ALGARVE #128 INFORMATIVO 14 de outubro, 2017
O AMOR segundo Paulo Ribeiro DINA SALVADOR ALIA A NATUREZA À ARTE | O LUTHIER RUI GONÇALVES ALGARVE INFORMATIVO FILIPE1 CABEÇADAS LANÇA-SE A SOLO | KAYSER BALLET NO TEATRO LETHES#128
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CONTEÚDOS ARTIGOS 10 - Atualidade 28 - Luthier R. Varrecoso G. 36 - Filipe Cabeçadas 44 - Dina Salvador 54 - Ceci n’est pan un film 64 - Kayser Ballet 86 - Atualidade
OPINIÃO 72 - Paulo Cunha 74 - Paulo Bernardo 76 - José Graça 78 - Mirian Tavares 80 - Adília César 82 - Antónia Correia 84 - Augusto Lima 54 64
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MAR SHOPPING ALGARVE EM CONTAGEM DECRESCENTE PARA A ABERTURA
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MAR Shopping Algarve está em contagem decrescente para a sua abertura, agendada para 26 de outubro. O maior centro comercial da região apresenta-se como um espaço moderno e conjugado com elementos decorativos da região, zonas com vegetação natural, no interior e exterior, e a maior área de lazer ao ar livre
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Fotografia: integrada num centro comercial do país. A par desta distinção, o novo complexo de Loulé integra algumas das mais inovadoras soluções digitais do momento, assegurando, em simultâneo, o uso eficiente de energia e a sustentabilidade do projeto. Mas o MAR Shopping Algarve vai abrir com outras ofertas inéditas. De facto,
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Herman Gewert, Diretor-Geral do MAR Shopping Algarve
entre as 110 lojas estará a maior Primark da região, a primeira loja Starbucks do Algarve, cinco salas de cinema, as primeiras do país com projeção laser e uma zona de restauração com uma oferta variada para todos os paladares. “Entre toda a equipa e na obra vivem-se dias de grande entusiasmo para termos tudo pronto para receber os nossos visitantes no dia 26 de outubro. A abertura está a ser preparada com todo o empenho e a vontade de apresentar à região um projeto que foi desenvolvido com base nas preferências e gostos dos nossos visitantes, apresentando-lhes um centro comercial com caraterísticas inovadoras, onde poderão passar tempo de qualidade desfrutando de experiências de compra 11
em lojas inéditas na região e experimentar soluções inovadoras de lazer e entretenimento no interior e exterior do centro comercial”, refere Herman Gewert, Diretor-Geral do MAR Shopping Algarve. Ao passear pelo centro comercial será possível contemplar a decoração inspirada em elementos típicos da região como azulejos e uma instalação artística criada com 25 quilómetros de lã, ou apreciar estes e outros elementos nas zonas de descanso espalhadas pelo centro. Ao redor do centro comercial e no interior também se pode observar a presença de vegetação natural e passear entre áreas com jardins verticais e várias ALGARVE INFORMATIVO #128
ATUALIDADE espécies de plantas, instaladas no complexo com vista à proteção e melhoramento do meio ambiente local e com reduzida necessidade de irrigação, dependendo apenas da precipitação no local. Na área de lazer ao ar livre com oito mil metros quadrados, o MAR Shopping Algarve convida os visitantes ao descanso e entretenimento para todas as idades e, para os mais tecnológicos, haverá carregadores solares para quem precisar de carregar os dispositivos móveis. No projeto do novo empreendimento de Loulé foram também consideradas certas características de eficiência energética, tais como a instalação de painéis solares fotovoltaicos, iluminação LED e software de controlo avançados para ar condicionado e iluminação. Para garantir o uso eficiente de água, o projeto assegura que todas as torneiras, chuveiros e WC’s têm baixo consumo de água, e procedeu-se
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à instalação de um largo número de contadores de água, possibilitando o controlo de consumo de água e de fugas. No que diz respeito aos materiais utilizados, a sua escolha teve em conta o reduzido impacto ambiental. Toda a madeira é proveniente de florestas sustentáveis (acreditadas pela certificação Forest Stewardship Council). O MAR Shopping Algarve está integrado num complexo comercial de 82 mil metros quadrados que inclui uma loja IKEA e o Designer Outlet Algarve. O complexo comercial instalou-se em Loulé com o objetivo de oferecer aos visitantes uma experiência de compra versátil, bem como opções de lazer diferenciadoras, e implicou um investimento do Grupo IKEA a rondar os 200 milhões de euros, representando a criação de três mil postos de trabalho diretos e indiretos na região .
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FESTIVAL DE OBSERVAÇÃO DE AVES DE SAGRES BATEU RECORDE DE VISITANTES Texto:
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Festival de Observação de Aves & Atividades de Natureza teve, na sua oitava edição, cerca de 2150 participantes, mais mil do que no ano transato. Foram cinco dias repletos de atividades dedicadas à natureza, realizadas em vários pontos de Sagres, nomeadamente o Cabo de São Vicente, o Forte do Beliche, a Fortaleza de Sagres e a Cabranosa.
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Bateram-se também novos recordes como o número de nacionalidades presentes no festival, com 39, mais 10 do que em 2016. Para além dos países europeus, destacaram-se proveniências como Guiana, Nova Zelândia, China, Filipinas, Colômbia e México. Das 250 atividades do programa, algumas merecem destaque por terem sido uma inovação e pela excelente adesão dos
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participantes, como foi o caso das viagens de comboio onde foi contada a história de Sagres, os workshops de música, o observatório móvel, os momentos musicais e aves de madeira distribuídas pelos parceiros e escolas para serem decoradas. Este ano foram observadas 157 espécies, um número que ainda pode sofrer alterações, e oito delas são consideradas raridades, como a águia-da-pomerânia, o alfaneque e o alcatraz-pardo. O sucesso de mais uma edição deste festival deveu-se também, em grande parte, aos voluntários e parceiros que colaboraram nesta iniciativa, seja na parte das atividades ou na atribuição de descontos à organização e/ou participantes. A iniciativa da Câmara Municipal de Vila do Bispo tem como copromotores a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves e a Almargem. 15
Entre finais de agosto e início de novembro, centenas de aves, rumam para África para «fugir» do Inverno europeu. Devido à sua localização geográfica, Sagres torna-se, por esta altura, um local privilegiado para se assistir à migração de aves. Centenas de observadores de aves procuram, por isso, a Península de Sagres para usufruir deste espetáculo da Natureza. Durante estes meses, os céus de Sagres têm, quase todos os dias, surpresas, desde espécies planadoras, passeriformes ou mesmo aves marinhas, algumas raras outras mais comuns. E muitas das aves que chegam a Sagres são juvenis ou imaturas e estão a migrar pela primeira vez .
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ALGARVIOS APRESENTARAM PROPOSTAS PARA O ORÇAMENTO PARTICIPATIVO JOVEM PORTUGAL Texto:
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Instituto Português do Desporto e Juventude de Faro recebeu, no dia 10 de outubro, o encontro distrital de participação referente ao Orçamento Participativo Jovem Portugal 2017, que contou com a presença de várias dezenas de jovens provenientes de praticamente todos os concelhos do ALGARVE INFORMATIVO #128
Fotografia: Algarve. A iniciativa do Ministério da Educação, dinamizada com a parceria técnica da Associação In Loco, pretende envolver os cidadãos com idades compreendidas entre os 14 e os 30 anos, inclusive, que podem apresentar e decidir projetos de investimento público, no montante global de 300 mil euros.
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O Orçamento Participativo Jovem abrange todo o território nacional e, como tal, contempla 20 encontros de participação, durante os quais podem ser apresentadas propostas que se insiram nas áreas temáticas do desporto inclusivo, educação para as ciências, inovação social e sustentabilidade ambiental. Cada proposta não pode exceder o montante de 75 mil euros, nem implicar a construção de infraestruturas, mas há outros critérios a cumprir. Assim, as propostas não podem configurar um pedido de apoio ou uma prestação de serviços; devem beneficiar mais do que um município; serem bem especificadas e localizadas no território nacional; e serem, como é natural, tecnicamente exequíveis. Do mesmo modo, não podem contrariar o Programa
do Governo ou projetos e programas em curso nas diferentes áreas de políticas públicas. As boas-vindas institucionais foram dadas por Henrique Gomes, chefe de gabinete do Presidente da Câmara Municipal de Faro, que transmitiu aos jovens o prazer que os autarcas sentem quando os cidadãos se juntam para participar, de forma ativa e interessada, na definição do futuro das suas comunidades. “Quando estamos perante uma moldura humana repleta de jovens que tentam colocar no papel as ideias e projetos que têm para melhorar a vida das suas cidades, ficamos também com muitas certezas em relação ao nosso futuro”.
Henrique Gomes, chefe de gabinete do Presidente da Câmara Municipal de Faro, Custódio Moreno, Diretor Regional do Instituto Português do Desporto e Juventude de Faro e Nelson Dias, da Associação In Loco 17
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ATUALIDADE O anfitrião da sessão foi Custódio Moreno, Diretor Regional do IPDJ de Faro, que confessou a sua emoção ao ver uma sala cheia de jovens oriundos de todo o barlavento e sotavento. “Estas iniciativas demonstram que não podemos confundir irreverência com irresponsabilidade. Os jovens devem continuar a ser irreverentes, diferentes e a bater o pé. Nunca digam «sim» apenas para fazer o jeito a alguém. Não gosto de jovens acomodados e que estejam à espera que as coisas aconteçam. Precisamos todos de jovens que participem para mudar as coisas”, frisou.
para conceder aos cidadãos a capacidade de exprimirem as suas opiniões em liberdade, Custódio Moreno defendeu que há que continuar a fazer história todos os dias e os Orçamento Participativos são um boa ferramenta para tal. “Não podemos votar e dizer que já cumprimos com o nosso dever cívico. Isso é o mínimo dos mínimos para ir a jogo na nossa participação enquanto cidadãos. Temos Concelhos Municipais de Juventude e inúmeras associações, os Orçamentos Participativos Municipais e das Escolas, agora temos o Orçamento Participativo Jovem, em que Portugal está a ser pioneiro a nível mundial”, destacou .
