#125
ALGARVE INFORMATIVO 23 de setembro, 2017
ALGARVIOS BRILHAM NA CAPOEIRA ASSOCIAÇÃO IGUALMENTE DIFERENTES | MARIONETAS «INVADEM» FARO 1 ALGARVE INFORMATIVO #125 PEREGRINO ALGARVIO | CIÊNCIA MAIS PRÓXIMA DOS CIDADÃOS | MOPHO
ALGARVE INFORMATIVO #125
2
3
ALGARVE INFORMATIVO #125
CONTEÚDOS ARTIGOS 6- Atualidade 22 - Capoeira 34 - Associação Igualmente Diferentes 40 - Festival de Objetos e Marionetas 48 - Mopho 56 - Peregrino Algarvio 64- CBMR 84 - Atualidade
OPINIÃO 74 - Paulo Cunha 76- Adília César 78 - Artur Filipe Gregório 80 - Augusto Lima 34 22
56 48
ALGARVE INFORMATIVO #125
64
4
5
ALGARVE INFORMATIVO #125
ATUALIDADE
FUTURO COMANDO DISTRITAL DE OPERAÇÕES DE SOCORRO DO ALGARVE VAI FICAR EM LOULÉ Texto:
F
oi lançada, no dia 14 de setembro, em Loulé, a primeira pedra do futuro Comando Distrital de Operações de Socorro de Faro. O novo edifício da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) no distrito irá situar-se perto do Quartel de Bombeiros de Loulé, fora do centro urbano e junto a uma via
ALGARVE INFORMATIVO #125
Fotografia: penetrante com grande capacidade de escoamento de distribuição de recursos, o que trará uma eficácia acrescida e que é ainda exponenciada pela localização junto à Base de Helicópteros de Serviço Permanente. A obra tem um custo estimado de cerca de um milhão de euros e um prazo
6
Vítor Aleixo, presidente da Câmara Municipal de Loulé, com o Comandante Operacional Distrital de Faro da Autoridade Nacional da Proteção Civil, Vítor Vaz Pinto
de execução de 540 dias, surgindo o investimento no âmbito de um protocolo celebrado, em 2015, entre o Ministério da Administração Interna e a Câmara Municipal de Loulé. “Desde 1998, com a instalação da Base de Helicópteros de Serviço Permanente neste concelho, que o Município de Loulé se afirmou como um parceiro indispensável na aplicação da proteção civil e socorro no Algarve, o que só é possível com base numa relação institucional que privilegia o superior interesse público”, destacou o Comandante Operacional Distrital de Faro da ANPC, Vítor Vaz Pinto. 7
As razões de funcionalidade e operacionalidade estão na base do programa que a ANPC tem para a localização das suas estruturas nevrálgicas, em áreas amplas, fora dos espaços urbanos e com bons acessos viários. No Algarve, de acordo com Vítor Vaz Pinto, acontecem mais de 40 mil ocorrências de proteção e socorro por ano, daí a importância de equipamentos adequados e bem localizados. Neste caso concreto, o futuro CDOS nasce de uma candidatura conjunta efetuada, em 2016, em parceria com as autarquias de ALGARVE INFORMATIVO #125
ATUALIDADE Loulé e Almeirim, no distrito de Santarém, ao PO SEUR, onde também se inclui a Base de Apoio Logístico do Algarve que está a ser construída em Quarteira, com conclusão prevista para março de 2018. Em relação à infraestrutura que agora viu ser lançada a primeira pedra, situa-se num terreno cedido pela Câmara Municipal de Loulé, culminando um processo longo e que envolveu diversos atores. “Em conjunto, ultrapassámos vários obstáculos que pareciam nunca mais terminar, mas tudo isso faz parte agora do passado. Este terreno, com cerca de sete mil metros quadrados, vai sustentar um edifício que substitui, na íntegra, as atuais instalações do CDOS de Faro, que funcionam numa habitação adaptada localizada na baixa de Faro, e totalmente desajustadas das exigências da realidade territorial em
ALGARVE INFORMATIVO #125
matéria de proteção civil”, afirmou Vítor Vaz Pinto. A cerimónia, “simples mas com grande significado”, nas palavras do Comandante Operacional Distrital de Faro da ANPC, marca a concretização de uma aspiração antiga, “com instalações mais robustas e resilientes aos riscos naturais e tecnológicos, que permitirão uma monotorização mais efetiva e a garantia da continuidade de comando, controlo e coordenação, na resposta atempada a situações de emergência que afetam esta região turística por excelência”. Vítor Vaz Pinto lembrou ainda que o terreno não se encontra numa área de risco de cheias, não apresenta edificações que possam comprometer o acesso ao CDOS em caso de sismo e, por estar afastado do mar, o risco de tsunami também não coloca em
8
perigo a operacionalidade da infraestrutura. No uso da palavra, o presidente da Câmara Municipal de Loulé confirmou que o caminho até se chegar ao lançamento da obra não foi fácil, mesmo tendo a autarquia respondido prontamente ao repto do Comandante Vaz Pinto para que disponibilizasse um terreno para esta estrutura. “Estamos estrategicamente localizados no coração do Algarve, as vias de acesso são as melhores, temos o aeroporto muito perto, portanto, daqui pode-se ir, com economia de tempo e de meios, para qualquer ponto da região”, apontou Vítor Aleixo, que esteve no arranque da Base de Helicópteros de 9
Serviço Permanente e no lançamento da primeira pedra do Quartel dos Bombeiros de Loulé aquando da sua primeira passagem pela liderança deste concelho. “Olho para esta zona como uma «cidadela de segurança» no Algarve, estamos empenhados, temos recursos e servimos, de uma maneira muito clara, o bem público. Hoje, cuidar da vida humana é uma dimensão da ação política de primeira importância, ocupa um papel crescente na vida dos decisores políticos. Por isso, Loulé, assim como todos os municípios do Algarve, disponibilizam-se para serem atores muito presentes na montagem dos dispositivos da Proteção Civil”, enfatizou Vítor Aleixo . ALGARVE INFORMATIVO #125
ATUALIDADE
OBRAS DO NOVO QUARTEL DA GNR DE ALMANCIL DEVEM ARRANCAR EM NOVEMBRO Texto:
O
contrato de adjudicação da obra do novo Posto Territorial da GNR de Almancil foi assinado no dia 14 de setembro, com as futuras instalações desta força de segurança a localizarem-se junto ao Campo Municipal e à Escola EB 2,3 Prof. António de Sousa Agostinho. ALGARVE INFORMATIVO #125
Fotografia: O Quartel, criado de raiz num terreno cedido pela Câmara Municipal de Loulé, será um contributo importante para melhorar as condições de trabalho dos militares da GNR e o atendimento ao cidadão, reforçando a segurança nesta freguesia onde se localizam alguns dos principais resorts turísticos do país. O 10
valor da obra em Almancil é de um milhão e 120 mil euros e o prazo de execução é de 15 meses. Este Quartel nasce de uma parceria entre o Município de Loulé e o Ministério da Administração Interna, que prevê a criação e requalificação de algumas infraestruturas, sendo a de Almancil uma das mais importantes. “Esta nova casa dos homens e mulheres que cuidam da segurança das pessoas e dos seus bens é uma necessidade sentida por toda a gente, ainda mais numa freguesia com a importância nacional como é Almancil, dada a sua atividade turística de excelência. Haverá talvez poucas áreas que concorram mais para o sucesso do turismo como a garantia da segurança, mas ela é igualmente fundamental para os residentes”, frisou Vítor Aleixo, presidente da Câmara Municipal de Loulé. Depois de assinado o contrato, as obras deverão arrancar no final de outubro, início de novembro, uma vez que o projeto ainda carece da aprovação do Tribunal de Contas, algo que demorará uma vintena de dias. “Os almancilenses vão ter aqui um excelente quartel, que resulta de uma colaboração entre a autarquia e a GNR que é encarada, por todos, como exemplar. A Câmara Municipal de Loulé atravessa uma boa situação financeira e, havendo necessidades do terreno para resolver, ela chega-se à frente por conhecer as limitações orçamentais do poder central. Estamos a falar do 11
bem público e os recursos do Estado, sejam eles centrais ou locais, visam sempre solucionar os problemas das pessoas”, afirmou Vítor Aleixo, no local onde vai ficar implantada a nova infraestrutura. Recorde-se que, no passado recente, foram efetuadas obras de requalificação no Posto Territorial da GNR de Loulé, foi inaugurado um Quartel na vila de Salir e iniciaram-se as obras para novas instalações em Quarteira. Chega agora a hora de Almancil ter um novo Quartel da GNR. “Durante muitos anos, Almancil deu bastante mais ao erário público municipal do que aquilo que recebia de retorno em termos de investimento público. Nestes últimos quatro anos, temos tentado reequilibrar esta situação de crónico desequilíbrio, para que seja feita justiça aos almancilenses. O investimento público feito nesta freguesia está a ganhar dimensão e consistência, com o objetivo de dar a esta terra aquilo que já há mais tempo deveria ter”, concluiu o presidente da Câmara Municipal de Loulé .
ALGARVE INFORMATIVO #125
ATUALIDADE
PARQUE DAS AMENDOEIRAS FOI INAUGURADO EM SÃO BRÁS DE ALPORTEL Texto:
L
argas dezenas de são-brasenses assistiram à inauguração, no final de tarde do dia 14 de setembro, do Parque das Amendoeiras, o projeto vencedor da edição de 2016 do Orçamento Participativo de São Brás de Alportel e que implicou um investimento de 83 mil e 575,04 euros. O novo espaço ALGARVE INFORMATIVO #125
Fotografia: verde no centro da vila inclui áreas de lazer, equipamentos de jogos para todas as idades e uma zona de brincadeiras para crianças. O projeto englobou a dignificação deste espaço público, ordenamento do estacionamento, intervenção paisagística e criação de um novo parque de lazer 12
intergeracional. “Estes projetos refletem a vontade da comunidade e devem ser claramente valorizados e destacados”, considerou, na ocasião, Artur Filipe Gregório. “São Brás de Alportel é uma vila que tem todo o potencial para ser um exemplo a nível nacional e internacional, pela sua escala e dimensão. Pode ser um laboratório de vivência urbana, da slow living, de um estilo de vida calmo e tranquilo, e fico muito contente pela comunidade, pelos autarcas, pelos dirigentes associativos, se unirem em torno desta realidade”, reforçou o presidente da Associação In Loco.
transformarem, inclusive, o pequeno lago existente no local numa piscina improvisada, face às elevadas temperaturas que se registavam. “Convertemos um terreno da autarquia, situado no coração da vila, em plena avenida, num espaço agradável e rodeado de natureza. Mantivemos as amendoeiras e as oliveiras e embelezamos e tornamos este espaço acessível para todos, com base na estratégia da autarquia de acessibilidade para as pessoas com mobilidade reduzida”, evidenciou o presidente da Câmara Municipal de São Brás de Alportel.
Vítor Guerreiro não escondeu a satisfação por assistir ao Parque das Amendoeiras repleto de seus conterrâneos, são-brasenses de todas as idades, com os mais novos a
O objetivo do executivo municipal é que o espaço seja vivido e desfrutado ao longo de todo o ano, com condições e conforto para o convívio dos amigos e das famílias. “Tem equipamentos de
13
ALGARVE INFORMATIVO #125
ATUALIDADE
educação física geriátricos para os mais idosos, uma casa de árvore para os mais pequenos brincarem, e é este encontro de gerações que queremos promover no Parque das Amendoeiras”, referiu, com orgulho, lembrando que o projeto é da responsabilidade do arquiteto são-brasense André Guerreiro e que as obras foram realizadas, na sua grande maioria, por empresas do concelho. “São estas intervenções que possibilitam a construção dos sorrisos nos rostos dos são-brasenses e o que pretendemos, ALGARVE INFORMATIVO #125
acima de tudo, é dar mais e melhor qualidade de vida para todos”, salientou o edil Vítor Guerreiro . 14
15
ALGARVE INFORMATIVO #125
ATUALIDADE
ROTA DAS TAPAS ESTRELLA DAMM ESTÁ DE REGRESSO A FARO Texto:
Fotografia:
D
epois do sucesso em maio, a 2.ª Edição da Rota de Tapas da Estrella Damm regressa a Faro, de 21 de setembro até 8 de outubro, com um total de 23 restaurantes aderentes na Vila Adentro e na Baixa da capital algarvia. O formato é o mesmo, ou seja, uma cerveja Estrella Damm e uma tapa custam três euros. Para representar o Algarve da melhor forma, encontram-se tapas de tesouros do mar como o atum, o camarão ou o berbigão, mas também há espaço para pica-pau e morcela. Do «Strudel de Atum» ao «Pastel de nata de marisco», muitas são ALGARVE INFORMATIVO #125
as alternativas da Rota de Tapas da Estrella Damm, ao dispor no Vila Adentro, O11ZE Tapas, Tertúlia Algarvia, O Castelo, Taska Algarvia, Faz Gostos, Columbus Cocktail & Wine Bar, 3Points Sports Pub, Aperitivo, Boheme, Restaurante Académico, Innocent Bar & Restaurante, Sushi Ya Fusion, Costa Algarvia, Cinderela Farense, Mezzanine Bar & Vinoteca, Pé de Copos, Portas de São Pedro, Travessa, Saudade em Português, Chelsea Pizza & Pasta, Restaurante Chelsea e Taberna Zézé. A Rota começou há 10 anos em Lisboa, alargando-se depois para Porto, Braga e, finalmente, Faro, acontecendo todas em 16
17
ALGARVE INFORMATIVO #125
ATUALIDADE simultâneo, e mais cidades deverão juntarse ao circuito em 2018, de acordo com palavras de Elsa Cerqueira, Marketing Manager da Estrella Damm. “O objetivo é levar consumidores a novas zonas dentro destas cidades e, de certa forma, beneficiar os postos de venda da Estrella Damm. À medida que as zonas se vão consolidando, avançamos para outras, pelo que a rota se vai renovando, embora o conceito seja igual desde a primeira edição”, explica. As tapas também se vão renovando, com algumas a serem criadas pelos chefes de cozinha especialmente para este evento que envolve a conhecida cerveja originária de Barcelona. “A ideia é também promover o convívio entre familiares e amigos e, quando a Rota nasceu, em 2013, ainda não vivíamos esta euforia do turismo. A gastronomia, em Portugal, não era a mesma e também não tínhamos o mesmo número de estrelas Michellin que possuímos atualmente”, lembra Elsa Cerqueira, considerando que este posicionamento da marca cada vez faz mais sentido. Conforme referido, a Estrella Damm surgiu em Barcelona, em 1876, e 11 gerações de mestres cervejeiros têm levado a cabo a sua fabricação, desde então, com ingredientes 100 por cento naturais e que conservam a sua levedura desde a origem. Estamos a falar de uma cerveja lager, do estilo pilsener, sendo produzidos anualmente 500 milhões de litros na fábrica localizada em Barcelona. E é precisamente uma viagem a Barcelona que os participantes na Rota podem ganhar, bastando, para tal, partilhar fotos das suas experiências nos vários postos ALGARVE INFORMATIVO #125
aderentes. “Segue-se uma pré-seleção antes do júri escolher a foto vencedora, para duas pessoas conhecerem a cidade-mãe da Damm. A Estrella Damm tem, em Barcelona, aproximadamente a mesma quota de mercado que a Sagres e a Super Bock têm, juntas, em Portugal. É um colosso, líder incontestável, e queremos que os consumidores vivenciem essa realidade”, sublinhou Elsa Cerqueira, durante o lançamento da Rota no Restaurante Boheme. No caso concreto de Faro, a segunda edição da Rota conta com 23 pontos de venda, face aos 18 da edição que teve lugar em maio, dos quais se mantém 16. “Nem todos os clientes e pontos de venda atuam da mesma forma e há determinados patamares que a marca pretende manter. Queremos que as pessoas sejam bem recebidas, que se sintam à vontade, que desfrutem da experiência. Fazemos uma comunicação intensiva que acaba por divulgar os pontos de venda, portanto, há uma préseleção rigorosa efetuada pelos nossos delegados comerciais. O intuito é que a Rota seja feita a pé, com os consumidores a irem a este ou àquele restaurante, de mapa na mão, a comerem, beberem e receberem o carimbo no seu passaporte”, descreve Elsa Cerqueira, sublinhando que a estreia de Faro na rota correu de forma espetacular. “A aceitação foi enorme, com clientes com um nível muito elevado e milhares de tapas vendidas, mesmo não sendo a Damm a marca líder de mercado” .
