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ALGARVE INFORMATIVO #107

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ALGARVE INFORMATIVO 13 de maio, 2017

MIRABILIS FARO LENDÁRIO ACORDEÃO D’ALMA

WHAT ABOUT SARA ao vivo no Club Farense #107 ALGARVE INFORMATIVO

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CONTEÚDOS ARTIGOS 8- OPTO 14 - Mirabilis 22 - What about Sara 32 - Faro Lendário 40 - Henrique Leis 48 - Acordeão d’Alma 56 - Na Poeira do Caminho 76 - Atualidade

OPINIÃO 8 - Daniel Pina 62 - Paulo Cunha 64 - Paulo Bernardo 66 - Antónia Correia 68 - António Manuel Ribeiro 70 - Vico Ughetto 22

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OPINIÃO A greve é um direito, não um bilhete para miniférias Daniel Pina (jornalista)

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iel ao famoso «Fátima, Futebol e Fado», Portugal está a funcionar a meio-gás neste fim-de-semana, com a conjugação, fortuita, de se celebrar o Centenário da Aparição de Nossa Senhora de Fátima, o que motivou a vinda do Papa Francisco ao nosso país, e do Benfica se poder sagrar tetracampeão nacional de futebol neste sábado, em casa, no Estádio da Luz, frente ao Vitória de Guimarães. Portanto, como Portugal é um país de católicos e de benfiquistas, já se percebeu que ninguém anda com cabeça para outros assuntos por estes dias. Para ajudar à festa, o Primeiro-Ministro António Costa lembrou-se de dar tolerância de ponto à função pública na sexta-feira, o que significa que metade do país teve direito a mais um fim-desemana prolongado, tivesse intenção de ir, ou não, a Fátima. Do alto da minha rabugice, penso que teria mais lógica justificarem-se as faltas a quem não fosse trabalhar porque foi, efetivamente, a Fátima, do que propriamente dar folga a milhares de funcionários públicos, sejam eles católicos ou não, tenham eles ido a Fátima ou simplesmente ficado em casa a fazer sei lá o quê. Quem se safou nisto foi o cronista João Miguel Tavares, que desafiou António Costa a ficar com os seus filhos, que não puderam ir às aulas por causa da tolerância de ponto, e o PrimeiroMinistro aceitou o repto. Eu, como não sou cronista de créditos firmados, nem escrevo para uma publicação dita «nacional», lá tive que me aguentar à bronca, do mesmo modo que me tenho que desenrascar sempre que os sindicatos se lembram de marcar greves gerais para as sextas-feiras. E, que raios, são sempre às sextasfeiras! Depois, admiram-se de levar com as críticas dos milhares de pais que ficam com os seus dias virados de avesso, supostamente porque esses homens e mulheres decidiram tirar o dia para embarcarem numa jornada de luta pelos seus

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direitos. Ora, se assim o fizessem, eu até me calava, porque a greve é um direito consagrado na Constituição Portuguesa. Mas onde andam essas jornadas de luta? No meu tempo de estudante, lembrava-me, realmente, de grandes manifestações em Lisboa, de milhares de professores e auxiliares de educação à porta do Ministério da Educação, na Avenida 5 de Outubro, em Lisboa. Agora? Se calhar vejo os mesmos sindicalistas de sempre, a fazer o mesmo de sempre. Entregam um papel com as reivindicações da classe ao adjunto ou chefe de gabinete do Ministro da Educação e depois vão à sua vida. Agora já me sussurraram que segunda-feira ia haver outra greve, desta vez dos funcionários de cantinas e refeitórios, parece que apareceu o pré-aviso no Facebook. Isso mesmo, até para isso serve o Facebook. Resta-me esperar por segunda-feira, quando for levar as filhotas à escola, para saber se os rumores são verdade, mas o que sei é que está marcada outra greve para dia 26 de maio, sexta-feira, claro. A sério??? Não acham que é demais??? Depois, andam os professores aflitos por não terem tempo para dar a matéria que está prevista no programa curricular, porque também andar a vigiar os exames de fim de ano, porque há passeios por ocasião do Dia da Criança, porque o terceiro período passa como um foguete. No meio disto tudo, de greves à esquerda e à direita, de tolerâncias de ponto, de feriados e finsde-semana prolongados, andam os pais a tentar descobrir em que dias é que, afinal, podem ir trabalhar ou têm que ficar em casa a tomar conta dos filhos. Porque nem todas as crianças podem ficar com os avós, ou ir para o trabalho com os pais, ou ter um governante como babysitter. Eu nem sou esquisito, podia perfeitamente ser um secretário de estado, não precisava de um ministro para me ficar com as filhotas em dia de greve… .


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REPORTAGEM

ALBUFEIRA PROMOVEU MAIS UM FÓRUM DE EDUCAÇÃO E FORMAÇÃO DO ALGARVE O município de Albufeira continua apostado em proporcionar condições para que os seus jovens tenham a melhor educação possível, um papel que não se limita à manutenção física dos estabelecimentos de ensino, ao transporte escolar, às bolsas e subsídios aos alunos mais carenciados. Prova disso é o 5.º OPTO – Fórum de Educação e Formação do Algarve, que se realizou, de 10 a 12 de maio, no Pavilhão Desportivo de Albufeira. Texto:

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5.ª edição do «OPTO – Fórum de Educação e Formação do Algarve» voltou a trazer a Albufeira, de 10 a 12 de maio, mais de meia centena de expositores, entre universidades, escolas secundárias e profissionais e outras entidades, para divulgar a sua oferta educativa e formativa. Foram três dias repletos também de exibições artísticas e desportivas, mostras e atividades de exploração, muitas delas protagonizadas por alunos, tudo isto no Pavilhão Desportivo de Albufeira. O OPTO é já considerado uma mais-valia no processo de tomada de decisão vocacional, proporcionando aos jovens da região um maior conhecimento das alternativas escolares e formativas do Sistema Educativo Português (no ensino secundário, no ensino profissional e no ensino superior). Por outro lado, permite

um contato mais próximo com profissionais de diferentes áreas e a interação das escolas com a comunidade. O certame é uma organização conjunta do Município de Albufeira, da DireçãoGeral dos Estabelecimentos Escolares – Direção de Serviços da Região do Algarve (DGEST-DSRAL) e do Instituto do Emprego e Formação Profissional, contando com a colaboração dos três Agrupamentos de Escolas de Albufeira. “É um evento que excede largamente os limites de Albufeira, chegando a jovens de todo o Algarve e mesmo do Alentejo. A juventude caracteriza-se por um grande amor à liberdade, e pela responsabilidade que isso implica, e aqui encontram-se uma série de estabelecimentos de ensino e entidades a fornecer informação para que possam tomar as suas decisões de forma

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consciente. Queremos que os nossos jovens tenham as ferramentas necessárias para escolherem um futuro que os torne felizes”, destacou Carlos Silva e Sousa, durante a visita inaugural ao recinto. O presidente da Câmara Municipal de Albufeira lembrou que o executivo que lidera aposta fortemente nos mais jovens, de modo a que completem o ensino obrigatório com sucesso, para depois decidirem o passo seguinte a tomar.

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“Tenho uma grande esperança e plena convicção de que a nossa juventude é de enorme qualidade e temos a obrigação de retribuir com tudo aquilo que nos for possível”, afirmou o edil albufeirense, que é precisamente o responsável pelo pelouro da Educação. “Somos um dos poucos concelhos jovens do país e seria mau para a nossa comunidade se o município não tivesse, na juventude, uma das suas primeiras preocupações, no sentido de lhes dotar de todas as oportunidades para serem felizes. A missão dos políticos é que as pessoas sejam felizes”, defendeu. Carlos Silva e Sousa sublinhou ainda que, no século XXI, os jovens já não podem simplesmente querer seguir as pisadas dos pais ou dos irmãos mais velhos, nomeadamente no momento da escolha do curso superior a


tirar. “Até porque a geração do pai teve a vida muito mais facilitada. O mundo, hoje, é bastante melhor, mas também mais competitivo e temos que nos saber colocar da melhor maneira para o enfrentar”, justificou. Quem não faltou à abertura oficial do OPTO foi Custódio Moreno, Delegado Regional do Instituto Português do Desporto e Juventude, num certame onde estavam, lado a lado, a educação, a formação e o emprego. “A autarquia de Albufeira está de parabéns porque reúne, neste espaço, um conjunto de opções, de caminhos, de percursos, disponibilizados por instituições públicas e privadas”, enalteceu, reconhecendo que há muitos jovens esclarecidos sobre o que pretendem para o seu futuro, e outros que estão mais alheados do rumo a seguir. “Muitos ainda não pensaram sequer no assunto, outros estão bastante indecisos e preocupados, não sabem bem o que vão fazer. Toda a

gente é boa em alguma coisa, o importante é abrir a porta para trilhar o caminho certo, é tomar a opção correta”. Custódio Moreno também se mostrou satisfeito por ver que os estabelecimentos de ensino superior cada vez estão mais perto dos jovens, no terreno, para lhes apresentar as suas ofertas educativas. “O facto de, hoje, funcionar tudo online, afasta um pouco os jovens de irem fisicamente aos locais. Estes eventos comprovam que os responsáveis já perceberam que não podem estar sentados nos seus estabelecimentos à espera que os «clientes» apareçam. É na escola que os jovens passam a maior parte do tempo durante a sua fase de crescimento e afirmação, às vezes até mais tempo do que em família, portanto, estes certames têm que ir onde está a juventude” . #107 ALGARVE INFORMATIVO

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ENTREVISTA

MATERNIDADE DE OSTRAS DA MIRABILIS VOLTOU A SER PREMIADA Os jovens biólogos Márcia Santos e Maurício Namora não se cansam de ganhar prémios e, depois de terem vencido o «Desafio Mar» e o «Ideias em Caixa», ambos em 2013, e o Prémio Empreendedorismo e Inovação do Crédito Agrícola, em 2015, foram agora distinguidos com o Diploma Revelação Azul, na categoria de Empreendedorismo, nos Prémios Excellens Mare 2017, promovidos pela PricewaterhouseCoopers Portugal. Poucos dias depois, o Algarve Informativo visitou a Estação Experimental de Moluscicultura do IPMA, em Tavira, onde reside a unidade piloto da Mirabilis. Texto: 14 ALGARVE #107 INFORMATIVO

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árcia Santos, lisboeta de 26 anos, bióloga marinha com mestrado em Aquacultura e Pescas, e Maurício Namora, madeirense de 25 anos, biólogo marinho, conheceram-se na Universidade do Algarve e foi no seio deste percurso académico que nasceu a ideia da Mirabilis, ao aperceberem-se de uma lacuna existente na área da aquacultura nacional, sobretudo na vertente da ostreicultura. “No decorrer de estágios e visitas de estudo a explorações privadas e institutos estatais, ao falar com produtores e investigadores, verificamos que a ostreicultura tem muitas pernas para andar em Portugal, o potencial de crescimento é enorme, mas não existem maternidades comerciais”, revela Maurício Namora.

Com essa ideia a fervilhar na cabeça, a dupla contou com o apoio do CRIA – Divisão de Empreendedorismo e Transferência de Tecnologia da Universidade do Algarve, e agarrou as oportunidades que surgiram pelo caminho, tendo vencido, em 2013, o concurso «Desafio Mar», promovido pela Portugal Telecom, e o «Ideias em Caixa», dinamizado pela academia algarvia em parceria com a Caixa Geral de Depósitos. “Empenhamo-nos ao máximo no primeiro concurso, mas não tínhamos bem a noção de que isto se iria tornar uma realidade. Com o «Ideias em Caixa» a história foi diferente, contatamos com uma série de pessoas que nos mostraram que o projeto tinha, de facto, futuro”, recorda Maurício Namora.

