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ALGARVE INFORMATIVO #136

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ALGARVE INFORMATIVO #136

16 de dezembro, 2017

MOONSPELL arrasaram em Loulé 1

PRESÉPIOS ENCANTAM NATAL ALGARVIO MAFALDA RIBEIRO EMOCIONOU ALBUFEIRA ALGARVE INFORMATIVO #136 DANÇAS DE SALÃO ENCHERAM TEATRO DAS FIGURAS


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CONTEÚDOS

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16 DE DEZEMBRO, 2017

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ARTIGOS 12 - II Jornadas de Enoturismo de Lagoa 18 - Danças de Salão 28 - Fadistas louletanos 36 - Presépios do Algarve 52 - Moonspell 62 - Mafalda Ribeiro 84- Atualidade

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OPINIÃO 72- Paulo Cunha 74 - José Graça 76 - Mirian Tavares 78 - Adília César 80 - Nuno Silva 62

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REPORTAGEM

Vários produtores algarvios marcaram presença nas Jornadas: Quinta dos Vales, Marchalégua, Borges da Silva, MDS, Quinta da Tôr e Monte do Lobo, um projeto que irá arrancar para o ano apenas com vinhos brancos de castas típicas da região

CAPITALIZAR OS VINHOS DO ALGARVE Texto:

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Fotografia:

agoa afirma-se como «Capital dos Vinhos do Algarve» e, apesar de o título ser discutível, o certo é que, durante dois dias, foi sem dúvida a cidade de Lagoa que capitalizou a atenção sobre os vinhos algarvios. O motivo deveu-se à realização das II Jornadas de Enoturismo, durante os dias 7 e 8 de dezembro, organizadas em conjunto ALGARVE INFORMATIVO #136

pelo Município de Lagoa, a Associação dos Municípios Portugueses do Vinho (AMPV), a Associação das Rotas dos Vinhos de Portugal (ARVP), e com o apoio do Turismo do Algarve e da Associação Internacional para o Desenvolvimento e Promoção do Enoturismo a nível mundial (AENOTUR).

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A organização do programa foi interessante porque não se ficou pela sala e pelas conferências. Soube puxar para si aquilo que o vinho tem de bom, que é colocar pessoas a conversar, confraternizar e também a discutir o setor, os desafios, novidades e expetativas. E isso faz-se sobretudo junto dos produtores, das adegas e, claro, da vinha, pois é dela que tudo começa. A primeira parte teve o habitual painel de oradores institucionais, destacando-se depois a apresentação de Manuel Serra, coordenador na Escola de Hotelaria e Turismo do Algarve, versando sobre o setor e os estudos que tem realizado ao longo da

sua carreira educativa, sendo de referir o site por si idealizado e desenvolvido – enogastronomia.pt – no qual se pode encontrar a relação enogastronómica dos pratos típicos algarvios com os vinhos da região. Paralelamente a este jogo de maridagem entre vinho e gastronomia, é relevante toda a informação sobre os vinhos do Algarve que constam no site, desde a fotografia à ficha técnica da maioria dos vinhos algarvios. Andreia Ferreira foi a outra oradora da manhã, fundadora da recém-criada empresa «Algarve Views», dedicada ao setor do enoturismo e que está a estruturar uma oferta de serviços focada

As Jornadas encerraram as visitas com uma passagem pela Quinta Mata-Mouros, em Silves, propriedade da família Pereira Coutinho e com a exploração técnica da família Soares, aqui representada por Rita Soares (à esquerda), ao lado da Enóloga Leonor Frazão 13

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nas experiências com Vinhos do Algarve. Esta foi uma das apresentações que ligou exatamente com o tema principal das Jornadas – o Enoturismo. Aliás, este tema é extremamente atual e pertinente pois, no Fórum de Vinhos Nacional, que decorreu na Curia, no dia 29 de novembro, o tema em destaque foi exatamente o Enoturismo e a oportunidade que ele representa para

Vinhos de Portugal, que nasceu exatamente da observação da inexistência de um levantamento e estratégia conjunta de promoção de todas as rotas de vinhos existentes em Portugal. Esta associação tem três anos e, para além deste trabalho de fundo, está a promover para 2018, com a RTP e a marca «7 Maravilhas», uma série

Pedro Cabrita é o produtor dos vinhos MDS e foi o anfitrião da primeira visita das Jornadas à sua propriedade

o setor vinícola e o mercado turístico nacional. Ora, no Algarve, esta oportunidade faz ainda mais sentido, pois já somos uma região turística e estamos em vantagem para capitalizar esta tendência mundial para o enoturismo. Por isso mesmo um dos convidados foi José Arruda, da Associação das Rotas dos ALGARVE INFORMATIVO #136

intitulada «7 Maravilhas da Mesa», na qual será apresentada a oferta por região da sua gastronomia, vinhos e turismo, votando depois a melhor mesa de cada uma das regiões. Haverá depois sete semifinais, sendo uma delas realizada no Algarve (as candidatas são Tavira, Albufeira e, claro, Lagoa) a fim de apurar o finalista vencedor. 14


Manuel Serra e Andreia Ferreira (direita na foto) foram os oradores convidados para a abertura das Jornadas, acompanhados por José Águas da Cruz (Assembleia Municipal de Lagoa) e José Arruda (Associação das Rotas dos Vinhos de Portugal)

Depois das visitas técnicas ao Monte de Salicos (vinho com marca MDS) e Quinta de Mata-Mouros (vinho com marca Convento do Paraíso), José Águas da Cruz – presidente da Mesa da Assembleia Geral da Câmara de Lagoa, faz um balanço muito positivo do evento e reconheceu que houve um salto qualitativo muito significativo face à edição do ano anterior, visível pelo aumento do número de participantes. Por outro lado, destaca que “o tema Enoturismo é muito grato para o Município, pois é uma forma excelente de casar toda a cultura e tradição vitivinícola de Lagoa com a componente turística do Concelho, desde o Golfe, a Natureza ou como destino tradicional de Sol e Praia”. 15

“Pretendemos promover desta forma todos os agentes ligados ao vinho, não só da daqui do Concelho, mas de todo o Vinho do Algarve, pois é necessário dar um impulso ao Algarve para que ele se afirme como região vínica, também de excelência”, enfatizou. Para já, o Município está de parabéns pois creio que estas II Jornadas constituem um ponto de viragem no evento e que, a partir daqui, Lagoa continue a nos surpreender e a capitalizar a sua forte ligação histórica aos Vinhos da região e que desde já vá planeando um programa interessante e inovador como este realizado .

