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ALGARVE INFORMATIVO 25 de marรงo, 2017

XV FESTIVAL DE ARTES DE ALBUFEIRA 30 anos de Eliseu Correia

O Sal de Marim

Rede de Museus do Algarve #100 ALGARVE INFORMATIVO

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CONTEÚDOS ARTIGOS 8 - Festival de Artes de Albufeira 24 - Eliseu Correia 34 - O Sal de Marim 42 - José Pedro Croft 50 - Rede de Museus do Algarve 56- ASPA 62 - Dia Mundial da Água 80 - Atualidade

OPINIÃO 6 - Daniel Pina 68 - Paulo Cunha 70 - Paulo Bernardo 72 - José Graça 74 - Miriam Tavares 76 - João Espada 78 - António Manuel Ribeiro 34

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OPINIÃO Um centenário impensável… Daniel Pina

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ois aqui estamos, número 100, é obra. Podia embelezar os factos, armar-me em vedeta e dizer que chegar à centésima edição da revista semanal do Algarve Informativo faz parte de um plano de negócios criteriosamente traçado, com objetivos perfeitamente definidos, assente numa estratégia de marketing e num estudo de mercado elaborados com todo o rigor. Podia fazer isso, mas tal não corresponderia à verdade e, quem me conhece pessoalmente, sabe que nunca fui muito adepto de inverdades e gabarolices. Na génese de tudo esteve o desemprego e garantovos que ser um jornalista à beira dos 40 e sem trabalho é realmente lixado. Aliás, não é por acaso que muitos ex-colegas se viram nessa situação e, de repente, foram parar a consultores imobiliários, vendedores de seguros ou delegados comerciais disto ou daquilo, sem desprimor para tais profissões. Eu mesmo cheguei a equacionar esse caminho porque, como bem sabemos, os «tachos» na função pública ou em grandes empresas são para quem vem de «boas» famílias, para quem tem costas quentes ou para quem está filiado no partido que naquele momento estiver no poder. Costas quentes nunca tive, à política nunca liguei e também não tive muita sorte com os pais que me trouxeram ao mundo. Fui criado por uma avó 60 anos mais velha do que eu, analfabeta, que fez o melhor que sabia, pela simples razão de que os meus progenitores preferiram continuar a gozar a boa-vida de bons solteiros, cada um para seu lado, num país que, de repente, respirava liberdade e democracia, e o filho que se desenrascasse. Mas isso também não vem ao caso, são águas passadas. Depois de mais de 15 anos dedicados a um projeto jornalístico de referência no Algarve, vejo-me no desemprego, com uma mão atrás e outra à frente, casa e carro para pagar, duas filhas para educar. Podia ter feito como o tal fulano holandês diz, ficar em casa a lamentar-me e a gastar o subsídio de desemprego em bebidas e mulheres. Mas, como estou muito satisfeito com a mulher que tenho e também não sou grande adepto de álcool, tive que escolher outro caminho e lá fui eu bater a todas as portas que conhecia. O problema é que a crise ainda não tinha passado – nem sei se realmente já passou – pelo que os potenciais

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empregadores, os proprietários dos poucos jornais e revistas que ainda existiam no Algarve, foram rápidos a aproveitar-se da situação, oferecendo condições ridículas em que praticamente tínhamos nós que pagar para trabalhar. Pouco a pouco fui chegando à conclusão que seria mais fácil tentar arriscar por conta própria e assim nasceu o blogue do algarve informativo, com a primeira notícia a ser publicada a 11 de março de 2014. A única decisão estratégica, se assim se pode dizer, que tomei na altura foi que não iria divulgar situações negativas, fossem acidentes ou mortes, apreensões de droga ou de armas ilegais, burlas ou casos de corrupção. Não me agrada o jornalismo sensacionalista que abusa de expressões como «braço decepado», «cabeça degolada», «tripas esventradas», «corpo esmagado» e que, infelizmente, deixou de ser um exclusivo do Correio da Manhã, já que praticamente todos os jornais nacionais decidiram seguir esse rumo. O meu caminho, felizmente, agradou a uma legião de seguidores que foi crescendo, devagar no início, como é natural, depois cada vez mais depressa, até ter superado as minhas mais loucas expetativas. Em 2016, o blog do algarve informativo teve mais de um milhão de visualizações, tudo notícias positivas para o Algarve. E foi imbuído desse espírito que nasceu a revista semanal do Algarve Informativo, com o primeiro número a ser publicado no dia 29 de março de 2015. Mais uma vez sem qualquer estratégia de marketing definida, tanto que a capa até foi um desenho feito pela minha filha mais velha. Praticamente dois anos volvidos, aqui estou a lançar o número 100, sempre a divulgar o que de melhor acontece no Algarve e com uma forte aposta na vertente cultural. A possibilitar a concretização deste sonho tenho a meu lado uma vasta equipa de cronistas, uns quase desde o início, outros mais recentes, uns mais regulares do que outros, mas todos importantes. Assim como importantes são todos os anunciantes, aqueles que, na hora da verdade, me pagam as contas da casa, o combustível do carro, as portagens da Via do Infante e todas as despesas inerentes à edição de uma revista semanal. Por isso, a todos vós, o meu muito obrigado. E até para a semana… .


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REPORTAGEM

ALBUFEIRA VIBROU COM MAIS UM

FESTIVAL DE ARTES Texto:

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epois das eliminatórias realizadas nos dias 4 e 11 de março, a grande final da 15ª edição do Festival de Artes Infantil e Juvenil de Albufeira encheu por completo o Auditório Municipal da cidade capital do turismo algarvio. Foi, sem dúvida, uma tarde repleta de talento, em alguns casos mesmo de uma qualidade impressionante, ainda mais se pensarmos que os jovens que subiram ao palco tinham idades compreendidas entre os 6 e os 17 anos. Foram autênticos diamantes aqueles a que tivemos o privilégio de assistir, alguns ainda por lapidar, outros já num nível altíssimo, os chamados génios, virtuosos, todas as palavras são poucas para os descrever. A iniciativa promovida há década e meia pela Câmara Municipal de Albufeira é de 10 ALGARVE #100 INFORMATIVO

louvar, afirmando-se como uma montra do melhor que existe na dança, canto e música, nesta faixa etária, no Algarve, já que os concorrentes chegam de todos os pontos do sotavento e do barlavento, do litoral e do interior. Prémios monetários existem, claro, para os três primeiros classificados em cada categoria – dos 6 aos 11 e dos 12 aos 17 anos – mas o dinheiro é quase secundário, uma simples ajuda para prosseguirem os seus estudos, a confirmação de que estes jovens têm talento e de que devem ser acarinhados, uma motivação extra para as famílias continuarem a despender parte do orçamento com a formação artística dos seus filhos. E eles merecem, todos aqueles que passaram pelo palco do Auditório Municipal de Albufeira no dia 18 de março, mas também muitos daqueles


que ficaram pelo caminho nas duas meias-finais, porque, nestas coisas de concursos, por vezes a diferença é ditada por pequenos pormenores e não ir à final não significa que não se tenha talento. Na hora da verdade, apenas 20 concorrentes podiam disputar a grande final e, desses, apenas havia prémios monetários para os três primeiros de cada vertente, se bem que, no escalão dos mais velhos, tenham existido, este ano, dois segundos classificados. Nos mais pequenos, dos 6 aos 11 anos, a competição começou com três violinistas provenientes de Faro, Lana Petrova, Leonor Sampaio e Sofia Rushnyazeva, que interpretaram uma dança inglesa folclórica e o Coro dos Caçadores de Weber. Seguiu-se um miúdo da casa, nove anos de idade, Tiago Mendes, ao piano, com a particularidade de não saber ler pautas, apenas toca de ouvido. Tocou «River Flows in You» e «Nuvale Bianche», mais uma vez fantástico, e a plateia irrompeu em aplausos no final da sua prestação. No canto apresentou-se Maria Cardoso Revez, olhanense de 11 anos, que trouxe o hit «Diamonds» de Riahnna. De volta ao piano, mais um jovem que toca de ouvido, irreverente do alto dos seus nove anos, Pedro Rebelo, olhanense, que tocou «Tarantella» de William Gillock e «Toccatina» de D. Kabalevky. #100 ALGARVE INFORMATIVO

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Daqui para a frente, a dança dominou, com os Soul Kids, de Albufeira, a mostrarem os seus dotes no hip-hop. Muito bons, fieis aos pergaminhos da Associação Soul. Depois, num registo diferente, mais clássico, subiram ao palco as meninas do Grupo de Dança Arutla, vindas de Altura, concelho de Castro Marim. O número escolhido foi «It’s a hard knock life» e, por momentos, parecia que estávamos a assistir aos grandes espetáculos da Broadway. A sério, não há palavras. Verdadeiramente impressionante a coreografia executada por estas meninas dos oito aos 10 anos, em perfeita sincronia, as expressões faciais, a energia com que entoavam a letra da música.

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Do grupo para a atuação a solo, tivemos Rita Salazar, da Companhia de Dança do Algarve, de Faro, com o tema «Theme Overworlds». Irreverente, divertida, com um brilhante futuro pela frente, como grande parte dos alunos da companhia liderada por Evgueni Beliaev. A qualidade continuou em alta com a Fuete – Academia de Dança de Albufeira, também de Albufeira, que executou «Krutuha». Grande prestação dos pupilos de Angelika Makarova e Konstantin Makarov. Estreante nestas andanças foi a Oficina de Dança «Estúdio T», de Olhão, que trouxe «Alegre Festa» de Ilona Mitrecey e a vertente dos 6 aos 11 anos terminou com o Grupo de Dança Arabesque, de Quarteira, que executou um «Bom Bom Bom» cheio de alegria e entusiasmo.

Após um breve intervalo, a segunda parte da final do XV Festival de Artes de Albufeira arrancou com o Grupo de Cordas e Teclas da Bemposta, de Portimão, com «Embaluar», valsa das estrelas, walking bass do Sol, serenata da Lua e melancolia do pintor. Depois da excelente prestação do ano transato, as expetativas eram muitas para ver que traria o violonista de 15 anos Sávva Perevérzev, de Albufeira, desta vez a solo, acompanhado ao piano pela mãe. A resposta foi «As melodias dos ciganos», de Sára Sáte, um momento arrepiante, um daqueles que não engana, virtuosíssimo. Da Escola de Dança de Lagos vieram Sara Nascimento e Afonso Gouveia, 11 e 12 anos, que presentearam o público #100 ALGARVE INFORMATIVO

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com uma polca finlandesa, seguindo-se mais uma dupla, os irmãos Andreia Martins e André Martins, 11 e 17 anos, agora com o folclore «Alma Algarvia» de José Ferreiro. Como não poderia deixar de ser, o acordeão marcou presença neste certame com a excelente prestação de João Campos Palma, louletano, jovem de 16 anos habituado a participar em taças do mundo deste instrumento e que tocou, com mestria, «Bossanova» de Vlassov e «El Choclo», com arranjos de Pierre Mussi. A Sociedade Musical e Recreio Popular de Paderne voltou a exibir os dotes dos seus jovens elementos, com um mix de temas dos «Abba», antes de subir ao palco mais uma aluna da Companhia de Dança do Algarve, Ana Sofia Sousa, com «Without Words». Também a solo atuou Pétr Perevérzev, apelido familiar, isso mesmo, irmão mais novo de Sávva, não ao violino, mas à guitarra, à imagem do pai, instrumentista de topo mundial. Com 12 anos, o jovem de Albufeira tocou «Caprice n.º9» de Legnani, com uma emotividade e alegria que contagiaram a assistência. A caminhar para o final, uma novidade neste festival, o Percutunes, de Tunes, quatro raparigas que 16 ALGARVE #100 INFORMATIVO


tocaram percussão como poucas vezes tinha visto. Ao ritmo de «Lights Out», o público gostou muito e aplaudiu imenso. Para terminar, outro grupo de dança de Albufeira, desta vez a vertente júnior da Associação Soul, com o sempre irreverente e agitado hip-hop. Concluídas as prestações dos 20 finalistas, era hora de escolher os vencedores, tarefa difícil que estava nas mãos de João Galante, pianista, compositor, cantor e presidente do júri; Nilsen Jorge, diretora artística e professora de dança; Cristina Cláudio, arquiteta, fotógrafa e produtora da Dancenema; Raquel Peters, psicóloga e conhecida fadista; e Carla Rodrigues, agente e produtora artística. Enquanto isso, oportunidade para escutar Carlos Silva e Sousa, presidente da Câmara Municipal de Albufeira, radiante por assistir, da primeira fila, ao trabalho realizado por diversas associações e escolas da região do campo das artes. “Esta mostra é um desafio para todos estes jovens, que querem suplantar-se a si próprios, e comprova que, ao contrário do que #100 ALGARVE INFORMATIVO

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Mesmo não sendo um especialista na matéria, Carlos Silva e Sousa está convicto de que o nível do concurso tem subido grandemente de ano para ano. “São dias que marcam estes jovens para o resto das suas vidas e nós temos que continuar a apostar nestas áreas”, frisou o autarca. Apesar desta vontade, a abertura do Festival de Artes de Albufeira a concorrentes de todo o país não está, para já, em cima da mesa. “O Auditório está a abarrotar e, por enquanto, temos que nos conter ao território do Algarve, mas vamos ver o que o futuro nos dirá”.