Lembrando que as gerações anteriores fizeram história em Portugal ao lutarem
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«POESIA A SUL» REGRESSA COM UM PROGRAMA CULTURAL DE LUXO Texto:
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proxima-se a passos rápidos mais uma edição do Encontro Internacional Poesia a Sul, que este ano acontece de 3 a 12 de novembro, mais uma vez dinamizado pelo poeta olhanense Fernando Cabrita, com o apoio da Câmara Municipal de Olhão. Criado em 2015, na altura num formato praticamente ibérico, o evento ganhou um maior fôlego na sua segunda edição, com o contributo do «365 Algarve», e oferece, desta feita, um programa de grande substância que reúne mais de 50 poetas, músicos, pintores, conferencistas, escritores, professores e artistas, oriundos de 16 países e de quatro continentes. Para além de rápida, a internacionalização do «Poesia a Sul» foi, acima de tudo, bem-sucedida, o mesmo sucedendo com a obra poética de Fernando Cabrita, que vai fazendo o seu caminho ao longo dos anos e de várias publicações e é cada vez mais reconhecida internacionalmente. Disso são exemplo as críticas positivas em blogs, jornais e revistas no México, Espanha, Marrocos ou Porto Rico, a par de comentários favoráveis e muito elogiosos em páginas de especialidade literária subscritas por autores e críticos internacionais. Em simultâneo, a poesia de Fernando Cabrita, nestes últimos quatro a cinco anos, tem vindo a surgir em publicações, ALGARVE INFORMATIVO #128
antologias, obras coletivas e revistas literárias em França, Espanha ou Marrocos e os seus livros estão a ser editados nesses países, em modo bilingue. Foi o caso dos livros «Lejos de Sefarad» (2014), «Oda a La Europa Muerta» (Agosto de 2017), «Una Vision sobre la Poética de Rafael Vargas» (Outubro de 2017), «Como Aves de Todos los Cielos» (Março de 2017, Porto Rico) ou o recente «Le Deuxiéme Livre de la Maison», (Abril de 2017), editado em Marraquexe e ali apresentado e distribuído entre poetas do mundo. Essa publicação foi, aliás, a base e o primeiro ato concreto da parceria estabelecida entre o Festival Internacional de Poesia daquela importante cidade marroquina e o Encontro Poesia a Sul. Igualmente o festival literário olhanense se geminou e irmanou com o Encontro Internacional de Escritores Verso adentro, de Aracena, Espanha, duas parcerias que já vão refletir-se no evento de 2017 e que prenunciam atividades culturais transfronteiras de largo espectro, das quais seguramente o Algarve e Portugal sairão beneficiados. Quanto ao programa desta edição do «Poesia a Sul», é impressionante em número de atividades e qualidade, reunindo grandes nomes do quadro poético internacional. “A explicação para este crescendo está, em primeiro lugar, no apoio incondicional que a 20
Câmara Municipal de Olhão tem dado a esta iniciativa. Em segundo lugar, temos um rumo definido: fazemos um Festival que não é contra ninguém nem exclui ninguém”, explica Fernando Cabrita. “Não queremos um Festival de autoproclamados vanguardistas; não queremos um Festival de «poetas ditos malditos»; não queremos um Festival apenas de consagração dos consagrados; nem um Festival de principiantes e apenas de principiantes. Queremos, e é isso que tentamos que seja o «Poesia a Sul», um encontro de poetas do mundo, onde possam conviver os consagrados e os principiantes, os editados já e os que estão por editar. E um encontro dos diversos modos de escrever poesia, sem autoproclamações de quem é supostamente bom e de quem é supostamente mau. Essa vaidade de dizer, de púlpito, que este presta, aquele não, deixamos aos que gostam disso”, reforçou o autor olhanense. Claro que existem critérios para a elaboração do programa do «Poesia a Sul», desde logo, como o próprio nome indica, dar um total enfoque nesse género literário. “Julgo ser esse o segredo deste rápido crescimento em visibilidade internacional, a par de não ser um encontro em que os autores apenas falam das suas coisas, que tantas vezes nada têm que ver com poesia. No «Poesia a Sul» pretendemos que os autores mostrem o seu labor poético e que, além disso, troquem conhecimentos, saberes, visões literárias”, sublinha Fernando 21
Cabrita, daí a existência de palestras sobre temas compaginados com a escrita, análise de obras, comentários críticos. “Não dependemos de nenhuma editora, de nenhum grupo económico, de nenhum «orientador» estético ou comercial, e é assim que queremos ganhar o nosso espaço”, conclui o mentor do festival que vai animar, em termos culturais, a cidade de Olhão de 3 a 12 de novembro . ALGARVE INFORMATIVO #128
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JORNALISTAS DOS EUA, CANADÁ E REINO UNIDO PROVARAM VINHOS DO ALGARVE Texto:
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CVA – Comissão Vitivinícola do Algarve recebeu, durante os dias 4, 5 e 6 de outubro, a visita de três jornalistas e críticos de vinho, representando as conceituadas organizações Circle of Wine Writers (UK), Society of Wine Educators (EUA) e Vins & Vignobles (Canadá). Apesar de conhecerem alguns vinhos e regiões do país, foi a primeira vez que se deslocaram ao Algarve e mostraram-se satisfeitos e surpreendidos com a recente recuperação do setor
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vinícola na região e com a qualidade geral apresentada. A visita compreendeu um tour guiado pela CVA por vários produtores, cabendo a cada adega a seleção dos vinhos e a informação técnica prestada sobre os mesmos. A CVA iniciou o tour com uma apresentação geral do setor, da produção e dos produtores certificados existentes na região. Os locais selecionados foram a Quinta da Tôr (Loulé), Quinta do Francês (Silves), 22
Convento do Paraíso (Silves) e Quinta dos Vales (Lagoa), terminando o percurso com uma prova alargada de outros produtores no restaurante/garrafeira Veneza em Paderne, onde se deu a provar um dos vinhos monocasta tinto de Negra Mole, a casta mais típica do Algarve e única (com capacidade produtiva) no país e no Mundo. A par desta visita dos jornalistas especializados à região, os Vinhos do Algarve deram-se a conhecer através de um stand de provas no certame Vinipax integrado no evento Rural Beja - que decorreu em Beja, de 5 a 8 de outubro, e no qual foi possível provar algumas novidades como o Clarete e o Palhete, ambos do recente projeto Morgado do Quintão. Estes dois vinhos procuram recuperar os conceitos antigos dos Claretes – vinhos ligeiros na cor e álcool e leves no paladar – e os Palhetes – ainda mais ligeiros e que resultavam da curtimenta de
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uvas brancas e tintas, originando um vinho mais aberto e de cor rosada, designados por Palhetes. Para o presidente da CVA, Carlos Gracias, “a participação na Vinipax faz parte da estratégia de divulgação dos Vinhos do Algarve, sobretudo num certame tão próximo da região e com tradição na presença de importantes regiões e produtores nacionais e cada vez mais também internacionais”. O dirigente referiu, contudo, algum desalento por este ano não haver a habitual competição de vinhos, “pois sempre seria mais uma oportunidade de afirmação da crescente qualidade dos Vinhos do Algarve, submetidos à prova cega dos especialistas internacionais”. Um dos produtores algarvios a visitar o stand foi Luís Cabrita, da Quinta da
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Flávia Luz - técnica da CVA e o presidente Carlos Gracias no stand dos Vinhos do Algarve na Vinipax 2017
Malaca, que considerou muito relevante a presença de um stand de divulgação dos Vinhos do Algarve em Beja. “Para além da promoção junto de uma importante região consumidora como o Alentejo, são muitas as pessoas de fora que se deslocam à Vinipax para conhecer os vinhos e é ótimo o Algarve cá estar representado”, sublinhou, acrescentando que a vindima nos seus terrenos correu bastante bem. “A uva apresentou-se muito sadia, pelo que se antevê uma produção de excelente qualidade para 2017”, salientou. “A quantidade será maior nos brancos, devido ao aumento da área de vinha em três hectares para as castas Crato Branco e Sauvignon Blanc para satisfazer a procura de vinhos frescos na região”. A promoção dos Vinhos do Algarve continua a sua ação fora de portas, de 20 a 22 de outubro, no Mercado de Vinhos do ALGARVE INFORMATIVO #128
Campo Pequeno, em Lisboa, também com stand próprio.
MOLDÁVIA, UM PAÍS (VÍNICO) A DESCOBRIR Com certeza nomes como Feteasca Regala, Feteasca Neagra, ou Rara Neagra, Plavai, Viorica ou a Saperavi, esta uma casta tinta originária da Geórgia e que é somente uma das castas mais antigas do mundo, e estamos a falar de 6.000 anos A.C., serão provavelmente desconhecidas da maioria dos enófilos. Mas não considerem isso embaraçoso pois, apesar da Moldávia ser um dos países mais antigos, a par da Geórgia, no cultivo da vinha e produção de vinho, permanece desconhecido da maioria dos europeus e, claro, dos portugueses, pois, tendo nós excelentes vinhos, facilmente
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esquecemos de olhar para o lado e apreciar outros produtos igualmente interessantes. A Moldávia apresenta inúmeros argumentos para ser um país levado a sério no mundo dos vinhos, aliás, a palavra mundo encaixa de forma perfeita porque a maior coleção de vinhos do mundo, registada pelo Guinness Book em 2005, pertence à Moldávia, que tem tradições na guarda de vinhos em caves subterrâneas. O recorde pertence à cave Milestii Mici, que armazena a 80 metros de profundidade a Coleção Dourada com mais de um milhão e meio de garrafas. Esta gigantesca galeria tem 200 quilómetros de comprimento e é possível viajar no seu interior inclusive de carro, tal a largura dos seus corredores.
Informativo esteve à conversa com um simpático casal que importa os vinhos da Moldávia e que quis dar a conhecer alguns dos seus vinhos. Provei, portanto, os vinhos com as castas indígenas Feteasca Regala e Neagra (Feteasca e Rara), para além da Saperavi, algumas em blend com castas internacionais e fiquei agradavelmente surpreendido. Tanto brancos como tintos muito bemfeitos, agradáveis e realmente com personalidade e estilo diferentes dos vinhos internacionais (no caso dos monocastas). Sem dúvida um país que me despertou a curiosidade e que vou passar a seguir com mais atenção, partilhando com os leitores as descobertas que vou fazendo.
