CRQ-V

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EDIÇÃO Nº165 INFORMATIVO DO CONSELHO REGIONAL DE QUÍMICA DA 5ª REGIÃO Janeiro a julho de 2026
CULTURA E LEGISLAÇÃO
A QUÍMICA DO BUTIÁ
SEMANA DO PROFISSIONAL DA QUÍMICA 2026
CHOCOLATE EM PAUTA
3 4 8 10 11
BUTIÁ
ENTENDA A QUÍMICA DA FRUTA
SEMANA DO PROFISSIONAL DA QUÍMICA
CHOCOLATE
NOVA LEGISLAÇÃO
DO CACAU
AÇÕES JUNTO AO CFQ
CRQ-V MARCA PRESENÇA EM EVENTOS COLABORATIVOS
MURAL
DESTAQUES DOS EVENTOS COM PARTICIPAÇÃO DO CRQ-V NESTE SEMESTRE
Para abrir esta edição do Informativo do CRQ-V, convidamos você a percorrer diferentes faces da Química! Iniciamos com uma matéria sobre o butiá, frutatradicionalgaúcha,explorandosuascaracterísticas químicas e a sua importância cultural para o nossoestado.
No ano em que o Sistema CFQ/CRQs celebra seus 70 anos de história, voltamos nosso olhar para a importante trajetória dos profissionais da Química no país. Para comemorar este marco, realizamos uma programação especial de palestras gratuitas sobre temas ligados ao conhecimento, à atualização profissional, ao mercado de trabalho e à valorização da categoria.
Em seguida, apresentamos uma matéria sobre as mudanças na legislação do chocolate e seus reflexosparaosetor,contandocomaparticipação de responsáveis técnicas químicas de indústrias gaúchas, que compartilham suas perspectivas sobre o tema.
Ainda, destacamos as ações promovidas pelo CFQ nas quais estivemos presentes. Dentre elas, a posse da nova Conselheira Federal, que deixou o quadro regional e passou a atuar em âmbito federal.
Por fim, trazemos o tradicional Mural do CRQ-V, com registros das principais atividades que marcaram este semestre.
Desejamos a todos uma excelente leitura!

Emergência Radioativa acompanha os cientistas e médicos determinados a salvar as vidas das vítimas do acidente radiológico que chocou a cidade de Goiânia e todo o país na década de 80. Baseada em fatos reais, a minissérie é inspirada nos acontecimentos que sucederam o maior acidente fora de uma usina nuclear da história, em 1987. Ao longo dos episódios, a trama acompanha os médicos e cientistas responsáveis por encontrar uma forma de salvar a vida de milhares de pessoas da cidade que podem ter sido contaminadas por radiação em virtude do descarte indevido de uma máquina de radiografia. Lançada em março de 2026, a produção está disponível na plataforma de streaming Netflix.
Jornalista Responsável
Louise Veronezi Gigante
Redação
Bruno Antonio Nunes Rinaldi
Louise Veronezi Gigante
Taiana Souza Luiz da Silva
Diagramação
Bruno Antonio Nunes Rinaldi
Taiana Souza Luiz da Silva
INFORMATIVO CRQ-V
AV. ITAQUI, 45 - CEP
90460-140 PETRÓPOLIS, PORTO ALEGRE/RS
Tiragem
2.000 unidades
Muito além da expressão popular, o butiá revela como a química está presente nos sabores, aromas e tradições do Rio Grande do Sul
Me caiu os butiá do bolso parece, à vista, só um jeito gauchesco de dizer que algo pegou alguém de surpresa. Mas a frase guarda uma rica história: o tropeiro a cavalo, com sua bombacha larga e os bolsos cheios de butiás, fruta colhida pelo caminho para enganar a fome nas longas jornadas campeiras. Bastava um sobressalto para que a fruta, mal acomodada, escapasse pelo tecido e rolasse pelo chão. Da cena nasceu a metáfora: quando algo nos tira do prumo de repente, é como se, também a nós, “caíssem ‘os butiá’ do bolso”.
NO CAMPO
O butiá, fruto típico dos campos do sul do Brasil, traz consigo um sabor marcante e uma forte identidade cultural gaúcha: ele representa um verdadeiro laboratório natural de química. No Rio Grande do Sul, onde extensos butiazais se espalham, principalmente pela região da Lagoa dos Patos, essa palmeira nativa se destaca pela paisagem singular que compõe, como também pelo expressivo potencial científico de sua composição. Os butiazeiros (palmeiras do gênero Butia) formam ecossistemas únicos que são objeto crescente de atenção da comunidade científica.
DIVERSIDADE
A diversidade do gênero no estado é muito expressiva. Levantamentos taxonômicos realizados por pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no ano de 2013, identificaram dez espécies de Butiá presentes na flora gaúcha. Entre elas estão a B. odorata , a B.yatay , a B. lallemantii e a B. eriospatha , além de duas até então inéditas para a ciência: a B. exilatae a B.missionera , descritas no próprio processo do levantamento. Esse mosaico de espécies revela que os butiazais não são um
ecossistema homogêneo, mas sim um conjunto rico e diferenciado de popu lações com características morfoló gicas, ecológicas e químicas próprias.
Segundo o Pós-Doutor em Quími ca de Alimentos pela Universidade de São Paulo (USP) e Professor do Curso de Engenharia de Alimentos da Uni versidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Alessandro de Oliveira Rios, o Butiá da Praia (Butiacatarinensis contrado no litoral norte do estado tem como compostos predominantes identificados os ácidos hidroxibenzoicos, os ácidos clorogênicos, a catequina, a epicatequina e seus derivados, além da rutina. Já no Butiá da Serra (Butia eriospatha), que pode ser visto na cidade de Bom Jesus, norte do estado, destacaram-se os flavan-3-óis, os ácidos hidroxibenzicos e o galato de epicatequina, identificado como um dos compostos mais representativos da espécie.