Instituto Português do Desporto e da Juventude. “O que vimos esta tarde, neste palco, diz-nos que o futuro está garantido. Ir a um festival mostrar umas habilidades está ao alcance de muitos, mas este evento está num patamar completamente diferente, devido à excelência e à qualidade de todas as performances”, analisa o representante do governo. “Esta competitividade saudável é importante para o crescimento destes jovens talentos, porque a vida é assim mesmo, há uns que chegam primeiro do que os outros. O associativismo juvenil dá imenso à comunidade, à cidadania ativa, à participação cívica, na ocupação dos tempos livres, na vertente formativa, no apoio à família, e Albufeira está de parabéns com este festival”.

De sorriso nos lábios estava também Custódio Moreno, diretor regional do

Já com todos os concorrentes perfilados no palco do Auditório Municipal de

se possa imaginar, o Algarve está bastante vivo na área cultural. De uma forma clara e transparente ficou demonstrado o talento dos jovens algarvios”, destacou o edil albufeirense.

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Tiago Mendes e o vereador Rogério Neto

Albufeira, era chegada a hora de conhecer, não os vencedores, porque esses eram todos, mas os primeiros classificados. Assim, na vertente dos 6 aos 11 anos, Tiago Mendes ocupou o terceiro lugar do pódio; Rita Salazar, da Companhia de Dança do Algarve, obteve a segunda melhor pontuação; e o Grupo de Dança Arutla levou para Altura o primeiro prémio, merecido, e muito. Dos 12 aos 17 anos, Pétr Perevérzev conquistou o terceiro 20 ALGARVE #100 INFORMATIVO

Rita Salazar e a vereadora Marlene Silva

Ana Sofia Sousa e João Campos Palma e a vereadora Ana Vidigal


Elemento do Grupo de Dança Arutla e o presidente Pétr Perevérzev e a vereadora Marlene SIlva da Câmara Municipal de Albufeira, Carlos Silva e Sousa

Sávva Perevérzev e o presidente da Câmara Municipal de Albufeira, Carlos Silva e Sousa

lugar, uma posição que, pelo seu gesto energético, mais parecia uma vitória. Face à qualidade dos executantes, houve dois jovens empatados no segundo lugar: João Campos Palma e Ana Sofia Sousa, da Companhia de Dança do Algarve. Finalmente, o grande vencedor, um triunfo esperado, o primeiro concorrente da história do festival a obter pontuação máxima, o fabuloso Sávva Perevérzev. E para o ano há mais, e nós lá estaremos, certamente. #100 ALGARVE INFORMATIVO

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ENTREVISTA

ELISEU CORREIA FESTEJOU 30 ANOS DE CARREIRA O Hilton de Vilamoura recebeu, no dia 17 de março, a mega festa dos 30 anos de carreira de Eliseu Correia e a fina nata do turismo algarvio reuniu-se para dar os parabéns ao fundador da EC Travel. Uma noite de gala onde a boa-disposição, a amizade e a informalidade foram notas dominantes e que foi abrilhantada pelas atuações de Camané, Pete Tha Zouk, Fernando Leal e, claro está, dos Bubba Brothers. Texto:

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conhecido empresário e filantropo Eliseu Correia assinalou, no passado dia 17 de março, três décadas de carreira, 30 anos de ligação ao turismo, primeiro como animador cultural e desportivo em unidades hoteleiras, depois como comercial em renta-cars, antes de se mudar para o ramo das agências de viagem e de criar a EC Travel, considerada, no ano passado, como a melhor PME do setor dos serviços pela prestigiada revista Exame. Animador porque começou por baixo, como tantos outros, não nasceu num berço de ouro que lhe permitisse ir logo para chefe disto ou diretor daquilo. Tirou o 12.º ano e, como não havia, na época, grandes alternativas em termos de futuro profissional, apontou a mira ao turismo. “Praticamente desde os 15 anos que era financeiramente

independente e, mal acabei o liceu, decidi concorrer para os hotéis. Ainda sou do tempo em que se escrevia os currículos à mão, porque à máquina era foleiro, um sinal de desrespeito para com os potenciais empregadores. Devo ter enviado umas 40 ou 50 candidaturas, por correio, manuscritas, a responder aos anúncios que saiam no Correia da Manhã”, recorda o entrevistado, no seu escritório em Olhão. Sem um destino perfeitamente definido, o objetivo era entrar para um cargo que lhe permitisse crescer, como homem e como profissional, nada de trabalhar seis meses durante o Verão e passar o resto do ano em casa, a receber o subsídio de desemprego, ou a viver do que ganhara na labuta. Das dezenas de

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candidaturas recebeu apenas duas respostas, numa espera angustiante junto à caixa do correio, todos os dias a perguntar ao carteiro se trazia algo para si. “Na primeira entrevista disseram-me que tinha um perfil fabuloso, falava inglês e alemão, mas depois perguntaram-me o que é que eu sabia fazer. Só tinha trabalhado como empregado de mesa em restaurantes de praia ou no Montenegro, durante as férias da escola, para ganhar algum, portanto, os meus conhecimentos não eram muitos. Fui logo despachado”, lembra, com um sorriso. A segunda entrevista correu melhor, no Alfa Mar, com um alemão de poucas conversas mas que achou piada ao facto de Eliseu ter nascido na sua terra-natal, em Hamburgo. “Queria que eu fosse trabalhar para o bar, mas eu pretendia algo diferente, onde pudesse evoluir para outras funções. O homem olhou para mim, a pensar ‘este indivíduo não tem onde cair morto e é esquisito’, mas teve pena de mim e mandou-me para as relações públicas”, conta Eliseu Correia. A experiência, contudo, foi curta e, volvidos alguns meses, rumou ao Atlantis de Vilamoura, atualmente Crown Plaza. Mais alguns meses e novo destino, o Quinta Nova Alvor Ténis Club, como chefe de animação e desportos. “Solteiro, roupa lavada, apartamento, comida, e levar 70 contos para casa, em 1988, era para mim um luxo”. Tudo estava bem encaminhado até que recebeu a notícia, em maio de 1989, de que tinha que se apresentar para cumprir o serviço militar obrigatório, quatro meses e meio na Escola Prática de Administração Militar, no Lumiar, em Lisboa, de onde saiu 26 ALGARVE #100 INFORMATIVO

como furriel, seguindo-se um ano na Madeira. “Sem desprimor para quem segue a carreira militar, quando cheguei a Lisboa, beijei o chão, parecia o Papa. Tudo o que tenha a ver com impor-me vontades é contra o meu ADN”, justifica, antes de prosseguir com a sua história. O próximo capítulo é passado no Vilamoura Marinotel, mas esse ano, 1990, é sobretudo marcado pelo seu casamento. Entretanto, começam os zunzuns de que ia nascer um Sheraton no Algarve e Eliseu Correia é um dos eleitos para abrir o empreendimento de luxo. As coisas, todavia, não correram como previsto, recorda. “Basicamente estive de férias, porque ainda não havia hotel construído. Passei um mau bocado, porque não nasci para ser pago e não fazer nada. Claro que, para muita gente, aquilo foi ouro sobre azul, porque a situação lhes permitia fazer uns serviços por fora”, explica. De regresso a Vilamoura, ajudou a abrir o Ampalius, mas a animação já não o entusiasmava como noutros tempos, queria enveredar pela área comercial, o que era praticamente impossível no Marinotel. “Aquele departamento comercial parecia o Real Madrid, era uma série de pessoas que ainda hoje estão no topo, e não havia espaço para um rookie. Mais uma vez respondi a um anúncio de jornal e fui para promotor de vendas da Avis Rent-a-Car, onde estive seis anos”, revela, num percurso onde tirou igualmente um curso de formador, o que lhe permitiu dar aulas de inglês e alemão em horário póslaboral. “Não apanhei aquela era do «tenho um diploma – tens que me dar trabalho», o canudo tinha o valor que


O fadista Camané e o DJ Pete Tha Zouk foram as atrações principais da festa dos 30 anos de carreira de Eliseu Correia #100 ALGARVE INFORMATIVO

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tinha e eu, confesso, não tinha paciência para estudar mais. Eu tinha feito o mais difícil, fui a jogo sem ter formação na área. Tirei o 12.º ano na vertente de Humanísticas e Turismo, mas as disciplinas foram Literatura Portuguesa, Inglês e Alemão”.

“Nunca tive feitio para estar calado” Na Avis parecia ter assentado arraiais, todavia, o bom trabalho realizado despertou a cobiça da concorrência, designadamente da Auto Jardim, que não poupou esforços para o contratar, como diretor comercial. “Foi uma mudança muito boa para mim, mas acho que paguei com juros. Estive lá 11 anos e chegamos a ganhar um prémio de melhor rent-a-car da Europa. Uma empresa algarvia a concorrer com a AVIS, Europcar, Hertz, e fomos os melhores”, destaca. “Era uma

Eliseu Correia nos tempos da Avis Rent-a-Car

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concorrência saudável, mas muito feroz. Nós atirávamos pedras e levávamos com bombas de fragmentação. Era uma guerra desigual, mas a Auto Jardim não deu hipóteses nenhumas no plano nacional”. Os anos sucederam-se numa adrenalina constante, o Algarve não parava de crescer em termos turísticos, os prémios para a região chegavam de todos os lados, e Eliseu Correia estava no meio do campo de batalha, com a sua conhecida irreverência e um pensamento que nem sempre encaixava bem com os poderes estabelecidos. “A conversa era sempre a mesma, só nos encontrávamos nas feiras internacionais de turismo, era uma situação ridícula. Era preciso achar uma forma da malta se encontrar e juntamente com mais uns amigos – Cristina Rosa, Daniel Queirós, Dário Mouta, Fernando Martins, João


A antiga estrela do Benfica e da seleção da Suécia, o atacante Mats Magnusson, foi um dos convidados surpresa da festa dos 30 anos de carreira de Eliseu Correia

Máximo, Carlos Brás – formamos o Clube Trade. Juntávamo-nos uma vez por mês, desde o rececionista ao comercial e ao diretor do hotel, para um jantar que era também um ponto de troca de ideias e de novas oportunidades de emprego”, sublinha o entrevistado. O problema é que, como acontece em muitas associações, o trabalho recai sempre sobre os mesmos e era complicado cativar novos elementos para a direção. “São entidades que dependem muito do testa-de-ferro, da vontade e carolice de quem está à frente, caso contrário, as coisas começam a enrolar, instala-se o «deixa andar». Cada vez era mais gente a participar nos encontros, mas menos gente a ajudar na organização dos eventos”, frisa Eliseu Correia, dai nunca mais ter feito parte de associações,

exceção feita a um período em que foi vice-presidente da Região de Turismo do Algarve. “Nunca fui moço de recados de ninguém e sempre falei quando tinha algo para dizer. Não tenho feitio para aceitar injustiças, nem para estar calado quando vejo que as coisas estão mal. Tenho a certeza que perdi muito na minha vida por ser assim, provavelmente tinha feito este trajeto mais depressa se fosse politicamente correto, mas esse sujeito não seria eu”. Uma personalidade forte que lhe causou alguns dissabores, reconhece, mas, mesmo assim, nunca se arrependeu de ter abraçado o turismo. Nem de sair da zona de conforto e partir para outros desafios, como aconteceu quando trocou a Avis pela Auto Jardim e, mais tarde, quando saiu do ramo das #100 ALGARVE INFORMATIVO

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Eliseu Correia no Quinta Nova Alvor Ténis Clube

rent-a-cars e foi para as agências de viagem. “Um dia acordei, já eram 17 anos de rent-a-cars, apetecia fazer-me algo diferente. A empresa estava no auge, era muito bem tratado, ganhava bem, a situação estava controlada, mas eu gosto de coisas difíceis e aquilo já não me dava tanta pica”, confessa, daí ter aceitado a proposta para ser Diretor Geral da «JC Tours». “Só que a visão que eu tinha do negócio não era idêntica à que existia dentro da empresa, pensei que a minha estava certa e os últimos sete anos mostraram que tinha razão”.