Na VINIPAX 2017, em Beja, o Algarve
Simion Croitoru e a sua esposa Viorica Croitoru, oriundos da Moldávia e a viver em Portugal, proprietários da AtlantikDynamik, uma empresa dedicada à importação de bebidas deste país
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RUI GONÇALVES VIOLINISTA, PROFESSOR… E UM LUTHIER DE ELEIÇÃO É no anonimato da sua residência que o violinista, professor e codiretor pedagógico do Conservatório de Música de Olhão, Rui Gonçalves, desenvolve a sua outra paixão, a construção de violinos, violetas e arcos. Um hobby, por enquanto apenas isso, que mantém há quase duas décadas, e com mais encomendas do que aquelas a que consegue dar resposta, porque não são muitos os luthiers em atividade em Portugal e ainda menos os do gabarito de «R. Varrecoso G.». Texto:
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iz-nos a enciclopédia que «luthier» é o profissional que trabalha com a construção e manutenção de instrumentos musicais, uma arte que, originalmente, estava restringida a instrumentos de corda como o violão, o violino ou o baixo. Com o evoluir do tempo, o termo passou a abarcar profissionais que trabalham com todos os instrumentos, seja de corda, sopro ou percussão, mas a essência mantém-se a mesma, ou seja, a este homem, ou mulher, cabe a responsabilidade de construir, manter e afinar instrumentos de acordo com as especificidades de cada um.
No início, porém, estiveram as reparações, não se aventurou logo na construção de raiz, apesar de, como violinista, ter perfeita consciência do que estes músicos procuram, do que desejam num instrumento. “É mais fácil alcançarmos o que queremos quando sabemos o que procuramos. Por vezes não basta o ensino académico da teoria para se chegar a uma determinada sonoridade e desempenho, é preciso ter também as ferramentas que se ganham com a prática”, salienta, daí ter-se
Este ofício é desempenhado há duas décadas por Rui Gonçalves, violinista, professor de música e um dos diretores pedagógicos do Conservatório de Música de Olhão, sempre em torno dos violinos, violetas e arcos. “Mais do que curiosidade em saber como eram feitos os instrumentos, sentia uma enorme vontade em construí-los eu próprio e comecei a fazer experiências e a frequentar alguns cursos, nomeadamente em Inglaterra. Atualmente, há um curso profissional no Alentejo mas, naquele tempo, não havia nenhuma oferta educativa deste género em Portugal”, conta o entrevistado, enquanto ia trabalhando num molde na oficina que tem em sua casa, em Olhão.
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cingido à construção de violinos e violetas. “As reparações destes instrumentos são caríssimas, o que também me empurrou um pouco para este ofício, porque um estudante normal não tem posses para fazer face a esses custos”. Reparações que, quando um instrumento é bem estimado, não são frequentes, aliás, há instrumentos que duram várias vidas, com 100, 200, 300 anos e em perfeito funcionamento. Por isso, depressa se instalou o bichinho de ir mais além, de construir, um passo que deu depois de ter
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tirado as tais formações em Inglaterra. “Felizmente, tenho bastantes encomendas e são instrumentos com muita qualidade”, afirma, sem falsas modéstias. “Nos cursos ensinam-nos a fazer um violino, não nos ensinam a fazer um «bom» violino. Cada luthier tem os seus segredos no que toca às afinações, à acústica, à sua visão do que deve ser o instrumento”. Contudo, e apesar de não conseguir dar conta de todas as encomendas que tem, Rui Gonçalves assegura que é difícil ser-se luthier a 100 por cento, pelo menos no Algarve. “Temos a Orquestra Clássica do Sul, que tem oito violinistas, e só os estudantes mais avançados é que investem em instrumentos de qualidade superior. Em Lisboa, Porto, Covilhã, Coimbra ou Aveiro, onde estão os grandes polos universitários e as principais orquestras, já seria possível ser-se luthier a tempo inteiro”, entende, lembrando que um violino básico pode ser adquirido por menos de 100 euros. “Esses são os mauzinhos, mesmo maus. Um violino feito por um luthier vai sempre para cima dos quatro mil euros, portanto, só ao alcance de um músico profissional ou de um estudante de nível avançado que quer mesmo dedicar-se à música. Para além disso, não é normal terse vários violinos. Guarda-se ALGARVE INFORMATIVO #128
aquele com que se iniciaram os estudos e, quando se vai para a universidade, adquire-se um violino de luthier, ou um antigo que tenha sido recuperado”, explica.
UM SONHO À ESPERA DA REFORMA Mesmo sendo construídos de raiz pelo luthier, estes instrumentos não são à la carte, não são feitos ao gosto do freguês, como se costuma dizer, sendo encomendados porque há um conhecimento prévio da qualidade do produto final. “Não há cores ou linhas à escolha do cliente, mas isso não quer dizer que dois instrumentos sejam exatamente iguais. Cada violino tem a sua alma porque, embora a madeira possa ser da mesma espécie, os veios são diferentes. ALGARVE INFORMATIVO #128
Isso dá uma impressão digital distinta a cada instrumento”, indica Rui Gonçalves, adiantando que a matériaprima provém toda do estrangeiro, da Alemanha, Itália e República Checa. “A madeira dos arcos, por exemplo, é Pernambuco, comprada diretamente no Brasil”. Outra razão para se manter o mesmo padrão é para que os instrumentos sejam facilmente reconhecidos onde quer que sejam tocados, por isso, os violinos «R. Varrecoso G.» têm a sua própria tonalidade e estética. “É assim que eu gosto deles e, quem me procura, é porque também os aprecia dessa maneira. Há quem compre pelo aspeto ou pelo som, outros escolhem meramente pelo nome do luthier. No Algarve é mais difícil ganhar-se essa
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reputação, mas eu também não tenho tempo para assumir esta atividade na sua plenitude. Trabalho na oficina aos fins-desemana e durante a noite, até às duas ou três da manhã”, afirma. Neste cenário, se um violino pode demorar, em média, dois ou três meses a ser feito, de seguida, os «R. Varrecoso G.» podem exigir um ano de trabalho. “É um processo composto por várias etapas, todas elas diferentes na construção. Como só faço um instrumento de cada vez, não disperso a atenção, os pormenores que tenho na cabeça são apenas para aquele violino”, diz-nos, sublinhando que as próprias ferramentas manuais vêm do estrangeiro, o que encarece ainda mais o instrumento feito num luthier. “Há pessoas que fazem isto quase como uma forma de terapia, mas o resultado não é o mesmo. Eu tenho livros que custam fortunas, 33
alguns chegam aos mil euros. Pesquisar na internet ensina-nos a base, os segredos têm que ser estudados em obras de referência, porque um deslize de uma décima de milímetros pode danificar logo o instrumento”, alerta. Pouco a pouco, de forma consistente, com elevada qualidade, os «R. Varrecoso G.» vão crescendo no ateliê de Rui Gonçalves, que prevê abraçar a fundo a carreira de luthier quando estiver reformado do ensino. “Como é lógico, gostava de ter os meus instrumentos a ser tocados nas grandes orquestras, mas esse processo é lento. As pessoas têm que conhecer e experimentar e eu, por enquanto, nem sequer consigo ter um violino de ensaio para potenciais clientes, são logo todos comprados”, termina, antes de retomar o trabalho no instrumento que tem em mãos . ALGARVE INFORMATIVO #128
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ENTREVISTA
FILIPE CABEÇADAS VOLTA A MOSTRAR O QUE VALE, MAS AGORA A SOLO O single «Bring Back The Man» marca a estreia de Filipe Cabeçadas a solo, precisamente duas décadas desde que iniciou a sua caminhada nas lides da música. Para trás ficou um trajeto que incluiu diversas bandas de referência do pop/rock algarvio, sendo que, de há uns anos a esta parte, integra o coletivo que acompanha Diogo Piçarra. Agora, porém, é a vez de se aventurar sozinho, num estilo diferente daquele a que nos tinha habituado, e a primeira amostra confirma o que já todos sabíamos… temos artista … e de topo. Entrevista:
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oi em 1997 que Filipe Cabeçadas começou a dar os primeiros passos na sua carreira de compositor, multi-instrumentista e produtor, aprendendo a teoria no Conservatório Regional de Música do Algarve e colocando esses conhecimentos, de imediato, na prática, na altura nos metaleiros Raw Machine e Mindlock. O adolescente tornou-se adulto, mas não perdeu a sua irreverência e continuou a integrar bandas de culto do panorama algarvio, casos dos Melomeno-Rítmica, LUDO e Nome. Depois, começou a tocar como freelancer com diversos múltiplos artistas, o último dos quais o também farense Diogo Piçarra. Pelo meio, licenciouse em Estudos Artísticos na Universidade do Algarve e fez uma Pós-Graduação em Artes Musicais e Tecnologias da Música na Universidade Nova de Lisboa. Numa destas tardes outonais fomos dar com ele nos «Boxer Studios», em São Brás de Alportel, a preparar o segundo videoclip do seu trabalho em nome próprio, sendo que o primeiro «cheirinho», «Bring Back the Man», já anda a rodar nas rádios e plataformas digitais há algumas semanas. “Era uma vontade que vinha sendo maturada nos últimos dois anos, porque o formato de banda já não servia para mim. No início deste Verão dei por mim a falar mal de muitas coisas, até de alguns projetos artísticos do Algarve, e perguntaram-me qual era o exemplo que eu dava. Fez-se uma faísca, não podia limitar-me a apontar o dedo. Decidi «jogar-me aos leões» e quero que este trabalho tenha mérito por mim, e não por alguns sucessos que tenha alcançado no passado inserido em determinadas bandas”, explica Filipe Cabeçadas. ALGARVE INFORMATIVO #128
Uma prova de fogo que, em primeiro lugar, pretende mostrar ao próprio Filipe Cabeçadas o que ele vale, não está demasiado preocupado com aquilo que os outros vão pensar, e até escolheu um estilo musical diferente do que trazia na bagagem. “Todos nós somos um animal em constante mutação. Não somos a mesma pessoa que éramos há um ano ou há um mês, e os nossos gostos refletem isso. Eu adoro heavy metal, mas fui ganhando outras sensibilidades 38
musicais que são mais desafiantes. Queria sair da minha zona de conforto intelectual, não usar uma fórmula que domino por completo”, refere o entrevistado, revelando que o primeiro single foi composto em 15 minutos. “Nem pensei no género que a música era, nem com aquilo com que iria ser conotado, estava simplesmente a tentar provar a mim o que conseguia fazer”. Depois do tema de apresentação «Bring Back the Man», a nova música, que sairá 39
por altura do Natal, vai ter uma sonoridade diferente, uma cover numa onda mais familiar e comercial, porque essa é a liberdade que uma carreira a solo proporciona, fazer o que lhe vai na alma naquele momento em concreto, obviamente com um mínimo de coerência. “Fui para estúdio com o esboço de cinco músicas, gravei-as e ficaram lá. Entretanto, surgiram outros temas e até pensei em lançar o disco este ano, mas a minha agenda é bastante complicada de gerir e não ALGARVE INFORMATIVO #128
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queria correr o risco de falhar com alguém. O objetivo é lançar o álbum no outono de 2018 e, até lá, vou lançando um single de três em três meses, sempre acompanhado de um videoclip. Estas estão fechadas, mas é possível que, pelo caminho, faça mais canções para juntar ao coletivo”, indica, de forma descontraída, numa pequena pausa das gravações. O processo torna-se mais fácil, e rápido, porque Filipe Cabeçadas é praticamente um homem-orquestra, dominando diversos instrumentos. “Claro que dá mais trabalho, mas nem penso nisso, estou a fazer o que gosto. Num projeto a solo tem-se mais liberdade e há menos «problemas» sociais e stress, mas o risco é muito maior”, admite o entrevistado. “Uma coisa é termos tudo imaginado na cabeça, com todo o know-how que possuímos, outra coisa é ir para o terreno. Por mais que tenhamos tudo esquematizado ao detalhe, há que colocar os instrumentos a dialogar em equilíbrio uns com os outros e não sabemos se isso vai resultar. Neste tema, acho que me safei”, observa, com um sorriso.
