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ALGARVE INFORMATIVO 23 de dezembro, 2017
O MARAVILHOSO PINÓQUIO DA C.D.A. MENDES BOTA VENCEU PRÉMIO MARIA VELEDA | PAULO AZEVEDO SANDRA BOTO | DO CÉU CAIU UMA ESTRELA | TEATRO E SAÚDE 1 ALGARVEMENTAL INFORMATIVO #137
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ARTIGOS 10 - Mendes Bota 18 - Sandra Boto 30 - Teatro e Saúde Mental 42 - Presépios do Algarve 54 - Pinóquio 64 - Do Céu Caiu uma Estrela 72 - Paulo Azevedo 94 - Atualidade
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OPINIÃO 80- Paulo Cunha 82 - Adília César 84 - Fábio Jesuíno 86 - Nelson Dias 88 - Augusto Lima 90 - Vico Ughetto 30 72
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REPORTAGEM
MENDES BOTA VENCEU PRÉMIO REGIONAL MARIA VELEDA PELA SUA LUTA CONTRA A VIOLÊNCIA DE GÉNERO Texto:
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antigo deputado e eurodeputado, ex-líder do PSD/Algarve e ex-presidente da Câmara Municipal de Loulé, José Mendes Bota, recebeu, no dia 16 de dezembro, em cerimónia realizada no Cine-Teatro Louletano, o Prémio Regional Maria Veleda ALGARVE INFORMATIVO #137
2017. A iniciativa é da responsabilidade da Direção Regional de Cultura do Algarve, com o intuito de destacar e reconhecer a atividade cultural de personalidades algarvias, protagonistas de intervenções para a igualdade do género, cidadania e não discriminação, preconizada no V Plano Nacional, a 10
decorrer no período 2014-2017, pelo Sistema Integrado de Informação e Conhecimento (SIIC). A atribuição do prémio deste ano a José Mendes Bota foi definida, no dia 20 de outubro, pelos elementos do júri, constituído por Alexandra Rodrigues Gonçalves, Diretora Regional de Cultura do Algarve, Ana Paula Nuno Vaz Correia Amendoeira, Diretora Regional de Cultura do Alentejo, António Branco, ex-Reitor da Universidade do Algarve, Idálio Revez, jornalista do «Público», José Carlos Barros, Arquiteto Paisagista, Lídia Jorge, escritora, Mirian Tavares, professora e investigadora, Natividade Monteiro, professora e investigadora e Paulo Cunha, professor de música. A decisão refletiu o Vítor Aleixo, presidente da Câmara Municipal de Loulé reconhecimento do e mulheres, na defesa dos direitos excecional trabalho, nacional e humanos e na prevenção e internacional, desenvolvido no âmbito da criminalização da violência contra as cidadania, da ética, da igualdade de mulheres, do qual o produto mais visível género, na dignificação das mulheres, na é a Convenção de Istambul. igualdade de oportunidades entre homens 11
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O nome de Mendes Bota foi proposto por Nuno Vaz Correia, que recordou o primeiro cargo público do distinguido, em 1979, como presidente da Associação de Ciclismo do Algarve, a que se seguiria a vice-presidência da Câmara Municipal de Loulé, em 1980, e a sua presidência, Alexandra Gonçalves, Diretora Regional de Cultura do Algarve em 1983. “Hoje, com um percurso invejável e reconhecido, Considerando Mendes Bota uma onde sempre esteve por mérito próprio, “verdadeira força da natureza”, Nuno eleito pelos cidadãos ou pelos seus pares, Vaz Correia descreveu o premiado como Mendes Bota é um bom exemplo de que um homem de causas e que se dedica a valorizamos muito mais o que os outros 200 por cento a tudo aquilo em que fazem lá fora, do que o trabalho acredita, “o que nem sempre é extraordinário que é feito no Algarve ou a apreciado pelo poder central em partir do Algarve”, afirmou, no uso da Lisboa”. “Nunca se calou na defesa do palavra, lembrando que, em 1997, muito Algarve e da transparência na política, antes de se falar em quotas de género na nem contra a corrupção e as injustiças. política, Mendes Bota apresentou uma lista Hoje, o seu trabalho na delegação da candidata à Autarquia de Loulé onde 50 União Europeia junto do Conselho da por cento dos membros eram mulheres. “E Europa, em Estrasburgo, assume-se já em 2007 lutou, sozinho, contra a como uma função de alto-relevo prospeção de petróleo na costa algarvia, internacional, mas a luta contra a ainda antes dos contratos serem violência de género continua como assinados. Mais recentemente, é de sempre”, frisou, concluindo com assinalar as suas lutas contra o tráfico algumas palavras do homenageado: humano, na maioria das vezes associado à ‘Grandes avanços têm sido feitos, mas prostituição, e contra a violência de não nos iludamos, pois este é um género. A Convenção de Istambul é o seu trabalho de longa duração e a mudança maior legado, até agora, e ficará para a de mentalidades consumirá várias história como um importantíssimo gerações, até que os homens e as contributo para uma sociedade melhor”, mulheres de amanhã irradiem, com sublinhou. ALGARVE INFORMATIVO #137
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naturalidade, os princípios da igualdade, dignidade e respeito pelos direitos de todos os seres humanos’. Orgulhoso pela distinção a um conterrâneo mostrou-se igualmente Vítor Aleixo, presidente da Câmara Municipal de Loulé, reconhecendo o contributo de Mendes Bota, ao longo das últimas quatro décadas, para a construção de uma sociedade mais justa, solidária e com valores. “Sempre foi um homem muito irreverente e irrequieto, que questionava e refletia, que mobilizava. É um homem de uma energia quase sem limites e, quando acredita e quer uma coisa, vai até ao céu e consegue revolvê-lo”, apontou o edil louletano, enfatizando ainda que a carreira política de Mendes Bota se iniciou na província e não numa grande metrópole, como em tantos outros casos.
“Não começou com uma corte de padrinhos políticos e, graças ao seu mérito e energia, chegou onde chegou. É, hoje, o político louletano com a carreira mais brilhante, de entre os vivos que conheço”, manifestou. Vítor Aleixo dirigiu ainda uma palavra a Maria Veleda, “uma mulher que utilizou o sentido nobre da política para construir uma sociedade livre, igual, democrática e de dignidade humana, valores tão essenciais para o bemcomum e para uma sociedade mais justa, saudável e feliz”. “Devemos estar unidos num combate incessante por estes valores para alcançarmos uma sociedade equilibrada, com uma economia próspera e, simultaneamente, com mais justiça social”, defendeu o autarca. “É com
Paulo Águas, Vítor Aleixo, António Branco, Alexandra Gonçalves, Mendes Bota, José Carlos Barros e Adriano Guerra
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Fernanda Morais, Alexandra Gonçalves, Paulo Cunha, José Carlos Barros, António Branco e Carlos Cruz
Cultura e Educação que poderemos construir um melhor presente e legar, às futuras gerações, um mundo mais justo e equilibrado. Como diz o Mendes Bota, ‘só uma sociedade informada é que consegue vencer o medo’. Só assim se consegue denunciar atrocidades contra o outro, se consegue diminuir a violência gratuita contra o outro. Mendes Bota desbravou caminhos, onde eles não existiam, em áreas fundamentais nos direitos humanos”, enalteceu.
UMA LUTA SOLITÁRIA ANTES DO POLITICAMENTE CORRETO A poucos dias do Natal, Alexandra Gonçalves, Diretora Regional da Cultura do Algarve, não esqueceu as desigualdades que persistem no mundo moderno, ALGARVE INFORMATIVO #137
algumas delas nem sempre evidentes ou amplamente conhecidas. “Temos, por isso, que falar de como subsiste o sexismo em muitos locais de trabalho; de como permanece a falta de paridade entre as mulheres e os homens nos cargos de chefia ou na política; de como a redução do horário de trabalho para o apoio aos filhos menores é tantas vezes mal compreendido pelos dirigentes; de como na Birmânia, na Nigéria e noutros pontos do globo se perpetuam formas de violência contra a mulher, baseadas numa cultura e em tradições decadentes que são prosseguidas por normas e instituições sociais que legitimam práticas ancestrais; e de como permanecem, em todas as sociedades, demasiados estereótipos na relação com a religião, a etnia, a opção sexual, o estado civil ou até a 14
opção política, entre os cidadãos”, referiu, acrescentando que “a cultura não é imune às desigualdades e à discriminação que persistem noutras áreas da sociedade e é influenciada por um contexto alargado que inclui outras formas de categorização social, como a classe, a raça, o nível de pobreza, a etnicidade, a religião, a idade, a deficiência ou o estado marital”. Falando da vontade de se ter um Algarve sustentável, com igualdade de oportunidades, sem discriminação, sectarismos ou barreiras, Alexandra Gonçalves acredita que o Prémio Regional Maria Veleda pode ser um contributo para a valorização de “uma região que respeita a diferença, que promove a excelência, que reconhece o diálogo, que é irreverente, audaz e capaz de promover a compreensão, a tolerância e a
interculturalidade”. “A procura de um mundo melhor, mais justo, livre e fraterno, são desígnios permanentes”, indicou a Diretora Regional da Cultura do Algarve. Depois de receber o galardão criado pela empresa de São Brás de Alportel «Nova Cortiça», Mendes Bota confirmou que, na sua vida pública, sempre entendeu que o papel da mulher era menorizado na sociedade e lembrou que só via homens ao seu redor nas direções partidárias, nas bancadas parlamentares e à frente dos órgãos públicos, uma realidade que ainda se vai assistindo. “Nunca partidarizei as questões da igualdade de género ou da violência e, antes dessas causas se tornarem politicamente corretas, há 15 ou 20 anos, senti-me muito sozinho nessa
José Mendes Bota, vencedor do Prémio Regional Maria Veleda 2017
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luta. Na Assembleia da República, quando levantava a voz em defesa dos direitos das mulheres, os meus próprios colegas quase que faziam chacota de mim e nunca davam um passo significativo para aumentar o papel das mulheres na sociedade”, lamentou. Mendes Bota sublinhou o papel de Maria Belém no seu despertar para a causa da violência contra as mulheres, a violência de género, quando o desafiou a entrar para a Comissão da Igualdade do Conselho da Europa. “A primeira vez que participei numa reunião constatei logo que não existia nenhum homem naquela comissão e reparei que estavam a discutir o Mundial de Futebol da Alemanha. De há várias décadas para cá, todas as grandes competições desportivas internacionais são acompanhadas por um movimento de tráfico de mulheres destinadas à prostituição forçada à volta dos estádios e das pistas. Muitos homens aproveitam estes eventos para terem sexo da maneira como vocês imaginam, beberem umas cervejas e verem futebol”, acusa Mendes Bota, lembrando que, na época, muitos craques da bola se iam manifestar contra esse fenómeno. “A Comissão estava ocupada a denunciar a situação e a pedir aos governos para colocarem um travão na importação de 80 mil mulheres para serem prostituídas à força, arrancadas da Europa de Leste, da América do Sul e da Ásia. Fiquei tão impressionado que, no dia seguinte, num debate no Plenário, fiz uma intervenção que foi citada por muitos órgãos de comunicação social na Europa e na qual denunciava a hipocrisia da FIFA por consentir a «santíssima trindade» entre a cerveja, o sexo e o futebol, sem que tomasse uma posição para pedir às ALGARVE INFORMATIVO #137
autoridades para travar essa escravatura dos tempos modernos”. Foi o início de uma caminhada que nunca mais parou, com Mendes Bota a ser eleito Vice-Presidente da Comissão da Igualdade, depois Presidente, Relator Geral para a Europa sobra a Violência Contra as Mulheres, um trajeto que culminou na Convenção de Istambul, uma proposta sua que lhe tomou dois anos no Comité de Redação. “Depois corri os países todos a pedir aos Governos e aos Parlamentos que ratificassem a Convenção, até que, no dia 1 de agosto de 2014, ela entrou finalmente em vigor. E a sua importância é que tem um mecanismo de monitorização que vai, de país em país, verificar se as legislações estão a ser adaptadas, e se as condições de prevenção da violência e de ajuda às vítimas estão a ser implementadas. Hoje, a situação é bastante melhor do que há 15 ou 20 anos mas, infelizmente, continua a ser um desastre à escala mundial. O combate não está ganho e nada está adquirido”, alertou Mendes Bota. “Não se muda o pensamento de uma sociedade inteira de um momento para o outro. É necessário que as crianças que estão agora na escola comecem a interiorizar, desde cedo, os valores da igualdade, do respeito entre seres humanos, da dignificação do papel da mulher, para que, quando forem adultos, tenham naturalmente esse conceito de sociedade”, apelou o premiado, comparando com o que tem sido feito em termos de sensibilização ambiental há alguns anos .