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REPORTAGEM

CLUBE DE DANÇAS JOÃO DE DEUS ENCHEU TEATRO DAS FIGURAS Texto:

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Teatro das Figuras, em Faro, recebeu, na noite de 8 de dezembro, a Gala dos Campeões do Clube de Danças João de Deus, com dançarinos de todas as idades a exibirem os seus dotes, em palco, nas várias modalidades de danças de salão, mas também de danças latinoamericanas e orientais. Orientado pela Professora Sofia Henriques, o Clube de Danças João de Deus nasceu, em 1995, no âmbito da Escola Cultural com Danças Tradicionais Portuguesas, a pedido do então Presidente do Conselho Diretivo da Liceu João de Deus, em Faro, Augusto Miranda. O interesse dos alunos acabou por se centrar nas Danças de Salão e depressa começaram a participar em festivais e campeonatos de nível internacional com bons resultados. O clube foi legalizado como Associação Juvenil, em 1999, com o apoio do Instituto Português da Juventude e conta, atualmente, com sócios dos 5 aos 85 anos de idade, distribuídos por classes de Iniciação, Sociais, Exibição e Competição em Danças de Salão e Latino-Americanas, Flamenco e Sevilhanas, Tango Argentino, Latin Bellydance Fusion, Dança Oriental, Salsa, Capoeira, Yoga Sámkhya e Zumba . ALGARVE INFORMATIVO #136

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REPORTAGEM

QUE BEM SE CANTA O FADO EM LOULÉ Texto:

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elo segundo ano consecutivo, os fadistas do concelho de Loulé reuniram-se no Cine-Teatro Louletano, a 8 de dezembro, para uma noite dedicada à canção nacional e Património Imaterial da Humanidade. Desta vez foram 10 os escolhidos pela organização, mas podiam ter sido mais, mercê da qualidade artística que tem pautado os últimos tempos no concelho em termos de fado, que começou a despoletar, em 2000, com a realização do 1.º Concurso de Fado Amador, evento que se repetiu por diversos anos e deu origem a projetos como o «Fado ao Interior», entre outros. Organizado pela Câmara Municipal de Loulé e produzido pela «Tudo Isto é Fado», a gala contou com o apoio da Associação de Fado do Algarve e teve direção musical de Valentim Filipe. Quanto aos artistas da noite, ouviram-se as vozes de Alexandra Viana, André Catarino, Cátia Murta, Cesar Matoso, Filipa Nobre, Isa de Brito, Marta Sousa, Melissa Dourado, Rui de Sousa e Sara Paixão, acompanhados na guitarra portuguesa por Valentim Filipe e na viola por Tó Correia. No final, o público que praticamente esgotou o principal equipamento cultural do concelho aplaudiu de pé todos os participantes .

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REPORTAGEM

PRESÉPIOS ENCANTAM

NATAL ALGARVIO Fotografia:

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VILA REAL DE SANTO ANTÓNIO

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CASTRO MARIM - CASA DO SAL

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TAVIRA - QUARTEL DOS BOMBEIROS

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REPORTAGEM

MOONSPELL FIZERAM LOULÉ TREMER Texto:

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novo disco dos Moonspell, «1755», trouxe a carismática banda de metal a terras algarvias, mais concretamente a Loulé, para um concerto fantástico que encheu por completo o Cine-Teatro Louletano. Cantado totalmente em português e tendo como pano de fundo o grande terramoto que atingiu a cidade de Lisboa a 1 de novembro de 1755, mas também as cidades de Faro e Vila Real de Santo António, o álbum é uma reflexão poética, musical e filosófica sobre o evento e as suas repercussões no mundo civilizado. Em termos musicais, é um disco de Metal com vibrantes guitarradas, orquestrações épicas e vozes e letras que testemunham a agonia daquele dia, porque a banda preocupou-se em recriar a época através de uma fusão com elementos percussivos e melódicos

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que nos remete para os fins do século e para a atmosfera que se vivia na capital portuguesa na altura. Os 10 temas proporcionaram uma experiência memorável, embora diferente, aos fãs de Moonspell que chegaram de todo o sul do país, pois não é todos os dias que se assiste a um concerto de Metal confortavelmente sentados nas cadeiras da plateia de um equipamento cultural desta natureza. Mas Fernando Ribeiro cedo deixou o aviso de que os metaleiros de várias gerações não ficariam sentados por muito tempo e, quando terminou o derradeiro tema de «1755» e começou a viagem pelos sucessos intemporais dos Moonspell, o público de imediato se colocou de pé para cantar as músicas de mãos no ar e cabeças a abanar.

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Canções como «Vampiria», «Opium», «Awake», «Extinction», «Full Moon Darkness» e muitas outras levaram a assistência ao rubro, numa viagem inesquecível pelo mundo do Metal de inspiração mais gótica dos Moonspell, não daquele Metal que para muitos não passa de barulho, de guitarradas desenfreadas e vozes esganiçadas. O som da banda nascida na Brandoa, na Amadora, em 1989, na altura ainda como Morbid God, depressa evoluiu do Black Metal presente na demo «Anno Satanae» para um som mais trabalhado, com muitas orquestrações, vozes femininas, arranjos de cordas e letras impactantes. O sucesso do EP de estreia «Under the Moonspell» granjeou-lhes um contrato com a poderosa editora «Century Media Records», através do qual lançaram o primeiro álbum de longa duração, o inesquecível «Wolfheart», em 1997, onde se destacavam faixas como «Vampiria», «Wolfshade (A Werewolf Masquerade)» e o hino «Alma Mater», e que catapultou os portugueses para o estrelado internacional. Seguiu-se «Irreligious», com sucessos como «Opium», «Awake» e «Mephisto», antes dos registos eletrónicos entrarem no universo musical dos Moonspell nos discos «Second Skin», «Sin» e «The Butterfly Effect». Depois desta fase mais experimental, que afetou grande parte da cena metálica do Velho Continente, os Moonspell regressaram à sua sonoridade mais gótica com «Darkness and Hope», em 2001, dos quais são exemplos perfeitos as músicas «Darkness and Hope» e «Nocturna», intensificada ainda mais com «The ALGARVE INFORMATIVO #136

Antidote», lançado dois anos depois. O reconhecimento pleno em terras lusitanas surge apenas em 2006, com «Memorial» a garantir aos Moonspell o primeiro Disco de Ouro em Portugal, o que serviu de balanço para, em 2007, surgir «Under Satanae», composto por regravações das primeiras demos, e a

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primeira coletânea, de nome «The Great Silver Eye». O nono disco da banda é «Night Eternal» e antecede a mudança dos Moonspell para a «Napalm Records», pela qual editam o duplo álbum «Alpha Noir/Omega White. Já em 2015 sai «Extinct», o antecessor deste maravilhoso «1755», que serviu de mote 57

para um dos melhores concertos do ano no Algarve em 2017. Uma viagem musical de perto de duas horas, com a primeira metade a ser preenchida pela interpretação, na íntegra, de «1755», antes de se rumar aos êxitos de duas décadas de carreira desde o lançamento de «Wolfheart» .

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REPORTAGEM

MAFALDA RIBEIRO UMA VIDA A SORRIR SOBRE RODAS

Mais de uma centena de participantes ovacionou, emocionada, as palestras que decorreram em Albufeira, a 4 de dezembro, para assinalar o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência. Uma das convidadas especiais foi a jornalista e escritora Mafalda Ribeiro, que partilhou a sua história de vida, sempre bem-disposta e de sorriso nos lábios, transmitindo uma palavra de esperança e de otimismo a todos aqueles que nasceram «diferentes». Texto:

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Foto: Pau Storch

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os 34 anos de idade, Mafalda Ribeiro tem tido, desde a nascença, uma vida invulgar, pelo facto de ter vindo ao mundo com uma doença rara congénita, a Osteogénese Imperfeita. Como as pernas não lhe obedecem, desloca-se em cadeira de rodas desde sempre, o que não a impediu de estudar jornalismo e de ter sido técnica de comunicação numa empresa de ambiente. ALGARVE INFORMATIVO #136

Em 2008 publicou o seu primeiro livro, «Mafaldisses - Crónicas sobre rodas», estando previsto o lançamento de nova obra no próximo ano. Para além de escritora, é cronista, nomeadamente sobre a temática da Inclusão, e muito interventiva em matéria de exclusão social. Fez uma Certificação em Coaching Internacional e é, atualmente, Oradora Motivacional, não como profissão, mas 64


de palmo e meio, informada, atenta aos pormenores e grata por poder continuar a usufruir desta viagem que é a vida, sempre de sorriso nos lábios. “Nós existimos 365 dias por ano e não apenas a 3 de dezembro (Dia Internacional da Pessoa com Deficiência) e também não venho aqui ensinar nada, apenas partilhar a minha vida. Por mais que nós sejamos considerados, como simpaticamente ouvimos, como «exemplos de vida», queremos somente ser boas influências para os outros”, começou por dizer Mafalda Ribeiro, no encontro que teve lugar no Aparthotel Paraíso de Albufeira.

