ÍNDICE
3 ENTREVISTA
QUÍMICA FORENSE E IA
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ABQ
A HISTÓRIA QUE A ABQ AJUDOU A CONSTRUIR
6 PROGRAMAÇÃO DO CBQ VEJA TUDO O QUE ESPERA POR VOCÊ NO EVENTO
8 QUÍMICA E IA
A TRÍADE DA INOVAÇÃO
10 70 ANOS CFQ
SISTEMA CFQ/CRQS CELEBRA 70 ANOS DA REGULAMENTAÇÃO DA PROFISSÃO DE QUÍMICO
EXPEDIENTE
INFORMATIVO CRQ-V AV. ITAQUI, 45 - CEP 90460-140 PETRÓPOLIS, PORTO ALEGRE/RS Tiragem 2.000 unidades
EDITORIAL
Presidente CBQ Maurício de Almeida Schmitt Coordenadora da Comissão Organizadora Elsa Nhuch Coordenadora da Comissão Científica Tânia Denise Miskinis Salgado Presidente do CRQ-V Estevão Segalla Assessoria de Comunicação e Eventos assecom@crqv.org.br Jornalista Responsável Louise Veronezi Gigante Redação ASCOM/CFQ Elsa Nhuch Júlio Carlos Afonso Colaboradora de conteúdo científico Elsa Nhuch Diagramação Bruno Rinaldi Rogério Wainer Taiana Souza
É com grande satisfação que apresentamos esta edição especial do Informativo, preparada para o 65º Congresso Brasileiro de Química (CBQ), que acontece de 10 a 13 de novembro, em Nova Petrópolis, Rio Grande do Sul. Realizado pela Associação Brasileira de Química do Rio Grande do Sul (ABQ-RS), em parceria com a Associação Brasileira de Química (ABQ Nacional), o Congresso tem como tema “A Química Inteligente e a IA: A Nova Fórmula do Futuro no Presente”, reunindo palestrantes nacionais e internacionais para discutir avanços, desafios e novas perspectivas para a Química diante das transformações científicas e tecnológicas do nosso tempo. Localizada no coração da Serra Gaúcha, Nova Petrópolis oferece um cenário especial para este encontro. Conhecida por sua beleza natural, sua cultura, sua hospitalidade e pela tradição que preserva suas raízes, a cidade proporciona aos participantes a oportunidade de unir ciência, conhecimento e convivência em um ambiente acolhedor e inspirador. A programação conta com a XXXVII Jornada de Iniciação Científica, a XXIV FEPROQUIM e a XXXII Maratona de Química, valorizando a formação e o protagonismo das novas gerações. Uma novidade desta edição é a 1ª Feira de Conexões, iniciativa que aproxima empresas e comunidade científica para transformar desafios reais do setor produtivo em oportunidades de inovação. A proposta é promover a interação entre empresas, pesquisadores e grupos de pesquisa, estimulando o desenvolvimento de soluções e novas parcerias em pesquisa, desenvolvimento e inovação. Esta edição do Informativo apresenta alguns dos principais assuntos que serão abordados no 65º CBQ, incluindo Química Forense e o uso da Inteligência Artificial na educação e na pesquisa acadêmica. Considerando a importância dos jovens que construirão o futuro do nosso país, apresentamos também suas expectativas em relação ao Congresso, além dos depoimentos dos vencedores das atividades realizadas na edição de 2025 do CBQ. Boa leitura e sejam todos muito bem-vindos à Nova Petrópolis, para vivermos juntos um Congresso de conhecimento, inovação e novas conexões!
