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ALGARVE INFORMATIVO #147

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ALGARVE INFORMATIVO 10 de março, 2018

Boa Esperança de Portimão regressa em grande com

PINOCADA À ALGARVIA 1

«CARTAS DE DAMASCO»| 3.º SOM RISCADO | GONÇALO OLIVEIRA ALGARVE INFORMATIVO #147


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CONTEÚDOS #147 10 DE MARÇO, 2018 38

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ARTIGOS 10 - Animação em Tavira 16 - Algarve Trade Experience 22 - Desafios da Água 30 - Francisco Nunes Correia 38 - Gonçalo Oliveira 48 - Pinocada à Algarvia 58 - «Cartas de Damasco» 66 - Som Riscado 86 - Atualidade

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OPINIÃO 74 - Paulo Cunha 76 - Paulo Bernardo 78 - José Graça 80 - Adília César 82 - Antónia Correia 84 - Fábio Jesuíno ALGARVE INFORMATIVO #147

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REPORTAGEM

HISTÓRIA, CULTURA, DESPORTO E DIETA MEDITERRÂNICA GARANTEM ANIMAÇÃO EM TAVIRA Texto:

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avira afirma-se cada vez mais pela sua vertente cultural, aliada à Dieta Mediterrânica, e de há uns anos a esta parte a animação é praticamente ininterrupta nos vários pontos do concelho, com especial incidência, como é de esperar, na Praça da República e nas

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margens do Rio Gilão. Isso mesmo se constatou novamente na recente Bolsa de Turismo de Lisboa, durante a qual Jorge Botelho, presidente da Câmara Municipal de Tavira, deu a conhecer o que acontecerá ao longo de 2018. “O Algarve não vale só pelo Verão, é atrativo todo o ano, com tudo aquilo 10


que tem na sua época alta e baixa. Tavira tem a responsabilidade acrescida de ser a comunidade representativa, em Portugal, da Dieta Mediterrânica e de disseminar as boas-práticas de qualidade de vida, tradições, gastronomia, floresta, parques naturais e tudo o mais”, frisou o edil na principal feira turística de Portugal. De facto, a animação em Tavira começou logo no início do ano com diversos eventos, desde o concerto de Ano Novo às charolas, uma tradição caraterística da cultura algarvia que se mantém bem viva neste concelho do sotavento. Seguiu-se a Volta ao Algarve em Bicicleta e Jorge Botelho recordou a tradição de Tavira no ciclismo, possuindo, inclusive, uma equipa profissional – Sporting Tavira – na estrada. “Escolhemos esta forma de promoção do município de Tavira e da região algarvia há mais de três décadas, não estamos

nada arrependidos e vamos continuar com esta aposta. O Algarve e Tavira trabalharam imenso na reabilitação das estradas, dos caminhos e dos pequenos circuitos nos últimos quatro anos, de modo que temos uma ampla oferta para grupos organizados ou para pessoas individuais que pretendam fazer algo em torno do «cycling & walking»”, evidenciou o edil tavirense. Incontornável em Tavira é o seu património cultural, sendo bafejada por diversas igrejas no Centro Histórico, umas recuperadas, outras em recuperação, mas, acima de tudo, abertas ao público, ao contrário do que sucedia noutros tempos. Grande expressão tem também a Semana Santa em Tavira, com as irmandades do concelho e a autarquia a organizarem várias procissões, entre as quais a

Jorge Botelho, presidente da Câmara Municipal de Tavira 11

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Cláudio David Guerreiro deu a conhecer as estrelas da sua Gelataria Delizia

Procissão do Triunfo e a Procissão da Noite. E no dia 2 de março aconteceu já a Encenação da Via Sacra, com atores vivos a percorrerem as estações com um cenário bastante interessante. A Dieta Mediterrânica veio trazer, sem dúvida, um incremento à dinâmica do ALGARVE INFORMATIVO #147

concelho de Tavira e Jorge Botelho falou dos inúmeros festivais gastronómicos que são organizados durante o ano. Assim, de 6 a 22 de abril, terá lugar o Festival de Gastronomia Serrana, com vários restaurantes aderentes a prepararem uma ementa especial que atrai milhares de visitantes à cidade. No dia 21 de março, entretanto, arranca mais uma edição do «Viva a Primavera», com um vasto conjunto de iniciativas culturais dinamizadas pelas associações locais. “São mais de 70 eventos que, de 21 de março até 30 de junho, vão certamente marcar a agenda regional, para que haja sempre algo para fazer neste período. Não queremos ter nenhum vazio de programação cultural nos 12 meses do ano”, justificou o presidente da Câmara Municipal de Tavira, acrescentando que, no dia 1 de julho, tem início a programação específica do «Verão em Tavira». Antes disso será comemorado o 25 de abril, com Paulo de Carvalho, e há a «Mostra da Primavera», na baixa da cidade e no Mercado da Ribeira, com o 12


artesanato e a música em particular evidência, sendo exemplo disso o concerto de Paulo Sousa. “A esmagadora maioria destes produtores cultivam, transformam e comercializam produtos 100 por cento regionais e queremos dinamizar todo esse setor”, sublinhou Jorge Botelho. Em maio, quase uma vintena de restaurantes proporcionam o Festival da Gastronomia do Mar, selecionados criteriosamente para apresentar o que melhor Tavira tem para oferecer nesta vertente. “São petiscos, degustações, vinhos, amigos à volta de uma mesa, para gerar as tais experiências inesquecíveis aos residentes e visitantes”, salientou o edil. Os Santos Populares são vividos de forma entusiástica em Tavira, num momento em que se realizam também as festas da cidade. “São três dias de festa em permanência, com concertos nas ruas, sardinhas, bailes até às tantas, fogueiras, provérbios, animação que tentamos que seja feita da forma mais tradicional possível. Há muito trabalho realizado aqui por voluntários que preparam, com imenso gosto, um cenário inesquecível na baixa da cidade”, enalteceu o edil, abordando ainda a Encenação da Lenda da Moura Encantada às portas do Castelo de Tavira. “Fazemos a Moura Encantada aparecer todos os anos para que as coisas corram bem, ainda por cima na maior noite do ano, o 23 de junho, a noite de todos os perigos. Depois, descemos as ruas e encontramos uns largos milhares de pessoas à volta do rio para assistir ao fogo-de-artifício do S. João”.

«pontapé de saída» a ser dado pelo Festival «Cenas de Rua», de 1 a 15 de julho. “Tavira é uma comunidade pequena onde toda a gente ruma ao centro da cidade, o que faz com que todos se encontrem à volta do rio e das pontes para assistir aos eventos. São concertos ao ar livre absolutamente gratuitos e direcionados para todos os públicos, mas também temos muitas feiras de artesanato, ofícios, livros e velharias. No campo desportivo, uma nota para a corrida «Mar Azul», entre a Praia do Barril e a Praia de Tavira”, apontou Jorge Botelho. De 6 a 9 de setembro decorre a VI Feira da Dieta Mediterrânica, para brindar o reconhecimento pela parte da UNESCO de Tavira como Comunidade Representativa, em Portugal, deste estilo de vida. “Toda a cidade se envolve neste projeto”, reforçou o edil, antes de virar as atenções para a Semana da Juventude, já com DJ Piruka e Diogo Piçarra confirmados no alinhamento musical. No dia 5 de outubro encerra a época ciclística com um Festival de Pista e, a 21 de outubro, realiza-se a IV Meia Maratona da Cidade de Tavira, entrando-se, depois, na programação de Natal e de Fim-de-Ano. A apresentação da programação de Tavira na Bolsa de Turismo de Lisboa concluiu com a degustação dos gelados da Gelataria Delizia, de Cláudio David Guerreiro, maioritariamente feitos com produtos locais da época e que fizeram as delícias de todos os presentes .

A 1 de julho, conforme referido, entra-se no «Verão em Tavira», com espetáculos todos os dias e em vários locais, com o 13

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REPORTAGEM

A família Soares foi incansável e prestável em todos os momentos do evento (esq. para a direita) – Graça Maria, a mãe da Rita Soares (ao lado dela), seguida dos irmãos João e Paulo Soares, de Margaret Soares e a mãe Maria Antónia Soares

EXPERIÊNCIAS ÍMPARES E IMPERDÍVEIS Texto:

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or outros motivos profissionais participei, em 2014, no evento Algarve Trade Experience, organizado pela Garrafeira Soares. Na altura achei o evento muito interessante e bem organizado. Agora, quatro anos volvidos, regresso, desta vez no papel de jornalista ALGARVE INFORMATIVO #147

de vinhos, e devo confessar que fiquei impressionado com o upgrade que o evento teve e com o nível qualitativo que apresenta nesta que é a sua 6.ª edição, realizada nos dias 2 e 3 de março, no Hotel Anantara, em Vilamoura.

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Pedro Silva Mendes pertence à família proprietária da Real Companhia Velha e vive o Douro e a empresa de forma muito emocional

Se em 2014 já era bom, agora é, de longe, o melhor evento do Algarve no setor das bebidas, e poderei também afirmar que é dos melhores a nível nacional. Fico surpreendido como é que não vejo mais jornalistas, cronistas ou cobertura mediática do evento, pois aqui há muito, mas mesmo muito, para descobrir e num ambiente bastante mais propício para uma descoberta profissional, pois o evento é dirigido exclusivamente para o trade, ou seja, para os profissionais do setor das bebidas. Claro que isso faz todo o sentido e é um dos objetivos do seu promotor – a Garrafeira Soares – o reforço dos laços com os seus parceiros e clientes, ao mesmo tempo que se posiciona como empresa líder e influente do setor na região.

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David Rios – World Best Bartender em 2013 – a preparar a sua criação à base de Antão Vaz da Herdade da Malhadinha Nova ALGARVE INFORMATIVO #147


Bruno Andrade (irmão de Rita Soares) e Leonor Frazão (enóloga na Quinta de Mata-Mouros) no stand do Convento do Paraíso, o único representante dos vinhos algarvios no evento

O evento extravasa o setor dos vinhos e centra-se nas bebidas como um todo (destilados e fermentados), o que é bom porque cria um ambiente muito diverso e interessante e dá para ver por que é que o vinho está a perder consumidores na Europa, sobretudo para a camada mais jovem. É que o setor das bebidas destiladas (a disposição do evento tinha áreas distintas de exposição) era muito mais animado, descontraído e cheio de gente jovem. Aqui havia mais energia, ritmo e convivialidade, algo que falta no vinho e que os jovens encontram neste setor das bebidas. A prova disso é que o encerramento do evento, um dos momentos altos e muito animado, foi ALGARVE INFORMATIVO #147

exatamente aqui no setor dos destilados e não no dos vinhos. Para concluir o assunto, creio que será necessário o setor vínico pensar um pouco a sua estratégia de promoção e torná-la menos sóbria, talvez. Creio que é só uma questão de mentalidade, pois os profissionais que estão do outro lado dos stands, nas provas, são prestáveis e dinâmicos, mas sinto que falta ali qualquer coisa extra. Mas coisas extras é que não faltaram ao Trade Experience. Sob o mote «Towards the Future» procurando ligar os conceitos de «Futuro» e «Sustentabilidade», a Garrafeira Soares 18


Anselmo Mendes é um apaixonado pela casta Alvarinho e está a criar um Centro de Experiências exclusivamente desta casta a abrir até ao final do ano

estruturou o evento com workshops, apresentações e provas de vinhos fantásticas. Peço desculpa por estar a usar de forma muito frequente os adjetivos da moda das redes sociais, mas é que houve mesmo coisas fantásticas e espetaculares por aqui. Como, por exemplo, ter uma prova vertical dos Alvarinhos Contacto e Curtimenta com o seu enólogo presente – Anselmo Mendes – ou poder provar castas típicas vinificadas pela primeira vez (ou quase) em solo – como a Curnifesto, Tinto Cão ou Donzelinho Branco – numa cortesia da Real Companhia Velha - ou ainda poder fazer uma prova de um vasto lote de vinhos de 2008 (portanto, com uma década) da Herdade da Malhadinha Nova (propriedade da família Soares) e ainda por cima acompanhados por iguarias habilmente confecionadas pela equipa do

