EDIÇÃO N° 734 • ANO 18 • DEPÓSITO LEGAL: 199901DF222 • BS. 50.000
Sexta-feira 08 de Junho de 2018
VENEZUELA
Correio de Venezuela
@correiodvzla
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PORTUGAL
3.000 lusos da Venezuela chegaram à Madeira
“Minha primeira impressão é positiva”
Segundo um levantamento feito pelos serviços de educação, de apoio de saúde e do emprego, entre outras entidades da região, cerca de 3.000 pessoas da Venezuela já estão a viver na ilha da Madeira. P3
O novo Cônsul Geral de Portugal em Caracas deu uma entrevista ao CORREIO onde falou sobre os seus primeiros contactos com a comunidade Luso-venezuelana e suas expectativas perante o cargo consular. P5
Crioulos comemoram 10 de junho -P6
CULTURA
FOTO XXX
DESPORTO
Portugal é um dos favoritos RÚSSIA2018. Em poucos dias todo o planeta ficará paralisado com uma nova edição da Copa do Mundo da FIFA. O CORREIO consultou diferentes especialistas sobre as possibilidades da Seleção das Quinas na competição. Os lusitanos se destacam com os alemães, brasileiros e espanhóis nas casas de apostas. P22-23 PUB
CP: 60 anos de amor por Portugal e Venezuela Muitos momentos e pessoas têm marcado uma história de esforços e sacrifícios. -P 7-18
Fado de Coímbra encheu a UCV O esperado concerto organizado pela Embaixada de Portugal teve lugar na Aula Magna da UCV, onde mais de 2000 pessoas se reuniram para desfrutar de uma das músicas lusas mais tradicionais. P6
Celebrado “Mês da Europa” no país -P3
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2 | DESTAQUES
ALBUM CORREIO Editorial
DA SEMANA
POR: ALEIXO VIEIRA
Seis décadas
Miguel Albuquerque PRESIDENTE GOVERNO REGIONAL MADEIRA
O
Rif.: J-40058840-5
Centro Português de Caracas tem sido ao longo dos anos da sua existência um motivo de orgulho e de elogios. Para os que vivem na Venezuela, particularmente na capital, e para os que visitam o País por quaisquer circunstâncias. Aqui vive-se Portugal e o que tem sabor lusitano, mesmo sem gosto ou sem cheiro, encontra nesta casa acolhimento. Governantes, políticos e artistas, entre outros, têm relevado o acolhimento e a qualidade dos equipamentos que aqui são dispensados. Sem menosprezo e sem pretender desacreditar as outras associações congéneres, que existem, e também com excelentes condições por toda a Venezuela, o Centro Português de Caracas é tal vez a obra mais importante da História da Comunidade Portuguesa na Venezuela. Dali nasceram outras grandes instituições, nomeadamente a Missão Católica Portuguesa, o Lar de Terceira Idade Padre Joaquim Ferreira, a Academia do Bacalhau, a Associação das Damas da Beneficência, a delegação do Instituto Português da Cultura, e muitas outras associações, que resultaram desta inspiração de criar com base no legado dos nossos antepassados, valorizando as raízes e criando condições para uma maior convivência e para mais fraternidade entre os que partiram e que aqui lutam e contribuem para o progresso da nação bolivariana. Também no Clube Português de Caracas têm nascido e têm-se formado atletas de elite internacional que, ao longo dos anos, têm representado a Venezuela e Portugal ao mais alto nível, em competições de âmbito mundial, com resultados que lhes garantem títulos e uma representatividade que a todos orgulha. Ainda no âmbito artístico há talentos firmados que começaram nas passarelles do Centro Português e que se catapultaram para os grandes palcos internacionais. Os concursos de beleza, uma tradição bem implantada na Venezuela têm cativado igualmente os filhos de Portugueses. Os títulos conquistados são inúmeros e, ainda há pouco tempo, contamos com mais uma luso-descendente que se sagrou Miss Venezuela. Mas o mais importante de tudo, contadas seis décadas de existência e pleno funcionamento do Centro Português de Caracas, é o facto de ter permitido que milhares de Portugueses e luso-descendentes continuem a conviver e a confraternizar, em segurança e com qualidade. O Centro Português de Caracas não é apenas um porto seguro para todos quantos o frequentam, é também uma sala de visitas por excelência da Comunidade Portuguesa na Venezuela. É por isso que não podemos ficar indiferentes ao trabalho de todos quantos têm contribuído para o sucesso do Centro, que dedicam parte do seu valioso tempo na organização de eventos, na busca de novas ideias e que contribuem com a sua criatividade para que cada dia seja um novo dia e sempre melhor e com objectivos de majoração dos seus programas. Em nome do CORREIO da Venezuela, da minha família e de mim próprio, agradeço do coração e, em época de celebração, desejo a todos, associados e Junta Directiva, as maiores felicidades e votos de que este trabalho continue a ganhar o reconhecimento da Comunidade e de todos quantos nos visitam. É um exemplo da perenidade dos valores que nos foram transmitidos pelo trabalho, pela dedicação e pelo sacrifício, três instrumentos vitais para quaisquer vencedor!
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A FRASE
“A esperança é que a situação melhore na Venezuela”
PORTUGAL EM NÚMEROS Sempre que a Seleção Portuguesa de Futebol joga cria-se um ambiente no Centro Português de Caracas semelhante aquele em que convivem em campo os mais arreigados apoiantes da Equipa das Quinas. A distância nunca foi problema e aqui vive-se de forma intensa essas horas, apoiando o esforço e aplaudindo a virtuosidade dos nossos artistas em campo. Assim se agarram também as gerações mais novas, no espetáculo e na consagração de valores que as raízes e tradições a todos educa e engrandece.
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famílias regressadas da Venezuela estão inscritas para apoio à habitação social na Região Autónoma da Madeira
CARTAS DO LEITOR
Vamos destacar o bom! Amigos do Correio de Caracas: Escrevo esta carta para chamar vossa atenção para o pessimismo com o qual conduzimos nossas vidas. Os que vivemos na Venezuela sabemos que a situação não é fácil e que estamos passando por dificuldades reais para viver, em meio de esta loucura de preços, escassez e insegurança. Ninguém duvida disso. É lógico estar sobrecarregados. No entanto, vejo com preocupação como deixamos de ser desse tipo pessoas que uma vez apaixonaram aos estrangeiros, pela sua gentileza. O que é ainda pior: hoje vivemos amargos e reagimos de maneira ruim até aos nossos entes queridos. Como pretendemos mudar a Venezuela se não começarmos a mu-
Diretor Aleixo Vieira Gerente: Sergio Ferreira Soares Endereço: Av. Veracruz. Edif. La Hacienda. Piso 5, ofic. 35F. Las Mercedes, Caracas. Telefones: (0212) 9932026 / 9571 E-mail: editorial@correiodevenezuela.com
dar nós mesmos? Essa é a questão que tenho na minha cabeça nos últimos dias. E estou convencida de que nós, venezuelanos, podemos nos tornar, com nossos valores tradicionais, numa força positiva capaz de mudar o país com pequenos atos. Por exemplo: se você trabalha como caixa em um supermercado, em vez de limpar suas unhas e conversar com outros caixas, dedique-se ao seu trabalho e responda com gentileza ao cliente que tem à sua frente. Outro exemplo: se você estiver em tráfego, em vez de tocar corneta e gritar pela janela, respire fundo e aprecie música ou um programa de rádio. Pequenos atos, mas ajudam muito. Elena Barbosa
Não importa o vencedor... Há duas semanas, nosso país viveu uma nova eleição presidencial. Como é de se esperar, dado que a política é um tema difícil na nossa amada Venezuela, as campanhas eleitorais são transformadas em uma guerra de idéias que não só permanece nos líderes, mas também se apodera dos cidadãos. Em tempos de dificuldades, é necessário que compreendamos que essas divisões apenas nos trouxeram coisas mais negativas do que positivas. As divisões ideológicas são normais em qualquer sociedade; o que não é normal é que lutemos uns contra os outros por causa da política. É por isso que convido todos os cidadãos
a discutirem idéias, mas sempre mantendo nossos valores, princípios e essa fraternidade que sempre caracterizou o venezuelano. No final, neste ponto, o vencedor já não importa; importa mais um país que deixou de ser o que sempre foi. Espero que as diferentes forças políticas entendam esse ponto e decidam, finalmente, trabalhar juntas, deixando de lado seu desejo de poder, para que os cidadãos possamos levar uma vida mais pacífica, sem tantas dificuldades. Nisso, os cidadãos também são determinantes: vamos ser o exemplo, vamos chegar àqueles que pensam diferente. Joaquim Coelho
Chefe de redação Sergio Ferreira |Jornalistas Oscar Sayago, Ommyra Moreno, Antonio Da Silva |Correspondentes Edgar Barreto (Falcón), José Manuel De Oliveira (Falcón), Carlos Balaguera (Carabobo), Trinidad Macedo (Lara), Silvia Gonçalves (Bolívar), Mariana Santos (Nueva Esparta), Luis Canha (Mérida), Carlos Marques (Mérida), Antonio Dos Santos (Zulia) |Colaborações Catanho Fernandes, Cristina Da Silva Bettencourt, Arelys Gonçalves, Antonio López Villegas, Isabel Idárraga, Serafim Marques, António Delgado, Daniel Bastos, Ana Cristina Monteiro |Paginação Franklin Lares |Fotografia Agostinho Perregil |Administração Jesús Quijada, M. Liliana Batista |Distribuição Luis Alvarado, Carlos A. Perregil R. |Tiragem 15.000 exemplares |Fontes de Informação Lusa, Diário de Notícias, DN Madeira, Ilhapress, Portuguese News Network e publicações em língua portuguesa.
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Ministros da Venezuela reúnem-se com embaixadores europeus Reunião serveu para ponderar possíveis acordos económicos entre os países OSCAR SAYAGO/ COM INFORMAÇÃO DE “EL TIEMPO”
Representantes do governo venezuelano reuniram-se com embaixadores europeus em Caracas para falar sobre a situação das empresas europeias no país caribenho e considerar novos investimentos. Nesta ocasião, o Ministro de Economia e Finanças, Simon Zerpa, e o de Comércio Exterior, José Vielma Mora, foram os anfitriões dos diplomatas, por ordem do Presidente, Nicolas Maduro, que deixou um pedido para que se ouça as empresas europeias que operam no país, para responder aos problemas. O Presidente da Venezuela, depois de ter sido reeleito no domingo, numas eleições que não foram reconhecidas pela maioria dos governos, Maduro pediu à sua equipa de executivos que se reunisse com os dirigentes de
empresas europeias para procurar encontrar «um novo começo» nas relações, tentando arranjar uma forma de enfrentar a grave crise económica nacional. Zerpa e Vielma Mora publicaram na sua conta de Twitter os seus encontros com o embaixador Carlos Almeida de Portugal, Jesús Silva de Espanha, Romain Nadal de França, NorbertBraakluis Holanda, Silvio Mignano Itália, Grécia e SevkiMütevellioglu NikolaosKotrokois da Turquia. Também receberam responsável pela área de negócios do Reino Unido, Nicholas Harrocks; da Alemanha, Daniela Vogl; da Áustria, GerhadErdely; Polônia, Milena Lukasiewicz; e da Suíça, SonjaReifler. O Ministro da Economia e Finanças destacou que os diálogos estão marcados nas diretrizes de Maduro tendo em vista um «acordo económico produtivo
para conseguir a estabilidade e prosperidade», assim como produzir riquezas e satisfazer as necessidades dos venezuelanos. Estas reuniões, segundo os ministros, serviram para dar início a possíveis acordos económicos, assim como rever investimentos e interesses comerciais, criar alianças estratégicas e estabele-
cer relações «justas e de benefício mútuo». Indicou também que as reuniões com os representantes da União Europeia (UE) serviram para lhes explicar «os benefícios de investir» na Venezuela e para «fortalecer os investimentos para a recuperação económica» do país caribenho.
