CATÁLOGO "Memórias Efetivas" 40 anos de Trajetória Artística Cristina Pretti
Apresentação......................................................2 Agradecimentos..................................................3 A Exposição.........................................................4 Panorâmicas da Exposição................................5 Texto Tita Pretti..................................................6 As Primeiras Litogravuras.................................9 Texto Scheila Ribeiro.......................................10 As Primeiras Fotografias.................................11 Texto Mia Ávila.................................................12 Vestido de Noiva...............................................13 Texto Ana Sasse................................................14 Série Varais I......................................................15 Texto Josemeri Coelho.....................................16 Texto Tito Hille..................................................17 Série Varais II.....................................................19 Texto Michelli Cunha César.............................20 Série Varais III....................................................23 Texto Déa Mafezolli..........................................24 Texto Angélica Fagundes.................................26 Arte Pública.......................................................27 Texto Denise Ravizzoni....................................28 Café com pão, manteiga não..........................29 Texto Inacio Carreira........................................30 Encontros...........................................................37 Texto Fátima Ossowsky....................................38 Filhos da Terra...................................................39 Texto Elise Ossowsky........................................40
Índice
Café da Tarde.....................................................41 Texto Tania Cotrim............................................42 Desta Água não beberei... Beberei..................43 Texto Nina Pretti................................................44 Os Noivos............................................................45 Texto Pita Camargo ...........................................46 Série "Cabeças"...................................................47 Texto Lygia Helena Roussenq Neves...............48 Lavadeira.............................................................49 Texto Valdemar Staffen.....................................50 Livro de Artista....................................................51 Texto Nelson Julio...............................................52 Pôr do Sol.............................................................55 Texto Rosemarie Borgmann..............................56 Monotipias em Resina........................................57 Texto Ruth Borgmann.........................................58 Pintura com Relevo..............................................59 Texto Maria Helena Feldens...............................60 Pintura em Aquarela............................................61 Texto Regina Bittencourt.....................................62 Pintura Invertida...................................................63 Texto Leoní Cimardi.............................................64 Pintura com Chiclete............................................65 Texto Vera Triches................................................66 Instalação...............................................................67 Texto Valdete Hinnig............................................68 Cerimonial..............................................................69 Créditos..................................................................73
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Apresentação Cultura é arte, tradição, educação, segurança, economia e, portanto, é muito importante, pois está presente em nossas vidas! A arte leva a público magia, imaginação, reflexão, discussão, emoção e muitas outras sensações indescritíveis. Com muito orgulho apresento o resultado da Exposição "Memórias Efetivas", que mostra a produção dos meus 40 anos de trajetória artística. Comemorar aniversários longevos é fundamental para fortalecer ações que primam pela criação e apresentação de manifestações artísticas. O meu desejo é de que este catálogo seja uma ferramenta de pesquisa e invenção, com a qual vocês possam se conectar com as propostas sugeridas, além de conhecer, através das obras, um intenso paralelo entre a Arte e a Vida.
Cristina Pretti 2
Agradecimentos
Aos queridos amigos e à minha família, que enriqueceram minha trajetória com suas fruições sobre minhas obras de arte! Um forte abraço!
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A Exposição
A Exposição "Memórias Efetivas" aconteceu em Jaraguá do Sul/SC no dia 01 de dezembro de 2018, na sede da AJAP Associação Jaraguaense de Artistas Plásticos. Foi uma retrospectiva em comemoração aos 40 anos de trajetória artística da artista plástica Cristina Pretti.
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Panorâmicas da Exposição
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Memórias Efetivas Texto de abertura da Exposição
Tita Pretti
Do dicionário vem a definição do adjetivo “efetiva”: - Fixa em trabalho ou serviço; - Permanente; - Que produz efeito. Que produz o resultado desejado; - Eficaz; - Verdadeira. Real. Cristina é efetiva. Sua obra é efetiva. Suas memórias são efetivas. Sua trajetória é efetiva.
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"Permitam-me quebrar o protocolo e atenuar a formalidade. Cristina, para quem não sabe, é minha mãe. Então peço licença para falar na primeira pessoa. Quando ela pediu para que eu falasse do conjunto das obras que compõe sua Primeira Exposição “Memórias Efetivas”, entrei em pânico. Como falar, imparcialmente, de sua trajetória artística de quarenta anos sem confundir a artista com a mãe? Tentei dissociar as duas personas, mas não tive sucesso. Pois vejo em “Memórias Efetivas” o olhar materno que contempla, recebe, acolhe, nutre, preserva, incentiva...critica – ah, como critica! - respeita e, acima de tudo, AMA – ah, como ama! "Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.“ Queria eu que essa frase fosse minha, mas não. É daquela sábia raposa, amiga do Pequeno Príncipe, mas representa bem o olhar de Cristina. Porque hoje em dia muita gente olha. Mas hoje em dia, pouca gente vê. E é preciso ver com atenção em tempos tão líquidos. É preciso ver o essencial que passa despercebido.
