#106
ALGARVE INFORMATIVO 6 de maio, 2017
MÃE SOBERANA | PRONÚNCIAS ALGARVE NATURE WEEK | ESTOI LAGOA WINE SHOW | VILA DO BISPO
#106 ALGARVE INFORMATIVO
1
2 ALGARVE #106 INFORMATIVO
#106 ALGARVE INFORMATIVO
3
4 ALGARVE #106 INFORMATIVO
#106 ALGARVE INFORMATIVO
5
CONTEÚDOS ARTIGOS 10 - Mãe Soberana 18 - Lagoa Wine Show 26 - Algarve Nature Week 32 - Estoi 42 - Vila do Bispo 50 - Pedro Abrunhosa 60 - Pronúncias 78 - Atualidade
OPINIÃO 8 - Daniel Pina 68 - Paulo Cunha 70 - Mirian Tavares 72 - Fábio Jesuíno 74 - Vico Ughetto
50
42
26
6 ALGARVE #106 INFORMATIVO
10
32
#106 ALGARVE INFORMATIVO
7
OPINIÃO Uma liberdade que poucos conseguem realmente ter Daniel Pina (jornalista)
D
esde 1993 que o 3 de maio é o Dia Internacional da Liberdade de Imprensa, uma iniciativa da UNESCO, de facto, muito bonita de se apregoar ao vento e que tem toda a lógica de existir e de se comemorar mas, na hora da verdade, da verdade mesmo verdade, será que ela existe mesmo? Ou é condicionada pelos interesses comerciais das entidades patronais, pela pressão dos governantes, desde o poder central ao local, pela má vontade dos leitores, por mil e um fatores que nos levam, a nós, jornalistas, a pensar duas vezes se vale a pena arranjar mais uma dor de cabeça por esta ou aquela notícia, entrevista ou reportagem? Nem sequer estou a pensar em regimes ditatoriais onde a liberdade de imprensa pura e simplesmente não existe. Estou a pensar nos países democráticos, como é o nosso Portugal, onde os órgãos de comunicação social têm a sua sustentabilidade financeira cada vez mais dependente dos anunciantes. Onde os jornalistas cada vez sentem os seus postos de trabalho menos seguros, porque é mais fácil para os patrões usarem e abusarem dos estagiários, dos recém-licenciados que chegam através dos centros de emprego, com a maior fatia do ordenado paga pelo Estado. Não interessa muito a qualidade do serviço que prestam, que depende do talento, mas também dos anos de experiência que têm, porque há agências noticiosas e gabinetes de comunicação que enviam a papinha toda feita por e-mail, basta fazer copy-paste e está o assunto resolvido. Ninguém tenha dúvidas de que a profissão de jornalista já não é o que era há umas décadas, porque, de repente, toda a gente quis tirar um curso de comunicação social para ir apresentar o telejornal ou tornar-se famoso a entrevistar os famosos. Depois, o boom da imprensa online colocou em sérias dificuldades a imprensa tradicional, de papel. Resumindo, há um excesso tremendo de oferta em relação à procura e isso fez com que as entidades patronais ficassem com o queijo e a faca na mão, portanto, “ou aceitas as minhas condições, ou vais para o olho da rua”. Para piorar tudo isto, no mundo moderno, mesmo quem não é jornalista de formação, é jornalista de
8 ALGARVE #106 INFORMATIVO
ocasião, bastando ter um telemóvel com câmara fotográfica e acesso à internet para publicar «notícias» nas redes sociais. Raios, até já há sítios da internet próprios para se publicarem notícias falsas e, pasmese, até há quem as comente depois sem perceber que elas não têm uma ponta de verdade. É um mundo em que se goza a torto e a direito com a informação e isso retira importância e prestígio à profissão de jornalista. E digo-vos uma coisa, meus amigos, é um tormento ser jornalista em ano de eleições autárquicas, ao contrário do que possam imaginar. De um lado são os presidentes no poder a quererem ser entrevistados para falarem do serviço feito ao longo destes quatro anos. Quando um órgão de comunicação social não está muito interessado em política, leva logo com a dica do “teremos que repensar o nosso apoio ao seu meio”. Os candidatos do outro lado da trincheira também querem ser entrevistados e nem se importam de pagar em troca de umas páginas no jornal ou revista. E se a resposta é a mesma, que não estamos vocacionados para a política, disparam logo com o “são uns vendidos, só entrevistam quem vos paga”, quando eles próprios queriam pagar para esse fim. Publicar notícias do dia-a-dia é outro stress. Se escrevemos algo sobre este ou aquele evento organizado por uma autarquia, ou sobre esta ou aquela obra concluída, somos uns lacaios do sistema, estamos a fazer propaganda descarada a favor dos presidentes no poder. Se escrevemos algo sobre uma obra atrasada, funcionários que faltam, serviços que falham, estamos a ser pagos pela oposição para fragilizar a posição dos presidentes no poder. Enfim, em ano de eleições, tudo serve para atacar os jornalistas, ninguém é isento, independente, andamos todos na folha de pagamento de alguém, umas vezes de quem está no poder, noutras, de quem está na oposição. No meio disto tudo, volto ao princípio da conversa. O Dia Internacional da Liberdade de Imprensa é digno de se comemorar, fica muito bonito no papel mas, no diaa-dia, no mundo real, são muito poucos os jornalistas que realmente podem dizer que são totalmente livres no exercício da sua profissão .
#106 ALGARVE INFORMATIVO
9
REPORTAGEM
MÃE SOBERANA REGRESSOU
A CASA PERANTE MILHARES DE FIÉIS
Loulé vivenciou um dos maiores eventos religiosos do país, a Festa da Mãe Soberana, que regressou, no dia 30 de maio, ao seu Santuário, depois de ter estado 15 dias na Igreja de S. Francisco. Foi mais uma prova da fé dos louletanos na padroeira da cidade e um sinal de que esta tradição secular continua bem viva. Texto:
ALGARVE #106 10 #106 10 ALGARVE INFORMATIVO INFORMATIVO
Fotografia:
#106 ALGARVE #106 ALGARVE INFORMATIVO INFORMATIVO
11 11
12 ALGARVE #106 INFORMATIVO
A
s festividades da Mãe Soberana remontam ao século XVI, mais concretamente a 1553, ano em que foi construída a ermida de Nossa Senhora da Piedade, e rapidamente se transformaram numa grandiosa manifestação de fé e devoção em honra da padroeira da cidade, atraindo a Loulé milhares de visitantes e crentes. No centro das atenções está a imagem da Nossa Senhora carregando o seu Filho, que retrata o sofrimento de Maria que segura Jesus, morto, no seu regaço, após este ter sido retirado da cruz. No Domingo de Páscoa, na Festa Pequena, a imagem da Mãe Soberana desceu do Santuário até à Igreja de S. Francisco e, durante 15 dias, sucederam-se novenas e sermões conduzidos por oradores sacros, enchendo-se o local de fiéis que rezam o terço. A anteceder o momento da ascensão, de 27 a 29 de abril, a Igreja de S. Francisco recebeu o Tríduo, que teve como tema «Maria, Mãe do Evangelho do Amor», com a participação do pregador D. José Cordeiro, Bispo de Bragança-Miranda. No sábado, dia 29, houve a celebração da Eucaristia às 10h, 18h e
#106 ALGARVE INFORMATIVO
13
21h. A partir das 16h, na Igreja de S. Francisco, os jovens da Banda Filarmónica Artistas de Minerva apresentaram um concerto e, pelas 22h, foi a vez do Clube Hípico de Loulé homenagear a Nossa Senhora da Piedade, no tradicional desfile a cavalo. Entretanto, até 27 de maio, vai estar patente ao público, no Convento de Santo António, a Exposição Fotográfica «Mãe Soberana: A Força do Amor», com imagens dos fotógrafos Fernando Correia Mendes, Luís Henrique da Cruz e Vasco Célio e curadoria de João Romero Chagas Aleixo. Para o domingo, 30 de abril, estavam guardadas as grandes emoções desta festa. Assim, às 10h, foi celebrada uma Eucaristia no Largo de S. Francisco. A imagem de Nossa Senhora da Piedade saiu, depois, em procissão para o Largo do Monumento Eng.º Duarte Pacheco, acompanhada pela Sociedade Filarmónica Instrução e Recreio Aljustrelense. Foi ali que, às 12h, se celebrou mais uma Eucaristia, seguida de um tempo de louvor e saudação à Padroeira.
14 ALGARVE #106 INFORMATIVO
Às 16h, D. Manuel Quintas, Bispo do Algarve, presidiu à missa campal junto ao Monumento Eng.º Duarte Pacheco, com consagração a Nossa Senhora da Piedade. Teve então início a Grande Procissão, que percorreu as principais ruas da cidade, acompanhada pela Banda Filarmónica Artistas de Minerva. Às 18h, deu-se o encerramento da Procissão Litúrgica no Largo de S. Francisco, seguindo-se então a subida para o Santuário. Ao longo do exigente percurso, os oito Homens do Andor subiram o íngreme cerro num ritmo acelerado, ao compasso da música da Banda Filarmónica Artistas de Minerva, e com a população a exibir-se em diversas manifestações, comprovativas do sentimento que Nossa Senhora da Piedade gera nestas gentes. Uma festa a que nenhum louletano falta, sejam os residentes, sejam aqueles que vivem noutros pontos do país, até mesmo do mundo, e que voltam a Loulé para acompanhar a sua Padroeira no seu regresso a casa .
#106 ALGARVE INFORMATIVO
15
16 ALGARVE #106 INFORMATIVO
#106 ALGARVE INFORMATIVO
17
REPORTAGEM
Foto: Vico Ughetto
LAGOA WINE SHOW COMPROVOU EXCELÊNCIA DOS VINHOS DO ALGARVE O Centro de Congressos do Arade recebeu, entre 28 e 30 de abril, a terceira edição do Lagoa Wine Show e centenas de visitantes puderam desfrutar dos melhores vinhos do Algarve, mas também de outros pontos do país, mercê da reputação que o certame já alcançou em tão poucos anos. Vinhos e petiscos que tiveram ainda como aperitivo os concertos de Luís Represas, Amor Eletro e Dena Derose com a Orquestra de Jazz do Algarve. Texto:
18 ALGARVE #106 INFORMATIVO
Fotografia:
O
«Lagoa Wine Show» já se assumiu como uma das maiores exposições de vinhos do sul do país, tendo nascido, em 2015, no âmbito do «Ano do Vinho e a Vinha – Lagoa, Sabor da Cultura». O evento cresceu a olhos vistos em 2016, ano em que Lagoa ostentou o galardão de «Cidade do Vinho» e a terceira edição comprovou, definitivamente, a qualidade deste certame, que voltou a ter lugar, de 28 a 30 de abril, no Centro de Congressos do Arade. Organizado pela Câmara Municipal de Lagoa, com a colaboração da Associação de Municípios Portugueses do Vinho, da Região de Turismo do Algarve e da Rota dos Vinhos, ofereceu a possibilidade dos visitantes provarem vinhos de 70 expositores, num espaço com mais de três mil metros quadrados.
acompanhada pela Orquestra de Jazz do Algarve. “Ao longo deste mandato tem sido feita uma aposta muito grande na dinamização deste setor da nossa economia e da nossa identidade, enquanto lagoenses. São quatro anos de uma promoção bastante forte, não só dos vinhos de Lagoa mas, sobretudo, dos vinhos do Algarve e temos um orgulho imenso no trabalho que tem sido realizado”, frisou Francisco Martins, presidente da Câmara Municipal de Lagoa, durante a abertura oficial do certame.