Albuquerque: identificados cerca de 3.000 madeirenses que regressaram da Venezuela
Marcelo diz acompanhar “com preocupação tudo o que se passa” na Venezuela
Instalaram-se na Madeira cerca de 3.000 portugueses vindos da Venezuela, segundo um levantamento feito por diferentes entidades da região, adiantou o presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque. “Temos um levantamento feito ao nível da Madeira, pelos serviços de educação, de apoio de saúde e do emprego também. Temos cerca de 3.000 pessoas que regressaram à Madeira provenientes da Venezuela”, disse à agência Lusa em Londres, durante uma visita à comunidade madeirense na capital britânica.
O Presidente da República disse que acompanha “com preocupação tudo o que se passa na Venezuela” e expressou solidariedade para com os portugueses que lá residem, mas escusou-se a comentar diretamente as eleições de domingo. Marcelo Rebelo de Sousa foi questionado sobre as eleições presidenciais na Venezuela à saída do quartel dos bombeiros de Vila Nova de Tazem, no concelho de Gouveia, no distrito da Guarda, onde se encontra para se inteirar da situação no terreno na sequência dos incêndios de 2017. “Acompanho, naturalmente, com preocupação tudo o que se passa na Venezuela e, ao mesmo tempo, com solidariedade em relação aos nossos compatriotas que lá vivem”, afirmou o Presidente da República. “Também acompanhei o que se passou nestes últimos tempos, mas entendo que é de bom senso não estar a comentar um ato eleitoral”, acrescentou. Antes, o chefe de Estado referiu que, por princípio, evita “comen-
Tem sido dado apoio “na medida do possível”, nomeadamente através dos serviços regionais de saúde e da educação, com jovens a serem integrados na escola e a serem acompanhados ao nível da língua, ajuda com documentação e assistência ao nível do Instituto do Emprego. “A esperança é que a situação melhore na Venezuela”, vincou. A crise política, económica, social e humanitária causou uma deterioração da vida na Venezuela e, consequentemente, uma migração em massa de venezuelanos, entre os quais muitos emigrantes portugueses.
tar a situação de outros Estados, qualquer que ela seja” e considerou que, no caso da Venezuela, a comunidade portuguesa que lá vive e trabalha é “uma razão muito forte” para essa sua posição. Marcelo Rebelo de Sousa descreveu-a como “uma comunidade muito numerosa, muito determinada, muito trabalhadora e muito corajosa”. Nicolás Maduro, Presidente da Venezuela desde 2013, foi declarado vencedor das eleições presidenciais pela autoridade eleitoral venezuelana, com perto de 70% dos votos.
Venezuela acolheu a celebração do “Mês da Europa” CORREIO DA VENEZUELA
Por ocasião da celebração do Dia da Europa, a Delegação da União Europeia na Venezuela, em colaboração com os Estados membros credenciados no país, organizou um programa cultural com mais de 30 atividades para comemorar o mês da Europa na Venezuela. Importa destacar que 2018 é o Ano Europeu do Património Cultural, razão pela qual as atividades programadas exaltaram os laços culturais que existem entre a Europa e a Venezuela. Entre as atividades destacou-se o já tradicional Festival Europeu de Solistas, que este ano alcançou a sua sexta edição, e que foi realizada de 11 a 13 de maio, em colaboração com Fundamusical. Além disso, em colaboração com a Cultura Chacao, no dia 8 de maio, todos os solistas participaram num recital na Plaza de los Palos Grandes. Com esta ideia e em colaboração com a organização Te paseo y te cuento, ao longo do mês foram realizados diferentes passeios culturais que ofereceram passeios a pé carregados de história na cidade de Caracas. Os participantes destes passeios chamados “Pegadas europeias em Caracas” poderam visitar lugares onde apreciaram importantes legados arquitetónicos. Por sua vez, a ilha de Margarita também se juntou à celebração e no passado dia 26 de maio, o município Maneiro também acolherá um Passeio Cultural Europeu, onde os participantes poderam desfrutar de atividades para exaltar o património existente na cidade e os seus laços com a Europa. Além disso, a Delegação da União Europeia lançou um concurso de fotografia nas redes sociais para convidar as pessoas a partilhar imagens que espelhem a pegada do património cultural europeu na Venezuela. O programa cultural incluiu festivais de cinema, como o francês, o italiano, o “cine foro” sobre o diretor polaco Roman Polanski, o ciclo de cinema holandês, o dedicado à comédia espanhola, e a exibição do cinema alemão.
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Conselheiros da Venezuela preocupados com os seus concidadãos Os representantes da comunidade lusitana acompanham a situação dos portugueses no país latinoamericano SERGIO FERREIRA SOARES
Não é segredo para ninguém que, nos últimos anos, muitos cidadãos têm vindo a criticar o desempenho dos Conselheiros Portugueses eleitos para Venezuela. Contudo, em tempos em que o país latinoamericano está mergulhado numa profunda crise, os Conselheiros têm desempenhado um papel fundamental como intermediários entre os cidadãos e o governo português, expondo as suas necessidades e exigindo melhorias. Após as eleições presidenciais e perante a tensão política e económica vivida por todas as pessoas que vivem nas terras de Bolívar, o CORREIO contactou os conselheiros para conhecer quais são os principais problemas dos portugueses radicados na Venezuela. Leonel Moniz, Conselheiro pelo Ocidente do país, assegura que os maiores problemas da Venezuela são culturais, sociais, políticos e económicos. “Cada dia o fluxo de cidadãos que solicita nacionalida-
de ou outros documentos nos consulados é maior. Quando chamam os conselheiros é porque no consulado não conseguem quem lhes dê informação; usam os conselheiros para isso. Não recebemos nenhum apoio financeiro e exercemos as nossas funções dos nossos bolsos. Acredito que na união está a força. Estamos cansados de dizer ao governo português que precisam de fazer mais investimento, modernizar e melhorar os consulados” afirmou. Para Fernando Campos, eleito pelo oriente do país o maior problema na Venezuela atualmente é um problema económico. “Isto acaba por afetar toda a parte social. A nossa economia é baseada no dólar no âmbito do consumo, mas os salários regem-se pela moeda nacional. Se temos em consideração que o ordenado médio do venezuelano “al cambio” é de 3 euros por mês, não há poder de compra de forma alguma“explica o expresidente do Centro Português. Para este lisboeta, o problema
dos portugueses na Venezuela está diretamente relacionado com a sua capacidade de trabalho e produção. “Os portugueses participam muito pouco na vida política e só têm a preocupação de os deixarem trabalhar e de terem capacidade para produzir. A maioria dedica-se ao comércio, mas hoje há pouca matéria-prima e não têm capacidade de produção. As empresas não têm a capacidade para comprar. Isto, juntamente com a insegurança jurídica, é a sua principal preocupação”. Maria de Lourdes Almeida, membro do Conselho Permanente do Conselho das Comunidades Portuguesas (PCC), disse à Agência Lusa que na comunidade portuguesa “o sentimento é de medo e incerteza no futuro”. “A maioria Portugueses é comerciante e questiona-se o que será do seu futuro. Não sabem se devem ou não regressar a Portugal. Existe uma grande quantidade de pessoas que está a emigrar, não só da nossa comunidade, mas de to-
Fátima Pontes
Fernando Campos
Leonel Moniz
María de Lourdes Almeida
das as comunidades, incluindo venezuelanos que nunca emigraram e agora saem em massa devido a este sentimento de incerteza” Fátima de Pontes, outra das duas conselheiras das Comunidades Portuguesas para a região ocidental da Venezuela, disse que os luso-descendentes sofrem os mesmos problemas e têm as mesmas necessidades que a população em geral. “Não existe segurança social nem na Venezuela nem em Portugal. O estudante universitário não sabe se vai conseguir acabar o curso ou não. São
muitas as dificuldades pelas que atravessam os portugueses”, afirmou Pontes. “Ter que pagar praticamente em dólares, quando estamos a ganhar em bolívares, é algo inusitado que leva os venezuelanos a não conseguirem fazer sua vida normalmente. Também a insegurança e a crise nos hospitais é algo preocupante para todos os cidadãos “, argumentou. A cidadã, assegura que a situação levou a uma diminuição no número de portugueses nas regiões central e ocidental do país.
vamente à organização do evento, visto que os custos são muito elevados, os patrocinadores são poucos e as pessoas têm as suas cabeças ocupadas nesses problemas”, disse. No que diz respeito às necessidades dos portugueses na Venezuela, além de serem afetados pelas situações acima referidas, Paulo Sousa acredita que a maior
preocupação é a incerteza dos seus investimentos e a desvalorização da propriedade. “A comunidade está a viver tempos dolorosos. Está a migrar o melhor que temos, jovens profissionais, preparados, e empresários empreendedores. O governo luso não pode perder a oportunidade de incluir nas atividades económicas um povo ‘A1’ que vale ouro “, concluiu.
Anunciam que não haverá jantar no Dia da Madeira Paulo de Sousa Aljustrel anunciou o cancelamento da iniciativa porque a comunidade “vive tempos difíceis” SERGIO FERREIRA SOARES
O Conselheiro das Comunidades Madeirenses pela Venezuela, Paulo de Sousa Aljustrel, assegurou que os portugueses radicados na Venezuela vivem aquilo que talvez seja o momento mais difícil das suas vidas, devido à situação económica, ao alto custo da vida e à instabilidade política e social. É por este motivo que a Comissão Organizadora das Festas do Dia da Madeira na Venezuela decidiu não realizar o tradicional jantar comemorativo anual. “Não se realizará o habitual grande almoço porque economi-
camente é impossível. Consideramos que não há disposição e que seria uma falta de respeito para grande parte da comunidade que está viver momentos muito difíceis. No entanto, uma vez que não queremos deixar de homenagear a ilha, tencionamos promover uma atividade cultural que em breve será anunciada”, disse o também presidente da comissão. Do seu ponto de vista, de Sousa acredita que a Venezuela enfrenta tempos difíceis, incluindo a falta de alimentos e medicamentos, a inoperatividade dos hospitais, a decadência das clínicas privadas e do alto custo da vida, o que acarre-
ta a impossibilidade organizar o tradicional jantar anual em homenagem à Região Autónoma. “Na parte económica estamos a ser engolidos pela hiperinflação. O abastecimento de alimentos é intermitente, mas os preços são muito altos. Ao nível das empresas, a insegurança jurídica levou muitas empresas a fecharem as suas portas ou a serem expropriadas. Com o último aumento do salário mínimo, um cidadão pode comprar 1 milhão de litros da gasolina mais barata, mas não pode comprar um frango. Isto são indicadores do colapso económico, o que obviamente nos afeta relati-
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Licínio Bingre do Amaral:
“A comunidade portuguesa continuará a trabalhar por esta nação” O novo Cônsul Geral de Portugal em Caracas deu uma entrevista ao CORREIO onde falou sobre os seus primeiros contactos com a comunidade Luso-venezuelana e suas expectativas perante o cargo consular OSCAR SAYAGO / SERGIO FERREIRA
No dia 8 de maio, Licínio Bingre do Amaral chegou à cidade de Caracas, novo Cônsul Geral de Portugal para o oriente do país. O diplomata, formado na cidade de Coimbra, vem substituir Maria Leonor Esteves Penalva Jordan, que trabalhou como “cônsul provisional”, dando fim a vários meses de falta de nomeação de um cônsul definitivo na capital Venezuelana. Bingre do Amaral trabalhou no Ministério dos Negócios Estrangeiros em Lisboa. Também esteve em Kiev, para posteriormente exercer funções como Cônsul Geral de Portugal em Zurique, onde teve como missão aproximar-se dos portugueses. Anteriormente, de acordo com o Despacho nº 4967/2017, do MNE, de 28 de Março de 2017, publicado no Diário da República n.º 109/2017, Série II de 2017/06/06, foi notificada a transferência de Luís Albuquerque Veloso para os serviços internos do Ministério dos Negócios Estrangeiros em Lisboa.
