ALGARVE #141 INFORMATIVO 27 de janeiro, 2018
hOPPERhOPE inquietou Tavira «A CASA NO FIM DE TUDO» NO LETHES | ANTÓNIO RAMINHOS EM LOULÉ 1 ALGARVEFIGURAS INFORMATIVO #141 FESTA DAS CHOURIÇAS EM QUERENÇA | O «NOVO» TEATRO DAS
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CONTEÚDOS #141 27 DE JANEIRO, 2018 46
ARTIGOS 24
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6 - O micromundo de Leonor 16 - Festa das Chouriças 24 - hOPPERhOPE 36 - A Casa no Fim de Tudo 46 - Teatro das Figuras 56 - António Raminhos 64 - Exposição Rui Matos 90 - Atualidade
OPINIÃO 36
74 - Paulo Cunha 76 - José Graça 78 - Mirian Tavares 80 - Adília César 82 - Paulo Pires 84 - Nuno Silva 86 - Antónia Correia 88 - Augusto Lima
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ENTREVISTA
BACTÉRIAS: O MICROMUNDO DE LEONOR (E TAMBÉM O NOSSO) Numa altura em que a África do Sul é afetada por um dos maiores surtos de sempre de listeriose, uma doença provocada por uma bactéria que contamina os alimentos e se camufla no seu interior para entrar no organismo do Ser Humano, conheça a história da cientista que há vinte anos decidiu estudar um dos microorganismos mais perigosos de todos os tempos – a Listeria monocytogenes. Eis a história de Leonor Faleiro, a caçadora de bactérias que, em 2016, iniciou um estudo pioneiro sobre a relação entre o nosso intestino e o desenvolvimento de determinadas doenças, como a diabetes. Texto:
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m janeiro de 2018, o mundo acordava com a notícia de mais de 70 mortes, na África do Sul, por listeriose, uma infecção bacteriana grave provocada pela Listeria monocytogenes, uma bactéria que sobrevive à exposição ao meio externo e contamina os alimentos, camuflando-se no seu interior para, a partir deles, invadir o organismo do Ser Humano. O surto da infeção, que deixou a comunidade mundial sob alerta, é já considerado o maior e mais ALGARVE INFORMATIVO #141
mortífero de sempre. Para Leonor Faleiro, no entanto, a bactéria já não era uma novidade. Há 17 anos atrás, e no âmbito do seu doutoramento em Microbiologia, começara a estudar, na Universidade do Algarve, aquela que considera ser a sua «bactéria de eleição». Tendo começado o percurso académico em microbiologia do solo, a investigadora cedo percebeu que era 8
estudar este microrganismo a fim de compreender “como é que ela se adapta, como é que esta bactéria consegue ser inteligente ao ponto de arranjar estratégias para sobreviver em condições nas quais não é suposto sobreviver”. Como nos conta Leonor Faleiro, esta bactéria, cuja taxa de letalidade para o Ser Humano pode rondar 20 a 30 por cento, tem a incrível capacidade de se manter viva no meio externo, retirando dele toda a «experiência» possível para que, quando entra no hospedeiro, consiga ultrapassar todas as suas barreiras de defesa. Trata-se, como esclarece, de “uma bactéria que já vem preparada para enfrentar aquele desafio”. Para o Ser Humano, as consequências podem ser devastadoras. “Afeta sobretudo o fígado e o baço e, em casos graves, pode passar para o cérebro, provocando meningites e conseguindo, no caso das mulheres grávidas, ultrapassar a placenta e provocar a morte do feto”.
nos alimentos que se encontrava o grande desafio. Era preciso compreender o que se escondia por detrás da sua composição, que segredos podiam os microrganismos revelar-nos sobre a nossa própria saúde. Foi assim que, fascinada pela capacidade de sobrevivência e adaptação da bactéria L. monocytogenes - uma bactéria que afeta principalmente idosos, grávidas, recémnascidos e pessoas com o sistema imunitário comprometido – começa a 9
O trabalho de Leonor Faleiro passa por compreender, através dos alimentos, como é que a Listeria se adapta e que mecanismos usa para sobreviver para que, por fim, se consiga chegar à conclusão sobre a forma de controlá-la: quer no ambiente, quer através de estratégias que impeçam a sua sobrevivência. A docente, a desenvolver carreira no Centro de Investigação em Biomedicina, procura, deste modo, compreender a história desta bactéria, estudando o tipo de alimentos contaminados e tentando traçar um perfil evolutivo. ALGARVE INFORMATIVO #141
Para já, fica uma certeza: “Por aquilo que temos conseguido perceber desde 1982, os alimentos contaminados vão sendo muito diferentes. Inicialmente a bactéria surge, sobretudo, em queijos, mas, nos últimos tempos, têm surgido casos com leite achocolatado, patés gourmet, mariscos e fruta”, avisa. É, por isso, necessário, estar sempre alerta. “Nunca podemos dizer que temos a situação controlada. Temos de estar sempre vigilantes”.
desenvolvimento de determinadas doenças, como é o caso da diabetes. “No meu caso, quis perceber o que se passava com a diabetes tipo 1. Sabemos que é uma doença com uma carga genética muito elevada, mas comecei a perguntar-me que papel poderiam ter os microrganismos nisso”, refere a investigadora. Foi nesse sentido, e tendo observado que as crianças que desenvolviam a doença apresentavam um desequilibro na microbiota gastrointestinal (também
Como adianta a microbióloga, sentido de oportunidade é coisa que não falta a esta bactéria que, em 2011, colocou em sobressalto a comunidade mundial ao contaminar uma grande quantidade de meloa cantaloupe, uma das mais vendidas e distribuídas em supermercados de todo o mundo. “O que aconteceu foi que os donos da empresa que produz a cantaloupe, uma meloa de produção familiar, adquiriram uma máquina de lavagem que vinha de um local de lavagem de batatas. Ora, como as batatas estavam contaminadas, e como houve áreas do equipamento onde a bactéria conseguiu sobreviver – ficando aderente à superfície – todas as meloas que passaram por aquela máquina, foram contaminadas”, recorda. A bactéria multiplicou-se e deu origem a um dos grandes focos de listeriose que hoje conhecemos. Porém, a carreira de Leonor Faleiro não se resume aquela que define como uma bactéria de «tolerância zero». Na verdade, ela é apenas parte do percurso que a conduz aquela que é hoje a sua grande investigação – a ligação entre alguns microrganismos e o ALGARVE INFORMATIVO #141
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conhecida como flora intestinal), que a investigadora do CBMR quis perceber melhor o fenómeno. Assim, partindo de dados que mostram que grande parte das crianças diabéticas finlandesas são portadoras da bactéria Bacteroides dorei, uma bactéria que se aloja no sistema intestinal, a investigadora está agora a tentar compreender, a partir do isolamento desta bactéria, de que modo as suas características se distinguem das características do microrganismo em crianças que não apresentam a doença. “Verificámos que, antes da criança
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desenvolver diabetes tipo 1, a população desta bactéria aumentava significativamente. E foi isso que nos chamou a atenção. Hoje acreditamos que podemos ter aqui alguma contribuição desta bactéria não apenas para o despoletar da doença como para a sua manutenção”. Mas, se o objetivo é claro compreender a relação entre a bactéria e o desenvolvimento da diabetes e, a partir daí, explorar estratégias que permitam melhorar a microbiota
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intestinal por forma a impedir o seu aparecimento – a especialista garante que o caminho é ainda longo. “É preciso compreender como é que a bactéria se comporta, o que contribui para que isto aconteça. Há muitas questões ainda por responder”, indica. Para já, a prioridade passa por analisar a comunidade de crianças diabéticas com Bacteroides dorei. “Há que perceber que comunidade é esta, se é igual de país para país, de continente para continente. Acreditamos que há muitos fatores em jogo, nomeadamente as influências do ambiente, do estilo de vida, da alimentação”. Segundo Leonor Faleiro, a análise que tem sido levada a cabo revela que há regiões muito semelhantes e outras ALGARVE INFORMATIVO #141
bastante diferentes e que isso nada tem que ver com proximidade geográfica. “As crianças diabéticas da Finlândia e da Suécia, países vizinhos, não são semelhantes. No entanto, as crianças diabéticas finlandesas apresentam pontos de contacto com crianças de determinadas regiões do Estados Unidos”. A confirmarem-se as suspeitas de Leonor Faleiro, o estudo iniciado em 2016, em parceria com a Universidade da Florida, pode mesmo vir a comprovar uma relação entre a diabetes e o intestino, provando que, como sugere a investigadora, são precisos redobrados cuidados com a alimentação pois esta “é a forma mais significativa de modular a 12
nossa microbiota”. “As pessoas não se apercebem do impacto do intestino nas nossas vidas. Só vemos que aquilo é horroroso, mas não nos damos conta de que tudo passa por ali. Somos o que comemos e os microrganismos são também o que nós comemos. A forma como os alimentamos tem um impacto benéfico ou maléfico em nós”. Garantindo ser possível educar o nosso organismo, sobretudo através da alimentação, Leonor Faleiro, que em 1984 se licenciou em Agronomia, na Rússia, acredita que “a forma como o nosso corpo está hoje exposto às bactérias é muito diferente e isso, de certo modo, enfraqueceu o nosso sistema imunitário”. “Estamos tão obcecados com a limpeza que acabamos por eliminar o que nos protege. Estamos cada vez menos expostos e quando acontece alguma coisa diferente o nosso sistema imunitário não está preparado para reagir”, afirma a especialista. Para a investigadora, que há 34 anos decidiu sair de Portugal para abraçar uma nova realidade na Rússia, a aventura da descoberta continua a ser foco de fascínio. Foi, aliás, em busca dele que, com apenas 18 anos, fez uma viagem de 36 horas acompanhada por um colega paquistanês que viria a estudar no mesmo Instituto. Para trás ficava um Portugal instável, com um ensino periclitante, marcado por altos e baixos, e com “muita coisa a mudar ao mesmo tempo”. A surpresa viria a seguir. Num país diferente, com uma língua desconhecida, Leonor Faleiro confessa que, no primeiro ano, “tudo foi novidade, tudo me 13
despertou a atenção, a curiosidade”. Em apenas três meses aprendeu a falar russo. “Se queria comprar pão, leite, ovos… tinha de falar a língua. Sobretudo porque as pessoas não entendem o inglês”. Os três meses rapidamente se converteram em cinco anos e meio, que ofereceram à investigadora uma das experiências mais gratificantes da sua vida académica. A possibilidade de contactar com um “ensino clássico e tradicional, onde impera o método” e no qual existe “uma cultura muito grande”, foram a maior recompensa do tempo passado em terras soviéticas. Do povo fica-lhe a imagem de hospitalidade que ainda hoje guarda. “São pessoas muito acolhedoras e cultas. Um russo é capaz de nos falar até da História de Portugal”. À distância, e dos tempos vividos, ficam as memórias e a bagagem teórica oferecidos pelo Instituto Superior de Agronomia de Kuban. Hoje, a carreira de Leonor Faleiro, que venceu o Prémio Maratona da Saúde, em 2016, para um projeto de investigação em diabetes, passa por outras paragens. Na Universidade do Algarve, onde ensina Microbiologia, continua a “caçar bactérias” para perseguir, à beira-mar, o sonho de compreender como podem os microrganismos revelar-nos «verdades escondidas» sobre algumas das mais importantes doenças do século XXI . Reportagem original de http://scienceplatformpt.cbmr.ualg.pt/ e http://cienciacomvida.pt/.