por missão, sendo convidada para falar em público acerca da sua visão otimista da vida em empresas, hospitais, escolas, congressos e conferências, entre as quais a «Ignites» e «TEDx». Apesar dos seus constrangimentos físicos, é igualmente voluntária em vários projetos de solidariedade social, porque não vê limites diante das suas limitações, passe a redundância. Acima de tudo, é uma mulher 65

Mafalda Ribeiro confessou que o Natal é a sua altura preferida do ano para realizar palestras desta natureza, por constituírem uma excelente oportunidade para contar uma história que nos aproxima a todos enquanto seres humanos. “Todos nós somos muito diferentes, não interessa as limitações físicas de cada um, porque fomos todos criados com um propósito distinto. Por mais que tentemos imitar alguém, nunca vamos ser iguais a outra pessoa e, se teimarmos em tentar que isso aconteça, não vamos viver, mas apenas sobreviver”, avisou a escritora, antes de viajar alguns dias rumo ao futuro, mais concretamente à noite de passagem de ano. “Poucos minutos antes da meia-noite está toda a gente com 12 passas na mão e muito preocupada em pedir desejos. Naquele momento, as pessoas fecham-se num casulo demasiado egoísta porque precisam pedir 12 desejos e comer 12 passas antes que soe a meia-noite, caso

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(...) Todos nós somos muito diferentes, não interessa as limitações físicas de cada um, porque fomos todos criados com um propósito distinto. Por mais que tentemos imitar alguém, nunca vamos ser iguais a outra pessoa e, se teimarmos em tentar que isso aconteça, não vamos viver, mas apenas sobreviver (...) contrário, o ano vai-lhes correr mal”, observou. Como Mafalda Ribeiro até nem gosta de passas, optou, há alguns anos, por começar a comer 12 M&M seguidos e, ao invés de realizar pedidos, efetuar 12 agradecimentos. “Será que temos, mesmo, 12 coisas para pedir? Há a paz no mundo e muita saúde, aquelas coisas bastante abstratas que todos pedimos. Depois vem o carro novo, mudar de casa, ir às Maldivas, a mala Channel, antes de chegarmos a coisas perfeitamente fúteis só para completarmos os 12 pedidos. Será que é para isso que estamos na Terra”, ALGARVE INFORMATIVO #136

questionou, antes de revelar alguns dos seus «obrigados» de passagem de ano, o primeiro dos quais, como se adivinha, endereçado aos progenitores. “Os meus pais tinham 23 anos quando eu nasci. Fui uma bebé muito amada e acarinhada durante a gestação e a minha mãe nunca quis saber qual o sexo da criança, queria que fosse uma surpresa. Há 34 anos não era normal fazerem-se ecografias, mas eu fiz sete, os médicos já desconfiavam que alguma coisa não estava bem. Saiu um belo «kinder surpresa» aos meus pais”, contou, com uma risada. O diagnóstico apresentado pelos médicos não era animador, previam que, com sorte, a criança chegasse à idade do pré-escolar, mas os pais de Mafalda Ribeiro nunca baixaram os braços, nunca desistiram. “Fui para casa com as duas pernas e uma clavícula partidas só por causa dos movimentos dentro da barriga da minha mãe e a minha fragilidade era tal que não havia nada que se pudesse fazer para minimizar as dores. Eu chorava com fome e cólicas, como todos os bebés, mas as minhas dores maiores eram de sofrimento”, relatou, perante uma plateia de respiração suspensa. “Os meus pais nem me podiam fazer um carinho. Se me abraçassem ou me pegassem ao colo, podiam-me partir alguns ossos. Até aos 14 anos tive mais de 90 fraturas, por causa da Doença dos Ossos de Vidro, portanto, em todas as fotografias de aniversário ou de Natal, estou sempre de braço ao peito ou com uma perna partida”.

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NUNCA QUIS ESTAR NUMA REDOMA DE VIDRO Com o decorrer dos anos, as dores passaram a ser naturais para Mafalda Ribeiro e, embora a jovem não pudesse controlar o que a vida lhe colocava pela frente, podia controlar a forma como lidava com os problemas, com as agruras, com o sofrimento. Sair à rua era sempre um risco, mas Mafalda queria acreditar que estava no mundo por alguma razão. “Por mais que as pessoas tentem dar força aos pais de uma criança que nasceu com alguma deficiência, acabam por os colocar

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ainda mais para baixo. Os meus pais ouviram de tudo: que tiveram muito azar, que castigo lhes estava a acontecer, que mal tinham feito para merecer uma coisa destas. Eles sempre me contaram a minha história e eu cedo me apercebi que isto de ser «Mafalda» não era um erro”, apontou a oradora, falando antes de um “ato profundo de criatividade divina, com uma imensa dose de humor”. “Depois de perceber isso, não consigo ficar séria, choro e estou-me a rir. É impossível olhar para a minha vida como uma tragédia, é apenas uma forma diferente de estar na vida. E só ALGARVE INFORMATIVO #136


(...) Eu espirrava e partia uma costela, as dores eram tão normais para mim como beber água. Aprendi a controlálas e a fazer delas minhas aliadas e nunca minhas inimigas (...) um ato de criação divina é que podia fazer com que eu passasse a escola, a adolescência e a faculdade sempre a fazer várias loucuras”, entende Mafalda, enquanto mostrava fotografias das suas peripécias. De facto, apesar de partir ossos com uma tremenda facilidade, Mafalda Ribeiro não rejeitou as oportunidades de andar, por exemplo, de moto de água ou de balão de ar quente, mesmo podendo ser essas as suas últimas experiências no mundo terreno. “Eu espirrava e partia uma costela, as dores eram tão normais para mim como beber água. Aprendi a controlá-las e a fazer delas minhas aliadas e nunca minhas inimigas”, justificou, sem esquecer o apoio constante dos progenitores, que nunca pretenderam colocar a filha numa redoma de vidro, mas também dos seus imensos amigos. “Sou a pessoa mais distraída que se possa imaginar e são eles que me protegem. Amam-me e empurram-me, motivam-me para ir mais adiante, mas são também os primeiros a «dar o corpo às balas», a ALGARVE INFORMATIVO #136

receber aqueles olhares estranhos, a levar com críticas”, reconheceu. Por tudo isto, e muito mais, falar para as pessoas é uma missão de vida para Mafalda Ribeiro, adiantando que há muitas «deficiências» que nunca chegam a ser diagnosticadas ou que não estão à vista. “Encaro tudo o que me acontece na vida com uma grande leveza, sou a otimista mais incorrigível que possam conhecer. Há uns anos, muitas pessoas começaram a dizer-me que sou resiliente e eu, que venho de Humanidades, pensei logo que tinham inventado mais algum palavrão. Fui ao Google e resiliência significa que reaprendemos a viver, que recomeçamos do zero, sob outra condição. Tenho muitos amigos que, hoje, têm que lidar com limitações físicas, que eram uma coisa e, por causa de um acidente, passaram a ser outra. No entanto, eu nasci assim. Isto não me aconteceu durante a noite, não encolhi porque fui à máquina de lavar”, distingue, bem-disposta. Resiliente teve que ser, porém, em 2011, quando a mãe faleceu e, de repente, teve que lidar com a maior perda de todas, sem ensaios, sem decorar texto, sem filmagens ou reportagens. “Foi a pessoa que sempre me protegeu e acreditou em mim, que lutou para que a minha vida fosse o que é hoje. Ela viveu única e exclusivamente para mim, educou-me e preparou-me para estar aqui, a falar com vocês, a partilhar a minha história, a levar a vida com uma enorme dose de sorriso”, enalteceu, emocionada.