Desde então, ocuparam o cargo dois cônsules provisórios: Paulo Ferreira Carlos Chaves, que desempenhou um papel importante na Embaixada Portuguesa sediada em Nova Deli foi o primeiro a ficar encarregado das instalações consulares; mais tarde, María Leonor Jordan Penalva Esteves, então Conselheira da Embaixada de Portugal em Bucareste. —Como recebeu a notícia? —Fui nomeado pelo Ministério no final de fevereiro deste ano. Sei que aqui há uma grande comunidade Portuguesa e de origem português e, obviamente, é sempre um prazer vir trabalhar com uma comunidade que é muito empreendedora e capaz. —Qual é a sua opinião sobre a comunidade luso-venezuelana? —Os contactos que tenho vindo a fazer no país são positivos. Desde o Centro Português de Caracas até os vários outros contactos que fiz são muito positivos. Já estive no Centro Português várias vezes. Agora, neste
fim de semana, vou até Puerto Ordaz para visitar o Centro Português e conhecer o Cônsul Honorário. Também visitarei Barcelona (Anzoátegui). —Na Venezuela tem havido muita migração dos portugueses nos últimos tempos, qual é a sua opinião relativamente a esta grande diáspora que regressa às suas raízes? —Estes são cidadãos portugueses a quem temos de dar todo o nosso apoio para que possam obter todos os seus documentos de identificação, tal como passaportes e cartões do cidadão. Algumas pessoas estão a pedir a nacionalidade porque não a tinham pedido antes. O Consulado irá tentar responder o mais rápida e eficientemente para que possam ter a sua nacionalidade, passaporte, cartão do cidadão e e qualquer outra documentação. —Que melhorias podem ser feitas para o melhor funcionamento consular? Convém que tudo funcione rapidamente,
que exista apoio aos negócios, apoio para as pessoas. Mas francamente ainda não tenho uma visão sobre este assunto. Vamos tentar fazer o possível para reduzir o tempo de espera e permitir um acesso mais rápido ao consulado. Isso implica mais meios e mais pessoal. Mas vamos tentar. Posso dizer que o trabalho que o consulado tem feito e continua a fazer é bom. São pessoas extremamente dedicadas que fazem o melhor possível para servir a comunidade. Mas compreendo a comunidade, tenho visto as filas de manhã, pelo que vamos tentar encontrar uma solução relativamente a este assunto. —Gostaria de deixar alguma mensagem à comunidade? Cheguei e a mina vontade é contactar a comunidade. Estar disponível para a comunidade portuguesa. Ir a todos os lugares, ajudar às pessoas, conhecer as suas necessidades e tentar dar apoio em tudo. Basicamente é estar próximo da comunidade portuguesa. Basicamente será isso o que farei: estar, contactar, ver, ouvir e aconselhar.
Instituto Camões promove concurso no âmbito do 10 de junho OSCAR SAYAGO
O Instituto Camões promoveu um novo concurso destinado a todos os estudantes portugueses na Venezuela. Nesta edição cada aluno teve como referência uma personagem histórica de Portugal e devia desenhá-la. Os participantes deste concurso são crianças e jovens entre os 8 e 16 anos que estudam português no país. No entanto, também participam pessoas com mais de 16 anos cujas obras estão vocacionadas para as artes plásticas (não apenas o desenho). Cada estudante teve que colocar os dados mais importantes da personagem e enfatizar o seu
nome, o ano de nascimento e a data em que morreu. Uma vez na posse de todos os dados da personagem, realizaram uma breve composição (com um mínimo de 50 palavras), que respondeu ao significado da personagem para Portugal e a razão pela qual escolheu essa figura. Os trabalhos participantes serão expostos em escolas e instituições, entre os dias 4 e 8 de junho. Os prémios serão determinados por uma contribuição em dinheiro pela “Coordinación de la Enseñanza del Portugués” para os vencedores de cada instituição. Nesta nova edição do concurso para o Dia de Portugal, existe um
Profissionais da língua portuguesa promoveram encontro OSCAR SAYAGO
júri totalmente imparcial, representado por quatro professores, que escolherão os vencedores do concurso por instituição entre 11 e 22 de junho. De momento não existe uma data exata, mas as condecorações. O Instituto Camões destacou a importância deste concurso para a comunidade luso-venezuelana e insistiu em que os professores da língua continuem com o seu trabalho árduo. “Peço aos profes-
sores e coordenadores que continuem a estimular a criatividade dos estudantes de hoje, que é um símbolo para nós, portugueses e luso-venezuelanos. Os alunos irão demonstrar os conhecimentos adquiridos que aprenderam das diferentes personalidades que marcaram a história de Portugal e da língua portuguesa em geral”, afirmou Rainer Sousa, coordenador pedagógico do ensino de português no país.
De 7 a 11 de maio, realizou-se o Segundo Encontro de Professores da Língua Portuguesa na Venezuela nas instalações do Pro Idiomas, localizado no Centro Plaza, em Caracas. O objetivo era claro: a disseminação da língua de Camões em todo o território nacional, além de dar apoio aos professores de português, especialmente na região metropolitana. Neste dia, os professores portugueses do país usufruíram de aulas de instrução e ortografia portuguesa, além de palestras conduzidas por educadores da língua de Camões na Venezuela. A iniciativa terá uma segunda jornada durante o mês de julho.
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UCV vai celebrar Dia de Portugal com diferentes atividades culturais Durante o dia 10 de junho os alunos irão desfrutar de um cronograma cheio de dinâmicas tradicionais OSCAR SAYAGO
A Universidade Central de Venezuela (UCV) terá um cronograma especial para que os alunos e professores das faculdades assinalem o dia 10 de junho. Durante este período, serão desenvolvidas atividades académicas, mas também eventos culturais com o objetivo que os estudantes possam absorver as tradições portuguesas. As atividades culturais decorrerão apenas durante um dia. No dia 8 de junho, às 9:00am, a dinâmica começará no Auditório de Administração da UCV. No ato protocolar darão algumas palavras de início e, às 9:30am, os alunos poderão participar numa conferência, onde serão abordados temas como a situação atual de Portugal, a sua cultura e história, entre outros aspetos. Às 10:00am dar-se-á início à mesa-redonda, onde um estudante de cada ano de Português demonstrará tudo o que aprendeu
durante o curso. Depois, no final, às 10:45am, haverá uma dramatização de D. Inês de Castro e D. Pedro. Por sua vez, as atividades académicas decorrerão entre os dias 8 e 13 de junho no “Edificio de Transbordo de la UCV”. Primeiro terá lugar uma aula sobre redação em português, no dia 11 de junho das 1:00pm às 3:00pm. Depois, no dia 12 de junho, das 9:30am às 11:10am, será dada uma
O esperado evento de “Fados de Coimbra” teve lugar na Aula Magna da Universidad Central de Venezuela, onde a comunidade reuniu-se numa tarde para desfrutar da música mais tradicional de Portugal. Pouco antes do evento começar, entraram no espaço diferentes personalidades, entre elas,Rafael Gomes presidente do Centro Portugués, Rainer Sousa responsável pelo ensino da língua portuguesa na Venezuela, a Chefe da Delegação da UniãoEuropeia, Isabel Brilhante Pedrosa e o Embaixador de Portugal na Venezuela, Carlos Nuno Almeida de Sousa Amaro.O evento foipossívelgraçasaopatrocínio de-
Texeira Duarte, Asoludeven, Caixa Geral de Depósitos, Excelsior Gama e Instituto Camões. Com todas as pessoas sentadas nosseus respetivos lugares, subiramao palco os elementos da Orquesta Sinfónica de Venezuela para começar a afinar os instrumentos e dar-lhes vida. No decorrer de alguns minutos, o maestro brasileiro, João Maurício Galindo, entrou para liderar a orquestra. ADireção de Cultura da UCV agradeceu especialmente a todas as pessoas presentes, nomeadamente ao Embaixador de Sousa e à Embaixada do Brasil por toda a sua dedicação na realização deste grande evento. O Embaixador de Portugal, acompanhado de Rainer Sousa,
OSCAR SAYAGO
No passado dia 26 de maio, a “Feria Educativa Europa 2018” foi realizada para comemorar o mês da Europa. Nesta ocasião, o evento teve lugar no Centro Cultural Chacao, onde os jovens estudantes tiveram a oportunidade de conhecer e participar em diferentes palestras sobre as possibilidades de estudo no estrangeiro. Neste dia, as várias embaixadas, entre as quais Reino Unido, Alemanha, Portugal, Espanha, França e a Delegação da União Europeia, deram informações sobre os programas e os requisitos necessários para se candidatar a uma oportunidade de estudo no estrangeiro. Este evento reuniu um número significativo de cursos de
línguas e programas de bolsas, entre os quais destacam-se Chevening, Erasmus+ e o Serviço Alemão de Intercâmbio Académico (DAAD por seu acrónimo em alemão). Houve também palestras organizadas por outros institutos e embaixadas participantes. O cronograma do evento começou com a Delegação da União Europeia, dando uma palestra sobre o programa de bolsas Eramus+. A Embaixada da Espanha falou sobre o programa de bolsas “Fundación Carolina”, que visa promover as relações culturais e a cooperação na área da educação e da ciência. Por suavez, a Embaixada de Portugal deu uma conferência sobre oportunidades de estudo no seu país, para promover ainda mais o desenvolvimento cultural.
aula sobre pronomes, clíticos e enclíticos. E para encerrar a iniciativa, no dia 13 de junho, das 9:30am às 11:10am, terá lugar uma palestra em 30 expressões idiomáticas. Esta nova atividade é cortesia da Universidad Central de Venezuela, que conta com a colaboração do Centro de Língua Portuguesa, da Faculdade de Humanidades e Educação e do Instituto Camões.
Caracas viveu diálogo entre três países OSCAR SAYAGO
Alunos usufruíram de Feira Educativa
deu também algumas palavras de agradecimento. “Quero agradecer a todos os presentes, aos patrocinadores e especialmente à Embaixada do Brasil pela colaboração nesta nova atividade.” No final das palavras de agradecimento, o concerto começou formalmente, onde a primeira apresentação foi uma peça magistral do “joropo venezuelano” da autoria de Moisés Moleiro. Ao finalizar esta peça entraram os dois primeiros artistas convidados: Ricardo Dias, com a guitarra portuguesa, e Luis Ferreirinha, na viola. Entre as músicas, Nuno Correia entrou para encantar o público com a sua impressionante voz. Durante o concerto foram interpretadas diferentes peças como: “Saudades de Coimbra”, “Fados dos Beijos” e “Balada sem Destino”, entre outras.
Centro Luso Larense assinala portugalidade O clube luso terá uma celebração especial e contará com a companhia do embaixador de Portugal OSCAR SAYAGO
O Centro Luso Larense com sede em Barquisimeto, estado Lara, soma-se à celebração do Dia de Portugal, com uma jornada bastante especial. O próximo sábado 10 de junho, o clube larense terá um cronograma preenchido de atividades e terá como convidado especial a Carlos Nuno Almeida de Sousa, embaixador de Portugal. De acordo com o cronograma, as atividades terão início
às 10:30am, na Plaza Bolívar, fazendo as respetivas honras ao padre da pátria, sendo que depois serão encerradas as instalações do clube. Às 1:00pm será inaugurada uma exposição na sala “Os Navegantes”. No decorrer da atividade, o embaixador discursará sobre as novas iniciativas do Governo de Portugal. Para finalizar com o dia, será realizado um almoço com o embaixador com um menu especial no restaurante do clube.