Do ponto de vista químico, esses compostos são importantes porque ajudam a neutralizar os chamados radicais livres, moléculas instáveis produzidas naturalmente pelo organismo e que, em excesso, podem contribuir para o envelhecimento celular e para o desenvolvimento de diversas doenças. Por isso, alimentos ricos em polifenóis costumam despertar interesse tanto da comunidade científica quanto da indústria de alimentos e suplementos.

Foi justamente a presença desses compostos que ajudou a explicar os elevados valores de atividade antioxidante observados nos butiás analisados. Além dos polifenóis, a fruta também se destaca pela presença de carotenoides, responsáveis pela sua coloração amarela e alaranjada. Esses compostos incluem moléculas como o betacaroteno, que pode ser convertido em vitamina A pelo organismo e está re lacionado à saúde da visão, da pele e do sistema imunológico. Nesse aspecto,
ocorre durante o verão e início do outono) ou na transformação da polpa para armazenamento. “A melhor maneira de preservar os benefícios do butiá não envolve processos industriais complexos, mas sim cuidados simples: colher frutos maduros, retirar a polpa o mais rápido possível, evitar longos períodos de armazenamento em temperatura ambiente, reduzir a exposição à luz e congelar porções para consumo posterior. Essas medidas permitem que a população aproveite melhor uma fruta rica em antioxidantes, vitaminas e compostos bioativos.”
Pesquisas feitas por Alessandro já indicaram que os carotenoides presentes no butiá podem ser mais bem absorvidos quando consumidos juntamente com pequenas quantidades de gorduras saudáveis, como leite, iogurte, castanhas, coco ou outras fontes lipídicas. “Esses resultados ajudam a explicar por que o butiá desperta interesse crescente da indústria de alimentos, de suplementos e de ingredientes naturais”, diz.
Compreender a composição química do butiá é, em certo sentido, redescobrir aquilo que a tradição gaúcha já previa: trata-se de uma fruta surpreendente.