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Chef Joaquim Koerper (1 Estrela Michelin) e pelo Chef Ricardo Costa (2 estrelas Michelin); sem esquecer a agradável surpresa que foi experimentar os criativos cocktails de vinho pelo Barman David Rios (World best Bartender 2013) que idealizou dois magníficos (outra vez os adjetivos coloridos, mas eram mesmo assim) cocktails com o Antão Vaz e o Late Harvest, ambos da Malhadinha. Ufa, cansados? E isto foi só uma parte do primeiro dia. Infelizmente, outros compromissos profissionais impossibilitaram a participação nos workshops do segundo dia, mas tive tempo para assistir ao encerramento e fazer umas últimas provas que ficam para outros artigos próximos . ALGARVE INFORMATIVO #147


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REPORTAGEM

«DESAFIOS DA ÁGUA» FOI UM TREMENDO SUCESSO O Palácio dos Congressos da Herdade dos Salgados, em Albufeira, foi o palco escolhido pela «Águas do Algarve, S.A.» para a realização do primeiro Encontro Desafios da Água, nos dias 1 e 2 de março. E o saldo não podia ser mais positivo, com centenas de pessoas a assistir aos debates e palestras e milhares de crianças a participarem nas oficinas técnicas e workshops dinamizados pelos técnicos da empresa responsável pelo abastecimento, em alta, de água e pelo tratamento das águas residuais da região algarvia. Texto:

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urante dois dias – 1 e 2 de março – o imponente Palácio dos Congressos da Herdade dos Salgados, localizado no concelho de Albufeira, foi um verdadeiro íman de especialistas nas mais ALGARVE INFORMATIVO #147

e variadas temáticas que giram em torno da água e da sustentabilidade ambiental, por ocasião do primeiro Encontro Desafios da Água, evento organizado pela «Águas do Algarve, S.A.». O intuito foi dar a conhecer, ao público em geral, o trabalho que realiza 22


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Isabel Soares (Administradora da Águas do Algarve), Carlos Martins (Secretário de Estado do Ambiente), Joaquim Peres (Presidente da Águas do Algarve), José Rolo (Presidente da Câmara Municipal de Albufeira) e Jorge Torres (Administrador da Águas do Algarve)

no abastecimento em alta de água na região algarvia, mas também no tratamento das águas residuais, de modo que sejam devolvidas ao meio ambiente com a melhor qualidade possível. Para além disso, foi preocupação da empresa alertar para os efeitos das alterações climáticas que, infelizmente, têm estado na ordem do dia, e para os comportamentos que todos devemos adotar com vista a preservar o bem precioso e escasso que é a água e, dessa forma, contribuir para o bem-estar das gerações futuras. Foram dois dias de intenso frenesim, com vários painéis de especialistas a encherem o auditório do Palácio de Congressos, mas também com inúmeros workshops e oficinas técnicas promovidas pela prata da casa, ou seja, pelos próprios funcionários da «Águas do Algarve». E quem melhor do ALGARVE INFORMATIVO #147

que eles para transmitir aos mais novos aquilo que é feito pela empresa no dia-adia? Mas também houve lugar para dezenas de empresas e entidades ligadas ao ramo apresentarem os seus produtos e serviços inovadores, num encontro que foi, sem qualquer dúvida, um sucesso, superando as expetativas mais otimistas da comissão organizadora. Não foi de admirar, por isso, o discurso emotivo de Isabel Soares, administradora da «Águas do Algarve, S.A.» e coordenadora da comissão organizadora, na hora de encerramento. “Este evento foi feito a pensar, não nos profissionais propriamente ditos, mas sobretudo nos mais jovens, porque é desde pequeninos que temos que ficar cientes da problemática da escassez da água e do seu uso abusivo. Estiveram aqui cerca de mil e 400 crianças e tenho que

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agradecer às escolas pela sua adesão ao encontro”, destacou. Isabel Soares não poupou palavras de elogio aos colaboradores da empresa que se envolveram de corpo e alma na organização do «Desafios da Água», sem nunca terem descurado as suas funções diárias. “Não houve um dia em que o tratamento da água ficasse parado, que uma ETAR ou Estação Elevatória deixasse de funcionar, que um laboratório deixasse de fazer as suas análises. Eles foram realmente incríveis”, salientou a administradora, palavras que motivaram uma estrondosa salva de palmas da parte da assistência. As honras de encerramento do Encontro couberam a Carlos Martins, Secretário de Estado do Ambiente, que prontamente confirmou o entusiasmo que o evento

gerou em todos os participantes e a vontade de que haja futuras edições. “Pese embora as dificuldades que se tem sentido em virtude da seca que aflige Portugal, já com este Governo foi renovada toda a rede de monitorização, quer quantitativa, quer qualitativa, dos nossos recursos hídricos, num investimento superior aos quatro milhões de euros. Está igualmente a ser promovida uma melhoria da manutenção e da monitorização das águas subterrâneas, a criação de uma Comissão para a Seca e uma forte mobilização intersectorial para a gestão de albufeira. O governo está muito empenhado neste trabalho em torno das nossas origens, das nossas massas de água”, afirmou Carlos Martins. O Secretário de Estado do Ambiente realçou igualmente a importância da valorização das águas residuais que, após

Teresa Fernandes, responsável pela Comunicação e Educação Ambiental da Águas do Algarve, com Francisco Marques, Diretor Regional de Educação do Algarve 25

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serem sujeitas a vários tratamentos, podem ter diversos usos, o que prolongará o ciclo urbano da água, no tempo e na utilização. “Queremos ter 50 fábricas de água (ETAR) a partir de 2019, com um plano sustentado que nos leve a 10 a 20 por cento de reutilização em 2020”, revelou Carlos Martins, antes de virar as atenções para o campo das alterações climáticas. “Já temos instrumentos de planeamento, uns concluídos, outros em vias de conclusão, com uma Estratégia Nacional das Alterações Climáticas, Estratégias Regionais em todas as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional, Estratégias Intermunicipais em quase todas as Comunidades Intermunicipais e também um conjunto de estratégias de adaptação às alterações climáticas em mais de 40 municípios. O compromisso assumido pelo Primeiro-Ministro em Marraquexe mobiliza-nos para, em 2050, termos uma neutralidade carbónica e esse é um

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desafio que as próximas gerações terão que prosseguir”, sublinhou o governante. Políticas concertadas de descarbonização da economia, associadas às energias renováveis e à mobilidade elétrica, concorrem para esse objetivo global, mas Carlos Martins não esqueceu também as questões da Inovação & Desenvolvimento. “As parcerias com os Politécnicos e as Universidades são algo com que temos bastante a ganhar e o grande desafio é que muitas destas inovações e investigações possam alcançar uma escala mais global e ser inspiradoras para outros”, entende o Secretário de Estado. “E sendo a água tão importante para o desenvolvimento, para o cidadão e para os equilíbrios sociais a nível global, o governo criou condições, com os tarifários sociais, para que todos os portugueses tenham acesso a este bem precioso. Nenhum português ficará sem água por dificuldades económicas”, garantiu . 26


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REPORTAGEM

“ACESSO À ÁGUA POTÁVEL É UM DIREITO FUNDAMENTAL DA HUMANIDADE”, LEMBROU FRANCISCO NUNES CORREIA Um dos momentos mais aguardados do Encontro Desafios da Água organizado pela «Águas do Algarve, S.A.», nos dias 1 e 2 de março, foi a apresentação do antigo Ministro do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional, Francisco Nunes Correia, que falou sobre o «Direito à Água Potável para Todos». O palestrante abordou ainda o «milagre português» e lembrou que a água «não vem da torneira», chamando a atenção para a importância de uma boa gestão dos recursos hídricos. Texto:

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rancisco Nunes Correia foi um dos convidados do recente Encontro Desafios da Água, com a apresentação «Direito à Água Potável para Todos», e começou por recordar que, em 28 de julho de 2010, a Assembleia Geral das Nações Unidas reconheceu o direito à água potável segura e limpa e ao saneamento como um Direito do Homem que é essencial para uma plena fruição da vida e para a satisfação de todos os outros direitos humanos, depois de, em 2000, esta dimensão já ter ficado consagrada nos Objetivos de Desenvolvimento do Milénio das Nações Unidas. “Esta decisão impulsionou em todo o mundo uma atenção redobrada à importância do acesso à água para a saúde pública, para o bem-estar das populações, para o desenvolvimento económico, para a afirmação social das ALGARVE INFORMATIVO #147

mulheres e para o desenvolvimento regional”, frisou o Professor do Instituto Superior Técnico de Lisboa. De acordo com o antigo Ministro do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional entre 2005 e 2009, as doenças associadas à qualidade deficiente da água constituem um dos problemas de saúde pública mais graves em muitas regiões do mundo e a ausência de água impede o desenvolvimento de uma agricultura elementar para a alimentação de uma família com recursos limitados e comercialização de alguns excedentes. “A falta de acesso à água prejudica essencialmente as mulheres, uma vez que, em muitas áreas rurais, cabe à mulher a tarefa de transportar água para a família, 32


caminhando longas distâncias com pesadas cargas e gastando várias horas por dia nessa tarefa. Também, na generalidade das culturas, cabe às mulheres tratar dos doentes e dos idosos, tarefas que podem agravar as condições de higiene quando não existe disponibilidade de água. Finalmente, o não acesso à água em condições adequadas é especialmente negativo para a integração social e para o pleno desenvolvimento da mulher”, afirmou Francisco Nunes Correia. Não é de espantar, portanto, que o Banco Mundial tenha colocado o abastecimento de água potável e o saneamento como o primeiro desígnio de uma gestão sustentável dos recursos hídricos nas suas múltiplas utilizações. “Nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável aprovados em 2015 com uma agenda para valer até 2030, dá-se um destaque muito enfático à questão da água e do saneamento, muito maior do que acontecia nos Objetivos de Desenvolvimento do Milénio, de 2000”, apontou o antigo governante. “O acesso à água potável e o tratamento de águas residuais aparecem à cabeça, de entre as muitas utilizações da água, por terem uma incidência direta sobre a qualidade de vida dos cidadãos e terem uma importância económica porventura muito maior do que normalmente parece”. Portugal fez um longo caminho nesta matéria e é reconhecidamente uma história de sucesso, primeiro no abastecimento de água potável, depois na drenagem de águas fluviais e no tratamento de águas residuais. “O abastecimento de água potável nunca atingirá os 100 por cento porque existem 33

habitats dispersos, moradias muito isoladas, onde isso não faz sentido e têm sistemas próprios para esses fins. De qualquer modo, o que aconteceu nos últimos 25 anos em Portugal é absolutamente notável e o Algarve é um bom exemplo disso. E não basta ter água na torneira, é fundamental que ela tenha qualidade exemplar para consumo humano e o progresso também foi claro nesse aspeto”, reforçou Francisco Nunes Correia, apontando outra consequência evidente deste processo, a qualidade das águas balneares, com uma enorme melhoria em Portugal nos últimos anos.

Muito se falou, em congressos internacionais, do «milagre português», mas o professor do Instituto Superior Técnico recordou que a gestão da água é um «animal com duas pernas», designadamente «infraestrutura» e «governança». “Se damos muita atenção a uma delas e desprezamos a outra, o animal tropeça e cai”, avisa, adiantando que, segundo a OCDE, a governança da água consiste no conjunto de disposições políticas, institucionais e administrativas, de práticas e de procedimentos (formais e informais) através dos quais as decisões são tomadas e implementadas, as partes interessadas podem articular os seus interesses e fazer com que as suas preocupações sejam tidas em conta e os decisores são considerados responsáveis e estão sujeitos a escrutínio.