SUPLEMENTO ESPECIAL 60° ANIVERSÁRIO DO CENTRO PORTUGUÉS - 8 DE JUNHO DE 2018 - CORREIO DA VENEZUELA
C P CENTRO PORTUGUÊS: uma história de trabalho e perseverança
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II | 60º ANIVERSÁRIO CP
O clube nem sempre foi o que conhecemos hoje: é um símbolo de esforços e sacrifícios
CENTRO PORTUGUÊS:
Em 1958 um grupo de visionários abriu a primeira sede do CP em El Paraiso
uma história de trabalho e perseverança Passaram-se 60 anos desde que um grupo de sonhadores desenvolveu um projeto que, ao longo do tempo, se tornou o segundo lar para muitos portugueses que vivem na capital venezuelana.
SÉRGIO FERREIRA SOARES Em 1957, um grupo de portugueses, motivado pelos laços afetivos e patrióticos, tomou a decisão de fundar uma associação para acolher e manter o espírito da portugalidade que os uniu. Foram inúmeras as reuniões e não poucos os obstáculos que houve que ultrapassar para concretizar um projeto de tal dimensão. Mas a perseverança e a tenacidade daqueles que se dedicaram e assumiram a responsabilidade do projeto, fez com que todas as dificuldades
No início dos anos 70, os sócios adaptaram-se à terceira sede, em La Castellana
Vários convívios ocorreram na segunda sede, em Sebucan, na década de 1960 iniciais fossem ultrapassadas. Por volta do ano 1958 o nosso país vivia uma série de acontecimentos e mudanças no âmbito político, o que significaria um novo amanhecer
para começar a escrever outro capítulo na nossa história. Foi neste ano, num momento de crise em que as forças e agrupamentos políticos venezuelanos iniciavam um caminho
rumo à democracia constitucional e representativa, que um grupo de portugueses decidiu juntar as suas poupanças, para assim investir numa associação onde preva-
No final da década de 1970, foi construído o que hoje é um dos melhores clubes portugueses do mundo
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A abertura do novo centro social esteve marcada pela libertação de pombas na Quinta Nerotal lecem as tradições e os costumes daquela terra jamais esquecida, Portugal. A fundação do Centro Português coincide com o crescimento do fluxo migratório de portugueses para a Venezuela, com cifras que alcançaram as dezenas de milhares de emigrantes, anualmente, em toda a década de 50. A escolha da data de 10 de junho para o nascimento do clube teve um caráter simbólico e emblemático por coincidir com o Dia de Portugal e por se comemorar igualmente o 478º aniversário da morte do grande poeta português Luís Vaz de Camões. Nesse dia 10 de junho de 1958, na Avenida Paez da Urbanização El Paraiso, um grupo de cofundadores decidiu proceder a um ato simbólico de lançamento de centenas de pombas a partir das varandas da Quinta Nerotal, onde ficou instalada a primeira sede do Centro Português. A primeira Junta Diretiva,
presidida por Daniel Morais, tomou posse em 25 de janeiro de 1959, tendo sido realizada a primeira reunião no dia 28 de julho daquele ano.Os dirigentes estabeleceram novos objetivos e projetos a futuro, assim como também se assinalaram várias datas para eventos importantes. Nessa altura, o CPcontava já com 348 associados. “Todos, mas sobretudo a comissão de obras, que desinteressada e plena de entusiasmo, dedicaram-se a preparar a sede do Centro, na Avenida Páez do El Paraiso que viria a ser inaugurada no dia 10 de junho de 1958, já com a sua biblioteca, a escola, o posto médico e o jardim infantil, o que para a época foi uma uma evidência da capacidade e nível da nossa colónia” expressou Daniel Morais numa publicação do clube. Na primeira reunião da Junta Diretiva foi aprovada a criação de um restaurante típico, bem como a publicação de um programa de ativida-
O projeto foi estudado milimetricamente desde o seu início
Muitos foram os homens que com paciência e determinação construiramum sonho
As festas de final de ano sempre foram muito esperadas
Os associados não esquecem os primeiros tempos
Muitos se lembram do Sr. Freitas, primeiro “porteiro” do CP
As decisões do clube têm sido debatidas desde a sua criação
Altamente elogiado o projeto de construção da sede própria
Em fevereiro de 1970 foram aprovados os planos definitivos
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IV | 60º ANIVERSÁRIO CP des mensais. O primeiro torneio de “Bolas Criollas” teve lugar em agosto de 1959, sendo o custo da inscrição de 10 bolívares por participante. Ainda, em novembro de 1959, realizou-se o primeiro torneio de “ping-pong”. Também na mesma altura, a União Ciclista de Portugal e o Desportivo Português foram autorizados pela Junta Diretiva a terem as respetivas reuniões de trabalho nas instalações do clube. No contrato de arrendamento da Quinta Nerotal tinha sido introduzida uma cláusula de opção de compra do edifício. Aquela cláusula ficou a dever-se a perspetiva, já planificada pelo Grupo Fundador, de a breve prazo adquirirse uma propriedade própria para o Centro Português. No entanto, acabou por não ser possível a aquisição da Quinta pelo que, finalizado o contrato, foi necessário encontrar outra sede. No dia 22 de agosto de 1960, a Junta Diretiva teve de tomar a decisão de procurar uma nova sede, porque os proprietários não mostraram interesse em renovar o contrato de arrendamento da Quinta Nerotal. Foi assim como, em 27 de setembro, a Junta Diretiva, sob a proposta do seu presidente Daniel Morais, aprova o aluguer de umanova sede situada na zona leste de Caracas. No mês de setembro de 1960, a sede do Centro Português foi deslocada para a Avenida Principal de Sebucán, número 16, com um encargo mensal de 2.600 Bolívares. A mudança concretizou-se com a colaboração de todos, especialmente de Rodolfo dos Santos, Manuel da Silva Santos e Daniel Morais, que disponibi-
lizaram os meios logísticos para aquele efeito. Decorria, então, o mandato da quarta Direção do Centro Português, presidida por Daniel Morais pela quarta vez consecutiva. No dia 11 de outubro de 1960 teve lugar a primeira reunião ordinária na nova sede de Sebucan, tendo sido decidido a realização de uma festa de inauguração que contou com as presenças dos Embaixadores de Portugal na Venezuela e da Venezuela em Portugal. Foram entretanto efetuadas obras de adaptação para poder acolher maior número de associados e participantes nos eventos. Passados alguns meses, já existiam várias instalações tais como um bar e um restaurante para o desfrute dos sócios, onde também eram apresentados artistas reconhecidos e festejavam-se festas de confraternização mensalmente, para a partilha de bons momentos entre os associados. Nesta sede também foram estabelecidas a comissão de desportos e a comissão de festas, que eram responsáveis pela organização das suas celebrações. O objetivo do Centro Português, para esta altura, era ficar conhecido pelo povo venezuelano e pela comunidade portuguesa, imigrante na Venezuela. Foi por isto que decidiram marcar presença nos mais variados meios de publicidade, tais como a rádio e meios impressos. Foi então que Adelino Oliveira, um dos maiores pioneiros de programas radiofónicos em português na Venezuela, ofereceuse para a realização duma entrevista, em sinal aberto e direto, a Daniel Morais desde as instalações do Centro Portu-
Daniel Morais acompanhado por Nectario Andrade La Barca
Enquanto os sócios desfrutavam da sede de La Castellana, a direção do clube procuva uma solução definitiva
Visita para verificar os planos arquitetônicos guês. A 11 de marco de 1969, a Direção do Centro Português contratou um novo porteiro para a sua sede, carinhosamente chamado de “o senhor do boné azul”. Tratava-se do Sr. Freitas, figura inesquecível, estimada e respeitada pelos jovens e pela comunidade residente. Persistiam então os esforços para encontrar uma solução duradoura para que o clube tivesse uma sede própria. Foiassim como a diretiva, em 1970, aprovou a assinatura daopção de compra de um terreno de 24.00 metros quadrados por umpreço total 1.108.600 bolívares àsociedade civil Academy La Castella-
na. Assim, no dia 10 de fevereiro de 1970, são aprovados os planos do projeto da sede e outorgada licença de construção do edifício Centro Português na urbanização Macaracuay. Após o extenso trabalho por arte dos fundadores, no mês de março de 1971 é emitido um comunicado dirigido à Direção do Centro Português com ordens para abandonarem as instalações em El Sebucán, com um prazo máximo até o dia 30 de abril.Foi assim que resolveram começar a procurar uma sede provisória, enquanto eram realizadas as obras na sede permanente localizada em Macaracuay. A partir de maio de 1971, o Centro Português passa a ter
Avanços na construção do Centro Português
Durante a colocação da primeira pedra, foram erguidas as bandeiras de Portugal e da Venezuela
Padre Joaquim Ferreira abençoou o início das obras
Os sócios viram como o sonho se tornou realidade
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Com os avanços, o clube ganhava em número de associados sede provisória na Quinta Corazal, localizada na Avenida San Felipe, com terceira transversal em La Castellana, município Chacao. Finalmente, no dia 17 de novembro de 1973 foi colocada a primeira pedra que daria início à construção da própria sede. Depois do reverendo padre Joaquim Ferreira celebrar uma missa campal no terreno, Daniel Morais leu a Ata que assinalou o acontecimento, em companhia do Ministro de Relações Interiores da Venezuela, Nectário Andrade La Barca, e do Embaixador de Portugal, João da Cunha Matos. Entretanto, uma festa comemorativa do lançamento da primeira pedra do clube teve lugar no Círculo Militar. No ano 1975, foi festejado o Dia de Portugal e 17º aniversário do Centro Português já nas instalações próprias, que ainda se encontravam em obras, com o objetivo de todos os sócios se inteirarem da evolução das obras de engenharia. A última reunião da Junta Diretiva na Quinta Corozal, realizou-se a 20 de setembro de 1977. Recaiu sobre Daniel Morais a responsabilidade de adquirir os móveis para escritório destinados à sala de reuniões da futura sede, assim como também a mudança das instalações. A primeira reunião no novo edifício realizouse no dia 23 de setembro de 1977 e ficou registada na Ata número 298, tendo sido os serviços de Secretaria transferidos para a nova sede no dia 7 de outubro daquele ano. Entre 1978 e 1984, foram concluídas outras obras setoriais que acabaram por definir e consolidar as obras de arte de engenharia e o conjunto arquitetónico estrutural que constitui a obrabase tal como a vemos ainda hoje. De salien-
60º ANIVERSÁRIO CP | V
Os promotores do projeto trabalharam incansavelmente
Em 1975, o 17º aniversário do clube foi celebrado no prédio em construção tar que, nesse período a presidência da Junta Diretiva foi da responsabilidade do Comendador Fernando Ludgero, a quem coube a tarefa de prosseguir e concluir e ainda promover o conjunto de obras de construção em áreas vitais do edifício, nomeadamente, as três piscinas e respetivos balneários, a sala de reuniões da Junta Diretiva, os campos desportivos, os campos de “Bolas Criollas” e o salão de “Bowling”. Em 1983 iniciaram-se as obras de construção da Capela de Nossa Senhora de Fátima no dia 29 de julho de 1984 foi inaugurado este espaço de culto. A inauguração contou com a presença do Cardeal José Alí Lebrun. Atualmente esta a ser desenvolvido o projeto de ampliação das áreas desportivas, recreativas e culturais do Centro Português, que iniciou no dia 21 de novembro de 2010 com a colocação da primeira pedra. O então presidente do Cento Português, António Gouveia, disse que a concreti-
zação deste “sonho” foi possível graças à colaboração inicial de um grupo de 70 sócios, que investiram capital próprio para assegurar a compra do terreno, o qual, há dois anos, foi avaliado em 2 milhões de bolívares fortes (BsF), perto de 400 mil euros). O arquiteto do projeto, Juan Manuel Da Silva, lembrou que o terreno possui uma área total de 96.220 metros quadrados. Contudo, devido a restrições de ordem ambiental, apenas 55 mil metros quadrados podem ser utilizados como área de construção. A primeira de cinco etapas compreende a criação da área de acesso e vigilância, um campo e futebol em terra, balneários, casas de banho públicas e acessos. No entanto, está prevista a construção de outro campo de futebol com relva sintética, quadras de ténis, campos de basquetebol, beisebol, squach e racketball. No âmbito cultural, serão criadas 17 salas que servirão para o ensino da língua portuguesa, para exposições e outras atividades.