PRONTO PARA «ENFRENTAR AS FERAS» SOZINHO Escrever as letras também não tem sido uma dor-de-cabeça, porque Filipe Cabeçadas sempre teve um olhar crítico em relação àquilo que o rodeia, não se limita a «passear» pela vida sem pensar no que acontece, sem tentar que a sua voz se ouça. E assim surgiu «Bring Back the Man», em que um homem olha para o seu reflexo no espelho e se questiona sobre o que será a sua vida dali para a frente, se vai 41
continuar a ser o mesmo ou se vai tentar ser alguém melhor. E outros temas vieram depois desse a um ritmo acelerado, numa magia que o compositor ainda está para perceber. “Normalmente aparece primeiro a música, depois a letra mas, às vezes, as melodias surgem já com palavras que fazem todo o sentido naquele instante. Isso faz com que o assunto da letra flua a partir dessas palavras que acompanharam, de forma natural, os acordes. Noutras situações demora mais tempo para encontrar a palavra certa para encaixar na sílaba certa, porque queremos acabar um refrão a «abrir a goela» e não estar ali fechadinho. Há um esquema para se fazer músicas, mas cada uma tem pequenas vozes a falar dentro dela, é essa a magia”, considera. Letras com sumo, sempre, com sentido, com mensagem, nada de banalidades, assegura Filipe Cabeçadas, porque a música é um ato de comunicação entre emissor e recetor. “Sou formado em Artes e já recebi muitas mensagens, desde a pintura ao teatro, da dança ao cinema. Comunicar, para mim, não pode ser um ato banal e quero que as pessoas levem qualquer coisa com elas depois de ouvirem uma música, que as faça refletir, sentirem-se melhor ou mais tristes, porque a tristeza também faz parte da vida”, afirma, salientando que a opção pelo inglês teve um motivo bastante simples: “É mais fácil escrever música em inglês, o que, dito por um português, pode parecer um contrassenso. Em inglês, uma frase pode ter três ou quatro significados diferentes. O português é ALGARVE INFORMATIVO #128
fazer concertos no estrangeiro”, justifica.
uma língua mais fechada e encontrar as palavras certas para a música respirar exige uma arte muito maior. Como eu queria mesmo fazer este disco e tinha que ser neste momento, escolhi o inglês, porque é onde eu estou agora. Para além disso, uma língua mais universal abre-me mais portas para, um dia, se eu quiser, ir ALGARVE INFORMATIVO #128
O mais complicado neste desafio poderia ser, contudo, ser o cabeça-de-cartaz, o rosto do projeto, ter todos os holofotes a incidir sobre si, depois de duas décadas a subir aos palcos inserido em bandas onde era o guitarrista ou baterista. Filipe Cabeçadas acredita, todavia, estar pronto para «enfrentar as feras» sozinho. “Foi mais um dos aspetos que tive em consideração quando decidi apresentar-me em nome próprio. Vou estar a comunicar, a 100 por cento, com o público que estiver à minha frente, a transmitir as minhas cenas, as psicoses e as coisas boas também. Tenho tido experiências de vida brutais nos últimos dez anos, vivi em vários sítios, andei imenso na estrada. Há dias estive na Suíça, agora vou para Macau, e tudo isso nos preenche. Se tenho alguma sensibilidade e capacidade para reciclar essas experiências e criar algo de novo a partir daí, também tenho a obrigação de, depois, mostrar o que faço aos outros. Chega de falsas modéstias, vamos trabalhar, mantendo os pés bem assentes na terra”, afirma, com convicção, antes de regressar às gravações no «Boxer Studios» .
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ENTREVISTA
“SOU UMA SIMPLES OPERÁRIA DA NATUREZA”, AFIRMA A ARTISTA DINA SALVADOR «Voo Livre» e «Toque Suave» foram as duas exposições de Dina Salvador que estiveram patentes, até 14 de outubro, no Centro Cultural de Lagos. Sendo a primeira de fotografia e a segunda de escultura, ambas as mostras elucidam bem a influência da natureza na veia artística da bióloga marinha, que confessa limitar-se a registar e moldar aquilo que o planeta coloca à disposição de todos, mas que apenas alguns, de olhar mais atento e sensibilidade mais afinada, conseguem captar. Texto:
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ascida em Lagos e formada em Biologia Marinha, há 13 anos que Dina Salvador reparte o seu tempo entre Portugal e o Brasil, onde está envolvida, desde 2004, num projeto de recuperação da Mata Atlântica, no Recôncavo Baiano. Desde pequena que a ciência e a arte fazem parte do seu quotidiano e a fotografia foi um dos primeiros hobbies, focada sobretudo na natureza, arquitetura tradicional, embarcações e artes de pesca. Mais tarde, o gosto pelas artes plásticas levou-a a reunir uma coleção multifacetada que inclui pintura, escultura, gravura, desenho e fotografia, num total de cerca de 800 obras de 158 autores de várias nacionalidades. Não foi de admirar, por isso, que a escultura se tenha juntado à fotografia como forma de ocupar os tempos livres, usando como matéria-prima madeira abandonada na natureza ou colhida em áreas ardidas. Em Portugal trabalha
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essencialmente com algumas espécies do Bosque Mediterrânico, enquanto, do outro lado do Atlântico, opta por exemplares da Mata Atlântica, dos Manguezais e da Restinga. Duas facetas que se puderam observar nas exposições «Voo Livre» (fotografia) e «Toque Suave» (escultura) que estiveram patentes no Centro Cultural de Lagos, de 22 de julho a 14 de outubro. “A «Voo Livre» é uma homenagem à zona onde me sinto mais confortável, de interface, onde a terra acaba e começa o mar, com as arribas, os areais e as ondas. Na «Toque Suave» tenho intervenções com madeiras colhidas nas arribas, especialmente zimbro e tojo, e do Brasil trouxe o mata-pau, mais conhecido por gameleira ou figueira-branca, que cresce principalmente em palmeiras e que acaba por as sufocar e matar, comendo todo o seu interior. No início, tem formas muito inusitadas e que permite um trabalho bastante diferenciado”, descreve Dina Salvador.
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Esta espécie de madeira não se encontra com facilidade porque os agricultores, mal a descobrem, matam-na de imediato, antes que ela destrua por completo tudo o que está ao seu redor. “Para além disso, não tem qualquer tipo de aproveitamento, porque é demasiado mole e facilmente atacada pelo cupim. Tem uma casca grossa e, quando está fresca, tem imensa cola, pega-se nos dedos, na roupa, no chão, em tudo”, conta a escultora, recordando a primeira vez em que se deparou com o mata-pau. “Encontrei um que tinha caído ao chão com o vento – a palmeira já estava morta
– tinha uns veios lindíssimos, tirei a casca e apercebi-me que aquilo tinha um potencial tremendo, mas demora meses a fazer cada peça. É extremamente complicado cortar fibra da palmeira, tem que ser feito com uma motosserra, o que 47
exige alguém habituado a lidar com ela por causa dos coices. Escavar a palmeira por dentro para retirar, pedacinho por pedacinho, sem magoar a parte exterior, é uma tarefa muito minuciosa”, garante. Ora, neste género de peças esculturais, não se fazem esboços no papel com o que se pretende criar, antes aproveitase aquilo que a matéria-prima tem para oferecer ao artista. “Eu sou uma operária da Natureza. No fundo, a Natureza já fez as esculturas, eu limitome a descobri-las. Retiro as cascas, as raízes, a terra, até chegar a formas de
seres surreais. Não vou comprar uma tora de madeira para fazer uma escultura, prefiro aproveitar o olhar atento que a biologia me deu para encontrar essas formas na Natureza”, distingue a entrevistada, confirmando ALGARVE INFORMATIVO #128
que é sempre um prazer ir para o campo, onde também consegue tirar fotografias de geologia, fauna, flora, enquanto anda em busca de troncos abandonados, velhos ou mortos. “No zimbro, por exemplo, não me interessa nada os que crescem em locais mais calmos, sem vento, porque ficam direitos. Prefiro os das zonas de falésia, que não têm abundância de água doce ou de nutrientes, que sejam permanentemente açoitados por ventos salgados, porque crescem muito rasteiros, contornando as rochas, o que lhes dá formas bastante interessantes”, aponta Dina Salvador. Claro que existem sempre excessos para retirar, pelo que a escultora se foi tornando, com o tempo, mais seletiva na escolha das peças a levar para casa. Às vezes até vai, de propósito, para o campo em busca de matéria-prima e regressa de mãos a abanar, porque a Natureza, nessa ocasião, não a surpreendeu, não a espicaçou. “É um processo fantástico porque, ao virar da esquina, onde menos se espera, posso encontrar algo
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deslumbrante. Mas nunca vou sozinha, porque é nos sítios perigosos que descubro as melhores peças”, refere. “Mas farto-me depressa, geralmente trabalho em três ou quatro peças em simultâneo. Vou fazendo de acordo com a disponibilidade de tempo e só acelero o ritmo quando estou a aproximar-me de alguma exposição e preciso concluir esta ou aquela peça”. Esculturas que não são para vender, esclarece ainda Dina Salvador, confessando que o sonho é criar um espaço onde possa ter patente a sua arte e a sua coleção privada, mas também para acolher exposições temporárias de outros artistas.
