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ALGARVE INFORMATIVO #132

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ALGARVE #132 INFORMATIVO

11 de novembro, 2017

Tiago Nené A voz da AMAL A História do Cerco de Lisboa Petanca em São Brás de Alportel

ANA BACALHAU FANTÁSTICA EM LOULÉ

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CONTEÚDOS 11 DE NOVEMBRO, 2017

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ARTIGOS

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6 - Petanca em São Brás 12 - Magusto na Adega do Cantor 18 - A voz da AMAL 24 - Ana Bacalhau 34 - Ala dos Namorados 40 - A História do Cerco de Lisboa 50 - Tiago Nené 58 - Bonecos & Campaniça 86- Atualidade

OPINIÃO 68 - Paulo Cunha 70 - Paulo Bernardo 72 - José Graça 74 - Mirian Tavares 76 - Adília César 78 - Artur Filipe Gregório 80 - Augusto Lima 82 - Abílio Guerreiro

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REPORTAGEM

SÃO BRÁS DE ALPORTEL É UM BOM EXEMPLO DO CRESCIMENTO DA PETANCA EM PORTUGAL Texto:

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oi inaugurado, no dia 5 de novembro, no Parque Desportivo e de Lazer de São Brás de Alportel, um complexo composto por quatro campos de Petanca devidamente apetrechados com iluminação, mobiliário urbano e arranjo urbanístico. A obra envolveu ainda trabalhos ao nível das drenagens e ALGARVE INFORMATIVO #132

Fotografia: implicou um investimento municipal superior a 17 mil euros, assim se criando um espaço aberto, quer a atuais, como potenciais, praticantes desta modalidade que tem bastante expressão no coração da Serra do Caldeirão. Não admira, por isso, que São Brás de Alportel tenha sido escolhido para alojar 6


a sede da Federação Portuguesa de Petanca – que este ano completou 25 anos de existência – uma das poucas que se encontram a sul do Rio Tejo, e que tenha acolhido um campeonato do mundo da modalidade, em 2000. “Há muito tempo que os clubes da terra abraçaram a Petanca e queremos continuar a apostar neste desporto que os nossos pais trouxeram de França. Abrange todas as idades e promove a atividade física e isso é algo muito importante para esta autarquia”, frisou Acácio Martins, Vereador do Desporto da Câmara Municipal de São Brás de Alportel, revelando que está em curso um procedimento para o concelho receber a Taça de Portugal da Petanca em 2018. Com muitos praticantes a assistir à cerimónia oficial de inauguração do

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complexo de jogos, Gameiro Alves, presidente da Federação Portuguesa de Petanca, confirmou tratar-se de um dia de reunião festiva de todos os petanquistas. “São Brás de Alportel soube reconhecer, antes de nenhuma outra instituição, a importância da modalidade, não apenas como atividade desportiva, mas também como ponto de encontro de salutar convívio entre atletas e amigos, o que ganha maior relevância nos tempos que vão correndo, onde o espírito familiar e de grupo se vai limitando, de forma preocupante, às relações virtuais no mundo digital”, manifestou o dirigente, alertando para o valor de modalidades desportivas como a Petanca para um equilíbrio salutar dos jovens, ao proporcionar-lhes alternativas amigas na ocupação dos tempos livres e nas suas relações com o mundo.

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Vítor Guerreiro, presidente da Câmara Municipal de São Brás de Alportel e Gameiro Alves, presidente da Federação Portuguesa de Petanca

Gameiro Alves afirmou que a Petanca atravessa uma nova fase em Portugal, fruto da vontade da Federação em relançar uma modalidade que tinha vindo a perder alguma dinâmica e capacidade de mobilização, apesar do trabalho efetuado por clubes e associações. “O que falta em meios vai sobrando em entusiasmo dos que abraçaram esta modalidade e só assim ela tem resistido aos obstáculos do tempo. Se hoje, por todo o país, a Petanca abrange uns milhares de praticantes, os novos tempos impõem a realização de um trabalho que está por fazer, nomeadamente trazer até nós os petanquistas que não estão enquadrados em nenhum clube ou associação”, considerou, assumindo não se tratar de uma tarefa fácil. “Contudo, quantos mais ALGARVE INFORMATIVO #132

formos, mais força teremos e maior será a afirmação da Petanca como modalidade desportiva. Temos que difundir e alargar o universo da Petanca ao maior número possível de distritos de Portugal, aproximando-o, paulatinamente, do grande público”. No âmbito desta política de expansão da modalidade, o envolvimento das autarquias é fundamental, daí a importância de se estabelecerem formas de parceria e colaboração entre ambas as partes aos mais diversos níveis, defendeu Gameiro Alves, aproveitando para enaltecer o apoio da autarquia sãobrasense, consubstanciada com a inauguração deste complexo de jogos. Outra vontade da Federação Portuguesa de Petanca é inscrever a modalidade no plano das atividades extracurriculares do 8


ensino básico e, para tal, no início de 2018 serão realizadas reuniões com a Associação Nacional de Municípios e a Associação Nacional de Freguesias para ajudar a sensibilizar as escolas para esta missão. “Para a expansão da modalidade é crucial o papel da formação e deixo uma palavra especial de apreço para os treinadores, árbitros e delegados técnicos. Do mesmo modo, agradeço a todas as autarquias que nos têm apoiado ao longo dos anos, com material, equipamento e campos de jogos. Com este espírito de entreajuda e esta aposta na juventude, o futuro da Petanca está assegurado. Assim sendo, saberemos honrar as diversas gerações de emigrantes que, em anos já muito distantes, mas sempre presentes, trouxeram a Petanca para Portugal e fizeram dela uma modalidade praticada

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por muitos milhares de portugueses”, concluiu Gameiro Alves. Presente neste dia de festa esteve Custódio Moreno, Diretor Regional do Instituto Português do Desporto e Juventude de Faro, que destacou o carater intergeracional da Petanca e apelou ao registo de todos os praticantes que não se encontram ainda filiados em nenhum clube ou associação. “Até há poucos anos, a Petanca era um simples encontro de amigos, mas agora temos o Campeonato Nacional e a Taça de Portugal. O Algarve é muito mais do que o turismo e tem-se afirmado cada vez mais pela sua vertente desportiva”, sublinhou o dirigente, antes de reconhecer, também ele, o excelente trabalho realizado pelas autarquias nesta matéria. “Esta Câmara Municipal pode

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ser mais pequena em termos de orçamento, mas é bastante grande no que toca à obra feita e tem sabido honrar os anseios da população. Apoiar o desporto não pode ser encarado como uma despesa, mas sim como um investimento no bem-estar e na saúde das pessoas”, reforçou Custódio Moreno. A encerrar as intervenções oficiais, Vítor Guerreiro, presidente da Câmara Municipal de São Brás de Alportel, salientou precisamente o papel destas obras para a saúde das populações. “Estes quatro campos de Petanca respondem a uma aspiração antiga da autarquia de criar melhores condições para a prática da modalidade e quisemos que ficassem no centro da vila, num local que «está à mão», que convida as pessoas a jogar. É mais um passo na ALGARVE INFORMATIVO #132

ampliação do nosso Parque Desportivo e de Lazer e, a curto prazo, iremos avançar para a construção de campos de padel e de uma pista de atletismo”, revelou o edil são-brasense. “O nosso objetivo é ter toda a população a praticar desporto e atividade física e é para isso que trabalhamos todos os dias durante os quatro anos do mandato. É para isso que fomos eleitos, para continuar a encontrar as melhores soluções e financiamentos para alargarmos o orçamento municipal e promovermos melhor qualidade de vida para as nossas gentes”, finalizou, antes de dar o «pontapé-de-saída» para a primeira edição da Taça de São Brás em Petanca, organizada pela Câmara Municipal com o apoio e colaboração do Grupo Desportivo e Cultural de Machados e da Federação Portuguesa de Petanca . 10


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REPORTAGEM

União de produtores aqui patente com Nigel Birch e a filha Rebecca da Adega do Cantor, ladeados pelos produtores da Quinta da Malaca (Luís Cabrita, pai e filho)

MAGUSTO CELEBRADO EM PARCERIA INÉDITA Texto:

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Fotografia:

Magusto é uma festa popular, celebrada a dia 11 de novembro, e que, para além de conotações religiosas – da qual resulta a igualmente popular expressão do Verão de S. Martinho, relacionada com a lenda deste cavaleiro – é também uma data com fortes implicações no vinho, porque a ela está ALGARVE INFORMATIVO #132

associada o dia em que se prova o vinho novo feito em setembro. Daí advém, aliás, a outra popular expressão: No dia de S. Martinho, vai a adega e prova o vinho. E foi isso mesmo que fizemos no Algarve Informativo. Neste caso fomos à Adega do Cantor, em Albufeira, 12


normalmente conhecida como a adega do Cliff Richard, um dos pioneiros na produção de vinho algarvio e na sua colocação no mercado estrangeiro. Atualmente, a produção e a gestão do espaço estão a cargo de Nigel Birch, residente há mais de 30 anos no Algarve e que já fala bem o português com aquele caraterístico sotaque britânico. “Pretendemos retomar uma tradição que já tivemos há alguns anos de celebrar o Magusto e que depois foi interrompida. Desta vez fomos um pouco mais longe e convidamos um outro produtor que também tem vinhas em Albufeira – o Malaca Wines – e em conjunto aqui estamos”, explica Nigel Birch. Ao falarmos depois com o Luís Cabrita (filho) da Quinta da Malaca, ele destaca precisamente o aspeto da parceria no evento, salientando que “pela primeira vez temos um evento entre dois produtores, realizado no espaço de um deles”, concordando assim com Nigel Birch no que O primeiro blend da Quinta da Malaca recomenda-se, toca à necessidade de haver com ou sem castanhas maior união e projetos comuns seus monocastas e de apresentar o Vale entre os produtores algarvios. de Parra como marca para os vinhos de lote (blends). Para já, temos apenas um Em relação a novidades, pois sendo dia tinto disponível mas, segundo Luís de S. Martinho é suposto provar o novo Cabrita, haverá depois um rosé, vinho, temos o Vale de Parra, o primeiro passando o famoso rosé Malaca a ser blend da Quinta da Malaca que, com este um monocasta feito com Negra Mole. lançamento, assume o conceito de ter a designação de Malaca reservada para os 13

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O evento superou as expetativas e ultrapassou o número previsto. A noite agradável ajudou.

Isto são os projetos futuros, no presente temos o Vale de Parra, feito de Negra Mole, Castelão e Aragonês, castas que, de acordo com Luís Cabrita, foram escolhidas por serem tradicionais da região. “Quisemos neste vinho fazer uma homenagem aos nossos antepassados, em geral, e aos meus avós em particular, daí o vinho ter um slogan: Terra de grandes homens, terra de grandes vinhos”. O próprio nome tem uma raiz familiar pois é a zona da qual a família tem as suas origens, tendo este produtor a curiosidade de ter vinhas tanto em Albufeira como em Silves e de as ir vinificar na Cabrita Wines, que tem por coincidência o mesmo nome de família. Uma série de pormenores apenas curiosos.

profunda cor rubi resultante da Aragonês, revelando-se na boca muito harmonioso e macio, com os taninos bastante sedosos e envolvidos na fruta madura e muito bem integrados na madeira onde estagiou por pouco tempo, de modo a amaciar o suficiente, mas não a esconder em demasiada o resto. É um vinho muito agradável e fácil de beber, não sendo muito pesado nem encorpado, o que lhe permite uma ligação fácil com uma grande diversidade gastronómica. Creio que será um sucesso de vendas e que rapidamente as pouco mais de seis mil garrafas irão esgotar, pelo que, se estiver curioso em provar, o melhor será começar a procurar numa garrafeira perto de si .

