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ALGARVE INFORMATIVO 27 de maio, 2017

INTERFERÊNCIAS no Cine-Teatro Louletano LIBERDADES | DAVID FERNANDES | MARCO PEREIRA | FESTA#109 DAALGARVE ESPIGA 1 INFORMATIVO


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CONTEÚDOS ARTIGOS 10 - Festa da Espiga 20 - David Fernandes 30 - Marco Pereira 38 - Liberdades 48 - Interferências 58 - Bordeira 76 - Atualidade

OPINIÃO 8 - Daniel Pina 64 - Paulo Cunha 66 - Paulo Bernardo 68 - Vico Ughetto 70 - Fábio Jesuíno 72 - Adília César

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OPINIÃO O regresso das férias de Verão à moda antiga Daniel Pina (jornalista)

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ois é verdade, parece que estão de volta as famosas férias de Verão de três meses, não da classe laboral, que Portugal não está assim tão bem de saúde, mas de quem anda na escola. Com as aulas a terminarem a meio de junho e a regressarem, previsivelmente, em meados de setembro, vai ser, de facto, um regabofe para a miudagem… e um pesadelo para os pais. Fazendo um rewind à memória, as minhas férias de Verão eram, realmente, muito bem aproveitadas. Na época vivia em Lisboa com a minha avó, que era 60 anos mais velha do que eu e tinha uma banca de venda de fruta no mercado onde, depois, viria a ser construído o Fórum Picoas, ali para os lados do Saldanha. Isso significa que estava mais ou menos entregue a mim mesmo e se, quando andava na primária ou na preparatória, passava as férias a ajudar no «negócio de família», quando fui para o secundário, tive que mudar as rotinas. Em primeiro lugar, precisava arranjar dinheiro para as coisas que um adolescente normal da altura queria. No meu caso eram as revistas de bandadesenhada da Marvel e da DC Comics e livros de fantasia, em inglês, quando praticamente ninguém sabia, em Portugal, quem era o «Senhor dos Anéis» ou o «Harry Potter». Em simultâneo, as despesas com a escola iam aumentando e o dinheiro escasseava em casa. Por isso, comecei cedo a trabalhar durante o Verão, num loja/laboratório de fotografia, a transportar os rolos que os clientes deixavam na loja do Largo da Estefânia, para revelar no laboratório que ficava no Rossio. Eram duas ou três viagens diárias de ida e volta por metropolitano e, para além do «ordenado» que recebia, arranjava mais uns escudos por semana ao fazer alguns percursos à borla, sem comprar o bilhete, sempre à espreita, em cada estação, para ver se entravam revisores na carruagem. Anos mais tarde, na faculdade, comecei a ganhar dinheiro com os resumos da matéria que fazia para as frequências. Nada de extravagante, mas permitiame comprar, no início das férias de Verão, o passe

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L123 para ir todos os dias, com a malta da universidade, para a Costa da Caparica. Não sabia nadar, mas desenrascava-me a mergulhar e a jogar raquetes e ténis de praia. Belos tempos… Depois, terminavam as férias, começava um novo ano letivo e a minha avó tinha continuado na sua rotina diária, sem grandes sobressaltos. Volvidas quase duas décadas, estão de volta as férias de Verão de três meses, mas agora estou do lado dos pais e desconfio que a experiência não vai ser tão maravilhosa, porque, nos tempos que correm, é uma irresponsabilidade deixar os filhos por sua própria conta e risco. As ruas há muito que deixaram de ser seguras, embora o nosso Algarve ainda continue a ser um paraíso quando comparado com outras zonas do país. Também não convém deixar os miúdos sozinhos em casa com as suas consolas e computadores pessoais, em jogos duvidosos ou em viagens perigosas pela internet. As opções são, por isso, limitadas. Várias câmaras municipais da região, conscientes de que é durante o Verão que a maioria dos pais algarvios tem mais trabalho, criaram programas de ocupação de tempos livres, mas as vagas são inferiores à procura e também não preenchem a totalidade das férias. Também nem todos podemos deixar os filhos com os avós e arranjar soluções no privado não está ao alcance de todas as carteiras. É verdade que alguns pais têm trabalhos para onde podem levar os pequenotes, mas esses são a exceção e a maioria não pode sequer pensar em tirar férias nesta altura do ano. Avizinham-se, portanto, meses bastante complicados para os pais, mas parece que os senhores que estão no poder não se preocupam muito com isso. Fazem leis e organizam os calendários a seu belo prazer porque têm dinheiro para meter os filhos onde bem lhes apetecer durante as férias de Verão e o comum mortal que se desenrasque .


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REPORTAGEM

FESTA DA ESPIGA COMEMOROU AS BODAS DE OURO

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Inserido nas comemorações do Dia do Município de Loulé, Salir acolheu mais uma Festa da Espiga, uma edição especial por assinalar o meio século desta tradição criada por José Viegas Gregório. Texto: Fotografia:

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e acordo com o calendário litúrgico, na Quinta-Feira da Ascensão comemora-se a ascensão de Jesus Cristo ao Céu, encerrando-se, desse modo, um ciclo de 40 dias após a Páscoa. Nesta data celebra-se igualmente o Dia da Espiga ou Quinta-Feira da Espiga e, sobretudo no Sul do país, é tradição as pessoas irem para os campos apanhar a espiga de trigo e outras flores silvestres, fazendo ramos simbólicos da fecundidade da terra e da alegria de viver. Algumas espigas, geralmente de trigo, simbolizam a abundância, as papoilas, rosas, margaridas e malmequeres a beleza e o ramo de oliveira a paz. Este ramo, em número de combinações variáveis conforme as localidades, pendura-se dentro de casa e aí se conserva durante um ano, até ser substituído pela «espiga» do ano seguinte. Ora, em Salir, a Festa da Espiga assume-se como um dos principais cartazes turísticos e etnográficos da região algarvia, tendo nascido, em 23 de maio de 1968, por iniciativa da Junta de Freguesia local, mais propriamente pelo presidente de então, José Viegas Gregório. Desde então, o acontecimento recebe milhares de forasteiros que ali se deslocam para apreciar o artesanato, a gastronomia, o folclore, a 12 ALGARVE #109 INFORMATIVO


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etnografia, a poesia e tudo o que há de mais genuíno no interior rural do Algarve. Este ano, a Festa da Espiga assinalou as bodas de ouro e o evento arrancou no feriado municipal, 25 de maio, pelas 9h, com um Passeio de BTT e Passeio Pedestre «Trilhos da Espiga», que aliaram a atividade física ao contacto com a natureza e as belas paisagens da freguesia. O momento alto do programa aconteceu a partir das 15h, com o desfile etnográfico em representação de toda a atividade agrícola e artesanal da freguesia, parte dela que se encontra em vias de extinção, desde as sementeiras, mondas, ceifas, debulhas, fabricação de pão, apanha do medronho e destilação, apicultura e extração de cortiça, o varejo do figo, amêndoa e alfarroba, artesanato de linho, lã, palma, esparto, cestaria de verga. Os participantes trabalharam «ao vivo e a cores», ao mesmo tempo que poetas populares declamaram os seus poemas feitos de improviso, com mensagens dirigidas aos responsáveis municipais, em jeito de pedido para determinadas intervenções na freguesia. O Rancho Folclórico «As Mondadeiras das Barrosas» e o Grupo Etnográfico da Serra do Caldeirão (Cortelha) juntaram-se ao desfile, com uma atuação a 14 ALGARVE #109 INFORMATIVO


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partir das 18h30, sendo que a noite foi preenchida pelos «Artesãos da Música», o baile tradicional com Fábio Lagarto e o artista Emanuel. No segundo dia de festejos, 26 de maio, a tarde foi dedicada aos idosos, com uma Tarde Sénior, com baile tradicional e lanche, atuação do grupo de teatro juvenil Espaço K com a peça «Em alerta para não lhe acontecer» e do acordeonista Francisco Saboia. O desfile etnográfico realizou-se neste dia numa versão noturna. A partir das 22h30, a jovem fadista Raquel Tavares subiu ao palco para um concerto onde estiveram também fadistas locais – André Catarino, Filipa Nobre, Miguel Camões Martins e Beatriz Cavaco. Gonçalo Tardão animou o baile tradicional a partir da meia-noite. No encerramento da 50ª edição da Festa da Espiga, a 27 de maio, o dia foi dedicado sobretudo aos mais novos. A partir das 14h, decorreram atividades para as crianças: II Torneio de Futebol «Os Espiguinhas», Tarde das Espiguinhas (animação e muitas surpresas), jogos infantis, lanche infantil e desfile «Miss e Mister Espiguinha». A partir das 18h30, o músico Afonso Dias animou o ambiente e, às 22h, o concerto de Sam Alone&The Gravediggers antecedeu o espetáculo final com os Blasted Mechanism, a partir das 23h30. Já depois da meia-noite, o Le DJ Solitaire faz as despedidas da Festa da Espiga . 16 ALGARVE #109 INFORMATIVO


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ENTREVISTA

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DAVID FERNANDES SONHA COM OS JOGOS OLÍMPICOS… MAS COM CALMA E PASSO A PASSO O karate já é uma modalidade olímpica e isso despertou o sonho natural de milhares de praticantes de todo o mundo de representarem os seus países nos Jogos Olímpicos de 2020, no Japão. Entre estes encontra-se o jovem farense David Fernandes, que vem conquistando sucessivos títulos de campeão nacional de kata e kumite desde que se iniciou no karate, para além de ser, nos últimos anos, uma presença habitual nos Campeonatos da Europa a defender as cores de Portugal. Texto:

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os 20 anos de idade, o farense David Fernandes é um dos valores confirmados do karate nacional, nas vertentes de kata e kumite, prática que iniciou por volta dos seis anos, por influência dos filmes de artes marciais, confessa, com um sorriso, depois de uma sessão fotográfica na Praia de Faro. “Sempre fui um grande fã do Bruce Lee, fui fazer uma aula de experimentação a desafio de um amigo, gostei e continuei. O desporto é algo que faz parte da minha família”, conta o atleta do Karate Clube de Faro, que muito novo começou a participar em competições e os resultados apareceram num ápice. Dos brilharetes nos campeonatos regionais aos triunfos nos nacionais foi um pequeno passo e foi campeão de Portugal logo aos oito, nove anos. Em 2017, conquistou três títulos, dois em kumite e um em kata, e no currículo conta já com 14 troféus de campeão nacional, quando está à porta para entrar na categoria Absoluto, os seniores, a partir dos 21 anos. “O Kata será a parte mais técnica, a essência do karate, e são avaliadas a técnica, a explosão, a velocidade, a precisão, nada pode falhar nos movimentos. O kumite é um combate onde os contatos, que não podem ser exagerados, são pontuados consoante o local do corpo que se atinge”, explica, de forma simplificada, as diferenças entre as duas vertentes do karate. Diferenças que ditam que, em determinada fase da evolução, os atletas se especializem mais numa ou noutra, não sendo habitual um praticante alcançar resultados de topo em ambos. “Uma 22 ALGARVE #109 INFORMATIVO

complementa-se à outra, mas são dinâmicas distintas, o que pode prejudicar o nosso desempenho nas provas. Eu sempre fiz kata e kumite mas, a partir de Cadetes, dos 14 ou 15 anos, vê-se poucos atletas a competirem nas duas”, observa David Fernandes, garantindo que, para se ser bom, há que treinar todos os dias, e até em dose dupla, como sucedeu quando estava a treinar para o Campeonato da Europa deste ano que aconteceu na Bulgária, em fevereiro. “O karate lá fora é de outro nível. Há países extremamente competitivos, que apostam muito neste desporto, e nós temos que nos superar para estarmos nesse patamar. De sexta-feira a domingo tinha estágios de seleção, de segunda a quinta-feira treinava no meu clube, normalmente duas vezes por dia”, recorda. Treinos que não podem ser apenas para desenvolver a técnica, com o ginásio a auxiliar na componente da força e da «explosão». Não admira, por isso, que o tempo para tudo o resto se torne bastante escasso, principalmente quando se concilia a prática desportiva com a formação académica, que David Fernandes nunca descurou. “Quando estou a preparar-me para um Campeonato da Europa, estou totalmente focado na competição, não consigo pensar em mais nada. Depois, relaxo um pouco e tento agarrar-me mais aos estudos”, descreve o aluno do primeiro ano do curso superior de Desporto, confessando que não é fácil manter uma rotina diária de treinos e estudos. “No estrangeiro, há escolas mesmo específicas para atletas de alta


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competição, com horários programados para as duas coisas e com os testes a acontecerem em alturas em que não há provas”, compara. Uma realidade que David Fernandes bem conhece por contatar com praticantes de outras nacionalidades, pois desde 2013 que representa Portugal em provas internacionais. E são esses «pequenos» pormenores que, por vezes, ditam a diferença entre conquistar uma medalha ou ficar à beira do pódio. “Há países que organizam mais competições internas e cujos atletas também participam em mais provas internacionais, por estarem mais perto uns dos outros. Isso faz com que conheçam melhor os adversários, os seus estilos de combate, o nível em que estão”, observa o entrevistado.