A par da mostra e local de venda, esteve também em debate o vinho e toda a sua envolvência, desde a produção e venda até ao consumo, decorrendo várias provas cegas e outras documentadas abertas ao público, para a seleção dos vinhos presentes. E, como é costume, as noites foram animadas por muita música, com os concertos de Luís Represas, Amor Electro e Dena Derose, #106 ALGARVE INFORMATIVO
19
Francisco Martins, presidente da Câmara Municipal de Lagoa, Fernando Severino, Diretor Regional da Agricultura e Pescas do Algarve, José Águas da Cruz, presidente da Assembleia Municipal de Lagoa e Luís Encarnação, vereador da Câmara Municipal de Lagoa
Como o espaço físico do Centro de Congressos do Arade é limitado e as inscrições são inúmeras, o edil lagoense referiu que a procura da excelência tem sido a nota dominante no momento de selecionar os expositores. “Há muitos produtores de norte a sul de Portugal e queremos que este evento seja uma referência pela sua qualidade e pela qualidade dos vinhos presentes. Damos sempre um enfoque maior aos vinhos do Algarve, mas temos expositores de outras regiões, até por uma questão comercial. Da mesma forma que queremos que os nossos vinhos ultrapassem as fronteiras do Algarve, estamos recetivos a que outras regiões venham cá mostrar os seus produtos”, justificou Francisco Martins. “No Algarve existe uma comunidade estrangeira muito grande, quer residente, 20 ALGARVE #106 INFORMATIVO
como visitante, e há que dar a conhecer os vinhos de todo o país”. Visitantes que não são muito difíceis de atrair ao «Lagoa Wine Show» porque, a par da vertente vitivinícola, existe uma forte componente gastronómica e de animação, através dos espetáculos musicais com artistas conceituados. “Não é um evento onde há apenas a banca de cada produtor a vender os seus vinhos. Durante estes três dias, temos aqui mais um espaço de convívio e lazer”, considera o autarca, satisfeito por ver que os vinhos algarvios estão de novo na ribalta. “Há 20 anos, o vinho de Lagoa, depois de ter sido bastante afamado, já nem sequer servia para temperar a comida, como se dizia. Nos últimos anos, com a vinda de alguns privados para o concelho e com a
#106 ALGARVE INFORMATIVO
21
aposta em enólogos, temos assistido a um aumento significativo da qualidade dos nossos vinhos e a prova disso são os vários prémios nacionais e internacionais que têm conquistado no passado recente”, sublinha Francisco Martins. “Ainda ontem fui jantar a um dos nossos restaurantes e, finalmente, já tem três vinhos do Algarve na sua carta, um de Lagoa e dois de outros concelhos. Antigamente, notava-se alguma resistência, mas temos trabalhado em conjunto para divulgar os nossos produtos e diversificar a nossa riqueza”. A qualidade e pujança dos vinhos algarvios foram igualmente atestadas por 22 ALGARVE #106 INFORMATIVO
Fernando Severino, Diretor Regional da Agricultura e Pescas do Algarve. “As quintas do Algarve têm apresentado novas enxertias e castas, em resultado do trabalho efetuado, desde 2000, para a reconversão deste setor na região. São mais de três dezenas de quintas a produzir um vinho nobre e de excelência, pequenas produções, mas muito interessantes em termos qualitativos”, garantiu, acreditando que deixaram de existir «maus» vinhos no Algarve. “São novas castas, novos métodos de vinificação e novas adegas que substituíram o que existia noutros tempos e que, hoje, dão cartas em qualquer ponto do mundo”. Fernando Severino salientou ainda a forte complementaridade entre o vinho, a gastronomia e o turismo, de modo que o Algarve pode crescer ainda mais neste setor. “Devemos ter à volta de 1500/1600 hectares de vinha, o sotavento está timidamente a
recomeçar, portanto, há uma margem enorme para se prosseguir com esta reconversão”, indicou, defendendo que a união de produtores é fundamental para o sucesso global do setor. “Há um leque de 30 e tal adegas de vinhos de quinta no Algarve e, como é evidente, não é necessário que cada produtor tenha a sua própria adega. Tem que haver uma união de áreas, no sentido de existir uma produção conjunta e para se valorizar marcas que se consigam, depois, impor no mercado”. O Diretor Regional da Agricultura e Pescas do Algarve confirmou, também, a presença dos vinhos do Algarve na generalidade das cartas dos restaurantes e hotéis da região, ainda que a um preço superior ao desejável, algo que terá que ser normalizado. “É um setor que casa perfeitamente com a nossa gastronomia e temos falta de produto, pelo que é uma atividade bastante atrativa para as novas gerações” .
#106 ALGARVE INFORMATIVO
23
24 ALGARVE #106 INFORMATIVO
#106 ALGARVE INFORMATIVO
25
REPORTAGEM
O MELHOR DO TURISMO DE NATUREZA EM EXPOSIÇÃO NAS QUATRO ÁGUAS, EM TAVIRA De 5 a 7 de maio, quem passasse pelo Sítio das Quatro Águas, em Tavira, ficava a conhecer o que de melhor o Algarve tem para oferecer em termos de turismo de natureza, numa mostra inserida na terceira edição do «Algarve Nature Week». Eram mais de 80 atividades e quase 60 expositores, num espaço de beleza única a que ninguém fica indiferente. Texto:
26 ALGARVE #106 INFORMATIVO
Fotografia:
A
«Algarve Nature Week» deu o pontapé de saída na manhã do dia 5 de maio, com a inauguração da mostra de natureza localizada no Sítio das Quatro Águas, em Tavira. Caminhadas, observação de aves e de cetáceos, passeios de bicicleta, de barco e a cavalo, surf, stand up paddle e mergulho são algumas das atividades que os visitantes podem experimentar, sendo o primeiro dia especialmente vocacionado para a comunidade escolar. No momento de inauguração, Jorge Botelho, presidente da Câmara Municipal de Tavira, mostrou a sua satisfação pelo certame se realizar num espaço completamente renaturalizado, onde falta apenas requalificar os cais da Ilha de Tavira e das Quatro Águas. “Há muito tempo que Tavira está alinhada
com a estratégia da Região de Turismo do Algarve no que toca ao turismo de natureza e noutras matérias. Para além disso, Tavira, como Comunidade Representativa em Portugal da Dieta Mediterrânica, assume uma responsabilidade acrescida na qualidade de vida, no bem-estar, no posicionar o Algarve como destino de todo o ano, à volta da gastronomia, dos passeios pedestres e de bicicleta, da observação de aves, dos desportos náuticos. É um convívio com a natureza que esta zona da Ria Formosa permite com o seu maior esplendor”, sublinhou o edil tavirense. Para Jorge Botelho, o turismo de natureza, desportivo e náutico são fundamentais para a sustentabilidade do
Desidério Silva, presidente da Região de Turismo do Algarve, Jorge Botelho, presidente da Câmara Municipal de Tavira e Filipe Silva, vogal do Turismo de Portugal #106 ALGARVE INFORMATIVO
27
Algarve, daí a necessidade de haver uma estratégia adequada da parte do Turismo de Portugal e do poder central, mas também um alinhamento dos fundos comunitários vocacionados para estes setores. “As câmaras municipais são os principais motores dos seus territórios mas, individualmente, somos pouco, conjuntamente, somos muito. Os agentes políticos, económicos, sociais e culturais devem estar reunidos em torno do mesmo objetivo: preservar e valorizar o nosso património com potencial económico para que possamos ter mais visitantes ao longo de todo o ano”, defendeu, considerando que a principal missão dos políticos deve ser criar, estimular e conservar emprego. “Cultura e Património são primus inter pares daquilo que é a diferenciação de Tavira no contexto do Algarve e,
28 ALGARVE #106 INFORMATIVO
felizmente, vemos outros concelhos a seguir o mesmo caminho”. Em representação do Turismo de Portugal esteve o vogal Filipe Silva, que felicitou a Região de Turismo do Algarve pela terceira edição do «Algarve Nature WeeK», um projeto “extremamente importante na qualificação do Algarve enquanto destino de «cycling & walking», uma marca que o Algarve pretende cada vez mais afirmar nos mercados internacionais”. O dirigente confirmou que a conjugação de esforços entre entidades privadas e públicas é essencial para se combater a sazonalidade do turismo algarvio e os resultados estão a aparecer no terreno. “Este primeiro ano de «cycling & walking» em parceria com o Turismo do Algarve tem sido de grandes desafios,
mas também de grande empenho de todas as entidades presentes e, graças a este processo de aprendizagem, o Turismo de Portugal está mais capacitado para avançar com a mesma lógica para o restante território nacional”, revelou. Depois do Parque Ribeirinho de Faro e do Passeio das Dunas de Quarteira/Viamoura, a «Algarve Nature Week» rumou ao Sítio das Quatro Águas, em Tavira, onde se notavam muitos jovens a participar nas várias atividades ao dispor dos visitantes. “E o futuro passa pelas nossas crianças, pela sua capacidade de sensibilizar os adultos”, evidenciou prontamente Desidério Silva, presidente da Região de Turismo do Algarve. “Esta mostra insere-se numa estratégia bem definida e com objetivos bastante concretos. O território
é o mesmo, só que, durante muitos anos, o foco esteve centrado no sol, praia e golfe. O facto é que, hoje, isso deixou de ser suficiente e precisamos de ter capacidade para nos reorganizarmos, para pensarmos o território numa lógica de oferta diversificada e integrada”, reforçou o homem forte do turismo algarvio. Desidério Silva enfatizou mais uma vez que o Algarve não consegue ser sustentável se funcionar apenas quatro ou cinco meses por ano e aproveitou para falar do programa cultural «365 Algarve», cuja primeira edição termina no final de maio, retomando novamente em outubro. “Para minha alegria, estamos numa região onde os parceiros já conversam uns com os outros, já
#106 ALGARVE INFORMATIVO
29
existe uma relação de confiança entre todos, porque todos contam, todos sabem o que precisam fazer e todos querem fazêlo bem. Fidelizar o turista é um papel que cabe a cada um de nós, porque são esses visitantes que depois vão passar uma imagem positiva do Algarve”, concluiu o presidente da RTA. Entre sexta e domingo, os mais irrequietos encontravam no «Espaço Ativo» sete pretextos para gastarem a energia. Patinagem artística, zumba, capoeira, CrossTraining, High Intensity Interval Training, ginástica acrobática e um jogo num chão gigante eram a forma de pôr o público em movimento. Depois do exercício, nada melhor que abrandar o ritmo e repor o batimento cardíaco num 30 ALGARVE #106 INFORMATIVO
workshop para construir aves e gaiolas algarvias ou máquinas fotográficas artesanais. Ambos decorriam no «Espaço Natureza» do recinto, onde estavam previstas outras ações para miúdos e graúdos. Este ano surgiram ainda três eventos associados à mostra: a 3.ª Prova do Campeonato de Vela do Algarve», prova organizada pelo Clube Náutico de Tavira e que contava com 100 embarcações de diversas classes de vela; a «Semana da Ria Formosa», que organizava uma exposição, uma ação de voluntariado ambiental e uma caminhada durante a mostra; e o «II Duatlo Cross Cidade de Tavira», promovido pelo Clube de Vela de Tavira.