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ENTREVISTA
A INVESTIGADORA QUE LEVAVA GARRETT NA MOCHILA Com quatro anos recitava livros de cor. Aos 25, trabalhou sobre manuscritos inéditos de Almeida Garrett e apresentou ao público uma face do escritor, até então, praticamente desconhecida. Conheça a história da investigadora que levava originais de Garrett na mochila e sentia o peso da responsabilidade de quem transporta uma «imagem sagrada». Texto:
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esde que se conhece que Sandra Boto se lembra de gostar de livros e de andar com eles para todo o lado. Conta a mãe que, com apenas quatro anos, se sentava à porta de casa, com o livro da Anita na mão, e com o dedo a seguir as linhas, como se estivesse a ler. “Fazia inclusive as pausas da pontuação. As pessoas ficavam espantadas porque achavam que eu já sabia ler, mas, na verdade, eu tinha decorado o livro, de tantas vezes que pedia para mo lerem”. Hoje, filóloga de profissão, a vida da jovem investigadora continua a passar pelos livros. Como nos conta, “o livro sempre foi um objeto de que me rodeei de forma muito natural”. Antes de se sentar para a entrevista, pousa dois ou três em cima da secretária. Música e literatura é o mote para o início da conversa. Afinal, é a música que traz Sandra Boto à literatura e é a literatura que, irremediavelmente, continua a levá-la de volta à música. Prova disso foi o modo caricato como, há dias, descobriu, no processo de transcrição dos manuscritos do romance «Adozinda», de Almeida Garrett, que o escritor estava, na altura, a aprender música. “Quando descobri, nessa última página, um fragmento de uma partitura com umas notas musicais e uma anotação com uma inscrição pensei, imediatamente, que o Garrett tinha assistido a uma representação de uma ópera sobre o mito de Fausto. Vim a descobrir, e recuperando o meu Manual de História da Música, que a inscrição era, afinal, uma técnica mnemónica medieval que designa as notas musicais atuais, e ALGARVE INFORMATIVO #137
que, afinal, o Garrett estava apenas a aprender música e a aprender a localizar as notas numa partitura”, revela. Melómana por excelência, Sandra Boto confessa: “Não conseguimos despir aquilo que somos quando estamos a analisar um texto, seja ele qual for. Temos uma mundividência na cabeça que enforma o nosso modo de olhar e a nossa leitura”. E ler em profundidade é precisamente a tarefa a que se dedica, diariamente, Sandra Boto. Com a obra de Almeida Garrett como pano de fundo, a investigadora, que iniciou o seu percurso académico na Universidade do Algarve, procura confrontar testemunhos do mesmo texto para perceber qual teria sido a última vontade editorial do autor. Interessa-lhe compreender “qual foi a forma que o texto teve na cabeça daquele homem pela última vez”, porque considera que o “leitor tem direito a ler aquilo que o autor lhe quis dar a ler” e não um conjunto de “trinta mil trapalhadas que alguém introduziu, sem validação, na altura em que publicou”. Como adianta, a questão é ainda mais profunda: “Será que já nos perguntámos se aquilo que estamos a ler foi aquilo que o autor quis escrever ou aquilo que quis que nós lêssemos? É esta a pergunta a fazer. Quando vamos a uma papelaria e compramos «Os Maias», sabemos, realmente, se estamos a ler aquilo que o Eça escreveu? Normalmente não pensamos muito sobre isso. Há um nível de questionamento que o leitor comum não tem”. 20
O objetivo de Sandra Boto é precisamente assistir a leitura, ajudar a reconstruir, a partir dos manuscritos e, tal como um arqueólogo, “aquilo que o autor deixou por fazer”. Para isso, como explica, é preciso ter um extremo domínio não apenas sobre a obra, como também sobre o código e sobre o autor. Só assim, garante, é possível tentar colocar-se no lugar do escritor e oferecer ao leitor o texto mais fiel possível. Nas suas palavras, a imagem mais perfeita para descrever o seu trabalho “é a de um arqueólogo que encontra uma peça e tenta limpá-la e atribuir-lhe sentido, inseri-la num contexto, dar-lhe uma função”. Sandra Boto não encontra moedas em terrenos em ruínas, mas trabalha com autênticos tesouros editoriais que têm de 21
ser lapidados e depurados, por forma a trazer à luz uma leitura mais iluminada, mais clara e contextualizada das obras e dos autores em questão. Esse é, aliás, para a investigadora, o grande desafio. “Quando edito, de repente, tudo é possível. Tenho de me colocar no mundo do autor e fazer uma construção. Sou incapaz de editar um texto sem o perceber, sem lhe construir um sentido”. Essa construção pode tomar-lhe horas e até dias. É, como nos confessa, um “vício”, um “trabalho de detetive” que passa por “juntar pistas” até chegar a uma conclusão final que ajuda o leitor a compreender melhor o autor e o texto. Com os manuscritos, Sandra mantém uma relação obsessiva. Confessa que, se termina hoje o dia de trabalho e fica por ALGARVE INFORMATIVO #137
Professor Giuseppe Di Stefano, Sandra Boto e Professor Pere Ferré
resolver uma decifração ou um problema, “simplesmente não consigo parar de pensar nisso. Quanto mais problemas resolvo, mais problemas encontro”. O motor está ligado. Porque, como adianta, nos manuscritos, nem tudo está no texto. E para “restaurar” um autor é preciso ir ao fundo de cada questão, conhecer-lhe “todos os tiques”. Desde o tipo de papel usado, ao género de anotações que faz à margem, para o trabalho da investigadora, tudo conta, pois, como esclarece, “estes elementos que, à partida, podem não parecer importantes são, por vezes, fundamentais para conseguir perceber um determinado ALGARVE INFORMATIVO #137
texto”. Desde a possibilidade de datar os manuscritos à possibilidade de antever, a partir de determinadas notas do autor, relações de sentido, Sandra Boto garante que “todas as marcas são úteis pois dão-nos pistas sobre o autor, sobre as suas leituras, os seus interesses, as obras que o marcaram e que marcam aquele texto em particular”. Como na música, sublinha a investigadora, “tudo é uma questão de sensibilidade e de interpretação”. Sandra Boto aprendeu-o bem cedo quando, aos oito anos, de forma casual, e depois de lhe terem oferecido um teclado, começou a tocar melodias de 22
ouvido. Seguiram-se sete anos a estudar piano numa escola de música. Depois das aulas, apanhava sozinha o autocarro para o conservatório, onde os pais a iam buscar ao final do dia. Numa cidade pequena e, na altura, sem internet, a então estudante satisfazia a curiosidade refugiando-se numa pequena loja de discos que existia junto à Escola Francisco Fernandes Lopes, em Olhão. Era lá que comprava cd’s de música clássica para conhecer mais e tentar compreender melhor o repertório que interpretava. Confessa que foi sempre a curiosidade que a moveu, a vontade de construir. “Lembro-me que quando entrei no conservatório progredi muito rapidamente e as minhas colegas que já lá estudavam há mais tempo começaram a escrever-me mensagens no manual de solfejo a perguntar: ‘queres passar à minha frente? Sim ou não?’ Eu colocava sempre uma cruzinha no «não». Na verdade, não tinha o mínimo interesse nisso. Tentava documentar-me, conhecer mais, de forma autónoma e autodidata. Mas nunca foi algo que fizesse com princípios utilitaristas. Fazia-o por gosto. Ainda hoje sou assim. O que me diverte eu não consigo deixar de fazer”. Do piano a Garrett, a viagem parece curta. “Quando se toca e quando se interpreta temos de conjugar uma série de fatores que nos permitem construir algo; talvez da mesma forma, quando edito um texto tenho de lhe construir um sentido. Não consigo ouvir uma música sem fazer uma construção, tal como não consigo ler um texto sem lhe construir sentidos”. Foram, curiosamente, a música e a literatura que ofereceram a Sandra 23
Boto o sentido da vida como hoje a conhece. Sete anos ao piano e outros tantos sentada numa secretária para mostrar ao público uma face do escritor romântico que poucos conhecem, deram-lhe, como admite, “um mundo maior”. É desse «mundo maior» que nos fala. Por entre os muitos papéis que acumula na sua secretária e as dezenas de artigos publicados, Sandra Boto, que, em finais de 2006, decidiu fazer uma tese de doutoramento a partir da descoberta de novos manuscritos inéditos do autor romântico, garante que há um lado de Almeida Garrett que não pode ser ignorado. “O problema de Garrett e de todos os autores que fazem parte do cânone literário é que estão profundamente formatados por ele. O Garrett é visto como o escritor das «Viagens na minha terra», do «Frei Luís de Sousa», e como autor de uma lírica que é lida numa sebenta até à exaustão. Mas pouca gente conhece o lado do Garrett associado ao Romanceiro. Isso é algo que é perfeitamente secundarizado, porque toca num terreno que o cânone olha com preconceito, que é o terreno da literatura de tradição oral”, sublinha. A estudar a obra do autor há mais de uma década, a investigadora alimenta ainda o desejo de mostrar ao público que “o papel da poesia tradicional no contexto da obra de Almeida Garrett é tão poderoso e tão subversivo como «As Viagens na minha Terra»”. Esse é, aliás, um dos pontos de chegada da sua tese de doutoramento, que lhe permitiu, em 2011, restaurar a imagem de um ALGARVE INFORMATIVO #137
