, e das Pescas, José Apolinário, para além de especialistas de renome nacional ligados a instituições 16


relacionadas com os setores da RIS3 ALGARVE (Turismo, Agroalimentar, Mar, TIC e Indústrias Criativas e Culturais, Energias Renováveis e Saúde, Bem-Estar e Ciências da Vida), bem como vários empresários que apresentaram e debateram a sua visão para a inovação regional. Foram dois dias de intenso debate para os quais contribuíram igualmente o Presidente da AMAL, Jorge Botelho, o Presidente da Câmara Municipal de Loulé, Vítor Aleixo, o Reitor da Universidade do Algarve, Paulo Águas, o Presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve, Francisco Serra e o representante da Comissão Europeia, João Faria. Mas foram mais as instituições regionais que não faltaram ao «Inova Algarve 2020», casos da Delegação Regional do Instituto do Emprego e Formação Profissional, da Direção Regional de Agricultura e Pescas do Algarve, da Região de Turismo do Algarve, do Centro de Apoio Empresarial do Sul – Algarve do IAPMEI e do CRIA – Divisão de Empreendedorismo e Transferência de Tecnologia da Universidade do Algarve. No âmbito desta iniciativa foram ainda apresentados o Barómetro para a Inovação no Algarve, o Estudo do Potencial de Inovação das Empresas do Algarve e o Roadmap Tecnológico nos Setores Estratégicos da RIS3 Algarve, alguns dos produtos do Projeto Inova Algarve 2020. A conferência contou com mais de 300 participantes, entre empresários, empreendedores, professores, investigadores e representantes de instituições regionais, comprovando as palavras de Vítor Neto sobre a 17

MIGUEL FREITAS: “SE OLHARMOS PARA O PANORAMA DO ALGARVE E PERCEBERMOS O QUE FORAM OS INSTRUMENTOS DISPONIBILIZADOS AO LONGO DOS ÚLTIMOS ANOS PARA FAZERMOS INOVAÇÃO, VERIFICAMOS QUE APENAS O MAR DESENVOLVEU ALGUMA ARTICULAÇÃO PARA CRIAR UM A NÍVEL REGIONAL”.

importância deste projeto conjunto do NERA e AMAL. “Os empresários precisam ter consciência que a economia europeia e mundial estão a sofrer transformações muito profundas e seria um grave erro ignorarmos essa realidade e pensarmos que a situação acabará por se estabilizar. A inovação não é fundamental apenas para as grandes empresas, ou para aquelas que ainda estão por nascer, mas sim para todos nós”, avisou o presidente do NERA e antigo Secretário de Estado do Turismo. “Não podemos olhar para o lado e pensar que a inovação é uma simples moda passageira. Temos que assumir esse desafio com seriedade e cabe a cada um de ALGARVE INFORMATIVO #149


Ana Mendes Godinho, Secretária de Estado do Turismo, e Vítor Neto, presidente do NERA

nós, empresários, com a nossa inteligência e conhecimentos, descobrir de que forma podemos inovar para produzir em melhores condições e com maior qualidade, para corrigir as nossas estratégias, alterar os nossos procedimentos, para que sejamos mais competitivos”, prosseguiu Vítor Neto. O dirigente enfatizou ainda o perigo de se «inventarem» soluções abstratas que sirvam a todos, uma vez que cada empresa é um caso diferente, com uma dimensão e recursos específicos. “Devemos ter coragem e inteligência para enfrentar esta realidade, caso contrário, teremos bastante dificuldade em manter a nossa atividade”, salientou Vítor Neto, antes de passar a palavra a Jorge Botelho, presidente da Câmara Municipal de Tavira e da AMAL. “Os fatores de competitividade da região interessam, como é natural, aos autarcas e ALGARVE INFORMATIVO #149

estamos todos interessados em que o Algarve vingue, que consigamos ter economia e emprego todo o ano, em todos os setores e com uma forte componente de inovação. A única forma de termos uma região sustentável é que as nossas empresas sejam competitivas e ganhem mercado”, defendeu o edil tavirense. Jorge Botelho lembrou a existência de um Plano Intermunicipal de Alinhamento Estratégico Regional 1420, onde já era entendida como uma prioridade a diversificação da base económica do Algarve, assim como uma utilização rigorosa dos poucos recursos comunitários disponíveis. “Queríamos fidelizar parcerias e ter, nos municípios, competências técnicas adequadas para ajudar as empresas e para que novas atividades aparecessem. Nesse sentido foi criada a Rede Investe 18


Algarve, para a implementação de um sistema de respostas adequadas às necessidades dos empreendedores e empresários da região”, recordou, acrescentando que, desde então, têm sido realizadas sessões técnicas regulares, coordenadas pela AMAL, NERA, Universidade do Algarve e ANJE – Associação Nacional de Jovens Empresários, para se partilharem experiências e conhecimentos. “Esta conferência é um exemplo do trabalho de articulação que temos vindo a desenvolver nos últimos anos no âmbito desta rede e que se tem materializado em projetos concretos e em parcerias dinâmicas”, enalteceu. No âmbito deste projeto foi igualmente efetuado pela AMAL um estudo estratégico sobre a evolução futura das tecnologias emergentes em dois domínios de especialização da RIS3,

designadamente o mar e o setor agroalimentar, de modo a promover a incorporação de fatores de diferenciação nas empresas que as conduzam a um aumento da competitividade no mercado nacional e internacional. “A AMAL também promoveu a recolha constante de informação de base, científica e tecnológica, identificando oportunidades e tendências de mercado, e desenvolveu estudos de mercados com o intuito de promover o crescimento sustentado das PME do Algarve”, adiantou Jorge Botelho, estudos esses que foram apresentados no segundo dia da conferência «Inova Algarve 2020». “Estamos também a dar um contributo, em conjunto com o NERA e a CCDR, para a revitalização das áreas empresariais do Algarve, para o reforço da capacitação e da

Jorge Botelho, presidente da Câmara Municipal de Tavira e da AMAL 19

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promoção das PME ali instaladas com base num modelo inovador de gestão e marketing. Mas o nosso trabalho passa igualmente por territórios mais sensíveis como os de Baixa Densidade, em parceria com as associações de desenvolvimento local, a Associação Terras do Baixo Guadiana, a Vicentina, a Sudoeste e a In Loco”, salientou o presidente da AMAL.

A conferência «Inova Algarve 2020» decorreu no Parque Empresarial de Loulé, o que constituiu um motivo acrescido de satisfação para Vítor Aleixo, presidente da Câmara Municipal de Loulé, que lembrou que a inovação, apesar de estar muito em voga, não é um conceito propriamente novo. “Os empresários sempre foram

inovadores, sempre apontaram ao futuro, sempre viram na inovação o fator mais importante da competitividade do seu negócio. Os Municípios também não ficam fora desta corrente, deste novo cluster económico que está agarrado ao conceito da inovação, e temos inovado nas nossas experiências de gestão autárquica”, manifestou o edil louletano, dando os exemplos concretos do programa «Loulé Criativo» e do primeiro smart resort de Portugal – Vale do Lobo – onde a tecnologia está a ser aplicada à gestão desse território com ganhos de eficiência e de qualidade bastante positivos. Quem também falou de inovação na sessão de abertura da conferência foi Miguel Freitas, Secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural. “Uma parte importante do

Vítor Aleixo, presidente da Câmara Municipal de Loulé ALGARVE INFORMATIVO #149

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Vítor Neto e Miguel Freitas, Secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural

nosso território está em risco de desertificação acelerada e é preciso perceber esta questão quando trabalhamos em matéria de inovação. Por outro lado, temos um território onde as paisagens alimentares se degradaram, ou seja, se tornaram incaracterísticas do que era típico do Algarve”, frisou o representante do governo, reconhecendo que a economia algarvia é de pequena escala e pouco diversificada. “Mas é com esta matriz empresarial que devemos trabalhar, com as suas fragilidades, mas também com o seu enorme potencial. Em simultâneo, temos fileiras agroalimentares e agroflorestais que são pouco permeáveis à inovação. Se olharmos para o panorama do Algarve e percebermos o que foram os 21

instrumentos disponibilizados ao longo dos últimos anos para fazermos inovação, verificamos que apenas o Mar desenvolveu alguma articulação para criar um cluster a nível regional”, apontou ainda Miguel Freitas. Laboratórios Colaborativos e Centros de Competências foram alguns dos instrumentos dinamizados pelo Governo para estes fins, assim como Grupos Operacionais criados pelo Ministério da Agricultura, e pouco disso se vê no Algarve, para pena do Secretário de Estado. “É necessário passarmos desta visão de parceria para uma visão de plataforma, isto é, a ideia de construirmos uma relação sólida entre as instituições. ALGARVE INFORMATIVO #149


Normalmente o que se faz é criar parcerias difusas em que fazemos projetos com princípio, meio e fim. No entanto, é imperativo construir plataformas sólidas de relações institucionais que não dependem de um projeto em concreto, mas sim de uma visão de futuro”, apelou Miguel Freitas, que não concorda também com o conflito permanente no uso dos recursos. “Uma economia colaborativa em mercados de proximidade é essencial para o Algarve, que tem um grande mercado de consumo que deve ser aproveitado em tudo aquilo que fazemos. Mas é preciso também que haja uma economia contratual entre o Estado e as empresas para dar solidez, previsibilidade e estabilidade nas relações entre o trabalho que se desenvolve neste domínio da inovação”. Explorar a economia circular no que toca às atividades agroalimentar e agroflorestal é outra ideia defendida de

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Miguel Freitas, contudo, para que tudo isto seja uma realidade, há que criar sistemas locais de inovação. “Como é que nós juntamos, com objetivos muito concretos, empresas, instituições, organizações, para resolver o défice que temos em matéria de inovação? É preciso trabalhar a inovação institucional, a inovação organizacional e a inovação tecnológica e dos produtos”, respondeu o Secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural, indicando que a Dieta Mediterrânica é a ideia-chave para se evoluir nas paisagens alimentares. “E é no Algarve que temos as condições, físicas e sociais, para desenvolver o Observatório de Luta contra a Desertificação, uma estrutura prevista pelas Nações Unidas. Temos um longo caminho a percorrer e só com inovação é que esse trajeto terá futuro”, finalizou Miguel Freitas .