NINGUÉM SUPERA A CRIATIVIDADE DA NATUREZA Num breve flashback do passado, Dina Salvador enfatiza que sempre se interessou mais pelas coisas da Natureza do que do Homem, aliás, os seus primeiros amigos foram animais. “Vivi
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alguns anos num lugar onde não existiam mais crianças para brincar e isso deu-me um olhar especial para entender esses meus companheiros que não conversavam. Tinha que entender as sensações e estados de espírito dos animais para a relação funcionar melhor”, recorda, razão pelo qual as opções de carreira se limitaram, desde cedo, à Biologia ou à Veterinária. “Só que não consigo cortar carne num animal vivo, fazer uma operação, tirar sangue. Indo para veterinária estaria sempre a lidar com a desgraça, com animais doentes ou estropiados. Adoro tratar dos animais, mas a Natureza abria-me outro leque de experiências”, frisa. De volta às Artes, e concluída a mostra em Lagos, 2018 vai ser pautado por algumas exposições mais específicas de fotografia e por uma grande de escultura – a maior de todas – no Fórum da Maia, de junho a setembro. “O espaço é enorme e vou apostar muito nos mata-paus. São peças grandes e emblemáticas e não conheço nenhum artista que trabalhe com esse material, por ser um processo extremamente desgastante. São meses a fio a deixar tudo limpo e a evitar o ataque dos cupins que, quando se instalam, destroem a peça num instante. Depois, não é nada fácil trazer as peças do Brasil para a Europa, têm que vir num contentor marítimo. Para entrar na minha casa foi preciso uma grua telescópica, para ir para a exposição é necessário um camião TIR e algumas nem sequer cabem em determinados edifícios. Da mata até uma sala de exposição, as pessoas não sonham a quantidade de horas que foram precisas, quantas pessoas tive que pedir ajuda, a maquinaria que foi utilizada”, relata. ALGARVE INFORMATIVO #128
Com um discurso que evidencia a grande paixão que coloca na sua arte, depressa se compreende os motivos pelos quais não vende as suas peças, facto que não a impede de crescer enquanto escultora, pois está constantemente em busca de novos materiais e saberes. “Não há ninguém, neste planeta, que consiga superar a criatividade da Natureza e eu apenas aproveito as pistas que ela me dá. Algumas pessoas tiram partido daquilo que ela coloca à disposição de todos, a maioria limita-se a tirar selfies. Já as crianças acham tudo isto interessantíssimo, têm um olhar diferenciado”, observa Dina Salvador. “Eu também ando «a mil à hora» como as outras pessoas, mas tenho um olhar muito treinado e paro quando vejo algo de diferente. E, no caminho de regresso, ainda encontro coisas mais interessantes, por serem vistas noutra perspetiva”. Neste modo de estar na vida, vazios criativos não existem, ainda mais na Mata Atlântica do Brasil onde reside boa parte do ano e onde há surpresas a cada passo. “Arrisco a vida porque os perigos são imensos, nomeadamente cobras, que são muitas, em todo o lado e com fartura, mas isso faz parte da adrenalina”, sorri a entrevistada. “A criatividade está ali à nossa espera, uma folha seca, um contraluz, troncos com uma coloração diferente, uma planta que nasceu de uma forma completamente inesperada. São pedacinhos da Natureza que têm as suas próprias histórias” .
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REPORTAGEM
LOULÉ REVISITOU O AMOR PELAS MÃOS DE PAULO RIBEIRO Texto:
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Cine-Teatro Louletano recebeu, no dia 6 de outubro, uma das mais prestigiadas companhias de dança portuguesas, a Companhia Paulo Ribeiro, que trouxe o espetáculo «Ceci n’est pas un film. Dueto para maçã e ovo», em que se revisita o tema da busca do amor, num diálogo interdisciplinar muito feliz entre dança, música e excertos de vários filmes. Interpretado magistralmente por Ana Jezabel e João Cardoso, «Ceci n'est pas un film» não tem a intenção de ilustrar um filme em formato de dança. Pretende, sim, proporcionar uma viagem, um diálogo por imagens com passado, mas com futuro incerto. Imagens que conduzem ao dueto de maçã e ovo, que, por sua vez, sugere a elevação do amor. Amor que se torna possessivo, exigente, dependente, desesperado, exaltado, sufocante; mas também patético, cómico, trágico-cómico, lúdico, frívolo, virtuoso, sinuoso, cabotino e esvaziado. Sem narrativas fechadas, sem dramaturgia esmagadora, sem a obrigação de tudo perceber, os dois intérpretes em palco transportam o público para um mundo de sentidos que são os da vida na sua configuração mais simples de se afirmar. “Tinha vários excertos filmes para montar e optei por utilizar apenas cenas de duetos para criar uma espécie
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de narrativa que contasse pequenas histórias a dois. É uma narrativa muito solta, rítmica e lúdica, mas com a preocupação de ter uma certa coesão para falar do modo como duas pessoas se relacionam”, explicou Paulo Ribeiro, atual diretor artístico da Companhia Nacional de Bailado, em conversa com o público no final do espetáculo. «Ceci n'est pas un film» é dotado, de facto, de uma paisagem sonora bastante intensa que deleitou a assistência e Paulo Ribeiro reforçou que a dança é sempre uma narrativa aberta e essa é, precisamente, a sua força, mas também a sua fraqueza. “Dá muito espaço ao público para construir a sua própria história, embora nós tenhamos o cuidado de definir a paisagem geral, para as pessoas não se perderem”, aponta. Quanto à aposta cultural que se faz na dança contemporânea, o cenário continua a ser, infelizmente, algo desolador. “As companhias de dança são programadas sempre a norte de Lisboa. A sul temos o Rui Horta, em Montemor-o-Novo, que oferece residências e, depois, só há Loulé. Algumas companhias portuguesas conseguem manter-se porque circulam no estrangeiro mas, com a rede de teatros que existe em Portugal, exigia-se mais e melhor” .
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REPORTAGEM
KAYSER BALLET TROUXE «A LIGHT IN THE DARK» AO TEATRO LETHES Texto:
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Companhia Kayzer Ballet subiu ao palco do Teatro Lethes, em Faro, no dia 7 de outubro, para apresentar «A Light in the Dark» (uma luz no escuro). O espetáculo fala sobre a esperança de alcançar algo, de realizar sonhos e perseguir objetivos, interagindo com o púbico e convocando-o para a partilha do sonho que anima estes jovens conscientemente atrevidos. A estrutura de dança situada na cidade da Covilhã foi fundada, em setembro de 2014, com o intuito de dar uma oportunidade a jovens bailarinos que concluíram recentemente a sua formação para adquirirem experiência profissional. Desde então, sob a liderança de Ricardo Runa, construiu um vasto currículo que inclui a participação no concerto de Andrea Boccelli no Meo Arena, em março de 2017, e a presença na final do «Got Talent Portugal», em maio de 2016, para além de atuações nos Estados Unidos da América, Alemanha e Itália. Ao longo de três anos realizaram mais de 30 produções, que envolveram para cima de 20 jovens bailarinos profissionais internacionais. Quanto ao espetáculo «A Light in the Dark», a Coreografia é de Ricardo Runa, os Figurinos de Paulo Runa e a Música de Max Richter e E. Bosso. O Desenho de Luz está a cargo de Ricardo Runa e a Fotografia é de Carlos Pimentel .
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OPINIÃO Educação Musical ou Educação para a Música? Paulo Cunha (Professor)
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erá que os noventa/cem minutos semanais dados, ao longo de um ano letivo, à educação musical dos jovens portugueses, a partir dos dez anos (nos dois anos do 2.º ciclo de escolaridade), serão suficientes para chamar a uma disciplina Educação Musical? Esta é, manifestamente, uma pergunta que quase não merece resposta, dado carregar consigo a insuficiência e incipiência dos números com que é feita! À medida que o tempo vai passando e me vou aproximando das quatro décadas de ensino, vai também ficando mais claro qual foi, é e será o meu papel enquanto professor de música. Tendo em conta que há muitos anos que não entram novos professores de Educação Musical nos quadros das escolas portuguesas, poderemos daí inferir que o desinvestimento público na Educação Artística registado nos últimos anos em Portugal envelheceu e desmotivou um setor da classe docente que, por si só, sempre foi visto como um parente pobre da educação: os «Entertainers do Ensino». “Tudo bem, quando sabemos para o que estamos e para onde vamos. Tudo mal, quando não!”, apetece-me dizê-lo em voz alta quando «a bota não bate com a perdigota»! A questão é que, num mundo de sons e silêncios onde a prática seria a consequência lógica da teoria, começa-se a tocar por intuição, devoção e fruição, por substituição à formação, educação e instrução. Digo eu: em Educação Musical, atualmente, começa-se tarde e a horas más e acaba-se cedo e a piores horas! Por isso não me sentiria escandalizado (antes pelo contrário) se o nome da disciplina de Educação Musical mudasse para Educação para a Música. E se o tempo para criar e executar música é tão pouco, porque não lhe retirar também a componente avaliativa? Não me incomodaria nada! Antes isso que a letargia e a dolência a que o ensino público da música se viu votado! ALGARVE INFORMATIVO #128
Aflige-me observar sucessivas gerações a serem musicalmente educadas através de programas de rádio e tv e de canais do you tube, limitando o seu conhecimento e apreciação musicais ao que as multinacionais, através de várias formas e processos, lhes impigem. Tenho vindo a assistir, por parte dos mais novos, a um total desconhecimento, insensibilidade e desinteresse por géneros musicais que fujam ao mainstream musical vigente. Acaba por ser natural tratar com algum gozo e desdém aquilo que não se conhece: é uma das mais antigas e conhecidas formas de lidar com a ignorância! Daí ter, cada vez mais, relutância e alguma reserva em expor certas manifestações musicais a um público onde o desconhecimento e o desinteresse se manifestem massivamente. Cedo me apercebi que teria que adaptar todos os conteúdos e competências exaradas e aprovadas por muitos que, no aconchego e isolamento dos seus gabinetes no Ministério da Educação, deram com uma mão e retiraram com as duas. Em boa hora o fiz e continuo a fazer, adaptando as unidades programáticas a uma realidade em constante mutação, onde, mais importante do que ensinar rudimentos musicais que se vão desvanecer e diluir na ausência vivencial da música, é importante ensinar a saber usufruir e fruir todos os tipos de música, sem exceção! É altura de, uma vez por todas, «colocar os pontos nos iiii!»e assumir, sem pudores nem traumas, que, não podendo usar o ensino público para formar aspirantes a músicos, os professores de música deverão concentrar os parcos recursos e poucas horas disponíveis na formação de um público conhecedor, interessado e participativo. Afinal de contas, de que serve um país ter grandes músicos se não tem um público que os entenda e acarinhe? .