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REPORTAGEM
FESTA DAS CHOURIÇAS VOLTOU A ANIMAR
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uerença voltou a ser palco da já tradicional Festa em Honra de S. Luís, mais conhecida por Festa das Chouriças, que nos dias 20 e 21 de janeiro animou o Largo da Igreja numa organização da Comissão de Festas da Paróquia com o apoio da União de Freguesias de Querença, Tôr e Benafim, da Câmara Municipal de Loulé e da Casa do Povo de Querença. Como é costume, a festa teve início no sábado, dia 20, com uma grandiosa Noite de Fados, na Casa do Povo de Querença. No domingo, logo a partir das 11h, os visitantes tiveram oportunidade de degustar a reputada chouriça assada de Querença nos vários estabelecimentos da aldeia. Logo a seguir ao almoço realizou-se a habitual eucaristia na Igreja de Nossa Senhora da Assunção, presidida pelo Padre ALGARVE INFORMATIVO #141
Carlos Matos, à qual se seguiu a procissão solene com a imagem de S. Luís pelas artérias da aldeia. Um dos momentos mais aguardados do fim-de-semana é o sempre animado leilão de chouriças, onde foi possível adquirir a rainha da festa, a chouriça. Depois, foi a vez do Grupo de Janeiras do Rancho Etnográfico de São Sebastião aquecer o ambiente com uma atuação, ao passo que os mais pequenos se deliciaram com as traquinices da Palhaça Pirolita. Domingo que, das 10h às 18h, foi também palco do Mercadinho de Querença, com exposição e venda de artesanato e produtos locais representativos da região. A terminar as festividades houve lugar a um baile no Salão de Festas da Casa do Povo de Querença, animado pelo artista Ruben Filipe . 18
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REPORTAGEM
FESTIVAL DE ARTES PERFORMATIVAS DE TAVIRA ARRANCOU COM O INQUIETANTE
«HOPPERHOPE» Texto: ALGARVE INFORMATIVO #141
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Palácio da Galeria foi o palco escolhido para «hOPPERhOPE», o primeiro capítulo do Festival de Artes Performativas de Tavira, uma organização da Associação Cultural Corpo de Hoje com o apoio do Programa «365 Algarve», Município de Tavira e Vila do Bispo, União das Freguesias de Tavira (Santa Maria e Santiago), Movijovem, Grupo Pestana - Pousadas de Portugal, ALGARVE INFORMATIVO #141
Manor Properties, Casa das Portas, Nó de Gosto, Zeca Da Bica, FNAC, Tavira Gran Plaza e MuxaGata - Gelados Artesanais. A performance/instalação de Ana Borges foi a cena nos dias 19, 20 e 21 de janeiro e não defraudou as expetativas de quem já conhece os trabalhos da coreógrafa, tendo sido interpretado por Ana Neto, António Pedrosa, Carla Jordão, João Costa Espinho, Luísa Sana e Telma Pereira. 26
De facto, «hOPPERhOPE» não é daqueles espetáculos a que assistimos confortavelmente sentados na plateia de um qualquer equipamento cultural. Antes pelo contrário, aqui não convinha estar muito tempo parado no mesmo sítio, porque a ação foi constante ao longo de sensivelmente uma hora e desenrolou-se, em simultâneo, em vários pontos do Palácio da Galeria. Ou seja, quase se 27
poderia dizer que estavam a acontecer diversas performances ao mesmo tempo, o que obrigava o espetador a ter que tomar uma difícil decisão: ou ficava numa sala e acompanhava por completo a história que ali estava a ser interpretada; ou deambulava por todas as salas e ficava com uma ideia geral do «todo», mas perdendo o que estava a acontecer nos outros locais desta instalação artística naqueles momentos. ALGARVE INFORMATIVO #141
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O ponto de partida do espetáculo é um imenso espaço doméstico criado a partir de algumas obras do pintor americano Edward Hopper, que revelam o interior de casas vistas do exterior através de janelas indiscretas. Assume-se, por isso, um «voyeurismo» contemplativo que nos revela pormenores da vida privada, com «hOPPERhOPE» a colocar o espectador na posição de um simples observador que, por breves instantes, tem acesso a espaços íntimos, percorrendo a casa em livre circulação e assistindo a solos de dança que são pensamentos… mas também segredos ditos em voz alta. Da mesma forma como imprimimos sensações e sentidos nas nossas residências no nosso dia-a-dia, em rotinas que se tornam autênticos rituais, também em «hOPPERhOPE» o 29
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movimento dos corpos se apropria de espaços que passam a ser extensões deles próprios, ao ponto das paredes que o revestem serem o lado mais exterior da sua pele. E, apesar da atitude solitária, quase desistente, que muitos quadros de Edward Hopper transmitem, existe uma sensação de esperança (hOPE) de que alguma coisa mude… de um espaço de transição em que o tempo se sente na pele. Há uma sensação de espera serena, mas não passiva, que envolve os performers e que extrapola para os espetadores, que se encontram, de repente, no centro da ação, expetantes para ver o que se vai acontecer de seguida, mas também com uma extrema curiosidade em saber o que está a ter lugar na sala ao lado. Ficamos,
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porém, com a certeza de que é impossível ver todo o «filme», ao contrário das peças de teatro ou espetáculos de dança tradicionais, em que as cenas se desenrolam, de forma sequencial, à nossa frente. E, em «hOPPERhOPE», até interagimos com os próprios performers, quando ainda não sabemos que eles o são, em que pensamos tratarem-se de mais uns simples espetadores. Até que, de repente, eles tomam o centro da sala e interpretam a sua cena. O resultado final é, sem dúvida, muito impactante, daqueles trabalhos que, ou se adora, ou não se acha piada nenhuma, porque as criações de Ana Borges e da Corpo de Hoje são, normalmente, bastante «fora da caixa» .
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REPORTAGEM
«A CASA NO FIM DE TUDO» É O NOVO SUCESSO DA ACTA Texto:
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streou, no dia 26 de janeiro, no Teatro Lethes, a 74.ª produção da ACTA – A Companhia de Teatro do Algarve, «A Casa no Fim de Tudo», com texto de Luís Campião, encenação de Paulo Moreira e interpretação de Alexandra Diogo, Bruno Martins e Glória Fernandes. A peça incide sobre o quotidiano conjugal e amoroso de uma figura que se desdobra num homem e em duas mulheres, propondo desconstruir estereótipos de género, e continua em cena até dia 4 de fevereiro, com sessões de quinta-feira a domingo. Sozinho/a em casa, das 5h às 19h, enquanto espera pelo marido, a figura está presa obsessivamente às tarefas domésticas, numa lógica de confronto consigo mesma até à conclusão de que algo tem de mudar radicalmente na sua vida. O texto surgiu, curiosamente, depois do dramaturgo ter assistido a um espetáculo, no Teatro Lethes, de Celina da Piedade e ter reparado na ausência de uma música do alinhamento. “Fiz algumas experiências, umas não resultaram, outras levaram-me imediatamente a outras, sempre tendo como fio de condutor o conceito da «ausência», como é que alguém lida com ela. Cheguei a uma criatura que vive numa casa, dedicada às tarefas do lar enquanto espera pelo seu companheiro, envolvendo-se numa espiral de histórias e sentimentos que ela própria vai criando enquanto está neste tempo suspenso”, descreve Luís Campião. Memórias, viagens ao passado e confrontos com a realidade surgem naturalmente nesta longa espera entre as cinco horas da manhã – quando se levanta para começar a preparar tudo para o
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parceiro – e as sete da tarde, altura em que, se o dia correr bem, normalmente o marido chega a casa. Uma figura interpretada por três atores, duas mulheres e um homem, retratando dois casais heterossexuais e um casal homossexual. “Se, inicialmente, comecei por trabalhar algumas ideias «cliché» que serviram de muleta para essa espiral de acontecimentos até ao absurdo, depois interessou-me que essas tarefas domésticas – normalmente associadas à figura feminina – fossem também desempenhadas pela figura masculina. Quis ampliar o leque, sem abranger totalmente a questão de géneros, porque isso obrigaria a peça a ter imensos atores”, explica Luís Campião. Depois do texto encomendado ter sido entregue à ACTA, o diretor Luís Vicente chamou para a encenação o conhecido Paulo Moreira, que já tinha dirigido um espetáculo de Luís Campião, e para a interpretação os atores Bruno Martins e Glória Fernandes, rostos habituais de outras produções da ACTA, e Alexandra Diogo, uma estreante no palco do Teatro Lethes. Selecionada a equipa, foi meter mãos à obra, com Paulo Moreira a introduzir algumas alterações ao texto original, como a opção por um espaço cénico vazio, ou seja, sem cenários. “O texto anda por zonas tão diferentes, inclusivamente da dita casa, que preferi ter um espaço neutro que depois seria preenchido pelos atores e pelo seu jogo corporal”, justifica o encenador. Entretanto, o texto, que aparentemente é dramático, acaba por proporcionar vários momentos bem38
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dispostos ao público, o que não surpreende Luís Campião. “O texto tem, acima de tudo, características pósdramáticas, já não se situa propriamente no habitual formato dramático. Não temos um conflito ou uma história com princípio, meio e fim, e o final é totalmente aberto”, aponta o dramaturgo, admitindo que é, para si, muito estimulante quando o público se ri de coisas pouco «simpáticas». E o facto de termos um género de monólogo repartido por três atores acabou por ser um tremendo desafio para Bruno Martins, Glória Fernandes e Alexandra Diogo, reconhece Paulo Moreira. “Há momentos em que as palavras são ditas, de forma encadeada e sequencial, pelos três, o que fez com que tivessem que se apropriar do texto por completo. Às vezes há frases em que eles próprios já não têm bem a certeza de que colega a tem que dizer, sabem apenas que tem que ser dita naquele momento”, sublinha o encenador.
