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Boletim informativo Natal de 2020

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DA CRUZ VERMELHA PORTUGUESA

Publicação mensal Nº 68, Dezembro de 2020 EDITORIAL Por: Manuela Filipe

O Natal simboliza para mim, como de resto para a generalidade das pessoas, um tempo de alegria, embora me provoque, igualmente, uma grande nostalgia. Contudo, devo reconhecer que seria incapaz de passar esta quadra sem ser no País onde nasci, tal como tem acontecido ao longo dos anos. Desta vez reconheço que a minha felicidade não é idêntica à que senti em outros anos, devido ao momento de incerteza que atravessamos, se bem que a conduta da nossa equipa me tenha transmitido uma sensação de ânimo, ao serme proporcionado testemunhar o seu empenho para que nos fosse possível garantir os adequados cuidados e protecção àqueles que dependem de nós. A este propósito aproveito para referir que na época natalícia que vivemos e apesar das restrições a que estamos sujeitos, tudo faremos para que os familiares dos nossos residentes possam desfrutar com os seus entes queridos de um momento de convívio, observando as devidas cautelas e, por conseguinte, em segurança. Por outro lado, estamos a trabalhar para que no novo ano de 2021 possamos proporcionar as melhores condições aos professores e alunos da Academia Sénior e utentes dos Clubes Sénior, criando mecanismos para que todos eles voltem a usufruir dos nossos espaços com momentos de convivência e companheirismo o que nos vimos forçados a suspender durante muito tempo. Aos leitores do Boletim, onde se incluem professores e alunos da Academia Sénior, residentes e seus familiares, utentes dos Clubes Sénior, voluntários e funcionários, desejo, com amizade, um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo.

RECOLHA ALIMENTAR

(Ver na página 3) AS BOAS FESTAS DOS CENTROS DE DIA

(Ver na página 6)

O NATAL NO KLUBE+

(Ver na página 7) O FREDERICO

(Ver na página 10)

O NATAL EM CASCAIS É EM FAMÍLIA Por: Carlos Carreiras - Presidente da Câmara Municipal de Cascais (Ver na página 5)

Desejamos aos nossos colaboradores, leitores e amigos um Santo Natal e um Feliz 2021.


CALENDÁRIO FISCAL PARA JANEIRO DE 2021 Os contribuintes que pretendam ser atendidos presencialmente, apenas em situações urgentes, devem proceder ao agendamento prévio da sua ida ao Serviço de Finanças. Até dia 8 Pagamento da mensalidade da Academia, Clube Senior e Residência, na Tesouraria da CVP das 9,00 ás 13,00 e das 14,00 às 16,00 h0ras Se preferir pode sempre fazer o pagamento por transferência bancária para o IBAN PT50 001000002768006000310 (indique por favor o seu nome ou nº de aluno) Até dia 10 – Entrega da Declaração Periódica do IVA, envio que deverá ser feito de forma electrónica – Pagamento do IVA devido (imposto apurado nas declarações de IVA) – Entrega da Declaração Mensal de Remunerações. Envio que deverá ser feito de forma electrónica. Documento obrigatório para todas as entidades empregadoras inscritas na Segurança Social. Até dia 15 – Comunicação à Autoridade Tributada das facturas emitidas no mês de Dezembro Até dia 20 – Entrega da Declaração Recapitulativa do IVA – Pagamento dos valores de IRS e IRC relativos ao mês de Dezembro de 2019. No caso do IRS, diz respeito às retenções feitas nos salários do mês transacto – Entrega de documento relativo aos rendimentos pagos em 2019 – Pagamento do imposto de Selo relativo ao mês de Dezembro de 2019 – Pagamento da Contribuição mensal, por parte de trabalhadores independentes, relativamente ao mês de Dezembro de 2019 Até dia 31 – Pagamento do Imposto Único de Circulação relativamente aos veículos com aniversário de matricula em Janeiro – Comunicação à Autoridade Tributária dos inventários (stock existente até ao último dia do ano de 2019) – Senhorios dispensados de emissão de recibo de renda electrónico devem entregar à Autoridade Tributária a declaração do Modelo 44 (Este texto é meramente informativo, não é exaustivo, não dispensa a consulta dos textos legais ou o cumprimento de outras obrigações previstas em disposições legislativas, regulamentares ou administrativas)

FUNCIONAMENTO DO REFEITÓRIO DA DELEGAÇÃO Encontra-se em funcionamento o refeitório da Delegação, cumprindo os requisitos fixados pela DGS, sendo por enquanto reservado a alunos, professores e outros voluntários, com serviço apenas na esplanada. É necessária a marcação prévia de almoços através do número de telemóvel 914039097. A entrada é feita pela Praceta Barbosa de Magalhães.