18
19
ALGARVE INFORMATIVO #125
ALGARVE INFORMATIVO #125
20
21
ALGARVE INFORMATIVO #125
REPORTAGEM
CAPOEIRA A ARTE DE LUTAR SORRINDO
ALGARVE INFORMATIVO #125
22
23
ALGARVE INFORMATIVO #125
Monitor RC, Professor Pena e Graduado Galho
Dois atletas de Lagoa estiveram em destaque no 9.º Campeonato Mundial Muzenza de Capoeira disputado em Fortaleza, no Brasil, com Filipe Barros a vencer a categoria de Graduados e Ricardo Castro a ficar em segundo lugar na categoria de Monitores. Volvidas algumas semanas, o Algarve Informativo acompanhou o início de mais um ano de aulas do Grupo Muzenza Portugal do Mestre Burguês e também saiu do treino de sorriso nos lábios. Texto:
A
Fotografia:
capoeira mistura arte marcial, desporto, cultura popular e música, tendo sido desenvolvida no Brasil por descendentes de escravos africanos. É conhecida pelos seus golpes e movimentos ágeis e complexos, que utilizam sobretudo chutos e rasteiras, a par de cabeçadas, joelhadas, cotoveladas e acrobacias em solo ou aéreas. Tudo isto se encontra noutras artes marciais, mas uma característica que distingue a capoeira é a musicalidade. De facto, os seus praticantes aprendem não apenas a
ALGARVE INFORMATIVO #125
lutar e a jogar, mas também a tocar os instrumentos típicos e a cantar. Outra imagem de marca desta arte marcial é a «roda», um círculo de capoeiristas com uma bateria musical em que a capoeira é jogada, tocada e cantada. No seu interior, para além do jogo, divertimento e espetáculo, os capoeiristas aplicam o que aprenderam durante os treinos, enquanto os colegas vão cantando e batendo palmas ao ritmo do berimbau. O jogo entre os dois capoeiristas termina ao comando do 24
tocador de berimbau ou quando outro capoeirista da roda «compra o jogo», ou seja, se «infiltra» entre os dois e dá início a um novo jogo com um deles. Continuando a perfilar as diferenças em relação às outras artes marciais, o objetivo na roda da capoeira não é colocar o adversário em nocaute, mas sim derrubá-lo sem que ele seja golpeado, de preferência com uma rasteira. Quando o jogo é feito entre um capoeirista mais experiente e um novato, o primeiro opta por mostrar a sua superioridade «marcando» o golpe no adversário, isto é, bloqueando o golpe antes de este ser completamente executado. Quando o jogo é feito entre dois capoeiristas experientes, os movimentos são realizados a uma velocidade alucinante e proporcionam um verdadeiro espetáculo visual, conforme
25
assistimos num jogo entre o Monitor RC (Ricardo Castro) e o Graduado Galho (Filipe Barros), numa aula do Grupo Muzenza Portugal do Mestre Burguês no Pavilhão Municipal de Albufeira. Enquanto os alunos iam mostrando os seus dotes ao som do berimbau, o Professor Pena falou em mais de meio milhar de praticantes de capoeira somente do Grupo Muzenza no Algarve, que recebem os seus ensinamentos de 10 professores, cada um com três ou quatro núcleos espalhados por diversas cidades. “Aqui não há cintos, mas sim cordas, havendo cerca de 23 graduações até se atingir o patamar mais elevado. Começam por ser Alunos, ao fim de oito anos podem chegar a Graduado, seguindo-se Monitor, Instrutor, Professor (3 graus),
ALGARVE INFORMATIVO #125
Contramestre (3 graus) e Mestre (5 graus)”, explicou o coordenador do Grupo Muzenza Algarve. “As pessoas procuram a capoeira não pelas graduações, mas pela sua musicalidade e filosofia. Queremos trabalhar com alegria e felicidade e o convívio é muito forte na capoeira, dentro e fora dos treinos, já que organizamos várias viagens ao Brasil e por toda a Europa”. Claro que, como em todas as artes marciais, existem praticantes que dão mais atenção à vertente competitiva e que desejam entrar em campeonatos, dentro das várias categorias e escalões etários. E as mulheres, garante o Professor Pena, estão a conquistar um espaço cada vez mais forte na capoeira, com jogo, técnica e muito treino. “É maravilhoso ver uma mulher a jogar capoeira com um homem, fazendo uma boa luta ou brincadeira. A capoeira é isso mesmo, o forte com o mais ALGARVE INFORMATIVO #125
fraco, o musculoso com o mais magro, o adulto com a criança, o homem com a mulher, dentro de uma roda. Sempre respeitando as regras e as tradições desta arte”, destaca. “O principal é o bem-estar do aluno. Uns chegam pela arte, outros pela luta, outros pela história e musicalidade”. Depois, no dia-a-dia, os reflexos são fáceis de observar no capoeirista, ao nível da autoestima, da condição física, do modo como encara a vida. “Ficamos mais atentos ao mundo e àquilo que nos rodeia, mais «malandros», mas uma malandragem saudável. Percebemos as situações antes de elas acontecerem, aprendemos a entrar e sair delas no momento certo”, sublinha o Professor Pena, de olhos postos na roda onde Galho e RC iam jogando a um ritmo frenético. “Temos uma equipa de alunos que sempre se interessaram pela 26
componente competitiva, treinaram para melhorar o seu nível e obtêm bons resultados em todos os campeonatos em que participam. O Grupo Muzenza organiza campeonatos mundiais desde 2000, o Ricardo Castro foi campeão do mundo em 2016, o Filipe Alexandre foi campeão do mundo este ano, mas há outros destaques como a Alexandra Nascimento, Sara Correia ou Laura Silvestre. A capoeira deixou de ser uma moda, está perfeitamente enraizada em Portugal e há portugueses que já são Mestres”.
JÁ NÃO É UMA MODA, MAS AINDA NÃO É MEDIÁTICA Ainda a recuperar o fôlego depois do jogo na roda, Filipe Barros, 26 anos, natural do Carvoeiro, contou que anda na capoeira desde os 12, sendo atualmente Graduado.
27
Quanto à alcunha «Galho», respondeu que é uma velha tradição desta arte marcial, proveniente dos tempos em que a sua prática era proibida. “Muitas vezes nem se sabia o nome da pessoa, apenas a sua alcunha. Quando entrei para a capoeira, o meu irmão mais novo já praticava e era o Graveto, daí eu ter ficado como Galho”, explica. Sobre a sua participação no Campeonato do Mundo no Brasil, revelou que a categoria Graduado foi bastante concorrida, com algumas dezenas de adversários de grande qualidade, praticamente todos brasileiros. “Mas apareceu um algarvio e ganhou”, diz, com um sorriso, confessando que os atletas vão sempre para estes eventos com expetativas elevadas. Aliás, Filipe já venceu quatro Campeonatos Europeus e os resultados são sempre um modo de prestigiar o ALGARVE INFORMATIVO #125
grupo, os colegas e os alunos. “Sendo um dos maiores a nível mundial, muitos capoeiristas participam nas competições organizadas pelo Grupo Muzenza, mas os eventos nunca são devidamente divulgados pela comunicação social. Uma partida do futebol regional tem mais mediatismo, é uma batalha que temos que travar todos os dias”, lamenta Filipe Barros. Uma vitória nesta luta foi a criação da Federação Nacional de Capoeira, essencial para aqueles que vivem da capoeira, de dar aulas. “Quando a capoeira chegou a Portugal, tinha uma vertente mais de espetáculo em discotecas e bares. Atualmente, o cenário é bastante ALGARVE INFORMATIVO #125
diferente, o que não significa que seja mais fácil cativar a malta nova, devido às inúmeras alternativas”, reconhece Galho. “O que diferencia a capoeira de todas as outras artes marciais é a sua musicalidade e, se começarmos a trabalhar logo com as crianças, elas ficam imediatamente cativadas. Aqui não há pré-requisitos, o essencial é que os alunos venham para se divertir. Nesta aula estão alunos desde os 16 até perto dos 50 anos e não se pode comparar as aptidões físicas e a elasticidade entre eles, mas a ginga da capoeira deixa todos de sorriso nos lábios”, observa, enquanto a música subia de volume na roda.
28
29
ALGARVE INFORMATIVO #125
Como os adolescentes são mais facilmente seduzidos para outras atividades de lazer, o Grupo Muzenza aposta bastante nas crianças e Filipe Barros trabalha em dois infantários, em Silves e Armação de Pêra, e tem mais classes infantojuvenis em Armação de Pêra e no Enxerim. “Se quisermos viver da capoeira, temos que ser profissionais ao máximo. Não podemos ter apenas uma turma por semana, mas cinco ou seis, a trabalhar com 80 ou 90 crianças por dia”, reforça, antes de passar o testemunho a Ricardo Castro, o Monitor RC. Praticante há 16 anos, trouxe do Campeonato Mundial do Brasil a medalha de prata na sua categoria, depois de ter vencido na edição de 2016, mas há dias em que as coisas correm melhor do que noutros. Professor em várias escolas e jardins-deinfância, RC tem também dois espaços próprios abertos, um em Tavira, outro em São Bartolomeu de Messines, onde dá aulas em horário pós-laboral, prova de que os algarvios estão, de facto, rendidos à capoeira. “A concorrência é bastante grande, com excelentes profissionais de outras artes marciais, mas a capoeira tem os seus aliciantes: a musicalidade, história, artesanato, dança. Somos uma família, uma equipa construída com ALGARVE INFORMATIVO #125
muitos anos de esforço, e a roda é a verdadeira essência da capoeira. Lá dentro, não se pode confiar nem na nossa mãe, caso contrário, levamos logo com uma rasteira. Mas a capoeira é a arte de lutar sorrindo, mesmo com rasteiras, chutos e quedas”, salienta. Limites não existem na capoeira, adianta ainda Ricardo Castro, indicando que a capoeira é praticada por deficientes visuais, mentais ou motores, por pessoas com falta de membros, por obesos ou magros, crianças ou idosos, e tudo isso faz parte do encanto desta arte. “Ficamos melhor preparados para enfrentar o mundo, que nem sempre é fácil. Ganhamos uma maneira diferente de andar na rua, de abordar as situações, a tal «malandragem», somos mais ágeis e astutos. O treino é um ringue, terapia, dança e música, daqui saímos todos felizes”, assegura ainda o Monitor RC .
30
31
ALGARVE INFORMATIVO #125
ALGARVE INFORMATIVO #125
32
33
ALGARVE INFORMATIVO #125
REPORTAGEM
UMA ASSOCIAÇÃO PARA APOIAR OS QUE SÃO
«DIFERENTES» A Associação Igualmente Diferentes surgiu para auxiliar os portadores de deficiência que não conseguem obter apoio das instituições já existentes na região, com o intuito de os ajudar na sua inserção na sociedade e no meio profissional e de lhes proporcionar melhor qualidade de vida. Depois de meter a «máquina a trabalhar» e de plantar sementes, 2018 afigura-se como um ano muito movimentado, conforme nos contaram Ricardo Monteiro e Ana Sofia Bexiga, presidente e vice-presidente, respetivamente, da associação. Texto: ALGARVE INFORMATIVO #125
Fotografia: 34
N
o início desta história está um sonho, de Ricardo Monteiro, que depois, com o seu entusiasmo e força de viver, contagiou outros, e assim nasceu a Associação Igualmente Diferentes, a 28 de dezembro de 2016. Portador de paralisia cerebral, o algarvio ficou sete anos numa cadeira de rodas e só há alguns meses é que recuperou a capacidade de andar pelos seus próprios meios. Nesse período, sentiu, na pele, a falta de apoio a quem tem alguma deficiência física, mental ou cognitiva, uma vez que as instituições existentes no Algarve não conseguem dar resposta a todos os pedidos de auxílio. “Estão completamente cheias e não têm capacidade para ajudar aqueles que não são seus utentes. Há muita gente fechada em casa, sem conseguir ir à escola, frequentar uma associação, praticar desporto, ir à praia ou desfrutar de qualquer atividade de lazer”, observa Ricardo Monteiro, presidente da Associação Igualmente Diferentes. Falta de respostas nota-se também no campo das terapias, sabendo-se que estes homens e mulheres de todas as idades têm necessidade de fazer fisioterapia a vida inteira. “Há várias clínicas dedicadas aos problemas do dia-a-dia, mas não abundam os centros orientados para tratamentos mais especializados. Os que existem são bastante caros e é impossível para alguém que tem uma reforma de 300 euros suportar esses custos, na ordem dos milhares de euros mensais”, prossegue o entrevistado. Do sonho ao nascimento da associação propriamente dita houve que cumprir, 35
primeiro, os trâmites legais do costume, a criação de estatutos, dos corpos sociais e de uma equipa multidisciplinar com fisioterapeuta, terapeuta da fala, terapeuta ocupacional, psicóloga, educadora social, farmacêutica, assistente social, totalizando 14 elementos de várias áreas. “O grande constrangimento é que todos temos vidas profissionais um bocadinho agitadas, mas conseguimos alcançar os objetivos a que nos tínhamos proposto para este ano zero. Tem sido um ano de semear, de dar a conhecer a associação, de fazer candidaturas a apoios do Instituto Português do Desporto e Juventude, nomeadamente no âmbito do programa «Desporto para Todos», mas também da «Geração Z», que culminou na reativação do farol na Ilha do Farol”, conta a vice-presidente Ana Sofia Bexiga. Este projeto pioneiro envolveu, inclusive, a Marinha Portuguesa e os Ministérios do Mar e da Defesa Nacional e poderá alargar-se a outros faróis de Portugal mas, para já, serviu para dar uma maior notoriedade à Associação Igualmente Diferentes. Em relação ao programa «Desporto para Todos», a ponte com os diversos municípios e instituições será realizada por Renato Frazão, responsável da associação pela vertente desportiva, sabendo-se que, no contexto regional, as ofertas não são muitas. “Há o andebol adaptado com a equipa em cadeira-de-rodas da Casa do Povo de Messines, o projeto da Associação de Andebol do Algarve para os portadores de deficiência intelectual, a esgrima em cadeira-de-rodas com o Hélder Farroba, o basquetebol ALGARVE INFORMATIVO #125
(...) “UMA PESSOA DEFICIENTE NÃO DEIXA DE TER PROBLEMAS DE UM MOMENTO PARA O OUTRO OU MESMO AO FIM DE VÁRIOS ANOS DE TRATAMENTO. VAI PRECISAR DE AJUDA, NA RETAGUARDA, PELO RESTO DA VIDA” (…)
SOCIEDADE NÃO É TÃO INCLUSIVA QUANTO APREGOA
adaptado em São Brás de Alportel e pouco mais. Tudo o que se fizer neste âmbito será uma mais-valia”, garante Ana Sofia Bexiga.