Moléculas e Algoritmos Entrevista com Dr. Luis E. Arroyo aborda Química Forense, Inteligência Artificial e Inovação
O
Dr. Luis E. Arroyo ocupa o cargo de professor associado no Departamento de Ciências Forenses e Investigativas da Universidade de West Virginia. Seu extenso portfólio de pesquisa é dedicado à caracterização e análise abrangente de novas drogas de abuso. Utilizando técnicas avançadas, como a espectrometria de massas, Dr. Arroyo investiga a identificação e caracterização de novas substâncias psicoativas, pesticidas e outras espécies químicas em matrizes biológicas e não biológicas complexas. Outra área significativa de sua expertise está na análise elementar de tintas de impressão presentes em embalagens farmacêuticas falsificadas, campo no qual utiliza a espectroscopia de emissão induzida por laser. As contribuições acadêmicas do Dr. Arroyo se estendem a numerosas publicações científicas revisadas por pares, evidenciando a profundidade e o impacto de suas pesquisas. misturadas com adulterantes ou diluentes. Os espectros obtidos por espectroscopia Raman dependem das ferramentas que o fabricante do equipamento disponibiliza no sistema. Por exemplo, no equipamento portátil Raman TacticID é utilizado o índice High Quality Index (HQI), que gera uma pontuação (score) baseada na porcentagem acima de um nível basal previamente estabelecido (por exemplo, superior a 85%). No caso de misturas, o sistema não consegue fornecer esse índice de similaridade. Em contrapartida, oferece uma alternativa para o tratamento dessas amostras, classificando qualitativamente as possíveis classes de drogas presentes.
COMO SURGIU SEU INTERESSE PELA QUÍMICA FORENSE?
Sou apaixonado por Química Analítica. Os primeiros anos da minha carreira profissional foram dedicados a compreender as necessidades de um grande número de empresas, como as indústrias farmacêutica, alimentícia, petroquímica e de energia e, naturalmente, das ciências forenses. Tive o privilégio de auxiliar cientistas forenses 3 na implementação e no treinamento para utilização de instrumentação analítica voltada à solução de problemas relacionados à identificação de drogas apreendidas e à realização de análises toxicológicas. Esse contato inicial com os colegas foi um fator decisivo para despertar meu interesse e motivar minha especialização nessa área. NO INÍCIO DA SUA CARREIRA, VOCÊ IMAGINAVA QUE SE TORNARIA UM CIENTISTA INOVADOR?
Na verdade, como acontece com qualquer profissional envolvido no universo da Química e dos negócios, o mais importante é buscar constantemente soluções para os desafios analíticos enfrentados diariamente por pesquisadores, profissionais do controle de qualidade e responsáveis pelo gerenciamento de insumos. Essa busca contínua por respostas acaba contribuindo, de forma indireta, para a inovação. No entanto, inovação não acontece em uma semana ou em um mês; ela exige preparo constante, estudo e dedicação ao longo do tempo. QUAL É O IMPACTO DO MACHINE LEARNING NA ESPECTROSCOPIA RAMAN?
O impacto do Machine Learning tem sido fundamental em todas as áreas da espectroscopia, incluindo a espectroscopia Raman. Um dos aspectos mais relevantes dessa tecnologia é sua capacidade de isolar e identificar rapidamente sinais correspondentes aos picos de interesse, facilitando a caracterização de compostos orgânicos, incluindo
COMO A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL PODE ACELERAR AS ANÁLISES QUÍMICAS?
fármacos, bem como a criação de bancos de dados capazes de identificar perfis químicos. Isso é possível graças à redução do ruído de fundo presente nos espectros, especialmente aquele causado pela fluorescência dos materiais analisados. COMO O MACHINE LEARNING MELHORA A INTERPRETAÇÃO DOS DADOS? Essa é, talvez, a contribuição mais importante da ferramenta. O objetivo é lidar com a complexidade dos espectros Raman, principalmente quando se trata da análise de misturas. A principal função do Machine Learning (aprendizado de máquina) é desenvolver algoritmos capazes de aprender continuamente a partir dos próprios dados. Ao serem treinados com dados reais, esses algoritmos conseguem aprender de forma mais rápida e fornecer interpretações mais eficientes e precisas dos resultados obtidos. QUAIS SÃO OS PRINCIPAIS DESAFIOS NA ANÁLISE DE MISTURAS DE DROGAS?