homem que era visto como “um falsificador de textos tradicionais” para mostrar que Almeida Garrett atua, afinal, em função de um programa estético – que é o do nacionalismo português e da imposição de uma poesia portuguesa ancestral. “Garrett não é um falsificador, é um poeta que quer romper com uma poesia oca e impor um novo código. É em função disso que ele atua, e não a pensar que está a enganar outras pessoas”, adianta a investigadora. “Se ele não tivesse ido para Londres, se ele não se tivesse exilado, se ele não tivesse conhecido, no exílio, o trabalho que faziam os alemães e os ingleses na altura, pergunto-me o que teria sido o Romantismo em Portugal. Pergunto-me se teria havido um Eça? Pergunto-me se a balada romântica seria o que veio a ser? Se essa revolução estética se teria consumado…”. As perguntas percorrem a mente de Sandra Boto a uma velocidade estonteante. A relação com Almeida Garrett, a quem, carinhosamente, se refere como «seu marido», essa, é já de longa data. Dos anos de «namoro» com a obra do autor, durante o doutoramento, a investigadora recorda, particularmente, um episódio: “Houve um dia em que a Vera FutscherPereira, que era a proprietária dos materiais com os quais eu trabalhava, me deixou trazer alguns manuscritos na mochila. Lembro-me que, naquela tarde, me senti como se transportasse uma imagem sagrada. Cheguei a casa e mostrei aquilo a toda a gente. Estava radiante. Era um privilégio que eu nunca pensei poder vir a ter na vida”. A esse seguiram-se outros, durante os anos em que, ALGARVE INFORMATIVO #137
generosamente, a família FutscherPereira lhe abriu as portas de sua casa para que pudesse desenvolver a investigação. Quando a sua filha nasceu, em 2007, Sandra Boto já trabalhava sobre a obra do escritor. “Aos três anos, rodeada de impressões de poemas, eu mostravalhe um manuscrito e ela sabia que era do Garrett. Ela nasceu e eu já vivia com o Garrett. Ela cresce e eu vivo com o 24
Garrett. Ele está sempre lá, em permanência”. Até em sonhos. A jovem investigadora relembra que, na fase em que estava a escrever a tese, tinha «flashes», todas as noites, com a caligrafia do autor. “Era uma coisa aberrante. Era como se tivesse uma televisão à frente em que me passava caligrafia, caligrafia, caligrafia…o cérebro não desliga. Enquanto não consegues resolver aquele problema, aquilo não te larga, persegue-
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te, como se te puxasse pelos braços e pelas pernas e te prendesse”. Para Sandra Boto, para quem o saber vale por si próprio, sem necessidade de algo que o justifique, editar textos é mais que uma tarefa técnica, é uma forma de chegar a outros lugares, a outras ligações. “Mais interessante que aprender uma técnica é perceber onde é que ela te conduz”, garante. No caso da antiga aluna de Estudos Portugueses, ALGARVE INFORMATIVO #137
a edição levou-a também ao contacto com o público quando, em 2003, começou a participar em recolhas de romances tradicionais. Foi num desses momentos que, numa experiência em grupo, viveu aquele que descreve como um dos momentos mais caricatos da sua formação. “Lembro-me de uma vez, durante uma recolha nos Pirenéus, um colega me ter pregado uma partida. No meio das montanhas, decidiu dizer-me que sabia conduzir, mas que não tinha carta de condução. Então, metia as mudanças todas erradas, fazias as curvas ao contrário… Tudo para ver a minha reação. Levou um dia inteiro assim. Mas eu não me desmanchei. Estive ali, a morrer de medo, entre o crédulo e o incrédulo, mas nunca lhe fiz a vontade, nunca, em momento algum, cedi”. A essa recolha seguiram-se muitas outras. Entre o trabalho de campo e o trabalho de gabinete, Sandra Boto continua a perder-se ALGARVE INFORMATIVO #137
nas curvas dos manuscritos, a encontrarse a cada novo desafio que o texto lhe impõe. Acredita que “teoria e prática não são mundos opostos” e que “a teoria é uma prática elevada ao sublime”. A mãe conta que, em pequena, fazia imensas perguntas. “Ela simplesmente tinha de saber”. Ainda hoje assim é. Sandra Boto pergunta e os manuscritos, de alguma forma, ajudamna a responder, a conjugar, a construir. A oferecer ao leitor um texto estabelecido e bem fixado. No fundo, a fazer aquilo que mais gosta - a “retirar, com pincel, os grãos de areia de uma determinada moeda”. A oferecer novas faces. Novos detalhes. Novas informações. Sandra Boto restaura, diariamente, a imagem de Almeida Garrett. O visconde, certamente, agradece . * Trabalho publicado originalmente em http://cienciacomvida.pt.
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REPORTAGEM
ASMAL CONTINUA A APOSTAR NO TEATRO PARA PROMOVER A SAÚDE MENTAL A ASMAL promoveu um Ensaio Aberto, no dia 14 de dezembro, nas instalações do CAPa, em Faro, com mais um trabalho do Teatro do Sótão, desta vez com a colaboração de técnicas do Grupo de Teatro Terapêutico do conceituado Hospital Júlio de Matos, de Lisboa. O resultado foi mais uma demonstração das capacidades destes cidadãos e um abrir de olhos para todos aqueles que teimam em pensar que padecer de uma doença mental é ser incapaz de conviver em comunidade e de ser produtivo. Texto:
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CAPa - Centro de Artes Performativas do Algarve, em Faro, recebeu, de 11 a 14 de dezembro, uma residência artística dinamizada pela Associação de Saúde Mental do Algarve (ASMAL) e com a colaboração da Terapeuta Ocupacional Isabel Calheiros e da Terapeuta de Dança e Movimento Liliane Viegas, do conceituado Grupo de Teatro Terapêutico (GTT), dirigido por João Silva e integrado no Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa (ex-Hospital Júlio de Matos). O resultado final foi um Ensaio Aberto a todos os interessados em ver mais um trabalho dos atores do Teatro do Sótão, grupo inclusivo da ASMAL, com o objetivo de demonstrar a mais-valia das práticas artísticas enquanto mecanismo de reabilitação psicossocial e de inclusão comunitária. ALGARVE INFORMATIVO #137
Recorde-se que o GTT completa, em 2018, meio de século de existência, tendo-se adaptado, ao longo deste tempo, às necessidades dos pacientes e sendo, sem dúvida, a grande referência no plano do teatro inclusivo em território nacional. “O processo começa sempre com conversas com os pacientes, perguntamos às pessoas o que gostariam de partilhar. Depois o João Silva, como dramaturgo, escreve uma peça de teatro com esses conteúdos, criando personagens fictícias num mundo de fantasia. Seguese a leitura e o acordo das pessoas em relação ao que foi escrito e, finalmente, os ensaios, como uma companhia de teatro normal”, descreve Liliane Viegas, que colabora com o grupo há 10 anos.
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De acordo com a entrevistada, um dos benefícios destes projetos é que os pacientes ficam inseridos num coletivo e criam as suas identidades enquanto atores de teatro, sabendo-se que as suas próprias identidades, em certos casos, se perderam no meio da doença mental de que padecem. “Para além disso, promovem-se rotinas de trabalho, uma vez que há ensaios todas as segundas, quartas e sextas-feiras, das 10h às 12h, o que os obriga a organizarem-se, a respeitarem horários e a cumprirem com as suas responsabilidades. Essa regularidade é terapêutica no quotidiano”, afiança Liliane Viegas. No fim do processo está a apresentação ao público, a subida ao palco, um grande ALGARVE INFORMATIVO #137
desafio para todos os envolvidos, pois implica trabalhar as dificuldades específicas de cada ator ou atriz para enfrentar a assistência. “O palco permite-lhes ser vistos e aplaudidos, uma forma de serem reconhecidos que também é terapêutica”, aponta a técnica, esclarecendo que a forma como João Silva escreve é extremamente literária e com um português erudito e difícil de decorar, ou seja, não se facilita pelo simples facto de estarmos na presença de atores «diferentes». “Fricções existem sempre, nas nossas famílias, no mundo dos atores ou no meio da saúde mental. É evidente que, por vezes, podem existir sintomas ou sinais relativos às doenças que são mais manifestos, mas há técnicos de saúde que acompanham o projeto e que vão 34
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trabalhando essas caraterísticas”, observa Liliane Viegas. A técnica do GTT assegura, entretanto, que estes utentes são fantásticos no palco, devido à sua pureza e autenticidade, tanto no dia-a-dia, como quando estão a representar um papel, “o que nem sempre acontece com os neuróticos normais”. “Isso dá-lhes uma força e presença no palco que são arrepiantes e emocionantes. As palmas são uma gratificação, um reconhecimento, que os deixa muito felizes”, sublinha Liliane Viegas. “Eles estão em sofrimento, estãose a tratar e são seres humanos como uma grande sensibilidade”, acrescenta, rejeitando por completo a imagem de «coitadinhos» que devem estar trancados em casa por que não servem para nada.