Ostra Portuguesa da espécie crassostrea angulata. #107 ALGARVE INFORMATIVO

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Semente de Ostra Portuguesa (Crassostrea angulata) em duas fases do seu crescimento

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Da ideia de negócio à constituição da empresa vai, porém, uma grande distância, ainda mais numa atividade com as especificidades da aquacultura. “Existem bastantes incubadoras de empresas no território nacional, mas poucas estão adaptadas a este negócio. Precisávamos não só de água doce, mas também de água salgada, entre outros fatores, que não se encontram com muita facilidade”, conta Márcia Santos, um problema que foi resolvido com o apoio do IPMA – Instituto Português do Mar e da Atmosfera. “Só assim foi possível darmos o passo para iniciar esta fase-piloto, aqui na Estação Experimental de Moluscicultura de Tavira”, enaltece. Mas que fazem, afinal de contas, Maurício e Márcia, questionamos, ao que a dupla esclarece que o cultivo de ostras em aquacultura tende a dividir-se em três fases. Numa primeira etapa obtém-se os «juvenis», o que, antigamente, era feito essencialmente com recursos a bancos naturais de ostras. “Nas últimas décadas, devido à escassez de bancos naturais, recorre-se a maternidades para obter essas sementes”, aponta Maurício. As sementes seguem depois para a préengorda, antes de chegarem aos viveiros que estamos habituados a ver na Ria Formosa, na Ria de Alvor e um pouco por toda a costa de Portugal Continental. “O que fazemos, neste momento, é a produção experimental dos juvenis, da semente, muito pequena, que se destina a uma pré-engorda e a uma engorda. O processo começa com a recolha de reprodutores, indivíduos que podem ou não estar maduros, com características que privilegiamos, e com uma idade que

tentamos sempre determinar”, esclarece Maurício. Esta recolha não é, contudo, fácil, até porque só existem três bancos naturais de Crassostrea Angulata em Portugal, a espécie de ostra portuguesa. “Esses indivíduos adultos viajam para as nossas instalações, onde lhes fornecemos as condições físicoquímicas adequadas à sua maturação”, indica Maurício Namora. “Quando os reprodutores estão maduros, induzimos a desova, recolhemos os ovos e os espermatozoides, que depois fecundamos, assim começando realmente a primeira fase do ciclo de vida das ostras”, prossegue, falando em organismos muito simples que nadam na coluna da água e que, ao fim de 20 ou 30 dias, sofrem uma metamorfose e adquirem o aspeto de uma ostra adulta.

APOSTAR NA QUALIDADE E NÃO NA QUANTIDADE Posto este período, arranca o cultivo das pós-larvas, que culmina na semente de ostra portuguesa, o produto final da Mirabilis que posteriormente é enviado para produtores sob a marca «Angulata». “Não existe aqui nenhum segredo propriamente dito, foi uma aprendizagem fruto da experiência, de inúmeros testes realizados, de diversos erros cometidos, ao longo destes anos. Agora, queremos otimizar técnica e economicamente a produção de semente de ostra portuguesa em maternidade. O percurso está a correr de feição, mas ainda temos alguns passos para dar”, assume Márcia Santos. #107 ALGARVE INFORMATIVO

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Maurício Namora e Márcia Santos, os dois biólogos marinhos que estão na génese da Mirabilis

Passos que são dados de forma segura, sem atalhos, nem atropelos aos caminhos naturais da espécie, afiançam. “Até elas saírem daqui para a fase de pré-engorda pode demorar aproximadamente dois meses e é possível fazer vários ciclos anuais de produção, como acontece em todas as maternidades de bivalves. Temos sempre diversas fases a decorrer em simultâneo para rentabilizar os tanques que vão ficando vagos”, diz-nos Márcia, enquanto Maurício confirma que, para já, a Mirabilis vai focar-se apenas no cultivo e na maternidade de sementes de ostras. “A atividade pode tornar-se rentável e há muitas maternidades comerciais no estrangeiro, mas é necessário acreditarmos mais nos nossos produtos do mar, nas nossas espécies, o que, felizmente, está a voltar a acontecer. A aquacultura, em Portugal, deve ser de qualidade e não de quantidade. Os nossos 18 ALGARVE #107 INFORMATIVO

produtos são muito reconhecidos lá fora, portanto, não devemos tentar competir, em quantidade, com países com economias completamente diferentes da nossa, que produzem largas toneladas de organismos aquáticos e que, por isso, têm custos de produção baixíssimos”, aconselha, entretanto, Márcia Santos. Aposta na qualidade que ainda faz mais sentido quando estamos numa região turística de excelência como o Algarve, e no concelho de Tavira, comunidade representativa da Dieta Mediterrânica. “As pessoas querem produtos de qualidade e que lhes façam bem, as ostras são um alimento bastante importante para a saúde e as nossas ostras estão a ser bastante procuradas”, reforça Maurício Namora. Um reconhecimento do trabalho bem feito que é confirmado pelos diversos


prémios que a Mirabilis tem conquistado, o último dos quais bem recente, o Diploma Revelação Azul, na categoria de Empreendedorismo, dos Prémios Excellens Mare 2017, promovidos pela PricewaterhouseCoopers Portugal. “É um grande orgulho e a prova de que existem cada vez mais iniciativas ligadas ao mar e uma maior preocupação em relação à aquacultura. Temos que valorizar os nossos produtos do mar e a nossa gastronomia, para impulsionar a tão emergente economia azul”, volta a defender Márcia Santos. Embora parte da conversa, de teor mais científico, passe ao lado do cidadão comum, Maurício Namora assegura que a vertente técnica é a que gera menos dores de cabeça à dupla de biólogos marinhos. “O problema é que, no percurso de qualquer empreendedor, chega uma

altura em que deixamos de fazer as coisas de que realmente gostamos e temos que dominar outros conceitos e valências. Mas essa capacidade de alargar o leque de competências é fundamental e, hoje em dia, ninguém tem desculpa para não aprender”, considera o madeirense. Já Márcia Santos fala das dificuldades do dia-a-dia para se financiar a investigação em Portugal. “Temos o apoio da Universidade do Algarve e do IPMA, sem eles seria impossível termos aqui chegado, mas é complicado encontrar financiamento para empresas tão recentes e com uma componente tão longa de investigação como é a nossa. Apesar disso, queremos ampliar a produção e avançar, dentro em breve, para a fase comercial, sempre com o objetivo de valorizar ativamente a nossa ostra, a ostra portuguesa” .

Produção de fitoplâncton (microalgas) utilizado para a alimentação das ostras #107 ALGARVE INFORMATIVO

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ENTREVISTA

Sara Badalo apresentou as canções de uma sereia da Fuzeta A concorrência era de peso, nada mais, nada menos, do que Aurea na Semana Académica de Faro. Apesar disso, o Club Farense encheu, na noite de 6 de maio, para assistir à estreia, ao vivo, de «What About Sara», projeto de originais de Sara Badalo, que teve a seu lado Marcos Badalo e Paulo Machado. E que bem que soube escutar as canções desta sereia da Fuzeta. Texto:

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ara Badalo não é uma estreante em cima do palco, antes pelo contrário, já viajou praticamente pela Europa toda a cantar com «Sam Alone & The Gravediggers», tem a banda «Storm & The Sun» com Pedro Matos, atuou com um trio de jazz na iniciativa «Jazz nas Adegas», do programa «365 Algarve», fez parte dos «Happy Mess» e da «Radio Royalle». Mas cantar os seus próprios temas originais, os seus pensamentos mais íntimos, as histórias fantásticas que lhe enchem a cabeça desde miúda, perante uma plateia de desconhecidos, num espaço carismático como o Club Farense, na capital algarvia, é outra coisa bem diferente. Por isso, quando conversamos com Sara, depois de um concerto excelente, que nos fez também viajar musicalmente para um universo repleto de piratas, sereias, monstros marinhos e heróis, ainda encontramos a cantora e compositora com as emoções à flor da pele, a tentar normalizar o ritmo cardíaco, com as lágrimas a espreitarem. “Os temas estão a ser compostos desde 2013 e são os meus bebés. Sou uma pessoa bastante extrovertida, mas estas músicas são algo muito pessoal, mostram-me como eu sou na verdade. Eu vivo este mundo fantasioso como se fosse a minha realidade e não foi fácil ganhar coragem para as cantar em público”, reconhece. Em boa hora Sara Badalo venceu a timidez e deitou cá fora o que lhe ia na alma, contando com a ajuda inestimável de dois virtuosos neste caminho. Por um lado, Paulo Machado, exímio no acordeão, piano, sintetizador, baixo, entre outros instrumentos. Do outro, Marcos Badalo, guitarrista de eleição, o pai que a conhece 24 ALGARVE #107 INFORMATIVO

melhor do que ninguém e que já está, felizmente, habituado ao sucesso dos filhos. “Comecei a ensaiar com eles e foi bastante fácil explicar-lhes o que pretendia com a minha música. Fazer parte de outros projetos deu-me muita experiência e confiança no meu trabalho, mas é diferente criar as letras e os ambientes desta minha realidade que, para os outros, é uma fantasia. Tenho consciência que, para algumas pessoas, sou uma coisa estranha, não


percebem bem o que eu sou, acham que tenho um parafuso a menos, mas esta é a Sara Badalo. Não sou pretensiosa, nem quero ser alguém que não sou”, desabafa, nos bastidores do Club Farense. Um mundo de fantasia que, hoje, não é assim tão estranho para o público em geral, transportado para as massas através dos filmes de Hollywood, das séries de televisão, dos livros de culto, e que permitem perceber que, afinal, milhões de

homens e mulheres se identificam com esse «mundo». “Sempre me fascinou a beleza das coisas sombrias, o mundo dos vampiros e todas essas fantasias que, supostamente, são direcionadas para o mal. O primeiro filme que me lembro de ver é o Drácula de Bram Stoker. Depois, também sou bastante ligada ao mar, o meu pai e os meus avôs foram pescadores, e os melhores dias da minha vida são quando começa a aparecer o sol e sinto logo vontade de #107 ALGARVE INFORMATIVO

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ir para a praia. São alturas em que me liberto por completo e a minha música fala de tudo isso”, descreve, de coração nas mãos. À medida que ia crescendo, Sara Badalo questionava-se igualmente sobre a vida, a filosofia, o modo como encaramos o que nos rodeia, aquilo que nos acontece no diaa-dia. “A certa altura, comecei a sentir que já tinha vivido uma certa experiência como pirata ou explorador, chegar de barco a uma praia nova, a uma terra onde nunca ninguém tinha estado. Escrever era a minha forma de libertar esses sentimentos e assim surgiram estas músicas”, conta a compositora, que também assume a faceta de instrumentista. “As letras e a música andam sempre lado a lado, mas o que nasce primeiro é a necessidade de transmitir uma mensagem, de deitar cá para fora um sentimento. Esta noite cantei o «Maré Alta», um tema que exemplifica bem o meu processo de criação. Pego no ukulele, no piano, no computador, gravo vozes por cima de vozes, agarro sons reais, misturo e altero. O meu instrumento principal é a voz e utilizo-a para descobrir harmonias, melodias, efeitos sonoros e ambientes. O meu pai ajuda-me imenso a definir corretamente os acordes e ele e o Paulo Machado são ótimos na questão dos arranjos”, revela Sara.