A estrutura foi levantada em tempo recorde
A festa inaugural da nova sede contou com uma participação massiva
Com as instalações ainda em construção, os sócios começaram a praticar desportos
O clube continuou a crescer nos anos 80
Morais foi homenageado com um busto
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VI | 60º ANIVERSÁRIO CP
A inauguração da obra de cobertura do campo foi um momento marcante na história do clube
60
O estacionamento foi um trabalho de grande importância para os associados
anos de história
em imagens
Falar dos primeiros 60 anos de história da Associação Civil Centro Portugués poderia ocupar todas as páginas de um livro. O CP é uma instituição cheia de vida, cujas instalações dia após dia apresentam-se no seu melhor para receber os seus sócios e que estes possam desfrutar de eventos, arraiais, almoços, jantares, festas e um sem fim de iniciativas: desde os arraiais de São João e São Martinho até as procissões da Virgem de Fátima e as comparsas; tradições que ninguém quer perder. Não menos importantes são os espaços culturais, sociais e desportivos que têm lugar no clube da capital: aulas
de português, grupos folclóricos, aulas de música, iniciativas de solidariedade, campeonatos de futsal, ténis, “Madeirabol”, “bolas criolllas”, entre tantas outras iniciativas. Em conclusão: um universo de opções para todos os gostos, com o objetivo de que os membros façam desta instituiçã o seu segundo lar. Neste trabalho especial resumimos a trajetória desta importante instituição da diáspora portuguesa a través de fotografias: refletem momentos e pessoas que têm marcado uma história de esforços e sacrifícios, mas também de alegrias e satisfações.
A história recente do CP está marcada pela aquisição do novo terreno em Macaracuay, Caracas
O CP é um exemplo digno da frase: a força está na união
A comunidade se reúne para apoiar a seleção das Quinas
O clube promove a cultura portuguesa desde a sua criação
Festas e convívios criaram uma grande família
Os costumes religiosos são seguidos na instituição
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60º ANIVERSÁRIO CP | VII
Desde o início, o clube procurou maneiras de continuar com seus projetos O piano do Centro Português é um ícone que salvou a associação de falência em uma ocasião
Agostinho Macedo e o grupo Central Madeirense apoiaram o clube nos momentos mais difíceis
As comparsas são o evento mais esperado cada ano
Ninguém perde as tradicionais festividades em homenagem a São João
As aulas de língua portuguesa tem sido um exemplo para o resto do país
O CP testemunhou a visita de equipas desportivas e importantes figuras
Coragem e determinação das direções levaram ao sucesso da instituição
O clube tem três grupos folclóricos
Há muitos arraiais que, ano após ano, reúnem milhares de pessoas
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VIII | 60º ANIVERSÁRIO CP
Manuel De Oliveira /1 presidência 1962-1963
Rodolfo Dos Santos / 3 presidências 1963-1964
Casimiro De Oliveira / 4 presidências 1964-1965
António Dos Santos Araújo / 1 presidência 1966-1967
A presidência do CP: Entre o orgulho e a tenacidade Carlos Da Rocha Mendes / 3 presidências 1967-1969
Os 24 homens que têm dirigido a instituiçãoao longo destes60 anos marcaram o seunome na história de umainstituiçãoque se prevêtenhaum longo futuro SERGIO FERREIRA SOARES
Fernando Ludgero / 5 presidências 1978-1983
Humberto Ferreira / 2 presidências 1984-1986
Sem dúvida alguma, o sucesso da Associação Civil CentroPortuguês devese ao seu talento humano e o esforço diário, ao longo destes primeiros 60 anos de existência, um trabalho que foi levado a cabo por um grupo de homens e mulheres cujo único objetivo tem sido oferecer um espaço onde os costumes e tradições portuguesas são mantidos intactos. Além da atividade dos dirigentes da instituição, o trabalho dos membros das diferentes comissões e até a simples comparência no sinúmeros eventos organizados anualmente permitem ao clube permanecer vivo hoje. Assumir a presidência do Centro Português é motivo de orgulho para os portugueses que fazem vida neste centro social, não só pelo que significa dentro da instituição, mas também pelo que representa para toda a comunidade portuguesa sediada na Venezuela. No entanto, num espaço onde mais de dez mil cidadãos vivem com modos de pensar completamente diferentes e num país cuja situação económica tem sido instável, ocupar essa posição também é sinónimo de tenacidade. Ao avaliar a história dos sessenta anos do Centro Português, entre tentativas e erros, os 24 homens que ocuparam a cadeirada presidência da instituição ficam na memória
Daniel Morais / 19 presidências 1959- 1962, 1969-1978, 1983-1984 pelos pequenos e grandes trabalhos que fizeram com que esta instituição fosse hojeum ícone da portugalidade no mundo. Não menos importante foi o trabalho dos membros dos 63
conselhos de administração, mesas de assembleia e conselhos fiscais que, ao longo de 60 anos, posicionaram o Centro Português como um dos melhores centros sociais da América Latina.
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60º ANIVERSÁRIO CP | IX
Manuel Medeiros / 2 presidências 1986-1988
Armindo Dos Santos / 3 presidências 1988-1991
José Romão Pestana / 2 presidências 1991-1993
Bernardo Luís Pereira / 1 presidência 1993-1994
Cândido De Andrade / 2 presidências 1994-1996
José Luís Ferreira / 2 presidências 1996-1998
José Egidio Monteiro / 2 presidências 1998-2000
António Alves Pereira (Fiuza) / 2 presidências / 2000-2002
Mário Pereira Francisco / 2 presidências 2002-2004
Manuel André Pita / 2 presidências 2004-2006
Joao Da Silva Gonçalves / 2 presidências 2006-2008
Antonio Gabriel Gouveia / 2 presidências 2008-2010
Fernando Campos / 2 presidências 2010-2012
Juan Javier Dos Santos / 2 presidências 2010-2012
Gil Enio Andrade / 2 presidências 2014-2016
Antonio Rafael Gomes / 2 presidências 2014-2016
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X | 60º ANIVERSÁRIO CP
Mário Soares
Ramalho Eanes
Alberto Joao Jardim
Personalidades reconheceram a relevância do centro social Políticos, artistas e grandes pensadores passaram pelas instalações do clube da capital ao longo de 60 anos de história SERGIO FERREIRA SOARES Um dos valores acrescentados da Associação Civil Centro Português diz respeito à sua capacidade de gerar interações entre os sócios e a sociedade venezuelana, através de um leque de iniciativas destinadas a proporcionar momentos de lazer que deixaram marcas nas páginas destes 60 anos de história. A relevância do CP fez com que um grande número de personalidades visitasse este clube da capital: desde ex-presidentes e ministros portugueses e venezuelanos, passando por cantores, músicos e
artistas e até grandes escritores e pensadores do nosso tempo, personalidades que deixaram a sua marca na memória aqueles que tiveram o prazer de recebê-los com as portas abertas. Entre os ex-presidentes da República Portuguesa que visitaram o clube destaca-se o General Ramalho Eanes, Mário Soares e Jorge Sampaio; também o antigo primeiro-ministro José Sócrates, o ex-presidente da Região Autónoma da Madeira Alberto João Jardim, o atual governante da ilha Miguel Albuquerque, o antigo Secretário das Comunidades José Cesário e o atual Ministro dos
Negócios Estrangeiros de Portugal Augusto Santos Silva. Os sócios recordam com carinho a visita do ex-presidente Rafael Caldera, a candidata presidencial Irene Saez e o ex-governador do Estado Miranda Enrique Mendoza. Igualmente importante foi a visita de Amador Bendayan, Ignacio Perez Perazo, Arturo Uslar Pietri, Maite Delgado, Nelson Bocaranda, Laureano Marquez, Luis Figo e Mariza, entre muitas outras personalidades, que para as poder referir a todas, seria necessário dedicar toda uma edição. Aqui estão algumas das imagens mais marcantes.
José Sócrates
Rafael Caldera e Jorge Sampaio Arturo Uslar Pietri
Amador Bendayan
Augusto Santos Silva
Eusebio “Pantera Preta”
Miguel Albuquerque
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60º ANIVERSÁRIO CP | XI
A beleza tem um lugar no Centro Português Meninas e jovens sonham com levar a coroa de rainha do clube da capital SERGIO FERREIRA SOARES Num país que produziu inúmeras rainhas de beleza, é de supor que o Centro Português se transforme numa pequena representação daquilo que é a Venezuela. Todos os anos, a instituição lusitana da capital aguarda na expectativa a eleição das novas rainhas da beleza que levarão as bandas e coroas que as credenciam como as mais belas do clube. Num espetáculo luxuoso e elaborado, ao melhor estilo do Miss Ve-
nezuela, os sócios passam uma noite diferente e veem como as meninas e jovens jogam a serem modelos, sonhando com algum dia repetir a experiência num concurso a nível nacional. Mas ser a Rainha, Madrinha do Desporto, Princesa ou Princesinha não é apenas uma questão de figuração: envolve trabalho, preparação e uma agenda preenchida, marcando presença junto da direção em inúmeros eventos sociais. Seguem algumas das imagens mais marcantes nestes 60 anos de reinados.
XII | 60º ANIVERSÁRIO CP
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RAFAEL GOMES:
“Queremos manter o clube como uma tacinha de prata” SERGIO FERREIRA SOARES Ser presidente da Associação Civil Centro Pordo aquilo que temos e oferecendo maior segurança. Sabemos que o Centro Português é como um escape tuguês não é, de modo algum, tarefa fácil; muito na cidade e queremos que os nossos sócios continuem menos quando temos em consideração os inúmea sentirem-se seguros nesta sua segunda casa. ros problemas relativamente à situação económica que a Venezuela está a viver. Para além da instabi—Quantos membros possui atualmente o clube? lidade no país quanto à distribuição de insumos e —O Centro Português possui um dos altos custos da manutenção de espaços total de 2.000 ações. Entre sócios tão complexos como este centro social, à efetivos, filhos casados, filhos listagem de dificuldades pode-se acrescensolteiros e agregado familiar, potar a migração dos seus membros, a incapademos falar de aproximadamencidade de pagar de alguns e os orçamentos te 10.000 pessoas, das quais 7 ou em constante mudança quando é necessário 8 mil estão atualmente ativas. organizar qualquer evento. O panorama, como é de esperar, parece —Quais são os projetos do clube no difícil para qualquer homem ou mulher que curto, médio e longo prazo? tem a coragem de tomar as rédeas de uma —A situação do país não permite instituição na terra de Bolívar. Mas para Rafazer muitos projetos. Estamos fael Gomes, atual presidente daquele clube a viver uma situação que apenas lusitano localizado na capital, o bem-estar, a paz e a felicidade dos seus sócios recomO atual presidente nos permite viver um dia de cada vez. No curto prazo, estapensa todo o esforço, trabalho e exaustão do Centro mos a proporcionar bem-estar e que acarreta conduzir uma associação tão Português faz entretenimento aos sócios, fazer complexa.
o balanço da sua gestão e da situação do clube, assim como oferece a sua perspetiva de futuro no âmbito do 60º aniversário da instituição
—Como presidente do CP, o que representa para a instituição chegar aos 60 anos e ser uma referência da portugalidade no mundo? —Representa a audácia dos nossos fundadores na fundação do clube. Um clube social com os seus objetivos básicos de natureza social, desportiva, cultural e de solidariedade. Isto sempre com um grande espírito de associativismo e um grande sentimento patriótico. Estas circunstancias têm possibilitado o engrandecimento desta associação na coexistência harmoniosa dos nossos sócios que estamos sempre à procura das nossas raízes e tradições a través dos arraiais, grupos folclóricos, gastronomia, entre outras atividades. Estes 60 anostambém representam o amor por Portugal, embora grande parte dos sócios existentes sejam luso-descendentes. Queremos que a portugalidade continue viva. É um exemplo de desenvolvimento com referência a outras associações em todo o mundo. Procuramos dignificar no mundo a imagem de Portugal e da sua diáspora.