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Urge, por isso, uma mudança de mentalidade da própria sociedade, embora a entrevistada admita que já se vão abrindo algumas portas e janelas, o que não significa que esse estigma tenha desaparecido por completo. E esse trabalho tem que ser feito de norte a sul do país e por todos os envolvidos na saúde mental, daí a pertinência de parcerias como esta entre o Teatro do Sótão da Associação de Saúde Mental do Algarve e o Grupo de Teatro Terapêutico do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa. “Achei incrível como os utentes da ASMAL nos conseguiram acolher nestes dias, nunca nenhum disse que estava cansado e o resultado final foi bastante positivo”, afirmou Liliane Viegas.
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Teatro do Sótão que também já existe há uma década e havia uma grande vontade em conhecer os seus pares, outros grupos de teatro inclusivo, e o GTT é, de facto, uma referência no trabalho com pessoas com doença mental. “Queríamos saber como se sentem os outros atores e técnicos, se teriam as mesmas dificuldades que nós”, justifica a encenadora Nídia Gonçalves. “Surgiu uma oportunidade de candidatarmos o Projeto Teatro e Saúde Mental ao Programa de Financiamento a Projetos do INR – Instituto Nacional para a Reabilitação e, numa primeira fase, levamos os atores do Teatro do Sótão a Lisboa para assistir à nova peça do GTT, «O Casulo». O segundo momento foi esta troca, esta partilha de experiências, de conhecimentos, com
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direção da Isabel Calheiros e da Liliane Viegas”, indicou. Um desafio que foi prontamente aceite pelo GTT de João Silva, com o intuito de fazer o melhor por quem sofre de doenças do foro mental. “Partilhamos a nossa metodologia, com um texto que partiu das histórias pessoais dos utentes da ASMAL e que foi transposto para um espetáculo teatral”, resumiu Liliane Viegas, com Nídia Gonçalves a colocar um particular enfase na possibilidade destes atores trabalharem com outros artistas e profissionais. “Ficamos todos mais ricos, porque existem sempre pessoas que nos podem ajudar e ensinar mais algumas coisas”, finalizou a encenadora do Teatro do Sótão .
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REPORTAGEM
PRESÉPIOS ENCANTAM
NATAL ALGARVIO Fotografia:
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FARO - QUARTEL DOS BOMBEIROS
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ALBUFEIRA - QUARTEL DOS BOMBEIROS
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O MARAVILHOSO
PINÓQUIO DA COMPANHIA DE DANÇA DO ALGARVE Texto:
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s aventuras de Pinóquio, da autoria de Carlo Collodi, inspiraram um bailado concebido e interpretado magistralmente pela Companhia de Dança do Algarve, nos dias 15, 16 e 17 de dezembro, no Teatro das Figuras, em Faro. Com coreografia de Carolina Cantinho, Evgeniy Belyaev e Natalia Abramova e interpretação a cargo de Margot de Andrade e dos alunos da CDA, o público, escolar e geral, ficou completamente arrebatado pela mestria técnica e talento dramatúrgico dos jovens bailarinos. Reza a história que, esculpido pelo carpinteiro Geppetto a partir do tronco de um pinheiro, Pinóquio nasceu como um boneco de madeira, mas sonhava tornar-se numa pessoa de verdade. Numa noite estrelada, a Fada Azul, protagonizada por Margot de Andrade, deu vida a Pinóquio, começando então uma fantástica aventura que testou a coragem, a lealdade e a honestidade do boneco, virtudes que ele tem que aprender para se tornar um menino de verdade .
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REPORTAGEM
DO CÉU CAIU UMA ESTRELA NO AUDITÓRIO PEDRO RUIVO Texto:
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Associação Cultural Curioso Aplauso levou a cabo, nos dias 14 e 15 de dezembro, no Auditório Pedro Ruivo, em Faro, o espetáculo de dança «Do Céu Caiu Uma Estrela», interpretado pelas alunas do Conservatório Regional do Algarve e por Filipa Rodrigues. A história original de Sara Monteiro foi adaptada por Filipa Rodrigues para o público em geral, com a Banda Sonora a cargo da própria Filipa Rodrigues e de João Franck, que também assina a Cenografia, Ilustração, Animação e Operação de Vídeo. Já o Desenho e Operação de Luz são da responsabilidade de Nuno Martins. Quanto à história, é simples: uma pequena estrela desprendese da Via Láctea e cai desamparada na Terra, perdendo um dos seus braços. Na ilha onde caiu, os Seres que aí habitam começam a interessar-se pela pobre estrelinha ferida. À vez, cada um deles empresta-lhe um dos seus tentáculos, barbatanas, asas, caudas, para ela substituir pelo braço perdido, instalando a confusão e o caos na outrora sossegada ilha. Será que a estrelinha vai ficar boa e conseguir voltar para a sua casa no céu? Ou, sem braço para andar, ficará para sempre na Terra? E será que a paz regressará à ilha? .
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REPORTAGEM
“SER DIFERENTE NÃO É SER INFERIOR”, DEFENDE
PAULO AZEVEDO Uma forte afluência de dirigentes associativos, técnicos e utentes de IPSS comprovou o sucesso das palestras organizadas pela Autarquia de Albufeira, a 4 de dezembro, para assinalar o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência. Um dos convidados especiais foi o ator, treinador de futebol e motivador Paulo Azevedo, que partilhou diversos episódios da sua vida com a assistência, desde as aventuras do futebol e da representação às peripécias de ser pai. Texto:
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Aparthotel Paraíso de Albufeira foi o local escolhido pela Câmara Municipal de Albufeira para a realização de uma palestra especial por ocasião das comemorações do Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, sendo um dos convidados Paulo Azevedo. No dia 29 de outubro de 1981, sem aviso prévio e depois de uma gravidez de oito meses, a mãe e o pai, ainda adolescentes, viram-se com um filho diferente nos braços, sem mãos nem pernas. O choque foi tremendo, o futuro afigurava-se negro, mas a coragem e a determinação venceram. Paulo Azevedo nunca escolheu o caminho mais fácil e, com a ajuda da sua família e amigos, aprendeu a aceitar-se e a lutar para ser uma pessoa autónoma e independente. Ator de profissão, começou no teatro e participou em várias novelas, faz parte da Companhia de Teatro A Locomotiva e intervém frequentemente em ações de coaching e palestras motivacionais, nas quais fala da sua experiência e de como das suas fraquezas fez forças, sem as barreiras que a sua aparência e as suas limitações físicas lhe poderiam colocar pela frente. Exemplo disso é que foi atleta paralímpico de natação, joga futebol e pratica bodyboard, tendo, inclusive, participado na Maratona de Nova Iorque, em 2016, na qual cruzou a meta em segundo lugar da sua categoria. “A minha história é uma de superação, de coragem, de aceitação, de alguma resiliência e, acima de tudo, de amor. Os meus pais eram jovens e irreverentes e, naquela idade, não se pensa em ter grandes responsabilidades. A minha mãe engravidou, a notícia não foi muito fácil ALGARVE INFORMATIVO #137
de dar à família, mas a decisão foi óbvia: aceitar a criança que vinha a caminho”, contou Paulo Azevedo. Os sonhos rapidamente começaram a encher as cabeças dos progenitores, sobretudo do pai, que estava a dar os primeiros passos no futebol profissional e logo imaginou o mesmo futuro para o filho. Sonhos que foram por água abaixo no dia do nascimento, porque Paulo, afinal, já não poderia abraçar o mundo 74
com as duas mãos. “A primeira coisa que a minha mãe disse, quando me pegou ao colo, foi que podia ser pior. Era tão fácil desistir de mim, mas ela aceitou-me desde o primeiro momento”, recordou, adiantando, em tom de brincadeira, que foi o primeiro empreendedor de sucesso da família. “Como vivíamos num meio pequeno, toda a gente tinha curiosidade em ver o bebé que era «diferente». Os meus avôs tinham uma loja de artesanato e a desculpa das pessoas era irem 75
comprar dois vasos de barro e três Galos de Barcelos e aproveitavam para me ver”. A verdade é que também a população local, os vizinhos, os amigos da família, cedo aceitaram Paulo Azevedo como um dos seus, deram-lhe a mão, assumiram o compromisso de o ajudar no que pudessem. “Estive algum tempo internado em Alcoitão para tentarem perceber se havia algo a fazer para ALGARVE INFORMATIVO #137
minorar as minhas limitações, vivia lá com a minha mãe, mas era longe da minha terra e o resto da família não me conseguia ir ver. Às quatro da manhã, o meu avô e o meu pai decidiram que eu tinha que estar em casa, apesar dos médicos avisarem que, se eu saísse do hospital, nunca ia sequer conseguir sentar-me numa cadeira, quanto mais andar”, relata. Podia ter sido a decisão mais errada da família, mas Paulo Azevedo foi crescendo rodeado de amor e sempre com a mensagem de que ser diferente não é ser inferior. “As pessoas viam que eu não tinha pernas nem mãos, se calhar pensavam que eu também era surdo, e diziam ‘coitadinho, mais valia a pena não ter nascido’. As palavras doíam, mas eu respondia sempre com um sorriso. Dentro de mim havia uma alma inquieta, queria ALGARVE INFORMATIVO #137
mais, queria mostrar a essas pessoas que, afinal, tinha valido a pena eu ter nascido”, referiu. “Há obstáculos que não podem ser derrubados, mas podem ser contornados e isso não é o fim do mundo. Podemo-nos perder, por momentos, mas depois voltamo-nos a encontrar um pouco mais à frente”. Paulo Azevedo partilhou as primeiras experiências a tentar andar com próteses, as várias vezes que caiu, com os médicos a não deixarem a mãe levantá-lo, tinha que conseguir fazê-lo sozinho, com o auxílio de duas barras paralelas. “Com quatro anos, sentir-se mais forte depois de um falhanço é muito bom. Percebi que podia cair diversas vezes ao longo da vida porque teria forças para me erguer. A minha família deu-me armas para lutar pela minha independência e comecei a dar 76
passos sem cair. Depois, entrei para a escola primária, as pessoas verificaram que eu me sentia bem comigo próprio e também me aceitaram”, indicou, antes de descrever o primeiro torneio de futsal em que participou. “Há um lance ao primeiro poste em que eu entro de gatas, remato e marco golo. O árbitro assinalou mão e deu-me um cartão amarelo. Disse-lhe que era assim que eu jogava e teria sido muito fácil para o árbitro dizer simplesmente que eu não podia praticar futebol. Mas não, perguntou-me apenas quando é que ele podia assinalar «mão» ou não. Esse homem foi um herói da inclusão sem perceber”, enalteceu.
