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O início de mais um ano letivo nos convoca a uma reflexão que ultrapassa as paredes da sala de aula. Em 2026, os dias de Estudo e Planejamento que dão início ao ano letivo, já não são mais o momento de organização dos conteúdos e atividades escolares, mas sim um marco de resistência. Com o avanço de projetos que visam transformar a educação paranaense em mercadoria e quartel, o Núcleo Sindical Curitiba Sul da APP-Sindicato reafirma: nossa pedagogia é a da liberdade, não a do lucro.
PRIVATIZAÇÃO DESCARADA
O grupo político que comanda o governo estadual insiste em um modelo que entrega a gestão das nossas escolas para empresas privadas. Para a APP-Sindicato, a educação não pode ser submetida às planilhas de metas empresariais que ignoram a realidade social dos estudantes. “Escola não é mercadoria e aluna/o não é cliente”.
As privatizações rompem o vínculo comunitário e precarizam as condições de trabalho de professores(as) e funcionários(as). No governo Ratinho Júnior, os estudantes que já eram vistos como números, agora viram lucro nas mãos de grupos empresariais.

É importante lembrar que a privatização e a militarização são questionadas política e juridicamente. Está em julgamento contra estas medidas uma Ação Direta de Inconstitucionalidade – Adin - no STF – Supremo Tribunal Federal.
EDUCAÇÃO OU ADESTRAMENTO?
A expansão dos colégios cívico-militares no Paraná é outra face do autoritarismo que enfrentamos.
São recorrentes os casos de violência e assédio por parte dos militares contratados sem a devida preparação.
Nas escolas militarizadas também é violado o direito à diversida-

02/02: Ato na abertura dos trabalhos da Assembleia Legislativa (ALEP).
03 e 04/02: presença do Curitiba Sul nos debates das escolas durante os dias de estudo e planejamento.
de, existem normas estéticas que precisam ser seguidas pelas/os estudantes.
O Curitiba Sul tem denunciado todos esses absurdos e defendido que todas as escolas têm direito a receber o mesmo tanto de recursos.
LIBERDADE DE CÁTEDRA
Nunca foi tão urgente defender o direito de ensinar. A plataformização do ensino e o controle ideológico tentam transformar professoras/es em meros “aplicadoras/ es de conteúdo”.
A APP-Sindicato se posiciona firmemente contra qualquer tentativa de censura ou patrulhamen-
to ideológico. A liberdade de cátedra é um preceito constitucional e a base para uma educação que forme cidadãs e cidadãos, e não apenas mão de obra submissa.
A falsa democracia imposta pelo governo, que limita as eleições em diversas unidades e impõe provas para diretores, é um ataque direto à autonomia escolar.
A APP defende eleições diretas em 100% das escolas, com a participação soberana de pais, alunas/os e educadoras/es.
Nas eleições deste ano, nosso compromisso é com candidatos(as) que assinem o compromisso com a Escola Pública. Não daremos voto a quem aprovou a privatização da Copel, a quem privatizou e militarizou nossas escolas, a quem plataformizou a educação, a quem votou pelo fim dos nossos direitos previdenciários, e a quem apoia o desmonte da carreira do magistério.
A escola pública resiste em cada giz, em cada tela, em cada voz, e principalmente, em cada consciência despertada. Bom trabalho a todos e todas!

07/02: Assembleia Estadual da APP-Sindicato para definir os rumos da nossa campanha salarial.
Local: AABB de Curitiba (Av. Victor Ferreira do Amaral, 771). Inscrições no sistema Minha Sindicalização

Textos:



Casos de violência contra mulher e feminicídios estão crescendo no Paraná e no Brasil. Diante deste cenário, a atuação das/os educadoras/es pode salvar vidas.
Confira na página 4 um questionário que ajuda a identificar vítimas de agressão.
Mesmo com o aumento das denúncias e todas as campanhas em defesa da vida das mulheres, o Paraná e o Brasil vivem uma verdadeira epidemia de feminicídios.
Esse agravamento é gerado pelo cenário de desinformação e a cultura do ódio em que vivemos, que encoraja o desrespeito e a violência, especialmente quando falamos de mulheres.
A raiz desse mal reside na “cultura de posse”. Ao objetificar a mulher, alimenta-se a ilusão de que ela é uma propriedade. Quando o agressor percebe a perda desse controle, a violência escala resultando muitas vezes em assassinato.
O impacto social é devastador. Famílias são destruídas e filhos crescem sob a sombra do abandono e do trauma.
Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do Paraná (SESP), o estado registrou um aumento entre 2023 e 2024. A maioria desses crimes ocorre dentro da residência da vítima, utilizando armas brancas ou fogo, e quase sempre por parceiros ou ex-parceiros que não aceitam o fim do relacionamento.
Outro dado alarmante é que no Ranking nacional, embora o Paraná apareça variando entre 12° a 15° lugar em número de Feminicídios, o estado ocupa a vergonhosa 2° colocação em tentativas de Feminicídios.