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REPORTAGEM

SÃO BRÁS DE ALPORTEL VIBROU COM AS EMOÇÕES FORTES DO

DOWNHILL Texto:

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pista do Arimbo, no concelho de São Brás de Alportel, em plena Serra do Caldeirão, foi palco, de 16 a 18 de março, da 2.ª Etapa da Taça de Portugal de Downhill de 2018. A mais importante competição da modalidade apresentou um percurso que colocou à prova a perícia dos participantes, em mais uma excelente organização da Federação Portuguesa de Ciclismo e da Associação Xdream Blásius, que contou com o apoio do Município de São Brás de Alportel. Durante três dias, São Brás de Alportel foi a capital do desporto de aventura, com cerca de 250 atletas de 12 nacionalidades a não faltarem a uma prova que é reconhecida entre os aficionados do downhill pelo cenário e pelas condições oferecidas pelo território sãobrasense, próximo do mar e de portas abertas à Serra do Caldeirão. O português

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Vasco Bica (Mirada Factory) e a britânica Lucy Drees (Orange Bikes) foram os grandes vencedores da categoria de elite, numa descida vertiginosa que até foi percorrida mais rapidamente pelo espanhol Ángel Suarez, que chegou ao Algarve no topo da geral da Taça. O atleta do país vizinho completou a corrida sãobrasense com menos 240 milésimos de segundo do que Vasco Bica, contudo, viria a ser desclassificado por não ter cumprido o percurso correto. Deste modo, a vitória foi atribuída a Vasco Bica, que completou a prova em 2’30’’594, menos 3,174 segundos do que Emanuel Pombo (Ciclo Madeira Clube Desportivo) e menos 3,927 do que Francisco Pardal. A britânica Lucy Drees foi a melhor feminina na corrida do dia 18 de março, cumprindo a descida final em 3’15’’058, depois de também ter sido a mais rápida na manga de qualificação. A portuguesa Margarida Bandeira (Adar Ofimoto) foi a segunda ALGARVE INFORMATIVO #149

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classificada, a 5,419 segundos, com o terceiro lugar a caber à andorrana Blanca Aracil (2a Racing), que ficou a 7,263 segundos da vencedora. Tiago Ladeira (Miranda Factory) deu-se bem com a forte concorrência estrangeira e foi o mais veloz entre os juniores, com 2’37’’090. O segundo classificado, a 1,011 segundos, foi Jaime García (Bike Motril/Granda Cd), logo seguido, a 1,718 segundos, de Morgan Tyrrell (Intense Racing UK Saddleback). Quem prossegue na senda vitoriosa é Gonçalo Bandeira (Miranda Factory) na categoria de cadetes, tendo triunfado em São Brás de Alportel com 2’40’’165. Nos veteranos ganharam Brett Wheller (MS Racing Portugal/Estrela da Amadora), em master 30, José Sousa (Casa do Povo de Abrunheira), master 40, e José Salgueiro, master 50. A Miranda Factory liderou em termos coletivos, mantendo-se no topo da geral por equipas da Taça de Portugal de Downhill . ALGARVE INFORMATIVO #149

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REPORTAGEM

JOÃO CAMPOS PALMA E FUETE VENCERAM XVI FESTIVAL DE ARTES DE ALBUFEIRA Texto:

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Fotografia:

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FUETE - Academia de Danรงa de Albufeira

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Escola de Dança Arabesque

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acordeonista João Campos Palma e a FUETE – Academia de Dança de Albufeira foram os grandes vencedores da 16.ª edição do Festival de Artes Infantil e Juvenil de Albufeira, cuja grande final decorreu, no dia 17 de março, no Auditório Municipal de Albufeira. Depois de duas entusiasmantes meias-finais, que tiveram lugar nos dias 3 e 10 do corrente mês, foram 20 os finalistas que pisaram o palco numa tarde chuvosa e ventosa de Inverno, o que não impediu que a sala estivesse completamente esgotada com familiares e amigos dos participantes. Na vertente dos mais pequeninos (6 aos 11 anos) chegaram ao momento de todas as decisões a Oficina da Dança «Estúdio T», (Olhão), Catarina Freitas (Lagoa), Escola de Dança «Arabesque» (Quarteira), Gabriela de Pina (Albufeira), FUETE – Academia de Dança de Albufeira (Albufeira), Duo M&M (Olhão), Eurídice Coelho (Olhão), Margarida Espanhol (Olhão), Tiago Conceição (Loulé) e Lara Leal e Leonor Santos (Lagoa). Já na vertente juvenil (12 aos 17 anos), foram a votos Marco António Henriques (Albufeira), Natasha Fernandes (Olhão), Grupo de Dança «ARUTLA» (Altura), João Campos Palma (Loulé), Duo Black & White (Albufeira), FUETE – Academia de Dança de Albufeira (Albufeira), Inês Leite (Portimão), Luís Miguel Mira (Lagoa), Flores Musicae Grupo de Solistas (Albufeira) e Associação Soul (Albufeira).

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Duo M&M

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Eurídice Coelho

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Terminada a prestação de todos os concorrentes, num espetáculo de elevadíssima qualidade como poucas vezes foi vista no Auditório Municipal de Albufeira, José Carlos Rolo, presidente da Câmara Municipal de Albufeira, deu os parabéns a todos os jovens, professores, treinadores e pais que estiveram na origem deste excelente evento cultural e artístico. “Era bom que houvesse 10 primeiros prémios para as duas categorias, assim ficavam todos satisfeitos, no entanto, também é bom termos consciência de que nem todos podem vencer. Mas aqui não há perdedores, pois todos ganharam imenso com o trabalho realizado pelos professores e pelas associações culturais em que estão inseridos”, afirmou o edil albufeirense. José Carlos Rolo enalteceu o trajeto deste festival de artes infantil e juvenil que já leva 16 anos de existência, porque “a juventude é um dos pilares fundamentais do nosso apoio à sociedade e comunidade”, e assegurou que o evento é para continuar. “E é fundamental que os familiares acompanhem os seus jovens nestes projetos artísticos, para que eles se sintam mais apoiados e não se deixem enveredar por caminhos menos bons”, salientou ainda o antigo professor. “Foi uma enorme satisfação ver toda esta alegria em palco, que contrastou com o dia chuvoso que estava lá for, porque significa que eles

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Lara Leal e Leonor Santos

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Oficina de Dança Estúdio T

Margarida Espanhol

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Catarina Freitas

realmente gostam do que estavam a fazer”. Contados os votos, a FUETE arrecadou o primeiro lugar na categoria infantil, com a dupla de bailarinas Lara Leal e Leonor Santos, de Lagoa, e a pianista Margarida Espanhol, de Olhão, a ficarem em 2.º e 3.º lugares, respetivamente. Já na vertente juvenil, o triunfo coube ao acordeonista João Campos Palma, de Loulé, com a segunda posição a ser entregue ao Duo Black & White de Albufeira. A terceira posição do pódio foi preenchida, ex-aequo, pelo também acordeonista Luís Miguel Mira, de Lagoa, e pela pianista portimonense Inês Leite. Para o vencedor de cada categoria estava reservado um prémio monetário de 500 euros, com os 2.º e 3.º lugares a receberem, respetivamente, 300 e 200 euros cada.