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Face ao exposto, o grande desígnio do Século XXI em matéria de Gestão dos Recursos Hídricos passa por compatibilizar todos os usos em quantidade e qualidade no espaço e no tempo, com um recurso que é renovável mas limitado. “Á água é um fio que liga todo o ambiente e desenvolvimento e uma visão global e integrada é sempre necessária. A OCDE tem feito um excelente trabalho sobre a governança da água e estipulou três desígnios fundamentais: a eficácia – definir objetivos e ser capaz de os alcançar; a eficiência – ser capaz de alcançar esses objetivos com o menor custo possível; a confiança e comprometimento das partes interessadas, a relação entre governantes e governados, de fornecedores e consumidores”, indicou. Ora, de acordo com Francisco Nunes Correia, para melhorar a eficácia da governança da água há que, por exemplo: gerir a água na(s) escala(s) apropriada(s) no âmbito de sistemas de governança de bacia, de forma a refletir as condições locais, procurando a coordenação entre as diferentes escalas; produzir, atualizar e partilhar atempadamente dados e informação consistente, comparável e politicamente relevante para as políticas da água e com elas relacionadas, e usá-los para orientar, avaliar e melhorar essas políticas; e promover uma adequada e regular monitorização e avaliação das políticas e da governança da água, partilhando os resultados com o público e fazendo ajustamentos quando necessário. “Acima de tudo, não devemos olhar apenas para a ponta do iceberg e há muito a ter em conta por trás da ALGARVE INFORMATIVO #147

FRANCISCO NUNES CORREIA: “O QUE ACONTECEU NOS ÚLTIMOS 25 ANOS EM PORTUGAL É ABSOLUTAMENTE NOTÁVEL E O ALGARVE É UM BOM EXEMPLO DISSO. E NÃO BASTA TER ÁGUA NA TORNEIRA, É FUNDAMENTAL QUE ELA TENHA QUALIDADE EXEMPLAR PARA CONSUMO HUMANO E O PROGRESSO TAMBÉM FOI CLARO NESSE ASPETO”.

torneira”, avisou o palestrante. “A evolução da gestão dos recursos hídricos em Portugal, nos últimos seis ou sete anos, foi estática nalguns aspetos, noutros melhorou e noutros piorou, devido à extinção por integração, feita pelo governo anterior, de muitas estruturas ligadas à água. Tudo o que é gestão de recursos hídricos como que se eclipsou e 34


acredito que não seja essa a vontade dos atuais governantes. O problema é que, quando a seca bate à porta, as pessoas lembram-se de uma coisa bastante importante: a água não vem da torneira. A água vem de algum sítio, é utilizada competitivamente por vários usos, a sua qualidade na torneira – e com que custo isso acontece – depende muito dessas outras utilizações e, num país de 35

características mediterrânicas como Portugal, nunca nos podemos alhear desta realidade. Infraestrutura, tecnologia, investimento, o mais possível, mas não esquecer que a governança é igualmente importante para a gestão da água”, finalizou Francisco Nunes Correia .

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ENTREVISTA

GONÇALO OLIVEIRA QUER SER O NÚMERO 1 DO TÉNIS MUNDIAL Depois da presença no Faro Future Portugal 2 onde jogou com algumas limitações físicas, o tenista Gonçalo Oliveira partiu de imediato rumo aos Estados Unidos para tentar a sua sorte no ATP Masters 1000 de Indian Wells, considerado por muitos como o quinto Grand Slam. No início de 2018, o atual 206.º do ranking mundial já pisara os courts do Open da Austrália, mas o atleta do Centro de Ténis de Faro quer voar mais alto e chegar até ao número 1. Texto:

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27.º Faro Future Portugal foi fortemente condicionado pelas condições atmosféricas que se tem sentido um pouco por toda a região algarvia, mas isso não impediu a participação no torneio de Gonçalo Oliveira, o número 206 do ranking mundial do ATP, não fosse ele um atleta do Centro de Ténis de Faro. A recuperar de uma lesão no tornozelo, o jogador de 23 anos – nascido no Porto mas com residência desde sempre em Alvor – seguiu as pisadas do pai, Abílio Oliveira, que também é seu treinador, e a missão para 2018 é dar o salto para o circuito ATP. Um objetivo que começou já a ser alcançado, uma vez que a desistência de Rafael Nadal do Indian Wells lhe permitiu ter acesso à fase de qualificação deste torneio ATP Masters 1000, considerado por muitos como o ALGARVE INFORMATIVO #147

quinto Grand Slam da época, logo atrás dos míticos torneios de Roland Garros, Austrália Open, Wimbledon e US Open. Pode parecer, por isso, estranha a participação de Gonçalo Oliveira no «Faro Future Portugal», um torneio de 15 mil dólares de prize money que dá poucos pontos para o ranking mundial, mas o algarvio não esquece as suas origens e sabe que foi no Centro de Ténis de Faro que começou, de certa forma, a sua caminhada na modalidade. “Foi aqui que me iniciei em torneios profissionais e é sempre agradável estar uma semana a competir perto de casa. O professor Rosa Nunes e o José são amigos de longa data e represento este clube com todo o gosto”, referiu o atleta após uma sessão de treino no Montenegro. 40


2017 foi, de facto, um ano em grande para Gonçalo Oliveira, aliás, foi o atleta do circuito mundial que jogou mais competições, mais de 40 torneios em 52 semanas. Não admira, por isso, que o treinador diga que a vida da dupla é praticamente passada em courts de ténis, hotéis e aeroportos, mas este ritmo não causa problemas ao alvorense. “Aos quatro anos fui viver para os Estados Unidos, fiz a escola até ao 12.º ano em casa, através da internet, por andar sempre a viajar de um lugar para o outro. Quando nasci, a primeira prenda que recebi foi uma raquete de ténis, e desde muito novo que sabia que era isto que queria fazer em termos profissionais”, garante, acrescentando que esta opção não o impediu de ter uma adolescência relativamente normal. “Simplesmente precisamos ter mais cuidado com a

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alimentação, com o corpo, com os horários e com o descanso. Esta semana, por exemplo, vou jantar com uns amigos na sexta-feira e depois devemos ir tomar um café. Não deixo de fazer as coisas, apenas as faço com mais moderação”, explica. A vontade de ser tenista, conforme se percebe, surgiu praticamente quando começou a caminhar, resta saber se, depois, se tem as características físicas e as aptidões técnicas necessárias para singrar nesta modalidade bastante exigente. Nesse aspeto, Gonçalo Oliveira destaca a sorte de ter a seu lado o pai, que também foi jogador profissional. “Depois, trabalho muito para ter o que as pessoas chamam de «talento», não é algo que nasça connosco e que não precisemos fazer mais nada. Numa profissão normal trabalhamos oito

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horas por dia, no desporto temos que tentar dedicar o mesmo período de tempo ao treino”, indica, confessando que é agradável andar constantemente na estrada, de um país para o outro, de continente em continente. “Conhecemos muitos sítios e culturas diferentes e fazemos amizades nos quatro cantos do mundo. Claro que cansa, mas estou habituado a este modo de vida. Em 2017 tive sorte e não sofri qualquer lesão, se calhar por optar mais pela terra batida, um piso que é mais suave para o corpo. Este ano já tive um pequeno problema num tornozelo, torci o pé numa partida em Dallas, um piso rápido, numa jogada em contrapé que um adversário me fez”, conta. Esta circunstância obriga, então, a fazer uma criteriosa seleção dos torneios em que participa, mas há outros pormenores que influenciam a elaboração do calendário. “Este ano, como comecei logo com o «Austrália Open», quis preparar-me para o piso rápido e joguei na Tailândia e HongKong. Depois, decidi manter-me no piso rápido e ir para os Estados Unidos. As coisas estavam a correr bem, sentia-me confiante, mas este entorse prejudicou um pouco os resultados em singulares, onde temos que correr mais do que em pares”, admite Gonçalo Oliveira, confessando que se sente bem a jogar nos dois tipos de piso. “Mas a terra é mais favorável para o corpo, desgasta menos o físico. Eu sou um jogador agressivo, com um bom serviço e que gosta de estar no controlo dos pontos, por isso, não tenho medo de subir à rede sempre que posso. E, em recintos cobertos ou de piso rápido, os pontos são mais curtos”.

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TÉNIS VIVE UMA FASE DE MUDANÇA DE CICLO Assim é a vida de Gonçalo Oliveira, numa semana no Algarve, na outra nos Estados Unidos, e quem sabe qual o destino que se seguirá, de modo que quase não há tempo livre para se treinar. O entrevistado avisa, porém, que a história não é bem assim. “Se for eliminado numa segunda ou terça-feira, 42


aproveito o resto da semana para treinar. Não posso abrandar o ritmo, empenhome ao máximo até sexta-feira e, no fimde-semana, viajo para outro torneio. É sempre mais agradável treinarmos no local onde se realizam as provas, por causa do ambiente que se respira e por termos outros atletas contra quem bater umas bolas”, justifica. “No nosso clube treinamos sempre com os mesmos três ou quatro jogadores e a intensidade vai baixando porque já estamos mais ou 43

menos «fartos» uns dos outros»”, comenta, com um sorriso. Neste patamar competitivo, baixar o ritmo é meio caminho andado para se ser ultrapassado pela concorrência, avisa Gonçalo Oliveira, e também não se pode desanimar quando os resultados não são os mais desejados. “No ténis, a carreira profissional termina por volta dos 33 anos, portanto, é na minha idade que nos temos que dedicar por completo à ALGARVE INFORMATIVO #147


modalidade. Se é isto verdadeiramente que queremos, estamos totalmente focados no ténis e «corremos» por gosto. Depois, é uma questão de gerir bem a época. Nos fusos horários, por exemplo, só notamos mais quando a diferença é acima das seis horas. Quando há voos diretos, não ficamos cansados, se temos que fazer dois ou três voos para chegarmos ao destino, já sentimos isso mais no corpo”, exemplifica. Respeito há, entretanto, entre todos os jogadores, assegura Gonçalo Oliveira, embora sejam adversários dentro do court. “Ali, ninguém quer perder com ninguém, mesmo que sejamos amigos uns dos outros. Nos «Future» são mais atletas, nos «Challengers» diminui a quantidade e, nos «ATP», o grupo torna-se ainda mais restrito. Há um ano que estou mais concentrado nos «Challengers» e as diferenças são evidentes”, aponta, assumindo que irá correr mais riscos em ALGARVE INFORMATIVO #147

2018 para conseguir dar um salto maior no ranking, até porque um tenista só consegue ter autonomia financeira quando passa para os torneios ATP. “Nos «Future» perde-se dinheiro e, nos «Challengers», as contas ficam ela por ela se optarmos por torneios mais próximos de casa. É como um curso universitário, estamos a investir para o futuro”, compara o entrevistado. Na altura em que estamos a escrever esta peça, Gonçalo Oliveira faz a sua estreia na prova de Indian Wells, beneficiando do azar de Rafael Nadal, que teve que desistir devido a uma lesão. Uma situação que comprova que se assiste, neste momento, a uma mudança de ciclo no ténis mundial, com muitos craques a entrarem na fase descendente das suas carreiras. “É difícil tirar do topo alguns atletas mais veteranos porque eles estão sempre a participar nos ATP e, com isso, ganham 44


muitos pontos que lhes permitem continuar nas posições cimeiras. Agora, alguns começam a abandonar por motivos físicos e vão deixando buracos que são aproveitados pelos mais novos”, observa, lembrando ainda que, neste momento, um jogador normalmente chega ao Top 100 por volta dos 26/27 anos, quando, na geração do seu pai, isso acontecia logo aos 18/19/20 anos. “Está tudo mais difícil. Há mais atletas, o equipamento desgasta menos os músculos e há menos lesões e, como o ténis movimenta imenso dinheiro, os jogadores prolongam as suas carreiras o máximo de tempo possível”. E, no meio disto, como andam os portugueses na alta-roda do ténis, questionamos. “Temos agora o Gastão Elias e o João Sousa mas, no passado, tivemos o Nuno Marques, o Frederico Gil e o Rui Machado. O ténis português nunca esteve tão bem”, entende Gonçalo Oliveira, que sonha ser o número um do ranking mundial. “É para isso que trabalho todos os dias. Se o conseguir, é excelente, se não conseguir, sei que dei o meu melhor. Este ano já estive no Open da Austrália, no ano passado estreei-me no Open dos Estados Unidos e no Estoril Open, e é para jogar nesses torneios que nos esforçamos dia após dia. Se melhorar o meu ténis, o meu ranking também melhora, portanto, é manter-me focado e trabalhar” . 45

COM O TÉNIS NO SANGUE O ténis rola na família Oliveira desde os avós de Gonçalo e prova disso é que o pai, Abílio, e os tios tiveram carreiras profissionais. Uma vida que implica muitos sacrifícios, mas o treinador entende que, quando se gosta do que se está a fazer, esses sacrifícios deixam-no de o ser. “O Gonçalo é apaixonado pelo ténis e gosta de competir, o que é fundamental para se andar na tour. O treinador e o atleta trabalharem juntos vários anos ajuda igualmente na componente psicológica, sabemos quando é que podemos puxar mais por eles ou quando devemos relaxar. Fui eu que lancei a primeira bola ao Gonçalo e sei os pontos em que ele é mais forte e mais fraco”, indica Abílio Oliveira. “Desde que nasceu que tem tido uma vida estável, sem altos nem baixos em termos pessoais ou familiares, e isso é importante para se manter elevada a concentração”. Andar sempre na estrada não tem constituído um problema de maior para Gonçalo Oliveira e o pai confirma que essa tem sido a vida da família há largos anos. “Sempre viajamos muito e já vivemos em várias partes do mundo, ele está habituado a isso. Agora é mais intensivo porque os torneios nos obrigam a fazer deslocações maiores. Temos que preparar bem o calendário para causar as menores interferências possíveis ao nível das horas de sono e do desgaste do corpo”, reconhece o treinador, garantindo que todos os atletas ambicionam ser o número um do ranking. “É fabuloso ver estes jovens a acreditarem neles próprios. O Gonçalo tem condições para chegar longe, tem uma pancada forte, saca bem, tem algumas armas que mais ninguém possui. Agora, é uma questão de aplicar tudo isto dentro do court e, principalmente, não ter lesões” .

