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Revista de Seguros Ano 89 nº 886 - Julho / Agosto / Setembro de 2013

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órgão de divulgação do mercado segurador

ano 89 nº886 julh0/ agosto/ setembro de 2013

América Latina: mapa de forte crescimento em Previdência e Vida O assessor especial da Associação de Genebra fala com exclusividade sobre um tema que está na ordem do dia do mundo e do Brasil: as mudanças climáticas


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Sumário

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Entrevista

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Limra-Loma

Richard Murray, assessor especial da Associação de Genebra, fala sobre os impactos das mudanças climáticas na gestão de riscos da indústria mundial de seguros. Segmento de Previdência e Vida sofre com a crise econômica global e aposta suas fichas nos países emergentes da América Latina, que têm uma população jovem.

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Saúde

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Prêmio Inovação

Queda do PIB e do nível de emprego reflete na venda dos planos de saúde, que enfrenta desaceleração combinada com aumento na demanda por serviços assistenciais . Na terceira edição da premiação, os projetos devem ter identificação com pelo menos um dos PSI e relevância para o setor e a sociedade. Os jurados se reúnem em novembro.

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Mulheres em ação

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Controles Internos

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Fraude

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Capitalização

Pesquisa da CNseg em parceria com a ENS vai identificar e traçar um perfil da participação feminina no setor, além de ajudar no desenho e no lançamento de novos produtos. Seminário discute a gestão de riscos operacionais com foco em resultado, que, se bem aplicada, pode se tornar um instrumento capaz de criar e preservar valor para as organizações.

As seguradoras negaram R$ 314 milhões em indenizações envolvendo sinistros com fraudes comprovadas no ano passado. A fraude foi tema debatido em evento em SP. A rápida disseminação dos produtos de incentivo ajuda o segmento a manter crescimento consistente e gera expectativa de aumento acima dos 20% previstos para este ano.

E Mais... 4 – Editorial; 14 – Riscos Ambientais; 20 – Líderes Sustentáveis; 23 – Estudo CNseg; 28 – Seguro de Pessoas; 34 – Microsseguros; 39 – ENS; 40 – Linhas Financeiras; 46 – 6ª Conseguro; 48 – Associação de Genebra; 49 – Artigo Jurídico; 50 – Opinião.

PRESIDENTE Marco Antonio Rossi 1º VICE-PRESIDENTE Jayme Brasil Garfinkel VICE-PRESIDENTES NATOS Marcio Serôa de Araujo Coriolano, Marco Antônio da Silva Barros, Osvaldo do Nascimento e Paulo Miguel Marraccini VICE-PRESIDENTE Mário José Gonzaga Petrelli Patrick Antônio Claude de Larragoiti Lucas DIRETOR NATO Luiz Tavares Pereira Filho DIRETORES Acacio Rosa de Queiroz Filho, Alexandre Malucelli, Antonio Cássio dos Santos, Antonio Eduardo Márquez de Figueiredo Trindade, Francisco Alves de Souza, João Francisco Silveira Borges da Costa, Jorge Hilário Gouvêa Vieira, Nilton Molina, Pedro Cláudio de Medeiros B. Bulcão, Pedro Pereira de Freitas, Sebastian Ramon Arcuri, Thierry Marc Claude Claudon, William Alan Yates e Wilson Toneto

CONSELHO FISCAL Efetivos Haydewaldo Roberto Chamberlain da Costa Laênio Pereira dos Santos Lúcio Antonio Marques Suplentes José Maria Souza Teixeira Costa e Luiz Sadao Shibutani CONSELHO SUPERIOR PRESIDENTE Jorge Hilário Gouvêa Vieira CONSELHEIROS Acacio Rosa de Queiroz Filho, Carlos dos Santos, Francisco Caiuby Vidigal, Jayme Brasil Garfinkel, Jorge Estácio da Silva, José Castro Araújo Rudge, José Roberto Marmo Loureiro, Luis Emilio Maurette, Marcio Serôa de Araujo Coriolano, Marco Antonio Rossi, Mário José Gonzaga Petrelli, Nilton Molina, Patrick Antônio Claude de Larragoiti Lucas, Pedro Pereira de Freitas, Paulo Rogerio Caffarelli, Thierry Marc Claude Claudon e Wilson Toneto

CONSELHEIROS NOTÁVEIS Alberto Oswaldo Continentino de Araújo Eduardo Baptista Vianna, João Elisio Ferraz de Campos e José Américo Peón de Sá CONSELHEIROS – SINDICATOS João Gilberto Possiede e Júlio César Rosa REVISTA DE SEGUROS Órgão de divulgação do mercado segurador PUBLICAÇÃO INTEGRANTE DO CONVÊNIO DE IMPRENSADO MERCOSUL – COPREME. Em conjunto com SIDEMA (Serviço Informativo do Mercado Segurador da República Argentina), EL PRODUCTOR (Publicação da Associação de Agentes e Produtores de Seguro da República Oriental do Uruguai) e Jornal dos Seguros (Publicação do Sindicato dos Corretores de Seguros e de Capitalização do Estado de São Paulo).

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CONSELHO EDITORIAL Ângela Cunha, Luiz Peregrino Fernandes Vieira da Cunha, José Cechin, José Ismar Alves Tôrres, Neival Rodrigues Freitas, Solange Beatriz Palheiro Mendes Editora-chefe: Ângela Cunha (MTb/RJ12.555) Coordenação Editorial: VIA TEXTO AG. DE COMUNICAÇÃO viatexto@viatexto.com.br 21 - 2262.5215 Jornalista Responsável: Vania Mezzonato – MTB 14.850 Assistente de produção: Patricia Stanzione Colaboradores: Ana Carolina Gitahy, Cezar Faccioli, Denise Bueno, Fernando Gasparini, João Maurício Rodrigues, Jorge Clapp, Karin Fuchs, Larissa Morais, Márcia Alves, Maria Luisa Barros, Rodolfo Campos, Vagner Ricardo, Vania Mezzonato Fotografia: Arquivo Associação de Genebra, Arquivo CNseg, Arquivo IBM, Arquivo Mapfre, Arquivo Swiss Re, Bruna Weber, Christian Rodrigues, Divulgação ENS, Fabio Sales, Fernando Mendes, Giselly Gonçalves, Paulo Rodrigues, Roberto Carvalho, Rosane Bekierman, Rubens Takamine, Shutterstock

Projeto Gráfico: Maraca Design REDAÇÃO E CORRESPONDÊNCIA: Superintendência de Comunicação Social – CNseg Adriana Beltrão, Claudia Mara e Vagner Ricardo. Rua Senador Dantas, 74/12º andar, Centro - Rio de Janeiro, RJ – CEP 20031-201 Telex: (021) 34505-DFNES Fax: (21) 2510.7839 Tel. (21) 2510.7777 www.viverseguro.org.br E-mail: cnseg@cnseg.org.br Escritório cnseg/Brasília – SCN/ Quadra1/Bloco C – Ed. Brasília – Trade Center – sala 1607 Gráfica: Walprint Distribuição: Serviços Gerais/CNseg Periodicidade: Trimestral Circulação: 7 mil exemplares As matérias e artigos assinados são de responsabilidade dos autores. As matérias publicadas nesta edição podem ser reproduzidas desde que identificada a fonte. Distribuição Gratuita


Editorial

Desafios & Oportunidades: duas faces de uma mesma moeda

A

posição de vanguarda da indústria de seguros no gerenciamento e prevenção de riscos (sua matéria-prima) tem amplificado os sinais de alerta emitidos pelo planeta, que vem sendo sacudido por uma gama de fenômenos naturais sem precedentes na história – e com potencial para causar prejuízos bilionários. A crescente ameaça de ocorrência de grandes sinistros, em virtude de eventos climáticos extremos, tem levado o mercado segurador a se debruçar sobre fórmulas em busca de novas coberturas e soluções para as demandas que se anunciam. Afinal, prevenir e atenuar perdas, proteger vidas e compartilhar riscos entre vários players, em meio a cenários tão adversos, não são tarefas das mais fáceis. Mas o mercado segurador brasileiro entende este momento com uma moeda de duas faces: de um lado, os enormes desafios impostos pelos eventos climáticos extremos, mas, de outro, as oportunidades de negócios representadas pela demanda por novas coberturas. Não por acaso, esse olhar que contrapõe desafios e oportunidades norteou uma série de seminários organizados ou apoiados pela CNseg ao longo do terceiro trimestre deste ano, com destaque para “Mudanças climáticas e desastres naturais no Brasil: desafios e oportunidades para o setor de seguros”, em parceria com a Associação de Genebra; “Riscos de inundação no Brasil: impactos no mercado segurador, governo e sociedade”, realizado pela Swiss-Re; e ‘Liderança em Sustentabilidade’, da Universidade de Cambridge, que reuniu os executivos do mercado. As implicações das mudanças do clima para o setor de seguros são tema também do mais recente relatório da Associação de Genebra, que analisa a influência do aquecimento dos oceanos nos eventos climáticas extremos. Esta edição aborda ainda outros eventos organizados pelo mercado, como o “VII Seminário de Controles Internos & Compliance, Auditoria e Gestão de Riscos”; o “II Encontro Internacional do Seguro de Linhas Financeiras”; e o seminário “Prevenção à fraude contra o seguro”. Alinhado com as pautas de interesse do setor, o segmento de Previdência e Vida também debateu seus desafios e oportunidades nos países da América Latina, durante a 42ª Conferência Latino-Americana Limra Loma, ocorrida em Foz do Iguaçu, que é tema de capa desta edição. Ângela Cunha Editora

RISCOS AMBIENTAIS A elevação da temperatura do planeta deverá se intensificar nas próximas décadas e prolongar os períodos de seca e de chuva forte em regiões distintas do País, além provocar fenômenos climáticos extremos. O IPCC, divulgado em setembro, na Suécia, prevê impactos assustadores para as cidades e suas populações até 2100. Essas perspectivas exigem uma redefinição das abordagens tradicionais de avaliação e de gestão de riscos, atualmente baseadas exclusivamente em registros históricos, e requerem parcerias com governos na busca de soluções, como a criação de resseguro destinado às reservas públicas de catástrofes para proteger contra perdas excedentes. Outra opção é transferir para os investidores o pico dos riscos de desastres, por meio de obrigações de catástrofes.

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Entrevista Richard Murray

Por VANIA MEZZONATO

Estima-se que, em 2011, ocorreram 325 eventos catastróficos no mundo, que resultaram em 35 mil vítimas e mais de US$ 370 bilhões em perdas econômicas – o maior registro da história. Destas, cerca de US$ 116 bilhões foram perdas seguráveis (US$ 110 bilhões decorrentes de catástrofes naturais, e US$ 6 bilhões por eventos causados por ações humanas). A diferença entre os danos sofridos e o valor segurado mostra que a falta de cobertura de seguro continua deixando pessoas e empresas vulneráveis aos eventos climáticos. Segundo Richard Murray, assessor especial da Associação de Genebra, nos países menos desenvolvidos do mundo, especialmente onde o seguro não tem penetração profunda, a parcela segurada das perdas relacionadas ao clima tende a ser muito baixa: de 2% a 5%. “Mesmo nos países desenvolvidos, a proporção de danos econômicos de eventos climáticos pagos pelas seguradoras varia entre 25% e 50%”, disse ele. Saiba como os eventos extremos vão desafiar as seguradoras que assumem riscos relacionados ao clima, nesta entrevista exclusiva que Richard Murray concedeu à Revista de Seguros.

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Arquivo Associação de Genebra

O impacto das mudanças climáticas no seguro


Entrevista Richard Murray

“Os eventos

extremos vão desafiar a capacidade das seguradoras que assumem uma parcela maior de riscos relacionados ao clima, pois não é possível quantificar os níveis de previsibilidade máximos e mínimos.

”

Revista de Seguros: Os fenômenos climáticos menos previsíveis influenciam na capacidade de precificação e na pulverização dos riscos das seguradoras. Como contornar este problema diante do acirramento dos eventos climáticos extremos? Richard Murray – Não há dúvida de que num futuro próximo as condições climáticas imprevisíveis tendem a se tornar mais intensas em todo o mundo, tanto na frequência quanto na gravidade dos eventos extremos. Com isso, a previsibilidade vai diminuir – e o desafio para o setor de seguros, a sociedade e o Governo é saber como lidar com os resultados do último ambiente previsível. Do ponto de vista dos seguros, existem vários fatores que afetam a tentativa de previsão de perdas relacionadas ao clima. Uma delas é a frequência e a gravidade das condições meteorológicas. No Brasil, há problemas de deslizamentos de terra nas montanhas e calor e seca no Norte e Nordeste. Os eventos extremos vão desafiar a capacidade das seguradoras que assumem uma parcela maior de riscos relacionados ao clima, pois não é possível quantificar os níveis de previsibilidade máximos e mínimos. Eu acho que é importante reconhecer que o seguro é um recurso que se encontra exatamente entre o totalmente imprevisível e o totalmente previsível. Essa é uma questão que pode ser mais bem trabalhada em colaboração com fontes sociais e governamentais. A partir da premissa de que há uma correlação entre alterações do clima e prêmios emitidos – uma vez que a sociedade tende a se proteger mais em situações adversas – como a Associação de Genebra avalia a demanda da sociedade por seguros, em resposta às mudanças climáticas? A Associação de Genebra considera que o seguro atualmente disponível é insuficiente para atender às necessidades da sociedade em relação às mudanças climáticas. É importante começar a discutir este tema reconhecendo onde estamos atualmente, em termos de perdas relacionadas ao clima. Há estudos conflitantes sobre a porcentagem de perdas relacionadas aos desastres climáticos cobertos por seguro. Mas, de modo geral, nos países menos desenvolvidos do mundo, especialmente onde o seguro não tem penetração Revista de Seguros – 6

profunda nas propriedades e nas populações, a porção segurada das perdas relacionadas ao clima tende a ser muito baixa: de 2% a 5%. Mesmo nos países desenvolvidos, a proporção de danos econômicos de eventos climáticos pagos pelas seguradoras varia entre 25% e 50%, de acordo com a localização, a natureza do dano e a penetração do seguro. Mas é importante saber que em nenhum lugar do mundo os seguros cobrem muito mais do que a metade das perdas. Isso acontece mesmo nos Estados Unidos, onde eventos climáticos extremos, como tornados e furacões, são comuns? Provavelmente, o maior pagamento de seguro já realizado para perdas climáticas extremas refere-se aos Estados Unidos. Nas ocorrências dos furacões de 2005 (Katrina, Wilma e Rita), segundo vários relatórios, os seguros cobriram cerca de 70% das perdas. A pergunta é: qual a demanda para as seguradoras nessas situações? Não há compensação suficiente disponível hoje e nós temos que criar melhores condições, especialmente para países como o Brasil, onde as previsões científicas apontam para um aumento da frequência e da gravidade dos riscos climáticos. A diferença entre as perdas econômicas e as seguráveis sugere que a falta de cobertura de seguro continua a deixar muitos indivíduos, companhias e governos financeiramente vulneráveis aos eventos. Quais são as soluções viáveis no curto prazo para se alterar este quadro? Mais uma vez a resposta envolve a necessidade de se firmar parcerias entre a indústria de seguros e os governos, pois há uma grande diferença entre os papéis desempenhados por cada um. O setor de seguros, ao subscrever um risco, assume a obrigação de pagar o custo para restaurar a casa ou a empresa a sua condição de antes da catástrofe, enquanto os governos têm a obrigação de garantir as condições mínimas de sobrevivência – em geral bem menos onerosas. Acredito que do diálogo entre os dois setores possam surgir respostas mais satisfatórias aos anseios da sociedade do que as que são oferecidas hoje.