No que toca ao Vale de Parra, o vinho está muito elegante, apresentando uma ALGARVE INFORMATIVO #132

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No topo: Luís Cabrita (pai e filho) com o seu novo menino – o Vale de Parra. Em cima: Klaus e Kristina uns amigos bem dispostos e divertidos no evento. 15

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ENTREVISTA

AMAL: UMA VOZ BEM AFINADA EM DEFESA DOS INTERESSES DO ALGARVE Jorge Botelho foi reeleito para novo mandato como presidente da AMAL – Comunidade Intermunicipal do Algarve, tendo a seu lado na direção os vicepresidentes Osvaldo Gonçalves e Rui André. A mobilidade rodoviária, o empreendedorismo, a sustentabilidade e a descentralização de competências serão alguns dos assuntos mais prementes da agenda da estrutura, em quatro anos que prometem ser de intenso trabalho. Texto: ALGARVE INFORMATIVO #132

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onhecidos os resultados das Eleições Autárquicas de 1 de outubro, houve que proceder, depois, à eleição da direção da AMAL – Comunidade Intermunicipal do Algarve, com Jorge Botelho, edil de Tavira, a ser reconduzido como representante dos 16 presidentes de câmara da região. Como vice-presidentes terá, durante os próximos quatro anos, Osvaldo Gonçalves e Rui André, respetivamente os presidentes das Câmaras Municipais de Alcoutim e Monchique. Uma eleição feita por unanimidade através de voto secreto e sem grandes surpresas, face ao trabalho desenvolvido nos quatro anos anteriores, com a AMAL a desempenhar um papel importante em matérias como o combate à prospeção e exploração de petróleo ao largo da costa algarvia, mas também na transição entre o PO 21 e o CRESC ALGARVE 2020. “Fomos protagonistas e parceiros na definição do modelo dos fundos comunitários e também contratualizámos com a CCDR Algarve um valor avultado de verbas para desenvolver um conjunto de projetos. A AMAL é uma voz que deve ser tida em conta porque, na prática, reflete a visão dos autarcas para a região”, salienta Jorge Botelho. Seguem-se quatro anos de intenso trabalho, de acordo com um plano estratégico alinhado com a calendarização dos fundos comunitários que chegarão através do Portugal 2020 e do CRESC 2020, para “não navegarmos à descrição”, e que é para concretizar. “Estamos em permanente contato com o poder central para que as coisas fluam mais rapidamente no terreno e é natural que o cidadão comum se identifique mais ALGARVE INFORMATIVO #132

facilmente com o seu presidente de câmara municipal ou de junta de freguesia, porque foram esses que eles elegeram diretamente. A questão da proximidade é fundamental, contudo, a AMAL trabalha imenso nos bastidores, na articulação com as associações empresariais, as direções regionais, a 20


CCDR e o Governo”, frisa o responsável. “Quando são matérias-chave, de maior relevância, até mais mediáticas, a AMAL assume um protagonismo acrescido”, acrescenta. Maior mediatismo é de esperar nos próximos anos para a Comunidade 21

Intermunicipal do Algarve, mercê da sua estreita relação com os empreendedores, as associações empresariais e a Universidade do Algarve com vista a uma maior sustentabilidade da região 365 dias por ano. Outro projeto estruturante prendese com a mobilidade e será a AMAL a ALGARVE INFORMATIVO #132


lançar os concursos para as ligações rodoviárias entre as freguesias e os concelhos. “Por delegação de competências dos municípios, a AMAL será a Autoridade Metropolitana de Transportes e discutirá tudo o que diz respeito à ferrovia e aos modos cicláveis. A nossa vontade é que sejam dados passos mais rápidos para que os 16 municípios sejam um destino articulado”, refere Jorge Botelho. A descentralização de competências está na ordem do dia, mas a AMAL já participou, no último mandato, num estudo que dizia respeito à gestão das frentes ribeirinhas, portos de mar e portos de recreio e que deverá ter desenvolvimentos no curto prazo. “Temos feito algumas negociações comuns em matéria de ambiente e educação, na área da cultura trabalhamos com o programa ALGARVE INFORMATIVO #132

«365 Algarve» e vamos ver o que vai acontecer no plano da saúde. Na proteção civil, por exemplo, realizamos candidaturas para o reapetrechamento dos nossos corpos de bombeiros, nomeadamente dos seus equipamentos. Há todo um conjunto de competências que faz sentido descentralizar a um nível supramunicipal, porque a discussão que for feita no seio da AMAL é validada pelos 16 presidentes de câmara”, entende Jorge Botelho. Na ausência da regionalização, caberá então à AMAL o papel de líder, de conjugação de vozes, de locomotiva, mas também de fonte de reivindicação, de tomadas de posição perante o governo, porque assim o exige o Algarve. “Às vezes, as vozes dos autarcas funcionam isoladamente, mas 22


uma posição conjunta terá, como é óbvio, mais força. Quando concordamos com as medidas do governo podemos bater palmas, quando discordamos delas, temos que dar um «murro na mesa». Ninguém sabe melhor o que é mais positivo para a região do que aqueles que aqui estão e, quando há um processo de negociação com o governo, devemos ter bom senso e firmeza nas posições que assumimos”, afirma o entrevistado. “Não mandamos «conversa fora» ou enviamos notas de imprensa só para dizer que se preencheu a agenda. Aquilo que os 16 presidentes de câmara desejam é que o Algarve seja todo o ano, que gere emprego e riqueza, que atraia cada vez mais pessoas, que os negócios se façam e que as pessoas sejam felizes”, reforça.

DESCENTRALIZAÇÃO SÓ TEM LÓGICA FEITA A 16 As palavras de Jorge Botelho fazem todo o sentido, no entanto, só funcionam na prática se os 16 autarcas com assento na AMAL estiverem em perfeita sintonia, a remar para o mesmo lado, e não a pensarem única e exclusivamente nos interesses dos seus respetivos concelhos. “Há planos elaborados e validados por todos, uma estratégia definida, um roadbook que aponta o caminho a seguir, mas que pode ser alterado porque a vida é muito dinâmica nos tempos modernos. A mim cabe-me gerar consensos entre os 16 presidentes de câmara. Analisamos e discutimos todos os assuntos, com o primeiro secretário executivo que chegará para fazer as pontes mais técnicas. Quando há uma matéria que ainda não está «madura» para haver consensos, ela

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é mais debatida e trabalhamos tecnicamente as melhores soluções”, descreve o edil tavirense o dia-a-dia da Comunidade Intermunicipal do Algarve. Como é natural, em 16 presidentes de câmara de diversas sensibilidades, de diferentes forças partidárias e com formas distintas de encarar as prioridades, nem sempre há, de imediato, uma decisão unânime, reconhece Jorge Botelho, cabendo depois à direção da AMAL construir as pontes para que os projetos vão por diante. “Felizmente, até agora, as coisas têm vindo a avançar de uma forma muito substancial. Para mim, é mais importante a segunda eleição ou nomeação do que a primeira, porque ela requer uma avaliação por parte dos pares. Quero continuar a trabalhar como até agora: construindo pontes, gerando vontades, criando medidas concretas, envolvendo a AMAL nas decisões importantes para o Algarve, sendo voz e negociando com o governo aquilo que houver para negociar”, aponta, com convicção. Neste pressuposto, a descentralização de competências só tem lógica, para Jorge Botelho, se for feita a 16 e não de forma isolada. “Deve ser uma medida de política legislativa do governo realizada de modo igual para todas as câmaras municipais. Apenas faz sentido a negociação de um pacote de medidas de descentralização e, já agora, do respetivo pacote de fundos, para a totalidade dos concelhos, que depois será aceite ou não”, alerta, para que não aconteça o mesmo que nos acordos de execução na área da Educação ALGARVE INFORMATIVO #132


de Tavira – porque havia uma completa desresponsabilização do Ministério da Educação sobre os assuntos da Educação e isso não pode ser. As políticas descentralizadoras devem fornecer as mesmas ferramentas e meios a todos, para prestarmos o mesmo serviço às populações. Claro que, em determinadas matérias, podem-se encontrar alguns projetospiloto para se experimentar um quadro de descentralização de competências relacionados com este ou aquele setor de atividade”, considera.

celebrados no passado recente. “Houve presidentes que assinaram logo no primeiro dia e, entretanto, alguns têm vindo a rescindir os acordos – como é o caso do presidente da Câmara Municipal ALGARVE INFORMATIVO #132

Resta saber se esta vontade do atual governo em descentralizar competências se vai, de facto, concretizar e se, depois, ela conduzirá a resultados satisfatórios, mas isso não significa que a regionalização deixe de ser discutida, de acordo com o entrevistado. “Sou a favor de uma eleição direta de representantes regionais, dentro do quadro da unidade do país. Não há aqui qualquer ideia de autonomia, é uma simples forma de organização administrativa da nação. Acho que a regionalização continua a fazer sentido, porque Portugal é um país pequeno e cada vez mais os fatores de competitividade dependem da sua gestão pública e política”, justifica . 24


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ENTREVISTA

ANA BACALHAU MOSTROU-SE A SOLO EM LOULÉ… E O PÚBLICO CAIU A SEUS PÉS O Ciclo «Fémina» prossegue, no Cine-Teatro Louletano, e o mais recente capítulo esteve a cargo da fantástica Ana Bacalhau, que escolheu a cidade de Loulé para a sua estreia absoluta a solo, sem os restantes elementos dos «Deolinda» a seu lado. E o resultado é, francamente, de chorar por mais. Texto:

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Cine-Teatro Louletano apresentou, no dia 3 de novembro, a estreia de todas as estreias, nacional e mundial, do primeiro disco a solo de Ana Bacalhau, a vocalista dos «Deolinda», intitulado «Nome Próprio». Neste álbum, Ana Bacalhau conta com a ajuda de diversos compositores e amigos, nomes como Samuel Úria que escreveu «Só Querer Buscar», Jorge Cruz, que compôs «Leve Como Uma Pena», Nuno Prato, que lhe fez «Passo a Tratar-me Por Tu», mas também Afonso Cruz e o seu «Respirar», Nuno Figueiredo com «Morreu Romeu» e «Vida Nova», Capicua com «A Bacalhau», ou o «Ciúme» de Miguel Araújo, a «Dama da Noite», de António Zambujo e João Monge, «Maria Jorge», da Márcia, «Debaixo da Mosca», de Carlos Guerreiro ou «Para Fora», da Francisca Cortesão. Mas também houve espaço para os seus próprios originais, o «Só Eu» e «Menina Rabina», musicados por Janeiro e «Deixo-me Ir», escrita e composta pela própria Ana Bacalhau. «Nome Próprio» vem concretizar um desejo antigo de Ana Bacalhau em prosseguir uma carreira a solo em paralelo com os «Deolinda», intento que vinha sendo adiado devido ao trajeto hipersónico da banda, mas também porque ainda não se sentia “suficientemente madura” para dar esse passo. “Em 2013, fiz uns concertos a solo, com versões de canções que me influenciaram, que fizeram parte do meu percurso, um universo tão vasto que vai de Pearl Jam a Amália Rodrigues. Comecei a perceber que seria possível conciliar o mundo da tradição portuguesa com a música anglo-saxónica e, depois, foi uma questão de esperar pela altura certa. ALGARVE INFORMATIVO #132