NINGUÉM FICA MAIS VIOLENTO POR SABER KARATE Apesar das condições não serem as mesmas, conforme já se percebeu com a conversa, e pelo próprio conhecimento que o cidadão comum vai tendo do desporto em Portugal que não seja o futebol, David Fernandes conquistou uma medalha de prata em kata logo no primeiro Campeonato da Europa em que defendeu as cores nacionais, na Turquia, em 2013. Por ser a estreia na alta-roda internacional, as emoções fortes acabaram por influenciar negativamente a prestação em kumite, mas serviu para ganhar experiência. Desde então, o farense tem competido apenas em kata em provas além-fronteiras, primeiro na Suíça, depois no Chipre, e os bons resultados voltaram a aparecer este ano. “Treinei de forma 24 ALGARVE #109 INFORMATIVO

diferente, subi de nível, fui melhor preparado, tanto física como mentalmente, e fiquei em terceiro lugar no Campeonato da Europa disputado na Bulgária”, conta, com um sorriso. David Fernandes é, por isso, um campeão no tatame, a treinar no dojo do Karate Clube de Faro, a representar Portugal no estrangeiro, mas um jovem perfeitamente normal no resto do dia,


nada daqueles fanfarrões que víamos antigamente nos filmes de cinema, que usavam os seus conhecimentos de artes marciais na escola, na rua, para serem superiores aos colegas. “Quando era pequeno confesso que era um bocado mais reguila e o karate ajudou-me a canalizar o excesso de energia. Claro que aprendemos a defender-nos e ficamos com maior autoestima, mas também nos dá maior autocontrole. Não sinto

qualquer necessidade de me meter em confusões ou lutas por ser cinturão negro de karate. E acho que ninguém fica mais violento por saber karate, antes pelo contrário”, considera. Tranquilo, sossegado, «na dele», e, por causa disso, muitos farenses não saberão ter um campeão nacional e uma estrela internacional em ascensão a viver na sua rua, no seu quarteirão, #109 ALGARVE INFORMATIVO

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porque Portugal continua a ser um país de futebol e tudo o resto é paisagem. “Há muito menos divulgação de outras modalidades, que também exigem um enorme esforço e dedicação para se alcançarem bons resultados. Como o karate se tornou recentemente uma modalidade olímpica e já vai entrar nos Jogos Olímpicos de 2020, no Japão, espero que se lhe dê mais atenção”, refere David Fernandes, confirmando que muitas das despesas ainda são custeadas pelos próprios praticantes. “A Federação não tem capacidade financeira para suportar todos os custos da participação dos atletas nas competições. Nós também andamos no karate por gosto e é sempre uma honra para mim representar Faro nos campeonatos nacionais e Portugal nos Campeonatos da Europa. O clube ajuda no que pode mas, depois, se não for o apoio das famílias, há talentos que se perdem pelo caminho”, desabafa. 26 ALGARVE #109 INFORMATIVO

Este cenário não deve, contudo, retirar a aspiração aos karatecas, entende David Fernandes, até porque os resultados, nos últimos anos, têm atestado a qualidade dos praticantes portugueses. “Temos que ir concentrados em dar o nosso melhor e sem medos ou complexos de inferioridade”, reforça, reconhecendo que ir aos Jogos Olímpicos é um sonho. “É algo que qualquer atleta ambiciona, mas prefiro fazer o meu trajeto com calma, subindo pouco a pouco. Se os meus resultados internacionais se mantiverem constantes, ganho mais experiência e o sonho pode tornar-se uma realidade”. O problema é que, em 2020, só vão participar 20 atletas de todo o mundo nos Jogos Olímpicos, 10 em kata e 10 em kumite, os melhores de um ranking para


os quais contam os pontos que se amealham nas diversas competições internacionais que se realizam ao longo do ano. Isso implica criar um projeto olímpico com pés e cabeça, e com um orçamento que permita aos atletas ir ao maior número de provas possível. “Eu vou fazer o meu melhor, mas Portugal tem outros excelentes atletas que também acalentam o mesmo sonho. Acredito que, com um trabalho bem planeado, temos condições para ir aos Jogos Olímpicos”, frisa David Fernandes, que ainda não fez planos a longo-prazo. “Sei que a minha vida vai estar sempre ligada ao desporto e ao fitness mas, por agora, quero acabar o curso e focar-me na alta competição. Depois, logo se vê” . #109 ALGARVE INFORMATIVO

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ENTREVISTA

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MARCO PEREIRA VAI CAMINHAR 738 QUILÓMETROS EM NOME DA ENDOMETRIOSE Intensifica-se a preparação física de Marco Pereira para a Endocaminhada, que levará o algarvio a percorrer a mítica Estrada Nacional N.º 2, desde Chaves até Faro, de 27 de setembro a 21 de outubro. Ao todo, são 738 quilómetros a caminhar, de norte a sul de Portugal, em nome da Endometriose, uma doença pouco conhecida mas que afeta muitas mulheres portuguesas. Texto: Fotografia:

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partida está marcada para 27 de setembro, na cidade de Chaves, um dos extremos da Estrada Nacional N.º 2 e, se tudo correr bem, a 21 de outubro Marco Pereira estará a chegar a Faro, culminando, desta forma, um percurso de 738 quilómetros. É mais um desafio pessoal para um homem que está habituado a longas caminhadas, entre elas, como não poderia deixar de ser, a peregrinação até ao Santuário de Fátima. “Gosto de fazer estas caminhadas longas e, de preferência, em autonomia total, ou seja, com a «casa» às costas. Normalmente passo as noites em quartéis de bombeiros ou noutros espaços disponibilizados pelas autarquias e essa componente já foi tratada através da Associação da Estrada Nacional N.º 2, que abrange os 36 municípios por onde ela passa”, conta. Falamos de uma via de comunicação que, de repente, ficou na moda, graças precisamente ao trabalho desenvolvido pela referida associação, mas já há largos anos que ela é percorrida de norte a sul, umas vezes de moto, outras de bicicleta. Marco Pereira vai ser o primeiro a realizar uma caminhada, de Chaves até Faro, 24 dias de mochila às costas, numa média de 30 quilómetros por dia. E o projeto está a ser preparado desde outubro de 2016, porque não basta tomar a decisão e partir para a estrada no dia seguinte. “Sempre quis caminhar por uma causa solidária, o que, em primeira instância, me dá logo uma maior responsabilidade, obriga-me mesmo a ir para a frente. Nessa busca encontrei um grupo bastante interessante em Quarteira, da Endometriose, uma

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doença pouco conhecida mas que afeta muitas mulheres”, indica o algarvio. A Endometriose é uma doença silenciosa, de tal modo que, muitas vezes, as próprias pacientes não sabem que a têm. É caracterizada pelo crescimento de tecido endometrial fora do útero, quase metade das mulheres acometidas sofre de dor pélvica crônica e, em 70 por cento dos casos, a dor ocorre durante a menstruação. A dor


durante as relações sexuais também é comum e a infertilidade ocorre em até metade das pacientes. Como se adivinha, a endometriose pode ter efeitos sociais e psicológicos, mas há outros sintomas menos comuns, podendo afetar o sistema urinários ou intestinal. “São dores que muitas delas foram habituadas a encarar como normais durante a menstruação ou nas relações sexuais, mas há casos de mulheres que ficaram paraplégicas, porque a endometriose lhes afetou a

coluna. Uma das maiores consequências é, realmente, a infertilidade, mas se tiverem conhecimento da doença e fizerem os tratamentos, podem conseguir engravidar”, explica Marco Pereira. A seleção da causa solidária foi um dos últimos aspetos a ser ultimado, mas isso não significa que esteja tudo preparado e a obtenção de apoios é sempre importante para este tipo de projeto. #109 ALGARVE INFORMATIVO

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“Vou levar comigo a marca «Água de Faro» da FAGAR e há outros empresários locais que vão apoiar a caminhada, pessoas que me costumam ajudar em eventos que organizo e que acreditam em mim”, revela o entrevistado, chamando a atenção para o custo do equipamento necessário para concretizar uma aventura desta envergadura. “Não estou a pensar gastar muito dinheiro, mas preciso levar vestuário apropriado, desde as sapatilhas às calças e camisas, e uma mochila adequada. Depois, é a viagem até Chaves e, no regresso, a logística de comer”, aponta. Trinta quilómetros de média diária, com etapas perfeitamente definidas e que têm que ser escrupulosamente cumpridas, aconteça o que acontecer, faça chuva ou sol, esteja frio ou calor, garante Marco Pereira. “Medi as distâncias que queria fazer em cada etapa, tendo em consideração as localidades que me poderiam receber no final de cada dia, sempre apelando aos bombeiros para a estadia. Eles têm boas condições para os caminhantes, para tomarmos banho e dormirmos, se nos sentirmos mal, estão lá para nos ajudarem”, enaltece Marco Pereira, confirmando, com um sorriso, que preparar a mochila para uma caminhada em autonomia total não é coisa fácil. “As regras dizem que devemos levar às costas apenas 10 por cento do nosso peso, o que é difícil, porque a própria mochila já pesa alguns quilos. É sempre uma grande complicação porque, antes de começarmos, parece que tudo nos faz falta e, depois de estarmos na estrada, não precisamos de metade das coisas. Mas temos que estar preparados para qualquer eventualidade porque, se 34 ALGARVE #109 INFORMATIVO

acontecer algo, só quatro ou cinco horas depois é que chego ao meu destino”.

ENDOGUERREIRAS VÃO PARTICIPAR NA CAMINHADA No terreno, o caminho é para ser feito de acordo com os marcos que se vão encontrando na Estrada Nacional N.º 2, à moda antiga, embora haja trajetos que tenham desaparecido, como em Santa Comba Dão, por causa do IP3. “Felizmente que agora está na moda e estão a tentar recuperá-la, porque é uma estrada perigosa, sem bermas e com algum trânsito em determinados sítios. Não é um passeio no parque ou uma caminhada na serra, onde podemos andar descansados”, avisa Marco Pereira, lembrando que, em 2015, partiu um pé, o que prejudicou a sua forma física. “Nunca estamos totalmente preparados para uma aventura destas e ainda tenho que perder algum peso até setembro. Faço bastantes treinos em ginásio e caminhadas longas, tenho um preparador físico a auxiliar-me, mais os cuidados normais com a alimentação. No caminho, será à base de hidratos de carbono e proteínas, não sou muito apologista de barras energéticas e isotónicos”. Os planos passam, então, por ter um pequeno-almoço bastante energético e, por volta das seis da tarde, também um bom jantar, para se deitar cedo e partir para a estrada logo às quatro ou cinco da manhã, de modo a aproveitar o período de menos calor e menor


circulação na estrada. “Até às 10h progride-se bastante, depois, vem o calor, o trânsito, diminui muito o ritmo. Infelizmente, não vou desfrutar das localidades por onde vou passar, vai ser chegar, comer e descansar”, antevê, deixando uma dica para os aspirantes a caminhantes. “Temos que ir sempre comendo e bebendo ao longo do trajeto, nunca se deve esperar por ter fome ou sede”. Quatro meses passam num instante, ainda para mais sabendo-se o ritmo frenético que caracteriza o Verão no Algarve, e o objetivo é, volta a frisar, dar a conhecer a Endometriose. “Não procuro protagonismo para mim e a ideia é que outras pessoas participem também na caminhada, nas etapas que passam pelas zonas onde vivem, nomeadamente à chegada. Estas endoguerreiras têm uma associação chamada «MulherEndo», com sede em Leiria, e já se disponibilizaram para me receberem em vários pontos do trajeto e fazerem os últimos 10 quilómetros comigo”, destaca Marco Pereira, algo que já aconteceu num treino que realizou, na Páscoa, entre Almodôvar e Faro, para ver como estava a estrada. Vai ser, então, uma caminhada por uma

boa causa, de 27 de setembro a 21 de outubro e há vontade da «MulherEndo» realizar sessões de esclarecimento sobre a endometriose em algumas localidades por onde Marco Pereira vai passar. “Praticamente ninguém sabe que doença é esta e iniciativas deste género podem ajudar a vida destas raparigas e mulheres, que são pessoas perfeitamente normais, mas que sofrem bastante” .