As consequências dos eventos climáticos extremos podem acirrar a competição entre as companhias de seguros? Uma das maiores contribuições que a indústria de seguros pode oferecer ao Brasil e a qualquer outro lugar do mundo é utilizar a sua expertise para ajudar os governos a estabelecer condições de mitigar danos, e utilizar prêmios como ferramenta de precificação para influenciar o comportamento de empresas e indivíduos. Um dos problemas que enfrentamos há algum tempo é a tendência das seguradoras de precificar para menos os seus produtos – ou porque falham ao reconhecer o risco a que estão expostas ou porque sofrem pressão do Governo ou da sociedade para que o prêmio seja acessível e socialmente aceito. Mas a competição pelo preço cria mais risco moral, permitindo às pessoas e governos investir de maneira descuidada. Mas, quando se trata de riscos climáticos, as seguradoras devem atuar em parcerias a fim de que as necessidades sociais sejam atendidas a contento. Além da capacidade de mensurar e precificar os riscos, a indústria de seguros tem um papel importante no incentivo de ações que previnam os efeitos adversos do clima. As seguradoras têm conseguido influenciar ativamente o comportamento de seus clientes? A resposta simples é não. Não há países ou regiões que tenham desenvolvido boas relações entre seguradoras e governos para enfrentar o problema climático e desenvolver boas práticas em relação aos riscos, para reduzir o custo das perdas e garantir compensação suficiente pelos danos. Estamos em um ponto crítico e é preciso reconhecer o quanto é importante desenvolver urgentemente programas colaborativos entre governos e seguradoras para obter resultados melhores. Há algum registro deste tipo de parceria que possa servir de exemplo? Não há bons exemplos a serem seguidos. A solução é conceitualmente simples, e precisa ser desenvolvida em todas as formas de economia e em quaisquer condições. Um dos grandes benefícios que eu percebi na Conferência

realizada pela Associação de Genebra no Rio de Janeiro, em setembro, diz respeito à excelente qualidade do diálogo entre os governos, os cientistas e a indústria. Ninguém resolveu o problema ainda, mas o Brasil tem uma boa oportunidade, pelo que aprendi nesse processo, de produzir respostas melhores e mais rapidamente do que outros países do mundo. Diversos estudos indicam que as mudanças climáticas levam a perdas substanciais de áreas de cultivo, em especial de soja, milho e café. A elevação da temperatura pode afetar a segurança alimentar mundial? A segurança alimentar é um aspecto muito relevante dos riscos relacionados às mudanças climáticas. Um dos consensos a respeito das mudanças climáticas é que os padrões climáticos estão se alterando. Secas vão ocorrer onde plantações deveriam se desenvolver e enchentes irão destruir plantações em outros locais. A combinação desses eventos extremos vai criar problemas significativos de segurança alimentar, com severas consequências sociais decorrentes. Certamente haverá grandes parcelas da população mundial migrando de um local para o outro em busca de alimentos, em função dos problemas acarretados pelas mudanças climáticas. Estudos da Associação de Genebra apontam o aquecimento das águas dos oceanos como o principal motor das mudanças climáticas. Até que ponto isso ameaça a capacidade das seguradoras de estimar com precisão o risco de uma catástrofe? O estudo recente sobre temperaturas dos oceanos e seus efeitos, publicado pela Associação de Genebra, não sugere especificamente que esse aquecimento vai intensificar as mudanças climáticas, mas analisa de que forma as temperaturas dos oceanos interagem com as temperaturas atmosféricas e leva a uma compreensão maior deste fenômeno, que será mais bem compreendido por meio desse estudo. O documento irá ajudar as seguradoras e os especialistas em modelar riscos de catástrofes climáticas a prever de maneira mais eficiente os padrões climáticos futuros.

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“Uma das maiores

contribuições que a indústria de seguros pode oferecer ao Brasil e a qualquer outro lugar do mundo é utilizar a sua expertise para ajudar os governos a estabelecer condições de mitigar danos.

”


Limra Loma

A pujança dos países emergentes da América Latina Situação ruim na Europa levou o segmento de previdência privada e vida a olhar para a população jovem dos países latinos

Por DENISE BUENO

“Precisamos de

políticas sociais e privadas que ajudem o Brasil a enriquecer antes de envelhecer, pois ser velho em um país pobre está longe do sonho idealizado por muitos.

”

Alexandre Kalache

H

á grandes desafios para os próximos 20 anos e a indústria de seguros e previdência tem um papel fundamental para o desenvolvimento das economias por estimular a poupança e os investimentos. Esta foi a mensagem que o ex-presidente da República e presidente de honra do PSDB, Fernando Henrique Cardoso, deixou aos mais de 300 profissionais que se reuniram entre 24 e 27 de agosto na 42ª Conferência Latino-Americana Limra Loma, em Foz do Iguaçu, para debater os desafios e as oportunidades de negócios no segmento de vida e previdência na América Latina. Para FHC, o setor, que acumula mundialmente vendas de US$ 4,6 trilhões por ano, é um grande propulsor do desenvolvimento econômico e social ao ofertar proteção financeira para a sociedade enfrentar os desafios que se colocam ao longo da vida. No Brasil, esse setor representou 5,7% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2012, segundo dados da CNseg, e a expectativa para 2013 é um crescimento de 15% diante dos 2% estimados para o PIB. Revista de Seguros – 8

Regras estáveis – O ex-presidente destacou a necessidade de marcos regulatórios que propiciem regras estáveis para que os países possam contar com os investimentos de longo prazo que esta indústria administra. “É preciso investir na previsibilidade, tanto para quem vende produtos de longo prazo como para quem compra tais proteções financeiras, seja para garantir acesso a planos de saúde complementar ou acumular um patrimônio para a aposentadoria”, afirmou. Segundo ele, o papel do governo é vital para a estabilidade, desde que atue não como um competidor, mas proporcionando um ambiente de previsibilidade na vida do consumidor, que está cada dia mais consciente, como vimos nas recentes manifestações no Brasil. “O consumidor atual dita as regras e quer ser mais respeitado pelos governos e pelas empresas”. Os especialistas saíram da Conferência com uma certeza: há muito trabalho pela frente para conectar governos, seguradoras, corretores e clientes com temas que envolvem o futuro


fotos fabio sales

Os especialistas saíram da Conferência com uma certeza: há muito trabalho pela frente para conectar governos, seguradoras, corretores e clientes com temas que envolvem o futuro

“Se queremos

da aposentadoria. “No mínimo, trabalharemos intensamente nas próximas duas décadas. Foram três dias de muito aprendizado, que nos levam a refletir sobre a imensidão de desafios e oportunidades que temos pela frente”, avaliou Lucio Flávio Condurú de Oliveira, presidente da Bradesco Vida e Previdência e vice-presidente da Federação Nacional de Previdência Aberta e Vida (FenaPrevi), patrocinadora principal do evento. O tema de abertura da Conferência, “Solução para a crise global de aposentadoria”, foi abordado por Robert Kerzner, presidente e CEO da Limra Loma, uma instituição que reúne 850 empresas associadas em mais de 73 países. “Quais são as oportunidades para o nosso segmento e quais os aspectos negativos que podem interromper os nossos negócios?”, indagou o palestrante.

tanto pela contração das taxas de juros como pela volatilidade das bolsas mundiais nos últimos anos. Aliado a isso, o desemprego reduziu o volume de aportes nos fundos privados, bem como estimulou saques para as despesas do dia a dia das famílias. Paralelamente, essa situa-

conquistar a classe média, não podemos usar jargões financeiros para convencê-la a nos entregar seu dinheiro hoje para devolver em 30 anos, na idade de se aposentar.

”

Beatriz Russo

Flávio Condurú de Oliveira: “Foram três dias de muito aprendizado, que nos levam a profundas reflexões sobre a imensidão de desafios e oportunidades que temos pela frente”

Crise global – Mundialmente, a previdência sofre com a crise financeira global. O patrimônio acumulado em planos privados foi reduzido diante da desvalorização dos ativos, Revista de Seguros – 9


Limra Loma ção levou uma grande parcela da população a depender dos benefícios sociais dos governos, aumentando os gastos públicos. Entre 2012 e 2013, por exemplo, houve uma queda média de 11% na poupança de aposentadoria dos países industrializados, segundo o estudo Aegon Retirement Readiness. Espanha, Reino Unido e Estados Unidos apresentam percentuais de queda de 14%, 13% e 12%, respectivamente. Isso faz com que os olhos dos investidores se voltem para as economias emergentes. Se na Europa a situação está ruim, a saída foi olhar para os emergentes da América Latina, uma vez que os países asiáticos já têm cultura de poupar. A população dos países latinos é jovem, concentrada entre as faixas de 10 a 60 anos. O número de pessoas com mais de 60 anos vai passar dos 57 milhões de 2010 para 83 milhões em 2020. Entre 25 a 59 anos, o salto será de 255 milhões para 296 milhões. Ou seja, um grande potencial para a conquista de novos clientes para o setor – diferentemente do Japão, por exemplo, um país com avanço na longevidade, que tem boa parte da população já recebendo os benefícios adquiridos.

Classe média – A economia dos países latinos continuará a crescer, segundo os mais renomados economistas do mundo, num ritmo de 3,5% a 4% nos próximos anos, com forte avanço

Robert Kerzner: “Quais são as oportunidades para o nosso segmento e quais os aspectos negativos que podem interromper os nossos negócios?”

A economia dos países latinos continuará a crescer, segundo os economistas, num ritmo de 3,5% a 4% nos próximos anos, com forte avanço da classe média.

da classe média que, na última década, avançou 50% e atualmente representa 30% da população da América Latina. No México, por exemplo, essa camada social deverá chegar a 80% da população até 2030 – um avanço e tanto, considerando-se que em 2005 nem chegava a 60%. No Uruguai, pouco mais de 70%. No Brasil, a classe média deverá representar 60%, o que significa o dobro do percentual registrado em 2005. Trata-se de uma camada da população que experimenta a euforia do consumo de bens duráveis, investimento em educação, saúde e viagens. “O avanço social traz crescimento, porém, exige reformas políticas, tributárias e sociais, para que o crescimento dos países seja sustentável o suficiente para atrair investimentos, principalmente em projetos de infraestrutura, vitais na expansão do ciclo econômico num momento de recuperação das economias maduras, como os Estados Unidos”, ressaltou Andrés Langebaek Rueda, diretor-executivo de Estudos Econômicos do Grupo Bolívar.

Ambiente desafiador – O desafio Eugênio Velasques: “Não somos nós que definimos como atender o cliente. É o cliente que decide a que horas, quando e onde ele quer ser atendido. Comodidade e conveniência hoje são decisões do investidor” Revista de Seguros – 10

está em crescer em um ambiente político e financeiro desafiador. Afinal, fazer reformas para equilibrar o déficit dos governos e empresas com o pagamento de benefícios sociais é uma medida considerada “impopular”, na avaliação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. “Uma reforma Constitucional é um processo lento e demorado em qualquer país”, disse ele, que considera o quadro brasileiro ainda mais preocu-


pante quando se analisa a cultura da previdência social enraizada na sociedade. “Mesmo com o avanço da expectativa de vida, muitos ainda pensam em se aposentar antes dos 60, o que é algo ruim para todos”, acrescentou. Durante a gestão de FHC, a reforma da previdência esteve na pauta e tentou-se aumentar o tempo de contribuição diante da elevação da expectativa de vida. “Quando nasci, era previsto que eu morreria antes dos 50. Tenho 82 e estou aqui trabalhando. Mas não conseguimos alterar o tempo de contribuição: foram 307 votos no Congresso Nacional, e eram necessários 308 para a aprovação. A saída foi criar o fator previdenciário, que agora alguns querem derrubar”, comentou.

Helder Molina: “É fundamental a atuação dos empresários do setor, junto aos técnicos dos governos, para criar uma regulamentação favorável à poupança e adequada à proteção do patrimônio dos investidores”

Cultura incipiente – Os números mostram que a cultura de poupar ainda é incipiente na região. A participação da América Latina nas vendas mundiais de seguros de vida e previdência é de 2,74%, com receitas de US$ 71,8 bilhões. No entanto, a região registrou avanço de 16,8%, de 2011 para 2012, enquanto países da Europa amargaram perda média de 2,9%. A França, por exemplo, registrou queda de 9,6% no volume de prêmios, revela o estudo World Insurance 2012, da Swiss Re. Os dados revelam que aos poucos a população da América Latina toma consciência de

Se na Europa a situação está ruim, a saída foi olhar para os emergentes da América Latina, uma vez que os emergentes asiáticos já têm cultura de poupar.

Fernando Henrique Cardoso: “Mesmo com o avanço da expectativa de vida, muitos ainda pensam em se aposentar antes dos 60, o que é algo ruim para todos” Revista de Seguros – 11

que o futuro depende cada vez mais de cada um. Uma cultura diferente de alguns anos atrás, quando a grande maioria acreditava que viveria dos benefícios do governo ou das empresas. Pesquisa da Limra revela que 51% da população da América Latina não se sentem preparados financeiramente para se aposentar. Apenas 24% afirmaram estar confortáveis com os recursos acumulados ao longo da vida. No Brasil, essa proporção foi de 41% e 30%, respectivamente, com 29% que não pararam para avaliar o assunto. Um em cada quatro candidatos a se aposentar informou não ter certeza se os recursos serão suficientes para as despesas do dia a dia; 37% poupam para a aposentaria, 17% para bancar custos com educação, 8% para viajar, 8% para melhorar a moradia e 8% estão preocupados com gastos com saúde.

Mídias sociais – A saída então é inovar em produtos, investir em tecnologia, apostar em pesquisas para levar uma nova abordagem do tema aos clientes, colocar na rua programas de educação financeira e sofisticar as estratégias de investimentos do patrimônio. Tudo isso alinhado à explosão das mídias sociais. “É fundamental a atuação dos empresários do setor como formadores de opinião, junto aos técnicos dos governos, para criar uma regulamentação favorável à poupança e adequada à proteção do patrimônio dos investidores quanto às oscilações dos mercados de capitais”, frisou Helder Molina, presidente da Mongeral Aegon, uma das patrocinadoras do evento, que


Limra Loma tem investido em projetos focados no desenvolvimento do mercado brasileiro. “Em breve lançaremos uma loja virtual de proteção financeira”, adiantou. O esforço das companhias brasileiras em inovar foi tema do painel “Trazendo inovação à vida”, do qual participaram executivos da Mongeral Aegon, Bradesco e do grupo segurador Banco do Brasil/Mapfre. Beatriz Russo, gerente de inovação da Mongeral Aegon, afirmou que é preciso começar simplificando a linguagem do setor, tornando os produtos algo mais compreensível para o público comum. “Se queremos conquistar a classe média, não podemos usar jargões financeiros para convencer as pessoas a nos entregar seu dinheiro hoje para devolver em 30 anos, quando estiverem em idade de se aposentar”, argumentou.

“O avanço

social traz crescimento, porém, exige reformas políticas, tributárias e sociais para que o crescimento dos países seja sustentável o suficiente para atrair investimentos. Andrés Rueda

”

Equipe motivada – No grupo segurador BB/Mapfre, o grande trabalho está em construir um relacionamento duradouro com funcionários e, consequentemente, com os clientes. “Ninguém vai trabalhar por salários e sim por causas. Isso nos faz inovar para ter uma equipe motivada a buscar o melhor para nossos clientes e acionistas. A inovação está dentro do planejamento estratégico e tem métricas para ser avaliada”, destacou

Paulo Rossi, diretor de Marketing. Para o Bradesco, a tecnologia é um grande aliado da inovação. “Temos agências do banco que funcionam sem nenhuma ajuda humana”, contou à plateia Eugênio Velasques, diretor do grupo segurador. “Não somos nós que definimos como atender o cliente. É o cliente que decide a que horas, quando e onde ele quer ser atendido. Comodidade e conveniência hoje são decisões do investidor”, defendeu, citando o sucesso de comercialização de seguros de vida em terminais eletrônicos do banco e redes de varejo. A inovação, no entanto, ainda não chegou a uma importante camada da população: os idosos, que representam 13% dos brasileiros. Em 2050, a expectativa é que o País tenha 64 milhões de idosos, ou 29% da população. A taxa de fecundidade está abaixo do nível de reposição – as famílias têm, em média, apenas 1,9 filho. “Com apenas um filho, quem cuidará dos pais, possivelmente doentes e com recursos financeiros insuficientes, como mostram as várias pesquisas sobre aposentadoria reveladas neste evento? O único filho? E quem vai trabalhar para girar a economia, consumindo e pagando impostos?”, questionou o médico Alexandre Kalache, presidente do Centro de Longevidade.

