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ALGARVE INFORMATIVO #108

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ALGARVE INFORMATIVO 20 de maio, 2017

CACHOPO SARA LAWRENCE À BOLEIA PARA HOLLYWOOD

MOSTRA DE TEATRO da Casa da Juventude de Olhão

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CONTEÚDOS ARTIGOS 10 - Jorge Botelho 18 - À Boleia para Hollywood 28 - Mostra de Teatro de Olhão 38 - Sara Lawrence 44 - Exposição Pedro Palma 50 - Cachopo 56 - Na Poeira do Caminho 66 - Atualidade

OPINIÃO 8 - Daniel Pina 58 - Paulo Cunha 60 - Mirian Tavares 62 - Cristiano Cabrita 64 - Adília César

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OPINIÃO O pior da humanidade… e do jornalismo também! Daniel Pina (jornalista)

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ivem-se, de facto, tempos hediondos. Mesmo sem estarmos numa guerra mundial, cometemse atrocidades de bradar aos céus. Todos os dias morrem pessoas em conflitos armados, guerras civis, perseguições políticas, porque são desta ou daquela cor, deste ou daquele credo religioso, desta ou daquela etnia. Ditadores à moda antiga são cada vez menos, felizmente, mas foram substituídos pelos ditadores dos tempos modernos, aqueles que chegaram ao poder não se sabe muito bem como, graças a manobras de bastidores, a campanhas de marketing que enganam os eleitores, a subornos pagos a dirigentes corruptos. Depois de estarem no poder, deixam ver a sua verdadeira face, já estão no poleiro e é uma carga de trabalho para os tirar de lá. Fazem o que querem, moldam as leis à sua vontade, ou quebram-na sem preocupações de maior, porque servem os interesses da máquina instalada e a máquina quer ver os seus interesses defendidos durante os quatro ou cinco anos que duram mais aqueles mandatos. Depois, temos o terrorismo, que sempre existiu, mas que agora se adaptou ao século XXI das novas tecnologias, dos meios de comunicação em massa, graças a uma nova geração de malfeitores, de fanáticos, que cresceram a ver televisão e a navegar na internet. Agora, o importante para os terroristas não é combater os «invasores» propriamente ditos, porque sabem que não têm meios humanos, bélicos e financeiros para lhes fazer frente no campo de batalha. O que interessa é matar seres humanos inocentes, que andam na sua pacata vida, do trabalho para casa e de casa para o trabalho, a passear, a fazer compras, nas grandes capitais europeias ou em cidades dos Estados Unidos da América, locais que estão constantemente a ser filmados por sistemas de vigilância. Isto significa que as imagens dos atentados, do sangue, dos mortes e feridos, chegam num ápice à comunicação social e é isso que interessa aos grupos terroristas do século XXI. E assim chegamos à comunicação social, nomeadamente às televisões e jornais, que estendem o tapete vermelho a estes terroristas, a estes fanáticos, a estes seres humanos sem coração nem alma, que lhes dão tempo de antena, que colocam nos seus sítios de internet os vídeos das chacinas. Mas também os vídeos dos crimes cometidos, no dia-a-dia, pelos cidadãos

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anónimos, das agressões nas escolas, do bullying, das cenas de violência doméstica, das violações, dos assassinatos. No século XXI, e com o boom do jornalismo online, a sobrevivência dos meios de comunicação não depende do número de pessoas que compra jornais e revistas, ou que assiste a este ou aquele programa. Muito menos interessa a qualidade do jornalismo que se pratica. Apenas interessa o número de visualizações que as páginas têm na internet e se, para isso, for preciso publicar um vídeo de uma jovem a ser violada num autocarro, que seja. Não interessa respeitar o código deontológico. Não interessam os valores morais e cívicos que nos deviam guiar a todos nós. E quando o jornalismo abre as portas a estes malfeitores, incentivam-se as pessoas a cometerem crimes banais sem qualquer necessidade ou pensamento nas consequências. O importante é gravar tudo com o telemóvel e enviar rapidamente para um jornal ou canal de televisão ou colocar diretamente no You Tube ou no Facebook. Não vale a pena criticarmos a postura desses jornalistas, chefes de redação, editores, porque eles obedecem às ordens que chegam de cima, dos patrões, dos proprietários, dos acionistas. Só interessam os clicks nas páginas do site, as visualizações das fotos e vídeos. Depois, a Entidade Reguladora para a Comunicação Social condena a atuação e passa uma multa, os órgãos de comunicação social pagam a multa e continuam a fazer mais do mesmo. Porque os proveitos de publicidades que foram gerados por aquele vídeo ou fotografia superam, e muito, o valor das multas. A história só muda se as penalizações forem maiores, se o crime deixar de compensar. Ora, se cometemos uma infração na estrada e ficamos sem carta de condução; se cometemos um crime e vamos para a cadeia; por que não retirar, definitivamente ou durante um período de tempo, a licença de atividade a esses jornais, revistas e canais de televisão, quando cometem essas atrocidades que em nada abonam a profissão do jornalismo, e muito menos prestam um serviço público. Assim, se calhar, já pensavam duas vezes antes de publicar tudo e mais alguma coisa, na luta incessante por terem mais visualizações do que a concorrência .


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ENTREVISTA

“O FUTURO É AGORA, ESTAMOS A TRANSFORMAR O ALGARVE NUMA SMART REGION”, AFIRMA JORGE BOTELHO O Algarve está empenhado em tornar-se uma região inteligente no mais curto espaço de tempo e prova disso foi a primeira edição do «Next.Mov – Smart Region Summit», que teve lugar, no Autódromo Internacional do Algarve, em Portimão, nos dias 18 e 19 de maio. A organização do evento esteve a cargo da AMAL – Comunidade Intermunicipal do Algarve, e algumas das experiências partilhadas por especialistas nacionais e internacionais deverão notar-se já no próximo ciclo autárquico, que se inicia com as Eleições Autárquicas de outubro.

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algarvios afinam pelo mesmo diapasão nesta importante matéria. “Todos com a mesma plataforma e sistema, com comunicações que funcionam, com soluções inteligentes para fornecer informação e adquirir bilhetes”, reforça o entrevistado.

Mobilidade que tem que ser sustentável do ponto de vista ambiental, para tornar o Algarve numa região «carbono zero», com soluções inovadoras e integradas que reduzam custos e sejam amigas do ambiente. “Na prática, em vez da ideia de um município inteligente, por que não termos uma região inteligente como um todo? Uma região onde os 16 concelhos partilham da mesma ideia de mobilidade, de incorporação das soluções tecnológicas, da ecologia, do ambiente, das energias alternativas”, questiona Jorge Botelho, garantindo que todos os autarcas

A mobilidade dentro da região é, de facto, um problema de longa data no Algarve, sobretudo para aqueles que não possuem viatura própria e que ficam, assim, dependentes dos transportes públicos, sejam eles rodoviários ou ferroviários. Os problemas são conhecidos e o caminho para os resolver terá que ser realizado por fases, indica Jorge Botelho. “Neste fórum realizado no Autódromo Internacional do Algarve tivemos sistemas de mobilidade, sistemas de sustentabilidade e eficiência energética, plataformas informáticas, para apresentar um conjunto de soluções que são amigas das cidades e das pessoas. A AMAL quer ser, cada vez mais, um parceiro dos municípios para fazer projetos que sejam bons para as pessoas, agregando as vontades dos 16”, volta a enfatizar o responsável da Comunidade Intermunicipal do Algarve.

obilidade urbana sustentável, transformação digital e governação do futuro estiveram no centro do debate do «Next.Mov – Smart Region Summit», organizado pela AMAL – Comunidade Intermunicipal do Algarve, no Autódromo Internacional do Algarve, nos dias 18 e 19 de maio. O evento contou com a presença de autarcas e de especialistas nacionais e internacionais e o grande objetivo foi procurar projetar as regiões inteligentes do futuro. “Há o desejo de que a AMAL tenha um papel preponderante neste processo de transformação e, para tal, as 16 câmaras municipais concordaram em colocar sob a sua alçada a questão da mobilidade e da mobilidade inteligente. Queremos que os transportes sejam amigos das pessoas e que elas consigam ir facilmente de um concelho para o outro através de um sistema rodoviário que integre os diversos circuitos urbanos existentes e que combine com os modos suaves”, começou por explicar Jorge Botelho, presidente da AMAL e da Câmara Municipal de Tavira.

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“Os autarcas e as pessoas que têm responsabilidade nesta região estão fortemente comprometidos com a modernidade, tecnologia, empreendedorismo e incorporação da inovação, para que sejamos uma smart region, com uma smart vision, adequada às necessidades atuais”.

planeadores do «amanhã» e a quem a Comunidade Intermunicipal do Algarve presta bastante atenção. “A AMAL posiciona-se, não só como um corpo administrativo, mas também, na ausência da regionalização, como uma instituição que age e tem projetos em nome dos 16 municípios e que faz

Um processo em que os jovens serão fundamentais, daí se justificando a forte presença de alunos do secundário no Next.Mov, por serem, teoricamente, os

sentido serem trabalhados, executados e candidatados, em conjunto, a fundos comunitários. Esta postura permite, seguramente, dar outra visibilidade do Algarve, junto do poder central, no #108 ALGARVE INFORMATIVO

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acesso a outro tipo de fundos para continuar com o trabalho. Somos «top» no turismo, temos cada vez uma economia menos sazonal, estamos a criar emprego, e queremos ser «top» também na área da mobilidade e da inovação”, defende Jorge Botelho.