O principal desafio ocorre quando elas estão
Na área da Química Forense, a Inteligência Artificial permite uma interpretação muito mais rápida dos dados instrumentais. Isso ocorre, por exemplo, por meio do gerenciamento de bibliotecas espectrais, facilitando a detecção de substâncias ilícitas, inclusive de novas substâncias psicoativas (NSPs). No caso da espectroscopia no infravermelho e da espectroscopia Raman, os algoritmos auxiliam no processamento das características mais relevantes dos espectros e na separação dos componentes presentes em misturas, aumentando as chances de identificar corretamente a droga analisada. COMO VOCÊ ENXERGA O FUTURO DESTA ÁREA?
O futuro está centrado em análises automatizadas baseadas em associações espectrais, porém, não se limita à espectroscopia, alcançando áreas como a espectrometria de massas. Essa tecnologia está transformando a forma como drogas ilícitas, explosivos, etc. são detectados, reduzindo a possibilidade de erro humano. Aimplementação de modelos de IA nos serviços forenses deve assegurar que os resultados produzidos sejam compreensíveis, imparciais e confiáveis. Atualmente, organizações já desenvolveram normas (como a ISO/IEC 23894) que oferecem diretrizes para que as instituições gerenciem os riscos associados aos sistemas de IA, desde sua concepção, passando pela seleção dos dados, até sua implementaçãoemonitoramentocontínuo.Dessaforma,cadaórgãodeve avaliarcuidadosamenteosbenefícioseriscosdaadoçãodessastecnologias em seus fluxos de trabalho, observando marcos legais e as políticas que regulamentamseuusoadequado.
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A história que a ABQ ajudou a construir Por Júlio Carlos Afonso
As origens da Associação Brasileira de Química (ABQ) Química no Brasil, exerciam funções relacionadas à área. remontam a 1922, ano em que foi realizado o primei- Com o crescimento do número de profissionais formaro Congresso Brasileiro de Química, um dos even- dos em Química e o avanço das discussões sobre a retos oficiais das comemorações do Centenário da In- gulamentação da profissão durante os primeiros anos dependência do Brasil. A iniciativa partiu de José de da Era Vargas, surgiu a necessidade de uma entidade Freitas Machado, farmacêutico e professor da Es- que representasse especificamente os interesses descola Superior de Agricultura e Medicina Veteriná- ses novos profissionais. Inicialmente, os sindicatos dos ria (RJ), instituição que abrigava um dos nove cursos químicos assumiram parte dessa tarefa, mas, logo ficou de Química Industrial criados no país dois anos antes. evidente a importância de uma organização científica A proposta era reunir profissionais que já atuavam na capaz de acompanhar o desenvolvimento da Química área, em um momento em que o Brasil começava a explo- e sua crescente inserção no setor industrial brasileiro. rar suas riquezas naturais e diversas indústrias ensaiavam Foi nesse contexto que, em abril de 1939, surgiu a Assoseus primeiros passos. É importante ciação Química do Brasil (AQB), que lembrarmos que muitos destes profisreunia em seu quadro social, em sua sionais ainda não possuíam formação maioria, químicos de nível superior. Hoje, aos 104 anos de sua hisespecífica, pois as primeiras turmas dos A nova entidade trouxe uma imporcursos de Química Industrial colaram tante inovação: a realização de contória, a Associação Brasileira de grau somente a partir de 1923. O Congressos de Química em regime itineQuímica mantém vivos os ideais gresso pretendia aproximar químicos e rante, levando a ciência para além do que inspiraram seus pioneiros, indústrias, além de organizar e estimutradicional eixo Rio–São Paulo. Criou reafirmando seu compromisso lar as atividades relacionadas à Químios Anais da Associação Química do com a Química, com a ciência e ca em desenvolvimento no país, conBrasil e um boletim