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Monólogos menos convencionais, com uma forma mais estilhaçada, que têm sido uma característica de Luís Campião nos seus textos mais recentes, o que confere, posteriormente, uma maior liberdade na encenação. “Se conseguirmos inquietar alguém, doume por satisfeito, porque a arte é transformação”, considera o dramaturgo. “Não é um texto que permita gargalhada, o humor é negro, e é preciso saber apreciá-lo", acrescenta, com Paulo Moreira a acreditar que o espetáculo não deixará ninguém indiferente. “É uma peça arrojada, tanto em termos do texto, como do espaço cénico e da encenação. Mas também é arriscado e espero, humildemente, que o trabalho dos atores – que é muito bem-feito – maravilhe o público. O texto é provocador, o espetáculo implicou muito empenho e dedicação de todos e isto é teatro na sua pura essência”, rematou Paulo Moreira . 40 40
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REPORTAGEM
TEATRO DAS FIGURAS COM NOVA IMAGEM, PROPOSTAS ARROJADAS E REQUALIFICAÇÃO A CAMINHO Texto:
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Teatro das Figuras abriu as portas à comunicação social, dirigentes associativos e agentes culturais, no dia 24 de janeiro, para dar a conhecer a sua nova imagem e apresentar os principais destaques da programação até abril, mas também para fazer um balanço do que foi 2017, ano em que se bateu o recorde de assistência, com um total de 48 mil e 419 espetadores. “É o melhor equipamento cultural que existe a Sul do Tejo e no último mandato fizemos um conjunto de melhorias no interior, alguns aspetos que nunca tinham sido desenvolvidos, outros que, com a utilização, se foram degradando. Nos próximos tempos queremos prosseguir com esta requalificação, nomeadamente nos acessos à zona traseira e na parte frontal do teatro”, adiantou Rogério Bacalhau, presidente da Câmara Municipal de Faro. Os quase 50 mil espetadores que passaram pelo Teatro das Figuras, no ano transato, são um motivo de orgulho e satisfação para o executivo camarário, com Rogério Bacalhau a enaltecer o empenho da equipa residente do equipamento, alguns deles ao serviço desde a inauguração, há quase 12 anos. “Têm feito um trabalho excecional na captação de novos públicos e na conceção de uma programação de grande qualidade”, reforçou, lembrando que, em 2017, até aconteceram menos espetáculos do que em 2016, o que não impediu o aumento dos «clientes» do Teatro das Figuras. Também o Presidente do Conselho de Administração do Teatro Municipal – Serviços Municipalizados, Paulo Santos, ALGARVE INFORMATIVO #141
destacou a vitalidade e dinâmica do Teatro das Figuras, comprovadas pelo número de espetadores e pela diversidade de atividades artísticas que ali são promovidas. “É um espaço gerido por meios da Câmara Municipal de Faro, mas tem uma autonomia cada vez maior. Houve um tempo em que representava um peso significativo nas contas do município, o que mudou, felizmente. Não é nossa pretensão que a Cultura seja autossustentável, mas é importante que exista este equilíbrio financeiro e o Teatro, com uma equipa bastante contida, consegue fazer uma gestão financeira que deixa o executivo municipal muito orgulhoso”, enfatizou o vice-presidente da Autarquia. Paulo Santos explicou ainda que a tarefa desta equipa não se limita, desde há cinco anos, à gestão do dia-a-dia do Teatro das Figuras, com a introdução de novas competências como o Festival F, o «Alameda Beer Fest» e o «Baixa Street Fest», para o que contribuiu fortemente o anterior Diretor Executivo Joaquim Guerreiro, falecido em 2017. “Este know-how deixou de estar centrado exclusivamente na programação do Teatro, tendo, atualmente, um papel relevante em toda a política cultural que se desenvolve no concelho de Faro e que tem tido alguns resultados muito positivos”, salientou Paulo Santos. “A equipa é exatamente a mesma, não duplicou, simplesmente abraçou novos desafios com grande sucesso”. Olhando com maior pormenor para 2017, o Teatro das Figuras acolheu 117 espetáculos, apresentados em 146 sessões, o que equivale a uma média de 48
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2,5 espetáculos por semana. Destes, cerca de 27 por cento foram de Música, o mesmo peso do Serviço Educativo, “o que diz bem da aposta que tem sido feita neste serviço”, salientou o Diretor Executivo Gil Silva. Seguiram-se a Dança, com 14 por cento, o Teatro e o Cinema com 12 por cento e o remanescente a ser preenchido por espetáculos multidisciplinares. “Continuamos a apostar em espetáculos cujo risco é suportado pelas companhias e produtoras que acolhemos, sendo que 56 por cento deles foram apresentados na modalidade de partilha de bilheteira, 22 por cento foram comprados e o aluguer e cedência da sala representaram 13 por cento”, revelou.
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NOVA IMAGEM E PROGRAMAÇÃO MAIS ARRISCADA Entretanto, com o objetivo de seguir um caminho diferente na comunicação com o seu público, o Teatro das Figuras introduziu uma linha gráfica mais atual, com elementos inspirados no movimento «Pop Art» tendo a cor como ponto central, e procurando uma imagem mais ousada e visualmente estimulante, sem nunca esquecer a leitura e a compreensão geral da informação. “Para além da cor, as linhas e as caixas estabelecem a ligação entre a informação textual e a imagem do espetáculo que lhe serve de base. A imagem em si é tratada cromaticamente, sendo que a cada espetáculo é atribuída uma cor, que se mantém pelos restantes formatos e aplicações, sejam eles digitais
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ou físicas”, indicou Gil Silva. “É uma comunicação audaz, entusiasmante e moderna que procura relacionar-se com um público mais jovem, sem descurar o elo com o público do Teatro das Figuras”. Quanto à programação propriamente dita, a grande novidade é que passa a ser pensada de forma quadrimestral, ao invés de bimensal, como tinha vindo a acontecer até à data, de modo a conferir-lhe uma maior sustentabilidade, numa lógica de continuidade, e para que o público consiga programar com maior antecedência as suas opções culturais. “E quando falamos numa nova dinâmica de programação, falamos em projetos artisticamente mais arriscados, em apostas na criação local com vista a dar visibilidade e sustentabilidade às companhias e produtoras locais, sem
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nunca descurar a programação mais mainstream”, referiu Gil Silva, salientando, neste primeiro quadrimestre, três ciclos programáticos, dois dos quais acontecendo ao longo de todo o ano. O primeiro ciclo intitula-se «Às Quintas no Teatro» e incluirá espetáculos mais alternativos nas diferentes áreas artísticas. Arranca no dia 1 de fevereiro com «Dança», de Francisco Campos e com Leonor Keil, Francisco Campos e João de Brito, numa coprodução entre o projeto «Ruínas», de Montemor-o-Novo, e a companhia farense LAMA. Em março é a vez do espetáculo de dança contemporânea «Unbounded», que explora a criação da identidade através da dança. Finalmente, em abril, será apresentada «Tabacaria», ópera baseada no poema de Fernando Pessoa, numa encenação de Alexandre Lyra Leite, com 53
música de Alexandre Soldado e direção musical do Maestro Rui Pinheiro, com o farense Rui Baeta a ser o intérprete principal. O segundo ciclo de 2018 é o «Porto em Faro», onde se mostrará o trabalho de companhias e produtoras da cidade do Porto, que têm um trabalho cada vez mais reconhecido a nível nacional e internacional. Assim sendo, a companhia Circolando visita o Teatro das Figuras no dia 24 de fevereiro, com a peça «Climas» e, em abril, acontecem «A Tecedeira que Lia Zola», do Teatro Experimental do Porto, numa encenação de Gonçalo Amorim, e o bailado «A Ballet Story», do coreógrafo Vítor Hugo Pontes. O terceiro ciclo é uma continuidade de anos anteriores, «Noites do Sofá», com o palco do Teatro das Figuras a ser ALGARVE INFORMATIVO #141
transformado numa sala de estar, criandose uma atmosfera muito peculiar de simbiose entre artistas, público e o próprio espaço envolvente. O primeiro episódio tem lugar a 1 de março, com o projeto local «Riding a Meteor», do qual resultará a gravação de um CD ao vivo. No dia 2 de março é a vez do projeto «Harmonies», uma reinterpretação da obra de Eric Satie por Joana Gama, Luís Fernandes e Ricardo Jacinto. A fechar o ciclo teremos a banda «Six Organs of Admittance», do guitarrista americano Bem Chasny. Os grandes nomes vão continuar, como é natural, a subir ao palco do Teatro das Figuras, logo a começar com «Simone – O Musical», nos dias 26 e 27 de janeiro, com quatro sessões quase esgotadas, batendo, assim, o recorde anterior de três sessões completamente lotadas com a fadista Ana Moura. Em fevereiro atuam Camané, Glenn Miller Orchestra, Sara Tavares e Richard Galliano com Gonçalo Pescada. Em março haverá o Festival Internacional de Guitarra, numa parceria entre a Associação
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de Guitarra do Algarve e o Teatro das Figuras; a peça «O Último Dia de um Condenado», com Virgílio Castelo; e o concerto de Rui Veloso. Os grandes destaques de abril vão para o projeto musical brasileiro «Liniker e os Caramelows», o novo espetáculo dos Commedia à la Carte e a fadista Raquel Tavares. O Serviço Educativo continua a não ser descurado e, no primeiro quadrimestre de 2018, serão apresentadas coproduções com companhias locais «Daqui vê-se Melhor» e «O Homem que só pensava em Números» - e dinamizadas várias oficinas. De salientar igualmente o retomar do ciclo «Ideias em Palco», comissariadas por João Guerreiro, com alguns dos grandes temas da atualidade a serem, desta feita, apresentados por mulheres. Também as tertúlias «No Teatro às 6» se mantêm, sempre com convidados ligados às artes de palco .
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REPORTAGEM
ANTÓNIO RAMINHOS UM HUMOR NEGRO QUE NÃO É PARA TODOS OS PALADARES Texto:
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á se tornaram habituais as matinés de domingo à tarde do Cine-Teatro Louletano dedicadas à comédia e, no dia 21 de janeiro, foi a vez do conhecido António Raminhos apresentar o seu espetáculo «O Melhor do Pior», o sucessor de «As Marias». Um humor negro, polémico, controverso, que não agrada a todos, como não agrada o repertório de qualquer profissional do riso, mas a verdade é que Raminhos tem surpreendido os portugueses ao longo dos últimos anos com diversos produtos da sua mente insana, como disso foram exemplo os banhos públicos acompanhado de celebridades na televisão. Neste cenário, nunca se sabe muito bem o que esperar de António Raminhos, com «O Melhor do Pior» a falar do seu último ano, dos momentos bons e menos bons, uns do conhecimento do grande público, outros nem tanto, com estes últimos a serem partilhados num tom mais sério com a assistência que esgotou, mais uma vez, o Cine-Teatro Louletano. Seriedade que, contudo, é «sol de pouca dura», porque Raminhos depressa solta uma das suas típicas piadas, «parvas» para as pessoas de mentalidade mais sensível, pouco satisfeitos por verem o humorista brincar com assuntos que não tem jeito nenhum brincar. A parvoíce, no entanto, parece ser uma característica de família, revela António Raminhos em cima do palco, admitindo que não era, de facto, o filho preferido dos pais. A mãe queria uma menina, o pai um Mercedes 200 D, mas, devido às ancas estreitas da mulher, contentou-se com o rapaz, que cedo demonstrou a sua queda para pensamentos idiotas e associações ALGARVE INFORMATIVO #141
mentais ridículas, assim como para as inúmeras travessuras que fazia regularmente à avó. Patetices que, curiosamente, nem era suposto serem o seu sustento de vida, a sua atividade profissional, uma vez que, depois de estudar Jornalismo, foi redator do jornal «A Capital» durante dois anos e de um programa na RTP1. Mas ser sério e rigoroso não era com ele, daí ter-se dedicado ao humor ou, como ele chama, “à tentativa de fazer piadolas”. E, à semelhança dos grandes 58
génios, também António Raminhos possui uma doença grave. “Como a esquizofrenia já tinha sido ocupada pelo matemático John Nash, a surdez por Ludwig van Beethoven e uma doença degenerativa muscular por Stephen Hawking, fiquei com o chamado TOC – Transtorno ObsessivoCompulsivo”, refere. Goste-se ou não do registo de António Raminhos, que pode, sem dúvida, ser um pouco inconveniente em determinados momentos, o certo é que a sua agenda está repleta de espetáculos de norte a sul do país, a que se soma uma crónica mensal 59
na revista «Maxmen», participações em programas de televisão na SIC, RTP, Benfica TV e criação de sketches para diversos programas. E a atuação no Cine-Teatro Louletano foi um perfeito retrato do humor de Raminhos, interrompido por alguns relatos mais sérios da sua vida pessoal, dos problemas de saúde que levaram ao falecimento da mãe, dos desafios de ser pai de três meninas, dos inconvenientes que essa situação traz à sua vida sexual… e mais não dizemos para não servir de «spoiler» a futuros espetáculos .