TRATAMENTO DA INCONTINÊNCIA URINÁRIA Continuando a apostar nas novas tecnologias para área da Saúde, a Delegação da Costa do Estoril da CVP tem disponível ao publico, no Espaço+ da Alapraia (antigas instalações do Mercado da Alapraia) Rua Francisco de Paula e Oliveira, um equipamento inovador e não invasivo, que vem contribuir para uma redução significativa da incontinência urinária, melhorando a qualidade de vida da pessoa no seu dia a dia. Para aderir a estes tratamentos, informe-se e inscreva-se na nossa recepção do Espaço+ da Alapraia ou pelo telefone 218034602. Pág. 2


RECOLHA ALIMENTAR

Em 2020, face aos constrangimentos físicos da pandemia que vivemos, não foi possível realizar as acções nacionais de recolha alimentar a que já estávamos habituados, quer em modo presencial quer pela enorme envergadura que as mesmas implicavam. Mesmo assim, foi possível efetuar parceria local com duas lojas Pingo Doce para Recolha Alimentar, de modo a fazer face a inúmeros pedidos de apoio neste sentido, com procedimentos diferentes para permitir o cumprimento das normas daquelas superfícies comerciais. Nos dias 9 e 10 de Dezembro estivemos em S. João do Estoril e Carcavelos e no dia 11 no nosso Ginásio a efetuar arrumação e inventário desta recolha. Aos nossos amáveis e sempre disponíveis voluntários fica o nosso agradecimento, somado de votos de Boas Festas sempre repletas de saúde e com o desejo de em 2021, nos podermos já encontrar noutros eventos e causas com maior frequência.

MUITAS COISAS BOAS PARA 2021 Com a nova reorganização dos centros de dia e os efeitos adversos da pandemia que influenciam e conduzem as nossas acções, continuamos a querer e a desejar muitas coisas boas para 2021. Assim sendo, em cada uma das semanas que antecedem o fim de Dezembro, fizemos uma reflexão sobre como este ano decorreu, sobre o que realmente é importante na vida de cada um e sobre o que gostaríamos de ver acontecer em 2021. Despedimo-nos de 2020 sem grandes saudades mas gratos por estarmos todos aqui reunidos, acreditando confiantes que 2021 propiciará novas oportunidades. Numa viagem pelo mundo brincámos com as várias tradições de passagem de ano , para atrairmos boas energias e enchermos a nossa casa de coisas boas em 2021. E para todos deixamos votos de saúde e prosperidade para o novo ano que inicia! Alguém disse. “A verdade é o caminho, o bem é a ação, o belo é o sentimento. Esta é a prática para ser feliz. Usem-na. Feliz Ano Novo. Aida Marques

Aida Marques

INFORMAÇÕES E CONTACTOS Qualquer informação sobre refeições ao domicílio/take-away, venda máscaras ou apoio psicológico, deverá ser solicitada através do telefone 214570924, nos dias úteis, das 9,00 às 17,00 horas. Fisioterapia - A partir do dia 4 de Maio foi alargada a nossa resposta de atendimento presencial, respeitando as normas impostas pela DGS. Mais informações através do telefone PARFISI 214572797, nos dias úteis, das 9,00 às 18,00 horas. Pág. 3


ADROANA (Por: Rita Carvalho) É NATAL NA ADROANA O mês de Dezembro iniciou e com ele chegam as épocas festivas. O Centro de Recursos para Pessoas em Situação de Sem Abrigo não poderia ficar indiferente à comemoração destas datas especiais e, em conjunto, decorámos as nossas instalações a rigor. No meio das estrelas, presépios e pinheiros, este espaço ganhou outra cor e mais encanto! O Natal simboliza a generosidade e a bondade. O dar sem olhar ao receber. E foi com este espírito que os utentes, em colaboração com o Klube+, ajudaram na preparação dos enfeites natalícios para a decoração do Bairro da Adroana. Durante alguns dias, participaram na construção de um trenó que fez as delícias das crianças do bairro e na pintura e montagem de uma árvore de Natal alternativa, utilizando materiais recicláveis. Porque, para além do espírito que esta época nos transmite, é acima de tudo indispensável cultivar as relações na comunidade e potencializar o espírito de entreajuda..