CRQ-V celebra os 70 anos da Lei nº 2.800/56 com três dias de palestras
Setenta anos após a sanção da Lei nº 2.800, assinada pelo Presidente Juscelino Kubitschek em 18 de junho de 1956 e conhecida até hoje como a "Lei Mater dos Químicos", data que oficializou a profissão química no Brasil segue sendo celebrada anualmente como forma de reconhecer o trabalho de profissionais que impulsionam o avanço científico e tecnológico, além de garantir a qualidade do ensino e a segurança dos produtos químicos. A legislação criou o Sistema CFQ/CRQs, organizou a categoria e estabeleceu as bases para atuação profissional em uma área que ao longo dos anos expandiu sua atuação para laboratórios, indústrias, universidades, centros de pesquisa e novos empreendimentos ligados à inovação.
Se há sete décadas a regulamentação estruturou o exercício da Química no país, hoje o desafio é acompanhar a diversidade de caminhos que a área oferece. Nesse contexto, a Semana do Profissional da Química, realizada pelo Conselho Regional de Química da 5ª Região (CRQ-V), reafirmou o caráter plural da profissão ao reunir palestras de diferentes áreas de atuação e promover a atualização e o diálogo entre profissionais e estudantes.
O evento ocorreu entre os dias 16 e 18 de junho, no auditório da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), com três dias de programação gratuita, distribuída nos turnos da tarde e da noite. Os encontros contaram com a presença da Presidência, Conselheiros e colaboradores do CRQ-V, além de profissionais, estudantes, escolas e empresas de diversos setores. A iniciativa teve apoio da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Conselho Federal de
Química (CFQ), PUCRS, Serviço de Apoio às Micro e PequenasEmpresas (Sebrae) e Grupo Tecpon. Ao final de cada palestra, foram realizados coffee breaks, com atividades interativas, que contribuíram para a integração e a troca de experiências. Os participantes rece-
beram brindes e materiais institucionais variados do CRQ-V.
A programação iniciou com uma abordagem que costuma despertar curiosidade imediata fora dos laboratórios: a Química Forense. A abertura do evento contou com três grandes escolas: Fundação Escola Técnica Liberato Salzano Vieira da Cunha, do Instituto Estadual de Educação Assis Chateaubriand e da Escola Técnica Estadual Monteiro Lobato. Para conversar com o auditório lotado de estudantes, a Doutora em Ciências e Mestre em Química, Carla de Andrade Hartwig, que atua como coordenadora do curso de Bacharelado em Química Forense da UFPel, ministrou a palestra.

A conversa, com duração aproximada de duas horas, teve início com a fala do Presidente Interino do CRQ-V, Estevão Segalla e seguiu com a apresentação da ministrante, que se dedicou a explicar a Química Forense em diferentes frentes, desde os processos laboratoriais até suas áreas de atuação. Durante o encontro, também foi destacado que nem tudo o que é retratado na ficção, como na série televisiva CSI: Crime Scene Investigation e na obra The Chemistry of Death, corresponde à realida-
de da prática profissional.
Carla ressalta a importância do evento, “Acho que este, assim como outros promovidos para celebrar os profissionais da química são muito importantes, pois conseguem reunir diversas temáticas relevantes para a área em um mesmo espaço”. Além disso, a palestrante falou com entusiasmo sobre sua participação, “É uma grande honra poder estar abrindo este evento. É muito interessante estar e compartilhar um pouco dessa minha caminhada e dessa área que é tão fascinante.”
Ao final da palestra, o CRQ-V realizou o sorteio de brindes entre os participantes. Presentenoevento,LucasCeron,formado emQuímicaForenseressaltaaimportância da iniciativa para aproximar o público da realidadedaárea.:
Muitas pessoas entram no curso sem conhecer a área e imaginam que ela é igual ao que veem na televisão. Falar sobre isso contribui para quem têm receio de ingressar na área e conhecer suas possibilidades de atuação. A prof.ª Carla veio para desmistificar, auxiliar e esclarecerdúvidassobreisso”,diz.

CIÊNCIA ALÉM DO ESTIGMA
A palestra da noite deslocou o foco da investigação criminal para um tema que provoca debates dentro e fora da comunidade científica: a Cannabis medicinal. Para conduzir esse assunto, recebemos o Conselheiro Federal Dr. Ubiracir Fernandes Lima Filho, integrante do Comitê de Apoio à Cadeia Produtiva de Insumos Químicos(CAIQ). Antes da apresentação, o Presidente Interino do CRQ-V, Estevão Segalla, saudou o público e ressaltou a importância da Lei nº 2.800/56 e da Química na formação técnica e no debate científicocontemporâneo.

ComformaçãoemQuímicadeProdutos
Naturais eumatrajetória que passapelaindústria, pela academia e por órgãos reguladores, o palestrante apresentou um panorama sobre aplicações terapêuticas de substâncias presentes na planta Cannabis, utilizadas em condições de saúde como epilepsia, Parkinson, Alzheimer e outros distúrbios neurológicos. O papel do profissional da química na caracterização e controle dessas substâncias foi exposto como etapaconsideradacentralparasegurançae eficácia dostratamentos.