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HISTÓRIAS DE OUTRAS IDADES por Rui Matos Texto:
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stá patente ao público na Galeria de Arte do Convento Espírito Santo, em Loulé, até 3 de março, a exposição «Na ausência do Corpo. Histórias de outras idades», de Rui Matos, composta por 12 trabalhos em ferro em que, segundo o próprio, “a escultura é feita de sentimentos”. “Desenhar no espaço tridimensional. Não construir um corpo ou um edifício, mas um espaço imaginário. A finalidade não está no objeto, mas no ato de projetar, delimitar, organizar, dirigir”, descreve o artista. Nesta mostra, Rui Matos conjuga a sua identidade com o que realiza, sem concessões, o belo pela riqueza geométrica dos materiais que emprega, o que faz, de acordo com o curador João Moniz, “com
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que estejamos sempre presentes, numa polivalência, entre o secreto e a descoberta do visível, linha, espaço e cor compositiva, por vezes sobre uma dualidade entre a pintura e a escultura, o mesmo consegue ler e transmitir o que está por detrás da forma”. “A obra move-se e conjuga-se, numa perfeita harmonia, na elegância do fazer dentro de um maneirismo minimal, concluindo poeticamente um despertar num voo de pássaro, como se estivéssemos a contemplar uma mesa com formas geométricas, supostamente construídas e realizadas em jogos de formas sem formalismo, delicadamente deformadas e alongadas, em que o artista consegue por si transmitir o pensamento na sua paleta imaginária de escultor”, acrescenta João Moniz.
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Rui Matos nasceu em Lisboa, em 1959, vive e trabalha próximo de Sintra. Frequentou o Curso de Escultura da Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, entre 1980 e 1987 e, em 1993, foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian. A sua primeira exposição individual foi em 1987, em Lisboa, com esculturas em ardósia. Seguiu-se, em 1989, «Mediterrâneo», com Isabel Augusta (Cooperativa Árvore, Porto) e «Primeira Ilha» (Galeria de Colares), com esculturas em bronze fundido. A sua primeira exposição com trabalhos em pedra teve lugar em 1991 – «Enormidade, Sequência e Naufrágio» (Galeria Carvalho e Araújo, Braga), seguindo-se «Transformações - Relatos Incertos» (Galeria Cubic, Lisboa), «Objetos de Memória» (Giefarte, Lisboa) e «Histórias incompletas» (Galeria Cubic, Lisboa).
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Em 2008, começou a trabalhar o ferro, apresentando as exposições «A Pele das Coisas» (Teatro Camões, Lisboa), «Transformo-me naquilo que toco» (Giefarte, Lisboa), «Por dentro» (Fundação Portuguesa das Comunicações) e «Transmutações» (Sá da Costa, Lisboa). Realizou diversas intervenções e obras públicas, como é o caso do «Monumento à Revolta dos Marinheiros de 1936», em Almada, «Monumento à Água» na Escola Secundária de São Pedro do Sul, Escultura alusiva ao poeta João Ruiz Castelo-Branco, no Parque dos Poetas em Oeiras, escultura pública na Estrada do Guincho, junto à Boca do Inferno, em Cascais, ou Monumento a Luís de Camões com Clara Menéres, em Paris .
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Assédio sexual Paulo Cunha (Professor)
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stando o flagelo do assédio sexual na ordem do dia e falando-se tanto deste assunto na comunicação social, resolvi procurar em várias publicações o que é, atualmente, considerado assédio sexual, sabendo que o mesmo pode acontecer em qualquer lugar - no trabalho, na universidade, na rua, nos clubes, nos transportes públicos, em instituições, em lojas e até em casa. O assediante pode ser um empregador, um colega, um cliente, um estranho, um familiar, um falso amigo, um grupo de pessoas ou até alguém que esteja a fazer uma entrevista de trabalho. Constatei que, para além da violação e do abuso sexual que são, unanimemente, consideradas as formas mais graves de assédio sexual, existem também diferentes definições legais para assédio em diferentes países, sendo as formas mais comuns de assédio sexual as seguintes: contar piadas com caráter obsceno e sexual; mostrar ou partilhar imagens ou desenhos explicitamente sexuais; enviar cartas, notas, email, chamadas telefónicas ou mensagens de natureza sexual; avaliar pessoas pelos seus atributos físicos; fazer comentários sexuais sobre a forma de vestir ou de parecer; assobiar ou fazer sons e gestos inapropriados; fazer ameaças diretas ou indiretas com o objetivo de ter relações sexuais; convidar alguém repetidamente para sair com o intuito de manter relações sexuais; chamar nomes e insultar; olhar de forma ofensiva; colocar questões inapropriadas sobre a vida sexual de cada um; tocar, abraçar, beijar ou encostar em alguém sem mútuo consentimento; seguir e controlar alguém; tocar em alguém para os outros verem. Depois de enunciar todos estes comportamentos, fico com a sensação que muitos de nós, no nosso dia a dia, observam ou até praticam alguns desses comportamentos, sem sequer se dar conta que poderão ser considerados assédio sexual. Então qual é a linha que separa um são e amistoso convívio de um ato que poderá constituir crime? Basta considerar indesejado o comportamento de caráter sexual de alguém, sob a forma verbal, não verbal ou física, com o objetivo ou o efeito de perturbar ou constranger a pessoa, afetar a sua dignidade, ou de lhe criar um
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ambiente intimidatório, hostil, degradante, humilhante ou desestabilizador. Definição que, escrita e lida, faz todo o sentido, mas que, na prática, por vezes se torna difícil de ajuizar. Como conseguir, então, separar o trigo do joio e não confundir assédio sexual com um «avanço sedutor»? Simples: basta que uma das duas partes, através de palavras, gestos e atos continue o comportamento que a outra parte, através de palavras, gestos e atos não lhe tolerou nem aceitou - isso é assédio sexual! Segundo o psicólogo Daniel Cotrim: “Ainda se confunde o assédio com sedução e, muitas vezes, as vítimas ficam na dúvida se estão diante de um comportamento aceitável ou não. O assédio tem como fim controlar e submeter a outra pessoa e, muitas vezes, as suas fronteiras não são claras, não por culpa da vítima mas do assediador, que joga nessa indefinição sabendo que está a pisar o risco. É uma forma perversa e nefasta de confundir a vítima”. O assédio sexual é, sem qualquer margem para dúvidas, uma das consequências da continuada reprodução dos estereótipos de género através de várias gerações. Daí a necessidade de, mais do que falar, agir precocemente na educação sexual dos nossos jovens, sob pena de continuarmos a perpetuar uma educação dada através do «media», onde o assédio se confunde com conquista. Qual de nós já não sentiu assediado? Basta atender o telefone e no outro lado da linha ter alguém a tentar forçar-nos a comprar o que não queremos. Imaginem, então, o que é vermo-nos reduzidos a coisas, em que o único propósito da outra pessoa é o usufruto do nosso corpo. Obviamente, tal comportamento é uma seta apontada a qualquer relacionamento que se pretenda são e duradouro. Há que saber ler os sinais e interpretar se os desejos são recíprocos e consentidos. Quem não o souber fazer, é melhor ficar quieto, pois arrisca-se, sendo justo, a pagar pelo pecador. Agir em relação aos outros com respeito, dignidade, consideração, sensibilidade e bom senso, talvez seja meio caminho andado para virar esta triste página, manchada com a cor negra de uma nódoa que não para de crescer. Já tarda! .
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Apanhados na rede... José Graça
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dinamismo imparável e a capacidade de influência das redes sociais foram alvo de duras críticas e de profunda reflexão ao longo desta semana, alertando-nos para a necessidade mantermo-nos atentos e vigilantes e de cruzarmos informação com os meios de comunicação tradicionais. Logo na terça-feira, um alto responsável do Facebook assumiu que a empresa não tem todas as soluções para resolver as notícias falsas (fake news), a manipulação política ou o discurso de ódio. Numa longa comunicação, considerando os padrões habituais das redes sociais, Samidh Chakrabarti dissertou sobre problemas de ingerência política para influenciar resultados eleitorais nos Estados Unidos ou na Catalunha, sobre a proliferação de notícias falsas plenas de informações infundadas, baseadas em dados inexistentes ou distorcidos, tendentes a enganar e até manipular o destinatário e visando geralmente objetivos bem definidos, como influenciar opções políticas ou favorecer lucros económicos, ou o fomento do discurso do ódio, despertando sensações imediatas de ansiedade, desprezo, ira ou frustração. Longe de ter soluções para estes problemas, a empresa que gere a plataforma onde quatro mil milhões de pessoas interagem algumas horas por dia manifestou o seu empenhamento em resolver os mais prementes, apelando aos participantes para também darem o seu contributo. Se no capítulo da política, tal poderá parecer mais difícil, no domínio dos media nem a criação de uma lista de meios fiáveis (?!) poderá fazer recuperar a confiança perdida. Aliás, como reconheceu Mark Zuckerberg numa mensagem anterior, é provável que esta situação delicada tenha um impacto negativo de curto prazo nos negócios da empresa! Porém, logo do dia seguinte, o Papa Francisco veio divulgar a sua mensagem alusiva ao Dia Mundial das Comunicações Sociais, dedicando-a precisamente ao tema das «fake news», manifestando-se igualmente empenhado em “contribuir para o esforço comum de prevenir a difusão das notícias falsas e para redescobrir
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o valor da profissão jornalística e a responsabilidade pessoal de cada um na comunicação da verdade”. Seguido e respeitado por outros tantos milhões de pessoas, o Papa Francisco discorre de forma pedagógica sobre o tema, descrevendo as principais técnicas utilizadas, objetivos visados e consequências mais frequentes, fazendo com que “os conteúdos, embora desprovidos de fundamento, ganham tal visibilidade que os próprios desmentidos categorizados dificilmente conseguem circunscrever os seus danos”. Consciente da responsabilidade social dos meios de comunicação, o Papa Francisco diz-nos que “o melhor antídoto contra as falsidades não são as estratégias, mas as pessoas: pessoas que, livres da ambição, estão prontas a ouvir e, através da fadiga dum diálogo sincero, deixam emergir a verdade; pessoas que, atraídas pelo bem, se mostram responsáveis no uso da linguagem”. O Papa vai mesmo ao ponto de classificar o jornalista como guardião das notícias, afirmando que a sua principal missão é “o dever de lembrar que, no centro da notícia, não estão a velocidade em comunicá-la nem o impacto sobre a audiência, mas as pessoas”, sublinhando que “a precisão das fontes e a custódia da comunicação são verdadeiros e próprios processos de desenvolvimento do bem, que geram confiança e abrem vias de comunhão e de paz”. Sendo o caminho longo e sinuoso, pleno de dificuldades e escolhos, compete a cada cidadãojornalista contribuir pessoalmente para recuperar a credibilidade das redes sociais, agindo de forma proativa na denúncia das notícias falsas, das tentativas de manipulação da verdade ou de instigação do populismo, da xenofobia ou do racismo. Sendo certo que as redes sociais podem ser fantásticas, importa acima de tudo que impere sempre o respeito pelo outro! . (Membro do Secretariado Regional do PS-Algarve e deputado da Assembleia Intermunicipal do Algarve)
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OPINIÃO
Das perguntas que não sei bem responder Mirian Tavares (Professora) "abre os olhos e tudo é escuridão. como tu desejas que alguém - quem quer que seja: um pai, uma mãe, um deus se levante do seu sonho e corra e se descalce só por ti". Carles Torner
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filho pergunta: é melhor ser feliz ou ter uma licenciatura? É uma ótima questão, daquelas que não sei bem responder. Claro que o meu primeiro impulso é dizer: ser feliz é o que há de mais importante. O resto, logo se vê. Mas sentir-me-ia irresponsável se não lhe dissesse que, apesar da felicidade ser fundamental, nem tudo o que nos pode fazer bem na vida é prazeroso. Há coisas que exigem de nós sacrifício e alguma coragem. E, sobretudo, há coisas que podemos experimentar enquanto somos novos e porque, se não correrem bem, temos sempre tempo de recomeçar. São questões como estas, e tantas outras que ele me faz ao longo dos anos, que há dias me fizeram entrar em parafuso: como ser uma boa mãe? Vou por aqui? Vou por ali? Digo mais sim ou se calhar mais não? Quando ele era mais novo, começou a sair com os amiguinhos que moravam ao pé da nossa casa. Sempre achei saudável brincar na rua. Eu mesma cresci assim, solta, com meus irmãos mais velhos e amigos, a fazer da rua a nossa casa. Sei que os tempos são outros e por isso, cada vez que ele saía ficava com o coração na mão (se ele ao menos esperasse pelos 35!). Lá ia ele com a bicicleta e eu a olhar de cima, da varanda do apartamento. Quando ele me via fazia sinais para que eu saísse do meu posto de observação (e de controlo). Eu era a única que ia buscá-lo a horas certas todas as noites, que o proibia terminantemente de andar de trotinete, patins, skate ou o que quer que fosse, no meio da rua. Só na calçada. E onde eu pudesse ver de vez em quando. Às vezes penso: sou uma mãe horrível! É um trabalho tão delicado. E não há nenhum manual infalível. Costumava ler uns livros de um grupo de psicólogos ingleses: como lidar com seu filho de um ano, de dois anos... Mas há sempre momentos em que nenhum manual nos pode socorrer. Por exemplo, no dia que ele nos entra pela porta a dentro e pergunta: mãe, o que é disfunção erétil? Acho que a minha mãe nunca pensou muito nisso. Era ligar o piloto automático e já estava.