“Aos 55 anos arrumo as botas” De arranjar chatices em casa por causa de tantas mudanças de rumo não se pode 30 ALGARVE #100 INFORMATIVO

queixar Eliseu Correia, aliás, não poupa elogios à esposa, que sempre esteve do seu lado em todas as decisões que tomou ao longo da vida. “Com o meu pai a conversa foi diferente”, revela, com uma risada. “Quando sai da Avis, chamou-me logo maluco, sair de uma multinacional onde era efetivo, ia de «cavalo para burro». Quando sai da Auto Jardim, foi outra vez a mesma coisa, ia meter-me num negócio do qual não percebia nada. Quando lhe contei que ia abrir a «EC Travel» ainda foi pior, disse-me que as empresas estavam todas a fechar e eu ia meter-me numa aventura sozinho. Pai é pai, está sempre preocupado”, conta. “Não digo que a minha mulher aceitou todas as minhas decisões de forma despreocupada, mas nunca senti que ficasse com receio, antes pelo contrário.


Quando um homem tem sucesso, normalmente há uma mulher por detrás daquilo tudo e o meu caso não é diferente”, garante. «Maluquices» à parte, poucos se podem orgulhar de ter uma carreira de 30 anos de sucesso como Eliseu Correia e se a «EC Travel» é para ficar, o mesmo não se pode dizer do entrevistado como líder da «menina dos seus olhos», desvenda, em primeira mão. “Isto é como no futebol, temos que saber quando devemos sair de cena e eu gostava de fazer isso no auge das minhas capacidades e, se Deus assim o quiser, no pico de sucesso da minha empresa. Aos 55 anos arrumo as botas do turismo”, anuncia. “A equipa está a ser preparada para esse cenário, para que possam levar a «EC Travel» muito para além da minha própria existência”, reforça. Tal não significa que se vá reformar, nada disso, não é homem para ficar parado. “Quero dedicar-me mais a ajudar os outros, por exemplo com uma Fundação EC, porque a vida é uma passagem e, às vezes, passa num flash, como diria o António Manuel Ribeiro. Excetuando uma situação, a vida tem sido boa para mim e eu tenho procurado ser bom para os outros”, diz, com alguma emoção, com a memória da falecida mãe sempre presente. “Tenho a minha vida feita, já tive os meus 10 minutos à Warhol e vou dedicar-me a ajudar quem precisa, a fazer consultadoria gratuita para quem necessite de conselhos para lançar as suas empresa, a criar ondas de solidariedade. A outra parte do meu tempo será para a música” .

Eliseu Correia num evento do Clube Trade (no topo) e como animador no Hotel Alfa Mar (em cima) #100 ALGARVE INFORMATIVO

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REPORTAGEM

O SAL DE MARIM O Festival Internacional de Albufeira começou da melhor forma, no dia 23 de março, com «O Sal de Marim», pela Companhia de Teatro de Albufeira, recordando a figura de Felipa de Sousa, tavirense que dá nome ao principal Prémio Internacional dos Direitos dos Homossexuais. A noite contou igualmente com uma emotiva homenagem de Luís Ene ao falecido ator Rui Cabrita. Texto:

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Auditório Municipal de Albufeira foi palco, no dia 23 de março, da abertura da 10ª edição do Festival T – Festival Internacional de Teatro de Albufeira, com a noite a iniciar-se com uma pequena homenagem de Luís Ene a Rui Cabrita, falecido a 26 de dezembro do ano transato. Ator e encenador, com um vasto trabalho em várias áreas ligadas ao teatro, Rui Cabrita chegou a colaborar em duas situações com a c:t:c – Companhia de Teatro Contemporâneo, a organizadora deste festival criado em 2006. Seguiu-se o primeiro espetáculo de cinco dias dedicados ao teatro na capital do turismo algarvio, «O Sal de Marim», da c:t:c, com encenação e texto de Luísa Monteiro e interpretações a cargo de Cátia Cassapo, Josefa Lima, Larisa Maria e Cheila Correia, com técnica de Miguel Martinho. A peça parte da contemporaneidade para relevar a figura de Felipa de Sousa, mulher de Tavira que personifica o principal prémio internacional dos #100 36 ALGARVE ALGARVE #100 36 INFORMATIVO INFORMATIVO


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direitos dos homossexuais. Como pano de fundo, estão as sucessivas condenações das mulheres homossexuais desde o degredo de Marim, pelo Santo Ofício, passando pelas casas de correção, as casas de saúde mental onde a prática mais comum era a dos choques elétricos, até aos encarceramentos nas caves por parte das próprias famílias. O trabalho dramático resulta de pesquisas documentais e de testemunhos vivos de quem viveu essas realidades e é a segunda incursão de Luísa Monteiro sobre o tema da homossexualidade, depois de «As lágrimas amargas de Petra Von kant», de Fassbinder. “Penso que as mulheres homossexuais estão muito sozinhas, fechadas, no nosso país e isso não as defende em nada. Basta pensar que há muitos casais de namoradas ou em comunhão de facto ou mesmo casadas, onde a violência é imensa”, referiu a diretora da c:t:c:. “O mundo colocou as mulheres homossexuais num certo isolamento e a insegurança acaba por gerar ainda mais insegurança. Em grupo, são quase sempre fortes, contudo, quando o meio é reduzido, nas suas casas, longe dos olhares, a violência instala-se, seja ela física, ou simplesmente a perseguição, o controlo, a chantagem emocional, a tortura psicológica”, observa. Para combater esta realidade nasceu «O Sal de Marim», cuja base foi, de facto, a documentação histórica existente sobre Felipa de Sousa, a que se somaram, depois, testemunhos de mulheres que foram mais ou menos próximas da própria Luísa Monteiro. “Estão todas vivas excetuando uma agradeço-lhes imenso, eu e todas as gerações que lhes sucedemos, independentemente da orientação sexual de cada uma. Não são heroínas, apenas sobreviventes e mereciam uma estátua nos jardins como os sobreviventes da guerra” . #100 38 ALGARVE #100 INFORMATIVO 38 ALGARVE INFORMATIVO


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REPORTAGEM

Esculturas, Desenhos e Gravuras de José Pedro Croft em exposição no Museu Municipal de Faro O Museu de Arte Contemporânea de Serralves leva à cidade de Faro a exposição «José Pedro Croft: De um lado ao outro». A mostra é mais um capítulo da parceria entre a Câmara Municipal de Faro e a Fundação de Serralves e estará patente, até 28 de maio, no Museu Municipal de Faro. Texto:

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exposição «José Pedro Croft: De um lado ao outro» faz parte do intenso programa de exposições itinerantes que o Museu de Serralves desenvolve e que tem como grande objetivo tornar a Coleção de arte contemporânea de Serralves acessível para além das portas do Museu, permitindo assim o alargamento da rede de acesso e de aproximação das populações à arte e à cultura. As 15 obras presentes cobrem os períodos mais relevantes da carreira de José Pedro Croft (Porto, 1957) pertencentes à Coleção da Fundação de Serralves e que sublinham as principais preocupações e metodologias do artista. Com uma carreira artística iniciada nos anos 1980, Croft é um dos escultores contemporâneos mais preocupados com uma abordagem crítica à ideia de monumentalidade, à tradição da estatuária e à relação da arte com a arquitetura. A quantidade e diversidade de esculturas e desenhos incorporados na Coleção de Serralves é um reflexo da relevância do artista na história recente da arte contemporânea portuguesa. A sua obra representa a renovação da escultura nos anos 1980, estabelecendo uma ponte entre as práticas modernistas abstratas, as especificidades materiais e o interesse pósmoderno em processos de inclinação, equilíbrio e até queda.

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Estas preocupações são particularmente evidentes nas suas obras mais recentes que recorrem ao espelho para devolver a imagem do visitante e confundir os limites das esculturas com a arquitetura envolvente. A importância e complexidade do percurso artístico de Croft, recentemente reconhecido com o convite para representar Portugal na Bienal de Veneza 2017, são sublinhados nesta exposição através de quatro temáticas fundamentais: Monumento e Morte; Domesticidade e Mobiliário; Espelhos e Vidro; Desenho e Gravura. A prática de Croft cedo se distinguiu pela forma como se dedicou quase exclusivamente a um único meio, a escultura, e pela originalidade com que integrou na sua obra matérias industriais, quotidianas, caseiras: utensílios domésticos, mobiliário, perfis industriais de metal, espelhos e vidro. Nos últimos anos, as suas esculturas tornaram-se «máquinas percetivas», que emprega o espelho para destabilizar o espaço, desconstruir o espaço arquitetónico. 44 ALGARVE #100 INFORMATIVO


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O espelho, essa máquina de produção de duplos e de multiplicação de planos que altera radicalmente a perceção do espaço circundante, do peso e da escala de objetos e materiais, da relação entre interior e exterior consegue ilustrar exemplarmente a contradição que define, em grande medida, as suas obras: apesar do peso das matérias empregues, da utilização de materiais e processos industriais, como o ferro e o empilhamento, as esculturas parecem cada vez mais leves, precárias, instáveis e desmaterializadas .

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REPORTAGEM

Alexandra Gonçalves, Júlio Sousa e José Gameiro

REDE DE MUSEUS DO ALGARVE REUNIU-SE EM LOULÉ PARA DEBATER O FUTURO Sob a temática «Museus sem Reservas?», a Rede de Museus do Algarve levou a cabo uma jornada de reflexão, no dia 17 de março, no Convento do Espírito Santo, em Loulé, para fazer um balanço de uma década de existência, mas também para pensar o futuro.

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Rede de Museus do Algarve nasceu, em 2007, como organização informal para reunir os profissionais da maioria dos museus, e outras estruturas e entidades da área do património cultural, da região algarvia e pretende assinalar o 10.º aniversário, ao longo de 2017, com um conjunto de iniciativas, sendo que a primeira teve lugar, no dia 17 de março, em Loulé. As Jornadas

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«Museus sem Reservas?» pretenderam questionar os limites da atuação dos museus e dos seus profissionais no seio das suas comunidades; descobrir e debater que tipo de reservas ou fronteiras mentais, científicas, culturais, sociais, económicas ou institucionais, ainda permanecem e determinam a vida das estruturas museológicas e patrimoniais do Algarve, constituindo-se, ou não, como um obstáculo ao seu


desenvolvimento; perceber se, entre paisagens culturais e naturais, patrimónios, artes, saberes, o intenso ritmo e a complexidade da vida quotidiana, ainda haverá lugar para pensar, renovar, abrir ou transformar museus e, descobrir sem reservas, onde começa ou acaba a sua influência e responsabilidade; antecipar constrangimentos e abrir e propor novos modelos de atuação e respostas mais adaptadas à realidade e aos desafios contemporâneos das nossas sociedades, perspetivando outros modos de trabalhar e agir sobre a visão e a missão dos museus. Perante um auditório do Convento do Espírito Santo recheado de homens e mulheres da cultura, José Gameiro, diretor do Museu Municipal de Portimão, lembrou que a Rede de Museus do Algarve tem sido, ao longo desta década, um lugar comum de partilha de recursos humanos, ideias e projetos. “Este encontro procura abordar todas as nossas dúvidas, reservas mentais, filosóficas e museológicas e também perspetivar o que o futuro nos vai trazer com a nova atmosfera administrativa de que se fala estar a caminho”, frisou o responsável pelo Grupo Coordenador da RMA. Por sua vez, Alexandra Gonçalves, Diretora Regional de Cultura do Algarve, sublinhou que a RMA continua a ser uma referência no plano nacional, tendo sido a primeira a ser criada em Portugal. “Este esforço de trabalho conjunto resulta da consciência das vantagens em conceber e implementar modelos de interligação informal entre diversos agentes, com objetivos e interesses comuns, que se autorregulam com base na confiança mútua”, indicou a representante do governo.