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OPINIÃO
Coup de théâtre Paulo Bernardo (Empresário)
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sta semana destaco um acontecimento em particular, a eleição de um presidente de uma Assembleia Municipal, a de Faro no caso concreto, mas não é esse o fator importante. Nem importante aqui para o tema é a forma como o lado que perdeu reagiu. Podemos gostar mais ou menos da forma, mas até entendo. O que me chocou foi a forma como alguma imprensa regional tratou o caso, usando o termo «Golpe de Teatro», do original francês «Coup de Théâtre», que significa «acontecimento imprevisto» ou «alteração súbita» de uma situação, tal como acontece no desenrolar de uma peça teatral. Até foi uma situação imprevista para o comum dos mortais, pois não se pensava que o resultado fosse aquele, mas usar este termo na imprensa é muito forte. Senão vejamos: era uma eleição por voto secreto em que ganharia quem mais votos tivesse e foi o que aconteceu. Nada de extraordinário, quem teve mais votos ganhou e pronto. Não vejam isto como uma crítica aos jornalistas, pois admiro-os muito e sei que não é uma atividade fácil. Contudo, o uso do termo «Golpe de Teatro» levanta-me várias dúvidas: quantos «Golpes de Teatro» se fazem de forma a que pareçam notícia? Quantas notícias são feitas a pedido? Quanto se recebe para não dizer ou dizer de outra forma? Que guião existe nas mãos de alguns ditos jornalistas para verem um «Golpe de Teatro» numa simples eleição com 31 votos? Como sobrevivem alguns jornais numa época em que toda a imprensa sofre na pele as dificuldades, quer da crise, quer da mudança de paradigma do
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jornalismo? Não será essa própria sobrevivência um «Golpe de Teatro» onde o que parece não é? Necessitamos de estar todos mais atentos, pois podemos estar a ser todos os dias manipulados por «Golpes de Teatro» jornalísticos ao serviço de algum tipo de corporativismo regional ou nacional. Nunca a imprensa esteve tão frágil, sendo o elo mais fraco numa grande máquina que tenta dominar isto tudo. Hoje não é fácil ser jornalista, pois todos os dias os jornais têm que faturar para que se paguem ordenados no final do mês e as fontes de receita cada vez são menores. A nossa imprensa tem sindo vítima de compras e recompras pelos mais variados grupos de forma a dominarem a informação. Por algum motivo o Grupo Altice comprou a TVI, a NOS irá comprar a SIC e a RTP já quase que foi angolana pela mão de Miguel Relvas. Devemos questionar-nos o porquê deste interesse e não esquecer o que Emídio Rangel dizia sobre como eleger um presidente: “Uma estação que tem 50 por cento de share vende tudo, até o Presidente da República! Vende aos bocados: um bocado de Presidente da República para aqui, outro bocado para acolá, vende tudo! Vende sabonetes!”. Como nos podemos recordar, o nosso atual Presidente da República tinha um programa semanal num canal de TV, tão verdade o que Emídio Rangel dizia. Cada vez mais temos que estar atentos, pois existem vários grupos a querer manipular a informação para que o povo pense que aquilo que se diz é aquilo que é verdade. Muita atenção aos verdadeiros «Coup de Théâtre» que todos os dias se fazem e que não são noticiados como tal .
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OPINIÃO 180.685 Eleitores! José Graça
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a semana passada, 180 mil e 685 eleitores algarvios elegeram os 683 membros das suas assembleias de freguesia, ultrapassando em algumas dezenas os participantes nos órgãos autárquicos para os órgãos municipais. Parece estranho, não é?! Porém, não podemos esquecer que mais de metade dos eleitores do Algarve não foi votar nas Autárquicas, cifrando-se a taxa de abstenção em 52,56 por cento, acima da média nacional, que quedou-se pelo 45 por cento, diferença que vem aumentando desde 2001. Na região, os valores mais altos registaram-se em Albufeira (60,71 por cento) enquanto, no concelho de Alcoutim, se registou a abstenção mais baixa, visto que apenas 22,45 por cento dos eleitores ficaram em casa. Entre a praia e o campo, pois nem houve futebol nesse dia, foram 200 mil e 149 eleitores a fazer gazeta nas assembleias de voto! No total, os (poucos) algarvios que foram votar atribuíram 104 mandatos nas câmaras municipais, 16 presidentes e 86 vereadores, e elegeram 312 deputados municipais, para além dos autarcas das assembleias de freguesias que, numa segunda fase, ainda vão eleger os executivos das 67 uniões e freguesias do Algarve, conforme está legalmente previsto. Com maior intensidade nos concelhos e nas assembleias de voto do interior, sublinhe-se. Talvez devido ao fator proximidade ou porque nas localidades mais pequenas todos se conhecem e a eleição seja um momento alto da vida cívica das comunidades. Para mim, que acompanho os problemas dos territórios de baixa densidade há décadas e vivi a realidade de Alcoutim de perto durante três anos, nada disto é novo ou estranho! Pelo contrário, votou-se menos onde se antecipava o resultado eleitoral ou nos níveis
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etários mais baixos, onde as instituições democráticas podem parecem um bicho-de-setecabeças, mesmo que atuem ao virar da esquina e sejam responsáveis pela oferta de emprego e de habitação, pelo apoio ao movimento associativo ou pela implementação de políticas públicas locais que mexem com o nosso quotidiano. Que estratégias para mudar esta aparente indiferença? Como escrevi na semana passada, cumprido o dever de eleger os seus representantes, ninguém pode sentir-se isentado dos demais deveres de cidadania e participação. E já nem falo de participação partidária, pois há muitos anos que os independentes veem ganhando espaço nas dinâmicas locais, mesmo que em termos de genuinidade deixem muito a desejar! A abstenção nos atos eleitorais pode ser perigosa para a democracia, particularmente na eleição das autarquias locais, mas a indiferença dos cidadãos pelas atitudes e comportamentos dos seus representantes ao longo do mandato parece-me bem pior, bem como o desinteresse nos processos de participação popular ou nas consultas públicas. Agora, adivinhando-se mais descentralização, o poder e a responsabilidade dos autarcas crescerá de forma exponencial, exigindo dos cidadãos uma renovada atenção pelos temas locais, particularmente quando os processos e as tecnologias permitem um escrutínio quase permanente, uma intervenção em rede e uma participação no futuro das cidades e dos concelhos! . (Membro do Secretariado Regional do PS-Algarve e deputado eleito da Assembleia Municipal de Tavira)
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OPINIÃO Hey teachers… Mirian Tavares (Professora) I, too, wondered whether I could not sell something and succeed in life. For some time I had been no good at anything. I am forty years old... Finally, the idea of inventing something insincere crossed my mind and I set to work straightaway. At the end of three months, I showed what I had produced to Philippe Edouard Toussaint, the owner of the Galerie St Laurent. 'But it is art' he said 'and I will willingly exhibit all of it.' 'Agreed' I replied. If I sell something, he takes 30%. It seems these are the usual conditions, some galleries take 75%. What is it? In fact it is objects.
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arcel Broodthaers pertenceu à vaga do surrealismo belga, do qual se desprende, anos mais tarde, sem deixar de lado a postura inquieta e provocadora que é marca registada dos artistas do movimento criado em 1924, em Paris, por André Breton. O que tem em comum a sua obra com a obra de outro artista, seu contemporâneo, John Baldessari? Ou a obra do artista brasileiro, de uma novíssima geração, Guilherme Peters? Ou com as teorias de Hal Foster e Arthur Danto? A lista não seria infinita, mas também não é curta. Porque, para falar daquilo que fazem Sara & André, precisamos falar de arte, ou melhor, daquilo que passou a ser considerado arte a partir do gesto inicial, ou iniciático, de Marcel Duchamp e que foi levado ao extremo, anos depois, por artistas como os já citados, e tantos outros, que marcaram as décadas de 60 e de 80 produzindo objetos paradoxais: ora obras absolutamente conceptuais e invendáveis, ora objetos de consumo, próprios para um mercado da arte que se enrobusteceu na década de 80 em todo o mundo. O que Broodthaers afirma de maneira tão direta é que, no fundo, o que os artistas fazem é produzir objetos e que se puderem ganhar dinheiro com isso, tanto melhor. Claro que a sua formulação não pode ser traduzida de maneira tão rasa, sequer a sua obra caberia numa descrição apressada. Mas, para o artista belga e, desconfio, para a dupla de artistas portugueses, o fazer artístico é um questionar constante das fronteiras entre arte/não-arte, criação/apropriação, resistência/consumo. ALGARVE INFORMATIVO #128
Danto, que escreveu sobre a arte após o fim da arte usando a proposição hegeliana de que a arte evoluiria em direção à filosofia, reconhece que nem toda a arte seria convertida em filosofia, apenas artistas da dimensão de um Baldessari, Wahrol ou Kosuth, que fizeram da criação artística um gesto de reflexão sobre o próprio fazer artístico e sobre o papel da arte no universo do entretenimento, fariam esta ascensão. Passadas três décadas, o teórico revê o seu texto e afirma que, de facto, nem toda a arte seguiu o princípio aventado por Hegel, e que o pluralismo se tornou a tónica da contemporaneidade, como também afirmou Hal Foster, outro dos grandes pensadores da arte e cultura contemporâneas, que destaca, por exemplo, o papel dos apropriacionistas fotógrafos que se apropriam de trabalhos de outros e que assinam como seus, assumindo assim uma postura crítica – sobre o excesso de imagens produzidas, e cínica - pois o valor de originalidade, e o preço da obra, é posto em causa no processo. O que Sara & André fazem nesta exposição, feita para a Galeria Trem, em Faro, a pedido dos professores/artistas da licenciatura em Artes Visuais, é, de alguma maneira, filosofia – faz-nos pensar sobre a arte, sobre a criação, sobre o papel dos que ensinam, dos que aprendem e de quem executa. Sobre o nosso papel como críticos, observadores ou cocriadores. Sobre os papeis diversos que a arte assume, enfim, numa era póshiper-ultra contemporânea e sobre a qual não temos ainda distância suficiente para, efetivamente, produzir uma reflexão profunda .