O feminicídio não é um evento isolado; é o desfecho trágico de uma cultura que, sistematicamente, invisibiliza e apaga a existência feminina. Precisamos romper o silêncio, pois a omissão também é uma forma de violência.
Antes do golpe fatal, o crime se manifesta em sinais que a sociedade muitas vezes, escolhe ignorar: agressões verbais, ameaças, isolamento social e o controle psicológico disfarçado de zelo.
Uma sociedade que naturaliza o ciúme excessivo como prova de amor, ou que ouve gritos de socorro e se cala, torna-se cúmplice.
O feminicídio é, em sua essência, um crime anunciado. Ele se constrói em uma sucessão de violências domésticas onde a vítima se vê amarrada a um ciclo de medo e insegurança, muitas vezes paralisada pela fragilidade emocional imposta pelo agressor.
Além do combate ao machismo, a de -
núncia tem um papel fundamental nessa batalha pela vida das mulheres.
De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, 40% dos casos de violência contra mulheres são testemunhados por pessoas adultas que sequer fazem denúncias anônimas.
Existe hoje uma central 24 horas que garante o anonimato e conta com equipe multidisciplinar para checar a denúncia, proteger a vítima e responsabilizar o agressor.

O feminicídio é, em sua essência, um crime anunciado



As redes sociais têm servido de palco para a propagação do ódio, onde a misoginia (sentimento de raiva dirigido às mulheres) é propagada livremente.
Discursos de grupos como os redpills (grupo de homens de extrema-direita com ideologia misógina que atua na esfera digital) transformam a violência contra a mulher em conteúdo lucrativo, gerando likes e compartilhamentos que alimentam o imaginário de adolescentes ainda em formação.
Essa “cultura do ódio digital” desemboca diretamente no ambiente escolar, desafiando educadores a desconstruir estereó -
tipos que são reforçados a cada clique.
É urgente que as escolas promovam o letramento digital e o diálogo crítico, despertando nos jovens a autonomia e a autovalorização.
O feminicídio é uma das cóleras que a democracia e os direitos humanos precisam curar.
Somente com uma rede de apoio que una políticas públicas, acolhimento institucional e uma educação vigilante, poderemos transformar essa dor latente em um futuro de respeito e segurança.

O cuidado e a observação de alguns fatores podem salvar a vida das nossas estudantes
1. INDICADORES COMPORTAMENTAL

Mudança de humor drástica: a aluna tornou-se excessivamente retraída, ansiosa ou agressiva sem motivo aparente?
Sobressalto Ela demonstra susto ou medo excessivo diante de barulhos altos ou aproximações bruscas?

Justificativas de “Cuidado”: ela relata que o parceiro/ familiar “cuida” dela impedindo-a de sair ou falar com certas pessoas?
Baixa Autoestima Súbita Expressões de que “não serve para nada” ou que “merece o tratamento que recebe”?
2: INDICADORES FÍSICOS E PRESENÇA
EDUCADORA/OR, FIQUE ATENTA/O! IDENTIFIQUEI UM SINAL,

Marcas de contenção: Roxos nos antebraços, ombros ou pescoço (muitas vezes disfarçados por maquiagem ou acessórios)?
Roupas Inadequadas Uso de blusas de gola alta ou mangas compridas em dias de calor intenso?
Faltas Inexplicáveis: Ausências frequentes que coincidem com períodos após feriados ou finais de semana?
Para que todos na escola se sintam seguro, o fluxo de ação deve ser claro:
A) OBSERVAÇÃO: O professor nota o sinal e registra discretamente.
B) ESCUTA: Aproximação empática (“Notei que você não está bem, quer conversar?”).
C) ENCAMINHAMENTO: O professor/professora, funcionário/ funcionária, repassa a situação à Coordenação/Orientação (ninguém deve investigar sozinho).
D) REDE DE PROTEÇÃO: A escola aciona os ór-


3. CONEXÃO DIGITAL E SOCIAL

Ansiedade com o Celular: A aluna parece “aterrorizada” se o celular descarrega ou se demora a responder uma mensagem?

Discurso de Submissão: Ela começou a repetir frases de “influenciadores de ódio” (Redpill) sobre o papel submisso da mulher?
Monitoramento na Saída: Há alguém (parceiro/familiar) sempre vigiando a saída da escola de forma intimidadora?



Comunidades escolares mais uma vez disseram NÃO à privatização







O processo de consulta às comunidades sobre privatização, realizado em novembro de 2025, provou mais uma vez o posicionamento contrário da população a essa proposta.
Nas escolas do Curitiba Sul, das seis escolas consultadas, todas as quatro que atingiram o quórum disseram NÃO, as duas que não atingiram serão repassadas de forma compulsória.
É importante ressaltar que essas escolas consultadas em 2025 já haviam negado a privatização em 2024. Ao invés de aplicar onde já havia dito NÃO, o governo deveria consultar as escolas onde a implantação foi forçada por não ter atingido o quórum em 2024. Certamente eles temem a opinião de quem já sentiu na pele a experiência da privatização.
O que o governo teme ao não aplicar a consulta em escolas que já viveram a experiência da privatização?