Políticas sociais – Tal constatação

Paulo Rossi: “Ninguém vai trabalhar por salários e sim por causas. Isso nos faz inovar para ter uma equipe motivada a buscar o melhor para nossos clientes e acionistas” Revista de Seguros – 12

traz grandes desafios, principalmente com relação à necessidade de formação de cuidadores de idosos e obtenção de renda para contratá-los. “Precisamos de políticas sociais e privadas que ajudem o Brasil a enriquecer antes de envelhecer, pois ser velho em um país pobre realmente está longe do sonho idealizado por muitos”. Para o estudioso, o setor de seguros é um propulsor de conhecimento, de pesquisas e de políticas baseadas em vivência. “Vocês todos podem ajudar a revolucionar o setor de seguros e a construir uma política social para o idoso. A revolução da longevidade não pode ser silenciosa”, finalizou Kalache.

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Quanto maiores forem as questões levantadas pelas mudanças climáticas, tanto melhores deverão ser as nossas respostas. Como as catástrofes naturais aumentam de frequência e severidade, ninguém tem todas as respostas. Mas o que temos na Swiss Re é um profundo know-how e a capacidade global para oferecer formas inovadoras para transferir os riscos financeiros e reconstruir. Além disso, contamos com o mais avançado e exclusivo sistema de modelagem de catástrofes naturais do setor de (res)seguros. Pelo pioneirismo na parceria com pesquisadores e engenheiros, ele oferece aos nossos clientes uma perspectiva única, constantemente atualizada, dos riscos de catástrofes naturais. Quem poderia estar mais bem posicionado para ajudá-lo a prever, avaliar e atenuar o impacto das mudanças climáticas? Na Swiss Re, o risco é nossa matéria-prima; o que criamos é oportunidade. Procurando melhores respostas? Encontre-as em www.swissre.com

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Riscos Ambientais

Um cenário assustador pa O mercado de seguros se prepara investindo em gerenciamento de riscos, novos produtos e práticas sustentáveis Por MÁRCIA ALVES

O

rastro de destruição deixado pelos tornados que devastaram a pequena cidade de Taquarituba, interior de São Paulo, em setembro, confirma o panorama ameaçador das mudanças climáticas, traçado pelo recente relatório Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PBMC). As previsões indicam que a elevação da temperatura deverá se intensificar e prolongar períodos de seca e de chuva forte em regiões distintas do país, além de provocar fenômenos climáticos extremos, como o que atingiu Santa Catarina em 2004. Ainda mais enfático, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), divulgado em setembro, na Suécia, prevê mudanças climáticas “sem precedentes” e “impactos assustadores” até 2100. “Já é tarde demais, o aquecimento global é inevitável e o planeta irá esquentar mais de dois graus até o fim do século”, diz o economista e um dos mais influentes ambientalistas do país, Sérgio Besserman Vianna. Segundo ele, mesmo que não se produzisse mais CO2, os gases permaneceriam na atmosfera por cem anos, agindo na mudança do clima.

Nível do mar – Apesar do tom alarmista, ele ressalva que não é preciso esperar a elevação do nível do mar, um dos efeitos do aquecimento global, e a concretização do prognóstico de Revista de Seguros – 14

destruição das cidades litorâneas brasileiras para agir. “O inevitável pode ser enfrentado”, afirma. Como presidente da Câmara Técnica de Desenvolvimento Sustentável da Prefeitura do Rio de Janeiro, Besserman conta que a cidade está adiantada nos estudos das diretrizes para o planejamento urbano de adaptações às mudanças climáticas. O alvo das políticas públicas são as regiões mais vulneráveis, onde vivem os mais pobres, para torná-las mais resilientes aos impactos dos desastres ambientais. “Enfrentar a crise ambiental é uma condição para que a humanidade possa combater a pobreza e a desigualdade e promover o desenvolvimento humano sustentável”, diz.

Apoio aos governos – Apesar de sua vocação natural para gerenciar riscos, as mudanças climáticas desafiam o setor de seguros. Entre as dificuldades está o modelo utilizado para avaliar e calcular riscos. “Se o clima do futuro será mais extremo que o do passado, a abordagem


As previsões indicam que a elevação da temperatura deverá se intensificar e prolongar períodos de seca e de chuva forte em regiões distintas do país

baseada em perspectiva histórica necessita ser reavaliada”, alerta Margo Black, presidente da Swiss Re, que enxerga oportunidades nesta questão, tanto do desenvolvimento de abordagens inovadores de gestão de riscos, como na parceria com o governo para a oferta de soluções. O resseguro destinado às reservas públicas de catástrofes seria uma opção das autoridades públicas, segundo Margo Black, para se protegerem contra perdas que excederem um nível de retenção determinado. Outra opção seria transferir o pico dos riscos de desastres para os investidores por meio de obrigações de catástrofes. Foi o que aconteceu no México, depois do terremoto de 1986. O governo criou um fundo para catástrofes na década de 1990 e patrocinou, em 2009, o Multicat, programa que transfere ao mercado de capitais os riscos de terremotos e furacões, a partir do gatilho de US$ 290 milhões. “Em caso de catástrofes, os cat bonds proporcionam às autoridades o acesso rápido a recursos

Giselly Gonçalves

ra as mudanças climáticas para combate às emergências e reforçar a reconstrução”, afirma Margo Black.

Ação proativa – Para a diretora executiva da Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNseg), Solange Beatriz Palheiro Mendes, o setor deve estar atento não só aos desafios para minimizar as perdas financeiras, mas também para oferecer produtos inovadores que acompanham a evolução das necessidades das empresas e consumidores. “A escalada dos problemas ambientais requer uma ação coletiva e proativa do setor”, explica. Nesse aspecto, o setor de seguros já contabiliza avanços, como a adesão das empresas aos Princípios para Sustentabilidade em Seguros (PSI, em inglês). “Os princípios funcionam como fio condutor para que o gerenciamento, a assunção de risco e as soluções de seguro, sob a ótica de produtos e de regulação de sinistros, sejam cada vez mais assertivas”, diz Marco Antonio Ferreira, membro da Comissão de Sustentabilidade da CNseg. Em termos de inovações em produtos, Ferreira cita a oferta, neste ano, da cobertura de Compensação Ambiental atrelada a uma decisão judicial, arbitral ou um acordo. Outra novidade é a cobertura com foco no risco de imagem do segurado resultante de eventos envolvendo danos ambientais, que oferece apoio financeiro para gerenciar situações de crise junto à sociedade. “O reconhecimento da complexidade dos riscos climáticos é um desafio presente e urgente que deve ser tratado de forma estruturada e estratégica”, diz. Já o economista Besserman, destaca a importância do seguro para enfrentar os altos custos gerados pelo clima. “Se a natureza do planeta não tem, no seu tempo longo, motivos para preocupação, a humanidade tem razões de sobra para, no seu tempo curto, mudar de comportamento e comprar várias apólices de seguro”, diz. Revista de Seguros – 15


Riscos Ambientais

Painel debate sobre os desastres naturais ocorridos no Brasil desde 2005, que provocaram danos avaliados em cerca de R$ 65 milhões à infraestrutura do País

Mudanças climáticas

Papel estratégico do seguro Por FERNANDO GASPARINI

Os desastres naturais ocorridos no Brasil desde 2005 provocaram danos avaliados em cerca de R$ 65 milhões à infraestrutura do País, segundo informou o chefe do Centro de Ciência do Sistema Terrestre do Instituto Nacional de Pesquisas Especiais, José Marengo, um dos convidados do Simpósio “Mudanças climáticas e desastres naturais no Brasil: desafios e oportunidades para o setor de seguros”, ocorrido em 26 de setembro, na sede da Academia Brasileira de Ciências, Rio de Janeiro, parceria com a Associação de Genebra e apoio da CNseg. Assim como outros participantes do encontro, Marengo defendeu uma postura menos reativa e mais proativa dos setores público e privado, para evitar novas ocorrências e reduzir os prejuízos, assegurando a pessoas e empresas condições adequadas de restabelecimento. O secretário nacional de Política de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Revista de Seguros – 16

Tecnologia e Inovação, Carlos Nobre, destacou o pioneirismo no setor de seguros, que está na vanguarda dos debates e das ações de identificação e mitigação dos fatores de risco. “O mercado de seguros possui um papel estratégico na busca de soluções compartilhadas com a sociedade”, afirmou, acrescentando que houve uma mudança emblemática na posição do governo federal após a tragédia da Região Serrana do Rio, em 2011. “O engajamento do setor de seguros tem aberto caminhos para que outros setores encarem essa nova situação”, completou.

Boas soluções – A diretora-executiva da CNseg, Solange Beatriz Palheiro Mendes, defendeu a busca de “boas soluções”, a partir da aliança do setor público com o privado, para fortalecer a troca de informações técnicas e científicas dos sistemas de monitoramento e alerta – e colaborar para a adoção de modelos matemáticos que permitam precificar os serviços oferecidos pelas seguradoras. “A precificação ainda é um desafio”, disse. Segundo ela, houve um aumento de cerca de 20% na busca por seguros residenciais, depois da tragédia na serra, um sinal de que a população está atenta ao assunto. “O seguro precisa investir suas forças para criar, junto às pessoas e às empresas, uma cultura da prevenção. Falta


fotos de Bruna Weber e Rubens Takamine

Riscos de inundações

Risco de inundação é prioridade Apostar em prevenção, adaptação e transferência de riscos pode levar o Brasil a evitar que catástrofes desviem a rota de seu desenvolvimento econômico. Levar essa consciência à sociedade foi o principal objetivo do seminário “Riscos de Inundação no Brasil: Impactos no Mercado Segurador, Governo e Sociedade”, realizado em 20 de agosto, pela Swiss Re, com apoio da CNseg, em São Paulo. “O mundo está mudando e o Brasil está inserido neste contexto”, enfatizou Margo Black, presidente da Swiss Re, ao exibir dados alarmantes. Estima-se que a população exposta a inundações no país hoje seja de 33 milhões de pessoas e deve saltar para 43 milhões até 2030. As perdas relacionadas a esse tipo de catástrofe hoje somam US$ 1,4 bilhão e devem subir para US$ 4 bilhões no mesmo período. Os gastos com inundações aumentam 12% ao ano e esse tipo de sinistro já cresce mais do que o PIB mundial. “Como subscritor de riscos, o mercado de seguros pode ajudar a mitigar perdas econômicas e salvar vidas”, destacou Maria Elena Bidino, superintendente de Relações com o Mercado da CNseg, enfatizando a missão das empresas do setor de seguros. A costa brasileira é a região mais afetada por perdas com inundações, segundo o mapa das catástrofes do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). “Ainda há muito a ser feito”, afirmou Carlos Frederico Angelis, coordenador geral de operações e modelagem. Hoje o risco de inundação é coberto na apólice multirrisco com franquia irrisória e cobertura idem. “A precificação deve ser diferenciada. Cerca de 90% da população não estão expostos ao risco de inundação. Por Por DENISE BUENO

estímulo à sociedade”, reiterou. A precificação também foi abordada pelo vice-presidente da FenSeg e da SulAmérica Seguros, Carlos Trindade Filho, que se diz um apaixonado pelo assunto. No caso específico de seguros ambientais, o desafio é maior por causa das informações e do acesso aos conhecimentos para formulação de cenários e modelagens. O encontro reuniu membros da Academia Brasileira de Ciências (ABC) e da Associação de Genebra, líderes do mercado de seguros, cientistas e especialistas em previsão e prevenção de eventos climáticos e representantes do setor público, entre outros. A abertura do simpósio foi feita pelo presidente da ABC, Jacob Palis, que destacou a parceria entre os cientistas e empresários na construção de cenários mais favoráveis para o futuro. Entre os palestrantes estavam o secretário-geral da Associação de Genebra, John Fitzpatrick, o pesquisador do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo, Agostinho Tadashi Ogura, o assessor especial da Associação de Genebra, Richard Murray, a especialista do Munich Re, Ina Ebert, o gerente-geral da associação de seguros do Chile, Jorge Claude, entre outros. O evento marca o início do Ciclo de Conferências sobre Regimes Internacionais de Responsabilidade para a América Latina, da Associação de Genebra.

“Se o clima do

arquivo Swiss Re

Evento destacou a parceria entre cientistas e empresários na construção de cenários mais favoráveis para o futuro

futuro será mais extremo que o do passado, a abordagem baseada em perspectiva histórica necessita ser reavaliada. Margo Black Revista de Seguros – 17

”


Bruna Weber e Rubens Takamine

Riscos Ambientais

Giselly Gonçalves

Assessor especial da Associação de Genebra, Richard Murray participa do simpósio sobre mudanças climáticas e desastres naturais no Brasil

isso, só se compra a apólice se o preço for menor do que o do risco principal”, argumentou Florian Kummer, da Swiss Re. Para isso, compartilhar informações é fundamental. A estrutura do Cemaden permite identificar em tempo real as regiões com chuvas acumuladas nas últimas 72 horas, locais em estado de atenção, alertas vigentes e os municípios monitorados com os dados das seguradoras. Essa é a missão da Central de Serviços e Proteção ao Seguro (Ceser) da CNseg. “Nosso foco é produzir um produto de valor agregado”, informou Paulo Kurpan, superintendente da Censer. “Os benefícios da prevenção são os desastres que não acontecem”, afirmou David Stevens, assessor de programas sênior do Centro de Excelência para a Redução do Risco de Desastres, órgão ligado à ONU. “O Brasil está amadurecendo nessa área, mas ainda deve demorará alguns anos”, apostou.

Depois da tragédia ocorrida na Região Serrana do Rio de Janeiro, em 2011, houve um aumento de cerca de 20% na busca por seguros residenciais, revelando um interesse da população sobre o assunto Revista de Seguros – 18


Pesquisa de Sustentabilidade

Em sintonia com a academia Uma pesquisa do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe/UFRJ), com o apoio institucional da CNseg, pretende descobrir até que ponto os diferentes fatores de sustentabilidade – ambientais, sociais e de governança – interferem na gestão da indústria de seguros brasileira. O estudo está sendo desenvolvido pelo engenheiro Flávio Nogueira e compõe a pesquisa de sua tese. Segundo o pesquisador, objetivos e parte da Giselly Gonçalves

Por LARISSA MORAIS

Prevenção, adaptação e transferência de riscos pode levar o Brasil a evitar que catástrofes desviem a rota de seu desenvolvimento econômico Revista de Seguros – 19

metodologia são inspirados no relatório sobre a Situação Global da Sustentabilidade em Seguros, da Unep. Realizado em 2009 pelo Grupo de Trabalho sobre Seguros da Iniciativa Financeira da Unep, o estudo internacional foi traduzido e lançado no Brasil por iniciativa da CNseg em julho deste ano. A organização mapeou questões que influem na gestão de riscos relacionados a sustentabilidade, a partir de um questionário distribuído entre companhias internacionais do ramo de seguros. Na pesquisa de Flávio Nogueira, o objetivo é entender a situação do mercado brasileiro. “Espera-se que os resultados indiquem diretrizes para o desenvolvimento de metodologias para análise de riscos climáticos e contribuam para a criação de novos produtos”, afirmou Nogueira. A diretora Solange Beatriz lembrou que o mercado segurador está cada vez mais empenhado em disseminar práticas sustentáveis e em implantá-las em suas operações, e que a pesquisa impulsiona ainda mais a adoção dessas medidas. Um dos passos foi a adesão do setor aos Princípios para Sustentabilidade em Seguros. “Nos últimos anos, as empresas do setor ampliaram os investimentos na estruturação de departamentos para cuidar especificamente de temas ligados à sustentabilidade”, acrescentou. O questionário-base da pesquisa permanece online em setembro e outubro, e os dados serão processados nos dois meses seguintes. A CNseg considera o tema de grande relevância para o setor segurador e disponibiliza o link da pesquisa em seu site, que pode ser respondida em 30 minutos. Segundo o orientador do projeto, professor André Lucena, serão oferecidas 16 vagas de aluno-ouvinte em duas disciplinas de pós-graduação do PPE do Coppe, para o segundo período de 2014, como forma de estimular a participação. Dez vagas serão oferecidas às empresas com maior participação, que terão liberdade para distribuí-las, e seis serão sorteadas. “Na academia, procuramos gerar conhecimento e aprender com as pesquisas desenvolvidas. Será relevante conhecer a percepção da sociedade sobre um tema de pesquisa”, disse Lucena.