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REPORTAGEM

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«LIBERDADES» EXPLICOU O 25 DE ABRIL AOS MAIS NOVOS De 23 a 26 de maio, o Teatro Lethes apresentou «Liberdades», peça encenada por Jeannine Trévidic e protagonizada por Elisabete Martins e Sara Mendes Vicente que pretendeu dar a conhecer, ao público mais jovem, a Revolução dos Cravos, data que marcou profundamente a história recente de Portugal. Texto: Fotografia: #109 ALGARVE ALGARVE #109 INFORMATIVO INFORMATIVO

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IBERDADES é mais uma peça da responsabilidade do VATe – Vamos Apanhar o Teatro da ACTA, com a particularidade de, neste ano, ser levada a cena no Teatro Lethes, ao invés de no autocarro de dois pisos pertencente ao serviço educativo da Companhia de Teatro do Algarve. Assim, de 23 a 26 de maio, muitas crianças, professores e familiares tiveram a oportunidade de assistir a esta encenação de Jeannine Trévidic que teve como fonte de inspiração os livros «O 25 de Abril Contado às Crianças… E aos Outros», de José Jorge Letria e «O Tesouro», de Manuel António Pina e que foi interpretado pelas atrizes Elisabete Martins e Sara Mendes Vicente. “É um espetáculo que faz sempre sentido para assinalar a data desta revolução tão importante para Portugal. 40 ALGARVE #109 INFORMATIVO INFORMATIVO

Normalmente, andamos pelas escolas da região com o intuito de falar com as crianças sobre a ditadura, o antes e o depois, e foi um desafio muito grande condensar tudo isso em 35 minutos. É um tema que está, temporalmente, bastante longe dos nossos jovens, mesmo que os pais ou avós contem histórias desse tempo”, referiu Jeannine Trévidic, no final de uma concorrida sessão logo pelas 10 horas. Para concretizar este objetivo, os elementos da ACTA que participaram no projeto questionaram-se, a eles próprios, o que é a Liberdade – pois também eles já nasceram num Portugal pós-25 de abril – e às crianças, que não fazem ideia das dificuldades que se viviam no Antigo Regime e do muito que


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se conquistou desde então. “É termos liberdade de expressão, viajar, ouvir todo o tipo de música, andarmos na rua com a roupa que quisermos, falarmos com quem nos apetecer. Como trabalhamos com as escolas e, a seguir ao espetáculo, ainda há uma pequena conversa, tivemos que resumir bastante a história da Revolução”, explica a encenadora. O humor foi uma das ferramentas utilizadas para se chegar a um «Liberdades» bastante apelativo, dinâmico, leve e bem-disposto, de forma a conseguir captar a atenção das crianças e a verdade é que a fórmula resulta, a ver pelas inúmeras perguntas que elas disparam mal termina a peça e Jeannine Trévidic, Elisabete Martins e Sara Mendes Vicente se sentam para uma conversa informal. “Houve pessoas que morreram ALGARVE #109 #109 42 ALGARVE 42 INFORMATIVO INFORMATIVO

para nós podermos estar aqui a falar desta forma e essa importância e seriedade estão presentes na peça. Usamos várias técnicas, sombras e objetos: o candeeiro como símbolo do interrogador, a luz que incidia fortemente sobre as pessoas; a mala como símbolo da PIDE, onde estariam documentos importantes; os bigodes para personificar os investigadores e censores”, descreve a responsável do serviço educativo da ACTA. O espetáculo, entretanto, foi exatamente igual ao que normalmente anda em itinerância no autocarro do VATe, embora, ali, o palco seja bastante mais reduzido. “É uma peça para se ver ao perto, intimista. Nem convém alargar muito o espaço de cena, porque os objetos são bastante pequenos e


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com diversos pormenores. A banda sonora é outro complemento essencial, um ator extra, incluindo várias entrevistas sobre o que é a liberdade”, refere Jeannine Trévidic. “Perguntamos qual é o som da liberdade, o seu cheiro, a que ela sabe, e as respostas assemelham-se a um poema. Estamos a falar do passado e, de repente, viajamos para o presente e o próprio público reflete sobre essas perguntas”. Quanto ao VATe, desde o início que tem marcado a diferença por ir ter com as pessoas, aos locais onde vivem, aos sítios onde estudam, em vez de simplesmente ALGARVE #109 #109 44 ALGARVE INFORMATIVO INFORMATIVO

abrir as portas do Teatro Lethes ao público local. “É um serviço educativo móvel, um teatro com rodas, uma ideia super interessante que se conseguiu colocar em prática com a ajuda de todas as autarquias do Algarve. O autocarro tem custos elevados e há sempre vários pormenores para afinar antes de partimos mas, quando chegamos, é sempre muito engraçado. Estacionamos o teatro à porta da casa das pessoas”, indica, com um sorriso. No que toca à programação, Jeannine Trévidic esclarece que pretende ir ao encontro de temáticas importantes para


o público escolar, nomeadamente dos alunos do 1.º ao 4.º ano, até para ajudar os professores a abordarem certos assuntos como o 25 de abril, o bullying, a solidão, a violência entre jovens casais. “E queremos que eles tomem contato com o teatro e com as várias técnicas que se podem utilizar, tais como formas animadas, objetos, sombras, bonecos de luva. Assim, habituam-se a ver diferentes tipos de representação”, destaca a entrevistada. “Falamos também do palco, da régie, dos camarins, da plateia e da teia, do que é ser encenador ou ator. É importante que

não tenham medo de fazer perguntas, que se questionem, porque isso significa que estiveram com atenção. Às vezes, as pessoas vão ao teatro, não percebem nada do que estiveram a ver, batem palmas e vão-se embora. Nós queremos quebrar essa barreira”, frisa, lembrando que o VATe continua com o espetáculo «Dá-me um Abraço» em digressão pelas escolas do Algarve até final de junho. “Depois, queremos começar a digressão logo no arranque do próximo ano letivo, em princípio com um espetáculo sobre a água” .

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REPORTAGEM

INTERFERÊNCIAS Quando a dança interage com a arquitetura dos espaços O Cine-Teatro Louletano acolheu, no dia 26 de maio, um espetáculo de dança que não se limitou ao tradicional palco, mas percorreu diversas zonas deste equipamento cultural. Para além disso, os bailarinos não eram profissionais, mas cidadãos comuns que frequentaram a oficina de pesquisa e criação coreográfica dinamizada pela associação corpodehoje. Texto: ALGARVE #109 #109 48 ALGARVE 48 INFORMATIVO INFORMATIVO

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epois de, em abril, ter estado em Tavira, a Associação Corpodehoje levou a cabo mais uma «Interferências», sob a liderança da coreógrafa Ana Borges, desta feita em Loulé, que culminou com uma performance final, no Cine-Teatro Louletano, no dia 26 de maio. O projeto assenta em oficinas de pesquisa e criação coreográfica sobre o tema dança/corpo/espaço/arquitetura, nas quais os participantes são colocados na situação de criador enquanto multiplicador e desmultiplicador dos elementos que os espaços físicos lhes oferecem como material de criação artística. Na génese está uma estética ligada aos movimentos de dança americana dos anos 60/70 do séc. XX, de coreógrafos

como Trisha Brown e Yvonne Rainer, onde a dança interage com a arquitetura e tem como objetivo a democratização do corpo na dança. Ana Borges cria uma ligação ao espaço, com o corpo como caminho, como sua extensão, seu prolongamento e, nesta ligação poética, desenvolvem-se ligações sensoriais e cinéticas que absorvem o espaço como segunda pele. “O «Interferências» começou em 2005, na altura no Jardim Botânico, em Coimbra, seguindo-se as escadarias do Teatro de São Luís e outros espaços. As oficinas são direcionadas para a comunidade em geral, para pessoas com ou sem experiência em movimento ou dança e procuramos perceber como os espaços, por si só, dão material para se criar movimento, como se o corpo vestisse aquele espaço”, descreve Ana Borges.

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Neste conceito, a estrutura base da performance é criada previamente, mas depois adapta-se, altera-se, consoante o local onde vai ter lugar, de acordo com as paredes, os corredores, as escadas. As oficinas têm uma duração de 20 a 30 horas, começando no fim-de-semana anterior ao espetáculo final, e este não acontece no palco tradicional, mas num percurso pelo espaço onde decorre. Por isso, em Loulé, a ação teve início no exterior do Cine-Teatro Louletano, percorrendo, depois, o hall, as escadas, os bastidores, até desembocar no palco. “Inverte-se um pouco o papel do espetador, que não fica sentado na cadeira a assistir a algo, mas acaba por intervir também no espetáculo. Deixa de haver uma barreira invisível em que o

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público está de um lado e o ator do outro e a proximidade entre quem dança e quem assiste é muito grande”, refere Ana Borges. «Interferências» é, deste modo, diferente em dois aspetos fundamentais: coloca público e bailarinos lado a lado e os bailarinos são, eles próprios, cidadãos comuns, com pouca ou nenhuma experiência ou formação em dança. “É um processo complexo e intensivo e todas essas questões são trabalhadas e debatidas desde o início da oficina. Há uma primeira fase de autoconhecimento do corpo, de como ele se move em relação com os outros bailarinos e com o espaço físico. Os participantes depressam constatam que existe um trabalho de escuta interior, de


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desenvolvimento pessoal, que lhes traz benefícios positivos em termos de afirmação, atitude e entrega”, observa a encenadora. Outra missão do «Interferências» é combater a elitização que existe em torno do ator, do bailarino, do músico, do artista, como se estes estivessem num patamar inatingível para o comum mortal. “Claro que são profissionais que estudaram e trabalharam imenso para atingirem um determinado nível, mas qualquer pessoa pode dançar, desde que se esforce nesse sentido e de acordo com o seu ritmo e capacidade. Há uma aceitação dos limites que cada um de nós tem”, sublinha a responsável da «corpodehoje». “Na maior parte dos trabalhos que fazemos na associação há essa ideia da democratização do corpo e da arte e procuramos colocar as pessoas comuns no papel do criador, não se limitarem a esperar que alguém lhes diga o que têm que executar ou interpretar. Claro que há dificuldades para superar, é normal que se

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questionem, mas esse trabalhar sem rede é aliciante e, depois de ultrapassada essa primeira barreira do «eu não sei fazer», do «eu não consigo fazer», aprendem a palavra «ainda». No fim, há uma grande realização por, afinal, terem conseguido fazer”, salienta Ana Borges. No final da performance, houve lugar a uma conversa, a uma sessão de perguntas e respostas, e vários elementos do público ficaram de apetite aguçado para participar numa futura edição do «Interferências». “Essa troca de ideias

muda o paradigma de que só algumas pessoas é que podem participar numa performance artística, há uma descomplicação que as torna mais disponíveis para abraçar novas experiências. Este não é um espetáculo onde se faz uma audição, se contratam bailarinos e se vai a palco numa noite. Está aberto à comunidade e o apoio das autarquias e, neste caso, do programa «365 Algarve», permite que as oficinas sejam frequentadas a um custo bastante acessível”, finaliza a encenadora e mentora do projeto . #109 ALGARVE INFORMATIVO

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REPORTAGEM

BORDEIRA Das 332 candidaturas apresentadas ao concurso «7 Maravilhas de Portugal – Aldeias», foram eleitas 49 em sete diferentes categorias: «Aldeias Autênticas», «Aldeias-Monumento», «Aldeias Ribeirinhas», «Aldeias em Áreas Protegidas», «Aldeias Remotas», «Aldeias de Mar» e «Aldeias Rurais». No concelho de Aljezur está localizada a aldeia de Bordeira, pré-finalista na categoria de «Aldeias em Áreas Protegidas». Texto:

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ituada no concelho de Aljezur, no barlavento algarvio, Bordeira viu o seu território ocupado bem cedo, desde as épocas do paleolítico e neolítico, de acordo com investigações arqueológicas. Nesta aldeia inserida em pleno Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina são omnipresentes os aromas delicados da perpétua-das-areias, da murta, do zimbro, da aroeira ou do rosmaninho. Ao olhar saltam o azul forte das flores da erva-das-sete-sangrias e do morrião-da-praia, ou o amarelo intenso das flores da joina-das-areias e dos tojo, do queiró, da roselha, do lentisco-bastardo, da urze-vermelha, do tomilho, da joina-dosmatos ou o mato-branco. Assim é a Bordeira, balizada pelo Pinhal do Bordalete, constituindo uma área florestal assente em areias, de aproximadamente 60 ALGARVE #109 INFORMATIVO

41 hectares de pinheiro manso, distribuídos ao longo dos chamados «Cabeços da Bordeira». A praia da Bordeira é a mais extensa do concelho de Aljezur, reconhecida internacionalmente pela sua elevada qualidade paisagística. Limitada pelas altas arribas que a limitam nas extremidades norte (xisto) e sul (formações rochosas do Jurássico), a Aldeia da Bordeira continua a contar histórias da sua longa história. Aldeia que foi criada pelo Bispo de Silves, Dom Álvaro III, em 1464, que ordenou aos habitantes que ali se construísse uma Igreja. Esta assim surgiu, sendo de realçar que, na parte central do frontispício do arco triunfal, existe uma cartela com a data de 1746, correspondente ao ano da sua construção .