O ALMOÇO DE NATAL DO CENTRO DE RECURSOS DA ADROANA No dia 19 de Dezembro, celebrámos o Almoço de Natal no Centro de Recursos da Adroana para pessoas em situação de sem abrigo. Este convívio informal contou com a presença do Presidente da Câmara Municipal de Cascais, dr. Carlos Carreiras, Presidentes das Juntas de Freguesia de Alcabideche e de Cascais-Estoril, com elementos da Sociedade Musical de Cascais e da Dra. Manuela Filipe, Presidente da Delegação. O Almoço de Natal permitiu um momento de confraternização e harmonia entre os nossos utentes, equipa e parceiros, em que o maravilhoso churrasco foi a alma da festa! Não podemos deixar de agradecer a colaboração dos nossos parceiros neste dia: à Natura, um especial obrigada por nos fornecer vestuário novo para os nossos utentes; agradecer, também, à Sociedade Musical de Cascais pelos presentes, jogos e pelo lanche oferecido ao Centro de Recursos e ainda à empresa Cascarnes pela carne oferecida para o almoço. Ainda que, pelas diversas circunstâncias de vida, seja um período de maior dificuldade e fragilidade para os nossos utentes, não podíamos perder a oportunidade de lhes proporcionar um dia repleto de surpresas em que eles mesmos foram os protagonistas, ajudando na preparação do churrasco e tendo-lhes ainda sido proporcionada a possibilidade de ofertar um presente aos convidados.

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O NATAL EM CASCAIS É EM FAMÍLIA Combatemos a pandemia com responsabilidade, com ações determinantes e coerentes, nas frentes sanitárias, económica e social. Não podíamos ficar de braços cruzados perante uma enorme injustiça que seria ver os nossos idosos passarem esta quadra de esperança e de Carlos Carreiras, luz, afastados e isolados dos Presidente da seus familiares, dos seus fiCâmara Municipal lhos e netos, na desesperande Cascais ça de um confinamento imposto por este maldito vírus que teima em alterar o nosso modo de viver em sociedade tentando impor a desumanidade a desesperança e a violência da solidão. Queremos construir uma sociedade mais justa, mas fraterna e mais humana. Não ficamos submissos perante a crueldade, perante a marginalização e perante as injustiças. Os nossos jovens há mais tempo, os nossos mais velhos que nos transmitiram os valores do amor, do carinho e do afeto, não podiam neste momento passar mais um período de confinamento isolados em lares, sem contactos com as gerações que eles fizeram nascer, crescer e educaram tantas vezes com enormes sacrifícios pessoais. Enquanto presidente deste município jamais pactuarei com injustiças, com a desumanidade e com a marginalização. Este Natal face às contingências impostas pela pandemia o cenário dos mais idosos residentes em lares era dramático. Mais uma vez ficariam isolados. Longe do calor, do carinho e do afeto dos seus familiares. Como a indiferença é o primeiro passo para a injustiça e a desigualdade a Câmara de Cascais, face a esta situação, desencadeou uma operação ambiciosa com largas implicações logísticas e que, mais uma vez, vai por à prova a nossa resiliência, a nossa capacidade de servir o próximo e sobretudo de estarmos atentos aos mais fragilizados. A operação Natal em Família é uma iniciativa que nos orgulha e dá sentido ao ADN de Cascais que é de sermos todos por todos. Para que nenhum idoso fique nesta quadra confinado nos lares residenciais, a Câmara criou condições para que possam, neste período pasPág. 5