•


Grupo propõe criar relatório de desempenho ambiental

Rosane Bekierman

Líderes Sustentáveis

Evento debate o impacto dos conceitos de sustentabilidade nos negócios para ajudar a definir estratégias de atuação

O

Por ANA CAROLINA GITAHY

“Temos de

passar para uma fase mais positiva de ações.”

”

Paulo Miguel Marraccini, presidente da FenSeg

compromisso de adesão aos Princípios para a Sustentabilidade em Seguros (PSI, na sigla em inglês), assumido pela CNseg e mais quatro seguradoras brasileiras em junho de 2012, levou a Confederação a promover no Brasil o seminário ‘Liderança em Sustentabilidade’, da Universidade de Cambridge, para discutir e avançar na implementação de metas para o setor. O evento, que aconteceu nos dias 8 e 9 de julho, no Rio de Janeiro, reuniu 21 executivos do mercado, além de cinco especialistas da universidade. “Foram dias de debates importantíssimos para a definição de metas e ações, além de fundamental para identificar iniciativas em curso no mundo, pois o setor de seguros já contribui para a sustentabilidade do planeta, naturalmente, na medida em que preserva a Revista de Seguros – 20

riqueza e atua na mitigação de riscos”, explicou a diretora-executiva da CNseg, Solange Beatriz Palheiro Mendes.

Impactos nos negócios – Executivos de seguradoras e das federações do setor – Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg); Federação Nacional de Capitalização (FenaCap); Federação Nacional de Saúde Complementar (FenaSaúde) e Federação Nacional de Previdência e Vida (FenaPrevi) - se dividiram em grupos para debater o impacto dos conceitos de sustentabilidade nos negócios e definir estratégias de atuação. Entre as propostas, estão a criação de um selo de “risco sustentável” e elaboração de um relatório de desempenho ambiental, social e de governança. “Nossa meta é implementar esse relatório em 36 meses e, para isso, teremos


Sustentabilidade: evento da Universidade de Cambridge, realizado pela CNseg, discutiu as metas traçadas para o setor em 2012

“Tenho certeza

que o seminário foi muito importante para discutir um tema de tamanha relevância como a Sustentabilidade.

”

Marcio Serôa de Araujo Coriolano, presidente da FenaSaúde que dar apoio às seguradoras menores”, explicou o presidente da Chubb do Brasil, Acácio da Rosa de Queiroz Filho. Em nome de seu grupo, a superintendente corporativa de Sustentabilidade da SulAmérica Seguros, Adriana Boscov, propôs a criação de um “selo de risco sustentável”, ou “risco bom”, como exigência para que as seguradoras assumam alguns riscos. “Seria necessário um mapeamento de como alguns riscos considerados ‘inseguráveis’ poderiam virar ‘seguráveis’, e daí criar um selo para esse setor”, explicou.

Ação conjunta – O mapeamento dos riscos ambientais e o compartilhamento dessas informações com a sociedade estão entre as sugestões do consultor da CNseg, Julio Avellar. “É necessária uma ação conjunta para esse mapeamento, em colaboração com os governos e

as universidades”, alertou. Ainda na fase de apresentação das propostas, foi lembrado que o setor de seguros tem capacidade de induzir um comportamento positivo na sociedade. “Precisamos deixar de lado nosso caráter de meros pagadores de indenizações para promover a prevenção e induzir comportamentos mais sustentáveis, influenciando toda a cadeia envolvida”, completou Avellar. O executivo sugeriu, ainda, a adoção de uma política de riscos diferenciada, como já acontece no setor de automóveis. “No futuro, poderemos usar isso em favor da sustentabilidade”, argumentou. O CEO da Allianz Seguros, Edward Lange, afirmou que o impacto das mudanças climáticas está afetando diretamente seu setor. Na sua avaliação, se os responsáveis pelo ambiente regulatório em todo o mundo não tomar uma posição, acabarão Revista de Seguros – 21

“As empresas

precisam assumir a liderança em sustentabilidade em seus setores.

”

Marco Antonio da Silva Barros, presidente da FenaCap


Líderes Sustentáveis

contribuiu para uma reflexão para que as empresas possam se planejar, prevendo que a atuação do setor esteja mais alinhada com as expectativas do cidadão.

”

Osvaldo do Nascimento, presidente da FenaPrevi

deixando nas mãos da iniciativa privada a decisão de agir. “Agora que temos conhecimento suficiente, vem a responsabilidade. É preciso promover este tipo de discussão e compartilhar as melhores práticas e experiências, a fim de criar consciência e fazer a diferença para melhorar no futuro”, defendeu.

Rosane Bekierman

“O evento

Debate crítico – Membro sênior do Programa de Liderança em Sustentabilidade da Universidade de Cambridge, Richard Burrett disse que a sustentabilidade para o setor de seguros é tão desafiadora quanto essencial, uma vez que exerce impacto direto no negócio no futuro. “É um debate crítico, porque o setor de seguro precisa entender como será este cenário de risco em constante transformação, e qual o papel a desempenhar na prática, para minimizar alguns desses riscos de longo prazo”, argumentou. Logo após o evento, a pesquisadora da Escola de Economia de Londres Swenja Surminski afirmou que deixava o encontro otimista com o envolvimento das empresas na questão da sustentabilidade e lembrou que o crescimento econômico não pode ser um entrave para o avanço nesta área. “A ideia é encontrar uma maneira de colocar o assunto na pauta. Não basta apenas crescer e logo perceber que o que está sendo feito,

Marco Antonio Rossi, presidente da CNseg: “Foi possível observar que o trabalho da CNseg no campo da sustentabilidade tem sido extremamente exitoso.”

provavelmente, não vai durar muito. Agora é o momento. Levou um longo tempo para o mercado brasileiro chegar a este ponto, e acredito que vocês estão tentando evitar alguns dos erros do passado”, analisou.

•

Estiveram presentes ao evento: Swenja Surminski, Richard Burrett, Aris Vrettos, Barbara Oliveira e Katharine Thoday, palestrantes de Cambridge; o CEO da Allianz Seguros, Edward Lange; o presidente da CNseg, Marco Antonio Rossi; os presidentes das quatro federações do setor: o Marcio Serôa de Araújo Coriolano (FenaSaúde); Osvaldo do Nascimento (FenaPrevi); Marco Antônio Barros (FenaCap); o vice-presidente da CNseg, Luiz Tavares Pereira Filho; a diretora executiva da CNseg, Solange Beatriz Palheiro Mendes; os diretores executivos Neival Freitas (FenSeg); José Cechin (FenaSaúde); José Ismar Alves Torres (FenaCap); os superintendentes da CNseg Alexandre Leal (Regulação); Maria Elena Bidino

(Relações Institucionais); Ângela Cunha (Comunicação); o consultor da CNseg, Julio de Souza Avellar Neto; o presidente da IRB – Brasil Resseguros, Leonardo André Paixão; o presidente de Seguros Gerais da Zurich Minas Brasil Seguros, Antônio Cássio dos Santos; o vice-presidente de Automóvel e Seguros da SulAmérica, Carlos Aberto de Figueiredo Trindade Filho; a superintendente de Sustentabilidade Empresarial da SulAmérica Seguros, Adriana Boscov; o diretor da Bradesco Vida e Previdência, Eugênio Velasques; o diretor da Bradesco Saúde, Flávio Bitter e o membro do Conselho de Administração da SulAmérica Seguros, Jorge Hilário Gouvêa Vieira.

Revista de Seguros – 22


Estudo CNseg

Núcleo estuda comportamento do mercado Metodologia abordada permite ao leitor aplicar conceitos inovadores de análise de problemas, gestão de equipes e projetos

Referências mundiais – A solvência tem sido uma das principais matérias de estudo do Núcleo, que tem participado das discussões sobre as novas exigências de capital, acompanhando o modelo adotado pela Susep de capital baseado em riscos desde 2008. Nesta linha, o objetivo é acompanhar e analisar

“A solvência

tem sido uma das principais matérias de estudo do Núcleo, que tem participado das discussões sobre as novas exigências de capital.

”

•

Arquivo CNseg

O

Núcleo de Estudos e Projetos da CNseg é um centro de excelência de conhecimento do mercado, com foco no incentivo à pesquisa, indução à criação de novos conhecimento, cooperação com os órgãos reguladores e aprimoramento do marco regulatório. Suas atividades incluem elaboração de relatórios e assessoria em assuntos de interesse do mercado, por meio de estudos técnicos e econômicos, nacionais e internacionais, atuais e de longo prazo. Sua equipe é formada por economistas, atuários e estatísticos, com uma formação acadêmica bem consolidada de mestrado e de doutorado. Os estudos desenvolvidos pelo Núcleo são demandados pela CNseg e pelas Federações que compõem o setor de seguros brasileiro. Desde 2011, quando entrou em funcionamento, foram elaborados mais de 30 relatórios de temas variados, que nem sempre são divulgados ao público em geral, dado seu caráter estratégico.

criticamente as regras de capital implementadas, num paralelo com a solvência II e outras referências mundiais. A CNseg e as Federações também demandam ao Núcleo estudos de caráter estratégico para o mercado segurador em temas diversos. No site da Confederação, podem ser encontrados cinco estudos disponibilizados ao público: Seguro Garantia – obras do governo e aumento do limite de garantia; Custo de capital – investimento no mercado de microsseguros do Brasil; Tramitação do Projeto de Lei nº 3.555/04 – Impacto econômico; Como classificar pequenas e médias empresas no setor de seguros; e relatório Fundo de Catástrofe para Seguro Rural. Os trabalhos são baseados em dados e a qualidade das informações do setor de seguros tem sido sistematicamente monitorada pelo Núcleo, que também vem respondendo pela coordenação técnica do recém-criado Comitê de Estudos de Mercado (CEM) da CNseg. O objetivo do CEM é ampliar o acesso das associadas às informações, com a publicação de dados sobre o setor que possam subsidiar a gestão dos negócios, além de possibilitar comparações, acompanhamento e projeções. Sugestões de temas para esta seção da Revista de Seguros podem ser enviadas ao e-mail nucleo@cnseg.org.br.

A partir da esquerda: Fernanda Chaves, Gabriela Ribeiro, Luiz Tavares, Thiago Ayres e Juliana Vieira Revista de Seguros – 23


Saúde

Segmento enfrenta um desequilíbrio de forças Venda dos seguros e planos de saúde enfrenta queda, mas demanda por serviços assistenciais de saúde aumentam Por JOÃO MAURÍCIO RODRIGUES

ainda existe uma incorporação importante da população nos planos de saúde”, analisa. Na sua avaliação, esse é um diagnóstico confirmado também pela queda observada na venda dos planos odontológicos, que vinham crescendo a uma taxa de 17% ao ano e agora caiu para 5,5%. “Se os planos de saúde caem, os planos odontológicos caem muito mais, pois eles não são o principal benefício oferecido pelas empresas”, compara.

Conjuntura econômica – O cenário

D

ados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) do mês de junho deste ano apontam um crescimento de apenas 2,7% na compra de seguros e planos de saúde em contrapartida a um aumento de 10% na demanda por serviços assistenciais de saúde, o que representa um desequilíbrio de forças para o setor. Na opinião do presidente da Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), Marcio Coriolano, esse comportamento já reflete a queda do Produto Interno Bruto (PIB), a menor evolução das taxas de emprego do País, a inflação médica e a ampliação de coberturas do Rol de Eventos e Procedimentos em Saúde da ANS. “Quando aumentamos a distância entre a inflação médica e a normal, acabamos estreitando o mercado”, avalia. Para Marcio Coriolano, a situação ainda não é alarmante, pois o mercado de seguros vem registrando uma taxa de crescimento significativa comparado ao crescimento demográfico no Brasil. “A população brasileira cresce menos de 1% ao ano e, embora o índice de crescimento do setor não seja o esperado, a taxa significa que Revista de Seguros – 24

do setor também coincide com alguns sinais de desaceleração do crescimento econômico brasileiro, de acordo com Marcio Coriolano, que aponta o emprego e a renda como os combustíveis para o crescimento do mercado brasileiro


Arquivo CNseg

de saúde suplementar. “O grande motor para os planos de saúde são as empresas que compram benefícios para seus funcionários, o que representa uma forma de reter mão de obra, pois é um salário indireto muito valorizado”, afirma ele. No entanto o executivo destaca que as empresas possuem um orçamento para oferecer esse benefício e o salário é corrigido pelos índices inflacionários normais. Quando os níveis de emprego não são comparáveis aos de anos anteriores, o setor se ressente.

Marcio Coriolano: “O grande motor para os planos de saúde são as empresas que compram benefícios para seus funcionários, o que representa uma forma de reter mão de obra, pois é um salário indireto muito valorizado”

Inflação médica – O custo da medicina avança mais do que os custos medidos pelos índices de preços normais. Não é uma particularidade brasileira, mas do mundo todo, explica Marcio Coriolano, pois diariamente são incorporados novas técnicas, materiais, drogas e procedimentos. “As pessoas querem melhores condições de vida e sobrevivência. Como se equaciona isso? Uma das formas é ter ganho de escala, o que diferencia muito as operadoras entre si. As que têm um número maior de beneficiários na carteira tendem a ter custos mais diluídos que as de pequeno porte”, analisa. Em países como Canadá, Austrália e outros da Europa existem instâncias que são responsáveis por analisar o custo-benefício da implantação das novas tecnologias, lembra o presidente da Fena-

Saúde. “Nesses países, as autoridades públicas do setor sabem que a introdução de novas técnicas encarece o custo da assistência médica e, como o estado tem uma participação muito grande no segmento, não se gasta dinheiro em qualquer técnica desejada pelo setor privado”, explica, acrescentando que o Brasil ainda não chegou a esse estágio, pois começa agora a discutir a eficácia dos custos relativos às novas tecnologias.

Atualização tecnológica – A introdução de órteses e próteses e novos medicamentos são alguns itens que Coriolano classifica como a ponta de um iceberg, uma vez que não há um órgão que regule a atualização tecnológica. A saída, acredita, é discutir com os prestadores de serviços a introdução dessas tecnologias em seus estabelecimentos, apurar a margem de lucros que os distribuidores têm ao longo da cadeia produtiva e conversar com laboratórios sobre a melhor forma de gerenciar esses procedimentos. Outro item importante destacado pelo dirigente é o Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde, colocado em discussão a cada dois anos pela ANS, através de consulta pública. O presidente da FenaSaúde diz que o Rol vira um instrumento de pressão das entidades médicas para introdução de novos tratamentos e tecnologias. “É natural que pressões ocorram, pois cada um entende sua parte como a mais importante, mas tem que ter alguém para regular. E a análise do custo-benefício de cada novo procedimento a ser incluído não entra na discussão”, finaliza.

