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13 de janeiro, 2018
SIMONE DE OLIVEIRA a caminho de Faro MARAFADOS DO TT EM MARROCOS | O LANCHE DO CAPUCHINHO VERMELHO 1 ALGARVE INFORMATIVO #139 TEATRO LETHES E CINE-TEATRO LOULETANO EM 2018 | SEEING IS BELIEVING
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CONTEÚDOS
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#139 6 - Paderne Medieval 16 - Cine-Teatro Louletano 30 - Teatro Lethes 42 - Simone - O Musical 52 - Seeing is Believing 62 - O Lanche do Capuchinho Vermelho 70 - Expedição a Marrocos 88 - Paulo Cunha (Opinião) 90 - Paulo Bernardo (Opinião) 92 - José Graça (Opinião) 94 - Mirian Tavares (Opinião) 96 - Adília César (Opinião) 98 - Antónia Correia (Opinião) 100 - Augusto Lima (Opinião) 102 - Atualidade
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REPORTAGEM
PADERNE
VIAJOU ATÉ À IDADE MÉDIA Texto:
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aldeia mais típica do concelho de Albufeira «vestiu-se» a rigor para o principal evento do seu calendário anual, o «Paderne Medieval», que atraiu milhares de visitantes de 29 de dezembro a 1 de janeiro de 2018 a esta verdadeira montra da história e etnografia do Séc. XIV. A viagem ao passado foi feita, mais uma vez, por via da recriação de um mercado medieval que se estendeu ao longo das ruelas estreitas da freguesia, preenchidas por cheiros e sabores provenientes das excelentes iguarias gastronómicas, da representação de artes e ofícios e de várias atuações alusivas à época. O ponto alto do «Paderne Medieval» aconteceu no primeiro dia do ano, com um cortejo histórico que retratou a cerimónia da entrega da Carta de Doação do Castelo de Paderne, por D. Dinis, à Ordem de Avis, e no qual participou o presidente da Câmara Municipal de Albufeira, Carlos Silva e Sousa. Mas outros membros da nobreza, clero, burguesia e, claro está, da «arraia-miúda», marcaram presença, para além de diversos músicos, malabaristas, encantadores de serpentes, dançarinas e tantos outros, concedendo um grande realismo a todo o cortejo .
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REPORTAGEM
CINE-TEATRO LOULETANO COM PROGRAMAÇÃO DE LUXO PARA 2018
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Cine-Teatro Louletano já deu a conhecer a sua programação para a próxima temporada (janeiro a junho de 2018), que continua a pautar-se por critérios de qualidade, diversidade e originalidade/arrojo, afirmando o espaço como uma sala de média dimensão de referência no panorama cultural do sul do país. Na música, continua forte a aposta em estreias, em Loulé, de novos discos de reconhecidos compositores nacionais, mas também de outros ligados a um circuito mais alternativo que é fundamental dar a conhecer numa ótica de democratização do acesso à Cultura. Assim, para além de nomes mais sonantes como o maestro Rui Massena (18 de fevereiro), Dino D’Santiago (9 de junho) ou Pedro Abrunhosa (16 e 17 de junho), são apresentados em absoluta estreia algarvia os novos álbuns de Linda Martini (9 de março), Mazgani (24 de março) e Dead Combo (17 de maio), num rol abrangente e diversificado de grandes concertos para todos os públicos. Destaque ainda para a estreia nacional, em Loulé, do aguardado novo trabalho discográfico de David Fonseca (a 9 de maio), bem como três espetáculos muito especiais: o regresso do cantor e compositor Fausto Bordalo Dias ao Algarve, num concerto que se avizinha marcante (1 de fevereiro); o consagrado fadista Ricardo Ribeiro a cantar José Afonso, acompanhado de um quinteto de luxo ligado ao universo do Jazz (a 24 de abril); e os prestigiados Filipe Raposo e Filipe Melo, numa cumplicidade a dois pianos, para ALGARVE INFORMATIVO #139
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celebrar da melhor maneira o Dia Internacional do Jazz a 30 de abril. No âmbito do ciclo musical «O Longe é Aqui», no qual já foram realizados, desde 2016, mais de dez encontros inéditos (encomendas artísticas) entre talentosos músicos louletanos e reconhecidas figuras do panorama nacional, vêm aí mais três concertos únicos: um, em que se fará inicialmente a apresentação oficial da presente temporada, com a contagiante diva do Jazz Maria João e o inspirador projeto feminino algarvio de canto a capella Moçoilas (a 14 de janeiro); outro, a 6 de maio, que junta um grupo de referência obrigatória na área da música tradicional portuguesa (reinventada), Ronda dos Quatro Caminhos, com o jovem fadista louletano César Matoso; a encerrar este semestre, um espetáculo muito especial que marca o reencontro do promissor jovem quarteirense Bertílio Santos com a cantora Aurea, a 22 de junho, em Quarteira. Ainda na área musical, sublinhe-se a introdução de um novo ciclo dedicado à música clássica – uma aposta regular e continuada da programação do Cine-Teatro –, «Clássicos na Avenida», 21
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numa coprodução entre a Orquestra Clássica do Sul, o Município de Loulé e o Teatro Tivoli BBVA (em Lisboa), reveladora de um reforço da oferta do Cine-Teatro na área da música erudita dirigida não só aos amantes deste universo como ao público em geral. Prossegue neste semestre a aposta estratégica, iniciada em 2017, na área da arte para a primeira infância (bebés, pais e profissionais que trabalham com esta faixa etária), através da parceria com prestigiadas estruturas performativas a nível nacional, neste caso a Companhia Musicalmente (sediada em Leiria), que se concretiza em três vertentes: apresentação de espetáculos diferenciadores e inovadores de cariz multidisciplinar e acentuada contemporaneidade; realização de conferências/debates onde se possa debater o desenvolvimento musical e a criação artística para a primeira infância; e continuação da aposta na dimensão formativa, dirigida a animadores, educadores e demais mediadores que trabalham com bebés. Esta aposta assenta também numa rede colaborativa que tem vindo a envolver a Universidade do Algarve (Escola Superior de Educação e Comunicação) e as creches e jardins-deinfância do Concelho de Loulé. Subjaz ainda à programação gizada para esta temporada uma visão espacialmente descentralizada, prosseguindo com a apresentação de espetáculos no litoral e na zona serrana do Concelho, de modo a enriquecer a programação cultural dessas áreas, assegurando uma dinâmica cultural de qualidade a nível da chamada «época baixa». Assim, o reconhecido músico ALGARVE INFORMATIVO #139
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Ricardo J. Martins, a residir em Loulé, irá apresentar o seu novo disco de guitarra portuguesa «Cantos e Lamentos», com vários convidados especiais, na Fundação Manuel Viegas Guerreiro (Querença) a 13 de janeiro, para além do já aludido concerto com Bertílio Santos e Aurea na Praça do Mar, em Quarteira. No que concerne à comunidade escolar e famílias, o Cine-Teatro continua a apresentar propostas performativas que enfocam no triângulo arte-educação-cidadania, contribuindo para a sensibilização dos mais pequenos para as questões da prática cívica, da ética e de outros valores afins. Daí também a prossecução na aposta em criações, nas áreas do teatro e performance, que incidem em temas ligados à atualidade nacional e internacional, cruzando as áreas da História, Sociologia e Artes do Palco, neste caso através da continuação do ciclo de longa duração «Estórias Silenciosas», iniciado em 2017 e dirigido, quer ao público em geral, como às escolas/famílias. No âmbito deste ciclo temático serão apresentados este semestre os espetáculos «Cartas de Damasco», de Ana Lázaro (27 e 28 de fevereiro), «Isto é a Europa», do Teatro O Bando (27 de março, Dia Mundial do Teatro), e «Mapa», de Fernando Mota (17 e 18 de abril), que contam com um grupo informal de convidados (do público) que tem vindo a acompanhar, comentar e contribuir para a programação das propostas inseridas neste ciclo. Ainda na área do Teatro, destaque para a apresentação da peça «Actores», encenada por Marco Martins e com um elenco de luxo formado por Bruno Nogueira, Luísa Cruz, Miguel Guilherme, Nuno Lopes e Rita Cabaço, e a versão d’«A Tempestade», de Shakespeare, pela inquietante Companhia João Garcia Miguel. Na área da dança contemporânea, de salientar a estreia no Algarve de espetáculos interdisciplinares de reconhecidas companhias nacionais (e internacionais) que normalmente não apresentam ALGARVE INFORMATIVO #139
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as suas criações abaixo do rio Tejo, bem como noutros quadrantes da dança mais dirigidos a um público generalista, como o Flamenco (12 e 13 de maio) e o Tango (3 de fevereiro; e 16 e 17 de março), que contarão com renomados e contagiantes protagonistas. Uma palavra ainda para a permanência de rubricas regulares que assentam na reflexão e debate em torno de temas ligados à Cultura, Artes e Letras, bem como na valorização de figuras locais dotadas de um percurso singular e relevante (respetivamente, os formatos «Conversas à Quinta» e «Dos Sabores da Cultura»), neste caso com os convidados Paulo Lameiro, José Laginha e, já em junho, a consagrada Eunice Muñoz, que celebra este ano 90 anos de vida. O Cinema também não foi esquecido, prosseguindo vários eventos de referência que trazem a Loulé uma oferta de qualidade a nível do Cinema (Monstrare, Mostra de Cinema da América Latina e Festa do Cinema Italiano), assim como vários formatos dedicados ao Humor, que neste semestre conta com os seguintes convidados especiais: Filomena Cautela, Pedro Tochas e Fernando Alvim. Por fim, sublinhe-se a realização da 3.ª edição do Som Riscado – Festival de Música e Imagem de Loulé, que traz à cidade novos e estimulantes diálogos entre música e imagem, para além de cativantes viagens exploratórias em torno da arte do som, num evento que aposta forte na criação contemporânea e na programação dirigida a públicos mais segmentados/alternativos. Inseridos no programa «365 Algarve», de referir o FIMA 2018 – Festival Internacional de Música do Algarve e os encontros do DeVIR, ambos aglutinadores de uma oferta cultural de apreciável qualidade e diversidade . ALGARVE INFORMATIVO #139
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REPORTAGEM
PROGRAMAÇÃO DE 2018 DO TEATRO LETHES AO SABOR
DA «UTOPIA E REALIDADE» Luís Vicente e Elisabete Martins, Diretor e Produtora da ACTA – A Companhia de Teatro do Algarve, deram a conhecer a programação do Teatro Lethes para 2018, mais uma vez pautada por vários espetáculos de grande qualidade de teatro, dança e música. Um ano que começa com mais uma produção da ACTA e que apresenta algumas novidades, como uma residência artística, a encenação de «Frei Luís de Sousa» e jantares com direito a sessão de teatro. Texto:
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apresentação oficial da programação do Teatro Lethes para 2018 teve lugar na noite do Dia de Reis mas, na véspera, Luís Vicente, diretor da ACTA e a sua produtora, Elisabete Martins, já tinham dado a conhecer à comunicação social os principais destaques e as novidades do corrente ano. Uma programação que, em 2018, é pautada pelo desígnio «Utopia e Realidade», o sentido geral de uma identidade que A Companhia de Teatro do Algarve tem prosseguido ao longo das suas duas décadas de existência. “Realidade por razão da nossa idealidade não ter cristalizado, antes continuar a reclamar de nós redobrado empenho. Aqui estamos e continuaremos a estar, ainda que sem resposta à candidatura que apresentámos para o novo ciclo de quatro anos, que se inicia em 2018, dos apoios do Estado à Cultura”, começou por revelar Luís Vicente, reconhecendo o risco que é
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conceber uma programação desta qualidade sem saber a que apoios a ACTA terá direito. Apoio financeiro que também deixou de existir da parte do programa «365 Algarve» para o Ciclo de Música Euterpe, que decorrerá de 8 a 17 de março, mas Luís Vicente prefere falar dos principais destaques do ano, sempre com o objetivo de apresentar espetáculos de qualidade aos farenses e sem esquecer o importante papel da formação de públicos. “A ACTA não é um projeto de autor. Há diversidade de criação dentro da companhia, com uma orientação estética, e apraz-nos trazer ao Teatro Lethes produtos que exprimam pontos de vista diferentes do nosso”, referiu Luís Vicente, sublinhando de imediato o fulgor do VATe – Serviço Educativo da ACTA. “Em 2017 já estivemos em 12 dos 16 municípios do Algarve e esperamos que essa tendência se mantenha em 2018 com o «Uma Torneira 32
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na Testa», um texto que encomendamos ao José Fanha e que vai a cena de 15 a 21 de dezembro”. Um dos destaques de 2018 promete ser «Instruções para Abolir o Natal», uma produção da ACTA a partir de um texto de Michael Mackenzie, com encenação de Isabel Pereira dos Santos e protagonizado por Luís Vicente e Sara Mendes Vicente, de 25 de abril a 6 de maio. Tendo como pano de fundo a crise financeira de 2008 e o Brexit, o autor abre as portas de um ALGARVE INFORMATIVO #139
gabinete de um arranha-céu espelhado onde acontece uma reunião de ajuste de contas entre duas personagens que estão numa profunda crise financeira, emocional e psicológica que os leva a descrever o antes e o depois, expondo a realidade da nossa condição humana atual. Uma das produções originais da ACTA de 2018 sobe ao palco do Teatro Lethes de 29 de novembro a 9 de dezembro, «Frei Luís de Sousa», com texto de 34
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Almeida Garrett e de outros autores, dramaturgia de Alexandre Honrado e encenação de Luís Vicente. “O espetáculo fala do exercício de conceber um texto dentro de outro texto, numa narrativa de contemporaneidade que convoque à reflexão sobre arquétipos que dominam a nossa vida coletiva. Para esse processo de criação serão convocados elementos de hiper-realismo, cruzados com elementos simbólicos, visando-se uma tensão dialética que tomará corpo na relação entre os atores e entre estes e o público em domínios da meta-teatralidade”, adiantou Luís Vicente. A propósito desta produção, o Diretor da ACTA recordou um projeto que envolve universidades de Portugal, Espanha e França com o objetivo de estudar a «genética teatral», sendo que «Frei Luís de ALGARVE INFORMATIVO #139
Sousa» vai ser acompanhado por académicos da Universidade do Algarve para esse efeito. “Sei que há colegas meus que não concordam com esta partilha de conhecimento entre o universo dos fazedores e o universo académico, porque, inevitavelmente, há conflitualidade entre ambos. Contudo, para mim, não é pacífico que essa conflitualidade seja perniciosa, aliás, acho que é importante que ela exista”, entende, lembrando que esta parceria com o estudo nasceu aquando da encenação de «À Espera de Godot» pela ACTA, em 2016. De 24 a 27 de maio, o Teatro Lethes acolhe uma residência artística da Keunnamu Dance Company da Noruega, «Os Ursos Não Ladram», e o FOMe regressa de 17 a 30 de setembro, com Luís Vicente a mostrar-se satisfeito com o crescente entusiasmo em torno do Festival de Objetos e Marionetas, o que poderá motivar que tenha uma dimensão ainda maior. “É intenção dos promotores estender o festival ao Algarve Central e estamos a tentar reunir financiamento para tal”, indicou, antes de abordar a primeira estreia do ano da ACTA, «A Casa No Fim de Tudo», de 26 de janeiro a 4 de fevereiro, com texto de Luís Campião, encenação de Paulo Moreira e música de Celina 36
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Piedade. “O Luís é um grande adepto da Celina Piedade e, depois de assistir a um dos seus concertos, reparou que ela tinha retirado uma canção do alinhamento. No final perguntou-lhe qual o motivo e a resposta que ela lhe deu conduziu-o a este texto”, contou Luís Vicente. Uma das surpresas para 2018 é a parceria com o Dijon Bistro & Bar, que se traduz num jantar e espetáculo a um preço convidativo nos eventos que são da chancela da ACTA. “Teatro Lethes que continuará a ser um espaço aberto à ALGARVE INFORMATIVO #139
comunidade”, garantiu, por sua vez, Elisabete Martins, dando o exemplo das parcerias com associações locais como o Atelier do Movimento, Música XXI, APATRIS 21 e Associação de Fado do Algarve. Um momento especial será, certamente, a exposição em homenagem a José Louro, fundador da ACTA, precisamente no ano em que a estrutura comemora as duas décadas de existência. “Em 2017 voltámos a ultrapassar os 10 mil espetadores e queremos repetir a proeza este ano. A lotação oficial do Teatro Lethes é de 223 lugares, contudo, agora, está em 198, porque há frisas que não vendemos por não terem boa visibilidade para o palco”, justificou Luís Vicente, com Elisabete Martins a lembrar que, em vários espetáculos para a infância, o público está sentado no próprio palco. “Mas, em termos globais, o número de espetadores tem vindo a aumentar sistematicamente desde que assumimos a programação do Lethes”, frisou o diretor da ACTA. Motivos não faltarão para rumar ao Teatro Lethes em 2018, com outros destaques a irem para «Justiça», da Companhia de Teatro de Braga (10 de fevereiro), o Ciclo Lethes Clássico da 38
Orquestra Clássica do Sul (16 de fevereiro, 8 de junho, 12 de outubro e 9 de novembro), o concerto de Gonçalo Pescada e Yan Mikirtumov (17 de fevereiro) e o espetáculo da Academia de Dança Contemporânea de Setúbal (23 e 24 de fevereiro), a terceira edição do Palco Aberto (1 a 4 de março), a peça «A Bela Adormecida, quem a salva?» pela Rituais Dell Arte (6 de março), o «Dá-me um Abraço» do VATe (20 a 24 de março) e a reposição de «Um Espetáculo ‘Bela e Abel’», da ACTA, no Dia Mundial do Teatro (27 de março). Abril começa com uma gala da Associação de Fado do Algarve (7 de abril) e, a 11 de maio, o Teatro de Montemuro apresenta «4 Clowns do Apocalipse». Nos dias 18 e 19 de maio acontece a quarta edição do Faro Blues – Festival Internacional de Blues de Faro e a ArQuente/Clementina e Teatro das Figuras levam ao Lethes «A nova história do Coelhinho Branco» (2 de junho).