Em 2017/18 vamos estar todos mais concentrados em projetos a solo e decidi avançar”, explica a artista, pouco depois de terminado o concerto no CineTeatro Louletano. Uma hesitação e insegurança que contrastam com a sua maneira explosiva de estar em palco, onde é, sem dúvida, uma força da natureza, energia pura em constante movimento. “É verdade que tenho essa força e certeza em palco mas, fora dele, sou uma pessoa insegura e com medos como qualquer outra. É tudo isso que está retratado neste disco”, indica, confirmando que «Nome Próprio» não é um romper com a sonoridade característica dos 28


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«Deolinda». “A minha matriz, onde me sinto bem, é a trabalhar com a música de raiz portuguesa, mas aqui de um modo distinto, com outra instrumentação. Para além disso, escolhi autores que me dariam caminhos diferentes para percorrer”, refere. O disco está, de facto, recheado de compositores sobejamente conhecidos da praça pública, de créditos firmados, precisamente aquilo que Ana Bacalhau não se considera, nem tem a pretensão de dizer que é. “Escrevo quando tenho algo para dizer, mas não me sinto uma autora, portanto, não tenho a pressão de lançar um disco só com temas meus. Vou ALGARVE INFORMATIVO #132

colocando algumas canções minhas nos álbuns mas, acima de tudo, sou uma intérprete. Adoro dar vida às palavras dos outros, imprimir-lhes o meu cunho próprio”, assume a cantora, reconhecendo que foi complicado finalizar a manta de retalhos que é «Nome Próprio», dado o elevado número de compositores que escreveram para o disco. “Escolher os compositores foi fácil porque admiro o trabalho deles todos e há muito tempo que queria cantar as suas letras. Depois, nos ensaios com a banda, procuramos criar um som coerente que unisse os vários elementos que fazem parte de mim. As músicas mais extremadas são o 30


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«Ciúme» do Miguel Araújo e «A Bacalhau» da Capicua, funcionaram como as duas balizas para o alinhamento do álbum”, conta. Complicado é também para qualquer vocalista de uma banda conseguir distanciar-se, afirmar-se a solo, despegar as duas imagens, mas a Ana Bacalhau dos «Deolinda» não desapareceu por completo neste projeto, garante a entrevistada. “Simplesmente tenho outras facetas que não faziam sentido na banda e que aparecem, de forma natural, nestes espetáculos. «Deolinda» é um projeto a quatro e a Ana sou eu, um outro eu diferente”, distingue. Outro problema que se pode colocar diz respeito à química entre os vários profissionais que vão estar em cima do palco, mas Ana Bacalhau entende que esse traquejo se ganha na

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estrada, de atuação para atuação. “Estamos a construir essa dinâmica porque são, de facto, diálogos diferentes, com os meus colegas e com o próprio público”. Público que, no Algarve, e por esse Portugal fora, sempre recebeu de braços abertos os «Deolinda» e que, em Loulé, acolheu calorosamente Ana Bacalhau, enchendo por completo a principal sala de espetáculos do concelho. “Têm toda a minha gratidão porque a sala esgotou sem as pessoas saberem muito bem ao que iam. Quando compraram os bilhetes, o disco ainda não tinha sido lançado, portanto, foi um voto de confiança que me deram”, agradece, ainda de emoções ao rubro, depois de um concerto que ficará na memória de todos os presentes .

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REPORTAGEM

ALA DOS NAMORADOS ESGOTOU CINE-TEATRO LOULETANO Texto:

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Ala dos Namorados, do carismático cantor louletano Nuno Guerreiro, apresentou, no dia 5 de novembro, o seu mais recente disco, «Vintage», no Cine-Teatro Louletano. O cancioneiro da pop portuguesa de meados do século XX está na base do novo disco da Ala dos Namorados, com temas como «Olhos Castanhos», «Noites da Madeira», «Ele e Ela», «Cartas de Amor» ou o «Fadinho da Tia Maria Benta», canções que fazem parte do imaginário coletivo dos portugueses e que agora foram transportas para o universo musical da Ala dos Namorados. Para além das versões de standards da música portuguesa, o novo disco da Ala dos Namorados, editado em abril do corrente ano, inclui quatro temas originais dentro desta harmonia vintage que é, também, parte integrante dos espetáculos ao vivo. A voz e interpretação inconfundíveis de Nuno Guerreiro juntam-se às composições e arranjos de Manuel Paulo, um mix que faz da Ala dos Namorados um exemplo de longevidade da música em Portugal e que voltou a mostrar estar em excelente forma, nesta tarde de domingo na cidade de Loulé .

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UMA HISTÓRIA DIFERENTE SOBRE A CONQUISTA DE LISBOA AOS MOUROS Texto:

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Teatro Lethes recebeu, de 7 a 12 de novembro, «História do Cerco de Lisboa», uma adaptação do romance homónimo de José Saramago em cujo ponto de partida está um ato de rebeldia criativa: o revisor Raimundo Silva escreve um «não» nas provas de um livro de história onde se afirmava que, em 1147, os cruzados tinham ajudado os portugueses na conquista de Lisboa aos mouros. O transtorno causado na editora por este ato «inexplicável» serve de pretexto para que a gestora Maria Sara lance um desafio ao revisor: a escrita de um romance no qual a ficção se imponha à verdade histórica, isto é, no qual D. Afonso Henriques conquiste Lisboa sem a ajuda dos cruzados. A ideia para este projeto surgiu, há mais de um ano, em conversa entre Rodrigo Francisco, do Teatro de Almada, e Luís Vicente, diretor da ACTA, e de imediato se avançou para uma parceria envolvendo pessoas que, embora se conheçam de longa data, nunca antes tinham trabalhado juntas em teatro. “O José Peixoto, por exemplo, foi meu professor ALGARVEINFORMATIVO INFORMATIVO#132 #132 ALGARVE

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quando eu era um jovem principiante. Que eu me recorde, nunca antes aconteceu realizar-se em Portugal um projeto com esta amplitude, com quatro estruturas significativas do teatro português a colaborarem numa criação artística com um sentido comum e com a direta participação dos seus respetivos corpos artísticos, técnicos, de gestão e de produção”, destaca Luís Vicente. Outra diferença em «História do Cerco de Lisboa» é que os atores interpretam as personagens ao mesmo tempo que não deixam de mostrar que são atores a interpretar personagens, algo que acontece, de forma natural, à vista do público. Mas, antes de tudo, há José Saramago e o seu pensamento acerca da «questão ibérica». “Pareceu-me interessante esta colaboração entre as quatro companhias portuguesas com uma dramaturgia e uma encenação de colegas espanhóis. Embora a narrativa dramática tenha centralidade no cerco de Lisboa pelo D. Afonso Henriques, com o auxílio dos Cruzados – circunstância que é ALGARVE INFORMATIVO #132

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contestada pela personagem que interpreto, o revisor Raimundo Silva”, refere Luís Vicente, considerando que “os grandes autores constituem sempre uma boa oportunidade de partilha da existência humana, de reflexão acerca do desígnio humano e do afazer artístico”. A peça é uma coprodução da ACTA – A Companhia de Teatro do Algarve e da Companhia de Teatro de Almada, da Companhia de Teatro de Braga e do Teatro dos Aloés, estando a Encenação a cargo de Ignacio García e a Dramaturgia nas mãos de José Gabriel Antuñano. É interpretada por Ana Bustorff, Elsa Valentim, João Farraia, Jorge Silva, José Peixoto, Luís Vicente, Pedro Walter, Rui Madeira e Tânia Silva, com Cenografia de José Manuel Castanheira, assistido por Pedro Silva e pelos estagiários Filipe Fernandes, Francisca Castro, Inês Carrillo, Maria Luís e Sofia Lacerda. A música é de Ignacio García, os Figurinos de Ana Paula Rocha, a Luz de Guilherme Frazão e o Som de Miguel Laureano . ALGARVE INFORMATIVO #132

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ENTREVISTA

“ESCREVO POESIA PARA ME DESCOBRIR A MIM PRÓPRIO”, EXPLICA TIAGO NENÉ Olhão recebeu o III Encontro Internacional de Poesia ao Sul e no vasto leque de poetas de todo o mundo presentes encontrava-se, igualmente, Tiago Nené, cujo último livro conquistou o Prémio Literário Maria Amália Vaz de Carvalho. Dotado de um estilo muito próprio de escrever poesia, o tavirense está a trabalhar em novos projetos e possui mais três livros prontos a irem para o mercado, quando o momento for propício para tal. Texto:

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assim se pode dizer, da carreira aconteceu precisamente em 2017, quando venceu o 12.º Prémio Literário Maria Amália de Carvalho, na modalidade de poesia, com «Este Obscuro Objecto do Desejo». “Aprendi muito com alguns poetas da região quando passei a integrar o circuito literário do Algarve e foi isso que me levou a escrever de uma forma mais séria e rigorosa. Já fiz um ou dois contos, mas é na poesia que me sinto bem”, assume, em início de conversa.

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dvogado e tradutor de profissão, Tiago Nené escreve desde que se lembra, mas foi a partir de 2007 que começou a dedicar maior atenção à poesia, tendo publicado, desde então, «Versos Nus» «Polishop», «Relevo Móbil Num Coração de Tempo» e «Uma Prática para Desconserto», sob o pseudónimo Sylvia Beirute. Em 2013, recebeu uma menção honrosa no Prémio Nacional de Poesia da Vila de Fânzeres com o livro ainda por publicar «Nuvem com Superfície Variável» e o ponto alto, se ALGARVE INFORMATIVO #132

Tiago Nené olha para a poesia pela perspetiva da sua musicalidade, mas reconhece que não segue os padrões normais das quadras ou sonetos, pelo que as suas criações são aparentemente livres. “Os meus poemas não têm uma forma rígida quando os escrevo, mas na minha cabeça está bem imaginada a sua musicalidade. Aquilo que mais gostaria de fazer era compor música, mas não tenho essa habilidade e acabo por transportar esse desejo para a poesia, que também é música”, revela, acrescentando que escreve, nos últimos tempos, de acordo com projetos bem definidos sobre determinados temas. “O meu livro mais recente tem o mesmo 52


O que se descreve é como cotovelos no parapeito, pode ser tão sombrio quanto uma interrogação em círculo, tão viril quanto este caminho mau, tão minucioso quanto esta perspectiva não infinita. E onde começa o esquecimento termina o que a ilha de sono denuncia, o que o intervalo do vento alcança quando descende do infindável onde tudo é calmo e sereno. E então, que te administrem menos memória, a ti cujos olhos abrangem um botão que te desperta do que pensas ver em voz alta, do que se transforma como um eco exactamente igual a ti. Tiago Nené Poema de «Este Obscuro Objecto do Desejo»

