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E-book Letramento Racial_Lideranças Embracon

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Na Embracon, a integridade é um valor inegociável. Isso significa agir com ética, respeito e equidade em todas as relações, incluindo como lidamos com a pauta racial.

Diversidade, Equidade e Inclusão (DE&I) não são apenas temas relacionados à imagem ou marketing. São parte da nossa responsabilidade corporativa e da forma como praticamos nossos valores, como está previsto nas políticas internas. Nos comprometemos a combater qualquer forma de discriminação e a garantir oportunidades iguais a todas as pessoas, independentemente de raça, gênero, orientação sexual, cor, aparência, religião, idade, condições físicas ou ideologia política.

Para isso, precisamos encarar um tema central da realidade brasileira: o racismo estrutural e seus impactos dentro das empresas.

Este guia existe para:

Apoiar você, liderança Embracon, a entender os conceitos básicos sobre o racismo e como ele acontece nas empresas;

Oferecer orientações práticas de forma objetiva e aplicável na rotina;

Ser um ponto de partida e reforçar o seu papel na construção de uma Embracon antirracista.

Ignorar a dimensão racial é manter uma estrutura desigual, o que contraria nosso compromisso de integridade, equidade e respeito.

Toda liderança precisa saber

Para exercer uma liderança íntegra, é importante entender alguns conceitos básicos:

Ações afirmativas: políticas e programas que buscam corrigir desigualdades históricas enfrentadas por grupos minorizados, como pessoas negras, por meio de medidas específicas de inclusão (ex.: cotas, vagas afirmativas, programas de aceleração de carreira).

Branquitude: conjunto de privilégios e vantagens associados a pessoas brancas em uma sociedade estruturada pelo racismo. Reconhecer a branquitude é reconhecer esses privilégios e a responsabilidade de usá-los para transformar a realidade, não para mantê-la como está.

Raça x Etnia: qual a diferença?

Raça: construção social usada para hierarquizar pessoas com base em características físicas. Foi usada para justificar a escravidão e ainda hoje influencia quem tem mais ou menos acesso a oportunidades.

Etnia: diz respeito a cultura, história, idioma, religião. Por exemplo, dentro do grupo racial indígena, há diversas etnias: Pataxó, Yanomami, Guarani etc.

sistema de crenças, práticas e estruturas que produz e mantém desigualdades entre grupos raciais, beneficiando majoritariamente pessoas brancas e prejudicando, principalmente, pessoas negras.

Opera em diferentes níveis da sociedade:

Racismo: Mitos que precisamos superar

Racismo individual: ações, falas ou atitudes de uma pessoa contra outra, baseadas em raça (ofensas, piadas, exclusões, violências).

Racismo institucional: quando uma organização mantém ações, políticas ou culturas que, na prática, prejudicam pessoas negras, mesmo sem isso estar escrito em nenhuma norma.

Democracia racial:

a ideia de que no Brasil todas as raças convivem em harmonia. Os dados de acesso à educação, renda e cargos de liderança mostram que isso não é verdade.

Racismo estrutural: quando o racismo está presente nas estruturas da sociedade (educação, saúde, justiça, mercado de trabalho etc.), fazendo com que a desigualdade racial se reproduza continuamente, mesmo sem intenção declarada de discriminar.

Racismo reverso:

racismo é um sistema de poder. Pessoas brancas podem sofrer preconceito, mas não racismo estrutural, porque não são um grupo historicamente oprimido pelas instituições.

Racismo no ambiente de trabalho

A cor da desigualdade em números

Pessoas negras representam

da população brasileira

Pessoas brancas ocupam

Pessoas negras preenchem apenas

Salário médio de pessoas brancas é, em média,

dos cargos gerenciais de maior renda dessas posições superior ao de pessoas negras. 56% 84,4% 14,6% 69%

Pessoas negras são maioria da população, mas minoria nas lideranças;

Há diferença relevante de remuneração média entre pessoas brancas e negras;

A falta de representatividade na liderança afeta o senso de pertencimento e a retenção de talentos negros.

Na Embracon, assumimos que:

Racismo existe na sociedade e se reflete nas empresas.

Integridade é não ser conivente com esse cenário.

Liderança tem papel central em transformar e sustentar nossa cultura de integridade e respeito às pessoas e à diversidade.