sarem a quadra festiva com a sua família, com toda a segurança e responsabilidade. Assim, além de financiar testes de diagnóstico aos idosos residentes nos lares do concelho, a autarquia vai pagar alojamento nas unidades hoteleiras locais para que os idosos possam cumprir um período de isolamento profilático na companhia de um familiar, após estarem em contacto com os familiares. A medida vida prevenir eventuais surtos de Covid-19 no regresso às instituições onde os idosos residem habitualmente que, desta forma podem passar o Natal em família mais tranquilos. Implicando um investimento municipal entre 300 mil e 400 mil euros, a medida conta também com a ajuda de mecenas e a parceria com a Santa Casa da Misericórdia de Cascais e d a Delegação da Cruz Vermelha do Estoril. É uma resposta de toda a comunidade a um problema de humanidade, a de tentar que as famílias possam reunir-se no Natal e no Ano Novo, para que o afeto o amor, o carinho e a humanidade aqueça os seus corações. Criar condições para que, em Cascais todos estejam no mesmo barco é a nossa melhor resposta a esta pandemia, para que a vençamos com as nossas armas que são as armas da solidariedade, da inclusão, do respeito e do amor pelo próximo Nada melhor que cumprirmos a mensagem de Natal cuidado e protegendo aqueles ao longo da vida nos cuidaram, protegeram e tantas vezes deram o melhor de si para nos criarem.

AS CAFETARIAS DA DELEGAÇÃO Encontra-se em funcionamento, seguindo as directivas da DGS, a cafetaria do Pólo de Cascais, com abertura às 09,00 e encerramento às 17,00 horas. Para além dos produtos habituais, como bolos, sandes e bebidas, este nosso espaço servem refeições ligeiras e rápidas. Devido ao período excepcional que atravessamos, a cafetaria da Parede encontra-se encerrada temporariamente.


AS BOAS FESTAS DOS CENTROS DE DIA

O INVERNO

Durante esta pandemia nunca deixámos de desenvolver com

atividades os

nossos

utentes de Centros de Dia, adaptadas às

possibilidades

de cada um, aos espaços exteriores disponíveis e às várias regras definidas em cada momento para a realização de reuniões de trabalho. Com a aproximação da época natalícia, pese embora a distância física, nunca deixamos de desejar celebrar, de forma visível, o evento do Natal pelo que ele significa: esperança, afectos, partilha… Foi assim que entregámos rolhas simples e recebemos rolhas decoradas por utentes da Ma-

Chegámos ao Inverno. O tempo é frio: Há chuva, neve, gelo, e há granizo! Vamos prender aos lábios o sorriso Que o leve a ser melhor e mais macio! Mesmo que mostre ser pouco bravio, É bom cuidarmo-nos… e é bom aviso Não recorrermos nunca ao improviso, Pois o inverno é forte em desvario.

Os rios correm loucos para o mar… Os passarinhos deixam de cantar, Sofrendo a fome, vai uivando a fera…!

dorna, que vão este ano enfeitar uma das nos-

E nós, os dois, com força e lucidez,

sas árvores de Natal. As mesmas foram recria-

Iremos, como sempre, desta vez,

das em forma de estrelas, árvores, anjos, presé-

Pedir ao sol que traga a primavera!

pios, flores, trazendo alegria e colorido a uma espaço que temos vindo a preparar para retoma

Manuel António Gouveia

das acções diárias, já agora em dezembro, para um grupo restrito face aos distanciamentos físicos necessários. Agradecemos à autoridade de saúde local a autorização de funcionamento emitida, com as recomendações que nos permitiram readaptar o espaço e procedimentos. A todos vós o pensamento que vos deixamos é que vamos todos superar este momento… a alegria e colorido que esta árvore expressa representa a emoção que nos une, hoje e sempre!

Boas festas, com saúde! Pág. 6

No Pólo de Cascais da Academia Sénior, todos aproveitam as abertas proporcionadas pelo Outono chuvoso para desfrutar do almoço na esplanada, num convívio à distância, dando cumprimento às recomendações das autoridades.