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título de um filme de Luis Buñuel, realizado em 1977, em que a personagem principal é interpretada por duas atrizes diferentes. Vi o filme em 2013 e senti uma inspiração muito grande de escrever sobre a dualidade em torno do desejo, algo que só poderia ser feito através da poesia”, explica. Ao não escrever poemas soltos, o mais complexo é criar uma unidade coerente para as obras, mas há também que evitar as repetições, saber bem para onde vai, esquematizar o alinhamento dos vários poemas. “Antes de dar por concluído um poema, ele é lido e relido diversas vezes, em voz alta, para ter a musicalidade que pretendo. Às vezes, depois de já ter sido publicado, se pudesse voltar atrás ainda alterava uma palavra ou uma vírgula”, confessa, antes de falar sobre o prémio conquistado, em 2017, com o seu mais recente livro. “Não é por ganhar um prémio que a minha escrita passa a ser melhor e não concorri por uma questão de prestígio. Simplesmente tornaria mais fácil o processo de colocar o livro no mercado porque, para além do prémio monetário, tinha um apoio à sua edição”, esclarece. Tudo isto porque, depois de se terminar um livro, começa a árdua batalha de se encontrar uma editora que o publique ou de se avançar para uma edição de autor. “É uma guerra porque a poesia vende muito pouco e, como tal, os editores não arriscam. Outros há que editam poesia pelo prestígio que ela ainda traz ao catálogo”, observa, com um encolher de ombros. “É um estilo mais inacessível ao público, mas ainda há leitores de poesia em Portugal. O escritor, em geral, e o ALGARVE INFORMATIVO #132

poeta, em particular, não deve fazer grandes concessões para se tornar mais comercial, deve estar no seu espaço. Sei, contudo, que existe uma nova corrente de poesia mais comercial e direta, mais aproximada da prosa, e eu respeito quem trilha esse caminho. Cada um escreve o que quer e cada um lê o que quer. Eu escrevo de acordo com aquilo que quero fazer, aliás, quem escreve poesia não pensa nas vendas que vai ter”, entende o entrevistado. 54


Ser fiel ao rumo que escolheu é uma das premissas de Tiago Nené e outra é saber esperar, ser paciente, motivo pelo qual tem três livros por publicar, à espera da melhor oportunidade para serem colocados no mercado. “Verdade seja dita, também não me esforço muito para que eles sejam editados, isso acontecerá no momento certo. Entretanto, vou escrevendo os meus projetos”, admite. 55

“Uma das coisas que a poesia dá é satisfação pessoal ao seu criador. Quando termino um dos meus projetos, o meu mundo fica diferente, acho que ganhei qualquer coisa. E também escrevo poesia para me descobrir a mim mesmo. Tenho um processo bastante caótico e escrevo imensa coisa, muitas vezes até sem um objetivo definido. Depois, os poemas fazem-se a partir da destruição daquilo que criei”, descreve. ALGARVE INFORMATIVO #132


UMA POESIA SEMPRE DESATUALIZADA Um prazer pessoal, uma forma de se descobrir a ele próprio, mas também um tubo de escape para a exigente profissão de advogado, confirma Tiago Nené. “É uma libertação, quase uma meditação com palavras. Tudo aquilo que nos retira do nosso dia-a-dia é bom, mas também gosto bastante de ver filmes e ouvir música. A minha vida é muito rica nesse sentido”, conta, sobrando ainda tempo para as habituais apresentações de livros nas bibliotecas e para participar em eventos como este III Encontro Internacional de Poesia a Sul de Olhão, onde deu a conhecer «Este Obscuro Objecto do Desejo». Para além dos três livros concluídos, Tiago Nené tem mais dois projetos em andamento, comprovando que o seu ritmo de produção é muito superior ao de edição, mas isso não o apoquenta. “O meu foco é a criação, não estou obcecado em publicar livros. Há outras formas de dar a conhecer aquilo que escrevo, os festivais de poesia, as revistas literárias, uma vez ou outra nas redes sociais”, aponta o tavirense, confessando, porém, a vontade de lançar, em 2018, o «Nuvem com Superfície Variável», que ganhou uma menção honrosa em 2013. “Vamos ver se é possível, pois a minha poesia está sempre desatualizada. O que faço hoje, amanhã já o faria de maneira diferente, porque procuro aprender sempre mais e mais e experimentar novas coisas. Por isso é que os meus livros são bastante diferentes entre eles. A incoerência é,

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para mim, uma das principais qualidades da poesia, não se pode encontrar sentidos lineares, não se pode ler como um romance”, defende. Neste sentido, o leitor acaba por ser, ele próprio, um autor, uma vez que a poesia abre campo para diferentes interpretações, para cada um decidir se vai para a esquerda ou para a direita. “E o mesmo leitor pode ler um poema, hoje, de uma forma e, passado 15 dias, olhar para ele de outra maneira completamente distinta. É essa a riqueza da poesia”, sublinha Tiago Nené. “Infelizmente, vivemos num mundo de muita distração, de falta de foco, o que torna as pessoas mais impacientes. Mas sempre houve e haverá poetas” . 56


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REPORTAGEM

«BONECOS & CAMPANIÇA» divertiram crianças de Sagres Texto:

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Auditório da Fortaleza de Sagres acolheu o teatro de marionetas «Bonecos & Campaniça», no dia 8 de novembro, numa organização da Tertúlia – Associação Cultural Sociocultural de Aljezur direcionada à comunidade escolar de Vila do Bispo. Deste modo, o marionetista Manuel Dias e o músico António Bexiga deram vida a duas mãos cheias de bonecos e contaram as suas histórias sem palavras, ao som da viola campaniça, para deleite de algumas dezenas das crianças. Manuel Dias é marionetista, construtor e investigador de formas animadas há mais de 30 anos. A sua vida mistura-se com as marionetas que cria e recria de forma tão particular, única, honesta e intensa. Esta dedicação trouxe-lhe muitas viagens à volta do mundo e o reconhecimento do seu trabalho com vários prémios internacionais. Já António Bexiga é um músico e criador alentejano que aborda a tradição com saudades do futuro e a sua paixão pela viola campaniça levou-o a colocar este instrumento em vários contextos musicais, numa viagem ALGARVE INFORMATIVO #132

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que vive de uma inquietação permanente, na busca do som que ainda não ouviu. Juntos, Manuel Dias e António Bexiga contam histórias sem palavras, de bonecos que podiam ser qualquer um de nós, pois as histórias destes bonecos são muito parecidas com as nossas. De facto, também eles caminham numa linha frágil entre o forte e o fraco, o amor e a saudade, a ironia e o quotidiano. Por vezes, os bonecos dialogam com a viola, noutras ocasiões, faz-lhes ela a banda sonora. E, por vezes, até parece que se confundem e não se sabe bem quem é quem. A atividade contou com a colaboração da Câmara Municipal de Vila do Bispo e o projeto faz parte do ciclo «DiVaM para os + e – pequenos», do programa DiVaM – Dinamização e Valorização dos Monumentos, da responsabilidade da Direção Regional de Cultura do Algarve . ALGARVE INFORMATIVO #132

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OPINIÃO

Paisagens Sonoras Paulo Cunha (Professor)

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esde tenra idade que me habituei a contactar com as consequências provocadas pela ausência da visão. Por ter crescido a presenciar a minha mãe a perder, progressivamente, o sentido que lhe permitia observar o mundo tal como ele era, aceitei, ainda jovem e inexperiente, o desafio de trabalhar com uma aluna de Piano e de Formação Musical que para igual situação se encaminhava. Com elas intuí e aprendi a importância da contextualização e da adaptação a uma nova realidade, onde a visão tinha sido substituída pelos outros sentidos. Estando eu ligado à música, naturalmente, questionava se, com o passar do tempo, poderia o ouvido vir a «ver»? Anos depois, em 1997, aproveitando a vinda a Portugal do músico, compositor, ambientalista, professor e investigador Raymond Murray Schafer, com ele tive a oportunidade de trabalhar num seminário onde a temática era, nem mais nem menos, o «Ouvido Pensante». Foi uma lufada de ar fresco vinda do Canadá, pois certificava e corroborava muito do que eu, ao longo dos anos, tinha assimilado através da vivência e práticas diárias. Tendo sido desafiado, recentemente, para falar em público sobre este tema, que se manteve «adormecido» durante vinte anos, obviamente, acabei por aceitar tal desafio. No outro lado do telefone escutei o programador dos serviços educativos do Teatro das Figuras – Faro, Rui Gonçalves, incitar-me para, em jeito de tertúlia, abrir a porta das várias Paisagens Sonoras que povoam o nosso quotidiano e, subliminarmente, o nosso mundo imaginário, criativo e performativo. «Paisagem Sonora» é um conceito com origem na palavra inglesa «soundscape» e que se caracteriza pelo estudo e análise do universo sonoro que nos rodeia. Uma paisagem sonora é composta pelos diferentes sons que compõem um determinado ambiente, sejam esses sons de origem natural, humana, industrial ou tecnológica. O estudo das Paisagens Sonoras enquadra-se no âmbito da Ecologia Acústica. Acompanhando o desenvolvimento industrial e tecnológico da civilização, os livros de

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Murray Schafer, como «Soundscape» e «The Tuning of the World», ajudaram-nos a desenvolver um sentido crítico, analítico e atento relativamente ao ambiente sonoro que nos rodeia. Timbres característicos, sons naturais como os provocados pelo vento, mar e canto de pássaros, ruídos sonoros provocados por carros e fábricas, composição musical ou até aparelhos tecnológicos, tudo isso é responsável por sonoridades locais, que se misturam com uma enorme quantidade de ruídos e sons diversos, fazendo surgir verdadeiras Paisagens Sonoras. Durante a gestação, no ventre materno, o bebé recebe do exterior os primeiros estímulos através dos sons. Enquanto a visão, o tato e o paladar não são utilizados, os sons de um mundo desconhecido já o atingem, dando-lhe a conhecer o timbre das vozes das pessoas com quem vai passar grande parte da sua vida, bem como os sons que as Paisagens Sonoras lhe proporcionam. Direcionar a atenção para o estudo da Paisagem Sonora é destacar a importância da constituição sonora dos lugares. É a partir da relevância dada aos sons que compõem o quotidiano da história da humanidade, que Schafer (1974) chega à definição deste conceito baseado numa perceção da paisagem ou ambiência acústica representativa dos locais. Paisagem Sonora e lugar apresentam-se como conceitos que se complementam ao revelarem significados mútuos. Não se deve pensar num arranjo sonoro sem identificar o contexto geográfico específico de tal ação, e as suas características devem ser consideradas para uma melhor compreensão de fatores socioculturais muitas vezes ignorados. Será possível ouvir e não escutar? Obviamente! Aliás, esta é uma pergunta com resposta implícita. Basta ouvir o silêncio e escutar tudo o que dele emerge. Aprendi a apreciá-lo, a valorizá-lo e a dignificá-lo desde que comecei a ensinar música a alunos surdos. Paisagens Sonoras ocultas à espera de serem descobertas, é o que por aí mais há. Descubram-nas, com ouvidos de ouvir! .