As vantagens das integrações em rede são amplamente conhecidas, estimulando a troca de conhecimentos; aumentando a competitividade dos territórios enquanto pensamento conjunto; possibilitando a concertação de ofertas e a sua itinerância; permitindo o desenvolvimento de projetos conjuntos e a partilha de recursos técnicos, humanos e financeiros; entre outros. “Certamente que as condições, aquando da criação da RMA, não são as que existem atualmente e há que refletir sobre essa mudança. Será que os fundamentos que estiveram na sua base ainda se mantêm? Como é que os museus algarvios se têm relacionado com as problemáticas da região? Que maisvalias este projeto regional tem trazido, e para quem? Qual vai ser o futuro da RMA? Vale a pena continuar? São perguntas que devem estar na ordem do dia”, referiu Alexandra Gonçalves. “É normal existir um plano de intenções e, depois, um de concretizações, que são, por vezes, divergentes, porque tudo depende dos recursos que existem para a sua implementação. A melhoria contínua na ação nem sempre é possível, mas deve ser um objetivo a prosseguir”, reforçou a Diretora Regional de Cultura do Algarve. Com o presidente da Câmara Municipal de Loulé, Vítor Aleixo, em Barcelona para receber o Iberian Festival Award para o Festival MED, coube a Júlio Sousa dar as boas-vindas aos participantes nestas jornadas. “É com enorme prazer e satisfação que Loulé acolhe esta #100 ALGARVE INFORMATIVO

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iniciativa, que coloca, em primeiro plano, na agenda cultural, a ação museológica e toda a sua envolvente. Os museus estão ligados à nossa memória e a autarquia atribui uma grande importância a esta temática. Prova disso é a candidatura à Rede Portuguesa de Museus, entregue em janeiro de 2016, e que foi aprovada no dia 8 de fevereiro”, salientou o Chefe de Divisão, revelando ainda que o Museu Municipal de Loulé será, no futuro, ampliado, tendo já sido adquirida uma casa contígua aos Banhos Islâmicos. O Museu Municipal de Loulé tem também abraçado outras comunidades, apoiando uma integração suave que passa pelo investimento em trocas de experiências locais e internacionais. “No atual mundo globalizado, é fundamental estar presente na ação museológica, como forma de quebrar o fechamento e o receio em perder a nossa identidade, ao abrir espaço para outras culturas que têm todo o direito de usufruir do património e construir a identidade contemporânea”,

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referiu Júlio Sousa. “Deixo o desejo que a RMA possa continuar por muitos anos e aprofundar o trabalho iniciado, e que contribua para reforçar o desenvolvimento e a identidade do Algarve”. Os trabalhos propriamente ditos começaram com um balanço dos 10 anos de Rede de Museus do Algarve, realizado por Isabel Soares (Museu de Portimão) e Dália Paulo (Ministério da Cultura), que falaram do desafio de criar sinergias em três vertentes fundamentais para a requalificação do panorama museológico algarvio: a valorização dos museus da região; a formação dos seus profissionais e a partilha de recursos; o incremento da qualidade e diversificação da oferta cultural. Recorde-se que a RMA é constituída por 20 instituições de carácter museológico, embora existam quase oito dezenas de unidades abertas ao público no Algarve. Logo de seguida, Luís Raposo, presidente


Isabel Soares, Dália Paulo e Luís Raposo

da Aliança Regional Europeia do Conselho Internacional dos Museus – ICOM Europa, trouxe o tema «Das reservas mentais às reservas materiais: reinventar a missão comunitária dos museus». O painel «Experiências Inspiradoras», moderado por Catarina Oliveira (Grupo Coordenador da RMA), abordou os temas: «O Museu Regional do Algarve: memórias e transformações», por Marco Lopes (Museu Municipal de Faro); «Amigos do Museu abrem novas dinâmicas», por Margarida Tengarrinha (Grupo de Amigos do Museu de Portimão); «O museu na minha vida», por Lin Cooper e Vânia Mendonça (Grupo de Amigos do Museu de São Brás); «Reservas visitáveis? Porque não?», por Leonor Esteban (Museu de Tavira); e «A nossa cultura sai à rua», por Ana Ramos (Museu de Portimão). Depois do almoço, teve lugar o segundo painel, «Abrindo caminhos de futuro», moderado por Luís Guerreiro, da Câmara Municipal de Loulé, e constituído por:

«Museus e Liberdade», por Emanuel Sancho (Museu de São Brás de Alportel); «Que futuro para os Museus do Algarve?», por Jorge Queiroz (Museu de Tavira); «Museus e Monumentos Musealizados no Algarve: (Di)Gerir as diferenças», por Rui Parreira, da Direção Regional de Cultura do Algarve; e «Podem os Centros Ciência Viva ser exomuseus sem reserva em reservas naturais?», por Cristina Veiga-Pires e Rita Borges (Centros Ciência Viva do Algarve e de Tavira). Após um debate sobre o painel, houve lugar às conferências de encerramento, moderadas por Maria José Gonçalves, do Museu de Silves: «A Rede de Museus do Baixo Alentejo. Percurso e novos desafios», por Lígia Rafael (Rede de Museus do Baixo Alentejo); e «Outros tempos, novos museus?», por José Gameiro (Museu de Portimão e Presidente do Júri do Prémio Museu Europeu do Ano) .

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REPORTAGEM

Carlos Norton e Nuno Murta, da Fungo Azul Associação Cultural

FUNGO AZUL APRESENTOU ARQUIVO SONORO PAISAGÍSTICO DO ALGARVE O Arquivo Sonoro Paisagístico do Algarve, ou ASPA, é um projeto da Fungo Azul Associação Cultural através do qual Carlos Norton se propõe guardar, para a posteridade, os infinitos sons que marcam o quotidiano da região algarvia, do litoral ao interior, do sotavento ao barlavento. A audioteca está disponível para quem quiser conhecer, de outro prisma, o Algarve e foi apresentada, no dia 22 de março, na FNAC de Faro. Texto:

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ideia é, de facto, original. Pode-se dizer que é um projeto «fora da caixa», como agora se descreve tudo o que foge aos padrões normais, mas a Fungo Azul Associação Cultural também já nos habituou a isso mesmo, a iniciativas diferentes. E tudo começou quando Carlos Norton estava a tirar um mestrado em Londres e, perdido nos típicos dias chuvosos de terras de Sua Majestade, se recordava, não raras vezes, das horas passadas a ler junto à Ria Formosa. “Pensava que, se pudesse colocar uns auscultadores nos ouvidos e escutar aqueles sons que me eram tão familiares, o tempo passava mais depressa”, recorda, momentos antes da apresentação do Arquivo Sonoro Paisagístico do Algarve que teve lugar, no

dia 22 de março, na FNAC do Fórum Algarve, em Faro. Músico, ator, homem da rádio, Carlos Norton tinha esta ambição há largos anos, mas faltava-lhe uma entidade que servisse de suporte logístico a esta recolha de sons ambientes, de paisagem, cenário que mudou aquando do nascimento da Fungo Azul, associação cultural criada em conjunto com Nuno Murta e Inês Graça, trio que constitui, também, a banda Orblua. “É um mapa interativo com sons de todos os géneros, que ouvimos no nosso diaa-dia e que é um património imaterial que se vai transformando ou perdendo. As cidades vão-se transfigurando, mecânica e fisicamente, e isso altera os próprios sons”, explica o mentor do

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projeto. “Mesmo nas praias, as arribas são diferentes. Do ponto de vista humano, há crianças que falam de uma maneira, velhotes que falam de outra, e tudo isto muda ao longo do tempo”, acrescenta. Projetos pontuais deste género já tinham sido realizados noutros pontos do mundo, revela, entretanto, Nuno Murta, mas nada desta dimensão e com uma perspetiva de continuidade. “Conhecia alguns projetos semelhantes feitos em África e, de repente, com uns simples auscultadores, via-me mergulhado nesses ambientes, era fantástico”, aponta, com Carlos Norton a confirmar que, normalmente, estes estudos são conduzidos em espaços físicos mais confinados. “Em Portugal há, por exemplo, o «Porto Sonoro», é relativamente normal fazer-se essa recolha numa cidade. Numa região inteira desconheço e o Algarve, apesar de ser 58 ALGARVE #100 INFORMATIVO

pequeno, obriga a percorrer-se centenas de quilómetros para gravar uma tremenda diversidade de sons existente de ponta a ponta”, afirma. Uma diversidade de registos que é praticamente infinita, uma vez que Carlos Norton gravava um som num determinado dia, a uma determinada hora e, no mesmo local, mudando-se a página do calendário e indo-se a uma hora diferente, provavelmente os sons seriam outros. “Pode aparecer alguém e o microfone capta a conversa, ou um cão que ladra, um carro que passa, tudo isso torna o desafio mais interessante”, admite Nuno Murta. Por isso mesmo, Carlos Norton garante que este foi apenas o primeiro «tijolo» do projeto. “Temos um ano de recolhas em arquivo e a ideia é dar-lhe continuidade, não só a nível temporal, mas espacial também.


Percorremos os 16 concelhos do Algarve, fizemos muitas recolhas, mas não fizemos todas, como é óbvio. Daí termos tido, desde o início, o cuidado de aplicar um método científico à recolha. Está documentado o material utilizado, o local exato onde estavam os microfones, a direção para onde estavam apontados. Assim, se alguém quiser estudar a evolução destes sons ao longo do tempo, é possível repetir as mesmas condições de recolha”, esclarece Norton.

logísticos e as recolhas foram feitas em contexto real, independentemente do que Carlos Norton encontrasse quando chegasse ao seu destino. “Fui ao Sítio das Fontes, em Estômbar, um local idílico e paradisíaco, chego de manhã, com toda a calma e tranquilidade, e está um martelo pneumático a trabalhar ao lado. Ficou registado, porque esse som fazia parte da paisagem naquele momento”, descreve, com um sorriso.

Antes de ir para o terreno houve, contudo, que estudar pormenorizadamente o território, tentar programar uma distribuição homogénea das recolhas, escolher sítios representativos e neutros. Depois, com os locais pensados e os trajetos definidos, as saídas foram mais fáceis em termos

O Arquivo Sonoro Paisagístico do Algarve é de livre acesso a todos os interessados (http://fungoazul.wixsite.com/fungoazul /aspa), com um mapa da região onde estão assinalados todos os pontos de recolha, num projeto que contou com o apoio financeiro da Direção Regional de

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Cultura do Algarve. “Queremos continuar, esperamos duplicar ou triplicar os registos, mas isso está sempre dependente dos apoios que consigamos amealhar”, admite Nuno Murta. Apesar disso, Carlos Norton quer ir para o terreno já nos próximos dias, para aumentar a amplitude geográfica do ASPA, mas também para começar, numa segunda fase, a recolher testemunhos de pessoas. “Não será uma questão de colocar microfones na Rua de Santo António, onde se ouvem as pessoas a circular, mas captar discursos diretos de quem está a falar. Para além disso, numa terceira fase, queremos abrir este projeto a todo o público, ou seja, qualquer pessoa pode efetuar essa recolha e ser incluído no site”, adianta. 60 ALGARVE #100 INFORMATIVO

Quanto à Fungo Azul, há outros projetos em mão, nomeadamente o lançamento de uma compilação de música, no dia 1 de abril, de nome «Terra», inserido no Festival do Medronho, em Monchique. “É um disco de cariz social, com bandas algarvias, e financiado pela autarquia de Monchique, com as receitas provenientes das vendas a reverterem, na totalidade, para a plantação de árvores nesse concelho”, conta Nuno Murta, falando igualmente do espetáculo «Mãos», no dia 8 de abril, no Festival Som Riscado, em Loulé, que vai juntar a banda Orblua com Tiago Pereira, do projeto «A música portuguesa a gostar dela própria» .