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O CAMINHO É O MAIS IMPORTANTE O à-vontade, a intimidade, entre Sara, Marcos e Paulo facilmente se constata em palco. Cada um sabe o que tem que fazer, em que ponto da música devem intervir com mais fulgor, ou com mais calma, onde devem deixar Sara viajar pelo seu mundo imaginário, e onde devem puxá-la de volta ao mundo terreno. Por isso, «What About Sara» deixa-nos de água na boca, a querer


mais, mais um tema, mais um espetáculo. E Sara Badalo não é vedeta, não sonha ser popstar, canta pela paixão pela música e reconhece que tudo se torna mais fácil quando tem, a seu lado, o pai, carne de sua carne, quem lhe passou o gene da música, o talento para as artes. “Houve momentos em que toquei com outras pessoas, as coisas até funcionaram, mas chegou uma altura em que disse para mim mesmo que este projeto só podia ir para a frente com o meu pai a acompanhar-me. É ele que me conhece totalmente, enquanto pessoa e como artista, não há ninguém que consiga compreender melhor as minhas músicas do que ele”, admite, bastante emotiva, enquanto passa uma amiga e lhe lança um «thumbs up». “E o Paulo Machado tem um espírito que se encaixa perfeitamente nesta música. Olho para ele e sinto que ele faz parte desta sonoridade, para além

de ser um virtuoso, toca mil instrumentos e está sempre curioso”, acrescenta. O concerto tinha terminado há uma boa meia hora, Sara Badalo já andara na conversa com os amigos, e com os cidadãos anónimos, que encheram o Club Farense, mas não havia maneira da pulsação acalmar, andavam ali lágrimas de felicidade à espera da sua deixa para escorrerem livremente pelo rosto abaixo, o que só aconteceria mais tarde, a sós. “Ainda não acredito que este sonho se concretizou. Só daqui a uma semana é que vou meter na cabeça que estavam aqui tantas pessoas, que bateram palmas, que vieram falar comigo a dizer que gostaram muito. Estou num estado tão grande de adrenalina que esta noite não vou dormir”, antevê.

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A pergunta da praxe não podia faltar à conversa, quais as expetativas, sabendo-se que, na indústria da música, o talento nem sempre é o mais importante, o que interessa é ter bons contatos, estar no sítio certo, na hora certa, e jogar-se para a frente sem pensar duas vezes. “Antigamente, enquanto andava a estudar, vivia muita sobre pressão, agora, sou uma pessoa bastante feliz com a minha vida. Nunca tive o sonho de ir cantar a este ou aquele sítio, o caminho é que interessa, o que passamos até lá chegar. Claro que gostava imenso de atuar, por exemplo, no MEO Arena, significava que o meu trabalho estava a ser bem feito e que tem qualidade, mas tento não pensar demasiado nisso”, confessa. “Prefiro cantar para 50 pessoas e realmente ter-lhes «tocado», do que ter mil pessoas à minha frente e sentir que estou apenas a encher um «buraco» qualquer”. 28 ALGARVE #107 INFORMATIVO

Entretanto, «Songs from a Mermaid» já está parcialmente gravado e, depois de ter o disco nas mãos, segue-se a parte da promoção, uma batalha dura e, por vezes, ingrata. “As pessoas, atualmente, têm tanta coisa para ouvir, a que jogar a mão, que não sabem o que escolher, quem será a próxima «cena». Mas eu não quero ser a próxima «cantora pop», quero apenas que alguém ouça as minhas músicas, que veja os meus videoclips, e que fique feliz”, reforça Sara Badalo. “Se as pessoas dessem mais crédito aos seus sonhos e fantasias, eram todas mais felizes e cheias de amor e ocupávamos menos a cabeça com coisas mesquinhas. Deixávamos de nos importar tanto com aquilo que os outros têm ou são. Eu não invejo ninguém e sou grata por tudo aquilo que aparecer” .


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REPORTAGEM

AMBIFARO EDITOU LIVRO SOBRE

AS LENDAS DE FARO

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A AmbiFaro lançou, no dia 10 de maio, no Museu Municipal de Faro, o livro «Faro Lendário», obra que reúne as principais lendas do concelho de Faro. A sessão de apresentação teve casa cheia, contou com as participações do presidente da AmbiFaro, Bruno Lage, do autor Jorge Carrega e do antigo jornalista João Leal, que sublinharam a importância de se preservar o património espiritual e transmitir esse legado às novas gerações. Texto:

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oi com uma ampla plateia que o Museu Municipal de Faro assistiu, no dia 10 de maio, ao lançamento do livro «Faro Lendário», da autoria do historiador Jorge Carrega, e editado pela AmbiFaro. O objetivo é apresentar, junto do grande público, as principais lendas deste concelho, valorizando uma parte insubstituível do património cultural imaterial algarvio. Para tal, a obra é enriquecida por um conjunto de gravuras alusivas à narrativa das lendas, de Marco Valle Santos, e por algumas notas históricas e biográficas sobre o património cultural farense. Na ocasião, Bruno Lage, presidente da AmbiFaro, recordou que Faro é uma cidade milenar e um local de visita obrigatória para os muitos turistas nacionais e estrangeiros que elegem o Algarve para os

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seus períodos de férias e de lazer. Região algarvia que integrou o território nacional a 16 de fevereiro de 1267, após a assinatura do Tratado de Badajoz, pelo Rei D. Afonso III de Portugal e D. Afonso X, Rei de Castela e Leão. “O património cultural do concelho de Faro é testemunho de uma história moldada através de séculos por diversas civilizações e inclui, não só dezenas de monumentos e edifícios notáveis, mas também um conjunto de lendas e tradições orais, cujo imaginário reflete as crenças ancestrais do nosso povo”, destacou o dirigente. Bruno Lage lembrou ainda que a presença muçulmana por terras algarvias durante vários séculos deixou uma herança cultural bem vincada e que persiste até aos dias atuais, facilmente percetível a nível arquitetónico,


João Leal , Bruno Lage e Jorge Carrega, na apresentação de «Faro Lendário», no Museu Municipal de Faro

toponímico, histórico, económico e social. “Numa era de crescente globalização, esta importante herança cultural assume um papel fundamental no reforço da identidade das populações locais e, para além de permitir compreender melhor o passado, é um precioso recurso económico, cuja salvaguarda e promoção é indispensável para a valorização do nosso património histórico e cultural”, sublinhou, afirmando que um povo sem memória é um povo sem história.

Romantismo, movimento cultural do século XIX que procurava as raízes da identidade nacional na Idade Média, colocou uma particular atenção em manifestações da cultura tradicionais das classes rurais e iletradas, “dai suscitando o interesse pela chamada literatura oral tradicional, um conjunto de histórias que foram sendo transmitidas oralmente entre gerações e, posteriormente, recolhidas e fixadas em texto”.

Nesse sentido, o intuito da AmbiFaro com este livro é dar a conhecer um pouco melhor o património, a cultura e a identidade do concelho de Faro, não só aos farenses, mas aos milhares de turistas que visitam diariamente a capital algarvia. Por sua vez, Jorge Carrega contou que o

O autor de «Faro Lendário» revelou que, em Portugal, este interesse pela tradição oral se ficou a dever a vultos intelectuais como Almeida Garrett e Teófilo Braga, sendo que, no Algarve, o grande pioneiro na investigação da literatura popular foi Estácio da Veiga, #107 ALGARVE INFORMATIVO

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que publicou, em 1870, o «Romanceiro do Algarve». “O seu trabalho seria continuado alguns anos depois por Francisco Xavier de Ataíde Oliveira, um dos maiores compiladores e divulgadores da literatura oral algarvia, que recolheu centenas de contos e lendas, publicadas no jornal «O Algarvio», ou em livros como «As Mouras Encantadas e os Encantamentos do Algarve», editado em 1898”, explicou. Esta pesquisa etnográfica foi prosseguida, na segunda metade do século XX, por Manuel Viegas Guerreiro, autor de «Contos Populares Portugueses», lançado em 1956, entre outras obras de registo. O exemplo inspirou vários investigadores que, já neste século, continuaram este trabalho de investigação no Centro de Estudos Ataíde Oliveira, integrado na Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade do Algarve.

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Jorge Carrega confirmou que a presença árabe no Algarve, entre o início do século VIII e meados do século XIII, deixou fortes marcas na história e cultura do concelho de Faro. “Grande parte do lendário algarvio apresenta um caráter local ou regional, estando intimamente associado às principais cidades árabes ou a sítios que ficam nas suas proximidades. É provável que muitas dessas lendas se baseiem em fatos reais que a imaginação popular acabou, depois, por modificar com a introdução de um elemento fantástico que procura explicar acontecimentos insólitos ou misterioso. Assim se explica a presença recorrente de mouros ou mouras encantadas nas narrativaslendárias do Algarve”, justificou o historiador da Universidade do Algarve. “As belas mulheres mouras ficaram


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encantadas após a conquista do Algarve pelos cristãos e apareciam geralmente em castelos ou junto a fontes, poços, rios ou árvores, onde guardavam tesouros e aliciavam os incautos para que quebrassem o seu encantamento”. Segundo o autor, existem também lendas de mouras encantadas no norte de Portugal, na Galiza e nas Astúrias, o que levou alguns investigadores a considerar que estas mouras e mouros encantados constituem, por vezes, a memória difusa de divindades pagãs que o Cristianismo e o Islamismo não conseguirem suprimir. “Esta poderá ser também a explicação para o facto de, em diversas lendas, a aparição, ou o desencantamento das mouras acontecer na noite de São João, celebração religiosa de caráter popular 38 ALGARVE #107 INFORMATIVO

que serviu para cristianizar uma tradição pagã em que se festejava a proximidade das colheitas. Mas há outras lendas que têm, claramente, uma origem cristã, como a «Lenda do Milagre de Santa Maria de Faro» ou a «Lenda da Imagem de São Tomás de Aquino»”, esclareceu Jorge Carrega, indicando que as versões presentes em «Faro Lendário» procuraram manter a espontaneidade da narrativa oral, evitando-se reescrever o texto de modo a que este se adequasse a uma certa ideia de literatura. “Para complementar esta coletânea das lendas de Faro, incluímos também pequenas notas históricas e biográficas que ajudam a ter uma melhor contextualização da tradição oral aqui apresentada”, concluiu Jorge Carrega .


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CAFÉ INSPIROU EXPERIÊNCIA GASTRONÓMICA DE LUXO NO «HENRIQUE LEIS» A «Nespresso Gourmet Weeks» está de regresso e o «Henrique Leis», localizado em Almancil, é o único restaurante algarvio a integrar o prestigiado evento. O desafio, como de costume, foi conceber uma experiência gastronómica de excelência onde o café assumisse um papel de destaque. Texto: Fotografia:

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REPORTAGEM

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O

roteiro de alta gastronomia «Nespresso Gourmet Weeks» está de volta para mais uma edição e conta mais uma vez com a presença do Chef Henrique Leis na conceção de um menu exclusivo em que o café é a estrela de toda a refeição. A experiência gastronómica teve lugar, no dia 11 de maio, no Restaurante Henrique Leis, em Almancil, e Henrique Leis e o Subchef Miguel Gomes proporcionaram, de facto, uma noite de elevada qualidade para os paladares mais exigentes. Da ementa fizeram parte os aperitivos Velouté de Legumes, Gnocchi de Bacalhau, Rillete de Ganso com Praliné, Macarron de Beterraba e Corneto de Salmão, acompanhado por um Charles Pelletier Brut-France: um Parfait de Foie Gras de Pato com Marmelada ao Sabor de Espresso Origin Brazil, acompanhado de Knockout – Colheira Tardia (Algarve); Blini de Batata ao Espresso Leggero, Caviar Imperial e Salmão, com um Casa Amarela Rosé (Douro); Vieira e Tapioca, novamente com um Casa Amarela Rosé (Douro); Lagosta de Sagres «à la Bordalaise ao Espresso Descaffeinato», com um Monte da Peceguina Branco (Alentejo); Pombo de Bresse com Crosta de Ristretto, com um Al Ria Reserva 2015 (Algarve); e Gâteau Ópera de Chocolate e um Exclusive 42 ALGARVE #107 INFORMATIVO

Velouté de Legumes, Gnocchi de Bacalhau, Rillete de Ganso com Praliné, Macarron de Beterraba e Corneto de Salmão