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REPORTAGEM

«PINOCADA À ALGARVIA» DO BOA ESPERANÇA É MESMO IMPERDÍVEL

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Cumprindo uma tradição de largas décadas, a Revista à Portuguesa do Boa Esperança Atlético Clube Portimonense está de regresso a Portimão e o espetáculo escrito e encenado por Carlos Pacheco - «Pinocada à Algarvia» - é verdadeiramente fantástico. As piadas de língua afiada sobre acontecimentos locais e nacionais, os apontamentos musicais e, acima de tudo, os imprevistos que colocam os próprios atores a rir em palco, justificam, sem margem de dúvida, uma ida ao Boa Esperança. Texto:

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Fotografia:

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m mês antes do carismático líder e vocalista dos Queen, Freddie Mercury, ter morrido de broncopneumonia, em 1991, era lançado o tema «The Show Must Go On». Quase 27 anos depois, na tarde de 3 de março, essas devem ter sido as palavras do encenador, dramaturgo e ator Carlos Pacheco à sua equipa, depois de uma autêntica intempérie ter colapsado parte do telhado e alagado cenários e equipamento de luz e som da sede do Boa Esperança Atlético Clube Portimonense, em Portimão. Mas o espetáculo tinha que continuar e, por isso, atores, bailarinos, músicos, técnicos de luz e som, todos se juntaram ao início da tarde para repor o teto falso que tinha caído, para substituir a mesa de mistura e as luzes, para limpar a sala de espetáculo, até para secar – de secador de cabelo nas mãos – os cenários. O esforço sobre-humano compensou e, à hora marcada, por mais incrível que possa parecer, as portas abriram-se para entrar os espetadores de mais uma sessão esgotada de «Pinocada à Algarvia», totalmente alheios à maratona motivada pelas palavras da célebre música dos Queen. «The Show Must Go On» e que espetáculo hilariante foi. Em êxtase por terem conseguido superar o quase insuperável, o elenco foi fantástico e irradiou boadisposição, com Carlos Pacheco e Telma Brazona a deixarem-se levar

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repetidas vezes pelo improviso, trocando as falas, alterando o texto, não conseguindo conter as risadas em palco. E o público percebeu que algo de especial estava a acontecer, simplesmente não sabia quais os motivos para tal. A Revista à Portuguesa do Boa Esperança já se realiza há mais de 50 anos, remontando a uma época longínqua em que não eram permitidas mulheres em palco, de modo que as personagens femininas eram todas interpretadas por homens. Os tempos voaram e, agora, Carlos Pacheco e Flávio Vicente – que também é responsável pelos cenários – são os dois únicos homens do elenco, rodeados por Telma Brazona – que assina a Direção Artística –, Sandra Rodrigues, Nicole Gonçalves, Lurdes Carriçal e pelas ALGARVE INFORMATIVO #147

bailarinas Vânia Lourenço, Victoria Panea, Catarina Duarte, Filipa Goulart e Catarina Dias. Quanto aos sketches, continuam a incidir sobre os temas que marcam a atualidade regional e nacional, com particular destaque para os Pinos, Rotundas e Trânsito que proliferam pela Estrada Nacional 125, que até poderá tornar-se numa Via Internacional, conforme anunciou a Ministra durante a peça, perante a desconfiança de um vendedor de laranjas que não tem pomares e de uma senhora da má vida transformada em profissional de serviços liberais. Num convento diferente sucedem-se as rezas de freiras que são muito pouco católicas e no Infantário Municipal constata-se que 52


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não existe espaços para as crianças nascidas no Município, mas apenas para as de etnia cigana ou oriundas de países de leste e dos PALOP. O Hotel Paraíso foi escolhido por um casal nortenho para a Lua-deMel, mas a mãe do noivo faz questão de partilhar a cama para poupar na despesa. Carlos Pacheco personifica uma Madonna aflita para comprar casa em Portugal e o casal Olga e Ruben Jorge descobre finalmente o porquê de não conseguir ter filhos, depois de um exame de ginecologia estonteante. Risadas não faltam, do princípio ao fim, com breves pausas para descansar durante os bailados e os temas interpretados pela jovem cantora Lurdes Carriçal, que homenageou «O Bombeiro», foi uma «Bailarina» de caixa de música ultrapassada pelas novas tecnologias e entoou temas populares dos ABBA. Com textos originais de Carlos Pacheco, «Pinocada à Algarvia» tem todos os ingredientes para ser um sucesso nacional, com um excelente guarda-roupa, cenários, músicas originais e bailados coreografados por Filipa Goulart. Em síntese, são mais de 50 anos de tradição e experiência, boa parte deles já com Carlos Pacheco no Boa Esperança, refinados pela evolução natural dos tempos e com a utilização dos meios tecnológicos mais avançados, sem nunca retirar a traça genuína desta Revista à Portuguesa bem portimonense . ALGARVE INFORMATIVO #147

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REPORTAGEM

«CARTAS DE DAMASCO» DE ANA LÁZARO DESPERTAM JOVENS PARA O DRAMA DA SÍRIA Texto:

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Cine-Teatro Louletano apresentou, no dia 27 de fevereiro, a peça de teatro «Cartas de Damasco», de Ana Lázaro, em mais um momento do Ciclo «Estórias silenciosas» que cruza a Sociologia, a Cultura e as Artes do Palco para abordar e questionar temas atuais ligados às sociedades contemporâneas, neste caso concreto o papel e visão da Mulher em diferentes culturas. «Cartas de Damasco» é um projeto criado a partir da correspondência entre a criadora e autora Ana Lázaro e Leen Rihawi, uma jovem que cresceu e vive em Damasco, na Síria. A peça inspira-se na troca real de cartas entre estas duas mulheres, que vivem em lugares inversos do ponto de vista cultural, social e político. Em cena constrói-se um lugar que balança entre a realidade e a ficção, contudo, mais do que traçar um discurso expositivo sobre acontecimentos que nos são narrados quase diariamente acerca do conflito que persiste no Médio-Oriente, o espetáculo convida o público, tanto os mais jovens como os adultos, a descobrir cumplicidades entre as palavras que atravessam o globo. Na génese de «Cartas de Damasco» está um encontro entre Ana e Leen, em Barcelona, em 2013, num concurso para jovens escritores, conforme nos conta a autora após uma sessão direcionada para o público escolar. “Uns meses depois começaram a chegar a Portugal notícias do Estado Islâmico que ia ocupando gradualmente o território da Síria e de todas as fações que estavam em conflito naquele país. Sugeri à Leen que me escrevesse com regularidade a narrar ALGARVE INFORMATIVO #147

alguns episódios que iam acontecendo, uma tarefa que se tornou mais complicada porque ela tinha receio daquilo que colocasse na internet. Não sei se os jovens têm a noção de que, quando escrevem uma coisa no Facebook, ela nunca mais desaparece e do peso que ela pode ter, sobretudo quando se está num país em guerra”, refere Ana Lázaro.

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Desde o início que os relatos de Leen Rihawi tinham como objetivo dar corpo a um espetáculo de teatro, no entanto, «Cartas de Damasco» ganhou um caráter mais ficcionado para confrontar os jovens com a noção de que um conflito armado não é uma realidade tão descabida nos tempos atuais. “Quis lembrar que já aconteceram em Portugal situações semelhantes, com as pessoas a viverem 61

no medo, a não puderem falar à vontade. É um espetáculo feito para o público jovem, o que não significa que não possa ser visto por adultos. Simplesmente adaptei a linguagem a uma geração que está a crescer num mundo digital”, explica Ana Lázaro. Linguagem, mas também imagens, porque «Cartas de Damasco» tem uma componente visual muito forte e ALGARVE INFORMATIVO #147


impactante, mesmo não recorrendo a imagens demasiado gráficas como aquelas que nos entram em casa diariamente através da televisão. E a razão é simples: “Às vezes parece que somos tão bombardeados com imagens de violência que elas perdem sentido, tornam-se banais e adormecem-nos, ao invés de nos ativar. Pretendi fazer um paralelismo entre as duas realidades, para que os jovens percebam que a Síria não é um sítio fora deste mundo. Vivem lá miúdos como os nossos, a quem caiu uma guerra em cima, mas que continuam a tentar ir para a escola todos os dias e têm as mesmas crises com os namorados e por aí adiante”, sublinha a entrevistada.

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Ana Lázaro recorda, entretanto, que a presente geração é o fruto e reflexo da educação que recebe, bem como da força que os mais velhos dão às coisas. “Nós, como pais, como educadores, como mediadores, fazemos parte do que esta geração absorve, portanto, não podemos dizer que os miúdos, hoje em dia, estão colados ao computador e olham para a Guerra da Síria como um filme de Hollywood. Se isso acontece é porque a mediação não está a ser bemfeita”, considera a autora. “As guerras não nascem apenas por questões políticas, nem acontecem somente no Médio-Oriente. Acabamos de passar por uma recessão económica brutal que 62


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interferiu com a vida de todos os portugueses. A função do teatro é motivar as pessoas a pensar, é colocar as pessoas a conversar umas com as outras. Na televisão, olhamos para as imagens, desligamos o aparelho e regressamos às nossas vidas”, comenta. “E fico muito feliz por ver equipamentos culturais com abertura para acolher espetáculos como o ALGARVE INFORMATIVO #147

«Cartas de Damasco», para fomentar uma mentalidade de discussão. Não penso que deva haver temas proibidos e que o teatro para crianças tenha a obrigação de ser leve, porque elas são mais inteligentes e perspicazes do que nós imaginamos”, conclui Ana Lázaro .

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REPORTAGEM

3.º SOM RISCADO ESTÁ A CHEGAR A LOULÉ Realiza-se, de 4 a 8 de abril, a terceira edição do Som Riscado – Festival de Música e Imagem de Loulé, com concertos visuais, performances, exposições, instalações interativas, formação e debates para fomentar cruzamentos e diálogos criativos entre os universos da música e da imagem, para além de apresentar abordagens exploratórias e experimentais, de cariz contemporâneo, em torno da arte do som. O epicentro do festival volta a ser o Cine-Teatro Louletano. Texto:

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odrigo Leão, João Paulo Esteves da Silva Trio, Nova Orquestra Futurista do Porto, Tiago Pereira, Triktopus e outros tantos músicos, realizadores, fotógrafos, performers e atores são os protagonistas da terceira edição do Som Riscado, que tem lugar de 4 a 8 de abril em Loulé. «Som Temperado» é o espetáculo de abertura do festival, no dia 4 de abril, pelas 19h, no Cine-Teatro Louletano. Num desafio inédito lançado pelo projeto «Loulé Criativo», estamos perante uma alquimia dos tempos modernos em que o mEEkAInUt (o produtor musical Miguel

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Neto) mistura os sons do objeto que dá nome ao prato (a cataplana) com as sonoridades da sua construção pelos «Caldeireiros de Loulé», e ainda com os sons da confeção pelo Chefe de cozinha do restaurante «Tertúlia Algarvia». A 5 de abril, quinta-feira, o Cine-Teatro Louletano acolhe, pelas 21h30, a Nova Orquestra Futurista do Porto, em absoluta estreia a sul, numa evocação da breve aventura que foi o «Futurismo Português» e os seus autores, salientando o ato libertário da utilização de todos os sons em contextos musicais. Para aliar a sonoridade instrumental à palavra dita (poética), o espetáculo, 68


intitulado «Autópsia de um Futurismo Português», conta com a participação especial do ator Vítor Correia. Rodrigo Leão, acompanhado por um(a) cantor(a) convidado(a), uma formação ancorada num naipe de cordas (violino, violoncelo e viola) e um multiinstrumentista que reproduzirá em palco os ambientes sonoros das gravações originais de «Os Portugueses», atua na noite de 6 de abril, pelas 22h, no CineTeatro Louletano. «Os Portugueses» é um concerto visual que assenta numa versão revista e atualizada dos temas instrumentais de Rodrigo Leão escritos para a série televisiva «Portugal, um Retrato Social», cujas imagens serão projetadas no decorrer do espetáculo. O concerto visual de sábado, 7 de abril, às 21h30, resulta de uma encomenda do Cine-Teatro Louletano ao trio de João Paulo Esteves da Silva, cuja abordagem jazzística, assente na improvisação, se

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aliará ao universo das artes visuais, neste caso a um conjunto de fotografias do músico Bernardo Sassetti que integram a exposição «… e ainda por cima está frio».

partes vocais, ao desenho experimental em tempo real de Pedro do Vale.