NOTÍCIAS DO KLUBE+ O Natal na comunidade

Adroana, a CulturSOL e a recente Associação de Moradores, trabalharam em parceria, juntamente com o município, para desenvolver esta “ O Natal na Comunidade” é uma ideia, onde envolvendo os habitantes iniciativa promovida pela CulturSOL, desta comunidade, desenvolvendo Associação socio-cultural sediada na um conjunto de ações enquadradas comunidade da Adroana desde 2009. nesta época natalícia. Esta associação tem como objeto O Natal é uma época para celebrar a social e cultural a promoção de ativiunião, amor e a família, sendo muito dades e projetos que dignifiquem e pródiga em fraternidade e afetividaestruturem a vida dos cidadãos com de, proporcionou-se um ambiente em quem se vai encontrando, nomeadalinha com o espírito e a magia do Namente do bairro onde tem a sua setal. de. Nesta comunidade foram desenvolEste ano a CulturSOL, propôs-se a vidas ações solidárias de recolha de Preparativos para o reforçar o sentido de comunidade, alimentos e de brinquedos e a sua Natal nos Bairros de Adroana, Alcoitão, distribuição junto de crianças e famíCabeço de Mouro, Cruz Vermelha, Galiza/ Fim lias. do Mundo e Torre, ideia que foi apadrinhada pela A par disso e com grande sucesso e participaCâmara Municipal de Cascais e pelas instituições ção de moradores, foi executada a decoração e associações de base local, existentes nestes do largo central do bairro, com iluminações de bairros. Natal e a construção de decorações com materiNestes últimos meses, o Município tem vindo a ais de reciclagem tal como: paletes, madeiras, reforçar uma política de proximidade e apoio aos pneus, plásticos e vários outros materiais, que munícipes e ao impacto social e económico cria- com muitos pregos, parafusos e cola, foram do pela pandemia. E é consolidando esta política dando vida ao presépio, à árvore de natal, o de apoio à Comunidade e de apoio à dinamiza- comboio do pai Natal, tal como as fotos mosção cultural das comunidades durante a época tram. natalícia, que as entidades envolvidas se propuseram a dinamizar ações comunitárias alusivas a esta época.

“ O Natal na Comunidade Adroana ”

Olha o Natal a chegar!

Num momento em que, por razões dos impactos criados pela pandemia é fundamental reforçar o sentido de comunidade e esperança. Assim e como não podia deixar de ser, todas as instituições sediadas neste bairro; o A.T.LKlube+, a Ludoteca da Pág. 7

O combóio do Natal Carlos Costa


UM CONTO DE NATAL A década de sessenta iniciara-se há pouco. Na aldeia, inclinada à inclemência dos gelos da Estrela, não se poupava na lenha. Em casa do Luís Pereira, o lume crepitava desde muito cedo, inundando a cozinha com um calor só visto nas grandes azáfamas. Da horta, logo de manhã, tinham chegado as mais apetecíveis couves, que iriam fazer companhia, na Consoada, ao bacalhau já demolhado, comprado na mercearia da menina Amélia. Mas havia ainda muito que fazer: só de doces ainda faltavam as filhós, que seriam fritas a meio da tarde, as rabanadas, o arroz doce… O João, seis anitos de gente, cirandava pela casa tentando não perder pitada de todo aquele movimento, só visto naquela altura do ano. Enquanto a mãe e as irmãs davam voltas à massa para as filhós, o pequeno não arredava pé, como se toda aquela lida desse asas ao encantamento com que vivia a época. — Oh João, vai brincar lá para fora! É o vais! O João empolgava-se a respirar todos aqueles preparativos para “a noite mais longa do ano”, como dizia o pai, e só quando era preciso reforçar o lume é que ele condescendia em ir ao quintal para trazer mais uns cavacos. Era preciso aquecer bem a casa para receber o Menino Jesus! Durante a fritura das filhós, toda a casa se via envolvida em cânticos. Enquanto lhes davam forma e as colocavam no azeite quente, as mulheres entoavam, em louvor do Menino: Ó meu Menino Jesus Ó meu menino tão belo Só Vós pudestes nascer Na noite do caramelo. À Consoada, após a oração dirigida pelo chefe da casa, as atenções centraram-se no bacalhau e nas couves que, a pouco e pouco, iam desaparecendo de duas grandes travessas. Aos dois filhos mais velhos, já homens feitos, foi-lhes permitido acompanhar o pai e o avô num copo de vinho, que a ocasião era de festa. A noite ia decorrendo, animada, como seria de esperar numa mesa com dez pessoas irmanadas pelos mesmos sentimentos. As filhós e as rabanadas iam temperando a conversa, que alternava aqui e ali com as canções que as mulheres tentavam impor e a que todos aderiam… Da vara nasceu a vara Da vara nasceu a flor Da flor nasceu Maria De Maria o Redentor. Ainda a mesa da Consoada não estava apanhada e já o João, afoito, corria para a cozinha, na ânsia de colocar os sapatos para a prenda do Menino Jesus. Ainda esboçou um gesto para levar também as botas feitas no Zé Brás, o sapateiro da terra, para ver se o leque das prendas aumentava, mas os olhos da mãe disseram-lhe que não valia a pena. Pouco depois recebeu ordem para ir Pág. 8