proposta do Teatro do Noroeste para dia 6 de outubro e, no dia 14, a Companhia de Dança de Matosinhos interpreta «Uma Bailarina Espe(ta)cular». «Bemmarmequer Meu coração é uma Praia» vai a palco no dia 20 de outubro, pela Teatro Art’Imagem e Valentim Filipe mostra o seu talento no dia 10 de novembro. Ainda antes do ano terminar, oportunidade para assistir à peça «Uma Mulher Só», do Teatro das Beiras (23 de novembro), Coral Feminino Outras Vozes (14 de dezembro) e ao Concerto de Natal da Associação Filarmónica de Faro .
A 9 de junho é a vez de subirem ao palco os Vá-de-Viró e a Universidade do Algarve para a Terceira Idade apresenta a sua récita anual no dia 16 de junho. No sábado seguinte, 23 de junho, a parceria da ACTA com a APATRIS 21 leva a cena «Fiz das Pernas Coração». Já em julho, a 14, assiste-se ao espetáculo final de ano dos Alunos do Atelier do Movimento e, no dia 15 de setembro, o teatro volta com «Mulheres Móveis», da Astro Fingido. (I)Migrantes é a 39
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REPORTAGEM
SIMONE DE OLIVEIRA A CAMINHO DE FARO Depois de seis semanas praticamente de lotação esgotada no Teatro Tivoli, em Lisboa, o musical sobre Simone de Oliveira passou pelo Porto e Figueira da Foz e continua, em 2018, em digressão de norte a sul de Portugal, incluindo Faro, nos dias 26 e 27 de janeiro. O Algarve Informativo esteve à conversa com o encenador Tiago Torres da Silva, que levantou o véu sobre o espetáculo acerca de uma das mais carismáticas artistas portuguesas dos séculos XX e XXI. Texto: ALGARVE INFORMATIVO #139
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o longo de seis semanas, o Teatro Tivoli BBVA vibrou com «Simone, O Musical», da autoria de Tiago Torres da Silva, com a história da vida e carreira de Simone de Oliveira a arrebatar os espectadores em Lisboa e a gerar longas ovações de pé no final de cada espetáculo. Risos e lágrimas multiplicaram-se, não deixando indiferente quem já conhecia a sua vida e conquistando os mais novos com os poemas, a elegância do texto e a excelência das interpretações. Em 2018, «Simone, O Musical» continua em digressão pelo país, tendo já passado pelo Forum Municipal Luísa Todí, em Setúbal e pelo Casino do Estoril, seguindo-se, ainda em janeiro, o Teatro Aveirense, em Aveiro e o Teatro das Figuras, em Faro, nos dias 26 e 27.
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Uma agenda repleta porque, amada por todos, Simone de Oliveira é sinónimo de força, autenticidade e coragem. A artista, que completa 80 anos a 11 de fevereiro, abraçou mais de sete ofícios na sua longa carreira, fazendo sempre frente aos desafios que lhe surgiram pelo caminho. Sem temer, ou temendo muito, desbravou caminhos e fez-se ouvir numa sociedade adversa às mulheres com voz. Foi jornalista, locutora de continuidade, apresentadora de concursos e programas de televisão e rádio, até que a voz, possante e enérgica, a fintou. Mas lutou, sobreviveu e regressou às canções que a notabilizaram, aos poetas controversos a cuja obra cedeu a alma, aos palcos que a
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amavam como cantora e atriz, ao público que aplaudia a Artista e a Mulher. Apesar da idade avançada, Simone de Oliveira ainda tem sonhos por concretizar e muitas memórias para partilhar, daí ter aceitado prontamente o desafio lançado por Tiago Torres da Silva e interpreta, em palco, temas icónicos como «Desfolhada», «Sol de Inverno», «Esta Palavra Saudade» e «Tango Ribeirinho». Simone desvenda-se e, mais uma vez, entrega-se publicamente pelo que acredita, pelo que sente como destino, pelo que a torna um exemplo acarinhado por todos os portugueses. Mas o espetáculo é muito mais do que um musical em nome próprio, onde a sua história, recheada de personagens como Varela Silva, Ary dos Santos, Carlos do Carmo e David Mourão Ferreira, é pautada pela música e humor. “Gosto muito dela, faz 60 anos de carreira e tem um percurso, pessoal e profissional, riquíssimo e que é uma grande lição de vida para todos, por conseguir retirar sempre uma gargalhada de todas as vicissitudes por que vai ALGARVE INFORMATIVO #139
passando”, refere o encenador, considerando que a história de Simone de Oliveira ilustra também a evolução das mentalidades em Portugal no século passado. “Foi muito mal tratada nos anos 60 quando cantou “Quem faz um filho, fá-lo por gosto» e ainda recentemente uma costureira que trabalhava connosco disse que não a queria vestir precisamente por ter interpretado esse tema. Isto em 2017”, revela Tiago Torres da Silva. Um grandioso musical que, normalmente, é realizado em torno de figuras que já nos deixaram, mas o encenador quis prestar esta merecida homenagem a Simone de Oliveira enquanto ela caminha ao nosso lado e tê-la em cima do palco é, acima de tudo, uma garantia de que tudo o que é retratado é verídico. “O público pode ter a certeza que se vai rir às gargalhadas e emocionar-se e chorar com coisas que realmente lhe aconteceram. Não há aqui truques 46
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nenhuns ou uma tentativa de limpar o que quer que seja. A vida da Simone é o que ela é, sem entrarmos, obviamente, nos jardins secretos que todos nós temos”, afirma o entrevistado. Como são muitas as facetas de Simone de Oliveira, Tiago Torres da Silva teve que fazer opções na altura de escrever o texto, mas a vida da artista está perfeitamente descrita no palco, os bons e os maus momentos, os dois problemas oncológicos porque passou, os abandonos a que foi votada, a violência que sofreu, e de tudo saindo vitoriosa. “Não há derrota que derrote quem nasceu para vencer e isso deve ser uma lição para todos nós. A maior herança que a Simone nos deixa é conseguir ultrapassar todos os revezes”, defende, acrescentando que este musical só teria sentido para ele se contasse com a participação ativa da própria artista. “As pessoas às vezes pensam que ela está lá simplesmente para receber aplausos no final, mas entra na peça toda, canta seis temas, faz a apoteoso final, com muitíssima força, pujança e alegria. O espetáculo é uma montanha-russa de emoções e têm sido absolutamente incríveis as reações do público”, observa. O sucesso de «Simone, o Musical» parece atestar, entretanto, que o teatro, e os musicais propriamente ditos, ainda têm um lugar cativo no coração dos portugueses,
mas a análise é difícil de fazer para Tiago Torres da Silva. “A própria Simone está surpreendida com a quantidade de público que está a ter e penso que há uma série de fatores a contribuir para este sucesso, desde a figura da Simone ao elenco que reunimos, até ao facto de termos uma banda a tocar ao vivo. Nos anos 30, já a Amélia Rey Colaço dizia que o Teatro está em crise. Acho que o teatro estará sempre em crise e, de vez em quando, há umas coisas que têm mais sucesso do que outras. Penso que o cenário não é muito diferente do que quando entrei para este mundo, há 25 anos”, aponta. Após o êxito em Lisboa, no Porto e na Figueira da Foz, prossegue, então, a digressão nacional de «Simone, o Musical», que chega a Faro no fim-desemana de 26 e 27 de janeiro, com três sessões que deverão esgotar, para satisfação de Tiago Torres da Silva. “É uma produção de luxo, à moda antiga e à portuguesa, nada que se pareça com os musicais da Broadway. Não tem escadarias, nem plumas, a maior riqueza do espetáculo é a emoção e o repertório incrível da Simone. Muitos dos seus grandes êxitos estarão presentes, canções incontornáveis do imaginário português”, termina o encenador .
Ficha técnica Texto e Encenação: Tiago Torres da Silva; Direção Musical: Renato Júnior; Cenografia: Catarina Amaro; Figurinos: Dino Alves; Coreografia: Paulo Jesus; Vocal Coach; Carlos Coincas; Desenho de Luz: Paulo Sabino; Fotografia do Cartaz: Rui Figueiredo; Assistente de Encenação; Salvador Nery; Elenco: Simone de Oliveira, FF, José Raposo, Maria João Abreu, Marta Andrino, Pedro Pernas, Ruben Madureira, Salvador Nery, Sissi Martins e Soraia Tavares. Banda: Helder Godinho (Assistente Direção Musical/Piano), Miguel Amado (Baixo/Contrabaixo), Ricardo Barriga (Guitarra) e David Jerónimo (Bateria)
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REPORTAGEM
SEEING IS BELIEVING: Uma vida de olhos postos no microscópio Aos seis anos Cláudia Florindo queria ser astronauta, aos 27 iniciou o estudo de um gene humano desconhecido, descobrindo que é um gene fundamental no processo de divisão celular e que hoje está em fase de ensaios clínicos para o tratamento da infertilidade e cancro. Pelo meio passou milhares de horas ao microscópio, contou «histórias de células» como quem conta histórias da carochinha, e continua a acordar o marido às quatro horas da manhã para lhe contar as aventuras e desventuras de um dia no laboratório. Texto: 53
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conversa começa de modo animado. Com um sorriso nos lábios, Cláudia Florindo, microscopista e investigadora independente, a desenvolver carreira no Centro de Investigação em Biomedicina, no Laboratório de Cancro e Biologia Celular, dirigido por Álvaro Tavares, informa-me que só tem mais 10 minutos: “Tenho de ir semear células”. Parte da sua vida é, como nos conta, regida pelos horários do laboratório. Traz ao pescoço um cronómetro que não a deixa mentir. Entre ir buscar os três filhos à escola e conjugar todas as suas atividades com uma vida profissional atribulada, Cláudia confessa-nos que há, do lado de cá, uns «meninos» extra que lhe exigem, diariamente, o máximo de atenção, empenho e dedicação possível. São conjuntos de células que, tal como uma criança pequena, lhe tiram, muitas vezes, horas de sono. “É preciso cuidar delas. Não te esqueças que isto é biologia, não é matemática, não é engenharia nem física. Tudo isto implica, não só bastantes horas ao microscópio, como muitas técnicas complementares para garantirmos que a ciência que fazemos está certa. No fundo, é como estares a observar um coxo. Estás a olhar para o pé mas tens de ver se ele coxeia, como é que ele coxeia, tens que ver se é do pé, se é da anca ou da coluna. Tens de o ver como um todo”, explica. E foi precisamente para ver o mundo como um todo, um mundo com coisas nas quais “queria mexer” que a investigadora, que aos seis anos sonhava ser astronauta, tomou, aos 18, a decisão de mudar-se do curso de Física para o de Química Aplicada. ALGARVE INFORMATIVO #139
“Queria pôr uma hipótese, fazer experiências, tirar conclusões e chegar a novos problemas e, em física teórica, isso não era possível”. Das galáxias aos mistérios da biologia, o trabalho de Cláudia Florindo e do grupo de investigação de cancro e biologia celular passa hoje por compreender o ciclo celular e, em particular, que genes são importantes para a divisão celular. Assumindo que doenças como o cancro são uma consequência da desregulação da divisão celular, a investigadora do CBMR, para quem “o conhecimento vale pelo conhecimento”, procura estudar, particularmente, a mitose, ou seja, o momento em que as células se dividem em duas. De facto, compreender esta fase do ciclo de vida de uma célula pode oferecer importantes pistas para controlar determinados fenómenos. “Se conseguirmos perceber exatamente como é que as células se dividem, conseguimos perceber como é que podemos controlar essa divisão. Se as células ficarem demasiado tempo paradas a tentarem dividir-se ou se se dividirem de forma errada, isso é péssimo para o organismo. Num organismo multicelular como é o nosso, uma célula alterada que se mantenha em proliferação contínua, e que não seja eliminada pelo nosso sistema imune, vai acumulando alterações no genoma e originando células cada vez mais transformadas. Temos, então, um problema que muitas vezes origina um tumor”, indica a investigadora. Compreender como é que, no ato final da divisão, as células se separam («cortam» uma da outra) e quando é 54
que cortam foi o grande desafio a que se propôs Cláudia Florindo que, em 2001, iniciou um projeto pioneiro que passava por caracterizar uma família de genes sobre os quais pouco ou nada se sabia – a família de genes MOB. De acordo com a entrevistada, o objetivo era compreender se estes genes estavam relacionados com a divisão celular em humanos e de que modo afetavam este processo. Quatro anos depois, com os olhos postos no microscópio, chegava a uma conclusão. “Apercebi-me que, se não tivéssemos o gene MOB1, as células falhavam a fase final da divisão celular. Sem ele, elas não cortavam. Mais interessante ainda, elas ganhavam movimento, mexiam-se muito. Tanto que, inicialmente, me lembro de ficar chateada porque não as conseguia filmar. Elas não paravam quietas…”, recorda. “Lembro-me de, na altura, falar 55
com o Álvaro e comentarmos que se havia falha na divisão e ganho de mobilidade, então devíamos estar diante de um novo gene supressor de tumores. Era uma mera especulação, pois não tínhamos ainda provas, mas era uma hipótese válida tendo em conta os dados. E verificámos ser verdade. Clonamos um gene novo que se revelou ser um novo gene supressor de tumores”, revela.