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Somos uma geração de pais culpados, que querem acertar, que têm medo de causar traumas (eu acredito que, se não existissem as mães, as teorias de Freud não fariam falta. Se há alguém no mundo capaz de dar cabo da cabeça de uma criatura, essa pessoa é a mãe). É tanto o medo de errar, às vezes, que me sinto paralisada. Há dias ainda em que odeio ser mãe. Porque me sinto incompetente; porque não há bulas; porque não gosto de ser dura; porque não posso estar com ele em todo o lado a ensiná-lo, a protegê-lo. Porque às vezes não sei o que fazer e porque às vezes só me apetece chamar a minha mãe. Muitas das vezes tive de ser criativa ao tentar responder às suas perguntas: mãe, como é que eles ressuscitam Jesus todos os dias? Como é que Jesus morreu e está no céu? Ele é um espírito? E eu, quando morrer, vou virar espírito? E vou também para o céu? (tantas dúvidas e eu, uma católica pouco praticante e profundamente ecuménica, tinha alguma dificuldade em responder). Depende da crença de cada um. Os budistas, por exemplo, acreditam que o nosso espírito pode encarnar noutro ser, como um animal. Ele ficou todo contente. Depois disse que, de qualquer maneira, as nossas moléculas vão estar sempre por aí, que podemos adubar uma árvore, o que o deixou mais descansado. Lembro-me dele, com quatro ou cinco anos, dizer: isto é uma questão metafísica! E, diante do meu olhar espantado, perguntar: mãe, o que é metafísica? Há muita coisa que não sei bem responder, mas ele, com suas perguntas, acaba por me ensinar. Um dia, ia descer para brincar e diz: - Mãe, estou pronto! E eu: - Humm... esta camisola tem uma manchinha aqui no canto. Troca por outra. - Nem dá para ver! Mãe, tu pensas que o mundo é perfeito? Que não pode ter uma manchinha? É verdade, o mundo não é perfeito e as camisolas podem ter manchinhas (o certo é que mesmo assim o fiz mudar de roupa) .
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Fios, conexões e virtualidades - A World Wide Web Adília César (Escritora) “A conversa que eu creio que precisamos de ter é sobre o que a Rede está a mostrar-nos acerca de nós mesmos. Que é verdadeiro na nossa natureza e o que somente parecia sê-lo porque era uma resposta a um mundo que, até agora, era o único de que dispúnhamos?”. (David Weinberger)
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primeira vez que decidi utilizar um computador foi um pouco antes do ano de 2000 e estava a finalizar o Curso de Estudos Superiores Especializados em Educação Artística na Universidade do Algarve. Até então, escrevia os meus trabalhos académicos à máquina. E de um dia para o outro vi-me a braços com um computador portátil Toshiba e nenhuns conhecimentos sobre tecnologias de informação e comunicação. Através da metodologia de tentativa e erro, aliada à insistência e perseverança, lá fui adquirindo as competências básicas necessárias para desafiar as potencialidades daquele meu novo brinquedo. Sim, parti do princípio que aquele objecto era um «brinquedo», ou quanto muito uma máquina de escrever que permitia apagar os erros e os enganos sem ser necessário datilografar outra vez a mesma página. Mas a grande revolução tecnológica pessoal veio com a ligação à internet (que eu ainda hoje não percebo muito bem como funciona…): sítios (sites), correios electrónicos (emails), blogues, páginas, redes sociais, etc. – ou seja, estar «em linha» (estar online) tornou-se uma nova forma de estarmos ligados aos outros, essa enorme comunidade humana mundial. A internet, podendo ser divertida e utilitária, trouxeme novas ideias sobre o espaço e o tempo, as relações humanas, o conceito de eu e as minhas percepções de moralidade. Em meu socorro veio a obra de David Weinberger, que em 2002 escreveu Pequenos Pedaços Frouxamente Unidos: Uma Teoria Unificada da Rede. A tese básica de Weinberger é muito interessante, quando ele afirma que a maneira como nos compreendemos a nós próprios e aos outros no seio da Rede pode ser, em alguns aspectos, uma experiência mais autêntica do que o chamado mundo real, ao serem removidas certos estrangulamentos do espaço e do tempo e que as conexões entre as pessoas se tornam o factor mais fundamental do mundo
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subjectivo. Assim, a Rede é uma metáfora mais ajustada à forma como as nossas mentes geralmente funcionam. É bem verdade que quando estamos ligados virtualmente aos outros podemos adoptar personalidades, disfarces, ou seja, pode ser tentador tornarmo-nos «outras pessoas» diferentes daquela que habitualmente somos; ou então deixamos cair certas camadas psicológicas e emocionais, o que permitirá sentirmo-nos mais livres para exprimirmos os nossos «verdadeiros eus». Todo este processo vai ajudar-nos a construir as nossas personalidades, tão necessárias às nossas vidas quotidianas. A filosofia estabelece claramente uma distinção entre o mundo objectivo do facto em si e o mundo subjectivo daquilo que pensamos sobre o mesmo facto. Hoje, sabemos que os nossos mundos subjectivos são construídos em larga medida pelas escolhas que fazemos. O que «entra» então nesses mundos imaginários? Através da internet, escolhemos as nossas fontes de informação – o que procurar, onde «ir», com quem falar e sobre que assunto; criamos conscientemente o nosso mundo «em linha» (online), a nossa realidade privada. A Rede dá-nos novas formas de construir o eu e de percebermos como se constrói um eu na relação estabelecida com os outros; permitenos voltar atrás as vezes necessárias e repetir todo o processo psicanalítico, adoptando diferenças subtis de comunicação mais adaptadas às nossas necessidades pontuais. Na verdade, a internet trouxe-nos novas formas de compreensão sobre o que é ser-se humano e ao contrário do que habitualmente se pensa não une o mundo numa grande «aldeia virtual», antes pelo contrário: a Rede é uma fragmentação intencional desse mundo, um milhão de pequenas aldeias onde pessoas com ideias e apetências semelhantes se misturam, enriquecendo, por vontade própria, os seus mundos subjectivos e imaginários .
