Revista de Seguros
REDACCiO:
Rua 1° de Mar9o,83-2°
Td N. 2016 — Caaxa posui 003 KIO DE JANKIKO
Oirecfor-gerente Gandido de OHveira
DIRECTOR Abilio de Carvalho ANNO V
JANEIRO DE 1925
NUM. 43
Educagao dossegurados Quando os directores e agentes de companhias
tiga que uma companhia pague a A, por ser amigo
(le seguros estiverem educados, deverao faier a
dos seus directores ou pessoa poderosa no com-
educagao dos segurados.
mercio ou na sociedade e em egualdade de condi goes nao pague a B, por ser um Joao ninguem. Um facto digno de registro deu-se ha pouco nesta capital. Uma grande casa commercial, opti
Usando da expressao — educados — nos quere■nos referir somente a technics do seguro, a comPrehensao das vantagens de uma so regra na liqui-
dagao das apolices e na observancia rigorosa das suas clausulas.
ma fregueza de uma companhia de seguros, reclamou indemnisagao de mercadorias roubadas em
Os seguradores que attendem a reclamagdes fora
S. Paiilo, nos dias da revolta milltar. A seguradora,
do contracto; que pagaui sem a preseuga de do-
reza, (alias expresamente excluidos), nao atfen-
■^uinentagao; que indemnisam avarias e faltas sem
due 0 volume tenha sido vistoriado na estagao do
destino e outros factos semelhantes, ensinam mal segurados, os acostumam a nao ligar attengao condigoes do instrumento do seguro e cream si proprios uma situagio de subalternidade
®ante das exigenclas delles e de suas importu"agoes.
Si OS seguradores, uniformemente, respeitassem clausulas das suas apolices, fazendo-as valer '3nte dos pedidos, dos chores, das insolencias ou
suieagas dos segurados, estes acabariam se conrniando com o pactuado, nao retirando os seguros
*I_ue tivessem porque saberiam que todas procede'■'am da mesma maneira.
Que situagao de forga, de ordem e de respeito
'^fiam assim as instiiuigoes seguradoras ?
^oo conheceriam nenhuma dessas contrariedades
^Uotidianas, vindas da grosseiria e da mendicidade seus clientes.
0 segurador, que ouvindo a queixa que um seSurado ignorante ou de ma fe faz de uma outra
"ompanhia e vendo que elle nao tein razao, Ih a para Ihe captar o seguro, commette um acto de '^ontira e covardia moral, creando nesse freguez um
"^'scipuio das praxes mas, que a todas affectam.
que nao tinha segurado contra riscos dessa natu-
deu a reclamagao. Os segurados insistiram. Volveu-lhes a companhia dizendo:
"Nao temos responsabilidade e, portanto, nada devemos".
"Se se tratasse de um facto isolado, poderiamos Ihe dar a quantia, mas em muilos casos iguaes ja recusamos a outros segurados. Nao seria justo
■que Ihe dessemos o valor perdido, nao dando a outros, que tambem pagaram premios pelos ris cos ordinaries de transporfe de mercadorias. Essa desigualdade seria irritante e desattenciosa para aquelles nossos clientes".
Os segurados se fossem justos, teriam at6 louvado essa conducta da companhia, mas, mal edu cados na pratica do seguro, nao vendo a bellcza do gesto de tratar com egualdade todos os segura dos, mas apenas a materialidade do seu interesse,
ficaram zangados e romperam relagoes commerciaes.
Vivam por isto.
Em S. Paulo, apos a revolta, todas as compa nhias comblnaram nao aMender a reclamagdes dessa natureza. Como havia coherencia, sinceridade e honra nessa combinagao, nenhuma dellas foi importunada. Aqui, as coqsas se passam differentemenfe, porque ainda nao se formou o espirito de associagao e solidariedade.
.fera nelle talvez um dos exigentes de amanha.
O prestigio do seguro nacional existira quando
'°tios OS nossos seguradores tiverem uma mentahdamais elevada, uma comprehensao mais vasta Valor social do seguro, uma conducta
'■^gular e honrada na liquidagao dos sinistro , p
^Ue nao e consentaneo com os principios da )"s-
ABITJO DE CARVALHO .\DV0G.4D0
Rua 1« tie Mar§o, 83-2''andar Das 8 % ils 4 % horns