—Qual é a situação atual do clube? —Neste momento o clube não escapa à realidade vivida na Venezuela e em outros centros sociais. As finanças têm sido ajustadas com muito cuidado. O nosso grande problema atualmente é a aquisição de insumos e a manutenção das infraestruturas, uma vez que os preços estão a ficar fora do orçamento e hámuita escassez de materiais e equipamentos. O nosso principal objetivo é manter aquilo que já temos feito. Queremos manter o clube como uma tacinha de prata. A ideia é continuar a ser uma referência, manten-
com que se sintam bem, seguros e aproveitem as instalações para esquecer o que está a acontecer. No médio prazo, o campo de futebol e o terreno, mas devido à situação do país, este assunto está parado. Quanto ao longo prazo isso já diz respeito às próximas diretivas, mas penso que o objetivo deve ser o de levar o Centro Português àquilo que era há 10 ou 15 anos atrás: um clubecheio de vida e de gente, para o qual possam voltar todas as famílias que tiveram que deixar o clube ou o país.
—Para si, qual é o maior desafio de gerir o Centro Português nas circunstâncias atuais do país? —O principal desafio dizr espeito às finanças e ser capaz de manter o clube com a hiperinflação e umfundo de maneiro cada vez mais reduzido. Estamos a trabalhar com muito cuidado na área da tesouraria; com muita responsabilidade, porque temos a confiança que nos foi dada pelos sócios. Não é fácil. Fazemos o melhor que podemos e a ideia é fechar o ano a continuar a oferecer benefícios aos sócios, mas fazendo uso de um orçamento o mais preciso e reduzido possível. Ou seja, a nossa intenção é economizar e fazer com que os recursos sejam muito bem administrados. A história atingiu-nos duramente como diretiva, porque apesar de eu ser o diretor do clube, sou daqueles que pensa que não és ninguém se não possuíres uma boa equipa. É por esta razão que quero aproveitar esta oportunidade para agradecer aos meus colegas, por-
que tenho muito orgulho de todos e de cada um deles: cada um no seu cargo tem feito as coisas da melhor forma. —Qual é a situação atual do novo terreno? —O terreno foi adquirido em 2009. Atualmente as obras estão paradas porque a situação no país não nos permite fazer grandes progressos numa obra desta magnitude. Recentemente colocamos vigilância e construímos um muro na parte da frente para o seu resguardo. No entanto, ainda temos que fazer um grande movimento de terras e depois avançar com a construção propriamente. Portanto, face a situação que se vive na Venezuela, temos de nos concentrar na nossa atual sede, a qual estamos a manter com muito esforço e sacrifício. Por enquanto, estamos a começar a aproximar os nossos sócios com o novo terreno a través de sessões de bootcamp e outras iniciativas. Da mesma forma, os sócios que queiram ir para lá para andar de bicicleta ou praticar desporto podem fazê-lo: apenas basta notificar a junta diretiva. Espero que, no médio prazo, possamos definitivamente começar esse projeto que tanto nos entusiasma. É uma herança que pertence a todos os sócios; um projeto que existe, que está latente, e sei que, vamos levá-lo avante. —Se tivesse que escolher 5 momentos na história do CP que contribuíram para tornar este clube a referência que é hoje, quais seriam e por quê? —Há muitos momentos. Particularmente penso que o mais importante foi o momento da sua fundação em 1958. Também a aquisição do piano, que é nosso maior património e uma referência, uma vez que vem da quinta Nerotal. Quando eles deixam a quinta, o piano foi dado ao clube, o que ajudou a sair de muitos compromissos que já tinham sido assumidos. É a maior inspiração de persistência e perseverança para alcançar todas as conquistas. Outro momento foi quando o Centro Português nos anos 70 abriu as suas portas para a Unión Ciclística Portugal e o Desportivo Português, que deu muita alegria à comunidade portuguesa no país. Não menos importante foi quando o clube abriu as suas portas ao Instituto Português da Cultura e à Academia do Bacalao Caracas para ter a sua sede nas nossas instalações. Outro momento é quando compramos o terreno para as novas áreas, porque mostramos que queremos continuar a ser o melhor Centro Português do mundo. —Que mensagem envia aos sócios do clube? —Estarei eternamente grato e feliz de pertencer a esta casa e ser presidente desta instituição. Devo muito a esta casa e aprendi muito aqui. Tudo tem sido experiências. Obrigado aos sócios por acreditarem em mim. Obrigado aos diretores por todo o seu esforço, dedicação e amor. Obrigado a todos os homens e mulheres que trabalharam por esta casa.
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CULTURA | 19
Elba Escobar apresenta monólogo original em Espinho e na Madeira Atriz e apresentadora venezuelana foi recebida na cidade portuguesa para apresentar o seu mais recente show carregado de humor e nostalgia OSCAR SAYAGO
No sábado 26 de maio, a comunidade de Espinho desfrutou de um espetáculo cheio de humor, da autoria da atriz de teatro, cinema e televisão, assim como cantora, escritora, locutora e motivadora Elba Escobar. Pela primeira vez em Espinho, foi apresentada a peça “Disneizuela”. O evento realizou-se no Centro Multimídia, onde a atriz apresentou o seu monólogo escrito por Daniel Ferrer Cubillán. Escobar interpretou uma bela mulher cinco vezes mãe solteira, representando as venezuelanas no seu melhor, cuja razão de vida são os seus cinco filhos: Yeferson, Mileidy, Henrito, Disney e, o mais jovem, mas rebelde, DolarToday. Ela está preocupada com o êxodo dos venezuelanos que se reinventam à procura de novas opor-
tunidades de trabalho e estaria disposta a atacar a Casa Branca em Nova York, se fosse preciso, para que seus empregadores regressassem à Venezuela. Disneizuela caracteriza-se por ser uma divertida comédia escrita, produzida e dirigida pelo talentoso Daniel Ferrer
Cubillán, em que Elba Escobar oferece ao público o melhor da sua carreira multifacetada. O show contou com a participação musical de Gabriel Villalobos. A atriz deixou um comentário nas suas redes sociais sobre o seu evento na Europa. «Obrigada Madeira pelo seu ca-
rinho pela Disneizuela, espero voltar a vê-los brevemente». Entre as suas outras apresentações, destacam-se o seu show no dia 27 de maio na Madeira e o do dia 30 no Eixample Teatre de Barcelona, com uma apresentação de caráter solidário, já que grande parte dos lucros foi doado aos reformados venezuelanos que vivem em Espanha, uma vez que a maioria não conseguiu receber a respetiva pensão. A 1 de junho, atuou em Valencia, e em Madrid repetiu o show no teatro Amaya, no dia 2 de junho, culminando assim a sua tournée europeia. Elba Escobar é atriz, cantora, escritora e locutora de rádio com uma grande trajetória, sendo uma das mais reconhecidas e experientes na indústria do entretenimento na Venezuela.
Nesta nova edição do Miss Portuguesa Madeira participaram 15 jovens, na sua maioria estudantes, provenientes de quase todos os distritos da Madeira, que vão disputar o lugar na gala que está agendada para o dia 16 de junho no Centro de Congressos da Madeira, com a cobertura
da RTP-Madeira. As quinze jovens que participam neste evento são: Alicia Lewington, natural de Santa Cruz (Caniço); Dayana de Freitas, Ribeira Brava; Jesuzita Correia, Porto Moniz (Seixal); Virginia Nunes, Machico (Caniçal); Sandra Côrte, Porto Moniz (Seixal); Cátia Geraldes, São Vi-
cente (Boaventura); Khaterine Carvalho, Santa Maria maaior (Funchal); Nicole Viveiros, Santana; Diana Santos, Câmara de Lobos; Paula Vasconcelos, Funchal (São Martinho); Marisa Alves, Santa Cruz (Camacha); Sara Marques, Machico (Porto da Cruz), Fátima Gonçalves, Funchal (Santo António); Catarina
Cantora Iliana Gonçalves surpreendeu o público do Colégio San Agustín ao mostrar um repertório repleto de música tradicional portuguesa OSCAR SAYAGO
Seidi, Funchal (Santo António); Mónica Vilanova, Ribeira Brava (Campanario) e Virginia Nunes, Machico (Caniçal). Os votos são feitos por chamadas telefónicas, o que se traduz num contributo para o hospital. Os números d estão disponíveis na página www.facebook.com/ Missportuguesamadeira.
No sábado 5 de maio, realizouse um concerto inesquecível com uma das vozes mais tradicionais da língua portuguesa, na Escola San Agustín, localizada em El Paraíso, Caracas. Para comemorar o Dia Internacional da Língua Portuguesa, a fadista Iliana Gonçalves interpretou um dos seus repertórios mais populares. Esta atividade foi levada a cabo graças à colaboração da Embaixada da República Portuguesa em Caracas, do Instituto Camões, do Mês de Europa, da Associação Venezuelana de Ensino da Língua Portuguesa (Avelp) e da Escola de San Agustín. O evento teve lugar às 15h00, mas os convidados a começaram a se juntar fora do teatro antes do tempo, para receberem o cantor. A iniciativa começou com algumas palavras de convidados especiais, como Rainer Sousa, Coordenador do Ensino do Português Língua na Venezuela, sendo que assistiram ao mesmo Enrique de Sá, professor na Universidade Pedagógica Experimental Libertador (UPEL); e Nelida de Sousa, coordenadora do programa de ensino de Português no Colégio San Agustín.
tuguesa Venezolana do Estado Carabobo “, disse o grupo. O Rancho Folclórico Saudades foi fundado em 2005. O seu principal objetivo é representar
e promover a cultura portuguesa através do folclore insular e continental. Atualmente, Saudades possui 38 membros de origens diversas.
Luso-venezuelana participa no concurso Miss Portuguesa Madeira OSCAR SAYAGO
«O fado é como um filme»
Saudades procura novos membros O grupo de dança tradicional portuguesa está à procura de luso-descendentes e venezuelanos para fazer parte da equipa O Rancho Folclórico Saudades de la Casa Portuguesa Venezolana do Estado Carabobo, dando continuidade à iniciativa de promover a cultura portuguesa em terras venezuelanas, encontra-se atualmente à procura de novos membros tanto para o grupo infantil (a partir dos 6 anos de idade) como para o grupo dos adultos. Ser um elemento do grupo folclórico não só implica aprender novas danças, mas também ab-
sorver a portugalidade aprendendo a tocar instrumentos musicais e canções. Para mais informação sobre como se juntar ao grupo folclórico poderá contactar através do email: rfsaudades@ gmail.com ou ligue para (0414) 0157929. Para outro tipo de contacto, o grupo publica constantemente novas informações nas suas redes sociais (@rfsaudades). O grupo possui atualmente
12 anos de vida artística ininterrupta. “12 anos, a promover e celebrar a cultura portuguesa, 12 anos de ensaios, festas, apresentações, reconhecimentos e prémios, 12 anos nos quais temos partilhado com muitas pessoas que têm enriquecido o nosso grupo e que nos têm acompanhado neste longo caminho, temos caído e nos temos levantado, continuamos em pé e avançando com muito orgulho representando a Casa Por-
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20 | OPINIÃO Palavras Literarias
Espaço Jurídico
DANIEL BASTOS
ANA CRISTINA MONTEIRO
A Santa Casa da Misericórdia de Paris A Santa Casa da Misericórdia de Paris (SCMP), instituída a 13 de junho de 1994 na esteira das Misericórdias Portuguesas, instituições de assistência social que ao longo dos tempos se têm assumido como pilares imorredouros do altruísmo nacional, desempenha um papel fundamental na dinamização da solidariedade no seio da comunidade portuguesa em França. Desde a sua fundação, a Misericórdia de Paris mantém uma matriz de intervenção que não substitui nem entra em concorrência com os serviços existentes, tanto franceses como portugueses, antes pelo contrário, procura complementar e colaborar com os mesmos, atuando quando não há resposta aos problemas específicos da comunidade portuguesa ou quando as respostas não são satisfatórias ou são incompletas.