#106 ALGARVE INFORMATIVO
31
REPORTAGEM
ESTOI
Foram 332 as candidaturas apresentadas ao concurso «7 Maravilhas de Portugal – Aldeias», das quais apenas 49 foram eleitas em sete diferentes categorias: «Aldeias Autênticas», «Aldeias-Monumento», «Aldeias Ribeirinhas», «Aldeias em Áreas Protegidas», «Aldeias Remotas», «Aldeias de Mar» e «Aldeias Rurais». No concelho de Faro situa-se a aldeia de Estoi, pré-finalista na categoria de «Aldeias Monumento».
Texto: Fotografia:
32 ALGARVE #106 INFORMATIVO
#106 ALGARVE INFORMATIVO
33
E
stoi é uma aldeia e freguesia situada na sua zona rural do concelho de Faro e que se estende desde a fértil Campina de Faro até aos picos da Serra do Monte Figo (Cerros de São Miguel, Azinheiro, Malhão, Bemposta, Monteiro e Guelhim). A sua localização, associada à boa qualidade de solos, à existência de várias fontes riquíssimas de água e bons ares, fizeram com que fosse fortemente povoada desde os tempos mais remotos. Prova disso é que, durante o Período Romano, ali foi construída a Villa de Milreu, que se crê ter sido habitada por governadores de Ossónoba, capital da província. Em períodos posteriores, Estoi continuou a ser escolhida pelas famílias mais nobres da cidade de Faro, que ali tinham as suas explorações agrícolas e lagares, para construírem casas «apalaçadas», onde viviam parte do ano. O seu Palácio Barroco, a mais significativa joia da arquitetura civil do séc. XVIII na zona a sul do Tejo, mandado construir pelo Coronel Francisco José Carvalhal e Vasconcelos, Fidalgo da Corte, da Nobreza de Cota de Armas do Algarve, na sua Quinta é a que melhor atesta tal situação, embora haja outros exemplos dentro do burgo e nas quintas dos seus arredores. 34 ALGARVE #106 INFORMATIVO
#106 ALGARVE INFORMATIVO
35
A Igreja Matriz de Estoi foi construída no Período Renascentista (1540), no local da antiga Ermida de São Martinho, sendo dotada de uma majestosa fachada Neoclássica, com projeto da autoria do arquiteto italiano Francisco Xavier Fabri. É antecedida de um impressivo escadório e rodeada por um conjunto de casas nobres e imponentes datadas do final do século XIX, semelhantes a muitas outras espalhadas pela aldeia. A Praça da Liberdade é, por isso, considerada a «sala de visitas da terra». A economia de Estoi foi tradicionalmente baseada no sector agrícola, nomeadamente no pomar tradicional de sequeiro (misto de figueira, alfarrobeira, amendoeira e oliveira), vinha, culturas de cereais e leguminosas, com alguns nichos de culturas hortícolas e frutícolas e por algumas indústrias de transformação dos produtos dessa agricultura, tais como lagares de azeite, adegas, destilarias, padarias, moinhos de vento e de água. Mas também ali se encontravam fábricas de moagem de cereais, confeção de artesanato utilitário, tal como a telha e o ladrilho, os artefactos variados de barro e lata, a albardaria, a confeção e arranjos de roupa e calçado e ainda o comércio, explorado pelos almocreves e por comerciantes de loja posta. 36 ALGARVE #106 INFORMATIVO
#106 ALGARVE INFORMATIVO
37
A partir dos anos 60 do séc. XX, verificou-se um grande abandono da atividade agrícola tradicional, o encerramento da maioria das unidades produtoras de artesanato utilitário e de transformação das produções agrícolas e a deslocação da mãode-obra para o sector terciário fora da freguesia. No sector agrícola assistiu-se porém à reconversão ao regadio de cerca de 200 hectares agrícolas de sequeiro, tornada possível pela abertura de furos de captação de águas subterrâneas. As novas atividades agrícolas daí resultantes, casos da instalação de pomares de citrinos e produção de hortícolas em estufa, de maiores produtividades e de mão-de-obra mais intensiva, compensaram parcialmente o abandono da agricultura tradicional. Nas duas últimas décadas, a construção de algumas infraestruturas e equipamentos públicos, levaram à instalação de serviços, novos negócios e empresas ou delegações de empresas com sede noutros concelhos e regiões, que têm criado várias centenas de postos de trabalho na freguesia, nomeadamente no Centro Empresarial de Guelhim, resultante da instalação do MARF . 38 ALGARVE #106 INFORMATIVO
#106 ALGARVE INFORMATIVO
39
40 ALGARVE #106 INFORMATIVO
#106 ALGARVE INFORMATIVO
41
42 ALGARVE #106 INFORMATIVO
REPORTAGEM
VILA DO BISPO
MOSTROU AS SUAS POTENCIALIDADES Os Desportos Náuticos, os Recursos Marinhos, a Biodiversidade e as Histórias do Mar de Vila do Bispo estiveram em destaque, no dia 28 de abril, no II Seminário Potencialidades de um Concelho, promovido pela Câmara Municipal de Vila do Bispo. Ao longo do dia, o Centro Cultural de Vila do Bispo recebeu empresários, dirigentes associativos, historiadores e investigadores, que deram a conhecer o que de melhor existe nesta ponta do Algarve. Texto:
Fotografia:
#106 ALGARVE INFORMATIVO
43
Fernando Duarte Pereira, Joel Ramos, Miguel Ferreira, Joana Schenker, Zara Matos e Adelino Soares
O
Centro Cultural de Vila do Bispo acolheu, no dia 28 de abril, o «II Seminário Potencialidades de um Concelho», desta vez dedicado ao «Mar de Vila do Bispo». O encontro reuniu especialistas, investigadores e agentes tutelares em torno deste território, com o intuito de partilharem o seu conhecimento e promoverem a circulação de informação entre a comunidade local, enriquecendo a capacidade de comunicação dos operadores turísticos locais. O seminário foi composto por quatro painéis – Desportos Náuticos, Recursos Marinhos, Biodiversidade e Mar de Histórias, Histórias do Mar – e divulgou algumas das diferenciadoras potencialidades naturais, culturais e paisagísticas de Vila do Bispo. 44 ALGARVE #106 INFORMATIVO
A iniciar a ordem dos trabalhos, Adelino Soares, presidente da Câmara Municipal de Vila do Bispo, moderou o painel dedicado aos Desportos Náuticos, composto por Zara Mata, presidente do Algarve Surf Clube, Joana Schenker, da Associação de Bodyboard de Sagres, Joel Ramos, da Wind4all, Miguel Ferreira, da Goodfeeling e Fernando Duarte Pereira, presidente da Comissão Nacional de Mergulho da Federação Portuguesa de Atividades Subaquáticas. Na sua intervenção, Zara Matos enfatizou a necessidade de se seguir os exemplos da Ericeira e Peniche para a implantação de um Centro de Alto Rendimento em Sagres/Vila do Bispo, mas também para a criação de uma sede que permita a realização de intercâmbios entre clubes,
a ocupação de tempos livres e treinos indoor. “Basicamente, seria um local onde as crianças e os jovens do concelho ocupassem o seu tempo com algo que possa concretizar-se como futuro de vida, propondo uma alternativa imediata aos poucos sociáveis computadores e tablets”, resumiu. A dirigente lembrou o potencial de Sagres ao nível da quantidade, qualidade e diversidade de ondas para a realização de eventos a nível nacional e internacional e considerou que o Surf deveria ser um dos principais desportos no âmbito do Desporto Escolar. “Por outro lado, há que apoiar e proteger as nossas empresas e a qualidade das aulas é fundamental para a sua sustentabilidade. É preferível ter três escolas para 150 alunos, 50 para cada
uma, com os respetivos instrutores certificados, seguros, organização e espaço na água, do que ter 10 escolas com aulas para 15 alunos cada, com qualidade duvidosa e a «lutar» por um espaço na areia”, alertou a presidente do Algarve Surf Clube, recordando que foram as empresas locais que praticamente inventaram o turismo do surf e que agora merecem e necessitam da proteção dos respetivos municípios, capitanias e demais entidades responsáveis pela fiscalização no terreno. Em simultâneo, Zara Matos pediu melhores infraestruturas na praia, como duches e casas-de-banho, mas também mais equipamentos para salvamento. “A nossa costa é bem mais perigosa do que
#106 ALGARVE INFORMATIVO
45
O presidente da Câmara Municipal de Vila do Bispo, Adelino Soares, no início do «II Seminário Potencialidades de um Concelho»
se pensa e não podemos confiar a segurança dos banhistas e principiantes da modalidade a apenas duas pessoas que, na maior parte das vezes, não conseguem cobrir a área total da praia. É do conhecimento geral que são as escolas de surf e os praticantes que acabam por fazer os salvamentos”, frisou. Em representação da Associação de Bodyboard de Sagres falou a tricampeã europeia Joana Schenker, que confirmou que o recorte específico da Costa Vicentina produz ondas de excelência para a prática desta modalidade ao mais alto nível. “São ondas propícias sobretudo na chamada época mais baixa do turismo algarvio, de outubro a maio, mas também são adequadas, durante todo o ano, para os praticantes menos experientes e para os iniciados. O Bodyboard não está tão 46 ALGARVE #106 INFORMATIVO
massificado como o Surf, nem acredito que alguma vez vamos ter dezenas de clientes a ter aulas de Bodyboard diariamente na Costa Vicentina, mas tem um grande potencial em Sagres, desde que seja feita mais promoção além-fronteiras”, apontou a atleta e dirigente. “O Bodyboard consegue colocar o nosso concelho no mapa global melhor do que qualquer outra modalidade, pela qualidade das ondas e dos seus atletas, e um bom exemplo disso é que, em setembro do ano passado, esteve cá a Campeã Mundial de Bodyboard em título, Isabela Sousa, e ainda há poucas semanas esteve por cá o atual Campeão Mundial de Bodyboard, Pierre Luis Costes”, revelou. Forte potencial tem igualmente o Windsurf, na opinião de Joel Ramos, da
empresa «Wind4all», que falou das condições geográficas, meteorológicas e marítimas necessárias para o desenvolvimento desta modalidade. “Enquanto nicho de mercado, o Windsurf tem grande capacidade para acrescentar valor à oferta já existente em Vila do Bispo”, garantiu, lembrando que o concelho tem vento excelente para este desporto praticamente ao longo de todo o ano. Também em destaque neste primeiro painel esteve o Stand Up Paddle, apresentado por Miguel Ferreira, da «Algarve Sup Tours», empresa pioneira na realização de passeios às grutas na costa sul do concelho de Vila do Bispo. “Mostramos todo o potencial natural que este concelho tem para oferecer e, ao mesmo tempo, foram criados três postos de trabalho anuais e seis postos de trabalho sazonais”.