Apoiar estes homens e mulheres, crianças, jovens, adultos e seniores, que são «diferentes» do resto da população, é fundamental, uma obrigação, até, numa sociedade que se diz moderna e que pretende ser inclusiva. “Há muitos jovens que são integrados nas escolas mas, chegado o período de férias, vão para onde? Ou mesmo ao final do dia e aos fins-de-semana, quando os pais estão a trabalhar? E quem os leva à fisioterapia quando saem das aulas, a meio da tarde? São situações reais que complicam a vida a quem não tem apoio de uma associação ou instituição”, relata Ana Sofia Bexiga.
Ao nível dos utentes, a ideia é apoiar primeiramente os menores de idade, pois as áreas da infância e adolescência são as mais carentes de respostas adequadas, mas o objetivo é depois abarcar os restantes estratos etários. “Será um trabalho multideficiência, não nos vamos centrar em nenhuma patologia em particular”, acrescenta a vice-presidente, com Ricardo Monteiro a lembrar que muitas associações só recebem utentes até uma certa idade. “Contudo, uma pessoa deficiente não deixa de ter problemas de um momento para o outro ou mesmo ao fim de vários anos de tratamento. Vai precisar de ajuda, na retaguarda, pelo resto da vida, mas verificamos que, quando atingimos a idade adulta, muitas portas se fecham”, lamenta. “A deficiência não desaparece simplesmente por chegarmos à maioridade”, reforça.
A inserção no mercado laboral para esta população é outro grande problema para os portadores de deficiência – embora existam apoios estatais às entidades patronais especificamente desenhados para esse fim – uma luta que Ricardo Monteiro tem que travar todos os dias. “As empresas não têm custos nenhuns por abrir as portas a estas pessoas, uma vez que os ordenados são pagos pelo Estado, para além dos benefícios fiscais. Infelizmente, nunca consegui ter um trabalho fixo por causa das minhas limitações. Se usamos talas, não nos querem, se andamos mal, não nos querem, se usamos cadeiras-de-rodas, não nos querem. Temos capacidades e podemos ser úteis à sociedade”, desabafa Ricardo. “Não é com 300 euros que vivemos durante um mês, com
ALGARVE INFORMATIVO #125
36
medicação, cremes, pomadas, fisioterapia, já para não falar das despesas normais com a habitação e alimentação”, reclama. Ora, como é natural, não podem ser os utentes a andar a bater às portas de quem de direito para os sensibilizar para estas questões, daí a pertinência de associações que façam a ponte. “O mercado de trabalho não facilita e estas pessoas, como todas as outras, têm dias melhores e piores. Estando ocupadas, a trabalhar, com mais uma fonte de rendimento, também ganham mais autoestima, ficam menos fragilizadas em termos emocionais”, sublinha Ana Sofia Bexiga. “Nós queremos trabalhar, mas não podemos ir para uma obra carregar cimento ou tijolo; ou para uma caixa de supermercado, porque a cadeira-de-roda não cabe; ou para uma loja de roupa, porque tem degraus. Mas podemos estar a uma secretária a fazer atendimento ao 37
público, a receber telefonemas, a enviar e-mails, a tratar de questões administrativas”, afirma Ricardo Monteiro. A todas estas dificuldades quotidianas soma-se o drama dos pais que, à medida que vão envelhecendo, começam a pensar no que acontecerá aos seus filhos quando deixarem de ter saúde para os ajudar ou, mais tarde, quando morrerem. “É essencial dar o máximo de ferramentas a estes utentes enquanto é possível, porque há imensos pais que falam constantemente dessa situação futura. O seu maior receio é quem toma conta dos miúdos depois de eles partirem”, reconhece Ana Sofia Bexiga. “O sonho é conseguirmos, no longo prazo, abrir um lar ou uma residência autónoma e um Centro de Atividades Ocupacionais”, finaliza Ricardo Monteiro . ALGARVE INFORMATIVO #125
ALGARVE INFORMATIVO #125
38
39
ALGARVE INFORMATIVO #125
REPORTAGEM
MARIONETAS REGRESSAM A FARO PARA ENCANTAR MIÚDOS E GRAÚDOS De 23 a 30 de setembro, os mais pequenos, e os menos novos também, vão poder deliciar-se com as maravilhosas diabruras das marionetas, na 5.ª edição do FOMe – Festival de Objetos e Marionetas, em Faro. Com organização da ACTA, o certame apresenta vários espetáculos, uma exposição e dois workshops, divididos por espaços como o Teatro Lethes, o Jardim Manuel Bívar, o 1878 Hostel e o Ginásio Clube de Faro. Texto:
ALGARVE INFORMATIVO #125
40
Punch and Judy
41
ALGARVE INFORMATIVO #125
Arabesco
O
FOMe está de volta à capital algarvia, entre os dias 23 e 30 de setembro, e a quinta edição do Festival de Objetos e Marionetas inclui espetáculos em locais ao ar livre como o Jardim Manuel Bívar, ou em espaços interiores como o Teatro Lethes, o Ginásio Clube Farense e o 1878 Hostel. Ao programa somam-se workshops, um concerto, uma exposição e algumas surpresas. “O FOMe tem espetáculos para todas as idades, mantendo, portanto, a sua matriz familiar que tem sido muito requerida e elogiada pelo público”, destacou Luís Vicente, diretor da ACTA – A Companhia de Teatro do Algarve. Já Jeannine Trévidic explica que o mote da programação para este ano é o convívio. “Parece óbvio porque um festival ALGARVE INFORMATIVO #125
é, em si mesmo, uma festa que proporciona o convívio, que deriva do latim «convivium», que significa também banquete. Por isso, estão todos convidados e venham com FOMe”, desafia a diretora artística do FOMe “Artistas nacionais e internacionais vão cruzar-se com público estrangeiro e português através de espetáculos reveladores das tradições dos seus países, num convívio de culturas que nos apraz promover. São cinco anos de FOMe, 10 companhias, 10 espetáculos, uma exposição, dois workshops, um concerto e um DJ, todos reunidos à volta do nosso tema favorito: as marionetas”. Começando precisamente pelos workshops, são dois, o primeiro dos 42
quais intitulado «The Acting Objet», ministrado em língua portuguesa pela marionetista Helen Ainsworth. Decorrendo de 25 a 27 de setembro, no Teatro Lethes, das 20h às 23h, pretende ajudar a encontrar respostas às questões: Como contar histórias com objetos do quotidiano; quais são os limites de cada objeto; como representar uma personagem e quais são as possibilidades de expressão que estes objetos nos apresentam. O resultado do trabalho desenvolvido vai ser depois partilhado com o público numa aula aberta, no dia 28 de setembro, às 21h30, no palco do Teatro Lethes.
casa, na rua, na praia, etc. De Patrícia Chambino é igualmente a exposição «Permanências», patente no 1878 Hostel, de 23 a 7 de outubro. A mostra apresenta a coleção privada de trabalhos desta artista, realizados durante os últimos 11 anos, no âmbito do teatro de marionetas, e surge num contexto de revelação de diferentes formas, materiais e técnicas, aplicados à arte da cenografia. “São objetos de magia e das impossibilidades possíveis,
ETC
No dia 30 de setembro, das 14h30 às 19h30, no 1878 Hostel, é a vez de «Metamorioneta», a cargo de Patrícia Chambino, que procura estimular a criatividade na construção de marionetas através de matérias antigas, recicladas e inesperadas. Ao longo da sessão vão-se metamorfosear objetos inúteis em peças com ânimo e personalidade e, para maior possibilidade de caracterização das suas marionetas, os formandos são também convidados a descobrirem os seus próprios materiais em
43
ALGARVE INFORMATIVO #125
Metamorioneta
história simples e visual que, para além de nos mostrar a tranquilidade do dia-a-dia de quem vive de/e para a terra, nos relembra que mesmo o mais pequeno e fraco pode ter uma importância gigante.
características do mundo do teatro”, descreve Patrícia Chambino. O «Nabo Gigante», da companhia «Partículas Elementares», de Ovar, é o primeiro espetáculo do V FOMe, indo a cena, no Ginásio Clube de Faro, nos dias 23 e 24 de setembro, logo pelas 10h. Conta o enredo que, num pequeno e bonito quintal, onde vive um simpático casal de velhinhos juntamente com os seus animais, a vida decorre calmamente ao ritmo da natureza. A tranquilidade é interrompida quando nasce um nabo tão gigante que ninguém o conseguia arrancar. Uma ALGARVE INFORMATIVO #125
Da responsabilidade da ACTA, mais concretamente do seu serviço educativo VATe, chega «Dá-me um Abraço», que conta as aventuras de um menino que viaja pelo mundo à procura de um abraço. Nessa demanda, enfrenta várias situações e confronta-se com diversas personagens, umas mais simpáticas, outras, nem por isso. Estas aventuras são narradas por uma neurocientista, que vai explicando o que acontece no corpo humano quando tem a sorte de receber, ou o prazer de dar, um abraço. O espetáculo será apresentado na sala VATe, que é como quem diz, um autocarro transformado em sala de espetáculos, nos dias 23 e 24 de setembro, pelas 11h30, no Jardim Manuel Bívar. De Birmingham, na Inglaterra, vem Clive Chandler e o seu «Punch and Judy», uma performance muito ritmada e engraçada, com uma série de marionetas de luva que incluem o polícia 44
e o crocodilo. Será uma oportunidade de ver um espetáculo em direto das ruas de Inglaterra, com um profissional com mais de 30 anos de experiência. Vai a cena, nos dias 23 (Jardim Manuel Bívar) e 24 (1878 Hostel), às 18h30. A Red Cloud – Teatro de Marionetas, de Aveiro, traz ao FOMe «Arabesco», espetáculo que aborda o universo de Edgar Allan Poe em questões como a vida e a morte, a intensidade e excentricidade de personagens à procura de emoções, o limbo entre a insanidade e a clareza de pensamentos, a difícil distinção de ambos, com marionetas e atores num espaço denso, onírico e poético. Acontece no dia 23 de setembro, às 21h30, no Teatro Lethes. No dia seguinte, também no Teatro Lethes, mas às 16h, é a vez de
«Beginnings», da companhia londrina «HelenandJohn». Vai ser um barulhento e delicioso espetáculo para os mais novos, onde uma marioneta rugosa luta hilariantemente para criar um novo mundo com todos os objetos que encontra dentro de uma mala. «Beginnings» não tem palavras, mas é acompanhado por um kit de tambores/bateria e repleto de divertimento matreiro que ensina o quanto vale a persistência. «ETC» é uma criação da «S.A. Marionetas Teatro & Bonecos», de Alcobaça, que resulta de vários anos de trabalho na área do teatro de marionetas, mais especificamente em criações sem a utilização da palavra como veículo de comunicação. São pequenas histórias de um lugar onde os habitantes vivem as mais variadas
Dá-me um Abraço
45
ALGARVE INFORMATIVO #125
peripécias e a Beginnings inocência das ações resulta em momentos de humor vividos pelas personagens esculpidas em esponja. Sobe ao palco do Teatro Lethes, no dia 29 de setembro, às 21h30. Da mesma companhia chegam «O Castelo dos Fantasmas» e «O Barbeiro», para animar o Jardim Manuel Bívar, no dia 30 de setembro, às 11h30. As peças são um exemplo do Teatro de Robertos O Nabo Gigante Português, originário da tradição europeia de marionetas de luva que se julga ter tido a sua génese na Polichinelo da Comédia Dell’Arte Italiana do Séc. XVI. O festival encerra, no dia 30, com uma noite reservada à confraternização entre artistas, público e equipa do FOMe, no Jardim Manuel Bívar, a partir das 21h30. Após o lançamento do balão FOMe, haverá oportunidade para assistir a um espetáculo com a marionetista Helen Ainsworth e ao concerto dos Anonima Nuvolari, no Gimnásio Clube de ALGARVE INFORMATIVO #125
Faro. Motivos não faltam, portanto, para todos os amantes das marionetas para assistir a mais esta produção da ACTA .
46
47
ALGARVE INFORMATIVO #125
REPORTAGEM
SIMPLESMENTE
MOPHANTÁSTICOS!!! Quatro anos depois do lançamento do EP «Mopho», o quinteto de músicos algarvios regressou em grande estilo com o primeiro longa duração de originais, intitulado «Estranho em Mim». Um som potente, mas também harmonioso, onde as guitarras, a bateria, o baixo e os teclados se misturam num equilíbrio perfeito, conforme se comprovou, ao vivo, no concerto dado na Associação Recreativa e Cultural de Músicos de Faro, no dia 15 de setembro. Texto:
ALGARVE INFORMATIVO #125
Fotografia:
48
49
ALGARVE INFORMATIVO #125
E
STRANHO EM MIM marcou o regresso dos Mopho aos estúdios, quatro anos após o lançamento do EP homónimo de estreia. Mais maduros e conscientes do que pretendem no universo musical, Ricardo Rosa (guitarra e teclados), Ruben Azevedo (bateria), Pedro Bandeira (voz), André Gomes (baixo) e Paulo Duarte (guitarra) surgem com um disco que representa o rock português no seu melhor nível, como ficou bem patente no concerto de apresentação que deram na Associação Recreativa e Cultural de Músicos de Faro, no passado dia 15 de setembro. Terminada a atuação, verdadeiramente explosiva e cativante, Ricardo Rosa recordou que os primeiros temas da banda foram criados em 2010, com o EP a ser gravado em 2013 e, finalmente, «Estranho em Mim», em 2017, colocado no mercado pela editora «Last Man Standing». “A nossa história começou com o Pedro Bandeira, que juntou alguns amigos para fazer algo novo, e com qualidade, no panorama musical algarvio. Claro que isso é mais fácil de dizer do que fazer, porque temos as nossas vidas familiares e profissionais, o que obriga a uma grande vontade e jogo de cintura para arranjar tempo para os ensaios e concertos”, admitiu o guitarrista. Originais cantados em português é o que se encontra no repertório dos Mopho, numa sonoridade com várias influências mas onde sobressaem as do rock norteamericano, com fortes guitarradas, um baixo omnipresente e as orquestrações e programações a acrescentarem uma maior sofisticação. “É o estilo que nos chega mais facilmente aos ouvidos, através das
ALGARVE INFORMATIVO #125
rádios e do you tube, e que persiste na nossa memória coletiva. Um rock americano, elétrico, mas também melancólico e cantado em português”, descreveu, em poucas palavras, Ricardo Rosa, confessando que tem uma certa dificuldade em tocar algo que seja demasiado alegre. “A minha quinta parte do processo criativo é muito dark e emocional, daí a presença das teclas, dos violinos, dos coros, ambiências que ajudam a compor um cenário obscuro onde me sinto mais confortável”.