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REPORTAGEM

«ÁGUAS DO ALGARVE» ASSINALOU DIA MUNDIAL DA ÁGUA O Dia Mundial da Água foi criado, em 1992, pela ONU, e desde então tem vindo a ganhar uma importância crescente. Com o intuito de sensibilizar a população para esta matéria, a «Águas do Algarve» promoveu visitas a algumas das suas instalações na região, no dia 22 de março, e vai organizar mais um concurso de fotografia sobre a água. Texto:

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os tempos modernos, ninguém duvida da importância da água para a vida no planeta. Foi através dela que apareceram as primeiras formas de vida e dela dependem todos os seres vivos. Basta lembrar que o corpo humano é constituído por 70 por cento de água, sendo necessário efetuar uma reposição constante no nosso organismo, bebendo, em média, cerca de litro e meio a dois litros de água por dia. Em 2015, a «Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável» foi assinada por 193 membros da ONU, prevendo um conjunto de objetivos a serem cumpridos até 2030, entre ele a busca por assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água e saneamento para todos. Apesar da sua importância vital, a verdade é que esta matéria não tem recebido a devida atenção por parte do cidadão anónimo e, por isso, o dia 22 de março – Dia Mundial da Água, é marcado por diversos eventos que visam essencialmente consciencializar os diferentes públicos do Algarve para a necessidade de se efetuar um uso consciente deste precioso bem. “Veja-se que, de acordo com informação disponibilizada pela ONU, há cerca de um bilhão de pessoas em todo o mundo que não tem acesso ao abastecimento adequado de água, ou de sistema de saneamento”, evidencia Teresa Fernandes, responsável pela Comunicação e Educação Ambiental da «Águas do Algarve». “Quando falamos em consumo de água, o mais comum é o consumidor aplicar este termo na água que é usada nas aplicações mais práticas do nosso dia-a-dia, quer seja para beber, na cozinha, casa de banho,

jardim e higiene, limpeza da casa, etc., pois é a partir daqui que se vai definir a conta da água no final do mês. Contudo, isto não é de todo o mais correto. Trata-se de uma parca visão daquela que é a realidade do consumo da água”, alerta Teresa Fernandes. Segundo a entrevistada, o consumo de água não deve ser apenas relacionado com o uso direto que se dá à água, mas também com aquilo que se compra e com aquilo que se come no dia-a-dia. “Falo da chamada «água virtual», aquela que não se vê, mas que é necessária em todo o ciclo produtivo. Note-se que apenas cerca de quatro por cento do consumo de água da humanidade está relacionado com o consumo doméstico. Muito haveria para dizer sobre isto, mas não se pretende assustar o consumidor com esta informação. O objetivo é munir a população de informação suficiente para que possa decidir em consciência”, sublinha Teresa Fernandes, durante a visita a uma ETA da «Águas do Algarve». Uma tomada de consciência que não passa apenas pelas pessoas fecharem a torneira enquanto lavam a louça ou o carro, sendo fundamental que estejam atentas ao desperdício, a esta chamada «água virtual» que se encontra presente na produção dos alimentos que muitas vezes são desperdiçados ou consumidos em exagero. “Cada um de nós pode fazer a diferença, diminuindo a nossa pegada hídrica no planeta”, garante Teresa Fernandes, adiantando que a «Águas do Algarve» faz questão de manter uma relação aberta e próxima da população, ao longo de todo o ano. #100 ALGARVE INFORMATIVO

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“Claro que o Dia Mundial da Água é sempre um bom motivo para potenciar a nossa ação educativa na região. Tivemos várias ações concertadas, sendo que algumas destas se prolongam no tempo”, aponta a responsável pela Comunicação e Educação Ambiental da empresa. Entre as iniciativas, destaque para o lançamento do concurso de fotografia «A Água pelos meus Olhos», que entra na sua quarta edição. “É um concurso que, pela temática envolvida, apela à consciencialização e ao despertar de consciências. Afinal, não é a fotografia uma forma de arte? Para além de

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imortalizar momentos únicos e irrepetíveis, conta-nos uma história que habitualmente está carregada de emoções”, refere Teresa Fernandes. A «Águas do Algarve» esteve também presente no encerramento do «Projeto Água Jovem», na Quinta Pedagógica de Silves. “Foi o culminar de uma ação que já vigora há alguns anos, numa parceria com a APA Algarve e o Zoomarine. Tivemos perto de 200 jovens, mais professores, elementos da SPEA, Hubel, Câmara Municipal de Silves, e outros mais, a celebrar esta data, cujo objetivo essencial é a sensibilização para o


contributo de cada um na valorização dos recursos naturais e hídricos da região”. Como é costume no Dia Mundial da Água, estiveram abertas as portas de três das principais infraestruturas da empresa, no âmbito do Abastecimento de água (ETAs de Alcantarilha e de Tavira) e Tratamento de Águas Residuais (ETAR de Albufeira Poente). A iniciativa, para além de dar a possibilidade ao consumidor em geral para visitar estas «fábricas da água» que trabalham 24 horas por dia, é também uma forma de evidenciar o trabalho criterioso de todos os profissionais que participam do complexo processo de tratamento que é efetuado à água antes de chegar às nossas

torneiras, com elevadíssima qualidade. “A água fornecida pela «Águas do Algarve», em alta, é uma água certificada, o que nos deixa cheios de orgulho. A nós e à população algarvia. Também o tratamento efetuado às águas residuais não é descurado e temos uma vasta equipa de profissionais que, no dia-a-dia, se dedicam a cuidar dos efluentes, de modo a que, aquando da sua devolução ao meio ambiente, tenham toda a qualidade necessária, numa justa contribuição na proteção dos recursos hídricos e do meio ambiente em geral”, finalizou Teresa Fernandes .

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OPINIÃO

Empreendedorismo a 100% Paulo Cunha

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osto de desafios que me levem para além daquilo que estabeleci como metas a atingir, por isso quando a proposta se adivinha como um estímulo para alcançar algo para além do Paulo Cunha com que todos os dias convivo, normalmente aceito. Foi o caso, quando há dois anos o jornalista Daniel Pina me desafiou para, de uma forma regular, escrever no seu recém-nascido projeto, a dar na altura os primeiros passos no mundo virtual. «Algarve Informativo» foi o nome com que o seu progenitor o batizou. Segundo o próprio me explicou, pretendia que a publicação crescesse imbuída num espírito positivo, dignificando e valorizando o empreendedorismo e a obra das gentes do sul. Dois anos volvidos, o sonho deste laborioso lutador tornou-se uma realidade consolidada e materializada na edição de cem números digitais da revista «Algarve Informativo». Com a redação, laboratório fotográfico e a editora literalmente às costas, provou que é possível renascer profissionalmente aos quarenta anos. Vítima e refém da malfadada «crise» que tantos como ele atirou para o desemprego, provou que a useira e vezeira frase “Querer é poder!” faz todo o sentido, quando à inteligência se alia a perseverança, o dinamismo e o empreendedorismo. Tal como esta, Portugal está repleto de estórias de sucesso. Estórias escritas por muitos empreendedores na página da história contemporânea de Portugal. Sou daqueles que fica feliz por ver os merecedores triunfar, por isso ver a região onde vivo ser condigna e meritoriamente noticiada por esse mundo fora enche-me de prazer e de orgulho. Destacar e valorizar o que por cá se faz, sem constrangimentos, sem temores nem complexos foi a chave do triunfo deste algarvio (por adoção) que viu o Algarve como um todo, uma região onde a serra e o mar tem gente boa dentro.

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Afinal o empreendedorismo é isso mesmo: é tentar concretizar os sonhos em realidade; é saber desviarmo-nos dos “Não!”, que tal como as pedras no caminho nos fariam, por certo, cair; é ver para além do que alcança a própria vista; é acreditar que é possível tornar o “Impossível!” possível; é do «Nada» construir o «Tudo». Apesar das lamúrias, queixumes e duma certa melancolia latente provocada pelos malfadados «fados» por que passámos (e continuaremos a passar), mesmo assim conseguimos ser um povo com características muito peculiares, e até únicas, conseguindo transformar derrotas em vitórias… quando assim queremos e a isso nos dispomos! Depois de vicissitudes várias que deitariam qualquer um a baixo, registo com agrado e orgulho a forma como tantos portugueses souberam “dar a volta por cima”, superando assim as agruras de uma vida em que a forma ingénua, passiva e consentida face ao dislate e ao desnorte de alguns governantes permitiu que se chegasse até onde se chegou. Realço também o mérito deste diligente cidadão que, com cada vez mais meios de comunicação social a encerrar a sua atividade, soube “arregaçar as mangas e manter-se à tona de água”, conquistando público além-fronteiras através da virtualidade das suas publicações, noticiando o melhor do que se passa e se faz no Algarve. Tornou-se proprietário, diretor, editor, redator, fotógrafo, gráfico e paginador e “fez-se à vida que já se fazia tarde!”. Um exemplo de persistência e de tenacidade! Por isso dedico-lhe hoje o meu «desabafo», tamanha é a proeza de atingir as 100 edições de uma revista onde a qualidade do Algarve se compagina com os conteúdos que enriquecem a dita. Parabéns Daniel Pina… 100 por cento empreendedor! .


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OPINIÃO 100 Paulo Bernardo

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embro-me bem do dia em que o Daniel Pina me ligou, para apresentar o projeto da revista e se eu queria ser cronista. Digo que fiquei surpreendido pela iniciativa, pois é sempre mais fácil estar parado. Ouvi a descrição do projeto e fiquei bastante admirado, como alguém teve tal iniciativa, ainda para mais sem apoios ou lobbys a suportá-lo. Pelo que me contou disse que sim, fizemos umas fotos e lá saiu a minha primeira crónica. Hoje chegamos à edição 100, só tenho que dar os parabéns ao Daniel pela iniciativa e pela coragem de assumir um projeto destes. Aqui temos um bom exemplo do que chamo empreendedorismo, a capacidade de descobrir uma oportunidade onde ninguém vê hipótese alguma. A imprensa regional tem perdido peso, tem perdido títulos, tem perdido jornalistas, está reduzida a meia dúzia de páginas que saem semanalmente, com muito sacrifício e empenho de quem as faz. Foi sendo destruída ao longo dos últimos anos, não só pela rapidez que a internet trouxe para tudo o que é informação - quer seja verdadeira ou falsa, mas pela conjuntura e por interesses centralistas que foram retirando capacidade para que as edições continuassem a sair para o público. Por isso, ainda mais mérito teve o Daniel, descobrir a forma de ter um produto, imparcial que transmite informação positiva, divulga o que ninguém divulga e chega onde os outros não chegam. Arrisco a dizer que é um título já do século XXI, onde as historinhas de «faca e alguidar» não entram, representa uma nova geração que rompeu com o estabelecido, representa um novo Portugal, onde se respira diferente.

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Acredito que um dia ele irá escrever nas suas memórias todas as pressões e telefonemas que teve dos lobos disfarçados de cordeiro com o objetivo de manipularem e amordaçarem a notícia. Parabéns Daniel, pela resistência, isso é que é jornalismo. Para aqueles que estão a pensar que estou aqui a fazer um favor ao Daniel, nada disso, estou apenas a ser justo. Para memória futura, tínhamos falado duas ou três vezes até ao dia do convite para ser cronista, portanto, não surgiu por amizade ou cunha. Estamos os dois inocentes neste processo e só tenho a agradecer a oportunidade. Não sei qual vai ser o desafio seguinte do Daniel para as próximas 100 edições, contudo, numa conversa com amigos da comunicação, diziam-me que a imprensa em papel nunca iria desaparecer, engolida pela voracidade da rapidez do online e para mim fez sentido a explicação. Diziam-me que a edição em papel é o que credibiliza o online, que grandes títulos persistem, reduzindo em muito a edição em papel, mas que é esta que dá o suporte físico ao que é escrito no digital. Com o que disse atrás fui um pouco provocador e, mesmo sabendo os custos que uma edição em papel tem, julgo que o Algarve Informativo já tem capacidade para ir para o papel, não semanal, mas trimestralmente. Para começar não me parecia mal, com uma compilação de notícias que, pela sua relevância, mereciam ficar perpetuadas no antigo e velhinho processo da imprensa .