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É preciso ver e olhar: - para a ludicidade das coisas como uma criança - para aqueles que estão à margem da sociedade - para a ausência das flores e folhas que outrora pousaram nos troncos e galhos hoje secos e sem vida - para o reflexo interior que contempla tanta beleza - para o renegado trem que traz ou leva o progresso - para a grandiosidade da simplicidade - para fora da janela e enxergar na vista a si mesma - para dentro de si - para o futuro com lentes cor de rosa - para a mente humana...criativa, destrutiva, construtiva, inquieta, conformada, pensante...ou não. São quarenta anos de trajetória artística, quinze anos dedicados à arte- educação, inúmeras premiações de alunos da escola pública. Uma caminhada dedicada ao coletivo, como curadora e produtora de diversas exposições e manifestações artísticas. E, finalmente, é o registro de sua primeira exposição individual.
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As primeiras Litogravuras
"Chaminés", Tríptico de Litogravuras, 53x40cm, 1979
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Scheila Ribeiro O que faz com que uma coisa seja autêntica é tudo aquilo que ela contém de originalmente transmissível". (Walter Benjamin) Em obras datadas de 1978, quando pouco se discutia sobre os riscos e prejuízos da poluição ao meio ambiente e à saúde, a artista Cristina Pretti se impõe e se manifesta. A provocação da artista em retratar chaminés confere à sua obra singularidade e autenticidade. Uma provocação ainda pertinente na atualidade. Não propõe apenas que se contemple, mas que se volte à cena para uma percepção combativa e questionadora.
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As primeiras Fotografias
"Que o fim tenha gosto de brincadeira de criança", fotografias reveladas e pintadas à mão, 20x25cm, 1978 11
Mia Ávila A obra “Que o fim tenha gosto de brincadeira de criança”, de Cristina Pretti, foi produzida em meados de 1977/78, época em que a artista concluía Licenciatura em Desenho e Artes Plásticas, pela Universidade Federal do Espírito Santo. Composta por cinco imagens, foi o primeiro trabalho fotográfico da artista, em preto e branco, com revelação manual. Por se tratar de Cristina Pretti, com certeza, as fotos não poderiam permanecer todas em “preto e branco”; o ambiente, o cenário onde as pessoas se encontravam poderiam sofrer interferências e foram por ela “coloridos”. O “olhar, ver, pensar” da artista já se manifestava desde essa época, bem como sua irradiante energia, alegria de viver e crença no poder de transformação. Assim é que o início de sua trajetória artística já é marcado por uma crônica visual, denota um compromisso com a realidade das imagens, mas também de consciência dos dilemas interpretativos, preserva as características individuais das pessoas retratadas, mas mostra que as condições ambientais podem ser mudadas, o “cenário” pode ser melhor. A significação do conjunto das suas primeiras imagens perdura no tempo, oferece ao expectador uma gama de interpretações que vão muito além da aparente simplicidade de seu registro.
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"Vestido de noiva"
Vestido de Noiva desenhado pela artista, 1979, Vitória, ES
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Ana Sasse
Ser artista é expressar de maneira sensível a realidade externa. Essa expressão pode ser manifesta na pintura de um quadro, no registro fotográfico de um momento único ou no desenho de um vestido. Para Cristina, que confeccionava na adolescência suas próprias roupas, desenhar e executar esta veste cerimonial foi mais um ato de criação de seu infindável repertório.
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Série Varais I
Instalação com fotografias de sombras de varais, 20x30cm, sobre placa de acrílico 30x300cm suspensa no teto, placas de espelhos no chão refletindo a imagem da grama, 20x30cm, 2004. 15
Josemeri Coelho Ela disse sim...E ali deu-se início a uma nova etapa. A vida é um fenômeno composto por fases e não há nova fase sem o findar de um ciclo. Sua avó lhe deixara de herança, desde sua doce infância, a confecção de peças de vestuário, porém, sem seguir itinerário, nunca mais costurou tecidos. Dali em diante seu ser foi envolvido por outras artes. Deixou dos panos e tratou de costurar seu caminho ao de quem conquistou-lhe o coração. Da mente à mão, moda também é arte e, desenhar-te, dela, bela realização. Na renda escolhida arrendou, por querer, a vida O reluzir do strass refletia a felicidade do enlace Do botão à textura do pano, não se permitiria nenhum engano Tinha que ter caimento para viver aquele eterno momento E transmitir a mensagem que muito mais que uma imagem Só se tem alegria, vivendo todos os dias Com leveza e harmonia