•

Revista de Seguros – 25

O custo da medicina avança mais do que os custos medidos pelos índices de preços normais. Isso acontece no mundo todo, pois diariamente são incorporados novas técnicas, materiais, drogas e procedimentos. A introdução de órteses e próteses e novos medicamentos são considerados a ponta de um iceberg, uma vez que não há um órgão que regule a atualização tecnológica.


Prêmio

O desafio do desenvolvimento sustentável O aumento da frequência e da intensidade dos desastres naturais deve impactar fortemente o setor de seguros, pois tem reflexo no valor dos sinistros Por RODOLFO CAMPOS

M

ais de 97% dos cientistas acreditam que as mudanças climáticas enfrentadas pelo planeta estão relacionadas às ações humanas. É o que afirma o jornalista Washington Novaes, um dos jurados da edição deste ano do Prêmio Antônio Carlos de Almeida Braga de Inovação em Seguros para o Desenvolvimento Sustentável, organizado pela CNseg. Ex-editor-chefe do Globo Repórter, autor de diversos documentários e consultor dos Relatórios sobre Desenvolvimento Humano da ONU, Novaes também diz que, apesar de os efeitos das mudanças climáticas já serem claramente percebidos, a situação tende a se agravar, com a elevação da frequência e da intensidade dos desastres naturais, já que continua aumentando a quantidade de poluentes na atmosfera que contribuem para o aquecimento. Só no Brasil são mais de 5 milhões de pessoas vivendo em áreas de risco, sujeitas a acidentes relacionados ao clima, como enchentes e deslizamentos de terra. “Aumentou muito o conhecimento em Revista de Seguros – 26

relação ao tema, mas a mudança empreendida é muito menor que essa percepção. Na hora de tomar decisão, acaba prevalecendo a lógica financeira. Governos, empresas e cidadãos perguntam-se sempre como isso vai repercutir em suas rendas e em seus patrimônios, poucos dispostos a fazer sozinhos esse enfrentamento”, declara o jornalista. “É preciso que todos os setores se unam para elaborar estratégias que levem à redução das emissões e do risco de aumento das mudanças climáticas”, acrescenta.

Emissão de poluentes – Segundo ele, a área de energia, por exemplo, é responsável por


dois terços de todos os poluentes emitidos, provenientes principalmente da queima de combustíveis fósseis, como petróleo, gás natural e carvão, que continuam a ser subsidiados por governos de todo o mundo em centenas de bilhões de dólares. Mas bons exemplos existem. Na Suécia, lembra o jornalista, ao se comprar um carro, o proprietário deve, obrigatoriamente, também pagar por um certificado de reciclagem, que passa de mão em mão na revenda, até o último proprietário, que leva o veículo para uma empresa recicladora autorizada, recebendo de volta o valor do certificado. A empresa retira todos os fluidos e óleos para reciclagens especiais, separa e vende o que ainda pode ser utilizado, como pneus, vidros e peças, destinando as carcaças para siderúrgicas, que derretem e reaproveitam o material. Indagado sobre o papel da indústria de seguros nesse cenário, ele lembrou que o aumento da frequência e da intensidade dos desastres naturais deve impactar fortemente o setor, já que também aumentarão, consequentemente, os valores dos sinistros. Assim, é importante que o segmento pressione o governo, por meio de estudos e advertências, apontando as consequências que a desatenção ao tema pode acarretar.

Vantagens financeiras – Mas o setor de seguros pode fazer ainda mais, afirma Novaes, utilizando sua força de importante agente econômico para oferecer vantagens financeiras àqueles que utilizarem padrões sustentáveis em seus negócios. Citando como exemplo a construção civil, as seguradoras poderiam oferecer desconto no seguro para obras que empregassem padrões de conservação de energia, utilizassem materiais reciclados, dessem destino adequado ao entulho produzido etc. As possibilidades são muitas e iniciativas como o prêmio organizado pela CNseg para contemplar ideias sustentáveis das seguradoras e corretoras têm impacto muito positivo. Isso porque, lembra ele, a sustentabilidade pode estar presente em todas as ações humanas que impactam o meio físico. De fato, o setor de seguros já está bem à frente nesse debate que outros ramos da economia. Diversas seguradoras brasileiras e a própria CNseg são signatárias dos Princípios para Sustentabilidade em Seguros (PSI, sigla em inglês), elaborados pela Iniciativa Financeira do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP-FI). Sociedade consciente – Os Princípios propõem a inclusão de questões ambientais, sociais e de governança (ASG) no processo de tomada de decisão; o trabalho perante clientes e parceiros para o aumento de conscientização sobre as questões ASG; e as ações em conjunto com governos, órgãos reguladores e outros públicos estratégicos para conscientização da sociedade sobre estas questões. Os Princípios para Sustentabilidade em Seguros, como não poderia deixar de ser, também têm importante papel no Prêmio da CNseg, já que todos os trabalhos concorrentes devem ter identificação com, pelo menos, um deles. A partir de novembro, Washington Novaes e mais outros quatro jurados do Prêmio Antônio Carlos de Almeida Braga de Inovação em Seguros para o Desenvolvimento Sustentável avaliarão as iniciativas em seguro mais sustentáveis, em mais um capítulo dessa batalha que ainda está longe de ser vencida.

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Revista de Seguros – 27


Pessoas

Segmento cresce impulsionado pela renda e emprego Aumento do volume arrecadado em prêmios foi acompanhado por diversificação das coberturas Por CEZAR FACCIOLI

A

evolução favorável da renda é a principal explicação para o ‘crescimento robusto’ do segmento do Seguro de Pessoas no primeiro semestre. A opinião é do presidente da FenaPrevi, Osvaldo do Nascimento, que chama a atenção para a manutenção do baixo índice de desemprego no País. No cenário atual, a evolução do setor de seguros supera a evolução do PIB (Produto Interno Bruto), mesmo nos prognósticos mais positivos quanto ao desempenho geral da economia. “A correlação mais forte, particularmente nos seguros de pessoas, é com a renda e o emprego, enquanto o PIB é influenciado pelos investimentos, como o gasto em equipamentos e obras de infraestrutura,” compara. A média histórica de crescimento do PIB brasileiro tem sido de 4%, enquanto a do segmento de pessoas vem registrando taxas de 14%. “A tendência do setor de seguros em seu conjunto é dobrar de tamanho em cinco anos, chegando a 8% do PIB,” projeta Nascimento, inRevista de Seguros – 28

formando que, dos R$ 12,7 bilhões em prêmios arrecadados no primeiro semestre, R$ 8 bilhões são referentes aos seguros de vida e acidentes pessoais, mais de 60% do total. “Estes são os carros-chefes da indústria”, afirma.

Novas coberturas – O crescimento do volume arrecadado em prêmios foi acompanhado por diversificação das coberturas, isoladamente ou em combinação com seguros de vida e acidentes pessoais. Segundo o presidente da FenaPrevi, muitas operações são contratadas com o objetivo de evitar que se deixe dívidas para a família. Algumas cobrem perda de renda, garantindo a efetiva quitação do empréstimo contratado ou o pagamento das parcelas durante o período de perda de renda pelo titular da apólice, por exemplo. Nesses casos, a relativa estabilidade da oferta de emprego determinou um ritmo mais modesto da expansão do seguro. “Como o seguro de crédito é uma proteção contra a inadimplência, se o temor de perda de emprego diminui, a inclinação a pagar por essa proteção também se reduz. O ganho de renda aumenta os recursos disponíveis, mas nem todos contratam este produto,” explica. Os crescimentos percentuais mais reduzidos couberam às modalidades que, tradicionalmente, têm os volumes mais expressivos da indústria. O seguro de vida teve alta de 35,07% e arrecadou R$ 982,9 milhões em junho e as apólices de acidentes pessoais somaram R$ 447,3 milhões (alta de 24,46%) no mesmo mês.


Rosane Bekierman

valdo do Nascimento, um dos caminhos para isso é o investimento nos ‘universal lifes’ ou seguros de vida inteira, que permitem o resgate em vida pelo titular, em bases semelhantes aos da Previdência Privada. “Falta arcabouço regulatório mais completo para desenvolver o mercado, o que exige esforço conjunto do mercado com a Susep”, sustenta. A melhoria da distribuição de renda do brasileiro e o bom desempenho da economia nacional favorecem o crescimento do seguro corporativo, oferecido pelas empresas como benefício adicional a um universo de colaboradores mais amplo do que o tradicional. À parte os fringe benefits para executivos, os salários indiretos que chegam a igualar a remuneração direta, as apólices são cada dia mais oferecidas a trabalhadores do ‘chão da fábrica’. “Os seguros de vida integram acordos coletivos das mais diversas categorias, é uma tendência que começou nos estados mais industrializados, mas que vem se disseminando pelo País,” explica. Osvaldo Nascimento: “Os seguros de vida integram acordos coletivos das mais diversas categorias, é uma tendência que começou nos estados mais industrializados, mas que vem se disseminando pelo País”

Essas modalidades representam 70% do volume arrecadado anualmente, e mantiveram o ritmo de crescimento de trimestres anteriores. Considerado o semestre, o desempenho também é robusto. O seguro de vida, produto com maior volume em prêmios no segmento, obteve um bom resultado de janeiro a junho. Registrou um aumento de 18,66% e arrecadou R$ 5,5 bilhões, seguido por acidentes pessoais, que apresentou expansão de 11,27%, totalizando R$ 2,3 bilhões em prêmios.

Ritmo acelerado – Para viabilizar a meta do mercado de seguros de alcançar 8% do PIB, dobrando o peso do setor na economia, será preciso que os produtos de vida e acidentes pessoais registrem um ritmo mais acelerado de expansão. De acordo com Os-

“Para viabilizar

a meta do mercado de seguros de alcançar 8% do PIB, será preciso que os produtos de vida e acidentes pessoais tenham ritmo mais acelerado de expansão.

”

Distribuição de renda – Fenômenos como estes reforçam a tese favorita de Nascimento, uma espécie de jogo do ‘ganha-ganha’ – quanto mais robusta for a economia, melhor para o setor, e vice-versa. Segundo ele, a sustentabilidade exige desempenho firme e ampliação da produção, para que possa haver distribuição de renda e desconcentração de benefícios. Para o executivo, seguros são de certa forma um instrumento de política social, por se basearem na poupança comum e no rateio de custos e riscos. “O mutualismo favorece a política social, a cooperação. É a nossa maior colaboração para a melhoria dos índices de desenvolvimento humano do Brasil”, conclui. O segmento de seguros de pessoas arrecadou R$ 12,7 bilhões no primeiro semestre de 2013, aumento de 20,48% na comparação com o mesmo período do ano anterior. As indenizações aos clientes somaram R$ 2,9 bilhões, montante 5,01% acima do verificado no primeiro semestre de 2012, segundo a FenaPrevi.

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Revista de Seguros – 29

“A melhoria

da distribuição de renda do brasileiro e o bom desempenho da economia nacional favorecem o crescimento do seguro corporativo oferecido pelas empresas.

”


Mulheres em ação

No mercado de trabalho, de batom e salto alto Pesquisa vai identificar e traçar um perfil da participação feminina no setor, além de ajudar no desenho e no lançamento de produtos Por MARIA LUISA BARROS

E

m uma década, as mulheres ficaram mais instruídas do que os homens e ampliaram o nível de ocupação no mercado de trabalho. Dados do Censo 2010, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indicam que para cada grupo de 100 mulheres existem 96 homens. Hoje elas correspondem a 43,9% da população economicamente ativa no País. Esses números confirmam que a superioridade feminina vem impulsionando a economia nacional. Entre 2000 e 2010, o percentual de famílias chefiadas por mulheres no Brasil saltou de 22,2% para 37,3%. A predominância delas na sociedade é uma tendência que vem sendo acompanhada também pelo mercado de seguros brasileiro. Atualmente, mais de 15 mil mulheres trabalham no mercado securitário no País.

Retrato fiel – Para identificar e traçar um retrato fiel desta participação feminina no setor, a Escola Nacional de Seguros, em parceria com a CNseg, acaba de realizar uma pesquisa pioneira com as mulheres que atuam no segmento. O estudo foi feito entre agosto e setembro deste ano, pela consultoria Rating de Seguros, abordando o universo das mulheres como consumidoras, securitárias e corretoras de seguros. Revista de Seguros – 32

A finalidade do mapeamento foi elaborar um perfil da presença feminina no setor de seguros, previdência complementar aberta, saúde suplementar e capitalização, de uma forma mais abrangente do que nas pesquisas anteriores. A iniciativa, cujos resultados serão conhecidos pelo mercado na última semana de novembro, pretende auxiliar seguradoras e corretoras em seus planejamentos estratégicos e no lançamento de novos produtos. O estudo foi dividido em duas partes: uma pesquisa quantitativa destinada à área de Recursos Humanos das seguradoras e corretoras e outra, qualitativa, endereçada às executivas do setor. Nessa última etapa, foram ouvidas 100 executivas que apresentaram os seguros e planos de previdência direcionados ao público feminino.

Universo feminino – Para a diretora-executiva da CNseg, Solange Beatriz Palheiro Mendes, o setor não apresenta barreiras para a contratação de securitárias e corretoras. “A importância da mulher cresceu muito no mercado, uma vez que ela se identifica com o produto, que envolve proteção e segurança, e isso extrapola o consumo e avança também para o trabalho”, diz Solange. Cada vez mais independentes, elas se transformaram nos últimos anos em um dos principais focos das seguradoras, que têm buscado desenvolver cada vez mais produtos voltados para atender às necessidades femininas. Com mais de 40 anos de experiência em cargos executivos, no Brasil e no exterior, a diretora de Ensino Técnico da Escola Nacional de Seguros, Maria Helena Cardoso Monteiro, acredita que o estudo vai contribuir para que as empresas conheçam melhor o universo feminino, nos dois extremos, tanto de quem faz quanto de quem consome os produtos de seguros. “Nosso objetivo foi mapear, pela primeira vez, a participação feminina como funcionárias e corretoras e criar um marco com números oficiais para acompanhar a evolução das mulheres ao longo dos anos”, afirmou. Segundo Maria Helena, a proposta é repetir o estudo a cada dois anos nos mercados do Rio de Janeiro e de São Paulo. “A pesquisa é o primeiro passo para identificar a presença da mulher no mercado e seu poder de decisão na compra de


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Mulheres no seguro: elas já são mais de 15 mil no mercado securitário brasileiro, que acompanha uma tendência nacional de predominância feminina no

Solange Beatriz: “A importância da mulher cresceu muito no mercado, uma vez que ela se identifica com o produto,

Rosane Bekierman

universo do trabalho

que envolve proteção e segurança, e isso extrapola o consumo e avança

Maria Helena Monteiro: “A pesquisa é o primeiro passo para identificar a presença da mulher no mercado e seu poder

Paulo Rodrigues

também para o trabalho”

de decisão, para que as seguradoras possam desenvolver produtos específicos para elas”

seguros, para que as seguradoras possam desenvolver produtos específicos para elas”, diz a executiva.

Colegas de profissão – Até a divulgação dos resultados, o mercado trabalha com o último Balanço Social da CNseg. O relatório informa que mais da metade dos corretores ativos são do sexo feminino e que a maioria das profissionais que atuam no setor tem menos de 35 anos e são mais escolarizadas que seus colegas de profissão. A publicação mostrou ainda que grande parte delas concluiu o Ensino Médio e muitas já possuem nível superior. Apesar do avanço da participação feminina no mercado de trabalho, a área de seguros vem repetindo as mesmas desigualdades salariais entre os sexos. Embora mais capacitadas e produtivas, os rendimentos pagos a elas são menores do que os oferecidos aos homens, que seguem ocupando as melhores e mais bem remuneradas posições no mercado. Ainda que as mulheres dominem mais da metade das funções, apenas 46% delas estão em cargos de chefia. A grande maioria está concentrada no eixo Rio-São Paulo. Para a diretora de Ensino Técnico da ENS, Maria Helena, o novo estudo vai ajudar a esclarecer essas disparidades de gênero no setor. “As mulheres são maioria no mercado, se formam mais nas universidades, mas poucas ascendem aos cargos executivos. Queremos entender por que isso acontece”, questiona.