UM ALGARVE SOLIDÁRIO, INTEGRADO E MODERNO A meta está definida, o caminho está traçado, resta saber como se consegue, depois, gerir as 16 fatias deste grande bolo que é o Algarve, sabendose que há concelhos que iniciaram mais cedo do que outros este processo de adaptação às novas realidades, e que nem todos têm as mesmas disponibilidades financeiras para adotar as medidas necessárias para se chegar a uma região inteligente. “Os autarcas têm uma forte consciência regional quando estão na AMAL e há projetos que são desenvolvidos diretamente pela associação, como é o caso deste da mobilidade. 14 ALGARVE #108 INFORMATIVO


Depois, há um conjunto de infraestruturas que serão realizadas pelas câmaras municipais, com algumas candidaturas. A nossa tarefa é ir integrando as várias partes, porque só teremos uma smart region se todos os 16 municípios estiverem envolvidos. Felizmente, à mesa da AMAL, tem existido sempre uma perspetiva de solidariedade territorial, para que todos partilhem de projetos comuns”, enaltece o entrevistado, que representa os seus colegas junto do Comissão Diretiva do CRESC. Como já frisou noutras matérias, Jorge Botelho não é apologista de municípios de primeira ou de segunda categoria, mesmo que alguns, com menos meios financeiros, estejam num patamar diferente em determinados projetos ou dinâmicas. E o processo da mobilidade não passa, exclusivamente, por reformular as frotas de transportes municipais, esclarece o edil tavirense. “Há questões como, por exemplo, comprar um bilhete integrado para ir de uma ponta à outra do Algarve e não ter que parar durante o trajeto para adquirir bilhetes intermédios. Ou as estações estarem mais ou menos harmonizadas. Queremos ter soluções tecnológicas que nos façam gastar menos dinheiro, para libertarmos mais fundos para outros investimentos”, enfatiza. Um percurso feito, então, por patamares e que envolve entidades públicas e privadas. Quanto ao «Smart Region Summit», demonstrou que o Algarve está a combater as suas assimetrias regionais e os contributos dos diversos especialistas servirão, certamente, para a elaboração de propostas concretas que possam ser discutidas com o poder central. “No fim do

caminho, quem ganha é o cidadão, porque o Algarve terá respostas de excelência e ao nível do melhor que se faz no mundo. Precisamos de mais ciclovias, viaturas mais sustentáveis, melhores vias de circulação, sinalética adequada, eliminar os pontos negros em termos de sinistralidade. Esta é uma realidade que já existe e que precisa ser transportada para o plano regional, para que as pessoas tenham o mesmo atendimento e qualidade de serviço e respostas integradas. O Algarve tem que ser mais do que a soma dos 16 concelhos”, salienta o presidente da AMAL. Da teoria para a prática será, entretanto, um passo rápido, porque a estratégia da AMAL está perfeitamente definida e foi efetuado um plano de alinhamento com a CCDR, entidade que gere os fundos comunitários na região. “Às vezes há a ideia de que as coisas não acontecem, apesar de estarem escritas no papel, dos planos estarem feitos, mas, comigo, elas acontecem. Montar um fórum desta envergadura, e com esta dimensão, nunca é fácil, mas temos uma excelente equipa na AMAL, pessoas que trabalham, que se motivam e movimentam. À volta, há um conjunto de câmaras municipais empenhadas em que este processo seja um sucesso”, analisa Jorge Botelho, acreditando que alguns resultados deste trabalho se notem já no próximo ciclo autárquico. “O atual quadro comunitário vai de 2014 a 2020 e é neste período que as coisas têm que acontecer. O futuro é agora e estamos a transformar o Algarve numa smart region” . #108 ALGARVE INFORMATIVO

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REPORTAGEM

Teatro das Figuras aplaudiu «À Boleia para Hollywood» com Cláudia Vieira Texto:

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Teatro das Figuras, em Faro, apresentou, no dia 13 de maio, «À Boleia para Hollywood», obra de Neil Simon, traduzida por Fernando Villas-Boas e encenada por Cucha Carvalheiro, que tem no elenco com Cláudia Vieira, João Lagarto e Sofia de Portugal. A peça conta a história de Libby Tucker, uma jovem difícil, de espírito forte, que atravessa os Estados Unidos da América, de Nova Iorque para Los Angeles, supostamente para «estar nos filmes». Esse é, contudo, o meio que Libby encontra para restabelecer a ligação com o seu pai, o dramaturgo Herb Tucker, um escritor não muito bem-sucedido e em permanente bloqueio criativo, e que também tem problemas de comunicação com a sua companheira, Steffy. 20 ALGARVE #108 INFORMATIVO

A chegada de Libby força os três personagens a resolver as suas vidas emocionais, numa luta tão bemhumorada quanto dramática que coloca em palco um dos rostos mais conhecidos e queridos da nova vaga de atores portugueses, Cláudia Vieira. “É um registo muito diferente da televisão, por ser em direto, num teatro, com o público à nossa frente, mas porque a Libby Tucker também é bastante diferente de mim e das personagens que tenho vindo a interpretar. Foi um desafio maravilhoso e acredito que, quem estiver connosco no sábado, no Teatro das Figuras, vai gostar de ver”, afirmou a atriz, que já acalentava este sonho há alguns anos. “Tinha uma grande vontade de voltar a trabalhar


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com a Cucha Carvalheiro, que fez parte da direção artística do meu primeiro projeto de representação, os «Morangos com Açúcar». A Cucha entendeu que este espetáculo do Neil Simon era ideal para mim, por ter apenas três atores e os ingredientes certos para agradar a quem vai ao teatro, que é poder emocionar-se, mas também dar umas boas gargalhadas”. Três personagens em cena, o que significa que as atenções do público estão permanentemente concentradas nos atores, não há tempo para pausas, como em produções com elencos maiores. E «À Boleia para Hollywood» são duas horas em palco, com somente um intervalo, sem os «ação» e «corta» típicos da televisão ou do cinema, sem repetições quando as falas não saem logo à primeira, quando os nervos originam pequenos enganos. “É trabalhar sem rede, tem tudo que funcionar bem, mas andamos a trabalhar neste espetáculo durante dois meses, sempre a ensaiar e a descobrir coisas novas, para que ficasse montado da forma 22 ALGARVE #108 INFORMATIVO


mais apetecível para o público. A Libby tem um sentido de humor muito apurado, assim como o meu pai, a personagem interpretada pelo João Lagarto, e a história é extremamente interessante. Ela não vê o pai desde os três anos de idade e, quando vai ao seu encontro, aparece com um discurso de mulher bastante confiante – que não é – e em busca de uma oportunidade para representar em Hollywood”, revelou Cláudia Vieira. A peça faz rir, mas tem, igualmente, uma faceta mais densa, dramática, sensível e o objetivo de Cláudia Vieira, desde o primeiro minuto, foi fazer algo que a realizasse pessoal e profissionalmente. “Há sempre uma

grande ansiedade quando se sobe ao palco, independentemente de se ter mais ou menos experiência. Tudo depende das características de cada um, de como lidamos com estes momentos de pressão. Depois, quando a peça começa, tudo flui com naturalidade”, referiu, adiantando que «À Boleia para Hollywood» estreou recentemente na Madeira, sendo Faro a segunda data da digressão. “Na Madeira sentimos o público bastante ao nosso lado, muito efusivo, satisfeito com o que estava a ver, e espero que a experiência se repita agora no Teatro das Figuras”, indicou a atriz, expetativa que se viria a confirmar, com a assistência a reagir entusiasticamente à peça, rindo quando

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era para rir, mantendo o silencia nos momentos mais dramáticos. Uma estreia em grande estilo no teatro, depois de muitos anos ligada à televisão, às séries, às telenovelas, aos filmes de cinema, mas os fãs de Cláudia Vieira podem ficar sossegados, porque a atriz vai continuar a entrar-lhes pela casa adentro através do pequeno écran. “Gosto bastante de fazer televisão, embora haja quem pense que é uma forma menos digna de representar. Discordo totalmente, são apenas técnicas e fórmulas diferentes de trabalhar. No teatro, a construção de uma personagem para uma peça faz-se com bastante antecedência e, depois de 24 ALGARVE #108 INFORMATIVO

se encontrar o registo certo, ele mantém-se até ao final. Na televisão, as personagens são mais abertas, os seus traços de personalidade podem alterarse para responderem melhor à história”, comparou Cláudia Vieira. “Por outro lado, na televisão, temos que passar, de repente, de uma cena neutra, descontraída, de dar umas gargalhadas, que faz parte do episódio sete, para uma cena de choro que pertence ao episódio 27. Tudo é representar, tudo é fazer de conta, mas com métodos diferentes”, finalizou, radiante por mais uma noite de sonho, desta vez em Faro, no Teatro das Figuras .


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REPORTAGEM

OLHANENSES EXIBIRAM OS SEUS DOTES TEATRAIS

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Inserido na 6.ª Mostra da Juventude de Olhão, o Auditório Municipal de Olhão recebeu, no dia 13 de maio, o Teatrão, uma coletânea dos trabalhos teatrais desenvolvidos pela Casa da Juventude de Olhão. Dos experientes atores da Companhia de Teatro A Gorda aos mais pequenos, todos recolheram um forte aplauso do público que encheu a principal sala de espetáculos do concelho, comprovando o apreço que os olhanenses têm pelo teatro. Texto:

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Teatrão - Mostra de Teatro da Casa da Juventude de Olhão é um dos momentos mais aguardados da Mostra da Juventude de Olhão, que está a decorrer ao longo do mês de maio na Cidade da Restauração. Por isso, não foi de admirar que, mesmo em dia de visita do Papa Francisco a Fátima e da conquista do tetra-campeonato de futebol pelo Benfica, o Auditório Municipal de Olhão tenha registado uma excelência moldura humana para se assistir a quatro produções de grupos de diferentes faixas etárias, num total de 50 elementos. Realizado com o apoio da Sociedade Recreativa Olhanense e da Companhia de Teatro A Gorda, o Teatrão é o reflexo da grande tradição que existe na Casa da Juventude de Olhão, desde a sua 30 ALGARVE #108 INFORMATIVO


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fundação, há 13 anos, no campo da representação. “Esta tarde, começamos por ver um exercício teatral com crianças dos 6 aos 13 anos, para demonstrarem o que foram desenvolvendo no âmbito da expressão dramática. Não é propriamente uma peça, mas é importante terem experiência em algumas áreas e técnicas em frente ao público”, explicou João Evaristo, Chefe de Serviço da Cultura e Juventude da Câmara Municipal de Olhão. Um segundo momento da tarde foi interpretado por jovens dos 13 ao 19 anos, onde participaram alguns alunos da Escola Secundária Tomás Cabreira, de Faro, que estão a estagiar na Casa da Juventude de Olhão. Seguiu-se uma pequena peça da responsabilidade de dois jovens que também estão a tirar o curso de representação da Tomás Cabreira, antes de subir ao palco «Seis Retratos à la Minuta», seis histórias ficcionadas sobre Olhão. A produção é da chancela da Casa da Juventude de Olhão, mas existem, conforme referido, algumas parcerias, nomeadamente com a Sociedade Recreativa Olhanense, onde decorrem os ensaios, e com «A Gorda», que trata da componente da produção, figurinos e recursos técnicos. “São textos da minha autoria, se assim se pode dizer. Basicamente, 32 ALGARVE #108 INFORMATIVO


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falo com muitas pessoas, que me contam histórias, e eu depois faço a dramaturgia”, explica João Evaristo. Ficou, entretanto, mais uma vez provado o gosto que os olhanenses têm pelo teatro, sobretudo pela produção local, e os espetáculos realizados no Auditório Municipal de Olhão têm tido, invariavelmente, lotação esgotada. “A cultura é contagiosa, as pessoas vão-se habituando a ver, vão aprendendo estas linguagens artísticas. Só se pode gostar daquilo que se conhece”, considera João Evaristo, acrescentando que igual sucesso têm as vertentes de dança e música. Quanto ao «Mostrate», é para continuar, sem dúvida. “Há sempre duas ou três atividades a acontecer por dia, num total de perto de uma centena durante o mês de maio, envolvendo toda a juventude olhanense. E as entidades vocacionadas para trabalhar junto dos mais jovens são incansáveis neste concelho”, termina o dirigente associativo, ator, encenador e dramaturgo . 34 ALGARVE #108 INFORMATIVO