Natacha Fernandes

A difícil decisão coube ao júri constituído por Helena Carmo, Professora de Música e membro do Grupo de Música Tradicional Portuguesa Entretenga; Nielsen Jorge, Professora de Dança e Diretora Artística da Dancenema; Tigganie Millenka, Bailarina e Coreógrafa; Daniel Pina, Jornalista, Diretor e Editor da Revista Algarve Informativo; e Daniela Tomaz, Arquiteta, Música e Gestora Cultural . ALGARVE INFORMATIVO #149

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Gabriela de Pina

Tiago Conceição

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Flores Musicae Grupo de Solistas

FUETE - Academia de Danรงa de Albufeira

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Joรฃo Campos Palma

Grupo de Danรงa Arutla

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Duo Black & White

Marco António

Associação SOUL

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o Henriques

Inês Leite

Luís Miguel Mira

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HUMORFEST TROUXE OCTÁVIO DE MATOS & COMPANHIA A LAGOA Texto:

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Auditório Municipal de Lagoa acolhe, até dia 31 de março, mais uma edição do Humorfest – Festival de Humor de Lagoa, organizado pela autarquia local. A «Cidade Educadora» recebe os novos trabalhos de stand-up comedy de Nilton e António Raminhos, mas também as peças «Quem é o Jeremias?», «Os 39 Degraus» e «Rabo de Saia», que têm arrancado imensas gargalhadas às largas centenas de pessoas que assistem aos espetáculos. Na noite de 17 de março foi a vez de Octávio de Matos, ator com mais de 60 anos de carreira e um nome incontornável do teatro de revista e da comédia portuguesa, pisar o palco com «Quem é o Jeremias?», que também inclui no elenco Álvaro Faria e Paula Marcelo nas personagens principais, a que se soma a participação de Joaquim Guerreiro e Diogo Xavier. Com texto original de Tomé Lisboa, encenação de Isabel Damatta, e Direção Artística do próprio Octávio Matos, a peça retrata diversas situações inusitadas, cheias de confusões e equívocos, em torno de Vavá e Bé, um casal a atravessar uma crise conjugal, mas também financeira. A situação complica-se com a chegada do amigo de infância de Vavá, o Gega (Octávio de Matos) e do tal Jeremias, que ninguém sabe muito bem quem é. Como se este enredo já não fosse suficiente para gerar muitas risadas na plateia, eis que surgem os irmãos motards Quim e Carlos, primos de Bé, que não caem nas boas graças de Vavá e Gega. E quando pensávamos que o mistério que dá nome à peça tinha sido decifrado, bate à porta o Jeremias… .

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ADFECTUS Texto:

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auditório da Escola Secundária Tomás Cabreira, em Faro, recebeu, no dia 23 de março, o espetáculo «Adfectus», no qual os alunos do 3.º ano do Curso Profissional de Intérprete de Dança Contemporânea exibiram os seus dotes no âmbito da especificidade da área artística em que se integram. Em palco estiveram oito alunos para apresentar as suas coreografias dentro da temática «Mitos, Contos e Lendas», conforme explicou a professora Ana Filipa Antunes. “Inicialmente pensamos em abordar as emoções que definiam os «Sete Anões», depois, libertamo-nos dessas personagens do imaginário infantil e começamos a explorar os sentimentos em si. Cada um ficou com um sentimento e construiu o seu projeto, de modo que o espetáculo é uma passagem por diferentes emoções”, revelou a coreógrafa, que também contribuiu com duas danças. «Adfectus» é, por assim dizer, o trabalho final da disciplina de Técnicas de Dança, um género de preparação para a Prova de Aptidão Profissional (PAP) que virá lá mais para a frente. “O espetáculo é constituído por várias coreografias, com um elemento de

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ligação – cadeiras – em que os alunos são cocriadores. É um trabalho de final do módulo de laboratório que reflete tudo o que aprenderam nos módulos anteriores, o fenómeno da 66


criação coreográfica através do aprofundamento dos conhecimentos teóricos e práticos que têm recebido ao longo do tempo”, sublinhou Ana Filipa Antunes. 67

O laboratório é, então, uma preparação para as PAP’s que os alunos terão no encerrar no ano letivo, de acordo com os projetos individuais que ALGARVE INFORMATIVO #149


elaboraram e que foram submetidos à aprovação de um júri, que depois fará a sua avaliação. “Combinam tudo o que aprenderam nos três anos de curso e podem explorar o tema que quiserem, sabendo, de antemão, que depois o têm que defender perante esse júri”, apontou ainda a professora de Técnicas de Dança, depois das luzes se desligarem e dos jovens terem regressado aos camarins após mais uma prova superada com grande mérito. Antes, porém, de «Adfectus», houve oportunidade para assistir à turma do 1.º ano do Curso Profissional de Intérprete de Dança Contemporânea em cima do palco, com os alunos a apresentarem «(A)penas», sob direção da professora Sara Martins. “A cocriação foi feita no âmbito da disciplina de Técnicas de Dança e fala sobre mudanças e descobertas, do tempo, da idade, do clima, do corpo, dos estados, das relações, dos olhares, do que se sente, do que se é, do que se toca, do que se canta, tudo, de uma vez só”, explicou a docente . ALGARVE INFORMATIVO #149

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Sexualmente educados Paulo Cunha (Professor)

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m maio de 2010, o psiquiatra Daniel Sampaio escrevia: “A Educação Sexual em meio escolar é uma oportunidade para a Educação. Permite trabalhar, com os alunos, vetores fundamentais para o seu percurso como pessoas: o respeito pelo outro; a igualdade de direitos entre homens e mulheres; a recusa de todas as formas de violência, sobretudo a rejeição da violência no campo da sexualidade; a importância da comunicação e envolvimento afetivos; a promoção da saúde física e mental. Possibilita, também, informar com credibilidade e aumentar o conhecimento. Ao mesmo tempo, permite discutir sentimentos e atitudes, bem como elevar as capacidades individuais e de grupo para tomar decisões responsáveis. A Educação Sexual é, igualmente, um excelente campo para que os alunos, apoiados nos seus pais e professores, possam aumentar a sua capacidade para compreender as próprias emoções, o que é crucial para a sua sexualidade e para todas as outras dimensões da vida.” Terminava a sua nota introdutória (que ainda se mantém «on line» na página da Direção Geral de Saúde) com uma nota de esperança: “Manifesto a minha convicção de que os serviços dos Ministérios da Educação e Saúde, em estreita articulação, vão desenvolver a Educação Sexual em meio escolar.” Quase dez anos volvidos e com várias «crises» de permeio, pouco ou nada se fez - na prática - para que tal processo de intenções se tornasse uma realidade no sistema educativo. Em julho de 2009, foi aprovada na Assembleia da República a Lei n.º 60/2009 que estabeleceu o regime da educação sexual em meio escolar, e que constitui o instrumento legislativo mais claro nesta matéria, definindo os objetivos da educação sexual na escola e o seu enquadramento curricular e organizacional. Reafirmando a natureza obrigatória da educação sexual, a lei prevê que cada criança e jovem tenha um mínimo de horas de educação sexual em cada ano de escolaridade – seis horas nos 1.º e 2.º ciclos e 12 horas no 3.º ciclo e ensino secundário. Com a extinção, em 2012, das áreas curriculares não disciplinares – Área de Projeto e Estudo Acompanhado e a falta de oferta de formação contínua específica, assiste-se hoje a um «faz de conta» na educação sexual dos nossos jovens. Na semana passada, escutando atentamente algumas colegas professoras que, tímida e envergonhadamente,

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falavam sobre sexo, dei-me conta que estão descontextualizadas e desatualizadas face à forma como as relações sexuais são, hoje, vividas por quem as pratica por prazer e com regularidade. Para completar a análise que aqui faço, socorro-mo de alguns relatos que os alunos me fazem da sua educação sexual: na escola, quando é dada, é vocacionada para os conteúdos das Ciências Naturais/Biologia e pouco mais. Em casa, a maioria dos alunos tem vergonha de falar sobre o assunto com os seus progenitores (principalmente o pai), e estes, não sendo questionados, abstêm-se também de falar sobre a temática. Acabam assim por educarem-se sexualmente através dos amigos e da pornografia que, atrativa e alegremente, pulula pela internet. Vivendo a maioria do meu dia em contexto escolar, a toda a hora me confronto, verbalmente, com o desvirtuar do que deveria ser uma relação harmoniosa e respeitosa entre sexos. Segundo Sigmund Freud, existem três instintos de vida para a sobrevivência das espécies: a fome, a sede e o sexo. O sexo deve ser aceite como algo natural, como parte do ser humano. Não deve ser julgado, nem condenado. Deve ser (bem) ensinado e aprendido! É um facto público que há muito tempo que os professores se queixam de falta de formação no âmbito da Educação Sexual. De resto, num estudo de caso (2015) da implementação da Educação Sexual no Algarve, cujo artigo científico foi publicado em 2015 na Revista Portuguesa de Educação, essa situação emergiu com clareza. Inquiridos sobre a sua experiência com a Educação Sexual, os responsáveis queixavam-se do pouco apoio do Ministério da Educação, da falta de formação e de experiência e, aliás, evidenciavam algum pouco àvontade com a matéria da Educação Sexual face aos constrangimentos sentidos. Sendo um tema delicado, a boa preparação de um professor pode fazer a diferença para melhor – por exemplo, acabando com o receio dos alunos fazerem perguntas e de exporem as suas dúvidas. Respeitando a vontade de quem não a quer fazer, importa proporcionar meios para uma adequada formação dos professores. Se os professores não estão à-vontade com o tema da Educação Sexual e sentem que lhes falta formação para o abordar com os seus alunos, tal poderá constituir um problema. Assim sendo, a sua resolução deverá ser uma prioridade. A sociedade agradece! .