OS SONHOS DA REPRESENTAÇÃO E DO FUTEBOL As pequenas conquistas foram-se somando no dia-a-dia, como quando passou a ir para a escola ao volante de uma moto4, o que podia ter sido a pior decisão da vida do avô, admite, com um sorriso, porque Paulo Azevedo já usava gel no cabelo e não levava capacete para não lhe estragar o penteado. “Mas aquele veículo era um acrescento das minhas pernas, dava-me liberdade e mostrava às pessoas que nós, os diferentes, somos tão capazes como todos os outros. Na vida, todos falhamos, mas temos que tentar. Nós não vivemos nos «e se» e eu não podia desistir, porque os outros também não desistiam de mim”, sublinhou. Na escola, Paulo Azevedo entrou para o grupo de teatro e assim nasceu o bichinho da representação, embora não tivesse tido falas na primeira peça em que participou. 77
“Fiz de Menino Jesus, era mais fácil adaptar. No teatro podia ser quem eu era, podia criar e sonhar. Tinha a perfeita noção de que a televisão era impossível mas, ao longo da vida, fui constatando que o impossível, às vezes, é apenas difícil, e o que parece inatingível, afinal, depende de nós, da nossa capacidade para lutar”, afirmou, prosseguindo para o próximo capítulo da sua história, a universidade em Coimbra, fora da sua redoma de vidro, da sua zona de conforto, um local onde não conhecia ninguém e onde era natural que surgissem alguns medos. “Tinha medo de falhar, de não conseguir, mas isso não nos deve impedir de tentar. Podemos adiar os nossos sonhos, mas não desistir deles. Precisamos arriscar e era isso que eu fazia constantemente”. Entretanto, Paulo Azevedo desistiu da formação superior para tentar vingar no futebol, não como jogador, como o seu pai, mas como treinador. Tirou os dois primeiros níveis do curso, deu uma palestra nas Academias do Sporting e do Porto, foi alvo de uma grande reportagem da Sport TV e decidiu entrar em contato com José Mourinho, na época treinador do Real Madrid, para ali realizar o seu estágio. “Ele não me deixava sequer aproximar do plantel. Um dia, antes da partida com o Barcelona, fomos para o balneário, ele deu as táticas aos jogadores e, de repente, mete o vídeo do documentário que tinham feito sobre mim e pediu àqueles craques para amarem o futebol metade do que eu amava”, recorda, com um sorriso. “Passei depois por vários clubes e perguntavam-me sempre qual era a diferença entre eles e ALGARVE INFORMATIVO #137
o Real Madrid. Respondia que era o parque de estacionamento”, acrescenta. “Apenas lhes pedia que fizessem das suas pernas as minhas pernas, que corressem com o meu sonho às suas costas, que assim conseguiriam vencer os jogos”. Concretizado o sonho de estar ligado ao futebol, Paulo Azevedo rumou a Lisboa para tentar a sorte na representação e foi o primeiro da sua turma a participar numa novela, através da qual ganhou, inclusive, o Prémio de Ator Revelação. Apesar disso, esteve dois anos sem trabalhar, à espera de papéis específicos para a sua condição, algo que aceita, embora não entenda. “Posso não ter mãos e ser um professor,
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mas a diferença está no olhar de cada um, na cabeça de cada pessoa”, frisou. Mas a plena concretização, enquanto ser humano, chegou mais tarde, quando foi pai pela primeira vez. “Tinha um verdadeiro pânico de agarrar no meu filho ou filha ao colo porque, nestas próteses, se me empurrarem, eu caio. Não sabia se iria corresponder às suas expetativas. Contudo, quando a enfermeira me deu o Gustavo para o colo, acreditem, podiam-me dar o maior empurrão das vossas vidas que eu não ia cair. Foi naquele momento que percebi, finalmente, que valeu a pena ter nascido” .
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OPINIÃO
Afinal, o que é o Natal? Paulo Cunha (Professor)
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a Missa do Galo, celebrada no dia 24 de dezembro de 2016, na Basílica de S. Pedro, no Vaticano, o Papa Francisco criticou o consumismo e afirmou que "O Natal ficou refém da mundanidade", ao falar do materialismo que impera nesse período do ano. Na mesma homilia, falando para cerca de 1,2 biliões de católicos espalhados pelo mundo, pediu compaixão pelas crianças vítimas de guerras e afirmou também que: "O Natal tornouse uma festa em que os protagonistas somos nós, em vez de Jesus; em que as luzes do comércio lançaram a luz de Deus nas sombras; em que estamos preocupados com presentes, e somos frios com aqueles que são marginalizados". Segundo o líder da igreja Católica, o Natal está cada vez mais virado para o consumismo. Durante a homilia, ao contar a história de Jesus, o Papa Francisco fez um apelo pelas crianças refugiadas de guerras e pediu compaixão pelas vítimas de conflitos. Relativamente às crises migratórias e às guerras civis comentou: "Jesus nasceu rejeitado por alguns e foi considerado por muitos outros com indiferença. Permitamos também sermos desafiados pelas crianças do mundo de hoje, que não estão deitadas num berço acariciado com o afeto da mãe e do pai, mas sofrem ao esconder-se nalgum refúgio subterrâneo para escapar aos bombardeamentos nos pavimentos de uma grande cidade ou no fundo de um barco carregado de imigrantes". Natal é o nome que se dá à festa religiosa cristã que celebra o nascimento de Jesus Cristo, a figura primordial e central do Cristianismo. Vinte e cinco de dezembro foi o dia estipulado pela Igreja Católica no ano 350, através do Papa Júlio I, sendo mais tarde oficializado como feriado. Não importando o idioma, a raça, a condição económica, a idade ou a região, é uma festa que se comemora em todo o mundo. Através da cor, das luzes, da música, da
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alegria e dos presentes, propicia a quem celebra esta efeméride um clima festivo e prazenteiro. Mas para muitos (onde me incluo), atualmente, o Natal pouco mais é do que uma mera troca de presentes, árvores decoradas e luzes por todo o lado, parecendo assim que se perdeu completamente o seu real e principal significado. Numa época onde o nosso foco deveria estar voltado para a união e a celebração familiar, para a reflexão sobre a vida (a nossa e a dos outros), para a transmissão de valores de respeito, de dádiva e de partilha, deparamo-nos com a deturpação do significado do nascimento de Cristo. Em vez da frenética troca de presentes, não seria lógico trocarmos carinho e amor uns com os outros, principalmente com os que mais deles precisam? Não sendo católico praticante, sempre que se aproxima esta época, coloco-me - cada vez mais - na posição de alguém que, observando todo este fenómeno de fora, questiona qual será a razão que leva a sociedade a usar esta efeméride como escape para os restantes onze meses onde os valores cristãos são tão banalizados, abandonados e esquecidos. Será uma época de redenção, onde se expiam os pecados do ano que passou? Terá esta quadra ficado, inevitavelmente, refém das estratégias comerciais de empresas que nomearam a figura do «Pai Natal» como seu representante? Quando era criança perguntava aos meus pais porque é que as pessoas ficavam mais «boazinhas» no Natal. Hoje, de outra forma, os meus filhos continuam a fazer-me a mesma pergunta... Tentando não responder pelos atos dos outros, simplesmente lhes digo que o Natal acontece quando partilhamos o melhor que há em nós. Infelizmente, somos figuras de um presépio sem Natal, onde apenas as figuras contam. Festejar o Natal é mais do que celebrar a história, é dar à história um propósito! .