Parfait de Foie Gras de Pato com Marmelada ao Sabor de Espresso Origin Brazil

Blini de Batata ao Espresso Leggero, Caviar Imperial e Salmão,


Em cima: Prato de Vieira e Tapioca À esquerda: O Chef Henrique Leis

Selections Nepal Lamjung. “A estrela maior foi o café, sem desvalorizar ou diminuir os excelentes produtos que estão na base dos diversos pratos, desde a lagosta ao pombo, do foie gras ao caviar. Foi tudo casado com os cafés, uns mais fortes, outros mais fracos, e tentamos equilibrar o máximo possível a ementa para dar suavidade ao café e para que os vinhos também não ficassem num patamar inferior”, descreveu Henrique Leis. O prestigiado cozinheiro passou por Itália, Alemanha e outros países antes de chegar a Portugal, onde abriu o seu próprio restaurante, em 1993, em Almancil. A sua qualidade viria a ser reconhecida em 2000, quando recebeu #107 ALGARVE INFORMATIVO

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Lagosta de Sagres «à la Bordalaise ao Espresso Descaffeinato»

Pombo de Bresse com Crosta de Ristretto,

Gâteau Ópera de Chocolate e um Exclusive Selections Nepal Lamjung

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uma Estrela Michelin, galardão que tem sido sempre renovado desde então. “É sempre uma honra fazer parte deste evento, um desafio de que gosto muito, mas que não é fácil. A elaboração do menu já andava na minha cabeça há mais de um mês, até atingir o ponto desejado. Há coisas que nos parecem bem num determinado momento, depois, vamos para casa pensar mais calmamente, e percebemos que ainda podem ser melhoradas. E é, realmente, aliciante trabalhar com o café”, acrescentou. A terceira edição da «Nespresso Gourmet Weeks» desafiou oito Chefs Estrela Michelin a criarem menus exclusivos em que o café seria a estrela de toda a refeição. Este ano, além dos Chefs, os Sommeliers também têm um papel fundamental ao selecionarem os vinhos mais indicados para degustar os diferentes pratos. Quanto à fonte de inspiração, é a «Nespresso Exclusive Selection», composta por dois cafés especialmente criados para restaurantes de alta gastronomia. Provenientes de regiões inexploradas do Nepal e Tanzânia, o «Exclusive Selection Nepal Lamjung» e o «Exclusive Selection Kilimanjaro Peaberry» foram desenvolvidos para que a experiência gastronómica nos restaurantes Fine Dining seja ainda mais inesquecível .


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REPORTAGEM

João Frade e Emanuel Marçal

ACORDEÃO D’ALMA ENCANTOU CASTRO MARIM Inserido nas comemorações do Dia Mundial do Acordeão, a Mito Algarvio levou a cabo, nos dias 6 e 7 de maio, em Loulé e Castro Marim, respetivamente, o evento «Acordeão d’Alma». A par do concerto com acordeonistas de renome internacional, houve lugar a uma tertúlia informal para melhor dar a conhecer um instrumento que toca bem fundo na alma dos algarvios. Texto: 48 ALGARVE #107 INFORMATIVO

Fotografia:


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ais do que um simples concerto, «Acordeão d´Alma» foi uma celebração a um instrumento com fortes raízes no Algarve, enquadrada nas comemorações do Dia Mundial do Acordeão, recordando o 6 de maio de 1829, data em que foi apresentada a sua patente. O projeto é da responsabilidade da Mito Algarvio – Associação de Acordeonistas do Algarve, e contemplou duas sessões, uma no Cine-Teatro Louletano, a 6 de maio, a outra no Auditório da Biblioteca Municipal de Castro Marim, no dia seguinte.

campeão do mundo), Nelson Conceição, Emanuel Marçal e Anabela Silva. Mas incluiu, igualmente, um painel em formato de tertúlia, composto por cinco oradores: o realizador de cinema Ivan Dias; a vice-presidente da Câmara Municipal de Castro Marim Filomena Sintra; o professor Hermenegildo Guerreiro; o programador cultural Paulo Pires; e o acordeonista João Frade. “Quisemos transmitir o que é a alma do acordeão algarvio, o sentimento que ele deixa em todos nós”, explicou João Pereira, presidente da Mito Algarvio, poucos minutos antes do arranque da sessão de Castro Marim.

O cartaz do evento foi, de facto, de luxo, com o Duo Paris Moscovo (composto pelos campeões mundiais Domi Emorine e Roman Jbanov), João Frade (campeão do mundo), João Filipe Guerreiro (vice-

O projeto foi apoiado pelo programa «365 Algarve» e pelos municípios de Loulé e Castro Marim e contemplou ainda a exibição do trailer de «A Sabedoria na ponta dos dedos – o Mito

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Ivan Dias, Filomena Sintra, Hermenegildo Guerreiro, Paulo Pires, João Frade e Jorge Sampaio

do Acordeão Algarvio», longa-metragem realizada por Ivan Dias. “Conseguimos reunir alguns dos melhores acordeonistas nacionais e internacionais, uma panóplia de grandes valores. É um instrumento que sentimos como nosso e está-se a fazer um trabalho bastante importante, como o demonstra os sucessivos prémios que os algarvios conquistam no estrangeiro”, destacou João Pereira, satisfeito por ver as novas gerações a aderirem ao acordeão. “Há uma nova abordagem, está inserido em todos os estilos musicais, desde o jazz até ao rock, passando pelo fado, e isso atrai os mais novos. A maioria, claro, vem por incentivo dos pais ou por haver um acordeonista na família, mas há muitos alunos que aparecem por iniciativa própria”. Alunos há com fartura e professores de qualidade também não faltam no Algarve, 50 ALGARVE #107 INFORMATIVO

casos de Hermenegildo Guerreiro, Nelson Conceição, Gonçalo Pescada, Emanuel Marçal, Anabela Silva e o próprio João Pereira, entre outros. “É um instrumento com enorme futuro e com o «Acordeão d’Alma» pretendemos recordar aquilo que fomos beber aos mais antigos e também as abordagens mais contemporâneas”, reforçou o dirigente. Ao lado, João Filipe Guerreiro tinha terminado o seu ensaio, ele que se sagrou vice-campeão do mundo em 2017. “É um projeto inovador e permite que os adeptos do acordeão fiquem a saber mais sobre este instrumento pelas palavras dos próprios executantes e dos professores. Organizam-se festivais e outros concertos com alguma frequência, mas estes eventos são mais raros”, apontou.


João Filipe Guerreiro é o mais recente de uma lista de jovens virtuosos do acordeão a saltarem do Algarve para a ribalta internacional, contudo, o dia-a-dia é passado, sobretudo, ligado à engenharia informática. “A música é um hobby que exerço com grande paixão à noite, mas há a possibilidade de se viver apenas da música. A solo será mais complicado, mas existe uma grande margem para se participar em vários grupos de outras sonoridades. Aquela ideia de que o acordeão só serve para os ranchos folclóricos está perfeitamente ultrapassada”, analisou o vice-campeão do mundo. Também no palco, mas no painel de oradores, estava Ivan Dias, realizador de «A sabedoria na ponta dos dedos – o Mito do Acordeão Algarvio», para quem a

tertúlia era uma forma de trazer os assuntos do acordeão para as pessoas que assistem ao evento. “No fundo, é um discorrer de histórias, umas mais sérias, outras mais cómicas, sobre o acordeão. O instrumento estava votado a um esquecimento, a um estigma, até mesmo por mim, que sempre trabalhei ligado à música”, reconheceu. “Mas o acordeão foi crescendo dentro de diversos casulos e agora está a desabrochar por completo, com músicos da craveira do João Frade e do João Filipe Guerreiro. O João Filipe conta que, quando era miúdo, chamavam-no «Quim Barreiros» na escola simplesmente por tocar acordeão, e ele tinha vergonha. Hoje, um tipo novo que vai tocar no estrangeiro e faz grandes brilharetes, tornou-se um indivíduo garboso”, comparou o realizador.

João Filipe Guerreiro #107 ALGARVE INFORMATIVO

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Nelson Conceição

UMA CATAPLANA DE SENSAÇÕES O mundo do acordeão mudou, no passado recente, graças a uma nova geração de virtuosos, que colheu esta sabedoria na fonte, junto dos mais velhos, e depois a transformou ao seu jeito pessoal. E Ivan Dias contata com esta realidade há vários anos, desde que começou a trabalhar com a etnografia e a musicologia. “Às vezes pensamos que as coisas estão prestes a morrer, que as tradições cristalizaram, que não têm sentido e, de um momento para o outro, tudo se transforma. Mas não basta termos músicos, é preciso quem os queira ouvir, 52 ALGARVE #107 INFORMATIVO

há que «educar» os públicos”, referiu. “As coisas estavam a acontecer nos bailes da Funchosa, ou na Bordeira, onde nasceu todo este mito do acordeão algarvio, mas as pessoas não chegavam lá. Pensavam que tudo se resumia a ranchos, a bailaricos, ao turista ocasional que queria ouvir meia dúzia de notas típicas do local onde estava a passar férias”. Romperam-se, também, todas as barreiras, deixaram de existir tabus no acordeão, que passou a interpretar todos os estilos de música, e Ivan Dias salientou o papel de João Frade nesta mudança. “Ele pega em pedais, distorce o som que sai do acordeão e mistura aquilo com outras coisas, algo que,


antigamente, se diria ser antinatural, que ia contra a alma do acordeão. O João Frade é o ponta-de-lança deste movimento – embora seja humilde e não goste de se pôr em bicos de pés – mas tem a seu lado uma série de extremos direitos e esquerdos, de médios centros, uma equipa completa de malta nova que anda à procura da sua linguagem, do seu próprio caminho”, observou o realizador de cinema. E por falar em João Frade, o albufeirense descreveu o «Acordeão d’Alma» como um momento de partilha, de reunião de apaixonados por este instrumento. “Quando estamos a tocar, deixamo-nos realmente ir neste estado de alma tão tipicamente algarvio”, confirmou,

lembrando que a região sempre teve acordeonistas de eleição e alguns deles eram mesmo brilhantes esteticistas. “Eu encontrei mais ou menos o meu caminho e fico contente se isso poder ajudar a inspirar os mais novos. Os concursos foram importantes no meu trajeto, mas já aconteceram há bastante tempo e nunca gostei de ficar à sombra da bananeira”, salientou, ele que, em 2002, venceu as mais prestigiadas competições internacionais de acordeão. João Frade cedo embarcou numa busca por outras músicas, outros sons, para o seu acordeão, mas nunca esqueceu as origens, a música tradicional portuguesa por onde começou. “Misturar as coisas

Duo Paris Moscovo (composto pelos campeões mundiais Domi Emorine e Roman Jbanov) #107 ALGARVE INFORMATIVO

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João Pereira, presidente da Mito Algarvio

é um processo natural para mim e isso também me ajuda a colaborar com personagens de outros universos musicais. Depois, quando volto a tocar algo que é a minha verdade, a música popular algarvia, ela já surge com um colorido diferente. É um género de cataplana onde meto vários ingredientes e condimentos de acordo com o meu sabor, as minhas sensações”, indicou, confessando que este processo criativo nem sempre resulta. “Muitas vezes falhei, «acertei na trave», como se costuma dizer, mas isso é normal. Com a experiência, tudo começa a sair de forma mais fluída”. Quem não faltou ao «Acordeão d’Alma» foi o presidente da Câmara Municipal de Castro Marim, Francisco Amaral, ele próprio um adepto confesso deste instrumento. “Tem uma história e uma 54 ALGARVE #107 INFORMATIVO

cultura muito arreigadas nesta terra, e no Algarve em geral, e é meu objetivo transformar Castro Marim na Capital do Acordeão. Todos os sábados há bailes de acordeão, é uma forma de animar as pessoas, é o melhor antidepressivo”, garantiu o autarca, lembrando igualmente a prestação de Carlos Luz, que ia pintando um quadro, ao vivo, enquanto a música fluía neste «Acordeão d’Alma». Francisco Amaral destacou ainda o trabalho realizado pela Mito Algarvio na promoção e divulgação desta tradição. “O João Pereira tem uma sensibilidade extrema, uma capacidade de trabalho fora-de-série, tem uma alma muito grande para promover este género de eventos. Vive profundamente o acordeão e estão reunidas as condições para que este instrumento tenha um futuro risonho”.