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OPINIÃO

Desligar ou não? José Graça

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á dois meses abordámos neste espaço o dinamismo imparável e a capacidade de influência das redes sociais e esta semana fomos confrontados com a utilização abusiva de força maciça dos nossos dados pessoais, que havíamos confiado ao Facebook, em diversos atos eleitorais… Sendo assumido e público que a empresa não tem todas as soluções para resolver as notícias falsas (fake news), a manipulação política ou o discurso de ódio, ficámos agora a saber que permite o desenvolvimento e a utilização de aplicações informáticas que retiram os dados pessoais dos utilizadores, dispondo-se a vendê-los a quem mais der por eles, independentemente do destino dos mesmos, permitindo que determinados públicos sejam alvo de campanhas partidárias, condicionados na sua capacidade de decisão e influenciados a tomar determinadas opções políticas. E, sabendo-se há muito da utilização comercial dos dados pessoais dos utilizadores em benefício dos seus clientes empresariais, estas fragilidades adicionais colocam seriamente em causa a confiança que os gigantes da internet merecem de cada cidadão. Aliás, não foi por acaso que muitos dos principais fazedores de opinião mundiais, a começar pelo denominado «pai da Internet» pronunciaramse pela saída da rede, tornando viral a etiqueta #deletefacebook, causando perdas em bolsa de montantes ainda indeterminados… Este escândalo tem a vantagem de obrigar-nos a repensar a nossa forma de estar na rede, consciencializando-nos para os riscos inerentes a uma participação descuidada e para a necessidade de tomarmos precauções, particularmente em relação às crianças e aos adolescentes, optando por condutas mais pedagógicas e formação mais intensiva. Lá fora, como sublinha o eurodeputado socialista Carlos Zorrinho, há uma “sociedade que evolui mais depressa do que as nossas qualificações”! ALGARVE INFORMATIVO #149

No dia 25 de maio, entra em vigor o Regulamento Geral de Proteção de Dados (#RGDP), tendo o Conselho de Ministros aprovada esta semana a proposta de lei que assegura a execução, na ordem jurídica nacional, do Regulamento (UE) 2016/679, relativo à proteção das pessoas singulares no que diz respeito ao tratamento de dados pessoais e à livre circulação desses dados, através da qual se aprova a legislação nacional necessária à execução do RGPD, revogando a Lei de Proteção de Dados Pessoais e adotando as soluções que o Estado Português considera mais adequadas para a proteção dos direitos dos titulares de dados pessoais no contexto da competitividade das empresas portuguesas no quadro da União Europeia. Paralelamente foi aprovada uma resolução que define orientações técnicas para a Administração Pública em matéria de arquitetura de segurança das redes e sistemas de informação relativos a dados pessoais, indo de encontro ao novo regime de proteção de dados que reforça a proteção jurídica dos direitos dos titulares dos dados, exigindo novas regras e procedimentos do ponto de vista tecnológico, sendo definidos requisitos técnicos, obrigatórios ou recomendados, para as redes e sistemas de informação da administração direta ou indireta do Estado. Sendo certo que apenas com legislação não será possível resolver todos estes problemas, parece-nos que a capacitação dos utilizadores será o caminho a tomar, embora tenhamos que indagar se estamos preparados para perder alguma privacidade em troco de mais e melhor segurança. Porque, no limite, é a sobrevivência da Democracia como a conhecemos que está em causa! . (Membro do Secretariado Regional do PS-Algarve e deputado da Assembleia Intermunicipal do Algarve)

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OPINIÃO

A cegueira das imagens Mirian Tavares (Professora)

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as o papel está aqui!”, exclamei ao ver que todos à volta fotografavam um esquema que tinha sido desenhado no final da reunião. Não conseguia perceber porque tirar fotos a um papel que estava diante de nós, e que amanhã lá estaria, sobre a mesma mesa, à nossa espera. Creio que a maior parte de nós já nem pensa, fotografa, regista, manda para a nuvem. Estamos a viver um período de cegueira extrema no meio de tanta imagem, parece que os nossos olhos, e sentidos, já não são suficientes, ou confiáveis, e aquilo que não registamos deixa de existir. Mesmo que a maior parte das coisas registadas nunca mais seja revista ou visitada por nós. Mas há qualquer coisa de seguro em saber que possuímos a imagem daquilo que vemos. De seguro ou de egoísta. Deixamos de ver para obter, guardar, acumular. Somos acumuladores de imagens, somos como aquelas pessoas que vemos nos programas duvidosos, de canais ainda mais duvidosos, que enchem as casas de objetos e de caixas e de caixas com objetos e papéis, e de papéis em caixas, em pilhas infindáveis. A nossa doença é menos detetável porque as nossas pilhas infindáveis de registos não são visíveis a olho nu. Mas estão lá e são quotidianamente alimentadas. Quando vamos aos museus, ou lugares históricos, já não olhamos nada. Fotografamos tudo e deixamos que a câmara veja por nós. Lembro-me de uma vez, há muitos anos, antes dos telemóveis com câmaras, fui com uma amiga visitar uma exposição do Edward Munch no Museu de Arte Moderna de São Paulo. Ela tinha pouco tempo e, em vez de ver as obras, fotografou tudo e disse: vejo depois, quando chegar a casa. E eu a pensar: mas por que não vês agora, que tens os originais diante de ti? Cada dia que passa aparecem mais gadgets para tornar mais interativas, e supostamente interessantes, as obras expostas nos museus. As pessoas já não querem ver a obra, mas uma imagem

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em realidade aumentada, ou com som, ou animada ou virtual. Penso nas voltas que o filósofo Walter Benjamin deve dar no túmulo, coitado, que falava desta nova era da reprodutibilidade técnica sem imaginar o que viria a seguir, na era da reprodutibilidade digital. Não tenho nada contra a fotografia em si nem contra o gesto de fotografar, porque queremos guardar a memória daquilo que vimos, ou queremos partilhar com os outros a nossa visão das coisas. Seria cínico da minha parte apontar o dedo desta maneira tendo eu uma conta no Instagram. Mas a verdade é que a cada dia fotografo menos. E a cada dia incomoda-me mais a omnipresença dos objetos que captam imagens em concertos, em monumentos, diante de obras de arte, diante de um papel que estaria ali, à nossa espera, no dia a seguir. Recentemente estive em Roma e, sem dar por isso, andando de forma errante, seguindo uma colega italiana que nos indicava percursos, deparei-me com o «Êxtase de Santa Teresa», obra magna do barroco. Obra sobre a qual falei tantas vezes com os meus alunos e que nunca tinha visto ao vivo. Quase chorei diante da beleza da escultura, solitária no seu nicho, numa igreja àquela hora silenciosa, sem turistas e sem fotógrafos. Não tive coragem de fazer uma foto. Não conseguiria, com a minha inépcia, captar a beleza daquele instante. E há já tão boas reproduções da escultura que a minha contribuição não seria minimamente significativa. E guardei a imagem em mim, sem mediação entre o que vi e o que senti. Guardei a imagem sem registo palpável. Porque creio que há demasiadas imagens. E que nós quase não as vemos. E de tanto ver imagens, estamos a ficar cegos e não vemos o mundo e as coisas do mundo. E como disse Saramago, “é preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na Primavera o que se vira no Verão, ver de dia o que se viu de noite, com Sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava” . 80


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Marielle e o mundo em nós Adília César (Escritora) O mundo também para Andersen Pedro, o anónimo motorista de Marielle que nos deixou.

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scapar, fugir, alhear-me, atenuar a minha consciência de tragicidade e perder-me em sensibilidade. Contemplo o passado em que a vida foi vivida no fio da navalha e recordo o toque como uma ideia de patologia; o desconhecido, essa doença que contamina. Penso sobre os meus medos e sinto-os, tão redondos e quentes como o cérebro e o coração. Moles e nojentos, banhados de sangue. Os medos. Mas acolho as pequenas tragicomédias sensíveis para as poder sentir. Associo-as com as anteriores tragicomédias e assim sucessivamente. Arrumo-as nos armários das horas. O mundo é um lugar estranho, caótico e catastrófico, que não controlo: tempestades, incêndios, terramotos, erupções vulcânicas, guerras, epidemias, crimes, precipícios psicológicos. Estou viva e sou real. A carne e o espírito dão-me um lugar no mundo, toco e sou tocada, penso e respondo conscientemente ao que tenho de enfrentar. Suporto as vicissitudes, assimilo-as, reconheço-as, encontro afinidades e esperança. O meu pensamento é sentimento pelo que me rodeia. Compaixão pelo sofrimento alheio e percepção da minha dor. Uma espécie de felicidade na aceitação do que me é dado. Mas passou um século e morri. E eis que nasci outra vez. Na minha frente, os écrans acesos. Olho a essência do mundo onde o invisível deixa de ser inerente ao visível. As imagens do mundo confundem-se com a sua essência, os acontecimentos habitam lugares intocáveis. Não os sinto, não os penso. São fatalmente estranhos e radicalmente exteriores. Não me afectam, não me provocam. São realidades de outra natureza. E o sofrimento já não é sofrimento, porque a imagem da tragédia não é a essência da tragédia. E de imagem em imagem, o que é real deixa de fazer sentido e conduz a um dramático alheamento da realidade. A utilização das tecnologias que medeiam e por vezes substituem a interacção com o mundo organizam o nosso sentir, de forma a tornar esse mundo estranho. A soberania visual e distante supera o poder lascado da proximidade do toque dos outros. Aqui, a contemplação é levada ao extremo através das tecnologias da imagem e legitima a nossa falta de acção perante os mesmos