PARANÁ - Das 96 escolas consultadas em todo o Paraná, 83 disseram não, em 11 o quórum não foi atingido e apenas duas disseram sim.
Maioria das escolas do Curitiba Sul disseram NÃO à militarização

Já com relação à consulta realizada nos mesmos dias sobre militarização, das cinco escolas estaduais consultadas na Região Sul de Curitiba, três disseram não, uma não atingiu o quórum e uma aceitou a mudança.
Em todo o Paraná, mesmo com toda a propaganda feita pelo governador, dezessete escolas rejeitaram a militarização de um total de 50.

Números da privatização geral Não 82

Não atingiu quórum 12
Sim 2
Total 96

Números da privatização

Curitiba Sul Não 4
Não atingiu quórum 2
Total 6
Categoria exige respostas do Governo Estadual!

O Quadro dos Funcionários da Educação Básica (QFEB) do Paraná vive um momento decisivo em sua trajetória. Desde 2016, a categoria enfrenta um cenário de desvalorização sistemática, resultando em uma defasagem salarial superior a 57%.
Isso é fruto de uma política do governador, Ratinho Junior, que instituiu o chamado “congelamento real” dos salários. Mesmo com dinheiro em caixa, o governador não pagou sequer o reajuste da inflação. Vivemos hoje com praticamente o mesmo salário de 2017.
EFEITO CASCATA - A falta de reposição inflacionária não atinge apenas o salário atual, mas compromete o futuro. Como as progressões e promoções são calculadas sobre o vencimento-base, a defasagem deste valor subdimensiona todo o crescimento na carreira planejado para 10 ou 20 anos.
Desde 2020, o governo estadual optou por extinguir cargos de Agente Educacional I e II para novos concursos, favorecendo o
modelo de terceirização. As consequências são graves:
DESVIO DE FUNÇÃO - a ausência de servidores concursados obriga os atuais funcionários a acumularem funções para suprir lacunas deixadas pelas empresas.
SAÚDE EM RISCO - O aumento da sobrecarga tem gerado um crescimento nos relatos de doenças ocupacionais entre os trabalhadores e as trabalhadoras.
A mobilização da categoria foca agora em metas urgentes para reverter este quadro. A APP-Sindicato apresentou para a categoria e para o governo do Estado a seguinte pauta de reinvindicação:
REPOSIÇÃO JÁ - Exigência de reposição imediata da inflação e quitação de perdas acumuladas.
EQUIPARAÇÃO REAL - Luta para que o Agente II tenha a mesma tabela salarial do Agente de Execução do QPPE.
CONCURSOS PÚBLICO - Reivindicação pelo fim da terceirização e abertura de concursos para repor o quadro funcional.
A APP-Sindicato alerta que a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026, aprovada pela ALEP, não prevê recursos para o cumprimento da data-base.

O Brasil comemora novamente premiações internacionais no cinema. Desta vez, o filme “O Agente Secreto”, do pernambucano Kleber Mendonça Filho, é destaque nas telonas do mundo todo. Venceu dois “Globos de Ouro” na cerimônia que aconteceu em janeiro e vai concorrer ao “Oscar” em quatro categorias no dia 15 de março.
Vencedor do Globo de Ouro 2026 como melhor Ator em Filme de Drama por sua participação em ” O Agente Secreto ”, Wagner Moura comentou, em coletiva de imprensa após a cerimônia, sobre a importância de o cinema brasileiro seguir abordando o período da ditadura militar.

“Precisamos continuar fazendo filmes sobre a ditadura. A ditadura ainda é uma cicatriz aberta para o Brasil. Aconteceu há apenas 50
TABELA DE VENCIMENTOS

anos. (...) Recentemente, tivemos, de 2018 a 2022, um presidente de extrema-direita, fascista e que é uma manifestação física dos ecos da ditadura”.
Em 2025, o filme “ Ainda Estou Aqui ” do diretor Walter Salles também fez história ao receber, entre outros prêmios, a estatueta do Oscar de melhor filme internacional. A obra trata da comovente história de Eunice Paiva, uma mulher que não se curvou aos



militares e virou símbolo da luta pela democracia brasileira.
A grande lição que o comovente longa de Walter Salles apresenta é o quão nefasto foi para o País a anistia que isentou esse período histórico sombrio. Época embrenhada de corrupção, desmandos, maus feitos, crimes e injustiças.
Hoje colhemos os frutos desse grande acordão. Quando ouvimos o apoio a um sistema decrépito e imoral como a ditadura militar, defendida por jovens, apoiada por cidadãos comuns, sentimos o peso de um passado que não foi resolvido.




Dentro do estranho, do belo, do lúdico, do divertido, do bizarro e do suspeito, o cinema passa ensinamentos, alertas e cultura, preservando memórias e brasilidades.
Como disse Wagner Moura na mesma coletiva: “Se traumas podem ser passados por gerações, valores também podem”! Sendo assim, precisamos celebrar a cultura brasileira como um valor fundamental e um sentimento de país com memória e criticidade.
Sem anistia! Cada qual que responda pelos seus crimes contra o povo brasileiro!