Na avaliação de Ubiracir, essa atuação coloca a Química como parte fundamental do processo que conecta pesquisa e prática clínica. “Nós da Química trazemos ferramentasimportantíssimasparaosmédicos prescritores. Determinamos, por exemplo, as composições qualitativas responsáveis pela resposta terapêutica, e isso permite dosagens cada vez mais próximas das ideais”, afirma.
Além disso, o canabidiol foi citado como um dos compostos de maior relevância no debate atual, dentro de um conjunto mais amplo de substâncias presentes na planta. Em sua abordagem, o Conselheiro buscou traduzir conceitos técnicos de forma acessível, aproximando diferentes áreas do conhecimento e destacando a conexão entre pesquisa, regulação e prática. O encontrotambémfoimarcadoporumadinâmica participativa, com espaço para perguntaserespostasqueampliaramadiscussão.

ciência e inovação, a cachaça conduziu os debates da segunda noite da Semana do Profissional da Química. Para falar sobre o tema, convidamos a prof.ª Dra. Maria das Graças Cardoso, referência nacional em pesquisas sobre qualidade de cachaça e aguardenteecoordenadoradoCentrode ReferênciaNacionalemAnálisesdeQualidade de Cachaça e do curso de Pós-Graduação em Tecnologia da Cachaça da UniversidadeFederaldeLavras(UFLA).
Patrimônio cultural brasileiro e símbolo deumacadeiaprodutivaqueunetradição,
A pesquisadora apresentou como o conhecimento científico tem contribuído para o aperfeiçoamento da cadeia produtiva da bebida, desde o controle de qualidade até o desenvolvimento de processos mais eficientes e sustentáveis. A discussão também destacou o papel da Química na valorização do destilado e no fortalecimento de um setor que reúne pro-

dutores, pesquisadores e trabalhadores de diferentes áreas. Na avaliação da professora, a participação dos profissionais da química é fundamental para garantir a qualidade do produto e apoiar o crescimento do setor no Rio Grande do Sul.
“A qualidade é extremamente importante e nós temos vários profissionais da química que estão aqui para ajudar a fazer da nossa cachaça, a melhor bebida do mundo”, pontua.
O tema também atraiu produtores da região. Proprietário de uma marca de cachaça em Ivoti, Geraldo Selau Trisch afirmou que esse tipo de palestra incentiva o acesso ao conhecimento técnico no estado. “Muitas vezes precisamos buscar conhecimento fora do estado. Então, ter esse tipo de oportunidade aqui é muito importante”, diz.
No decorrer da apresentação, a Dra. Maria das Graças compartilhou experiênciasacumuladasemdécadasdepesquisa e mostrou estudos desenvolvidos por seus alunos, ilustrando diferentes etapas do processo produtivo e os avanços mais recentes na área. O encontro foi encerrado em clima de integração entre pesquisa, ensino e setor produtivo, com o sorteio de um exemplar da quinta edição do livro “Produção de Aguardente de Cana”, organizado pela própria professora e publicado pela Editora UFLA, além de três garrafas de cachaças artesanais.
A programação também abriu espaço para discussões voltadas ao empreendedorismo e ao mercado de trabalho, com palestrasrealizadasemparceriacomo Sebrae, que é focado em desenvolver e fortalecer pequenos negócios no Brasil, por meio de orientação, capacitação e apoio de empreendedores que estão iniciando ou expandindo seu negócio. Os ministrantes trouxeram diferentes olhares sobre gestão, inovação e desenvolvimento de negócios, além de destacar oportunidades de atuação profissional para além dos espaços tradicionais da indústria e da pesquisa na área da Química.
O Mestre em desenvolvimento de negócios e inovação Flaviano Gastão Júnior apresentou uma palestra voltada à Geração Z, abordando o empreendedorismo como caminho possível dentro de um cenário de constante transformação do mercado de trabalho. Ele destacou a importância da qualificação e da busca por melhoria contínua como fatores essenciais para o desenvolvimento. “O que me motiva é ver a possibilidade de melhoria dos profissionais, que estão buscando excelência, se capacitando e se qualificando”, afirmou Flaviano ao co-mentar sua atuação em eventos forma-tivos.
Já a administradora e consultora empresarial Alessandra Daiana Schinaider apresentou um ponto de vista mais amplo sobre empreendedorismo, destacando a necessidade de planejamento, disciplina e iniciativaparatransformarideiasem negócios estruturados. Durante a palestra, ela tambémchamouatençãoparaaimportânciada gestão no processo empreendedor, especialmente em áreas técnicas como a Química,ondeoconhecimentocientíficopode ser aplicado em diferentes frentes produtivas.
O Conselheiro do CRQ-V, Evandro Luís Janovik, proprietário de uma cervejaria, exemplifica essa atuação ao empreender no setor a partir de sua formação e experiência na área. Ele destaca o potencial do campo químico para a criação de novos negócios. “Nós temos uma série de oportunidades de empreender usando os conhecimentos adquiridos na graduação. Bebidas, alimentos, produtos de limpeza, higiene e cosméticos, uma série de produtos que é possível empreender e montar o próprio negócio”, comenta.
Na última noite de palestras, realizada na data oficial do Dia do Profissional da Química, o Conselheiro do CRQ-V
Renato Evangelista parabenizou os profissionais pelo empenho e pela trajetória construída ao longo dos anos.
Para encerrar a programação, uma mesa-redonda reuniu quatro especialistas para debater as transformações do mercado de trabalho e as profissões do futuro: a Decana da Escola Politécnica da PUCRS, Simone Stülp, o Presidente do Grupo TECPON, Newton