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SARA LAWRENCE

ENCANTA COM «TAR ROAD» E EP DE ESTREIA ESTÁ PARA MUITO BREVE O programa musical das comemorações do Dia da Cidade de Quarteira foi bastante rico e um dos nomes em maior destaque foi o de Sara Lawrence, que subiu ao palco ao lado dos «The Bullets» para dar a conhecer o seu primeiro trabalho de originais. Texto:

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ara Lawrence & The Bullets subiram ao palco instalado na Praça do Mar, em Quarteira, na noite de 13 de maio, mas uns dias antes já o single de estreia desta quarteirense de 27 anos, «Tar Road», se podia ouvir nas rádios e em diversas plataformas digitais. Uma música onde a voz de Sara salta de imediato à vista, num pop/rock de tonalidade norte-americana, com umas pitadas de blues, folk e indie, que foi ganhando corpo, devagar, à medida que passava da adolescência para a idade adulta. Por isso, só quando andava na universidade, a tirar o curso de Ciência Política, é que, depois de concluídas as tarefas académicas e domésticas, pegava na guitarra e começava a cantar, para desanuviar a mente. Finalizada a licenciatura, não chegou a exercer a profissão, uma vez que regressou ao Algarve para ajudar num dos negócios de família, o Bar Boomerang, em Vilamoura, onde tocava também música ao vivo com o irmão Marc Policarpo. “Há cerca de dois anos comecei a escrever e depressa compreendi que era isso mesmo que me apaixonava. Compor sempre foi uma espécie de terapia para mim, quando estava irritada ou chateada, passava essas emoções para o papel e isso ajudava-me a lidar com as situações”, conta Sara, confirmando que o inglês foi uma opção natural, não premeditada. “Já escrevi poemas em português, curiosamente mais vocacionados para o rap, porque um dos meus objetivos também é criar temas para outros artistas. Mas esses ainda estão na gaveta. Quando componho para mim é mais fácil, mostro logo ao meu irmão e a outras pessoas em cujos gostos musicais confio”, revela. 40 ALGARVE #108 INFORMATIVO

A guitarra é uma companheira de longa data, mas garante que não é nenhuma craque, serve apenas para ajudá-la na vertente harmónica e melódica enquanto está a escrever. “O meu instrumento é a voz”, sublinha. “No início, gravava as músicas naqueles programas mais básicos de computador para perceber o que tinha que melhorar. O processo só se tornou mais profissional com o decorrer dos anos, quando fui para Lisboa. O Pedro VillasBoas, dos estúdios «Namouche», interessou-se pelo meu trabalho, chamou o meu produtor, o Flávio Cristóvão, um músico fantástico, cheio de talento, e começamos a desenvolver os temas para um EP, que ainda não está terminado porque eu sou super perfecionista”, reconhece Sara Lawrence. Já disponível está «Tar Road», espalhada pelos quatro cantos do mundo através das plataformas digitais, a entrar-nos pela casa adentro por via da rádio, uma sensação indiscritível, conta


Sara, assim como será o espetáculo na Praça do Mar, no âmbito do Dia da Cidade de Quarteira. “O nervosismo é normal nestas ocasiões, mas estou muito ansiosa por mostrar as minhas músicas e receber o feedback das pessoas. Vai ser um concerto para os amigos e família, o que me deixa bastante feliz”, antevia a artista, explicando que as suas letras falam de emoções, de amores e desamores, de acontecimentos do quotidiano. “Falo dos meus princípios, daquilo que me irrita, das

coisas com as quais não concordo. Tento ser o mais transparente possível e escrevo o que me sai na altura. Não estou a pensar qual vai ser a reação dos outros, nem me interessa fazer parecido ao que está no top. São as minhas emoções em estado puro, não faço nada de que não gosto”, garante. Entretanto, a vida de Sara Lawrence anda num corrupio constante, do Algarve para Lisboa, onde fica o estúdio #108 ALGARVE INFORMATIVO

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e de onde são os elementos dos «The Bullets», e de Lisboa para o seu «Algarve», onde se inspira e recarrega as energias. “Sinto-me mais feliz quando estou ativa, com coisas para fazer. Claro que pesa em termos monetários, mas estou a perseguir o meu sonho e o objetivo é fazer carreira na música”, aponta a entrevistada. “Vou dar o meu máximo para levar a minha música ao maior número possível de pessoas, mas não vou fazer uma coisa mais «comercial» só para vender, só porque sim. Acredito verdadeiramente que, quando lutamos por aquilo que queremos, os sonhos se tornam realidade”. Um caminho onde terá pela frente toda uma geração de vedetas instantâneas, jovens que saltam para o estrelato, de um momento para o outro, por participarem num programa de televisão, por terem 42 ALGARVE #108 INFORMATIVO

uma música numa novela ou série, por terem milhares de visualizações no You Tube. Nada disso apoquenta, contudo, Sara Lawrence. “Cada um faz o que quer e como acha que deve fazer. O que sei é que ninguém consegue nada sem trabalho, não basta aparecer na televisão para o mundo ser fantástico para sempre”, observa, de pés bem assentes no chão. “Faço a minha própria promoção, tenho a sorte de ter muitos amigos que me ajudam nessa matéria, e estou a construir uma equipa bastante profissional para levar o projeto para a frente. Já estão mais concertos marcados para o Verão e outras datas vão surgir pelo caminho. Os meus pais sempre me apoiaram imenso nas decisões que tomei, estou feliz da vida e, agora, é promoção, promoção, promoção”, termina Sara, com um sorriso .


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CONVENTO DO ESPÍRITO SANTO ACOLHE EXPOSIÇÃO DE PEDRO PALMA Texto:

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Galeria de Arte do Convento do Espírito Santo, em Loulé, recebe, até 17 de junho, a Exposição «O Tempo em que a Hora mudou», de Pedro Palma, com curadoria de João Moniz. Nas suas construções, Pedro Palma inova a técnica do vidro com suportes, ferramentas e técnicas não convencionais, estabelecendo reflexões, análises simbólicas sobre questões, relacionadas com a ideia do tempo, tempo espaço e obra, triângulo abissal, aqui e além, o subjetivo no concreto, a dialética da forma e a síntese desse formalismo. Na sua interioridade, a dádiva da existência quase mística, na sua peregrinação passando pela linha minimal, em sulcos composições sucessivas, variando no mesmo, sendo o outro. Inova com uma linguagem própria, não tendo compromissos maiores com materiais ou técnicas, que ele emprega em cada obra. Sentimos neste minimalismo o extraordinário fazer, fazer realizar, concretizar em algo físico no limite do real, passando pela profunda observação, reflexão e interpretação dos seus princípios e ideias. A iniciação está lá, não se deixando enganar pela facilidade mercantil de produzir para agradar. Estamos perante um criador em constante evolução da pintura passando para a técnica do vidro, varrendo cada etapa para chegar no presente a um processo de construção de um trabalho cujo tema é sentir que a arte é um tudo num tudo. O vidro liberta-se, foge, respira para um oriente já pensado por ele para nós, ele, esse feito maravilhoso que é a transmissão do poder criativo, obra amorosa de uma caravela em vidro desenhada em múltiplas linhas, fragmentos, partindo do seu pensamento numa viagem sem fim na sua persistência solitária.

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Pedro Palma nasceu a 18 de abril de 1985, em Setúbal, cidade onde viveu e estudou até ao final do ensino secundário. Na adolescência mudou-se para Lisboa onde seguiu os estudos, e se licencia no curso de Pintura na Faculdade de belas Artes da Universidade de Lisboa. Seguiu os estudos académicos frequentando o mestrado de Arte e Ciência do Vidro na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa. Em 2013 recebeu uma bolsa de estudo da Fundação Calouste Gulbenkian e da Fundação Luso-Americana. Teve então oportunidade de desenvolver o seu trabalho em vidro, na School for American Crafts do Rochester Institute of Technology em Nova Iorque durante três meses. Finalizou o mestrado em 2014 e foi convidado a trabalhar como assistente de estúdio no Mestrado de Arte e Ciência do Vidro até à data. Em simultâneo, começou a residência no Carpe Diem Arte e Pesquisa onde desenvolveu um projeto de intervenção no palácio, que foi enquadrado no ciclo de exposições coletivas, realizadas em setembro de 2015. Em 2016, trabalhou como assistente para a artista Belen Uriel, durante meio ano. Recentemente Pedro Palma expôs uma obra sua numa exposição coletiva, European Glass Context, em Gronbechs Gards, Bornholm na Dinamarca . 46 ALGARVE #108 INFORMATIVO


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REPORTAGEM

CACHOPO Das 332 candidaturas apresentadas ao concurso «7 Maravilhas de Portugal – Aldeias», apenas 49 foram eleitas em sete diferentes categorias: «Aldeias Autênticas», «Aldeias-Monumento», «Aldeias Ribeirinhas», «Aldeias em Áreas Protegidas», «Aldeias Remotas», «Aldeias de Mar» e «Aldeias Rurais». No concelho de Tavira situa-se a aldeia de Cachopo, pré-finalista na categoria de «Aldeias Rurais». Texto:

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achopo está situado no concelho de Tavira, num vale da Serra do Caldeirão, sendo a freguesia composta por 53 lugares. Os seus habitantes dedicam-se sobretudo à agricultura, pecuária e apicultura e ali se cultivam produtos tipicamente algarvios como o mel, aguardente, cortiça e linho, possuindo ainda as tradicionais oficinas de ferreiro e de albardeiro. A arquitetura da freguesia é caracterizada por casas em xisto e caiadas, fornos comunitários, eiras, fornalhas e chaminés rendilhadas. Na zona encontram-se moinhos de vento e de água, construções destinadas à transformação de cereais a partir da energia eólica e hidráulica. Destaque igualmente para um conjunto de percursos pedestres homologados e dinamizados pela Associação In Loco que atraem muitos visitantes.