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OPINIÃO
O Céu de John Constable Adília César (Escritora) “Nuvens Seguidas por outras, dissolvem o sol ao passar Por dentro e por fora dele. Massas escuras O mancham de novo, suaves feixes-de-luz dispersos”. (Meditação sobre John Constable, de Charles Tomlimson)
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oje vou pintar as nuvens por cima deste mar” – diz Constable. Elas mudam a cada instante e, por isso, pinto o mais rápido que me é possível. O sol, ténue e fragmentado. Raios de luz mansa. Mas tudo muda, tudo muda. O que aí vem é uma perturbação da natureza. O céu, o sol, a chuva, o vento, a luz, o frio, as nuvens. Tudo muda. O vento gélido transforma as tintas numa pasta grossa agarrada aos pincéis. É difícil a minha missão. A narrativa da natureza coincide com a minha expressão sincera de respeito pela paisagem: nuvens que dançam, cinzentos abstractos, o branco que parece afogar-se neste céu tão pesado. Oh tempestade. Já não sinto o frio. O milagre da criação transforma-me num outro eu. Todo o meu corpo é uma intenção estética, uma obsessão jubilosa pela obra, a que me entra pelos olhos e a que represento na tela. Vejo e pinto. Vejo e pinto. Vejo e pinto. Sei que me é permitido este jogo de repetição. As nuvens que vejo hoje já não são as mesmas que vi ontem ou que verei amanhã. Mas em cada dia há um quadro que nasce, uma nova visão da evanescência de outras visões. A chuva que se derrama sobre mim colabora na extensão do meu corpo que realiza a pintura. A mão fria é um ornamento da presença artística da paisagem cruel e intensa. Todos os dedos estão cinzentos e organizam-se em torno da janela de um tempo presente, esse rectângulo roubado à natureza do inverno, essa tela repetida até às profundezas do eterno. A tempestade abate-se sobre a invisibilidade do ar. Respiro avidamente e bebo os tons do vendaval. Mas estou sempre sôfrego e tenho sempre sede de mais. Sempre. Sei que amanhã estarei aqui outra vez, neste mesmo lugar, a olhar e a pintar outras
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nuvens. E guardarei essas impressões no branco da tela que ainda não se afogou, para que o meu coração descanse numa visão impressionista do espírito perturbado da tempestade. A chuva é o sangue do céu que jorra de todos aqueles corações nublados, cinzentos, brancos, tão longe do meu peito que os quer guardar a todos. Todos os corações, todas as nuvens são a minha força e a minha fraqueza, a minha vontade e a minha consumação. Nas mãos molhadas guardo a obra do dia que se faz noite, no pensamento redimo a esperança na noite que se fará dia. Oh nuvens. Que leveza demonstram no seu bailado tenebroso. Como pintar o último traço se a dança é infinita? Como desistir daquilo que me assombra e fascina? Que súbito, que cor, que tom? Como abandonar este meu lugar-corpo, imprescindível e fatal? Por onde irei se só posso estar aqui? Nuvens seguidas por outras, dissolvem o sol ao passar por dentro e por fora dele. Massas escuras o mancham de novo, suaves feixes-de-luz dispersos. Sei que morri hoje e sei que a paisagem é a obra e o artista no encalce da perfeição impressionista, romântica e eterna. Oh vida. Nota biográfica John Constable (Suffolk, 11 de Junho de 1776 – Londres, 31 de Março de 1837). É um pintor difícil de catalogar. Os seus quadros obedecem a uma técnica impressionista na execução e no tratamento da cor, mas os motivos podem considerar-se românticos. Foi pioneiro na percepção e estudo da mudança dos efeitos da luz e das condições atmosféricas na arte. O seu tema principal foi a própria natureza, explorando incansavelmente novos caminhos para representar a transformação, principalmente as mudanças de luminosidade do céu e os seus efeitos sobre todo o meio ambiente. Constable foi um grande inspirador para os pintores do Romantismo e pintores de paisagem em geral . 82
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Tendências do Marketing Digital em 2018 Fábio Jesuíno (Empresário)
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aber as principais tendências do Marketing Digital é cada vez mais importante na gestão das empresas, sendo um grande fator diferenciador e de competitividade. Atualmente, qualquer organização necessita de uma estratégia de Marketing Digital, algo que se tem tornado quase obrigatório devido ao crescente uso de ferramentas digitais na nossa sociedade. Dessa forma, decidi escolher e analisar as principais tendências de marketing digital para o próximo ano: Conteúdos – Considero a maior tendência para 2018. Os conteúdos são uma das principais formas para as marcas construírem progressivamente um relacionamento de confiança com o seu públicoalvo e, dessa forma, conquistarem a sua preferência. É sempre importante a implementação de uma estratégia focada no mercado alvo, porque nem todos os conteúdos que se criam são relevantes para a obtenção de bons resultados em termos de posicionamento nos motores de busca e também na credibilidade da empresa. Dados recolhidos pela «Smart Insights» junto de 850 profissionais de marketing apontam também no mesmo caminho. Vídeo – É a tendência que apresenta um maior crescimento de popularidade, consumindo a maioria do tráfego da internet. Os vídeos permitem apresentar um serviço ou produto de uma forma que seja mais facilmente compreendida pelo público. O YouTube tem contribuído muito para tornar os vídeos populares, facilitando a qualquer pessoa produzir ou transmitir em direto sem precisar de ALGARVE INFORMATIVO #137
nenhum equipamento profissional e incentivando a sua qualidade através da partilha dos valores da publicidade. Inteligência Artificial – Uma das principais tendências nos próximos anos funciona com base em algoritmos, que permitem às máquinas aprenderem sem serem explicitamente programadas para esse fim. A inteligência artificial é, hoje em dia, utilizada nas mais diversas formas, como no «Predective Customer Intelligence», que personaliza a experiência do cliente com base no seu comportamento de compra, atividade na internet ou redes sociais. Influenciadores digitais - É a tendência mais abrangente nas mais diversas áreas para o próximo ano, com impacto em grande escala na sociedade. Os influenciadores digitais são pessoas, personagens ou grupos que ganham grande popularidade nas redes sociais. Estes influenciadores criam uma grande variedade de conteúdos que acabam gerando um elevado número de fãs que seguem as suas atividades com grande interesse e eventualmente partilham com outras pessoas. Estas são as tendências que vão fazer a diferença no próximo ano e componentes fundamentais nas estratégias de marketing digital. Tenho a convicção que vão permitir uma taxa de conversão muito animadora .
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D21 - O dia da incerteza na Catalunha Nelson Dias (Consultor)
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epois de um referendo ilegal, da declaração unilateral de independência do Parlamento da Catalunha e da aprovação do Senado da aplicação do artigo 155 da Constituição espanhola, nunca antes utilizado, o grande vencedor do dia eleitoral de ontem foi a democracia, numa afluência às urnas de 82 por cento, que decorreu com elevado sentido cívico e de forma muito tranquila. Estas foram, sem margem para dúvidas, as eleições mais surpreendentes da Espanha democrática, com a comunidade autónoma intervencionada a partir de Madrid, um candidato detido e outro em Bruxelas, tendo como pano de fundo, não apenas a eleição de um novo governo, mas também a validação indireta dos propósitos unionistas ou independentistas. Venceu o partido de Inés Arrimadas, o Cidadãos, elegendo 36 deputados, mas sem as condições necessárias para conseguir formar governo. O discurso pacificador, em defesa da Constituição espanhola e dos princípios europeus, mas simultaneamente crítico à forma hostil como o Partido Popular tratou o assunto, permitiu reunir consensos nos dois blocos políticos mais relevantes. Pelo contexto e pelo que está em causa nesta eleição, os grandes vencedores são os partidos independentistas e republicanos, que por opção concorreram separados, mantendo a maioria parlamentar, com 70 deputados. As próximas semanas serão decisivas para saber se este bloco se consegue constituir. Os quatro eleitos pelo partido de extrema-esquerda, mais radical, a CUP, são necessários para consolidar a superioridade numérica dos separatistas. Esta é uma matéria decisiva na medida em que a relação com «Juntos pela Catalunha» e a ERC não é a mais fácil. É ainda necessário esperar por uma clarificação quanto aos 16 eleitos destes partidos que se encontram detidos, exilados ou sob investigação criminal.
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O principal derrotado da noite é o Partido Popular, com apenas três deputados, o pior resultado de sempre na região. O eleitorado decidiu, assim, penalizar a forma como Madrid, e em particular o primeiro-ministro Mariano Rajoy, geriu este conflito. A decisão de destituir o Governo da Catalunha, com base na Constituição do país, como forma de impedir a progressão dos argumentos e das ações separatistas, foi claramente contrariada nas urnas, no dia de ontem, com a maioria dos votos a ficarem concentrados nos partidos pró independência. Depois de vários meses de intenso debate e confronto político e judicial, a Catalunha saiu destas eleições na mesma posição em que entrou, num impasse, com um futuro incerto e um conflito com Madrid por resolver. A complexidade dos resultados não permite vislumbrar no imediato quem governará a região. A participação histórica da sociedade catalã, fortemente fraturada, cansada e consciente do momento histórico que atravessa, não foi suficiente para definir um caminho clarificador. A Catalunha continuará sob as imposições do artigo 155 da Constituição até que consiga constituir governo. É bom relembrar que a Espanha esteve cerca de 10 meses sem Executivo, depois das últimas eleições que reelegeram Rajoy como primeiro-ministro. O impasse gerado é totalmente indesejado para uma região de prestígio como a Catalunha, para a sua economia, para o sector financeiro e para as pessoas. A independência declarada de forma unilateral voltará a falhar se tal for o caminho dos separatistas. O Estado espanhol, na atual conjuntura de forças, impedirá qualquer ímpeto desse tipo. Isto significa que este é o momento do diálogo e da política, pelo que veremos qual será a capacidade dos diferentes intervenientes regionais e nacionais de encontrarem o consenso possível .
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Gastronomia, a Bela Adormecida, um assunto político por resolver Augusto Lima (Cozinheiro, Formador e Consultor)
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uando falamos em Gastronomia, falamos obrigatoriamente em Cozinha (técnicas), em alimentos (produtos regionais e autóctones), em cultura (festividades, religião, folclore, usos e costumes, língua, etc.), em valores patrimoniais (dança, canto, trajes, artesanato, etc.), em território (vinho, alimentos, história, etc.) e em tradição, que engloba tudo isto e permite que o engenho humano envolva tudo isto na Gastronomia. Podemos afirmar que a Gastronomia reflete a identidade de um povo que, segundo a constituição, deve obrigatoriamente ser defendida e valorizada através dos seus órgãos de soberania, principalmente pelo seu Presidente e pelo seu Governo. Temos um défice claro de defesa do nosso património e da nossa cultura, por repetidos atentados à sua integridade, quer por inépcia governamental e jurídica, quer pela aceitação estúpida de decisões impostas pela CEE e União Europeia. Temos um Dia Nacional da Gastronomia desde 2015, mas pouco ou nada se tem feito, de facto, para a valorizar. Temos, através de uma lei de 2000 (Resolução do Conselho de Ministros n.º 96/2000, de 26 de julho) um reconhecimento da Gastronomia Portuguesa como sendo um bem imaterial integrante do património cultural de Portugal, mas poucos sabem e quase nada se fala sobre isto. Foi eleita uma Comissão Nacional de Gastronomia, criada com o intuito da preservação, valorização e divulgação da Gastronomia Nacional enquanto valor integrante do Património Cultural Português que, arrisco dizer, nada ter feito. E temos ainda uma definição de Gastronomia Nacional, quanto a mim incompleta, saída da lei 96/2000, de 26 de julho, que a remete para o receituário tradicional Português, assente designadamente em matérias-primas da fauna e da
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flora utilizadas a nível nacional, regional ou local, bem como os produtos agroalimentares produzidos em Portugal que, pelas suas características próprias, revelem interesse do ponto de vista histórico, etnográfico, social ou técnico, evidenciando valores de memória, antiguidade, autenticidade, singularidade ou exemplaridade. E como se vê, temos muita coisa e pouca coisa de tudo isto, porque sempre faltou, por parte dos respetivos governos, a vontade de fazer algo real, único, genuíno, com peso para deixar marca e legado. Depois de alguns prémios importantes a nível Europeu e Mundial, e do reconhecimento do valor da nossa gastronomia, senão única, exemplarmente diferente, temos de fazer muito mais para que a nossa gastronomia seja mais conhecida, reconhecida, valorizada e admirada. Precisamos de vontade política, de decisões, de dinheiro, de formação, de perspicácia na escolha dos formadores e do processo formativo, da requalificação dos manuais e referenciais de formação, e da obrigatoriedade do cumprimento de regras, de valores e de leis, suas aprovações e adaptações à realidade nacional. É uma realidade, hoje, a existência de um Turismo voltado para os prazeres da boa mesa, do Turismo Gastronómico, que é aliado e sócio do Turismo Rural e do Enoturismo. Existem palácios de beleza ímpar, locais aprazíveis, solos de características excecionais, produtos únicos e uma gastronomia fabulosa, de cores e aromas históricos e tudo isto embrulhado num clima ameno, senão único, exemplarmente diferente. E se não queremos ser ultrapassados, neste momento, por um dos países da América Latina, na possibilidade de nos tornarmos na próxima Capital da Gula, de forma exemplar, pela nossa Gastronomia e por aquilo que a define, então só nos resta acordar a Bela Adormecida .