PESCA SUBMARINA NÃO É INIMIGA DO AMBIENTE E porque Vila do Bispo vai receber, em 2018, o Campeonato Mundial de Pesca Submarina, Fernando Duarte Pereira, Presidente da Comissão Nacional de Mergulho da Federação Portuguesa de Atividades Subaquáticas, explicou que a pesca submarina é uma modalidade de extrema dificuldade, seletiva e com reduzidas capturas, portanto, de baixo impacto ambiental. O professor da Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa abordou igualmente as potencialidades únicas do concelho de Vila do Bispo para as modalidades náuticas, em geral, e muito em especial para as subaquáticas. “As atividades subaquáticas, pela sua
diversidade, com mais de uma dezenas de modalidades (mergulho com escafandro, com tubo respirador, pesca submarina, conteúdos e imagemfotografia e videografia, mergulho científico e de pessoas com deficiência, entre outras), apresentam uma ementa única e requerem uma cultura marítima e marinha impar entre as modalidades náuticas que utilizam vários modos náuticos para «voltarmos ao mar». Propiciam formas de prática para todas as motivações dos atuais desportistas e praticantes sérios, enquadrando-se nas novas tendências das práticas recreativas/culturais/ desportivas e turísticas internacionais”, salientou o especialista. Entretanto, para Fernando Duarte Pereira, a qualidade não deverá ser apenas uma exigência legal e, para além do obrigatório, há que afirmar o valor e competências nacionais, regionais e locais. “É urgente conhecer o que se tem para se estimar e preservar; estabelecer uma ponte entre a linguagem coloquial do calão desportivo e a linguagem técnica, hermética dos cientistas; deixar de sermos espectadores para sermos agentes e atores; passarmos de consumidores para produtores; e celebrar e ritualizar os nossos sucessos ao longo do rumo traçado”, defendeu o palestrante. Quanto à qualidade, deve ser procurada com base na Investigação e Desenvolvimento e na formação de competências nas pessoas, com desenvolvimentos de relações locais, afetas às regiões, património cultural, histórico, sociocultural e desportivo. “Há zonas do país que são de excelência, #106 ALGARVE INFORMATIVO
47
privilegiadas para a prática de inúmeras modalidades náuticas e subaquáticas, como são o caso de Peniche, Sagres e os arquipélagos da Madeira e dos Açores, mas há poucos locais no mundo com dois tipos de costa, ocidental, atlântica e meridional. Estaremos a saber distinguir esta qualidade única”, questionou Fernando Duarte Pereira. Ainda da parte da manhã, o II Seminário Potencialidades de um Concelho abordou «O Pescado de Sagres», a «Qualidade das Águas do Mar e das Praias de Vila do Bispo», «Percebes – Biologia e Sustentabilidade da Atividade Marisqueira» e «Aquacultura Atlântica na Costa de Vila do Bispo». Após o almoço, o terceiro painel foi constituído pelas
48 ALGARVE #106 INFORMATIVO
intervenções «As Esponjas de Sagres e a Biotecnologia», «Investigação Subaquática e Biodiversidade da Gruta da Catedral, Sagres», «Observação de Cetáceos nos Mares de Vila do Bispo», «Aves Pelágicas e Birdwatching Marinho em Vila do Bispo» e recordou-se algumas histórias do concelho, com os temas «D. Carlos I, o Algarve e o Estudo do Mar – Perspetivas sobre a ação de um Rei-Oceanógrafo», «A Boca do Rio e a exploração de recursos marinhos em época romana», «As marcas do grande tsunami de 1755 na Bacia da Boca do Rio», «Mapa toponímico da Costa de Sagres» e «Projeto U35 – a rota e os afundamentos de um submarino alemão nos mares de Sagres no contexto da 1.ª Guerra Mundial» .
#106 ALGARVE INFORMATIVO
49
ENTREVISTA
Uma noite fantástica com
PEDRO ABRUNHOSA E O TRIO DE JAZZ DE LOULÉ O Cine-Teatro Louletano recebeu, no dia 3 de maio, o sexto capítulo do ciclo musical «O Longe é Aqui», desta vez com o Trio de Jazz de Loulé e Pedro Abrunhosa. O resultado foi uma viagem fantástica pelo repertório do carismático cantor e compositor portuense, mas também por alguns clássicos internacionais do jazz. Texto:
#106 50 ALGARVE ALGARVE #106 50 INFORMATIVO INFORMATIVO
Fotografia:
#106 ALGARVE #106 ALGARVE INFORMATIVO INFORMATIVO
51 51
O
ciclo musical «O Longe é Aqui», dinamizado pela Cine-Teatro Louletano, voltou a proporcionar mais uma noite de excelência, a 3 de maio, com Pedro Abrunhosa a aceitar o desafio lançado pelo recém-criado Trio de Jazz de Loulé e a dar um concerto realmente extraordinário. O espetáculo começou com a prata da casa em palco, João Pedro Coelho (piano), António Quintino (contrabaixo) e João Pereira (bateria), que compõem o Trio de Jazz de Loulé, uma novidade no panorama cultural algarvio que pretende cimentar o trabalho de duas décadas desenvolvido na área do jazz em Loulé. Após os dois temas iniciais, é chamado a cena o convidado especial da noite, o portuense Pedro Abrunhosa, que saltou para o estrelato, em 1994, com o aclamado álbum «Viagens», na época tendo a seu lado os «Bandemónio». Desde então, tem sido um percurso repleto de sucessos, como o atesta o disco «Contramão», editado em 2013, agora ao lado dos «Comité Caviar». Foi um concerto inédito onde Pedro Abrunhosa revisitou o seu repertório, mas com uma tonalidade mais jazzística que lhe é bem familiar. De facto, o reconhecido intérprete e compositor chegou à música precisamente pela via erudita, a estudar Análise, Composição e História da Música com Álvaro Salazar e Jorge Peixinho, na Escola de Música do Porto. No Conservatório estudou Composição com Cândido Lima, após o que integrou o Grupo de Música Contemporânea de Madrid, do compositor Enrique X. Macias, com quem participou em espetáculos em Espanha e 52 ALGARVE #106 INFORMATIVO
Portugal. Nos anos 80 já era um exímio executante de jazz e colaborou com grandes nomes da cena jazzística por toda a Europa, casos de Paul Motion, Bill Frisell, Joe Lovano, David Liebman e Billy Hart. Ensinou contrabaixo na escola do Hot Club de Lisboa e, mais tarde, fundou a Escola de Jazz do Porto e a «Cool Jazz Orchestra», que viria a transformar-se em «Pedro Abrunhosa e a Máquina do
Som» para executar os seus temas originais. Com esta experiência na bagagem, podese dizer que o álbum «Viagens» foi uma completa surpresa para quem o conhecia. Com os «Bandemónio» a seu lado, criou um disco de rock cheio de jazz e de vida, que atingiu a tripla platina, com mais de 140 mil exemplares vendidos. Desde então,
o rol de êxitos é sobejamente conhecido, com os discos «Tempo», «Silêncio», «Momento», «Palco», «Intimidade». Em 2010, nova mudança de figurino, reúne os «Comité Caviar», alia-se ao produtor João Bessa e lança o álbum «Longe», antecessor de «Contramão», o sétimo disco de estúdio de Pedro Abrunhosa, que viu a luz do dia em 2013. #106 ALGARVE INFORMATIVO
53
Portanto, as expetativas eram muitas à hora de início do concerto no Cine-Teatro Louletano e a noite foi uma verdadeira revelação para o próprio artista. “Há uns anos, quando eu ainda tinha cabelo, era preciso viajar muitos quilómetros para se ver músicos com a qualidade deste Trio de Jazz de Loulé. Felizmente que esta sede de fazer, bem e diferente, e a democratização e descentralização da cultura, têm dado resultados. A cultura é um bem precioso e esta noite foi uma experiência muito boa, a mistura de linguagens foi interessante”, descreveu Pedro Abrunhosa, poucos minutos depois do apagar das luzes de palco. “Para mim, foi um regresso a uma ideografia e a um imaginário que me são familiares e, da parte deles, houve uma adaptação ao meu repertório, que é mais pop, mais literário. A canção é sempre uma estrutura que 54 ALGARVE #106 INFORMATIVO
assenta na palavra, enquanto o jazz se baseia no improviso e noutro tipo de dinâmica”, reconhece. O espetáculo surgiu, como referido, a convite do Trio de Jazz de Loulé, um desafio que foi prontamente aceite pelo portuense pelo seu amor à música. “No fundo, falamos todos a mesma língua, mas com sotaques diferentes. Eu introduzi o funk em português no nosso património musical, mas hoje tocamos também canções norte-americanas e uma francesa”, conta, acrescentando que o palco é, para ele, um sítio de celebração, de festa, de partilha e exagero, mas também de recolhimento. “O público está imbuído num espírito de festa, as pessoas estão aqui para serem encantadas, mas foram ditas coisas importantes nesta noite e algum registo da música era mais íntimo e
emocional. Foi um processo litúrgico não dogmático, não religioso, porque a espiritualidade da música é um veículo que a arte tem para dentro de nós”, sublinhou Pedro Abrunhosa.