50
Parte musical que é composta em conjunto pelos cinco elementos, ao passo que as líricas são da responsabilidade do vocalista, Pedro Bandeira. “Ele pensa no tema e faz a letra do início ao fim. As canções falam de amores e desamores, dificuldades, vitórias e derrotas, pelo que qualquer pessoa se pode identificar com as nossas músicas”, acredita Ricardo Rosa, garantindo que cantar na língua materna sempre foi a opção dos Mopho. “Ainda muito devagar, mas o português está a ganhar terreno e a conquistar o seu 51
espaço, mesmo além-fronteiras”, afirmou. Devagar foi, igualmente, a produção de «Estranho em Mim», não por causa de dificuldades em reunir os cinco elementos para ensaiar, mas pela ida para estúdio, onde tudo tem que ser feito com maior rigor e cuidado. “É algo mais intenso e demorado, desde a fase da pré-produção à captação, mistura e pós-produção. Até termos o disco físico na mão leva sempre mais tempo do que aquilo que imaginamos. E quando as ALGARVE INFORMATIVO #125
pessoas são perfeccionistas como é o meu caso, que não descansam enquanto não estiver tudo correto, o processo torna-se ainda mais lento. Fazer um disco numa de improviso é fácil, mas essa não é a filosofia dos Mopho. A música é matemática: temos que estabelecer a harmonia entre as guitarras; os teclados pretendem reproduzir fielmente o trabalho de um ensamble de violinos, o que obriga a dividi-los entre baixos, médios e agudos; há que definir onde entram os coros e os pianos e que tipo de pianos se utiliza. Foram quase dois anos para gravar o disco”, relata Ricardo Rosa. Mil e cuidados que justificam a demora porque «Estranho em Mim» é, sem dúvidas, um excelente disco de rock, que dá gosto ouvir uma, duas, três vezes de seguida, numa viagem de carro ou na tranquilidade das nossas casas. Mas não é um rock fácil, rotineiro, de palavras ocas e sem sentido, daquele que, por isso mesmo, entra depressa no ouvido. “É um disco que vai beber ao rock progressivo, não muito complexo, mas que nos dá algum trabalho, que nos força a voltar atrás para ouvir novamente. Só assim se compreendem todas as nuances, as guitarras, as segundas vozes. É, talvez, o trabalho mais rico e completo que esta banda já fez”, analisa.
aumentar exponencialmente a oferta disponível no mercado. Depois, a «guerra» é conseguir «furar», dar nas vistas, chegar a quem interessa, para ter tempo de antena nas rádios e televisões. “Isso não significa que, quem não dá nas vistas, não tenha qualidade, é um meio complicado por uma série de fatores. Felizmente que as bandas, hoje, já se conseguem mexer bem sozinhas e chegar a palcos que abrem o caminho para outros palcos maiores e por aí adiante”, observa o músico. “Havendo dinheiro, criatividade e tempo, uma banda pode fazer praticamente tudo sozinha ou com a ajuda de amigos, desde o agenciamento
Contudo, por muita qualidade que uma banda, ou um disco, possam ter, na hora da verdade é o público que dita o seu sucesso e Ricardo Rosa admite que os Mopho possam não ser daqueles que saltam para a ribalta logo ao primeiro contato. Até porque, nos tempos modernos, gravar uma música, ou um disco, é relativamente fácil, o que veio ALGARVE INFORMATIVO #125
52
ao design, da produção à realização dos videoclips. Tudo o que fizemos neste disco foi da nossa iniciativa e com profissionais de grande talento”, salienta. Depois do concerto de apresentação na Associação Recreativa e Cultural de Músicos de Faro, os Mopho atuaram, logo na noite seguinte, em Setúbal, ao mesmo tempo que «Estranho em Mim» já está disponível para compra em todas as plataformas online, casos da Amazon, Google Play, I-Tunes e Spotify. “O objetivo é fazer o máximo de datas possível para promover o disco, de norte a sul de Portugal, embora esse circuito também
53
não seja fácil”, indica Ruben Azevedo, que entretanto se tinha juntado à conversa depois de dar atenção aos fãs. “Agora é fazer o caminho natural das coisas. Tocar, tocar, tocar, depois virá outro disco, que ainda vai ser melhor do que este e, de preferência, vai demorar menos tempo a gravar, porque todos os dias aprendemos com os erros do passado para que não se repitam no futuro. O que nos interessa é apresentar o disco, em palcos grandes ou pequenos, sempre agradecendo às pessoas que disponibilizam o seu tempo para ouvir a nossa música”, finalizou o baterista .
ALGARVE INFORMATIVO #125
ALGARVE INFORMATIVO #125
54
55
ALGARVE INFORMATIVO #125
ENTREVISTA
DEPOIS DAS LONGAS CAMINHADAS,
PEREGRINO ALGARVIO DÁ NAS VISTAS NO ATLETISMO José Júlio Brito, mais conhecido por «Peregrino Algarvio», foi homenageado na segunda edição da Gala do Desporto de Vila Real de Santo António, após a sua honrosa participação na meia maratona do Campeonato da Europa de Atletismo Master. E, de facto, 2017 tem sido um ano em grande para este quarentão que começou a fazer longas peregrinações e travessias para comungar com o seu «Eu» interior e que, depois, descobriu uma aptidão natural para o atletismo. Texto:
ALGARVE INFORMATIVO #125
Fotografia:
56
57
Foto: Associação Nacional de Atletismo Veterano ALGARVE INFORMATIVO #125
F
oi por via das longas travessias e peregrinações que José Júlio Brito, de 41 anos, ficou conhecido do grande público, precisamente como «Peregrino Algarvio», algo que continua a fazer regularmente nos seus períodos de férias. A novidade, de há uns meses a esta parte, é que os fins-de-semana passaram a estar ALGARVE INFORMATIVO #125
dedicados ao atletismo, uma forma de manter o equilíbrio e de ter novos desafios no dia-a-dia. “Começou por ser uma maneira de me preparar fisicamente para as travessias, sem qualquer intuito competitivo, apenas me preocupava em chegar ao fim das provas. Entretanto, num Caminho de Santiago, um amigo espanhol chamou58
surgiu o convite do Clube Recreativo Alturense para defender as suas cores em corridas de corta-mato e de pista ao ar livre e o desafio foi prontamente aceite. “Os treinos são exigentes, mas eu gosto de ser exigente comigo próprio e estou nas competições a tentar o meu melhor, não a pensar nos outros atletas. Se conseguir ficar à frente deles, ótimo, caso contrário, é sinal de que tenho que trabalhar mais para alcançar os meus objetivos”, indica, à conversa em Vila Real de Santo António.
me a atenção para o facto de possuir a estrutura física adequada para encarar o atletismo com maior seriedade”, recorda. Sem ter qualquer treinador ou preparador físico, mas com a «pulga atrás da orelha», José Júlio decidiu inscrever-se numa prova na vizinha Espanha, um trail de 55 quilómetros, e terminou em 10.º lugar da classificação geral. Depressa 59
O certo é que, em sete meses, obteve sete pódios, em corta-mato, provas de pista e meias-maratonas, sinal de que, de facto, nasceu para o atletismo. “Passei a levar tudo isto mais a sério e a estabelecer metas mais audazes. Em algumas provas compito na geral, noutras no escalão Masters, a partir dos 35 anos. Fiz o Campeonato Nacional de Pista ao Ar Livre e o Campeonato Europeu, para além dos campeonatos regionais da Associação de Atletismo do Algarve”, conta José Júlio Brito, lembrando que a sua estreia no atletismo foi uma vitória nos mil metros, surpreendendo a todos pelo tempo alcançado. “Foi uma prova muito violenta e rápida e 2’50’’ equivale a andar perto dos 22 km/hora”. Depois disso, obteve a Medalha de Bronze no Circuito Provincial de Gran Fondo de Huelva e a Medalha de Prata no coletivo da competição dos 10 quilómetros do Campeonato Europeu de Atletismo Masters, realizado em Vila Real de Santo António, ambos em 2016. Em 2017, tornou-se Campeão Regional ALGARVE INFORMATIVO #125
de Veteranos nos cinco mil metros de Pista ao Ar Livre; foi o 4.º melhor atleta na sua primeira participação no Campeonato Nacional de Veteranos, na distância dos cinco mil metros de Pista ao Ar Livre; foi 12.º no Campeonato Europeu de Atletismo Masters, uma meia-maratona disputada na Dinamarca; e venceu a Corrida do Coração, em Vilamoura, e a Corrida de São João de Degola, na Manta Rota, as duas de 10 quilómetros. Fica, assim, demonstrado que nunca se é «velho» para se começar a praticar desporto de alta competição, mas o caso de José Júlio Brito é sui generis porque tem bons resultados em várias distâncias, quando o normal é um atleta especializarse ou nas curtas ou nas longas distâncias. “Dedico-me mais aos 10 quilómetros, meias-maratonas ou maratonas, mas este ano ganhei nos cinco mil metros, na primeira vez que experimentei, e a pista é completamente diferente da estrada. São provas em que arrisco sem saber bem o que vai sair dali, gosto do desafio das provas mais rápidas, de estar lado a lado com atletas bastante mais jovens do que eu”, sublinha o «Peregrino Algarvio».
O SONHO DOS JOGOS OLÍMPICOS Neste cenário, o calendário desportivo de José Júlio Brito é bastante preenchido, o que o obriga a selecionar as provas consoante os objetivos delineados, pois é humanamente impossível ir a todas as competições e a quantidade também não é sinónimo de qualidade. “Antes do Campeonato da Europa, optei pelas provas que seriam benéficas para me
ALGARVE INFORMATIVO #125
preparar para a meia-maratona. Depois de chegar da Dinamarca, descansei algum tempo, antes de começar a preparar-me para o Circuito Provincial de Huelva, onde faltam realizar quatro provas em outubro e novembro. Depois, descanso novamente, antes de voltar à carga para a nova época desportiva”, resume, de forma simplista, o entrevistado. O problema é que a história não é tão simples como «Peregrino Algarvio» faz parecer, porque cada terreno e cada distância implicam estratégias diferentes. “Em dois anos é impossível ter a mesma experiência, ou cautela, que outros atletas mais rodados e temos sempre a tendência para tentar acompanhar o ritmo dos da frente e, depois, não conseguimos aguentar. Mas já vou conhecendo bem o meu potencial e os meus limites e faço essa gestão de forma atenta e inteligente”, aponta. “Nas provas longas temos que tentar seguir no grupo dianteiro mas, nas provas rápidas, a pessoa que sai na frente nem sempre é a que termina em primeiro lugar. Também nem toda a gente se adapta a correr em pista. Os 10 mil metros são 25 voltas, exige alguma capacidade psicológica para se motivar, para não se perder ao fim de meia dúzia de voltas. O que as pessoas dizem é que nasci com estes genes, que tenho tudo para ser um grande atleta”. Podia ter sido um grande atleta, mas o passado já lá vai e José Júlio Brito preocupa-se apenas em dar o seu melhor nas etapas que tem pela frente. E conciliar as muitas provas de atletismo com a vida profissional e com as 60
peregrinações – das quais não abdica – não é pêra doce. “As peregrinações enquadram-se nos períodos de férias, o mais complicado é combinar as provas de fim-de-semana e os treinos diários com o trabalho. Há aqui muita dedicação e sacrifício e, hoje, às seis e meia da manhã já andava a correr na rua”, revela o vilarealense. “Outras vezes, quando as pessoas saem do trabalho e vão para casa, é quando eu vou treinar, independentemente do cansaço que tiver no corpo”, acrescenta. Para tudo isto é necessário uma grande motivação e José Júlio Brito confessa que desde miúdo sempre sonhou em participar nos Jogos Olímpicos. “Vamos vendo a vida passar e nem sempre desfrutamos dela, mas já participei no Campeonato da Europa de Masters, a competir com exatletas olímpicos profissionais de vários 61
países e a chegar à meta antes de muitos deles. Os Jogos Olímpicos são em 2020 e nunca se sabe o que pode acontecer até lá, porque há nações que levaram atletas veteranos e obtiveram bons resultados”, refere, numa altura em que já começou a preparar o ano desportivo de 2018. “O que mais custa é, de facto, reunir os apoios financeiros necessários. A nível regional, como sou federado, as despesas são mínimas mas, no plano nacional, temos as deslocações e estadias. Se quiser ir a uma maratona de Roterdão, Paris ou Sevilha, os valores aumentam ainda mais e só consegui ir ao Campeonato Europeu de Masters graças à ajuda de muitos amigos e de comerciantes locais. Os Jogos Olímpicos seriam a prova viva de que não há idade para concretizarmos os nossos sonhos de criança” . ALGARVE INFORMATIVO #125
ALGARVE INFORMATIVO #125
62
63
ALGARVE INFORMATIVO #125
REPORTAGEM
CBMR QUER TORNAR A CIÊNCIA MAIS ACESSÍVEL AO CIDADÃO COMUM O CBMR, ou Centro de Investigação em Biomedicina da Universidade do Algarve, lançou uma plataforma internacional de comunicação dedicada à ciência na área da saúde e biomedicina e o objetivo é bem simples: aproximar o público da ciência e do conhecimento científico, transmitindo ao cidadão comum as novidades mais recentes numa linguagem acessível e com base em estudos fidedignos. Texto: ALGARVE INFORMATIVO #125 ALGARVE INFORMATIVO #125
Fotografia: 64 64
65
ALGARVE INFORMATIVO #125
O
Centro de Investigação em Biomedicina (CBMR), da Universidade do Algarve, acaba de criar uma plataforma internacional de comunicação de ciência na área da Saúde e da Biomedicina com o intuito de transportar para o grande público os conhecimentos que vão sendo produzidos nestas importantes matérias. Notícias e conteúdos que são, na sua maioria, relacionados com a área de atuação do próprio centro, localizado no polo das Gambelas da UAlg, mas também produzidos por diversos parceiros, nacionais e internacionais, que rapidamente viram o mérito do projeto. São disso exemplo o SciComm, o ITQB Instituto de Tecnologia Química e Biológica, a Real Academia Mexicana de Ciência (México), o Instituto de Investigación Biomédica de A Coruña ALGARVE INFORMATIVO #125
(Espanha), a University of Prague (República Checa), a Aarhus University (Dinamarca), a Western Illinois University (EUA), o Centro de Ciência Viva do Algarve e o BioISI - Universidade de Lisboa. Pretendendo consolidar-se como uma referência no campo da comunicação de ciência, a plataforma vai disponibilizar um conjunto de recursos que visam ajudar os investigadores a comunicar o seu trabalho, garantindo o alargamento e a difusão dos conteúdos por eles criados. Do mesmo modo, vai estar aberta à participação de todos aqueles que para ela queiram contribuir, através do envio de materiais (notícias, artigos científicos, investigações em curso, etc.), que depois ficarão online em www.scienceplatform.cbmr.ualg.pt.