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Revista de Seguros – 33


Microsseguros

CNSP aprova venda de seguros por meios remotos

Por VAGNER RICARDO

O

Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) aprovou, em setembro, as regras que permitem a venda de seguros, microsseguros e planos de previdência complementar aberta por meios remotos, ampliando os canais para que os produtos alcancem os consumidores de todos os rincões do País. Trata-se de mais um esforço da Superintendência de Seguros Privados (Susep) para ampliar a inclusão social via mercado segurador e de um “laboratório” para o setor avaliar as experiências bem-sucedidas do uso de meios remotos na venda de produtos do microsseguros e decidir se estas estratégias podem ser incorporadas também à linha de produtos massificados ou vice e versa. Para a população de baixa renda, os meios remotos asseguram custos reduzidos de aquisição dos microsseguros, tornando os produtos um instrumento efetivo para estabelecer um relacionamento duradouro com famílias que estão passando por um momento de ascensão social.

Convergência digital – Pela proposta da Susep, referendada pelo CNSP, as empresas Revista de Seguros – 34

Arquivo IBM

O uso da internet, celular, TV digital e de outros meios eletrônicos foi regulamentado pelo Governo

poderão usar os meios remotos na emissão de bilhetes, apólices e certificados individuais. Também estão autorizadas a trocar informações e transferir dados pela internet, telefone (incluindo aparelhos celulares e smartphones), televisão a cabo ou digital, sistemas de comunicação via satélite etc., colocando a Resolução 294 em linha com a tendência de convergência digital esperada no País. Em consequência, todas as empresas terão que enfrentar o desafio de escolher a tecnologia adequada para os diferentes tipos de produtos e públicos, segundo a opinião do especialista Carlos Eduardo Rosas, diretor da WDEV, empresa especializada em desenvolver soluções para o mercado segurador.

Pedro Coelho: “O microsseguro depende da tecnologia porque o ganho é de centavos por apólice. Dessa forma, o processo precisa ser enxuto, eficiente e barato”


Internet

Entre as principais exigências para as vendas por meios remotos, está a obrigação de as seguradoras garantirem ao segurado a possibilidade de impressão do documento e, se solicitado, o fornecimento de sua versão física. A solicitação também poderá ser realizada por meio remoto.

Economia de escala – Mas o fato é que, sem os recursos tecnológicos, a economia de escala exigida para viabilizar o microsseguro não ocorrerá, assegura o consultor da IBM, Pedro Coelho. “O microsseguro depende da tecnologia porque o ganho é de centavos por apólice. Dessa forma, o processo precisa ser enxuto, eficiente e barato”, afirma. Na opinião de Coelho, o microsseguro está apto a quebrar alguns paradigmas, mas as empresas terão que aprender a pensar como varejistas, buscando um relacionamento próximo do público-alvo. Dessa forma, as seguradoras devem criar produtos para atender às reais necessidades do cliente, optando pela combinação de coberturas de diferentes ramos, como as de Vida acopladas à poupança, por exemplo, que pode ser usada como chamariz. Como exemplo, Pedro Coelho cita o case da Max Vijay, um microsseguro de Vida criado

a principal inovação é o acesso à internet falada, via celular, para facilitar a comunicação em um país que tem diversos dialetos e elevada taxa de analfabetismo

ICP-Brasil – No caso da emissão das apólices e certificados individuais, devem ser observados os procedimentos efetuados sob hierarquia da chamada Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileiras (ICP-Brasil) ou outra Autoridade Pública Raiz, cuja infraestrutura seja equivalente à PKI (Public Key Intrastructure), com identificação de data e hora do envio, segundo exige a Susep. Pelo regulamento, na contratação por apólice ou por certificado, a proposta poderá ser formalizada por meio de login e senha ou certificado digital, necessariamente pré-cadastrados pelo proponente/representante legal em ambiente seguro. No mercado, o uso de meios remotos é uma questão estratégica para o sucesso dos produtos de microsseguro, tendo em vista a experiência de países da África e da Índia.

Experiência indiana:

para atender à população das áreas rurais da Índia, que traz inovações importantes para atrair consumidores. Além das coberturas tradicionais, o seguro inclui poupança, oportunidade de endossar a apólice a qualquer momento, respeitando limites de capitais segurados definidos pelo plano.

Modalidades de planos – Após o primeiro aporte, as demais parcelas do prêmio podem ser pagas de forma flexível no prazo de 12 meses. O microsseguro da New York Life Insurance Company oferece três modalidades de planos, com vigência de cinco, 10 e 15 anos. A permanência dos segurados é até os 65 anos de idade. Isso significa que um segurado de 60 anos, por exemplo, só poderá comprar o seguro com vigência de cinco anos. Para garantir os capitais segurados por morte, ao lado da poupança, a seguradora aplica 60% do primeiro pagamento e 90% dos prêmios subsequentes em títulos públicos e ações. Os ganhos de investimento são adicionados à conta dos segurados, mas as eventuais perdas dos ativos não alcançam o saldo após os depósitos anuais. No plano tecnológico, a principal inovação é o acesso à internet falada, via celular, um facilitador para um país que convive com diversos dialetos e elevada taxa de analfabetismo. O interessado pode efetuar a compra direta no site ou optar por agendar a visita do agente de microsseguro. Em países como a Índia, onde a presença do corretor não é obrigatória, o regulador estabelece um treinamento de 50 horas para o agente estar apto a fazer a venda.

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Revista de Seguros – 35


fotos de Fernando Mendes

Controles Internos

Profissionais do setor de seguros que atuam na gestão de riscos operacionais, sejam das áreas de controles internos, governança, compliance ou auditoria reconhecem o desafio do setor

Gestão de riscos operacionais com foco em resultado Se bem aplicada, gestão de RO pode se tornar um instrumento capaz de criar e preservar valor para as organizações

Por MÁRCIA ALVES & RODOLFO CAMPOS

E

ntre os profissionais do setor de seguros que atuam na gestão de riscos operacionais, sejam das áreas de controles internos, governança, compliance ou auditoria, a maioria reconhece o desafio de sua missão. A princípio, a gestão de riscos operacionais (RO) pode até parecer simples, já que, segundo definição do órgão regulador do setor, trata-se de “ocorrência de um incidente que leve ou possa Revista de Seguros – 36

levar o resultado efetivo de um processo de negócio a diferir do resultado esperado, devido a processos inadequados ou deficientes, pessoas, sistemas ou fatores externos”. Na prática, porém, o mercado seguror brasileiro reconhece a relevância de RO, ao mesmo tempo em que entende também a dificuldade de adequação. “Os riscos operacionais têm trazido preocupações ao mercado pela complexidade e custo de implan-


tação. Mas é preciso saber que sua gestão pode se tornar um instrumento capaz de criar e preservar valor para as organizações”, disse Luiz Pereira de Souza, da Comissão de Controles Internos da CNseg, durante o VII Seminário Controles Internos & Compliance, Auditoria e Gestão de Riscos, realizado em 19 de setembro, em São Paulo (SP).

Geração de valor – Desafios à parte, Nuno André Vieira, da Ernst Young (EY), acredita que se a gestão de RO for eficiente a ponto de ajudar a empresa a mensurar, monitorar e mitigar seus riscos, o resultado será a geração de valor ao negócio, melhoria de resultados e aumento de competitividade. Esta foi a principal mensagem transmitida pela maioria dos especialistas que participou do evento, que contou com a parceria da Escola Nacional de Seguros (ENS). A percepção geral de que RO é um desafio não está errada, mas, segundo Nuno Vieira, pode ser atribuída em parte às dificuldades iniciais de adequação, considerando que este é um processo novo no País – e fora também –, que tem origem nas regras de Solvência II. De acordo com informações recentes trazidas ao evento por Michel de La Bellière, da Deloitte europeia, o Solvência II, um programa legislativo de regulação de seguros, está em fase de implantação em 28 países-membros da Comunidade Europeia. Bellière destacou como positivo os esforços do mercado brasileiro para capacitar os profissionais envolvidos, mas observou que no Brasil, assim como na Europa, a informação ainda precisa ser mais bem qualificada para que o gerenciamento de riscos seja eficiente e integrado, com foco além do curto prazo. Nuno Vieira concorda e afirma que as seguradoras devem se antecipar ao risco operacional, em vez de apenas reagir. Ele chama a atenção para as novas demandas regulatórias, que foram apontadas pelo último relatório global da EY como o segundo maior risco na visão de executivos de seguros, e que deverá saltar para o primeiro lugar do ranking até 2015. Segundo Nuno Vieira, alguns estudos apontam que os novos requerimentos de capital para RO, em vigor desde o início do ano, aumentarão a exposição das seguradoras de maior porte.

Antonio Gustavo Rodrigues ressaltou que a evolução dos processos de detecção de fraudes depende da qualidade das informações fornecidas

Banco de perdas – O consultor orienta os gestores de RO a manterem o foco em bancos de dados de perdas. “É um material essencial para embasar a quantificação de risco e dar tangibilidade ao risco operacional”, disse, ressaltando que os gestores têm de pensar o processo não apenas numa perspectiva regulatória, mas, também, como apoio às organizações na redução de custo e aumento de receita. Na tarefa de apoio à gestão de RO, a auditoria interna assume posição-chave, segundo Assizio Oliveira, presidente da Comissão de Comissão de Controles Internos da CNseg. Ele destacou que, além de garantir a qualidade de monitoramento de Controles Internos sobre os parâmetros, regras, controles e normas da gestão de RO, a auditoria também é relevante na aplicação de testes de aderência e na intervenção em situações anômalas. Porém, advertiu que não basta realizar altos investimentos em sistemas de auditoria, se não houver eficiente seleção de colaboradores, considerando o risco de fraude interna. A seu ver, antes de demitir os fraudadores, as empresas devem eliminar as oportunidades para as fraudes.

Reforço à gestão – Em matéria de detecção e prevenção à fraude, as ouvidorias surgem como importante reforço à gestão de RO. “Um trabalho bem feito de ouvidoria é suficiente para Revista de Seguros – 37

“Os riscos

operacionais têm trazido preocupações ao mercado pela complexidade e custo de implantação.

”

Luiz Pereira de Souza

“O banco de

dados de perdas é um material essencial para embasar a quantificação de risco e dar tangibilidade ao risco operacional.

”

Nuno Vieira


Controles Internos

Lavagem de dinheiro A finalidade do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) foi apresentada por seu presidente, Antonio Gustavo Rodrigues, logo no início do seminário. Ele explicou que o órgão é subordinado ao Ministério da Fazenda e tem o papel de identificar fraudes em transações financeiras, inclusive lavagem de dinheiro, e de comunicá-las ao Ministério Público. Entre outubro de 2012 e junho deste ano, ele contabilizou o recebimento de 137.829 comunicados de 79 instituições. Porém, mais de 95% dos comunicados são de baixa

“Um trabalho

bem feito de ouvidoria é suficiente para detectar fraudes internas e externas nas seguradoras.

”

Alexandre Pestilli

relevância. O Coaf criou um departamento de Inteligência Financeira, para identificar transações suspeitas, mas não necessariamente ilegais, inclusive no mercado de seguros. “A pessoa pode contratar um seguro de valor alto, pagar o prêmio em dinheiro e cancelar no dia seguinte, para receber de volta um cheque da seguradora, que é aceito para depósito no banco”, disse. Rodrigues ressaltou que a evolução dos processos de detecção de fraudes depende da qualidade das informações fornecidas.

detectar fraudes internas e externas nas seguradoras”, afirmou o Ouvidor do grupo BNP Paribas Cardif do Brasil, Alexandre Pestilli. Ele próprio já se surpreendeu com a ousadia de um fraudador que, depois de recorrer insistentemente aos canais de atendimento da seguradora para reclamar sua indenização, não se intimidou em levar o caso à Susep. Para Silas Rivelle Junior, presidente da Comissão de Ouvidoria da CNseg, as recomendações da ouvidoria ajudam a livrar a empresa da exposição a riscos. Os desafios da gestão de RO assumem seu grau máximo na área de saúde suplementar. O controle da escalada de custos no segmento, que é agravada pela inflação média – hoje em torno de 15%, três vezes maior que a inflação

Assizio Oliveira advertiu que não basta realizar altos investimentos em sistemas de auditoria, se não houver eficiente seleção de colaboradores, considerando o risco de fraude interna Revista de Seguros – 38

oficial –, é mais uma das difíceis tarefas dos gestores, segundo Flávio Bitter, diretor Técnico Operacional da Bradesco Saúde. Segundo ele, o aumento de custos em saúde está relacionado às três transições atuais: epidemiológica, demográfica e tecnológica. A melhoria de renda e a longevidade provocaram o aumento de doenças crônicas no país, assim como estimularam o uso de novas tecnologias, pressionando os custos médicos. “Não sou contra a incorporação tecnológica, mas defendo que seja feita com base em estudos”, disse.

Atitudes preventivas – O consultor da KPMG, Phelipe S. Linhares, apresentou uma abordagem da estrutura de Controles Internos como linha de defesa, baseada em seis pontos, começando pelo objetivo, que é auxiliar a administração no desenvolvimento de normas e políticas e procedimentos (manutenção dos controles); redesenho de processos (promoção de melhorias contínua); e estímulo à adoção de atitudes preventivas e proativas na redução e antecipação aos riscos. Para Linhares, as áreas da estrutura de Controles Internos devem atuar integradas para gerar valor ao negócio ou então poderão ser vistas apenas como um gasto para a organização. “Agora é o momento de amarrar os processos e controles com eventos operacionais, ganhos de eficiência e melhorias. É preciso institucionalizar o processo, deixando de tratá-los como áreas individuais”, concluiu.

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Escola Nacional de Seguros

Portal atinge a marca de um milhão de acessos Linguagem simples – A proposta Tudo Sobre Seguros é interativo e voltado para corretores, consumidores, internautas e técnicos do setor

Divulgação ENS

Por MARIA LUISA BARROS

Lauro Faria: “Quando o consumidor tem acesso às informações de uma forma amigável, passa a ter condições de fazer escolhas corretas, que vão gerar menos problemas para o mercado”

T

udo o que você sempre quis saber sobre seguros, previdência privada e capitalização ao alcance de um clique. Criado em 2010 pela Escola Nacional de Seguros para se tornar um referencial no mercado de seguros, o portal www.tudosobreseguros.org.br acaba de atingir a marca de um milhão de acessos nos últimos 12 meses. Além disso, em setembro recebeu o Prêmio Melhores do Seguro 2013, concedido pela revista Apólice. O espaço institucional sem fins lucrativos é interativo e voltado para corretores, consumidores, internautas e técnicos do setor. Não é feito por seguradora ou corretora de seguros nem recomenda produtos ou serviços dessas instituições. O portal brasileiro foi inspirado em congênere norte-americano, o www.iii.org, do Insurance Information Institute (III), que existe há 50 anos e objetiva também melhorar o entendimento do mercado entre o público consumidor, a mídia e os governos.