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OPINIÃO

#unidossomosmaisfortes José Graça

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eterminados a estabelecer os fundamentos de uma união cada vez mais estreita entre os povos europeus, decididos a assegurar, mediante uma ação comum, o progresso económico e social dos seus países, eliminando as barreiras que dividem a Europa, fixando como objetivo essencial dos seus esforços a melhoria constante das condições de vida e de trabalho dos seus povos, reconhecendo que a eliminação dos obstáculos existentes requer uma ação concertada tendo em vista garantir a estabilidade na expansão económica, o equilíbrio nas trocas comerciais e a lealdade na concorrência, preocupados em reforçar a unidade das suas economias e assegurar o seu desenvolvimento harmonioso pela redução das desigualdades entre as diversas regiões e do atraso das menos favorecidas, desejosos de contribuir, mercê de uma política comercial comum, para a supressão progressiva das restrições ao comércio internacional, pretendendo confirmar a solidariedade que liga a Europa e os países ultramarinos, e desejando assegurar o desenvolvimento da prosperidade destes, em conformidade com os princípios da Carta das Nações Unidas, resolvidos a consolidar, pela união dos seus recursos, a defesa da paz e da liberdade e apelando para os outros povos da Europa que partilham dos seus ideais para que se associem aos seus esforços, decidiram criar uma Comunidade Económica Europeia (…)” Na realidade, o Tratado de Roma é o nome dado a dois tratados - Tratado Constitutivo da Comunidade Económica Europeia (CEE) e o Tratado Constitutivo da Comunidade Europeia da Energia Atômica (Euratom), pelo que mais correto seria designar como Tratados de Roma, cujo preâmbulo transcrevemos no primeiro parágrafo desta crónica evocativa, pretendendo acima de tudo demonstrar a sua contemporaneidade, passados que foram sessenta anos sobre o dia 25 de março de 1957.

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Naquela data, a antiga capital do Império Romano acolheu os representantes máximos da Alemanha (Ocidental), França, Itália, Bélgica, Países Baixos e Luxemburgo no Museu Capitolino para subscreverem os documentos, que passaram a vigorar em 1 de Janeiro de 1958, culminando um processo desencadeado após a Segunda Guerra Mundial, que deixou o Velho Continente económica e politicamente destruído e fragilizado face às duas superpotências antagónicas - Estados Unidos da América e União Soviética. Se repararem bem, passados estes sessenta anos sobre a assinatura dos Tratados, o articulado do texto preambular permanece perfeitamente atual e, relido à luz dos desafios que os 27 enfrentam, constitui ainda hoje uma visão acertada para quem se preocupa com o futuro da União Europeia e não está satisfeito com o rumo que tomou nos últimos tempos. Mais, pode ser um refúgio repousante para quem pretende enfrentar as nuvens mais negras que se apresentam neste ano crucial para a sobrevivência do segundo maior bloco socioeconómico mundial, com mais de 508 milhões de habitantes e um nível de vida invejado por todos… e refundar a Europa! Em 1957, os seis Estados Fundadores lançaram um apelo aos “outros povos da Europa que partilham dos seus ideais para que se associem” e com alargamentos sucessivos chegámos aos 28 Estados-Membros, tendo Portugal aderido em 1984, sob a liderança do Presidente Mário Soares. Com o Brexit em curso, questionam-se muitas das razões que estiveram na sua fundação, incitando os cidadãos europeus (Sim, você mesmo!) a arregaçarem as mangas e a exigirem aos seus líderes uma atitude construtiva, progressista e tolerante para preservar e valorizar esta herança que já pertence aos vindouros! #UE60 #Europa . (Membro do Secretariado Regional do PS-Algarve e da Assembleia Intermunicipal do Algarve)


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OPINIÃO

Em busca do tempo perdido Mirian Tavares Le véritable voyage de découverte ne consiste pas à chercher de nouveaux paysages, mais à voir avec de nouveaux yeux. Marcel Proust

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lhava os livros na estante e vi a pilha, muito bem arrumada, composta pelos volumes da Recherche do Marcel Proust. Um amigo, há uns anos, ao passear por Bruxelas, deu com os livros num alfarrabista e trouxe para mim como prenda de natal. Ainda não tive tempo de lê-los, como gostaria. Folheio muitas vezes, assinalo um trecho ou outro, mas falta-me tempo para me dedicar a esta tarefa. Conheci um escritor, que era também professor universitário, que decidiu trocar um lugar de destaque numa grande universidade brasileira por um lugar discreto noutra universidade mais pequena e longínqua. Perguntei-lhe porque fizera esta escolha e ele respondeu sem hesitar: queria reler Proust. Talvez «La Recheche du temps perdu» fosse a metáfora que ele usava para se referir ao tempo que perdeu, de alguma maneira, como professor emérito num grande centro, trabalho que exigia muita dedicação e disponibilidade. Algumas leituras necessitam de nós por inteiro, temos de estar ali por elas e com elas, sem nada que se nos atravesse, sem as disputas do quotidiano, sem os formulários intermináveis que somos obrigados a preencher, sem os textos que somos instados a corrigir, sem as consultadorias que nos pedem, sem nunca nos pagarem, sem o

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telefone que toca a demandar sempre mais qualquer coisa. Ando já há 20 anos a dar aulas na universidade e não acho que tenha perdido tempo. Mas, ultimamente, ando com a sensação de querer recuperar, como Proust, uma memória de um tempo mais feliz, daquele em que dar aulas era um enorme prazer; daquele em que não éramos obrigados a escrever a metro para publicar nas revistas indexadas; de um tempo em que tinha tempo para ler, para estudar, para preparar cada aula com muito cuidado e para desfrutar do privilégio de trabalhar naquilo que mais gostava. A cada dia que passa caminhamos inexoravelmente numa direção que não me agrada nem um pouco: a da pro-atividade e da excelência, duas palavras ocas que ressoam pelos corredores das Universidades do país. Ocas porque sem tempo para refletirmos, jamais alcançaremos a excelência naquilo em que devíamos estar mais empenhados: formar cidadãos pensantes e cultos, capazes de reagir aos impulsos pavlovianos de uma contemporaneidade neo-liberalizante que nos tira o bem mais precioso, o tempo. E eu que queria tanto ler os livros que me esperam, arrumados em pilha, na estante .


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OPINIÃO

Já visitou os monumentos, palácios e museus da sua cidade? João Espada

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uantas vezes percorremos as ruas da nossa cidade e nos cruzamos com os mais variados tipos de monumentos, palácios e museus e nos questionamos: nunca os visitei, como serão? Mas hoje não tenho tempo, amanhã talvez! Segundo a Direção Geral do Património Cultural, no ano de 2016, 4 682 777 visitantes entraram nos monumentos, palácios e museus sobre a tutela deste organismo. Um aumento de 15,5% em relação ao ano de 2015. Segundo a diretora geral do Património Cultural, Paula Silva, "todos os equipamentos culturais tutelados pela DGPC viram aumentar os seus visitantes". Contudo, esse aumento deveu-se em grande parte ao enorme número de estrangeiros que nos visitam todos os dias, e que procuram saber mais sobre a nossa cultura. Do total de visitantes em 2016, cerca de 70% são estrangeiros, enquanto cerca de 30% são nacionais. Este quadro merece naturalmente a nossa reflexão. Estará o «Português» realmente interessado em conhecer-se melhor, em perceber que passado teve e que importância isso tem para o seu presente e futuro? Ou a programação cultural que temos ao nosso alcance não é suficientemente atrativa que nos leve a planear uma visita de conhecimento e reflexão aos monumentos, palácios e museus da nossa área de residência?

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Francamente, não disponho de todo o conhecimento acerca desta matéria a fim de apresentar aqui uma tese que explique estes 70% visitantes estrageiros aos nossos monumentos em 2016 e apenas 30% de Portugueses. Contudo, acredito que temos todas as condições para mudar essas percentagens. Tudo depende de nós. Numa primeira instância, uma das soluções poderá estar num simples postura e atitude da nossa parte. Vamos todos sair à rua à procura dos nossos monumentos, e explora-los como nunca. Viajando pelas suas histórias que ajudaram a construir a estória de cada um de nós. E nessas ocasiões, devemos deixar o nosso comentário e as nossas reflexões em local próprio, a fim de ajudar as tutelas a criar uma melhor programação que ajude a propagar melhor o conhecimento e aliciar mais visitantes Portugueses. Está na altura de arranjarmos tempo para conhecer estes espaços cheios de história e estórias. Está na altura de arranjarmos tempo para conhecer um pouco mais de nós . (Professor e Artista Plástico)


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OPINIÃO

Chove António Manuel Ribeiro

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omo em Santiago, sobre Santiago, nesse (também) dia 11 de Setembro – talvez a estúpida cupidez escolha os números pares – corria o ano de 1973. Allende iria morrer às mãos de um ditador com bigode aparado e muitas insígnias militares – Luís Sepúlveda conta histórias de dentro, mas Sepúlveda é hoje um proscrito da esquerda alinhada com o passado, aquela que já foi revolucionária por ter ideias novas e hoje às mesmas se agarra como se o tempo pudesse e valesse voltar atrás – esta esquerda engana a revolução das ideias. A mudança não se faz de razias sob o batimento das Kalashnicov, uns achando-se melhores e capazes de dizimar os outros, para logo a seguir se agarrarem a chusmas policiais e censura receando o mesmo fim – não quero esse ‘bem’ imposto. O internacionalismo morreu, se é que alguma vez existiu, não é que lhe desse grande valor, era uma forma de vender mais Kalashnicov – os americanos faziam outro tanto para o lado oposto ou qualquer lado que pagasse, os chineses aprendiam a poda, os búlgaros e os romenos seguiam a estrela vermelha do norte; Portugal também, em Braço de Prata. Sem arados ou sinfonias para o povo, como na propaganda difundida, as armas cresciam em vez das searas – a fome continua longe de nós. Putin, um homem que cresceu supostamente como ‘homem novo’ do regime soviético, agarrou depois o poder entregue pelo voto e nunca mais o largou: continuamos a ver cair opositores políticos e jornalistas incómodos. Calamo-nos. Erdogan, outro eleito pelo voto, anunciava a meio da semana que “nenhum europeu andaria em segurança” nas ruas do seu quintal turco – façamos-lhe a vontade, o homem quer rebentar com os diques holandeses, vê nazis em todo o lado, ignorando que Hitler também chegou ao poder pelo voto. Já nos esquecemos quantos juízes, jornalistas e políticos foram silenciados, presos e impedidos de exercer as suas competências desde a inventona do verão passado? Esquecemos, Erdogan não esquece. Pressuroso e atento ao Brexit, enviou condolências aos britânicos pelo golpe desta semana junto ao Parlamento britânico – dividir para reinar. Como a estupidez não paga imposto o presidente holandês do euro-grupo resolveu tratar os do sul à maneira de um consumidor de Heineken (os húngaros querem proibir a estrela do rótulo desta belíssima cerveja