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REPORTAGEM

«NA POEIRA DO CAMINHO» PATENTE NA GALERIA TREM A Galeria Trem, em Faro, acolhe, até 28 de junho, a exposição «Na Poeira do Caminho», de Susana Gaudêncio, formada em Pintura pela Universidade de Lisboa e licenciada pelo Hunter College, de Nova Iorque. Texto:

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Fotografia:

e que se compõe uma exposição? De objetos, certamente. De coisas a que chamamos obras de arte, ou que assim passam a ser designadas no momento em que são expostas, como dispositivo, num determinado espaço. Desde Duchamp que os objetos artísticos foram

desinvestidos de uma aura que os tornava únicos, originais, frutos da mão do artista que, com sua mestria, os construía. Desde então, há uma questão que se coloca e volta a ser colocada a cada nova exposição em que o artista decide que arte não é apenas um gesto criador, mas é também um gesto recolector – os objetos são fruto dum olhar especial, duma escolha, dum percurso realizado pelo artista e da sua decisão – trazer para o universo daquilo a que chamamos de arte coisas que outros diriam ser sobras, ruídos, restos. Poeira. Mas o que define esta coisa que o artista convoca? Heidegger, a propósito, escreveu um ensaio em que propõe à Filosofia uma questão semelhante: “A questão enuncia-se do seguinte modo: «Que é uma coisa?». Imediatamente uma dúvida nos assalta. Dir-se-á que faz sentido utilizar e consumir as coisas disponíveis, pôr de lado as coisas que estorvam, arranjar as que são necessárias; mas com a questão «que é uma coisa?» não se pode, propriamente, começar nada. (…) Esta afirmação acerca da nossa questão é tão verdadeira que devemos, precisamente,

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compreendê-la como uma determinação da sua essência. «Que é uma coisa?». Esta é uma questão com a qual nada se pode começar; acerca desta questão, mais nada precisa ser dito”. Para o filósofo, as coisas existem quando sabemos o que fazer com elas. Mas, quando as questionamos, elas assumem uma nova ontologia que nos confunde. A exposição de Susana Gaudêncio, que é, no fundo, um processo expositivo e um dispositivo de constante inquietação, prossegue uma senda de outras exposições onde os objetos, ora criados pelas mãos da artista, ora encontrados por acaso ou resignificados, são dispostos de maneira a tentar responder, ou, pelo contrário, a propor mais questões a quem vê os

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objetos e também, aos próprios objetos em si, que contêm uma história. Porque as coisas/objetos falam de nós que os encontramos, ou que os perdemos, e também de nós que nos convertemos em objetos tecnológicos, em gadgets, que nos desgastamos. Na poeira do caminho não responde à questão heideggeriana – o que é uma coisa, mas propõe-nos encontrar novas respostas a esta inquietação. Porque os objetos são o que fazemos com eles, são os significados do qual são investidos e são, sobretudo, fragmentos daquilo que somos e da sociedade em que vivemos . #107 ALGARVE INFORMATIVO

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OPINIÃO

Generalizações sexistas Paulo Cunha (Professor)

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empre me causou alguma impressão, desconfiança, e até alguma aversão, as generalizações que se fazem sobre quase tudo. É natural que numa sociedade onde o consumo dita regras, os estrategas da economia de mercado tentem classificar e «arrumar» os consumidores através dos seus comportamentos. Desde que o «mundo é mundo» que se tenta distinguir o comportamento masculino do feminino através de atitudes que se tornaram comuns a cada um dos géneros. Por isso, não é de estranhar ler e ouvir afirmações que, de tanto proferidas, parecem, tal como num manual de instruções, ganhar força de verdade e assim distinguirnos. Na qualidade de leitor e observador atento, penso que as mesmas não passam de estereótipos e até de mitos. Compreendo pois que certos investigadores e autores de renome questionem algumas investigações realizadas por esse mundo fora sobre o que diferencia os dois sexos. Sabendo que as predições baseadas somente no género são muitas vezes inexatas, os mesmos questionam sobretudo se os enormes esforços para apoiar generalizações estereotipadas não terão apenas o objetivo de manter e de justificar a existência de esferas separadas para os homens e as mulheres?! Habituámo-nos a conviver com chavões sobre «Mulher» e «Homem» que, de tantas vezes proferidos e repetidos, ganharam o valor e estatuto de verdades insofismáveis. Muitas delas, senão a maioria, pensadas e proferidas com carácter simplista, redutor e sexista. Classificando diversas formas de pensar e de agir como femininas ou masculinas, a sociedade habituou-se a arrumar certas formas de pensar e de estar na vida como femininas ou masculinas. Daí escutarmos os clichés do costume, tais como: “Com aquele comportamento de «macho» nem parece uma mulher… até joga à bola e tudo!” ou “Vê-se logo o que é que ele deve ser, com aqueles trejeitos e maneirismos!”. Clichés que, na maioria dos casos, não passam disso mesmo - frases feitas alicerçadas em ideias preconcebidas e numa educação preconceituosa, onde tudo o que sai do padrão comportamental é catalogado num qualquer género duvidoso e estranho. Têm sido desenvolvidos uma série de estudos nas últimas décadas onde se pretendeu recolher argumentos que ajudassem a sustentar uma teoria sobre a origem das diferenças entre géneros, admitindo-se hoje que não

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existe uma única explicação para todas as diferenças entre os sexos, devendo recorrer-se às múltiplas e distintas teorias para explicar os diferentes tipos de comportamento. “Um primeiro facto surpreendente é que o esforço para comparar os sexos não tem equivalente noutras categorias sociais, apesar de alguns autores sugerirem que as diferenças entre outros grupos sociais, nomeadamente as classes sociais e os grupos étnicos, são provavelmente mais importantes”. (Archer, J. - 1996). No entanto, se as primeiras classificações dos seres humanos comparavam, de facto, raças e classes sociais, estes procedimentos tornaram-se politicamente incorretos, ao passo que as comparações entre homens e mulheres não parecem colocar o mínimo problema. “Um dado interessante também é que se poderia esperar que fosse fácil fazer uma lista de diferenças entre os sexos, numa sociedade onde existem tantas desigualdades de estatuto e de poder entre eles. Porém, a constatação de que é tão complicado evidenciar diferenças tão fracas entre os sexos e que os resultados obtidos são tão inconsistentes, não deixa de ser surpreendente”. (Lott, B 1996). Não deixa de ser também surpreendente constar que há tantos investigadores e autores a tentar definir os dois sexos nas perspetivas psicológica, biológica e social e, de repente, vemos tantos «opinantes de Café? a balizarem pontos de conduta e a traçarem uma linha definitiva no que, relativamente aos comportamentos, nos separa. Por isso mesmo, cada vez mais me afasto das conclusões que a «voz populi» entende como as certas para uma (sã?) convivência em sociedade. Explicações que são transmitidas de geração em geração, condicionando e inculcando comportamentos «normalizados», por exemplo: os meninos gostam de bola, as meninas gostam de bonecas. Será?... Ou terá que ser?! Não me queiram convencer que, para além das diferenças morfológicas e fisiológicas, somos detentores de tantas características diferenciadoras que parece que nascemos em planetas diferentes. Imaginem o que direi eu, que há 35 anos trabalho num universo onde as mulheres estão em clara maioria (Educação) e dirijo um coro só com mulheres… Acham que sinto (enquanto homem) as diferenças com que as «pintam»?... Generalizações e nada mais! .


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OPINIÃO

Peregrinos do Facebook Paulo Bernardo (Empresário)

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ou católico e, dos cinco até aos 25 anos, frequentei a igreja semanalmente. Fiz todos os sacramentos, Batismo, Crisma, Casamento. Batizei-me com sete anos, pois o meu pai queria que eu tivesse a consciência do que estava a fazer. Fui catequista e participei na missa. Habituei-me a ir a Fátima desde muito novo, só lá passei um 13 de maio, talvez tivesse nove anos. Fiz uma viagem incrível com o meu grupo de jovens de Santa Bárbara de Nexe. Andamos de autocarro, barco, comboio, em carrinha de caixa aberta, mas lá chegamos a Fátima. Foram uns dias bem passados. Sempre que lá volto, coloco as minhas velas, recordo quem partiu e sinto a magnitude daquele espaço quando tem poucas pessoas. Sou crente, posso dizer que sou crente da minha forma, no recanto do meu espaço, uso como máxima uma coisa que aprendi: «faz o bem com a tua mão direita de forma que a esquerda não saiba». Pois a minha fé é assim, muito minha. Gosto do Papa Francisco, é um homem bom, tem uma mensagem de que o mundo hoje necessita, mas, mais do que isso, tem ações. Como também aprendi, a árvore conhece-se pelos frutos. Compreendo quem se arrasta de joelhos em Fátima, apesar de não concordar e não ver em lugar algum a necessidade das mesmas promessas. A minha religião é do amor e não do sofrimento. Respeito e admiro os peregrinos que se deslocam, muitas vezes de longe, sofrendo com as intempéries e com a confusão da estrada. Deslocam-se em silêncio, refletindo, fazendo a viagem interior em simultâneo com cada passo que dão. Contudo, e graças, julgo eu, a três novos fenómenos – televisão, redes sociais e atividade física – criaram um novo tipo de peregrino, aquele 64 ALGARVE #107 INFORMATIVO

que me parece mais preocupado em transmitir cada passo que dá através do Facebook ou do Instagram. O peregrino, que me parece que, apesar de ter o sofrimento da caminhada, sente a peregrinação como mais uma caminhada onde quer chegar em primeiro, onde quer fazer o melhor tempo. Depois, vem o absurdo das fotos a partir, a sofrer a meio da caminhada, durante a noite, os pés, etc, etc, etc. Depois, vem a televisão, quando, por fim, chegam ao santuário, são exaustivamente entrevistados, e vem mais uma foto para as redes sociais. A fé não é para ser vivida como um concerto musical ou como um jogo de futebol. Para mim, devemos viver a fé na alegria e no amor, mas com a simplicidade que este Papa nos transmite, sem o bolor das sacristias. Este Papa transmite uma mensagem de alegria, tolerância, paz e amor, aquilo de que o mundo necessita. Não concordo com o uso abusivo da fé, que muitas vezes me faz lembrar os vendilhões do templo que Jesus expulsou. Ponham os olhos no Papa, nas suas ações, no seu percurso de vida, um homem que fez várias coisas até ser Padre, ponham os olhos na sua tolerância, em relação a quem a sociedade muitas vezes julga. Por isso, façam um favor a vocês próprios: sejam peregrinos da fé, não peregrinos do Facebook. "Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que, estando em mim, não dá fruto, ele corta; e todo que dá fruto ele poda, para que dê mais fruto ainda.” João 15:1-2 .


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OPINIÃO Uma imersão pelo património religioso da região : Itinerários culturais do 365 Algarve Antónia Correia (Professora)

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365 Algarve é um programa cultural que complementa a oferta tradicional da região com muitas apresentações de música, dança, teatro, exposições e animação de património nos vários concelhos do Algarve. Este programa propõe-se a promover a cultura e aliviar a sazonalidade e as assimetrias locais que ainda persistem. Com um forte foco na cultura, eventos musicais, de teatro e dança, exposições e animação de património foram, e continuarão a ser, promovidas até final do mês de maio por todo o Algarve. Apesar da novidade, este programa revela indicadores de sucesso que suportam a sua continuidade, com 54 por cento dos residentes que participaram em pelo menos dois eventos e 76 por cento dos visitantes a participar num evento. Porque as igrejas do Algarve merecem uma visita, muitas destas apresentações ocorreram dentro destes espaços de culto e de grande valia arquitetónica. Esta imersão cultural levou visitantes e residentes para dentro das igrejas para assistir a apresentações do 365 Algarve. Estas

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imersões pelas igrejas atraíram públicos maioritariamente residentes no Algarve (82 por cento) e ainda 18 por cento de visitantes. Portugueses ou holandeses, casados, com habilitações literárias superiores e com idades compreendidas entre os 50 e os 60 anos, são os participantes destes eventos. Satisfeitos e surpresos pela audácia da utilização destes espaços para promover a cultura, os participantes louvam a iniciativa e querem mais. Opiniões verbalizadas: “admiro a coragem de realizar este evento na igreja”; “a originalidade do espaço foi o que me fez vir cá”; “ainda que a necessitar recuperação, esta igreja é lindíssima”; “deveriam ser promovidos mais eventos dentro das igrejas, para recuperar o hábito de visita”. Numa data em que todos os caminhos vão dar a Fátima, tímidos sinais de novos itinerários parecem emergir. Estarão criadas as condições para experiências turísticas religiosas no Algarve?.