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Tito Hille A Arte de capturar momentos através da fotografia sempre nos fascinou; registros da história, praticas do cotidiano, retratos de família, aprisionamento do espírito – sim, era isso que muitas tribos indígenas acreditavam ao se verem retratadas naquele formato - imagens da natureza... Tanto na sua complexidade ou simplicidade, somente ela, a “NATUREZA”; é capaz de nos revelar outro patamar de elevação ao espírito humano. Mecanismos deste cotidiano ditam as regras das rotinas que nos escravizam e que na maioria das vezes nem nos damos conta destes processos que regem a parte funcional da manutenção das coisas há que somos condicionados. Nosso lar com sua aparente garantia de segurança talvez seja nossa maior prisão! É nele que nos recolhemos por quase toda nossa vida; é nele também que iniciamos muitos de nossos rituais de purificação. Não podemos esquecer que ao expor nossas vestes agora livres de nossas impurezas, nos deparamos com as sombras das mesmas projetadas neste solo sagrado. Expostas à ação do tempo, não apenas nossas vestes revelam suas formas, mas nós mesmos ao efetuarmos tal tarefa temos a oportunidade de reconhecer este vulto que apesar de representado por uma figura não tão bem distinta, demonstra através dos seus contornos um tanto de nós. Ao abandonarmos nossos quintais, distantes da zona de conforto a que somos habituados, somos tentados a adentrar em outras áreas revestidas por essa vegetação rasteira e que nos convida a seguir mais adiante. 17
Seja nos campos ou em áreas urbanas, lá está ela como um tapete mágico a nos seduzir. Mas cuidado, nem sempre estes territórios nos permitem caminhar livremente; nas áreas rurais em alguns casos, animais que dela se alimentam exigem nossa atenção: “O touro defende ferozmente seu território”... Já nas cidades tomadas por edificações, mas onde a mesma ainda se faz presente, é fácil nos depararmos com placas nos alertando: “Proibido pisar na grama”... Situações estas que nos obrigam a olhar com extrema atenção no que está “refletido” abaixo daquilo que muitas vezes não percebemos à primeira vista. Ao nos tornarmos mais cientes, temos a compreensão profunda de que nem todos os locais será permitido estender nosso varal! Mas do que é feito um varal??? AR/AME – AR/AME – AR/AME...Independente d’AS GRAMAS QUE PISO!!! Se você não se virar pro espelho Sempre vai ter este vulto por trás Um vulto estranho que te dá medo Não corra não, é só você. Redson (Trecho da música “Águia Filhote”, Banda Cólera) 18
Série Varais II
Instalação, corda de varal com fotos de varais, objetos de lavanderia, presas por grampos de madeira, 600cm, 2005 19
Michelli Cunha Cesar
Ao observar a obra, uma inquietação surge, imagens e lembranças invadem o olhar, inserem-se na alma. Um grampo e mãos, algumas vezes calejadas, outras delicadas, criam um tempo de reflexão. Ao estender roupas vivências, emoções vem à tona, não são apenas peças que se agitam, são recordações que oscilam e alcançam os sentidos. Um dia de festa que flutua pelo ar, uma mãe cansada que prossegue, uma lágrima de saudade que escorre, deixada pelo espaço vazio da roupa dançante. Um amor que se foi...
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Um filho crescido! O dia a dia. Um amor que permanece. E pensamentos, muitos deles... Os grampos, um fio.
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Alguns grampos se perdem pelo caminho, grampos desfeitos, sonhos desfeitos e no varal todos são estendidos, os sonhos não realizados e os sonhos sorrisos. A fragilidade do fio pode ser rompida a qualquer instante, mas o vento está lá, balançando a vida, abraçando momentos. Então vem o sol e sombras surgem, nunca é somente a realidade, é uma imagem difusa, imperfeita do que somos, mostrar-se é demorado e doloroso! Por isso dançamos, embalados pelo vento... Por isso pisamos a grama.
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Série Varais III
"Varais" Série de fotografias de sombras de varais plotadas sobre lona e chassi retangular, 15x20cm, 2006 23
Dea Maffezzolli Nas pequenas situações da vida, em minúsculos instantes no intervalo do respirar, nos deparamos com a magia da transformação. Tudo o que há sobre a terra está em constante transição, os indivíduos, as consciências, até mesmo simples roupas penduradas em um varal, quando apreciadas sem amarras mentais, com um olhar livre e criativo se revelam. Esses pequenos instantes mágicos exibem o que há em nós mais do que há no observado. A obra, parte da história de uma personagem lavadeira que separa as roupas, lava-as e pendura em um varal, e, por fim, as contempla. Num processo criativo longo, a artista pendura as próprias roupas no varal do jardim de casa, sendo sua própria personagem, unindo a realidade e o imaginário, contempla as roupas penduradas e se depara com as sombras.
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De onde vêm essas sombras? Dos nossos instintos mais reprimidos. Separamos roupas, pessoas, o bem do mal, humanos gostam de separar, deveríamos gostar de separar o lixo, os físicos e os mentais. Adoram também visualizar o colorido da vida e pouco observam as sombras, esse “eu escondido”. Nas pequenas caixinhas plotadas, as sombras se movimentam. Se fixarmos o olhar, é possível sentir as cores. Mais que um processo, o percurso criativo ressignificou uma pequena situação diária, das tantas vivenciadas e pouco contempladas. Cristina Pretti, nossa (minha) artista amada, tem esse movimento dentro de si, exala o calor da vida, emite cores quando a abraçamos e, como poucos, seu olhar revela o que permanece escondido. Por isso e tudo o mais que não cabe em palavras, pode-se afirmar que não é só a sombra pintada de um varal de roupas, é um esvaziar-se, é um encontro consigo e como pintura, uma permissão para que possamos “contemplar” esse encontro.