O MOMENTO EUREKA Naquela noite, no laboratório, Cláudia Florindo sentiu “aquela coisa espetacular de fazer ciência, é a sensação de que sou a primeira pessoa a ver isto: o momento Eureka!”. Cláudia acabara de descobrir que, se na ausência
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do gene, as células não se dividiam, então o MOB1 era um gene essencial para a divisão celular. No entanto, as descobertas não ficariam por aqui, uma vez que uma colega de laboratório viria a observar que, quando este gene era desativado em moscas (Drosophila), estas desenvolviam tumores. Estavam assim diante de um gene supressor de tumores, ou seja, um gene que, quando é inativado erradamente, o organismo desenvolve tumores. Na verdade, este gene é essencial para a viabilidade do organismo, pois é necessário nas primeiras fases do desenvolvimento embrionário (onde ocorrem as primeiras divisões celulares). O desenvolvimento de tumores só ocorre se as alterações ao gene forem causadas em adultos. “Admito que as pessoas possam pensar que, se o trabalho foi feito em moscas e em células numa caixa, por que razão pode isso ser importante para o Ser Humano? Na ALGARVE INFORMATIVO #139
verdade, os mecanismos do ciclo celular estão conservados evolutivamente, podendo-se tirar conclusões muito importantes e válidas usando modelos celulares e organismos modelo para depois transpormos esses dados para seres humanos. Foi precisamente o que aconteceu com o MOB1, que está agora a ser estudado como alvo terapêutico de ensaios clínicos, em estudos de cancros e infertilidade (ensaios clínicos na via hippo)”. Durante o doutoramento, Cláudia iniciou-se na análise de células por microscopia em tempo real num período que passou em Cambridge, com Jonathon Pines. Este trabalho seria apenas o trampolim para um novo voo que a levaria a ser convidada para o Patterson Institute for Cancer Research, em Manchester. É lá que inicia o trabalho com Elmar Schiebel, renomado cientista a trabalhar na área da divisão 56
celular que, confessa, lhe lançou o maior desafio da sua carreira: ir para Heidelberg, na Alemanha, e montar, com ele, uma unidade de microscopia. Foram meses de trabalho intenso que estabeleceram entre Cláudia Florindo e os microscópios uma relação muito especial. O início de um amor que não mais iria cessar. Amor esse, aliás, que Cláudia não nega, afirmando, orgulhosamente, que, hoje, “a microscopia é um hobbie, não um trabalho”. A aventura que, em 2005, aceitou de braços abertos trar-lhe-ia frutos anos mais tarde, quando, depois de regressar a Portugal e ter três filhos em três anos e meio, foi convidada, conjuntamente com Álvaro Tavares, a montar a nova unidade de microscopia na Universidade do Algarve. É deste espaço que atualmente gere que Cláudia Florindo nos fala hoje. O trabalho, o rigor e a dedicação permanecem os mesmos. Porque também deles depende o sucesso da investigação que por lá passa. A trabalhar com áreas diversas como a da Arqueologia, das Ciências do Mar e da Biomedicina, a investigadora confessa que a grande prioridade é “pôr os microscópios a funcionar bem”. “Garantir que, se comprámos um Ferrari, então, todas as peças devem estar afinadas ao máximo. Se possível, quero que os nossos Ferraris andem à velocidade máxima, dando tudo o que podem dar. Claro que isto é muito difícil de se fazer, dado serem equipamentos muito complexos”, admite.
uma hora ao microscópio e depois vir para «o mundo cá fora». “Quando sais de lá, vês tudo aquilo que estiveste a ver nas últimas horas. Se estiveres a ver fusos mitóticos, olhas e vês fusos mitóticos em todo o lado. Se estiveres a ver centríolos, olhas para a estrelas e vês tudo a brilhar”, afirma. Por isso, a microscopia confunde-se frequentemente com a vida de Cláudia Florindo e exemplo disso são as histórias que costumava contar aos filhos e à sobrinha. “Contava-lhes histórias das células como quem conta a história da carochinha. Para eles, haver um gene que é bom ou um gene que é mau é o mesmo que haver um papão. Lembrome que a minha sobrinha, quando queria adormecer, agarrava na minha
Assumindo que “a microscopia é um vício”, desafia aqueles que não conhecem a área a experimentar estar 57
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tese de doutoramento, punha a chucha e dizia-me: ‘tia, conta-me histórias das células’”.
vermos uma vez que vai ser verdade. Temos que garantir que o que fazemos é bem feito e é válido”.
Também o filho, com apenas dois anos e meio, era frequentemente «apanhado» agarrado ao manual «Fundamentals of Light Microscopy», livro de cabeceira da investigadora, que ainda hoje recorda o espanto causado pelo fascínio da criança com os gráficos dos percursos óticos da luz pelas objetivas. Para Cláudia, para quem o lema «seeing is believing» é uma máxima, o rigor continua a ser palavra de ordem. “Na microscopia podes ver o que queres. Podes ver uma célula a rir ou a chorar. A questão é compreender se isso é significativo ou não e nós temos de garantir que é significativo. Não é por
A propósito de rigor e dedicação, Cláudia Florindo recorda-se bem de um episódio: “Cheguei às quatro da manhã a casa e, depois de já ter feito todas as experiências e todos os controlos, vi que as células não se dividiam e que se matavam. Então, agarrei no meu marido, que já estava a dormir e disselhe, cheia de alegria, ‘elas morrem’. Ele, na verdade, ficou todo contente, meio ensonado ainda me pediu para lhe contar o que se passava. É que estávamos a descobrir mais um gene essencial à vida. Quando eu o tirava, as células morriam…”.
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A entrega à carreira já valeu a Cláudia Florindo algumas distinções, de entre as quais se destacam, a título pessoal, o segundo e o terceiro prémio no Concurso SVI Huygens Contest, dedicado a distinguir a melhor imagem científica do ano. A unidade de microscopia que lidera passou a integrar a Rede Nacional de Bioimagem e garantiu, em 2017, através de um projeto financiado, a possibilidade de melhorar e atualizar equipamentos e software. Embora confesse ser uma fã da ciência fundamental, Cláudia Florindo admite, no entanto, que a investigação desenvolvida no seio do seu laboratório tem uma aplicação óbvia no dia-a-dia das pessoas, uma vez que, pelo menos três genes
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trabalhados pelo grupo se encontram atualmente na última fase de ensaios clínicos como genes anti-tumorais. Seja pela objetiva do microscópio ou a olho nu, Cláudia Florindo promete continuar a ver «pontinhos brilhantes», raios de luz que iluminam, diariamente, o seu percurso no mundo da investigação. Dos seus singelos seis anos ficou o desejo de ser astronauta. A vontade de olhar o mundo, de conhecer muita gente, muitos projetos e de fazer ciência, essa, permanece intacta, já que, como garante, a “ciência é fascinante e pode ser contada de maneira a que seja sempre bonita” . Texto originalmente publicado em http://scienceplatformpt.cbmr.ualg.pt/ e http://cienciacomvida.pt/
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REPORTAGEM
TEATRO DAS FIGURAS
«O LANCHE DO CAPUCHINHO VERMELHO» ACOLHEU
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Teatro das Figuras foi palco, no dia 10 de janeiro, de duas sessões direcionadas para o público infantil de «O Lanche do Capuchinho Vermelho», peça com Argumento e Direção de Pedro Monteiro. Uma plateia muito atenta assistiu a um Capuchinho Vermelho mais velho do que na versão original do conto de fadas de Charles Perrault. Apesar disso, de vez em quando, o Capuchinho leva bolos à avozinha e, pelo caminho, aparece sempre o lobo esfomeado, que conta ao público a sua desgraça, ou seja, a injustiça que é considerarem-no mau, quando os homens é que andam a matar os lobos com as suas espingardas e a destruir os seus habitats naturais. O Capuchinho Vermelho aparece e, sem querer, assusta o lobo, que afinal é muito medroso. Nesta história, os dois são amigos e vão juntos à casa da avozinha para lá comer um belo lanche. Contudo, à chegada, decidem pregar uma partida à avozinha e, como na história tradicional, o lobo entra disfarçado de Capuchinho Vermelho. O problema é que, desta vez, a avozinha não se deixa enganar e, depois de lhe dar umas belas bengaladas, fecha-o no armário. Depois de muitas explicações, o Capuchinho Vermelho liberta o lobo, que já não é mau, e a avozinha oferece uma prenda a cada um: a Liberdade ao Lobo e a Partilha ao Capuchinho, que não fica lá muito satisfeito por ter de dividir os bolos com os outros participantes do lanche . ALGARVE INFORMATIVO #139
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REPORTAGEM
MARAFADOS DO TT EM VIAGEM POR MARROCOS Texto: Fotografia:
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mocionado e com uma lágrima no canto do olho foi assim que, ao entrar em território português, me despedi, em nome dos «Marafados do TT Grupo de Todo Terreno», dos 23 participantes que integraram a caravana de oito veículos 4X4 que, tendo partido a 26 de dezembro de 2017 e regressado a 6 de Janeiro de 2018, percorreram três mil e 600 quilómetros, ligando o Município de São Brás de Alportel ao Sul do Reino de Marrocos. Foram 12 dias de emoções fortes, esforço e dedicação que culminaram na chegada ao Algarve da
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expedição «São Brás de Alportel Marrakech, Memorial João Rosa Beatriz». Há cerca de um ano, Pedro Lopes, um dos fundadores dos «Marafados do TT», comunicou-me a ideia e davam-se os primeiros passos para esta iniciativa. Estávamos perante uma série de acontecimentos, uns mais longínquos em termos históricos, outros mais contemporâneos, que adicionavam os ingredientes necessários e nos impulsionavam a avançar em direção a Sul. 72
OS TRÊS PILARES A SUPORTAR ESTA INICIATIVA Por um lado, João Rosa Beatriz e a ligação a Marrocos. Republicano convicto que, a 1 de junho de 1914, foi responsável pela elevação da aldeia de São Brás de Alportel a sede de Concelho. Mais tarde viria a ser vice-cônsul em Mazagão (atual El Jadida), tendo vivido o resto da sua vida no Reino de Marrocos, onde faleceu em 1960. Das mãos do principal impulsionador da iniciativa, Vítor Guerreiro, presidente do 73
Município de São Brás de Alportel, recebi à partida o livro «O Testemunho Político de João Rosa Beatriz», livro esse que nos acompanhou e foi sendo apresentado aos participantes durante a nossa viagem. Por outro lado, o Protocolo de Cooperação celebrado em 2005 entre o Município de São Brás de Alportel e a Commune Urbaine de Ouezzane, que estabelece pontes entre estas duas cidades tão afastadas mas ao mesmo tempo tão próximas. Protocolo esse explicado pela Vereadora Marlene
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Guerreiro, que mais tarde se iria juntar a nós na viagem. Por último, a vontade de desmistificar e dar a conhecer o Reino de Marrocos. Para este ponto é essencial a presença do Cônsul-Honorário do Reino de Marrocos no Algarve, Arq. José Alegria, que desde a primeira hora se mostrou inteiramente à nossa disposição para enquadrar a iniciativa em termos históricos, para facilitar a comunicação entre os dois Municípios e também para garantir que a nossa delegação em Marrocos fosse recebida pelas entidades locais de forma exemplar, como viria a acontecer. Aliás, esteve em contacto praticamente diário connosco enquanto durou a expedição, de modo a acompanhar o evoluir dos acontecimentos.
O DESCONHECIMENTO Marrocos ainda constitui para muitos algarvios uma fonte de mistério, fruto de
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um desconhecimento acerca da geografia e sociedade deste país aqui tão perto, mas ao mesmo tempo tão afastado das nossas gentes. De facto, são muitas as pessoas que se surpreendem e algumas nem tomam como sérias as notícias sobre neve em Marrocos, cidades gigantescas com prédios altos, comboios de alta velocidade, autoestradas ou enormes polos universitários. Durante anos deparei-me com muito desconhecimento sobre este belo país vizinho e as velhas histórias da troca de belas senhoras por camelos não passam disso mesmo: velhas histórias. Muitas vezes sou questionado se viajar assim não é perigoso, ainda por cima com crianças? Respondo com a minha experiência pessoal e, em 25 anos de viagens por todo o território do Reino de Marrocos, zero problemas. Marrocos é uma nação de pessoas afáveis, extremamente desenvolvido, 74
por um lado, mas sem perder os aspetos típicos e a sua identidade própria e, não menos importante nos dias que correm, é um país seguro.