66
Por detrás da plataforma está Isa Mestre, gestora de comunicação do CBMR, que depressa se apercebeu das dificuldades do cidadão comum em compreender, ou mesmo ter conhecimento, do que os cientistas andavam a fazer no interior dos seus laboratórios e dos centros de investigação. “Havia a necessidade de encontrar uma plataforma comum de entendimento, de diálogo, que permitisse transferir a linguagem científica para a sociedade civil e mostrar a importância daquilo que aqui fazemos, ainda mais numa fase em que os centros de investigação atravessam algumas dificuldades do ponto de vista financeiro. O que estes investigadores estão a fazer terá, certamente, um impacto nas nossas vidas, seja no curto ou no médio e longo prazo”, justifica Isa Mestre.
Isa Mestre, gestora de comunicação do CBMR
Tornar a ciência mais acessível ao público em geral é a grande meta da nova plataforma, algo que não sucedia, até à data, sobretudo pela falta de disponibilidade de tempo dos próprios investigadores em efetuar essa comunicação. “Estão a 67
ALGARVE INFORMATIVO #125
desenvolver as suas investigações e a dar aulas, o que os impede de realizar essa tarefa acrescida de forma eficiente, até porque a sua linguagem é muito específica e técnica. Deste modo, estabelecemos um ponto de contato que permite aos investigadores explicar-nos aquilo que estão a fazer e, depois, nós transferimos essa informação para o exterior. Os investigadores não têm, de facto, tempo para produzir notas de imprensa ou para traduzir o seu jargão científico para linguagem comum, limitando-se a fazer apresentações em palestras ou eventos científicos, o que é manifestamente insuficiente”, considera Isa Mestre. O primeiro grande desafio passa, então, por «trocar por miúdos» aquilo que é feito dentro dos laboratórios, como se estivessem a falar para os seus filhos ou pais, para pessoas que não percebem nada de ciência. “Temos que partir do ponto zero para instruir os nossos públicos. Se há uma ferramenta que ajuda a analisar dados que, posteriormente, possibilita demonstrar de que forma se processa o desenvolvimento cardíaco no caso das cardiomiopatias, a pessoa tem que perceber o que é uma cardiomiopatia, o que é que aquela ferramenta faz e por que razão é que ela é útil. Não basta dizer que aquilo que estamos a fazer é bastante importante, há que mostrar, da forma mais clara e eficiente possível, os motivos dessa importância”, sublinha a gestora de comunicação do CBMR. Para ajudar nessa tarefa, a plataforma tem vários recursos para além do simples texto, como vídeos, imagens e ficheiros de som, verdadeiros tutoriais científicos que estarão disponíveis para ajudar os próprios ALGARVE INFORMATIVO #125
investigadores a comunicar mais eficazmente a «sua» ciência. “A Fundação para a Ciência e Tecnologia tem insistido muito nesta ideia de comunicar ciência e os investigadores têm cada vez mais a consciência de que, se as pessoas lá fora não souberem o que eles estão a fazer, estarão mais limitados nos seus objetivos, não conseguirão obter determinados financiamentos, nem alcançarão a projeção de que necessitam”, afirma Isa Mestre.
CIÊNCIA VIVE UMA ERA DE PARTILHA Outro problema que existe é a perceção, às vezes com razão, de que a investigação científica, ao passar para o lado da comunicação social, é um bocadinho espetacularizada e, como se sabe, nem todos os estudos conduzem a descobertas milagrosas que possam ser implementadas no curto prazo. Por isso, a plataforma lançada pelo CBMR dará destaque, tanto à ciência mais fundamental, como àquela aplicada no mundo real. “As duas andam num constante diálogo porque nenhum investigador faz apenas ciência fundamental ou aplicada. Há coisas que estão a ser pensadas e que poderão, ou não, vir a dar frutos”, refere a gestora de comunicação do CBMR. Ora, uma plataforma destas só tem lógica se for dinâmica e rica em conteúdos e, para isso, foram encetadas várias parcerias científicas com entidades nacionais e internacionais, porque “a ideia não é ficarmos numa 68
Clévio Nóbrega, docente do Departamento de Ciências Biomédicas e Medicina da Universidade do Algarve e responsável pelo Laboratório de Neurociência Molecular e Terapia Genética do CBMR
ilha e projetarmos apenas aquilo que o CBMR produz”, salienta Isa Mestre. “O objetivo é sermos uma reunião de tudo o que se faz no campo da Saúde e da Biomedicina”, acrescenta, acreditando que este meio de comunicação não irá chocar com os naturais cuidados que os investigadores têm com aquilo que estão a estudar enquanto as patentes não estão registadas. “Cada vez mais vivemos numa era de partilha e os cientistas estão interessados em perceber novos caminhos a partir da investigação dos seus colegas. Penso que essa resistência se esbateu. Já não falamos daquele investigador que se fecha no seu laboratório para que ninguém saiba o que anda a fazer, mas de investigadores mais abertos à comunidade”, entende a entrevistada. A necessidade era sentida há algum tempo e vai ser agora colmatada em 69
www.scienceplatform.cbmr.ualg.pt, porque os portugueses mostram-se muito interessados em saber o que se vai descobrindo em matéria de cancro, doenças cardíacas ou diabetes, áreas de eleição do CBMR. “É um projeto pioneiro em Portugal que quer ganhar asas para voar e, para isso, as parcerias e os apoios são fundamentais para garantir a sua estabilidade e sustentabilidade”, conclui Isa Mestre.
INFORMAÇÃO DE QUALIDADE E CIENTIFICAMENTE CORRETA Depois de falarmos com a gestora de comunicação do Centro de Investigação em Biomedicina da Universidade do Algarve, fomos ouvir as palavras de quem produz os conteúdos, neste caso do investigador Clévio Nóbrega, ALGARVE INFORMATIVO #125
considerado pela Sociedade Europeia de Neuroquímica como o «Jovem Cientista 2017», que reconhece que essa informação não chega em quantidade suficiente ao cidadão comum. “Os laboratórios e as universidades devem ter as suas portas abertas à sociedade, quanto mais não seja por sermos financiados pelo Estado, pelos impostos pagos pelas pessoas. Depois, aquilo que passa para o exterior chega muitas vezes deturpado, porque o jornalismo tradicional não está sensibilizado para o facto de que os resultados que temos em laboratório não são transponíveis no dia seguinte para a sociedade”, observa o docente do Departamento de Ciências Biomédicas e Medicina da Universidade do Algarve e responsável pelo Laboratório de Neurociência Molecular e Terapia Genética do CBMR. Fundamental para Clévio Nóbrega é que a informação ao dispor dos cidadãos deve ser de qualidade e baseada em conhecimentos cientificamente corretos, o que nem sempre acontece devido à facilidade com que se publica e navega no universo online. “As pessoas tendem, nos tempos modernos, a serem os seus próprios médicos através da «wikipedia» e, no caso da saúde, esse comportamento pode ter muitas desvantagens. Uma plataforma como esta garante que os dados apresentados são clinicamente ALGARVE INFORMATIVO #125
comprovados e permitirá também que os utilizadores possam tirar algumas dúvidas que tenham”, destaca. Sobre as questões da confidencialidade dos estudos realizados e das patentes registadas, Clévio Nóbrega admite que a ciência é um meio extremamente competitivo devido à escassez de financiamentos. “Por uma simples manifestação de ideia, mesmo em conversas privadas, pode-se perder o direito a uma patente, o que poderá implicar a perda de muito dinheiro para uma universidade, laboratório ou investigador. Mas ter esse cuidado não significa que estejamos fechados dentro do laboratório”, distingue o entrevistado. “A maior parte das pessoas também não tem noção de que o desenvolvimento de um novo medicamente ou fármaco pode demorar até 20 anos. Uma ideia que, hoje, se prova num laboratório – numa célula ou num modelo animal – só bastante mais tarde chegará ao mercado devido a todas as regulamentações que existem para assegurar a segurança do ser humano”. 70
71
ALGARVE INFORMATIVO #125
ALGARVE INFORMATIVO #125
72
73
ALGARVE INFORMATIVO #125
OPINIÃO Cidadania e Desenvolvimento Paulo Cunha (Professor)
“D
iz-me o ano em que nasceste e dir-te-ei como o modelo de ensino com que foste brindado te marcou!” é a frase com que, às vezes, me apetece interromper certas conversas e teorizações sobre Educação. Foram tantas as mudanças no sistema educativo a que os «maduros» da minha geração assistiram e vivenciaram ao longo das últimas décadas, como tantas foram as mudanças bipartidárias no sistema governativo em igual período de tempo. Reféns do inevitável desejo de fazer diferente (não necessariamente melhor), e assim deixar a sua marca pessoal e política, muitos Ministros da Educação acabaram por condicionar um sistema que, a bem de todos intervenientes educativos, se desejava sereno, normalizado e contínuo. Tal não aconteceu! Por isso, muitos falam do ensino do seu tempo, caracterizando-o com as peculiaridades que o marcaram. Importando, muitas vezes, modelos educativos de países com realidades históricas, sociais, geográficas, culturais e económicas distintas das nossas, assistimos à implementação de experiências educativas que condicionaram e marcaram gerações, e nem sempre pelas melhores razões. Quem é que não tem uma história para contar? Neste tempo em que vos escrevo, as palavras de ordem na Educação parecem ser «autonomia» e «flexibilização». Nada a opor: venham elas, e tudo o que - na prática - isso implica e acarreta, pois nós cá estaremos para, mais uma vez, «dar o corpo ao manifesto». Ainda em regime experimental, surgiu também uma nova disciplina a que, pomposamente, chamaram «Cidadania e Desenvolvimento». Tem como enquadramento educativo a relação entre o indivíduo e o mundo que o rodeia, construída numa dinâmica constante com os espaços físico, social, histórico e cultural. Visa contribuir para o desenvolvimento de atitudes e comportamentos, de diálogo e de respeito pelos outros, alicerçando modos de estar em sociedade que tenham como referência os direitos humanos, nomeadamente os ALGARVE INFORMATIVO #125
valores da igualdade, da democracia e da justiça social. Com efeito, os valores da cidadania encontram-se consagrados nos princípios da Lei de Bases do Sistema Educativo (Lei n.º 46/86 de 14 de outubro), ao estabelecer-se que o sistema educativo deverá ser organizado de modo a contribuir para a realização dos alunos, através do pleno desenvolvimento da sua personalidade, atitudes e sentido de cidadania. Deste modo, os alunos são preparados para uma reflexão consciente sobre os valores espirituais, estéticos, morais e cívicos, no sentido de assegurar o seu desenvolvimento cívico equilibrado. Em «Cidadania e Desenvolvimento», os professores terão como missão preparar os alunos para a vida, para serem cidadãos democráticos, participativos e humanistas, numa época de diversidade social e cultural crescente, no sentido de promover a tolerância e a não discriminação, bem como de suprimir os radicalismos violentos. Uma missão de grande responsabilidade e de vasto alcance, onde a formação humanista dos professores, a formação na área da cidadania, a motivação para a abordagem desta área e para a utilização de metodologias de projeto e a experiência na coordenação de equipas pedagógicas deverão ser fundamentais para o desenvolvimento da nova disciplina. Conseguirá esta nova disciplina, transversal aos vários ciclos de escolaridade e respetivos departamentos disciplinares, fazer confluir os Princípios, Áreas de Competência e Valores (definidos no perfil dos alunos à saída da escolaridade obrigatória) para a formação de cidadãos ativos e participativos? Estou a «torcer» para que sim, pois já estou a ficar farto de experiências estéreis e fracassadas, e (quem sabe?) pode ser que falando mais de humanismo, civismo, democracia e cidadania, vejamos as novas gerações a colocá-los em prática. Como eu gostaria! .