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«Scroll», pela ArQuente (e uma adenda) Paulo Pires (Programador Cultural) In memoriam Joaquim Guerreiro
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CROLL: talvez o gesto mais multiplicado dos nossos dias, feito rotina socialmente mimetizada, espécie de (falsa?) salvação para os vazios e silêncios dos dias; ou muleta para a ausência de diálogo com o outro, para a falta de assunto, para a solidão muda e dilacerante no meio da multidão histeriónica, para o não conseguir simplesmente estar consigo mesmo sem um «up down» digital sempre por perto. Com um simples dedo gastamos minutos, horas, dias a ver palavras e imagens em catadupa que nem carrossel sem paragem final (pois há sempre mais e mais posts lá no abismo interminável da página), a contabilizar likes, a perscrutar minuciosamente cada comentário e seu real alcance ou subtil intenção, a fazer prontos juízos de valor sobre diarreias egocêntricas, narcisismos e outros autocentramentos, a efabular sobre as mais profundas motivações dos que não reagem às publicações… Há uma espécie de hipnose voyeurista que nos absorve, fascina, perturba, desassossega, porque somos naturalmente curiosos, ora porque nos vemos ao espelho no sentir, no olhar do outro, ora porque nos choca a transgressão dos «princípios», o vómito verbal, o frenesim das aparências, a exposição pública desmesurada. Ou porque hipocritamente nos recusamos amiúde a admitir que até gostamos, e muito, de entrar na intimidade, nos corredores interiores, na casa do amigo ou então do «anónimo» que opta sempre, mas sempre, por posts «públicos». No palco da vida real o teatro, entre drama e ludismo, é uma constante, talvez porque as máscaras, os disfarces, as carapaças protectoras, as dissimulações, as ilusões, os sonhos, as memórias ALGARVE INFORMATIVO #141
voluntariamente enviesadas, os jogos de espelhos estão sempre lá a «tentar-nos» e a pôr em causa identidades e certezas. Porque, bem no fundo, a natureza humana tem tanto de bondade como de perversidade, de força como de fragilidade, de transparência como de mistério. Porque somos simultaneamente actor e público da nossa própria criação (vivida ou imaginada/inventada). Porque diariamente nos vemos reflectidos (ou distorcidos) nas atitudes mais banais ou «rebuscadas» dos outros, porque nos imaginamos fora de nós de longe a observarmo-nos como exercício vital para (não) (nos) compreendermos melhor, ou para desaprendermos convenções ocas, automatismos e outras formatações doentiamente incutidos pelo subconsciente individual ou pela sociedade que nos rodeia. Na inclassificável performance «Scroll», da associação cultural ArQuente (sediada em Faro), há vivências, sensações, impulsos a desfilar à nossa frente, em momentos/happenings que serão únicos e irrepetíveis – sem rede, máscaras, eufemismos ou subterfúgios, com tudo o que isso pode conter de belo, duro, inestético, selvático, instintivo, etéreo, inquietante, (in)sensato… Tudo se passa num círculo (im)perfeito, sem princípio nem fim, que é, no fundo, uma representação do próprio ciclo da vida, um símbolo – como para os orientais – de nascimento, morte e renascimento, num movimento perpétuo de eterno retorno. Porque para estes protagonistas, tão diferentes e ao mesmo tempo tão próximos nas suas inquietações, os dias (e as noites) são feitos de pequenas mortes, de ciclos que se fecham para outros se abrirem, de recolhimentos e explosões corporais e emocionais, de confissões inconfessadas e de impulsos recalcados que vêm à tona no gatilho do confronto público consigo mesmos e com seus pares, e com a
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audiência expectante e sedenta de desassossego… e desconcerto. O palco, onde nos habituámos a ver actores que encarnam personagens fictícias envoltas em enredos engendrados pela imaginação de um dado criador, torna-se em «Scroll» um espaço pósdramático, pois estamos perante «actores» que, no fundo, levam ao limite a máxima de Píndaro: “Torna-te naquilo que és.” E se isso já de si é difícil na «vida real» fora do palco, aqui o desafio maior consiste em transpor essa atitude (arrojada, complexa e exigente) para um local conotado como contexto artístico, performativo, de representação/invenção, e perante uma audiência que, à partida (ou não), vai ali na expectativa de ver um espectáculo (um fingimento) em moldes mais ou menos convencionais. Mas, por isto mesmo, «Scroll» também acaba por funcionar como uma construção meta-teatral, questionando e pondo em causa, pela sua abordagem não ficcionada, sem linearidade, «desconfortável», sem a muleta de um texto/argumento-base, baseada em grande medida no improviso (num aqui e agora sem rede), a natureza e limites daquilo que entendemos habitualmente por teatro, performance, happening. No final, depois da (inesperada e) catártica festadança dos sentidos em que actores e público se podem (ou não) juntar no centro do círculo, a única certeza é a de que, nesse mesmo lugar agora intemporal, restará um metafórico novelo espalhado pelo chão, estilhaçado, repleto de pontas soltas com tanto de familiar como de estranho/indecifrável, de luminoso e de penumbra, num limbo interrogativo onde não se sabe (nem, porventura, tem de se saber) onde termina a «verdade» e começa a «ficção». Fica «apenas» a dúvida… cativante, inquietante e necessária. Porque a vida está incompleta. Adenda: considero fundamental que o público contacte com espectáculos como este (outros se poderia igualmente enumerar), os quais abrem brechas, questionam estéticas e apontam novos caminhos, e que os gestores e programadores culturais dos municípios e demais entidades públicas possam, também eles, «arriscar», olhar para dentro e apostar nas estruturas profissionais e também não profissionais de pequena/média dimensão (associações e outros colectivos)
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sediadas na região que têm feito um trabalho de criação artística de continuidade e aprofundamento (que são poucas, como bem sabemos), quer dando espaço nas suas grelhas de programação às suas propostas, quer investindo na componente formativa, quer sendo co-produtores de novas criações, quer estabelecendo parcerias em rede, quer ainda lançando desafios criativos ao fazer encomendas artísticas às mesmas (sendo esta última uma prática ainda pouco comum na realidade cultural algarvia). Isto porque, de alguma forma, está instalado um discurso, parcialmente realista, de que esse nicho de criadores ligado às artes performativas existente na região não apresenta, grosso modo, níveis de qualidade ou massa crítica suficientes para ombrear com maiores estruturas/projectos profissionais, já com largo percurso, experiência e know how, instalados no Algarve há muito ou de implantação mais recente, os quais ultimamente têm vindo a ser apoiados institucionalmente com verbas importantes, dado o seu notório valor acrescentado para o panorama cultural da região. A questão central é que trata-se, no fundo, de uma «pescadinha de rabo na boca»: se enquanto gestores e programadores não dermos – obviamente de forma criteriosa, exigente, selectiva e criativa até, elevando a fasquia – oportunidades e estímulos às pequenas/médias estruturas, também dificilmente elas poderão atingir, per se, patamares de crescente qualidade, criatividade, inovação e impacto, e se poderá então inverter o paradigma. Se programas de apoio e valorização culturais mais específicos como o «365 Algarve» e o DiVaM podem dar (e têm-no feito) um contributo importante a este nível nas suas respectivas escalas e objectivos, as programações regulares das autarquias (quer isoladamente quer em desejáveis estratégias em rede) não podem ficar fora deste desafio colectivo pois são essas que permanecerão sempre depois dos programas acabarem. Só desta forma poder-se-á capacitar, qualificar e diversificar ainda mais a oferta cultural algarvia. A Rede Azul – Rede de Teatros do Algarve, que já integra neste momento doze municípios, pode e deve ter aqui também uma relevante palavra a dizer, aglutinando vontades, propondo projectos, criando sinergias e agilizando dinâmicas que, gradualmente, possam ter um alcance regional significativo .
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Nem muito, nem pouco Nuno Silva (Técnico de Comunicação)
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em muito, nem pouco. Tem o tanto das coisas simples e a memória de dias felizes: ontem voltei aonde nunca cheguei a sair. Esse é o lugar das coisas boas. Gente que marca, frases que ficam, lugares que são a pele que, sem nos darmos conta, vestimos todos os dias. Mas há lugares que são assim. Que nos respeitam a vida que temos sem nunca deixarem esquecer a que tivemos. Talvez por isso este seja o meu. Talvez por isso estas quatro palavras me digam tanto: Santo Aleixo da Restauração. Teimo em confundir erradamente saudade e nostalgia. Esquecer, entre o mar que as aproxima, o imenso que as separa. A verdade? Uma magoa, a outra não. Uma dissipa-se a cada regresso, a outra vive em cada memória. A saudade faz-nos voltar, a nostalgia faz-nos nunca sair. Ali, naquele cantinho adormecido sob o calor de uma braseira de lenha moram memórias em tons de verde infinito. Mora a memória da melhor das avós. De um tio que era motard e de uma mota de «loda golda». De Natais com muita gente. Do cheiro a orvalho e a madeira molhada. Do som dos chocalhos
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das cabras do tio. Do sabor a paraíso do caldo de beldroegas da tia. Tudo isto, numa só paisagem. Parece que o mundo e a vida perderam mais tempo ali. Aos meus olhos, despiram-se de todos os excessos do homem e com a maior das simplicidades pintaram todos os detalhes a pincel e óleo. Depois, pegaram nas pessoas mais genuínas, na relva mais verde, nas ovelhas mais farfalhudas e pontilharam-nas com sobreiros e azinheiros infinitos e um cheiro a campo e a natureza que fazem daquele ar o mais puro. Pelo meio, e a cada chegada, sinto-me rejuvenescer 25 anos. O carro, que hoje anda a motor, volta a ser a transportadora dos bidões de água em que eu me montava nas idas à fonte, movido pela força de braços da melhor das avós. O telemóvel, que hoje nos temporiza a vida, volta a ser trocado pelas chamadas aos postigos de portas em tempos de madeira grossa. Hoje, mais uma vez, percebo o porquê de tanta coisa. Vou e volto, sem nunca sair. Nem muito, nem pouco. O suficiente para ser tudo, para sempre. A ti avozinha .
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OPINIÃO
Golfe, Desporto ou Turismo? Antónia Correia (Professora)
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Algarve é o melhor destino de golfe do mundo, e esta não é a primeira vez que a região recebe estes galardões. Nos últimos três anos, o número de voltas vendidas na região cresceu a uma taxa de 5 por cento ao ano, sendo que, no último ano, os campos de golfe venderam mais de 1,3 milhões de voltas. Estudos anteriores demonstram que, em média, cada golfista joga em quatro campos diferentes, o que permite concluir que, no ano de 2017, o número de golfistas situou-se nos 340 mil. A esmagadora maioria destes golfistas são estrangeiros que, ou residem na região, ou utilizam o golfe como argumento para umas férias (Martins e Correia, 2003). Na génese deste jogo está o bem estar e a qualidade de vida (Oliveira, Brochado e Correia, 2017) para os residentes estrangeiros ou o status social e o escape que este desporto propicia (Correia & Kozak, 2012) para os turistas que jogam golfe. Na mesma linha, prova-se que, entre a população mais jovem, o golfe não é atrativo como
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desporto (Portugal, Carmo e Correia, 2017). Duas décadas de investigação, milhares de inquéritos e entrevistas tratados, conferem à autora deste artigo de opinião o direito de afirmar que o Golfe não é um desporto, mas sim uma forma de turismo, ainda muito masculinizada. A excelência dos campos, a proximidade entre os mesmos, a hospitalidade, e a diversidade da oferta complementar (entretenimento e alojamento) que existe na região justificam o estatuto de bem de luxo que o golfe possui e que justamente foi reconhecido. A excelência que lhe foi conferida justifica, hoje mais do que nunca, que o perfil do golfista volte a ser traçado, que cada vez maior atenção estratégica seja conferida a uma das «joias da coroa» da região. Como prioridades estratégicas sugere-se a promoção do golfe entre a população mais jovem e a facilitação da participação das mulheres. Menos aconselhável será elevar o golfe a um mero desporto, retirando-lhe a ligação com o turismo de luxo que conquistou .