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No plano do património histórico, realce para a Igreja de Santo Estêvão, conhecida também como Igreja Paroquial de Cachopo, localizada no ponto mais alto do centro da aldeia, tendo sido, noutros tempos, destino de peregrinações. Composta por três naves e um altar-mor, apresenta várias imagens do século XVIII, retratando São Sebastião, Santa Ana, Nossa Senhora das Dores e Santo Estêvão, o padroeiro da freguesia. A sua construção iniciou-se em 1535 e foi diversas vezes reconstruída pelos habitantes, até ser totalmente modificada na década de 50 do século passado, altura em que foi removida toda a talha dourada existente. Outro ponto de interesse é o Núcleo Museológico do Cachopo, instalado na antiga casa dos cantoneiros e onde se retrata a cultura e os costumes do povo da serra. Expõe aos visitantes as características etnológicas, históricas e etnográficas da localidade de #108 ALGARVE INFORMATIVO

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Cachopo, com um espólio constituído por alfaias agrícolas, mobiliário, vidro, metal, metrologia, cerâmica, traje, equipamentos e utensílios. A Fonte Férrea, datada de 1820, é outro dos atrativos de Cachopo, situada num vale à entrada da freguesia, rodeada de árvores e com um riacho que corre durante quase todo o ano. Outrora foi um local muito frequentado pela qualidade das suas águas, para tratar casos de anemia e outras doenças provocadas pela deficiência em ferro. Em meados dos anos 90, a Junta de Freguesia de Cachopo, com o apoio da Câmara de Tavira, iniciou os trabalhos de recuperação e ajardinamento deste espaço, transformando-o num local de lazer. Envolvidos por uma beleza natural, abraçados por sobreiros, oliveiras e vegetação silvestre, o parque de merendas e a piscina são, atualmente, a menina dos olhos das gentes de Cachopo . 54 ALGARVE #108 INFORMATIVO


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OPINIÃO

Canções há muitas… Paulo Cunha (Professor)

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á em fase de misturas finais e de masterização, e após ter levado o meu filho comigo para o estúdio de gravação, apercebi-me, já em casa, que havia uma das canções que o Miguel trauteava insistentemente. Perguntei-lhe se era aquela a canção que mais gostava, e porquê? Respondeu-me que sim, e no alto dos seus três anos disse-me apenas que a música era «gira». Referia-se, evidentemente, ao refrão que facilmente «ficava no ouvido». Bem dito, bem feito… Estava escolhida a música que iria abrir o cd! Se agradava e despertava a atenção a uma criança, que na sua ingenuidade e simplicidade a escolheu (tornando-a sua), então seria essa a música que desempenharia o papel de cartão-de-visita do trabalho discográfico. Anos volvidos, o tempo mostrou-me que eu estava certo, pois a dita ainda hoje se ouve… nem que seja no toque do meu telemóvel! Ora, o que torna então uma canção atrativa, apetecível, consumível e intemporal? É uma resposta que poderá ser fácil de responder, mas que na prática se torna difícil e árdua de concretizar! Muitas vezes não sabemos a razão pela qual uma melodia cantada nos coloca uma lágrima no canto do olho, nos faz a pele ficar toda arrepiada, ou nos provoca um «friozinho» na espinha. Há por certo uma conjugação de fatores que «mexem» com a nossa sensibilidade. Fatores esses que nos condicionam e nos conduzem para uma rápida apreciação e eficaz aceitação de algumas canções em detrimento de outras. Por isso, são cada vez mais os arranjadores e produtores musicais que, tal como designers de moda, «vestem» muita da música que, despida de quaisquer influências, nasce virgem da criatividade e inspiração do compositor. As fórmulas são muitas, mas não há fórmulas certas… felizmente! Há quem musique uma letra/poema; há quem escreva uma letra/poema para uma melodia; há quem crie a letra e a música em simultâneo; há quem componha a melodia em função da harmonia; há quem componha a harmonia em função da melodia; há quem queira acompanhamento rítmico; há quem privilegie apenas o ritmo associado à melodia; há quem crie apenas para um determinado intérprete; há quem interprete só determinadas criações; há quem faça os arranjos instrumentais e produza as suas obras; há quem deixe os arranjos e a produção nas mãos de

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outrem; há quem componha por encomenda; há quem componha por necessidade; há quem componha por inspiração… Enfim, uma panóplia de opções que não garantem o êxito e a consagração duma canção no mural das músicas que a passagem do tempo não apagou, mas que misturadas nas proporções certas - e com o precioso «empurrão» da promoção e da divulgação - poderão tornar-se pérolas musicais resistentes à passagem e corrosão do tempo. Tendo em conta os considerandos atrás referidos, coloca-se então a questão nuclear e primordial para quem vive da música e para a música: como manter o seu público satisfeito e fidelizado? Compor em função do consumidor, compor em função dos intérpretes ou compor unicamente o que dita a inspiração? É que, por mais inspirados que os músicos sejam, se a música não provocar no público o tal «clic» que o faz comprar discos e ir aos concertos, não haverá, por certo, vontade que sempre prevaleça e carreira que sempre dure. É provavelmente, mais uma vez, na soma das partes que poderemos encontrar a solução para estas dúvidas que todos os dias pairam nas mentes dos músicos portugueses. Devido à ausência continuada de uma educação estética e artística de base, colhemos hoje os frutos do vazio formativo que se instalou em determinadas áreas artísticas. Os resultados são os que estão à vista, basta ligar os canais generalistas de TV e analisar a programação musical (feita à medida) dos programas de «entretenimento». Mas como em tudo na vida não convém generalizar, pois constata-se também que o sentido crítico e o bom gosto têm vindo paulatinamente a ganhar adeptos nas gerações mais novas. Crescimento intelectual e cultural que é hoje fruto do investimento empenhado e abnegado de muitos pais que, fazendo o possível e o impossível para garantir a formação artística dos seus educandos, têm feito mais pelo crescimento cultural deste país do que muitos governantes juntos. É também esse o segredo duma boa canção, o investimento público na formação de um público que a saiba ouvir, entender, apreciar, interpretar e valorizar. De canção em canção, façamos nós também a canção da nossa vida. Bem precisamos! .


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OPINIÃO

A falta de jeitinho brasileiro Mirian Tavares (Professora) A virtude moral é uma consequência do hábito. Nós nos tornamos os que fazemos repetidamente. Ou seja: nós nos tornamos justos ao praticarmos atos justos, controlados ao praticarmos atos de autocontrole, corajosos ao praticarmos atos de bravura. Aristóteles

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emos a fama, e algumas vezes o proveito, de sermos um povo malemolente, afável e cheio de manha. Em meados dos anos 70, uma publicidade de cigarro ilustrava, e consagrava, o tal «jeitinho brasileiro» – uma espécie de capacidade inata de dar volta às coisas, de contornar as leis e de resolver tudo de forma simpática, sem fazer grande estrilho. O tal jeitinho virou até lei: a lei de Gerson, jogador de futebol famoso na altura que proclamava no reclame: “Gosto de levar vantagem em tudo, certo? Leve vantagem você também”. A questão ética era vista como um pormenor sem grande significado. Oscar Wilde disse que “chamamos de ética o conjunto de coisas que as pessoas fazem quando todos estão olhando. O conjunto de coisas que as pessoas fazem quando ninguém está olhando chamamos de caráter”. A ética, e mesmo o caráter, do brasileiro, foi duramente vilipendiada neste anúncio. O jogador que o protagonizou, e que deu nome à lei, arrependeu-se mais tarde da sua associação a tal publicidade. Para tentar dar volta ao assunto, fezse um segundo anúncio que explicava que levar vantagem não é passar ninguém para trás, mas chegar à frente. O segundo anúncio caiu no esquecimento e a lei de Gerson, infelizmente, perdurou na memória nacional. Estamos a viver um momento especialmente delicado no campo da política. Os representantes eleitos pelo povo têm demonstrado que usam, no seu dia-a-dia, o tal jeitinho para obter vantagens pessoais, passando por cima de quem os elegeu e do próprio sentido de civismo ou de cidadania. Os 60 ALGARVE #108 INFORMATIVO

eleitores, que se sentem ultrajados, decidem, ou pensam decidir, o futuro do país nas redes sociais, muitas vezes recorrendo a um discurso de ódio que nega a fama do brasileiro afável. Claro que há honrosas exceções. Deve haver honrosas exceções. Se não na classe política, pelo menos entre as pessoas de bem e de bom senso que querem, e que sonham, com um país melhor. Cresci ouvindo dizer que o Brasil era o país do futuro. E, durante um breve instante, assim o foi. O futuro é agora e após o golpe que destituiu a presidente eleita democraticamente, estamos prestes a ver o golpista, que assumiu a presidência, ter o mesmo destino. Porque, ao usar do tal jeitinho, deixou um rasto que agora o condenará. Nos anos 90 pintei a cara como muitos jovens, e não só, da minha geração. Fui às ruas lutar pela democracia e por um país melhor, por um país sem jeitinhos, por um país em que pudéssemos confiar e no qual gostaríamos de viver. Passados muitos anos, outras pessoas foram às ruas por uma ou por outra razão. Agora, o país atravessa a maior crise dos últimos anos. Estou por aqui estes dias, de passagem, e expectante, a ver o que vai acontecer. Uma amiga me enviou uma mensagem: então, foste ao Brasil derrubar o governo? Quem me dera que ele caísse. E que caísse com ele o maldito jeitinho e que nos devolvessem a nossa afabilidade. E que o futuro prometido se realizasse. De preferência aqui e agora .


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OPINIÃO Carta aberta ao Ministro Pedro Marques:

A EN125 e a operação de cosmética da Infraestruturas de Portugal Cristiano Cabrita (Investigador universitário)

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Infraestruturas de Portugal – responsável pela requalificação da EN125 – devidamente instruída pelo gabinete de comunicação do Ministério do Planeamento e das Infraestruturas, enviou esta semana uma nota de imprensa à comunicação social apontando o “dia 30 de junho como data de conclusão dos trabalhos de requalificação do troço da EN125 entre Vila do Bispo e Olhão”. Mais à frente, o mesmo comunicado refere que, “apesar dos naturais constrangimentos à circulação rodoviária que provocam, estão agora na sua fase final e estarão concluídas aquando da época de Verão, altura de maior fluxo de turistas à região do Algarve”. A cereja no topo do bolo é guardada para o fim, quando afirma: “A conclusão deste conjunto de trabalhos irá melhorar significativamente as condições de mobilidade e segurança dos milhares de utilizadores da EN125, uma estrada de elevada importância para toda a região do Algarve e que nos últimos anos tem sofrido com este prolongar das obras”. Vamos por partes. Em primeiro lugar, não acredito que as obras estejam concluídas até 30 de junho. Não se trata de ser pessimista, basta fazer contas e ver a lentidão dos recentes trabalhos para chegar a uma conclusão simples sobre esta matéria. Em segundo lugar, devo dizer que, num misto de tormento e estupefação, o que apenas revela a ignorância e o desnorte de quem está no Governo, li a seguinte frase: “as obras estarão concluídas aquando da época de Verão, altura de maior fluxo de turistas à região do Algarve”. Sugiro que o Sr. Ministro Pedro Marques troque umas impressões com o seu homólogo Manuel Cabral. Então a Secretária de Estado do Turismo, Ana Godinho, anda numa roda-viva a promover o Algarve como um destino turístico para todo o ano e V. Exa vem dizer que a época de Verão só se inicia a partir do dia 30 de junho?