74
75
ALGARVE INFORMATIVO #125
OPINIÃO Para uma definição de Poesia Adília César (Escritora) “Só à primeira é que custa, abrir a mão à primeira letra: no osso da mão, na carne e sangue da mão esquerda, que não nunca te embarace a dor que rasga osso a osso a carne toda, do mesmo lado de onde te assoma tanto sangue: parece, diz alguém, que a própria carne está rôta, aí, na letra aberta dentro da boca funda” (Letra Aberta, 2016, Herberto Helder)
N
aquele dia, decido passar algum tempo num estabelecimento comercial que vende livros e outros artigos, perto da hora do fecho. Oh silêncio despojado que me atrai nestes momentos tardios, em que os objectos inertes se fundem com a insistência da luz artificial. Parece um cenário de ficção, um estúdio de cinema a aguardar a estrela principal. Entro na loja e caminho devagar pelo amplo corredor. Algumas pessoas logo à entrada, onde estão expostos, de forma bastante apelativa, inúmeros equipamentos tecnológicos. Os funcionários manipulam os gadgets com destreza, conversando animadamente com os clientes, tentando convencê-los da absoluta necessidade da sua aquisição. Lá mais para o fundo, bem ao fundo, as estantes dos livros. Duas pequenas prateleiras baixas dedicadas à poesia. Mais uma vez me impaciento com algo que já sabia de antemão: não consigo ler as lombadas, o ângulo de visão é totalmente inadequado. Dobro os joelhos para descer aos cinquenta centímetros de altura necessários à descodificação dos títulos e as rótulas ressentem-se. Que títulos e que autores estão disponíveis? Sei lá! Desisto da demanda. Mas vejo logo de seguida, fora do lugar, o livro de poesia que procurava e pego nele, avidamente. Sento-me num pequeno banco e começo a ler, concentrada. Bem perto de mim, uma jovem com a mãe. "Ó mãe, olha, é este!" Diz a rapariga agarrada a um livro igual ao meu. "Mostra lá isso." A mãe vira o livro e guincha. "16,90€?! Nem penses! É o quê? Poesia?!" Abre o livro e folheia. "Olha lá para isto! É mais o papel em branco do que os versos. Os poemas são pequeníssimos, não tem quase nada escrito! Ah, que aldrabões, isto é o mesmo poema, de um lado todo
ALGARVE INFORMATIVO #125
rascunhado e aqui passado no computador! Isto lê-se em meia hora! Ao menos leva um romance!" A filha esmoreceu. "Oh mãe, mas é o Herberto Helder... Sabes que eu gosto… Deixa-me lá levar..." A mãe argumenta. "Se é para te entreteres, levas um livro grande, com muitas páginas e letras miudinhas. Olha este aqui!" E agarra-se ao Dom Quixote de la Mancha, com o preço módico de 10€. "Isto sim, é um livro como deve ser. E para que queres tu ler poesia? Não se percebe nada do que essa gente escreve, juntam palavras que nem rimam, com frases com a gramática ao contrário, ainda ficas igual a eles. És tão boa aluna, deixa-te estar sossegada. Queres brincar aos poetas?! Escreve antes umas histórias que possas contar à tua madrinha, coitadinha, que nunca aprendeu a ler!" O profundo suspiro da rapariga confundiu-se com o meu. Apesar de nada ter contra a obra de Cervantes, a qual já li há alguns anos com bastante satisfação, senti-me invadida por um certo desalento. Tinha acabado de ouvir uma definição de poesia que nunca mais iria esquecer: a poesia é uma folha quase em branco, onde o poeta brinca com alguns versos talvez sem sentido para os comuns mortais, isentos de normas gramaticais. Era imperioso pensar sobre isto. Na verdade, eu própria tinha lido alguns livros de poesia que… enfim. A loja vai fechar e apresso-me a pagar. A pressão que sinto no meu peito é aliviada assim que saio para o pátio principal. Vejo a lua, vejo a luz assombrosa da lua, escuto o segredo dessa noite que vou levar dentro do livro escolhido, todo ele feito de luz: “Letra Aberta” de Herberto Helder, que lerei de uma só vez, até que a iluminação se torne eterna na utopia da minha expressão poética. Tão bom ser poeta. A liberdade livre da letra aberta de todos os poetas. Hoje, vou fechar aquelas letras abertas nas feridas do meu coração . 76
77
ALGARVE INFORMATIVO #125
OPINIÃO
O Anti-Turismo Artur Filipe Gregório (Antropólogo)
A
mais recente onda de reações contra turistas, verificadas em diversas capitais mundiais onde se verificaram recentes aumentos no número de visitantes, remete para questões antigas que nos merecem alguma reflexão. Por um lado: · Em democracia, o direito a um período de férias, num local à escolha de cada um, deve ser livre e universal. Longe da origem aristocrática do fenómeno turístico, não podemos considerar justo que existam
ALGARVE INFORMATIVO #125
·
·
locais e recursos a que só alguns têm acesso – mesmo que façamos parte dessa minoria; A lenta, mas progressiva melhoria das condições de vida em diversas regiões do planeta, aumenta a capacidade das populações trabalhadoras para poderem desfrutar do seu período de descanso fora dos seus locais de residência, fazendo turismo; A competitividade dos operadores tem vindo a baixar os preços das férias,
78
tornando acessíveis destinos anteriormente apenas sonhados pelas classes trabalhadoras. Portanto... Não nos podemos arrogar de privilégios sobre determinados recursos ou locais, limitando ou restringindo o seu acesso a outros que não nós próprios. O nosso direito a desfrutar daquele recanto paradisíaco ou daquela experiência inesquecível é o mesmo de qualquer um dos demais sete mil milhões de «peixinhos» com os quais partilhamos este aquário chamado Terra! No entanto... Este direito tem associadas responsabilidades e impactes, que frequentemente são esquecidos. · Nos locais onde pretendemos satisfazer a nossa necessidade de alteridade, de descoberta do outro, existem comunidades locais, recursos endógenos e sistemas culturais próprios, que não temos o direito de alterar ou modificar, pelo menos de forma abrupta e perniciosa; · Os comportamentos, atitudes e padrões de consumo durante o período de exceção que são as férias, são muito diferentes dos que os turistas adotam durante o resto do ano, conflituando frequentemente com os das comunidades locais, que não devem ser sujeitos a eles de forma significativa e continuada; · Todos os locais, recursos e comunidades escolhidas como destino de turismo têm uma determinada capacidade, que, se for ultrapassada, altera a sua continuidade espaçotemporal e a sua individualidade, transformando-os de forma irreversível e
79
comprometendo a sua sustentabilidade Na realidade, as reações massificadas e radicalizadas que por vezes surgem nos media contra destinos populares de Turismo não são formas de contestação social contra o fenómeno turístico. São na sua maioria reações emocionais primárias ao turismo de massas, desregulado, que altera radicalmente e negativamente o estilo de vida das comunidades. Existem soluções para esta aparente paradoxo entre o direito ao turismo e a responsabilidade de o exercer de forma responsável? Existem, não são cómodas, e para isso dois conceitos – capacidade de carga e turismo sustentável – têm que ser trabalhados de forma objetiva, sem demagogia nem agendas ocultas. Sobre isto voltarei a partilhar convosco algumas ideias .
ALGARVE INFORMATIVO #125
OPINIÃO
Quanto vale um Cozinheiro? Augusto Lima (Cozinheiro e Formador)
S
e é dos acham que custa caro pagar a um profissional, é porque não faz ideia de quanto custa um incompetente. Esta «verdade de La Palice» tem sido usada ultimamente por aqueles que se acham mal pagos pelo trabalho que exercem como cozinheiros. E quando pergunto quanto vale, faço-o não comparativamente com outras profissões, mas também o posso fazer, comparando a responsabilidade de quem cozinha, se pensarmos que comida é saúde pública, a carga horária praticada, os dias de folga, face a qualquer outra profissão, o desgaste psicológico e stress acumulado, as doenças profissionais e os males inerentes, quer sejam sociais, pessoais ou familiares. E quando pergunto – Quanto vale um cozinheiro, obviamente que depende se executa na perfeição ou com sentido de responsabilidade o que lhe é proposto quando diz que se candidata a determinado posto. O problema é que quem contrata quer que o cozinheiro tenha experiência no cargo para o qual se candidata ou é contratado, tenha conhecimentos de HACCP, resistência ao stress, que se adapte a turnos e que seja multifunções. E quanto paga? Muito mal, face a todas as exigências, mais os pressupostos das inúmeras atribulações acima descritas. E quando pergunto quanto vale um cozinheiro, não estou a incluir neste grupo aqueles cozinheiros (sim, porque também são) que chefiam as cozinhas/unidades. Esses são cozinheiros que, para além de cozinharem, superintendem uma cozinha, gerindo homens, máquinas e situações.
ALGARVE INFORMATIVO #125
Antes da chamada crise económica, pode-se dizer de forma lacta que os cozinheiros se achavam minimamente bem pagos para um trabalho normal sem grande número de horas ou situações novas e redobradas todos os dias, como agora acontece. Com a crise, também houve fuga de profissionais do sector para outros países. A ordem era de emigrar e eles o fizeram pela saúde económica da família. Com a crise veio o êxodo de todos os que tinham, ou não, profissão indiferenciada para a indústria que ninguém se parece incomodar mas que alimenta muita boca, a Indústria da Restauração e os seus ERB’s. Com a crise, vieram as exigências vãs a quem não sabe, mas que se paga como se soubesse. Com a crise, vieram programas de entretenimento, porque é preciso animar a malta e fazer esquecer os problemas. E alguns desses programas eram cópias muito más do fabuloso Master Chefe Australiano, que fez a imprensa chamar de Chefes de Cozinha aos que saiam a meio ou terminavam o programa. Com a crise houve donos de restaurantes que de forma estúpida se aproveitam destas vedetas de faz de conta e os deixaram deitar fora os seus bens e dinheiro. Com a crise, que eu continuo a chamar de estupidez, houve mais e mais restaurantes abertos sem consciência. Com a crise, estúpida, digo eu, vejo cozinheiros com um ano e meio e por vezes um ano, empregues como Formadores nas Escolas Técnicas de Cozinha e Pastelaria, governamentais, deste país. O Algarve foi e é disso exemplo. Com a crise, da estupidez, já não se sabe muito bem quanto custa um cozinheiro a sério .
80
81
ALGARVE INFORMATIVO #125
ALGARVE INFORMATIVO #125
82
83
ALGARVE INFORMATIVO #125
ATUALIDADE
EMBAIXADOR DA LITUÂNIA APRESENTOU CUMPRIMENTOS A CARLOS SILVA E SOUSA
O
presidente da Câmara Municipal de Albufeira, Carlos Silva e Sousa, recebeu, no dia 15 de setembro, a visita do Embaixador da República da Lituânia, Darius Degutis, nos Paços do Concelho. Foi um encontro de caráter informal em que Darius Degutis, que se encontra de férias no Algarve com a sua esposa Wendy, aproveitou para apresentar cumprimentos ao edil albufeirense. O embaixador fez questão de sublinhar que adora Albufeira, particularmente a pequena aldeia de Paderne, que conheceu numas férias há dois anos e onde pretende adquirir uma moradia para viver de forma permanente quando estiver aposentado. “Aqui tudo me ALGARVE INFORMATIVO #125
encanta, a começar pelo clima que nos brinda quase todos os dias com uma temperatura fantástica e muitas horas de sol, à simpatia das pessoas, extremamente acolhedoras, sem esquecer as maravilhas da gastronomia: os pastéis de bacalhau, a caldeirada, as sardinhas assadas, o leitão, o azeite, os doces e claro o medronho no final da refeição”, destacou. Darius Degustis é atualmente Embaixador Especial para as Relações Internacionais da Lituânia e está ligado ao Ministério dos Negócios Estrangeiros desde 1991. Trabalhou nas missões diplomáticas da Dinamarca e nos Estados Unidos e foi embaixador da Lituânia na Polónia, em Israel, África do Sul, entre outros cargos de grande destaque . 84
CARLOS SILVA E SOUSA RECEBEU A EMBAIXADORA DA ÍNDIA
O
presidente da Câmara Municipal de Albufeira recebeu, no dia 13 de setembro, a visita da Embaixadora da Índia em Portugal, Nandini Singla, que se fez acompanhar do diretor do grupo MGM, Luís Costa, do primeiro secretário da Embaixada, Amararam Gurjar, e do seu secretário Pankaj. Nandini Singla, que é a 16.ª chefe de missão da Índia em Portugal, sublinhou as fortes ligações existentes entre os dois países que têm uma das relações mais antigas do mundo, com mais de 500 anos de história, e reforçou a recente aproximação entre os dois estados, consubstanciada num acordo de cooperação centrado em setores como a educação, desporto, cultura, turismo, indústria cinematográfica e de entretenimento, entre outras, com o objetivo de explorar as complementaridades existentes entre as duas nações. Recorde-se que a Índia conta atualmente com uma população de 1,21 mil milhões de pessoas, prevendo-se que, até 2030, venha a ser a terceira maior economia mundial. A nível turístico é um 85
mercado com um enorme potencial, calculando-se que, nos próximos três anos, 13 milhões de indianos viajem para o exterior. Os turistas indianos viajam em família e são dos que gastam mais em alojamento, comida, passeios e compras, de acordo com dados do operador turístico Cox & Kings. Durante o encontro, Carlos Silva e Sousa destacou que Albufeira é um concelho cosmopolita que representa cerca de 44 por cento da capacidade turística do Algarve e conta entre a sua comunidade com pessoas
de diferentes nacionalidades. O autarca ouviu atentamente todas as propostas apresentadas por Nandini, com destaque para a colaboração na realização de um seminário na área do Turismo e Hospitalidade, um espetáculo Cultural com uma Companhia de Dança indiana e a colaboração no estabelecimento de parcerias empresariais . ALGARVE INFORMATIVO #125
ATUALIDADE
CENTRO SOCIAL DE OLHOS DE ÁGUA VAI INTEGRAR CRECHE, LAR E CENTRO DE DIA
V
ai surgir um novo equipamento social em Olhos de Água, concelho de Albufeira, vocacionado para dar apoio a crianças e idosos, depois da autarquia local ter aprovado, no dia 5 de setembro, o lançamento do concurso público para a execução do Centro Social de Olhos de Água. A obra, com um investimento previsto superior a quatro milhões de euros, irá integrar um conjunto diversificado de valências, nomeadamente Creche, Centro de Dia, Estrutura Residencial para Idosos (ERPI) e Serviço de Apoio Domiciliário (SAD).
ALGARVE INFORMATIVO #125
O edifício será composto por dois pisos, com uma área de implantação de dois mil e 645,60 metros quadrados, e integrará duas áreas distintas: uma destinada exclusivamente a Creche e outra a Centro de Dia e ERPI, ambas com entradas independentes. A Creche terá capacidade para 42 crianças, enquanto as restantes valências poderão acolher um total de 125 utentes: 55 idosos (ERPI), 30 idosos (em regime de Centro de Dia), mais 40 utentes do Serviço de Apoio Domiciliário. A receção, átrio, gabinete médico e cozinha (que serve os dois refeitórios) integram as chamadas áreas comuns. 86
“Albufeira é um Município que se preocupa com o bem-estar de todas as faixas etárias da população, por isso, apostamos continuamente em medidas que visam melhorar as condições de quem aqui vive e trabalha”, salienta Carlos Silva e Sousa, adiantando que muitas pessoas e empresas escolhem o concelho pela qualidade de vida que este oferece. “Somos um concelho iminentemente turístico, cuja população aumenta em determinadas épocas do ano, fruto da afluência de visitantes, mas também das migrações de pessoas que se deslocam para trabalhar, o nos obriga a criar condições para acolher e cuidar quer das crianças, quer dos idosos”, sublinha o presidente da Câmara Municipal de Albufeira. O espaço exterior, com três mil e 700 metros quadrados, será vedado e organizado em cinco zonas: acesso ao
87
público e área de serviço (fornecimentos, carga e descarga e condicionamento de lixo), estacionamento privado com capacidade para 18 lugares, zona para a Creche, e zona de lazer e convívio para os utentes do Centro de Dia e ERPI. O espaço irá acolher ainda uma horta com 260 metros quadrados, que poderá funcionar como fonte de abastecimento de produtos frescos à instituição, servir eventuais projetos educativos e de terapia ocupacional). Será ainda construído um reservatório para águas pluviais, garantindo a rega da horta. “Esta é uma obra de grande importância para Albufeira, que irá atenuar as necessidades da população do concelho ao nível destas valências. Não descuramos as necessidades de quem já deu muito de si para o desenvolvimento da nossa terra, bem como da futura geração”, refere Carlos Silva e Sousa .
