O Papel do Setor de Seguros nA TRANSIÇÃO Climática Documento de referência
Agosto 2025
O Papel Estratégico do Setor de Seguros no Enfrentamento das Mudanças Climáticas O setor de seguros figura como um dos pilares mais relevantes da economia global, com mais de USD 7 trilhões em volume anual de prêmios e USD 40 trilhões de ativos sob gestão. Como gestores de risco e investidores institucionais, as empresas seguradoras atuam na convergência entre risco, capital e geração de valor a longo prazo, o que confere ao setor capacidade e responsabilidade singulares para promover sociedades resilientes ao clima e impulsionar a transição para uma economia mais sustentável. Na América Latina, o Brasil é líder na região, respondendo por 43,4% do volume total de prêmios. Globalmente, ocupa a 12ª posição entre os maiores mercados do mundo, o que reforça sua crescente relevância no cenário internacional. No âmbito nacional, o setor desempenha papel fundamental na economia brasileira, oferecendo proteção financeira para indivíduos e empresas, ao mesmo tempo em que atua como investidor de longo prazo no desenvolvimento nacional. Atualmente, gerencia ativos equivalentes a cerca de USD 423,6 bilhões, financia cerca de 26% da dívida pública do país e gera receitas que correspondem a 6,4% do PIB. Essa relevância econômica gera uma exposição proporcional, tornando o setor particularmente sensível às mudanças climáticas e outros riscos socioambientais, que ameaçam ativos, cadeias produtivas, governos e pessoas. Assumir parte desses riscos exige rigor na subscrição e precificação, equilíbrio técnico das carteiras e manutenção de coberturas abrangentes e acessíveis. Simultaneamente, o tema confere ao setor um papel central na transição para uma economia de baixo carbono. Por meio da proteção de pessoas, organizações e governos, bem como do incentivo a práticas sustentáveis e viabilização de investimentos em setores críticos para a transição, o seguro atua como alavanca para a implementação de medidas de adaptação e mitigação climática. Dessa forma, não apenas absorve riscos, mas também promove uma transformação estrutural na economia.
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Um catalisador da transição climática e da economia verde
Ao ofertar proteção, o setor de seguros assegura a resiliência financeira da sociedade, evitando que perdas decorrentes de eventos adversos provoquem crises econômicas prolongadas. A indenização permite a retomada de atividades e a recomposição de renda, minimizando os impactos sociais e econômicos e evitando rupturas nas cadeias produtivas e nos serviços essenciais.
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Essa capacidade de absorver e redistribuir impactos financeiros pode reduzir a dependência de recursos públicos na gestão de crises, preservando a capacidade fiscal do Estado, permitindo direcionar investimentos para áreas como prevenção, adaptação climática e infraestrutura resiliente. Trata-se de um mecanismo que favorece a eficiência e a racionalidade na alocação dos recursos coletivos, minimizando a necessidade de ações reativas e respostas emergenciais fragmentadas. Os seguros também desempenham papel central na promoção da inclusão social e na proteção das populações mais vulneráveis, proporcionando segurança financeira, manutenção de renda e resiliência frente aos múltiplos desafios impostos pelas mudanças climáticas. Essa proteção cobre riscos de diferentes tipos, incluindo os riscos físicos, a exemplo dos eventos extremos, bem como os riscos de transição decorrentes das transformações econômicas e setoriais necessárias para a adaptação e mitigação climática. O setor ainda pode atuar como indutor de práticas sustentáveis na economia real. Ao incorporar critérios socioambientais na subscrição e precificação, cria um mecanismo que tem potencial de estimular a adoção de práticas sustentáveis pelos segurados. Dessa forma, o seguro pode tornar-se um instrumento que não apenas protege, mas também orienta comportamentos econômicos mais responsáveis e resilientes, que estimulam a redução de risco. Essa capacidade pode influenciar no prêmio das coberturas oferecidas, fazendo com que agentes econômicos passem a implementar medidas concretas, como reduzir emissões, melhorar a gestão de recursos naturais, adotar tecnologias mais limpas ou ampliar a resiliência de suas operações. Por fim, o setor de seguros desempenha um papel estratégico na viabilização de investimentos em áreas críticas para a transição econômica. Projetos que envolvem recuperação de áreas degradadas, adoção de práticas agrícolas sustentáveis e implantação de tecnologias limpas geralmente enfrentam dificuldade de financiamento, em razão da complexidade e do risco que esses investimentos sugerem. Ao reverter essa percepção e oferecer proteção financeira, o seguro reduz riscos para viabilizar os recursos necessários, permitindo que iniciativas inovadoras e de alto impacto socioambiental sejam implementadas.