para a cama, enquanto os mais velhos, com outro estatuto, saíam para a missa do Galo, a que se seguiria uma ida ao madeiro, que combatia o ar gelado da noite no adro da igreja. No dia de Natal, bem cedinho, ainda antes do galo cantar, o João foi o primeiro a levantar-se. Com o coração aos pulos, correu para a cozinha e galgou a distância em dois tempos. Pegou no embrulho que estava junto dos seus sapatos, atado com um grosseiro cordel, e desembrulhou-o logo ali. Então, deslumbrado, pegou na camisola e nas calças novas e levou-as, instintivamente, ao seu corpito de menino. Que bem lhe ficariam na missa de Natal A manhã custou a passar, pois nunca mais chegava a hora de vestir a roupa nova. Ansiava pelo momento de subir a igreja, de peito inchado, exibindo a roupa para os amigos. Quando, finalmente, chegou a autorização da mãe, ele e os irmãos partiram para a igreja, onde os aguardava o encantamento das enormes figuras do presépio que o padre Nicolau tinha mandado vir do Porto. Enquanto faziam o caminho, o João continha-se para não correr. Queria chegar à igreja o mais rapidamente possível para ver o presépio, mas com a roupa direitinha. Contudo, os cânticos que se ouviam ao longe ainda acirravam mais a vontade de chegar depressa. Os irmãos, que lhe notavam a ansiedade, sorriam uns para os outros. Apesar das partidas que ele lhes pregava, gostavam muito da vivacidade do irmão mais novo, e sabiam o que ele estava a sofrer para dominar a sua vontade. Às tantas, já com a igreja à vista, o pequeno não se conteve mais e começou a correr. Os irmãos ainda tentaram segurá-lo, mas quem o conseguiu foi uma pedra solta no meio do caminho, que o fez estatelar no meio do chão. Voltou para trás, a soluçar, vergado à enorme desilusão de ver a sua roupa nova toda enlameada. Nada o parecia reconfortar. Só a Maria José, com o jeitinho e a paciência que as mães têm, o convenceu a vestir outra roupa. E o João, que sonhara com uma entrada triunfal na igreja, subiu a coxia de cabeça baixa, só estacando em frente do presépio. Então, à vista daquelas maravilhosas figuras, o miúdo começou a esquecer-se da roupa que vestia. Deitou os olhos para o Menino e, qual milagre de Natal, teve a certeza que Ele também olhava para si. E sorria-lhe. Durante o almoço, toda a gente estranhou o silêncio do João. Não que ele estivesse triste, longe disso, mas mostrava-se tão ausente do que tinha no prato que parecia longe dali, absorto em mil pensamentos. Mas o que passava na sua cabeça devia ser coisa boa, pois de vez em quando esboçava um sorriso. E só mais tarde, quando lhe puseram uma taça de arroz doce à frente e o viram desenhar um menino com a canela, é que perceberam o encantamento que ia na alma do pequeno. A.C. (Wordpress)


O COVID-19 tem feito sentir o seu impacto físico, mas também psicológico, em todo o mundo. Perante uma crise, é normal que nos sintamos ansiosos, frustrados, receosos, sozinhos. Sobretudo aquando do cumprimento das medidas preventivas, entre as quais, o isolamento social, estes sentimentos podem potenciar-se. Num tempo marcado pelas novas tecnologias, tiramos partido delas para que, ainda que fisicamente distantes, continue a contar com a equipa da nossa delegação bem perto de si. Desta forma, o Departamento de Psicologia da Delegação da Costa do Estoril da CVP disponibilizase a prestar acompanhamento psicológico online, de forma gratuita. Para beneficiar deste acompanhamento,

deve enviar um email para dcostaestoril.psicologia@cruzvermelha.org.pt ou contactar o 211 922 996. Entraremos em contacto consigo o mais brevemente possível. “Hoje, a nossa maior força é estarmos afastados. Porém separados, estamos mais unidos do que nunca” (Ordem dos Psicólogos Portugueses). Não viva este momento de maior fragilidade sozinho. A nossa equipa está próxima e junto de si. Conte connosco! Drª Mónica Barreto e Drª Inês Ferreira, Psicólogas