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por ser vermelha, símbolo comunista que consideram ‘totalitário’ – como os tempos correm, o universo soviético continua a revelar enormidades de extremadireita e nenhum ‘homem novo’). A malta de cá, que tem acesso ao microfone do poder, chateou-se. Todos unidos, quase se juntaram ao ódio de Erdogan pela Holanda. Civilizadamente, Vital Moreira, que não é só um ilustre e competente constitucionalista quando convém, alegou que a metáfora podia fazer sentido porque há quem gaste à tripa forra, sem tino ou destino (como cá) e depois alegue todos os males internacionais (azar, oh azar) para pedir dinheiro aos do norte. E se fosse ao contrário, aceitaríamos? Como não gosto da gritaria populista, reflictamos sobre algum fundo de verdade. Não foram as pessoas, mas foram alguns políticos coligados com a finança saloia e os empreiteiros do regime dos sorrisos que nos obrigou aos onze por cento que a Caixa Geral de Depósitos vai pagar de juro pela última emissão de dívida. Pagam os do costume. E calam. Curiosamente, dos EUA vêm lições de boa democracia. Trump vai sendo parado por decisões judiciais nas suas fobias e o programa Obamacare não foi desconjuntado (para já). Os contra-poderes funcionam e isso daria uma enorme arrelia a um sujeito de nome Sócrates, se ainda estivesse em São Bento, que vai varrendo tudo e todos com o seu adjectivo de estimação: desprezível. Com vontade de encarcerar a Justiça. A democracia foi sendo distorcida sob o nosso olhar, porque andamos distraídos, entretidos com novos brinquedos. Porque a democracia só se exerce no seu esplendor quando os que votam não preenchem um rebanho, não escutam a voz do chefe, mas sabem o que estão a decidir com uma pequena cruz. Sabem. Ou não. Chove. O Sol vai e vem sem aquecer, há frio na rua no final de Março. Estamos assim, sem saber como será o amanhã se um lunático avançar com um carro e uma faca sobre nós. Essa é outra conversa, a das religiões, de todas as grandes religiões que ninguém quer pôr em causa para não perder poder, influência, sustentando dogmas que prolongam estes tempos sinistros. Tudo deve ser debatido, haverá outras verdades sob as mentiras piedosas. Mas há milhares de anos que as crenças (cegas) promovem o reino da guerra. Chove neste tempo de pouca memória .


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ATUALIDADE

UNIVERSIDADES INVESTIGAM A VILLA ROMANA DA BOCA DO RIO

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té 31 de março, uma equipa de arqueólogos e de geólogos está a desenvolver investigação no arqueossítio romano da Boca do Rio, no concelho de Vila do Bispo. Tratam-se de sondagens não invasivas, com o recurso a um cruzamento de diferentes métodos de prospeção geofísica, que permitem descortinar evidências de estruturas e de outras «anomalias» de origem humana ocultas no subsolo da área. Os trabalhos são dirigidos por Felix Teichner, da Universidade de Marburg (Alemanha), contando ainda com o contributo de investigadores sedeados nas universidades alemãs de Colónia e de Aix-la-Chapelle. Esta investigação enquadra-se num projeto coordenado por João Pedro Bernardes, da Faculdade de Ciências Humanas e

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Sociais da Universidade do Algarve, com o apoio da Câmara Municipal de Vila do Bispo. A par de precedentes campanhas de escavação conduzidas pelo referido investigador da Universidade do Algarve, designadamente em 2016, os resultados destes trabalhos servirão de base a um projeto de investigação e de valorização deste sítio arqueológico que tem vindo a revelar uma contínua presença romana entre meados do século I e o século V. A seu tempo, o desenvolvimento deste(s) projeto(s) será partilhado com a comunidade loco-regional, em diversas ações de arqueologia pública/social e ao longo de um programa comunicado nos habituais canais de divulgação da autarquia .


ALGARVE FAZ BALANÇO POSITIVO DA PARTICIPAÇÃO NA BTL

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Algarve voltou a marcar presença na Bolsa de Turismo de Lisboa, onde deu a conhecer a diversidade da sua oferta turística aos cerca de 75 mil visitantes que por lá passaram. O stand do Algarve registou uma grande afluência de profissionais e visitantes, superior à da edição de 2016, com o público a mostrar um grande interesse pelos produtos gastronómicos e pela oferta de turismo ativo da região. Na Feira, que decorreu de 15 a 19 de março, o destaque foi para o turismo de natureza, cultural, desportivo e para a gastronomia e vinhos da região. No stand de 600 metros quadrados, estiveram representados os 16 concelhos algarvios e 16 agentes turísticos da região, que, no conjunto, realizaram inúmeras iniciativas como showcookings, provas de vinhos, apresentações diversas, espetáculos culturais, entre outros. Durante cinco dias, o stand do Algarve contou sempre com grande afluência de visitantes e foi

palco de várias dezenas de reuniões profissionais. Os showcookings e degustações de produtos regionais foram das iniciativas que cativaram mais pessoas, o que demonstra o interesse crescente pelos produtos do terroir algarvio, como a alfarroba. A peça de teatro «Algarve, quem és tu?», integrada na iniciativa «Kids Route» foi um êxito, com várias dezenas de crianças a assistir na plateia. As apresentações dos municípios também registaram grande afluência. Os visitantes demonstraram ainda um interesse crescente pelas propostas de natureza e turismo ativo do Algarve, tendo sido registada uma maior procura por guias de natureza e um grande interesse na visualização dos vídeos «algarve 360º», uma verdadeira experiência imersiva no Algarve, em que o público descobre toda a diversidade da oferta turística e a beleza paisagística da região, através de sete vídeos de realidade virtual .

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ATUALIDADE

REQUALIFICAÇÃO DO PERCURSO PEDONAL CARVOEIRO-ROCHA BRAVA FOI ADJUDICADA

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Câmara Municipal de Lagoa aprovou, no dia 21 de março, a adjudicação da obra de «Requalificação do Percurso Pedonal Carvoeiro/Rocha Brava - Passadiços e Apoios», um investimento total de cerca de 190 mil euros e com uma extensão de 2,2 quilómetros, entre a Rua do Farol e a Rocha Brava. Uma das zonas mais movimentadas de Carvoeiro vai ser, assim, transformada num percurso com áreas verdes e caminho de diferentes cores e que poderá ser utilizado pela população e visitantes, quer para lazer como para desporto. Uma vez que a zona é percorrida diariamente por muitos turistas e residentes, a requalificação dos passeios será feita por perfil existente em calçada mantendo os rails, de forma a dar maior segurança aos utilizadores. Complementando a reabilitação, o percurso será dotado de nova

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iluminação com a colocação de luminárias mais modernas e equipamento led de intensidade luminosa variada. Mantendo o caráter original dos acessos pedonais, será melhorado o revestimento de caminhos existentes, criados novos espaços verdes e recuperados outros com árvores e arbustos autóctones ou bem adaptados às condições locais e substituído o equipamento urbano/mobiliário degradado por elementos mais robustos e com design mais contemporâneo e confortável, instalando equipamentos apelativos e atrativos. De uma forma integrada, a multifuncionalidade dos caminhos será realçada através do desenho e da aplicação de diferentes materiais e da instalação de zonas de lazer e espaços em deck para diversas atividades .


FARO VAI SER PALCO DO MAIOR EVENTO DESPORTIVO NACIONAL DE GINÁSTICA

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ntre os dias 30 de junho e 2 de julho, Faro será palco do maior evento desportivo nacional, a Festa Nacional da Ginástica. Esta 4ª edição está a ser organizada pela Federação de Ginástica de Portugal em parceria com o Município de Faro, com o Clube Educativo e Desportivo de Faro e ainda com o apoio da Associação de Ginástica do Algarve. São vários os eventos englobados dentro do evento principal que é a Festa Nacional da Ginástica, com destaque para o PortugalGym (Ginástica para Todos); Batalha dos Campeões (todas as disciplinas de competição da FGP); Gala Prof. Henrique Reis Pinto (momentos de apresentações de Ginástica para Todos, das disciplinas de competição e momentos de homenagem). As apresentações irão decorrer em

locais distintos ao longo dos três dias. O Pavilhão Municipal da Penha será o único local com apresentações de interior, enquanto que os palcos exteriores serão instalados no Jardim Manuel Bivar e Praça da Pontinha. Este grande evento trará a Faro mais de três mil participantes de todas as idades, que praticam a modalidade na vertente competitiva ou apenas por gosto e bem-estar. A acompanhar as equipas estarão também as suas famílias e treinadores, facto que poderá trazer impacto ao nível do comércio local. Será assim proporcionado um excelente momento de convívio e uma experiência diferente para os participantes e todos os envolvidos na organização desta grande festa.

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ATUALIDADE

ENCONTRO EUROPEU SOBRE ESCOLA INCLUSIVA PASSOU POR LOULÉ

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ealizou-se, no dia 22 de março, no auditório do Convento do Espírito Santo, em Loulé, o encerramento da mobilidade do projeto ERASMUS+ «Cap sur l’école inclusive en Europe» (Caminhando para uma escola inclusiva na Europa), numa sessão que contou com a presença de Vítor Aleixo, presidente da Câmara Municipal de Loulé. Este foi o primeiro projeto europeu a tratar da inclusão em meio escolar e o encontro, que teve início no dia 20, em Faro, pretendeu desenvolver um conjunto de metodologias e instrumentos para dotar as escolas dos meios necessários para trabalharem com alunos portadores de necessidades educativas especiais, promovendo a sua integração. São parceiros deste projeto sete países Portugal, França (coordenador), Itália, Bélgica,

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Roménia, Polónia e Grécia. Em Portugal, são duas as entidades parceiras, o Agrupamento de Escolas João de Deus (Faro) e a Omnes Pro Uno – Associação de Solidariedade Social do Algarve, esta última membro do CLAS Conselho Local de Ação Social de Loulé. Sendo Loulé um município que integra a Associação Internacional das Cidades Educadoras e que faz parte do grupo «Cidades Inclusivas» da Rede Territorial Portuguesa das Cidades Educadoras, esta foi também uma oportunidade para demonstrar o trabalho desenvolvido pela Autarquia na área da inclusão educativa e dar a conhecer as boas práticas europeias e de Portugal .


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ATUALIDADE

LAGOS VAI TER PRIMEIRO CEMITÉRIO PARA ANIMAIS DO ALGARVE

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cerimónia de lançamento da primeira pedra do Cemitério para Animais, em Lagos, teve lugar no dia 20 de março, junto ao canil municipal. A construção deste equipamento foi um dos três projetos mais votados do Orçamento Participativo de Lagos 2016 e estará pronto em junho, sendo o primeiro do Algarve e o terceiro a nível nacional. A obra contempla a construção, numa primeira fase, de um módulo de inumação aeróbia com 39 unidades, de dimensões diferenciadas para animais de grande, médio e pequeno porte, bem como o arranjo de espaços verdes exteriores, nomeadamente mobiliário urbano e a construção de uma arrecadação. A empreitada foi adjudicada à firma OCM – Obras, Construção e Manutenção, Lda., pelo valor de 41 mil e 224,58 euros, acrescido de IVA. “Será um espaço simbólico e de memória”, explicou António Marques, coordenador e representante da empresa autora

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do projeto, lembrando a propósito palavras de São Francisco de Assis que falava dos animais “como sendo também nossos irmãos”. Maria Joaquina Matos, Presidente da Câmara Municipal de Lagos, elogiou a proponente deste projeto, Cecília Paula do Carmo, também presidente de uma das mais importantes associações para a defesa dos animais, a Associação Cadela Carlota, que tem abraçado desde há muitos anos esta causa. “É um projeto pioneiro no Algarve, apenas existem cemitérios para animais no Jardim Zoológico de Lisboa e no distrito de Aveiro, em Santa Maria de Feira, e é um sinal de respeito para com os nossos animais, proporcionando-lhes uma digna última morada. Este é o primeiro passo da construção de um local de afeto e ternura para os nossos animais de companhia, dando igualmente corpo à nova legislação que entrou em vigor nesta área” .