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Superando Lacunas de Proteção e Construindo Resiliência Climática
Ao absorver parte dos riscos enfrentados pela sociedade, as seguradoras desempenham função central na precificação e na gestão de riscos socioambientais e climáticos que ocorrem de forma cada vez mais frequente e severa. Quando esses riscos alcançam caráter sistêmico e de grande magnitude, pode haver impacto no equilíbrio das carteiras, exigindo ajustes nas modalidades de cobertura ou nos valores do seguro. Trata-se de um desafio estrutural que o setor não pode enfrentar de forma isolada, o que reforça a 3
necessidade de abordagens integradas, que combinem instrumentos de transferência de riscos, políticas públicas, parcerias público-privadas e inovações financeiras, permitindo que o setor atue de forma eficaz e resiliente diante de desafios complexos. Globalmente, em 2024, desastres relacionados ao clima geraram perdas econômicas de USD 368 bilhões, das quais apenas 40% contavam com cobertura de seguros, revelando um gap de proteção de 60%. No Brasil, nos últimos 10 anos, as perdas econômicas provocaram prejuízos para a iniciativa privada estimadas em R$ 328 bilhões (cerca de USD 59 bilhões). Na catástrofe do Rio Grande do Sul, estado com a quarta maior arrecadação de prêmios do país, as perdas foram de cerca de R$ 100 bilhões (aproximadamente USD 18 bilhões), expondo uma lacuna de proteção estimada entre 90% e 95%. Esse indicador revela um quadro delicado nos países em desenvolvimento, como o Brasil, onde o gap de proteção supera em 30 pontos percentuais a média global (60%), demonstrando a urgente necessidade de expansão da cobertura seguradora e dos mecanismos integrados de mitigação de riscos. No Brasil, o baixo alcance do seguro compromete um dos princípios fundamentais do seguro – a distribuição de riscos, provocando uma antisseleção. A ampliação da base de segurados não apenas dilui os riscos, mas permite uma precificação mais adequada e acessível. Enquanto houver baixa contratação de coberturas relacionadas a desastres naturais será grande a dificuldade de subscrição de riscos, uma vez que os dados disponíveis não contribuem para formação de uma boa base de referência. A precariedade de dados dificulta decisões relacionadas à precificação e à tomada de riscos. Essa realidade, consequentemente, reduz o acesso da população aos seguros, o que dá continuidade a um ciclo de limitada proteção. Romper esse ciclo exige uma abordagem que considere a realidade socioeconômica brasileira, combinando expansão de cobertura, inclusão de populações vulneráveis, políticas públicas e inovação de produtos. Nesta direção, é fundamental contar com o engajamento coordenado de múltiplos agentes, incluindo investidores, governo, setor privado e organizações da sociedade civil. Fortalecer a cultura da proteção é essencial para ampliar a demanda espontânea e consolidar na sociedade a percepção do seguro como instrumento de resiliência e estabilidade financeira, parte do arcabouço nacional de proteção no contexto do novo cenário climático.
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Oportunidade Global: A COP30 e o Papel do Setor de Seguros
A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), em Belém – PA, constitui um momento ímpar para demonstrar o protagonismo do país na agenda climática global. Para o mercado segurador, a COP30 é uma oportunidade para o setor reafirmar seu papel estratégico na proteção social e de investimentos, além de destacar suas contribuições na transição para uma economia resiliente e de baixo carbono. A CNseg, ao organizar a Casa do Seguro — espaço de referência internacional durante a COP — busca reunir autoridades, representantes setoriais e de outros segmentos econômicos para debater desafios e estabelecer parcerias. Esse ambiente permitirá não apenas a discussão da pauta climática, mas também o intercâmbio de experiências e o lançamento de produtos e serviços. O mercado de seguros chega à COP30 com a responsabilidade de estabelecer um posicionamento inédito em relação ao seu compromisso com a sustentabilidade, particularmente com a agenda do clima. O objetivo central da CNseg é articular a presença do setor nos acordos e declarações resultantes da Conferência, sendo reconhecido como parte fundamental da solução para os desafios climáticos. As iniciativas apresentadas no Anexo I deste documento estão alinhadas aos eixos temáticos da Casa do Seguro, refletindo as prioridades do setor. Ao mesmo tempo, definem propostas e contribuições para o aprimoramento de políticas públicas e mecanismos de mercado.