informativo, além tribuindo para o progresso nacional. com o desenvolvimento do Brasil. de estabelecer parcerias com instiRealizado de 3 a 11 de novembro de 1922, tuições dos setores industrial, públio Congresso teve como um de seus co e educacional. Ao mesmo temmais importantes desdobramentos a fundação, em 10 de po, empenhou-se no reconhecimento e na valorização novembro, da Sociedade Brasileira de Química (SBQ), por dos profissionais da Química na sociedade brasileira. iniciativa de Freitas Machado. Nascia, assim, a primeira en- Na década de 1940, entretanto, os embates entre a SBQ tidade científica de âmbito nacional dedicada à Química. e a AQB acabaram prejudicando a participação da QuíSuperando os desafios próprios de uma instituição pio- mica brasileira em diferentes eventos e iniciativas. Sócios neira, a SBQ promoveu importantes iniciativas. Orga- que pertenciam às duas entidades começaram a percenizou o primeiro Congresso Nacional de Óleos, Gor- ber o paradoxo de existirem duas associações com objeduras, Ceras e Seus Derivados, em 1924, e o segundo tivos semelhantes, mas que mantinham relações pouco Congresso Brasileiro de Química, em 1937. Participou harmoniosas, dividindo a comunidade química nacional. também da segunda edição do Congresso de Óle- Após uma primeira tentativa frustrada, o projeto de fusão os, em 1927, e da organização do Terceiro Congres- foi retomado em junho de 1950, a partir de um memorial enso Sul-Americano de Química, realizado em 1937. caminhado e assinado por diversos sócios comuns às duas A Sociedade também deixou sua marca na dissemina- entidades. Depois de superadas as últimas dificuldades, ção do conhecimento científico. Em 1929, lançou a Re- chegou-se a um momento histórico: na sessão solene de 12 vista da Sociedade Brasileira de Química, o primeiro de outubro de 1951, representantes da AQB e da SBQ eleperiódico de Química do país, que circulou até 1951. Foi, geram a Diretoria provisória da nova entidade, oficialmenainda, a primeira entidade brasileira filiada à IUPAC, or- te denominada Associação Brasileira de Química (ABQ). ganizou uma importante biblioteca em sua sede e tor- A ABQ nasceu, assim, reunindo a trajetória, o legado nou-se pioneira na divulgação da Química pelo rádio. e as conquistas de suas duas predecessoras. Sua criaSeu quadro social refletia o momento histórico da profis- ção marcou uma nova etapa para a Química brasileira são, sendo formado, principalmente, por farmacêuticos, e consolidou uma entidade que, ao longo das décamédicos, agrônomos, engenheiros e veterinários. Profis- das, acompanhou a evolução da ciência, da formação sionais estes que, antes da criação dos cursos superiores de profissional e do desenvolvimento industrial do país.
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Alunos premiados
Ex-alunos relembram a premiação e o evento
Matheus José Silva
Licenciatura em Química (UFMG)
A premiação na Jornada de Iniciação Científica fortaleceu minha confiança, reafirmou a importância do esforço, da dedicação e da resiliência na pesquisa científica e me motivou a continuar investindo na minha formação. Além disso, a participação no congresso abriu novas oportunidades, como o ingresso em um novo projeto de pesquisa, a conquista de uma bolsa de Iniciação Científica e a ampliação da minha rede de contatos por meio das discussões com professores e estudantes de diversas instituições.
Gabriel Mocitaiba Pinheiro Instituto Federal da Bahia (IFBA)
Conquistar o 1º lugar na FEPROQUIM no 64º Congresso Brasileiro de Química foi um dos momentos mais marcantes da minha trajetória. Era a primeira vez que eu apresentava um trabalho em um congresso desse porte e também a minha primeira viagem para fora da Bahia. Ver minha pesquisa reconhecida foi uma grande realização e mostrou que o trabalho desenvolvido na minha escola podia alcançar novos horizontes.