O último dia de festival, 8 de abril, conta, às 17h no Cine-Teatro Louletano, com uma performance audiovisual dos criativos e inquietantes Sampladélicos (Tiago Pereira e Sílvio Rosado), já a anunciar o novo disco e mais uma vez reinventando pelo som e pela imagem todo um legado riquíssimo ligado à música tradicional portuguesa. Igualmente resultante de uma encomenda do festival, no dia 8 de abril, pelas 18h30, em jeito de encerramento do Som Riscado, acontece um concerto visual que junta os Triktopus (João Frade, Marco Santos e Diogo Duque), cuja sonoridade é de forte influência étnica, jazzy e de recurso a elementos eletrónicos, loops, samples e

Disponível durante todos os dias do Festival, entre as 10h e as 18h, o Som Riscado oferece, aos vários públicos (crianças, jovens e adultos), «No Human Device #4», a quarta de uma série de instalações interativas onde são exploradas diferentes interfaces audiovisuais pelo projeto Boris Chimp 504. A instalação inaugura a 5 de abril, pelas 18h30, na Casa da Cultura de Loulé, no Parque Municipal.

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INSTALAÇÕES INTERATIVAS

A instalação interativa «Atlas de Instrumentos Utópicos», a cargo da Sonoscopia (Porto), é uma proposta que explora alternativas e possibilidades sonoras e instrumentais usando 70


elementos como a eletricidade, eletrónica, eletromagnetismo, água, entre outros. Terá lugar também de 4 a 8 de abril, no Auditório do Convento do Espírito Santo. No dia de encerramento haverá ainda 71

lugar, dinamizada pela mesma companhia, para a construção de instrumentos utópicos/orquestra de balões num workshop que requer

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modo, na sexta-feira, dia 6 de abril, pelas 18h30, Rodrigo Leão (músico), Ivan Dias (produtor/realizador) e Joana Pontes (realizadora) discutem «Da Imagem à Música: Labirintos e Fascínios do Processo Criativo». No dia seguinte, a 7 de abril, sábado, pelas 16h, Raquel Castro modera o debate entre Henrique Fernandes (projeto «Phonanbient»), Carlos Norton (projeto «ASPA– Arquivo Sonoro Paisagístico do Algarve»), Tiago Pereira (projeto «A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria») e Pedro Glória (projeto «Sonda» e outros), centrado em torno do tema «Paisagens e Cartografias Sonoras: Da Recolha à Reinvenção Artística das Identidades Locais».

inscrição prévia, a realizar entre as 10h e as 13h.

DEBATES E CONVERSAS ENTRE OS UNIVERSOS DA MÚSICA E IMAGEM Depois de duas edições já realizadas, em que deu a conhecer o conceito artístico e as suas principais linhas programáticas, o festival regressa para consolidar a sua vocação e aposta novamente nas componentes reflexiva e formativa. Deste ALGARVE INFORMATIVO #147

Ainda na componente reflexiva, no dia 7 de abril, às 21h30, o músico João Paulo Esteves da Silva, a docente universitária Miriam Tavares e a diretora do São Luiz Teatro Municipal e representante da Casa Bernardo Sassetti Aida Tavares conversam sobre o legado fotográfico do músico Bernardo Sassetti, bem como sobre o processo criativo subjacente ao concerto visual de João Paulo. A exposição de autorretratos de Sassetti «… e ainda por cima está frio» é inaugurada às 18h30, no Cine-Teatro Louletano. 72


O enfoque na componente formativa, sempre com uma atenção especial a propostas interdisciplinares inovadoras dirigidas a crianças e famílias, ganha também forma no concerto de música eletrónica para bebés com a convidada especial SURMA e a Companhia Musicalmente, no Auditório da Escola Secundária de Loulé, com sessões às 10h e 11h30 do dia 7 de abril, sábado.

Cultura de Loulé, Escola Secundária de Loulé, Universidade do Algarve - Centro de Investigação em Artes e Comunicação, ETIC_Algarve, Tertúlia Algarvia e Casa Bernardo Sassetti (Lisboa) .

Tendo o Cine-Teatro Louletano como epicentro, o Som Riscado envolve vários espaços da cidade nas suas atividades, bem como diversos parceiros institucionais do concelho de Loulé e da região algarvia: Loulé Criativo, Casa da

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OPINIÃO

Tão longe e tão perto Paulo Cunha (Professor)

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alvez porque a minha mãe (sua mulher) cegou quando eu tinha apenas dois anos, ele deixou de usar a velha máquina fotográfica com a assiduidade com que, antes, o tinha feito com o meu irmão. Na altura tal não me pareceu estranho, pois na infância queríamos é correr e saltar, e tudo o que nos afastasse da brincadeira, tal como as poses programadas em família, constituía para nós uma enorme «seca»! Ora se, já por si, ele não era grande amante de perpetuar o crescimento dos filhos nas velhas fotografias a preto e branco, com menos vontade de o fazer ficou quando se apercebeu que a sua mulher não usufruiria e desfrutaria do pleno conteúdo das mesmas. Não o culpo por isso, pois o meu pai acabou por ser, como muitos naquele tempo, vítima das circunstâncias. Herdou poucos registos fotográficos da sua família e à sua família poucas fotografias legou. Outros tempos, outras mentalidades… Questiono-me se não terá sido o facto de ver o meu espólio fotográfico de infância confinado apenas a uma dúzia de fotografias que me terá colocado na posição de fotógrafo compulsivo de eventos familiares?! Daí ter visto o meu filho mais velho a crescer e a questionar-me onde é que eu estava nas muitas fotografias de papel que lhe iam enchendo os inúmeros álbuns fotográficos que constituem, hoje, um precioso banco de memórias de infância. É claro que estava, e estarei, atrás da câmara fotográfica! Tendo crescido num tempo em que o mais parecido com uma «selfie» era ligar o temporizador e fugir para junto do motivo a fotografar, esperando assim «aparecer no boneco», continuo a gostar mais de deixar a minha impressão digital na foto que tiro do que na fotografia que me tiram. Com o advento dos telemóveis multifunções, onde telefonar acabou por se tornar um ato secundário, as câmaras fotográficas/vídeo acopladas e integradas nos ditos telemóveis fizeram com que quase todos nós tenhamos na mala ou no bolso um utensílio pronto a fotografar o esperado e o inesperado. Com a possibilidade de, automaticamente, podermos guardar as fotos em plataformas digitais que alojam e

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partilham qualquer tipo de ficheiro que lá coloquemos, rapidamente e sem darmos conta, aquilo que no tempo dos meus pais estaria na linha do «oito» passou, no tempo atual, para o «oitenta»! Tal como eu, muitos de vós sabeis quantas e quais foram as fotos que registaram o caminho trilhado até chegarem à idade adulta. São tão poucas que se tornaram recordações únicas e insubstituíveis. Daquelas que só imaginar perdê-las provoca-nos logo um calafrio. Por oposição, grande parte dos jovens que, a toda hora, registam e partilham os seus momentos de vida diária, automaticamente as tornam temporárias e as apagam, pois, entre tantas, não notarão a sua falta, nem sentirão qualquer diferença por tê-lo feito. Estando atentos a estes fenómenos de acumulação desenfreada de dados, os ideólogos e estrategas das várias redes sociais de comunicação viram na partilha das fotos e vídeos dos seus membros uma forma de chegar a mais potenciais clientes. E em boa altura o fizeram, pois deram-nos a possibilidade de podermos, de uma forma parcimoniosa e inteligente, proporcionar aos outros aquilo que muitos dos nossos pais faziam quando recebiam visitas em casa – mostrar o seu álbum de fotografias. É assim que vejo a minha presença numa rede social, onde com o mesmo agrado com que na juventude guardei fotos, recortes e pensamentos, hoje faço-o digitalmente, chegando assim a mais amigos e a velhos e novos conhecidos. E com o benefício, óbvio, de os ver chegar também até mim. Jamais pensei que, à distância de um simples «clic», poderia acompanhar diariamente - em privado - o crescimento de um priminho que vive em Lisboa e de uma sobrinha-neta que reside no Porto. É caso para dizer: tão longe e tão perto! Um álbum digital que se vai construindo dia a dia e que, de foto em foto, de vídeo em vídeo e de comentário em comentário me/nos vai enchendo a vida de sorrisos e de bemestar. Saibamos adaptar-nos e usar em nosso proveito os avanços tecnológicos no que à comunicação diz respeito e conseguiremos construir pontes onde alguns querem construir muros! . 76


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OPINIÃO

Hoje sou Cigano Paulo Bernardo(Empresáro)

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esde que me lembro de ser, sempre convivi com ciganos. Eram a Maria do Carmo cigana assim conhecida e o Tio Salvador o seu esposo, apareciam em casa dos meus avôs, não me lembra se vendiam algo, se não, mas passavam. Sempre me habituei a não ver diferença entre um cigano e nós, apenas que eram ciganos. Para mim era como serem pessoas de um local diferente, como havia os alentejanos, as pessoas da serra, os amigos do norte, os holandeses e os ingleses, o ser cigano para mim era como ser de outra localidade, nada de anormal ou estranho. Podia continuar este texto dizendo que os ciganos vivem à custa da sociedade e de certeza que iria ter muita gente a apoiar-me e a dizer que sim, que o melhor mesmo era colocá-los como Adolfo Hitler fez nas camaras de gás e pronto. Assunto resolvido. Contudo, para quem faz esta leitura superficial e bacoca, quero apenas contar uma história. A problemática dos ciganos é um tema recente, pois quando a Maria do Carmo e o Tio Salvador andavam entre São Brás e Faro não eram votos. Quando os ciganos se transformaram em votos aí a coisa mudou. Para vos recordar esta problemática, basta ver os artigos sobre as eleições no PSD e a estranha votação massificada pelos habitantes da praia de Esmoriz, onde uma população pobre e carente diz que não sabem bem em quem votam e votam porque tem incentivos, e que as quotas partidárias são pagas por um amigo. Pobreza misturada com votos e dinheiro dá votação massificada em quem paga. Assim voltamos aos ciganos. Meus amigos, os ciganos representam votos, esse é o tema, como diz um amigo meu, “o voto

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de um cigano vale tanto como o voto do Presidente da República”. Assim voltamos à história dos votos e dos ciganos. Vamos pensar a quem interessa os ciganos, como alguém diz, basta seguir o dinheiro. Alguns ciganos, pobres, vivem em barracas, como os pescadores pobres da praia de Esmoriz, como os africanos nos arredores de Lisboa, como quem vai buscar comida às instituições de solidariedade social. Infelizmente conheço muitos, necessitados de várias cores, etnias e origens, e o apoio que se lhe dá é mais que merecido. Contudo, voltamos ao lado perverso da ajuda. Um político necessita de votos para ser eleito, as nossas cidades têm uma população em que as eleições são decididas por poucos votos de diferença. Vamos pensar se uma eleição se faz pela diferença de 100 a 150 votos, quem controlar os ciganos, controla quem ira ser o Presidente do Município, Freguesia, Concelhia do Partido, o que seja. Então como é que isto se faz? Primeiro atrai-se o máximo de ciganos para a nossa cidade, vila, o que seja, com o acenar de umas benesses. A primeira é o fácil acesso ao rendimento mínimo, isso não sei como se faz, mas faz-se. Depois arranja-se uns terrenos para colocar umas barracas, e vai-se lá com uns caciques dizer que, se votarem em A ou B, vão ter casa. Quem é pobre e necessitado, seja cigano, africano, algarvio, o que seja, vai querer receber algo para melhorar as suas condições. Assim, aos políticos não lhe interessa que os ciganos saiam da pobreza, pois o voto de um pobre vale tanto como o voto do Presidente da República .