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Neste momento, a região está com uma ocupação hoteleira a rondar os 70 por cento e o Sr. Ministro ainda espera pela chegada da «época de Verão»? Então a abertura da época balnear já é uma realidade e os seus assessores de comunicação pensam que ainda estamos em época baixa? Acha que os empresários algarvios só desenvolvem a sua atividade económica no final de junho? Quero, Sr. Ministro, contar-lhe um segredo. Mas, por favor, não diga a ninguém: o Verão já chegou ao Algarve! Em terceiro lugar, devo também confessar que gostei do clímax emanado desta nota de imprensa (muito amadora) quando diz que os “milhares de utilizadores da EN125” têm nos últimos anos “sofrido com este prolongar das obras”. Aqui, parece-me que entramos num mundo obscuro – tipo misto de filme noir de horror com umas pitadas de Hitchcock. Questão: o Sr. Ministro sabe que foi por sua responsabilidade que as obras na EN125 estiveram paradas durante oito meses? Sabe que o transtorno causado aos milhares de utentes deriva da sua inépcia? Presumo que saiba pois, como estará recordado, há uns meses atrás esteve no Algarve a presidir a uma cerimónia que marcava o «recomeço» das obras nesta via de circulação. Na altura, chamei-lhe o «ministro recomeço». Pareceu-me apropriado. Agora, talvez não. Creio que merece um novo nome. Porventura, «ministro poeira», pois é isso que a EN125 mais produz e é isso que tem tentado jogar aos olhos de milhares de algarvios ao longo dos últimos anos. Em suma, aconselho, mais uma vez, o Sr. Ministro Pedro Marques - de preferência antes da elaboração destas «operações de cosmética» - a visitar o Algarve para verificar que as «suas» notas de imprensa estão completamente desfasadas da realidade .


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OPINIÃO FLIQ 2017, de Querença para o Mundo Adília César (Escritora)

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e 12 a 14 de maio houve letras no campo. O FLIQ – Festival Literário Internacional de Querença vai na segunda edição e transformou a aldeia de Querença no coração do Algarve, visitada nestes três dias por cerca de 500 pessoas. Com organização da Fundação Manuel Viegas Guerreiro, o FLIQ contou com os apoios da Direcção Regional de Cultura do Algarve, Câmara Municipal de Loulé, União de Freguesias de Querença, Tôr e Benafim, Programa 365 Algarve e Ombria Resort, e ainda a Antena 1 como media partner. Ao longo dos três dias, vários espaços acolheram exposições, feira do livro, gastronomia regional, leituras encenadas por Luísa Monteiro e Paulo Moreira, além de momentos musicais por Afonso Dias, Conservatório de Música de Loulé, Francisco Fanhais, Grupo Coral de São Bás de Alportel e Grupo de Música Tradicional Moçoilas. No primeiro dia, «O Primeiro Olhar Pela Serra», tiveram lugar iniciativas focadas na figura de Manuel Viegas Guerreiro. Foi ainda inaugurada a exposição de fotografia de Telma Veríssimo, «Viagem Interior», a qual pretende, nas palavras da fotógrafa, “ter a dupla leitura de uma viagem pelo interior da região e de um olhar para dentro, no sentido de nos conhecermos melhor, de valorizar a nossa identidade”. O segundo dia foi dedicado à homenagem a Teresa Rita Lopes, moderada por Anabela Almeida, e contou com intervenções de amigos e conhecedores da obra da autora: Carlos Brito, João Luiz, José Fanha, Teresa Carvalho, Manuel Moya, Catherine Dumas, Maria João Serrado e Clara Seabra. Foi também inaugurada a Exposição Documental comissariada por Patrícia de Jesus Palma. No terceiro e último dia, dedicado ao tema «Literatura e Sociedade: Pontes Literárias da Solidariedade», os participantes caminharam pela Fonte de Benémola, uma paisagem protegida que a organização do FLIQ pretende elevar a paisagem literária. A conferência do reitor da Universidade do Algarve, António Branco, dedicada ao tema «Leitura, Literatura

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e Liberdade», mostrou caminhos possíveis para essas viagens. O debate «Zonas de (Des)Conforto» foi moderado pelo jornalista Paulo Dentinho, director de informação da RTP, e dele fizeram parte dois jovens refugiados a residir no Algarve, Polícia Marítima, Santa Casa da Misericórdia de Faro, especialistas em Direito e Assuntos Europeus e professores de Português. Clara Abegão e alguns alunos da Escola Secundária Pinheiro e Rosa de Faro, no âmbito do projecto internacional «In a far away land: Refuggee children», leram excertos de um livro com os relatos da visita que realizaram ao campo de refugiados «Veria», na Grécia. Uma discussão em torno do «Lugar Comum da Literatura», moderada pela professora da Universidade do Algarve Adriana Freire Nogueira, constituiu o segundo painel. Duas antologias em destaque: «Fronteiras Humanas – O drama dos refugiados», coordenada por Fernando Esteves Pinto e «Uma Terra Prometida: Contos sobre refugiados», coordenada por José Fanha. Intervenientes e público num frente a frente, onde se percebeu que a Literatura é, neste caso, um exercício de cidadania para criar, revelar, incentivar, pensar, intervir e educar. Os autores Adão Contreiras, Adília César, Ana do Carmo, Cristina Carvalho, Fernando Esteves Pinto, Filomena Marona Beja, José Fanha, Miguel Real, Reinaldo Barros e Sérgio Luís de Carvalho foram capazes de desenhar uma bandeira com palavras. A encerrar, uma apresentação de José Gameiro, director científico do Museu de Portimão, intitulada «Museus sem fronteiras?» Patrícia de Jesus Palma, membro da comissão organizadora do FLIQ, deixou bem claro que este evento é um momento digno por criar condições para um diálogo relativo às pontes construídas entre a cultura e as diferentes possibilidades de integração social. E assim foi o último e belíssimo momento de despedida do II FLIQ: uma largada de balões azuis e brancos pelo céu intensamente azul do barrocal algarvio, com mensagens escritas pelos participantes. De Querença para o Mundo, levando Literatura .


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SECRETÁRIO DE ESTADO DO AMBIENTE VISITOU OBRAS DAS NOVAS ETAR DO ALGARVE

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Secretário de Estado do Ambiente Carlos Manuel Martins deslocou-se ao Algarve, no dia 15 de maio, para assistir, no terreno, ao desenrolar dos trabalhos das duas novas ETAR que estão a ser construídas na região pela «Águas do Algarve». A parte da manhã foi preenchida com a visita à ETAR de Faro-Olhão, que vem substituir uma antiga instalação que já não cumpria com os seus requisitos e Joaquim Peres, presidente do Conselho de Administração da «Águas do Algarve, S.A.», destacou prontamente a boa colaboração existente entre todas as entidades envolvidas no processo, nomeadamente as Câmaras Municipais de Faro e Olhão, bem como a 66 ALGARVE #108 INFORMATIVO

CCDR e o Instituto da Conservação da Natureza, entre outras, mas também com os empreiteiros responsáveis pela obra. “O Algarve será a primeira região dotada de uma ETAR com um tratamento inovador que permite uma poupança bastante grande de energia no tratamento e uma redução significativa do espaço ocupado, que aqui era um pormenor extraordinariamente importante”, frisou. A nova ETAR vai servir os concelhos de Faro, Olhão e São Brás de Alportel e permitirá desativar sistemas de lagunagem nas zonas de Faro Nascente e Olhão Poente. “Os espelhos de água que


faziam todo o tratamento dos efluentes e que eram os responsáveis pelos maus odores, vão deixar de ter esse impacto olfativo nas pessoas, tanto nos que cá residem, como naqueles que visitam regularmente o Algarve”, assegurou Joaquim Peres, lembrando que a obra está orçamentada em 13 milhões e 900 mil euros, sendo que, em abril, já estavam executados dois milhões e 700 mil euros. “Pensava-se inicialmente que a obra iria impactar com a nidificação de algumas aves que habitam nesta região, o que motivaria a sua paragem no dia 15 de março, mas verificou-se que essa situação poderia ser ultrapassada, o que levou a um ritmo mais acelerado dos trabalhos em relação ao planificado. O consórcio responsável pela obra também adiantou a aquisição dos equipamentos, para serem prontamente instalados quando a parte da construção civil estiver concluída”, explicou o presidente do Conselho de Administração da «Águas do Algarve, S.A.».

vamos ter que formar técnicos especializados”, justificou. “Estando a ETAR a funcionar, não iremos provocar mais cheiros no tratamento dos efluentes, mas ainda teremos a situação das lagoas para resolver. NO caso da ETAR da Companheira, em Portimão, a CCDR permitiu-nos efetuar a secagem das lagoas e isso está a ter um resultado bastante positivo”. A ETAR de Faro-Olhão vai servir cerca de 113 mil e 200 habitantes, o que resultará num caudal diário de tratamento de 28 mil metros cúbicos. Quanto aos efluentes resultantes do tratamento, Joaquim Peres pretende que seja alvo de uma utilização inteligente, logo a começar pela utilização interna da própria instalação, mas há mais fins possíveis que estão a ser estudados conjuntamente com as autarquias de Olhão e Faro, como sejam as lavagens de arruamento ou rega de campos de golfe, etc. “O tratamento biológico inovador do «Nereda» permite uma diminuição global do volume da construção, porque se consegue tratar o

Com o planeamento a ser cumprido no terreno, Joaquim Peres garantiu que, no dia 24 de junho de 2018, a nova ETAR estará pronta para entrar em funcionamento. “São 600 dias de construção, mais 365 dias de arranque, ou seja, após a obra terminada, o consórcio ainda se vai manter mais um ano em funcionamento, porque estamos perante uma instalação especial que necessita de um grande Joaquim Peres, presidente do Conselho de Administração da «Águas do Algarve, S.A.» acompanhamento e

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mesmo volume de água num espaço mais pequeno e em menos tempo, com menos energia despendida. Isso levará a uma redução das emissões de carbono da ETAR, contribuirá para a sua sustentabilidade global e gerará uma poupança até 40 por cento da energia face aos sistemas convencionais”, destacou Joaquim Peres. “O objetivo é que quem vive e trabalha na região não veja afetados os seus meios de produção, tem que ser uma ETAR amiga do ambiente e das pessoas. Para além disso, as praias algarvias não podem ser afetadas e a verdade é que continuam a ganhar mais qualidade, como atestam as Bandeiras Azuis que conquistam”, sublinhou o presidente do Conselho de Administração da «Águas do Algarve, S.A.». Durante a visita técnica, Carlos Manuel Martins lembrou que as obras da ETAR de 68 ALGARVE #108 INFORMATIVO

Faro-Olhão e da ETAR da Companheira, em Portimão, são atualmente as duas maiores do grupo «Águas de Portugal», representando também os maiores investimentos na área do saneamento básico. “É importante que se cumpram os prazos porque, infelizmente, noutros territórios, Portugal tem sido confrontado com multas da União Europeia por incapacidade de concretizar os projetos no tempo certo. Estas visitas servem para acautelar que não sejamos surpreendidos por atrasos nas empreitadas na sua fase final”, frisou o Secretário de Estado do Ambiente, destacando ainda o papel da CCDR e da ARH Algarve. “Há um forte empenho das autoridades em alinhar com aquilo que são os desejos e as aspirações da região, cumprindo-se, naturalmente, as regras, mas encontrando soluções que sejam devidamente articuladas” .