ALGARVE INFORMATIVO #125
ATUALIDADE
«FARO REQUALIFICA» INVESTE QUASE 265 MIL EUROS EM MAIS TRÊS INTERVENÇÕES
F
oram adjudicadas mais três empreitadas no âmbito do programa «Faro Requalifica» com o objetivo de requalificar o espaço público da cidade e do concelho de Faro. Estas intervenções vêm no seguimento do plano estabelecido pela autarquia de melhorar a rede viária do Município, regular a circulação automóvel e pedestre e reforçar a sinalização rodoviária para a segurança de todos os munícipes e
visitantes. As empreitadas agora adjudicadas consistem no «Melhoramento do Espaço Exterior do Bairro dos Centenários em Faro», a «Repavimentação da Estrada da Senhora da Saúde e da Rua António Belchior Júnior» e a «Repavimentação da Urbanização Galvana», num investimento total de quase 265 mil euros. A primeira ALGARVE INFORMATIVO #125
empreitada foi adjudicada à empresa «Martins Gago & Filhos, Lda.» pelo valor de 130 mil e 284,99 euros, acrescidos de IVA à taxa legal, e prevê o melhoramento da circulação pedonal na área, devido à existência de muitas pessoas com mobilidade reduzida nesta zona, a estabilização de taludes, a regulação do acesso ao estacionamento automóvel no núcleo do bairro, o aumento da presença de vegetação e a dotação do espaço de uma rede de drenagem das águas pluviais e rede de rega. A «Repavimentação da Estrada da Senhora da Saúde e da Rua António Belchior Júnior» foi adjudicada à empresa «Manuel António & Jorge Almeida – Construções, S.A.», pelo valor de 70 mil e 257,26 euros acrescidos de IVA à taxa legal, e prevê a repavimentação de ambas as estradas, incluindo os pavimentos pedonais e a respetiva drenagem. A empreitada «Repavimentação da Urbanização Galvana» foi adjudicada à empresa «Candeias & Silva, Lda.», pelo valor de 64 mil e 450,80 euros acrescidos de IVA à taxa legal, e prevê a total pavimentação da urbanização, assim como a colocação da respetiva sinalização rodoviária . 88
MUNICÍPIO DE FARO PREMIOU ALUNOS DE MÉRITO E HOMENAGEOU PROFESSORES APOSENTADOS
A
ssinalando o início de mais um ano letivo, a Câmara Municipal de Faro galardoou os melhores alunos das escolas do concelho, em 2016/17, e prestou homenagem aos professores que se retiraram no final do ano letivo passado, numa cerimónia promovida, no dia 14 de setembro, na Escola de Hotelaria e Turismo. Deste modo, 40 estudantes de mérito e dois docentes subiram ao palco para receber um louvor e uma lembrança, oferecidas pela autarquia. A iniciativa tem como objetivo homenagear os professores aposentados cujo percurso de vida profissional foi marcado pelo empenho no desenvolvimento da sua atividade docente, que contribuiu para a melhoria do ensino no concelho, bem como distinguir os melhores alunos do ano letivo anterior. Nesta cerimónia 89
foram distinguidos individualmente Humberto Antão Graça Guerreiro e José Diogo Guerreiro . ALGARVE INFORMATIVO #125
ATUALIDADE
COMITIVA NORTE-AMERICANA VISITOU CONCELHO DE LAGOA
L
agoa esteve representada no I Fórum para a Cooperação Económica, Cultural e Educativa que decorreu em Lagoa dos Açores (com quem está geminada desde 16 de janeiro de 2008), de 19 a 25 de junho e em que também estiveram presentes todas as outras cidades geminadas com a cidade açoriana, Saint-Thérese – Québec, Canadá; Dartmouth, Rehoboth, Bristol, New Bedford e Taunton – EUA e Santa Cruz – Ilha de Santiago, Cabo Verde. A presença do município algarvio gerou muita curiosidade e interesse entre os vários participantes, pelo que desde logo foram iniciadas conversações por parte de New Bedford e Dartmouth e o executivo municipal para que essas duas ALGARVE INFORMATIVO #125
comitivas, com expressiva representação nos vários setores públicos, académicos e empresariais, fizessem uma visita a Lagoa, que agora se concretizou, de 14 a 17 de setembro. Aquando do Fórum nos Açores foi abordada, em termos gerais, a possibilidade de uma geminação de Lagoa com Dartmouth, através do seu representante Greg Barnes, Diretor Financeiro daquele município, aspetos agora debatidos mais detalhadamente. Não se tratando de uma mera assinatura mas de uma geminação com pressupostos bem delineados e aceites por ambas as partes envolvidas no processo – fortemente assente na interação económica, cultural e educacional – foram discutidos os fundamentos e áreas de ação 90
para firmar o Protocolo de Geminação com Dartmouth. O objetivo será desenvolver Programas de Bolsas de Estudo para alunos provenientes de Lagoa na UMA Dartmouth Marine Biology e UMA Dartmouth School of Innovation, Projetos de Intercâmbio de alunos e professores, Programa de Estágios Profissionais para os nossos alunos e, simultaneamente, implementar a promoção turística do Concelho e sua penetração no mercado dos EUA, divulgar o território lagoense para a captação de investimentos e promover o vinho, entre outras valências.
New Bedford é uma cidade do Estado de Massachusetts – a cerca de 82 quilómetros da capital, Boston – fundada em 1652 e estabelecida em 1787, com uma grande população de imigrantes portugueses. Dartmouth é uma cidade da costa sul do Estado de Massachusetts, numa zona de aldeias históricas, vinhas e quintas, que comemorou o seu 353.º aniversário a 8 de junho. Na Universidade de Dartmouth existe o Departamento de Português, responsável pela Licenciatura e Mestrado em Estudos Portugueses .
ALUNOS DE LAGOA COM NOVA FERRAMENTA DIGITAL À SUA DISPOSIÇÃO
N
uma parceria entre a Câmara Municipal de Lagoa e o Centro de Investigação para as Tecnologias Interativas da Universidade Nova de Lisboa, que é a responsável pela produção dos conteúdos, Lagoa está representada na Plataforma Digital dos Concelhos de Portugal, ferramenta pedagógica que passou a estar disponível para as escolas do concelho desde o início do ano letivo. Neste momento, a ferramenta apresenta 10 concelhos de todo o País, designadamente Lisboa, Celorico de Basto, Castelo Branco, Guarda, Leiria, Condeixa-a-Nova, Porto, Guimarães, Lagoa e Portimão. Os docentes e aluno/as das escolas de Lagoa podem aceder a esta Biblioteca Digital que, de forma intuitiva e lúdica, disponibiliza recursos pedagógicos para enriquecer e potenciar os contextos de 91
aprendizagem nas escolas e integra uma coleção de livros interativos, escritos e editados especialmente para os alunos das escolas do 1.º ciclo, disponibilizando textos, vídeos e animações 3D que exploram a História e os Patrimónios locais, mas que poderá ser utilizada noutros contextos de aprendizagem. Em relação ao Concelho de Lagoa, a Plataforma apresenta o Património Natural, a Ermida do Carvoeiro, o Forte de S. João Baptista, a Torre da Lapa, a Fortaleza e Ermida de Nossa Senhora da Rocha, a figura histórica do «Remexido», que nasceu e viveu em Estômbar, e a Lenda Encantada de Porches, para além de descrever o Brasão, que pode ser «feito» através de um puzzle. A Plataforma Digital dos Concelhos de Portugal junta a este livro um caderno de atividades, onde os alunos podem tomar notas, fazer exercícios, fichas e aprender palavras difíceis . ALGARVE INFORMATIVO #125
ATUALIDADE
NATIONAL GEOGRAPHIC COLOCA LAGOS ENTRE AS 20 MELHORES CIDADES MUNDIAIS PARA O SURF
L
agos foi considerada, pela prestigiada revista National Geographic, como uma das 20 melhores cidades do mundo para a prática do surf, numa lista que integra cidades como Hossegur (França), Tel Aviv (Israel), Bukit, Bali (Indonésia), Maresias (Brasil), Waikiki (Hawaii), Margaret River (Austrália), São Sebastian (País Basco), St. Barthelemy (Caraíbas), entre outras. “Abençoada com as ondas de oeste e sul”, segundo esta publicação, a justificação da escolha assenta na ALGARVE INFORMATIVO #125
diversão de procurar as melhores ondas e onde Lagos e o Algarve se apresentam como pólos de animação constante durante o Verão. O município de Lagos tem sido e continua a ser ponto de encontro entre as suas origens e o progresso, acolhendo visitantes das mais variadas proveniências, quer seja pelas suas praias de sonho, pela cultura, património, gastronomia e tradições. Lagos e o Algarve são referidos como locais que atraem todo o tipo de surfistas, desde aqueles mais sociais que procuram 92
relacionar-se com outras pessoas, beber uma cerveja e surfar um pouco, mas acima de tudo desfrutar de todo o ambiente existente na cidade, até aos outros que procuram usufruir do surf e retirar total proveito das ondas. A National Geographic aconselha igualmente uma visita a outra localidade das «Terras do Infante», mais concretamente à vila de Sagres, no município da Vila do Bispo, e a
experimentarem a gastronomia local, em particular o peixe fresco com batatas e salada. Apesar de existirem outras localidades e regiões que têm obtido grande destaque nesta modalidade, esta distinção num meio de comunicação internacional com esta visibilidade é um prémio e o reconhecimento pela aposta que Lagos, o Algarve e os restantes municípios têm feito na diversificação e valorização desta região enquanto destino turístico de excelência .
CONCURSO «A MASCOTE DA ESCOLA MUNICIPAL DE NATAÇÃO DE QUARTEIRA» JÁ TEM VENCEDORES
D
ecorreu, nos meses de junho e julho, a exposição do concurso de desenho organizado pela Câmara Municipal de Loulé intitulado «A Mascote da Escola Municipal de Natação de Quarteira», que teve como destinatários todos os alunos do 2.º e 3.º ciclo do ensino básico em Quarteira. Ryan Silva (9.º E, Escola Secundária Dr.ª Laura Ayres) foi o grande vencedor, enquanto Martim de Jesus (6.º C, Escola E.B. 2,3 D. Dinis) foi o segundo classificado e Leandro Jacinto (6.º B, Escola E.B. 2,3 Quarteira) obteve o terceiro lugar. O concurso teve como objetivos incentivar os alunos no desenvolvimento de competências técnicas e de criatividade no âmbito do desenho, ao mesmo tempo que os envolvia no meio desportivo da Piscina Municipal, tendo como finalidade a possibilidade da criação de uma mascote representativa da 93
Escola de Natação, através do desenho vencedor. A adesão foi significativa, com mais de 140 trabalhos, que se encontraram expostos nas piscinas durante o período de concurso. Os vencedores recebem, respetivamente, uma anuidade, um semestre e duas mensalidades gratuitas nas aulas da Escola de Natação. A todos os participantes será atribuído um certificado de participação .
ALGARVE INFORMATIVO #125
ATUALIDADE
CRIATIVIDADE E TRADIÇÕES INVADEM CAFÉ CALCINHA NO DIA MUNDIAL DO TURISMO
N
o âmbito do programa de dinamização cultural do renovado Café Calcinha, a Câmara Municipal de Loulé promove, a 27 de setembro, Dia Mundial do Turismo, no espaço daquele que é um dos «Cafés Portugueses com História», um conjunto de workshops dirigidos aos turistas que se encontrem de visita à cidade, mas também ao público em geral, com o apoio dos parceiros locais do «Loulé Criativo». Pretende-se pôr os visitantes em contactos com algumas das tradições do Concelho e, em simultâneo, dar a ALGARVE INFORMATIVO #125
conhecer um espaço emblemático da cidade que encerra muito da história e da cultura da cidade. Entre as 9h30 e as 10h30, a proposta é criar um pequeno-almoço mediterrânico, com produtos frescos e locais, numa iniciativa que será coordenada por de Otília Eusébio. Dinamizada pela Casa da Empreita, das 11h às 12h30 e das 14h às 15h30, os visitantes poderão participar no workshop de empreita onde irão aprender como trabalhar com a palma, um dos ofícios mais tradicionais no Concelho. A artista plástica Adérita junta-se a este programa para 94
promover um workshop de pintura sensorial, entre as 16h e as 17h, enquanto que, na hora seguinte, haverá uma demonstração de bombons recheados com produtos do Algarve. Ainda na vertente da doçaria algarvia, os turistas poderão aprender igualmente a confecionar queijinhos de figo e estrelas de figo. O fotógrafo Vítor Pina promove uma Batida Fotográfica que partirá do Café Calcinha, às 19h, e irá percorrer os principais pontos de interesse turístico da
cidade. Para quem preferir, o «Loulé Criativo» propõe ainda a mostra de como amassar o pão, seguindo-se uma degustação de pão com compotas. Entre as 20h30 e as 21h30, os participantes da Batida Fotográfica serão brindados com um cocktail com produtos tradicionais. Neste dia, inaugura ainda no Posto de Turismo de Salir a Exposição «Dos primórdios do turismo até aos nossos dias – concelho de Loulé», que vai estar patente ao público até ao dia 31 dezembro .
ANTIGA ESCOLA DA FONTE SANTA VAI SER BASE DO INEM
F
oi celebrado, no dia 14 de setembro, um protocolo de cooperação entre a Câmara Municipal de Loulé e o INEM – Instituto Nacional de Emergência Médica com vista ao funcionamento de uma base de meio de socorro do INEM nas instalações da antiga Escola Básica da Fonte Santa, na freguesia de Quarteira. Este espaço, que se encontrava desativado desde a construção de um novo estabelecimento de ensino nesta localidade, passará a alojar um serviço fundamental para apoio da população em caso de emergência médica. O edifício, localizado numa zona com boas acessibilidades, irá albergar duas ambulâncias de emergência médica. O
95
INEM é a entidade responsável pela definição, organização, coordenação, participação e avaliação das atividades e do funcionamento de um Sistema Integrado de Emergência Médica, de forma a garantir aos sinistrados ou vítimas de doença súbita a pronta e correta prestação de cuidados de saúde. Fruto desta colaboração, o INEM irá incrementar a oferta formativa ao Município de Loulé . ALGARVE INFORMATIVO #125
ATUALIDADE
OLHÃO ACOLHE INCUBADORA DE EMPRESAS DE BASE TECNOLÓGICA
F
oi apresentado, no dia 13 de setembro, no Salão Nobre dos Paços do Concelho de Olhão, um projeto que nascerá em breve na Cidade da Restauração, fruto de uma parceria entre a autarquia olhanense, várias entidades algarvias e a Altice Labs, o braço do grupo Altice que se dedica à inovação. Trata-se de uma incubadora de investigação e desenvolvimento de produtos de base tecnológica que surge na sequência de outros dois polos complementares à estrutura principal, na Universidade de Aveiro, situados em Viseu e no Funchal. ALGARVE INFORMATIVO #125
Presentes na sessão estiveram entidades como a Universidade do Algarve, ANJE Associação Nacional de Jovens Empresários, Nera - Associação Empresarial da Região do Algarve, e representantes da Altice, que deram a conhecer os pormenores desta iniciativa inovadora que irá nascer em Olhão. “A Altice é para nós um parceiro fundamental num setor em que o Algarve, e particularmente Olhão, se querem distinguir – o do desenvolvimento tecnológico. Este é o início formal de um novo projeto, que tem vindo a ser trabalhado ao longo dos últimos nove 96
meses”, afirmou o presidente da autarquia, António Miguel Pina. “Soubemos evidenciar as condições únicas que temos no concelho - a nossa qualidade de vida, o clima, a proximidade do mar, da Universidade do Algarve e do aeroporto – fatores a que a Altice não ficou indiferente”, reforçou o edil. Na prática, este polo funcionará como uma plataforma a partir da qual empresas e desenvolvedores particulares poderão trabalhar em novas aplicações ou tecnologias que se enquadrem na estratégia de desenvolvimento do grupo, conforme explicou o diretor-geral da Altice Labs, Alcino Lavrador. “O grupo está presente, de forma direta ou indireta, em mais de 30 países. Todos os dias, mais de 250 milhões de pessoas comunicam através de tecnologia desenhada e desenvolvida pela Altice em Portugal, com engenharia e produção portuguesas”. O responsável pelo grupo detentor da PT concluiu agradecendo o envolvimento e a recetividade da Câmara Municipal de Olhão, “que veio de encontro à nossa estratégia de desenvolvimento regional”. Nesta parceria, à autarquia compete proporcionar as instalações e dinamizar as entidades que vão avaliar as propostas que se candidatem, um Conselho Estratégico composto não só pela edilidade e pela Altice, mas também pela Universidade do Algarve, Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional, Comunidade 97
Intermunicipal do Algarve, Associação Empresarial da Região do Algarve, Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve, Associação Nacional de Jovens Empresários, e outras que se juntem ao projeto. A Altice, por seu lado, contribuirá com todos os recursos à sua disposição, do financiamento ao know-how, passando pelo acesso a um mercado global por parte das ideias de inovação, produtos e tecnologias que surjam. Até final de outubro, ocorrerão reuniões com as entidades que integrarão o Conselho Estratégico e, uma vez criada formalmente esta entidade, António Miguel Pina aponta para o primeiro semestre de 2018 a concretização no terreno desta incubadora de empresas de base tecnológica em Olhão. “É mais um passo dado no sentido criar não só empregabilidade tradicional, mas uma nova empregabilidade que surgiu com o boom tecnológico dos últimos anos. Olhão tem que estar na linha da frente desta nova realidade, para que os nossos jovens não tenham que ir viver e trabalhar para Lisboa, ou mesmo para o estrangeiro, se quiserem ter uma carreira na área das novas tecnologias”, concluiu António Miguel Pina.