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OPINIÃO

Somos (+) Europa?! José Graça

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laborada no rescaldo das Autárquicas de 2017, foi divulgada esta semana mais uma edição do Eurobarómetro, onde destacamos os níveis absolutamente extraordinários de confiança dos portugueses com a sua democracia, comparativamente com a generalidade dos europeus. Resultado de uma iniciativa do Parlamento Europeu, o Eurobarómetro serve para recolher a perceção e as expetativas dos cidadãos sobre as suas atividades e as da União Europeia no seu conjunto, constituindo uma ajuda preciosa para preparar, determinar e avaliar o seu trabalho. Nesse contexto, tanto os deputados como o leitor comum passam a dispor de informações sobre as atitudes dos Europeus perante as alterações climáticas ou a atual situação económica, por exemplo, mas também sobre o modo como os cidadãos encaram e aquilo que esperam das eleições europeias, do Parlamento Europeu e da integração europeia em geral. Como principais resultados desta última edição, nomeadamente sobre a perceção dos portugueses, sublinhem-se as melhorias continuadas na avaliação da economia doméstica, que é a mais positiva desde 2004, embora tal avaliação ainda seja mais negativa do que positiva. Para esta avaliação negativa contribuem certamente as preocupações em matéria de desemprego, saúde e segurança social e a situação económica de per si, sobrecarregada pela dívida pública, que muitos assumem como um encargo para um desenvolvimento sustentável de Portugal. Mesmo assim, o nível de contentamento com a democracia nacional é o mais alto desde 1991, declarando-se 72 por cento dos inquiridos satisfeitos, colocando Portugal em nono lugar entre os 28, numa lista liderada por três monarquias: Dinamarca, Suécia e Luxemburgo.

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Entre os povos da Europa, os portugueses destacam-se pelo seu apoio ao projeto europeu, embora tal não se traduza em grande participação nos atos eleitorais para o hemiciclo de Bruxelas. No final de 2017, a União Europeia tinha uma imagem muito positiva em Portugal, invertendo completamente os padrões negativos verificados entre 2011 e 2015, e os inquiridos manifestaram o desejo de acelerar e aprofundar o processo de construção europeia. Certamente, os contributos de algumas personalidades nas altas esferas internacionais e a consciência de que grande parte do investimento público e privado é proveniente de fundos europeus ajudou a melhorar esta imagem, mas o tradicional espírito de abertura dos portugueses ao mundo também pode ser determinante. Talvez por isso, os portugueses apresentam comportamentos favoráveis à imigração, se comparados com a média dos europeus, considerando os imigrantes como uma mais-valia do país e declarando-se favoráveis à imigração, seja esta proveniente dos demais Estados-membros, sejam de outros países, manifestando apenas algum receio face aos refugiados. Com perspetivas demográficas preocupantes, especialmente nos territórios do interior, a melhoria dos saldos migratórios e o regresso de jovens quadros que optaram por abandonar o país durante o período de resgate financeiros podem ser fundamentais para combater o peso do envelhecimento nas contas nacionais. Se estas tendências permanecem estáveis por mais algum tempo, se os níveis de participação nas eleições do próximo ano forem melhores, poderemos dizer que estamos no bom caminho e somos (+) europeus! . (Membro do Secretariado Regional do PS-Algarve e deputado da Assembleia Intermunicipal do Algarve)

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OPINIÃO

Universos femininos na cultura ocidental Adília César (Escritora) “Quanto mais impedimentos legais e materiais as mulheres superaram, mais rigorosa, forte cruelmente têm vindo a pesar sobre nós as imagens da beleza feminina […] Durante a última década, as mulheres irromperam na estrutura do poder; ao mesmo tempo, os distúrbios alimentares aumentaram de forma exponencial e a cirurgia plástica tornou-se a especialidade que mais rapidamente cresce”. (Naomi Wolf, in «O Mito da Beleza», 1991)

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propósito do Dia Internacional da Mulher, comemorado a 8 de março, o qual pretende realçar como todas as mulheres são valiosas enquanto pilares universais, a julgar pelos inúmeros papéis que lhes são atribuídos na cultura ocidental, no seio da família e na sociedade, os quais são valorizados em menor ou maior grau, tendo em conta inúmeras variáveis que não interessa agora referir, infere também, no entanto, um princípio cultural comum: o de que a beleza feminina é fundamental para o bemestar, felicidade, sucesso e tudo o mais a que as mulheres aspiram e/ou exigem como seus direitos. Mas… de que falamos quando falamos de beleza feminina? E porque são as mulheres mais ou menos valorizadas tendo em conta a sua aparência? E que perigos acarreta a submissão aos padrões de beleza a todo o custo? Todas as mulheres querem ser «bonitas», mas e se essa beleza for usada como exigência e como principal juízo de valor, ou seja, contra as mulheres? Em 1991, Naomi Wolf aborda esta questão no ensaio «O Mito da Beleza», o qual, na minha opinião, deveria ser lido por todas as mulheres, apesar de conter algumas contradições e até omissões históricas importantes. Porquê? Porque é um bom ponto de partida para as mulheres reflectirem sobre as suas próprias vidas. Não é raro que entre mulheres as conversas incidam sobre o seu aspecto: “estou gorda”, “não consigo fazer nada do meu cabelo”, “o meu peito é demasiado pequeno”, “no próximo Verão não posso vestir bikini, tenho uma barriga enorme”, “a minha pele está cheia de rugas”, “estou carregada de celulite”, “só tenho trapos velhos para vestir”, e por aí fora… Muitas mulheres acreditam que teriam uma vida melhor e

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seriam mais felizes se perdessem algum peso, se pintassem o cabelo de outra cor, se se submetessem a uma mamoplastia para aumentar o tamanho dos seios, a uma abdominoplastia para diminuir o tamanho da barriga, se fizessem um lifting facial, um tratamento para combater a celulite, ou se ganhassem quinhentos euros numa raspadinha para gastar em roupa, sapatos e adereços, e assim por diante. Uma mão cheia de disparates. Apesar de ser louvável a boa aparência dentro dos limites normais e adequados, dentro e fora de casa, é necessário que as mulheres ultrapassem o conceito idealizado de beleza feminina e não esqueçam que o mito da beleza tem uma forte conotação política, contribuindo para manter o sistema patriarcal, implicando a submissão das mulheres a um padrão de beleza impossível de atingir pela maioria delas, além de conduzir a sentimentos de culpa, de vergonha e de infelicidade ao longo desse processo obsessivo de tentativas por vezes invasivas ou violetas de se tornarem mais «bonitas», assumindo ainda o risco consciente de colocar a sua saúde em perigo. Na verdade, as mulheres libertaram-se do jugo opressor de outros séculos, pois hoje têm mais direitos e mais oportunidades. Mas o mito da beleza parece ter sido assumido por toda a sociedade, incluindo as próprias mulheres, como uma vigilância social sobre o universo feminino. A cultura ocidental «avalia» as mulheres, as mulheres avaliam-se a si mesmas e avaliam as outras, segundo padrões de uma «mulher ideal» que talvez nunca venha a existir. Naomi Wolf chama a este fenómeno «pornografia da beleza», uma espécie de engenharia social que visa manter as mulheres entretidas em eterna competição entre si. É mesmo isto que queremos? Ou haverá outras lutas mais sublimes? .

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OPINIÃO

O Golfe e as Mulheres Antónia Correia (Professora)

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m pleno século XXI, o problema da discriminação ainda persiste e o golfe é disso um exemplo claro. Um desporto/atividade turística praticada por 80 por cento de homens e 20 por cento de mulheres deve ser conotada como masculina. Esta tradição masculina dura há séculos e persiste. Um estudo da Professora Helena Reis, da Universidade do Algarve, mostra que até há bem pouco tempo atrás existiam cartazes à porta de clubhouses, na Europa com os dizeres «women are not welcome». Este mesmo estudo revela que os escassos 20 por cento de mulheres praticantes só começam a praticar golfe quando motivadas pelos pais, ou pelos companheiros/maridos. O sentido de responsabilidade familiar e a certeza que competir e ganhar a um homem não é socialmente bem aceite, levam as poucas mulheres que jogam ou jogaram a abandonar o desporto. Comentários como “a família vem primeiro”; “ não entro em competições mistas”, “ só jogo com pessoas do género feminino”, mostram bem que são as mulheres que se colocam numa situação de relativa discriminação. É certo que não foram ouvidos homens, mas também é certo que eles próprios viajam em grupos de amigos para o Algarve para jogar,

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normalmente numa viagem que não inclui mulheres. O Algarve, região onde decorreu este estudo, é conhecido como o melhor destino de golfe do mundo. Esta supremacia desportiva e turística é, no entanto, suportada num modelo de desenvolvimento ancestral, onde hierarquias sociais e desigualdade de género persistem. Apesar de esta situação ser tacitamente aceite por homens e mulheres, importa questionar se não é tempo de inverter esta situação, promovendo a necessária interação entre ambos os géneros. Adaptar os campos às necessidades femininas, introduzir mais vestuário de golfe nos clubhouses e evitar cartazes que as excluam, constitui a forma dos gestores de campos de golfe inverterem uma situação que, apesar de passivamente aceite, pode comprometer a evolução dum negócio que depende das pessoas. A resignação das mulheres em pleno século XXI, que chamam a si todas as responsabilidades familiares e que evitam a competição mista, surpreende. Quando a igualdade de género é discutida publicamente e não se contestam situações como esta, apetece perguntar: Queremos ou não uma sociedade equitativa? .

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OPINIÃO

A desertificação do interior é um problema Fábio Jesuíno (Empresário)

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desertificação do interior em Portugal é a maior ameaça ao seu desenvolvimento, pelo que é urgente a implementação de medidas para combater o despovoamento e a interioridade. O abandono do interior tem crescido nos últimos anos e chegado a níveis muito preocupantes e aplica-se inicialmente aos serviços básicos, como o abandono dos serviços dos CTT, centros de saúde, postos da GNR, escolas, tribunais, comboios e até um aeroporto em Beja. Depois do abandono destes serviços, é inevitável que o despovoamento aconteça. Viver no interior é atualmente um grande desafio, principalmente para os idosos que necessitam de cuidados redobrados de saúde. É indispensável a criação de incentivos permanentes para manter e promover a fixação da população no interior, incentivos fiscais e o melhoramento das vias de acesso são fundamentais para uma melhor integração. Dados recentes do Observatório da Desertificação apontam para um aumento gradual da área suscetível de desertificação em Portugal, atingindo 58 por cento do território, tendo ultimamente forte incidência no Algarve. Já foram aprovadas algumas medidas para combater a desertificação e uma das que tem maior relevo foi o critério criado pelo atual Programa de Desenvolvimento Rural (PDR 2020) que representa 20 por cento das medidas. Mas este instrumento ainda é pouco representativo, principalmente no que toca aos apoios à competitividade na agricultura. A desertificação é, acima de tudo, uma necessidade de recuperação do capital social e humano das várias zonas de interior do nosso país. Por esse motivo, os incentivos à criação de emprego são dos que mais rapidamente têm impacto e resultados muito animadores, podendo mesmo ser acompanhado pela tendência relacionada com o empreendedorismo que se vive em Portugal,

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destacando a área das novas tecnologias que permitem uma maior mobilidade. Existe uma grande concentração de apoios ao empreendedorismo de sucesso nos grandes centros urbanos e uma parte pode ser canalizado para os meios rurais através da criação de estruturas de incubação de empresas com condições e programas de aceleração que promovam uma componente de intercâmbio internacional e, dessa forma, se consiga atrair jovens, fundamentais para combater a desertificação. Já foram implementados alguns projetos de promoção de empreendedorismo no interior e alguns tiveram sucesso, mas na sua maioria não tiveram continuidade e apresentaram resultados pouco animadores, não tendo cumprido os principais objetivos. Somos dos países do mundo com melhores redes de acesso a internet em meio rural, existem zonas com acesso de fibra financiadas por fundos europeus e pelo governo, um grande investimento que foi pouco aproveitado, porque é importante promover essa utilização e as suas vantagens e assim atrair criação de projetos e pessoas. São claramente importantes boas vias de acesso às principais cidades do interior, uma aposta dos transportes públicos, mas existe um grande défice nessa área, principalmente no Alentejo. Tendo em conta que Portugal é um país pequeno, a falta de vias de acesso torna-o difícil de percorrer, tornandose dessa forma o interior mais isolado. Sei que a desertificação é difícil de combater, mas tenho a certeza que uma estratégia de promoção do empreendedorismo no interior é a forma que pode trazer mais resultados e tornar, acima de tudo, o nosso país mais desenvolvido com menos desigualdades .