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Mafalda Ribeiro recordou ainda quando participou numa prova de atletismo de 10 quilómetros em Lisboa, empurrada pelo amigo Jaume Pradas, em que concretizou o sonho de sentir o vento no rosto enquanto corria. “Houve aqueles momentos engraçados em que as pessoas gritavam ‘força Mafalda’ e eu acenava as mãos, tipo Rainha de Inglaterra. Fiz vídeos, tirei selfies, enquanto o Jaume ia a vergar a mola, a fazer força, a suar. Não se tratava de desporto ou força física, mas de aprendermos a dádiva, a entrega, o trabalhar em equipa. No fim da corrida, agradeci-lhe por me ter empurrado e ele

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respondeu-me que, na verdade, tinha sido eu a puxar por ele”, lembrou. “É uma frase que me vai acompanhar para sempre. Muitas pessoas passam a vida inteira a tentar descobrir qual o seu propósito, por que motivo estão na Terra. Eu nasci com dons e talentos como todos nós e tenho que os colocar ao serviço de uma missão, que é fazer da minha vida uma montra de esperança, de criatividade, de amor. O amor traz-nos coisas boas, mesmo quando a embalagem não é aquilo que estamos à espera. Esta é a forma que eu tenho de agradecer aquilo que me foi dado há 34 anos” .

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OPINIÃO

Água: prevenir, gerir e poupar Paulo Cunha (Professor)

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m vez de sermos proativos, habituámo-nos a ter uma atitude reativa face à escassez dos bem essenciais que, de ano para ano, nos dá sinais de se querer instalar. As reservas de água vão atingindo níveis deveras preocupantes e, em vez de tomarmos medidas que nos permitam olhar para o futuro dos nossos filhos sem laivos de apreensão nem dramatismo, rezamos aos santos e aos deuses, tornamos a falta de chuva uma conversa de café e, olhando para o céu, deixamo-nos estar! Entretanto, lá cai uma chuvada que, a potes, mitiga alguma aridez que já por cá se instalou, mas que acaba por não chegar para fazer face aos muitos dias em que as pingas da chuva andaram arredadas do nosso quotidiano. Sabemos que o tempo que medeia os períodos de seca é cada vez menor e sabemos também que 32,6% dos solos do território nacional já se encontram em situação degradada e que esta aridez atinge a totalidade do interior algarvio e do Alentejo. E o problema está a progredir para as zonas do noroeste, tradicionalmente uma das mais pluviosas da Europa, e a aumentar nas zonas do litoral sul e montanhas do centro do país. O Programa de Ação Nacional de Combate à Desertificação (PANCD) para o período 2008-2018 alerta que o índice de aridez afetou, nos últimos três decénios (1980-2010), 58% do território do continente, quando no período que decorreu entre 1960-1990 os valores atingiram os 36%, e incluía sobretudo as áreas do sul e do interior centro e norte de Portugal. São dados que necessitam ser levados a sério por quem tem a obrigação de não «navegar à vista» quanto à governação do país, pois as medidas que urgem ser tomadas não têm cor política, têm a abrangência do arco-íris! A organização ambientalista Quercus assinala que para o aumento do índice de aridez e desertificação em Portugal, contribuem: - A utilização do solo com culturas agrícolas intensivas de regadio, às quais se encontram

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associados processos de degradação do solo, como a salinização, sobre-exploração dos aquíferos, contaminação do solo por pesticidas e fertilizantes, erosão do solo e alterações da paisagem; - A (re)arborização de milhares de hectares com espécies exóticas e consequente perda de biodiversidade, destruição da floresta autóctone e esgotamento dos solos e dos aquíferos; - Os milhares de hectares de área ardida que resultam dos incêndios recorrentes em Portugal, que provocam elevados níveis de erosão e contaminação dos solos e linhas de água. Hoje, falando com um amigo/colega sobre importância de colocar estes assuntos no dia a dia da Escola, por forma a que a sensibilização, o debate e a intervenção que daí advenham potencie nos alunos uma maior consciência cívica e ecológica, ele, concordando comigo, referiu a forma como no campo, onde nasceu e cresceu, e onde não tinha água potável nem energia elétrica, os «antigos» aproveitavam os recursos que a mãe natureza lhes colocava ao dispor. Rematando com a frase que me fez escrever este texto em forma de alerta: “De que serviu, hoje, ter chovido a noite inteira, se a água não foi retida para aproveitamento futuro?” Não sendo, nem de perto nem de longe, a solução para esta maleita que já muita gente aflige em Portugal, vão-se dando pequenos passos na sensibilização e educação para o aproveitamento e poupança dos recursos hídricos. Entre muitos, saliento um que, bem usado por todos nós, poderá fazer a diferença no que toca à forma como nos comportamos perante o uso da água nos nossos hábitos diários: o sítio na internet www.fecheatorneira.pt . Sendo de fácil acesso e consulta, pode, de forma pedagógica e consequente, ajudar-nos a ajudarmo-nos. Sem canalizações nem regas supérfluas, eles, os nossos antepassados, lá sabiam «levar a água ao seu moinho». Como? Dandolhe o seu devido valor! .

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OPINIÃO

Algarve (sempre) primeiro! José Graça

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Banco de Portugal (BdP) e o Instituto Nacional de Estatística (INE) são duas instituições que fazem serviço público de excecional qualidade e conseguem toda a nossa consideração e respeito, merecendo-nos um olhar permanente para os seus trabalhos e publicações. Paralelamente com algumas instituições e universidades de referência, encontram-se entre os maiores produtores de conhecimento, o qual deverá ser colocado ao serviço da sociedade e das empresas e traduzir-se em melhorias de competitividade e produtividade. Aliás, um dos maiores desafios que enfrentamos é definir como transformar esse conhecimento em crescimento económico e coesão social, garantindo simultaneamente a envolvência dos cidadãos e a sustentabilidade dos territórios, perante um conjunto de riscos que não podemos ignorar. Ontem, o BdP revê em alta projeção de crescimento, esperando que o PIB aumente 2,6 por cento este ano e 2,3 por cento no próximo, desacelerando progressivamente o ritmo de crescimento até aos 1,7 por cento em 2020. Na sua nota, sublinha que "a convergência real face à área do euro deverá continuar nos próximos anos de forma ligeira", resultado em parte da redução da população em Portugal, mas não deixa de referir que "esta evolução será insuficiente para compensar a divergência real acumulada até 2013". Precauções e caldos de galinha nunca fazem mal a ninguém… No mesmo dia, o INE publicou os dados (provisórios) relativos às Contas Regionais de 2016, titulando a sua nota de imprensa com um sugestivo «o Algarve registou o maior crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em volume». Esta constatação por parte da autoridade estatística nacional não pode deixar de ser alvo de regozijo por parte dos algarvios, mas é também um alerta para quem detém as rédeas do poder e capacidade de decidir – olhem para o Algarve! De acordo com os resultados provisórios de 2016 do INE, todas as regiões registaram crescimento real do PIB. O Algarve (2,6 por cento), o Norte (1,9 por cento), o Centro (1,8 por cento) e os Açores (1,6 por cento) apresentaram variações reais superiores à média nacional, enquanto a Área Metropolitana de Lisboa (1,2 ALGARVE INFORMATIVO #136