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Angélica Fagundes A série Sombras de Varais da Artista Cristina Pretti é composta por três obras. É uma coletânea de fotos registros plotadas em tela que expressam a busca interior da artista em dar vida a essa história carregada de significados. Cristina mergulha nesse processo de corpo e alma na busca de registrar a poesia de um varal cheio de roupas. Gerações estendendo sonhos, histórias e angústias no quintal. O que uma peça de roupa ou um varal cheio delas é capaz de contar!? Lavadeira, avó, mãe, mulher, menina pendurando no varal suas histórias, lembranças, sua vida e sua alma com assombras no chão. "A lavadeira separava as peças por cores e em varais separados. Depois descansava no final do dia contemplando o movimento dos varais balançando ao vento”.
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Arte Pública
Arte Pública, luvas de silicone infladas e fixadas em galhos de árvores podadas, no estacionamento da Rodoviária de Jaraguá do Sul, 2008
Registro Fotográfico, arte pública 22x30cm e das podas na cidade, 12x15cm, 2010
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Denise Ravizzoni O olhar de Cristina Pretti é crítico. Faço, no entanto, a ressalva de que é amorosamente crítico. A ela, não basta observar o tema, apropriar-se do tema, refletir sobre o tema, produzir a partir do tema. É preciso que ela o ame. É este olhar que percebo ao examinar os detalhes das duas séries expostas aqui. Tanto na primeira - o registro de uma instalação chamando a atenção para a depredação sofrida pelas árvores da cidade - quanto na segunda uma crítica à poda agressiva realizada no patrimônio verde - a intenção ultrapassa a relação do artista com o objeto. Vemos ali a real preocupação de que haja troca do indivíduo com o meio, o desejo de que esta inter-relação torne-se prazerosa, de que o pensamento não seja vão e, enfim, de que o resultado do impacto permaneça positivo. Cristina critica porque ama e, para quem contempla as obras, faz toda a diferença.
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"Café com pão... manteiga não"
"Café com pão... manteiga não", Instalação com xícaras, canecas e pires sobre duas tiras de fitas adesivas pretas, 300cm, 2006 29
Inacio Carreira Café com pão, manteiga não Instalação com xícaras, canecas e Pires. 100 x 800 cmExposição Preto no Branco - AJAP Finalista para relato de experiências artísticas em escolas de período Integral - Secretaria de Educação de Governo do Estado Relato no livro "A Arte como propulsora da integração escola e comunidade"- Silvia Sell Duarte pillotto e Eliana Stamm, Editora UNIVILLE Finalista do VIII Prêmio Arte na Escola Cidadã A Exposição A Exposição “Preto no Branco”, organizada pela Associação Jaraguaense de Artistas Plásticos – AJAP, julho de 2006, foi a oportunidade para levarmos ao público uma obra há muito idealizada: por mim, professora/artista Cristina Pretti e pela artista plástica Valdete Hinning, contando com a participação dos alunos da Escola Professora Valdete Inês Piazera Zindars, como co-autores na produção artística.
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A Obra Uma bancada, duas tiras de fita adesiva preta (correndo paralelas da bancada ao chão, transpondo a sala de exposição e avançando sobre a área de espera para o embarque, na rodoviária). Sobre as fitas, xícaras compostas de quatro em quatro e à frente, empilhadas sobre pires nas cores preto e branco. A obra apresenta um simulacro do trem, da turbulência, da velocidade, da qualidade de vida na pacata cidade de Jaraguá do Sul. “Café com pão, manteiga não”, não representa tudo o que temos e sim tudo o que ainda nos falta. O Tema Os alunos foram instigados com a seguinte questão: “O que passa pela minha vida, o que fica e o que faltou nisso tudo que passou?”. A maioria das respostas foi: Tempo para brincar mais Tempo para ficar mais com meus pais Tempo para não fazer nada Foi oportunizado aos alunos, um pouco de história da linha férrea Jaraguaense e também aconteceu a reflexão sobre o trem no imaginário popular, com apresentação aos alunos de músicas e leitura de obras de arte de artistas regionais. Houve também o resgate dos conhecimentos e vivências com a linguagem da arte contemporânea, oportunizada em visitas de estudo em Exposições anteriores. 31
A partir desta sensibilização, os alunos foram desafiados a pensar e construir um jingle para a sonorização da Instalação “Café com pão, manteiga não”. Apresentaram várias sugestões de sons do trem passando pela cidade para a composição do jingle, com a boca, as mãos, os pés e instrumentos de percussão. Foram selecionados os sons feitos com a boca, nas seguintes onomatopeias: Tchic, tchic, tchic; Cafécompãomanteiganão, Cafécompãomanteiganão; Piuiiiiiiiiiiiiiiiiiii; O jingle foi gravado por dezoito alunos, nos estúdios da rádio Brasil Novo – RBN –, conhecendo o ambiente de uma rádio/TV. Foi socializado durante o período que antecedeu a Exposição, com inserções em três rádios locais e na escola.A Construção da Obra Os alunos, sob minha orientação participaram da Instalação, em primeiro lugar, entendendo o processo de construção de uma Instalação e colaborando na doação de canecas e xícaras para fazer parte da obra e na sonorização do jingle, sendo pano de fundo da Instalação e ouvido durante todo o período de Exposição. Com a utilização do processo criativo da instalação como recurso didático e pedagógico, passa a existir a inovação do binário ensino e aprendizagem, motivando os alunos a refletirem sobre a produção artística contemporânea e entendendo, visualizando e apreciando o fazer artístico. 32