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OPINIÃO

O sentido da vida Paulo Cunha (Professor)

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m destes dias, enquanto fazia o percurso habitual do meu local de trabalho para casa, deparei-me com um «maduro» do meu tempo que já não via há décadas e do qual guardo boas memórias de adolescência, principalmente dos momentos em que nos encontrávamos e discutíamos o sentido da vida (habitualmente à entrada da rua de Santo de António em Faro). Tê-lo reencontrado fezme avivar memória de ricas, truculentas, inspiradas e marcantes conversas que em tertúlia mantínhamos. Moços novos (e inocentes) cheios de sonhos, de esperança e de um profundo desejo de contribuir para mudar o «nosso mundo». Malta porreira que através das palavras soltas e bem-intencionadas com que tentava esgrimir as ideias que a diferenciava, conseguiu construir um elo de afetos entre ela. Parece que foi ontem que eu (o Cunha), o Necas, o Castro, o Semião, o Bispo, o Canau, o Marujo, o Luís «Peixinho», o Estevinha, e por vezes outros, fazíamos ao vivo aquilo que muitos tentam hoje fazer na virtualidade das redes sociais: socializar. Confesso que, talvez por eu andar na rua sem óculos ou por ele já se encontrar algo «branco» e embarbado, não o reconheci. Só após me ter interpelado é que o seu timbre vocal me fez escancarar a porta entreaberta da memória. E que bom e reconfortante que foi revê-lo, para, nos parcos e apressados minutos que estivemos juntos, pormos os últimos anos em dia. Foi nesse hiato de tempo que o ouvi dizer com um sorriso nos lábios: “Olha… Gostava do que fazia, mas - como muitos outros neste país - fui há pouco tempo «convidado a sair do meu emprego»!”. Fiquei em silêncio e só a minha expressão de espanto e desalento o fez continuar, tentando assim consolar-me. “É a vida, Cunha! Já não sou novo, mas também não sou «velho» para que me reformar. Mas não há problema, não te apoquentes… Estou bem, sou um indivíduo ativo e ainda tenho «muito para dar»!”, foram as palavras de alguém que, ao contrário de outros, viu no seu infortúnio um motivo para se renovar e, através da sua positividade, tocar e contagiar pessoas que veem sempre «o copo meio vazio».

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Quase todos nós temos familiares e amigos que viram interrompidas e destruídas carreiras que no início das suas vidas profissionais se vislumbravam prometedoras e risonhas, mas que, devido a vicissitudes várias, se viram na contingência de rumar para outros caminhos e direções. Afinal, ao contrário do que imaginaram, projetaram e a assumiram como certo, não era aquele o seu «sentido da vida»! Quantos deles renasceram e, voltando a nascer, nos mostraram que a vida é feita de muitos caminhos. Caminhos prontos a serem descobertos, trilhados, calcorreados e desfrutados por quem a isso se dispõe. Por isso me continua a fazer alguma confusão quando, numa primeira abordagem, pessoas que já não se veem há algum tempo aferem o estado emocional de cada um através de perguntas onde as respostas indiciam os vários padrões de felicidade comummente aceites pela sociedade. Em vez de questionarem se os amigos se sentem realizados, plenos e felizes na sua vida, seja ela qual for, grande parte das pessoas avaliam a felicidade dos outros pela arrumação familiar, profissional e social dos mesmos. Nada mais enganador! Não basta tirar o retrato físico para, através da observação atenta, aferir a satisfação do retratado. Muitos sorrisos falseiam uma realidade interior onde «a bota não bate com a perdigota»! Não há padrões estáticos e imutáveis no que à felicidade concerne. Aquilo que para uns é indiferente, para outros é tudo o que poderá fazer a diferença. Constato que há gente que leva toda a vida à procura da felicidade, quando, querendo e estando disponível, a felicidade encontra-a, vinda de onde menos se espera. Muitas vezes, de adversidades que aparentam ser irreversíveis e irreparáveis, se constata que a porta não se fechou, ficou apenas entreaberta para deixar a vida fluir por caminhos até então inexplorados. Daí responder de uma forma simples e singela quando me perguntam qual é o meu sentido da vida: “Tentar obter da vida o máximo de momentos onde a minha felicidade e a dos outros esteja presente!”. Não é esse também o vosso? Quem sabe, no fim o cômputo seja positivo!? Assim sendo: “Carpe Diem”! .


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OPINIÃO

Porquê no Algarve? Paulo Bernardo (Empresário)

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uitas e muitas vezes me questionam o porquê de ter a empresa no Algarve. Pergunta que me deixa sempre um pouco fora de mim, e quem me conhece sabe que não é fácil. Existe, não sei bem porquê, uma ideia de que no Algarve só se pode ter atividades ligadas ao turismo, ou então passar a vida apanhar sol na praia. Contudo, e depois de refletir um pouco, até tenho que dar razão a quem pensa assim, pois nunca se fez nada para mostrar o outro lado da região. Quem foi tendo responsabilidades regionais e continua a ter nunca olhou para a região com outros olhos senão os do especulador imobiliário. Hoje e sempre o Algarve é visto como uma região periférica, sem nada para se fazer para além do mês de julho e agosto. Pensava eu que isso ia sendo alterado e que hoje já olhavam para nós de outra maneira, mas não, mantém-se tudo igual. Ainda somos vistos como os provincianos. O Algarve cada vez mais esquecido por nós e lembrado pelos outros, não fazemos nada, apenas vamos reagindo. Não temos estratégia de promoção, não temos políticas regionais para atrair investimento, não temos praticamente nada para deixarmos de ser apenas os provincianos que são engraçados em julho e agosto, quando a malta vem a banhos. Pronto, já sei que vão dizer que nos últimos anos crescemos muito, a nível turístico, sim, mas não por estratégia própria, mas sim por que os mercados que são concorrentes diretos se autodestruíram. Usamos mal os fundos europeus, servem na sua maioria para manter um estado paralelo, através de associações, organizações e

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alguns amigos, que usam os fundos a seu belo prazer. Hoje, podemos ser a região do tema X ou do tema Y, como antes éramos a região do tema Z e no futuro seremos a região do tema H. Mas não temos um fio condutor, apenas vamos colocando dinheiro para alimentar a máquina. Basta olhar e ver quem beneficia sempre dos fundos e que resultado é que isso vai tendo, que emprego cria, que mais-valias traz para a região, que diferenciação, que reconhecimento. Fico triste quando falam assim do Algarve, mas tenho que dar razão, pois nada fazemos para dar outra imagem. Estamos a entrar felizmente numa nova época de vacas gordas, onde vamos repetir os mesmos erros, cada um vai olhar para o seu umbigo e pensar que é melhor que o outro e pronto. Vamos voltar a pensar que somos o povo eleito e pronto. Nada fica, tudo é torrado apenas. Como num texto que li há uns anos onde dizia que, no Algarve, os apartamentos não se vendem, bebem-se. Com isto o autor, ao qual peço desculpa pois não me lembro quem é, queria dizer que não tínhamos estratégia, o único objetivo era vender para investir em festa. Assim, é normal que olhem para uma empresa no Algarve como uma coisa um pouco estranha. Aqui só podemos ser montanheiros, daqueles que chegam a Lisboa e começam a dizer que têm vergonha de ser do Algarve. Para mim seria bem mais fácil dizer que a empresa estava em Lisboa, mas não, sou teimoso e teimo em ser Algarvio, com muito orgulho .


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OPINIÃO

Histórias à volta do vinho Vico Ughetto (Enófilo e gastrónomo)

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os dias que correm torna-se necessário não só a criatividade, mas também encontrar elementos que fazem a diferença e se tornam atrativos, quer pela singularidade ou oportunidade – o chamado «timing» – da iniciativa. No caso dos vinhos, isto aplica-se perfeitamente, o setor tem crescido, mas tem sido mais no destaque crescente dado ao vinho, do que no consumo, que tem estagnado (na Europa basicamente). Isto quer dizer que o setor está mais competitivo e que para crescer é necessária promoção, sim, mas igualmente imaginação. E para proporcionar esse lado criativo

está o Sommelier Wine Market (SWM), que tem o subtítulo de «summer edition», que ocorre em Lisboa dia 27 de maio e no qual estou em representação do Algarve Informativo a «beber» informação para depois escrever algumas das interessantes propostas apresentadas neste evento. Deixaria só em termos de comentário que talvez seja excessivo o uso de tanto estrangeirismo no nome do evento, o que reflete, creio, um excessivo foco no mercado turístico de que Lisboa se vem queixando ultimamente. O conceito «summer edition» – edição de Verão – é

Serão mais de 40 os produtores presentes e o Algarve terá também representação pela CVA, a levar os vinhos premiados

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Apesar de no Algarve os eventos vínicos terem um bom público, em Lisboa é muito fácil ficar com a casa lotada

interessante e creio que o Algarve o devia aproveitar. Na prática, permite focar a mostra em vinhos mais direcionados para os calores que se aproximam (apesar de estarem a tardar) que é como quem diz, brancos, rosés, verdes e, claro, espumantes, entre outras variantes possíveis. No passado já houve um evento dedicado ao Verão na Marina de Vilamoura, mas não singrou (julgo que terem feito dentro de portas não funcionou). Assim, sobre o tema de vinhos leves e frescos criaram-se workshops que assentam que nem uma luva no conceito. Desde «Vinhos tintos de Verão» ao «A volta a Portugal em vinhos de Verão» temos especialistas (no caso escanções, a palavra nacional para sommelier) que irão abordar o tema com uma visão técnica e prática. O que creio ser o mais interessante deste certame é o conceito de «Wine storytelling», mais outro palavrão anglo-saxónico para designar histórias sobre o vinho. O SWM é, sobretudo, um evento para se falar e ouvir sobre vinho e de aprender, mais do que para provar e experimentar

(apesar dos mais de 40 produtores presentes) e, sinceramente, não me ocorre melhor produto do que o vinho e todo o seu universo, para contar histórias à volta dele. Nas sessões propostas pela organização iremos encontrar contadores com muito para dizer, nomeadamente o enólogo Paulo Amaral (a substituir Domingos Soares Dias) a falar dos vinhos de talha, a jornalista e crítica de vinhos Maria João de Almeida, que, para além de livros publicados, está num projeto muito interessante de visitas turísticas a regiões vinícolas e, no fim, a cereja no topo que é o Vasco Avillez – presidente da CVR de Lisboa – que iniciou o seu percurso profissional no setor vitivinícola, em 1970, nas Relações Públicas da J.M. da Fonseca, por isso, já se pode calcular o volume de histórias acumuladas desde aí. Tudo isto vos irei eu contar, depois, em próximas crónicas. Até lá estejam atentos e bebam moderadamente, mas provem bem . * fotos gentilmente cedidas pela organização

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OPINIÃO Agricultura 4.0 - A revolução agrícola Fábio Jesuíno (Empresário)

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agricultura tem vido a evoluir tecnologicamente, ficando cada vez mais digital, acompanhando uma tendência dos restantes sectores económicos. Um futuro cada vez mais global caracterizado por uma completa digitalização dos fluxos económicos. A transformação digital deu lugar a uma nova realidade que mudou as práticas das empresas, melhorando a competitividade. Atualmente, o mercado agrícola apresenta níveis de crescimento económico muito elevado, transformando-se num dos principais sectores da economia mundial. Com o crescimento da população global permanente, a procura de alimentos vai aumentar muito rapidamente, criando, assim, vários desafios e oportunidades na produção de alimentos, potenciando este sector como um dos mais seguros e rentáveis em termos de investimento, apetecível para investidores das mais diversas áreas e com grande potencial de melhoria em termos de inovação. Tendo em conta que dois terços da água usada pelos seres humanos vão para a agricultura e que esta representa a maior proporção de uso da terra, torna-se importantíssimo que a revolução 4.0 passe também por uso de produção mais sustentável, com o objetivo de reduzir o impacto da agricultura sobre o ambiente. Uma revolução agrícola caracterizada por uma necessidade global de melhoramento dos processos de produção, tornando-os mais eficientes.