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ATUALIDADE

FESTIVAL DO CONTRABANDO VOLTA A LIGAR PORTUGAL E ESPANHA ATRAVÉS DA ARTE E DE ESTÓRIAS DE OUTROS TEMPOS

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epois dos milhares de visitantes que acorreram à primeira edição, Alcoutim e Sanlúcar do Guadiana voltam a receber o Festival do Contrabando, de 23 a 25 de março. A realização deste festival integra-se numa estratégia de desenvolvimento turístico do concelho de Alcoutim, assente na promoção do património natural, histórico, gastronómico e cultural, onde as vilas de Alcoutim e Sanlúcar de Guadiana se «vestem» a rigor e proporcionaram aos visitantes um variado cartaz de eventos culturais, espetáculos de música, teatro, artes e ofícios tradicionais, arte circense, animação ALGARVE INFORMATIVO #147

musical, personagens como os contrabandistas e guardas-fiscais a passear pelas ruas, workshops de ofícios tradicionais, Jornadas do Contrabando, Concurso de Fotografia ou ainda visita a monumentos da história da região e do contrabando, tendo sempre presente a beleza e imponência do Rio Guadiana. O primeiro Festival do Contrabando contou com uma ponte pedonal que ligou ineditamente as margens de Alcoutim a Sanlúcar do Guadiana e, este ano, a travessia do Guadiana é novamente uma das propostas que o Festival apresenta aos visitantes. Vai-se celebrar, então, a arte, a cultura, a gastronomia e o património 88


natural partilhado por ambas as vilas, mas também recordar a atividade ilícita do comércio, que é tido como mote para a (re)criação de tempos idos, onde muitas são as estórias partilhadas de pessoas que atravessavam a nado o rio de modo a poderem sobreviver. Se do lado de cá existia o Estado Novo, do lado de lá existia uma Guerra Civil entre Franquistas e Republicanos. É daqui que surge o ponto comum, as histórias do outro lado do rio em que tudo se assemelham às contadas através da língua de Camões. Se a miséria e a fome aconteciam do outro lado da fronteira, em Portugal a falta de dinheiro era um problema. Com ordenados mensais que mal perfaziam um dia de lucro com o contrabando, desde logo foram muitos os que foram atraídos pela atividade.

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Colocando em risco a sua vida e a dos familiares, os contrabandistas do Guadiana desejavam garantir a sua sobrevivência, comercializando café, ovos e bebidas alcoólicas em troca de miolo de amêndoa – um produto de qualidade e bastante caro em território lusitano -, o que lhes possibilitaria o dobro do investimento já feito. Organizado pela Câmara de Alcoutim em parceria com o Ayuntamiento Sanlúcar de Guadiana e com o apoio do Governo de Portugal, Turismo de Portugal, Região de Turismo do Algarve e «365 Algarve», o Festival do Contrabando vem recuperar essas memórias e reviver tempos idos que tão profundamente estão marcados na história do Concelho, das suas gentes e do Rio Guadiana .

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ATUALIDADE

«FARO REQUALIFICA» PROSSEGUE COM A REQUALIFICAÇÃO DA ESCOLA E.B.1 DE AREAL GORDO

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oi adjudicada pela Câmara Municipal de Faro mais uma intervenção integrada no «Faro Requalifica», plano de obras municipais para melhoria da rede viária e de espaços públicos da cidade e freguesias. Trata-se, desta feita, da empreitada de requalificação da Escola E.B.1 de Areal Gordo, que tem como objetivo proceder, ao nível da intervenção exterior, à criação de um recreio coberto e à reformulação da entrada. Pretende-se igualmente a requalificação da entrada do edifício através da elevação do pavimento que compreende toda a frente sul, assim como a melhoria da ALGARVE INFORMATIVO #147

acessibilidade com a construção de uma rampa de acesso. Ao nível da intervenção interior do espaço, será efetuada a alteração do núcleo atualmente ocupado pela cozinha e instalações sanitárias, através da criação de novas áreas de trabalho. A empreitada compreende ainda a substituição dos pavimentos das áreas a intervencionar bem como do átrio de entrada, hall de distribuição no piso superior e sala polivalente. A empreitada foi adjudicada à «Sociedade Ambartrans-Transportes, Lda.», pelo montante global de 101 mil e 608,01 euros, acrescido de IVA à taxa legal em vigor .

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LOULÉ CRIATIVO ENSINA A ENTRELAÇAR A PALMA

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Câmara Municipal de Loulé reforçou o trabalho que tem vindo a desenvolver na valorização de saberes associados a atividades artesanais que contribuíram para a construção da identidade do Concelho, com a abertura da «Casa da Empreita», um espaço que, integrado no projeto «Loulé Criativo», reedita em moldes atuais o que há mais de um século eram as casas da empreita que então existiam um pouco por todo o Algarve. Esta oficina conta com a colaboração de 12 artesãs que trabalham e comercializam diariamente o que produzem, entrelaçando a palma para produzir diversas peças: sacos, alcofas, capachos, peças de formato mais tradicional ou inovador. A partir de agora, os visitantes terão a oportunidade de participar em

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workshops de três horas para aprender a técnica da empreita e fazer um capachinho de palma com uma das artesãs residentes. Aqueles que desejem trabalhar a folha da palmeira anã de outra forma poderão participar na atividade de malha de palma e realizar uma cedoira. O programa anual de workshops encontrase disponível na página da iniciativa, através do http://loulecriativo.pt/pt/turismocriativo/ex periencias. Ao longo do mês de março, os visitantes podem igualmente realizar atividades relacionadas com a tradição da Páscoa ou mesmo juntar-se à Associação Os Barões e participar no 4.º Festival do Vinho da Nave do Barão, com prova de vinhos, almoço tradicional e workshops de artesanato .

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ATUALIDADE

TRIATLO DE QUARTEIRA FOI APRESENTADO NA MAIOR FEIRA DE TURISMO DO PAÍS

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Câmara Municipal de Loulé e a Junta de Freguesia de Quarteira levaram à Bolsa de Turismo de Lisboa a apresentação do XVII Triatlo Internacional de Quarteira Carlos Gravata, uma iniciativa que, para além da componente desportiva, é cada vez mais um cartaz turístico desta cidade. Em 2018, a prova realiza-se nos dias 24 e 25 de março, sendo que, no primeiro dia, terá lugar a prova de elites mundial e europeia, em que 150 atletas de 26 países irão percorrer uma distância olímpica. A prova feminina acontece às 13h45, ALGARVE INFORMATIVO #147

enquanto que o sector masculino entra em ação às 16h30. No segundo dia de prova, 25 de março, é a vez dos escalões juniores participarem nas provas de natação, ciclismo e atletismo, numa distância sprint. As equipas femininas disputam a prova a partir das 8h45, com as equipas masculinas a competirem a partir das 10h. No escalão Júnior participam 130 atletas de 16 países. Ainda no dia 25 realizase a Taça de Portugal de Triatlo, com provas a disputar nas categorias de age-groups. Aqui serão 450 os atletas em competição.

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Recorde-se que, em 2017, participaram no Triatlo de Quarteira 700 atletas, estando representados 31 países. Outros dados relevantes da última edição foi a presença de 30 dirigentes, dois mil acompanhantes, 200 voluntários, 100 elementos do staff, cinco mil espectadores e uma audiência de 500 mil pessoas. “Na Europa, nesta altura do ano, não há ninguém que possa combater a nossa região em termos da realização de desportos outdoor”, garantiu Telmo Pinto, presidente da Junta de Freguesia de Quarteira. O evento teve a sua génese logo em 1991, com a primeira prova de triatlo realizada no Concelho de Loulé. Em 2002 tem lugar a primeira edição do Triatlo Cidade de Quarteira que, em 2006, aquando a sua sexta edição, passou a designar-se Triatlo Cidade de Quarteira – Prof. Carlos Gravata, em homenagem ao mentor da prova. Em 2009, passou a

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integrar a Taça da Europa de Triatlo – Elites, e passados três anos, em 2012, foi a vez da 1.ª edição da Taça da Europa de Triatlo – Júnior. Quarteira tem vindo a afirmar-se nesta modalidade não só com a realização deste Triatlo que acontece por altura da primavera mas também, no Inverno, com o Algarve Tri Run, que em 2018 tem, a 18 de novembro, a sua quarta edição. O presidente da Junta de Freguesia de Quarteira referiu igualmente a importância das instalações desportivas da cidade que tornam Quarteira atrativa, não só para ser palco de eventos desportivos, mas também para receber estágios de equipas nacionais e estrangeiras: uma piscina coberta de 6x25m+2x50m, uma pista de atletismo tartan 8x400m e nove percursos de ciclismo no Portugal in Cycling, entre outras infraestruturas .

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LOULÉ PREPARA ÉPOCA DE INCÊNDIOS COM NOVO VEÍCULO INOVADOR NA REGIÃO

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Município de Loulé e o seu Corpo de Bombeiros Municipais já iniciaram a preparação da próxima época de incêndios florestais, com a corporação a contar com mais um Veiculo Florestal de Combate a Incêndios (VFCI). Trata-se de um veículo inovador na região do Algarve, quer pela sua capacidade de combate, quer pelas inovações tecnológicas que o equipam, quer pelas condições de segurança ativas e passivas que proporciona aos seus operacionais. O valor deste veículo rondou os 170 mil euros, com um cofinanciamento pelo Fundo de Coesão da União Europeia, no âmbito do Portugal 2020, ao abrigo do POSEUR - Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de

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Recursos. O Corpo de Bombeiros Municipais já se encontra em pleno trabalho de antecipação, na preparação e planeamento no âmbito de uma resposta efetiva em termos de combate. A aquisição deste veículo é, de resto, uma das medidas em curso do Dispositivo Florestal de Combate a Incêndios 2018. O Município de Loulé estende-se por uma área de 763,67 quilómetros quadrados, dos quais 40 por cento são ocupados pelas classes de perigo de incêndio florestal muito elevada e elevada, e cerca de 51,3 por cento da sua superfície classificada como área protegida, englobando uma grande diversidade de habitats, ricos em fauna e flora, património geológico e outros recursos que urge proteger da ameaça dos incêndios florestais .

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CÂMARA DE VILA DO BISPO PATROCINA ATLETA DE TRIATLO FERNANDO DAMAS

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atleta de triatlo Fernando Damas vai ser apoiado pela Câmara de Vila do Bispo nas provas desportivas em que participará ao longo de 2018, com uma verba de cinco mil euros. A assinatura do protocolo de patrocínio entre o atleta e a autarquia, representada pelo seu presidente, Adelino Soares, decorreu no dia 7 de março, no salão nobre da Câmara Municipal. Para Adelino Soares, presidente da Câmara Municipal, o montante atribuído representa um forte contributo na comparticipação das despesas do atleta e contribuirá para a melhoria das condições da sua participação nas provas que irão acontecer ao longo do ano. Como contrapartida deste apoio, o atleta fica obrigado a inserir o logótipo do município ou outros elementos promocionais na sua bicicleta, viaturas de apoio e equipamentos usados durante as provas, a fazer referência ao patrocínio da Câmara Municipal de Vila do Bispo nas ações de divulgação na internet, e ainda à inserção do logotipo ou menção do

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patrocínio em todas as ações de comunicação com os media. Nas décadas de 80 e 90, o atleta alcançou vários títulos de campeão nacional e um título de campeão ibérico. Nos últimos anos, obteve alguns resultados de destaque, no escalão correspondente à sua idade (veteranos), nomeadamente: Vice-campeão Nacional de Triatlo, em 2017, Campeão Ibérico de Triatlo Sprint e Campeão Nacional de Aquatlo, em 2016 e Campeão Nacional de Duatlo, em 2015. Em 2018, Fernando Damas pretende participar no Ironman de Lanzarote, em maio, e obter classificação para que possa estar presente no Ironman no Havai, em outubro .