Ignorar esse cenário vai contra nosso compromisso de equidade, respeito e responsabilidade corporativa, descritos nas políticas da Embracon.

Quer saber mais sobre o cenário da Embracon? Procure o time de Sustentabilidade e Impacto.

Como o racismo institucional se manifesta?

Algumas formas comuns de racismo institucional: algoritmos e pessoas recrutadoras podem, inconscientemente, favorecer pessoas candidatas de universidades de elite ou de bairros nobres, locais onde a presença de pessoas negras é historicamente menor.

Viés na triagem de currículos:

Falta de diversidade nos painéis de entrevista:

se pessoas recrutadoras e lideranças são majoritariamente brancas, há uma maior probabilidade de que os vieses inconscientes influenciem a avaliação, prejudicando pessoas candidatas negras.

códigos de vestimenta que proíbem ou desvalorizam cabelos crespos, tranças e outros elementos da cultura negra são uma forma clara de racismo institucional. Políticas de vestimenta discriminatórias:

Falta de representatividade na liderança:

a ausência de lideranças negras pode criar um ambiente onde pessoas negras não se sintam pertencentes e/ou não enxerguem possibilidades de crescimento.

Isso gera

A perpetuação de um ciclo de exclusão de pessoas negras; Perda de talentos e de inovação; Desalinhamento com nossos valores e políticas corporativas.

Integridade significa olhar para esses pontos com honestidade e agir para corrigi-los.

Vagas afirmativas: reparação e

Por que falar em reparação?

Iniciativas como as vagas afirmativas para pessoas negras não são “favor” ou “privilégio”. São respostas a uma desigualdade que foi construída historicamente e ainda impacta o presente. Depois de quase quatro séculos de escravidão, a população negra não teve acesso a políticas estruturadas de inclusão (terra, educação, apoio financeiro). Isso criou um ponto de partida profundamente desigual.

“É tempo de a Nação Brasileira saldar essa dívida fundamental para com os edificadores deste País. O princípio da isonomia na compensação do trabalho torna moral e juridicamente imperativa uma ação compensatória, da sociedade e do Estado, destinada a indenizar, embora tardiamente, o trabalho não-remunerado do negro escravizado e o trabalho sub-remunerado do negro supostamente libertado a 13 de maio de 1888.”

Pessoas que partem de pontos diferentes não chegam ao mesmo lugar apenas com “oportunidades iguais”.

Por isso, mais do que igualdade, que significa dar a todas as pessoas as mesmas oportunidades e recursos, acreditamos na importância da equidade, ou seja, reconhecer as desvantagens históricas e estruturais e oferecer os recursos necessários para que cada pessoa tenha as mesmas chances de sucesso.

1997 - Abdias Nascimento, ativista, político e um dos pioneiros na luta por ações afirmativas no Brasil.

Vagas afirmativas na Embracon

As vagas afirmativas são uma das estratégias concretas da Embracon para promover justiça racial e reparação histórica no ambiente corporativo.

As vagas afirmativas para pessoas negras fazem parte de um compromisso institucional com:

Equidade e justiça racial.

Integridade

reconhecer a desigualdade e agir para corrigir, em vez de fingir neutralidade.

Inovação e construção conjunta ampliar o número de vozes e experiências que participam das decisões.

Direcionar vagas para pessoas negras significa:

Alinhamento com nossos valores e políticas internas;

Assumir que existe uma desigualdade histórica que impacta o acesso de pessoas negras a oportunidades de trabalho e liderança;

Comprometimento em criar caminhos de entrada, desenvolvimento e crescimento que considerem essa realidade;

Reforçar que lideranças têm papel central para que essas pessoas não apenas entrem, mas permaneçam, se desenvolvam e sejam reconhecidas.

O que ganhamos com isso?

Políticas de ações afirmativas também trazem benefícios para as empresas que as adotam de forma séria e consistente.

Aumento da inovação:

equipes diversas são mais criativas e capazes de resolver problemas complexos.

Melhora do clima organizacional:

Conexão com o mercado consumidor:

ambientes inclusivos aumentam o engajamento e a satisfação das pessoas colaboradoras. uma empresa que reflete a diversidade da sociedade brasileira se conecta melhor com clientes.