RABANADAS NO FORNO

– Ingredientes –

       

7 fatias de pão de forma integral 1 chávena de chá de leite magro 1 c. de chá de essência de baunilha 2 c. de sobremesa de açúcar 3 c. de sopa de água 1 ovo 1 clara Açúcar e canela para polvilhar q.b. – Modo de preparação –

1. 2. 3. 4. 5.

6.

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Comece por pré-aquecer o forno a 280ºC. Numa taça/prato misture o leite magro, o açúcar e a baunilha. Depois, à parte, bata ligeiramente o ovo e a clara. Adicione as três colheres de água e misture bem. Passe cada fatia de pão no leite e em seguida no ovo batido. Coloque as fatias na forma e leve ao forno bem quente, durante cerca de oito minutos. A meio desse tempo vire as rabanadas para ficarem douradas dos dois lados. Quando estiverem prontas retire e polvilhe com um pouco de açúcar e canela. Nesta receita pode aproveitar para utilizar o pão que tenha sobrado do dia anterior.


O FREDERICO No passado dia 14 de Dezembro cumpriu-se um ano sobre a partida do nosso residente e inestimável amigo Frederico, que nos deixou, para além da saudade, um vazio imenso e impossível de preencher. Tenho a certeza de que nos momentos difíceis que agora atravessamos, caso ele ainda permanecesse entre nós, nos brindaria diariamente com o seu sorriso espontâneo e uma ingénua indiferença quanto ao cenário ameaçador que nos rodeia, assim nos ajudando a enfrentar melhor a adversidade. Não tendo eu o hábito de falar sobre os meus sentimentos em público, devo confessar que o

Frederico me deixou uma enorme saudade, tal como estou certa, aconteceu a todos com quem privou. Em homenagem ao que o Frederico representou para nós e para a nossa instituição Cruz Verme-

lha, decidi colocar no meu gabinete duas fotos dele para que a sua presença entre nós seja uma constante.

Onde quer que estejas, Frederico, quero que saibas que a tua alegria e o teu exemplo me servirão sempre como inspiração de vida.

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Manuela Filipe


COLUNA DOS LEITORES

VAI NASCER UM MENINO O caminho é longo, É longo e perigoso: Um carreiro pedregoso Que fere os pés De quem por ele tem de andar, De quando em vez.

SE O MUNDO FOSSE DIFERENTE

Perseguido pela aragem fria, Nele vai seguindo, Resignado e devagar, Um simpático casal: Ele – José; ela – Maria.

Um rugido seria encantador.

Se o mundo fosse feito só d’amor, A vida seria, sim, tão diferente! Haveria paz, não o que se sente.

Por: Manuel António Gouveia

Vem andando desde o amanhecer (Ele a pé, A esposa montada num burrico), E assim terá de continuar, Dorido e cansado, até anoitecer. Já noite fechada, Depois de bater a muitas portas Da cidade de Belém, Ninguém lhe dará pousada, (É tempo de recenseamento!), Nem sequer no mais humilde, Pequeno e desolado aposento. Por não encontrar quem lhe dê guarida, Deixará a cidade enegrecida Pra procurar nos arredores Um abrigo urgente, Porque Maria começara a sentir As dores de parto iminente.

Seríamos um ser renovador.

Por: Luísa Ferreira Redondo

Não haveria dor, fome entre a gente. Brandura no sol, frio complacente… Nasceria em cada canto uma flor, Pois brotariam sementes d’esperança No céu, nas entranhas dos oceanos, Nos rios, nas profundezas da terra, Ao sabor de um sorriso de criança.

E não existiriam desenganos, Ventos uivantes, tempestades, guerra… Se o amor fosse uma dádiva constante, a Paz reinaria entre nós.

Nesse abrigo, Por um subtil raio de luz iluminado, Um burro e uma vaca, Sob o olhar atento de José, (Varão, como David, Descendente de Jessé), Naquela noite fria, Aquecerão, com seu bafo, O Menino que vai nascer: Jesus chamado – o Filho de Maria.