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ANEXO I
A Agenda do Setor de Seguros para a Transição Climática
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seguro social de catÁstrofes
Os desastres hidrológicos representam, historicamente, a categoria de eventos climáticos extremos que mais causa mortes no Brasil e também uma das que mais geram prejuízos econômicos, tanto para o setor público quanto para o privado. Essas ocorrências – frequentemente agravadas por ocupação desordenada do solo, infraestrutura inadequada e ausência de sistemas eficazes de alerta e prevenção – geram impactos humanos e materiais, afetando de forma desproporcional populações vulneráveis e de baixa renda. Porém, mesmo diante de sua recorrência e gravidade, há no Brasil e em diversos países, uma expressiva lacuna de proteção contra esse tipo de risco. Em 2024, a lacuna na proteção global contra inundações foi de aproximadamente 75%, evidenciando que esse é um dos riscos climáticos físicos mais subsegurados. A reduzida cobertura de seguros voltados a esses eventos, somada à inexistência de mecanismos amplos de compensação para famílias e pequenos negócios, mantém a dependência quase exclusiva de recursos públicos emergenciais, frequentemente insuficientes e de liberação lenta. Nesse contexto, o Seguro Social de Catástrofe desponta como uma solução já adotada, com diferentes modelos, em diversos países, e atualmente em discussão no Brasil. Ao operar em escala nacional, o instrumento possibilita a formação de uma base ampla e diversificada de segurados, condição que viabiliza a precificação mais equilibrada, o compartilhamento dos riscos e a oferta de coberturas a custos acessíveis. Ao apoiar diretamente o Plano Nacional de Adaptação, o mecanismo cumpre não apenas a função de auxílio emergencial, mas também fomenta a disseminação da cultura do seguro e da gestão de risco, fortalecendo a confiança e a compreensão da população sobre produtos e serviços já existentes.
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Investimentos Sustentáveis
Como um dos maiores investidores institucionais do país, o setor de seguros detém potencial significativo para viabilizar projetos verdes que promovam a preservação ambiental e a transição para uma economia de baixo carbono.
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Diante do sucesso das emissões recentes de títulos soberanos sustentáveis no exterior, o setor propõe a ampliação dessa iniciativa no mercado doméstico, alinhada ao perfil de investidores institucionais, em especial seguradoras. Atualmente, o setor possui compromissos da ordem R$ 1,8 trilhão (ou aproximadamente a USD 353 bilhões) com seus clientes, que devem ser lastreados por ativos financeiros com parcela relevante alocada em títulos públicos federais de diferentes prazos e indexadores. Nesse contexto, a emissão de títulos soberanos sustentáveis no Brasil se apresenta como alternativa estratégica para alinhar a capacidade de investimento do setor de seguros com a necessidade de financiamento da agenda ambiental e climática do país, consolidando seu papel como catalisador da transição para uma economia de baixo carbono.
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Proteção de investimentos em infraestrutura
O seguro desempenha papel estratégico na viabilização de investimentos em infraestrutura, garantindo o cumprimento de obrigações contratuais e oferecendo segurança jurídica ao governo. Sua incorporação ampla aos projetos de obras e serviços de engenharia contribui para proteger os investimentos públicos, reduzir riscos de descumprimento e assegurar a continuidade das iniciativas essenciais ao desenvolvimento econômico e à transição para uma economia resiliente e sustentável. A nova Lei de Licitações (Nº 14.133/21) representa avanço relevante ao permitir a inclusão da cláusula de retomada (step in), que possibilita à seguradora, em caso de descumprimento ou não conclusão da obra, assumir diretamente sua execução em vez de apenas indenizar o contratante. Esse mecanismo assegura a continuidade dos projetos, minimiza paralisações e fortalece a efetividade do Seguro Garantia na proteção do interesse público. O setor defende avanços legislativos que ampliem a aplicação dessa cláusula em projetos estratégicos, como os do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), com investimentos estimados em R$ 1,7 trilhão. A exigência do seguro como instrumento de mitigação de riscos de danos e descumprimento contratual é fundamental para garantir a conclusão efetiva das obras e fortalecer a segurança jurídica e financeira dos projetos, muitas vezes paralisados atualmente.