Teresa Balestro Somensi de Oliveira Colégio Militar de Porto Alegre
Participar da Maratona de Química do 64° CBQ foi uma experiência muito enriquecedora, porque possibilitou o aprofundamento dos meus conhecimentos e ampliou a minha visão sobre a Química. Além do desafio da competição, o evento impactou de modo especial a minha trajetória acadêmica ao apresentar conceitos da Química de forma prática, oferecendo uma nova perspectiva para os meus estudos e despertando ainda mais o meu interesse por essa área do conhecimento.
Francielen Kuball Silva
Doutorado em Engenharia Química - Unisul
Participar do Congresso Brasileiro de Química (CBQ) é reencontrar a essência daquilo que me inspira a construir a ciência todos os dias. A cada edição, o Congresso reafirma seu papel como um dos mais importantes espaços de integração da comunidade química brasileira, reunindo pesquisadores, profissionais, professores e estudantes em torno da produção e da socialização do conhecimento. Mais do que acompanhar as inovações da área, o CBQ fortalece conexões, estimula novas parcerias e amplia o olhar sobre o impacto que a Química pode promover na sociedade.
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Q u í m i c a e IA
A TRÍADE DA INOVAÇÃO Desde os tempos da Alquimia, a busca
Pesquisas recentes mostram aplicações
dentificar a presença de substâncias proi-
por transformar a matéria e compreender
da IA em Química que vão desde a pre-
bidas e determinar o grau de pureza ou os
os segredos do universo sempre fascinou
visão de propriedades moleculares e o de-
adulterantes presentes, como cafeína e li-
os maiores gênios da humanidade. De
senho de moléculas, até a descoberta de
docaína, de forma rápida, barata e auto-
Robert Boyle e Antoine Lavoisier, até as
fármacos, análise de dados, planejamento
matizada.
mentes contemporâneas, a Química se
experimental e automação de laboratórios.
Mas como funciona? O Machine Lear-
reinventou continuamente para mover o
Na educação, estudos apontam possi-
ning é um subcampo da Inteligência Ar-
mundo. Hoje, vivemos o próximo grande
bilidades de aprendizagem personalizada,
tificial que utiliza dados e algoritmos para
salto dessa jornada: o encontro do labo-
simulações e laboratórios virtuais, mas tam-
permitir que os computadores aprendam
ratório com a Inteligência Artificial. Mais do
bém levantam questões de confiabilidade,
e aperfeiçoem suas respostas a partir des-
que uma evolução técnica, a IA surge
ética, autoria e dependência excessiva.
sas informações. Entretanto, a Inteligência
como um novo catalisador dessa ciência
A programação oficial do 65° CBQ co-
Artificial não trabalha de forma autônoma
secular, sustentando-se sobre três pilares
loca a Inteligência Artificial em diálogo com
no sentido científico: ela depende da qua-
fundamentais: a forma como ensinamos, a
a Química e com a indústria. A palestra de
lidade dos dados fornecidos e, principal-
maneira como pesquisamos e a capaci-
abertura, por exemplo, aborda “A Inteligên-
mente, da capacidade humana de formu-
dade de inovar. O que antes levava anos de
cia Artificial e seus Impactos na Química e
larperguntas e interpretaros resultados.
tentativa e erro, agora pode ser projetado e
na Indústria do Futuro”.
acelerado no mundo digital.
