Revista de Seguros 'n-,dn ti'IOI
Jlv. nro BRANCO, 11'/�3.0->!. 305 EdlClclo do JORNAL DO COMMERCIO
Diretors ADlLIO DE CARVALHO Diretor-Gerente 1 CA�OIOO DE OLIVEIRA Secretario: J. v. DOR.DA
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RIO DE JANEIRO - BRASIL
COMENTARIO - ESTATISTICA - INFORMAÇÃO FEVEREIRO
DE 1932
j 1 1 I__C_o_m_o o seguro é julgado No tempo da monarquia, houve quem chamasse os tribunais "cavernas da ignorancia". Hoje, os colleg"ios judiciarios se apre sentam mais cultos . As revistas de di reito estáo repletas de decisões cheias de sabedo1·ia, em,bora abuzem de cita ções de escriptores estrangeiro.s. Estra:nhamos, entretanto, que o inS'li ltLto de seguro seja tão mal apreciado, por alauns magistrados locais. Um pouco de pudor tntelecttial lhes deveria impedtr certós conceitos que desdoiram os seus signatarios. A ;erda de é simples como a ltiz. Dizem aqueles que tt�do julgam á li geira: "As Companhias não querem pa gar". Vemos sempre citado pelos advo gadc,1 dos incendiarios um conceito de Planiol, segundo o qual, o "segurado só tem garantido uma demanda". Es �e sujeito não conhecia (o seguro praticamente, do contrario não diria uma tolice destas. Esses advogados deveriam conhecer ta1nbem as opiniões de Cresp. Philouse e Silva Lisbêa, sobre a proteção que os �eguradores deve1n encontrar nos tri bunais. De Courcy, notavel segurista francez, escreveu num cios seus elegan tes estudos: "Um advogado repetirá e�ta banalidade: as companhias não gosta rem de pagar, e um juiz achará que éles nunca deveriam ler questões". O tão ignorado seguro brasileiro paga muito mai'3 do qu,e se paga no estran geiro. Basta comparar as estatísticas. Calculamos que os sinistros marítimos e terrestres, no Brasil, tirem ás compa n�ias ele segurns, por ano, nw.is de àe2 mil conto::, além do que deveriam elas Pagar, proporcional1ne11,te aos premias recebidos. . O incendiarismo é considerado "meio Jictto'' de ganhar dinheiro. A Companhia que se d�fende, vê-se
fla.gelada "na varanda de Pilatos" e su ;eita á,s maiores injurias, que, ás vezes, resvalam sobr.e o seu patrono. O crime pelulante encontra proteção e insulta aqueles que resistem aos seus assaltos, como aconteceu, ha pouco, com distinto causidico, contra quem, por in triga, se e:cplor;otL a citaÇ\áo de Shakespea re, no "Romeu e Julieta": "A contem plação para com o crime, é criminosa tambem". A decisão, no caso que moti vou essa catnçalha, é de tal ordem, que si• num país sem moral, poderia ser proferida. Aqui, não se tem idéa perfeita do ins titui•J do seguro, da sua finalidade e se supõe 9ue o premio, ás vezes reduzidís simo, se 11mltiplica em contos de réis, para indenizações vultosas, que !exce dem ás perdas realmente verificadas. o '•Diario de Noticias", de Porto Ale gre, em dias de Janeiro, repetidamente tratou do desenvolvimento do incendia rismo, no Estado. "O mal assumiu proporções assusta doras, comprometendo as mais aturadas previsões iecnicas e alastrando, por todo interior, uma onda de criminalidade, que é preciso reprimir a todo ô custo." E'.Jses sinistros representam em valo res quast o dobro dos premias recebidos, q nando nos países que têm policia e jus tiça a proporção sobre estes é, no ma ximo, de 40%. A folha rio-grandense filia essa ex pansão dos incendios á indisculpavel to lerancia que essa especie de criminosos tem encontrac:Lo em "atguns membros da magistratura, qne ab1igam uma no ção erronea dos direitos do_ seg'!'-rado". Cita algumas dessa.s decisoes infames que f1mcionaram como gazuas. Podem merecer desculpas os incendia rios ou os segurados deshonestos que, aproveitando-se do incendio, queiram lucrar com êle. Não ha descttlpas, po-