EM VIAGEM Os primeiros dias de viagem significam uma habituação às regras elementares de uma viagem em caravana. Existem horas para levantar, para arrancar, para comer e para descansar. Depois da partida em São Brás de Alportel, o destino é a cidade de Algeciras, onde cruzamos o estreito de Gibraltar para Ceuta. Um par de horas mais tarde estamos no Reino de Marrocos para pernoitar em Tetouan. Para os estreantes nestas andanças, a 75
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primeira etapa contempla sempre algum nervosismo, principalmente devido à carga que as viaturas transportam, em grande parte a ser descarregada no dia seguinte, em Ouezzane. Por outro lado, é interessante escutar as observações de quem nunca tinha estado em Marrocos a tentar estabelecer comparações com Portugal: "Olha, afinal aqui também há hipermercados com tudo", referia um dos participantes ao observar uma grande superfície comercial à entrada de Tetouan. Para o jantar, porque não um Tajine.
OUAZZANE Ouazzane é uma cidade do Norte de Marrocos situada a cerca de 160 ALGARVE INFORMATIVO #139
quilómetros da fronteira e atravessada pela Estrada Nacional N.º 13 que segue em direção a sul. Trata-se da cidade onde são manufaturados os melhores tecidos para se fabricarem as Jilabas com maior qualidade de Marrocos. Tem como base da economia a produção de azeite e as fiações e é uma das raras cidades que nunca esteve rodeada por muralhas, tendo-lhe sido sempre atribuído um carácter sagrado e de tolerância religiosa. Tolerância é precisamente o lema do protocolo de colaboração entre São Brás de Alportel e Ouezzane. À hora prevista somos recebidos, em Ouezzane, na Dar Atfal, uma casa de acolhimento de crianças desfavorecidas. Com a presença de Abdelhalim Allaloui, presidente do 76
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município de Ouezzane, e demais entidades oficiais, procedeu-se à entrega de 650 quilos de material escolar, brinquedos e roupas para criança como prova simbólica do nosso espírito de entreajuda. Foi igualmente entregue uma carta enviada pelo Presidente do Município de São Brás de Alportel ao seu homólogo em Ouezzane. Fomos recebidos em festa com música e canções interpretadas pelas crianças da instituição. De Ouezzane veio um quadro para São Brás pintado por um artista plástico e professor da instituição e veio a certeza de que este protocolo está vivo, de boa saúde e com motivos para dar frutos nos anos vindouros. E vieram ainda muitos nós nas nossas gargantas, tal foi a emoção com que saímos de Ouezzane depois da receção proporcionada por aqueles meninos.
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A VIAGEM CONTINUA A viagem continua para Sul, onde temos tempo para uma passagem por aquilo que foi a cidade romana de Volubilis, inscrita como Património Mundial da UNESCO e, depois de Meknes, o nosso destino foi a cidade de Azrou, às portas das montanhas do Médio Atlas. Uma noite fria que foi colmatada num hotel em Azrou com um bom jantar e uma lareira com fogo a crepitar junto à qual o grupo pôs a conversa em dia e passou os olhos pelo mapa. Sou questionado pelo baixo número de quilómetros previstos para a etapa do dia seguinte: "Só 150 quilómetros? Isso não é pouco?". Respondo calmamente, e com um sorriso de quem sabe o que vem ai: "As travessias dos Atlas não se medem por quilómetros, mas sim por 78
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horas. Vão ter diversão para todo o dia seguramente".
O MÉDIO ATLAS O Médio Atlas é uma cadeia montanhosa com mais de 300 quilómetros de extensão, é conhecido como o Castelo de Água de Marrocos, tem uma biodiversidade incrível e é um autentico reservatório natural de água do território. Ali nascem alguns dos rios mais importantes do país. Visitamos precisamente a nascente do rio Oum ErRbia, que ao fim do seu percurso de mais de 500 quilómetros desagua no Oceano Atlântico, perto da cidade de El Jadida, cidade anteriormente referida pela ligação a João Rosa Beatriz. A travessia do Médio Atlas é deslumbrante devido à paisagem que nos rodeia, florestas de cedros centenários, ALGARVE INFORMATIVO #139
desfiladeiros, passagens de cumes a mais de dois mil e 300 metros de altura, tudo isto acessível apenas por pistas, algumas já com a presença de neve só acessíveis a veículos 4x4. Como a aventura está sempre presente, houve até que retirar alguns pedregulhos do meio da pista que impediam a circulação das viaturas, fruto das últimas chuvas que por ali encheram o «Castelo de Água». Para muitos, foram afinal os 150 quilómetros mais longos que fizeram até então.
O DESERTO O deserto e as dunas de areia são talvez a paisagem mais aguardada e que mais deslumbra quem visita o Sul Marrocos no ambiente expedição todoo-terreno. Depois de pernoitarmos em Midelt, a paisagem muda radicalmente, 80
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os cedros e as florestas deram lugar as pedras e à areia. A lama deu lugar ao pó. O deserto esperava a caravana, e que deserto, estava preparado um percurso com passagem por quatro agrupamentos de dunas. Com mais ou menos dificuldade, toda a caravana passa, mas ao fim de umas centenas de quilómetros e alguns dias em ambiente hostil, o deserto reclama para si alguns contratempos mecânicos nas nossas máquinas. Fazendo a analogia com o provérbio do litoral «quem vai para o mar avia-se em terra», íamos aviados para o deserto de mecânicos e espírito de improviso, o que resulta numa coesão dos participantes tal e qual saídos de uma prova de um conceito muito na moda, o «Team Building», mas aqui sem plano B, e toda a gente passa com distinção.
SEM REDE O réveillon é feito em pleno deserto, sem rede telefónica, televisão ou ligação à internet, mas no conforto de um albergue em cima das dunas. Acho que foi uma experiência nova para muita gente. Saliento o facto de termos chegado à meia-noite todos com horas diferentes, pois a hora era dada pelo relógio de pulso e não pelo acessório eletrónico, é curioso. A forma como toda a gente se relaciona com o próximo nestes momentos, sem ter a atenção dividida para com uma qualquer rede social, é de facto singular nos nossos dias. Temos até tempo de contemplar o céu demasiadamente estrelado, em comparação com o que estamos habituados, devido à total ausência de luz
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artificial ou cidades nas redondezas. No final da noite, penso que ninguém sentiu falta da tecnologia.
ANO NOVO O primeiro dia do ano acrescenta uma participante à expedição. A vereadora Marlene Guerreiro foi submetida a um verdadeiro batismo em terras marroquinas, pois a única forma de se juntar ao grupo é atravessar o Atlas e percorrer as centenas de quilómetros, alguns de estrada sinuosa, que separam Marrakech, onde chegou de avião, e a cidade de Zagora, no sul, às «portas» do 82
deserto. Fez questão de estar presente na viagem, apesar do esforço para se juntar ao grupo. Chega já de madrugada ao hotel onde está instalado o grupo e, como cartão de boas-vindas, informo que dentro de horas partimos para mais uma etapa no deserto. Quem disse que isto no deserto ia ser fácil !!! Desta noite retenho o sorriso do taxista que, ao fim de quase 24 horas de condução, deixou a vereadora no hotel sempre com um sorriso amável, personificando o espírito das gentes 83
marroquinas, sem dúvida, sempre bemdispostos.
O BIVOUAC O bivouac em francês, ou bivaque em português, significa acampamento. Tinha preparado um bivaque nas dunas como sítio de pernoita e confesso que, a dada altura, cheguei a equacionar se seria boa ideia. Com o grupo a poder acusar algum cansaço ao fim de mais de uma semana de viagem, o bivaque poderia resultar em algo desconfortável para pessoas menos habituadas a estas andanças. ALGARVE INFORMATIVO #139
Engano puro e para a maioria do grupo foi a noite mais memorável da viagem. A combinação da simplicidade de um acampamento, mas ao mesmo tempo confortável, um jantar de couscous e tajines, seguido de um círculo formado pelos participantes à volta de uma enorme fogueira, animados pelos locais a tocar instrumentos típicos, foram a receita para uma noite perfeita. Por vezes, as coisas mais simples da vida são as mais memoráveis e parece existir de alguma forma em cada um de nós uma facilidade inata de regresso às origens.
RUMO A NORTE Nota-se uma tristeza no grupo quando a bússola começa a apontar o Norte. ALGARVE INFORMATIVO #139
Começa-se a notar o sentimento da festa a terminar e as regulares interpelações através do rádio de comunicações que cada viatura possui são cada vez mais espaçadas no tempo. Mas nem tudo estava perdido, pois estava prevista uma pernoita na bonita cidade de Ouarzazate onde, imagine-se, até foi possível os presentes tirarem fotografias nos cenários dos filmes mais mediáticos do cinema. Ouarzazate tem como base da sua economia o turismo e especialmente os estúdios cinematográficos. "Pensava que os filmes eram todos rodados na América", dizia-me um dos participantes. Marrocos não deixa de espantar o grupo a cada dia que passa. O Kasba Ait Ben-Haddou que se 84
encontrava na antiga rota das caravanas entre o Saara e Marrakech e onde foram rodados filmes como o «Lawrence da Arábia» também fez parte da nossa rota que apontava Marrakech como destino.
UMA CIDADE DAS 1001 NOITES Marrakech é a cidade das 1001 noites, julgo que consegue reunir quase tudo sobre o que é Marrocos: o atual, o histórico, o tradicional, o moderno e o chique, tudo convive na mesma cidade. Se só tivesse uma palavra para definir
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Marrakech, seria «chique», se tivesse duas, era «chique» e «preservada». Não descanso enquanto não dou uma volta pela cidade à noite pois os jardins, as muralhas e demais elementos arquitetónicos iluminados por uma luz ténue fazem de Marrakech um autêntico cenário cinematográfico. Parece bom demais para ser verdade. O grupo fica a pernoitar num Riad dentro da Medina a dois passos da praça Jemaa El-Fna. Para quem já esteve em Marrakech, sabe que é a mistura
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perfeita para encantar o mais descrente ser humano. Para quem não conhece, fica de certeza curioso ao ponto de ir experimentar. O rebuliço da Medina, as compras, com os sempre exigentes acertos de preços entre turista e vendedor, fazem parte do encanto desta cidade. Encantadores de serpentes, dentistas a céu aberto, vendedores de água, leituras de sina, tudo faz parte desta praça, em tempos longínquos seriam para levar mais a sério, hoje em dia, mais com a função de manter a memória do passado. Jantar em plena praça, beber um sumo de laranja espremido na hora e uma volta de charrete pela cidade são pontos obrigatórios para se sentir Marrakech. O epicentro é sempre a praça Jemaa El-Fna,
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classificada pela UNESCO como Património Cultural Imaterial da Humanidade. Ninguém se quer despedir de Marrakech pois isso significa voltar a descer à terra e encarar a realidade do fim da viagem. Confessava-me um amigo: "Quem me dera que isto fosse como um carrossel, podíamos ficar e continuar a dar voltas e voltas... ainda não me fui embora e já me apetece voltar". Eu sorri e pensei na dedicatória que está no livro de João Rosa Beatriz que me foi oferecido pelo Município de São Brás de Alportel: «Para inspirar as expedições do futuro em memória do passado». Até breve .
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OPINIÃO
Isto, afinal, anda tudo ligado Paulo Cunha (Professor)
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nquanto vos escrevo estas palavras, repletas de solidariedade, respeito e amizade, escuto, como música de inspiração e companhia, o último cd dos meus amigos Amélia Muge e Michales Loukovikas. Tal como o tema de escrita que, hoje, aqui me trouxe, o facto de ter a rodar no leitor de cd gente que em mim vive, enche-me de orgulho, regozijo e redobrado prazer. Sou daqueles que gosta de ver os «seus» a brilhar, por isso não regateio o apoio a todos aqueles que escolheram viver, como eu, num outro lado lunar. Não sendo muitos, tentamos ser para os outros o que gostaríamos que os outros fossem também para nós! E porque isto anda tudo ligado, não foi impunemente que comprei mais do que um cd destes meus amigos músicos, pois gosto de ter «amigos» para oferecer. Tenho, igualmente, no meu amigo Afonso Dias, um artista que tem na sua produção artística uma forma de estar vivo, fazendo dos outros, também, gente viva. Por isso, todos os anos, este «renascentista» me presenteia com obras de cunho muito pessoal, onde as palavras, amiúde, se entrecruzam com múltiplos sons musicais. Tem, para comigo, uma forma muito peculiar de divulgar a sua obra, pois sendo exclusivamente edição de autor, e por isso com financiamento e risco calculados na ponta do lápis, não deixa de com ela me presentear, deixando sempre uma mensagem que muito prezo e valorizo: “O facto de te a oferecer, não invalida que não a possas também comprar, para que assim, oferecendo-a, a minha obra possas também divulgar!”. É isso… Cada vez mais, tal faz todo o sentido. Com a produção e a distribuição entregues às multinacionais, grande parte dos criadores veem-se confinados às regras de um mercado sem regras, ou com regras muito restritivas.