A pergunta que atravessa essa progra-
cimento humano também pode ser ob-
Das salas de aula aos laboratórios de alta
mação é especialmente atual: o que acon-
servada na educação. No Ensino Médio, o
tecnologia, a Química passa por uma de
tece quando uma ciência tradicionalmen-
professor MSc. Leandro Camacho utiliza a
suas maiores revoluções estruturais. A
te associada ao laboratório passa a incor-
IA não apenas como ferramenta de apoio,
fusão entre o conhecimento molecular e a
porar ferramentas capazes de analisar
mas como instrumento para compreender
Inteligência Artificial abre novas possibili-
grandes volumes de dados, identificar
melhor as dificuldades de seus estudantes.
dades para transformar o ensino, otimizar a
padrões e acelerarprocessos de pesquisa?
Após as avaliações, ele utiliza a tecnologia
pesquisa e impulsionar uma era de inova-
O Dr. Luis Arroyo, da West Virginia
para identificar os conteúdos e conceitos
ção. Entender como esses pilares se sus-
University, nos traz, em sua palestra, a aná-
em que os alunos apresentam maior difi-
tentam é compreender não apenas o
lise de uma mistura de drogas ilícitas utili-
culdade e, a partir desses dados, planejar
estado atual da ciência, mas também o
zando Espectrometria Raman e Machine
revisões mais direcionadas às necessidades
próprio mapa do nosso futuro.
Learning (ML). Essa tecnologia permite i-
de cada turma. Como observa o professor:
Essa relação entre tecnologia e conhe-
“Utilizo a Inteligência Artificial como ferramenta de apoio à análise da aprendizagem e ao planejamento pedagógico. Após as avaliações, a IA me ajuda a identificar os conteúdos e conceitos em que os estudantes apresentam maior dificuldade. A partir desses dados, consigo planejar revisões mais direcionadas às necessidades de cada turma, tornando as intervenções pedagógicas mais precisas e a aprendizagem mais significativa”, diz Leandro Camacho. A experiência mostra uma mudança importante: a IA não substitui o professor, mas pode ampliar sua capacidade de analisar informações e tomardecisões pedagógicas mais precisas. Essa transformação também chega à formação universitária. Para Ana Rita Oberrather Silva, estudante do curso de Bacharelado em Química da UFRGS, a IA já faz parte da rotina de estudos. Entre as ferramentas que utiliza estão ChatGPT, Gemini e Notebook LM. Para estudos dirigidos, utiliza o Notebook LM com livros, artigos e outros arquivos como base, solicitando resumos e perguntas sobre os temas estudados. ChatGPT e Gemini são utilizados para dúvidas mais rápidas, revisão de conceitos, cálculos, conversões e sugestões relacionadas a instrumentos analíticos. Mais do que simplesmente buscar respostas,Ana Rita utiliza essas ferramentas como uma segunda opinião, para validar seu raciocínio, revisar textos, relatórios e atividades e apoiar a escolha de métodos analíticos. O uso de perguntas de acompanhamento permite ainda explorar como alterações em um procedimento podem modificar seus resultados e possibilidades. Esses exemplos mostram que a IA pode estar presente em diferentes momentos da formação e da prática profissional: ajudando o professor a compreender a aprendizagem, apoiando o estudante na construção do conhecimento e oferecendo ao pesquisadornovas possibilidades de análise.
Mas, justamente porque a tecnologia amplia tanto essas possibilidades, surge uma questão fundamental: o que não podemos delegar à Inteligência Artificial? Para a Dra. Marta Rosecler Bez, da Universidade FEEVALE, a resposta está naquilo que constitui a essência do fazer científico: o pensamento crítico, a formulação de hipóteses, a interpretação dos resultados e a tomada de decisões responsáveis. Para ela, é impossível terceirizar essas capacidades para a Inteligência Artificial. Cabe ao ser humano manter a curiosidade, o julgamento e a responsabilidade sobre o conhecimento que produz. À medida que a IA assume tarefas cada vez mais complexas na Química, Marta reforça que nunca devemos deixar de fazer perguntas. A capacidade da IA de processar grandes volumes de dados, identificar padrões e propor soluções pode acelerar extraordinariamente a pesquisa, mas cabe ao pesquisador questionar os resultados, compreender suas limitações, verificar as evidências e mantero rigorcientífico, com ética e responsabilidade. Na era da Inteligência Artificial, portanto, o conhecimento humano permanece essencial. Pesquisadores, professores, estudantes e profissionais fornecem dados, formulam perguntas, avaliam resultados e interpretam informações com pensamento crítico. A IA amplia capacidades, identifica padrões e apoia decisões, mas são a experiência, a criatividade, a curiosidade e o conhecimento científico que transformam dados em inovação. Talvez seja justamente nessa combinação que resida a verdadeira tríade da inovação: uma Inteligência Artificial cada vez mais poderosa, uma Química capaz de aproveitar suas possibilidades e, no centro de tudo, o serhumano fazendo as perguntas certas.