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OPINIÃO

Web Summit ou não Paulo Bernardo (Empresário)

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oje é um dia particularmente interessante para mim. Após quase um ano de trabalho de desenvolvimento tecnológico, ganhámos como cliente um dos maiores bancos do mundo. Em semana de Web Summit não podia ter sido melhor o seu desfecho, foi uma equipa que trabalhou com grande intensidade e em concorrência com empresas muito maiores. Parabéns a todos o que conseguiram. Sabe bem para mim como empresário, mas acima de tudo como um defensor que Portugal não é só Lisboa, que uma empresa com produção na dita província tenha conseguido chegar a um grupo de dimensão mundial. Contudo, não é o primeiro cliente que temos desta dimensão. Outro de um ramo bem diferente, e também depois de quase um ano de trabalho de desenvolvimento, que conseguimos ganhar à concorrência é para fornecer, quer a tecnologia de gestão de frotas, como criar a loja do futuro. Todavia, nunca tivemos milhões de investidores, nem nunca tivemos visitas de políticos para tirarem fotos. A única visita do Estado que temos são as guias para pagar os impostos. Mas todos os dias fazemos vários pitch junto dos nossos clientes e o nosso lago dos tubarões é real. Todos os dias temos que ser melhores e mais astutos para irmos ganhando e sermos diferentes num mercado difícil, competitivo e em constante mutação. Esta semana também chegamos a mais uma cidade brasileira com as nossas soluções. Sabe bem ganhar quando o único fator de seleção é o mérito. Temos participado em alguns concursos públicos para entidades altamente idóneas e responsáveis, mas depois quem ganha é sempre a mesma empresa. Não consigo entender, mas de certeza que o erro é nosso e a qualidade que o

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privado vê de certeza que não é boa para o público. Interessante também é que, avaliando os preços dos nossos concorrentes, conseguem ser frequentemente cinco vezes mais caros do que nós. No entanto, é o privado que deve estar enganado, que compra melhor e mais barato e de certeza que o público, que compra sempre às mesmas empresas ou dos mesmos sócios, é mera boa gestão. Voltando às nossas vitórias, que são vitórias da periferia em relação a Lisboa, e em simultâneo à vitória do mundo das empresas em detrimento das empresas que são verdadeiras empresa públicas, pois a sua maior receita vem de serviços ao estado local e central. Meus amigos, o Web Summit é um evento muito importante para a promoção de Portugal, para o apoio a algumas empresas, para a troca de experiências, é um grande negócio para quem o criou. Cá fora, no mundo real, os pitchs são diários e as dificuldades muitas, mas uma coisa é certa: sem paixão não se consegue alcançar qualquer vitória. Esta paixão faz-nos conseguir aguentar o sofrimento da distância da família, as injustiças, o não ver crescer os filhos, a solidão, pois ser empreendedor muitas vezes é estar sozinho nas decisões, usar o coração em vez da razão e sentir que existe um «sim» onde muitos veem um «não». Parabéns Lisboa, obrigado a todas as start-ups que foram até lá e que perseguem um sonho, pois são graças a esses que muitos chamam loucos que o mundo vai evoluindo .

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OPINIÃO Passo a passo, lado a lado… José Graça

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elebram-se nestes dias dois anos de uma sucessão de pequenos-grandes milagres, como designou Freitas do Amaral, que trouxeram Portugal para as bocas do mundo e encheram de orgulho os portugueses. Poderia falar da Seleção, de Guterres, de Madonna ou da Web Summit, mas fico-me pela tal de Geringonça… Escrevi nos primeiros dias de novembro de 2015 que “longe da maioria absoluta pedida aos portugueses na campanha eleitoral, António Costa protagonizou a mudança e soube trazer o Bloco de Esquerda, o Partido Comunista Português e o Partido Ecologista Os Verdes ao debate, desempenhando um papel que o Presidente da República atribuíra ao líder do maior partido da coligação vencedora”. Os três acordos bilaterais têm permitido ao Governo uma vivência tranquila em termos parlamentares e a aprovação de dois orçamentos de Estado que garantiram a estabilidade necessária para o crescimento da economia, para a recuperação dos rendimentos, para a redução do desemprego e para melhorar os níveis de confiança dos portugueses. Na calha, como já sublinhámos na semana passada, está o terceiro orçamento preparado pelo algarvio Mário Centeno, com os olhos postos no futuro e nas novas gerações, apostando na qualificação dos portugueses e no reforço da coesão social como elementos essenciais para manter o rumo. Ainda esta semana, os dados do terceiro trimestre do INE, confirmaram de forma muito intensa a tendência positiva da evolução do emprego e do desemprego. Portugal atingiu uma taxa de desemprego de 8,5%, com o Algarve a liderar esta tendência registando um valor de 5,8%, e o número de desempregados de longa duração diminuiu 1,9 pontos percentuais face ao trimestre anterior e 5,8 pontos em termos homólogos. ALGARVE INFORMATIVO #132

Já a taxa de desemprego de jovens (15 a 24 anos) aumentou 1,5 pontos percentuais face ao trimestre anterior, mas caiu 1,9 pontos relativamente ao trimestre homólogo de 2016, para 24,2%. É um problema que deve continuar a preocupar-nos, obrigando todos a procurar soluções que permitam a consolidação desta tendência e, no caso particular do Algarve, que contrariem a sazonalidade e promovam a diversificação das atividades socioeconómicas, apostando essencialmente na inovação e na internacionalização da economia, assentando esse esforço nos setores onde podemos fazer a diferença e potenciar os nossos recursos! Como tínhamos sublinhado há dois anos, não podemos dissociar esta evolução de medidas tomadas pelo Governo, nomeadamente da “redução do IVA na restauração ou da reposição dos feriados perdidos, ambos com o condão de contribuir para o aumento do emprego no Algarve”, sabendo-se, porém, que é possível fazer mais e melhor, dependendo isso da consolidação das finanças públicas em termos estruturais, bem como do apoio da União Europeia na redução dos encargos da dívida e na continuidade de investimento público estratégico e essencial. Se este cenário governativo justificava alguns receios, a experiência acumulada, os problemas encontrados e as alterações verificadas no elenco governativo devem ser consideradas como uma vantagem competitiva para o tempo que resta da legislatura, pleno do armadilhas e dificuldades que devem ser enfrentadas com determinação. Hoje como ontem, “esta é uma oportunidade que Portugal não pode desperdiçar!” . (Membro do Secretariado Regional do PS-Algarve e deputado da Assembleia Municipal de Tavira)

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OPINIÃO O que faz um professor universitário? Mirian Tavares (Professora)

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uando comecei a dar aulas, um grupo de alunos pediu que eu escrevesse um texto a contar como era o meu dia-a-dia. Como nunca gostei de estereótipos, e nunca me quis tornar um, descrevi o que, na altura, era a minha rotina: levantar cedo, ir ao ginásio, preparar-me para ir à universidade, etc. No entanto, dediquei uma parte significativa do texto a falar do ritual do ginásio e do banho, o que chocou muitos alunos, e colegas, que esperavam que eu, como professora universitária, respondesse que passava o dia inteiro enfiada nos livros, quando não estava a dar aulas. Naquela altura, há 20 anos, ser professor universitário consistia em dar aulas, exercer algumas tarefas de gestão e orientar projetos de alunos de iniciação científica, não oferecíamos, na altura, pós-graduações. Havia o congresso da especialidade, um ou dois por ano, e uma conferência, jornada ou convite para dar aulas noutra instituição. Como sempre trabalhei com o cinema, escrevia, eventualmente, críticas e dava cursos breves em parceria com o cineclube local. E adorava o que fazia: as aulas, os alunos, o tempo para pensar e para produzir textos, os congressos e até uma ou outra tarefa administrativa. Hoje, se me voltassem a perguntar da minha rotina, confesso que não teria mais o sentido de humor de descrever rituais de banho ou idas ao ginásio. Porque, hoje em dia, a primeira coisa que acabamos por perder na universidade é o sentido de humor. Entre correr atrás de projetos internacionais, escrever papers para revistas indexadas, participar dos 48 congressos da especialidade dentro e fora do país, coordenar disciplinas, dar aulas, orientar alunos de doutoramento, rever textos para revistas, participar de painéis que avaliam universidades e/ou pedidos de bolsas, preencher inquéritos,

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preencher sumários, tutorias e plataformas afins, fazer relatórios e mais reuniões e outras coisas que me parecem desinteressantes, o sentido de humor e o prazer que eu tinha foram-se esvaindo aos poucos. A paciência já se foi há muito. E o pior de tudo é a sensação de que tudo aquilo porque lutei/lutamos, já não cabe na universidade à bolonhesa, que não se compadece de nada nem de ninguém, que só pensa em números e resultados, que exige muito mais do que dá e que nos esgota. Um dia fui falar no colégio do filho sobre a minha profissão. E fiquei super encalacrada sem saber como apresentar aos miúdos algo que fosse interessante o suficiente para que o filho não ficasse a morrer de vergonha da mãe e demonstrasse, de forma clara, qual é a nossa função. Levei catálogos com os textos que escrevi para artistas, livros e textos que publiquei e levei um filme para demonstrar o que fazia fazendo aquilo que mais sei, dar aulas. Eles gostaram bastante e ficaram impressionados. Saí dali feliz, pois era o meu público mais difícil e não queria deixar o filho mal. E penso que no fundo, ao contrário daquilo que muita gente pensa, ser professor universitário é, sobretudo, ser professor. Conseguir que os alunos que nos chegam, cada dia mais despreparados, mergulhados num mar de informação, mas imersos num oceano de ignorância, tenham curiosidade e queiram saber sobre o mundo, sobre eles mesmos, sobre as matérias que lecionamos e sobre o que é ser um aluno numa universidade europeia no século XXI .

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OPINIÃO Os livros errados da minha Biblioteca de Babel Adília César (Escritora)

“O pior que tem acontecido à literatura é precisamente essa medíocre proletarização da vida intelectual, esse achar que um estagiário faz o papel de Barthes, que um qualquer poeta de subúrbio vem de repente substituir Camões”. Paulo Rodrigues Ferreira

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eio todos os dias. Leio muitos livros. Leio críticas literárias para organizar as minhas escolhas, a minha Biblioteca de Babel. Mas algumas críticas deixam-me perplexa: afinal o que é a crítica literária e que competências deve ter um crítico? Como é que esta pessoa, que é paga para ler e esclarecer, me pode ajudar? O crítico seduz-me, leva-me a querer ler este ou aquele livro e não raras vezes frustra-me. Por outro lado, há editores e organizadores de festivais literários que fazem um uso exacerbado dos adjectivos, ao caracterizarem os autores ou as obras, induzindo-me em erro: “o maior poeta vivo de Portugal”; “o maior festival literário internacional a sul”; “o acontecimento do ano”; um livro com meia dúzia de textos é «uma obra» (até poderá ser, mas não estas a que me refiro); um indivíduo com um livro publicado é «um escritor»; as infindáveis edições de autor não passam por qualquer crivo e as redes sociais empolgam e desinibem muitas pessoas para partilharem os seus devaneios e desabafos, geralmente em formato micro, aos quais chamam «poemas»… E que faço eu, no meio disto tudo? Faço escolhas erradas. Longe vai o tempo da lucidez de António Sérgio, quando se esforçou por implementar um novo panorama para a crítica literária em Portugal, nos princípios do século XX. Outras circunstâncias mereceram destaque, pela agitação intelectual provocada: a «Renascença Portuguesa», a revista «A Águia», o «Inquérito à Vida Literária Portuguesa» por Boavida Portugal, as manifestações do Grupo Orpheu, diversos ensaios sobre o homem «português», como os estudos de José Leite de Vasconcelos, «A Arte de ser Português» de Teixeira de Pascoaes e «Porque me orgulho de ser Português» de Albino Forjaz de Sampaio. E ainda os críticos: Fidelino de Figueiredo, o primeiro historiador da crítica literária em Portugal, primeiro crítico da crítica portuguesa e primeiro propugnador de uma «crítica científica» e o poeta Fernando Pessoa, que iniciou a sua carreira como ALGARVE INFORMATIVO #132

crítico, além de Hernâni Cidade e Carolina Michaëlis. Todos eles instauraram uma crítica rigorosa e profissional. Mais tarde, outros nomes mereceram destaque: David Mourão Ferreira, Jorge de Sena, Mário Sacramento, Óscar Lopes, Eduardo Lourenço, Vergílio Ferreira. Nos anos 60, era urgente a discussão de métodos e teorias e a divulgação de nomes importantes da crítica literária, tendo surgido entretanto Eduardo Prado Coelho. Longe vai esse tempo. Hoje em dia muitos estudiosos se debruçam sobre obras literárias: historiadores, ensaístas, professores, filólogos, sociólogos, psicólogos, psicanalistas, arqueólogos, eruditos e curiosos. Mas não são críticos literários. De uma forma talvez demasiado simplista, o crítico literário deve preocupar-se com as características literárias da obra, tem de ir além da leitura distraída do leitor leigo, que apenas quer usufruir da obra. O crítico tem outra responsabilidade. Como leitora é natural que leia críticas literárias nos jornais e revistas de referência. E a decepção é grande: críticas que são meras opiniões, por vezes em linguagem pretensamente poética, mais ou menos bem escritas, com extensas transcrições dos próprios textos e que não acrescentam nada ao valor literário, à «voz» que as ditas obras possam evidenciar. Também em alguns meios existe a tendência para determinados «críticos» falarem dos mesmos autores que são seus «amigos», sendo notórios alguns esquemas de conveniência, favores, trocas, pequenos clubes de interacção onde é muito difícil entrar. É importante dizer que fui buscar os dados históricos a Arnaldo Saraiva, num belo e rigoroso texto escrito em 1971, intitulado «A crítica literária e a crítica literária em Portugal», o qual recomendo vivamente. Na minha opinião, alguns críticos de referência que andam por aí a divagar beneficiariam muito com estas leituras. E os leitores também .