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Poder-vos-á fazer alguma confusão aquilo que aqui defendo: tentar banir do processo de difusão criativa e artística todos os intermediários que sobrecarregam e inflacionam os custos finais, diminuindo, ao mesmo tempo, a já curta margem de lucro dos produtores de arte. Sem darmos conta, tomamos como um dado adquirido a necessidade da existência de grandes «megastore», como forma de, por curtos espaços de tempo, legitimarem alguma visibilidade dada aos artistas «fora da caixa». Infelizmente, são poucos os que sabem que são essas catedrais do consumo que, abrindo as suas portas para apresentações fugazes, gratuitas e efémeras, acabam, sem nada fazer para que tal aconteça, por ficar com as margens de lucro devidas às editoras que tanto investiram na produção intelectual e artística dos seus representados. Por isso não estranho quando alguém me pergunta se a minha última obra irá estar no «espaço X» ou no «espaço Y». Os tais espaços onde os artistas locais acabam apenas por ver as suas produções confinadas à visibilidade concedida aos artistas «fast food». Daí o pecúlio que fui arregimentando, junto de tantos artistas criados e construídos no sul, e que me permite, hoje, poder oferecer o que de melhor se faz por este Algarve, sem ter que depender dos espaços esmolados nos escaparates de certos locais, onde, mais do que aparecer é importante não desaparecer. Mais do que comprar para consumo próprio, compro a preços módicos e justos o melhor que por cá por baixo (Algarve) se faz. Encomendoo/adquiro-o ao produtor/editor, guardo-o, e nas ocasiões em que oferecer é um prazer, partilho o prazer de, através dos «meus» artistas, proporcionar prazer! E porque, afinal de contas, isto anda tudo ligado, deixo aqui o repto para que façamos do comércio cultural, um comércio justo. Justamente! . 88
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OPINIÃO
Charolas, Folias de Reis, Reisado ou Festa de Santo Reis, entre outros nomes Paulo Bernardo (Empresário)
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ste ano foi o primeiro em que participei ativamente numa Charola, a «Democrata», grupo que conheço desde a sua origem, era eu um pequeno menino que corria pelos antigos caminhos de Bordeira. Lembro-me bem de quando a ouvi pela primeira vez e que a sua bandeira tinha um cravo e alguém dizia ainda entre dentes que aquilo, quer a música, quer os atuantes, quer a bandeira, queriam dizer que a Liberdade tinha chegado a este nosso Portugal. Contudo, o menino cresceu e começou a percorrer outros caminhos e, por ironia do destino, chegou-lhe do Brasil uma canção de Tim Maia – O Dia da Festa dos Santos Reis. Esta canção fez com que a minha pesquisa recaísse sobre o tema no Brasil, pois nunca imaginei que os Reis fossem por lá festejados. Ignorância minha e culpa do Carnaval, que abafa tudo no Brasil. Pesquisa feita com grande entusiasmo pois a cada passo surgia mais uma coincidência, o tipo de versos, a forma de organização, o apito, os pandeiros decorados com fitas de pano coloridas, ferrinhos e acordéon, inclusive o tipo de fita que se usa ao peito é igual, e a Bandeira. Como as coincidências nestas coisas não ficam por aqui, até o nome Charolas surgiu. Aqui foi a fase de não acreditar em coincidências. Apenas uma pergunta como isto é possível a tantos quilómetros de distância. Fui falar com os «antigos», como se diz aqui na terrinha, quem ouviu as histórias dos outros «antigos» e fiquei a saber que um grupo de jovens bordeirenses se tinha aventurado a ir até ao Brasil, inclusive um tio-avô, que foi de barco à vela de Olhão até Gibraltar e depois para o Rio de Janeiro, no barco correio inglês, tinha 17 anos. Estes jovens arriscaram tudo como hoje arriscam quem vem para a Europa. Lá estiveram por algum tempo, tempo suficiente para agarrarem as «tradições» brasileiras. É minha opinião que as Charolas vieram do Brasil para Bordeira, trazidas pelo mesmo grupo que criou várias atividades e instituições em Bordeira, Sociedade Recreativa e a Cooperativa de Consumo. Para fundamentar mais a minha opinião, as próprias
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Charolas inicialmente tinham um desfile tipo carnavalesco. Bordeira separou os Reis do Carnaval, mantendo ambas as tradições bem distintas. O canto religioso caiu por imposição republicana com as medidas laicizadoras que deram origem à lei de separação do Estado das Igrejas de 20 de abril de 1911. Assim ficamos por Bordeira com apenas o canto profano tão típico das Charolas Brasileiras, se não vejamos um exemplo: Ô senhor dono da casa abre a porta, queremos entrar, que somos de muito longe temos muito que viajar. Eles chegam tocando sanfona (tipo de acordéon) e violão Os pandeiros de fita carregam sempre na mão Eles vão levando, levando o que pode Se deixar com eles, eles levam até o bode As festas no Brasil vão de 25 de dezembro a 20 de janeiro, colando quase ao Carnaval, mantendo um cunho religioso e laico. Os participantes dessa manifestação cultural e festiva entoam diversas canções e rezas em homenagem aos três viajantes santificados. Os foliões passam de casa em casa em coro e são recebidos em cada uma delas com comes e bebes típicos e outras oferendas. O Conselho Estadual de Patrimônio de Minas Gerais aprovou, no passado dia 6 de janeiro de 2017, o reconhecimento da Folia de Reis como patrimônio cultural imaterial do estado. Minas Gerais, estado brasileiro com mais de vinte milhões de pessoas, foi povoado principalmente por portugueses e africanos e esta tradição mistura as duas culturas há mais de 300 anos. Atualmente, o Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais registou mil e 255 grupos de foliões, distribuídos em 326 municípios mineiros .
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O papel das oposições José Graça
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a sociedade atual, caraterizada pelo imediatismo e superficialidade com que a maioria dos assuntos e matérias são abordados, a atividade política tende a perder conteúdo e substância, preferindo-se os resultados práticos dos pequenos gestos quotidianos em vez da sustentabilidade das deliberações estruturais. No tempo das redes sociais, em que cada segundo parece ser uma eternidade e cada palavra pode merecer dezenas de interpretações díspares, umas acertadas, outras totalmente despropositadas, merece-nos uma reflexão aprofundada sobre o papel das oposições ou, melhor, sobre os processos de construção de alternativas políticas. Já abordei este tema várias vezes, partindo umas vezes da teoria, outras da prática e da experiência pessoal, mas atrevo-me a ir um pouco mais além… Com os partidos enredados no seu passado, com alguma dificuldade em encontrar-se neste mundo sempre em mudança, com dúvidas crescentes sobre temas tão atraentes como o consumismo, a globalização ou as transformações nas relações humanas e com lideranças cada vez mais fugazes e sem tempo para desenvolver pensamento político, urge olhar o Mundo e seguir os Sinais que nos envia. O sociólogo polaco Zygmunt Bauman, falecido há um ano, foi o maior teórico da «modernidade líquida», escolhe este termo para apresentar a fluidez decorrente da mudança (quase) permanente e da crescente adaptabilidade às circunstâncias, obrigando-nos a uma busca permanente da perfeição nas mais diversas vertentes das nossas relações pessoais e sociais. Ou seja, é cada vez mais difícil fixar um objetivo único para ser alcançado em determinado momento! Se tal é complicado para quem está no poder, pode revelar-se devastador para quem está na oposição. Os resultados das recentes eleições autárquicas ou o percurso errático dos partidos da direita parlamentar são um bom exemplo disso. Sei que pode parecer
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óbvio afirmar-se que boas lideranças carecem de oposições ainda melhores, que saiba criticar construtivamente, recuse a demagogia recorrente e participe na edificação do futuro comum. Porém, verificou-se exatamente o contrário, motivando esta reflexão e levando-nos a discorrer sobre o assunto! “Consciente de que hoje não existe um eixo nítido de emissão e receção, mas sim centros principais e efeitos transversais, debates fundamentais e inconsequentes, numa sobreposição de discursos que muitas vezes não chegam a formar um todo coerente”, Vítor Belanciano referiu oportunamente no Público que Bauman tinha a “noção de que essas eventuais limitações não o deviam furtar à exposição pública, fazendo-o num estilo em que a sociologia se cruzava com a filosofia, num diálogo com a literatura ou com as ciências da comunicação”. São estes cruzamentos que os atores políticos devem necessariamente fazer para enfrentar a crescente exigência de uma sociedade melhor preparada para encontrar soluções de futuro, com visões partilhadas sem fronteiras e com vontade de exercer uma cidadania permanente renovada. Revisitando algumas intervenções públicas de Bauman no passado recente, fica-nos um desafio constante para meditar sobre estes temas, evitar a repetição de erros do passado, exercendo o nosso papel com humildade democrática e capacidade ilimitada de renovar atitudes e comportamentos, valorizando as nossas heranças culturais e procurando deixar o mundo um pouco melhor do que o encontrámos! E, se isto pode ser verdade em termos globais, melhor ainda será colocá-lo em prática a nível local e regional. No poder ou na oposição, sem medos e com determinação! . (Membro do Secretariado Regional do PS-Algarve e deputado da Assembleia Intermunicipal do Algarve)
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OPINIÃO
Para que serve uma universidade? Mirian Tavares (Professora)
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alamos sempre da Idade Média como um período obscurantista ao qual não devemos, nem queremos, retornar. Este obscurantismo deve-se, sobretudo, ao papel da Igreja Católica e do pensamento religioso que guiou, muitas vezes mal, o curso dos acontecimentos. Mas, sem defender nem o período em si, que decorreu dentro do seu tempo e circunstâncias, nem a preponderância do pensamento religioso sobre o laico, gostaria de lembrar que é na Idade Média, no século XIII, que foram criadas as primeiras universidades Universitas magistrorum et scholarium, ou seja, congregava-se num mesmo espaço, mestres e discípulos ligados pelos mesmos interesses culturais. A palavra Universidade provém do latim Universitas, e significa «seres ou coisas que constituem um todo». A palavra universum, «o todo, inteiro», também é traduzida como «tornado um», formada a partir de unus, «um», e versus, particípio passado do verbo vertere, «voltar, virar». Devem estar-se a perguntar porque ando eu a gastar aqui o meu parco latim. Na verdade porque acredito que, quando as coisas se tornam confusas, ou são esvaziadas de sentido, é preciso voltar às origens para perceber o que se perdeu, ou se ganhou, pelo caminho. E não há dúvida que, ao longo de muitos séculos, a universidade sofreu transformações que a tornaram mais acessível, mais democrática, mais laica e mesmo diversificada. O conhecimento, que é algo em constante expansão, também mudou e já não vemos a terra plana e o sol a girar ao seu redor. No entanto, nas últimas décadas, temos perdido um dos sentidos, para mim fundamental, da palavra, e da instituição, universidade: o sentido de corpo, de congregação, de todo, de um todo que se unia em prol do conhecimento. Numa sociedade ultra-especializada e segmentada, a universidade vai deixando de ser universal e vai se tornando unidirecional. Perdemos o sentido do diverso e buscamos a compartimentalização dos saberes que deixam de se complementar e se tornam divergentes. As ciências e as tecnologias são arrumadas de um lado, as artes e as humanidades do outro. Valoriza-se as primeiras em detrimento das segundas que, por sua
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vez, são consideradas um luxo, um artigo dispensável quando a crise aparece e quando é preciso cortar no orçamento. A ideia perversa que subjaz a este pensamento é a de des-democratização do saber pois, os que não têm condições de abrir por conta própria os seus horizontes, de conhecer as múltiplas possibilidades e as diversas portas que um conhecimento universal lhes poderá abrir, está fadado ao ensino tecnicista e reificado. Só se abrem cursos cuja taxa de empregabilidade seja alta ou que tenham uma função imediata, daqui a pouco as universidades serão transformadas em escolas técnicas ou cursos profissionalizantes. Estaremos a formar uma bela geração de apertadores de parafusos que, em breve, estarão no desemprego, pois com o avanço da robótica, não vai haver vaga para tal contingente. Não quero dizer com isso que não seja importante que se garantam postos de trabalho, e empregos, aos alunos que saem das universidades, mas esta não é função da própria universidade. Temos de lutar, enquanto cidadãos, por um país que tenha futuro no presente, que não mate a esperança dos nossos jovens de almejarem uma carreira, de terem uma vida digna e de exercerem, na prática, o seu aprendizado. Mas, insisto, não é a universidade que deve funcionar como empresa ou agência de empregos. À universidade cabe formar cidadãos preparados para o presente e para o futuro, capazes de pensar por si mesmos e de reivindicar os seus direitos. Capazes de criar as suas próprias oportunidades e novos trabalhos, capazes de criar, eles mesmos, o seu futuro. Cabe a nós, universidade, ser aquilo para o qual fomos criados, um espaço onde mestres e discípulos se juntam em busca do conhecimento e onde a ideia de todo é espraiada na possibilidade de se experienciar saberes diversos que se complementam, que se enriquecem mutuamente e que não devem continuar a ser vendidos como excludentes. Não podemos admitir que os tempos que correm sejam mais obscurantistas que a Idade das trevas que viu nascer, e que permitiu, que a ideia de uma instituição como a universidade viesse à luz .
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OPINIÃO
Ano Novo, máscaras velhas Adília César (Escritora)
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“É portanto inútil encurralar as mulheres na definição exacta do que elas significam, fazer com que elas a repitam (a si mesmas) para que isso fique claro; elas já estão alhures nesse maquinismo discursivo em que se esperava surpreendê-las. Elas regressaram para dentro de si mesmas”. Luce Irigary
lucidez do corpo feminino acorda todos os sentidos. O cérebro recebe esses sinais, mas escutam-se preconceitos para decidir como podemos dispor do nosso próprio corpo. O corpo cobre-se por convenções dos costumes e da moda. E desnudase sob o olhar do outro apenas em contextos préformatados: na intimidade exploratória do erotismo, na praia de nudistas, na consulta médica, na representação da figura humana na arte. O corpo real e o corpo idealizado são, a maior parte das vezes, caminhos que nunca se encontram. A beleza é fundamental em termos de cultura e de marketing e nesse sentido há um sem número de dimensões ao seu dispor. Cosmética, maquilhagem, cirurgia plástica, tatuagens, moda. Modifica-se a forma dos corpos, perde-se e ganha-se peso, pratica-se exercício físico intenso, ingere-se substâncias «milagrosas», altera-se os cheiros do corpo com perfumes artificiais, faz-se todas as tentativas para atingir um ideal de beleza que não é real. E dá-se toda esta importância ao corpo porque ele não é apenas uma capa, é a apresentação da pessoa aos outros, é aquilo que ela decide mostrar, é a sua realidade possível. Mas não é a sua essência. O corpo arrasta consigo o olhar, o gesto, a afectividade na relação com os outros. “Estou aqui”, é que o corpo diz. A mente projecta na corporeidade a mensagem que quer passar, que será sempre lúcida enquanto houver a coragem de deixar cair a máscara, o artificial. A máscara, não sendo real, é uma intenção deturpada da pessoa em mostrar aquilo que ela não é, mas que gostaria de ser. Para conhecer alguém de forma lúcida, para percepcionar a sua essência, é preciso provocá-la até que deixe cair o que de si própria não faz parte, para que se mostre tal como é, real e pura. O corpo nu, o olhar focado, a escuta, sem máscaras. Os adereços e os artifícios com que nos cobrimos são uma máscara para nos mantermos escondidos, confortáveis e seguros. Quando deixamos cair esse disfarce, confiamos no outro que está
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perante nós. O que se avizinha nem sempre é puro ou agradável, mas é verdadeiro. É a verdade nua daquele momento. A procura da verdade afectiva e emocional é o nosso destino, a nossa busca maior. Se não deixarmos cair a máscara, rendemo-nos ao inevitável, ao medo de viver. Darmo-nos ao outro é um risco, um agora ou nunca, sem retorno nem condições. Os sentidos em alerta dando forma à essência única de cada mulher, sem falsos pudores nem preconceitos. A lucidez do corpo e da máscara eleita para mostrar o nosso eu feminino aos outros. Na verdade, parece que nada disto faz muito sentido, actualmente, para as próprias mulheres. Lucy Irigary, pensadora interdisciplinar que trabalha entre as áreas da filosofia, da psicanálise e da linguística, dá um contributo amplo para a teoria feminista e para a filosofia continental, desafiando principalmente as concepções tradicionais de género, de eu e de corpo. Tem levantado questões importantes sobre o modo de definir a feminilidade e a diferença sexual, bem como em relação aos riscos que corremos por nos envolvermos e aceitarmos categorias que foram usadas historicamente para oprimir as mulheres, nomeadamente a associação ao seu papel de mães – natureza e matéria não pensante, por oposição aos homens que estão associados à cultura e à subjectividade. «Este Sexo que não é Um» é uma obra que exibe uma escrita opaca e densa, na qual Lucy Irigary insiste que a diferença sexual não existe: os homens são sujeitos enquanto entidades auto-conscientes e as mulheres são o «outro» desses sujeitos, a matéria de apoio, não subjectiva. Irigary argumenta e incentiva a uma nova condição social e política (global) das mulheres e a uma nova relação entre mães e filhas. Controverso? Sim. Mas começar o ano a pensar sobre a forma como nós, mulheres, queremos determinar por nós mesmas como pretendemos ser definidas é bem mais interessante do que mergulhar nos saldos de Janeiro .