O debate abordou sustentabilidade, empreendedorismo e a aproximação entre universidade e indústria. Simone destaca que, além da formação técnica, o profissional da química precisa estar conectado à inovação e desenvolver competências de gestão para transformar conhecimento científico em soluções reais para o mercado e a sociedade.





Além disso, a influência da inteligência artificial no setor também esteve entre os assuntos debatidos. Segundo Cláudio, a tecnologia já impacta a rotina e deve ser compreendida como uma ferramenta de otimização de processos e tomada de decisões, sem substituir o papel estratégico e analítico. “A IA não pode ser fim, ela auxilia a minimizar tempo, desenvolver ideias, propostas, mas ela não vai resolver tudo”.

Já Newton ressalta a importância dos estágios desde o início da formação como caminho para compreender a amplitude das possibilidades de atuação. Vinicius complementou a fala, ao destacar que o mercado valoriza cada vez mais profissionais que aliam conhecimento técnico a habilidades como comunicação, liderança e visão estratégica.
A relevância do evento também foi sentida pelo público. A doutoranda em Materiais e egressa do curso de Química Industrial, Ingrid Pinto, participou dos três dias de evento e ressaltou a oportunidade de contato com diferentes perspectivas do setor. “Para quem está entrando no mercado, é um conhecimento amplo e uma visão que muitas vezes ainda não temos na graduação. É uma oportunidade de ampliar o conhecimento e entender o que realmente necessita para seguir na carreira”, afirma.
Os três dias de Semana do Profissional da Química reuniram mais de 400 pessoas. Estudantes, profissionais, professores, pesquisadores e empreendedores que dividiram o mesmo espaço, movidos pelo mesmo interesse em atualização, diálogo e aprendizado. Essa pluralidade foi resultado direto de uma programação construída para refletir a amplitude da Química. Ao promover esse evento, o CRQ-V estende sua atuação para além da fiscalização e regulamentação, ao reunir e dar voz a uma categoria que está presente na base do desenvolvimento científico e produtivo do país.