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SISTEMA CFQ/CRQs CELEBRA 70 ANOS DA REGULAMENTAÇÃO DA PROFISSÃO DE QUÍMICO
E
m 18 de junho de 1956, o presidente Juscelino Kubitschek sancionou a Lei nº 2.800, conhecida como a “Lei Mater dos Químicos”, que regulamentou o exercício da profissão de químico no Brasil e instituiu o Conselho Federal de Química (CFQ) e os Conselhos Regionais de Química (CRQs). O marco legal consolidou o reconhecimento da categoria, estabeleceu as bases para a fiscalização profissional e fortaleceu a Química como área essencial ao desenvolvimento científico, tecnológico e industrial do país. Em reconhecimento a essa conquista, a data passou a ser celebrada como o Dia do Químico, homenageando os profissionais responsáveis por transformar conhecimento científico em soluções que promovem saúde, inovação, segurança e qualidade de vida para a sociedade. Sete décadas após a sanção da legislação, a regulamentação continua sendo um dos principais fundamentos da profissão. Presente em setores estratégicos como saúde, alimentos, meio ambiente, energia e indústria, a atuação dos químicos é indispensável para assegurar qualidade, segurança e avanço tecnológico. Para o presidente do Conselho Federal de Química, José Ribamar Oliveira Filho, celebrar esse marco histórico representa reconhecer a contribuição da Química para o crescimento e a transformação do Brasil. “O Conselho Federal de Química acompanhou profundas transformações na sociedade brasileira e a Química está em cada uma delas. Nos medicamentos que salvam vidas, no tratamento da água que consumimos, nos alimentos que chegam às nossas mesas, nos processos industriais que movimentam a economia e nas tecnologias que ajudam a construir um futuro mais sustentável. Por isso, celebramos esta data olhando para frente”, afirma.
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Ao longo desse período, novas normas ampliaram os campos de atuação dos profissionais da Química, acompanhando a evolução científica e as transformações da sociedade. Atualmente, os químicos estão presentes em áreas como pesquisa, inovação, sustentabilidade, controle de qualidade, educação e desenvolvimento de soluções estratégicas para o país. Ao destacar os desafios e as oportunidades para os próximos anos, Ribamar reforça o caráter estratégico da área para o desenvolvimento nacional.
“A QUÍMICA É A CIÊNCIA CENTRAL. COM ELA, TEMOS TODOS OS CAMINHOS PARA CONSTRUIR UM BRASIL CADA VEZ MAIS DESENVOLVIDO, INOVADOR, SUSTENTÁVEL E INDEPENDENTE”, DIZ. Mais do que um marco histórico, a regulamentação da profissão representa o reconhecimento de uma área essencial para o Brasil. Com conhecimento, inovação e compromisso social, os profissionais da Química seguem contribuindo para transformar desafios em soluções e promover avanços que beneficiam toda a sociedade.
A vida é o nosso principal elemento! Contato (51) 3330-5659 crqv@crqv.org.br crqv.org.br
Conselho Regional de Química da 5ª Região. Avenida Itaqui, nº 45 Porto Alegre/RS - CEP 90460-140
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