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A agricultura ainda não atingiu todo o seu potencial em temos tecnológicos, mas tem evoluído, muito por causa dos resultados que comprovam largamente os investimentos ligados à transformação digital. Uma evolução que traz um beneficio global, proporcionando um significativo impacto social. A agricultura 4.0 já apresenta resultados positivos, usando tecnologias que permitem acompanhar tudo o que acontece no campo e possibilitando ver as suas vendas em tempo real para todo o mundo e implementando estratégias de marketing digital para o seu sucesso, obtendo uma otimização da atividade e ganhando assim recursos financeiros para serem reinvestidos. Mesmo com dados comprovados dos benefícios gerados com esta revolução, existe ainda muita resistência em implementar os processos, muito por falta de conhecimento das oportunidades geradas e também por receio em utilizar estas tecnologias. A revolução da agricultura 4.0 chegou e veio para ficar e o seu impacto já se faz sentir por todo o mundo. Portugal e os seus agricultores são os principais impulsionadores desta revolução e tenho a convicção que, no futuro, vamos ter empresas nestas áreas em destaque no mercado global. No futuro da economia global, a agricultura vai ser um dos principais sectores de crescimento e de inovação .


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OPINIÃO

Fundação Manuel Viegas Guerreiro Em Querença, a Cultura acontece Adília César (Escritora) “A cultura é só uma, tudo o que aprendemos do nascer ao morrer, da nossa invenção ou alheia, sentados nos bancos da escola ou da vida.” (Manuel Viegas Guerreiro, 1978)

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anuel Viegas Guerreiro (Querença, 19121997), trilhou incansavelmente o Algarve e o Mundo. Licenciou-se em Filosofia Clássica e doutorou-se em Etnologia na Faculdade de Letras de Lisboa, onde foi professor catedrático e fundador dos Estudos Gerais Livres. Legou-nos uma preciosa herança, patente na sua concepção de vida, ao contribuir com uma sólida produção científica para uma maior consciencialização coletiva do valor da cultura popular e, assim, das raízes da nossa própria identidade. A ideia de relatividade cultural, da necessidade efetiva de aproximação e diálogo entre as realidades popular e erudita acompanharam-no ao longo da sua carreira. Um mestre da sabedoria do mundo, tendo sido um dos principais impulsionadores do desenvolvimento e divulgação da Antropologia Cultural e da Etnografia enquanto ciências modernas em Portugal, sobretudo na área da literatura popular oral, através do seu trabalho enquanto professor liceal e universitário, e dos seus projetos de investigação de campo e respetivos estudos. O historiador José Mattoso recordou-o assim, em 1997, num depoimento no Jornal de Letras: “Ninguém podia resistir ao seu olhar simples e bom. Não se sabia de onde ele lhe vinha: se da misteriosa conjugação de heranças ancestrais, se de uma infância excecionalmente feliz, se de uma educação cheia de humanidade e de confiança nos outros, se de uma formação de antropólogo disposto a ver o lado bom do homem e a não se assustar com as diferenças do outro”. Criada em abril de 2000, a Fundação Manuel Viegas Guerreiro tem sede em Querença e pretende promover o desenvolvimento cultural, social e económico do Algarve, através de grandes eventos culturais e artísticos, bem como dinamizar e promover a investigação, com particular relevo para

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as áreas de natureza social e ambiental. Disponibiliza um Centro de Estudos Algarvios, onde é possível consultar tudo o que foi publicado sobre o Algarve. Existe ainda um auditório destinado à realização de eventos culturais, espetáculos, seminários e congressos. A Fundação Manuel Viegas Guerreiro tem vindo a desenvolver acções relevantes para a identidade cultural da região, a fim de promover o desenvolvimento cultural, social, artístico e económico do Algarve, que é a sua grande missão, tendo sido a entidade promotora do Plano de Recuperação e Valorização do Património e da Paisagem Rural da Freguesia de Querença. Acolheu ainda o «Projecto de Querença 1» em articulação com a Universidade do Algarve. A Fundação, tendo como fim promover o desenvolvimento cultural, social e económico do Algarve, orienta a sua ação em torno de objetivos concretos, com o apoio incondicional do seu Presidente, Luís Guerreiro, o qual, apoiado pela sua equipa e em articulação com outras entidades, tem evidenciado competências de liderança para sustentar com êxito projectos de impacto social e interesse público, pautados pelos seguintes objectivos: perpetuar a memória e desenvolver estudos do patrono no âmbito da etnografia, apoiando publicações e respetivos estudos; apoiar e incentivar estudos científicos na área das ciências sociais; organizar eventos culturais; promover cursos de Formação; fomentar ações de investigação quanto aos fatores naturais e ao estudo do impacto das ações humanas sobre o ambiente; dinamizar e promover a investigação a todos os níveis; animar e promover o Algarve através de grandes eventos culturais e artísticos, como o FLIQ. A Fundação Manuel Viegas Guerreiro, uma casa luminosa de portas abertas para a Cultura .


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ATUALIDADE

LOULÉ ASSINALOU DIA DO MUNICÍPIO

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Autarquia de Loulé assinalou o Dia do Município com uma semana repleta de atividades envolvendo todos os quadrantes da população, do interior ao litoral. Quanto ao feriado municipal propriamente dito, comemorado a 25 de maio, iniciou-se com o tradicional hastear das bandeiras na fachada do edifício da Câmara Municipal, a que se seguiu, do outro lado da rua, no espaço da Assembleia Municipal, a Sessão Solene. O momento começou com a entrega da Medalha de Mérito Municipal a diversas individualidades e entidades do concelho. 76 ALGARVE #109 INFORMATIVO

Foram homenageados Carlos Silva Gomes, militar da GNR, atualmente a exercer funções de Oficial de Ligação do Ministério da Administração Interna junto da Embaixada de Portugal em Paris, com a Medalha de Mérito – Grau Ouro. Com o Grau Prata foram agraciados o empresário João dos Santos Simões, sócio da Gráfica Comercial, que teve também um importante papel político durante o período do 25 de abril; o ilustrador Luís Furtado, nome indissociável do Carnaval de Loulé; o poeta popular Manuel de Brito Pardal (a título póstumo); Filipe Leal Viegas (a título póstumo), antigo vicepresidente da Câmara e desportista; o


médico ginecologista/obstetra José Manuel Pires Teixeira; o padre Fernando Pedro, à frente da Paróquia de Salir há mais de quatro décadas; e o «BTT Terra de Loulé», atualmente a maior escola e o maior clube de ciclismo do país. A Autarquia atribuiu ainda duas Medalhas de Mérito – Grau Bronze a duas personalidades ligadas ao desporto: Daniel Faísca Coelho, que se destacou no karaté, tendo sido um dos impulsionadores da modalidade no Algarve; e Faustino Pires, com um percurso assinalável enquanto jogador, técnico e dirigente de rugby. No uso da palavra, e por se estar a findar o ciclo político iniciado aquando das eleições autárquicas de 2013, Vítor Aleixo, presidente da Câmara Municipal de Loulé, aproveitou para efetuar uma

breve análise do trabalho realizado ao longo destes quatro anos. “O poder local tem que governar, em primeiro lugar, para as pessoas, tem sido essa a nossa motivação desde que iniciamos funções e assim continuará a ser até ao fim do presente mandato. Podemos promover muitas atividades e levar a cabo muitas iniciativas mas, se estas não tiverem como finalidade servir as pessoas, de pouca importância se revestirão”, considerou o edil, lembrando que se incentivou a discussão pública de documentos importantes para a atividade municipal e comunitária, como se verificou com o Regulamento Municipal de Utilização e Edificação e com as alterações regulamentares ao Plano Diretor Municipal. “Foram níveis de participação bastante elevados, até aqui nunca vistos, e são ferramentas de

Vítor Aleixo, presidente da Câmara Municipal de Loulé, no uso da palavra

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ATUALIDADE

O Executivo de Loulé com os agraciados com a Medalha de Mérito Municipal, na Sessão Solene que decorreu na sala da Assembleia Municipal de Loulé, no dia 25 de maio

gestão de primeira linha do nosso território e da nossa vida coletiva”.

possam exercer o seu papel e servir os cidadãos”, frisou ainda.

Os bons resultados do Orçamento Participativo em Loulé também foram lembrados por Vítor Aleixo, com os cidadãos a avançarem com as suas propostas, muitas delas já concretizadas ou em fase de construção. “O diálogo, a proximidade e a confiança que depositamos nas juntas de freguesia está bem patente no aumento bastante significativo dos recursos financeiros que, em quatro anos, foi possível transferir para elas, para que melhor

A mobilidade para todos, a eficiência energética, a adaptação às alterações climáticas, a reabilitação urbana e o aproveitamento da cultura popular não foram também esquecidos por Vítor Aleixo. “Os nossos munícipes não se reveem num passado pouco audaz, pouco amigo do ambiente, pouco virado para as preocupações com a sustentabilidade territorial. As políticas devem ser coerente, eficazes e oportunas, dando resposta às

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necessidades da comunidade e tendo por base uma visão estratégica e uma avaliação do seu impacto futuro. Não faz sentido nenhum ser autarca se não percebermos, sentirmos, para onde o mundo caminha. Sem esse sentido de orientação, a governação local seria uma verdadeira navegação à vista”, apontou. O presidente da Câmara Municipal de Loulé recordou ainda a necessidade de recuperar a autarquia de “uma dívida sem precedentes nas administrações”. “É importante uma gestão equilibrada, que fomos sendo capazes de executar e que está patente nos bons resultados alcançados. Usufruímos da boa conjuntura macroeconómica que se revelou em Portugal nos últimos anos, mas também houve um imenso trabalho nosso e um enorme sentido de responsabilidade e, hoje, estamos a atravessar um bom momento, em que nos sentimos seguros e confiantes em relação ao futuro”, assumiu o autarca. Depois de “remediar, reformular e repensar projetos que não se ajustavam às realidades e necessidades atuais”, o executivo liderado por Vítor Aleixo concretizou obras como a Avenida Papa Francisco e a Avenida do Atlântico, em Quarteira; concluiu-se a primeira fase do Passeio das Dunas em Quarteira e Vilamoura, com o concurso público para a segunda fase a ser aberto em breve e os projetos para a terceira fase a estarem praticamente terminados. Em Loulé, iniciou-se a recuperação do Solar da Música Nova, onde ficará instalada a Banda de Música Filarmónica e o Conservatório de Música de Loulé; avançou igualmente a recuperação do