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eventos trágicos de outrora: antes, víamos, tocávamos e sentíamos a desgraça in loco; agora, só vemos as notícias da tragédia no écran. Estamos, de facto, conectados com tantas outras pessoas, mas mais solitários do que nunca, a distanciarmo-nos do mundo, e já não há um sentido íntimo para o pensar ético. Estamos ali em frente ao écran, vemos não com o corpo e a totalidade dos sentidos, mas apenas com a visão. A vida a acontecer é uma sucessão virtual de imagens que se desenrolam a um ritmo vertiginoso, onde olhamos tudo e todos, expostos sem qualquer pudor. Estamos a ver, sabemos que existe e que aconteceu, devidamente distanciados através da mediação do écran e não nos perturba: as imagens da dor são o nosso conforto e a nossa salvação. Ora, se a intimidade é associação com os acontecimentos e com os outros, corremos, então, o risco de nos dissociarmos da realidade real ao religarmonos constantemente à realidade virtual. A visão associada à cultura virtual afastou-se da corporeidade, distanciou-se de outros sentidos e faculdades humanas. A imagem é uma experiência visual, não íntima, que não ilumina, não afecta, não toca, não ameaça, não deseja, não faz sentir intimamente. Marielle foi assassinada no dia 14 de março juntamente com Andersen Pedro, o seu motorista. As primeiras notícias e imagens difundidas pelos meios de comunicação chocaram o mundo. Dias depois, já tinham sido replicadas milhares de notícias e de imagens, manifestações artísticas com cartoons, cartazes, e lamentos poéticos alusivos à tragédia: esta é a forma actual/virtual que as pessoas encontraram para carpir a mágoa alheia e lentamente esquecer. E assim, de imagem em imagem espelhada nos écrans, habituamonos à ideia da morte de Marielle e de Andersen, na medida em que a repetição visual vai apaziguando o choque inicial. Hoje, sentir é estar ligado ao écran (conectado) e participar é interagir virtualmente. O aparelho tecnológico é a extensão do braço e substitui o toque dos dedos. Hoje, vivemos uma cultura imagocêntrica e é urgente desligar os instrumentos virtuais para nos ligarmos à nossa humanidade, mesmo que seja dolorosa. Sentir o mundo em nós .

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OPINIÃO

50 segundos para salvar vidas Nelson Dias (Consultor)

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México está localizado no interior da região conhecida como anel de fogo do Pacífico, onde se concentra cerca de 80 a 90 por cento da atividade sísmica do planeta. É um território com mais de quarenta mil quilómetros, que se estende ao longo das costas das Américas do Sul, Central e do Norte, passando pelo Alasca, seguindo depois para sul em direção ao Japão e Nova Zelândia. A elevada carga sismológica verificada no México, e que tem sido notícia regular nos últimos tempos, deve-se principalmente à interação entre as placas da América do Norte, Pacífico, Cocos, Rivera e Caribe, criando um contexto particularmente muito instável, devido à sua intensa atividade. Segundo os serviços de geologia mexicanos, verifica-se pelo menos um terramoto de magnitude igual ou superior a 7,5 na escala de Richter a cada 10 anos. O número de ocorrências aumenta à medida que diminui a intensidade das mesmas, chegando a registar-se uma média de cem episódios anuais para os que se situam na escala igual ou inferior a 4,5. Os terramotos mais destrutivos da história da Cidade do México atingiram uma magnitude de 8,1 e 7,6 em setembro de 1985. No ano transato, a capital do país voltou a ser assolada por abalos de magnitude 8,2 e 7,1, provocando elevados danos materiais. Com o objetivo de mitigar os impactos destes fenómenos naturais, foi constituído o Centro de Instrumentação e Registo Sísmico (CIRES), gerido por uma associação cívica, com o apoio do Governo do Distrito Federal. O referido centro

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instalou mais de três dezenas de estações nas zonas de maior intensidade, sobretudo situadas na costa do Pacífico, que funcionam como sensores, que detetam movimentos nas placas tectónicas, emitindo de imediato um «alerta sísmico», assim designado, nos casos em que os terramotos possuem uma magnitude igual ou superior a 6 na escala de Richter. Sempre que um episódio com estas caraterísticas ocorre, as ondas sísmicas superficiais, consideradas as mais destrutivas, viajam a uma velocidade de 3.5 a 4.0 km por segundo, percorrendo os 300 quilómetros que separam a costa do Pacífico da Cidade do México em cerca de 75 a 85 segundos. O alerta emitido pelas autoridades, assente em ondas de rádio, percorre o mesmo trajeto de uma forma mais rápida, chegando à capital do país cerca de 50 segundos antes dos abalos. Nesse momento é difundido em estações de rádio, televisões, aplicações móveis e em mais de 10 mil autofalantes espalhados pelas ruas da capital, emitindo uma portentosa mensagem de voz, capaz de ser escutada a centenas de metros, dando a indicação à população de que deve procurar uma zona segura. Cinquenta segundos é o tempo que os cerca de nove milhões de habitantes da capital e os mais de 21 milhões da área metropolitana têm para adotar as ações preventivas antes que as ondas telúricas cheguem à cidade. Em instantes, milhões de pessoas deixam suas casas, locais de trabalho, escolas, restaurantes, lojas, etc. à procura de um espaço público, sempre que possível afastado de edifícios. Encontrado o local, fica-se de pé à

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espera que a terra comece a tremer, sem nunca se saber qual será a dimensão do abalo, quais os estragos que vai causar e sem ter a oportunidade de contactar, neste curtíssimo período, os familiares mais próximos ou amigos que se encontram em outras zonas da cidade para saber como se encontram. O único objetivo é conseguir sobreviver. Sempre que passo pela Cidade do México não posso deixar de pensar neste sistema. O local onde costumo trabalhar está situado na Avenida Insurgentes, que possui uma extensão aproximada de 30 quilómetros, mais precisamente no 24.º piso da Torre Mural. O protocolo de segurança nestes casos é distinto, pois torna-se impossível e por isso desaconselhável evacuar milhares de pessoas de um edifício assim em 50 segundos. Emitido o alerta, os ocupantes desta Torre devem dirigir-se à zona central do andar onde se encontram, nomeadamente junto aos acessos dos elevadores, esperando nesse local que o impacto chegue e o abalo se faça sentir. Terminado o efeito do terramoto, a evacuação do edifício faz-se

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piso a piso e sempre com recurso às escadas de emergência. As imagens que procurei retratar nesta crónica ajudam certamente a ter uma ideia do contexto e permitem imaginar um pouco o sobressalto que significa viver com o coração na boca sempre que um fenómeno como este acontece. Este sistema de alerta sísmico é uma lição de um país que 1985 sofreu um fortíssimo terramoto, que devastou parte da capital, tirou a vida a mais de 12 mil pessoas, deixou feridas mais 40 mil, entre outras que nunca chegaram a ser localizadas. Por essa ocasião, mais de 60 mil casas e edifícios foram danificados. O tremor fez-se sentir às 7:19, de 19 de setembro daquele ano, quando muitos dormiam, frequentavam escolas ou deslocavam-se para seus empregos. Hoje existem pelo menos três gerações de mexicanos que cresceram ouvindo a frase “não corro, não grito, não empurro”, as regras básicas para evacuar os espaços onde se encontram quando a terra teima em tremer .

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OPINIÃO

Os chineses nas feiras e nos Shopping Centers Antónia Correia (Professora)

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ma das principais motivações turísticas dos chineses são as compras de luxo. A necessidade de obter reconhecimento social, a ostentação e o status social e o prazer de demonstrar o seu poder de compra, justificam a prevalência do turismo de compras entre os chineses. Este artigo que se suporta num estudo cientifico, esclarece a natureza eminentemente social deste movimento turístico que já está a chegar a Portugal. O local de compra e o tipo de produtos adquiridos determinam o nível de luxo associado. Este mercado absorve adultos jovens, com um nível de escolaridade superior, com um excelente poder de compra. Adictos de turismo de compras, estes turistas visitam o mesmo destino três ou mais vezes por ano. Culturalmente materialistas declaram: “A ostentação de marcas de luxo faz-me sentir mais atraente e respeitado pelos meus pares”. “Comprar durante as férias, produtos de luxo, é um símbolo de sucesso e prestígio” O prazer de comprar em destinos turísticos pode, no entanto, ser refreado se os outros chineses não reconhecerem esses espaços como hubs de luxo. Esta constatação é evidente quando

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declaram que “ eu quero comprar neste destino porque os meus conhecidos compram aqui”, sugerindo que o povo chinês atribui grande importância à conformidade social e que um destino, para se afirmar como de luxo, precisa de atrair todo o segmento de mercado. A sua natureza materialista exige um volume de compras ostensivo, em quantidade e em valor, no entanto, entre os segmentos menos abastados, a necessidade de ostentar vários sacos justifica a compra em mercados/feiras. Nestes mercados regateiam-se preços, apenas pelo prazer de conhecer melhor os locais. Estes são também o local ideal para ter mais por menos, aqui compram relógios e malas em pechincha ou não autênticas. Nas lojas compram as mais recentes tendências do pronto-a-vestir de alto luxo. Em qualquer dos espaços ficam satisfeitos com a experiência e voltam, se lhes for oferecido autenticidade, um serviço personalizado e, sobretudo, se conseguirem comunicar com o lojista ou com o feirante. Atendendo ao número de chineses que se antecipa, está na altura do Algarve adaptar a sua oferta comercial a este mercado e aprender mandarim .