Nesse sentido, a sua missão e valores visam no quadro geral da assistência à comunidade portuguesa em terras gaulesas, através da realização campanhas e ações de solidariedade social, apoiar as pessoas idosas, os jovens sem formação com dificuldades de inserção, os indigentes, os desempregados de longa duração, os inválidos, os que padecem de abandono e solidão, os detidos e os que carecem de necessidade material, moral ou afetiva. Uma missão e valores que assumem uma premência vital, tanto que a França continua a ser o país com mais emigrantes portugueses, mais de um milhão, e contrariamente à uma certa ideia preconcebida que associa os emigrantes portugueses a percursos de vida coroados de sucesso, vários são os que vivem com dificuldade, confrontados com situações de precariedade, de
Legacis
ANTÓNIO DELGADO
O Efeito Cíclico Migratório Os Lusodescendentes que residem na Venezuela ou em qualquer outro pais podem adquirir a nacionalidade Portuguesa e o direito a circular, residir e trabalhar em quaisquer dos Estados-Membros da União Europeia. A Venezuela, especialmente em meados da década de 40, viu um grande fluxo migratório de cidadãos portugueses que chegavam ao país em busca de melhores condições de vida. Atualmente, existe uma grande comunidade portuguesa em solo venezuelano e a maioria são descendentes de segunda e terceira gerações daqueles primeiros Portugueses. Muitos destes Lusodescendentes poderão adquirir a nacionalidade portuguesa mas ainda não iniciaram processo para o seu reconhecimento. Ter nacionalidade Portuguesa
significa a possibilidade de transmissão dessa nacionalidade para seus descendentes e o direito a circular, residir e trabalhar não só em Portugal mas também em quaisquer dos Estados-Membros da União Europeia. Desde aquele primeiro fluxo migratório em direção à Venezuela, Portugal obteve um grande crescimento e evolução económico, educacional, cultural, social e turístico. Há muitos países com os olhos postos em Portugal e as empresas estrangeiras estão a investir em diversos setores. A Alemanha, por exemplo, tem investido em empresas e parques tecnológicos. A Bosch – empresa que, na semana passada, recebeu a visita da Chanceler Alemã Angela Merkel, acompanhada do Primeiro Ministro Português António Costa – é um desses casos. A empresa está em expansão em Portugal e pretende aumentar a sua equipa de trabalho, mantendo as portas abertas para profissionais qualificados, sobretudo para quem tenha formação em engenharia, química, ótica e informática. E esta não é a única empresa a
doença, de desemprego, de abandono ou de solidão. Parte desta realidade social, encontrase analisada no estudo realizado em 2008 pelo sociólogo e antigo provedor da SCMP, Aníbal de Almeida, intitulado “Os portugueses em França na hora da Reforma”. Ao longo da sua investigação, o sociólogo sustenta que um terço dos reformados portugueses residentes no território gaulês recebe “abaixo do limiar da pobreza”, e que “são muitos os que sofrem de envelhecimento precoce em consequência da dureza da vida e dos empregos exercidos, penosos para muitos, expostos às intempéries ou a produtos nocivos, com muitas horas diárias trabalhadas, incluindo, muitas vezes, os sábados e os domingos, sendo frequente a ocorrência de acidentes de trabalho, de doenças profissionais e de invalidez”.
investir no mercado português: o próprio Governo tem incentivado a criação de incubadoras de empresas e start ups, com o intuito de atrair empreendedores e investidores para Portugal. No entanto, essas empresas estão a ter dificuldades em encontrar mão-de-obra qualificada, já que as universidades portuguesas não estão a conseguir acompanhar a procura de profissionais. Por outro lado, muitos dos portugueses qualificados – e seus descendentes – estão a residir e a trabalhar noutros países. Por isso, Portugal chama de volta os seus nacionais e respetivosdescendentes para que preencham essas vagas, dando preferência a quem faz parte da história portuguesa. Essa é a tendência natural do efeito cíclico migratório. A Venezuela possui uma grande comunidade luso-descendente que precisa voltar a olhar para seu país de origem. Caso esses portugueses e seus descendentes necessitem regularizar a sua situação como nacionais e cidadãos de Portugal, esse é um processo relativamente simples que pode ser feito obedecendo alguns requisitos previstos na Lei de Nacionalidade Portuguesa, alterada em 2017. O retorno a casa nunca foi tão promissor!
Equivalências de estudos em Portugal Esta é uma das maiores preocupações que nos manifestam os portugueses vindos da Venezuela e, muitos dos que pretendem vir para continuar os seus estudos em Portugal. Mas, antes de nos adentrar ao tema, será importante fazer uma diferenciação entre a equivalência e o reconhecimento. Nesse sentido, a equivalência é um processo através do qual a qualificação académica estrangeira é comparada a uma qualificação portuguesa, relativamente ao nível (Licenciado, Mestre ou Doutor), à duração e, ao conteúdo programático; e, no reconhecimento, a qualificação académica estrangeira é comparada a uma qualificação portuguesa apenas ao nível. O Decreto-Lei n.º 283/83, de 21 de junho,alterado pelo Decreto-Lei n.º 341/2007, de 12 de outubro,regula as equivalências de habilitações estrangeiras de nível superior às correspondentes habilitações portuguesas. Nessa base, os cidadãos portugueses ou estrangeiros nacionais de países com os quais existam acordos específicos em matéria de equivalência ou baseado no princípio de reciprocidade, que queiram ver as suas habilitações académicas reconhecidas, deverão dirigir o pedido de equivalência ao grau de Licenciado, Mestre ou Doutorao Presidente do Conselho Científico ou, ao Reitor(caso seja o grau a reconhecer) do estabelecimento de ensino superior ou unidade de ensino que ministre o ensino conducente à atribuição do referido grau ou diploma, devendo mencionar obrigatoriamente: o grau ou diploma estrangeiro de que é requerida a equivalência; o estabelecimento de ensino onde foi obtido e,o grau ou diploma português de que é requerida a equivalência. O Requerentedeve escolher qual é o estabelecimento de ensino onde pretenda realizar a sua equivalência, tendo em conta: a designação do curso; a semelhança do plano de estudos; a duração do plano de estudos e, o conteúdo dos programas. O pedido deverá ser acompanhado com os seguintes documentos reconhecidos pelo agente consular português local, ou, legalizados com Apostila, nos termos da Convenção de Haia, e traduzidos ao português: a) Diploma comprovativo da titularidade do grau ou, diploma estrangeiro de que é requerida a equivalência; b) Documento, emitido pelas entidades competentes da universidade estrangeira, onde constem as disciplinas em que o requerente obteve aprovação e que conduziram à obtenção do grau ou diploma a que se pede equivalência, bem como a duração dos estudos conducentes à obtenção do mesmo e a respetiva classificação final ou, se não conferida, as classificações parciais; c) Programas de estudos emitidos pela universidade estrangeira; d) 2 exemplares de cada dissertação considerada autonomamente no plano de estudos, caso existam. Mas tenha atenção, a concessão de equivalências de estudos, não dispensa de, para efeitos do exercício profissional, o interessado deva cumprir com outras condições exigidas pelas ordens profissionais respetivas.
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“Caimanes” à beira do Tejo O relvado à beira do Rio Tejo, no Parque das Nações, em Lisboa, foi “invadido” por uma onda de “caimanes” que decidiu jogar baseball CB
Entre risos e boa disposição um grupo de venezuelanos juntou-se no Jardim do Parque das Nações, em Lisboa, para uma “caimanera de baseball”, um momento especial de partilha que permitiu o encontro entre venezuelanos e luso-venezuelanos residentes na área da Grande Lisboa. Cerca de 25 pessoas encontraram-se no campo apetrechados com as suas luvas, bates e bolas. T-shirts e bonés com referência a Venezuela não podiam faltar. Aos poucos foram chegando as pessoas, e foram feitas as apresentações dos “novos venezuelanos em lisboa” à velha guarda de venezuelanos residentes na capital portuguesa. Uma das principais organizadoras desta iniciativa, Lilia Gonçalves, residente em Lisboa há 10 anos, disse ter promovido este encontro com o objetivo de “retomar o convívio entre os venezuelanos em Lisboa. É uma forma de partilhar com aqueles que já vivem cá e não se conhecem e de fomentar a ajuda para aqueles que estão a achegar a esta cidade”. O Grupo “Caimanera do Tejo” existe há cerca de 5 anos, mas com o bom tempo a espreitar a vontade de tirar o pó das luvas não se fez esperar. “Decidi reativar o grupo através de um grupo no WhatsApp, criar uma sala para fomentar o reencontro. Também temos vindo a adicionar novos venezuelanos que têm chegado e que gostem do desporto”, explica Lilia Gonçalves. Enquanto mulheres e homens de todas as idades, com ou sem experiência, jogavam baseball, alguns ficaram timidamente a observar, outros, por impossibilidade física, decidiram simplesmente partilhar experiências e “matar a saudades” de falar castelhano. O curioso é que houve portugueses que, perante tão boa disposição, pararam para perguntar o que é que se estava a jogar no relvado. Ora, com a simpatia que carateriza os venezuelanos, não faltou a es-
Casa Porto Caracas reuniu 800 pessoas em Nogueira OSCAR SAYAGO / SERGIO FERREIRA
pontaneidade para que um dos elementos da equipa, Juan Goncalves, explicasse aos portugueses do que é que se tratava o jogo. Os portugueses observaram o jogo quase até ao fim. Alexander Gonçalves, filho de madeirenses, é um dos “caimanes” que decidiu vir de bicicleta desde Queluz, que está a aproximadamente 3 horas e meia (a andar) do Jardim do Parque das Nações. Este jovem veio a Lisboa, tal como muitos venezuelanos, à procura de uma nova vida e com a esperança de abraçar novas oportunidades que lhe permitam estabelecer-se na capital lusa. Alexander vive há seis meses em Lisboa, veio para abrir caminho enquanto espera pela chegada da sua mulher e da sua filha de dois anos, que aguardam pela emissão do passaporte. Tal como Alexandre muitos destes “caimanes” vêm a terras
lusas com uma mala cheia de esperança no futuro. Entre altos e baixos, típicos da vida de um imigrante, Lilia Gonçalves deixa o convite para todos aqueles que queiram jogar baseball e partilhar com os conterrâneos. “Vamos organizar os encontros quinzenais agora que chegou o bom tempo, primavera/ verão. Os jogos serão aos domingos, às 15h00”, referiu Lilia, acrescentando que aquilo que se pretende é “criar um espaço de lazer, diversão num ambiente natural ao ar livre, gratuito e ao alcance de todos aqueles que queiram espairecer, fazer desporto e conviver”. Os interessados poderão visitar a página no Facebook “Caimanera do Tejo”, onde poderão encontrar também o acesso para o grupo no WhatsApp.