Palácio Gama Lobos. “Estamos a construir novas instalações para a GNR de Quarteira e Almancil, pavilhões desportivos em Quarteira e Almancil, uma nova escola básica e um espaço cultural em Quarteira. Estamos a entender-nos com o Governo da República para que possamos, nós próprios, concluir a circular norte de Loulé, porque temos condições financeiras para isso”, adiantou o edil. Vítor Aleixo esclareceu, entretanto, que o interior do concelho não foi esquecido e muitas melhorias tem sido realizadas. “É um território debilitado economicamente, envelhecido demograficamente, e que necessita de uma «descriminação positiva» que tem sido praticada, há muitos anos, por todos os executivos que têm passado pelo Município de Loulé. Temos a obrigação e o dever, ético e moral, de ser solidários com as populações do interior”, defendeu. Antes de finalizar, Vítor Aleixo revelou, em primeira mão, que a exposição «Loulé - Territórios, Memórias e Identidades» será inaugurada, no dia 21 de junho, no Museu Nacional de Arqueologia, no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, ali ficando patente durante um ano. “É um extraordinário acontecimento para a nossa história local. São cerca de sete mil anos contados por 600 peças, muitas delas expostas pela primeira vez ao público, com textos lindíssimos da autoria da nossa ilustre conterrânea Lídia Jorge. Iremos lembrar muitos louletanos que contribuíram para fazer da nossa terra aquilo que ela é hoje, numa montra da história e tradições de Loulé” . #109 ALGARVE INFORMATIVO

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ATUALIDADE

COCA-COLA ESCOLHE ALBUFEIRA PARA A SUA CAMPANHA DE VERÃO

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artilha um Coca-Cola bem gelada em… Albufeira” é uma das frases que vai estar gravada nas embalagens de Coca-Cola durante este Verão. A campanha pretende divulgar os destinos turísticos preferidos de portugueses e estrageiros, possibilitando aos consumidores ganharem viagens e estadias nos seus locais de férias de eleição. Para além de dar oportunidade aos portugueses de viajarem até a destinos turísticos espalhados pelo mundo, a campanha europeia vai dar um contributo para a promoção turística externa, já que estará a decorrer no Reino Unido, Irlanda, França, Bélgica, Luxemburgo, Holanda, Alemanha, Dinamarca, Suécia, Islândia, Finlândia, Noruega e Espanha. Os consumidores destes 80 ALGARVE #109 INFORMATIVO

mercados, que representam perto de 400 milhões de pessoas, vão poder escolher uma Coca-Cola personalizada com destinos nacionais, entre os quais Albufeira, e ganhar umas férias de Verão inesquecíveis em território nacional. Para se habilitarem a uma viagem por dia, terão de verificar o pin code indicado na garrafa, registarse em www.senteoverao.pt e vencer os sorteios que se vão realizar até 6 de agosto. Cada pin code corresponde a uma hipótese de participação. O prémio inclui viagem e estadia com pequenoalmoço em hotel de 4 estrelas. Carlos Silva e Sousa, presidente da Câmara Municipal de Albufeira, já manifestou a sua satisfação “por ver Albufeira integrar esta campanha desenvolvida por uma das marcas mais reconhecidas a nível mundial e que irá chegar a vários milhões de pessoas” .


ALCOUTIM GARANTE SEGURANÇA NA PRAIA FLUVIAL DO PEGO FUNDO

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om o objetivo de assegurar a qualidade dos serviços de assistência e segurança na praia fluvial do Pego Fundo, e assim limitar os riscos da ocorrência de acidentes, a Câmara Municipal de Alcoutim aprovou, no dia 24 de maio, a celebração de um protocolo com o Grupo Desportivo de Alcoutim (GDA). O documento define que a instituição irá garantir a vigilância permanente, apoio, sensibilização e assistência aos banhistas e a sua escolha deve-se ao fato de possuir recursos humanos com formação que lhes permita assegurar a qualidade do serviço prestado. Nos termos do acordo aprovado, a autarquia irá transferir para o GDA uma comparticipação financeira superior a 8 mil euros. A segurança e a vigilância da praia, nomeadamente no caso de pessoas com mobilidade reduzida e crianças, são

fundamentais para uma oferta turística balnear de qualidade e dependem essencialmente de recursos humanos bem preparados para fazer face aos desafios que lhe são colocados. Recorde-se, no entanto, que a segurança depende em primeiro lugar de cada um dos banhistas que deverá observar a informação e sinalética existente na praia e seguir sempre as instruções dos nadadores salvadores. A época balnear na praia fluvial do Pego Fundo, em Alcoutim, arrancou oficialmente no dia 13 de maio e irá decorrer até dia 24 de setembro. A praia foi distinguida mais uma vez com a Bandeira «Praia Acessível, Praia para Todos», galardão que é atribuído a zonas balneares, marítimas e fluviais, que cumpram os requisitos necessários em termos de acessibilidade e mobilidade condicionada .

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SECRETÁRIO DE ESTADO DA SAÚDE REABRIU EXTENSÃO DE SAÚDE DO AZINHAL

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Secretário de Estado da Saúde, Manuel Delgado, reabriu, no dia 24 de maio, a extensão de saúde do Azinhal. Depois de quatro anos de luta dos dirigentes políticos da Câmara Municipal de Castro Marim, da junta de freguesia e da população local, o polo de saúde da Unidade de Saúde Familiar Baesuris no Azinhal volta a funcionar, numa primeira fase, uma dia por semana, das 8h às 14h, com um médico, um enfermeiro e um assistente técnico, abrangendo cerca de 400 utentes. “O encerramento desta extensão de saúde, bem como da de Odeleite, da responsabilidade do governo anterior, deixou desamparada uma população envelhecida e fragilizada, com problemas de mobilidade e dificuldade de acesso a transportes. Foi desumano e

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inexplicável”, declarou o presidente da Câmara Municipal de Castro Marim, Francisco Amaral. O início do seu mandato foi precisamente marcado pela “luta contra esta insensibilidade do governo de então”, com uma manifestação em frente à ARS Algarve. O processo foi moroso, mas a negociação culminou com o compromisso da ARS Algarve reabrir a extensão de saúde do Azinhal, se a autarquia de Castro Marim realizasse as obras necessárias, já concluídas há cerca de um ano, num investimento total que rondou os 30 mil euros. “Valeu a pena esta luta e este investimento do município. Agora, vamos lutar pela reabertura da extensão de Odeleite”, disse o autarca de Castro Marim, sublinhando as declarações do Secretário de Estado Manuel Delgado de que a saúde é um direito que foi retirado àquelas populações .


ASSEMBLEIA MUNICIPAL APROVOU NÚCLEO DE DESENVOLVIMENTO TURÍSTICO DE FARO

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tão desejada criação de um Núcleo de Desenvolvimento Turístico (NDT) em Faro deu mais um passo com a aprovação, por maioria, na última reunião da Assembleia Municipal, do programa do procedimento do concurso para constituição deste núcleo que abrangerá um total de 1030 camas. O concurso não tem uma localização previamente definida, abrangendo as zonas do concelho que se encontram fora dos perímetros urbanos. Nestas, os conjuntos turísticos integrados deverão dispor de uma envolvente de espaços verdes e oferta complementar associada. As próximas etapas deste processo passarão pela constituição de um júri e abertura do concurso, o que deverá suceder ainda durante o

mês de Junho. Após publicação dos termos do concurso, cada candidato poderá apresentar o seu projeto no prazo de 90 dias após publicação do competente anúncio. As propostas devem abranger uma área de intervenção mínima de 25 hectares, para projetos fora de áreas classificadas e de 70 hectares, dentro de áreas classificadas, assim como concentração da edificação em apenas 30 por cento de área a intervir e qualificação de espaços públicos e paisagísticos. Pretende-se ainda valorizar a criação de postos de trabalho diretos em empreendimentos que possuam inovação e sejam pautados por indicadores de sustentabilidade ambiental elevados, tanto na arquitetura dos edifícios, como nos processos de urbanização .

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LARGO DAS MOURAS VELHAS RENASCEU EM FARO

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oi inaugurado e aberto à circulação automóvel e pedonal, no dia 25 de maio, o Largo das Mouras Velhas Requalificado, em cerimónia que contou com a presença do Presidente da Câmara, Rogério Bacalhau e que contou com a colaboração do Cónego César Chantre, Pároco de São Pedro e Vigário Geral da Diocese, que procedeu à bênção desta infraestrutura há muito ansiada pela população. A intervenção, que ficou a cargo do consórcio CPE/Teixeira Duarte, gerou, para além do arranjo estético e repavimentação do piso, uma bolsa de estacionamento gratuito, bem no centro da cidade, num investimento de cerca de 309 mil euros. O projeto resulta das contrapartidas asseguradas pela autarquia aquando do contrato 84 ALGARVE #109 INFORMATIVO

de concessão firmado com o consórcio CPE/Teixeira Duarte em 2003, que previa a construção e exploração de dois parques públicos de estacionamento subterrâneo. Um na Pontinha, atualmente explorado pela CPE/Teixeira Duarte e outro no Largo das Mouras Velhas, nunca executado, por ter sido considerado inviável financeira e urbanisticamente. Com base nisso, e com o objetivo de desbloquear um impasse que estava a prejudicar a população e a estrangular uma zona da cidade que se envelhecia e degradava aos olhos de todos, o Presidente da Câmara apresentou uma proposta de redução do objeto contratual de dois parques para um, tendo a mesma sido aprovada a 19 de novembro de 2015. A intervenção, para além de abranger o referido Largo, estendeu-se pela Rua de Portugal, com


incidência na zona adjacente ao Teatro Lethes, incluindo a área pedonal circundante da Unidade de Saúde Familiar Ria Formosa. A requalificação focou-se essencialmente na dignificação do espaço público, regrando a sua utilização tanto a nível viário como pedonal, sendo para tal reordenado o parqueamento e circulação automóvel e humanizada a vivência urbana através da criação de uma zona de estar e lazer. Procedeu-se ainda à repavimentação de toda a

área de circulação rodoviária e parqueamento automóvel com pavimento betuminoso, à criação de novos passeios nas áreas de percursos pedonais e à regularização dos existentes. Foram igualmente colocados bancos, papeleiras e rampas de acessibilidade, reformularam-se os equipamentos relativos à iluminação pública e foi criada uma nova rede de iluminação com óticas em LED .

ROTA DO PETISCO CHEGA A FARO E OLHÃO

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e 2 de junho a 9 de julho, Faro e Olhão acolhem a Rota do Petisco 2017, que já aguçou o paladar a tantos amantes da boa comida no Barlavento. Depois de Lagos, Aljezur e Vila do Bispo (onde se prolonga até 11 de Junho), a Rota segue para Este com 34 boas razões para percorrer as ruas de Faro e Olhão com o apetite bem desperto e a diversão no horizonte. É este o número de restaurantes e pastelarias que aderiram à primeira edição da Rota Terras da Ria e que já estão a preparar tudo para receber os petiscadores mais exigentes. O conceito é simples: petisque aqui e acolá por um preço módico. Os estabelecimentos aderentes oferecem uma ementa especial ao preço de três euros, o «Petisco» (petisco + bebida), e de dois euros, o «Doce Regional» (sobremesa + bebida), a quem apresentar o

Passaporte da Rota do Petisco para ser carimbado. O Passaporte tem o preço de um euro e pode ser adquirido nos estabelecimentos aderentes ou num dos Postos de Informação da Rota do Petisco: Postos de Turismo de Faro e de Olhão, Centro Náutico da Ilha de Faro e Museu Municipal de Olhão. O valor pago na aquisição do Passaporte reverte integralmente para o apoio dos 12 projetos sociais apoiados pela Rota Solidária. Com o Passaporte da Rota do Petisco dá, mas também recebe. Ao angariar pelo menos 12 carimbos recebe automaticamente um brinde e fica habilitado a um dos Prémios da Rota do Petisco. A Rota do Petisco é uma iniciativa da Associação Teia D'Impulsos e com o patrocínio oficial da Sagres. A edição Terras da Ria conta igualmente com o apoio das Câmaras Municipais de Faro e de Olhão . #109 ALGARVE INFORMATIVO

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LOULÉ CONTINUA A ALERTAR POPULAÇÃO PARA ADAPTAÇÃO ÀS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS

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o âmbito da primeira reunião do Conselho Local de Acompanhamento da Estratégia Municipal de Adaptação às Alterações Climáticas de Loulé (EMAAC de Loulé), que teve lugar no dia 22 de maio, foi lançado o site «Loulé Adapta», instrumento que permitirá difundir, de forma mais eficaz, todo o conceito deste projeto prioritário para a Autarquia de Loulé. Integrado numa estratégia alargada, esta ferramenta tecnológica tem como objetivo divulgar a EMAAC de Loulé, dar a conhecer os diferentes projetos e iniciativas daí decorrentes e sensibilizar os diversos setores socioeconómicos para a problemática das alterações climáticas e para a importância do papel municipal, setorial e individual na mitigação e adaptação às alterações climáticas. Pretende-se ainda que o site «Loulé Adapta» seja um depositário de informação e de recursos vários sobre alterações climáticas, que os munícipes e demais interessados podem explorar e, deste modo, ficar a saber mais sobre esta problemática cada vez mais relevante. Com uma linguagem acessível a todos e de leitura fácil, este site sintetiza todas estas matérias, nomeadamente uma área dedicada às principais alterações climáticas projetadas para o Município (subida do nível do mar, o aumento da temperatura e da frequência e intensidade de eventos meteorológicos extremos como ondas de calor, secas, episódios de precipitação excessiva e concentrada, e consequentemente de incêndios, inundações, cheias e intensificação da erosão costeira) com um vídeo das suas consequências. «Loulé Adapta» é um site responsive, já que permite a adaptação automática a todos os tipos de dispositivos, sejam eles Desktops, Smartphones ou Tablets, proporcionando uma melhor experiência de navegação a todos os munícipes.

