Operativo
“CAÇADORES” NO MAR
Capitão-Tenente Pedro Salgado Dibo
ATIRADOR PRONTO! OBSERVADOR PRONTO! FOGO! ALVO!
Parece simples, porém, analisando de forma detalhada, o tiro de precisão é uma ciência na qual um grande número de fatores, como temperatura do ar, luminosidade, pressão barométrica, altitude, umidade relativa, chuva, vento, além do tipo de munição utilizada, influenciam em seu resultado. Quando em ambiente marítimo, somada à exposição a esses fatores, que é maior, temos a inclusão dos movimentos das ondas e da plataforma de tiro, o que torna o disparo ainda mais complexo. E é neste ambiente que o atirador de precisão, o caçador, é empregado como elemento de Apoio de Fogo em ações dos Destacamentos de Abordagem. O Destacamento de Abordagem (DA) é um Destacamento de Mergulhadores de Combate com a tarefa específica de preceder o embarque dos Grupos de Visita e Inspeção dos navios em um Contato de Interesse (CI), quando a situação oferecer um nível de risco médio ou elevado. Os meios empregados para as abordagens deste Destacamento são helicópteros, utilizando o método de “Fast Rope”, ou lanchas rápidas, utilizando equipamentos especiais que possibilitam o embarque no CI. A utilização dos atiradores de precisão contempla uma gama de tarefas maior do que somente realizar disparos precisos. Por ocasião 50
Periscópio
das abordagens, os elementos de Apoio de Fogo são qualificados para serem empregados como fontes de obtenção de informações e dados, que podem e devem ser utilizados na fase de Planejamento e, como “segurança” das Equipes de Assalto na abordagem propriamente dita. Tarefas que são possíveis graças aos optrônicos, armamentos e munições especiais disponíveis ao atirador e a seus conhecimentos sobre qual informação obter e como fazê-lo. O momento mais crítico da abordagem, onde o Destacamento encontra-se mais vulnerável, é durante a Ação no Objetivo, mais precisamente no momento do “Fast Rope” ou durante a escalada no Contato. É nesse momento que o apoio do Sniper se faz extremamente necessário, até mesmo obrigatório, pois a equipe de assalto está com seu poder de fogo reduzido e em desvantagem tática, geralmente em uma embarcação menor que o contato ou dentro de um helicóptero, iniciando a descida, em ambas as situações, sem o auxílio de uma coberta ou abrigo. O atirador deve ficar atento a possíveis ameaças que possam aparecer e estar apto a neutralizá-las, clareando o local para o desembarque do DA. Após o embarque do DA no CI, o atirador deve estar atento a alvos que possam surgir a ré e avante da equipe, durante seu deslocamento, e informar quaisquer ameaça, obstáculos ou anormalidades que o Destacamento possa encontrar. Para isso, as comunica-