Em Nogueira da Regedoura, houve uma atmosfera eufórica, no passado sábado, 26 de maio, quando a casa 43 do Futebol Clube do Porto, sediada em Caracas, promoveu o seu tradicional jantar anual no Centro Luso Venezuelano. A iniciativa, que teve mais de 800 pessoas, contou com a presença do presidente do clube, Jorge Nuno Pinto da Costa, bem como dos recordados jogadores que se transformaram nos vencedores europeus em 1987. “Há um ano viemos aqui num tempo que era de dificuldades e vocês estiveram aqui e o entusiasmo foi grande, transmitiram a fé que tinham em todos nós, o que foi importante para voltar num momento de vitória, na concretização de um sonho de todos “, disse o presidente dos dragões. Da Costa fez um discurso especial para comemorar a ocasião: “Estamos aqui para festejar uma vitória, não para ofender ninguém que não tenha conseguido vencer, temos que ser diferentes, temos que respeitar os adversários”. O nativo de 80 anos acrescentou que o
principal é saber ganhar. “Ganhamos com mérito, temos que festejar e gritar, nós somos os campeões”. “O nosso treinador, Sérgio Conceição, com sua equipa técnica, esteve presente nesta vitória». “Os jogadores foram inicialmente desvalorizados pela opinião pública, mas dentro do campo mostraram que há que jogar e vencer com o mérito que eles mostraram “, assegurou. Pinto da Costa não se esqueceu da recente distinção da UEFA para a atribuição da organização da Super Taça Europeia 2020 ao Estádio do Dragão. “É um sinal de que o nosso prestígio cruzou fronteiras, mas ainda somos um baluarte do norte”, concluiu. Para Silvio Alvarinho Moreira, presidente da Casa Porto Caracas, a chave para o sucesso do encontro não se deve apenas ao recente triunfo da equipa, mas a uma paixão que vai além das taças conquistadas. “Aqueles que nos reunimos obviamente sentimos um enorme orgulho pelo glorioso Porto, mas também por Portugal e pela Venezuela” assegurou o organizador do evento.
CPA determinada a vencer OSCAR SAYAGO
A equipa pertencente à Casa Portuguesa do Estado Aragua, melhor conhecida como “los portu”, melhora na tabela de posições da Terceira Divisão. Na passada quarta-feira 23 de maio, teve lugar o jogo da jornada 11, onde “los portu” defrontaram o UDL no Estádio Isac Da Silva. O partido significou um grande avanço para a equipa portuguesa, onde acrescentaram um ponto na sua classificação. O primeiro golo foi para Deportivo La-
ra, graças à rápida ação de Reinaldo Torrealba. Seguidamente, na parte final do jogo, “los portu”, devido à atuação de Francisco “Pancho” Hermoso conseguiu empatar o marcador, fechando o jogo com um empate de 1-1. Por outra parte, relativamente à jornada 12, a CPA defrontou o Pellícano FC, no Polideportivo José María Vargas. Os lusos bateram o oponente com um estrondoso 1-5, graças aos golos de Gamboa, Montaño, Hermoso, Vásquez e Goncalves.
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Pedro Ricardo Maio:
“Portugal pode chegar à semifinal” A Copa do Mundo é o evento desportivo mais importante e esperado por todos, uma frase que parece um “clichê”, mas que não foge da realidade. Faltando poucos dias para o pontapé inicial decidimos falar com alguns jornalistas / desportivos para que nos contassem sobre as suas expectativas e sobretudo das hipóteses da atual equipa campeã da Europa, Portugal. Pedro Ricardo Maio, comunicador lusodescendente, será um dos comentaristas do canal IVC nesta Copa do Mundo, que será sua terceira experiência, mas a primeira num meio audiovisual. Pedro trabalhou na Alemanha em 2006 para Radio Caracas Radio, fazendo parte de uma equipa composta por Daniel Chapela, Edgardo Broner, Octavio Sasso, Manuel De Oliveira, Laura Cruces e Laura Bolívar, enquanto que em 2014 comentou para a Unión Radio Deportes -um dos circuitosmais importantes de Venezuelao mundial Brasil 2014, com outro grupo de importantes e reconhecidos trabalhadores do meio como Bruno Gómez, Giancarlo Figliulo e Carlos Dominguez. “Os mundiais são mágicos, cada jogo reúne tantos elementos que fazem com que o processo de preparação seja simplesmente fascinante. Muitos pensam que os melhores jogos são a inauguração, as semifinais e a final, para mim, o simples fato de ser um mundial faz com que todos tenham um grau superlativo de interesse”, enfatizou Pedro. A Rússia será o centro das atenções durante um mês, com toda a expectativa de organizar um grande evento um ano após a Copa das Confederações e onde Portugal terminou em terceiro lugar. “É inquestionável a responsabilidade que está sobre os ombros de um pais tão importante, o cuidado para aquilo que será a infraestrutura, a logística, a capacidade dos hotéis e, principalmente, a segurança, na sequência da onda de ameaças que têm vindo a receber nos últimos meses”, disse Maio. Como Português, Pedro saiu do seu papel de jornalista para celebrar há dois anos, o título al-
A Rússia será o centro das atenções durante um mês, com toda a expectativa de organizar um grande evento um ano após a Copa das Confederações e onde Portugal terminou em terceiro lugar. cançado pela seleção na Eurocopa, um resultado que serviu dde trampolim para lançar um grupo de jogadores que não pode ser comparado com as gerações anteriores, mas que conseguiu trabalhar em conjunto para alcançar o objetivo. “Quem não celebrou um feitotão importante e ainda mais quando ajudou para unir a família, para abraçar o meu pai, as minhas filhas, a minha esposa após o golo de Eder. Dois anos depois, sinto que esta seleção amadureceu, foi capaz de carregar o peso de um título e os resultados estão lá”.
—Mas quais são as verdadeiras hipóteses que Portugal tem neste mundial? —Sempre temos que ter grandes expectativas, ainda mais se tens a Cristiano Ronaldo no topo da sua condição. Repito esta seleção não terá os nomes daquela que lamentavelmente não será lembrada por um campeonato alcançado ao nível absoluto, que inclusive ficou a um golo de levantar a Euro realizado em território português em 2004, mas tem sido bem trabalhada por Fernando Santos e é capaz de lutar até a final. Vai depender de vários outros fatores, mas acho
que esta equipa tem a capacidade de chegar às semifinais. —Quem é o grande favorito para levantar a taça? —Eu não acho que a história mude muito. No final, haverá alguns resultados surpreendentes, as distâncias serão cortadas, mas sempre ganham os mesmos. O Brasil chega muito bem com uma eliminatória que “cabalgaron” e nos jogos amistosos estão a marcar a diferença. A Alemanha por hierarquia voltará a ser a protagonista e depois já num terceiro plano a França ou a Argentina.
—Em que nível considera que está o campeonato português? —Não é um segredo que não está a passar por um bom momento, a tal ponto que perdeu um lugar direto para a Liga dos Campeões e este ano perdeu mais pontos no ranking. Os grandes continuam a ser ótimos no torneio local porque seu orçamento continua a ser maior, mas nunca comparável aos valores existentes em outros mercados. Que o Benfica não tenha somado um ponto na Champions passada, os golos que sofreu o FC Porto em Anfield Road ou as presenças mais do que discretas de Braga, Guimarães ou Marítimo são uma consequência do momento atual. —Cristiano Ronaldo é o melhor jogador português da história? —Não gosto de fazer comparações. Nunca vi jogar ao vivo a Eusébio, apenas em vídeos, e não há dúvida de que ele será sempre uma grande referência no futebol português, capaz de levar a seleção ao terceiro lugar em 1966. Tenho uma grande admiração pelo Futre, a quem Considero um dos mais importantes e não em vão sou seguidor do Atlético de Madrid graças a ele. É pena que as lesões estivessem sempre no seu caminho. Como disse a geração que venceu dois mundiais juvenis deixou grandes talentos e entre tantos Luís Figo, um dos capitães que nunca serão esquecidos, que ainda são válidos.
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Alemanha e Portugal superfavoritos
POR PEDRO RICARDO MAIO
Nesta série de trabalhos especiais rumo ao Mundial da Rússia 2018, decidimos saber a opinião de três jornalistas e comentadores, com experiência na cobertura do futebol nacional e internacional, sobre o evento mais esperado por todos os fãs.
“Não vejo Ronaldo levantar a Taça”
“Brasil tem o melhor do mundo”
“Gosto desta seleção de Portugal pela sua garra”
Giancarlos Figliulo será um dos locutores de Unión Radio e de IVC no encontro, sendo considerado um dos jornalistas mais incisivos e críticos no futebol nacional, utilizando sempre muito bons argumentos para sustentar cada opinião. Filho de um dos árbitros mais importantes da modalidade ao nível nacional, Pasquale Figliulo, Giancarlo dá-nos a sua visão poucos dias antes do apito inicial.
Octavio Sasso é outro dos muitos venezuelanos que tem levado seu talento para o exterior e hoje faz parte da equipa de Blu Radio e da Caracol TV na Colômbia. Com uma carreira que lhe permitiu fazer parte de canais importantes na Venezuela e cobrindo mundiais (RCTV, Televen e Venevisión), hoje dá-nos sua visão sobre o mundo.
A residir em Miami, Bruno Gómez recebeu novamente o convite para fazer parte da família da Unión Radio e fazer parte do staff do canal por cabo IVC que vai emitir 32 jogos do mundial.
—Quais são as suas expetativas para este mundial? —Vai ser um mundial com muitas figuras e isso acaba sempre por iludir, como com Cristiano Ronaldo, embora Portugal não seja uma das equipas favoritas. E Neymar, com uma seleção brasileira que quer reivindicar fracasso em casa, por exemplo. Estamos sempre atentos para ver se há alguma surpresa, como a Bélgica ou até mesmo o Egipto, na representação africana. —Quem levantará a Taça? —O Brasil tem tudo para vencer e chega com fome. A chegada de Tite À bancada foi importante e a equipa ficou orientada, alinhada desde Allison até Neymar, passando por Marcelo, Gabriel Jesús, vendo-se sólidos de tal forma que podem vencer noutro continente. —Até onde chega Portugal? —Portugal deve chegar até às semifinais sendo campeão europeu, dependendo, contudo, claro dos cruzamentos. Com Fernando Santos a equipa possivelmente não brilha, mas é efetivo e consegue o que outras gerações não conseguiram. Em poucas palavras, não vejo Cristiano Ronaldo levantar a Taça do Mundo, assim como Messi.
—Quais são suas expetativas? —Apesar das ausências da Itália e da Holanda, veremos muitas seleções com jogadores no seu horário auge, como Argentina, Brasil e Portugal. E as expetativas são muito altas, esperando um grande evento. —E quem levanta a Taça? —Sem dúvida que o Brasil é o grande favorito, apesar da lesão de Dani Alves. É a seleção que mais bem joga futebol. Depois, há seleções como Alemanha, Espanha, França e Argentina, que acredito que, embora não sejam muito aclamadas, estão sempre entre as cinco seleções mais importantes. —Até onde vai Portugal? —Cristiano Ronaldo conseguiu juntar uma equipa que, apesar de não jogar um grande futebol no Euro, não era candidato. Conseguiram vencer na hora certa e com o “9” como figura, embora no final não pudesse jogar a final, levantaram a taça. Portugal vai superar o primeiro round, mas a partir de então acho que vai ter problemas porque não vejo uma equipa coesa.
—Quais são as suas expetativas para este Mundial? —As expetativas que tenho sobre o Mundial não na parte desportiva pois penso que neste âmbito dificilmente nos vai dececionar. Receio que a organização tenha que ser muito exigente, pois lamentavelmente todos temos receio por causa dos atentados que têm surgido na Europa, as ameaças e o terrorismo. A Rússia está a ser posta à prova para montar um grande evento, logo depois da Taça Confederações, que é um torneio muito menor quando comparado o que que terá depois. —E quem acha que vai levantar a Taça? —A Alemanha, a Espanha e o Brasil são os três candidatos, talvez há alguns meses diria que a equipa de Joachim Low não teria rival, mas as diferenças estreitaram-se com a grande campanha do Brasil na Conmebol e Espanha que parecera ter montado uma equipa muito boa sem muito ruído, mas com jogadores na elite. —Até onde chega Portugal? —É uma seleção que depois da Taça da Europa mudou tudo e deve ser tida em conta. Gosto desta seleção de Portugal não tanto pelo seu estilo, mas pela sua garra, pela sua entrega e pelo valor que Cristiano Ronaldo tem. Pelo que não me parece estranho vê-lo na semifinal.
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