Ao juntarem suas experiências profissionais, artísticas e vivenciais, as artistas Cristina Pretti e Valdete Hinnig fazem ressurgir o tema ferroviário como metáfora de integração, de modernidade, de busca, de excesso, de falta. O trem é o que deixa ou o que leva? Como disse o poeta Luis Vieira, “coisa tão bonita é o trem, quando sai de uma cidade, pra uns ele leva alegria, pra outros deixa saudade”...E o nosso trem, economicamente montado com xícaras e pires, lembrando os suportes para o café com pão que intitula a obra, o que deixa e o que leva? A negação à manteiga é um indício de que o gosto pela iguaria não está instaurado ou é uma constatação da pobreza do lugar, que não pode tê-la à mesa? Lembro de um fato anedótico, ocorrido há quase cinquenta anos em um lugar rico em manteiga, mas pobre em dinheiro, onde a margarina – industrializada, trazida de longe – era considerada artigo de luxo, concorrendo na ignorância do colono com a saudável manteiga de fabricação caseira. Serve a obra, minimalista no seu conjunto, pop na idealização, kitch na releitura dos objetos/vagões, para uma reflexão sobre a sociedade local, suas formas de produção e consumo, seus vai e vem de mercadorias, gentes, valores?
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Últimas reflexões A realização da obra pôde juntar artistas, professora e alunos, tanto na discussão do trabalho, na construção e gravação do jingle e na montagem final. Em torno da ideia, a fruição da mesma, fica aberta ao imaginário individual desses mesmos alunos/artistas, da professora/ artista, das artistas e da população em geral, fixa ou flutuante, uma vez que a obra foi originalmente montada na Estação Rodoviária de Jaraguá do Sul. Os alunos tiveram a oportunidade de vivenciar o visível e o invisível, conhecer o conceito de arte envolvido nessa obra, por meio da admiração e do estranhamento. A instalação foi reconhecida como arte pelos alunos, quer pelos conceitos de arte envolvidos na obra, quer pela importância da ideia na arte. Os alunos/artistas puderam apropriar-se das seguintes aprendizagens: Relação espaço, corpo e tempo na construção na Instalação; Ampliação do repertório sonoro, rítmico, corporal e visual; Compreensão do espaço não-formal como espaço de conhecimento; Pesquisação como elemento imprescindível na construção estética; Integração do grupo como agente transformador e criativo. Acreditamos que a educação em arte integra todos esses aspectos e pode contribuir para o desenvolvimento cognitivo e sensível dos alunos. .Ao juntarem suas experiências profissionais, artísticas e vivenciais, as artistas Cristina Pretti e Valdete Hinnig fazem ressurgir o tema ferroviário como metáfora de integração, de modernidade, de busca, de excesso, de falta. 34
Ao juntarem suas experiências profissionais, artísticas e vivenciais, as artistas Cristina Pretti e Valdete Hinnig fazem ressurgir o tema ferroviário como metáfora de integração, de modernidade, de busca, de excesso, de falta.O trem é o que deixa ou o que leva? Como disse o poeta Luis Vieira, “coisa tão bonita é o trem, quando sai de uma cidade,pra uns ele leva alegria, pra outros deixa saudade”...E o nosso trem, economicamente montado com xícaras e pires, lembrando os suportes para o café com pão que intitula a obra, o que deixa e o que leva? A negação à manteiga é um indício de que o gosto pela iguaria não está instaurado ou é uma constatação da pobreza do lugar, que não pode tê-la à mesa? Lembro de um fato anedótico, ocorrido há quase cinquenta anos em um lugar rico em manteiga, mas pobre em dinheiro, onde a margarina – industrializada, trazida de longe – era considerada artigo de luxo, concorrendo na ignorância do colono com a saudável manteiga de fabricação caseira. Serve a obra, minimalista no seu conjunto, pop na idealização, kitch na releitura dos objetos/vagões, para uma reflexão sobre a sociedade local, suas formas de produção e consumo, seus vai e vem de mercadorias, gentes, valores? Se a realização da obra pode juntar artistas, professora e alunos – quer na discussão do trabalho, na confecção e gravação do jingle, na montagem final – em torno da ideia, a fruição da mesma fica aberta ao imaginário individual desses mesmos alunos, da professora, das artistas e da população em geral, fixa ou flutuante, uma vez que a obra foi originalmente montada na Estação Rodoviária de Jaraguá do Sul, 35
local que sucede em importância à antiga Estação Ferroviária, que caiu em desuso e hoje é objeto de disputa entre governos, transformada em Patrimônio Histórico e em vias de participar do projeto Revitalização do Centro Histórico de Jaraguá do Sul. Sabemos que a história – e o tempo que a transforma e reescreve – transformou o prédio que garbosamente abrigava passageiros e sonhos, bagagens e mercadorias em pomo da discórdia . Também o trem que embarcava e desembarcava promessas e desejos foi alijado de seu romantismo de Maria Fumaça – Café com pão, manteiga não – e transmudou-se numa pesada máquina movida a óleo diesel, estremecendo a vizinhança dos trilhos pelo seu peso excessivo, carregada de produtos a granel, sucata, pesadelos. Já não para, não leva nada de nossa cidade. Só deixa o ruído incômodo e a saudade de um tempo que fica, somente, nas brincadeiras que (cada vez menos) os adultos passam às crianças. Possa a proposta das artistas Cristina e Valdete servir, além de uma reflexão sobre a arte, para refletirem os alunos, e a população, sobre os rumos que nos são dados pela tecnologia, pela inovação, pelo propalado progresso. O positivismo de Auguste Comte expresso na Ordem e Progresso faz-nos ver, na anarquia vislumbrada a cada curva da estrada, o caos. Primordial? Café com pão... 36