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JOGOS DE QUELFES DISSERAM «ADEUS, ATÉ PARA O ANO!»

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oitava edição dos Jogos de Quelfes chegou ao fim e com direito a gala de encerramento com toda a pompa e circunstância, no dia 19 de maio, na sede da Direção Regional do Algarve do Instituto Português do Desporto e da Juventude (IPDJ). O evento, o maior veículo promocional do espírito do olimpismo, envolveu as Academias Olímpicas de Portugal e Espanha, o Comité Paralímpico de Portugal, o IPDJ, a Direção Regional de Educação, câmaras municipais e juntas de freguesias, associações e escolas, e tem na 70 ALGARVE #108 INFORMATIVO

sua base a formação desportiva e os valores éticos no desporto. Conforme é sabido, os Jogos de Quelfes pretendem divulgar a dimensão humanística do olimpismo enquanto filosofia de vida e instrumento de educação para a cidadania e têm como público-alvo os alunos dos 3.º e 4.º anos de escolaridade. Na sua oitava edição, incluíram diversas modalidades individuais, coletivas, familiares e de desporto adaptado, como o atletismo,


natação, lenço grego, andebol, basquetebol, futebol, râguebi, ciclismo, BTT, duatlo boccia e equitação, com os jogos a serem disputados um pouco por todo o Algarve e, pela primeira vez na sua história, também em Ayamonte. Por isso mesmo, Custódio Moreno, Diretor Regional do Algarve do IPDJ, começou a ronda de intervenções das entidades oficiais agradecendo aos jovens, professores, treinadores, atletas e autarcas que tornaram possível o evento. “Tudo isto foi feito em parceria e, hoje, quem pensa que consegue fazer tudo sozinho, está muito enganado. Cada um deu o seu contributo para esta grande festa e fico feliz por verificar que o desporto, e o associativismo desportivo, estão bem vivos no Algarve. Muito mais do que ganhar uma medalha ou ir ao pódio, o que interessa é participar, é viver o olimpismo”, frisou o antigo professor. Um projeto, uma sementeira para o futuro, que não tem fronteiras, que é “muito maior do que uma sala de aulas, uma escola ou uma região”, considerou Custódio Moreno, enfatizando que o desporto é uma ferramenta para ensinar e transmitir valores. “Para chegarmos a uma sociedade de respeito, de amizade, de

partilha, onde não há adversários, mas pessoas que nos estimulam a ser melhores, a irmos mais longe”, referiu, aproveitando para destacar a equipa que está ao seu lado no IPDJ de Faro. “Há aqui muito voluntário, colaborador e estagiário a ajudar, foram mais de 60 pessoas a trabalhar para termos esta gala de encerramento. E, quando toda a gente colabora, é fácil as coisas acontecerem”, concluiu. A cerimónia prosseguiu em jeito informal porque, depois de 15 dias a respirarem, em conjunto, o olimpismo, já todos faziam parte da mesma família, na ótica de Gustavo Marcos, o mentor dos Jogos de Quelfes. “Quando encerramos os oitavos Jogos de Quelfes, o sentimento que me vai na alma é de muita emoção e de imensa alegria. Esta festa fez-se porque todos colocamos alguma coisinha nela, como

O interior e exterior da sede do IPDJ, em Faro, foi palco de diversas atividades desportivas ao longo da manhã #108 ALGARVE INFORMATIVO

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Gustavo Marcos, Custódio Moreno e Francisco Marques

na célebre história da Sopa de Pedra. Começamos com um caldeirão com água e uma pedra lá dentro e terminamos com uma sopa que queremos que leve os valores do olimpismo a todos”, afirmou o vice-presidente da Academia Olímpica de Portugal, endereçando uma palavra especial aos docentes do primeiro ciclo do ensino básico. “Muitas vezes não têm o devido reconhecimento, mas vocês desempenham a profissão mais importante do mundo. Têm o poder de influenciar a vida dos vossos alunos, de contribuir para aquilo que eles vão ser no futuro, para aquilo que será a nossa sociedade. Muito obrigado pela vossa entrega e missão”, enalteceu. Usou de seguida da palavra Francisco Marques, Delegado Regional de Educação do Algarve, para quem a prática desportiva é “um facilitador de aprendizagem de 72 ALGARVE #108 INFORMATIVO

conteúdos éticos e um motor de desenvolvimento pessoal e social”. “São as disciplinas artísticas e desportivas que fomentam os valores da cooperação, do espírito de grupo, do trabalharmos todos para um objetivo comum, para termos cidadãos melhores e mais bem preparados para o futuro”, salientou. O auditório do IPDJ em Faro esteve completamente esgotado, com a presença de muitos dos participantes dos «VIII Jogos de Quelfes», mas também com diversas entidades oficiais, autarcas e antigos e atuais atletas olímpicos, entre os quais o consagrado Carlos Lopes. Depois dos discursos oficiais, houve lugar ao tradicional apagar da chama olímpica e ao largar de pombos, com o evento a dizer «adeus, até para o ano!» .


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JOVEM DE ALBUFEIRA VENCEU SPEAKOUT CHALLENGE PORTUGAL 2017

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icole Martins Ribeiro, 14 anos, aluna da E. B. 2,3 de Ferreiras foi, por unanimidade do júri, a grande vencedora do «SpeakOut Challenge Portugal 2017», com «Amor, sucesso, paixão e fama». tendo recebido o seu prémio das mãos do Presidente do Município de Albufeira, Carlos Silva e Sousa. André Ribeiro, da E. B. 2,3 Rio Arade, conquistou o 2.º lugar com o seu discurso «Não sou capaz», entregue pelo Vereador da Educação do Município de Lagoa, Luís Encarnação. Melissa Caetano, do Agrupamento do Rio Arade, obteve o 3.º posto com o tema «A verdade», tendo recebido o prémio das mãos da Diretora da escola, Ana Martins. 74 ALGARVE #108 INFORMATIVO

À semelhança dos anos anteriores, cerca de 700 alunos com idades entre os 14 e os 16 anos, dos concelhos de Albufeira, Loulé, Silves e Lagoa, participaram na formação de «como falar em público na atualidade», com vista ao «SpeakOut Challenge Portugal 2017», cuja etapa final apurou os três melhores comunicadores. Esta iniciativa desenvolve-se no Algarve há uma década, tendo sido inicialmente organizada pela Jack Petchey Foundation (JPF), antes de passar para a chancela da PrimeSkills, que engloba não só aquela Fundação, como diversos outros patrocinadores oficiais da região


algarvia, a par de parcerias, nomeadamente com os Municípios de Albufeira, Loulé, Silves e Lagoa. A ação tem o seu início em janeiro de cada ano, decorrendo depois as semifinais nas escolas dos quatro municípios, sendo que os formadores, para além de um currículo com notoriedade na área da pedagogia da comunicação, aplicam o método desenvolvido pela «SpreakersTrust» para a JPF, o qual tem em conta as idades dos formandos. Nesta 10ª edição, o júri foi constituído pela Mestre Andreia Rodrigues, pelo doutorado Cristiano Cabrita e pela docente da Universidade do Algarve e investigadora do CIAC (Centro de Investigação em Artes e Comunicação da UAlg) MerjaMattos Parreira, especialistas na área da Comunicação. Os prémios foram, respetivamente, de 500, 250 e 150 euros para os três melhores classificados, com o mesmo valor monetário a reverter também para as suas escolas, sendo que o destino a dar a esse valor será ditado pelo aluno vencedor, que se aconselhará com os colegas. Os alunos do Curso de Mesa e Bar do Agrupamento de Escolas Diamantina Negrão foram responsáveis pelo lanche e a animação coube aos jovens albufeirenses Bruno G, (Rap) Ana Luísa Gomes (Sapateado) e Academia Soul (Urban Dance) .

ALBUFEIRA ESTEVE NO VI SALÃO DO IMOBILIÁRIO E TURISMO DE PARIS

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lbufeira marcou presença na 6.ª edição do Salão do Imobiliário e do Turismo Português, que teve lugar de 12 a 14 de maio, no Parque de Exposições da Porta de Versalhes, em Paris, e que este ano contou com um número recorde de 200 expositores. O objetivo foi o de potenciar os contactos com França, já iniciados a propósito de outros eventos de cariz Internacional. Para além do Presidente da Câmara Municipal, Carlos Silva e Sousa e do Vereador Rogério Neto, estiveram também Vítor Vieira, em representação da Assembleia Municipal de Albufeira, e vários empresários do sector imobiliário. Carlos Silva e Sousa foi recebido pelo seu congénere de Aulnay-sous-Bois, Bruno Beschizza, juntamente com outras individualidades, designadamente Ivo Goldstein, embaixador da Croácia, Karolina Smaga, cônsul da Polónia, Catherine Lalumière, ex-ministra de França e Presidente de La Maison de l’Europe (Paris) e a sua directora, Úrsula Serafim. Na ocasião, o edil dissertou sobre a pertinência atual dos princípios da Revolução Francesa e no que a trilogia conceptual de «Liberdade, Igualmente e Fraternidade» importa para a construção do ideal da Europa, que é o da Paz. O autarca encontrou-se ainda com o Secretário de Estado da Internacionalização, Jorge Costa Oliveira, a quem apresentou diversas questões relacionadas com o investimento estrangeiro em Albufeira .

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ABASTECIMENTO DE ÁGUA DOMICILIÁRIO CHEGA A MAIS POVOAÇÕES DE CASTRO MARIM

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Câmara Municipal de Castro Marim lançou, no dia 11 de abril, um concurso público para a construção de infraestruturas de abastecimento de água a 12 povoações do concelho. Esta empreitada é a primeira fase de um projeto de adução e distribuição de água que contempla 28 povoações de Castro Marim, com o financiamento do programa PO SEUR (Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos). Nesta fase, estimada em cerca de dois milhões de euros, serão então abastecidas as seguintes povoações: Portela Alta de 76 ALGARVE #108 INFORMATIVO

Cima, Portela Alta de Baixo, Murteira de Cima, Murteira de Baixo, Sentinela, Eira Grande, Piçarral, Quebradas, Choça Queimada, Casa Branca, Brenhosa e Corujos. A execução do projeto, avaliado em quatro milhões de euros, permite o abastecimento de água, em quantidade e qualidade, a populações das freguesias rurais ainda não servidas. A intervenção permite a articulação entre a vertente em alta e a vertente em baixa, configurando as infraestruturas municipais de modo a permitir a ligação eficaz aos Sistemas Multimunicipais de Abastecimento de Águas do Algarve. Este projeto foi candidatado ao programa PO SEUR enquadrado no monte máximo possível nos termos do aviso para o abastecimento de água, sendo que a componente de saneamento não era elegível. É um investimento articulável com as intervenções levadas a cabo e permite o fornecimento de água até Alta Mora, a fronteira poente do concelho de Castro Marim, ou seja, um canal de adução com cerca de 54 quilómetros de condutas. A aprovação do financiamento representou uma grande conquista para o executivo municipal liderado por Francisco Amaral, que tinha o abastecimento de água a todo o concelho definido como prioridade desde o início do mandato. A execução da totalidade desta empreitada, dividida em duas fases, vai servir cerca de 50 por cento das pessoas ainda sem abastecimento de água domiciliário .