por cento), a Região Autónoma da Madeira (0,9 por cento) e o Alentejo (0,5 por cento) registaram crescimentos menores que o país. A análise da convergência económica das regiões NUTS III, revela uma diminuição das disparidades regionais no período de 2000 a 2015, com as regiões mais pobres a apresentarem taxas de crescimento do PIB per capita e da produtividade muito superior à média do país. Acontece que o Algarve está em entre as denominadas «regiões mais ricas», assumindo como a verdadeira locomotiva da economia nacional, sendo que o contributo do PIB regional para o nacional subiu de 4,39 por cento para 4,49 por cento, estimando-se que este crescimento seja retificado em alta nos dados definitivos que só devem ser conhecidos durante o próximo ano. De igual forma, o Algarve foi a região onde se registou o maior crescimento do emprego total, com um aumento de 4,6 por cento, em muito superior à média nacional de 1,7 por cento. Por fim, destaque-se outro indicador que também deve ser olhado com atenção. Os últimos dados disponíveis sobre «formação bruta de capitais fixos» revelam um aumento de 8,8 por cento face ao período homólogo, superiorizando-se à média nacional de 7,7 por cento, traduzindo-se em mais investimento na região em 2015. Na semana que antecede a tomada de posse da nova Assembleia Intermunicipal, melhores notícias não podíamos receber, confirmando todo o trabalho desenvolvido para afirmar o Algarve. Porém, estes dados constituem um desafio incontornável, manter o rumo obriga-nos a estarmos juntos colocando sempre o Algarve em primeiro lugar, acima das nossas diferenças! PS: Já a lua ia bem alta e trocavam-se votos de BOAS FESTAS, quando a agência Fitch veio confirmar a subida do rating da República Portuguesa, com uma inesperada subida de dois níveis e acentuando o clima positivo que se vive atualmente em relação à dívida do país. Obrigado, Mário Centeno, por nos devolveres a confiança num #PortugalMelhor! .

(Membro do Secretariado Regional do PS-Algarve e deputado da Assembleia Municipal de Tavira)

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OPINIÃO

Para não dizer que não falei das flores Mirian Tavares (Professora) “E não há melhor resposta que o espetáculo da vida: vê-la desfiar seu fio, que também se chama vida, ver a fábrica que ela mesma, teimosamente, se fabrica”. João Cabral de Melo Neto

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ensei em escrever um texto a criticar o espírito de Natal e o consumismo que nos consome a todos nesta quadra festiva. Pensei em escrever sobre a exploração dos trabalhadores que, sem descanso, armam-se de sorrisos e de aparente boa disposição para fazer-nos comprar mais e mais para que eles possam, ao fim do mês, atingir metas e conseguir sobreviver com um salário mínimo e com rendas de casa máximas. Também pensei que poderia contar o que se passou domingo, quando estava numa loja aberta na baixa de Faro e entra uma senhora que diz: “as pessoas parece que não querem ganhar dinheiro! As lojas estão todas fechadas!”. Era domingo, ressalvo e estamos (mal) habituados a que todas as lojas, o tempo inteiro, estejam de portas abertas para nos receber assim tenhamos vontade, e/ou dinheiro, para gastar. E dei-me conta de que pouco, ou nunca, pensamos que por trás das portas abertas há pessoas que não param, que trabalham em turnos absurdos, que não passam o domingo com a família ou a descansar. Pensei que podia também, aproveitando o fim do ano que se avizinha, falar sobre estes trabalhos precários e sobre o que os nossos filhos, agora adolescentes, poderão fazer quando acabarem os seus cursos. Se é que há alguma coisa, para além da conversa enjoada do pro-ativismo, de facto pronta para receber toda uma geração de novos licenciados. E pensei nos já licenciados, aliás, nos doutorados, superespecializados e capazes que andam à espera do prometido emprego científico – toda uma geração extremamente bem formada a ser desperdiçada ou a ver a sua vida contada em

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bolsas, sem um trabalho que possam chamar de seu. Ainda pensei em falar sobre o nó górdio que os une a todos: trabalhadores, adolescentes, licenciados e doutorados, pessoas que, como nós, esperam mais da vida que ter uma loja aberta aos domingos. Mas lembrei-me de estamos quase no Natal e que, apesar de o próprio Papa Francisco ter criticado a festa, há um espírito qualquer que nos rodeia, imposto ou espontâneo, de boavontade e de alguma esperança num futuro melhor. Porque somos feitos disso, de esperança. Esperamos sempre, mesmo quando nem pensamos sobre isso, que o dia nasça a cada dia e que atravessemos bem a jornada até o cair da noite. Que os nossos entes queridos cheguem bem a casa, que as coisas corram pelo melhor ou, pelo menos, que sejam menos piores. Porque se deixarmos de esperar, morremos. Se deixarmos de acreditar, não nos movemos e haverá uma hecatombe que nos destruirá a todos. E é preciso acreditar que podemos evitar a hecatombe, os acidentes, o desemprego, o descaso e o medo. Que podemos, de alguma forma, vencer na vida. E que isso não significa, necessariamente, sermos ricos para consumir de segunda ao domingo, sem descanso. E pensei que devia era falar da vida, que teimosamente se fabrica, que nos empurra para frente e que nos faz resistir e acreditar que um novo ano é sempre um princípio, um caderno em branco, uma possibilidade. E que, apesar dos pesares, vale a pena acreditar que conseguiremos mudar e tornar o mundo, mesmo que seja apenas um bocadinho, melhor . 76


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OPINIÃO

Os amigos (não) são para as ocasiões Adília César (Escritora)

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uem é um amigo? “Um outro eu”, disse Zenão de Eleia, um filósofo pré-socrático da escola eleática que nasceu em Eleia (hoje Vélia, Itália). São famosos os paradoxos que criou, a partir dos quais não pretendia refutar diretamente as teses que combatia mas sim mostrar os absurdos das mesmas, ou seja, a sua falsidade. Por vezes, socorro-me de Zenão de Eleia e penso no paradoxo que enunciei no título desta crónica: «os amigos são para as ocasiões», assim diz o ditado popular, mas eu creio que é precisamente o oposto, ou seja, «os amigos não são para as ocasiões». Todos nós formulamos teorias sobre o que é um amigo e o que é a amizade. Também sabemos quem é nosso amigo de verdade. Mas rapidamente desistimos de um amigo ao mínimo contratempo. Todos tivemos ou teremos decepções neste território. O facebook em muito contribuiu para a formulação de novas teorias da amizade, ao possibilitar actos estranhíssimos, como «pedir amizade», «desamigar» e «bloquear», confundindo actos virtuais com actos reais. Actualmente, a amizade está equiparada a «uma central de cunhas, palavrinhas, cumplicidades e compadrios» (Miguel Esteves Cardoso, in ‘Explicações de Português’), como se a utilidade fosse a característica mais importante das pessoas que podem, eventualmente, ser nossos amigos. Penso muito sobre os sentimentos que nutro por outras pessoas. Quero perceber se esta ou aquela pessoa tem ou não a minha atenção e dedicação,

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e porquê. Clarificar os conceitos sem demagogias ou falsos pudores. Ao amigo, para ser meu amigo, basta eu saber que ele existe, que está ali. Essa pessoa especial até pode ser perfeitamente inútil no sentido de nada esperar dela, a não ser a sua própria existência. A amizade não tem condições ou expectativas, tal como o amor. E não pode estar sujeita a regras comerciais, a trocas emocionais (ou outras) obrigatórias. A amizade é energia, estremecimento, equilíbrio. Uma outra forma de ser eu: uma alquimia. Por isso um amigo é tão valioso para mim e também pelo mesmo motivo a traição de alguém que julgava ser meu amigo pode ser tão dolorosa no plano afectivo. Então, reformulando o conceito, diria que um amigo pode ser a luz de um susto alegre e colorido, um súbito que é brilhante no seu princípio mas depois se torna apenas fumo. O lugar da amizade difunde-se então para outro lugar, mais sinistro, indiferente e ausente. É a ausência que marca a memória, mas mesmo assim, não é o completo vazio. Há uma pequena nódoa de gordura que teima em permanecer. Tenho, ou melhor, tive amigos assim. Súbitos de luz que se apagaram, por não terem cumprido a tarefa de iluminação da minha vida. Agora, apenas existem num plano abstracto, como um idioma que esqueci e já não sei falar. Sem rancor ou benevolência, não lamento a perda. Os amigos são para as ocasiões? Não, mas um amigo é uma ocasião para ser mais do que sou sozinha. Um outro eu melhor .