"Encontros"
"Encontros", Instalação com uma xícara, várias fotos de xícaras com marcas de café escorrido sobre cubo preto de 80x80x80, 2017 37
Fátima Ossowsky Baumann nos fala dos "tempos líquidos" Consumo, relações, humanidade líquida... Recuso a bebida indigesta do silêncio e da indiferença... Quero sorver fundo o instante da inexplicável alegria do encontro Alimentar meu espírito com a teia infinita de afetos Meu olhar pousado na dança mágica das palavras O olhar para o outro... Sentir fios invisíveis de acolhimento e amor permeando seres ao redor de uma mesa de café.
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"Filhos da Terra"
"Filhos da Terra", Instalação com galho suspenso, 100 caixinhas de fósforos com 100 fotos de pessoas usando o galho na cabeça, caixas coladas na sombra projetada do galho na parede e 1000 palitos de fósforos no chão, 2016 39
Elise Ossowsky
Galho seco; jogado, largado, sem rumo e serventia, um lixo. Entretanto, o olhar de Cristina Pretti faz valorizar o que é desvalorizado, faz reviver o que é da terra. A obra “Filhos da terra” de Cristina Pretti apresenta o resultado de olhar e ver aquilo que já estava praticamente morto aos olhos dos outros; mostra que tudo possui função e sentido. A obra cresceu, floresceu e deu frutos. Aquilo que estava jogado, abandonado e largado, hoje está em um salão de exposições, apresentados pelas mãos e pelo olhar e ver da arte-educadora, professora e artista Cristina Pretti.
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"Café da Tarde"
"Café da Tarde", Instalação com fotografias de miniaturas (mesa, porcelanas) em paisagens natural de Jaraguá do Sul, plotadas em placas de acrílico em caixas de madeira iluminadas, 30x20x10cm, 2009 41
Tania Cotrim Extremamente gratificante, e também uma grande honra para mim, falar desta artista incrível e sua escandalosamente linda obra que, mesmo se ninguém dedicasse uma só linha, falaria por conta própria. A começar pelo elemento cor primorosamente balanceado em tons de quaternárias e poeticamente arranjados em uma aquarela onírica. As louças em primeiro plano parecem desfocadas de propósito para compor a magia da cena. Sinto cheiro de café passado na hora, flor de laranjeira e bolo de fubá. A leveza de um ingrediente perdido no tempo contemplado nas nuvens e cores de um entardecer saudoso e melancolicamente mágico me toca profundamente. A obra vem revestida de uma ternura pueril instigando, remexendo o inconsciente coletivo e retirando dele as avós, madrinhas, os guarda-louças, cristaleiras e também um livro antigo e amarelado de Alice no País das Maravilhas. surpresa final fica por conta das louças usadas que, na realidade, são miniaturas, tornando ainda mais surpreendente a obra dessa artista talentosa que traz o sorriso como maquiagem e o brilho nos olhos de sua criança interna como presente para todos nós. Obrigada por sua generosidade. Sua obra me emociona!!
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"Desta Água não beberei... Beberei"
"Desta Água não beberei...Beberei", Instalação com medidores de líquidos sobre suporte de madeira preto e no chão, copos e taças de vidro com águas da cidade, escrito: "Desta Água não beberei...beberei!", 2003
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Nina Pretti A arte tem o dever de impactar, de maneira negativa ou positiva. Cristina na obra “Desta água não beberei... beberei!” prefere impactar sutilmente, e ao invés de um urinol de louça, opta por copos de requeijão, biqueiras ou louças mais refinadas. O ato de dar vida a objetos comuns do nosso dia-a-dia configura-se nitidamente como um “ready-made" e pouco se importa com a virtuosidade da técnica: abandona o culto das aparências e se mostra de uma maneira translúcida. Pela Arte-conceitual no fluxo de consciência sob a ótica do abstrair, rebela-se e instiga, como Duchamp, a libertar os artistas para se abrirem ao cotidiano e agarrarem as coisas com a mente assim como uma “vagina faz ao pênis” ou como no simples ato de contemplar e ver arte num simples gesto como beber um copo d’água. Na expressão visível da ideias e dos mais profundos sentimentos, o artista deve receber o mundo (suas fantasias, desejos e conflitos) e devolver transfigurado sua representação na categoria de objeto estético portador de signo assim como “A noiva” recebe e transmuta o fluido magnético em líquido elétrico, e posteriormente, em gás e iluminação. Para que haja a fruição da obra, o receptor deve se permitir percorrer o mesmo caminho sensível do artista num processo circular, retornando ao domínio superior atingindo a noiva que se distende e se desnuda em gozo. 44
"Os Noivos"
"Os Noivos", Engobe, 30x33x15cm, 2015 45
Pita Camargo
Memórias afetivas na forma da argila, transformada com o calor do amor, das cores da cerâmica eternizada pela queima, e na costura das linhas, das vidas conectadas, em lembranças entrelaçadas do amor e do feito do último vestido pela artista costureira amada.Na arte fica mais uma curiosidade: a troca de olhares na obra, isso ninguém sabe, está guardado dentro da memória íntima dos dois amantes, cumplicidade e lembranças do casal de noivos.