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OPINIÃO Pelo Direito a uma Alimentação Saudável e Acessível (Parte III – O Observatório Regional da Segurança Alimentar do Algarve) Artur Filipe Gregório (Antropólogo)

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estudo INFOFAMILIA realizou um diagnóstico nacional preocupante sobre as dificuldades de acesso dos agregados familiares a uma alimentação saudável, dentro das suas possibilidades económicas. Neste estudo, realizado desde 2011, o Algarve destacava-se pela negativa, tendo a Direção Geral de Saúde lançado um desafio à região, visando a criação de um projeto-piloto de um Observatório de Segurança Alimentar. Esta estrutura deve aprofundar o conhecimento desta situação na região mas, principalmente, ter por objetivos: · definir e implementar uma estratégia prática e eficaz de sensibilização e capacitação dos agregados familiares em risco de afastamento de uma alimentação saudável e acessível e dos técnicos que com eles trabalham; · utilizar como base desta iniciativa os princípios do estilo de vida «Dieta Mediterrânica» - classificado pela UNESCO como património cultural imaterial da humanidade - e do regime alimentar que lhe está associado, referido pela OMS como sendo um dos melhores do mundo; · estabelecer as bases de um modelo sustentável de governança, participação e cooperação das pessoas e entidades relevantes; · criar uma plataforma digital de articulação e divulgação. Tendo igualmente como objetivo preparar as bases para a sustentabilidade e a replicação ALGARVE INFORMATIVO #132

deste modelo de observatório noutras regiões, a Associação In Loco assumiu a dinamização deste projeto, em estreita colaboração com a Administração Regional de Saúde, a Comunidade Intermunicipal (AMAL), a Universidade do Algarve, a Segurança Social, outras entidades com iniciativas nesta área, mas, em particular, com cada um dos 16 municípios do Algarve, entidades coordenadoras das CLAS, redes que mobilizam as diversas entidades da sociedade civil, muito preocupadas com a superação desta situação. A aplicação do inquérito INFOFAMILIA em todas as freguesias do Algarve decorreu durante o Verão e os dados preliminares apontam no mesmo sentido que tinha vindo a ser detetado a nível nacional: mais de metade da população do Algarve está em situação de pré-obesidade ou obesidade e são muitas as situações graves identificadas. É paradoxal, mas o afastamento do padrão alimentar mediterrânico é significativo em algumas zonas do Algarve, o que pode explicar algumas das situações encontradas. Em breve estarão disponíveis os dados definitivos e poderemos apresentar à comunidade um retrato detalhado e atual da segurança alimentar no Algarve e do grau de adesão ao padrão alimentar mediterrânico. Para além do conhecimento, o Observatório, em cooperação com a parceria mobilizada em torno deste projeto-piloto, irá promover no próximo ano sessões práticas de sensibilização e capacitação para agregados familiares e para técnicos, em cada município do Algarve. Para este fim, será produzido um conjunto de 78


instrumentos de comunicação – vídeo, guia de ações de sensibilização e educação alimentar, livro de receitas e sugestões para uma alimentação saudável e acessível – a disponibilizar a todos os parceiros do projeto, educadores, agregados familiares e outros interessados. Todas estas ferramentas, algumas surpresas úteis e outras boas-práticas em curso na região e no país serão disponibilizadas numa plataforma digital comum, acessível a toda a população e que pretende ser um espaço de referência para todos os que se preocupam com uma alimentação de qualidade, saudável e acessível. O Observatório tem como missão fazer chegar a toda a comunidade os elementos necessários para que cada jovem, adulto, sénior, homem ou mulher, urbano ou rural, possa optar em qualquer momento por uma alimentação de excelente qualidade, saborosa, saudável e que esteja ao alcance de todos,

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independentemente da sua capacidade financeira. São muitos os mitos que este projeto-piloto pretende desmontar, desde o de que uma alimentação apetecível não é saudável, que esta é um privilégios dos ricos, que é muito complicado e difícil privilegiar alimentos sazonais, produzidos localmente, e que ninguém se interessa com a qualidade de vida e a saúde dos cidadãos, apenas com as doenças. Estes e outros «preconceitos» serão ultrapassados com uma campanha de comunicação clara, demonstrativa, simples mas eficaz e que se foque na tarefa de disponibilizar todo um leque de conhecimentos, alternativas e hipóteses para que as decisões e escolhas de cada um toma relativamente à sua alimentação e a do seu agregado familiar sejam o mais informadas e conscientes que possível. Acompanhe e faça parte desta campanha! .

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OPINIÃO Deveriam os Chefes de Cozinha ser Cozinheiros? Augusto Lima (Cozinheiro, consultor e formador)

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u tenho a certeza que sim, tal qual como se me perguntassem se os Cozinheiros podiam ser Chefes de Cozinha. – Claro que sim, se reunirem perfil de liderança e saber. A pergunta, sarcástica, tem uma razão de ser, acreditem, e prende-se com o facto de cada vez mais existirem Chefes de Cozinha que não praticam a Cozinha, leia-se, não cozinham, não ensinam a cozinhar. Estes Chefes são, na prática, empregados de escritório (sem qualquer sinal de descrédito), que se deixaram iludir pela acumulação de tarefas e de cargos, passando a exercer, ou melhor, apenas a exercer o cargo de Diretor ou responsável pelo F&B, trocando o seu papel fulcral como Chefe de Cozinha por F&B Manager, leia-se Gerente/Responsável/Assistente, cargo de suma importância no ramo da Indústria da Hotelaria e Restauração, mas que entendo ser diverso. Quantas vezes ouço desabafos do género: – O meu Chefe passa o dia no escritório! – O meu Chefe não sabe cozinhar! – O meu Chefe? Olhe, nunca lhe vi a cara! – O meu Chefe só usa a farda quando vem cá a inspeção! Cabe ao Chefe de Cozinha, entre outros assuntos: – A elaboração das ementas; – A supervisão do trabalho, na cozinha e nos departamentos que lhe estão afetos (copa/pequeno almoço/room service); – A verificação do cumprimento das regras de Boas Práticas, HACCP/Autocontrole; – A formação da equipa e o ensino aos novos operacionais e estagiários; – A criação de novos pratos; – A gestão de pessoas e equipamentos, gerindo harmonia/bem-estar/qualidade na produção; – A implementação de novas diretrizes; – A Gestão de Stocks, elaboração/definição de produtos a usar, encomendas e elaboração de inventários.

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Cabe ao responsável pelo F&B, entre outros assuntos: – Trabalhar com o Chefe de Cozinha na apresentação/elaboração das ementas; – Certificar a qualidade do serviço, a satisfação dos clientes e a gestão geral das equipas de Restaurante, Bar e Cozinha; – A responsabilidade pela definição, aplicação e cumprimento de standards e procedimentos; – A coresponsabilidade e supervisão nas políticas de marketing e publicidade e estratégias de negócios e custos; – Supervisiona o cumprimento de regras e limpeza e analisa/avalia os resultados, definindo estratégias futuras; – A decisão de implementação de formação interna; – A definição de rácios através da realização, apoiado pelo Chefe de Cozinha, de fichas técnicas e análise de custos e ganhos; Atualmente, é pedido aos Chefes de Cozinha que se preocupem também com as funções de F&B e depois vemos supostos Diretores de F&B ou assistentes do Diretor-Geral, a quem foi dada esta incumbência dentro das Cozinhas, sem farda, a mexer em panelas e a dar ordens, leia-se desautorizar o Chefe de Cozinha, e pior, sem qualquer tipo de conhecimentos técnicos relacionados com cozinha que não seja ter passado por um Curso de Gestão Hoteleira. Entendo que esta situação é errada. – Deveriam os Diretores/responsáveis pelo F&B ter passado por um Curso de Cozinha? Sem dúvida! – Deveriam os Chefes de Cozinha ser também Responsáveis pelo F&B? Não necessariamente/obrigatoriamente! – Deveriam os Chefes de Cozinha ser Cozinheiros, cozinhar nas suas secções? Obrigatoriamente, sim!. 80


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OPINIÃO

Novas motivações, novas tendências turísticas: Turismo gastronómico Abílio Guerreiro (Professor, Chefe e Consultor)

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pesquisa mostra que 93 por cento dos viajantes agora buscam experiências únicas e memoráveis de gastronomia. (Fonte: 2016 Food Travel Monitor). A gastronomia tem muitos papéis a desempenhar para os consumidores: é funcional (sustenta a vida); desempenha um papel fundamental nas nossas celebrações; é um canal para socializar; é divertida; é sensível e sensual; e é uma forma de experimentar novas culturas, regiões e países. Para muitos, o alimento torna-se altamente experiencial (ou seja, muito mais do que funcional) quando faz parte de uma experiência de viagem, pode tornar-se sensual e sensual, simbólico e ritualístico e pode ter um novo significado conotado com a esfera emocional, tornandose num ritual estratégico para atrair clientes/turistas na base da expetativa superada com contornos de fidelização desejável ao destino. A refeição mais básica pode ser gravada na memória intemporal quando for consumida na presença de uma evidência física altamente estimulante, minimalista, experiencial, autentica, inspiradora e com uma paisagem

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deslumbrante na descoberta do destino turístico. Afinal como se carateriza o «Turismo gastronómico»? Ao nível global encontramos muitas definições, mas a definição pode ser tão simples como a busca e o prazer de experiências gastronómicas únicas, autenticas e memoráveis tanto no mercado interno como internacional. «O turismo gastronómico» caracteriza-se pela simples e complexa existência dos vendedores de rua (street and truck food), gastrobares, restaurantes tradicionais, restaurantes de fine dining, gourmet, Michelin, adegas e toda a indústria alimentar desde que sirva e vá ao encontro da principal motivação de viagem, a gastronomia. Afinal quem são os turistas gastronómicos? Numa pesquisa recente, da WTFA do monitor de viagens gastronómicas 2016, evidencia-se que 93 por cento dos turistas podem ser considerados viajantes gastronómicos. Os turistas gastronómicos referem-se aos viajantes que participaram numa experiência de Food & Beverage e tomar uma refeição fora num dos momentos 82


da sua estadia nos últimos 12 meses. Este segmento de mercado pode, de alguma forma, ter visitado uma escola de cozinha e participado em aulas demonstrativas ou interativas, realizaram um roteiro gastronómico ou realizaram compras em lojas de produtos gastronómicos de produtores locais. Caracterizam-se por passeios turísticos no setor da indústria alimentar (fábricas ou caves de vinho, quintas vinícolas e de produção de azeite, cerveja e, naturalmente, frequentam estabelecimentos de restauração únicos e memoráveis podendo vir a visitar pastelarias, confeitarias, padarias ou chocolatarias da região tornado este turista um explorador nato na descoberta de novas experiências inovadoras, únicas e memoráveis baseadas na cultura, tradição e identidade da região. A cozinha e a gastronomia para além de ser uma tendência mundial tornou-se moda. O turista quer estar na moda e sentir-se único no momento da viagem. É natural que grande parte deste mediatismo, que pode caminhar para o efémero, deve-se aos media e aos novos programas de gastronomia e viagens. Muitas vezes, os programas de culinária parecem verdadeiras montras de viagens turísticas, uma janela para o mundo criando novas expetativas dos destinos, tornando a experiência gastronómica criativa e interessante para o viajante. A gastronomia deixou de ser obscura e de viver no backstage passando para as luzes da ribalta, tornando-se no ator principal, rejeitando a necessidade básica de Maslow do simples ato de se alimentar para bajular de forma auto realizável a cereja no topo do bolo, no momento da decisão de viajar. Quais os reais benefícios do turismo gastronómico? O Turismo gastronómico pode parecer um segmento de mercado atrativo para as DMO´s, mas quais os verdadeiros benefícios tangíveis