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OPINIÃO

Crispação e Direito António Manuel Ribeiro (Escritor/Músico)

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sta semana fui finalmente ouvido em auto de declarações no posto da GNR da minha área residencial sobre a primeira de três queixas-crime que movi contra três indivíduos (dois + uma) que em Agosto passado tentaram, utilizando o Facebook (FB), emporcalhar o meu nome, na sequela que envolveu o cancelamento do concerto dos UHF anunciado para a Festa do Avante 2016. Quem não deve não teme, ensinaram-me de pequenino. Mais tarde, aprendi que, derrubada que foi a casota do estado arbitrário, passámos a viver num Estado de Direito democrático – cabe a cada um exigir o seu cumprimento. Eu faço a minha parte. Não é que me agrade regressar aos corredores da justiça. Faço-o porque a impunidade não pode prevalecer sobre a responsabilidade. Esse café virtual que é o FB não pode permitir tudo, porque nada vale tudo na vida. E faço-o também porque não conheço os três arguidos, nem eles me conhecem. Parece, contudo, que por estes tempos de auto-estradas digitais e redes sociais, somos todos do mesmo rebanho. Eu não sou. Não deixa de ser curioso que, apesar de não sermos conhecidos ou amigos, tenha havido tanta propriedade ofensiva na palavra. Na calúnia. Que agora a justiça vai julgar, a palavra que gerou ofensa à reputação e ao bom nome que a todos assiste. Não sei se as criaturas falaram em nome próprio ou por devoção cega, mas sei que o fizeram sem o conhecimento dos factos que um dia, numa escrita prometida para continuar o meu livro «Por Detrás do Pano», serão revelados. Quem não deve não teme, repito. A justiça exige justeza e humildade. Aquilo a que chamamos verdade é sempre uma opinião, a não ser que possa ser documentalmente sustentada. 68 ALGARVE #107 INFORMATIVO

Mesmo o testemunho verbal pode ser contradito, por ser subjectivo e permitir interpretação dos factores. E oposição de outros. É a equidade, um dos pilares da democracia – todos somos iguais perante a lei. Há cada vez mais processos a correr nos tribunais portugueses por ofensas graves escritas nesta plataforma, e noutras, de que têm resultado condenações exemplares. É bom cuidar que uma opinião não pode constituir uma vingança cega – as armas e as balas têm o mesmo efeito. Por junto, são crimes puníveis pelo Código Penal. De cegueira estou farto, bem como das razões aduzidas, esfarrapadas, estúpidas, que buscam a justificação dos actos, venha ela (cegueira) de onde vier. A Idade da Pedra ficou lá atrás, e, por ventura, era mais equilibrada. Ao longo de nove meses, desde que a queixa foi apresentada formalmente, estive calado. Aqui, não colho destaque mediático. E se hoje o faço é para sossegar aqueles que acreditando na minha palavra se sentiram ultrajados pelo que leram e circunspectos com o meu silêncio. Estou aqui para dizer que as palavras têm valor e a nossa idoneidade também. Venho trazer-lhes o exemplo de que é possível corrigir desmandos em busca de um mundo melhor. No fundo, pedi à sociedade o Livro de Reclamações e indiquei comportamentos sociais incorrectos e lesivos de um cidadão. Que não é nem alguma vez se deixará tratar como uma embalagem descartável. Um disco: «Sco-Mule», duplo CD dos norteamericanos Gov’t Mule que integra a participação do guitarrista de jazz John Scofield, editado pela Provogue (2015). Soberbo, imparável e sem limites. Um trio de rock a navegar pelo jazz mandando às urtigas trincheiras e purismos – é música! Um desafio .


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OPINIÃO Negra Mole – de mal-amada a futura casta da moda Vico Ughetto (Enófilo e gastrónomo)

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á parece um pouco repetitivo referir nos meus artigos que os vinhos algarvios já estão entre os melhores, que o setor evoluiu muito e que há uma nova geração de produtores e de mentalidades. Mas é verdade. Uma outra prova disso mesmo foi a realização do primeiro Simpósio Vitivinícola do Algarve, que teve lugar na Escola de Hotelaria e Turismo do Algarve, no dia 11 de maio. Diga-se que o espaço escolhido pela Comissão Vitivinícola do Algarve (CVA), que organizou e promoveu o evento, foi uma bela opção, pois reúne no mesmo local umas instalações e auditório agradáveis, aliados ao bom conjunto de profissionais e formadores com os seus respetivos formandos e futuros profissionais de Hotelaria. Exemplo disso, e porque falamos de vinhos, é um excelente grupo de profissionais já estabelecidos

na Hotelaria, e que estão a tirar o curso de escanção para melhorar e valorizar a sua profissão. Um dos formandos considera “importante o curso pois permite abrir portas no setor do vinho e da hotelaria que procura mãode-obra especializada”. No grupo nota-se ainda que é uma profissão onde as mulheres têm pouca participação, existindo apenas uma mulher no curso a cargo dos formandos Aníbal Neto (viticultura) e João Marques (enologia). De regresso ao Simpósio, foi sobretudo interessante dar de caras com o que parece ser a nova tendência da enologia algarvia – a recuperação da casta Negra-mole. Esta é a casta mais típica e genuína do Algarve e já foi a mais usada, porém, caiu em desgraça e hoje a região

Grupo de futuros escanções em formação na Escola de Hotelaria com os formadores Aníbal Neto e João Marques

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Frederico Falcão - presidente do IVV

gira em torno de Syrah, Cabernet, Sauvignon ou Touriga Nacional, tudo “castas de extrema qualidade e que se adaptaram bem ao terroir, mas a que lhes falta autenticidade e genuinidade”, segundo Frederico Falcão – presidente do Instituto da Vinha e do Vinho (IVV), um dos oradores convidados. Este Instituto é responsável pela regulação e promoção do setor vinícola, tanto em território nacional como internacional, e o seu presidente destacou a importância das classificações de DO (Denominação de Origem) e de IG (Indicação Geográfica), dado que “são estas que trazem mais-valias para a região, por estarem ligadas ao território e aos investimentos nele efetuados”. Frederico Falcão explica também por que tem havido uma preferência pela classificação IG em detrimento da DO no Algarve. “Um vinho IG apresenta no rótulo Vinho Regional Algarve e comercialmente é mais fácil apresentar um vinho que tenha Algarve no rótulo pois é um nome mais reconhecido, sobretudo se tivermos em conta os turistas”. E também tem sido em prol dos turistas que os produtores têm optado pela plantação de castas

estrangeiras ou de outras nacionais com mérito internacional consagrado (caso da Touriga Nacional). É mais fácil «vender» uma garrafa de vinho algarvio a dizer Cabernet Sauvignon ou Syrah do que Crato Preto ou Branco ou Negramole. Contudo, o que foi defendido no Simpósio é que uma aposta na Negra-mole poderia dar os seus frutos a médio ou longo-prazo. Quem fala de forma apaixonada da casta é o presidente da Comissão Vitivinícola do Algarve, Carlos Garcias, referindo inclusive que já é rotulado de defensor da Negra-mole por falar tanto da casta. “Mas acredito no seu potencial, tendo ocupado já 75 por cento da vinha plantada, só que esteve ligada à produção de vinho em quantidade e por isso nunca foi, nem bem trabalhada, nem estudada, e a consequência foi o seu progressivo abandono. Porém, é a única casta 100 por cento algarvia e sem concorrência nacional ou mundial e que começa a revelar que pode ser uma mais-valia ímpar para os produtores algarvios”. Quem também defendeu o potencial genético da casta foi o professor e palestrante Antero Martins, que apresentou os recentes estudos que a colocam como “uma das mais antigas castas #107 ALGARVE INFORMATIVO

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nacionais devido à sua elevada diversidade intravarietal, apresentando ainda capacidades para produzir desde tintos a brancos ou rosés”. O interessante é que os produtores algarvios têm sido rápidos a responder aos desafios e se pensamos que temos que esperar muito até ver monocastas Negra-mole no mercado, enganem-se, pois eles já estão aí. Infelizmente, não consegui fazer uma prova exclusiva de Negramole, mas temos o João Clara e o Cabrita com monocastas tintos e descobri também no evento o Conde de Lippe Seleção Rosé 2016 feito apenas desta casta. Em conversa com a enóloga Joana Maçanita foi-me revelado que está a trabalhar em novos produtos exclusivos com esta casta e que em breve teremos espumantes, rosé e branco, um Palhete e um Clarete, a confirmar que a Negramole irá ser a futura casta da moda e exclusiva do Algarve.

António Maçanita foi um dos oradores e vai-se afirmando como um dos enólogos mais criativos e disponíveis para imaginar novos vinhos e abordagens. Veja-se o seu trabalho nos Açores (Pico)

Outro assunto interessante, apresentado pelo IVV, foi o estudo que está em preparação para conhecer todo o potencial enológico das castas portuguesas. Sendo um dos países com mais castas autóctones, “somos pioneiros no estudo e classificação das nossas castas mas apenas em termos genéticos e de viticultura, não conhecemos depois o comportamento enológico delas – se dão vinhos de guarda, mais ácidos ou frescos, etc. – e é isso que pretendemos estudar”, refere o presidente do IVV. Para já, os estudos e testes, para além da produção já existente, 72 ALGARVE #107 INFORMATIVO

Joana Maçanita - Enóloga de diversos vinhos algarvios premiados e com novidades na manga


estão a apresentar a Negra-mole como uma das castas a prestar atenção, quer da parte dos produtores e enólogos, quer do outro lado da garrafa os apreciadores e consumidores. No evento foi possível provar os seguintes vinhos, dos quais deixo algumas notas: Cabrita Negra-mole 2015 já premiado com a medalha de ouro em Bruxelas, está muito interessante e agradável, com a cor típica da Negra- Um dos vinhos para prova, feitos somente com Negra Mole, mole mais clara e aberta, aqui na variedade rosé. apresentando pouco corpo e alguns taninos e um final médio, sendo um vinho claramente gastronómico tendo em conta até os 14,5% apresentados. O Conde de Lippe Seleção Rosé apresenta uma cor salmão clara muito atrativa na linha moderna atual. É fresco com uma boa acidez, pode-se beber só mas é mais indicado para acompanhar refeições desde ligeiras até mais robustas. É bastante seco e apresentou um final algo curto e brusco. O Barradas tinto Reserva O vencedor da grande medalha de ouro no X Concurso de Vinhos do Algarve 2014 foi o vencedor da Grande Medalha de Ouro do X Concurso de demasiada baunilha, mas sim o toque certo da Vinhos do Algarve. É um vinho exclusivo da casta tosta e especiaria. É um vinho aveludado, não Syrah e teve um estágio prolongado de 18 meses em barrica. Tem algum volume alcoólico com 15% muito encorpado e com boa complexidade. A enóloga é a Joana Maçanita . mas está bem disfarçado. Apresenta cor profunda ruby com boa presença de taninos, mas bem moldados pela madeira que não lhe confere #107 ALGARVE INFORMATIVO