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OPINIÃO Podia viver sem o Borda d’Água? Podia, mas não era a mesma coisa Adília César (Escritora)
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stou a caminhar há muito tempo, desde o Centro de Saúde, há mais de duas horas. Passei pelo Mercado e trouxe fruta, legumes e peixe, isto pesa, até que enfim uma esplanada. Atrás de uma coluna suja, uma mesa e duas cadeiras vazias. Hesito. Talvez não seja boa ideia sentar-me no único lugar que não foi escolhido, o chão escuro em redor da coluna de sustentação do prédio. Parece um lugar habitado por um sem-abrigo. Mas vim a pé e estou cansada. Respiro fundo, um pouco de alento vai tornar-me um pouco mais humana. Sento-me numa cadeira e pouso os sacos de compras na outra. Preparo-me para observar o que se passa à minha volta. E vejo pessoas numa esplanada da Rotunda do Hospital, uma zona de tráfego intenso, o pára-arranca da respiração e do combustível, o preço a pagar por se morar numa grande cidade. - Deseja alguma coisa? - Um café cheio com adoçante, se faz favor. Respiro fundo. A minha impaciência respira fundo. Aqui não se passa nada, mas que chatice, estou a perder o meu tempo, devia ter ido tomar a bica ao Pingo Doce, ao menos lá conheço toda a gente e falavase de trivialidades para acabar a manhã, comprava umas latas de atum em promoção, tomatinhos cherry e já está, um almoço eficaz. - Um Borda d’Água, minha senhora? Viro-me para trás e o homenzinho espeta-me o dito junto aos meus olhos, à espera. - Deixe lá isso, tenho o último lá em casa e nem lhe abri as folhas. Não vale a pena comprar. - Veja lá, olhe que o deste ano vem melhorado, tem muita informação útil que torna a sua vida mais fácil. O que é que a senhora faz? E agora? Digo que dou aulas ou que escrevo poesia? Pensando bem, estou de férias, e desde que abro os olhos de manhã e os fecho à noite dedico-me à escrita. Se bem que ultimamente... - Olhe, eu escrevo poesia. Digo isto e sinto-me importante, pelo mérito dado às lides difíceis dos desabafos sentimentais. - Ah, não me diga, é poeta. O homem olhou-me com um ar um pouco desconsolado e baixou o braço, quase em desistência da sua missão.
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- Não gosta de poesia? - Nem é isso, minha senhora. É que não dá de comer aos meus. Já o Borda d’Água… Quantos mais vender, mais fartura tenho na mesa. E somos cinco, ao todo! Então e hoje, já escreveu algum poema? - Por acaso não. Sabe que isto da escrita, não pode ser assim, a martelo, há que sentir a emoção e a inspiração. E depois escrever. Palavras bonitas, percebe? Aquele homem simples na minha frente, cujo modo de vida é a venda de Bordas d’Água, e eu a tentar explicar-lhe o meu quotidiano criativo. Tenho mais que fazer, só me faltava este cromo. - Ah, pois, palavras bonitas… E se eu lhe disser que o Borda d’Água pode inspirá-la? Palavras bonitas, não foi o que disse? Veja bem. Tem aqui as horas do nascer do sol. Escolhe o dia, vê a hora e vai ver o sol a nascer. E depois escreve. Palavras bonitas sobre o sol a nascer. Se não se quiser levantar cedo, vai ver o pôr-do-sol. Mas olhe que no Borda d’Água chama-se «Ocaso». Não se esqueça, «Ocaso». Se procurar «Pôr-do-sol» não encontra! Também estão aqui os horários todos da natureza, está tudo previsto, que ela não engana, é como o algodão! (ri-se). Olhe, vê tudo até ao fim e depois escreve as palavras bonitas que a senhora põe na sua poesia. Ou se preferir, as fases da lua. Olhe, a lua cheia, por exemplo. Há coisa mais linda que a lua cheia? Até eu dizia palavras bonitas sobre a lua cheia! Vá, compre-me lá um Borda d’Água, minha senhora, são só dois euros! Palavras bonitas por dois euros. Um curso inteiro de poesia. Pensando bem, ando com tão fraca inspiração, talvez o Borda d’Água me salve. Um na mesa-decabeceira. O outro sempre comigo, viajante em busca de tesouros poéticos. - Levo dois! Na esplanada a abarrotar de gente anónima, cortei toscamente as folhas dobradas do Borda d’Água e procurei sofregamente a minha inspiração perdida. O homem simples afastou-se com um sorriso triunfante e cinco euros no bolso (não tinha troco, disse ele…). As horas foram passando. Ao fundo da Avenida Gulbenkian, o ocaso do sol .
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OPINIÃO
O Algarve e as celebridades Antónia Correia (Professora)
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odos os anos rumam ao Algarve várias celebridades que encontram nesta região a evasão que necessitam. Muitos deles acabam por comprar casa e mudar-se para esta região ladeada pelo mar. Sol, gastronomia, segurança e a simpatia do povo são os argumentos para uma eleição que persiste no tempo. Viver no Algarve é um verdadeiro luxo, afirmam as celebridades que se dignam comentar o estilo de vida prazenteiro que encontraram no sul. Um estudo realizado pela Universidade do Algarve mostra que luxo para estas celebridades é sentirem o “veludo azul do mar na sua pele”, luxo é “sentir o cheiro das flores”, luxo é “poder comportar-me como um comum mortal” ou o luxo é “afastar-me das luzes da ribalta e poder fazer o que me apetecer sem censuras”. Todos sabemos que anunciar a preferência dos célebres pela nossa região funciona como uma forma de promover e reputar o turismo. A vinda da Madonna para Portugal tem alimentado várias notícias e spots publicitários no país. Uma
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pesquisa rápida no Google mostra que o título celebridades no Algarve arrecada 949 mil registos, na sua grande maioria associados a notícias na imprensa. É consensual a necessidade que estas pessoas têm de fugir dos fotógrafos e jornalistas que, na ânsia de satisfazer a curiosidade dos seus leitores, são muitas vezes demasiado invasivos. Considerando que a vida ou as férias no Algarve são consideradas como um luxo para estas celebridades, e esse luxo surge associado à tranquilidade e privacidade que a região oferece. Para além das 949 mil referências, se nos situarmos na quantidade de notícias que tem surgido associadas ao nome da Madonna, a nossa mais recente cidadã célebre, importa refletir até que ponto é que vale a pena continuar a promover estas preferências. Os benefícios reputacionais que a associação do nome da celebridade ao destino traz compensam a profanação da privacidade que reclamam e que retira ao Algarve a conotação de luxo? .
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OPINIÃO
Chefes há muitos! Augusto Lima (Cozinheiro e Formador)
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uando se procura um Cozinheiro que ocupe a posição de Chefe de Cozinha, deve-se:
1.º – Fazer um anúncio sério, explícito, agendar entrevistas sérias, pedir referências, dar referências, investigar referências, exigir a elaboração de um Menu Teste, discutir o ordenado, propor um plano de trabalho. 2.º – Deve verificar se o mesmo tem conhecimentos e se se aplicam na área a que concorre (ex:, Cozinha Nacional, Regional, Internacional, ou todas); se tem uma visão geral da Empresa/Grupo a que se candidata; que seja capaz de elaborar ementas, gerir encomendas e stocks, responder pelo cumprimento das normas de segurança e higiene; que seja criativo; que seja a Cara e o Cartão-de-visita da Empresa. 3.º – Depois de encontrado o Messias, terá que lhe dar confiança, propor desafios, fazer querer que Ele tem as costas protegidas, apresentá-lo à equipa e deixá-lo trabalhar. Haverá sempre quem se oponha à mudança, quem dificulte. As maças podres têm que ser retiradas, a aposta ganha e o futuro à espera de mais e melhor. Estabeleçam-se metas e alarguem-se os prazos, por escrito, do tempo de experiência. Ser Chefe implica ser responsável por uma equipa, ajudá-la a crescer, torná-la independente. Alguém disse que o trabalho de um Chefe se vê muito depois de ele se ter ido embora. Não podia deixar de estar mais de acordo! Um Chefe/Líder cria laços para o futuro. Se a mensagem chegou firme, perdurará para além da sua presença física. Hoje muito se fala na diferença entre Chefe e Líder, mas eu entendo que não deveria haver, porquanto um bom Chefe deverá ser sempre um Líder. Contudo, todos sabemos que há Bons e Maus Chefes, quanto Líderes. Vejamos: Um mau Chefe/Líder diz: – Aqui quem manda sou eu! – Quem estiver mal ponha-se bem! – Não és pago para pensar, para isso estou cá eu! ALGARVE INFORMATIVO #128
– Se não fizerem o que mando, rua! – Façam o que eu digo, não o que eu faço. Eu sou eu! Um bom Chefe/Líder diz: – Obrigado! – Desculpa, errei! – Vamos ver o que se arranja para bem de toda a equipa! – Precisam de alguma coisa? Estou aqui para vos ajudar! – Mostra-me como fazes. Se for melhor, fazemos assim! Um mau Chefe/Líder faz: – Intrigas – Divide para reinar; – Não explica como se faz, manda fazer e quando mal, reclama; – Não valoriza o trabalho individual/equipa; – Não assume a responsabilidade de uma falha, culpa quem a fez; – Não dá o exemplo, prevarica; – Isola-se da equipa quando come ou quando faz algo; – Não cozinha/demonstra como se faz e como quer feito; Um bom Chefe/Líder faz: – Favorece um clima de bom ambiente de trabalho; – Mostra como se faz, explicando como quer, impondo-se pelo respeito e admiração; – Valoriza o trabalho da equipa e de cada um, individualmente; – Incentiva a demonstrarem que podem fazer mais e melhor; – Dá o exemplo. Senta-se com o staff na hora da refeição, selando relações; – Assume o erro por um mau serviço/falha da equipa; – Mostra como se cozinha, ensina, demonstra, dá formação, não se esconde no escritório .