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ATUALIDADE

CÂMARA DE LOULÉ VAI PLANTAR MIL ÁRVORES ATÉ AO FINAL DO ANO

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presidente da Câmara Municipal de Loulé, Vítor Aleixo, anunciou, no dia 21 de março, que a Autarquia irá plantar um milhar de árvores no concelho, até ao final do ano, conforme previsto na Estratégia Municipal de Adaptação às Alterações Climáticas para ampliação e reforço das manchas verdes no território. No âmbito das comemorações do Dia Internacional das Florestas, efeméride ambiental que pretende reconhecer a importância da árvore no nosso quotidiano enquanto símbolo máximo da Natureza, o edil marcou presença em Quarteira para uma das ações de plantação realizadas, neste caso com os alunos do Agrupamento de Escolas Drª Laura Ayres. Sobreiros, alecrins e medronheiros irão agora crescer em torno dos estabelecimentos de ensino localizados na zona de S. Pedro do Mar, num gesto simbólico que pretende ser um pequeno contributo para a sustentabilidade do Planeta. No conjunto das ações realizadas durante este dia no Concelho de Loulé, foram plantadas mais de 300 espécies arbóreas, entre as quais alfarrobeiras, sobreiros, ameixeiras, laranjeiras, amendoeiras, figueiras, entre outras. No Agrupamento de

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Escolas Drª Laura Ayres, em Quarteira (Escola Secundária Drª Laura Aires, E.B.2,3 S. Pedro do Mar e EB1 N.º 2) foram plantadas mais de 150 árvores, envolvendo cerca de 400 alunos. Existiram também outras plantações em diversas escolas, nomeadamente nas EB1 de Clareanes e EB1 Hortas de Santo António de Loulé, que contaram com a participação da Guarda Nacional Republicana e da Associação de Produtores Florestais da Serra do Caldeirão. Houve ainda lugar a plantações nas escolas EB 1 N.º 4 de Loulé e no Jardim de Infância de São João da Venda, em Almancil. A Autarquia procedeu igualmente a plantações de espécies arbustivas em vários espaços da cidade de Loulé, com o envolvimento dos utentes das Associações EXISTIR, UNIR e ASMAL: no recinto do jogo da malha, espaço recreativo e adjacente ao Parque Municipal de Loulé e nas urbanizações «Janelas de Loulé» e «Habifuturo», com o intuito de, não só valorizar a componente estética para a paisagem urbana, quebrando a monotonia das construções, mas sobretudo a componente ambiental .


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ATUALIDADE

AUTARQUIA DE LOULÉ ENTREGA PERTO DE 650 MIL EUROS AOS CLUBES DO CONCELHO

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o abrigo dos contratos-programa de desenvolvimento desportivo, a Câmara Municipal de Loulé entregou uma verba de perto 648 mil e 158,41 euros aos clubes, associações e coletividades do Concelho, o que significa um acréscimo neste apoio em relação ao ano de 2016. No total, são 26 os clubes que celebraram estes contratos, o que corresponde a um universo de 3163 atletas e 173 treinadores. À semelhança do que aconteceu no ano transato, a Câmara Municipal de Loulé baseou-se em critérios de atribuição dos montantes como o número de atletas que o clube mobiliza, o número de atletas federados do Concelho que integra, o número de modalidades, o nível competitivo da prática desportiva (local, regional, nacional ou até internacional), o número de treinadores, de elementos do gabinete médico e de viaturas. Academia Marcial de Loulé – Sakura, Associação de Pais e Amigos da Ginástica de Loulé, Casa da Cultura de Loulé, Centro Desportivo de Quarteira, Club BTT Terra de Loulé, Clube Basket de Quarteira – Tubarões, Clube BMX Asas da Cidade, Clube de Ténis de Quarteira, Clube de Tiro de

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Loulé, Clube Desportivo Boliqueime, Clube Desportivo CHECUL, Clube Desportivo Recreativo Quarteirense, Clube Hípico de Loulé, Clube Internacional da Marina de Vilamoura, Clube Pétanca Escola de Loulé, Ginástica Clube de Loulé, Grupo Desportivo Ameixialense, Grupo Desportivo das Barreiras Brancas, Internacional Clube de Almancil, Juventude Sport Campinense, Louletano Desportos Clube, Motoclube de Loulé, Quarteira Sport Clube, Rugby Clube de Loulé, Sport Clube Escanchinas de Almancil e União Shitoryu Portugal são os clubes abrangidos por esta iniciativa. Para os responsáveis da Câmara Municipal de Loulé, estes contratos vêm reforçar o «Compromisso com o Desporto» que tem sido assumido pela Autarquia ao longo dos anos, nomeadamente com a distinção de Loulé como «Cidade Europeia do Desporto 2015» e, mais recentemente, ao abraçar projetos como a rede europeia «Vital Cities». Por outro lado, é uma forma de apoiar o trabalho diário dos clubes que são, sem dúvida, o grande motor do dinamismo desportivo do Município de Loulé.


PROJETO «CUIDAR» ALARGA CUIDADOS OFTALMOLÓGICOS À POPULAÇÃO ESCOLAR DE OLHÃO

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esde o seu início, em 2014, o Projeto Cuidar, programa de Oftalmologia da Rede Intermunicipal de Cuidados de Saúde promovido pelos municípios de Olhão e Vila Real de Santo António, já proporcionou cerca de seis mil consultas desta especialidade aos olhanenses com menores recursos económicos. Em 2016, o projeto foi alargado às crianças que frequentam o ensino pré-escolar no concelho, com mais de 200 crianças a beneficiarem de um rastreio oftalmológico gratuito, e consequente acompanhamento. Este projeto único em Portugal, constituído por uma equipa de três oftalmologistas e um optometrista, é uma forma inovadora de partilha e otimização de recursos, que permite dar uma resposta mais rápida e próxima aos problemas de saúde dos munícipes de ambos os concelhos. No caso específico da Oftalmologia, especialidade médica que enfrenta deficiências graves no Serviço Nacional de Saúde, com listas de espera

para consulta de cerca de três anos, o Projeto Cuidar proporciona um acesso consideravelmente mais rápido a consultas médicas e cirurgias. Pretende-se que a iniciativa se dirija preferencialmente a pessoas com rendimentos inferiores ao salário mínimo nacional ou que não disponham de capacidade para suportar os custos dos tratamentos numa unidade privada. Na prática, os pacientes interessados em beneficiar do projeto deverão inscrever-se na Divisão de Ação Social da Autarquia de Olhão, sendo posteriormente encaminhados para uma primeira consulta de rastreio, após o que se seguem os respetivos tratamentos e cirurgias, quando necessário. Tendo começado por colocar a tónica no rastreio, o Projeto Cuidar proporciona, hoje em dia, cerca de 60 consultas por semana e já conta com mais de 150 operações realizadas, só no concelho de Olhão .

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ATUALIDADE

VINHO VAI ESTAR EM DESTAQUE NA FEIRA DA SERRA 2017 E SÃO BRÁS REVIVE 1914

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vinho é o convidado de honra da próxima edição da Feira da Serra de São Brás de Alportel, que irá realizar-se entre os dias 27 e 30 de julho. Criada na década de 80, a região demarcada do Algarve tem, desde então, apreciado uma tendência crescente na qualidade dos vinhos algarvios e, atualmente, algumas produções estão ao nível das melhores no país. Apesar de no território são-brasense não existir nenhum grande produtor, existem diversas pequenas produções que preservam esta tradição. Enquanto convidado de honra, o vinho irá inspirar o espaço que lhe será dedicado, no renovado recinto da Feira, com demonstrações temáticas, mostra de produtos e provas, durante os quatro dias do evento. Neste sentido, a Câmara Municipal de São Brás de Alportel terá como parceiros a Comissão Vitivinícola do Algarve, a Confraria Bachus e diversos produtores da região e do concelho. Mantendo a aposta no Espaço Terra, uma novidade na última edição, a inovação continua a ter um espaço próprio para dar a 92 ALGARVE #100 INFORMATIVO

conhecer as novidades nos setores da indústria e tecnologia que surgem na região. Pelo Palco Principal vão passar artistas de renome do circuito nacional com a oferta de concertos inesquecíveis nas quatro noites do evento. Entretanto, a II Recriação Histórica «São Bráz d’Alportel 1914» vai regressar ao Centro Histórico nos dias 27 e 28 de maio. Com uma forte adesão da comunidade, o Centro Histórico revive os primórdios da República Portuguesa no ano em que São Brás de Alportel se tornou Concelho e conquistou maior independência. Ponto de viragem na vida dos são-brasenses, o ano de 1914 marcou uma época de prosperidade económica, de fortes mudanças sociais e de uma nova fase na vida da população. A Recriação Histórica «São Bráz d’Alportel 1914» traz de volta os ares desses tempos, nos trajes, nos modos, nos petiscos e nas bebidas da época, bem como nos Balhos à Moda Antiga e no teatro de rua, que anima os visitantes .


MAJESTOSO SKATE PARK ASSINALOU 1.º ANIVERSÁRIO COM SKATE REGIONAL OPEN

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Majestoso Skate Park, em Olhão, assinalou, no dia 19 de março, o seu primeiro aniversário com a realização do Skate Regional Open, a 1ª etapa do Circuito Regional. O objetivo da iniciativa, uma coorganização do Município de Olhão e da «Park & Ride», prendeu-se com a dinamização deste equipamento e a promoção à escala regional do skate enquanto modalidade desportiva. A ocasião, que contou, para além da vertente desportiva, com animação musical, gastronomia e uma exposição fotográfica, serviu também fins solidários: foi pedido a todos os participantes que, a título de inscrição, fizessem uma doação de bens alimentares para animais, que reverteu a favor da ADAPO – Associação de Defesa dos Animais e Plantas de Olhão. Os vencedores da 1ª etapa do Circuito Regional de Skate na categoria Open

foram: em 1.º lugar Vlad Stets; em 2.º João Guerreiro; e em 3.º José Palhinha. O Majestoso Skate Park foi inaugurado em 30 de janeiro de 2016. Com esta obra, a autarquia olhanense pretendeu dotar a cidade de um equipamento multifuncional e adequado às necessidades da população urbana, ao mesmo tempo que reativa ecológica e culturalmente o espaço junto à Zona Industrial da cidade. A ideia conceptual foi baseada nas influências das atividades piscatórias presentes na cidade de Olhão, traduzindo a sua alma para o Skate Park, através das formas e dos obstáculos e rampas desenhados. Juntamente com este conceito estético, foi recriada uma tipologia de praça, procurando uma aproximação às ruas e ao meio envolvente .

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ATUALIDADE

HABITAÇÃO SOCIAL NA URBANIZAÇÃO DAS LARANJEIRAS VAI SER FINALIZADA

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conclusão da construção da habitação social na Urbanização das Laranjeiras, em Altura, está em fase de concurso público, devendo a obra avançar brevemente. Recorde-se que, em 2005, o município de Castro Marim entregou 24 fogos de habitação social, ficando a promessa da construção dos oito que faltavam, para responder aos agregados selecionados à data. Só em 2009 se inicia a obra por administração direta, no intuito de permitir à economia local maior envolvimento, mas as exigências contratuais, os recursos disponíveis e as garantias de obra necessárias, revelaram desajustado o procedimento. Assim, até 2015 foi concluída a fase de instalação das alvenarias e redes técnicas e lançou-se um concurso, em 2016, para a conclusão do empreendimento. Este concurso exigiu um projeto técnico e um caderno de encargos, que assumisse o ora construído e o necessário, mas, também por força da Nova Lei das Finanças Locais, que passou a produzir efeitos orçamentais em 2014, esta foi uma das muitas obras que tiveram que aguardar o ajustamento do Município à sua capacidade de concretização. 94 ALGARVE #100 INFORMATIVO

A materialização do edifício, com três pisos, representa oito fogos habitacionais, cuja atribuição aos agregados familiares àquela data será agora reavaliada pela autarquia, e a disponibilização de dois espaços comerciais, que serão vendidos por Aviso Público. Para além de garantirem a instalação de mais dois negócios na freguesia de Altura, numa montra para a Estrada Nacional 125, a principal via do Algarve, também conhecida pela necessidade inadiável de uma intervenção requalificativa, representarão uma importante receita para o Município, minimizando os custos de construção de todo o edifício. A empreitada de conclusão da habitação social na Urbanização das Laranjeiras, com um custo global 600 mil euros, terminará agora com esta obra, orçada em cerca de 320 mil, no desenvolvimento de uma política de habitação social no concelho, que já garantiu outros empreendimentos, possibilitando condições dignas de habitabilidade a centenas de famílias castromarinenses .


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