Fortalecimento da marca empregadora:

organizações comprometidas com equidade racial atraem e retêm melhores talentos.

Portanto, para a Embracon, adotar vagas afirmativas e enfrentar o racismo, além de justiça social, é uma decisão estratégica inteligente que pode:

Tornar nossas equipes mais diversas e fortalecer nosso valor de inovação;

Aumentar o engajamento e a retenção de nossas pessoas colaboradoras;

Refletir melhor a sociedade e quem realiza sonhos com a gente;

Reforçar a cultura de integridade e nosso papel social.

Liderança antirracista na prática

Ser antirracista é um verbo de ação. É a prática diária e intencional de identificar, desafiar e combater o racismo em todas as suas formas, começando por si mesmo e se estendendo a sua equipe e à Embracon.

Lembre-se que você, líder, influencia diretamente:

Quem entra, quem é promovido(a), quem é ouvido(a).

Que tipo de comportamento é tolerado ou corrigido.

Se nossas políticas internas são de fato vividas ou apenas documentos.

A jornada para uma Embracon antirracista começa com você e com suas atitudes.

Não sei por onde começar, e agora?

Três primeiros passos para uma liderança antirracista

Escute e esteja disponível

Pergunte à equipe o que ajuda ou atrapalha o sentimento de inclusão.

Não pressione pessoas negras a se expor se não quiserem.

Deixe claro que situações de racismo não serão relativizadas, nem ignoradas.

Revise seus critérios e decisões

“ Namu s o c ie dade racista, não basta não ser racista

Observe quem você costuma promover, indicar, ouvir com mais frequência.

Reflita se critérios “padrão” (faculdade, networking, “fit”) não estão excluindo pessoas negras.

Ajuste processos de avaliação, seleção e desenvolvimento com olhar para vieses.

Assuma um plano de aprendizado contínuo

Escolha um curso, livro ou conteúdos disponíveis sobre racismo, para os próximos três meses.

Converse com sua liderança para incluir o tema no seu plano de desenvolvimento.

Comprometa-se com uma ação concreta de combate ao racismo cotidiano no trimestre.

Aceite que erros vão acontecer; o ponto central é aprender, reparar e seguir adiante.

Angela Davis

Boas práticas para uma liderança antirracista

Eduque-se continuamente

O letramento racial é um processo contínuo. Busque conhecimento por conta própria e incentive toda a equipe a se informar, sem esperar que pessoas negras assumam sozinhas o papel de ensinar. A responsabilidade pelo aprendizado é sua, como liderança.

Reconheça privilégios

Entenda que, em uma sociedade estruturalmente racista, ser uma pessoa branca confere vantagens sistêmicas, independentemente da intenção individual. Não se trata de culpa, mas de responsabilidade.

Crie ambientes seguros

Fomente um espaço onde as pessoas negras se sintam seguras para falar sobre suas experiências com o racismo, sem medo de retaliação ou invalidação. Não basta ter boas intenções.

Participe e incentive grupos de afinidade

Apoie e valorize grupos de afinidade e iniciativas de diversidade da Embracon. Informe-se com o time de Sustentabilidade e Impacto sobre como participar e incentivar sua equipe a participar também.

Responsabilize-se

É preciso reconhecer as metas estabelecidas de diversidade e equidade racial e se responsabilizar por elas, assim como por qualquer outra meta do negócio.

Combata o racismo cotidiano

Intervenha de forma firme e educativa sempre que presenciar uma piada, um comentário ou uma atitude racista, por mais “sutil” que pareça. A omissão é incompatível com nosso valor de integridade.

Assumir uma liderança antirracista é um desafio que exige coragem, humildade e um compromisso genuíno com as políticas internas e valores da Embracon.

Para aprofundar sua jornada

Este guia é um ponto de partida, um convite para que você, liderança Embracon, amplie seus conhecimentos e pratique uma cultura antirracista.

Confira mais algumas dicas.

Glossário de expressões racistas a evitar

Muitas expressões têm uma origem racista. Abolir essas palavras do nosso vocabulário é um passo importante.

Expressão Racista Por que evitar? Alternativa

Criado-mudo

Associa o ato de manchar uma reputação a algo “negro”.