PROSSEGUE A RENOVAÇÃO DO CENTRO URBANO DE SÃO BRÁS DE ALPORTEL

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projeto de ampliação do Parque da Vila, em São Brás de Alportel, já se encontra em execução, para dar continuidade à estratégia de renovação do centro urbano e de promoção da mobilidade e da acessibilidade para todos. A área onde funcionava até agora o Terminal Rodoviário está a ser convertida na nova ala poente do Parque da Vila, que vê ampliada em 25 lugares a sua bolsa de estacionamento, fundamental para apoio ao Largo de São Sebastião e ao centro urbano. Neste espaço continuará a funcionar uma paragem de autocarros e brevemente será construído um novo Terminal Rodoviário, a norte da Vila, junto à Circular Norte, para garantir melhores condições a passageiros e trabalhadores. A ampliação do Parque da Vila respeita as diretrizes do plano «São Brás Acessível para todos» e integra a construção de uma paragem de autocarro

acessível: com um acesso em rampa; uma zona do cais de embarque elevada, de modo a reduzir o desnível entre o pavimento e o patim de entrada do veículo; e ainda um pavimento tátil para auxiliar os utentes invisuais na localização dos limites de acesso ao autocarro. Também nas passadeiras vai ser aplicado pavimento tátil e serão executados pavimentos de nível. Para melhorar a acessibilidade dos cidadãos com mobilidade reduzida, os passeios vão ser rebaixados, para evitar ressaltos e permitir uma circulação sem constrangimentos. Para além de ampliar o parque, permitirá melhorar a circulação automóvel e a segurança rodoviária, abrindo uma nova ligação à Rua João Louro, que vem juntar-se à ligação à Rua Luís Bivar. A intervenção deverá estar concluída até ao final do mês de maio . #108 ALGARVE INFORMATIVO

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SÃO BRÁS RECUA AO PASSADO DURANTE DOIS DIAS

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os dias 27 e 28 de maio, o Centro Histórico de São Brás de Alportel vai entrar na «máquina do tempo» e recuar 103 anos, por ocasião da segunda edição da Recriação Histórica «São Bráz d’Alportel 1914», que transportará os visitantes para uma época de novas conquistas quando, nos primórdios da República, a freguesia foi elevada a concelho de São Brás de Alportel, no período áureo do setor corticeiro. Nas ruas do Centro Histórico a comunidade sai à rua com trajes da época, os copos e petiscos, em tascas e tabernas, recordam-se os sabores de outros tempos e a animação de rua vai fazer jus aos divertimentos do início do século XX. Acontecimentos inesperados, artistas de circo, o tradicional carrossel, os acordes da música intemporal, as surpresas do teatro de rua e o mercado com produtos locais, serão alguns dos ingredientes destes dois dias de Recriação Histórica. Por ruelas e recantos, Casas de Portas Abertas convidam a entrar, como um antigo salão de cabeleireiro com mais de 50 anos; um estúdio de fotografia à moda antiga; ou uma casa nobre. As montras estão adequadas à época, e aqui e acolá somos surpreendidos por personagens a recriar situações do quotidiano nos sítios mais inesperados ou artesãos a trabalhar ao vivo no seu ofício. O programa de animação contempla ainda o «Balho» à Antiga, pelo Rancho Típico Sambrasense, Rancho da Velha Guarda e Grupo Folclórico de Faro; momentos de teatro de rua com «Ao Luar Teatro», Clube do Museu, São Braz Arte e a 78 ALGARVE #108 INFORMATIVO

Sociedade Recreativa Bordeirense e um vasto leque de artistas e grupos que vão passar pelos três palcos do evento: os grupos «Cante Andarilho», «Fólis», «Moçoilas», «Vá de Viró», «Veredas da Memória» e «Quinteto Osmose»; momentos de Fado e Guitarra Portuguesa com Liliana Mendes, Arnaldo Santos, Ricardo Martins e Nuno Martins, concertos pelos grupos «New Orleans Jazz Band» e «Dixie Gringos Jazz Band». O programa integra ainda uma edição especial do «Fado no Museu», com a convidada especial Celina da Piedade. A entrada é livre e o programa de animação decorre entre as 18h e a 01h.


ALGARVE E ANDALUZIA UNIDOS PARA FOMENTAR TURISMO CULTURAL

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oi assinado, no dia 17 de maio, pela Direção Regional de Cultura do Algarve e pela Consejeria de Cultura da Junta da Andaluzia, o acordo de financiamento do Projeto “Os Castelos de Fronteira: Desenvolvimento do Turismo Cultural Transfronteiriço» (FORTours), a incrementar no âmbito do Programa de Cooperação Interreg V A Espanha – Portugal (POCTEP 2014-2020). “O acordo tem por base implementar um itinerário transfronteiriço que integra as fortificações baixo e tardomedievais do Sudoeste Peninsular”, explicou Alexandra Gonçalves, Diretora Regional da Cultura. Os parceiros apostam no investimento das novas tecnologias e esperam poder atingir o tecido empresarial transfronteiriço, para o desenvolvimento de aplicações que permitam a geolocalização deste património, em paralelo com a criação de um Portal WEB para difusão do itinerário. Em ambos os lados da fronteira, em Portugal e na Andaluzia,

vai-se proceder à implementação de aplicativos interativos comuns, para usufruto nos monumentos, nas paisagens e nos lugares históricos associados ao Itinerário. “Vamos concentrar a nossa atenção e ação em novos formatos da mediação da atividade turística que correspondem à criação dum universo sensorial e narrativo, ou seja, ao universo digital das aplicações, dos jogos e/ou reconstituições interativos”, acrescentou Alexandra Gonçalves. A implementação de soluções TIC (Tecnologias de Informação e Comunicação) tem como finalidade oferecer modelos de experiência alternativos, baseados no consumo de novos conteúdos digitais, em continua interação, gerando a possibilidade de experiências tanto durante o percurso do itinerário como antes e depois da visita .

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FARO ULTRAPASSA PLANO DE REEQUILÍBRIO FINANCEIRO E RECUPERA AUTONOMIA

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Câmara Municipal de Faro transferiu, no dia 15 de maio, para a entidade bancária detentora do crédito (BPI) o valor de 4,94 milhões de euros, para amortização total do empréstimo contraído no âmbito do Plano de Reequilíbrio Financeiro (PRF). Assim sendo, é a primeira a libertar-se deste mecanismo criado para permitir às autarquias com endividamento excessivo recuperarem o seu equilíbrio e fazerem face aos seus compromissos. Recorde-se que, em novembro de 2010, quando o Reequilíbrio Financeiro foi aprovado em Assembleia Municipal – deliberação que foi homologada pelo Governo em 18 de maio de 2011 – 80 ALGARVE #108 INFORMATIVO

autorizando o Município a celebrar um contrato de financiamento junto de entidade bancária num valor total até 48 milhões de euros, a autarquia de Faro não conseguia já corresponder aos seus compromissos financeiros, estando mesmo em risco os vencimentos dos seus colaboradores. Na altura, a dívida fixava-se nos 72 milhões e os prazos de pagamento eram de 380 dias, o que gerava reparos e penalizações por parte do Governo e das entidades que superintendem a gestão financeira das autarquias. Por força disso, os impostos municipais encontravam-se quase todos eles nas taxas máximas, desde o ano de 2008,


verificando-se apenas um pequeno alívio no IMI, em meio ponto percentual, já em 2017 – através de um mecanismo facultativo para os municípios em processo de saneamento ou reequilíbrio, que Faro acionou e que estava excecionalmente consagrado no Orçamento de Estado deste ano. “Hoje, por força das prerrogativas do PRF e do Plano de Apoio à Economia Local – PAEL (contraído em 2014 e também já totalmente amortizado através de financiamento em condições mais favoráveis), que obrigaram a um emagrecimento da estrutura camarária e ao corte de diversas despesas supérfluas, a edilidade está mais ágil e a sua operacionalização custa igualmente muito menos aos munícipes”, pode-se ler em nota emitida pelo Gabinete do Presidente Rogério Bacalhau. “Por outro lado, o aumento das receitas, fruto sobretudo da melhoria do ambiente económico geral, permitiu ao município aumentar largamente a sua receita, recuperando liquidez e capacidade de investimento. Assim, a dívida total situa-se num nível

saudável (32,05 milhões de euros), bem abaixo da receita média anual, e os prazos de pagamento são inferiores aos 60 dias, circunstância que Faro não conhecia há mais de dez anos”. Em nota enviada à comunicação social, a Câmara Municipal de Faro fala de um dia histórico e que permite o lançamento das obras que Governo bloqueou. “De hoje em diante, a Câmara passa a poder decidir de forma autónoma em diversas matérias da sua gestão, designadamente a fixação dos índices de impostos municipais como IMI, IMT ou Derrama. E, com a saída do PRF, o município deixa ainda de estar obrigado a pedir autorização para a realização das obras inscritas em orçamento, evitando a repetição do constrangimento verificado em 2016, quando o Governo proibiu a Câmara de Faro de aplicar 3,46 milhões de euros em investimentos essenciais para o concelho”, referiu a nota .