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e mensuráveis para a sustentabilidade do destino turístico? Maior número chegadas de turistas (Incoming); Maior atratividade do destino para um novo segmento de mercado em procura de um turismo de experiências; Indiretamente, maior rentabilidade e aumento de venda de produtos complementares (lugares de avião, restaurantes, produtos agroalimentares locais etc…); Mais cobertura dos media aumentando a notoriedade internacional do destino; Maior vantagem competitiva ou proposta de venda única agregando valor e diferenciação ao destino; Aumento das receitas fiscais para as autoridades governamentais e contributo positivo para a economia local e regional; Aumento da consciência da comunidade local sobre o turismo e os turistas em geral; Aumento do orgulho e da consciência da comunidade sobre os recursos de alimentos e bebidas da região, ou seja, a aceitação daquilo que nós somos, da nossa identidade local enquanto destino com todas as vicissitudes culturais históricas e antropológicas da região e da população local; Desta forma, esta nova realidade do comportamento do consumidor na hora da decisão da escolha destino turístico, em que as motivações da escolha assentam osmóticamente no experiencial, na inovação, na diferenciação, na inclusão da cultura autóctone e participação ativa das atividades turísticas no destino, o gestor de destinos terá que optar por estratégias de gestão que visam esta nova realidade do setor, sob o ponto de vista de não conseguir tornar o destino suficientemente atrativo e diferenciado para o consumidor/turista .

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ATUALIDADE

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PAVIMENTAÇÃO DA RUA DA ARRANCADA EM CURSO

stão a decorrer as obras de pavimentação da Rua da Arrancada, no Barrocal, povoação pertencente à freguesia de Altura. Avaliada em 95 mil euros, esta intervenção vem trazer a qualidade há muito solicitada pelos moradores e, além da pavimentação da rua, presentemente em terra batida, serão construídas as infraestruturas de águas, esgotos e pluviais que se justifiquem. Complementarmente, está também prevista a reparação e repavimentação de zonas degradadas do tapete betuminoso, uniformizando a qualidade geral da rede viária no local e complementando ALGARVE INFORMATIVO #132

algumas intervenções anteriormente realizadas pelo município e por particulares (Urbanização OliReal). O investimento está integrado na política de requalificação urbana deste município, que tem vindo a melhorar as acessibilidades e rede de drenagem de águas residuais pluviais em todo o concelho. Criar melhores condições de mobilidade e assegurar melhores condições de circulação e segurança rodoviária aos automobilistas, são os principais objetivos desta requalificação. Também no âmbito da requalificação urbana do concelho, estão a decorrer os trabalhos de pavimentação de arruamentos do Monte Francisco (zona poente) . 86


INFRAMOURA NA CORRIDA AO PRÉMIO MERCÚRIO COM BICICLETAS DE USO PARTILHADO

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sistema de bicicletas de uso partilhado «Vilamoura Public Bikes» acaba de ser nomeado na categoria de «Serviços» do Prémio Mercúrio 2017, galardão que reconhece as melhores práticas no comércio e serviços nacionais e cujos vencedores serão revelados no dia 21 de novembro. O sistema foi desenvolvido a pensar nos clientes da Inframoura, empresa municipal responsável pela gestão dos espaços públicos de Vilamoura, e já por diversas vezes foi apontado no país (e no estrangeiro) como boa prática de mobilidade urbana sustentável, ao promover o uso da bicicleta. O «Prémio Mercúrio – o melhor do Comércio e Serviços» é uma iniciativa setorial da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal e da Escola de Comércio de Lisboa que visa distinguir entidades e personalidades. A cerimónia de entrega 87

dos prémios às 11 categorias a concurso terá lugar a 21 de novembro, pelas 18h, no Cinema de São Jorge, em Lisboa .

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MUNICÍPIO DE LOULÉ E IKEA JUNTOS PARA PROMOVER CRIATIVIDADE E ARTES TRADICIONAIS

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o âmbito dos «Dias Abertos do Loulé Design Lab» foi celebrado um protocolo entre a Câmara Municipal de Loulé e o IKEA Portugal que tem em vista apoiar a criação, em Loulé, de um polo de criatividade, aliando o trabalho de designers ao dos artesãos tradicionais e dinamizando o empreendedorismo local. Numa altura em que já se encontra em funcionamento o «Loulé Design Lab» e estando prevista, a médio prazo, o arranque do ECOA, que irá constituir-se como um Espaço de Competências de Artes e Ofícios no edifício do Palácio Gama Lobos, o gigante do mobiliário sueco irá associar-se a estas ações com todo o seu know how internacional na área do design, numa ação integrada que terá também a Universidade do Algarve ALGARVE INFORMATIVO #132

como parceiro. “Loulé está aqui a apresentar-se publicamente como uma cidade que tem um caminho a percorrer, selecionou um projeto para o seu futuro que passa pelas indústrias criativas, por reabilitar as nossas atividades criativas tradicionais, que se materializam na atividade do artesanato, juntando-lhe contemporaneidade, podendo tirar algum partido económico desta atividade”, considerou o presidente da Autarquia, Vítor Aleixo, acreditando que o IKEA, recém-chegado ao Algarve e ao Concelho de Loulé em particular, “poderá trazer a sua experiência internacional para enriquecer este projeto”. Da parte do IKEA, Cláudia Domingues falou das razões que unem a empresa nórdica a este projeto algarvio: a ligação ao design e criatividade, o trabalhar sempre para melhorar e também o facto de espaço de cocriação. “Chegámos há pouco tempo ao Algarve e queremos estar mais ligados ao dia-a-dia da região. Por outro lado, a perfeita harmonia com os valores da nossa empresa fez com que estivéssemos obviamente disponíveis. Podemos transmitir um pouco do nosso know how, trazer aqui convidados que possam ajudar a pensar de outra forma e trazer um pouco da inspiração de fora”, reafirmou esta responsável.

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Sob o «chapéu» do «Loulé Criativo», o «Loulé Design Lab» é um laboratório de criação, investigação e experimentação onde são disponibilizadas condições para a formação e fixação de uma comunidade criativa, com o design como eixo de ação, com forte ligação à cultura local e em rede global com outras instituições e projetos de referência. As principais linhas programáticas deste espaço são o acolhimento e a incubação de criadores em espaços de coworking, oficinas partilhadas e showroom; a promoção de projetos de investigação aplicada à produção local; um laboratório de criação e desenvolvimento de produtos; uma rede de oficinas parceiras e uma programação regular com residências artísticas, workshops, conferências e exposições. De acordo com Henrique Ralheta, coordenador do «Loulé Design Lab», um dos objetivos do projeto é “possibilitar que o design preste o seu apoio como motor da economia, mas também como estrutura que dê apoio aos artesãos,

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ajudando-os a posicionarem-se para o futuro”. Neste momento encontram-se incubados no «Loulé Design Lab» 10 projetos com 14 pessoas residentes e ainda quatro projetos de utilizadores pontuais que têm a possibilidade de usar algumas das valências do espaço e os serviços prestados. O espaço está ainda aberto a qualquer pessoa da comunidade que poderá utilizar as instalações e ferramentas com os seus próprios materiais. O «Loulé Design Lab» tem vários outros projetos em curso e, em termos de programação, pretende-se lançar brevemente as «Conversas às SextasFeiras», que terão como intervenientes não só os residentes mas também convidados nacionais e internacionais. Exposições, workshops, conferências e a criação de uma bienal ligada ao design são outras das ações que terão no IKEA um parceiro privilegiado, seja em termos de coordenação ou comunicação e divulgação dos projetos. IKEA que, de resto, dotou todo o espaço do «Loulé Design Lab» com mobiliário do seu catálogo .

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«POESIA A SUL» FIRMOU PARCERIA COM FESTIVAL INTERNACIONAL DE POESIA DE MARRAQUEXE

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sessão inaugural do III Encontro Internacional Poesia a Sul ficou marcada, no dia 3 de novembro, pela materialização da parceria com o Festival Internacional de Poesia de Marraquexe, um dos mais importantes certames literários de Marrocos. Na ocasião, o presidente da Câmara Municipal de Olhão, António Miguel Pina, reforçou a importância do papel das autarquias “na promoção deste tipo de acontecimentos culturais, que colocam frente a frente o poeta e a população”. ALGARVE INFORMATIVO #132

O «Poesia a Sul», uma iniciativa da autarquia de Olhão, comissariada pelo poeta Fernando Cabrita, apresenta, na sua 3ª edição, um cariz ainda mais internacional, com a presença de convidados de Marrocos, Cuba, Espanha, Brasil, República Dominicana, França, Irlanda, México, Porto Rico, Holanda, Vietname, Turquia, Argentina, Chile, Venezuela e, naturalmente, Portugal. O poeta referiu-se ao salto qualitativo a que o Festival assiste na edição de 2017, fruto da aposta da autarquia e do seu presidente. “O «Poesia a Sul» colocou, 90


em apenas três anos, o nome de Olhão na agenda cultural nacional, no que diz respeito a este tipo de eventos”, assegurou Fernando Cabrita. No que diz respeito à projeção internacional do certame, esta ficou demonstrada na assinatura do protocolo de parceria com o Festival Internacional de Poesia de Marraquexe, “um salto na internacionalização que poucos festivais deram até hoje”, referiu o comissário do

«Poesia a Sul». Na prática, esta parceria irá traduzir-se na promoção conjunta da poesia de ambos os países nos dois continentes. Destaque para a próxima edição do festival marroquino, que será dedicada à poesia portuguesa, conforme anunciou em Olhão o seu diretor, Said Tigraoui. A sessão inaugural serviu também para apresentar ao público a 2.ª edição dos Cadernos Poesia a Sul, que reúnem textos inéditos de poetas de todo o mundo .

ACES VEM AVALIAR CANDIDATURA DE PORTIMÃO A CIDADE EUROPEIA DO DESPORTO 2019

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ntre os dias 13, 14 e 15 de novembro, o Município de Portimão recebe a Comissão de Avaliação da ACES – Associação Portuguesa das Cidades Europeias do Desporto, no âmbito da Candidatura a Cidade Europeia do Desporto 2019, oficializada no dia 25 de maio na presença da Presidente de Câmara Municipal, Isilda Gomes e do Presidente da ACES Portugal, Nuno Santos. A Comissão de Avaliação é constituída por membros da ACES Europa, ACES Itália e ACES Portugal e, nesta segunda fase do processo, o objetivo é avaliar e conhecer as infraestruturas desportivas municipais, os equipamentos desportivos para a realização de eventos de âmbito regional, nacional e internacional e as condições naturais que Portimão oferece para prática desportiva formal ou informal. Trata-se de um momento decisivo para o concelho de Portimão, que assume o desporto como uma força motriz na 91

melhoria da qualidade de vida dos seus cidadãos e aposta em mais desporto para todos .