Livre interpretação e tradução social para refir-se a pessoas escravizadas que ficavam imóveis ao lado da cama de senhores(as).

Difamar, caluniar

A coisa tá preta

Usa a cor preta como sinônimo de uma situação difícil ou perigosa.

Mesa de cabeceira

Plano de ação pessoal para lideranças

Autoavaliação:

reserve um tempo para refletir sobre seus próprios vieses e privilégios.

Educação contínua:

comprometa-se a ler pelo menos um livro da lista recomendada neste e-book, nos próximos três meses.

A situação está difícil

Mulata

Cabelo ruim

Termo que, a depender do contexto é pejorativo além de se associar à hipersexualização de mulheres negras. Expressão usada para desvalorizar cabelos crespos e cacheados.

Mulher negra, preta ou parda

Inveja branca

Associa o que é “branco” a algo bom, puro e inofensivo.

Cabelo crespo, cacheado

Inveja

converse com as pessoas colaboradoras negras da sua equipe para entender suas experiências e perspectivas, e sugira o letramento racial à elas.

Ação imediata:

identifique e corrija uma prática ou política na sua área que esteja com um viés racial negativo.

Escuta ativa: Advocacia:

use sua posição de liderança para defender a implementação de metas de equidade racial na empresa.

Leituras recomendadas

Sugerimos a leitura das seguintes obras: Disponível na rede

Pequeno Manual Antirracista

Djamila Ribeiro

Dispositivo de Racialidade

Sueli Carneiro

Mulheres, Raça e Classe

Angela Davis

Como o Racismo

Criou o Brasil

Jessé de Souza

Pacto da Branquitude

Cida Bento

Memórias da Plantação: Episódios de Racismo

Cotidiano

Grada Kilomba

Um defeito de Cor

Ana Maria Gonçalves

Quarto de Despejo - O

diário de uma

Favelada

Carolina Maria de Jesus

Conheça alguns perfis no Instagram que tratam do tema:

@almapretajornalismo

@djamilaribeiro

@historia_preta

@institutoluizgama

@institutopretosnovos

@okinga

@pretitudes

FICHA TÉCNICA

Referências

Nascimento, A. (1997). Justificação do Projeto de Lei do Senado n.º 75. Citado em “Ações afirmativas como legado da luta por reparação do movimento negro”. Instituto Ibirapitanga. Acessado em 03 de outubro de 2025. Disponível em: https://www.ibirapitanga.org.br/historias/acoes-afirmativas-reparacao/

Criado-mudo é expressão racista? Entenda a polêmica e o mistério por trás do termo: https://www. cnnbrasil.com.br/nacional/criado-mudo-e-expressao-racista-entenda-a-polemica-e-o-misterio-por-tras-dotermo/

Não me chame de mulata: uma reflexão sobre a tradução em literatura afrodescendente no brasil: https://www.scielo.br/j/tla/a/JZjt3cFmJfPws34Yxx84HHQ/?lang=pt

Este material foi desenvolvido com apoio de ferramentas de Inteligência Artificial (IA), com revisão e adaptação pelos times de Sustentabilidade e Impacto e Comunicação Interna da Embracon.

Elaboração de conteúdo:

Área responsável: Sustentabilidade e Impacto – Célula Diversidade, Equidade e Inclusão

Observação: conteúdo desenvolvido com apoio de ferramenta de IA para estruturação e redação, com curadoria, ajustes e validação final da área responsável.

Revisão de conteúdo e tom de voz:

Área: Comunicação Interna

Diagramação e design:

Área: Comunicação Interna / Marketing

Imagens e ilustrações:

Acervo digital da Embracon / Freepik

Versão do documento:

Versão: 1.0

Criação: 03/2026

Última atualização: 03/2026

Para dúvidas e sugestões relacionadas à diversidade e inclusão, entre em contato o time de Sustentabilidade e Impacto pelo e-mail (informar e-mail).

Para denúncias de discriminação, assédio ou violações às nossas políticas, utilize o Canal de Denúncias oficial da Embracon, que garante confidencialidade e tratamento adequado dos casos, conforme nossa Política de Compliance.

canaldedenuncia@cgp.com.br www.embracon.com.br/governanca/canal-de-denuncia

0800 718 9803

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