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Qualidade e Quantidade para 2018 no Algarve Vico Ughetto (Wine Educator)
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stamos a aproximar-nos do final do ano e daquela altura em que fazemos os habituais balanços anuais. Opto mais por deixar perspetivas para 2018, no caso, focadas nos Vinhos do Algarve, pois são da minha (nossa) região e o seu sucesso reflete-se também no sucesso de todos os algarvios, naturais ou não daqui. Para já, a boa notícia é que o Algarve ultrapassou as expetativas iniciais de crescimento de 20 por cento, após as primeiras vindimas, e tem agora confirmado o aumento de produção em cerca de 50 por cento face ao ano anterior, o que irá garantir que iremos ouvir falar ainda mais do vinho algarvio para 2018. Ainda por cima consegue fazer o pleno – difícil no mundo dos vinhos – de aliar quantidade e qualidade. Apesar de tudo, os desafios não param por aqui. Crescer só por si não significa nada se não tivermos o vinho mais próximo de nós, quer no retalho, quer na restauração. Sobre o retalho, creio que no especializado – as garrafeiras – o vinho algarvio vai-se encontrando aqui e ali, faltando existir uma maior preponderância e distribuição alargada da região. Dirão que o Algarve vende pouco face a outras regiões? Sim, mas eu falo de garrafeiras que estão no Algarve e não de outras noutros pontos do país. Creio ser lógico e legítimo aspirar a encontrar todos (ou quase) os principais produtores e respetivas referências de vinhos algarvios, numa loja especializada de vinhos no Algarve. Creio que seria um fator de distinção e uma vantagem competitiva. Quanto à restauração, é uma batalha complicada e vai demorar a vencê-la. Não consigo perceber os interesses que levam um restaurante a não ter vinho do Algarve ou a ter apenas uma ou ALGARVE INFORMATIVO #137
duas referências, normalmente um pouco elitistas. A questão do preço não é justificação para mim. Quem paga o vinho sou eu – consumidor – e não o hoteleiro. Portanto, se é caro ou barato, é uma decisão minha. Claro que isso é importante se estivermos a falar do vinho da casa ou de um vinho incluído num menu. Aí sim o preço de compra interessa. Políticas de preços há muitas, mas vejamos só dois exemplos: Se o preço na carta for o dobro, e os vinhos do Algarve forem realmente mais caros, quer dizer que o proprietário ganha mais com a venda; se, por outro lado, seguirem a estratégia do restaurante Veneza, que coloca 10 euros sob os preços de loja, quando consumido à mesa, os vinhos do Algarve terão o seu preço equilibrado com o mercado e com a restante oferta nacional. Este é um tema que começa a ser levantado de forma recorrente em diversos eventos vínicos no Algarve e será de prever uma mudança positiva, embora lenta, creio, no aumento da presença de vinhos na restauração. Um desses últimos eventos onde essa questão esteve na ordem do dia foram as II Jornadas de Enoturismo realizadas em Lagoa, a 7 e 8 deste mês. Numa das visitas efetuada ao Monte de Salicos, o comercial desta marca - José Santos, colocou o dedo na ferida ao dizer que “sente que a restauração não acarinha os vinhos do Algarve como devia e que grande parte deles nem um vinho tem na carta”. Proponho assim um exercício para os leitores. Em 2018, na restauração, vamos pedir vinhos do Algarve e divulgar os restaurantes e vinhos encontrados nas redes sociais. Mesmo que não se consuma o vinho, pergunta-se se há e quais são e tira-se uma fotografia partilhada nas redes sociais com a hashtag #VinhosdoAlgarveNaCarta, no
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sentido de dar visibilidade a essa presença e promover quem promove o Algarve. Em jeito de conclusão, sugiro alguns dos vinhos dos produtores que fizeram parte do primeiro dia das visitas técnicas das II Jornadas de Enoturismo em Lagoa. Um deles é o MDS, que apresenta a oferta completa de branco, rosé e tinto, este último com duas referências – um blend de várias castas e outro só com Syrah e Touriga Nacional. Tanto o branco como o rosé estão elegantes e muito gastronómicos. Nos tintos, o blend de entrada está bem conseguido, com uma boa presença inicial de boca e a cativar desde logo. O reserva à primeira prova não convence tanto, porém, é insistir na degustação e ele vai revelando a sua Os vinhos MDS encontram-se com relativa facilidade, complexidade e caráter, tornando-se pelo menos nos principais supermercados. Se os virem nos muito guloso ao longo da prova e restaurantes, usem a #VinhosdoAlgarveNaCarta nas vossas claramente mostrando que o seu lugar é fotografias. à mesa. Este produtor tem um projeto interessante para 2018 com base numa parcela de Pinot Grigio da qual está a pensar vinificar um monocasta, o que seria o primeiro no Algarve deste famoso vinho branco, conhecido pela sua habilidade em combinar com comida italiana, sobretudo pizzas e pastas. Ainda no campo das exclusividades, a marca «Convento do Paraíso», produzida na Quinta Mata-Mouros, em Silves, e que foi a outra quinta visitada no âmbito do primeiro dia das referidas Jornadas, tem nas suas referências o primeiro monocasta Sousão algarvio. Esta casta, também conhecida por Vinhão em terras Graças à parceria do proprietário com a família Soares, os vinhos «Convento do Paraíso» são vistos com facilidade na cadeia de minhotas, na qual é a casta tinta mais plantada, começa a ter alguns adeptos da garrafeiras Soares. Na restauração… não tanto, por isso já sabem #VinhosdoAlgarveNaCarta quando assim for. sua vinificação e apresentação a solo, elegante, fresco e macio q.b. Combina bem com sendo uma das castas de lote mais comuns nos gastronomias mais gordas e fortes pois é um vinho vinhos do Porto pela sua capacidade de dar cor com muita personalidade. profunda e opaca aos vinhos em que é inserida. Sugestões, portanto, não faltam para o Natal e Não é de todo uma casta fácil, nem de cultivar fim-de-ano. E não esquecer de usar a hashtag (pelo menos nesta Quinta) nem de provar, pois os #VinhosdoAlgarveNaCarta para ajudar a promover seus vinhos tendem a apresentar-se acídulos e a presença de vinhos do Algarve na carta dos com uma adstringência notória. Aqui o Sousão restaurantes locais e não só . apresenta uma típica cor profunda, mas está 91
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ALBUFEIRA ASSINALOU DIA INTERNACIONAL DO VOLUNTARIADO
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Dia Internacional do Voluntariado é celebrado todos os anos a 5 de dezembro, depois de ter sido proclamado, em 1985, pelas Nações Unidas com o objetivo de incentivar e valorizar o serviço voluntário em todo o mundo, constituindo uma excelente oportunidade para que as organizações de voluntariado possam dar visibilidade aos seus projetos a nível local, nacional e internacional. Para assinalar a data, a Câmara Municipal de Albufeira promoveu um jantar que reuniu perto de três dezenas de voluntários, a responsável pelas questões ligadas à Cidadania e Voluntariado, vereadora Ana Pífaro, e duas técnicas do Banco Local de Voluntariado.
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Durante o encontro, que serviu também para os voluntários se conhecerem melhor e falarem sobre as suas experiências e as dificuldades sentidas nos projetos em que estiveram envolvidos, a vereadora Ana Pífaro agradeceu a todos os que de forma abnegada dedicam parte do seu tempo a ajudar o próximo, “sem pedir nada em troca, exercendo uma cidadania ativa na comunidade onde se encontram inseridos”. “É através da solidariedade que conseguimos fazer a diferença num mundo que queremos cada vez mais justo e com menos assimetrias sociais. Muito obrigada por fazerem parte do Banco Local de Voluntariado, projeto que sem o vosso valioso contributo, tenho a certeza, não conseguiríamos pôr em funcionamento, e 94
que abrange áreas tão diversas como a terceira idade, saúde, educação, tempos livres, cultura, turismo, entre outros igualmente importantes”, sublinhou. O Banco Local de Voluntariado é constituído por 200 voluntários que, sempre que necessário, colaboram com a Autarquia e as diversas entidades parceiras em projetos que vão surgindo ao longo do tempo. Este ano foram integrados em projetos de longa duração (um a seis meses) 22 voluntários, que ajudaram a levar a bom porto iniciativas da responsabilidade da Câmara Municipal, Fundação António Silva Leal, Santa Casa da Misericórdia de Albufeira e AHSA – Associação Humanitária Solidariedade de Albufeira. Pontualmente verifica-se a necessidade de recorrer ao voluntariado para dar resposta a campanhas de curta duração (um a dois dias). Em 2017, 21 voluntários colaboraram em várias ações pontuais, nomeadamente com a Autarquia, Liga Portuguesa Contra o Cancro, Europa Colon e Banco Alimentar. Este ano, há ainda a destacar a realização do 1.º Encontro de Voluntariado de Albufeira, no dia 26 de maio, iniciativa organizada pelo Município de Albufeira em parceria com o Centro Paroquial de Paderne. O evento, que teve por objetivo discutir a importância do voluntariado na sociedade atual e 95
promover a apresentação de casos de sucesso nas áreas públicas e privadas, contou com a presença do presidente da Confederação Portuguesa de Voluntariado, Eugénio Fonseca. Em Albufeira existem inúmeras entidades disponíveis para acolher pessoas interessadas em prestar serviço de voluntariado. Para facilitar o processo, a Câmara Municipal criou o projeto «Albufeira Voluntária» que pretende ser um local de encontro entre as instituições do concelho que necessitem de acolher voluntários e os interessados em prestar serviços de voluntariado. O Município assume-se como o elo de ligação entre os voluntários e as entidades, competindo-lhe receber as inscrições (dos voluntários e das entidades), identificar as motivações, expectativas, interesses e aspirações, garantir a formação na área do voluntariado e proceder ao pagamento do Seguro Social Voluntário, sempre que o voluntário não se encontre abrangido por um regime obrigatório da Segurança Social .