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ARRANQUE DA OBRA DO QUARTEL DA GNR MARCOU 18.º ANIVERSÁRIO DE QUARTEIRA

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Câmara Municipal de Loulé lançou, no dia 13 de maio, a obra do novo Quartel da GNR em Quarteira, um dos momentos altos das celebrações do 18.º aniversário desta cidade. Será mais um equipamento que vem contribuir para a melhoria da segurança de residentes e turistas, considerado um eixo fundamental para o executivo municipal. O edifício do antigo Quartel de Bombeiros localizado junto ao Calçadão será agora ampliado e reconvertido para acolher o Quartel do 82 ALGARVE #108 INFORMATIVO

Subdestacamento Territorial da GNR de Quarteira. Pretende-se criar um espaço com todas as condições para os militares que trabalham nesta cidade, mas também direcionado para a população que acorre a estes serviços. Custeada na totalidade pela Autarquia, a obra significará um investimento que ronda um milhão de euros e terá um prazo de execução de 365 dias. “Este é um


momento muito significativo já que o polo urbano de Quarteira/Vilamoura, bastante importante no contexto da rede das cidades do Algarve e do Sul do país, era o único que não tinha umas instalações condignas para que a GNR pudesse exercer as suas funções com eficácia”, salientou o presidente da Câmara de Loulé, Vítor Aleixo. Recorde-se que, inicialmente, esta força de segurança esteve instalada no antigo aldeamento Algarve Sol, num lugar limitado e de difícil acesso, passando posteriormente para o edifício da antiga Escola Profissional. “Hoje em dia, qualquer cidadão precisa cada vez mais de sentir que as forças de segurança cuidam da sua segurança pessoal, dos seus bens, da sua tranquilidade. Não queremos que à GNR do Concelho de Loulé falte nada e, como

tal, empenhámo-nos a fundo. Quarteira é um destino turístico nacional que nos últimos anos rapidamente se requalificou aos olhos de Portugal. Com as questões da segurança não podemos ter uma relação ligeira”, frisou Vítor Aleixo. Por seu turno, o Major Paulo Santos, Comandante do Destacamento Territorial de Loulé, falou da estreita colaboração entre a Câmara de Loulé e a GNR para levar por diante uma requalificação das instalações desta força de segurança no Concelho. A par de Quarteira, estão ainda em curso a construção de um Quartel de raiz na freguesia de Almancil e a construção de adaptação do Posto da GNR em Salir (a inaugurar em breve). Também as instalações de Loulé foram alvo de requalificação.

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Durante a tarde as atenções centraramse também nos espaços urbanos que estão a ser requalificados com vista à promoção do desporto. Junto à Igreja de S. Pedro do Mar, o executivo da Câmara e executivo da Junta visitaram as Ruas Coppingen e Stuttgart, zona densamente habitada no coração da cidade e onde irá nascer um espaço verde, arborizado, com equipamentos de outdoor fitness e espaço infantil que ficarão ao serviço da população, com o objetivo de estimular a atividade e a vida social. Será criada ainda uma zona de estacionamento e a iluminação será reforçada. Trata-se de uma intervenção integrada na filosofia do projeto europeu «Vital Cities», liderado por Loulé, e que pretende quebrar barreiras sociais, trazendo as pessoas para a rua 84 ALGARVE #108 INFORMATIVO

para praticarem desporto. O investimento é de 240 mil euros, prevendo-se que esteja concluída durante a primeira quinzena de julho. No Calçadão Nascente foi inaugurada a zona de Street Workout, agora requalificada com a colocação de novos equipamentos. Esta constitui mais uma zona aberta à população para a prática desportiva na cidade. “Temos uma série de jovens muito interessados em fazer a cultura do seu corpo e a interessaremse pelo seu bem-estar físico. Hoje surgem equipamentos no espaço público onde é possível praticar desporto informalmente. Este é um fenómeno novo e a Câmara de Loulé e Junta de Quarteira já estão nessa linha”, considerou Vítor Aleixo. Nesse


sentido, está previsto um equipamento de Street Workout, de maior dimensão, no Passeio das Dunas. Também Loulé será beneficiado com um novo espaço. Entretanto, o auditório do Centro Autárquico voltou a ser palco de mais uma edição da entrega de Prémios de Reconhecimento Mérito Escolar e Cidadãos de Mérito da Freguesia. Este ano, foram distinguidos os alunos Ana Catarina Sousa (9.º ano da Escola EB2,3 D. Dinis), Mariana Encarnação (9.º ano da Escola Drª Laura Ayres) e David Andrade (12.º ano da Escola Drª Laura Ayres). Quanto aos quarteirenses que se destacaram no exercício da sua atividade, os distinguidos foram Generosa Conceição («Ti Generosa»), parteira, o Padre Elísio Dias, à frente da Paróquia de Quarteira há vários anos, e Manuel de Brito Pardal, poeta popular.

As comemorações do Dia de Quarteira arrancaram no dia 12, com a atuação da fadista Gisela João, uma das novas vozes do Fado, que levou muitos quarteirenses à Praça do Mar. No dia 13, de entre as atividades culturais que decorreram destacou-se mais uma exposição de rua com trabalhos realizados pelas utentes do Cantinho da Amizade, desta vez designada «Gotas do Mar», e que vai agora embelezar a Rua Vasco da Gama. As celebrações do 18.º aniversário da Cidade de Quarteira encerraram com a atuação de algumas bandas locais, projetos que começam agora a surgir na cidade, dando a conhecer a criatividade artística dos jovens da cidade: Be Myself, Sacik Brow, Miranda Eloquente, The Road, Sara Lawrence&The Bullets e The Fisherman .

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PORTIMÃO ALCANÇOU A MELHOR PONTUAÇÃO DE SEMPRE NO PORTUGAL CITY BRAND RANKING

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ortimão recebeu, no dia 16 de maio, o prémio «Bloom Consulting Portugal City Brand Ranking©», como distinção pela excelente prestação do município neste ranking onde foi considerada a terceira melhor marca municipal na Região do Algarve e registou uma tendência ascendente de atratividade, até mesmo acima da média regional, nas três dimensões deste estudo: Talento (Viver); Turismo (Visitar) e Negócios. Para a Bloom Consulting, a evolução de Portimão fez-se sentir em praticamente todos os indicadores estatísticos e digitais utilizados no «Portugal City Brand Ranking©», destacando-se a performance no «Digital Demand© - D2©», onde registou, entre 2013 e 2016, um aumento de 109 por cento no número total de pesquisas online por parte de turistas, investidores, empresas, estudantes, trabalhadores e cidadãos em geral (40 por cento só durante o ano de 2016), o que atesta bem o crescimento sustentado da marca «Portimão». 86 ALGARVE #108 INFORMATIVO

Portimão alcançou o seu melhor resultado de sempre no Ranking da Bloom Consulting, tendo ficado no 19.º lugar a nível nacional, terceiro entre os municípios da Região do Algarve, e 6.º a nível nacional na categoria «Visitar» (Turismo). Portimão foi também o município que, em 2017, registou a maior subida na dimensão «Viver» (Talento), ocupando o 25.º lugar, tendo subido seis posições em termos nacionais e em comparação com 2016. No período de 2015-2106 destaca-se o desempenho especialmente positivo de algumas Brandtags associadas a Portimão, tendo ocupando posições de destaque no «Portugal City Brand Ranking© 2017», nomeadamente em relação a «Atividades de Lazer», em que surge como o quarto município do país com mais pesquisas nacionais e internacionais nesta temática, apenas atrás de grandes municípios como Lisboa, Porto e Vila Nova de Gaia e em quinto lugar, no que diz respeito a pesquisas associadas a «Tours & Passeios». O estudo revela ainda um dado interessante quando a marca Portimão surge associada a pesquisas de «Negócios e Empreendedorismo», colocando-a em quinto lugar, a nível nacional a nível desta «Brandtag», o que constitui um excelente indicador quanto à atratividade crescente do município nesta área .


VILA DO BISPO ATRIBUI CERCA DE CEM MIL EUROS EM BOLSAS DE ESTUDO E BOLSA DE INVESTIGAÇÃO

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ão 34 bolsas de estudo e uma bolsa de investigação que a Câmara Municipal de Vila do Bispo vai atribuir no ano letivo 2016/2017, num montante que ronda os cem mil euros, de acordo com a deliberação da reunião do Executivo do dia 8 de maio. O valor a conceder a cada estudante varia ente os 530 euros e os 5.300 euros, consoante o rendimento do agregado familiar. Estes montantes correspondem a 10, 25, 50, 75 e 100 por cento do ordenado mínimo nacional e são atribuídos durante os meses de frequência. As bolsas de estudo destinam-se aos alunos do concelho que frequentam o ensino médio/superior público, particular ou cooperativo. As bolsas de investigação

são concedidas a pessoas singulares, para possibilitar a realização de estudos que tenham interesse direto para o município. Apoiar o prosseguimento de estudos dos alunos economicamente carenciados e com aproveitamento escolar que, por falta de recursos financeiros, estariam impossibilitados de prosseguir o ensino, e ainda colaborar na formação de quadro técnicos superiores, residentes no concelho, contribuindo assim para um maior e mais equilibrado desenvolvimento social, económico e cultural, são alguns dos objetivos da Câmara Municipal de Vila do Bispo ao atribuir estes subsídios. #108 ALGARVE INFORMATIVO

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MATT WALLACE VENCEU 55.º OPEN DE PORTUGAL, FILIPE LIMA FOI O MELHOR PORTUGUÊS

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inglês Matt Wallace conquistou, no dia 14 de maio, o seu primeiro título do European Tour, ao vencer o 55.º Open de Portugal@Morgado Golf Resort, um torneio de meio milhão de euros em prémios monetários, que se disputou em Portimão, depois de uma ausência de sete anos. Wallace, de 27 anos, já tinha ganho oito títulos como profissional de golfe, mas em divisões menores, designadamente seis no ano passado, quando militava no Alps Tour, uma das terceiras divisões europeias. A vitória no Morgado Golf Course promoveuo automaticamente à primeira divisão, o European Tour, onde já surge como o 111.º classificado na Corrida para o Dubai, depois de embolsar um prémio de 83 mil e 330 euros. Matt Wallace liderou desde a primeira volta e totalizou 271 pancadas, 21 abaixo do Par, agregando voltas de 63, 66, 73 e 69, batendo por três pancadas o norteamericano Julian Suri, que, por seu lado, somou rondas de 67, 68, 74 e 65. As 63 pancadas de Wallace no primeiro dia, 10 abaixo do Par, fixaram um novo recorde do campo, superando as 64 (-9) de António Sobrinho no Algarve Open da PGA de Portugal em 2006. Filipe Lima foi 22.º classificado, com 283 pancadas, nove abaixo do Par, ficando empatado com o espanhol Álvaro Quirós, o campeão do Portugal Masters de 2008; o finlandês Roope Kakko, o vencedor do último Open da Madeira em 2015; e o 88 ALGARVE #108 INFORMATIVO

inglês Aaron Rai, o vencedor do Open do Quénia deste ano. O português residente em França assinou voltas de 67, 71, 71 e 74. O prémio de 5.425 euros permitiu-lhe ascender do 240.º ao 224.º posto da Corrida para o Dubai. Ricardo Melo Gouveia, apesar de eliminado aos 36 buracos, continua a ser o melhor português, no 95.º lugar deste ranking da primeira divisão europeia. Ricardo Santos, por seu lado, milita no Challenge Tour e o Open de Portugal poderia tê-lo lançado para o top-15 da Corrida para Omã, onde necessita de terminar a época, para poder voltar ao European Tour. Ricardo Santos totalizou 291 pancadas, uma abaixo do Par, integrou o grupo dos 68.º classificados entre 71 jogadores que passaram o cut, e ganhou 905 euros .


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