chocolate está entre os alimentos mais populares do mundo.
Sinônimodecelebração,carinho
econforto,otradicionaldocenuncaperdeu destaquenasprateleiras,massuacomposiçãomudousignificativamenteaolongodas últimasdécadas.Tradicionalmenteproduzido a partir de derivados de cacau, açúcar e, posteriormente, leite, o produto passou a incorporar emulsificantes, aromatizantes, estabilizantes, gorduras vegetais e outros ingredientes capazes de modificar textura, brilho,sabor,rendimentoevidaútil.
As variações na composição também alteraram a concentração de cacau nos
Produto
Chocolate
ao leite
Chocolate branco
Chocolate em pó
Achocolatado/Chocolate fantasia/Composto
Alegislaçãosegueumprincípiojáaplicado a outros alimentos. O mel, por exemplo, perdeessaclassificaçãoquandorecebeadição de açúcar ou xarope de glicose. O mesmo ocorre com o requeijão: conforme a Portaria nº 359/1997, a denominação é reservada aos produtos cuja base láctea não contenha gordura e/ou proteína de origem não láctea. Por isso, produtos que utilizamingredientescomogorduravegetal ououtroscomponentes foradessepadrão precisam ser comercializados com denominações alternativas.
produtos presentes no mercado. Com isso, surgiram novas nomenclaturas comerciais, como "cobertura sabor chocolate", "chocolate composto" e “chocolate fantasia". Embora semelhantes em aparência e aplicação, essas categorias podem apresentar quantidades de cacau muito diferentes. A multiplicação dessas denominações levou para além das prateleiras uma discussão que envolve legislação, indústria e química de alimentos. Em um cenário marcado pela diversificação das fórmulas, definir o que efetivamentepodeserchamadodechocolate tornou-se uma questão regulató-
Percentual mínimo
35% de sólidos totais de cacau (18% de manteiga de cacau);
25% de sólidos totais de cacau e 14% de sólidos totais de leite;
20% de manteiga de cacau e 14% de sólidos totais de leite;
32% de sólidos totais de cacau; 15% de sólidos ou manteiga de cacau.
Com o chocolate, o princípio é semelhante. Além de estabelecer novos parâmetros para a fabricação e a classificação dos produtos, a norma busca ampliar a transparência para o consumidor ao exigir informações mais claras nas embalagens. A medida surge num contexto de aumento das discussões sobre a qualidade dos chocolates vendidos no país, especialmente diante da percepção de que alguns produtos passaram a substituir ingredientes associados ao chocolate por opções mais baratas.
riaetécnica.
O debate em torno do alimento se intensificou após a sanção da Lei nº 15.404/2026 em maio deste ano, que estabelece novos parâmetros mínimos paraalimentosàbasedecacaucomercializadosnoBrasil.Anormadefinepercentuais obrigatórios de sólidos de cacau, restringe a substituição da manteiga de cacau por outras gorduras vegetais e cria critérios de rotulagem para evitar que produtos com baixo teor da matéria-prima sejam apresentados de maneira semelhante ao chocolate tradicional.
Só pode ser chamado de chocolate se atingir esse mínimo;
Ganha padrão legal e rotulagem mais transparente;
Define o mínimo de manteiga de cacau;
Impede que produtos com pouco cacau usem essa denominação;
Diferencia esses produtos do chocolate tradicional.

Para além de um número definido pela legislação, os 35% mínimos de cacau representamumconjuntode substâncias responsáveisporcaracterísticasfundamentais do chocolate. Graduada em Ciência e Tecnologia de Alimentos e Mestre na área de chocolates, Paloma Cemin trabalha como Gerente de Desenvolvimento e Qualidade na Divine Chocolates, de Encantado (RS). Segundo a especialista, que atua como responsável técnica da empresa, a principal diferença está na maior presença dos componentes naturalmente encontrados na matéria-prima. Entre eles estão os sólidos e a manteiga de cacau, além de compostos bioativos responsáveis por características sensoriais e químicas do produto. "Essa maior concentração resulta em níveis mais elevados decompostoscomoteobromina(C₇H₈N₄O₂), cafeína(C₈H₁₀N₄O₂), polifenóis e gorduras típicas da manteiga de cacau", explica. Essas substâncias influenciam sabor, aroma, textura e parte das propriedades nutricionais associadas ao chocolate. Os polifenóis e flavonoides, por exemplo, estão ligados à atividade antioxidante do cacau, enquanto a teobromina contribui para o sabor característico e o leve efeito estimulante do produto. Segundo Paloma, quanto maior o teor de cacau, maior tendeaseraconcentraçãodessescompostos e menor a proporção relativa do açúcar naformulação.
Essa relação ajuda a explicar as diferenças entre os diversos tipos de chocolate encontrados no mercado. Produtos tradicionalmentecategorizados como amargos ou meio amargos costumamapre-
sentar maior concentração de cacau. A nova legislação, no entanto, elimina essas categorias da rotulagem oficial.
Uma das características mais marcantes do chocolateéaformacomoelederretenaboca. Isso decorre da composição da manteiga de cacau, gordura natural extraída das sementes do fruto. De acordo com um estudo do Institute of Food Science and Technology (IFST),seustriglicerídeosapresentampontode fusão próximo à temperatura corporal humana, o que explica por que o chocolate permanece sólido em temperatura ambiente ederreterápidoduranteoconsumo.
A Engenheira Química, que é responsável técnica pela Florybal Chocolates – localizada emGramado(RS),DeiseLoeschexplicaquea manteigadecacauvaialém dacremosidade:" Esse ingrediente é responsável pelo brilho, texturaederretimentodochocolate.Éconsiderada uma gordura benéfica ao organismo, pois é quimicamente composta pelos ácidos graxos esteárico e oleico", ressalta. Quando parte dessa gordura é substituída por outras gorduras vegetais, as propriedades físicas do produtomudam.Dependendodacomposiçãoutilizada,oresultadoéumafusãomaislenta, textura diferente e a sensação que os consumidoresdescrevemcomoencerada.
Se para o consumidor a lei representa mais transparência, para a indústria ela traz algumas consequências. Paloma descreve o cenário com que as empresas terão de lidar: "O desafio será equilibrar conformidade legal, qualidade, sabor, textura e viabilidade econômica, preservando a identidade dos produtos e sua competitividade no mercado”, afirma.
O processo ocorre em um momento de pressão sobre a cadeia produtiva do cacau, motivado por sucessivas quebras de safra na Costa do Marfim e em Gana, os dois maiores produtores mundiais, que enfrentam uma combinação de problemas climáticos, além de doenças e queda de produtividade. Essa crise contribuiu para que os preços da commodity disparassem: em abril de 2024, a tonelada do cacau atingiu o recorde histórico de US$ 11.722 na bolsa de Nova York, mais que o dobro do valor do ano anterior. Embora abaixo do pico histórico registrado em 2024, os preços seguem acima da média dos anos anteriores: no mês de maio deste ano, a tonelada foi cotada a US$ 4.272, de acordo com matéria do Globo Rural. Deise aponta ainda outro ângulo do impacto positivo para o setor: "Empresas que já trabalham com os percentuais mínimos exigidos terão seu valor de mercado reconhecido e não serão mais prejudicadas por concorrentes que ofertam menor qualidade", observa.
As mudanças chegam num momento favorável do ponto de vista do público. Para Paloma, a implementação da rotulagem nutricional frontal pela Anvisa em 2022 ampliou a atenção dedicada às informações presentes nas embalagens. "Essa mudança aumentou a atenção dos consumidores às informações dos rótulos e incentivou uma busca maior por produtos com ingredientes de melhor qualidade, com formulações mais equilibradas",observa. Na visão de Deise, o impacto para quem compra é direto: "O percentual de cacau estará exposto visualmente na rotulagem e o cliente, no momento da compra, estará ciente das diferenças de qualidade dos produtos ofertados e se realmente está comprando chocolate", afirma.