NO PRECIPÍCIO DA 3.ª GUERRA MUNDIAL Pedro Abrunhosa regressou a uma cidade de Loulé que bem conhece, porque a sua carreira enquanto músico profissional começou no Algarve, a tocar nos bares de Faro e Vilamoura. “Acho que todos os músicos passam pelo Algarve, é uma espécie de El Dorado para a aprendizagem na estrada. Fiz cá muitos amigos, que ainda mantenho, e conheço bastante bem a zona”, afiança, ainda a recuperar o fôlego depois um concerto onde, em diversos momentos, trabalhou «sem rede». “Eu
adoro desafios, não gosto de coisas fáceis. Nestas duas noites regressei ao hotel com as músicas que tínhamos estado a ver, fui trabalhá-las, ouvi-las. Gravei o João Pedro Coelho no piano, fui para o quarto cantar por cima dos temas e alguns eram francamente difíceis. Fazem parte do repertório clássico do jazz – por isso é que eu vesti aquele fatinho – e têm que ser bem interpretados”. Um voltar ao «laboratório» que sempre o apaixonou, enquanto músico e professor, daí que não tenha ficado muito alarmado por apenas ter dois dias para ensaiar com o Trio de Jazz de Loulé. “Nada é perfeito, a música está cheia de erros, e ainda bem que assim é, só revela o seu carater humano. Esta noite houve alguns erros, mas foram feitos de #106 ALGARVE INFORMATIVO
55
uma maneira tão musical que foram perfeitamente assimilados pelo público. É como um erro numa pintura de Picasso, não sabemos muito bem o que é erro e o que é voluntário”, compara, ao mesmo tempo que revela que o próximo disco de originais está muito bem encaminhado. “Estamos há seis meses a gravar, está praticamente pronto, faltam letras em três músicas. Por isso, já sei quais vão ser, provavelmente, os próximos êxitos daqui a uns meses”, antevê, sorridente. Um processo criativo de permanente atenção à realidade, de dinâmica, de desaparecer e voltar a reaparecer, porque Pedro Abrunhosa gosta do resguardo, da paz, do silêncio e sossego para, de três em três anos, lançar novas canções. “E estas últimas são as mais fortes que escrevi na minha carreira, em termos de densidade e 56 ALGARVE #106 INFORMATIVO
espessura emocional. Precisamos de canções que abanem as pessoas, porque a frivolidade atingiu um ponto tão baixo de distração face à realidade”, desabafa, preocupado. “Vivemos no precipício da 3.ª Guerra Mundial, com dois loucos a comandar botões nucleares, e com uma terceira louca a ter, provavelmente, um grande resultado eleitoral em França. Isto é muito perigoso, temos todos que estar bastante atentos e o rock continua a ser uma poderosíssima forma de fazer chegar mais longe as mensagens. O rock sempre foi uma maneira de dizer às pessoas para não ficarem quietas, para não se satisfazerem com tão pouco, nem com reality-shows ou redes sociais, porque, de repente, desliga-se a tomada e tudo isso acaba” .
#106 ALGARVE INFORMATIVO
57
58 ALGARVE #106 INFORMATIVO
#106 ALGARVE INFORMATIVO
59
REPORTAGEM «PRONÚNCIAS» DEMONSTROU O VALOR DO TEATRO COMUNITÁRIO E É PARA CONTINUAR Texto:
#105 60 ALGARVE #106 60 ALGARVE INFORMATIVO INFORMATIVO
Fotografia:
#105 ALGARVE #106 ALGARVE INFORMATIVO INFORMATIVO
61 61
N
a noite de 4 de maio, meia dúzia de atrizes amadoras protagonizou, no Teatro das Figuras, em Faro, o primeiro episódio do «Pronúncias», projeto de teatro comunitário encenado por Rui Gonçalves e com apoio à dramatologia de Luís Campião. Um desejo antigo de Rui Gonçalves que foi concretizado com o apoio logístico e de comunicação do Teatro das Figuras, tendo sido feito o «calling» para participantes no final de 2016. “Apareceram muitas pessoas e a primeira fase do projeto foi constituída por uma oficina de teatro com três meses de duração, para elas aprenderem o básico. Apenas a Isabel Bento já tinha alguma experiência, fez teatro amador há 30 anos”, conta o encenador minutos depois de ter
62 ALGARVE #106 INFORMATIVO
terminado a primeira apresentação do «Pronúncias». Da oficina passou-se, depois, à criação propriamente dita do espetáculo, já em janeiro deste ano, porque um dos objetivos era mesmo ir a cena, não apenas transmitir noções básicas de representação. “E não paramos por aqui. Tanto eu como as outras pessoas querem dar continuidade ao projeto e levarmos o «Pronúncias» a algumas Instituições Particulares de Solidariedade Social de Faro, a escolas secundárias, lares de terceira idade, ao Hospital e à Biblioteca Municipal. Após esta digressão, será lançado um novo «calling», em outubro ou novembro, para se cativar gente nova”, adianta Rui Gonçalves.
#106 ALGARVE INFORMATIVO
63
Como é normal no teatro comunitário, os atores têm um papel preponderante na construção do enredo, dão sugestões, escrevem textos, desenvolvem as personagens, uma manta de retalhos que depois passou pelas mãos de Luís Campião. “Quando cheguei ao projeto já o Rui tinha algumas ideias desenhadas com as atrizes e a minha função foi tentar criar uma certa unidade, não deixar pontas soltas, «vigiar» um pouco o processo de criação do texto e contribuir para a montagem da cena. Mas grande parte dos textos foi escrita por elas e o Rui vinha com sugestões muito concretas do que pretendia para o espetáculo”, revela o premiado dramaturgo. “Alguma matériaprima necessitou de ajustes, noutra, praticamente não se tocou, foi mesmo uma questão de fazer a ligação entre as cenas existentes e ajudar a conceber outras”, acrescenta Luís Campião. No início de tudo estiveram conceitos como a Identidade, Solidão, Mudança e Amor Empático, as participantes do projeto responderam favoravelmente aos desafios lançados por Rui Gonçalves e o resultado final foi bastante agradável, com a plateia a reagir muito bem ao desempenho destas seis atrizes amadoras. Aliás, quem mais sofreu ao longo da noite foram as unhas do encenador, reconhece, com um sorriso. “Estar ali atrás, sossegado, na cadeira, é
estressante. Durante os ensaios podemos intervir, dizer-lhes para falarem mais alto, para terem atenção à máscara, aos movimentos corporais. Durante o espetáculo não podemos fazer nada. Ficar de fora é um grande tormento para os encenadores, temos que sofrer em silêncio”, admite. Apesar disso, Rui Gonçalves mostrouse contente com a postura das suas pupilas e acredita que o «Pronúncias» tem espaço para crescer ainda mais. “Queremos que as pessoas socializem através desta rádio e casa de chá. No segundo capítulo, em princípio as temáticas serão outras, mas isso também depende das pessoas que entrarem no projeto”, refere o encenador, ficando a dúvida se Luís Campião se manterá como dramaturgista. “Isto exige muita dedicação e esforço, tanto eu como o Luís estamos envolvidos em mais projetos e nem sempre é fácil conciliar as agendas. Ensaiar duas ou três vezes por semana, de outubro até ao início de maio, é duro. Todos nós trabalhamos durante o dia, daí que, por vezes, tivesse que fazer uma descompressão e um aquecimento com relaxamento e meditação, para elas deixarem o cansaço lá fora. É duro, mas vale a pena”, finaliza Rui Gonçalves .
Ficha artística e técnica: Encenação: Rui Gonçalves / Assistência: Cátia Ágria / Texto: Grupo Pronúncias Dramaturgista: Luís Campião / Sonoplastia: Rui Gonçalves Interpretação: Isabel Bento, Joana Cabrita, Maryse Reis, Graça Madeira, Ana Mendes, São Rua Voz-Off: Rui Gonçalves / Produção: Cátia Ágria
64 ALGARVE #106 INFORMATIVO
#106 ALGARVE INFORMATIVO
65
66 ALGARVE #106 INFORMATIVO
#106 ALGARVE INFORMATIVO
67
OPINIÃO
De Bolsa em Bolsa, até quando? Paulo Cunha (Professor)
“A
nda um pai a criar um filho para isto?...” é uma afirmação a que me habituei a ouvir nos últimos tempos, tal o desespero e a desilusão com que alguns progenitores veem o resultado do seu empenho e investimento colocados na formação pessoal e profissional dos seus descendentes. E se assim é com os pais, imaginemos o que sentirão os filhos, que em altura de poderem também vir a ser pais, se veem na contingência de adiar ou anular a perspetiva de constituir uma vida familiar estável. Reféns de uma precaridade que, a vários níveis, cresce galopantemente, toda uma geração vive o seu dia-a-dia sem a esperança de um futuro para além do prazo do seu contrato. Uma geração a prazo que sem o respaldo dos familiares não viveria, apenas sobreviveria! Muitos preferem não pensar nisso (e se calhar fazem bem!) e, usufruindo apenas o quotidiano, tentam viver um dia após o outro, mantendo assim alguma sobriedade e equilíbrio emocionais. Mas o que dizer do resultado do trabalho que desenvolvem e que, diretamente dependente e condicionado pela precariedade dos seus contratos, num ápice se vê desbaratado, vilipendiado e descontinuado!? Poderia aqui falar em muitos setores de produtividade onde tal acontece, mas vou centrar-me num que me é especialmente caro, pois acompanho-o com alguma acuidade através dos relatos e do convívio com colegas e amigos duma investigadora bolseira que me é querida (a minha mulher). Imaginam pois a tristeza e a revolta que sinto quando assisto às cerimónias de defesa das teses de doutoramento de jovens investigadores e, logo aí, antevejo o que os espera anos mais tarde, após seremlhes negadas as tão almejadas «bolsas de investigação» que lhe permitirão dar continuidade ao seu trabalho e à sua vida pessoal. Custa-me ver quem tutelou/tutela a Ciência em Portugal desbaratar tamanha riqueza, não potenciando a criação de condições para que tantos investigadores (com letra grande) permaneçam no país que tanto neles investiu, roubando-lhes assim a satisfação e o orgulho que um dia sentiram por, volvidos tantos anos de laborioso e
68 ALGARVE #106 INFORMATIVO
árduo trabalho, terem – finalmente – atingido o patamar mais alto do seu percurso académico. Temos hoje um Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior que se diz chocado com os relatos de investigadores que andam há décadas a saltar de bolsa para bolsa, com períodos de interregno entre elas (com desempregos sem subsídio pelo meio). Pretendendo institucionalizar uma nova forma de contratação (a prazo) para os trabalhadores científicos, não irá conseguir com essa medida apenas criar uma carreira na investigação e no ensino superior, mais uma vez precária? Entretanto o tempo vai passando e, também por cá, os nossos investigadores continuam a «dar cartas» no panorama das descobertas científicas, tornando Portugal uma referência no campo da investigação científica… a prazo, uma vez que os governantes que tutelam a Ciência se vão sucedendo, desaparecendo de cena na altura de «bater o pé» na negociação para a cativação de mais verbas para o seu Ministério, aparecendo somente para dar a cara na altura de usufruir dos louros alheios. E assim se vai vivendo, fazendo tanto com tão pouco. Sempre à custa da dedicação e entrega dos mesmos de sempre! Continuando a não promover e a incentivar a fixação do conhecimento entre portas, Portugal permanecerá um país adiado, enviando para fora o que de melhor tem vindo a criar em vários domínios da investigação. Colocar o intelecto ao serviço da evolução, assente em princípios de crescimento sustentável será, sem qualquer margem para dúvidas, a maior aposta e investimento que um país poderá fazer pelos vindouros. Somos um país pequeno em área, mas um país que outrora se tornou grande porque ousou descobrir. Não é mantendo à míngua a mão-de-obra dos excelentes centros de investigação que por cá temos, que daremos continuidade ao descobrimento de «outros mundos». Mundos que clamam por serem descobertos por uma vasta plêiade de «precários excecionais». Já chega de bolsas e «bolsinhas», contratos e «contratozinhos», sempre a prazo. É que a evolução não tem prazo e o amanhã é já hoje! .