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OPINIÃO
A soberba de querermos ser o que não somos Augusto Lima (Cozinheiro, Formador e Consultor)
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a Indústria da Hotelaria/Restauração temos vários tipos de funcionários, assim como vários tipos de patrões. Sempre houve e haverá patrões que não merecem os funcionários que têm, assim como empregados que não merecem os patrões que têm. Temos os funcionários profissionais, indivíduos com capacidade para executar um número alargado de tarefas, munidos de conhecimentos que passam pelo saber estar, saber/saber e saber fazer, acrescentando a cada momento a preocupação do gosto, da apresentação, do momento, usando com saber e destreza os equipamentos e a ajuda dos colegas da equipa. De entre todos, mesmo os que ainda se encontram numa fase de ascensão na carreira com conhecimentos limitados, são funcionários dedicados, conhecedores das dificuldades dos locais de trabalho, dão sugestões e querem ajudar. E são exigentes e conscientes do seu valor. Querem crescer, inovar, sentirem-se acarinhados pelo empregador e, em nome da arte, até não se importam de trabalhar mais horas, tudo em nome da qualidade, da profissão. E sabem quanto merecem ganhar e até estão dispostos a ganhar menos, mas com horizontes definidos. Não gostam de ser enganados, odeiam ser enganados. Estes funcionários, se encontram um patrão à altura, conseguem cumplicidade, trabalho em equipa, trabalham com e por objetivos, se dão o que podem (e às vezes o que não podem), tudo em nome da profissão. Ao contrário, se trabalham com um patrão que não reconhece nada, saem na primeira oportunidade. Quem perde? Todos nós! Depois, temos os amadores, a quem lhes foi dado uma oportunidade de crescer e aprender, porque têm interesse e intenção de virem a ser profissionais. E tais como os primeiros, esforçam-se, querem mais, pedem formação, estão dispostos até a correr riscos, se acharem que, no final, saem a ganhar. Gostam também de empregadores que são restauradores, que dão muitas vezes o que podem e não o que queriam. Mas, se encontram patrões do tipo desleixado, oportunista, sem escrúpulos, têm tendência a acreditar que as coisas vão mudar, perdem tempo de aprendizagem, negligenciam a carreira, são enganados e, das duas, uma: ou saem na primeira oportunidade e trocam o empego por outro,
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muitas vezes sem noção se será igual ao que deixam; ou, por medo da incerteza, deixam-se ficar, acreditando cegamente que as coisas vão mudar, mesmo que saibam que isso não irá acontecer. São estes que alimentam os números do aumento das famílias endividadas, da precariedade do emprego e do salário, da falta de qualidade na restauração. E temos os não profissionais, aqueles que não pertencendo a nenhum dos grupos anteriores conseguem, através da mentira/ da obstrução, do crime de se passar por quem não se é, com a conivência de outros iguais a si, inclusive de maus empregadores, ou ainda pela inexperiência de quem entrevista/contrata ou ainda pelo desespero de quem precisa e não tem. E, acreditem, cada vez há mais. Não quero crer que um restaurador, um patrão consciente, sabedor de quanto vale um bom empregado, chegue sequer ao ponto de aquecer a posição, caso tenha conseguido enganar quem o contratou. Já acredito que, se um mau patrão tiver a graça de encontrar esta alma gémea, se vai fartar de dar gato por lebre, de com habilidade enganar até ao último momento. E se for descoberto, vai mentir e voltar a enganar. E o pior é que muitos assim continuam por tempo considerável, tornando esta indústria cheia de falhas, de muita coisa má, permitindo que quem não presta vá tirando o lugar a outros que morrem na praia, porque acreditam que porque cumprem as regras serão recompensados. Precisamos todos de dizer basta, de registar a queixa, de reclamar, de exigir que se retratem. Precisamos todos de maior e melhor fiscalização, consciente. Precisamos todos de, em vez de novas regras, que as velhas sejam cumpridas. Precisamos todos de mais informação, de mais e melhor formação. Precisamos todos de melhores empregadores e de melhores empregados. Precisamos todos de não permitir que a soberba faça de nós o que não somos. Precisamos todos de não permitir que a soberba nos comprometa .
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ATUALIDADE
ABRIRAM AS INSCRIÇÕES PARA O XVI FESTIVAL DE ARTES INFANTIL E JUVENIL DE ALBUFEIRA
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Festival de Artes Infantil e Juvenil está de regresso a Albufeira para mais uma edição, com os jovens talentos a puderem pôr à prova as suas aptidões artísticas nas modalidades de música (instrumento), canto, dança (moderna, clássica, tradicional e de salão), ilusionismo e artes circenses (malabarismo, equilibrismo). A iniciativa destina-se a crianças e jovens, com idades compreendidas entre os 6 e os 17 anos, naturais ou residentes na região algarvia. Os interessados deverão efetuar a sua inscrição até às 15h do dia 14 de fevereiro, na Divisão de Turismo, Desenvolvimento Económico e Cultural ALGARVE INFORMATIVO #141
da Câmara Municipal de Albufeira, nas instalações da Biblioteca Municipal Lídia Jorge (Urbanização Quinta da Correeira, 8200-112 Albufeira). Os participantes serão divididos em duas vertentes, dos 6 aos 11 anos e dos 12 aos 17, podendo concorrer a um máximo de duas modalidades. O evento tem lugar no Auditório Municipal, pelas 16h, com duas eliminatórias marcadas para os dias 3 e 10 de março, sendo que a Final acontece a 17 de março. À semelhança das anteriores edições do Festival, há prémios monetários para os três primeiros classificados de cada vertente .
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MUNICÍPIO DE ALCOUTIM VOLTA A ATRIBUIR BOLSAS DE ESTUDO PARA ENSINO SUPERIOR
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Câmara Municipal de Alcoutim aprovou, no dia 10 de janeiro, em a abertura de concurso público do processo de candidaturas às bolsas de estudo para o ensino superior, referentes ao ano letivo 2017/2018, e homologação da atribuição de 35 bolsas, com o valor mensal de 100 euros, a atribuir durante um período de dez meses (outubro a julho). De acordo com o novo Regulamento Municipal de Atribuição das Bolsas de Estudo «Dr. João Dias», e com o seguimento da política municipal de apoio e incentivo ao prosseguimento dos estudos, estas bolsas destinam-se aos alunos residentes no concelho de Alcoutim que frequentam cursos do Ensino Superior, licenciatura ou mestrado, em estabelecimentos públicos ou privados. A fase de candidaturas tem a duração de duas semanas, com início a 22 de janeiro e com término a 2 de fevereiro de 2018. É exigido um requerimento, em impresso próprio, fornecido pelos serviços autárquicos e os restantes documentos definidos no respetivo Regulamento. Sendo a educação e o ensino
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preocupações fundamentais da Autarquia de Alcoutim, a atribuição destas bolsas de estudo pretende estimular a prossecução dos estudos a nível superior, como forma de promover a igualdade na frequência do ensino superior e contribuir, assim, para a melhoria da qualificação profissional dos estudantes do Concelho . ALGARVE INFORMATIVO #141
ATUALIDADE
GINÁSIO CLUBE NAVAL DE FARO COMEMOROU 90 ANOS DE VIDA
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Ginásio Clube Naval de Faro assinalou, no dia 19 de janeiro, o seu 90.º aniversário, aproveitando a data para respeitar, relembrar e enobrecer o passado da entidade e a sua história, bem como para agradecer e congratular o presente e projetar o futuro. O programa de aniversário foi pautado por várias iniciativas, entre as quais a 25.ª Volta ao Algarve à Vela 2017 e o Troféu Ria Formosa 2017. O jantar de aniversário contou com a presença do Presidente da Câmara Municipal de Faro, Rogério Bacalhau, do Secretário de Estado do Ministério do Mar, José Apolinário, do Diretor do Instituto Português do Desporto e Juventude d Faro, Custódio Moreno, e do Presidente da Federação Portuguesa de Vela, António Roquette, estando igualmente representadas instituições como o Comando da GNR Faro, os Bombeiros Municipais e Voluntários de Faro e o Comando da Capitania do Porto de Faro e Olhão. Ao longo da noite houve diversos momentos importantes designadamente: a entrega das medalhas de louvor aos atletas pelos resultados obtidos na época 2017/2018; o reconhecimento e agradecimento pelos 25 anos ao serviço do GCNF aos colaboradores Florbela Lopes e Evaristo Reis; o reconhecimento e agradecimento a dois atletas do GCNF pelos relevantes resultados desportivos obtidos ao serviço do GCNF, Hugo Rocha e Hugo Veríssimo; ALGARVE INFORMATIVO #141
o reconhecimento e agradecimento póstumo ao sócio Paulo Sena, falecido prematuramente em 2017, por todo o seu contributo na área da Náutica; o reconhecimento e agradecimento aos dois sócios mais antigos do GCNF, José Castro e o Aníbal Guerreiro. A melhor prenda de anos foi, contudo, entregue pelas 12h30, com a Direção do GCNF a reunir-se com a DocaPesca (entidade que tutela o espaço físico concessionado ao Naval) para a assinatura de um protocolo em que fica tacitamente estabelecida a concessão ao GCNF por um período de 30 anos. Recorde-se que a concessão tinha sido inicialmente atribuída em 1994 com uma duração de 10 anos, sendo desde então renovada anualmente. O protocolo agora assinado permite ao Clube pensar no futuro com maiores certezas e de forma sustentada, com a notícia a ser calorosamente recebida por todos durante o jantar de Gala, depois de veiculada pelo Presidente João Marques . 92
CAMPEÃO NACIONAL DE BOULDER ELOGIA PAREDE DE ESCALADA MUNICIPAL DE LAGOA
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o dia 11 de janeiro, a parede de escalada municipal (rocódromo), situada no Parque Desportivo Municipal em Estômbar, recebeu a visita de André Neres, um dos melhores escaladores portugueses, atual campeão nacional de Boulder, campeão nacional de dificuldade e vencedor da Taça de Portugal de Boulder, e Rui Pimentel, um dos pioneiros na escalada desportiva em Portugal. Ambos os atletas teceram rasgados elogios ao espaço e à forma
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como este está a ser dinamizado pelo Núcleo de Escalada Vertical, colocando o rocódromo implementado pelo Município de Lagoa como um dos melhores do país. Este projeto de destaque na região foi uma das propostas vencedoras do Orçamento Participativo de Lagoa de 2014. Em 2015, no mesmo âmbito foi aprovada a sua ampliação e implementação de meios complementares de apoio, melhorando as suas condições de operacionalidade .
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ATUALIDADE
LAGOA QUER CONSTRUIR UM MUSEU SOBRE OS MOVIMENTOS SOCIAIS E CIDADANIA
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o âmbito das comemorações dos 245 anos da fundação do concelho de Lagoa, foi apresentada, no Salão Nobre dos antigos Paços do Concelho, no dia 16 de janeiro, a intenção de construir, a partir deste local, o Museu de Lagoa - Movimentos Sociais e da Cidadania. Com este projeto, inédito em Portugal, o Município de Lagoa propõe-se criar um Museu dedicado à história das ideias políticas, da governança e da cidadania, partindo dos movimentos sociais que ocorreram em Lagoa, em Portugal, na Europa e no Mundo na Época Contemporânea. Palavras tão estruturantes da vida contemporânea como Liberdade, Democracia, Constituição, Parlamentarismo, Poder Local, Municipalismo, foram ao longo do tempo, e continuam a ser hoje, pensadas e
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interpretadas de formas bem distintas, em diferentes locais do Mundo. Fazer a história destes conceitos, enquadrando-os com figuras históricas e momentos dos últimos dois séculos da história local, nacional e internacional, são o argumento para o Museu de Lagoa. Com o processo agora iniciado e com as atividades que se projetam levar a cabo nos próximos dois anos neste âmbito, Lagoa pretende construir importantes ferramentas de natureza histórica e pedagógica e colocálas ao serviço da formação de cidadãos cada vez mais informados e participativos. O Museu de Lagoa – Movimentos Sociais e de Cidadania é uma proposta que se inscreve no processo de afirmação de «Lagoa Cidade Educadora» e de defesa da Educação como causa prioritária do Município para 2018 .