A Lei nº 15.404/2026 atrela a denominação do alimento à sua composição real. No caso do chocolate, isso envolve conceitos da química de alimentos, como a proporção de sólidos de cacau, a presença de manteiga de cacau e as propriedades que esses componentes conferem ao produto final. Com a entrada em vigor das novas regras prevista para maio do ano que vem, o percentual de cacau passará a ocupar um espaço mais visível nas embalagens, reforçando critérios técnicos que antes eram percebidos principalmente pelo sabor ou pela marca.

Aocontráriodoque muitas pessoasimaginam, não existe atualmente um método laboratorial de rotina capaz de determinar diretamente, com precisão absoluta, o percentual de cacau presente em um chocolate acabado. Segundo Paloma Cemin, o percentual informado nos rótulos é calculado a partir da formulação utilizada pelo fabricante. Técnicas como análises de teobromina, cafeína, perfil lipídico, cromatografia e espectroscopia auxiliam na verificação da autenticidade e da composição do produto e podem fornecer estimativas sobre os componentes do cacau. No entanto, elas não permitem determinar, de forma direta e inequívoca, o percentual total de cacau declarado no r no rótulo. “A comprovação desse percentual ainda depende principalmente da formulação industrial e da rastreabilidade das matérias-primas utilizadas”, conclui.