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OLHÃO ASSINALOU DIA INTERNACIONAL DA PROTEÇÃO CIVIL COM VÁRIAS INICIATIVAS

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Município de Olhão comemorou o Dia Internacional da Proteção Civil, no dia 1 de março, com um conjunto alargado de iniciativas cujo objetivo passou por demonstrar a importância e a dinâmica da Proteção Civil a nível municipal. Sob o lema «somos todos Proteção Civil», muitas foram as atividades que decorreram, com destaque para a entrega de kits de primeirossocorros a todas as escolas e a diversas instituições do concelho, e para a apresentação ao público do projeto de arquitetura do novo quartel dos bombeiros. Decorreu, assim, na Escola Básica do 1.º Ciclo da Fuseta, um exercício de teste de evacuação destinado à comunidade

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escolar, que concretizou os treinos de rotina que são levados a cabo em toda a generalidade das escolas do concelho, fomentando nos mais novos uma crescente cultura de segurança. Um dos pontos altos deste dia aconteceu nos Paços do Concelho, que acolheram a cerimónia de entrega de 50 mochilas equipadas para primeirossocorros, que irão equipar todas as escolas públicas do concelho. Esta oferta por parte do Município foi extensiva a outras entidades e serviços do concelho com necessidades mais urgentes nesta matéria, e que ficam, assim, equipadas para fazer face a situações de emergência que eventualmente ocorram. A «casa» da Proteção Civil Municipal, o quartel dos bombeiros, esteve aberto ao

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público durante todo o dia, nomeadamente durante as cerimónias de promoção a bombeiros de 2.ª classe de 15 bombeiros profissionais e de integração dos novos bombeiros recrutas nas brigadas operacionais, após mais de mil horas de formação profissional adquirida. O Dia Internacional da Proteção Civil foi também assinalado em Olhão com a apresentação do novo uniforme em serviço dos trabalhadores do Serviço Municipal de Proteção Civil e com a conclusão do processo de reequipamento do Corpo de Bombeiros. Foram entregues aos soldados da paz olhanenses blusões, fatos para chuva e capacetes de combate aos incêndios. Nesta data foi igualmente apresentado o projeto de arquitetura do novo quartel 97

dos bombeiros, para além de ter entrado ao serviço o novo reboque para a recolha de equídeos, recentemente adquirido pela autarquia para dar resposta ao transporte e remoção destes animais no concelho. As comemorações do Dia Internacional da Proteção Civil em Olhão culminaram com uma Jornada de Trabalho na Biblioteca Municipal José Mariano Gago, que incluiu uma reunião da Comissão Municipal de Defesa da Floresta Contra Incêndios de Olhão, para aprovação do Plano Operacional para 2018, bem como a reunião entre o Centro de Coordenação Operacional Distrital e a Comissão Municipal de Proteção Civil, que passou em revista toda a atividade da Proteção Civil de Olhão .

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FRANCÊS EVAN FURNESS VENCEU 27.º FARO FUTURE PORTUGAL 2

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hegou ao fim, no dia 5 de março, às 23h25, o 27.º Faro Future Portugal 2, saindo vencedor o francês Evan Furness, que ganhou por um duplo parcial 6-1 ao seu compatriota David Guez, 295.º colocado do ranking mundial ATP. O evento organizado pelo Centro de Ténis de Faro foi marcado por uma intensa chuva, ventos fortes e até um tornado, mas isso não impediu a realização dos jogos, “graças a uma equipa que, mal acabava de chover, limpava os campos, numa média de 10 vezes ao dia”, segundo revelou José Rosa Nunes, presidente do CTF.

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José Rosa Nunes revelou ainda que este foi o torneio de ténis com mais atletas profissionais que se fez em Portugal e deixou fortes palavras de agradecimento ao público que, durante 10 dias, foi assistir às partidas e, sobretudo, aos patrocinadores, dos quais se destacaram a Câmara Municipal de Faro, Hotel Baltum, Junta de Freguesia do Montenegro, Decathlon, Hospital das Gambelas Grupo HPA, Optimax, Frangaria, Rialgarve, Artengo, Garrafeira Soares, GFI, Ford-FIAAL e FPT .

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ATLETAS DO CLUBE ORIENTAL DE PECHÃO CONQUISTAM MEDALHAS DE OURO E PRATA NO CAMPEONATO NACIONAL DE ESPERANÇAS

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Clube Oriental de Pechão (COP) voltou, nos dias 10 e 11 de março, à conquista de medalhas (três de ouro e uma de prata) no Campeonato Nacional de Esperanças (Sub 23), que decorreu em Pombal, com particular destaque para Fatoumata Diallo, dupla campeã nacional nos 400 metros com 58,24 (58 segundos e 24 centésimos) e nos 200 metros com 25,00 (novo recorde pessoal e do Algarve), tendo sido ainda 6.ª classificada nos 800 metros com 2.22,29.

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Também em evidência estiveram as marchadoras (três mil metros marcha), com Edna Barros a sagrar-se campeã nacional pelo terceiro ano consecutivo, com 12.58,36; Laura Leal foi medalha de prata com 13.28,97; Maria Bernardo alcançou o 4.º lugar com 14.03,87 (recorde pessoal). Catarina Marques foi 8.ª no salto com vara, saltando 2,55 metros, e Gonçalo Ferreira participou nos 60 metros (7,26) e no salto em comprimento (6,28 metros). Na classificação geral, a equipa feminina do COP foi 4.ª classificada com 35 pontos, a 19 do pódio .

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ALGARVE VOLTOU A DESPERTAR CURIOSIDADE NA FESTA DOS ÓSCARES

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Algarve esteve numa das várias festas que antecederam a grande noite dos Óscares, onde participaram não só alguns dos nomeados para as várias categorias, mas também muitas outras celebridades da área do cinema, televisão, moda e desporto. Nomes consagrados como Viola Davis, Susan Sarandon, Doug Jones, Mark Hammil, – conhecido por interpretar Luke Skywalker na saga de ficção científica Star Wars – ou ainda Alexandre Desplat, o compositor francês que se sagrou vencedor do Óscar para Melhor Banda Sonora pelo seu trabalho no também premiado filme «A Forma da Água», foram algumas das cerca de 70 personalidades que tiveram a ALGARVE INFORMATIVO #147

oportunidade de ficar a conhecer um pouco mais sobre o Algarve e de receber um voucher com a oferta de estadia num dos seguintes resorts de luxo da região, associados da ATA que aceitaram participar nesta ação: NAU Hotels & Resorts; Grande Real Santa Eulália Resort & Hotel Spa; Real Marina Hotel & Spa e Hilton Vilamoura. Dinamizada pela Associação Turismo do Algarve (ATA), a agência responsável pela promoção externa desta região enquanto destino turístico, esta ação foi realizada em parceria com a revista norte-americana «Swanky Retreats», uma publicação dedicada às temáticas das viagens e lifestyle e dirigida a um segmento apreciador do turismo de luxo e diferenciador. “Tendo em conta o elevado impacto que tivemos com 100


esta ação em 2017 em termos de visibilidade e de projeção internacional, este ano decidimos repetir a fórmula, despertando o interesse e a curiosidade do mercado norte-americano pelo Algarve. Percebemos que o reconhecimento externo do nosso destino está a aumentar, facto para o qual muito contribuiu a diversidade de prémios internacionais que a região tem conquistado nos últimos anos. Procurámos, com esta iniciativa, consolidar o posicionamento do Algarve como um destino apelativo e abrangente que apresenta, entre outros aspetos da sua diversificada oferta, um conjunto de infraestruturas de luxo”, explica Dora Coelho, diretora executiva da ATA.

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O mercado norte-americano é estratégico para o Algarve, tendo vindo a registar recentemente um crescimento significativo ao nível de indicadores como o número de hóspedes e de dormidas neste destino. Em 2017, verificou-se um aumento de 28,6 por cento do número de hóspedes face ao ano anterior (o correspondente a mais 13 mil e 311 pessoas), passando os EUA a representar o 7.º mercado externo para a região no que diz respeito a este indicador. Relativamente às dormidas, registou-se em 2017 um crescimento de 31,4 por cento face a 2016, o que se traduziu, em valores absolutos, em mais 39 mil e 697 dormidas de turistas norte-americanos no Algarve .

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ATUALIDADE

CBMR QUER ACABAR COM OS «SUPERPODERES DO CANCRO»

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corpo humano adulto tem cerca de 37 biliões de células, ou seja, 37 milhões de milhões de células. Deste número gigante existem, a cada minuto, no nosso corpo, cerca de 300 milhões de células a dividir-se de forma a criar novas células. Este processo de divisão é quase perfeito, mas não infalível, podendo acontecer pequeníssimas falhas que, quando acumuladas por 30, 40, 50 anos, poderão dar origem a uma das mais temidas doenças da atualidade: o cancro. Estima-se que uma em cada três pessoas sofrerá de doença oncológica nos próximos anos e que uma em cada quatro morrerá por consequências dela. A principal causa de morte é a resistência à quimioterapia e esse é o principal objeto de estudo dos investigadores do Laboratório de Sinalização Celular, do Centro de Investigação em Biomedicina, da Universidade do Algarve. Assumindo que algumas células tumorais adquirem uma espécie de «superpoderes», que as tornam imbatíveis mesmo com a ALGARVE INFORMATIVO #147

utilização dos melhores e mais sofisticados fármacos, os investigadores, liderados por Wolfgang Link, procuram compreender as diferenças entre a «linguagem» utilizada pelas células tumorais e pelas células saudáveis, de modo a tentar tornar a luta contra o cancro mais eficaz. Assim, os cientistas deste laboratório focam-se em compreender a função de determinadas proteínas para perceber por

que motivo a quimioterapia é, literalmente, «cuspida» das células tumorais antes de ter qualquer efeito benéfico para o paciente. O objetivo é claro: acabar com os «superpoderes do cancro» e compreender os processos que conduzem à resistência aos tratamentos, para poder refiná-los através de novas estratégias de combate à doença . 102


WALKING FESTIVAL AMEIXIAL CONTINUA A INTERNACIONALIZAR A SERRA

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WFA - Walking Festival Ameixial vai ter a sua 6.ª edição nos dias 27, 28 e 29 de abril e os objetivos iniciais mantém-se: atrair visitantes à freguesia de Ameixial para que, durante três dias, percorram diversos percursos, conheçam os valores locais, saboreiem as gastronomia tradicional e contribuam para o crescimento do turismo de natureza no Algarve, em particular da serra do Caldeirão. As grandes diretrizes para a presente edição passam por ser mais inclusiva, mais amiga do ambiente e mais internacional. Para tal, a organização integra três caminhadas inclusivas (seniores, cegos e deficientes motores) no seu programa; promove parceria com a hotelaria do concelho e garante transporte coletivo gratuito em autocarro aos participantes de Loulé até ao Ameixial, com paragens estratégicas em Querença, Barranco do Velho e Cortelha. Pela primeira vez serão também realizadas caminhadas exclusivamente em língua estrangeira para os turistas e residentes estrangeiros.

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Tendo a ambição de crescer de uma forma sustentada e direcionada para um público mais internacional, o festival endereçou convites a várias entidades que são bons exemplos de promoção e comunicação de destinos de natureza. Todos irão partilhar a sua experiência no dia 27 de abril, na Junta de freguesia de Ameixial, numa sessão que contará com a presença da Secretaria de Estado do Turismo. A par das caminhadas, o património continua a ser uma das peçaschave do festival. As intervenções «Paisagem e Memória» com inspiração na escrita do sudoeste voltarão a realizar-se durante o fim-de-semana de 28 e 29 de Abril, mas com uma nova artista. Outra novidade é que o WFA - Walking Festival Ameixial integra o calendário de festivais de caminhadas AWS - Algarve Walking Season, um projeto regional da Cooperativa QRER com o apoio da Região de Turismo do Algarve. O WFA é organizado pela Cooperativa QRER, com o apoio da Região de Turismo do Algarve, Câmara Municipal de Loulé, Junta de Freguesia de Ameixial, Proactivetur e Projecto Estela .

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