ALGARVE INFORMATIVO #125
ATUALIDADE
CASA DA CULTURA ISLÂMICA E MEDITERRÂNICA CEDIDA AO CELAS
A
Câmara Municipal de Silves e o Centro de Estudos Luso Árabes de Silves (CELAS) assinaram, no dia 13 de setembro, o protocolo que prevê a utilização da Casa da Cultura Islâmica e Mediterrânica (CCIM) por esta associação, em regime de comodato, com a duração de dez anos. A cedência da utilização gratuita e temporária das instalações da CCIM tem como objetivo permitir que o CELAS tenha um espaço para a realização de iniciativas, eventos e atividades culturais e científicas (exposições, conferências, debates, colóquios, workshops, ALGARVE INFORMATIVO #125
espetáculos, cursos, quer de língua árabe, quer de outras temáticas ligadas ao conhecimento do islamismo) abertas aos munícipes e público em geral, sobretudo no que concerne ao estudo e divulgação da herança árabe-islâmica de Silves, do AlAndalus e dos países árabes, servindo este espaço como sua sede. Com a assinatura do protocolo, a associação fica obrigada à realização, no mínimo, de seis atividades culturais e/ou científicas por ano, no domínio da história e da cultura luso-árabe. O objetivo do Município é garantir que a CCIM possa vir a ter, para além das iniciativas que a autarquia programar para 98
ai, um complemento à sua programação regular, que possa ser criativa e diversificada, despertando o interesse do público em geral, promovendo a imagem deste espaço e do património cultural da cidade de Silves, tanto a nível regional, como nacional. Para além das atividades, o estabelecimento deste protocolo permitirá o enriquecimento de um espaço de biblioteca, dotando-o de espécies documentais e obras temáticas, bem como de uma base de dados com o maior
número possível de referências bibliográficas, inventariando o espólio documental de Garcia Domingues e outros espólios cedidos, recolhendo e publicando a obra dispersa de Garcia Domingues e disponibilizando-a à consulta a investigadores e público em geral. Para além disso, tendo este espaço como sua sede, o CELAS ai fará a edição da revista científicocultural «Xarajib» e outras publicações sobre a cultura árabe, bem como a tradução de obras árabes .
SILVES DESTACA AS SUAS «LOJAS COM HISTÓRIA»
«L
ojas com História» é o nome da publicação lançada pela Câmara Municipal de Silves no seu portal, num levantamento dos estabelecimentos mais antigos do concelho que continuam a exercer a sua atividade, alguns com portas abertas desde o século XIX ou inícios do século XX, seguindo metodologias que os tempos modernos fizeram cair em desuso e que são atualmente um «Museu Vivo». Ao todo, são uma dezena e meia de estabelecimentos comerciais que poderão ser conhecidos nesta edição e que abarcam vários tipos de atividade comercial onde se incluem a relojoaria, 99
retrosaria, mercearia, sapataria, bazar, papelaria, pronto-a-vestir e padaria. Longevidade reconhecida (lojas com mais de 25 anos de atividade), significado histórico e comercial, existência de oficinas e/ou produção própria, produto identitário e/ou existência de marca (s) própria (s), mobiliário e iluminação, utensílios e/ou matérias-primas e elementos documentais foram os critérios adotados pelo Município na seleção de cada uma das lojas incluídas nesta publicação. Este lançamento integra a programação específica das Jornadas Europeias do Património em Silves, que decorre nos dias 22 e 23 de setembro no concelho . ALGARVE INFORMATIVO #125
ATUALIDADE
CLUBE RECREATIVO INFANTE DE SAGRES VAI TER NOVA SEDE
A
delino Soares, presidente da Câmara Municipal de Vila do Bispo, e Mário Guerreiro, da Regulconcrete, Construção Civil e Obras Públicas, S.A. assinaram o contrato de empreitada de alteração e ampliação das instalações (propriedade da autarquia) da futura sede do Clube Recreativo Infante de Sagres (CRIS), num ato que decorreu no dia 13 de setembro. A obra terá um custo total de 869 mil e 103,67 euros e um período de execução de 365 dias. Em virtude do seu valor, o procedimento será ALGARVE INFORMATIVO #125
agora enviado para fiscalização prévia do Tribunal de Contas. Recorde-se que a nova sede do CRIS irá funcionar nas antigas instalações da Escola Primária N.º 1 de Sagres, cujo edifício será alvo de reabilitação profunda, sendo complementado com um pavilhão multiusos a construir de raiz. No Bloco A (edifício reabilitado) irão funcionar as instalações da sede do CRIS e, no Bloco B (pavilhão multiusos construído de raiz), irá desenvolver-se todo o programa cultural e desportivo da localidade de Sagres . 100
DEPOIS DE VENCER O SINTRA PORTUGAL PRO, JOANA SCHENKER SONHA COM O MUNDIAL
E
screveu-se história no Sintra Portugal Pro, com a bandeira portuguesa a subir ao lugar mais alto do pódio pela terceira vez em 22 anos de evento, graças a Joana Schenker, bodyboarder residente no concelho de Vila do Bispo que bateu a ex-campeã mundial Alexandra Rinder (Canárias) numa final emocionante. Em terceiro lugar ficou a campeã mundial em título, a brasileira Isabela Sousa. Imediatamente após a buzina que anunciou o término da final feminina e o triunfo histórico de Joana Schenker, a atleta não conseguia esconder a profunda
101
emoção. “Nem tenho palavras para o que está a acontecer, é um sonho tornado realidade. Lembro-me de ter vindo a este campeonato pela primeira vez há 14 anos e vê-las vencer aqui e parecia-me uma coisa do outro mundo”, referiu, consciente de que a vitória na prova mais pontuada do circuito mundial feminino a lança no rumo de um eventual título mundial profissional, feito que seria inédito para um bodyboarder nacional. “Agora tudo é possível e gostaria de dedicar este título ao Francisco Pinheiro, a pessoa que me tem acompanhado sempre e que me dá mais nas orelhas”, assumiu Schenker .
ALGARVE INFORMATIVO #125
ATUALIDADE
TELEMEDICINA CHEGA A VILA REAL DE SANTO ANTÓNIO
V
ila Real de Santo António é o primeiro município algarvio a implementar uma rede de telemedicina para dar uma resposta mais rápida e próxima às necessidades clínicas das suas populações, em especial nas áreas da oftalmologia e dermatologia. A medida torna-se possível através do sistema de telemedicina e de telediagnóstico Medigraf, desenvolvido pela PT, o qual permite levar consultas médicas e meios auxiliares de diagnóstico até aos locais mais distantes do concelho onde se encontram as populações mais necessitadas ou com dificuldades em se deslocar. “Esta ferramenta irá combater as dificuldades que as populações sentem no acesso aos cuidados públicos ALGARVE INFORMATIVO #125
de saúde, em especial nas áreas da oftalmologia e dermatologia, onde se verifica uma resposta ineficaz do Serviço Nacional de Saúde e elevados tempos de espera”, destaca Luís Gomes, presidente da Câmara Municipal de Vila Real de Santo António. Para colocar esta medida no terreno, a autarquia irá criar uma equipa de trabalho própria, mas quer também envolver a Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve, tornando-a parte da solução. “Não queremos competir com o Serviço Nacional de Saúde. Pelo contrário, seremos um facilitador”, nota Luís Gomes. O projeto irá recorrer a unidades de saúde móveis, respondendo também ao problema da falta de transportes do interior do concelho, 102
facto que tem obrigado a Câmara Municipal de Vila Real de Santo António, como muitas outras, a despender milhares de euros para assegurar a deslocação de doentes até ao Hospital de Faro. Através de um simples acesso à internet, o sistema de telemedicina Medigraf torna possível a realização de consultas médicas em videoconferência, em tempo real, mesmo quando os profissionais de saúde e os utentes se encontram em locais diferentes. Entre as vantagens desta solução adquirida pelo município de Vila Real de Santo António estão, por exemplo, a rapidez e a segurança do diagnóstico, a redução de custos, bem como a diminuição dos tempos de espera do Serviço Nacional de Saúde. Entre outras valências, será possível aceder a funcionalidades como a
teleconsulta, o diagnóstico remoto e segunda opinião, bem como a realização de exames médicos em tempo real com a definição necessária para o diagnóstico. Entre os meios complementares de diagnóstico encontram-se equipamentos como o ecógrafo, o mamógrafo, o raio-x, o eletrocardiógrafo ou o dermatoscópio, entre outros, que permitirão analisar e examinar grande parte das situações que normalmente motivam o recurso a uma consulta médica especializada. Recorde-se que o município de Vila Real de Santo António possui, atualmente, o maior serviço público de oftalmologia do Algarve – o projeto «Cuidar». Desenvolvido em parceria com a autarquia de Olhão, esta valência já permitiu, em apenas três anos, a realização de mais de oito mil consultas só no concelho, bem como a realização de aproximadamente 600 cirurgias .
ALGARVE RECEBE FINAL DO TROFÉU EUROPEU DE RALIS
O
Rallye Casinos do Algarve foi escolhido pela Federação Internacional do Automóvel (FIA) para acolher a final do European Rally Trophy 2017. O ERT é um Campeonato FIA que se disputa pelas várias regiões da Europa (Alpino, Balcãs, Báltico, Benelux, Celta, Central e Ibérico), em que os três melhores classificados de cada região são selecionados para disputar, numa prova final, o título de vencedor do ERT. Paralelamente, o Rallye Casinos do Algarve encerra, como habitualmente, o Campeonato Nacional de Ralis, pontuando também para a Taça FPAK de Asfalto. 103
A prova decorre nos dias 17 e 18 de novembro na Praia da Rocha. A sexta-feira começa com uma dupla passagem pelos troços de Marmelete e Serenada e acaba na especial noturna desenhada no centro de Lagos. No sábado, os concorrentes voltam à Serra de Monchique para disputar mais quatro especiais, na parte da manhã, com dupla passagem por Monchique e Chilrão, seguida de reagrupamento no Passeio Ribeirinho em Portimão. Para o final ficam reservadas as especiais da Fóia e Nave Redonda, com duas passagens cada, totalizando 155 quilómetros cronometrados nas 13 Provas Especiais .
ALGARVE INFORMATIVO #125
ALGARVE INFORMATIVO #125
104
105
ALGARVE INFORMATIVO #125
ALGARVE INFORMATIVO #125
106
107
ALGARVE INFORMATIVO #125
DIRETOR: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina (danielpina@sapo.pt) CPJ 5852 Telefone: 919 266 930 EDITOR: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina SEDE DA REDAÇÃO: Rua Estrada de Faro, Vivenda Tomizé, N.º 12P, 8135-157 Almancil Email: algarveinformativo@sapo.pt Web: www.algarveinformativo.blogspot.pt PROPRIETÁRIO: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina Contribuinte N.º 211192279 Registado na Entidade Reguladora para a Comunicação Social com o nº 126782 PERIODICIDADE: Semanal CONCEÇÃO GRÁFICA E PAGINAÇÃO: Daniel Pina FOTO DE CAPA: Daniel Pina
A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista regional generalista, pluralista, independente e vocacionada para a divulgação das boas práticas e histórias positivas que têm lugar na região do Algarve. A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista independente de quaisquer poderes políticos, económicos, sociais, religiosos ou culturais, defendendo esse espírito de independência também em relação aos seus próprios anunciantes e colaboradores. A ALGARVE INFORMATIVO promove o acesso livre dos seus leitores à informação e defende ativamente a liberdade de expressão. A ALGARVE INFORMATIVO defende igualmente as causas da cidadania, das liberdades fundamentais e da democracia, de um ambiente saudável e sustentável, da língua portuguesa, do incitamento à participação da sociedade civil na resolução dos problemas da comunidade, concedendo voz a todas as correntes, nunca perdendo nem renunciando à capacidade de crítica. A ALGARVE INFORMATIVO rege-se pelos princípios da deontologia dos jornalistas e da ética profissional, pelo que afirma que quaisquer leis limitadoras da liberdade de expressão terão sempre a firme oposição desta revista e dos seus profissionais. A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista feita por jornalistas profissionais e não um simples recetáculo de notas de imprensa e informações oficiais, optando preferencialmente por entrevistas e reportagens da sua própria responsabilidade, mesmo que, para tal, incorra em custos acrescidos de produção dos seus conteúdos. A ALGARVE INFORMATIVO rege-se pelo princípio da objetividade e da independência no que diz respeito aos seus conteúdos noticiosos em todos os suportes. As suas notícias narram, relacionam e analisam os factos, para cujo apuramento serão ouvidas as diversas partes envolvidas. A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista tolerante e aberta a todas as opiniões, embora se reserve o direito de não publicar opiniões que considere ofensivas. A opinião publicada será sempre assinada por quem a produz, sejam jornalistas da Algarve Informativo ou colunistas externos.
ALGARVE INFORMATIVO #125
108
109
ALGARVE INFORMATIVO #125
ALGARVE INFORMATIVO #125
110