(MUNDO (S) LIVRO 3 - Edições Colibri)

REFEIÇÕES AO DOMICÍLIO Mensalmente, são confeccionadas pelo nosso refeitório e distribuídas pelos serviços da Delegação centenas de refeições, na sua maioria a residentes do concelho de Cascais.

E pouco depois de nascer, Ao som de cânticos celestes, (Pobrezinho, nu – sem vestes), Na sua imensa candura Que o rosto róseo traduz, Vai sorrir-nos com ternura, Assim, De braços abertos, A prever trágico fim, Em forma de excelsa cruz!

Caso necessite e deseje receber refeição completa em sua casa, temos um menu diário e variado ao seu dispor. Contacte-nos através do telefone 214570924 para obter mais informações sobre este serviço. Pág. 11


TERMINA MAIS UM ANO Por: Luís Pereira de Sousa Alguns,

que

idosos. Têm um lugar especial na família e na

ficado

sociedade. Ali pensa-se que eles, têm muito que

pelo caminho, enquanto,

contar e, portanto, a sua opinião é respeitada e

nós continuamos. Soma-

até venerada. É tolice? Não, é admitir que se

se um ano, aumenta-se a

pode aprender até ao ultimo dia. No ocidente

idade.

não tanto, o idoso esquece, não ouve nem vê

poucos

espero tenham

Parece

rigoroso, mas

banal,

determinante, verdadeiramente

importante

é

saber

se

temos “uma certa idade”, ou “uma idade certa”.

bem…etc. Mas aqui lhe digo que esquece sim, o que não interessa, só ouve o que vale a pena ouvir e só vê o que merece ser visto.

É que ouvimos muita gente dizer que fulano já tem uma certa idade, mas nunca ou raramente ouço que esse tal, tem a idade certa.

Recordo – me ter entrevistado o Prof. Agostinho da Silva e nos bastidores lhe ter recomendado com amizade e admiração que talvez devesse

É que parece que nesta vida nunca estamos

usar uma dentadura. Ele respondeu-me convicta

maduros e quando parecemos que sim... já

e alegremente: para quê? Para comer coisas

passou de prazo.

que o meu estomago não recomenda... e tinha

A verdade é que a população está a envelhecer

razão.

e ainda bem... comemos mais caramelos, vimos

Não se trata de saber a cor recomendada para a

mais futebol, discutimos a “nossa” politica e cá

camisola ou qual a marca do automóvel mais

vamos cantando e rindo. Mas o ideal, o certo, o

admirado, trata-se de saber o que pensar da

desejável, aquilo de que os deuses não se

vida, dos caminhos a seguir, dos minutos que

deveriam ter esquecido é que cada um de nós,

passam vazios como a maioria das vidas a

deve viver a idade certa.

correr atrás do “slogan” ou da mentira.

Mas, os deuses têm tanto com que se preocupar

Nada acontece por acaso, nem os vírus, nem as

que às vezes também eles se esquecem porque

catástrofes, nem as revoluções.

viver a idade certa é aprender sempre e a dada

Por isso, agora, com uma certa cumplicidade,

altura usar o que se aprendeu. Para isso é

preciso ser ouvido, reconhecido e sobretudo respeitado.

que todos vamos fazer mais um ano, sugiro com todo o respeito e amor, que apesar de tudo, vivamos o tempo que nos resta, não para uma

As civilizações milenares orientais veneram os

certa idade, mas sobretudo, para a idade certa.

FICHA TÉCNICA Directora: Manuela Filipe Editor: Armando Ferrão - CP 9813 Colaboradores: Aida Marques, Ana Silva, Carlos Costa, Inês Ferreira, Luís Pereira de Sousa, Manuel António Gouveia, Margarida M. Fernandes, Maria José Conchinhas, Paula Amor, Rita Carvalho, Salete Tomás, Suzete Amorim. Grafismo e paginação: Miguel Lopes e Pedro Varela Fotografia: Paulo dos Santos António Cruz Vermelha Portuguesa—Delegação da Costa do Estoril Rua Vasco da Gama, nº. 243 2775-297 Parede dcostaestoril@cruzvermelha.org.pt / 214570924 Pág. 12


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