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OPINIÃO

Dos testikels* do Dijsselbloem à falta de casa da Madonna Nuno Silva (Técnico de Comunicação)

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empre soube, desde as primeiras somas, que a matemática nunca seria coisa para mim. Aliás, essa até pode ter sido uma das minhas mais rápidas constatações, num exercício que apesar de triste, me poupou imensas horas de tempo perdido. Contudo, e apesar de admitir uma inaptidão matemática digna de registo, rendo-me à lentidão com que as maiores intelectualidades da Europa e do mundo levaram a descortinar aquilo que qualquer português iletrado percebe em meia dúzia de anos: Portugal é mesmo o melhor país do mundo. Quis a vida que 2017 fosse o ano em que nos fartámos dos registos pontuais de mérito para que, em apenas quatro ou cinco meses, fizéssemos um arrastão de tudo o que são prémios e referências mundiais e nos fizessem protagonistas de excelência da ordem internacional. Antes, segundo Jeroen Dijsselbloem, eramos apenas bons em “gastar dinheiro em mulheres e álcool”, e hoje somos muito bons…em ser os melhores. Aliás, para o futuro ex-presidente do Eurogrupo a partir do dia 13 de janeiro de 2018, esta deve ser uma consideração muito mais angustiante do para qualquer outro líder europeu. Afinal, foi um desses bêbados e mulherengos portugueses que lhe arrebatou o lugar. Desculpa aí Bloem. No fundo, a única questão aqui é perceber como é que numa língua de costa com pouco mais de 90 mil quilómetros quadrados e com menos habitantes do que cidades como São Paulo, Istambul ou Moscovo, se fazem os melhores entre os melhores. E se se quiser dar uso à ciência, talvez António Damásio, (só) professor de neurociência na University of Southern California, seja a pessoa indicada para explicar o ALGARVE INFORMATIVO #136

funcionamento do cérebro destes génios lusitanos. É que… Jeroen, tens algum holandês com os testikels no sítio para escrever um livro intitulado «O Erro de Descartes»? É que a gente aqui bate em todos. E Antónios há muitos. Vê. Ganhámos a Eurovisão sem precisar de luzes, som, fogo, máscaras de macaco ou auto-tunes; temos um ex-primeiro ministro que nas horas vagas, enquanto secretário-geral da ONU, toma café com a Angelina Jolie; temos o melhor jogador do mundo, o melhor treinador do mundo, o melhor agente do mundo e, só para não aborrecer muito, somos o mais pequeno país europeu a ser Campeão e, não fosse já isso suficiente, ao que parece somos um destino turístico tão bom (o melhor do mundo segundo os World Travel Awards) que nem a Madonna cá arranja casa. No fundo, somos tão bons, tão bons, tão bons, que até permitimos que a Maria Leal se faça um fenómeno nacional. É para equilibrar as ostes, não vá o Trump também decidir que a capital dos Estados Unidos é Lisboa. Enfim. Quando, em 1179, o Papa Alexandre III declarou a independência do Estado Portucalense do Reino de Leão, sabia o que estava a fazer. Só não foi é muito claro e o mundo tardou em perceber. Hoje, passados 838 anos, é demasiado óbvio para se contrariar. Portugal e os Portugueses são mesmo os melhores do mundo! Inchem . *tradução da palavra testículos em holandês.

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ATUALIDADE

REGIMENTO DE ENGENHARIA MILITAR REINICIOU REABILITAÇÃO DE CAMINHOS AGRÍCOLAS EM CASTRO MARIM

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epois da suspensão do combate aos fogos, que assolaram tragicamente o país durante este ano, o Regimento de Engenharia Militar N.º 1 reiniciou os trabalhos de reabilitação de caminhos e acessos agrícolas no concelho de Castro Marim, fruto de um protocolo estabelecido em 2016 com a autarquia. Ate à data foram reabilitados mais de 170 quilómetros de caminhos e acessos agrícolas nas freguesias de Odeleite e Azinhal, mas este reinício marca também o arranque de processos de abertura de novos caminhos, instruídos durante estes últimos 10 anos. Todo o equipamento e grupo de trabalho necessários à intervenção são da responsabilidade do Regimento de Engenharia Militar N.º 1, sediado em Tancos, ao passo que à Câmara Municipal de Castro Marim compete suportar os custos da alimentação, alojamento e compensação dos militares envolvidos, assim como o fornecimento de combustíveis e materiais necessários à

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execução dos trabalhos e ao funcionamento do equipamento e viaturas militares utilizados. “O concelho de Castro Marim tem uma extensa rede viária rural, cuja manutenção e reabilitação implica uma grande disponibilização de recursos humanos e técnicos que a autarquia não podia comportar. Muitos destes caminhos e acessos não eram reabilitados há mais de uma dúzia de anos. Esta parceria com o Exército Português permitiu-nos intervir em algumas das zonas mais críticas e com maior necessidade e permite agora aos nossos munícipes cultivarem os seus terrenos e recolherem e transportarem os seus frutos”, sublinhou o presidente da Câmara Municipal de Castro Marim, Francisco Amaral . 84


INVESTIGADORES DO CBMR DÃO NOVO PASSO NO TRATAMENTO DE TUMORES CEREBRAIS MAIS AGRESSIVOS

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atrícia Madureira e a sua equipa de investigação do CBMR da Universidade do Algarve acabam de publicar na Revista Cells um artigo científico que pode ajudar a compreender o gliobastoma multiforme, um dos tumores cerebrais mais mortíferos. Assumindo que o cancro é resultado da divisão celular descontrolada e que, neste tipo de tumor cerebral, se observa que a baixa concentração de oxigénio na região tumoral (denominada de hipóxia tumoral) está associada a uma maior capacidade de proliferação, invasão e disseminação das células cancerígenas, o coletivo procura compreender de que forma esta situação contribui para que as células do tumor se tornem mais invasivas. Num cancro cujo prognóstico dos pacientes é bastante reservado, com um tempo médio de vida de apenas 15 a 17 meses, o objetivo é claro: ajudar a desenvolver, no futuro, terapias mais eficazes para este tipo de tumor. Sendo a invasão tumoral a principal causa de morte dos pacientes com gliobastoma multiforme e também o principal obstáculo ao tratamento, os investigadores procuram ir à raiz do problema. Com este trabalho, os investigadores do CBMR- Centro de Investigação em Biomedicina, da Universidade do Algarve, e do Brain Tumour Research Centre, da Universidade de Portsmouth, U.K., concluíram que existem diversas 85

proteínas celulares envolvidas na promoção da invasão neste tipo de tumores cerebrais e que devem ser apontadas como potenciais alvos terapêuticos para o tratamento da doença. Alguns agentes quimioterapêuticos estão já a ser testados em ensaios clínicos. Sendo que a terapia atual para este tipo de tumores envolve (quando possível) cirurgia, seguida de radioterapia e quimioterapia, verificando-se, na maior parte das vezes, uma resistência aos tratamentos, que leva à reincidência da doença, o desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas é essencial para o tratamento mais eficaz destes pacientes. Recorde-se que o tratamento para o gliobastoma multiforme não é alterado desde 2005, motivo pelo qual este estudo levanta agora uma nova janela de oportunidade . ALGARVE INFORMATIVO #136