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Turismo de Saúde ou Saúde para os Turistas? Antónia Correia (Professora)
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á 17 anos atrás, Buhalis escrevia que um destino turístico afirma-se como um produto holístico onde a concertação é a palavra de ordem. Este autor propôs um modelo com seis «A’s» onde alojamento, transportes, acessibilidades e serviços de saúde devem apresentar capacidades de resposta equivalentes. Portugal é o melhor destino do mundo, o Algarve é o melhor destino europeu e o melhor destino de golfe do mundo, mas os seis «A’s» persistem em manter níveis de desenvolvimento diferentes. No Algarve, apesar das acessibilidades não serem perfeitas, a maior falha surge nos serviços de saúde. Embora estrategicamente esta região pretenda também afirmar-se como um destino de saúde e bem-estar, os serviços de saúde não estão otimizados. Em Portugal, em 2016 (INE), existiam 225 hospitais, 22 mil e 877 camas em hospitais e 1,2 milhões de internamentos. Nos hospitais trabalham 22 mil e 877 médicos que atenderam nas urgências (admitindo que todos fazem serviço de urgências) 7,3 milhões de pacientes. Em termos relativos, o país possui 2,2 médicos por mil habitantes e 3,4 camas em hospitais, umas das médias mais baixas da Europa. No Algarve, a população residente representa 4 por cento da população nacional, a que acrescem os turistas, naturalmente também potenciais utilizadores da infraestrutura de saúde. Estes turistas, que totalizaram só nos meios de alojamento contabilizados pelo INE 4,2 milhões de pessoas, significam um acréscimo da população presente na região da ordem dos 5 por cento, isto é, a região entre presentes e residentes poderá contar com um número de potenciais pacientes equivalente a 9 por ceto da população nacional.
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No entanto, as infraestruturas de saúde contam com quatro hospitais (1,7 por cento da oferta nacional), 3 por cento das camas em hospitais (mil e 104) e 3,6 por cento dos médicos (835). Em termos relativos, existem 1,8 médicos e 2,5 camas por mil habitantes (se contarmos apenas a população residente) no Algarve, sendo este o valor mais baixo do país. O mercado internacional de saúde nasce no século XIX, com o movimento de pacientes de países menos desenvolvidos para os melhores e maiores centros médicos da Europa e dos Estados Unidos. No turismo de saúde, o movimento é o oposto, são os pacientes dos países mais desenvolvidos que se deslocam para os países menos desenvolvidos para obter tratamentos a preços mais baixos, ou para tratamentos que, por não serem cobertos pelos planos de saúde que possuem, ou por socialmente não serem bem aceites, requerem o afastamento do paciente, neste caso turista no país onde recebe os cuidados. Mais recentemente, o turista de saúde viaja de países em desenvolvimento para países desenvolvidos, para obviar as longas filas de espera para certos procedimentos cirúrgicos. O desenvolvimento do turismo de saúde em Portugal pode ter um impacto positivo no sistema de saúde portuguesa, já que a receita gerada pelos serviços médicos prestados a pacientes estrangeiros cria oportunidades para melhorar o acesso e a qualidade dos cuidados disponíveis aos residentes, desde que políticas estruturais sejam adotadas para redimensionar a saúde. Caso contrário, o turismo de saúde que conseguiremos promover é um fluxo de saída dos residentes para evitar as filas de espera que deixaram de ser uma evidência, para passarem a ser uma realidade .
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OPINIÃO
Fast Casual Food IIB - Pizzarias Augusto Lima (Cozinheiro, Formador e Consultor)
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ando continuidade ao tema Pizzarias iniciado no artigo anterior, devo lembrar que a venda de comida Italiana, não tendo como obrigatoriedade ter de ser feita por Italianos, teremos, no mínimo que perceber o conceito e estudar sobre pizzas, massas de pizzas e alguns pratos tradicionais. Vimos que sendo a massa um item de sumária importância, não chega, se quisermos continuar na senda da qualidade. Todos os elementos de uma pizza (e esta máxima vale para qualquer confeção culinária), são muito importantes. O molho de tomate – importantíssimo, mas a grande, grande maioria dos profissionais que trabalha nesta área prefere comprar molho de tomate em lata, em vez de o fazerem, simples, muito melhor e rápido. Valerá a pena? Sempre, quando se quer marcar a diferença! O tomate contém uma proteína que também é responsável pela cor vermelha, o Licopeno. Quanto mais vermelho, mais Licopeno, mais antioxidantes, mais sabor. Quanto mais cozinhado o tomate, mais sabor, mais Licopeno, menos acidez. Quanto mais maduro, mais açúcar, mais sabor. Quanto mais para sul da Europa, menos ácido o tomate. Para retirar a acidez do tomate, para além da fervura ajudar, não é o açúcar adicionado (ele apenas disfarça), mas sim o bicarbonato de sódio. Em química, o que anula um Ácido é uma Base. Basta, pois, uma quantidade mínima para tornar o molho de tomate um molho que se apresenta, na maioria das vezes, ácido e realçar o seu açúcar natural. Refugar cebola e alho, mais uma folha de louro em azeite, adicionado do tomate cortado em concassé, fervido de seguida em lume lento, farão um molho de excelência, mas básico. Podemos variar de forma segura se ao refugado inicial se juntar um pau de canela ou uns quantos cravinhos, uma vagem de baunilha, aipo picado, malagueta fresca, gengibre (pouco) ou ainda, depois de pronto e fora do lume, juntarmos raspa de limão (apenas a parte vidrada). Conforme o bacalhau gosta do alho, o tomate adora limão, mas atenção, só a raspa. ALGARVE INFORMATIVO #139
Falemos agora dos ingredientes. Não adianta ter uma base boa e depois lá colocarmos ingredientes quase estragados, ou sem sabor. Nas pizzas que levam camarão, este é, por norma, o elo mais fraco. Na vez de um camarão, cozido e descascado, vê-se camarão congelado, de consistência aborrachada e sem um miligrama de sabor. Descongelado, apenas, sem sal. O uso de produtos em lata, sem qualquer tratamento (como apenas, lavado e salteado, por exemplo, é uma contante. Os legumes, repletos de água, devem ser salteados, selados, caramelizados, primeiro. As azeitonas, outro elo fraco, Prefiro encontrá-las com caroço (pois parece que é extremamente difícil e trabalhoso, retirá-lo) de boa qualidade, do que em rodelas, oxidado, de lata. Os orégãos, uma tradição portuguesa e também espanhola, alternativa ao fantástico cheiro e sabor do manjericão, veramente italiano mas, em abono da verdade, gastronómico, fica muito bem e assenta que nem uma luva feita à medida, e que eu muito gosto, teima em chegar à mesa, seco, de extremamente desidratado, de saco, sem sabor algum, podendo ser trocado por orégão de rama, desfolhado na hora, extremamente sápido e de bom aroma. É minha opinião e concelho que as pizzas nos cheguem à mesa cortadas com carretilha de pizzaria. Entendo eu que a bela da pizza deve ser comida à mão. Há comidas que só assim sabem melhor, digo eu. O queijo. Não adianta colocar muito, pois o que é demais estraga, mesmo que seja de boa qualidade. Para além de se tornar indigesto, pesa no estômago. O Mozzarella é de todos (Gruyere, Provolone, Emmental, Cheddar e Edam), aquele que melhor proporção de gordura tem, dando um aspeto elástico, cremoso e tostado que torna a pizza tão gulosa. Por penúltimo, aconselho a ler e entender o significado dos nomes das pizzas tradicionais, antes de os usarem, assim, sem vergonha alguma. Por último, uma dica. Que se sirva ou se peça, (a não ser que queiram mesmo), outra coisa (há tantas), na vez de um pão com alho antes da pizza. Pão com pão….
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ANTÓNIO COSTA VEIO OUVIR OS DESEJOS DOS ALGARVIOS PARA O PORTUGAL 2030
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Conselho Regional do Algarve reuniu-se, no dia 12 de janeiro, para discutir a Estratégia Nacional para o Portugal 2030, numa sessão que contou com a presença do Primeiro-Ministro António Costa, do Ministro do Planeamento e Infraestruturas Pedro Marques e do Secretário de Estado do Desenvolvimento e Coesão Nelson de Souza. ALGARVE INFORMATIVO #139
A reflexão estratégica sobre o futuro de Portugal e do Algarve no médio e longo prazo assume-se como um exercício da maior importância que deve orientar os grandes objetivos para o país e para a região, bem como no desenho das políticas públicas que para eles concorrem. Deste modo, esta sessão do Conselho Regional do Algarve, órgão consultivo da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional 102
do Algarve, enquadrou-se no conjunto de audições e consultas públicas promovidas pelo Governo para debater a Estratégia Nacional para o Portugal 2030, envolvendo os mais variados atores económicos e sociais. Integrando cerca de 50 entidades, o Conselho Regional do Algarve será, provavelmente, o órgão mais representativo do universo político, empresarial e associativo da região, sendo atualmente liderado por Vítor Aleixo, presidente da Câmara Municipal de Loulé. “O Algarve tem condições para se posicionar, com investimentos de carater regional, nas áreas da eficiência energética e hídrica, tanto no setor público, como no privado, nomeadamente no turismo. Há um
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vastíssimo trabalho para realizar e é necessário que os recursos fiquem disponíveis através dos vários programas comunitários, mas estas matérias darão um contributo importantíssimo para a concretização do objetivo da adaptação às alterações climáticas”, frisou o autarca louletano no início da sessão. No uso da palavra, Francisco Serra, presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve, lembrou que o Algarve tem conhecido, nos últimos anos, uma evolução consistente no crescimento do Produto Interno Bruto, e a um ritmo mais rápido do que a média nacional. “De acordo com as nossas estimativas, em 2017 teremos atingido os 4,6 por cento do PIB e temos o objetivo de representar, em 2020, perto de cinco por
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Nelson de Souza, Secretário de Estado do Desenvolvimento e Coesão, Pedro Marques, Ministro do Planeamento e Infraestruturas, o Primeiro-Ministro António Costa, Vítor Aleixo, Presidente do Conselho Regional do Algarve e Francisco Serra, Presidente da CCDR Algarve
cento. Se tal for conseguido, será um progresso notável”, enalteceu o dirigente, reconhecendo que o Algarve é muito sensível aos momentos de crise. “Contudo, a sua flexibilidade permite-lhe recuperar mais rapidamente nos momentos de retoma, como se assiste nos tempos atuais, tanto em termos de evolução do PIB como das taxas de desemprego”. Apesar deste desempenho, a situação ainda não é satisfatória, segundo Francisco Serra, uma vez que o Algarve continua abaixo do índice médio de desenvolvimento do país, nas dimensões da Coesão, Qualidade Ambiental e Competitividade. Já para António Costa, esta ronda de reuniões com os vários Conselhos Regionais é de suma importância, porque a execução do Portugal 2020 está em fase ALGARVE INFORMATIVO #139
de velocidade e é urgente debater o quadro de apoios comunitários que se seguirá. “Se queremos influenciar a Comissão Europeia em termos da sua visão estratégica para o futuro, devemos apresentar a nossa própria visão sobre o que desejamos para Portugal. E todos temos consciência que o próximo quadro vai ser mais exigente do que o atual, pois já não contaremos com o contributo do Reino Unido e porque a União Europeia assumiu um conjunto de novas políticas que vão necessariamente consumir recursos, nas áreas da Segurança e Defesa, da Política de Migrações, da transição para a Sociedade Digital, da adaptação às alterações climáticas”, afirmou o Primeiro-Ministro. Este ciclo de debates arrancou em junho do ano transato, com o Conselho de Coordenação Territorial e o Conselho 104
Económico Social, bem como como as Universidades e as Associações Empresariais. Os Conselhos Regionais foram deixados para uma segunda fase devido ao calendário eleitoral, para que fossem ouvidos já os autarcas eleitos a 1 de outubro de 2017. “Ao longo deste debate temos vindo a construir uma matriz do que pretendemos que seja a Estratégia Nacional para o pós-Portugal 2020, que assenta em três grandes eixos horizontais: a Inovação e o Conhecimento como motores do desenvolvimento económico do país; a Qualificação, Formação e Emprego; e a Sustentabilidade Demográfica”, adiantou António Costa. Estes três eixos horizontais têm depois suporte num conjunto de cinco áreas de incidência territorializada: a valorização dos recursos energéticos e o desafio das alterações climáticas; o potencial da Economia do Mar; a Floresta e o Desenvolvimento Rural; a valorização dos Territórios de Baixa Densidade; finalmente, a inserção nas redes imateriais assentes no conhecimento e a inserção nos mercados globais. “Seguramente que haverá um momento em que teremos que ajustar as nossas ambições aos regulamentos comunitários, mas queremos participar ativamente na negociação da estratégia da União Europeia e, para isso, temos que saber o que nós próprios desejamos em relação a essa matéria”, frisou. O Primeiro-Ministro admitiu que o Algarve tem sido prejudicado, no passado recente, devido ao atual desenho da Política de Coesão, daí a importância de 105
se recolherem ideias e contributos positivos para a criação de uma nova visão que ajude Portugal a concentrar-se nos objetivos estratégicos da convergência com a União Europeia, “sendo mais competitivos externamente e mais coesos internamente”. “O Algarve é, indiscutivelmente, uma das mais-valias da competitividade internacional de Portugal, desde logo pela sua especialização económica muito forte no setor do Turismo, mas tem que ser também um fator de coesão, não só nacional, mas também regional”, entende António Costa. As infraestruturas são uma das componentes fundamentais desta Estratégia Nacional para o Portugal 2030, motivo pelo qual o governante manifestou a vontade de que o Plano Nacional de Infraestruturas fosse aprovado em Assembleia da República com uma maioria de, pelo menos, dois terços, para que fosse objeto de um grande consenso nacional e “deixemos de ter o debate das infraestruturas sujeito aos ciclos políticos que vão variando”. “Gostaríamos de restabelecer, num formato mais exigente, um Conselho Superior de Obras Públicos que possa dar parecer obrigatório e ajude a informar o debate político em torno das grandes decisões estratégicas que são necessárias tomar. O país precisa ter capacidade de definir, planear e executar, a tempo e horas, as infraestruturas que são componentes indispensáveis a uma estratégia de desenvolvimento”, reforçou. Texto: Daniel Pina | Fotografia: Daniel Pina
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ALCOUTIM E ALJEZUR GANHAM MÉDICAS DE MEDICINA GERAL E FAMILIAR
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Administração Regional de Saúde do Algarve contratou uma nova médica de Medicina Geral e Familiar para a Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados (UCSP) de Aljezur e celebrou contrato com duas médicas aposentadas que regressam ao Serviço Nacional de Saúde para reforçar a prestação de cuidados de saúde de proximidade à população do concelho de Alcoutim. A médica colocada em Aljezur, contratada em regime de mobilidade, foi recebida, no dia 21 de dezembro, pelo Presidente do Conselho Diretivo da ARS Algarve, Paulo Morgado, para formalizar a celebração de contrato de trabalho em funções públicas por tempo indeterminado com a ARS Algarve. No que diz respeito às duas médicas que decidiram regressar, através do regime excecional de contratação de médicos aposentados, para o SNS, efetuaram, no dia 22 de dezembro, a aceitação de posto de trabalho e celebraram o contrato com a ARS Algarve para voltarem a exercer medicina e assegurar a prestação de cuidados de saúde por mais três anos na Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados de Alcoutim. Recorde-se que, em outubro, já tinham iniciado funções 24 médicos de Medicina Geral e Familiar nos Agrupamentos de Centros de Saúde do Algarve, colocados no âmbito do procedimento concursal aberto pelo Aviso n.º 10362-A/2017, para recrutamento Médicos recémespecialistas em Medicina Geral e
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Familiar (1.ª Época de 2017) para as várias unidades de saúde do SNS. A integração destes médicos de Medicina Geral e Familiar no SNS do Algarve ao longo deste ano aumentou significativamente a taxa de cobertura assistencial dos cuidados de saúde primários e permitiu atribuir Médico de Família a mais 45 mil e 600 utentes na região do Algarve .