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ATUALIDADE
ODELEITE TRANSFORMOU-SE NUM PRESÉPIO VIVO
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aldeia de Odeleite deu lugar, nos dias 16 e 17 de dezembro, a uma fiel e bela recriação do Nascimento de Jesus, com mais de 50 figurantes trajados à época, artesãos e produtores do concelho, a fazerem um Presépio Vivo que atraiu centenas de visitantes. Um mercadinho de Natal vendeu os afamados e deliciosos produtos locais, como o mel, os frutos secos e a doçaria tradicional desta época festiva, contando com as demonstrações de artes e ofícios dos artesãos. Canções e cânticos de Natal entoaram na aldeia, a preparar o Natal que se aproxima. Por lá passaram as melodias trazidas pelo Grupo do Centro
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Infantil de Odeleite, o Cancioneiro do Grupo Folclórico de Faro e o Grupo de Cantares das Janeiras de Odeleite. Miúdos e graúdos puderam experimentar, na Casa de Odeleite, o atelier do pão, da filhó e da empanadilha, numa promoção da tradicional ementa natalícia. Os mais pequenos puderam ainda divertir-se com os passeios de burro e a «Aldeia Fantasia», com pinturas faciais e jogos tradicionais. A Aldeia Presépio foi uma organização da Associação Social da Freguesia de Odeleite, em colaboração com os artesãos e produtores do concelho e o apoio da Junta de Freguesia de Odeleite e da Câmara Municipal de Castro Marim .
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MUNICÍPIO DE FARO DISTRIBUI MAIS DE 35 MIL EUROS EM BOLSAS DE ESTUDO
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Câmara Municipal de Faro vai atribuir 16 bolsas de estudo para o ano letivo 2017/2018, nos termos do Regulamento das Bolsas de Estudo do Município de Faro. Com o valor mensal de 223 euros, serão entregues até julho de 2018 e resultam do processo de candidatura que encerrou no dia 30 de novembro do corrente ano. Nesse processo foram entregues 20 candidaturas, sendo que quatro não reuniam as condições necessárias para serem aprovadas, nomeadamente o imprescindível aproveitamento escolar, que não pode ser inferior à média de 13 97
valores no ano imediatamente anterior ao da candidatura. Assim, de acordo com os critérios de avaliação que têm por base o menor rendimento per-capita do agregado familiar, maior número de irmãos estudantes e melhor aproveitamento escolar, foram contemplados com este apoio 16 estudantes. Com a entrega destas 16 bolsas de estudo, o Município de Faro assumirá um encargo de 35 mil e 680 euros no suporte aos estudantes mais carenciados do concelho, dotando-os de um apoio económico fundamental para a continuação do seu sucesso escolar . ALGARVE INFORMATIVO #137
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COMISSÃO MUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DE LOULÉ FEZ BALANÇO DE 2017
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ealizou-se, no dia 4 de dezembro, nas instalações da Proteção Civil Municipal de Loulé, uma reunião da Comissão Municipal de Defesa da Floresta Contra Incêndios de Loulé tendo como principal assunto o balanço da época dos incêndios florestais no concelho no corrente ano. A reunião foi presidida pelo autarca de Loulé, Vítor Aleixo, e contou com várias apresentações pelos diversos agentes e serviços envolvidos, desde a fase de sensibilização, prevenção, vigilância e combate, sobre o dispositivo municipal, as atividades desenvolvidas e resultados.
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Na Comissão, além dos conselheiros e entidades que integram este órgão, foram também convidados a participar os presidentes das Juntas de Freguesia do Município. As apresentações estiveram a cargo da Divisão de Proteção Civil e Vigilância, da Associação de Produtores Florestais da Serra do Caldeirão, dos Bombeiros de Loulé e da Guarda Nacional Republicana, tendo sido o balanço deste ano considerado bastante positivo de acordo com os resultados obtidos e ações desenvolvidas, apesar do ano trágico para Portugal, onde se lamenta a perda de vidas humanas e hectares ardidos no centro e norte do País. Para os responsáveis 98
municipais, perante este cenário, revelase cada vez mais a importância de execução de faixas de gestão de combustível em volta dos aglomerados populacionais, habitações isoladas e todo o processo de informação publica e sensibilização no que concerne aos procedimentos de autoproteção das populações vulneráveis a este risco. Foi também referido neste plenário a importância das reuniões operacionais que, este ano, se realizaram, pela primeira vez, durante o período crítico dos incêndios florestais com as entidades operacionais de forma a monitorizar com carácter permanente toda as questões relacionadas com a defesa da floresta contra incêndios no Município. Desde o início da época de incêndios do presente ano, foram revistos diversos diplomas legislativos, alterando transversalmente todas as áreas referentes a defesa da floresta contra incêndio, inclusive as atribuições das Comissões Municipais de Defesa da Floresta Contra Incêndios. O novo pacote
legislativo recai também com grande importância na fiscalização e obrigatoriedade de executar as referidas faixas e, neste âmbito, na Reunião da Comissão foi ainda proposto a constituição de um grupo de trabalho, que reunirá com o objetivo de aplicação da Lei. Irá integrar diversos parceiros, técnicos com diferentes valências da Câmara Municipal, dos Bombeiros, GNR, ICNF e Juntas de Freguesia, e irá identificar locais prioritários de limpeza e estabelecer estratégias para o impedimento de propagação de grandes Incêndios, com vista a preparar a próxima temporada de incêndios florestais. Em 2018, a Câmara Municipal de Loulé tem como objetivo implementar mais um conjunto de medidas preventivas e operacionais, entre as quais a constituição de uma equipa operacional de proteção civil, para vigilância florestal, primeira intervenção e trabalho de silvicultura preventiva, realizar faixas de gestão de combustível, protocolar com o exército português a intervenção com maquinaria pesada, entre outras .
SÃO BRÁS DE ALPORTEL APOSTA NA FORMAÇÃO PARA EMPREGO
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Gabinete de Inserção Profissional de São Brás de Alportel, que resulta de uma parceria entre o Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) e a Câmara Municipal de São Brás de Alportel, deu início a mais um curso de formação, com vista ao fomento do emprego. A formação para Técnico de Vendas, dirigida a desempregados, arrancou a 11 de dezembro e decorrerá até março de 2019, no Centro de Artes e Ofícios, espaço do 99
município de São Brás de Alportel. “Esta é uma oportunidade muito importante nas vossas vidas. Acreditem em vocês próprios, como nós acreditamos. Estamos a fazer este curso porque acreditamos em vocês”, afirmou a Vereadora Marlene Guerreiro aos 14 formandos presentes na sessão de acolhimento, que contou com a presença da diretora do Centro de Emprego, Fátima Cortes, do Diretor Adjunto, António Palma, e do presidente da Junta de Freguesia de São Brás de Alportel, João Rosa . ALGARVE INFORMATIVO #137
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70 FAMÍLIAS DE VILA DO BISPO RECEBEM CABAZES DE NATAL
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ão 70 os Cabazes de Natal que a Câmara Municipal de Vila do Bispo, através dos serviços de Ação Social, vai entregar nesta quadra natalícia a famílias carenciadas e em situação de maior vulnerabilidade ao nível social e económico do concelho. Os cabazes são compostos de acordo com a composição e características de cada agregado familiar e contemplam géneros alimentares como bacalhau, azeite, farinha, açúcar, leite, enlatados, arroz, massa, entre outros alimentos. Os destinatários destes cabazes são famílias identificadas pelos serviços de Ação Social e Saúde da Câmara Municipal,
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em articulação com o Serviço Local da Segurança Social, Santa Casa da Misericórdia de Vila do Bispo através do Banco Alimentar Contra a Fome, e Cantina Social e Centro Cultural e Social da Figueira, através do Programa Comunitário de Ajuda Alimentar a Carenciados. Diversas entidades ligadas ao comércio, turismo, desporto e cultura do concelho colaboraram nesta iniciativa, nomeadamente o Intermarché (Budens e Sagres), os Supermercados SPAR (Vila do Bispo e Raposeira), o Martinhal Beach Resort & Hotel, o Memmo Baleeira, a Pousada do Infante Sagres e o evento Zumba Solidário .
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COMPLEXO DESPORTIVO DE VILA REAL DE SANTO ANTÓNIO RENOVA PISTA DE ATLETISMO
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Complexo Desportivo de Vila Real de Santo António acaba de renovar a sua pista de atletismo, proporcionando ainda melhores condições a todos os atletas de alta competição que diariamente elegem este equipamento para os seus treinos e estágios. O investimento esteve a cargo da empresa municipal VRSA – Sociedade de Gestão Urbana (SGU) e ascende aos 100 mil euros. A intervenção incidiu maioritariamente no pavimento dos corredores 1 e 2, que foram alvo de um retopping. A requalificação foi igualmente projetada tendo em consideração a aproximação da temporada principal dos estágios 101
desportivos, época em que o Complexo Municipal recebe dezenas equipas nacionais e europeias, assim como diversos torneios de futebol masculino e feminino. Recorde-se que o Complexo Desportivo de Vila Real de Santo António foi integrado, em 2015, pela Fundação do Desporto, na rede nacional de Centros de Alto Rendimento Desportivo (CAR), estando vocacionado para as modalidades de atletismo, judo, futebol, triatlo e natação. Atualmente, é um dos mais credenciados equipamentos a nível nacional e europeu, recebendo anualmente perto de sete mil estágios desportivos. Integra ainda, nas suas estruturas de topo, um centro médico .
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