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MUNICÍPIO DE OLHÃO APROVOU NOVO REGULAMENTO DE ARRENDAMENTO PARA A HABITAÇÃO SOCIAL
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oi aprovado por unanimidade, no dia 22 de janeiro, em reunião extraordinária da Assembleia Municipal de Olhão, o Regulamento do Programa de Apoio ao Arrendamento Habitacional, com o poder público a ter que intervir na questão devido ao aumento do custo do arrendamento e à escassez de habitações disponíveis para esse fim. “O arrendamento habitacional é um dos três pilares da Estratégia Nacional de Habitação. Nesse contexto, o município não pode furtar-se a dar o seu contributo para a solução deste problema fundamental da agenda 95
social”, justifica António Miguel Pina, presidente da Câmara Municipal de Olhão. A Assembleia Municipal ficou ainda marcada pelo debate e apreciação de vários temas, nomeadamente a isenção de impostos municipais para alguns imóveis, conforme as propostas 363/2017 e 364/2017, que obtiveram aprovação dos deputados municipais, igualmente por unanimidade. Foi também discutida e aprovada por maioria a autorização da assunção de compromissos plurianuais para arrendamento não habitacional, por parte da Câmara de Olhão, de um terreno situado na Avenida dos Operários . ALGARVE INFORMATIVO #141
ATUALIDADE
PORTIMÃO FOI ELEITA CIDADE EUROPEIA DO DESPORTO PARA 2019
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ACES Europe (European Capitals and Cities of Sport Federation) acaba de anunciar Portimão como Cidade Europeia do Desporto para 2019, reconhecendo a cidade algarvia como um exemplo a seguir na promoção do Desporto para todos. O desenvolvimento de programas municipais de incentivo à prática desportiva junto de toda a população, bem como os seus benefícios ao nível da promoção da saúde, integração e educação, foram alguns dos aspetos que contribuíram para que a candidatura de Portimão saísse vencedora. “Fizemos de uma candidatura que muitos classificaram de improvável, um desígnio mobilizador, que toda uma comunidade acolheu como seu, colaborando e participando na candidatura, e que em boa hora foi reconhecida pela ACES Europe, ao eleger Portimão como Cidade Europeia do Desporto para o ano de 2019”, enaltece a
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presidente da Camara Municipal de Portimão, Isilda Gomes. A autarca reforçou ainda que tudo será feito para concretizar os propósitos desta candidatura, mantendo o espirito inicial bem presente, “porque acreditamos que o desporto pode ser a força motriz da qualidade de vida de uma cidade, nomeadamente através da generalização da sua prática a todas idades e sexos e independentemente da condição de vida dos cidadãos”, afirmou, deixando a promessa de que em Portimão se vai ter mais Desporto para todos. Esta eleição constitui-se, ainda, como uma oportunidade para que o Município de Portimão continue a sua aposta na melhoria das condições para a prática desportiva, não só para os atletas, como também para a população em geral, estando previstas intervenções chave em equipamentos desportivos, nomeadamente a construção de uma pista de atletismo e a conclusão do Pavilhão Desportivo da Boavista . 96
VILA DO BISPO ATRIBUIU MAIS DE 84 MIL EUROS PARA BOLSAS DE ESTUDO E DE INVESTIGAÇÃO
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município de Vila do Bispo atribuiu 22 bolsas de estudo e uma bolsa de investigação para o ano letivo 2017/2018, investimento que representa um valor global de 84 mil e 107 euros. O valor a conceder a cada estudante varia ente os 557 euros e os 5 mil e 570 euros, consoante o rendimento do agregado familiar. Estes montantes correspondem a 10, 25, 50, 75 e 100 por cento do ordenado mínimo nacional e são atribuídos durante os meses de frequência. As bolsas de estudo destinam-se aos alunos do concelho que frequentam o
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ensino médio/superior público, particular ou cooperativo. As bolsas de investigação são concedidas a pessoas singulares para possibilitar a realização de estudos que tenham interesse direto para o município. A decisão do executivo municipal enquadra-se no Regulamento de atribuição de bolsas de estudo e bolsas de investigação e tem como objetivo apoiar o prosseguimento de estudos dos alunos economicamente carenciados e com aproveitamento escolar que, por falta de recursos financeiros, estariam impossibilitados de prosseguir o ensino .
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ATUALIDADE
VILA DO BISPO RENOVA PATROCÍNIO COM JOANA SCHENKER E PREMEIA MELHORES ALUNOS
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elo oitavo ano consecutivo, a atleta de bodyboard Joana Schenker vai receber um apoio financeiro da Câmara Municipal de Vila do Bispo para ajudar nas despesas com as provas desportivas em que irá participar ao longo de 2018. O montante a atribuir é de 15 mil euros, tendo o contrato de patrocínio sido assinado, no dia 20 de janeiro, pelo edil Adelino Soares e pela campeã mundial e tetracampeã europeia de snowboard, no Auditório do Centro Cultural, numa iniciativa inserida nas comemorações do Feriado Municipal.
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A atleta que compete pela Associação de Bodyboard de Sagres e pretende revalidar, em 2018, os títulos conquistados nos circuitos mundial, europeu e nacional. Joana Schenker quer ainda lançar uma série de mini vídeos, nas redes sociais, para divulgação de Sagres e do Algarve, como destino para desportos de ondas. Marcará também presença em eventos especiais para promoção do bodyborad e será representante, para esta modalidade, no programa MTV Talento, que reúne personalidades portuguesas de várias áreas como desporto, musica, televisão, artes, entre outros. 98
Na mesma cerimónia, a Câmara Municipal de Vila do Bispo procedeu à entrega de prémios de mérito escolar aos melhores alunos do 6.º e 9.º ano, do ano 2016/2017, da Escola E.B. 2,3 de S. Vicente de Vila do Bispo, Rafael Graça e Catarina Paixão. Deste modo, o presidente da Câmara Municipal, Adelino Soares, e o Diretor do Agrupamento de Escolas do concelho, Joaquim Azevedo, entregaram cartões oferta FNAC no valor de 100 euros cada aos respetivos alunos. Foram atribuídas, igualmente, duas entradas gratuitas por aluno no Zoomarine, numa oferta deste parque temático. A atribuição destes prémios significa o
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reconhecimento do município para com os alunos que com o seu trabalho e dedicação mais se evidenciaram na sua prestação escolar ao longo do ano letivo 2016/207. Na ocasião foi igualmente assinada a consignação do EPAC - Espaço Público de Ação Cultural «O Celeiro da História» e feita a apresentação pública do Relatório de Sustentabilidade .
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ATUALIDADE
EUROCIDADE DO GUADIANA É O NOVO DESTINO TURÍSTICO DA PENÍNSULA IBÉRICA
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Feira Internacional de Turismo de Madrid – Fitur 2018 serviu, no dia 19 de janeiro, de palco para a apresentação da Eurocidade do Guadiana enquanto novo destino turístico da Península Ibérica. Com esta aposta nasce também uma nova marca turística composta pelos municípios de Ayamonte (Espanha), Castro Marim e Vila Real de Santo António, que reforça ainda mais as margens do Rio Guadiana e valoriza os equipamentos existentes nas fronteiras do Algarve e da Andaluzia. Numa apresentação que contou com uma centena de espectadores, Alberto Fernández, alcaide de Ayamonte, e Luís Romão, vice-presidente da Câmara Municipal de Vila Real de Santo António, enalteceram o conjunto de valências existentes na região da Eurocidade do Guadiana e que fazem desta um destino absolutamente apetecível. Infraestruturas desportivas, 20 quilómetros de praias de areia branca, um clima ameno, uma gastronomia incontornável, seis campos de golfe, património histórico e cultural de elevado interesse, um rio facilmente navegável, unidades hoteleiras com boa capacidade de acolhimento e ainda um ALGARVE INFORMATIVO #141
centro de congressos de dimensão e qualidade elevadas são alguns dos fatores que fazem deste destino turístico uma nova referência na Península Ibérica. A união de três municípios com a sua identidade bem definida e consolidada, a vontade de crescer e de ser competitivo nesta e noutras áreas foram alguns dos pontos centrais referidos pelos dois governantes. “Muito mais do que afastar, o rio Guadiana, elo comum entre os três municípios, aproxima-os e confere-lhes mais coesão”, afirmou Luís Romão, presidente da Câmara Municipal de Vila Real de Santo António. A estratégia de promoção conjunta do novo destino turístico irá ter continuidade na Bolsa de Turismo de Lisboa, bem como em diversas feiras e expositores da especialidade. A Eurocidade do Guadiana é um projeto que vai além da cooperação institucional e pretende o fortalecimento na ligação já existente entre os municípios de Ayamonte, Castro Marim e Vila Real de Santo António, exemplificando um novo modelo de cooperação e promovendo a convergência económica, social, cultural, turística e ambiental entre os territórios. Visa igualmente a conjugação de esforços e recursos, através do planeamento e da gestão conjunta dos serviços e dos equipamentos dos municípios fronteiriços.
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PAULA CUSATI EM DESTAQUE NA BIBLIOTECA MUNICIPAL DE LOULÉ
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o dia 2 de fevereiro, a Biblioteca Municipal Sophia de Mello Breyner Andresen, em Loulé, recebe três sessões de contos «Um livro = Um mundo», por Paula Cusati, mediadora de leitura e formadora acreditada pelo CCPFC na área da Promoção da Leitura. Licenciada em Línguas e Literaturas Modernas, possui uma pós-graduação em Livro Infantil e trabalhou durante vários anos numa Biblioteca Municipal, onde foi responsável pelas atividades de Animação e Promoção da Leitura, criando diversos projetos para variados públicos. Foi animadora do projeto «Cata Livros» (Fundação Gulbenkian) nos concelhos do Litoral Alentejano e Algarve e concebe e dinamiza sessões de contos, ateliers e projetos de promoção da leitura. É mestranda em Promoção da Leitura e Literatura Infantil na Universidade de Castilla-La Mancha. Cada sessão tem uma duração aproximada de 45 minutos e destina-se aos alunos do jardim de infância e 1.º ciclo. As vagas são limitadas e as inscrições devem ser feitas para biblioteca@cm-loule.pt. 101
No dia seguinte, entre as 10h e as 17h, Paula Cusati ministra a ação de formação «O mediador, o livro e o leitor: a mediação de leitura na sua essência», que assenta em pilares teóricos e é baseada em experiências concretas de mediação de leitura. Será analisada a essência do ato de mediar leituras, de ler e de construir significados de forma a melhorá-los. “Qual o nosso papel enquanto mediadores?”, “O que é supérfluo na nossa atuação?”, “Como recuar e fomentar o encontro entre o livro e o leitor?” e “Quais as práticas que favorecem experiências fulcrais para a formação de leitores?” serão algumas das questões focadas. A oficina destina-se ao público em geral (maiores de 18 anos) e as inscrições devem ser enviadas para biblioteca@cmloule.pt .
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DIRETOR: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina (danielpina@sapo.pt) CPJ 5852 Telefone: 919 266 930 EDITOR: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina SEDE DA REDAÇÃO: Rua Estrada de Faro, Vivenda Tomizé, N.º 12P, 8135-157 Almancil Email: algarveinformativo@sapo.pt Web: www.algarveinformativo.blogspot.pt PROPRIETÁRIO: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina Contribuinte N.º 211192279 Registado na Entidade Reguladora para a Comunicação Social com o nº 126782 PERIODICIDADE: Semanal CONCEÇÃO GRÁFICA E PAGINAÇÃO: Daniel Pina FOTO DE CAPA: Daniel Pina
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