#106 ALGARVE INFORMATIVO
69
OPINIÃO Na poeira do caminho Exposição de Susana Gaudêncio Mirian Tavares (Professora)
Meu quintal é maior do que o mundo. Sou um apanhador de desperdícios: Amo os restos (…). Manoel de Barros
D
e que se compõe uma exposição? De objetos, certamente. De coisas a que chamamos obras de arte, ou que assim passam a ser designadas no momento em que são expostas, como dispositivo, num determinado espaço. Desde Duchamp que os objetos artísticos foram desinvestidos de uma aura que os tornava únicos, originais, frutos da mão do artista que, com sua mestria, os construía. Desde então, há uma questão que se coloca e volta a ser colocada a cada nova exposição em que o artista decide que arte não é apenas um gesto criador, mas é também um gesto recolector – os objetos são fruto dum olhar especial, duma escolha, dum percurso realizado pelo artista e da sua decisão – trazer para o universo daquilo a que chamamos de arte coisas que outros diriam ser sobras, ruídos, restos. Poeira. Mas o que define esta coisa que o artista convoca? Heidegger, a propósito, escreveu um ensaio em que propõe à Filosofia uma questão semelhante: “A questão enuncia-se do seguinte modo: «Que é uma coisa?». Imediatamente uma dúvida nos assalta. Dir-se-á que faz sentido utilizar e consumir as coisas disponíveis, pôr de lado as coisas que estorvam, arranjar as que são necessárias; mas com a questão «que é uma coisa?» não se pode, propriamente, começar nada. (…) Esta afirmação acerca da nossa questão
70 ALGARVE #106 INFORMATIVO
é tão verdadeira que devemos, precisamente, compreendê-la como uma determinação da sua essência. «Que é uma coisa?». Esta é uma questão com a qual nada se pode começar; acerca desta questão, mais nada precisa ser dito”. Para o filósofo, as coisas existem quando sabemos o que fazer com elas. Mas, quando as questionamos, elas assumem uma nova ontologia que nos confunde. A exposição de Susana Gaudêncio, que é, no fundo, um processo expositivo e um dispositivo de constante inquietação, prossegue uma senda de outras exposições onde os objetos, ora criados pelas mãos da artista, ora encontrados por acaso ou resignificados, são dispostos de maneira a tentar responder, ou, pelo contrário, a propor mais questões a quem vê os objetos e também, aos próprios objetos em si, que contêm uma história. Porque as coisas/objetos falam de nós que os encontramos, ou que os perdemos, e também de nós que nos convertemos em objetos tecnológicos, em gadgets, que nos desgastamos. Na poeira do caminho não responde à questão heideggeriana – o que é uma coisa, mas propõe-nos encontrar novas respostas a esta inquietação. Porque os objetos são o que fazemos com eles, são os significados do qual são investidos e são, sobretudo, fragmentos daquilo que somos e da sociedade em que vivemos .
#106 ALGARVE INFORMATIVO
71
OPINIÃO
Tenho fé no marketing Fábio Jesuíno (Empresário)
E
ste mês comemora-se o centenário das aparições de Fátima com a visita do Papa Francisco, um acontecimento marcante no mundo católico e em Portugal, altura ideal então para falar da fé do Marketing. Ao longo das décadas, a fé fez parte das sociedades nas mais diversas religiões e abrangeu todas as classes sociais, estando muito vinculada a questões emocionais. Na história da humanidade, a fé é muitas vezes mencionada como uma confiança firme de que virá o que se espera, um sentimento ou pensamento positivo. No marketing, é fator determinante criar uma grande notoriedade numa determinada marca ou empresa, conseguindo, dessa forma, captar um grande número de seguidores que tenham fé nos seus produtos ou serviços. A profissão mais antiga do mundo é o marketeer e foi inventada pela Igreja Católica, algo que parece muito estranho e pode causar admiração e alguma confusão, mas faz todo o sentido. Seria interessante analisar os principais elementos característicos da igreja católica para
72 ALGARVE #106 INFORMATIVO
perceber a sua relação com o marketing. Considerando a cruz o seu logotipo, um dos mais antigos e perfeitos alguma vez criados, as Torres da Igreja com a cruz colocada num ponto de grande visibilidade como os seus outdoors e o confessionário sendo o mais espetacular departamento de pesquisa alguma vez idealizado, podemos assim fazer essa analogia. As primeiras grandes estratégias de marketing nasceram relacionadas diretamente com a religião e tiveram um sucesso em grande escala, sendo fator determinante para envolver e captar um grande número de fiéis. A igreja católica foi a grande pioneira no marketing, criou conceitos e métodos inovadores de grande sucesso, criou produtos e vários serviços envolvendo diretamente técnicas de marketing. Tenho fé no futuro do marketing. Os profissionais do marketing mudaram o mundo da fé e vão continuar a mudar .
#106 ALGARVE INFORMATIVO
73
OPINIÃO
Capital algarvia do vinho Vico Ughetto (Enófilo e gastrónomo)
C
om a 9ª edição da Grande Mostra de Vinhos de Portugal, que decorre entre 5 e 8 de maio no EMA - Espaço Multiusos de Albufeira, a cidade recebe mais de uma centena de produtores e apresenta a casa esgotada. Logo no primeiro dia já era difícil circular por alguns dos corredores, tal era a azáfama entre os stands de provas que vão de Norte a Sul de Portugal Continental, com uma boa presença do Algarve. Este certame nasceu pelas mãos da Confraria Bacchus de Albufeira, e hoje é ver o seu Chanceler (designação dada ao seu representante máximo) Carlos Oliveira, a circular pelo EMA com um grande sorriso nos lábios, o que se justifica, pois temos aqui uma bela feira, com um ambiente fantástico e acolhedor, cá me parecendo até que, brevemente,
terão que começar a pensar noutro espaço, pois este já se apresenta reduzido. É o próprio Carlos Oliveira que dá as boas-vindas a muitos dos visitantes e que nos confidencia que “há já muitos turistas que marcam as suas férias a contar com as datas da Mostra e que o certame já se tornou também atração turística”. Se Albufeira já é uma das candidatas a capital do turismo na região, é sem dúvida a vencedora, pelo menos nestes quatro dias, enquanto capital do vinho. Nada mau para quem começou com pouco mais de 40 produtores e agora quase que triplicou a participação. A presença de estrangeiros é muito notória e sem dúvida que está aqui uma excelente montra para a internacionalização dos vinhos nacionais.
Alguns dos vinhos da UMP na Mostra c/ destaque para o comemorativo dos 500 anos da SCM do Fundão
74 ALGARVE #106 INFORMATIVO
Alguns dos Confrades da Bacchus com o Chanceler Carlos Oliveira
O presidente da autarquia Carlos Silva e Sousa, também ele produtor de vinhos, esteve presente e à conversa com o confrade e vice-presidente da edilidade José Rolo #106 ALGARVE INFORMATIVO
75
A Confraria associa o seu evento a uma ação solidária e este ano a escolha recaiu sobre as Misericórdias que, através da União das Misericórdias Portuguesas, trouxe à Mostra cinco instituições - Canha, Fundão, Vila Flor, Valpaços e Macedo de Cavaleiros - que apresentam produtos como vinhos, licores e azeites. Para Patrícia Seromenho, provedora da Santa Casa de Albufeira, esta participação resulta de “um desafio mútuo entre a Confraria e a União no sentido de mostrar os produtos de excelência num local e evento também de excelência”. Apesar de ser ainda recente a aposta mais comercial na produção de vinhos, algumas delas já têm sido reconhecidas e premiadas em concursos. Patrícia Seromenho reconhece que, apesar de o vinho ser um produto tradicional, em virtude de algumas doações de terrenos com vinhas que ficaram sob gestão das Misericórdias, estas sentiram que podiam diversificar e aumentar as suas fontes de rendimento, fazendo face às restrições nos financiamentos que vão sentindo. No entanto, a provedora reconhece que é necessário ainda desbravar algum caminho na promoção e comercialização, pois, se há algumas como o Fundão, Macedo de Cavaleiros e Valpaços com uma aposta interessante nos vinhos e espumantes, encontra-se ainda a dificuldade de, no Algarve, por
exemplo, não se conseguir comprar estes vinhos por falta de distribuição. No entanto, refere que será uma situação que deixará de acontecer em breve, existindo um projeto para a abertura em Albufeira de uma loja com produtos oriundos da União das Misericórdias. Como não podia deixar de ser, efetuamos a prova dos vinhos da UMP. Um branco de entrada de gama, portanto simples, mas agradável e bem feito, a que se seguiu um espumante de Macedo de Cavaleiros, o Quinta do Lombo Reserva Bruto. Mostrou uma acidez viva e presente com uma bolha fina e uma mousse muito elegante. Entre os tintos, o destaque vai para o Quinta da Arraboa uma edição especial da Misericórdia do Fundão para comemorar os 500 anos da instituição. Feito com a vindima de 2014 nos 2,5ha da primeira quinta doada a esta instituição. Foi lançado em 2016 com as castas Tinta Roriz, Jaen, Touriga Nacional e Touriga Francesa. O vinho apresenta uma forte cor rubi denotando algum envelhecimento em barrica. Na boca temos a presença de um vinho com uma boa acidez média e taninos ligeiros bem arredondados pela madeira, apresentando um final médio. Nada mau para quem se está a iniciar na produção de vinho, tendo sido lançadas 15 mil garrafas numeradas para celebrar os 500 anos da instituição de uma forma original e muito saborosa .
A Mostra é acarinhada e apoiada pela autarquia de Albufeira que fazem questão de participar ativamente aqui com Paulo Dias, Chefe de Gabinete da Presidência e Carla Ponte, Chefe de Divisão do Turismo
76 ALGARVE #106 INFORMATIVO
#106 ALGARVE INFORMATIVO
77
ATUALIDADE
V FÓRUM DE EDUCAÇÃO E FORMAÇÃO DO ALGARVE REGRESSA AO PAVILHÃO DESPORTIVO DE ALBUFEIRA
A
5.ª edição do «OPTO – Fórum de Educação e Formação do Algarve» volta a trazer a Albufeira, de 10 a 12 de maio, mais de meia centena de expositores, entre universidades, escolas secundárias e profissionais, e outras entidades, que divulgarão a sua oferta educativa e formativa. Serão três dias marcados por exibições artísticas e desportivas, mostras e atividades de exploração, muitas delas protagonizadas por alunos, no Pavilhão Desportivo de Albufeira. O OPTO é já considerado uma mais-valia no processo de tomada de decisão vocacional, propiciando aos jovens do Algarve um maior conhecimento das alternativas escolares e formativas do Sistema Educativo Português (no ensino secundário, no ensino profissional e no ensino superior). Por outro lado, permite um
78 ALGARVE #106 INFORMATIVO
contato mais próximo com profissionais de diferentes áreas e a interação das escolas com a comunidade. Para facilitar o transporte dos estudantes e professores, poderão ser obtidos descontos especiais para viagens de grupo nos comboios da CP, de e para Albufeira, em todas as linhas. Os autocarros urbanos GIRO serão gratuitos em toda a cidade e também entre a Estação de Ferreiras e o Pavilhão Desportivo, mediante apresentação de credenciais emitidas pela Organização. O OPTO é uma organização conjunta do Município de Albufeira, Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares – Direção de Serviços da Região do Algarve (DGEST-DSRAL) e Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) e conta com a colaboração dos três Agrupamentos de Escolas de Albufeira .