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Numa altura em que as redes sociais constituem um veículo fundamental em termos comunicacionais, o «Loulé Adapta» dispõe também de uma página no Facebook onde é possível acompanhar, a par e passo, toda a atualização de informação do site. Para as técnicas municipais que têm estado à frente do projeto – Inês Rafael e Lídia Terra – o intuito é que este seja “instrumento mais próximo da população e que esta também se envolva e dê os ditos passos essenciais na ação conjunta”. Exemplo disso são as escolas que ali terão um recurso muito importante na busca de informação. A título de balanço da primeira reunião do Conselho Local de Acompanhamento da EMAAC, que juntou diversos serviços da Autarquia, forças de segurança, proteção civil, bombeiros, escolas, empresas municipais, entre outras entidades, o presidente da Câmara considerou ter sido “uma sessão muito rica, com intervenções muito interessantes, que serão levadas em consideração no desenvolvimento e monitorização da estratégia aprovada”. Vítor Aleixo falou do envolvimento de todos para levar por diante este que é “um dos desafios mais aliciantes do Município” e que começa agora a dar os primeiros passos. “Temos a consciência de que este é um projeto que convida e reclama a participação de todos, sem exclusão de ninguém – cidadãos, empresas, instituições – todos


encontrarão, voluntariamente, o seu contributo a dar nesta estratégia municipal”, afirmou o edil, que tem sido um dos responsáveis nacionais que mais se tem empenhado nesta temática. O autarca reconheceu que esta matéria pressupõe uma mudança de hábitos da sociedade, da cultura, da economia, do funcionamento da comunidade, pelo que ainda levará algum tempo a consubstanciar-se. “Temos uma visão estratégica assumida e aberta ao futuro, uma consciência cívica, atenta e sensível para estas questões e temos também uma vontade política absolutamente determinada para desempenharmos esta responsabilidade que é a adaptação às alterações climáticas”, concluiu. Dentro da temática da Mobilidade Sustentável, uma das respostas estratégicas do Município de Loulé às alterações climáticas, os responsáveis municipais fizeram, no dia 22 de maio, a entrega

de bicicletas às escolas. Depois dos estabelecimentos de ensino da cidade de Loulé terem recebido um conjunto de bicicletas no âmbito da Semana Europeia da Mobilidade, desta vez a entrega foi feita à Escola Profissional de Alte, Agrupamento de Escolas Drª Laura Ayres, em Quarteira, e Escola EB 2,3 Dr. António de Sousa Agostinho, em Almancil. O sistema de uso partilhado será gerido por cada escola, tendo por base regras comuns de utilização, à semelhança de outras situações de empréstimos nas escolas, por exemplo dos livros. Os alunos registam-se como utilizadores com a devida autorização dos encarregados de educação e recebem um cartão de utilizador. O objetivo é claro: promover a mobilidade é claro: promover a mobilidade suave e, em simultâneo, sensibilizar a comunidade escolar para uma matéria determinante para o futuro do Planeta .

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AUTARQUIA DE OLHÃO ASSINA PROTOCOLO COM AGRUPAMENTO FRANCISCO FERNANDES LOPES

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Câmara Municipal de Olhão e o Agrupamento de Escolas Dr. Francisco Fernandes Lopes assinaram um protocolo de colaboração que permitirá aos alunos do agrupamento prosseguir com as atividades do Clube de Programação e Robótica, no valor de cinco mil euros. “Tendo em consideração que a educação é um pilar fundamental de uma sociedade mais justa, o Município definiu como uma das prioridades do atual mandato o apoio na área da educação, concretizado na adoção de medidas de política educativa que potenciem a igualdade de oportunidades e o sucesso educativo das crianças e jovens do concelho”, referiu na ocasião o presidente da Autarquia, António Miguel Pina.

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Já em anos letivos anteriores, a Autarquia de Olhão havia disponibilizado apoio financeiro para iniciativas específicas promovidas pelo Agrupamento, no quadro do desenvolvimento do seu projeto educativo, nomeadamente na aplicação prática dos conhecimentos na área das ciências e tecnologias. O projeto visado pelo protocolo agora assinado é o Clube de Programação e Robótica (Robótica XL), criado no ano letivo 2015/2016, que procura a promoção do sucesso escolar e o estímulo da curiosidade e interesse pelas áreas das ciências e das tecnologias junto dos alunos a partir do 1.º Ciclo do Ensino Básico. Concluído o ano letivo, verificou-se que o interesse dos alunos em participar nas atividades do clube se havia alastrado a alunos do 3.º Ciclo, dos cursos profissionais e dos cursos cientifico-humanísticos .


RECLUSOS DO ESTABELECIMENTO PRISIONAL DE OLHÃO AJUDAM NA LIMPEZA DA ARMONA

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m grupo de reclusos do Estabelecimento Prisional de Olhão está a participar, até dia 2 de junho, numa ação de limpeza nas praias da Ilha da Armona. Esta atividade resulta de um protocolo de cooperação entre a Câmara Municipal de Olhão e a Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais, assinado em fevereiro passado. A colaboração entre as duas entidades, que se insere na política de reinserção social e gestão articulada dos sistemas tutelar educativo e prisional da Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais concretiza-se, na prática, na disponibilidade por parte do

Município em colaborar na reintegração de cidadãos que se encontram a cumprir pena no Estabelecimento Prisional de Olhão. Este é um modelo de cooperação já testado no passado com resultados animadores. De recordar que os trabalhos de pintura do Pavilhão Municipal, que decorreram o ano passado, foram executados por reclusos do Estabelecimento Prisional de Olhão. Nesta ação concreta, que conta também com a parceria da Ambiolhão, os reclusos vão concentrarse na limpeza da costa da Ilha da Armona, para retirar os resíduos trazidos pelo mar durante o Inverno . #109 ALGARVE INFORMATIVO

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MUNICÍPIO DE OLHÃO REQUALIFICA PARQUES INFANTIS DO CONCELHO

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oi inaugurado, no dia 20 de maio, pelo presidente da Câmara Municipal de Olhão, António Miguel Pina, o renovado parque infantil da Fuseta, que sofreu uma intervenção profunda, inserida num conjunto de outras a decorrerem neste tipo de equipamentos em todo o concelho. Num investimento de cerca de 200 mil euros, estão a ser intervencionados, para além do parque infantil da Fuseta, o do Bairro 28 de Setembro. O projeto contempla ainda a construção de dois novos parques infantis, na Quinta João de Ourém e no Circuito de Manutenção de Pinheiros de Marim. “Ao longo deste mandato, temos dado passos de gigante no sentido de dotar Olhão de espaços, novos ou requalificados, que proporcionem aos olhanenses o bem-estar e a qualidade de vida 90 ALGARVE #109 INFORMATIVO

que merecem. Este conjunto de obras, quer nos parques infantis do concelho, quer no próprio Circuito de Manutenção de Pinheiros de Marim, é mais uma etapa desse percurso, que pretendemos continuar a trilhar”, destacou António Miguel Pina, defendendo que “as nossas crianças merecem ter espaços de lazer condignos, onde se possam divertir em segurança”. O renovado parque infantil da Fuseta, localizado junto ao cais de embarque, mantém a área de jogo e recreio, de forma a assegurar o mesmo número de equipamentos anteriormente existentes e a garantir a área de segurança das crianças. Os antigos equipamentos, que já não ofereciam condições de segurança, foram substituídos por um baloiço, uma mola, uma estrutura multifunções e um balancé de mola dupla.


No dia 1 de junho, será inaugurado o renovado parque infantil do Bairro 28 de Setembro. Neste equipamento, foi eliminada a areia existente na área de jogo e recreio e parte da área de lajetas de betão vermelho, de forma a ampliar a respetiva área de jogo. Em termos de mobiliário urbano, foi implantada uma pérgula de madeira, de forma a fornecer sombra, e um conjunto de mesas e cadeiras. No que diz respeito aos equipamentos de recreio, os mais pequenos vão passar a dispor de um baloiço, um jogo multifunções composto por uma torre e um escorrega e um balancé com molas para quatro crianças. No dia 16 de junho, Dia da Cidade, será a vez da inauguração de dois espaços novos, na Urbanização João de Ourém e no Circuito de Manutenção de Pinheiros de Marim. O primeiro, situado entre a Escola Professor Paula Nogueira e a Urbanização Quinta João de Ourém, inclui um espaço de jogo e recreio, que pretende colmatar as necessidades existentes até agora naquela zona em termos de espaços infantis. Na área envolvente ao espaço de jogo e recreio, foi introduzida uma zona pedonal livre de obstáculos, de forma a facilitar a circulação de todos os utentes, designadamente daqueles que apresentem mobilidade condicionada. De forma a tornar o equipamento mais aprazível, foram também plantadas diversas árvores e introduzidos bancos em betão. O equipamento infantil, de linhas contemporâneas, contempla uma estrutura multifunções, uma mola individual, uma mola oscilante de três postos, um baloiço e um escorrega. Já o novo parque infantil do Circuito de Manutenção de Pinheiros de Marim, faz parte de um conjunto de intervenções mais profundas que aquele espaço de lazer tem vindo a sofrer, orçadas em cerca de 200 mil euros. O equipamento, construído de raiz, contempla dois espaços distintos, destinados ao usufruto por parte de crianças de diferentes idades. É dotado de um baloiço, três molas, uma mola tripla e duas estruturas multiusos para diferentes idades .

APOIOS DE PESCA DA FUSETA VÃO SER REQUALIFICADOS EM BREVE O presidente da Câmara Municipal de Olhão, António Miguel Pina, assinou, no dia 19 de maio, o contrato da empreitada de requalificação dos apoios de pesca da Fuseta, uma das propostas dos munícipes que foi aprovada em dezembro passado, no âmbito do Orçamento Participativo promovido pelo Município. O contrato foi celebrado com a empresa Imoart – Arte e Decorações, Lda., pelo valor de 19 mil e 890 euros, na sequência de ajuste direto e respetivo despacho do presidente da Autarquia do passado dia 10 de maio. A obra, que tem um prazo de execução de 60 dias, prevê a realização dos trabalhos de afinação das portas dos abrigos de pesca com substituição dos batentes que se encontram deteriorados; reparação de pavimentos interiores em soalhos em alguns apoios de pesca e de todos os soalhos exteriores com aplicação de madeiras novas; colocação de novas caleiras inferiores; substituição de alguns elementos estruturais em madeira que se encontram deteriorados (prumos e traves inferiores); também as paredes exteriores em madeira serão lixadas com posterior aplicação de verniz. “Esta é a primeira das obras a que vamos dar início no âmbito das propostas aprovadas pelos olhanenses através do Orçamento Participativo 2016. É com grande satisfação que o fazemos, porque este era um dos grandes anseios dos pescadores e residentes da vila da Fuseta. Em breve, daremos início a outros projetos, também aprovados no âmbito da iniciativa do Município promovida no ano passado”, garantiu o autarca António Miguel Pina .