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ATUALIDADE

ALBUFEIRA ACOLHEU CONGRESSO NACIONAL DA ASSOCIAÇÃO DE DIRETORES DE HOTEL

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lbufeira foi palco do XIV Congresso Nacional da Associação dos Diretores de Hotel de Portugal, nos dias 15 e 16 de março. O evento trouxe ao concelho profissionais ligados ao setor turístico, bem como diversas entidades com responsabilidade nesta matéria, casos da secretária de Estado do Turismo, Ana Mendes Godinho, que salientou que “o Turismo é atualmente o principal setor exportador português, representando 18 por cento das exportações e 12,5 por cento do PIB”. “Temos que pensar a médio e a longo prazo, trabalhar para o futuro, porque existe uma necessidade fortíssima de recursos humanos na área do Turismo. Há que perceber como é que trazemos e convencemos os jovens de que

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o Turismo é, de facto, uma profissão que os valoriza e em que vale a pena acreditar. É preciso garantir que o mercado de trabalho que vos vai absorver tem condições para vos reter, para vos qualificar e para reconhecer o vosso valor”, manifestou a governante aos muitos alunos presentes no congresso. A secretária de Estado assumiu que há “muitíssimo a fazer”, especialmente para “manter esta trajetória que o Turismo tem tido e garantir que é cada vez mais uma atividade sustentável ao longo de todo o ano”. Ana Mendes Godinho revelou ainda que 67 por cento das novas dormidas que aconteceram em Portugal em 2017 foram na época baixa; que as dormidas no

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Algarve fora da época alta cresceram 23 por cento nos últimos 10 anos; e que entraram 65 mil novos trabalhadores no Turismo nos últimos dois anos. “Os Recursos Humanos são o principal problema que temos que responder a médio e longo prazo. Estamos a fazer um forte investimento nas Escolas de Turismo, uma requalificação não só física das escolas, mas também ao nível curricular. Vamos lançar a obra da nova Escola de Portimão ainda este semestre, crucial face a esta evolução da procura de recursos humanos no Algarve. Estamos também a rever o sistema de classificação dos empreendimentos turísticos, introduzindo um capítulo dedicado aos Recursos Humanos, que não existe, valorizando através de um sistema de pontuação a designação e qualificação dos RH por cada empreendimento turístico”. O Congresso abordou diversas temáticas ligadas à atividade turística, com destaque para a «Melhor Gestão do Potencial Humano», «Inovação no Turismo», «Regulamento Geral de Proteção de Dados: ameaça ou oportunidade», «Devemos seguir ou liderar? Como estabelecer os preços num mercado competitivo», «A Economia, o Turismo, o Futuro» ou «As saídas profissionais do Gestor Hoteleiro». “É importante virem pessoas de fora, ao nosso concelho, discutir os problemas e as boas práticas do setor turístico, um setor muito importante para nós, já que Albufeira é um marco no Turismo em Portugal. É um concelho que tem cerca de 40 mil residentes permanentes, mas que podemos contabilizar perto de 80 mil pessoas diariamente e que, em agosto, atinge as 400 mil pessoas”, destacou, por 91

sua vez, José Carlos Rolo, presidente da Câmara Municipal de Albufeira. O autarca recordou ainda que Albufeira representa 37 por cento do total regional de estabelecimentos hoteleiros, 16 por cento do total nacional da capacidade de alojamento, e que concentra 44 por cento das dormidas do total do Algarve. José Carlos Rolo apontou alguns problemas relacionados com o setor, como a falta de água, em que se torna necessário explorar outras soluções, que poderão passar pela dessalinização. “Outra questão prende-se com a falta de profissionais para trabalhar no Algarve, que deriva em grande parte da falta de habitações para essas pessoas poderem morar. As diversas entidades como a AMAL e a Região de Turismo têm que intervir nestas questões, porque não podemos estar apenas a promover o destino turístico em Portugal e no Estrangeiro e depois não termos as condições necessárias e suficientes para recebermos essas pessoas”, afirmou o presidente da Câmara. “Para além da promoção, é necessário criar condições, agilizar procedimentos para que possa haver investimentos de forma mais célere e sem constrangimentos, e também mostrar aos nossos vizinhos da Europa que somos um País não apenas de Sol e Praia, mas com bons profissionais que sabem receber”. A sessão de abertura do Congresso contou ainda com as intervenções de Desidério Silva, presidente da Região de Turismo do Algarve, de Mária Ferreira, administrador do grupo NAU Hotels & Resorts, e de Raul Ribeiro Ferreira, presidente da Direção da ADHP .

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ATUALIDADE

EXTENSÃO DE MARTIM LONGO DA CRUZ VERMELHA PORTUGUESA RECEBE APOIO DA AUTARQUIA

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Câmara Municipal de Alcoutim aprovou, no dia 14 de março, a atribuição de um apoio financeiro, no montante de 60 mil euros, à delegação de Tavira da Cruz Vermelha Portuguesa. A verba é concedida no âmbito de um protocolo de colaboração entre as duas instituições que visa manter em funcionamento a extensão de Martim Longo e os serviços que esta instituição presta à população do concelho. Nos termos do documento, o apoio será atribuído em tranches de cinco mil euros mensais. Em contrapartida, a Cruz Vermelha continuará a prestar serviços à população do Concelho de Alcoutim no acesso aos cuidados de saúde e apoio social, designadamente com a realização

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de um serviço permanente de ambulância com pessoal especializado. A Cruz Vermelha compromete-se ainda a prestar o serviço de psicologia clínica com uma periodicidade bimensal. Para usufruírem deste serviço, os munícipes são sinalizados e encaminhados pelo gabinete municipal de ação social, saúde e educação da Câmara Municipal. Refira-se que a Cruz Vermelha Portuguesa assumiu também a gestão da Unidade Móvel de Saúde (UMS), levando a que se intensificassem as campanhas e rastreios de glicémia, colesterol e tensão arterial, assim como a possibilidade de aconselhamento por profissionais da área da saúde .

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MUNICÍPIO DE ALJEZUR E MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO ACORDAM INTERVENÇÃO CONJUNTA NA EBI/JI DE ALJEZUR

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a sequência de várias reuniões de trabalho entre os Serviços de Educação do Município de Aljezur e a Direção de Serviços da Região do Algarve da DGesT, foi recentemente autorizado (Despacho n.º 2507/2018, de 12 de março) a celebração de um acordo de colaboração entre o Ministério da Educação e o Município de Aljezur para a realização de obras de requalificação e modernização das instalações da escola sede do agrupamento de Aljezur. Assim, prevê-se que, já no próximo ano letivo, os alunos da EBI/JI, possam usufruir de um renovado espaço exterior deste

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equipamento, com requalificação dos campos de jogos, substituição de piso, renovação de equipamentos desportivos e redes de proteção. Depois de ainda há relativamente pouco tempo o Município de Aljezur ter realizado obras para a instalação de um novo campo de jogos infantil, principalmente orientado para os alunos que frequentam o préescolar e o 1.º ciclo, prevê-se agora a renovação das áreas afetas ao 2.º e 3.º ciclos, concluindo-se o processo de requalificação exterior dos equipamentos desportivos deste estabelecimento escolar.

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INVESTIGADORA DA UALG ESTÁ NA FINAL DO FAMELAB 2018

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atarina Raposo, investigadora do Centro de Investigação em Biomedicina da Universidade do Algarve, está na final do Famelab 2018, o mais famoso concurso internacional de comunicação de ciência. Com uma apresentação sobre «Os superpoderes do cancro», a estudante do Mestrado em Oncobiologia recebeu rasgados elogios do júri, que destacou a sua naturalidade, capacidade de comunicação e qualidade do conteúdo apresentado. Para o palco do Pavilhão do Conhecimento, a investigadora levou uma «célula boa» e uma «célula má», que a ajudaram a explicar ao público por que razão, grande parte das vezes, a ALGARVE INFORMATIVO #149

quimioterapia é, literalmente, «cuspida» do organismo dos pacientes, antes de conseguir ter qualquer efeito benéfico para estes. O concurso é organizado pela Ciência Viva – Agência Nacional para a Cultura Cientifica e Tecnológica e pelo British Council e a final disputa-se a 12 de abril, no Coliseu dos Recreios, em Lisboa. Daí sairá o representante português a participar na final internacional em Cheltenham, no Reino Unido. Cada concorrente tem três minutos para demonstrar a sua capacidade de comunicar os mais diversos temas científicos, recorrendo apenas à palavra e ao gesto e sem a ajuda de audiovisuais .

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EMBAIXADORA DA UCRÂNIA PROMETE DESENVOLVER A COOPERAÇÃO COM O MUNICÍPIO DE FARO

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a reunião que teve com o Presidente da Câmara Municipal de Faro, no dia 15 de março, a Embaixadora da Ucrânia afirmou a sua intenção de fortificar os laços de cooperação com a capital algarvia. Inna Ohnivets revelou a Rogério Bacalhau que pretende desde logo reforçar a participação cultural na programação da cidade, onde residem 934 cidadãos ucranianos, de acordo com dados do INE de 2015). A diplomata considera ainda a possibilidade de atrair empresários ucranianos ao concelho de Faro, reconhecendo que este constitui um território muito interessante para se investir nos dias atuais, em áreas que vão das novas tecnologias ao turismo. Para o Presidente da Câmara, Rogério Bacalhau, o encontro foi uma excelente forma de reforçar o relacionamento institucional, e também pessoal, com a principal representante do Estado Ucraniano em Portugal, lembrando que este é o país de origem da mais numerosa comunidade imigrante residente no concelho .