ATUALIDADE

ARS ALGARVE DISTINGUIDA NO IV SEMINÁRIO DE COMPRAS PÚBLICAS NA SAÚDE

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equipa da Unidade de Compras e Logística da ARS Algarve, que assegura a gestão de stocks e o aprovisionamento de bens e serviços para os Cuidados de Saúde Primários da região, foi distinguida com o Prémio «Mais Rápido@Catalogo», no âmbito do «IV Seminário de Compras Públicas na Saúde – Novo Código de Contratos Públicos», promovido pelos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS), a 5 de dezembro, em Lisboa. A ARS Algarve foi a única administração regional de saúde a ser premiada nesta edição.

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A SPMS como central de compras da saúde desafiou as suas instituições a enviarem as suas estimativas de compra de bens e serviços para o ano de 2018, através da plataforma destinada, a «ComprasnaSaúde», atribuindo, em função da tipologia de procedimento, um prazo limite. O término de entrega das propostas ocorreu, na sua maioria, no dia 7 de julho, tendo a ARS Algarve cumprido o prazo estipulado, submetendo as suas propostas de estimativas em tempo e enviando todos os documentos que as compõem. Este cumprimento de prazo valeu à ARS Algarve esta menção .

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MUNICÍPIO DE LAGOS RECEBEU MENÇÃO HONROSA DA ABAE

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Planeta é a Tua Terra» foi o mote deste ano da Campanha da Bandeira Azul, todos os anos promovida pela ABAE – Associação da Bandeira Azul da Europa. Em Lagos, os resultados da filosofia da Bandeira Azul ao longo dos anos são bem visíveis, tanto ao nível do ordenamento do território, como a forma consciente como se passou a encarar o ambiente e a necessidade de se garantir a sustentabilidade dos recursos naturais. Em 2017 pretendeu-se envolver ainda mais a comunidade para «cuidar» da sua terra e o Município de Lagos promoveu, à semelhança do que tem feito nos últimos anos, a Campanha «Lagos na Onda do Verão» dentro desta temática. Das variadas ações que a mesma integra foi dinamizado o projeto «Uma Partilha de Ideias e Gerações. É Tempo de Agir», que

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foi agora distinguido com uma Menção Honrosa no Concurso de Boas Práticas. O concurso premeia e dá visibilidade a projetos ambientais saudáveis e inovadores que, envolvendo a comunidade, visam mitigar as alterações climáticas e procuram uma adaptação à nova realidade. O júri foi composto por cinco entidades, designadamente, a Associação Bandeira Azul da Europa, Agência Portuguesa do Ambiente, Associação Portuguesa do Lixo Marinho, Direção Geral dos Assuntos do Mar/Instituto Socorros a Náufragos e Fundação Vodafone, patrocinadora do concurso. Recorde-se que o projeto «Campanha Bandeira Azul – Lagos na Onda do Verão» já este ano foi distinguido com uma Menção Honrosa pelo Instituto de Tecnologia Comportamental (INTEC), no âmbito do concurso M2V – Melhores Municípios para Viver, na categoria de valorização ambiental, reconhecendo desta forma a qualidade do trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pela autarquia na área da sensibilização e educação ambiental e de valorização deste importante património .

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CONCELHO DE LOULÉ FICOU MAIS VERDE EM 2017

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o âmbito da Estratégia Municipal de Adaptação às Alterações Climáticas (EMAAC) da Câmara Municipal de Loulé, e que diz respeito à ampliação e reforço das manchas verdes no território, foram plantadas mais de mil espécies em todo o concelho durante o ano de 2017. Logo no Dia Internacional das Florestas (27 de março), efeméride ambiental que pretende reconhecer a importância da árvore no nosso quotidiano enquanto símbolo máximo da Natureza, foram plantadas em escolas e espaços urbanos e rurais mais de 300 espécies arbóreas (alfarrobeiras, sobreiros, ameixeiras, laranjeiras, amendoeiras, figueiras, entre outras), que contaram com o contributo ALGARVE INFORMATIVO #136

de alunos de diversos agrupamentos escolares, utentes de associações de doentes mentais (EXISTIR, UNIR e ASMAL), Guarda Nacional Republicana, Associação de Produtores Florestais da Serra do Caldeirão e Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas. Neste dia, e à semelhança de anos anteriores, foram ainda distribuídas à população mil e 200 exemplares de espécies arbóreas e arbustivas. Estas ações tiveram o intuito não só valorizar a componente estética para a paisagem urbana, quebrando a monotonia das construções, mas sobretudo a componente ambiental, de modo a melhorar a qualidade do ar e da temperatura, contribuindo assim para a sustentabilidade ambiental.

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A 9 de novembro, o Município de Loulé realizou uma mega ação de plantação de cinco mil árvores (entre ciprestes, sobreiros, medronheiros, pinheiros mansos e piricantas), na Lagoa de Momprolé, abraçando duas importantes iniciativas, que casaram na perfeição: a 2.ª Operação Montanha Verde, promovida pelo Zoomarine, e a Rota Pela Floresta, da Associação Bandeira Azul (ABAE), com praticamente 300 voluntários a contribuírem para ajudar a reflorestar Portugal e a recuperar uma área de 5,3 hectares, propriedade da autarquia, atualmente desaproveitada. As ações integraram-se no projeto «Do CO2 ao O2», tendo sido convidadas a participar na iniciativa as Eco-Escolas do Concelho. Por forma a incentivar para uma mobilidade mais segura e sustentável, os alunos deslocaram-se de bicicleta e/ou de transporte coletivo de passageiros, da escola até ao local onde foi dinamizada a ação de plantação de espécies arbóreas e arbustivas, cujo percurso foi guiado por técnicos da autarquia e acompanhado pelas

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autoridades. Para além da Câmara Municipal de Loulé, do Zoomarine e da ABAE, estas iniciativas tiveram a colaboração de entidades como a Universidade do Algarve, a Agência Portuguesa do Ambiente, a Guarda Nacional Republicana, a Algar SA., a TerraCrua, a Infralobo E.M., os diversos agrupamentos de escolas e Eco-Escolas do Concelho de Loulé e uma turma de uma escola de Olhão, entre muitas outras. Também no âmbito do Dia da Floresta Autóctone (23 de novembro) foram plantadas em escolas, com a participação da comunidade escolar, 90 exemplares de espécies autóctones, entre alfarrobeiras, salgueiros e freixos. Ao longo de todo o ano, a Autarquia de Loulé teve ainda a preocupação de investir na colocação de espécies autóctones em diversos espaços verdes públicos, ultrapassando os 500 exemplares. “O Planeta é a nossa «casa comum» e está em perigo, sendo preciso enfrentar as ameaças”, considera Vítor Aleixo, presidente da Câmara Municipal de Loulé .