ODELEITE ESTEVE EM FESTA NO 1.º DE MAIO
A
ribeira de Odeleite acolheu, no dia 1 de maio, centenas de visitantes que escolheram a «aldeia florida» para celebrar o Dia do Trabalhador. Pitoresca e reconhecida pela sua singularidade, pela aldeia de Odeleite podia ainda ver-se a exposição dos «Maios». As flores dispostas nos pátios, nas janelas e nos recantos das casas dão a Odeleite as cores da Primavera e o cognome de «aldeia florida», horizonte que se fecha com a inigualável beleza da ribeira, ontem animada pelos insufláveis, slide, canoagem e escalada, atividades que divertiram os visitantes durante todo o dia. A já tradicional sardinhada, gratuita e acompanhada por pão e
vinho, fez as honras ao almoço e a animação musical ocupou o resto da tarde. Pela ribeira de Odeleite passaram o «Grupo + 2», num divertido baile, o Rancho Folclórico do Azinhal e o artista «Ruizinho de Penacova». Em simultâneo decorria um Mercadinho, com artesanato e doçaria local e regional e onde também já se podia provar o afamado e procurado petisco dos caracóis. O Dia do trabalhador foi organizado pela Associação Social da Freguesia de Odeleite e contou com os apoios da respetiva Junta de Freguesia e do Município de Castro Marim .
#106 ALGARVE INFORMATIVO
79
ATUALIDADE
LIGA DOS BOMBEIROS PORTUGUESES HOMENAGEOU FRANCISCO MARTINS
P
or proposta da Direção e Comando da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Lagoa, a Liga dos Bombeiros Portugueses atribuiu ao Presidente da Câmara Municipal de Lagoa, Francisco Martins, a Medalha de Serviços Distintos – Grau Ouro, que se destina a galardoar indivíduos e entidades, Associações e Corpos de Bombeiros, pela prática de serviços distintos que contribuíram, com notável evidência, para o engrandecimento e prestígio das instituições de socorrismo. A entrega da distinção aconteceu no dia 24 de abril. Na ocasião, o Vice-Presidente do Conselho Executivo da Liga dos Bombeiros Portugueses, Rodeia Machado, agradeceu o caráter do autarca Francisco Martins, elogiando uma vez mais a forma como vê o trabalho da «sua» Corporação
80 ALGARVE #106 INFORMATIVO
de Bombeiros. Por sua vez, o edil lagoense aproveitou para anunciar a aquisição pela Câmara Municipal do sistema tecnológico mais evoluído, através de drones, que permitirá criar melhores e mais rápidas condições de monitorização das situações que surjam e que será disponibilizado pela autarquia à Corporação. Na mesma cerimónia foram condecorados com a Medalha de Assiduidade – Grau Ouro, por 15 anos de bom e efetivo serviço: Oficial Bombeiro de 1ª – Carla Margarida Santos Costa; Bombeiro de 2ª – Edgar Filipe Chagas Guerreiro; Bombeiro de 2ª – José Pedro Gouveia da Silveira; Bombeiro de 3ª – Manuel Fernando Gracias Faleiro .
LOULÉ REFORÇA INVESTIMENTO NOS TRANSPORTES ESCOLARES
A
Câmara Municipal de Loulé prepara já o próximo ano letivo e aprovou o Plano de Transportes Escolares para 2017/18, com um investimento que rondará os 1,5 milhões de euros, significando um ligeiro aumento em relação ao ano transato. Esta rubrica orçamental irá contemplar as carreiras coletivas de passageiros (rodoviárias), comboios regionais (ferroviárias), circuitos especiais de aluguer e veículos privativos da Câmara, em 108 circuitos, percorrendo diariamente 5331 quilómetros. Serão transportados entre as suas residências e o
respetivo estabelecimento de ensino 2087 alunos. O Plano de Transportes Escolares tem constituído um dos mais importantes investimentos do Município na área da Educação, sobretudo porque, dada a dimensão territorial do Concelho de Loulé e o facto de existirem zonas isoladas, o transporte dos alunos tornou-se uma questão fulcral para permitir o acesso ao ensino a todos os alunos de forma igualitária .
#106 ALGARVE INFORMATIVO
81
ATUALIDADE
CAMPEONATO CONCELHIO DE LEITURA DISTINGUIU MELHORES ALUNOS DE OLHÃO
T
eve lugar, no dia 2 de maio, a final do 8.º Campeonato Concelhio de Leitura – Leitura Rápida e Expressiva (LER), uma verdadeira festa da leitura que envolveu todos os alunos do ensino público e privado do concelho de Olhão, do 3.º ao 12.º anos, e cujos finalistas de cada escalão se «defrontaram» no Auditório Municipal. Mais do que um concurso, o Campeonato Concelhio de Leitura, uma organização do Município de Olhão e das Bibliotecas Escolares Paula Nogueira, pretende ser um espaço de promoção da leitura e de valorização dos melhores leitores. A iniciativa, inserida no programa do 6.º Mostrate – Mostra de Juventude de Olhão, teve início há alguns meses, e contou com três fases: seleção do melhor leitor por turma; seleção do melhor leitor de cada escalão em cada agrupamento; e a final, onde os vencedores deram o seu melhor, através da leitura de um texto da sua preferência.
82 ALGARVE #106 INFORMATIVO
Ao todo, participaram 22 alunos: seis do 1.º Ciclo, seis do 2.º Ciclo, sete do 3.º Ciclo e três do Ensino Secundário, efusivamente aplaudidos pelos colegas, que não quiseram deixar de marcar presença e manifestar o seu apoio. Após apresentadas as respetivas leituras e a consequente deliberação do júri, os vencedores em cada um dos escalões foram: Iara Almeida, da Escola Básica de Quelfes; Carolina Sancho, da Escola Básica João da Rosa; Natacha Fernandes, do Colégio Bernardette Romeira e Renato Candeias, da Escola Secundária Francisco Fernandes Lopes. No final desta festa concelhia da leitura, todos os participantes foram contemplados com um cheque-livro, oferta do Município, e um bilhete para o Festival do Marisco, oferta da empresa municipal Fesnima .
SÃO BRÁS MELHORA EQUIPAMENTOS PARA A PRÁTICA DESPORTIVA
A
ampliação do Parque de Desporto Municipal, com a instalação de novos equipamentos e a constante melhoria das condições nas infraestruturas desportivas para garantir a sua adequação à prática da atividade física, ao dispor de todos, tem sido uma prioridade da Câmara Municipal de São Brás de Alportel. Nesse sentido, a autarquia adquiriu recentemente um praticável de ginástica, num investimento de perto de uma dezena de milhar de euros. O novo equipamento pode ser utilizado para a prática de diversas modalidades, como a Ginástica
Acrobática, Artística, Rítmica ou Ginástica de Solo. As suas características e os materiais de composição permitem que tenha uma grande absorção do impacto, proporcionando a execução de exercícios sem qualquer efeito de vibração. Desenvolvido para facultar uma elevada performance, o praticável com 14 metros de comprimento por 14 metros de largura, foi concebido de acordo com as normas definidas pela Federação Internacional de Ginástica .
#106 ALGARVE INFORMATIVO
83
ATUALIDADE
SILVES INAUGUROU ESCULTURAS EM HOMENAGEM AOS CORTICEIROS
A
Câmara Municipal de Silves assinalou o 1.º de Maio, Dia do Trabalhador, com a inauguração de um conjunto escultórico de «Homenagem aos Corticeiros», de autoria de Carlos de Oliveira Correia. Na ocasião, a edil Rosa Palma destacou a importância dos operários corticeiros e desta indústria na história da cidade. “A indústria corticeira teve em Silves, nos séculos XIX e XX, uma das suas principais capitais. Em 1890, 40 por cento dos trabalhadores nacionais desta indústria, em que ainda hoje Portugal é líder mundial, trabalhavam em Silves. Muitos de nós somos filhos ou netos de corticeiros”, enfatizou a autarca. “Apesar desta indústria quase ter desaparecido na atualidade do concelho, foi da fábrica Amorim, em Silves, que saíram os aglomerados que espantaram o mundo nas exposições mundiais de Hannover e Xangai, em 2000 e 2010, respetivamente”, recordou ainda Rosa Palma. António Goulart, representante da CGTP-IN, também louvou o gesto da autarquia, que se traduz, na sua opinião, numa verdadeira homenagem aos trabalhadores, que sempre
84 ALGARVE #106 INFORMATIVO
pugnaram pelos direitos laborais. Carlos de Oliveira Correia, autor da obra, referiu igualmente a importância desta indústria e o gosto que teve em poder representar os homens e mulheres que nela trabalharam, processo que o levou a descobrir muita da história e dos gestos e hábitos associados a esta atividade. A homenagem terminou com o descerramento da placa de inauguração deste conjunto de seis peças, que representam a vinda da cortiça para as fábricas (transportadas por burros, que vinham até Silves guiados pelos seus donos), bem como os operários que trabalhavam, nomeadamente as escolhedoras, que faziam a seleção das rolhas, separando-as conforme a sua qualidade e os homens que faziam a raspagem da parte exterior das pranchas que chegavam do montado, um dos mais difíceis trabalhos corticeiros, realizado ao ar livre e uma das primeiras etapas da preparação da cortiça. As peças estão situadas junto à Cruz de Portugal e na rotunda localizada nessa área .