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CENTRO DE INVESTIGAÇÃO EM BIOMEDICINA SELECIONADO PARA O FACEBOOK COMMUNITIES SUMMIT
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Centro de Investigação em Biomedicina da Universidade do Algarve foi selecionado, de entre centenas de candidatos europeus, através da sua página de Facebook e do seu projeto de comunicação de ciência, para participar no «Facebook Communities Summit», a realizar-se nos dias 8 e 9 de fevereiro, em Londres. O evento, que reúne alguns dos principais especialistas mundiais a trabalhar em redes sociais, tem como objetivo munir os selecionados, nomeadamente gestores de redes sociais e administradores de páginas, de competências que lhes permitam melhorar as suas estratégias de envolvimento com o público e o seu poder de comunicação através da rede. A iniciativa, levada a cabo na capital londrina, terá a duração de dois dias e 107
será marcada pela realização de diversos workshops e painéis, com o objetivo de fortalecer competências e dar a conhecer novas ferramentas de ponta. Os selecionados viajarão até Londres com viagens e despesas pagas pela rede social e disporão ainda da oportunidade de expor as suas necessidades e ser aconselhados, pessoalmente, sobre as melhores estratégias para expandir a atratividade das suas páginas. Por entre o grupo de convidados para esta segunda edição do «Facebook Communities Summit» encontra-se, assim, o CBMR, que terá uma oportunidade inédita para privar de perto com algumas das principais figuras da rede social, de entre as quais se destaca o seu criador, Mark Zuckerberg, que deverá, à semelhança do ano passado, marcar presença no evento . ALGARVE INFORMATIVO #139
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ARS ALGARVE RECEBE MÉDICOS INTERNOS DE MEDICINA GERAL E FAMILIAR E DE SAÚDE PÚBLICA
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2 médicos internos de Medicina Geral e Familiar e um de Saúde Pública, do concurso para Internato Médico 2017 – Formação Especifica, iniciam a sua formação em janeiro nas diversas unidades de cuidados de saúde primários dos três Agrupamentos de Centros de Saúde (ACeS) da Administração Regional de Saúde do Algarve, tendo sido recebidos, no dia 8 de janeiro, na sede da instituição, pelo Presidente do Conselho Diretivo da ARS Algarve, Paulo Morgado, pela Coordenadora do Internato Médico de Medicina Geral e Familiar do Algarve, Maria Gonzalez Mora, e pela Diretora do Departamento de Saúde Pública e Planeamento da ARS Algarve e Presidente ALGARVE INFORMATIVO #139
da Comissão Regional de Internato Médico do Algarve, Ana Cristina Guerreiro. No decorrer da sessão, o Presidente do Conselho Diretivo da ARS Algarve congratulou-se pelos novos internos terem escolhido o Algarve para realizarem o internato e traçou uma breve perspetiva da evolução dos cuidados de saúde do Algarve nos últimos anos, destacando o papel fundamental que a especialidade de Medicina Geral e Familiar assume na prestação de cuidados de saúde e nas suas principais áreas de intervenção e de proximidade à população. Paulo Morgado deixou ainda a garantia de que os profissionais de saúde terão todo o apoio e o acompanhamento necessário da parte da ARS Algarve durante o percurso formativo 108
que agora iniciam na região, lançando o convite para que, no final da sua formação, optem por ficar e seguir o seu percurso profissional nas unidades regionais do Serviço Nacional de Saúde. Dos 12 médicos internos de Medicina Geral e Familiar colocados nos três ACeS do Algarve, seis irão realizar a sua formação no ACeS Central (um na UCSP de Loulé; um na UCSP de Olhão; um na UCSP de Quarteira; um na USF de Albufeira; dois na USF Mirante em Olhão), cinco no ACeS Sotavento (dois na USF Balsa; um na USF Levante em VRSA; um na USF Esteva em VRSA e um UCSP Mar de Tavira) e um no ACeS Barlavento (um na UCSP de Lagoa). O médico interno de Saúde Pública ficará na Unidade de Saúde Pública do ACeS Barlavento. Para além destes 12 médicos internos de Medicina Geral e Familiar e do médico interno de Saúde Pública, a Região de Saúde do Algarve recebeu, no início de janeiro, mais 42 médicos internos de diversas especialidades hospitalares e 120 médicos internos do Ano Comum, num total de 175 médicos internos que vão
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realizar o internato nas unidades do SNS algarvio (ACeS e Centro Hospitalar Universitário do Algarve). Demonstrando a capacidade formativa das várias especialidades do Centro Hospitalar Universitário do Algarve, os internos da Formação Específica foram colocados nas seguintes especialidades nas unidades de Faro e Portimão: Anestesiologia (2), Cardiologia (1), Cirurgia Geral (3), Gastrenterologia (1), Ginecologia/Obstetrícia (2), Medicina Física e de Reabilitação (3), Medicina Intensiva (2), Medicina Interna (9), Medicina do Trabalho (1), Nefrologia (1), Oncologia Médica (2), Patologia Clínica (2), Pediatria Médica (2), Pneumologia (1), Psiquiatria (6), Radiologia (2), Reumatologia (1), Urologia (1). Os internos do Ano Comum, apesar de praticarem uma medicina tutelada, foram colocados em diferentes especialidades nas unidades hospitalares de Faro e Portimão com o objetivo de terem a oportunidade de contactar com os diferentes serviços nas duas unidades e, dessa forma, aprofundarem os seus conhecimentos em diversos contextos clínicos .
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ATUALIDADE
«TERRAS DO INFANTE» RENOVA EQUIPAS DE SAPADORES
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«Terras do Infante – Associação de Municípios» iniciou 2018 com uma aposta clara na preservação e conservação das áreas florestais do seu território, admitindo, para o efeito, três novos sapadores florestais que irão integrar as equipas já existentes de Aljezur e Lagos. Estas equipas têm por missão a vigilância e prevenção de fogos florestais, conforme prevê e determina o Plano Intermunicipal de Intervenção na Floresta (PMIF), documento de planeamento e gestão elaborado no contexto de um projeto de cooperação intermunicipal que tem sido considerado pioneiro e no âmbito do qual importantes trabalhos de prevenção têm sido realizados de forma sistemática desde os anos 2005/06. ALGARVE INFORMATIVO #139
Ações de limpeza e desmatação de terrenos, abertura e manutenção de aceiros, vigilância e primeira intervenção são as tarefas que este renovado contingente de pessoal irá desenvolver, completando assim as equipas já existentes e em funções. Os novos elementos assinaram, no dia 3 de janeiro, em Lagos, na sede da Associação e com a presença de representantes do Município de Lagos e da equipa de sapadores de Aljezur, contrato de trabalho em funções públicas por tempo indeterminado, passando, assim, a integrar o quadro de pessoal da Associação que, nesta vertente, está dotado de 15 sapadores (três equipas compostas por cinco elementos), distribuídos e a exercer funções nos territórios dos três concelhos .
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FESTA DAS CHOURIÇAS VOLTA A ANIMAR QUERENÇA
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uerença volta a ser palco da já tradicional Festa em Honra de S. Luís, designada por Festa das Chouriças, que nos dias 20 e 21 de janeiro irá animar o Largo da Igreja. Numa iniciativa promovida pela Comissão de Festas da Paróquia, com o apoio da União de Freguesias de Querença, Tôr e Benafim, da Câmara Municipal de Loulé e da Casa do Povo de Querença, a Festa tem início no sábado, dia 20, com uma grandiosa Noite de Fados, que decorrerá na Casa do Povo de Querença, pelas 21h. No domingo, dia 21, a partir das 11h e durante a tarde, os visitantes poderão degustar a chouriça assada nos vários estabelecimentos de Querença, alguns localizados no Largo da Igreja. A celebração religiosa terá início às 14h30, com a eucaristia na Igreja de Nossa Senhora da Assunção, presidida pelo Padre Carlos Matos, à qual se seguirá a procissão solene com a imagem de S Luís, pelas artérias da aldeia. Pelas 16h terá início o habitual e sempre animado leilão de chouriças, onde será possível adquirir a rainha da festa, a chouriça. Às 17h, o Grupo de Janeiras do Rancho Etnográfico de São Sebastião anima o ambiente com uma atuação. Durante todo o evento haverá igualmente animação infantil com as traquinices da
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Palhaça Pirolita e, das 10h às 18h, os visitantes podem também visitar o Mercadinho com exposição e venda de artesanato e produtos locais representativos da região. A finalizar as festividades, a partir das 19h, haverá um baile no Salão de Festas da Casa do Povo de Querença, animado pelo artista Ruben Filipe. Todas as atividades são de entrada livre .
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ASSOCIAÇÃO DE FUZILEIROS DO ALGARVE VAI TER SEDE EM LOULÉ
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oi celebrado, no dia 4 de janeiro, no Salão Nobre dos Paços do Concelho de Loulé, um protocolo entre a Câmara Municipal de Loulé e a Delegação da Associação de Fuzileiros do Algarve, através do qual a edilidade cede um espaço para a nova sede desta instituição na região que ficará localizada na freguesia de Quarteira e lhe permitirá ter melhores condições para levar a cabo as suas atividades e cumprir os objetivos inerentes à sua missão. A Delegação da Associação de Fuzileiros do Algarve é uma estrutura regional e representativa da Associação Nacional de Fuzileiros, que nasceu a 13 de março de 2011. Tem neste momento afetos 83 associados, com residência no Algarve, num universo nacional de mais de dois mil e 16 sócios da Associação Nacional de Fuzileiros. A estrutura propõe-se, entre outros muitos objetivos, colaborar com a
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Direção Nacional, ajudando a que se cumpram os fins estatutários, designadamente: promover e desenvolver laços de amizade e camaradagem, não só entre os associados, como com todos aqueles que tenham colaborado com os Fuzileiros ou com a Marinha de Guerra Portuguesa; defender os direitos dos associados, seus cônjuges, ascendentes e descendentes – incluindo, no que respeita às responsabilidades de Portugal perante as consequências dos estados de guerra; desenvolver as ações sociais possíveis e procurar apoiar os sócios na obtenção de emprego; procurar apoiar os sócios e seus familiares diretos, que se encontrem em dificuldades sociais, económicas ou de saúde; promover, quanto possível, a obtenção rápida das pensões de sobrevivência em relação a viúvas, pais ou filhos de sócios falecidos; promover atividades sociais, culturais e desportivas .
