Revista de Seguros
REDAC^AO t
ROA t- DE MARQO, 66 (Edificio da BoUa) RIO
DIRECTOR Abilio de Carvalho
0£ JANE.1RO
Direcior-gerente Gandido de Olivelra MARQO DE^922
ANNO II
NUM. 0
A INDUSTRIA DE SEGUROS O desenvolvimento que tern tido na edade mo-
i
panhias entidades fabulosas, de riquezas inesgo-
dernissima a industria dos seguros modificou pro-
taveis 4ue se multipKcam
^undamente as regras juridicas que presidiam an-
devem chegar para attender as suas reclamaqoes
ligamente os contratos relatives aos riscos mari-
exaggeradas, visto como, ate nos cases de sinis tros innocentss, a indemnisaqao se converte era
t'mos.
Hoje, cada risco e considerado como elemento de uma serie continua de riscos homogeneos; ca
maravilhosamente e
lucro para elles.
0 fundo collectivo, que i administrado pela com-
Nao 6 so velhacaria, mas Ignorancia. Do contrario, saberiam que no systema do seguro elles nao detxam de formar uma associaqao de mutua-
Panhia e do qual se tiram as inderanisaqoes em
lidade, tal qual succede no seguro mutuo.
da premio, como contribuiqao dos segurados para
favor daquelles que sao designados pelo destine .
Para aquelle que faz o seguro para se preser-
Desta maneira se comprehende a funcqao so cial e eeonomica do seguro destinado a distribuir
var de um acontecimento possivel, que destrua a sua fazenda e bens, para dormir tranquillo, sem
pquitativamente a riqueza enfre aqueiles que tern
receio. do imprevisto, muito deve importar a boa direcqao da companhia seguradora. Quanto maio-
'bais necessidade deila e a partir dessas premisses se determinam as regras juridicas que protegem
casa funcqao.
Sc a.csirT> se pdde comprehender a razao de ser
res forem os seus ganhos e as suas reservas tanto mais elle estara garantido num caso de sinistro que deva ser indemnisado.
das clausulas rigorosas, adoptadas com uniformi-
Para os accionistas dos Companhias, a escolha
^ade em todos os ranios dessa Industria, em que
da direcqao deve ser motive de grande escrupulo.
Se exige da parte dos segurados tanta exacti-
Delia depende a prosperidade, o credito e a
^ao na indicaqao dos riscos quanta precisao na
honra da empresa. O trabalho e arduo, o ganho
denunciaqao dos sinistros. de urn notavel publicista, professor de direifo cora-
difflcil. Os directores tem de fazer face, sorrindo as vezes, as pretensoes as mais deshonestas; tem de dizer "nao", com delicadesa, a pedidos
btercial numa faculdade estrangeira, precisam ser
feitos com insq'encia ou com humildade de men-
conhecidas ate dos proprios ssguradores brasilei-
digo.
Estas ideas que nao sao originaes, mas oriundas
fos, que empiricamente exercem essa industrii sem nenhum conbicimento e sem nsnhum esforqo
Para saberem ao menos a significaqao verdadeira dos termos usados nos contraios que assignam ! Vem dahi, talvez, o insuccesso de algumas emprezas e a marcha retatdada de outras.
A ancia por uma boa receita e a sede de ganho
de corretores insinceroc levam as companhias a acceitar os riscos de navios incapazes de navegar ou dirigidos por capitaes de ruim
de officio,
fazedores de naufrag;os, quer por impsricia, quer
A calma Ihes e absolutamente neoessaria.
A industria de seguros, repetimos, nao pode ser considerada fonte abundante de proveitos faceis. Ao contrario, ella conta
difficuldades de
toda a ordem.
E' preciso muito tacto para seleccionar os seus freeuezes. evitando delleentemente admittir se gurados susoeitos e animados do deseio de explorar a instituiqao, em proveito pronrio.
As emoresas aue operam sem a indispensai'el prudencia se tem visto forqadas a um premature
em virtude de mandate criminoso dos armadores ou a segurarem pequenos estabelecimentos, em
desapparecimento.
mas condiqoes, por qiiantias elevadas, despsrtan-
juizos directs e immediatamente decorrentes da
O caracter estricto da Indemnizaqao dos pre-
do assini nos segurados a lembranqa de especular
realizaqao do risco assegurado, irrita nao rare o
com 0 seguro, incendiando-os.
segurado, que nao tem desse contrato uma idea
Por sen lado, os segurados suppoem as Com
perfeita.