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Série "Cabeças"
"Cabeças", Argila envernizada, com adornos de objetos, 18x15x18cm, 15x16x15cm, 20x25x20cm, 2017
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Lygia Helena Roussenq Neves
A cabeça lúdica. A cabeça apegos, adornos, afagos. Múltipla. Enfeitada. Enfeitiçada. Assombrada. Simbólica. Transformando as visões do expectador e dos espaços ocupados... A cabeça humana é a imagem do mundo.
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"Lavadeira"
"Lavadeira", Escultura em argila pintada em acrílica, 27x17cm, 2012 49
Valdemar Staffen
Memórias no "varal da vida", presas com grampos de roupa, na macia e perfumada lembrança da infância. O carinho da roupa lavada e passada pelas mãos da lavadeira...saudades!
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Livro de Artista
Livro de artista, sobre cubo preto e peças de quebra cabeça redondo, 80x80x80, 2018
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Nelson Julio No meio do caminho de nossa vida/ Encontrei-me numa selva obscura / Que a estrada reta fora perdida”. (versos de abertura do Inferno; La divina commedia di Dante Alighieri) Assim como o protagonista de “La divina commedia di Dante Alighieri”, Cristina Pretti vai cruzando, em suas “viagens”, com amigos e conhecidos, figuras públicas ou de seu universo pessoal, e debatendo sobre os mais variados temas.
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Tendo as ruas como inspiração, essa artista de voz doce, macia e tranquila, vai encontrando e registrando, momentos, movimentos, cores, texturas, dando significado em seus insights instantâneos, resignando imagens tidas como registros em uma nova experiência estética, em que a linguagem é fecundante de novas percepções.Seus insights exaltados de diversos processos cognitivos criam narrativas que possuem elementos identitários, memoriais e imaginativos onde a percepção não termina somente na observação, mas sim na relação entre elas, na relação delas com as outras imagens e como as representações simbólicas atuam em diferentes contextos espaciais e temporais.
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Nesta odisseia contemplativa, Cristina cria realidades e ficções que permitem a manipulação como suporte para a expressão artística. Seu imaginário, que agora faz parte do meu, também fará parte do seu.
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"Pôr do Sol"
"Pôr do Sol", Instalação com fotos de pôr do sol, sobre caixinhas de fósforos, 100x120cm, 2017 55
Rosemarie Borgmann Todo artista deixa em sua obra um pouco da própria essência! Não tem como falar da obra de Cristina Pretti sem lembrar da pessoa que ela é: ALEGRE, muito e muito! EXTROVERTIDA, muito e muito! CRIATIVA, muito e muito! CURIOSA, muito e muito! CRÍTICA, muito e muito! Em volta de Cristina, nada fica como está...e então, com habilidade, qualquer ideia se transforma em muitas probabilidades! No caso dessa obra, a personalidade dessa artista é evidente: as Caixinhas de Fósforos, desde criança, em suas mãos viravam casas, prédios, pontes, mobílias, carrinhos... E ela queria muitas e muitas! Ah, e o pôr-do-sol que ela contempla de sua janela como se fosse um ritual e o registra... e são tão belos,... e tantos.... Não tem como escolher... ela quer todos!!! “Só olhar não me basta!”... ela repete ... Esta OBRA nos induz a pensar nas infinitas possibilidades que cada dia nos apresenta, basta tirarmos o tempo para COMTEMPLAÇÃO... Obrigada, Cristina Pretti.
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Monotipias em Resina
Série de sete monotipias em resinas sobre vidro, 50x100, 2006 57
Ruth Borgmann
"Como arquiteta me encanta a linha reta presente com precisão invisível na forma curva de todos elementos da natureza tão bem estabelecidos na geometria sagrada”. Como tábuas de um velho e rústico galpão envelhecendo numa paisagem rural, carregam a nostalgia de um passado ainda presente com os resquícios da vida, marcados em vermelho e desvanecendo em pontos falhos pretos no tempo branco, vazio. Passado, presente e futuro, ah, as linhas da vida e suas reticências...