Portal: a proposta é melhorar a compreensão do público sobre o funcionamento da indústria de seguros, sempre numa linguagem

é melhorar a compreensão sobre o funcionamento dessa indústria, sempre numa linguagem bastante simples. “Os contratos de seguros são complicados e muito técnicos. Quando o consumidor tem acesso às informações de uma forma menos complicada, passa a ter condições de fazer escolhas corretas, que vão gerar menos problemas para o mercado”, afirma Lauro Vieira de Faria, assessor da Diretoria Executiva da Escola Nacional de Seguros e coordenador do Portal e da área de Publicações da entidade. Segundo ele, os tópicos mais acessados pelos visitantes nos últimos 12 meses foram seguro DPVAT, glossário, seguro fiança locatícia, seguro prestamista, seguro de automóveis e previdência social que, apesar de estatal, é também um seguro.

Tomada de decisão – Segundo Lauro Faria, todos os conteúdos são revisados por especialistas antes de serem publicados em formato de perguntas e respostas. São informações que auxiliam na tomada de decisões sobre a melhor forma de contratar esses produtos, o que fazer em caso de sinistro, as diversas coberturas de risco, entre outras. O portal também disponibiliza análises de indicadores financeiros, estatísticas e estudos sobre o setor, além de eventos relacionados à área. Em breve, está prevista a criação de seção completa sobre seguros marítimos. Para 2014, o portal trará tudo sobre os seguros aeronáuticos e de acidentes de trabalho, além da cartilha “Seguro para Iniciantes”, direcionada para os segurados potenciais de baixa renda que começam a formar a nova classe média.

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de simples compreensão Revista de Seguros – 39


Linhas Financeiras

Seguros para este segmento crescem 10% ao ano Os produtos de seguros financeiros representam apenas 2% das vendas totais do mercado brasileiro Por DENISE BUENO

O

segmento de seguros financeiros tem uma participação de apenas 2% das vendas totais do setor, um percentual considerado baixo comparado aos 10% observados em países maduros. A boa notícia é que as vendas têm crescido num ritmo de 10% ao ano. “O Brasil está avançando na cultura de responsabilidade civil, ou seja, em reparar o dano causado a um terceiro”, comemorou Paulo Marraccini, presidente da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg). Os dados foram informados durante o 2º Encontro Internacional do Seguro de Linhas Financeiras, realizado pela FenSeg e pela Escola Nacional de Seguros (ENS), no dia 26 de setembro, em São Paulo, que foi marcado pela variedade. “Há oportunidades em diversas linhas, como de Responsabilidade de Gestoras de Recursos (IMI), de Responsabilidade Profissional (E&O), além de fraudes corporativas e de riscos cibernéticos. E ainda muito para avançar com no seguro de RC de Executivos (D&O), em nichos ainda inexplorados”, concluiu o presidente da Comissão de Linhas Financeiras da FenSeg, Celso Soares. Processos judiciais – Um dos caminhos para ampliar a venda de D&O – com crescimento de 21,9% nos primeiros sete meses do ano, com arrecadação de R$ 124 milhões – é a aproximação com os acionistas minoritários. Atualmente, não há um volume relevante de processos judiciais contra os administradores. Normalmente, quando ele se sente lesado, recorre à Comissão de Valores Revista de Seguros – 40

Mobiliários (CVM), que investiga os casos. Já nos Estados Unidos e na Austrália, é mais comum a veiculação de notícias sobre ações civis coletivas, movidas por minoritários, para cobrar indenizações dos administradores. Alexandre Pinheiro, superintendente Geral da CVM, afirmou que a entidade oferece simplicidade aos minoritários. “Eles podem entrar no portal e fazer a reclamação por e-mail, desencadeando uma investigação sem custos para o acionista”, informou. Se for constatado um problema, o órgão regulador adota as ações necessárias para punir os administradores, sem que o minoritário tenha custos ou invista seu tempo para apresentar uma infinidade de provas ao Judiciário. Com a volatilidade dos mercados, no entanto, os minoritários passaram a questionar toda e qualquer gestão quando amargam perdas. Álvaro Igreja, executivo especializado em RC da corretora Willis, afirma que, apesar dos desafios, a demanda por seguros de responsabilidade civil dos executivos está aquecida. “Temos fechado cerca de dez apólices por mês. Os fundos de investimentos são os maiores questionadores de ações dos administradores, representando os minoritários preocupados com o correto pagamento”, contou o corretor. Fraudes corporativas – O painel sobre fraudes corporativas mostrou números preocupantes. Atualmente, as empresas perdem entre 4% a 6% do faturamento em fraudes corporativas, revela estudo da KPMG. “Uma empresa com bons


fotos Christian Rodrigues

No evento, da esquerda para a direita: Lucas Scortecci (AIG), Márcio Cots (Cots Advogados), Leandro Augusto (KPMG) e Denny Roger (Open Communications Security)

controles demora cerca de dois anos para identificar uma fraude. Aquela que não tem controle só descobre quando está à beira da falência. A média de desvio registrada na pesquisa foi de R$ 1,5 milhão por ato descoberto”, contou Leandro Augusto Marco Antonio, sócio da consultoria. Foi constatado que 39% dos fraudadores têm entre 36 e 45 anos de idade e que 32% deles trabalham na área de vendas e operacionais relacionadas a algum tipo de comercialização e outros 36% na área financeira – e 66% das fraudes foram realizadas por quadrilhas. “Dificilmente o fraudador atua sozinho”, diz o consultor. Gangues de hackers – O último painel empolgou a plateia, tanto na divulgação de que os EUA espionaram e-mails da presidente Dilma Rousseff, mas também por um fato curioso. “Das 20 gangues de hackers mais ativas do mundo, dez estão no Brasil”, informou Denny Roger, responsável por mais de 100 projetos de segurança da informação, e hoje consultor em segurança da informação da Demérica. “Dizem que a terceira guerra mundial será tecnológica, com hackers atacando sistemas de segurança nacional”, disse em tom brincalhão, porém assustador, ao revelar detalhes do apagão ocorrido em 18 estados do Brasil em 2009. “Até desabastecimento de água foi registrado no Rio de Janeiro”, acrescentou. No Brasil, apenas a AIG vende seguro de riscos cibernéticos. A justificativa para a escassez de oferta é o fato de a internet ainda ser

Paulo Marraccini: “O

uma terra de ninguém. Há discussões em todo o mundo para criar uma legislação da internet, mas esse debate deverá demorar, apesar do pedido de urgência da presidente Dilma, após ser alvo de espionagem internacional. “O Brasil é referência mundial em jurisprudência. Temos 55 mil ações movidas por danos envolvendo a internet e ainda há pouca doutrina no País”, comentou Márcio Cots, especializado em Direito Digital. Segundo ele, as seguradoras têm de entender melhor o produto para criar coberturas adequadas, pois demanda há. O risco cibernético é um dos mais temidos em diversas pesquisas realizadas com CEO do mundo inteiro. Se considerarmos que as vendas por meio da internet já representam cerca de R$ 28 bilhões, há risco para a empresa que deixa de vender, caso sofra uma invasão, ou para quem tem os dados roubados.

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Revista de Seguros – 41

Brasil está avançando na cultura de responsabilidade civil, ou seja, em reparar o dano causado a um terceiro”


Fraudes

Mercado se mobiliza em busca de soluções lei especificando o que pode ou não ser feito em investigação de âmbito privado”, defendeu.

Seminário discute forma de se proteger das fraudes nos sinistros, que atingem em cheio as ocorrências da carteira de automóveis Por KARIN FUCHS

O

mercado segurador computou, somente no ano passado, R$ 28 bilhões de sinistros avisados, sendo R$ 2,2 bilhões em suspeitas de fraudes e R$ 314 milhões em fraudes comprovadas. Metade deste total, no ramo Automóvel. Para discutir formas de alterar este quadro, a CNseg organizou o seminário ‘Prevenção à fraude contra o seguro’, no dia 27 de setembro, em São Paulo. Paulo Marraccini, vice-presidente da Confederação e presidente da FenSeg, afirmou que a criação da Central de Serviços e Proteção ao Seguro (Ceser) foi uma evolução neste sentido. “No passado, tivemos o Conselho de Proteção ao Seguro e o trabalho progrediu muito com a Ceser. O combate à fraude é uma maneira de proteger os bons segurados”, disse o executivo, que também é vice-presidente do Conselho de Administração da Allianz Seguros. Na avaliação de Roberto Tardelli, procurador de Justiça/SP, o setor de seguros precisa de autorregulação, assim como o mercado financeiro tem a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). “Já passou da hora de a indústria de seguros ter uma Revista de Seguros – 42

Apuração – Leonardo Girão, gerente de Proteção ao Seguro da Ceser/CNseg, apresentou o Sistema de Quantificação de Fraude (SQF), que está no décimo ciclo anual. “É uma ferramenta de abrangência nacional, alimentada pelas seguradoras, que constatou um enorme gap entre as suspeitas e as comprovações de fraude”, afirmou. Para Paulo Kurpan, superintendente de Planejamento e Estratégia da Ceser, o desafio é atualizar os dados. “Estamos no final de 2013, apresentando dados de 2012. A meta é ter os dados do ano anterior no primeiro trimestre do ano seguinte, e dar tratamento qualitativo aos dados”, antecipou. O economista Lauro Vieira de Faria, assessor da Diretoria Executiva da Escola Nacional de Seguros, entende que as fraudes são frutos de aspectos culturais e econômicos, como, características demográficas, nível educacional da população e situação de emprego na região. “Quanto mais educada a população, menor é a tendência de haver fraudes”, informou. Proteção de dados – O procurador do município do Rio de Janeiro Daniel Bucar ressaltou o fato de no Brasil não haver uma lei de proteção de dados, mas sim o direito previsto na Constituição. “A Constituição Federal prevê duas hipóteses de sigilo: a correspondência e a comunicação de grampos telefônicos. Só que


fotos de roberto carvalho

Paulo Marraccini: “O combate à fraude é uma maneira de proteger os bons segurados”

mas de se combater a fraude é o compartilhamento de informações. “Somente conseguiremos reduzir as fraudes com a troca de informação e mais eficiência no momento de subscrição do risco”, disse Neival Freitas, diretor-executivo da FenSeg. Para José Cechin, diretor-executivo da FenaSaúde, é preciso atuar na detecção. “Só conseguimos quantificar o que é conhecido, e em saúde as coisas nem sempre são tão claras”, observou. Já para José Ismar Torres, diretor-executivo da FenaCap, “o compartilhamento de informações é fundamental, bem como o treinamento da equipe e dos parceiros.” Em nome da FenaPrevi, Carlos Guerra comentou que existe uma série de detalhes técnicos que podem prevenir as fraudes. “O grande problema de caracterização está na prova”, opinou.

Análise de risco – Julio Avellar, da CN-

Roberto Tardelli: “Já passou da hora de a indústria de seguros ter uma lei especificando o que pode ou não ser feito em investigação de âmbito privado”

precisamos saber se podemos ter acesso a outros dados”, afirmou. Segundo Mario Viola, gerente de Projetos Especiais do Ceser, há um anteprojeto de lei sobre proteção de dados pessoais em elaboração no Ministério da Justiça. “Existem dois projetos de lei em discussão no Congresso Nacional”, acrescenta.

Compartilhamento – Na avaliação de

seg, ressaltou que prevenção é diferente de combate à fraude. “A prevenção está relacionada à análise de riscos e ambos estão relacionados à educação. Portanto, é na educação que devemos focar nossas ações, baseadas no compartilhamento de informações”. Para a advogada Ana Rita Petraroli, da Petraroli Advogados Associados, falta a percepção de que fraude é crime. “Dentre as pessoas que fraudam o seguro, 43% acham que não serão pegas e 24% acham que não há punição”, citou. Diretor Jurídico da Tokio Marine, Sergio Roberto de Oliveira defendeu o aprimoramento do sistema de subscrição e de regulação de sinistros para seguros massificados. “O melhor filtro é o analista, não tem filtro que o substitua. As seguradoras se esforçam para melhorar processos e tratar a fraude de forma a não permitir que seu impacto seja transferido para os preços”, finalizou. Marco Barros, superintendente geral da Ceser, encerrou o evento defendendo o compartilhamento de informações intramercados, como um caminho para aqueles que querem se engajar na luta contra as fraudes. “Temos que estar unidos, firmar parcerias com confederações, federações e outras entidades públicas ou privadas, para termos sucesso na prevenção e combate à fraude. Porque é a sociedade que paga esta conta”.

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representantes de entidades do setor, uma das forRevista de Seguros – 43


Capitalização

Produto de incentivo ajuda segmento a crescer A expectativa é que os produtos ajudem o setor a fechar o ano com crescimento acima da estimativa inicial de 20%

O

consistente crescimento do segmento de Capitalização tem, entre seus pilares, a rápida disseminação dos produtos de incentivo, que oferecem múltiplas aplicabilidades, incluindo a vinculação do título a outro produto, de qualquer empresa, independente do porte, para ser utilizado em promoções. Segundo o presidente da Federação Nacional de Capitalização (FenaCap), Marco Barros, a participação desse produto nas vendas do setor aumentou de 9,2%, em 2010, para 10,8% este ano, tendência que deve ser mantida. “Até julho, a modalidade arrecadou R$ 1,2 bilhão, 28,8% a mais do que no mesmo período de 2012”, afirma o executivo, acrescentando que o crescimento vem acompanhando de perto o mercado, que teve um aumento de 27,4% no mesmo período.

divulgação Mapfre

Por JORGE CLAPP

prar uma série inteira de 100 mil títulos e conceder a seus clientes o direito de concorrer aos prêmios programados por meio da distribuição de números da sorte. Como não há ônus para o cliente, as promoções contribuem para gerar empatia, agregando valor à imagem das empresas. A facilidade para contratar o produto ajuda basta procurar uma sociedade de capitalização, esclarecer o objetivo da ação, o tamanho da série, o prazo de vigência, o valor e a quantidade de premiações desejadas.

Relacionamento - Por meio do produto de incentivo, uma empresa pode utilizar parte da verba de marketing para fazer uma ação de relacionamento, seja para buscar novos clientes, seja para fidelizar os antigos. Uma rede varejista, por exemplo, pode comRevista de Seguros – 44

Renato Fernandes: Esse segmento tem sido utilizado para vários objetivos: aumento das vendas, fidelização do cliente e lançamento de produtos”


Empresas - A FenaCap detectou aumento do interesse no produto. Novas empresas estão entrando no mercado para explorar esse nicho. Algumas trabalham somente com a modalidade de incentivo, que tem se mostrado uma boa oportunidade para os negócios por possibilitar a associação do título a uma vasta gama de produtos. Barros entende que, aos olhos do consumidor, esse produto ajuda a aprimorar a imagem do setor. “Quem não gosta de participar de sorteios sem qualquer ônus? As empresas estreitam laços com clientes, atraem novos consumidores, ganham market share e aprimoram a imagem”, frisa. Além disso, para o segmento é muito importante que o cliente que recebe sem ônus um número da sorte - por ter feito compras em um estabelecimento comercial ou por ação de fidelização - saiba que é uma sociedade de capitalização que dá suporte à iniciativa.

Arquivo Cnseg

Clientes - A expectativa é que os produtos de incentivo ajudem esse mercado a fechar 2013 com forte crescimento, superando a estimativa

Marco Barros: “Quem não gosta de participar de sorteios de prêmios em dinheiro sem qualquer ônus? As empresas estreitam laços com clientes, atraem novos consumidores e ganham market share”

inicial, que era de 20%. Outros fatores contribuem, como, a concorrência entre as empresas, que estimula a criação de produtos cada vez mais customizados e adaptados à realidade dos clientes. Para Marco Barros, o fato de a capitalização ter produtos versáteis favorece esse cenário, embora o carro-chefe continue sendo o produto tradicional, que ajuda os clientes a formarem reserva, desenvolvendo a disciplina para guardar dinheiro, ao mesmo tempo em que oferece a chance de multiplicação do patrimônio acumulado em proporções não oferecidas por nenhum ativo disponível no mercado. “Quem é contemplado com um grande prêmio muda de vida, alcança novo patamar”, afirma.