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OLHÃO E RIO DE JANEIRO ESTABELECEM TERMOS DO ACORDO DE GEMINAÇÃO
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processo de geminação entre as cidades de Olhão e Rio de Janeiro, no Brasil, acabou de dar mais um passo, com o estabelecimento dos termos do respetivo acordo, determinados na sequência da visita recente do prefeito da cidade brasileira, Marcelo Crivella, à cidade cubista. Do encontro com o seu anfitrião português, António Miguel Pina, que contou também com a presença do Cônsul-Geral do Brasil em Faro, Igor Kipman, resultou um documento onde se encontram instituídos os princípios da geminação entre as duas cidades, que assentam “nos laços históricos entre Portugal e o Brasil e no facto de o Rio de Janeiro e Olhão 113
compartilharem muitas áreas de interesse comum, tais como a sua relevância global e regional, as afinidades culturais que ligam ambas as sociedades e os desafios que enfrentam para inovar”. Esta geminação visa promover a solidariedade, a amizade e a compreensão entre as duas cidades, bem como a cooperação entre os habitantes de ambos os lados do Atlântico. Ambas as cidades se comprometem em trabalhar conjuntamente na promoção de políticas públicas que promovam o intercâmbio cultural, artístico, musical, desportivo e turístico. De recordar que, desde 2008, por iniciativa da prefeitura da cidade brasileira, Olhão foi decretada Cidade Irmã do Rio de Janeiro . ALGARVE INFORMATIVO #139
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MERCADO MUNICIPAL DE VILA REAL DE SANTO ANTÓNIO VAI SER REQUALIFICADO
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Câmara Municipal dá início, esta semana, à obra de requalificação do Mercado Municipal de Vila Real de Santo António, numa intervenção que terá um custo global de 345 mil euros + IVA e a duração de 120 dias. Os trabalhos integram a substituição da cobertura, a remodelação dos espaços de venda e WC, a pintura integral interior e exterior e a beneficiação das redes pluviais, proporcionando melhor conforto e conferindo mais atratividade ao espaço. Ao mesmo tempo, será criado um novo conceito para o mercado, estando em plano a abertura de novas zonas de restauração e lazer na ala Sul, que passarão a funcionar com horário alargado e com a oferta de novos produtos e serviços. De acordo com Luís Romão, vicepresidente da autarquia de VRSA, a obra corresponde a “uma ambição há muito desejada, dando melhores condições a quem compra, a quem vende e a quem nos visita”. “Queremos tornar o mercado mais atrativo e mais dinâmico para que ALGARVE INFORMATIVO #139
as pessoas regressem a este espaço que será, no futuro, não só um ponto de comércio, mas também de lazer e estadia”, afirma o autarca. Nesta primeira fase, a intervenção na cobertura terá início na ala norte, pelo que as bancas de venda situadas nesta área serão temporariamente deslocadas para a ala sul. Prevê-se a situação inversa na segunda metade da obra. Ao optar-se por
uma solução faseada, permite-se o normal funcionamento do mercado, evitando o seu fecho temporário. É também intenção da autarquia instalar um conjunto de exposições permanentes e temporárias no mercado que irão remeter para a história da cidade, nomeadamente o seu legado e património ligado à indústria conserveira . 114
VILA REAL DE SANTO ANTÓNIO INVESTIU 150 MIL EUROS NO COMPLEXO DESPORTIVO
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município de Vila Real de Santo António inaugurou, no dia 28 de dezembro, a obra de requalificação e ampliação das áreas verdes do Complexo Desportivo Municipal, criando novas zonas de treino e de usufruto deste espaço de utilização coletiva. A intervenção contemplou a construção de um parque infantil e um parque geriátrico, devidamente integrados no complexo desportivo, que irão permitir a promoção de atividades desportivas para todas as faixas etárias. Em simultâneo, foi executado o reforço estrutural do muro norte do estádio municipal, a repavimentação de percursos pedonais com a substituição de grelhas por piso adequado e a colocação de relvado em todas as áreas adjacentes. O valor global do investimento é de 150 mil euros e engloba a aquisição e 115
instalação de cinco novos equipamentos geriátricos e oito infantis, conciliando a prática desportiva com zonas de lazer e recreio. Com esta intervenção conclui-se a revitalização de toda a área norte do Complexo Desportivo, criado um circuito de lazer e manutenção entre o Estádio Municipal, os campos relvados e as piscinas municipais. Nos últimos meses, a Câmara Municipal de Vila Real de Santo António completou a reabilitação de cinco parques infantis e procedeu à instalação de dois novos parques geriátricos, num investimento que ultrapassou os 56 mil euros. Na freguesia de Vila Real de Santo António foi intervencionado o parque da urbanização Cidade Real (junto aos bombeiros), enquanto, em Monte Gordo, foram recuperadas as estruturas junto à Avenida Marginal e Centro de Saúde. Já na freguesia de Vila Nova de Cacela foram melhorados os parques de Cacela (junto à rotunda) e do largo da Manta Rota. Em paralelo, foram instalados dois parques geriátricos: um na Avenida da República, em Vila Real de Santo António, em plena frente ribeirinha, e outro no passeio marítimo da praia da Manta Rota.
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«ÁGUAS DO ALGARVE» NO CAMINHO DA EFICIÊNCIA ENERGÉTICA
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ão conhecidos os benefícios que as energias renováveis apresentam para a natureza e para a preservação do meio ambiente em geral, por não produzirem dióxido de carbono ou outros gases com «efeito de estufa» como sucede nos combustíveis fósseis como o carvão, petróleo e gás. Tendo isso em mente, a «Águas do Algarve» está a investir num rigoroso Plano de Eficiência Energética que abrange todas as vertentes da empresa e cujos objetivos gerais são organizar e calendarizar ações, bem como quantificar metas, que possibilitem maximizar o aproveitamento energético dos ativos e recursos endógenos e racionalizar os consumos de energia, contribuindo para a ecoeficiência de toda a empresa, para além de reduzir ou compensar as emissões dos Gases com Efeitos de Estufa. Em termos mais específicos, são objetivos concretos a redução dos consumos e ajustamento dos horários de consumo, o aumento da produção própria de energia elétrica e a melhoria das condições de aquisição de energia elétrica. Neste Plano estão incluídas a
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utilização de viaturas elétricas na frota da empresa, cujo projeto é apoiado pelo Fundo Ambiental ao abrigo da Estratégia Nacional para a Mobilidade Elétrica. O projeto está a correr a bom ritmo e, neste âmbito, decorreu, no início de janeiro, uma cerimónia de entrega das viaturas elétricas a várias empresas do Grupo Águas de Portugal, presidida pelo Ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, contando ainda com a presença do Secretário de Estado Adjunto e do Ambiente, José Mendes, do Secretário de Estado do Ambiente, Carlos Martins e com o Presidente do Grupo Águas de Portugal, João Nuno Mendes. Nesta sessão, a «Águas do Algarve», na pessoa do Presidente Joaquim Peres recebeu, simbolicamente, a chave das viaturas elétricas, que irão integrar a frota automóvel da empresa, substituindo viaturas operacionais com mais de oito anos de média de idade e com elevada quilometragem de serviço. Para além da aquisição das viaturas elétricas, o projeto visa ainda a instalação de postos de carregamento próprios na área de concessão da Águas do Algarve .
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REDE PORTUGUESA DE MUNICÍPIOS SAUDÁVEIS DESTACA CASTRO MARIM
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embro da Rede Portuguesa de Municípios Saudáveis desde 2016, Castro Marim é destacado no 20.º aniversário deste organismo pelas boas práticas que tem conduzido e implementado em prol da saúde e da qualidade de vida dos seus munícipes. O compromisso de continuar a promover o bem-estar e qualidade de vida das famílias é assumido pelo presidente da Câmara Municipal de Castro Marim, Francisco Amaral, como uma prioridade. Nesse sentido, a autarquia tem vindo a desenvolver mais auxílios e políticas sociais, algumas inovadoras a nível nacional, como o programa municipal de combate à obesidade, já com mais de 150 utentes. Outra das iniciativas de maior sucesso e 117
com enorme melhoria da qualidade de vida dos envolvidos foi o programa de cessão tabágica, que totaliza atualmente cerca de 290 utentes e regista uma taxa de sucesso na ordem dos 85 por cento. A Rede Portuguesa de Municípios Saudáveis, que promove um conjunto de iniciativas para dar a conhecer o trabalho que desenvolve e estreita a cooperação entre os associados, lançou uma publicação onde destaca as iniciativas e programas que se destacam entre 47 municípios parceiros. Entre um amplo conjunto de ações, medidas e programas implementados no território castro-marinense, nas mais diversas áreas, foram salientadas: Programa de Combate à Obesidade; Programa «Ao Ritmo dos 60…»; Programa de Combate ao Tabagismo; Unidade Móvel de Saúde; Workshops de Educação Ambiental nas Praias . ALGARVE INFORMATIVO #139
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44.ª VOLTA AO ALGARVE EM BICICLETA A UM MÊS DE DISTÂNCIA
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44.ª Volta ao Algarve vai estar na estrada entre 14 e 18 de fevereiro, contando com 13 equipas do WorldTour, o maior número de formações de primeira divisão que alguma vez competiu na prova portuguesa. Depois de, em 2017, ter sido a corrida 2.HC com mais equipas WorldTour, a Volta ao Algarve continuará, este ano, a afirmar-se como um dos melhores eventos desportivos portugueses e como uma das provas de referência do circuito europeu de ciclismo. Mais de metade do pelotão de 25 equipas será composto por coletivos da primeira linha internacional, entre os quais estão os seis melhores do ranking
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mundial de 2017: Team Sky (GBR), QuickStep Floors (BEL), BMC Racing Team (USA), Team Sunweb (GER), TrekSegafredo (USA) e Movistar Team (ESP). A estas equipas juntam-se Borahansgrohe (GER), FDJ (FRA), Lotto NLJumbo (NED), Lotto Soudal (BEL), Team Dimension Data (RSA), Team Katusha Alpecin (SUI) e UAE Team Emirates (UAE). O prestígio internacional da Volta ao Algarve faz desta corrida uma «montra» importante para as equipas portuguesas e o pelotão de 175 corredores vai encontrar um percurso de cinco etapas, que dará oportunidades a todo o tipo de atletas. A prova arranca com uma ligação de 192,6 quilómetros, entre Albufeira e Lagos, que se prevê decidida ao sprint. A segunda etapa 118
será o primeiro teste à condição física dos candidatos, levando a caravana de Sagres até ao alto da Fóia, ao longo de 187,9 quilómetros. A meta coincide com o ponto mais alto do Algarve, que será alcançado através de uma subida de 15,2 quilómetros, com inclinação média de 5 por cento. Lagoa recebe a partida e a chegada da terceira etapa, um contrarrelógio individual de 20,3 quilómetros num percurso para especialistas, que inclui alguns topos que ajudarão a fazer diferenças. A quarta etapa é a mais longa da competição, 199,2 quilómetros entre Almodôvar e
Tavira, com previsível discussão ao sprint. As decisões ficam guardadas para a quinta e última etapa, 173,5 quilómetros entre Faro e o alto do Malhão (Loulé), com a meta a coincidir com uma contagem de montanha de segunda categoria. A Volta ao Algarve terá, pelo segundo ano consecutivo, transmissão televisiva em direto para mais de 50 países, com cobertura garantida pela cadeia Eurosport que, em Portugal, irá partilhar a transmissão com a TVI24. O direto televisivo permite mostrar o Algarve a mais pessoas, em mais territórios, incluindo em todos os mercadosalvo do turismo algarvio .
CASTORES DO ARADE NO TOP-10 NACIONAL POR CLUBES EM CANOAGEM
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Federação Portuguesa de Canoagem já divulgou os rankings nacionais de clubes de 2017 e o Kayak Clube Castores do Arade subiu uma posição em relação ao ano passado, terminando no 9.º lugar nacional. Os «Castores», que se dedicam exclusivamente à prática da canoagem, conseguem a melhor classificação nacional de todos os clubes do Algarve com 289 pontos. O Grupo Desportivo de Alcoutim, os «Amigos da Mexilhoeira da Carregação» – AADMC – e o Clube Naval de Portimão terminaram na 23.ª, 44.ª e 58.ª posição, respetivamente. A Associação Naval do Guadiana e o Grupo Naval de Olhão terminaram ambos na 66.ª posição com o mesmo número de pontos.
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O pódio nacional foi uma repetição da época passada, com o Náutico de Ponte de Lima, clube do Olímpico Fernando Pimenta, a vencer o «Troféu Jogos Santa Casa», atribuído ao melhor clube nacional. Ao alcançar 630 pontos, o «Ponte de Lima» garantiu o seu 11.º título consecutivo. O Clube Náutico de Prado e o Náutico de Crestuma arrecadaram os restantes lugares do pódio, com 536 e 425 pontos, respetivamente. Numa modalidade onde o norte de Portugal tem mais tradição, é de destacar as classificações do Clube de Canoagem de Amora, a terminar na quarta posição, e do Clube Náutico do Litoral Alentejano (Vila Nova de Milfontes) com o 6.º lugar que, juntamente com os Castores do Arade, são os únicos clubes, a sul do Tejo, a terminar no top-10 nacional .
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ALGARVE PROMOVE CICLOTURISMO E DIETA MEDITERRÂNICA NA FITUR
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e 17 a 21 de janeiro, a Região de Turismo do Algarve leva para a FITUR 2018 o melhor do Turismo de Natureza algarvio, apostando na promoção do cicloturismo e das caminhadas. Durante o certame na capital espanhola, o Algarve quer revalorizar a sua oferta de turismo de natureza e dar a conhecer o seu património natural e cultural, com destaque para a Dieta Mediterrânica, Património Imaterial da UNESCO. No Pavilhão 4 da principal feira de turismo em Espanha, o Algarve marca presença num módulo de destino integrado no stand do Turismo de
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Portugal, e partilha um balcão de informação turística no stand do Turismo do Porto e Norte de Portugal, onde estarão representadas mais de 14 empresas da região, bem como a Universidade do Algarve e a Câmara Municipal de Tavira. As grandes apostas do Algarve para a 38.ª edição da Fitur serão o turismo de natureza, o turismo ativo, e a Gastronomia e Vinhos. O Algarve irá renovar a sua aposta no «Cycling & Walking», projeto lançado em 2017 que passou a integrar o «Portuguese Trails», uma iniciativa do Turismo de Portugal para posicionar o país como destino predileto de cicloturismo e caminhadas. Enquanto região piloto do
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projeto, o Algarve posiciona-se como um destino de eleição para ser desfrutado a pé ou em bicicleta, através das suas 140 rotas, 111 empresas «bike and walk friendly» e cerca de 60 programas com diferentes experiências (www.portuguesetrails.com). Na Feira será distribuído o novo guia de «Cycling & Biking» aos visitantes, além de outros materiais de divulgação. O «Cycling & Walking» é um dos muitos projetos que têm sido desenvolvidos nos últimos anos no Algarve, com o objetivo de desenvolver uma oferta variada, para todos os públicos. O Algarve já é reconhecido internacionalmente como destino de «Sol&Mar» e apresenta-se agora como destino de eleição para amantes de turismo ativo e de atividades ao ar livre, com um clima privilegiado durante todo o ano. Na Feira, o Algarve promove também a sua diversidade 121
natural com a divulgação da 4.ª edição da Algarve Nature Week, que irá realizar-se de 13 a 22 de abril, e mostrará ao público o lado mais ecoturístico, ativo e surpreendente da região, através de uma extensa proposta de atividades de natureza a preços muito atrativos, desde aulas de paddle, surf, batismo de mergulho, passeios a cavalo, observação de baleias e golfinhos, entre outras (www.algarvenatureweek.pt). A Dieta Mediterrânica também terá um grande destaque no stand algarvio. No âmbito do programa «Prove Portugal», Tavira (enquanto cidade representante do projeto da Dieta Mediterrânica no país) irá organizar vários momentos de degustação, nos primeiros três dias do evento. Os visitantes terão a oportunidades de provar os mais icónicos ingredientes da gastronomia algarvia, como o azeite, sal, figos, doces de amêndoa, licores e os vinhos regionais . ALGARVE INFORMATIVO #139
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DIRETOR: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina (danielpina@sapo.pt) CPJ 5852 Telefone: 919 266 930 EDITOR: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina SEDE DA REDAÇÃO: Rua Estrada de Faro, Vivenda Tomizé, N.º 12P, 8135-157 Almancil Email: algarveinformativo@sapo.pt Web: www.algarveinformativo.blogspot.pt PROPRIETÁRIO: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina Contribuinte N.º 211192279 Registado na Entidade Reguladora para a Comunicação Social com o nº 126782 PERIODICIDADE: Semanal CONCEÇÃO GRÁFICA E PAGINAÇÃO: Daniel Pina FOTO DE CAPA: Paulo Sabino
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