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ATUALIDADE

LAGOA BIO MARKET VOLTA A ANIMAR PRAÇA DA REPÚBLICA

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xpositores, animação, demonstrações, palestras e outras atividades relacionadas com a promoção da saúde e bem-estar vão estar na ordem do dia entre março e outubro próximos no II Bio Market de Lagoa. Fomentar o comércio local e a dinamização da zona envolvente ao Mercado Municipal de Lagoa, bem como promover o consumo de produtos de origem orgânica e biológica da região, são os principais objetivos deste evento organizado pela autarquia em parceria com a Holistic Fest Portugal – Mystic Soul. O evento pretende igualmente reunir toda a comunidade local, estrangeira e turística do concelho e áreas adjacentes

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em torno de uma abordagem positiva de vida saudável e da promoção de um património que identifique a identidade patrimonial do concelho. A primeira edição atraiu centenas de pessoas, em 2017, à Praça da República, em torno da venda de produtos naturais, alimentação saudável, espetáculos de cozinha ao vivo e degustação de iguarias, filosofias alternativas, práticas desportivas e de relaxamento, artesanato e música. O Lagoa Bio Market inicia-se no dia 31 de março e repete-se depois a 28 de abril, 26 de maio, 30 de junho e 28 de julho. As inscrições para expositores encontram-se abertas e poderão ser efetuadas através do email info.lagoabio@gmail.com .

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MED VOLTA A SER O MELHOR FESTIVAL DE MÉDIA DIMENSÃO DA PENÍNSULA IBÉRICA

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elhor Festival de Média Dimensão» e «Melhor Promoção Turística» são as duas categorias conquistadas pelo Festival MED na 3.ª edição dos Iberian Festival Awards, cuja gala aconteceu, no dia 15 de março, no Fórum Lisboa. Pelo segundo ano consecutivo, o MED sagrou-se como o «Melhor Festival de Média Dimensão da Península Ibérica», levando a melhor, no contexto ibérico, sobre o vencedor espanhol - Tsnunami Xixon. Ao longo dos anos, o MED tem-se distinguido por ser um festival fora do mainstream, mas que tem conseguido alcançar um importante número de seguidores, proporcionando aos espetadores uma experiência única e intimista, tanto pelo próprio recinto e pela sua programação. Pela primeira vez, o evento algarvio conquistou também a categoria de «Promoção Turística», como vencedor português, enquanto que o Bilbao BBK Live foi o melhor festival ibérico. Enquadrado na programação cultural de uma região virada para o turismo, este evento tem contribuído fortemente para atrair mais turistas ao Algarve e ao País e para dinamizar a economia local, tendo sido integrado pelo Turismo de Portugal na plataforma «Portuguese Music Festivals», restrita a cerca de uma dezena de festivais. Com elevados índices de

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notoriedade para a região, enquadra-se no nicho de mercado de turismo cultural, sendo que mais de 30 por cento dos visitantes são estrangeiros, oriundos de diversos pontos da Europa. O impacto na economia local reflete-se num aumento considerável nas taxas de ocupação da hotelaria e restauração. Recorde-se que os Iberian Festival Awards, promovidos pela APORFEST – Associação Portuguesa de Festivais de Música, são o único reconhecimento ibérico dedicado aos festivais, sendo uma referência importante na evolução do setor. Este evento dedica-se a promover, valorizar e celebrar todos os profissionais, parceiros e artistas responsáveis pelo seu desenvolvimento, crescimento e melhoria. Nesta edição, para além das categorias em que venceu, o Festival MED era também finalista nas categorias «Contributo para a Sustentabilidade», «Melhor Atuação» (Portugal/Espanha) para Ana Moura e «Melhor Festival Lusófono e Hispânico» . ALGARVE INFORMATIVO #149


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TUNA DE LOULÉ CONQUISTOU TRÊS PRÉMIOS NOS AÇORES

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TUALLE – Tuna Universitária Afonsina de Loulé deslocou-se aos Açores, de 8 a 11 de março, para participar no XIII Ciclone – Festival Internacional de Tunas em Angra do Heroísmo, na Ilha Terceira. A TUALLE foi a segunda tuna a subir ao palco na noite de dia 9 e iniciou a sua atuação com o tema «Cantar até cair», dos «Virgem Suta», seguindo-se três músicas originais - «Vai mais um copo», «Riso de Menina» e «Brincadeiras de Amor». O instrumental «Carrocel 8», de Júlio Pereira, foi a música que se seguiu, terminando o grupo algarvio a sua atuação com o tema «Tive ALGARVE INFORMATIVO #149

Medo de Acordar», mais um original da TUALLE. O Festival terminou no dia 10 com a entrega de prémios e a interpretação, a participação e a simpatia foram alguns dos critérios de avaliação do júri, tendo a Afonsina de Loulé arrecadado três troféus: «Grande Prémio Mestre Tuso – Tuna Mais Tuna», «Melhor Tuna» e «Melhor Pandeireta». Entretanto, nos dias 13 e 14 de abril, realiza-se o VIII FITUALLE - Festival Internacional da Tuna Universitária Afonsina de Loulé, que terá o Cine-Teatro Louletano como palco principal .

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REABILITAÇÃO DA FRENTE RIBEIRINHA DE OLHÃO TEM INÍCIO EM OUTUBRO

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s obras de reabilitação da Frente Ribeirinha de Olhão começam no mês de outubro, depois do Tribunal de Contas ter dado o visto necessário para o arranque da intervenção e da Sociedade Polis ter adjudicado as obras que, no entanto, só começarão depois do Verão. A requalificação desta zona nobre da cidade, da responsabilidade da Sociedade Polis Ria Formosa, poderia começar já em abril, no entanto, como estariam a decorrer ainda durante o Verão, o Município negociou com os vários envolvidos para que a intervenção tenha início apenas em outubro, após a época alta, de modo a não prejudicar os comerciantes da zona, que ali recebem muitos milhares de turistas até ao final de setembro. “Este é um projeto que vai orgulhar todos os olhanenses e mudar a

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face da cidade”, classificou o presidente da Câmara Municipal, António Miguel Pina, em 2017, aquando da apresentação da profunda intervenção de reabilitação na Frente Ribeirinha. Esta verdadeira «revolução» numa das zonas mais nobres da cidade, idealizada pela equipa da arquiteta Amélia Santos, contempla a requalificação dos jardins Patrão Joaquim Lopes e Pescador Olhanense, a zona dos Mercados Municipais e a Avenida 5 de Outubro, conferindo a toda esta zona características mais modernas, polivalentes e, sobretudo, amigas dos peões. O denominador comum do projeto de intervenção é a evocação da Ria, do mar e das tradições locais. Olhão ficará dotada de uma Frente Ribeirinha única no Algarve, moderna, mas que preserva a tradição, os valores e a alma olhanense .

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TAVIRA VIVE SEMANA SANTA COM GRANDE PAIXÃO

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s celebrações quaresmais em Tavira integram diversos momentos, dos quais se destacam as procissões do Triunfo em Domingo de Ramos (25 de março) e do Enterro do Senhor (30 de março), assim como o Concerto de Páscoa (1 de abril). No dia 25 de março, Domingo de Ramos, pelas 17h, tem lugar a Procissão do Triunfo, com partida da Igreja do Carmo. Esta procissão, organizada pela Irmandade de Nossa Senhora do Monte do Carmo, é composta por vários andores de talha dourada, os quais descrevem a vida de Cristo, desde o Monte das Oliveiras até à sua morte. Existem registos que dão conta que esta manifestação religiosa já se organizava, no ano de 1789, pela Ordem Carmelita da cidade de Tavira. Ainda neste âmbito realizam-se, nos dias 24 e 25, nas igrejas de Santa Luzia (24 de março, 16h), Santiago (24 de março, 17h), Cabanas (24 de março, 18h30), São Paulo (25 de março, 9h), Conceição (25 de março, 10h), Santa Maria (25 de março, 11h e 12h15) a Celebração do Domingo de Ramos. A Via Sacra, promovida pelas Paróquias de Tavira, decorre, no dia 28 de março, a partir das 21h, num percurso composto por 14 estações, em torno da ALGARVE INFORMATIVO #149

Igreja de Santa Maria. Também nos dias 23 e 24, as igrejas de Santa Luzia (23 de março, 17h), Cabanas (23 de março, 19h e 24 de março, 17h), Santiago (23 de março, 21h e 24 de março, 15h), acolhem esta manifestação de Fé Cristã, sendo que, no dia 24, em Cabanas, os destinatários são as crianças da catequese. No dia 29 de março é possível assistir, nas igrejas de Santa Luzia (17h), Santa Maria (19h30) e Conceição (21h) à celebração da Ceia do Senhor. A Procissão do Enterro do Senhor, organizada pela Santa Casa da Misericórdia de Tavira, tem lugar, no dia 30, Sexta-Feira Santa, pelas 21h, a partir da 100


Igreja da Misericórdia. Este ato religioso foi estabelecido, em Portugal, nos séculos XV e XVI, passando a integrar as celebrações tradicionais da Semana Santa. No dia 30, as igrejas de Santa Maria (15h) e Cabanas (15h30, com via sacra processional até à Igreja da Conceição) celebram a Paixão do Senhor. Ainda nos dias 30 e 31 terá lugar, na Igreja de Santiago, pelas 10h, a Oração de Laudes. Também no dia 31 está prevista, nas igrejas de Santa Maria (21h) e Conceição

(21h30), a Vigília Pascal. No dia 1 de abril realiza-se a Celebração da Ressurreição do Senhor nas igrejas de São Paulo (9h), Conceição (10h), Santa Maria (11h e 12h15) e Santa Luzia (18h). Ainda neste dia tem lugar, pelas 9h45, com partida da Igreja de São Paulo, a Procissão da Ressurreição até à Igreja de Santa Maria. As celebrações encerram, no dia 1 de abril, pelas 18h, na Igreja do Carmo, com o Concerto de Páscoa «Petite Messe Solennelle», de Rossini .