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MUNICÍPIO DE SÃO BRÁS DE ALPORTEL VAI DINAMIZAR E REQUALIFICAR PARQUE DE MANOBRAS

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Parque de Manobras de São Brás de Alportel onde o Instituto da Mobilidade e dos Transportes, IP realiza exames teóricos foi motivo de acordo entre o referido instituto e a autarquia são-brasense com vista à valorização do espaço exterior atualmente deteriorado e sem utilização. A Câmara Municipal pretende desenvolver nos cerca de 20 mil metros quadrados da área, localizados na zona da Calçada, um espaço multidesportos que integrará centro de apoio desporto de duas rodas, picadeiro municipal, e

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espaços comuns para as mais diversas modalidades. Outro projeto de enorme relevância a criar neste local será o Centro Regional para a Formação de Bombeiros em Fogo Urbano, sendo o segundo no Algarve, mas o local servirá ainda para o desenvolvimento de outros projetos que se revelem de interesse para a comunidade. Os projetos serão dinamizados em parceria com entidades especializadas como é o caso da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de São Brás de Alportel e a Autoridade Nacional de Proteção Civil, a Federação Portuguesa de Ciclismo e outras

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associações locais das mais diversas áreas. O protocolo de cedência do terreno, a título gratuito por um período de 50 anos, foi assinado em 1999 pela Câmara Municipal de São Brás de Alportel e pela então designada Direção Geral de Viação, com vista à construção de um centro de exames e, no espaço exterior, de uma escola de trânsito destinada à educação rodoviária das camadas mais jovens da população, sobretudo em idade escolar. Este protocolo integrou um projetopiloto a nível nacional que levou à construção de 18 espaços com as mesmas 93

características a nível nacional. As infraestruturas foram na altura construídas, mas apenas ficou em funcionamento o edifício de exames teóricos, que o Instituto da Mobilidade e dos Transportes, IP vai continuar a utilizar. Perante o desaproveitamento do espaço exterior e a falta de manutenção, a autarquia iniciou há vários anos diligências que levaram à assinatura de uma adenda ao protocolo que agora lhe vai permitir dinamizar o restante espaço e colocá-lo à disposição da população são-brasense com novas valências .

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ANANTARA VILAMOURA PREMIADO PELA CONDÉ NAST

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Anantara Vilamoura Algarve Resort foi distinguido num dos mais relevantes prémios do setor turístico a nível internacional, o «Condé Nast Johansens Awards for Excellence 2018», que destaca pelo 36.º ano as melhores unidades da Europa em diversas categorias. Vencedor na categoria de «Melhor novo hotel no Guia», o Anantara Vilamoura é reconhecido com um galardão nos prémios que já foram apelidados de Óscares do Turismo, sendo eleito pelo seu conceito inovador e oferta de luxo ímpar, apenas seis meses após a sua inauguração. “É um privilégio enorme trazer para Portugal este prémio e ver o serviço de excelência que, diariamente, prestamos aos nossos clientes e visitantes ser reconhecido por organizações internacionais desta ALGARVE INFORMATIVO #132

relevância”, afirma Tamir Kobrin, DiretorGeral do Anantara Vilamoura Algarve Resort. Com uma localização privilegiada próxima do oceano, de marinas e de algumas das mais icónicas praias do Algarve, oferecendo vistas deslumbrantes sobre o campo de golfe, o Anantara Vilamoura funde perfeitamente elementos locais e autênticos com a hospitalidade tailandesa, que é a sua imagem de marca. Com 280 quartos, repletos de pormenores subtis que criam um ambiente requintado e confortável, esta unidade inclui quatro piscinas, um Anantara spa, um centro de fitness, um court de ténis, um Anantara Adventurers Kids Club, cinco restaurantes e um centro de conferências e eventos com capacidade para 800 pessoas.

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DESIGNER OUTLET ALGARVE CHEGA A 23 DE NOVEMBRO

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partir das 17h do dia 23 de novembro, o Algarve passa a contar com o maior outlet da região, em Loulé. Numa primeira fase, o Designer Outlet Algarve irá integrar mais de 50 marcas de moda e lifestyle num espaço com 13 mil metros quadrados, permitindo aos visitantes aproveitar descontos permanentes de 30 até 70 por cento sobre o preço de venda recomendado, durante todo o ano. No Designer Outlet Algarve, os visitantes vão encontrar grandes marcas de moda masculina e feminina, infantil, lifestyle e desporto reconhecidas mundialmente, num espaço com arquitetura inspirada 95

numa típica vila algarvia e a garantia de uma oferta completa numa atmosfera única. O espaço é gerido pela operadora ROS Retail Outlet Shopping e completa a realização do maior complexo comercial da região Sul, resultante de uma jointventure entre a IKEA Centres e o grupo Mutschler. “É com grande satisfação que trazemos a Portugal e ao Algarve um conceito de outlet internacional ajustado às características da região, que combina o melhor de 20 anos de inspiração no desenvolvimento e operação de outlets internacionais com a escolha de uma localização tão única como o Algarve. Ao lado do MAR Shopping Algarve e da loja IKEA, não podíamos estar mais orgulhosos desta parceria com a IKEA Centres e estamos prontos para receber e inspirar todas as pessoas com a abertura de um conceito inovador e único em Portugal”, afirma Thomas Reichenauer, Managing Director da ROS Retail Outlet Shopping. Miguel Guerreiro, Diretor-Geral do Designer Outlet Algarve, destaca, por sua vez, o acesso exclusivo a marcas de moda e lifestyle num ambiente inspirador. “Além dos descontos permanentes até 70 por cento, vamos proporcionar campanhas e eventos exclusivos durante todo o ano, evidenciando a atratividade do Algarve além dos meses de Verão e potenciando o setor da moda como um dos polos de atração da região. É com grande orgulho que somos já membros da Associação de Turismo do Algarve”, sublinha o tavirense. ALGARVE INFORMATIVO #132


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DESIDÉRIO SILVA HÁ CINCO ANOS A LIDERAR A RTA

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assaram-se cinco anos desde que Desidério Silva assumiu, em novembro de 2012, a presidência da Região de Turismo do Algarve e o certo é que o Algarve continua a afirmar-se, ano após ano, como a mais importante região turística de Portugal. “Tanto do lado da oferta como da procura, o Algarve é hoje uma referência para a multiplicidade de agentes económicos que para aqui canalizaram os seus investimentos, bem como para os milhões de turistas que anualmente nos visitam”, aponta Desidério Silva, ALGARVE INFORMATIVO #132

considerando que, neste período, se ofereceu muito mais do que o tradicional sol e praia que colocaram o Algarve entre as principais rotas turísticas a nível global. O responsável recorda, nesse âmbito, a aposta forte no turismo de natureza, nas bicicletas, nas caminhadas e na observação de aves. “Promovemos a gastronomia e os vinhos do Algarve, o turismo de saúde e a realização de eventos, culturais e desportivos, com alcance e projeção alémfronteiras. Intensificámos a divulgação do destino, quer a nível nacional, quer internacional, e a região acumulou vários 96


prémios internos e externos”, enfatiza, dando os exemplos do prémio de Melhor Destino de Praia da Europa, Melhor Destino de Golfe da Europa e do Mundo, Melhor Região de Turismo do País e Marca de Confiança Nacional, nos últimos dois anos consecutivos. O objetivo nuclear desta estratégia tem sido, de acordo com Desidério Silva, o alargamento e diversificação da oferta, “visando proporcionar a todos os que nos visitam experiências únicas e memoráveis”. “No fundo, lutando todos os dias por um Algarve mais sustentável todo o ano, a que se junta a conhecida capacidade de bem receber que nos caracteriza. Em 2012, tivemos 14 milhões de dormidas e mais de cinco milhões de movimentos de passageiros no aeroporto. Este ano vamos, seguramente, ultrapassar as 19 milhões

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de dormidas e os 8,5 milhões de movimentos”, sublinha o presidente da RTA. Neste processo gradual e consolidado de crescimento, Desidério Silva referencia todos os parceiros públicos e privados, bem como a direção e staff da RTA e da ATA, pelo seu empenho em tornar o Algarve uma região turística ainda mais aprazível e procurada. “Sem o esforço de todos teria sido impossível chegar até aqui e manter a energia para continuar a trabalhar e pôr em prática os projetos que temos pela frente. Tenho muito orgulho no trabalho feito nestes cinco anos, com uma entrega total e com a noção clara de que ainda há muito para fazer nesta e por esta região. Os desafios são enormes, tal como as responsabilidades, mas, em conjunto, estou certo que continuaremos a fazer do Algarve a melhor região turística do país”.

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DIRETOR: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina (danielpina@sapo.pt) CPJ 5852 Telefone: 919 266 930 EDITOR: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina SEDE DA REDAÇÃO: Rua Estrada de Faro, Vivenda Tomizé, N.º 12P, 8135-157 Almancil Email: algarveinformativo@sapo.pt Web: www.algarveinformativo.blogspot.pt PROPRIETÁRIO: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina Contribuinte N.º 211192279 Registado na Entidade Reguladora para a Comunicação Social com o nº 126782 PERIODICIDADE: Semanal CONCEÇÃO GRÁFICA E PAGINAÇÃO: Daniel Pina FOTO DE CAPA: Frederico Martins

A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista regional generalista, pluralista, independente e vocacionada para a divulgação das boas práticas e histórias positivas que têm lugar na região do Algarve. A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista independente de quaisquer poderes políticos, económicos, sociais, religiosos ou culturais, defendendo esse espírito de independência também em relação aos seus próprios anunciantes e colaboradores. A ALGARVE INFORMATIVO promove o acesso livre dos seus leitores à informação e defende ativamente a liberdade de expressão. A ALGARVE INFORMATIVO defende igualmente as causas da cidadania, das liberdades fundamentais e da democracia, de um ambiente saudável e sustentável, da língua portuguesa, do incitamento à participação da sociedade civil na resolução dos problemas da comunidade, concedendo voz a todas as correntes, nunca perdendo nem renunciando à capacidade de crítica. A ALGARVE INFORMATIVO rege-se pelos princípios da deontologia dos jornalistas e da ética profissional, pelo que afirma que quaisquer leis limitadoras da liberdade de expressão terão sempre a firme oposição desta revista e dos seus profissionais. A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista feita por jornalistas profissionais e não um simples recetáculo de notas de imprensa e informações oficiais, optando preferencialmente por entrevistas e reportagens da sua própria responsabilidade, mesmo que, para tal, incorra em custos acrescidos de produção dos seus conteúdos. A ALGARVE INFORMATIVO rege-se pelo princípio da objetividade e da independência no que diz respeito aos seus conteúdos noticiosos em todos os suportes. As suas notícias narram, relacionam e analisam os factos, para cujo apuramento serão ouvidas as diversas partes envolvidas. A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista tolerante e aberta a todas as opiniões, embora se reserve o direito de não publicar opiniões que considere ofensivas. A opinião publicada será sempre assinada por quem a produz, sejam jornalistas da Algarve Informativo ou colunistas externos.

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