Crescimento - Outro entusiasta do potencial dos produtos de incentivo é o diretor da Mapfre Consórcios e Capitalização, Renato Fernandes, que também é diretor da FenaCap, para quem essa modalidade crescerá ainda mais quando os benefícios forem mensurados e que os clientes observarem sua efetividade. “Esse segmento tem sido utilizado para vários objetivos: aumento das vendas, fidelização do cliente e lançamento de produtos”, avalia. Segundo ele, a Mapfre atua forte nesse segmento e tem alguns clientes que já estão no terceiro ano consecutivo com campanhas, o que confirma que o resultado tem se mostrado muito interessante. Muitas vezes, opina Fernandes, o consumidor não sabe que o processo de incentivo é feito por um título de capitalização, pois, normalmente, está mais preocupado com os prêmios e com as formas de participação. “A maioria dá mais ênfase na divulgação da promoção e da premiação. Mas, quando o consumidor descobre que o processo é via título de capitalização, fica bem impressionado”, ressalta. O executivo vê boas razões para se projetar a manutenção desse crescimento, uma vez que o cenário atual está dentro do esperado e provavelmente continuará sem grandes mudanças. “Há empresas que não são do segmento bancário atuando nesse ramo e acredito que as novas instituições que entrarem no setor também atuarão”, conclui.

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Revista de Seguros – 45


6a Conseguro

Um exercício sobre o Brasil de 2025 Debatedores serão encarregados de projetar como será o País nas áreas econômica, jurídica e social em meados da próxima década Por VAGNER RICARDO

A abertura solene reunirá autoridades governamentais, órgãos reguladores de seguros e de saúde suplementar, IRB, Ministério da Fazenda, Judiciário e Legislativo.

O

emblemático ano de 2025, quando teremos percorrido um quarto do século 21, foi escolhido para desafiar os executivos do mercado segurador, ao lado de especialistas de vários segmentos, a imaginarem como será no futuro próximo o setor, a economia, o Judiciário, a tecnologia, as vendas remotas de seguros, a convivência com as redes sociais, o processo de mobilidade social e as mudanças climáticas – temas que vão dominar a 6º Conseguro (Conferência Brasileira de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização), que este ano tem o tema A Visão do Mercado Segurador em 2025. Mais uma vez, o evento que reúne todos os pares do mercado de seguros ocorrerá em Brasília, de 22 a 23 de outubro, no Centro de Convenções Brasil 21. O objetivo é dar prosseguimento ao movimento de aproximação de representantes do mercado com as lideranças políticas e do Governo, tão necessária ao esforço do mercado para ser melhor entendido pelos centros de decisões. Pelos cálculos do coordenador da Comissão Organizadora da Conseguro, Eduardo Freitas, são esperadas de 500 a 700 pessoas no encontro, a grande maioria, executivos do setor ou seguradores, corretores de seguros e fornecedores de serviços ao mercado segurador.

Temas estratégicos – Coordenada pela CNseg e com apoio de suas associadas Revista de Seguros – 46

– FenSeg, FenaPrevi, FenaSaúde e FenaCap –, a Conseguro é realizada a cada dois anos e elege temas sensíveis ou estratégicos para a indústria. Nesta sexta edição, dando continuidade ao padrão de qualidade que marca o evento, considerado um dos mais importantes do calendário do mercado, a abertura solene reunirá autoridades governamentais, órgãos reguladores de seguros e de saúde suplementar, IRB, Ministério da Fazenda, Judiciário e Legislativo. Na sequência, um time de debatedores de primeira linha discutirá o tema “Brasil em 2025 – um pensamento estratégico”, com a participação do ministro Luis Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal; Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central e sócio da Gávea Investimentos; e o sociólogo Bolívar Lamounier, diretor da Augurium Consultoria. A mediação será feita pela jornalista Mara Luquet. Os debatedores serão encarregados de projetar como será o País nas áreas econômica, jurídica e social, em 2025. Este será o único painel da parte da manhã do primeiro dia do encontro.

Experiência argentina – À tarde, serão realizados três outros painéis, com temas de interesse do mercado. A FenSeg discutirá a “Desmontagem de Veículos”, apresentando a experiência argentina para debater as prováveis consequências da aprovação, na Câmara dos Deputados, do pro-


Mercados maduros – A FenaPrevi apresentará “A experiência de suitability no Reino Unido, no processo de estruturação e comercialização de produtos de Vida e Previdência”. A palestra de Simon Godsave, da Zurich Insurance Group, servirá para que executivos de Previdência e Vida aprofundem seus conhecimentos sobre o funcionamento de mercados maduros, com taxas de juros e índices de inflação reduzidos. “O segmento de Previdência Privada vive um momento de instabilidade, gerada pela volatilidade dos ativos do mercado financeiro. Vamos ouvir especialistas de mercados maduros sobre a questão de adequação do perfil de risco

e a decisão de investimento feita em países mais desenvolvidos”, explica Eduardo Freitas. Ao final do dia, a palestra “Megatendências da indústria de seguros no mundo”, a cargo do especialista da PWC, James Yoder, revelará os principais drivers da indústria mundial, como novos canais de intermediação, customização de produtos e concentração de seguradoras, e mostrará como eles serão incorporados ao mercado brasileiro.

São esperadas cerca de 500 a 700 pessoas no encontro, entre executivos do setor, corretores e fornecedores de serviços.

Consumidor e saúde – Os debates do segundo dia incluirão a palestra “A transformação do consumidor”, que reunirá o economista Eduardo Gianetti, a secretária Nacional do Consumidor, Juliana Pereira, com mediação de Ricardo Morishita. O economista Gustavo Franco, ex-presidente do BC e sócio da Rio Bravo Investimentos, discutirá o “Cenário macroeconômico e perspectivas para a saúde privada no Brasil”. O economista avaliará os impactos das transições epidemiológica, demográfica, etária e tecnológica para a área de saúde suplementar.

Arquivo Mapfre

jeto que disciplina o funcionamento das empresas de desmonte de veículos para venda de peças usadas ou das sucatas. No caso argentino, a reciclagem de peças automotivas trouxe vários benefícios não só para o mercado de seguros daquele país, como para toda a sociedade. Na Argentina, além de reduzir drasticamente os roubos e furtos de veículos, ao cortar o principal mecanismo de alimentação do desmanche ilegal, a iniciativa fez cair uma das principais causas de homicídios no país, já que 30% das mortes ocorriam durante assaltos aos motoristas. A reciclagem também barateou os preços do seguro e deu uma destinação correta aos resíduos sólidos. “O objetivo da lei foi mais focado no combate à fraude na carteira de automóvel do que nos benefícios ambientais”, diz Fabián Ponz, diretor do CCESVI Argentina, que é um dos palestrantes.

Redes sociais - A FenaCap planeja avaliar os efeitos do avanço das redes sociais e os desafios exigidos das empresas para se alinhar a consumidores cada vez mais exigentes e críticos. O tema será apresentado pelo professor Massimo Di Felice, coordenador do Centro de Pesquisa Atopos, da Universidade de São Paulo. O jornalista Ethevaldo Siqueira será destacado para avaliar a distribuição de produtos por novos canais digitais e os impactos prováveis para o mercado de seguros.

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Revista de Seguros – 47

Eduardo Freitas: “Queremos ouvir especialistas de mercados maduros sobre a questão de adequação do perfil de risco nos produtos de Vida e Previdência”


Associação de Genebra

Um novo vilão por trás dos eventos climáticos extremos Aquecimento dos oceanos influencia clima e desafia modelos tradicionais de avaliação de riscos das seguradoras Por ANTHONY KENNAWAY

H

á fortes evidências de que, nas últimas décadas, houve aquecimento das águas dos oceanos. Muitas pessoas remetem à atmosfera quando se fala sobre os efeitos das mudanças climáticas, mas o principal motor de impulso dos eventos globais extremos são os oceanos. Esta constatação mostra que as abordagens tradicionais de avaliação de riscos, baseadas exclusivamente em dados históricos, falham cada vez mais ao estimar as probabilidades dos eventos climáticos. O mais recente relatório da Associação de Genebra sobre o aquecimento dos oceanos e suas implicações para a indústria mundial de seguros examina as evidências da influência do aquecimento dos oceanos nas mudanças climáticas extremas e suas implicações para o setor de seguros. O documento traz quatro conclusões principais: ➔ Há novas e fortes evidências de que a temperatura das águas dos oceanos globais vem aumentando significativamente. Levando-se em conta que a energia do mar é o principal motor Revista de Seguros – 48

de eventos climáticos extremos, o aquecimento dos oceanos tem causado, efetivamente, uma mudança no sentido de “normalidade” para uma série de riscos de seguro relevantes. Esta mudança é quase irreversível, pois, mesmo que as emissões de gases de efeito estufa (GEE) fossem completamente interrompidas de imediato, a temperatura dos oceanos continuaria a subir. ➔ Num ambiente em constante mutação, causada pelo aquecimento dos oceanos, as abordagens tradicionais, fundamentadas unicamente em análise de dados históricos, estão cada vez mais longe de estimar corretamente as probabilidades de riscos atuais. É necessária uma mudança de paradigma dos métodos de avaliação de risco. ➔ Devido às limitações de previsão e compreensão científica dos eventos extremos em um ambiente mutável, é ambígua a probabilidade atual dos eventos climáticos extremos. Como consequência, as abordagens com base em cenários e modelagem de risco tornaram-se parte essencial da gestão de risco das empresas. ➔ Em algumas áreas de alto risco, o aquecimento do oceano e a mudança climática ameaçam a capacidade das seguradoras de estimar com precisão o risco de uma catástrofe em geral. Para evitar falhas de mercado, torna-se essencial acoplar a transferência de risco à mitigação de risco. ANTHONY KENNAWAY é chefe do Departamento de Comunicação Associação de Genebra


arquivo cnseg

Artigo Jurídico

IV Conferência Nacional de Meio Ambiente até 2014. Em paralelo, o Plano de Ação para Produção pretende mudar o paradigma de produção e de consumo no País, com a revisão O setor pretende trabalhar em do processo de produção e a promoção do reparceria com entes públicos aproveitamento de materiais, na busca de uma para influir de forma marcante adequada destinação desses resíduos. na construção de um Brasil Vale dizer que, nos últimos 10 anos, a população brasileira teve um crescimento modesto de menos poluidor 9,68%, enquanto, no mesmo período, o volume de resíduos aumentou 27%. O que vem a ser três vezes mais do que o crescimento demográfico e erá lugar na segunda quinzena de outuque indicada uma curva crescente de consumo, bro, em Brasília, a IV Conferência Nacional avassaladora. de Meio Ambiente. Por decisão da minisE aí entramos nós em cena. Nosso envolvitra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, mento irá desde o reaproveitamento das peças o tema central da conferência será “Resíduos Sólide automóveis pelos desmontes legalizados, que dos”. A escolha do tema é mais que oportuna e de também se encarregam do descarte de materiais grande interesse para o setor de seguros. poluidores, até a elaInstituída a PolíEnvolvimento do mercado no boração de seguros de tica Nacional de Resíresponsabilidade civil duos Sólidos (PRNS) PNRS irá desde o reaproveitamento para danos ambientais pela Lei Nº 12.305/10 de peças de automóveis e outros. A subscrie regulamentada pelo até a criação de seguros de ção de seguros de Decreto Nº 7.404/10, responsabilidade civil que estabeleceu o responsabilidade civil para danos ambiental levará, forçomarco regulatório, ambientais. samente, as empresas ficaram definidas as demandantes a adotarem medidas de prevenção diretrizes para a redução da geração de resíduos de riscos e minimização de efeitos e um novo sólidos de toda natureza: domésticos, industriais, comportamento. eletroeletrônicos e outros, com exceção apenas Vale ainda ressaltar a contribuição a ser dada dos radioativos. pelo seguro de garantia estendida quanto ao A Lei 12.305/10 criou ainda a PNRS – o sistedescarte de peças e aparelhos substituídos, que ma de logística reversa – retorno dos produtos colocará esse produto, hoje pouco entendido, após o uso. Proposta ousada dentro do contexto como colaborador ativo do consumo sustentável. de responsabilidade compartilhada, a adoção O setor já desenvolveu – e poderá fazê-lo da logística reversa coloca todos os atores soainda mais – ações, recursos e produtos para ciais, inclusive o consumidor final, na cadeia de influir de forma marcante, em parceria com o responsabilização pela destinação dada a vários ente público, na construção de um Brasil menos resíduos. poluidor, mais consciente, menos desigual e mais O Plano Nacional de Resíduos Sólidos tem responsável pelo seu meio ambiente. como meta mais ousada a eliminação dos lixões

T

“

”

GLORIA FARIA Superintendente Jurídica da CNseg

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Revista de Seguros – 49


antonio penteAdo mendonça

Opinião

O Brasil às vésperas da mudança País precisa da proteção do seguro para auxiliar na redução das perdas causadas pelos eventos climáticos

“O Brasil está

entre as dez nações do mundo que registram os maiores prejuízos anuais gerados por eventos de origem natural, de acordo com a ONU. Divulgação

”

ANTONIO PENTEADO MENDONÇA, jornalista e especialista em Seguros e Previdência

F

az pouco tempo, as seguradoras envolvidas informaram que as inundações que atingiram a Alemanha, em junho, custariam algo como 3 bilhões de euros em indenizações. Segundo elas, anualmente, os eventos de origem climática que atingem aquele país custam 50 bilhões de euros. Assim, os danos provocados pelas enchentes não tinham o dom de desequilibrar as companhias, nem de afetar significativamente o resultado consolidado do mercado. O Brasil também sofre com os danos causados pelas chuvas, principalmente pelas enchentes e deslizamentos de encostas consequentes das tempestades que ciclicamente atingem o território nacional ao longo do ano. A diferença entre os dois países é que a Alemanha tem a proteção do seguro para auxiliar na minimização das perdas, ao passo que, no Brasil, as apólices de seguros patrimoniais, que cobrem este tipo de dano, são pouco comercializadas. A exceção é o seguro de veículos, no qual a garantia compreensiva indeniza os danos causados pelas águas. Revista de Seguros – 50

Durante décadas se falou que o Brasil era abençoado por Deus. Que aqui não ocorriam grandes catástrofes de origem natural. Que não tínhamos terremotos, maremotos, furacões, tornados, nevascas etc. Com o tempo, esta afirmação foi perdendo muito de sua verdade: aos poucos fomos descobrindo que não era bem assim. As tempestades de verão sempre caíram no Sul e no Sudeste. Santa Catarina foi atingida por um furacão. São Paulo assistiu à ocorrência de mais de um tornado. E as pragas cobram um alto preço da agricultura nacional. De acordo com a ONU, o Brasil está entre as dez nações do mundo que registram os maiores prejuízos anuais gerados por eventos de origem natural. A grande diferença dos países desenvolvidos é que eles têm produtos de seguros para estes riscos, ao passo que nós estamos engatinhando nesta matéria. Não que boa parte dos eventos não possa ser segurada. Pode. Os pacotes residenciais e empresariais contemplam danos decorrentes de vendavais, tornados, chuvas fortes, tempestades, granizo, queda de raio etc. Acontece que as garantias não são contratadas. As razões para isso dariam material para outro artigo e não precisam ser analisadas agora. Mas na base está o desconhecimento do produto seguro pela sociedade brasileira. Esta realidade vem se modificando. As seguradoras buscam crescer, oferecendo novos produtos, e a população busca proteção, contratando estes produtos. Em algum momento os riscos de origem natural serão a bola da vez e aí o setor de seguros terá que apresentar soluções semelhantes às dos países mais desenvolvidos. É apenas uma questão de tempo.

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Revista de Seguros Ano 89 nº 886 - Julho / Agosto / Setembro de 2013 by CNseg - Issuu