Os primeiros meses de 2026 foram marcados por encontros de membros do Sistema CFQ/CRQs, que contaram com a presença de representantes do regional
Sete décadas se passaram desde a criação da Lei nº 2.800/1956, que instituiu o Sistema CFQ/CRQs. Para celebrar este marco histórico, o ano de 2026 vem sendo palco de uma programação nacional voltada a diversas áreas essenciais para todo o sistema. Ao longo do primeiro semestre, representantes do CRQ-V estiveram presentes em encontros promovidos pelo CFQ, participando de palestras, solenidades e encontros que reuniram Presidentes, Conselheiros e colaboradores de todos os regionais.
A participação do CRQ-V nas atividades iniciou no segundo mês do ano, na sede do CFQ em Brasília, com a realização do Café Global de Mulheres na Química 2026. Organizado mundialmente pela União Internacional de Química Pura e Aplicada (IUPAC) e promovido no Brasil pelo CFQ, o encontro ocorreu no dia 11 de fevereiro sob o tema “Muitas Vozes, Uma Ciência”. Pesquisadoras, docentes e profissionais se reuniram para discutir a participação feminina na ciência e compartilhar suas experiências. Representando o CRQ-V, estiveram as Conselheiras Elsa Lesaria Nhuch e Tânia Denise Miskinis Salgado e a Conselheira Federal suplente, representante do regional, Raquel Fiori.
No final do mês de abril, a Conselheira Anamélia Saenger de Vasconcellos foi empossada no Conselho Federal de Química em Brasília/DF, ao lado de representantes de diversos Conselhos Regionais do país. Anamélia é Mestre em Química pela UFRGS e graduada em Química Industrial e Licenciatura em Química pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Possui ampla experiência na área de Química, com ênfase em Estrutura, Conformação e Estereoquímica, desenvolvendo estudos principalmente nos temas adesão, superfícies tratadas com ácidos nítrico e sulfúrico, foto-oxidação, superfícies de polipropileno e aperfeiçoamento de professores. Ao longo de sua trajetória, integrou o Plenário do CRQ-V durante 15 anos, encerrando suas atividades no regional em 2026.
O Conselho Regional de Química da 5ª Região agradece à Conselheira Anamélia pela dedicação, competência e compromissodemonstrados ao longo de sua trajetória em nosso regional. Sua atuação será lembrada em nossa autarquia com muito carinho! É motivo de grande orgulho tê-la como representante do CRQ-V no Conselho Federal de Química e desejamos pleno êxitonessanovaetapa.


Já no mês de maio, a programação seguiu no Rio de Janeiro. O Presidente Interino, Estevão Segalla, a Conselheira Federal Anamélia Saenger de Vasconcellos e a Gerente Administrativa Carolina Saft Hehn participaram da Reunião Plenária dos Conselheiros Federais, do Colégio de Presidentes do Sistema CFQ/CRQs (COPRESI) e da inauguração da nova sede do Conselho Regional de Química da 3ª Região (CRQ-III). As reuniões envolveram diversas discussões e possibilitaram integração entre os regionais. No encerramento da agenda carioca, ocorreu uma cerimônia comemorativa com a entregadoPrêmio Química Faz Bem. Brasília foi sede de mais dois encontros do Federal junto aos regionais. Nos dias 02 e 03 de junho foi realizado o Encontro Nacional de Profissionais de Tecnologia da Informação e Comunicação do Sistema CFQ/CRQs, que reuniu equipes técnicas do país para discutir modernização dos serviços, segurança da informação e inteligência artificial. O Chefe do DepartamentodeInformática,AndersonTarcísio Cella
Presidente Interino do CRQ-V, Estevão Segalla participa das celebrações dos 70 anos do Sistema CFQ/CRQs no Senado Federal em Brasília.

e a Chefe de Departamento de Comunicação e Eventos, Louise Veronezi Gigante representaramoCRQ-Vnoevento.
Por fim, as comemorações oficiais dos 70 anos em Brasília contaram com a presença do Presidente Interino, Estevão Segalla, e das Conselheiras Federais Anamélia Saenger de Vasconcellos e Raquel Fiori. A agenda incluiu a sessão solene na Câmara dos Deputados, homenagens no Senado Federal e uma plenária comemorativa que apresentou a trajetória da Química organizada no Brasil, projetando os desafiosdaspróximasdécadas.
O CRQ-V esteve presente em espaços políticos e sociais onde são discutidas diretrizes que orientam o futuro da Química no Brasil. Participar destas ações junto ao Sistema CFQ/CRQs possibilita a troca de experiências e a construção de iniciativas voltadas aos profissionais e às empresas da área. Nos próximos meses, esse compromisso continuará, com participações integrativas e necessárias para o fortalecimento da ciência brasileira.



Conselheiro Wolmar Alípio Severo Filho em palestra para o curso de Licenciatura em Química na UNIPAMPA - Campus Bagé.


Conselheiro Mariano Rodrigues representa o CRQ-V na formatura dos cursos Técnico em Alimentos e Técnico em Química da UNIVATES.






Presidente Interino do CRQ-V, Estevão Segalla e o Presidente do CFQ, José de Ribamar Oliveira Filho no Fórum Indústria Química no Rio Grande do Sul.


Gerente Técnico, Rubens Zolar da Cunha Gehlen junto dos agentes fiscais José Luiz Foschiera e Luciano Miguel Jung no 5º Fórum Nacional de Fiscalização dos Conselhos Profissionais.