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ALCOUTIM CONSTRÓI 21 QUILÓMETROS DE NOVAS CONDUTAS DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA

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oi aprovada uma candidatura do Município de Alcoutim ao programa PO SEUR (Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos), que contempla a construção de infraestruturas de abastecimento de água a 13 localidades do concelho (Alcaria Alta, Azinhal, Castelhanos, Diogo Dias, Fonte Zambujo, Fonte Zambujo de Cima, Laborato, Martim Longo, Pão Duro, Pessegueiro, Tacões, Tremelgo de Baixo e Tremelgo de Cima). Trata-se da execução de diversas condutas adutoras, de ligação entre o sistema em alta (Águas do Algarve) e as redes de distribuição das localidades. Para além de se estender o serviço a populações ainda não abastecidas na área de influência do Sistema Multimunicipal de Abastecimento de Água do Algarve, a empreitada permite alterar as origens de água, de forma a evitar a sobre-exploração de lençóis de água subterrânea, melhorar significativamente a qualidade da água de

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abastecimento e integrar vários sistemas num único subsistema, com uma origem comum de água (albufeiras de Odeleite – Beliche). A candidatura, no valor global de cerca de 992 mil euros, irá desenvolver-se em três empreitadas distintas: Conduta de abastecimento de água a Pessegueiro e respetiva fiscalização 637 mil e 513,30 euros; Conduta de reforço da rede de abastecimento de água de Martim Longo – 63 mil e 344,50 euros; Condutas de ligação entre o sistema e alta e sistemas em baixa no concelho de Alcoutim – 291 mil e 773,52 euros. Para esse efeito, foi aprovada, no dia 26 de abril, a abertura de Concurso Público para a empreitada de execução de condutas de abastecimento de água a Pessegueiro. A conduta de abastecimento de água a Pessegueiro inclui o abastecimento a Diogo Dias, Azinhal e Tremelgo, contemplando a construção de 7,5 quilómetros lineares de condutas em PVC .


PRAIA FLUVIAL DE ODELEITE VAI SER UMA REALIDADE

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Câmara Municipal de Castro Marim conseguiu a comparticipação, a fundo perdido, de 70 por cento do valor da construção da Praia Fluvial da Albufeira de Odeleite, pelo PO CRESC 2020, num investimento total de 320 mil e 189,39 euros. A Barragem de Odeleite, construída entre 1992 e 1998, serve para abastecimento público de água e está ligada por um túnel à barragem vizinha de Beliche. É a principal infraestrutura de armazenamento de água do sotavento algarvio e está localizada junto à localidade com o mesmo nome, sede de freguesia do concelho de Castro Marim. A empreitada da construção da Praia Fluvial deverá ser lançada antes do Verão e contempla 6.100 metros quadrados de área, com zonas verdes, apoios de praia e uma zona de estar. “É uma obra que vem potenciar o turismo que já

existe nesta zona, muito procurada pela gastronomia e paisagem, e que vem também acabar com a utilização ilegal e insegura desta barragem para banhos, como tem vindo a acontecer”, sublinhou o presidente da Câmara Municipal de Castro Marim, Francisco Amaral, acrescentando que este é o primeiro passo previsto para no Plano de Ordenamento da Barragem de Odeleite, que estava há uma década pendente no Ministério do Ambiente. A localização da Barragem de Odeleite, junto ao IC 27, que faz atualmente a ligação entre Castro Marim e Alcoutim e, quando concluído, fará a ligação a Mértola e a Beja, é um dos fatores chave no sucesso deste empreendimento. A complementaridade desta nova infraestrutura com a canoagem e outras atividades que se podem agora desenvolver na Barragem de Odeleite, vem diversificar a oferta turística do concelho e contribuir para a sustentabilidade do território rural. A localização da praia fluvial de Odeleite prende-se com o Plano de Ordenamento de Albufeira aprovado pela Resolução do Concelho de Ministros n.º 54/2014, incidindo o mesmo sobre o plano de água e respetiva zona terrestre de proteção da albufeira, inviabilizando qualquer zona de lazer a jusante da barragem. O POAO estabelece o regime de salvaguarda de recursos e valores naturais e o regime de gestão a observar na sua área de intervenção, com vista à utilização sustentável do território e definindo o abastecimento público como prioridade na utilização da água desta barragem . #107 ALGARVE INFORMATIVO

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VILA VITA PROMOVE MAIOR EVENTO GASTRONÓMICO DE PORTUGAL

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e 15 a 20 de maio, o Vila VIta Parc, em Porches, hospedará um reportório de chefs mundialmente reconhecidos, produtores de vinhos e de iguarias gourmet, para a 3ª edição daquele que é o maior evento gastronómico de Portugal: o «Vila Vita Fine Wines & Food Fair». O programa inclui a já famosa «Kitchen Party», assim como uma série de cinco jantares e um almoço exclusivos, protagonizados por talentos culinários de topo a nível mundial nos restaurantes Ocean e Atlântico, ambos recentemente renovados, e no restaurante Praia Dourada, na praia de Armação de Pêra. No último dia do evento, 20 de maio, a famosa «Kitchen Party», uma experiência única de degustação gastronómica, terá lugar no Clubhouse do Vila VIta Parc, na qual cerca de 350 convidados 78 ALGARVE #107 INFORMATIVO

terão a oportunidade de provar as criações espantosas de 25 chefs de renome, harmonizadas com vinhos internacionais de topo e iguarias apresentadas por produtores gourmet. Entre os mais de 45 chefs convidados para o evento, estarão presentes os chefs de 3 estrelas Michelin Eckart Witzigmann (Áustria), Klaus Erfort (Alemanha), Gert de Mangeleer (Bélgica) e Juan Amador (Espanha), o chef Hans Neuner do restaurante Ocean do Vila Vita Parc, de 2 estrelas Michelin, e muitos outros grandes nomes da gastronomia nacional e internacional, como os chefs Henrique Sá Pessoa, Rui Paula e Vítor Matos .


FASE REGIONAL DO CONCURSO NACIONAL DE LEITURA DISPUTOU-SE EM OLHÃO

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lhão acolheu, no dia 9 de maio, a Fase Regional da edição 2016/2017 do Concurso Nacional de Leitura. O espaço escolhido foi o Auditório Municipal, que recebeu os 131 alunos do 3.º Ciclo e do Secundário, vindos de todo o Algarve. O Plano Nacional de Leitura é a entidade que promove o CNL, cujo objetivo central é estimular o treino da leitura e desenvolver nos alunos competências de expressão escrita e oral. Esta Fase Regional contemplou duas provas: um teste escrito sobre as duas obras que os concorrentes foram convidados a ler previamente e uma prova oral sobre uma das obras. As obras de leitura obrigatória para esta Fase foram «Diário de um adolescente na Lisboa de 1910», de Alice Vieira, e

«Os rapazes do lixo», de Andy Mulligan (3.º Ciclo) e «O pintor debaixo do lava loiças», de Afonso Cruz, e «Eleanor & Park», de Rainbow Rowell (Secundário). O júri, composto por Elisabete Duarte, da Biblioteca Municipal José Mariano Gago, Cláudia Sofia Sousa, jornalista e escritora, e João Minhoto Marques, da Universidade do Algarve, avaliou as provas de todos os concorrentes, tendo-se sagrado vencedores desta Fase Regional do Algarve Eduardo Pereira, de Tavira, no 3.º Ciclo, e Ana Catarina Teixeira, de Albufeira, no Secundário. Ambos irão representar o Algarve na Fase Final do Concurso Nacional de Leitura, que se realiza até julho .

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CORRIDA NOTURNA DE BTT PROMOVE BAIXA E COMÉRCIO TRADICIONAL DE OLHÃO

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s ruas labirínticas da baixa de Olhão acolhem, no dia 27 de maio, a partir das 19h30, a III Night Race GCO – Cidade de Olhão, uma prova de BTT urbano que se realiza pela terceira vez na cidade cubista e que pretende testar a perícia e resistência dos participantes durante duas horas em circuito fechado. Tendo como pano de fundo o cenário natural da Ria Formosa e os mais belos recantos da Zona Histórica, os participantes vão passar pelos mercados e principais jardins da cidade, bem como conhecer alguns dos largos e pracetas do Caminho das Lendas, inseridos nas zonas mais emblemáticas da Baixa de Olhão. Para além de incentivar à prática desportiva, este evento tem simultaneamente como objetivo

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promover a Baixa da cidade, o comércio tradicional e a beleza singular do património arquitetónico e natural da zona histórica de Olhão. A prova decorre em circuito fechado, com uma extensão de cinco quilómetros, e é disputada individualmente, ou seja, o participante que efetuar o maior número de voltas durante as duas horas é o vencedor. A III Night Race GCO – Cidade de Olhão, que conta com o apoio do Município de Olhão, é organizada pelo Ginásio Clube Olhanense, um dos clubes em atividade mais antigos de Portugal, contando já com 125 anos de existência .


4.º LOTA COOL MARKET DÁ ASAS À IMAGINAÇÃO DOS ARTESÃOS

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os dias 14, 15 e 16 de julho, Portimão acolhe a quarta edição do Lota Cool Market no espaço da antiga lota e área circundante, este ano sob o mote «Free Spirit». Este mercado visa ser um ponto de encontro e uma montra de referência a sul do país para a divulgação do que mais criativo se faz nas áreas do artesanato, design, entretenimento e gastronomia gourmet, em consonância com o tema eleito para esta edição. «Free Spirit» significa, para os promotores do evento, liberdade, bem-estar, imaginação, transparência, desejo, ar-livre, sol, campo, praia, rio, emoção, sorriso, descontração, democracia, individualidade, crença. A iniciativa dirige-se aos criadores com pequenas marcas e microempresas com produtos originais, feitos às mão ou em pequenas unidades semiindustriais. Tem como objetivo reunir uma seleção desses produtos, muitas vezes vendidos online ou noutros mercados do país, repetindo um mercado

de referência no sul que divulga e traz para a rua, e para junto do público, projetos criativos do nosso país. Os expositores deverão vender apenas produtos portugueses e criações próprias, não sendo aceites representações de marcas que não sejam criadas pelos mesmos, e enquadrar-se numa das seguintes categorias: artesanato, design, entretenimento, doçaria e pastelaria, comida e bebida. A edição deste ano prima por três grandes novidades: realiza-se no Verão; tem a duração de três dias (com um horário das 12h às 00h); e possui a certificação de Evento Verde. O «Mercado mais Cool do Sul» é organizado pela Teia D`Impulsos - Associação Social, Cultural e Desportiva, em parceria com Diana Condesso, designer de interiores, mentora desta iniciativa, e conta com o apoio institucional da Câmara Municipal de Portimão e da Junta de Freguesia de Portimão . #107 ALGARVE INFORMATIVO

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SÃO BRÁS PROMOVE HÁBITOS ALIMENTARES MAIS SAUDÁVEIS

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Câmara Municipal de São Brás de Alportel entregou, no dia 5 de maio, equipamentos para elaboração de sumos e espremedor de citrinos à Escola EB 2, 3 Poeta Bernardo de Passos, no seguimento da estratégia de educação para a saúde e na promoção de um estilo de vida saudável junto de crianças e jovens. Os alunos foram surpreendidos com um momento de degustação de sumos de fruta naturais, ação que contou com a participação do Presidente da autarquia, Vítor Guerreiro, e da Diretora do Agrupamento de Escolas José Belchior Viegas, Nídia Amaro. A aquisição destes dois novos equipamentos respeita os princípios definidos pelo Programa Nacional de Saúde Escolar, promovido pela Direção-Geral de Saúde, com o objetivo de melhorar a saúde das crianças e jovens através de uma intervenção junto do público escolar.