8.º FESTIVAL DE OBSERVAÇÃO DE AVES & ATIVIDADES DE NATUREZA JÁ TEM DATA
O
Município de Vila de Bispo volta a acolher o maior evento nacional de atividades de Turismo de Natureza, de 4 a 8 de outubro, para celebrar a migração outonal das aves. O início da organização da oitava edição do Festival de Observação de Aves & Atividades de Natureza de Sagres aconteceu no dia 29 de abril, com a celebração de um novo protocolo entre as três entidades organizadoras, com a presença de Adelino Soares, presidente da Câmara Municipal de Vila do Bispo, Joaquim Mealha, Vice-Presidente da Almargem, e Domingos Leitão, Diretor Executivo da SPEA. O evento decorre em plena época de migração quando as aves que estão a dirigir-se para África para passar o inverno. O Festival, contudo, não tem apenas as aves como atrativo e irá, mais uma vez, apresentar um programa atividades muito
diversificado a nível de temáticas, como arqueologia, geologia, história, flora, mamíferos marinhos, e muito mais. O Festival tem vindo a direcionar-se cada vez mais para as famílias, com atividades a pensar em todas as idades e nos variados interesses no âmbito da natureza e bem-estar. De ano para ano, a componente do convívio entre participantes com este interesse em comum tem vindo a tomar relevância. O ponto de encontro é mais uma vez o Forte do Beliche, local onde, para além de ser possível usufruir de uma vista única sobre o mar, se centram muitas das atividades. No âmbito da realização deste Festival, a Câmara Municipal de Vila do Bispo apresentou duas candidaturas, uma ao CRESC Algarve 2020 e outra ao Turismo de Portugal .
#106 ALGARVE INFORMATIVO
85
ATUALIDADE
ALGARVE É A REGIÃO DO PAÍS COM MAIS BANDEIRAS AZUIS
E
ste ano, o Algarve vai hastear 92 bandeiras azuis, 88 em praias e quatro em marinas, assumindo-se, mais uma vez, como a região com mais praias galardoadas. Em 2017, o Algarve recebe o mesmo número de bandeiras do que em 2016, registando a saída da praia do Pintadinho e a inclusão da de Vale Centeanes, ambas no concelho de Lagoa. Albufeira é o concelho do país com mais praias galardoadas (24 no total) seguida, na região, de Vila do Bispo (11) e Loulé (10). As quatro marinas de Albufeira, Lagos, Portimão e Vilamoura também viram reconhecidas a sua qualidade ambiental. Em Portugal, a Bandeira Azul vai ser hasteada em 320 praias, das quais 292 são praias costeiras e 28 praias fluviais, o que representa mais seis bandeiras azuis este ano. Portugal é assim o país da União Europeia com maior percentagem de praias galardoadas (55 por cento) de entre as praias aptas para banhos, embora 86 ALGARVE #106 INFORMATIVO
esteja em quinto lugar no ranking europeu no número total de praias distinguidas, atrás de Espanha (578), Grécia (486), França (390) e Itália (342). A Bandeira Azul é um galardão ambiental atribuído anualmente a praias, marinas e portos de recreio que cumprem um conjunto de critérios de gestão ambiental, educação ambiental, informação, qualidade da água balnear, serviços e segurança dos utentes. Em Portugal, o galardão é desenvolvido pela Associação Bandeira Azul da Europa (ABAE), secção portuguesa da Foundation for Environmental Education (FEE) e conta com o apoio técnico da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), entre outras entidades públicas e privadas com responsabilidades na gestão das praias, marinas e portos de recreio.
PINE CLIFFS RESORT INVESTE NO MAIOR SPA DO ALGARVE
O
Pine Cliffs, a Luxury Collection Resort, reforçou o seu posicionamento de luxo, apostando numa nova dimensão de saúde e bem-estar assente no conceito exclusivo – Serenity – The Art of Well Being. A grande atração é o Serenity Spa, um paraíso de saúde e bem-estar de 1.100 metros quadrados, constituindo o maior e mais completo espaço de Well Being do Algarve e um dos principais do panorama europeu. O novo SPA do Pine Cliff representou o maior investimento alguma vez realizado no Algarve, em espaços similares, com vista oferecer aos seus clientes um serviço de excelência. A construção do Serenity Spa durou 45 dias e contou com o apoio da equipa de arquitetos DAU Design, especialistas nestes equipamentos de bem-estar. “Tendo em conta que os mercados nos quais o Pine Cliffs, a Luxury Collection Resort opera assumem uma escala global, têm um grau de exigência em linha
com o segmento de luxo em que atuamos e exigem que estejamos atentos às tendências mundiais, foi imperativo que investíssemos neste sentido. Aliado à região de interesse turístico em que estamos inseridos, à localização privilegiada e às opções de alimentação e de fitness de que dispomos, acreditamos ter a melhor oferta do mercado nesta área”, afirma Maria d’Orey, diretora do Serenity Spa e Fitness. Esse investimento já foi, aliás, reconhecido a nível internacional, com o Serenity – The Art of Well Being a estar duplamente nomeado para os World Luxury Spa Awards 2017, nas categorias «Best Spa Resort» e «Best Spa Manager». Os resultados serão conhecidos em julho, mês em que o Spa celebra precisamente um ano de existência .
#106 ALGARVE INFORMATIVO
87
ATUALIDADE
QUINTA DO LAGO COMEMORA 45 ANOS DE EXISTÊNCIA COM UM NOVO EMPREENDIMENTO
U
m projeto raro e inspirador está a surgir no icónico resort da Quinta do Lago, um empreendimento que assinala o seu 45.º aniversário e que soube conquistar, desde a primeira hora, o privilegiado estatuto de destino único a nível europeu, capaz de oferecer aos seus residentes uma baixíssima densidade populacional e uma incomparável experiência de estilo de vida, onde o luxo se manifesta em perfeita e exuberante comunhão com a natureza. No respeito pelo caráter exclusivo e pelos princípios de bom gosto e rigor que presidiram à sua conceção pelo visionário fundador, a Quinta do Lago acaba de lançar a primeira pedra do seu mais recente desenvolvimento imobiliário, denominado «Reserva», numa alusão à Reserva da Ria Formosa que lhe serve de cenário envolvente e que a UNESCO classificou como património natural. Situado numa área de natureza protegida, numa das zonas mais emblemáticas do Resort, com uma
88 ALGARVE #106 INFORMATIVO
situação extraordinária à beira do lago e no exato local que deu origem à Quinta do Lago, este empreendimento encerra e reafirma o círculo original que se caracteriza pela valorização dos mais extraordinários atributos da natureza. “Estamos perante um empreendimento que se tornará um novo símbolo da qualidade superior que sempre presidiu ao criterioso desenvolvimento da Quinta do Lago, com a particularidade de a sua localização privilegiada encerrar toda a aura que é percetível neste lugar tão especial”, sublinha Sean Moriarty, CEO da Quinta do Lago. Virado a oeste, o terreno da «Reserva» percorre todo o Lago até que este toca o Oceano Atlântico, ladeado por praias de areia fina. O empreendimento tem o final previsto para o verão de 2019, acolherá 26 apartamentos com piscinas privativas e preços
a partir de dois milhões de euros, apresentados em duas opções de 13 unidades cada: uma que toca o verde e a terra, os Garden Residence; e outra que toca o céu e se estende até ao pôr-dosol, as Penthouses. O empreendimento desenvolve-se num espaço protetor e convidativo em forma de D, com o verde da natureza no coração e a toda a sua volta, que acompanha e abraça um declive que se prolonga suavemente até tocar a água do Lago. O design é moderno e utiliza o vidro, a pedra natural e o branco com a intenção clara de integração e preservação da natureza envolvente. Os quartos são em suite, organizados em torno de áreas de estar com uma amplitude que visa o máximo aproveitamento do conforto proporcionado pela claridade e pelo espaço. Dos interiores amplos
flui-se naturalmente para os espaços ajardinados ao ar livre, que tiram partido da proximidade e da vista para o Lago, para as dunas e para o mar. As Penthouses trocam a exuberância dos jardins pelos traços modernos e arrojados dos terraços, lounges e decks que envolvem uma zona de piscina ao ar livre. O Resident’s Club acrescenta ainda mais um elemento emocionante ao projeto, com uma oferta exclusiva e aliciante que suporta o status quo único da Reserva. Incluirá receção 24 horas, uma piscina exterior aquecida, um food & beverage outlet, uma área lounge para membros, ginásio e salas de tratamentos vários, mais uma piscina, uma sala multiusos, court de ténis, padel, terraços junto ao Lago e ainda instalações para crianças .
#106 ALGARVE INFORMATIVO
89
90 ALGARVE #106 INFORMATIVO
#106 ALGARVE INFORMATIVO
91
92 ALGARVE #106 INFORMATIVO
#106 ALGARVE INFORMATIVO
93
94 ALGARVE #106 INFORMATIVO
#106 ALGARVE INFORMATIVO
95
DIRETOR: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina (danielpina@sapo.pt) CPJ 5852 Telefone: 919 266 930 EDITOR: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina SEDE DA REDAÇÃO: Rua Estrada de Faro, Vivenda Tomizé, N.º 12P, 8135-157 Almancil Email: algarveinformativo@sapo.pt Web: www.algarveinformativo.blogspot.pt PROPRIETÁRIO: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina Contribuinte N.º 211192279 Registado na Entidade Reguladora para a Comunicação Social com o nº 126782 PERIODICIDADE: Semanal CONCEÇÃO GRÁFICA E PAGINAÇÃO: Daniel Pina FOTO DE CAPA: Daniel Pina
A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista regional generalista, pluralista, independente e vocacionada para a divulgação das boas práticas e histórias positivas que têm lugar na região do Algarve. A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista independente de quaisquer poderes políticos, económicos, sociais, religiosos ou culturais, defendendo esse espírito de independência também em relação aos seus próprios anunciantes e colaboradores. A ALGARVE INFORMATIVO promove o acesso livre dos seus leitores à informação e defende ativamente a liberdade de expressão. A ALGARVE INFORMATIVO defende igualmente as causas da cidadania, das liberdades fundamentais e da democracia, de um ambiente saudável e sustentável, da língua portuguesa, do incitamento à participação da sociedade civil na resolução dos problemas da comunidade, concedendo voz a todas as correntes, nunca perdendo nem renunciando à capacidade de crítica. A ALGARVE INFORMATIVO rege-se pelos princípios da deontologia dos jornalistas e da ética profissional, pelo que afirma que quaisquer leis limitadoras da liberdade de expressão terão sempre a firme oposição desta revista e dos seus profissionais. A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista feita por jornalistas profissionais e não um simples recetáculo de notas de imprensa e informações oficiais, optando preferencialmente por entrevistas e reportagens da sua própria responsabilidade, mesmo que, para tal, incorra em custos acrescidos de produção dos seus conteúdos. A ALGARVE INFORMATIVO rege-se pelo princípio da objetividade e da independência no que diz respeito aos seus conteúdos noticiosos em todos os suportes. As suas notícias narram, relacionam e analisam os factos, para cujo apuramento serão ouvidas as diversas partes envolvidas. A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista tolerante e aberta a todas as opiniões, embora se reserve o direito de não publicar opiniões que considere ofensivas. A opinião publicada será sempre assinada por quem a produz, sejam jornalistas da Algarve Informativo ou colunistas externos.
96 ALGARVE #106 INFORMATIVO
#106 ALGARVE INFORMATIVO
97
98 ALGARVE #106 INFORMATIVO