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Pintura com relevo
Pintura acrílica com relevo sobre tela, 1995
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Maria Helena Feldens In Memoriam
A obra de Cristina Pretti transita entre o abstracionismo e o figurativo atingindo as extremidades como se quisesse atingir o universo. Sua pintura informal é o registro dos seus gestos, indicando os movimentos do próprio corpo. A característica principal do seu trabalho é conservar os traços e as pinceladas, fazendo com que as cores assumam um aspecto simbólico de sua tendência emocional no momento da criação em favor do resultado plástico e da leitura. Ela expressa uma dupla natureza (espiritual e material) na execução desta obra. Na origem, está uma pessoa sensível e, principalmente, com muito valor humano. O resultado é a simbiose destas tendências, eliminando qualquer rivalidade entre manchas coloridas e imagens que possivelmente possam ser entendidas ou encontradas. É como se a artista quisesse escolher poucos e bons desejos e caminhar, realizando-os na tela.
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Pintura em Aquarela
"Cenas de Jaraguá do Sul", Aquarelas, 42x30cm e 30x42cm, 61
Regina Bittencourt Cristina Pretti é um ser humano totalmente envolvido com o lugar, o meio em que vive, com este olhar especial de artista, que contempla e vê a beleza expressa nas mais diferentes formas, mas, sobretudo, tendo este forte sentimento social, faz as conexões com as questões sociais, culturais e políticas do dia a dia. Nestes trabalhos mostra a beleza e encantamento pelo Morro do Boa Vista, sua verdejante mata que nos cerca como grande escultura! Tanto que escolheu morar tão próximo para que pudesse ter momentos de pura contemplação. E retratando estes animais, pelos quais tem profundo amor e respeito, chama-lhe a atenção a questão do abandono. Analisando muitos fatos até mesmo "folclóricos" na cidade, vem o questionamento sobre a nossa caminhada evolutiva: o porquê do distanciamento entre homem e animal em determinados momentos. Em sua obra ela apresenta com maestria estes questionamentos e provocações! Eles fazem com que sua arte cumpra o papel essencial, que é o de transformar, levar à conversa produtiva sobre a realidade que vivemos. Tudo isto é muito forte em sua trajetória. Conhecedora de inúmeras técnicas, cria sua própria identidade, inovando e transmutando aquilo que já existe. Mas sempre alicerçada em suas crenças, sem fugir de sua essência. Cris é uma efervescência! Ela é uma fonte de energia criativa, grata, generosa e amorosa com a vida! 62
Pintura Invertida
"Morro da Boa Vista", Tríptico de Pintura Invertida sobre acrílico, 60x80cm 2004
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Leoní Cimardi Da minha janela, tudo o que vejo me pertence, da aurora ao poente, porque é MEU o olhar... E meu olhar é sempre moldado pelo tempo que dedico a prestar atenção ao que minha janela suspensa me mostra... Ao olhar minha "Boa Vista", bela a vista cada vez mais se torna, porque ao contemplar o que vejo, me perco, me busco, me encontro, me vejo... Não é a primeira vez que meu olhar transcende minha janela, pois eu já o fizera antes, no tempo em que me via no reflexo de uma das bolinhas de gude que levava na sacola. Ah! Tempo Bom!
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Pintura com Chiclete
Sem Título, Pintura com chicletes sobre tela, 80x100cm, 2007
ST, 80x60cm, 2007
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Vera Triches O chiclete é um tipo de confeito produzido a partir de resinas sintéticas nos mais diversos tipos, cores, sabores e apresentações, sendo amplamente consumido por todas as faixas etárias. É justamente a partir desta matéria, depois de consumida e descartada, que a artista se apropria para utilizá-la como matéria- prima de seu trabalho, conseguindo extrair do trivial, do comum, formas e cores que surpreendem.Cristina chega ao detalhe de reproduzir largas pinceladas com a espátula amassando o chiclete por sobre a tela; outras filigranas coloridas são cuidadosamente esculpidas para compor o desenho. É interessante considerar que as gomas de mascar foram mastigadas por várias bocas, permitindo uma interferência externa e aleatória no seu trabalho. A busca por elementos tão usuais, materializando-os na forma artística, somada à pesquisa e inquietação, são uma constante no trabalho artístico de Cristina Pretti.
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Instalação
Sem título, Arte-Objeto, Luvas de silicone sobre biombo de madeira, 200x 150x30cm, 2007
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Valdete Hinnig
“mas sabem acariciar. Mãos que de repente podem descobrir, pelo poder do tato, o que vem a seguir. Qual Schiva Nataraja, Deus Hindu com quatro braços, às vezes gostaríamos de ter mais de duas mãos, uma para ajudar a outra, ao sentir cansaço pela árdua labuta diária. Ter mãos invisíveis com dedos alongados, para poder tocar onde a mente possa imaginar, então..."
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Cerimonial
Cristina com as filhas Nina e Tita
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Artistas que escreveram sobre as obras
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Obrigada!
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Créditos Fotos Cristina Pretti e Piero Ragazzi Produção Mara Kochela Diagramação Piero Ragazzi Revisão Final Tita Pretti Criação do Catálogo Cristina Pretti 72