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ATUALIDADE
CATÁLOGO «AGROTUR» FOI APRESENTADO EM ALBUFEIRA
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Biblioteca Municipal Lídia Jorge, em Albufeira, recebeu, no dia 12 de outubro, uma sessão de divulgação do Catálogo Agrotur, projeto que tem por objetivo aumentar o consumo de produtos agroalimentares locais, originários dos territórios de baixa densidade do Algarve, no setor do turismo, em particular na hotelaria e restauração. A iniciativa é desenvolvida no âmbito do projeto AGROTUR, financiado pelo CRESC Algarve 2020, e dinamizado pelo NERA – Associação Empresarial do Algarve, Universidade do Algarve e Tertúlia Algarvia – Centro de Conhecimento em Cultura e Alimentação Tradicional do Algarve. ALGARVE INFORMATIVO #128
O projeto nasceu a partir da constatação de que existem produtos locais excelentes, cuja qualidade é reconhecida por parte do setor hoteleiro, elevado conhecimento das técnicas tradicionais por parte dos produtores, produção agroalimentar diversificada e crescente interesse por parte dos turistas, ao mesmo tempo que se verifica o crescimento da procura por produtos «orgânicos», «biológicos» e «gourmet». O objetivo principal passa pelo aumento do consumo de produtos agroalimentares provenientes dos territórios de baixa densidade do Algarve, ao que se soma a vontade de aumentar as relações comerciais entre os produtores agroalimentares e as empresas do setor do 86
Turismo, reduzir a sua importação, melhorar os conhecimentos e competências dos produtores locais, aumentar a notoriedade dos referidos produtos e, em última análise, aumentar as vendas da produção agroalimentar regional. Para o efeito foi criado um portal https://catalogoagrotur.pt/ que integra o
Catálogo AGROTUR, o qual reúne cerca de 500 produtos e 70 produtores dos territórios de baixa densidade do Algarve. A ferramenta visa facilitar aos agentes do setor do turismo, a pesquisa e a identificação dos produtos e fornecedores que melhor respondem aos seus interesses e necessidades .
ALBUFEIRA EM 3.º LUGAR DA INDEPENDÊNCIA FINANCEIRA E COM A MAIOR REDUÇÃO DO IMI E IMT
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lbufeira está no 3.º lugar do ranking de independência financeira, de acordo com um estudo do Anuário Financeiro dos Municípios, publicado no «Eco-Economia online» e referente a 2016. Uma independência gerada, em grande parte, pelas taxas de IMI e IMT, apesar de Albufeira ter baixado consideravelmente aquelas taxas no último trimestre do ano passado, o que lhe confere a medalha de maior redução de Portugal. Naquele estudo, o Algarve surge representada no ranking por quatro municípios, situados logo a seguir ao de Lisboa, que apresenta uma maior independência financeira. Lagoa e Albufeira surgem no segundo e terceiro lugar, respetivamente, seguindo-se Lagos na quarta posição e Loulé na nona. Os autarcas garantiram à referida publicação que tal deve-se a uma gestão rigorosa, interligada aos bons resultados originados pelas taxas de IMI e IMT, sendo que estas são as maiores fontes de receita própria. As características do mercado imobiliário no Algarve demonstram ser uma mais-valia 87
para a emancipação de cada município. Os valores apresentados no ranking revelam a forma como o município de Albufeira, assim como os restantes, têm obtido progressivamente uma maior independência financeira, proveniente da obtenção de receitas independentes ao Estado. Note-se, no entanto, que estes quatro municípios algarvios diminuíram a taxa sobre o IMI – Imposto Municipal sobre Imóveis em 2016 e que, apesar desta descida, Albufeira, Loulé e Lagos estão entre os municípios que recolhem mais receitas com esta taxa. Entre estes, Albufeira garante o 15.º lugar e a medalha de maior redução de Portugal, com uma quebra de 25,2 por cento, de acordo com o Eco-Economia. Para além desta descida, os municípios em questão encontram-se também entre aqueles que mais receita obtêm com o IMT – Imposto Municipal sobre a Transmissão Onerosa de Imóveis. Albufeira assume o sétimo lugar, mesmo sendo o município que fez o maior corte nesta redução . ALGARVE INFORMATIVO #128
ATUALIDADE
ODIANA PREPARA ROTEIRO DOS SABORES DO BAIXO GUADIANA
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Odiana encontra-se a preparar o «Roteiro dos Sabores do Baixo Guadiana», com a missão de qualificar, valorizar e promover o património destes saberes ancestrais e sabores tão ricos. Este mostruário agroalimentar vai centrar-se sobretudo nas potencialidades das Baixas Densidades, com o intuito também de gerar turismo associado a este nicho de mercado. Trata-se de mais uma ação promocional do projeto «Choose our Food», em que o conceito é desenvolver um roteiro gastronómico que contemple os produtos mais característicos, associados a receitas, estimulando não apenas o conhecimento, mas a oferta, tanto ao nível de produtores tradicionais, como de restauração. Pretende-se ainda que este Roteiro atue, para além da promoção dos recursos e produtos regionais, na sensibilização da comunidade para a utilização dos mesmos, de modo a fomentar o consumo de produtos locais. O Roteiro já tem conteúdos produzidos e está em fase de captação fotográfica no terreno, estimando-se que possa estar disponível até ao final do ano. A publicação vem de encontro à grande missão da Associação Odiana de alavancar o desenvolvimento sustentável do território, qualificar, valorizar e promover os recursos mais identitários que congregam um manancial de oportunidades ligadas à dinamização local
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e turística. O objetivo maior do projeto «Choose our Food» é maximizar o potencial dos recursos naturais e produtos regionais do território de Baixa Densidade do Baixo Guadiana, promovendo ações que instiguem a competitividade e reforcem a cooperação empresarial nos setores do turismo e agroalimentar, tendo em vista a qualificação e promoção de produtos tradicionais regionais em novos mercados .
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DOCAPESCA RETOMOU TRABALHOS DE REABILITAÇÃO DA MURALHA DA DOCA DE RECREIO DE FARO
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Docapesca - Portos e Lotas, SA retomou os trabalhos de reabilitação e revestimento da muralha da doca de recreio de Faro, num investimento de 93 mil euros cuja conclusão está prevista para o final de janeiro. Esta segunda fase consiste da reabilitação da muralha de suporte nascente, compreendida entre o Hotel Eva e o quartel dos Bombeiros Voluntários de Faro. A obra teve início em 25 de setembro com a montagem do respetivo estaleiro e a intervenção abrange a remoção das pedras de revestimento da muralha, com o comprimento total de 260 metros, e a execução de um novo revestimento em 89
betão reforçado com fibras estruturais, com a estereotomia do revestimento existente. Os trabalhos serão executados à maré com recurso a plataforma elevatória do tipo bailéu. A primeira fase da intervenção, dedicada à reposição das condições que resultaram da abertura de uma fissura na muralha de suporte, foi concluída em 30 de junho. A interrupção dos trabalhos, decidida em estreita articulação com a Câmara Municipal de Faro, Ginásio Clube Naval de Faro e Capitânia do Porto de Faro, teve como principal objetivo minimizar os impactos no local da intervenção durante o período estival .
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ASSOCIAÇÃO HUMANITÁRIA DE BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DE SÃO BRÁS DE ALPORTEL DE PARABÉNS
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Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários (AHBV) de São Brás de Alportel celebra o seu 90.º aniversário de serviço à comunidade no dia 22 de outubro. As comemorações têm início pelas 9h30, com apresentação da Formatura na Avenida da Liberdade, seguindo-se, uma hora depois, no Largo de São Sebastião, a Cerimónia de Hastear da Bandeira. Os soldados da paz sãobrasenses rumarão depois ao Cemitério Municipal, pelas 10h30, para prestar homenagem aos bombeiros falecidos. Seguidamente, o Salão Nobre da Câmara Municipal é o anfitrião da Sessão Solene, pelas 11h30. A Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de São Brás de Alportel é a coletividade mais antiga do concelho, com 90 anos ao serviço da comunidade.
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Fundada a 27 de agosto de 1927, teve na sua origem um violento incêndio urbano que eclodiu numa fábrica de cortiça do concelho. A ocorrência levou Manuel Pires Rico a desafiar um grupo de são-brasenses a criar um Corpo de Bombeiros, ideia que foi apoiada por várias gerações de homens e mulheres que, com altruísmo, coragem, abnegação e espírito de missão, souberam ao longo dos anos elevar o nome dos Bombeiros Voluntários de São Brás de Alportel. Atualmente, a Direção da Associação é presidida por Acácio Martins e o Corpo de Bombeiros é dirigido pelo Comandante Vítor Martins, que líder um Corpo de Bombeiros com cerca de seis dezenas de bombeiros voluntários e profissionais, elementos ativos da atividade de Proteção Civil realizada no concelho .
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ALTERAÇÃO DO PLANO DE PORMENOR DE ARMAÇÃO DE PÊRA VAI PARA DISCUSSÃO PÚBLICA
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m período de discussão pública do Plano de Pormenor de Armação de Pêra (PPAP) inicia-se a 16 de outubro, prolongando-se por 20 dias úteis, ou seja, até 13 de novembro. Este período segue-se à aprovação, em reunião de Câmara de 27 de setembro, deste plano e à publicação do aviso no Diário da Republica, 2.ª série. De acordo com a Autarquia de Silves, esta alteração ao PPAP tem como objetivo promover o dinamismo económico e a sua diversificação por via de reforço da oferta da componente comercial nesta vila, bem como permitir a exequibilidade do plano em áreas onde o mesmo se encontra desatualizado. Para além disso, esta alteração facilitará a racionalização e o potenciamento do 91
investimento público em equipamentos de utilização coletiva, tal como a correção de erros materiais, lapsos e a definição de parâmetros urbanísticos em falta. Durante esse período os interessados, podem apresentar as reclamações, observações ou sugestões e consultar a proposta de alteração do PPAP na página da Câmara Municipal de Silves, na Divisão de Ordenamento e Gestão Urbanística/Ordenamento do Território da autarquia ou na Junta de Freguesia de Armação de Pêra. A apresentação de reclamações, observações ou sugestões, deverá ser feita por escrito, dirigida à Presidente da Câmara Municipal de Silves, utilizando o impresso próprio que pode ser obtido nos locais acima referidos ou na página da Câmara Municipal de Silves . ALGARVE INFORMATIVO #128
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DIRETOR: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina (danielpina@sapo.pt) CPJ 5852 Telefone: 919 266 930 EDITOR: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina SEDE DA REDAÇÃO: Rua Estrada de Faro, Vivenda Tomizé, N.º 12P, 8135-157 Almancil Email: algarveinformativo@sapo.pt Web: www.algarveinformativo.blogspot.pt PROPRIETÁRIO: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina Contribuinte N.º 211192279 Registado na Entidade Reguladora para a Comunicação Social com o nº 126782 PERIODICIDADE: Semanal CONCEÇÃO GRÁFICA E PAGINAÇÃO: Daniel Pina FOTO DE CAPA: Daniel Pina
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