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Recorde-se que o Agrupamento de Escolas José Belchior Viegas organizou, em parceria com a equipa de Saúde Escolar, de 2 a 6 de maio, a iniciativa «Maio, Mês do Coração» na Escola EB 2,3 Poeta Bernardo de Passos, mediante a dinamização de diversas atividades como rastreios de hipertensão e glicémia, jogos, exposições e um passeio de bicicleta. A ação teve por objetivo alertar os mais jovens para a necessidade de uma alimentação saudável e de uma vida ativa, com vista a prevenir problemas graves de saúde no futuro. Reconhecedora da importância da adoção de bons hábitos alimentares para uma vida com mais saúde, a Câmara Municipal adquiriu estas duas máquinas para reforçar os serviços de Bar do Agrupamento de Escolas e facilitar o acesso dos alunos a produtos de qualidade .


SILVES CONTINUA A CONSERVAR O SEU ESPÓLIO HISTÓRICO ETNOGRÁFICO

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pós a conclusão do restauro da cúpula do edifício dos Paços do Concelho, em Silves, e do arco em escaiola, da Casa-Museu João de Deus, o sector de Conservação e Restauro da Câmara Municipal de Silves terminou recentemente um trabalho de carácter conservativo de uma cantareira e de uma banqueta, que fazem parte do espólio da referida Casa-Museu e que provêm de casas que ficaram submersas com a construção da Barragem do Funcho. A intervenção teve como objetivo estabilizar os materiais, seguindo os princípios da intervenção mínima, da compatibilidade e reversibilidade, e da autenticidade e historicidade das peças. A cantareira de madeira, constituída por duas portas, foi produzida numa época em que não existia água canalizada, e tal como o seu nome indica, servia de apoio para três cântaros com água. O móvel apresenta pintura de cor ocre e azul ultramarino tendo sido anteriormente de tonalidade castanha, visível por uma camada subjacente à atual. A intervenção efetuada

consistiu na desmontagem; limpeza mecânica, desinfestação e consolidação do suporte, limpeza química e mecânica da superfície; fixação de fragmentos; tratamento de elementos metálicos e zonas oxidadas pelos mesmos (desoxidação e proteção de pregos e parafusos); montagem; preenchimentos e nivelamentos do suporte; reintegração cromática e aplicação de camada de proteção. A banqueta de madeira é um banco de pequenas dimensões, sem braços nem espaldar. Apresenta marcas de corte, podendo tratar-se de apoio para corte de carne ou atividade similar. A intervenção na banqueta consistiu na imunização e consolidação do suporte; remoção de resíduos de resina; reconstituição dos pés e estabilização da estrutura; nivelamentos; reintegração e aplicação da camada de proteção. A estas duas intervenções seguem-se mais três que fazem também parte do espólio da Casa-Museu João de Deus, nomeadamente a de um Cristo crucificado e de duas cadeiras de madeira .

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XXXI CAMPEONATO DO MUNDO DE PESCA SUBMARINA VAI DISPUTAR-SE EM SAGRES

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XXXI Campeonato do Mundo de Pesca Submarina irá disputar-se em Sagres, em setembro de 2018, com a participação prevista de 125 a 150 atletas, provenientes de 25 a 35 países, bem como cerca de 80 embarcações. Trata-se da prova mais importante do calendário da modalidade, disputada pelo sistema individual e coletivo, em duas jornadas e com o apoio de embarcações. De referir que as provas com apoio de embarcações possibilitam uma maior visibilidade e segurança às provas e à modalidade. Este é um evento da CMAS – Confederação Mundial das Atividades Subaquáticas, que delegou na FPAS - Federação Portuguesa de Atividades Subaquáticas a organização da competição, com o apoio da Câmara Municipal de Vila do Bispo.

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Neste âmbito, Adelino Soares, presidente da autarquia e Ricardo José, presidente da FPAS, assinaram um protocolo de colaboração onde se define o apoio prestado pelo município para viabilizar a realização desta iniciativa. A Câmara Municipal de Vila do Bispo pretende, deste modo, fomentar a utilização e divulgação das condições naturais do concelho, nomeadamente para a prática de atividades desportivas, numa perspetiva integrada, compatibilizando o usufruto do território com a conservação de recursos. O campeonato do mundo de pesca submarina é um evento de reconhecido prestígio, com projeção mundial e que congrega toda a comunidade ligada a este desporto .


OS DIAS DO JAZZ REGRESSAM A FARO

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jazz volta a estar em destaque em Faro com a terceira edição d’«Os Dias do Jazz», entre os dias 20 e 28 de maio, com uma programação diversificada que contará com espetáculos com abordagens bastante distintas a este género musical e que prometem surpreender o público. No dia 20 terá lugar, no Teatro das Figuras, uma batalha «épica» entre duas orquestras. Em Big Bands Battle, o confronto entre a Orquestra de Jazz do Algarve e a Orquestra Jorge Costa Pinto será inevitável e, para isso, as bandas contarão com a ajuda das vozes de Maria Anadon e George Esteves, respetivamente. Este espetáculo será uma recreação dos áureos anos 30, das Grandes Orquestras nos salões de baile americanos, repleto de temas mundialmente famosos.

AnarkoFlamenco faz a fusão entre o Jazz e o Flamenco e atuará em Faro no dia 24. A banda liderada por Maluk, ex-integrante da banda Ojos de Brujo, vai trazer consigo Broken Boots, num espetáculo visceral de Jazz Contemporâneo sem barreiras. O bailarino brasileiro de flamenco Maluk, filho de pai português e mãe espanhola, transcende o flamenco e desempenha um papel muito mais percussivo do que coreográfico. O último concerto d’«Os Dias do Jazz» ficará a cargo de Manuela Lopes & Four Brothers Jazz Band e terá lugar no salão do Club Farense, no dia 28 de maio. Com uma abordagem moderna e inusitada, este espetáculo vai trazer à capital algarvia um cancioneiro americano, recriado em língua portuguesa, com arranjos do quarteto e letras da própria cantora .

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FESTIVAL DE COROS DE CÂMARA REGRESSA AO CONCELHO DE OLHÃO

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Festival de Coros de Câmara no concelho de Olhão compreende a realização de quatro concertos por pequenos agrupamentos vocais, designadamente Coral Feminino Outras Vozes, Ensemble Vocal Introitus, Coro de Câmara de Lisboa, Canticorum/Coro dos Amigos e Orquestra do Conservatório de Música de Olhão. Os Coros convidados realizarão concertos individuais em freguesias do concelho, com destaque para o concerto conjunto que, na cidade de Olhão, irá encerrar o evento com a participação de três Coros e da Orquestra do Conservatório local. Estão programados os seguintes concertos: 20 de maio, 21h, Igreja de Nossa Senhora do Carmo, Fuzeta - Coral Feminino Outras Vozes (Faro); 21 de 86 ALGARVE #107 INFORMATIVO

maio, 17h, Igreja de S. Bartolomeu, Pechão Ensemble Vocal Introitus (Lisboa); 27 de maio, 21h, Igreja de S. Sebastião, Quelfes - Coro de Câmara de Lisboa; 28 de maio, 17h, Igreja Matriz de Olhão - Coral Feminino Outras Vozes, Coro de Câmara de Lisboa, Canticorum/Coro dos Amigos (São Brás de Alportel) e Orquestra do Conservatório de Música de Olhão. O festival é uma organização conjunta das Associações Culturais Música XXI e do Conservatório de Música de Olhão, com o patrocínio do programa «365 Algarve» e o apoio do Município de Olhão, Juntas de Freguesia Fuseta-Moncarapacho, Pechão, Quelfes e Olhão e respetivas Paróquias .


«MERCADO FORA D’HORAS» VOLTA A ANIMAR O MERCADO MUNICIPAL DE SILVES

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epois do sucesso da primeira edição, o «Mercado Fora d'Horas» ressurge, em 2017, com três noites dedicadas aos sentidos: o olfato, a audição e a visão. O evento gastronómico sobre cultura local tem lugar no Mercado Municipal de Silves e nasceu de um projeto de design comunitário que procura consciencializar sobre as vantagens dos produtos locais, envolvendo a comunidade relacionada com o mercado. A proposta do «Mercado Fora d'Horas» concentrase nas qualidades gastronómicas do espaço do Mercado Municipal de Silves e em como o design pode ser um impulsionador ativo de preservação cultural. Conta com diferentes atividades: abertura do mercado à noite, mercado de produtores, mercado de artesanato, jogos sobre produção local, momentos relacionados com a gastronomia, música, animação de rua, apresentação de produtores e exposição temática. No decorrer do evento são misturados valores tradicionais com criações contemporâneas, em ações de sensibilização sobre as tradições dos mercados municipais no contexto mediterrânico. O foco da mensagem que se pretende passar aos visitantes são as tradições alimentares, a cultura local e os produtos de proximidade. Assim, o Mercado Municipal de Silves é apresentado enquanto espaço comunitário e local de celebração da alimentação algarvia. O visitante terá a oportunidade de adquirir bens de produção local e experimentar um dia diferente em torno da

gastronomia local, das 19h às 24h. No dia 7 de junho estarão em evidência os «Cheiros» (dedicado às ervas aromáticas e temperos), no dia 5 de julho as estrelas são os «Sons» (dedicado a histórias sobre comida) e, a 9 de agosto, é a vez da «Visão» (dedicado à apresentação da comida, como podemos interpretar comida visualmente). A organização é da Junta de Freguesia de Silves, com coordenação de Alexandra Santos, apoiado pelo Município de Silves. A origem deste evento foi um projeto de design comunitário, «Consumirlocal», que explora como o design pode auxiliar a comunidade a relacionar-se com os espaços de consumo e foi concebido no âmbito do Mestrado Design Comunicação para Turismo e Cultura da Universidade do Algarve de autoria de Alexandra Santos, sob a orientação de Joana Lessa . #107 ALGARVE INFORMATIVO

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FARO DÁ O PONTAPÉ DE SAÍDA PARA A 9.ª ROTA DE TAPAS ESTRELLA DAMM

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9.ª edição da Rota de Tapas Estrella Damm realiza-se pela primeira vez no Algarve, de 11 a 28 de maio, mantendo o formato a que já habituou os consumidores, ou seja, uma cerveja Estrella Damm e uma tapa por três euros. Em Faro participam 18 restaurantes, sendo que também Lisboa, Porto e Braga a recebem a Rota de Tapas, de 18 de maio a 4 de junho. Na sua estreia no Reino dos Algarves, a Estrella Damm convidou os chefs a criarem uma tapa única que representasse a região. A rota passa pela baixa de Faro, pela Marina, pelo centro histórico e pela Sé, com o objetivo de mostrar os pontos mais históricos e bonitos da cidade

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enquanto se promove a arte de tapear. “A realização da Rota de Tapas em Faro vem dar resposta aos crescentes pedidos dos consumidores e restaurantes desta região. O alargamento deste evento gastronómico a sul do país é uma prova que os portugueses aderiram muito bem ao conceito de «tapear» e a Rota de Tapas transformou-se num evento gastronómico com muita relevância em Portugal”, revela Elsa Cerqueira, Marketing Manager da Estrella Damm. A Rota de Tapas de Faro conta com o apoio de Região de Turismo do Algarve, Câmara Municipal de Faro, Escola de Hotelaria e Turismo do Algarve e do Programa «365 Algarve» .


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DIRETOR: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina (danielpina@sapo.pt) CPJ 5852 Telefone: 919 266 930 EDITOR: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina SEDE DA REDAÇÃO: Rua Estrada de Faro, Vivenda Tomizé, N.º 12P, 8135-157 Almancil Email: algarveinformativo@sapo.pt Web: www.algarveinformativo.blogspot.pt PROPRIETÁRIO: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina Contribuinte N.º 211192279 Registado na Entidade Reguladora para a Comunicação Social com o nº 126782 PERIODICIDADE: Semanal CONCEÇÃO GRÁFICA E PAGINAÇÃO: Daniel Pina FOTO DE CAPA: Daniel Pina

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ALGARVE INFORMATIVO #107 by Algarve Informativo - Issuu