ABRIRAM AS INSCRIÇÕES PARA O 19.º CONCURSO DE FADO CERVEJA SAGRES CONCELHO DE VILA DO BISPO

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á abriram as inscrições para a 19.ª edição do Concurso de Fado Cerveja Sagres Concelho de Vila do Bispo, que se realiza de 21 de abril a 19 de maio. As inscrições podem ser feitas por via postal - Centro Cultural de Vila do Bispo, Largo do Município, 8650-407 Vila do Bispo; por telefone 282 630 600, por e-mail – tania.lucas@cm-viladobispo.pt e ainda pessoalmente, nos serviços da cultura a funcionarem no Centro Cultural. Aberto a todos os interessados, o concurso é composto por duas vertentes: a sénior que se destina a pessoas maiores de 18 anos; e a juvenil para pessoas entre os 6 e os 17 anos. As normas de participação, a ficha de inscrição e a declaração de responsabilidade (para concorrentes com idades inferiores a 18 anos) encontram-se disponíveis no site da Câmara Municipal de Vila do Bispo: http://www.cm101

viladobispo.pt/pt/noticias/12951/inscricoesabertas-para-o-concurso-de-fado-cervejasagres-concelho-de-vila-do-bispo.aspx. O grande vencedor da vertente sénior receberá um prémio monetário no valor de mil euros, o segundo lugar leva para casa 500 euros e o terceiro classificado será recompensado com uma quantia de 250 euros, com os 4.º e 5.º classificado a receberem 150 euros. Na vertente juvenil, o vencedor recebe também um prémio monetário no valor de 300 euros, com 200 e 150 euros para o 2.º e 3.º classificados, respetivamente. Divulgar e estimular o gosto pelo Fado, Património Imaterial da Humanidade, bem como dar a conhecer novos talentos musicais, são alguns dos objetivos da Câmara Municipal de Vila do Bispo ao promover esta iniciativa, que contribui para o desenvolvimento cultural do concelho .

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FARO REQUALIFICA ADJUDICOU MAIS DUAS INTERVENÇÕES

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Câmara Municipal de Faro prossegue com o programa de intervenções municipais para melhoria da rede viária e de espaços públicos da cidade e freguesias, desta vez com a requalificação do Largo de São Pedro, com o objetivo de realizar todos os trabalhos de construção civil e iluminação pública, bem como os trabalhos necessários para o reaproveitamento de materiais, e que darão àquela área central da cidade uma nova cara, com mais dignidade, funcionalidade, conforto e segurança para todos os que nela circulam. A empreitada foi adjudicada à «Sociedade José de Sousa Barra & Filhos, Lda.» pelo montante global de 59 mil e

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67,13 euros, acrescido de IVA à taxa legal em vigor. Igualmente adjudicada foi a empreitada de conclusão das obras de urbanização do loteamento de José Guerreiro Gomes, na Penha, que tem como objetivo executar os trabalhos de arranjos exteriores do loteamento, incluindo arquitetura paisagista, pavimentações e drenagem de águas pluviais. Adjudicada à «Sociedade José Quintino, Lda.», pelo montante global de 67 mil e 400 euros, acrescido de IVA à taxa legal em vigor, a obra surge em complemento da intervenção na Praceta Aleixo da Cunha, totalmente requalificada pela autarquia em finais de 2017, num investimento de 124 mil e 730,61 euros, acrescidos de IVA .

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COLETIVIDADES DE OLHÃO CONHECERAM MEDIDAS DE AUTOPROTEÇÃO DE EDIFÍCIOS

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Câmara Municipal de Olhão realizou, no dia 21 de março, no auditório da Biblioteca Municipal, uma sessão para sensibilizar e mobilizar a sociedade civil para a adoção de medidas de autoproteção dos seus edifícios. Na ocasião, António Varela, engenheiro da Autoridade Nacional de Proteção Civil, abordou a legislação pertinente para esta temática, respondendo ainda a questões levantadas pela plateia. Estiveram presentes mais de 30 entidades associativas, bem como representantes de diversos departamentos da Câmara, vereadores, dos bombeiros e proteção civil. “Neste 103

momento, toda a sociedade portuguesa encontra-se sensibilizada para a questão dos incêndios e é de suma importância este trabalho de esclarecimento e mobilização, que contribui para garantir a segurança de todos”, considerou o comandante dos Bombeiros Municipais de Olhão, Luís Gomes. A autarquia olhanense mostra-se preocupada com a segurança dos seus munícipes e não vai poupar esforços para apoiar as coletividades do concelho nas iniciativas necessárias para a implementação correta dessas medidas de autoproteção .

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ALBUFEIRA CANDIDATA TRÊS PROPOSTAS AO «7 MARAVILHAS À MESA»

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epois de eleitas as AldeiasMaravilha, das quais se destacou Paderne na categoria de Aldeia Rural, Albufeira apresenta agora três propostas ao programa «7 Maravilhas à Mesa». Desta edição vão resultar sete mesas representativas do nosso país, com o objetivo de promover a verdadeira experiência de comer e beber a uma mesa portuguesa, ou não fosse Portugal, cada vez mais, um destino turístico de referência. Segundo a organização, pretende-se eleger alguns dos patrimónios mais apreciados pelos portugueses: a Gastronomia associada aos Vinhos e a Roteiros Turísticos. Albufeira apresentou as seguintes candidaturas: «Mesa do Mar – Albufeira e Olhos d’Água»; «Mesa do ALGARVE INFORMATIVO #149

Frango à Guia»; e «Mesa do Barrocal – Paderne». Da primeira mesa, os elementos diferenciadores foram apresentados em torno de uma cataplana onde os ouriços-domar e as lapas são consumidos quase ao natural e onde à mesa não faltam os produtos da terra, como a laranja e o figo. A delicadeza desta mesa completa-se com os rosés e brancos, nomeadamente com o Vinho Rosé Vida Nova 2017 e o Onda Nova Branco 2014, ambos produzidos na Adega do Cantor. Destaque, em matéria de alojamento, para o agroturismo, nomeadamente a Quinta do Mel e, como atração original do território, as nascentes de água doce no mar. «Mesa do Frango à Guia» releva o frango picante grelhado no carvão com tempero que reaviva a herança tradicional de 104


Moçambique e se faz acompanhar pelas Cenouras à Algarvia, assim como pelo travo único dos Vinhos da Adega do Cantor, Sir Cliff Richard. Sugere-se aqui o Boutique Hotel Vila Joya como alojamento, não só pelo seu restaurante granjear de duas estrelas pelo Guia Michelin e pelas criações do Chefe Dieter Kochina, mas pelo deslumbramento que a sua localização oferece. Na «Mesa do Barrocal-Paderne» não faltam os Carapaus Alimados que outrora se transportavam em marmitas, assim como o Javali, caça comum do Barrocal. Aqui, os figos e as laranjas vão sempre à mesa e na vertente dos vinhos, destaca-se o Vale Parra Tinto 2016. O encanto natural é uma mais-valia da aldeia, enriquecido pelo Castelo e pelos três percursos pedestres que acompanham a Ribeira. Estas mesas agora propostas candidatam-se em categorias diferentes, sendo que a Mesa de Albufeira e Olhos d’Água inscreve-se essencialmente na vertente de «Peixe e Marisco» e destaca,

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quanto a roteiros, o Património Histórico, Cultural e Natural. A Mesa da Guia encontra o seu lugar na categoria da «Carne e Caça» e nos roteiros afetos às Adegas, Lagares e Queijarias. Já a Mesa do Paderne inscrevese nos «Petiscos e Carne e Caça» e, em matéria de roteiros, pauta-se predominantemente pelas Experiências Únicas e pelos Eventos de Afirmação Territorial. O processo agora segue o percurso de anos anteriores, com a votação de um painel de especialistas na lista longa de candidaturas, de onde vai resultar uma lista de 49 pré-finalistas, sete de cada região. Todo o processo tem o acompanhamento e supervisão de um Conselho Científico. O programa «7 Maravilhas à Mesa» é um projeto com o Alto Patrocínio do Ministério da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, da Secretaria de Estado do Turismo, e da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, desenvolvido em parceria com a Associação de Municípios Portugueses do Vinho .

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DIRETOR: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina (danielpina@sapo.pt) CPJ 5852 Telefone: 919 266 930 EDITOR: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina SEDE DA REDAÇÃO: Rua Estrada de Faro, Vivenda Tomizé, N.º 12P, 8135-157 Almancil Email: algarveinformativo@sapo.pt Web: www.algarveinformativo.blogspot.pt PROPRIETÁRIO: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina Contribuinte N.º 211192279 Registado na Entidade Reguladora para a Comunicação Social com o nº 126782 PERIODICIDADE: Semanal CONCEÇÃO GRÁFICA E PAGINAÇÃO: Daniel Pina FOTO DE CAPA: Federação Portuguesa de Ciclismo

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