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PORTIMÃO É OFICIALMENTE CANDIDATA A CIDADE EUROPEIA DO DESPORTO EM 2019

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eve lugar, no dia 25 de maio, no salão nobre dos Paços do Concelho de Portimão, a cerimónia de candidatura de Portimão a Cidade Europeia do Desporto em 2019, com a presença da Presidente da Câmara Municipal de Portimão, Isilda Gomes; do Presidente da ACES Portugal (Associação Portuguesa das Cidades Europeias do Desporto), Nuno Santos; do Diretor Regional do IPDJ (Instituto Português do Desporto e da Juventude) Custódio Moreno; e da Vereadora do Desporto e Juventude da Câmara de Portimão, Ana Fazenda. A candidatura ficou oficializada com a entrega, por parte de Isilda Gomes, do Questionário – um documento onde estão contempladas as respostas a uma bateria de questões formuladas pela ACES Portugal, 92 ALGARVE #109 INFORMATIVO

tendo recebido, em troca, das mãos de Nuno Santos, a placa oficial que assinala a candidatura do Município. No seu discurso, o Presidente da ACES Portugal realçou que, uma vez que o objetivo deste evento é aumentar a taxa de participação desportiva das pessoas, o Município de Portimão tem um enorme potencial para receber este evento, dada a qualidade extrema das suas infraestruturas e equipamentos desportivos e a pujança do seu movimento associativo. Referiu ainda que Portimão não parte em desvantagem face a Cascais, a outra cidade candidata, pelo facto de ser um município mais pequeno, dando o exemplo de Gondomar ter superado, em 2017, a oponente Coimbra.


O Diretor Regional do IPDJ, Custódio Moreno, demonstrou enorme confiança na equipa da Câmara Municipal de Portimão, no seu knowhow e na sua experiência, para trazer esta distinção para outra cidade algarvia, depois de Loulé, em 2015. Realçou a quantidade e qualidade das infraestruturas desportivas do concelho, casos do Autódromo Internacional do Algarve, onde poderão ser realizados os desportos motorizados; da frente ribeirinha e as praias, ideais para a prática de todos os desportos náuticos; e dos vários estádios de futebol, desporto abrilhantado pela subida do Portimonense à primeira liga do futebol nacional. “O apoio financeiro do IPDJ a esta iniciativa, por norma na ordem dos 100 mil euros, poderá vir a ser reforçado em função do programa desportivo que for apresentado”, revelou Custódio Moreno, comentando ainda o facto de dois clubes portimonenses já se terem candidatado ao PRI – Programa de Requalificação das Infraestruturas Desportivas. Quanto a Isilda Gomes, fez questão de realçar que, ao contrário do que se tem falado, “esta candidatura não implica obras nem eventos faraónicos”, pelo que não será feito qualquer esforço financeiro substancial por parte da autarquia. “Portimão tem um orçamento para o desporto e a câmara assinou, ainda recentemente, contratos-programa com vários clubes e associações desportivas. Caso a candidatura do município saia vencedora, em 2019, o orçamento municipal será reforçado e

as associações que se candidatarem a apoios da Câmara terão de se comprometer com iniciativas concretas no âmbito da Cidade Europeia do Desporto”, explicou. A autarca sublinhou que esta iniciativa resulta, sobretudo, do esforço e compromisso do movimento associativo portimonense e que o objetivo da Câmara Municipal é que haja “uma mobilização global da sociedade portimonense em torno desta candidatura”. “Portimão já demonstrou no passado, em inúmeras ocasiões, estar preparado para receber eventos deste calibre, como aconteceu recentemente com a Taça do Mundo de Ginástica Rítmica, que foi considerada umas das mais bem-organizadas da história da competição”. Lembre-se ainda que Portimão vai ser também palco, em setembro, dos Eurovision Sports, evento que reunirá participantes de onze países para competir em 12 modalidades. Os títulos de Capital e Cidades Europeias do Desporto são atribuídos anualmente pela ACES Europe – o primeiro distingue uma capital de um país europeu ou cidade com mais de 500 mil habitantes; o segundo é atribuído a cidades europeias entre os 25 mil e os 500 mil habitantes. A ACES Portugal foi criada para apoiar a promoção das candidaturas provenientes das autarquias portuguesas, o que já sucedeu em seis ocasiões: Guimarães (2013); Maia (2014); Loulé (2015); Setúbal (2016); Gondomar (2017); e Braga (2018). Portimão concorre a 2019 com o Município de Cascais, sendo a decisão final de atribuição desta distinção conhecida em janeiro do próximo ano .

V6 VAI TER PASSADEIRA PARA PEÕES COM MOBILIDADE CONDICIONADA

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Avenida Lourenço da Barrosa (V6), a principal artéria da cidade de Portimão, será alvo de uma intervenção com o objetivo de construir uma passadeira sobrelevada no troço imediatamente a sul da grande rotunda com a Avenida Miguel Bombarda. Esta empreitada pretende dar resposta a inúmeras solicitações de cidadãos que, por motivos de mobilidade condicionada,

não conseguem utilizar a passagem área de peões que atravessa esta importante via. Os trabalhos implicam o estreitamento da via, em ambos os sentidos, pelo prazo de um mês, posto o que será retomada a circulação normal. Esta intervenção não implicará nem cortes nem desvios de trânsito, somente condicionamentos pontuais que estarão devidamente assinalados no local .

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MUSEU DO TRAJO DE SÃO BRÁS DE ALPORTEL REQUALIFICA ESPAÇO EXTERIOR

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Museu do Trajo de São Brás de Alportel, único a sul do Tejo, é uma referência da etnografia na região e no país, constituindo-se como um dos mais importantes polos de atração turística do município e um eixo central de desenvolvimento cultural da comunidade. Dado o seu relevante trabalho na valorização do património, na dinamização cultural e na integração da comunidade, o espaço, que é propriedade da Santa Casa da Misericórdia de São Brás de Alportel, tem vindo a merecer um amplo apoio por parte do Município de São Brás de Alportel. Desta feita, a autarquia aprovou, no dia 2 de maio, a atribuição de um apoio à Santa Casa da Misericórdia de São Brás de Alportel, no valor de 30 mil euros, para ajudar a entidade a custear as despesas com a obra de requalificação do espaço exterior do Museu do Trajo, para a criação de uma nova Eira. Esta constituirá um espaço polivalente a céu aberto, ideal para a realização de atividades temáticas, das mais diversas áreas, que virá em muito beneficiar o trabalho desenvolvido por este museu, cujo acervo é

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composto por mais de duas mil peças de vestuário de diferentes épocas da história do concelho e da região algarvia. Destaque igualmente a sua singular prática de museologia comunitária, e que tem sido objeto de estudo por parte de investigadores nacionais e internacionais. A obra de construção da nova Eira já teve início e inclui trabalhos de remoção de pavimentos de calçada, instalação da rede de infraestruturas de drenagem de águas pluviais e rede de águas, para além de outras remodelações. Na intervenção vai ser utilizado tijolo em cerâmica tradicional, fabricado em São Brás de Alportel, que será aplicado no novo pavimento, numa homenagem ao barro e aos telheiros tradicionais, setor com uma forte história no concelho. O novo espaço terá também a garantia da acessibilidade, cumprindo os princípios do Plano São Brás de Alportel acessível para todos, alargando a mobilidade a todos os utilizadores do Museu. As obras deverão ficar concluídas no final de junho, possibilitando a utilização da nova eira durante a época do verão, tão propícia à organização de atividades de exterior.


CELEIROS DE VILA DO BISPO VÃO DAR LUGAR A UM EQUIPAMENTO CULTURAL

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stá a decorrer o prazo para apresentação de propostas do concurso público da empreitada designada por «Reabilitação do edifício dos antigos Celeiros em Vila do Bispo – Equipamento Público de Ação Cultural EPAC O Celeiro da História», com valor base de um milhão, 75 mil e 831,41 euros, acrescidos de IVA à taxa legal em vigor, e com prazo de execução de 365 dias. Os trabalhos a realizar englobam a reabilitação e a ampliação dos antigos celeiros, que incluirá uma receção aos visitantes e uma cafetaria de apoio.

Trata-se de um espaço expositivo que vai juntar o espólio arqueológico, geológico, paleontológico e natural do concelho, nascendo, assim, um equipamento cultural. A empreitada é promovida pela Câmara de Vila do Bispo, que apresentou uma candidatura para cofinanciamento do equipamento cultural ao Programa Operacional Regional do Algarve, para um investimento total de um milhão, 225 mil e 92,89 euros e uma comparticipação financeira de 70 por cento .

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ANA CABECINHA CONQUISTA MEDALHA DE PRATA NA TAÇA DA EUROPA

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marchadora do Clube Oriental de Pechão, Ana Cabecinha, conquistou, no 21 de maio, a medalha de prata nos 20 km marcha na Taça da Europa de Marcha, concluindo a prova em 1:29.44 horas, o que corresponde à sua melhor marca da época. Em Podebrady, na República Checa, a atleta olhanense, que obteve o sexto lugar nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016, ficou a quase um minuto da vencedora, a italiana Antonella Palmisano. A campeã nacional Ana Cabecinha já obteve os mínimos para os Mundiais de Londres, que se 96 ALGARVE #109 INFORMATIVO

realizam em agosto, dois anos depois do quinto lugar alcançado em Pequim. Esta é a 6ª Taça da Europa de Marcha para Ana Cabecinha, que contabilizou, assim, a sua 31ª internacionalização. O melhor resultado na competição havia sido obtido em 2013, quando alcançou a quinta posição. Também Carolina Costa, jovem promessa do Clube Oriental de Pechão, se distinguiu na prova, obtendo o 10.º lugar na sua primeira participação numa Taça da Europa. Trata-se da quarta internacionalização da marchadora, que já alcançou os mínimos para participar no Campeonato da Europa de Juniores .


PESTANA HOTEL GROUP VAI CONSTRUIR UMA POUSADA DE PORTUGAL EM VRSA

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Pestana Hotel Group apresentou, no dia 22 de maio, uma nova Pousada de Portugal, no centro histórico de Vila Real de Santo António, fruto da continuada aposta do grupo na região, desta feita no Sotavento. O investimento de três milhões de euros num edifício patrimonial e de relevância arquitetónica permite dotar a Pousada com uma capacidade hoteleira de 57 quartos e 114 camas e gerar 30 novos postos de trabalho. A abertura está prevista para o verão do próximo ano. Na cerimónia de apresentação desta manhã, onde se assinou o contrato de arrendamento com a autarquia local, Luís Castanheira Lopes, Presidente do Grupo Pestana Pousadas, frisou a natureza histórica da nova Pousada. “Dada a relevância arquitetónica do conjunto de edifícios que vamos reabilitar, é intenção do Pestana Hotel Group dotar a nova Pousada de um conjunto de bens culturais que permitirá aos visitantes descobrir a sua riquíssima herança, que é aliás o DNA da rede Pousadas de Portugal, que celebra este ano os seus 75 anos”, sublinhou. De acordo com José Theotónio, CEO e

Presidente da Comissão Executiva, o Pestana Hotel Group continua fortemente empenhado na expansão nacional, em paralelo ao crescimento internacional. “Esta nova Pousada representa bem o nosso posicionamento sustentado no Algarve, através de um investimento qualificado e gerador de aumento de fluxos turísticos, que será um forte contributo para colocar Vila Real de Santo António no mapa do turismo mundial e a gerar mais economia para toda a comunidade local”, apontou. A localização única a Sul da cidade de Vila Real de Santo António, em plena fronteira com Espanha, faz desta região turística uma das mais recatadas do Algarve e com algumas das melhores praias do país, de clima temperado e águas quentes, agora também com uma Pousada de Portugal. A unidade abrirá portas antes do verão 2018 e as reservas começam no início do ano. De salientar que esta será a quarta Pousada de Portugal «algarvia» e a 17.ª unidade Hoteleira do Grupo Pestana no Algarve, onde o Pestana Hotel Group conta já com 16 unidades hoteleiras, 13 Pestana Hotels & Resorts e três Pousadas de Portugal (Palácio de Estói em Faro, Fortaleza de Sagres e Convento de Tavira) . #109 ALGARVE INFORMATIVO

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