Revista de Seguros
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Director-gerenre Gandido de Oliveira
OIRECTOR-Abilio de Carvalho ABRIL DE 1924
ANNO IV
NUM. 34
PRATICA DO SEGURO
s?:
No numsro anterior inserimos uma opiniao ex-
em 1871. um bilhao; o de Boston, em 1872, 353
Pendida pelo Dr. Decio C. Alvim, inspector de
milhoes e do Baltimore, em 1903, 500 milhoes.
^sguros, sobre o perlgoso avUtamento' nas taxas
' Reaimente, isto represents urn perigo para a
Em 1861, em Londres, diz um escriptor, depois de um grande incendio nas docas, as companhias de seguros impuzeram um modo especial de con-
•nstituigao e uma inseguran(;a para os segurados.
strucgao, que contrlbuiu para reduzir as possibi
• No mesmo artigo transcrevemos um trecho em, 'iPe 0 esforgado e illustrado funcionario narra o
lidades de incendio.
premios.
que se
passa no estrangeiro, onde, pelo reseguro,
° fisco fica muito fraccionado, e um sinistro-nao
P"dera causar grande damno a uma seguradora. All, trata-se de companhias antiquissimas
e
"^uito poderosas. Aqui, empresas com capital reaiisado inferior a mil contos assumem
e mantem seguros vul-
'osos. —, de forma que um incendio ou um naufra-
®'o pode causar prejuizos de duzentos e quatro'^entos contos, como tern acontecido. Esses principles ordinarlos do seguro nao con®P6uiram alnda penetrar no animo das nossas
®®6uradoras, que gostam de viver isoladas, cada puchando para si o premio que vao aviltando e cuja conquista as vezes se faz com Intrigui-
"'^as e adulaqoes vergonhosas. Nao- vem que isto desmoralisa o- seguro e col— - -^ ''p® a seguradora em situaqao de mendlga diante do seu cliente.
Existe mesmo um director que usa dizer que fi.xa a taxa e o segurado !
Que ignorancia da sua arte ! 0 premio € o pre?o do risco assumido. 0 se-
^*"■0 nao pode ser uma industria a merce do pu1-0
acaso, mas observando as possibilidades do
^^nho. So 0 segurador pode, peia experiencia, avaliar extensao do risco a que se expoe e marcar a
®°mma que pode cobrir essa sua responsabilida-
^5. Nos paizes de verdadeira educatao commer^Ui sao as companhias de seguros que impoem vontade aos segurados.
So assim elias f^m triumphado de tremendos
®inistros, como foram: o incendio de Hamburgo, ®m 1842, que custou 175 milhoes; o de Chicago,
Sabe-se que na America do Norte as seguradoras exigiram das grandes casas um serviqo especial de vigilancia contra o fogo. Era nenhum ramo de industria e do commerclo
aquelies que o exercem sao tratados com o pouco case e a insolencia de que sao alvo os segura doras, quando nao se rendem proraptamente a reclamaqao do segurado que tem urn sinisfro a liquidar.
Tambem, em nenhum commercio, como neste, 0 vendedor se humilha tanto para conservar. o freguez! E' corriqueiro que o segurado deve fazer a sua reclamaqao documentada com a prova do sinistro
e 0 valor do damno. Aqui, as companhias de se guros, por inexpHcavel submissao, recebem sim
ples avisos dos segurados de que taes e taes generos chegaram avariados e tem o trabalho de fa
zer a prova da avaria, requerendo at£ vistoria ju dicial.
E* por isto que os segurados sao impertinentes e as companhias vivem agachadas.
Tao indolentes sao em verterem o premio, quanto apressados nas suas reclamaqoes, nao querendo instruil-as nos termos da apoiice, e as vezes receber antes mesmo da justiqa se pronunciar sobre as origens do fogo. Pretendem que pelo pagamento do sinistro as companhias reconheqam a sua innocencia, como se isto constilulsse prova judiciaria.
0 seguro deve orientar-se melhor.
Unir-se
para ser forte, impondo-se aos seguradores, exigindo literalmente
a
observancia das clausulas
do ■ contrato.
Deve igualmente formai- uma frente unica —