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ALBUFEIRA CANDIDATA ANTIGA IGREJA MATRIZ E CENTRO DE ARTES E OFÍCIOS AO CREC ALGARVE 2020

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ntre diversos projetos que serão alvo de candidatura ao Programa Operacional CRESC Algarve 2020, segundo deliberação da Câmara Municipal de Albufeira, está a reabilitação para adaptação do antigo Tribunal a Centro de Artes e Ofícios, num investimento que ascende a 850 mil euros. Outro projeto é o da reabilitação da antiga Igreja Matriz de Santa Maria de Albufeira, um templo que já existia em 1305, segundo as fontes escritas constantes no Arquivo Nacional da Torre do Tombo.

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A Igreja, que remonta à época de D. Dinis, ficou destruída na sequência do terramoto de 1755 e posteriormente foi incendiada, no decurso das lutas liberais (1833). De grande volumetria, a Igreja de Santa Maria dispunha de três naves e tinha como orago Nossa Senhora da Conceição. Reabilitar aquele espaço impõe um investimento superior a um milhão e 600 mil euros e passa pela conservação, restauro e valorização dos vestígios edificados da Igreja, que correspondem à antiga CapelaMor, tendo em vista a sua adaptação para espaço expositivo e de atividades culturais,

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assim como a criação de um novo espaço privado de uso público da cidade, um pátio murado que corresponde em dimensão às antigas naves para posterior acolhimento de eventos culturais. Situando-se na zona mais nobre e antiga de Albufeira, a nascente do antigo Castelo, com fachada principal voltada para a atual Rua do Cemitério Velho e alçado lateral paralelo à Rua da Bateria, este templo cristão foi um dos mais antigos do Algarve e a sua construção obedeceu a preceitos simbólicos no que se refere à geometria, bem como às relações numéricas de elementos construtivos e dimensionais: é o caso da cruz latina, inerente à planta do templo, e da carga simbólica do número oito, patente na existência das oito capelas edificadas no seu interior. Apresentava um discurso repleto de referências ao cristianismo, a elementos naturalistas da fauna e da flora, a elementos fantásticos, à tradição popular e a outros motivos decorativos como sejam cordas entrelaçadas, pináculos cónicos, colunas torsas, correntes entre outros visíveis nos seus elementos arquitetónicos, que testemunham o tardogótico. Em 1567, em carta emanada pela Ordem de Avis, datada de 4 de janeiro, é concedida autorização para a construção na sacristia da igreja de uma capela para colocar a imagem do Santíssimo. Em 1592, a 14 de 91

janeiro é feita provisão de licença para Manuel Martins e sua mulher edificarem capela com invocação a S. Brás. Um ano depois, a capela de S. António recebe provisão, em que é concedida licença para possuir órgão. Continuam as campanhas para o melhoramento e conservação do maior e mais imponente templo religioso da vila, e no ano de 1609, surge nova provisão dirigida ao recebedor da fábrica nova, para a concessão de verba por forma a acabar o retábulo-mor. A Confraria de S. Pedro recebe provisão a 4 de março de 1614, autorizando a construção de nova capela. Em finais do século XVII, gastam se vinte e cinco mil réis no douramento do retábulo – mor da igreja e, em 1685, a fábrica da igreja recebe nova provisão, a 30 de Maio, para remeter á Mesa da Consciência e Ordens quarenta e três mil e novecentos réis para campanha de obras e restauro. O sino é mandado fazer pelo Juiz da Ordem da Comarca de Albufeira, a pedido do então Prior no ano de 1694 .

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LOULÉ RECEBE A 12.ª LOJA LEROY MERLIN DE PORTUGAL

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Leroy Merlin acaba de inaugurar a sua 12.ª loja em Portugal, mais concretamente no concelho de Loulé. Com mais de 10 mil metros quadrados de área total, é a maior loja da marca na região sul do país. Localizada no mais recente complexo comercial do Algarve, o MAR Shopping Algarve, a nova unidade vem reforçar a presença da marca no Algarve, fazendo chegar a sua vasta oferta de produtos, soluções e serviços a um dos mais importantes municípios e polo económico algarvio. São mais de 37 mil produtos, bem como inúmeros serviços e soluções Leroy Merlin, nas áreas de bricolage, construção, decoração, casa de banho, cozinha e jardim, que ficam disponíveis, a ALGARVE INFORMATIVO #136

partir do dia 15 de dezembro, na loja de Loulé, com o objetivo de contribuir para a concretização de todo o tipo de projetos da casa numa zona geográfica muito dinâmica no segmento do imobiliário e construção. A Leroy Merlin Loulé apresenta um conceito de loja inovador que visa proporcionar uma experiência de compra única, centrada na simplificação e conforto do cliente ao longo de todo processo, desde o acolhimento até à concretização da compra. Os produtos podem ser vivenciados em diversos ambientes - desde as áreas de exposição, aos ambientes mais decorativos, às zonas de teste e experimentação -, e o cliente pode solicitar o apoio dos Assessores de Projeto, disponíveis nas zonas de atendimento. Serviços para recolha rápida 92


de produtos como o Drive In para a área de materiais de construção completam a oferta. A nova loja Leroy Merlin Loulé contribui ainda para a dinamização da região com a criação de mais de 150 postos de trabalho diretos, aos quais são acrescidas as contratações indiretas, relacionados com serviços como segurança, limpeza, instaladores, transportadores, cafetaria, entre outros. Com esta nova abertura, a marca francesa dá continuidade ao seu plano de crescimento e expansão para Portugal, baseado numa estratégia de cobertura de todo o território nacional. A zona centro

será a próxima a receber duas lojas da marca, em Leiria e Aveiro, cuja inauguração está prevista para 2018 .

AUTARQUIA DE LOULÉ PRESTA HOMENAGEM ÀS ATLETAS MAFALDA BRÁS E VERA CORDEIRO

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presidente da Câmara Municipal de Loulé, Vítor Aleixo, recebeu, nos Paços do Concelho, as atletas louletanas Mafalda Brás e Vera Cordeiro, que alcançaram recentemente importantes títulos mundiais, para lhes prestar uma pequena homenagem e reconhecimento do Município. Ginasta da Associação de Pais e Amigos da Ginástica de Loulé, Mafalda Brás, em representação da seleção nacional feminina de duplo mini trampolim (DMT), conquistou, no dia 11 de novembro, a medalha de bronze por equipas no Campeonato do Mundo de Ginástica de 93

trampolins, que decorreu em Sófia, na Bulgária. Já a atleta do Sport Clube Escanchinas de Almancil, Vera Cordeiro, sagrou-se, no dia 10 de novembro, campeã mundial de pesca desportiva por equipas no Campeonato do Mundo de seniores e senhoras, em Langebaan, na África do Sul. Num Município que tem sido berço de muitos campeões e onde a dinâmica desportiva tem um papel bastante relevante, a Câmara Municipal de Loulé reafirma, deste modo, o apoio dado aos atletas e associações em prol do desenvolvimento desportivo .

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DIRETOR: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina (danielpina@sapo.pt) CPJ 5852 Telefone: 919 266 930 EDITOR: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina SEDE DA REDAÇÃO: Rua Estrada de Faro, Vivenda Tomizé, N.º 12P, 8135-157 Almancil Email: algarveinformativo@sapo.pt Web: www.algarveinformativo.blogspot.pt PROPRIETÁRIO: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina Contribuinte N.º 211192279 Registado na Entidade Reguladora para a Comunicação Social com o nº 126782 PERIODICIDADE: Semanal CONCEÇÃO GRÁFICA E PAGINAÇÃO: Daniel Pina FOTO DE CAPA: Daniel Pina

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