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Seguro Rural & Fundo Rural
Diante do agravamento das perdas no campo, o seguro rural tornou-se instrumento estratégico não apenas para a segurança financeira dos agricultores, mas também para a manutenção da atividade agropecuária no Brasil, setor que desempenha papel central
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na segurança alimentar global. Apesar de sua relevância, atualmente apenas 7,7% da área agrícola cultivada no país conta com cobertura, atendendo cerca de 87 mil produtores, um percentual ainda baixo frente aos cinco milhões registrados. A ampliação do seguro rural é fundamental para fortalecer a resiliência climática do setor agropecuário, proporcionando proteção contra perdas excepcionais decorrentes de eventos climáticos extremos e riscos socioambientais. Nesse sentido, o setor apoia a modernização do Fundo de Seguro Rural transformando-o em um instrumento de estabilização capaz de absorver choques, garantindo a continuidade da produção a longo prazo. O modelo proposto prevê que o Fundo combine aportes da União com contribuições de seguradoras e resseguradoras, ampliando a capacidade de cobertura e reduzindo vulnerabilidades. Dessa forma, o seguro rural, aliado a mecanismos como o Fundo, atua como um instrumento de mitigação de riscos, promovendo estabilidade financeira para produtores e fortalecendo a capacidade do setor agropecuário de enfrentar os desafios climáticos, assegurando a continuidade da produção e sua contribuição para a economia e a segurança alimentar.
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HUB de Inteligência Climática
O Brasil carece de um polo estruturado de produção de conhecimento sobre os efeitos das mudanças climáticas no setor de seguros, bem como de ferramentas práticas e adaptadas à realidade nacional. O uso de bases e ferramentas para a gestão de riscos climáticos ainda é limitado no país, e os dados externos disponíveis exigem tratamento e análise cuidadosa para estabelecer relações de causa e efeito aplicáveis ao setor. Nesse contexto, a CNseg desenvolve o HUB de Inteligência Climática, com o objetivo de se tornar referência na produção de informações qualificadas para o setor segurador, oferecendo análises especializadas e ferramentas práticas que apoiem a tomada de decisão e o fortalecimento da resiliência. O HUB será implementado por módulos, iniciando em 2025 com o Módulo I, que prevê três entregas principais: •
Relatório Periódico: Publicação anual com análise do panorama de eventos climáticos extremos no Brasil e sua correlação com o setor de seguros, fornecendo diagnóstico contínuo dos efeitos socioeconômicos e seguradores dos desastres naturais.
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Ferramenta de Conformidade para Seguro Rural: Apoia a decisão das seguradoras, permitindo avaliar a aderência socioambiental dos proponentes com base na legislação, regulação setorial e critérios voluntários.
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Ferramenta de Gestão de Riscos Climáticos Físicos: Permite uma avaliação qualitativa da exposição ao risco de itens segurados considerando sua localização geográfica, fortalecendo a precificação adequada, a cobertura e a resiliência do portfólio segurador.
Ao gerar inteligência aplicada e integrada, o HUB contribui diretamente para superar lacunas históricas de proteção, ampliar a base de segurados e fortalecer a capacidade do setor de absorver e redistribuir riscos climáticos, consolidando um ambiente mais seguro, resiliente e preparado para enfrentar eventos extremos e complexos.
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Taxonomia Sustentável em Seguros
A Taxonomia Sustentável Brasileira (TSB) oferece ao setor de seguros a oportunidade de influenciar práticas sustentáveis por meio de decisões de subscrição, indo além da simples mobilização de capital. Ela estabelece um alicerce para que seguradoras desenvolvam e adaptem produtos e serviços voltados a setores e projetos estratégicos para o desenvolvimento sustentável do país. Enquanto crédito e investimentos fomentam diretamente atividades econômicas, os seguros exercem uma função estratégica distinta, atuando na mitigação e adaptação de riscos e na prevenção de danos às atividades econômicas, especialmente em relação a questões socioambientais e climáticas. Portanto, a classificação de seguros como sustentáveis deve considerar diversos parâmetros de análise, tais como o objeto segurado, o tomador do seguro, o comportamento do segurado, entre outros fatores. Reconhecer essa particularidade garante que o setor continue a ser uma ferramenta estratégica para fomentar práticas empresariais responsáveis e sustentáveis. Nesse contexto, está em estudo a criação de uma taxonomia própria para seguros sustentáveis, que permitirá aprimorar a atuação do setor em toda a cadeia de valor e alinhar suas práticas aos objetivos socioambientais e climáticos da taxonomia nacional.
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Seguros para Soluções Baseadas na Natureza
A CNseg tem promovido debates com o setor de seguros sobre o papel das seguradoras no apoio a projetos de Soluções Baseadas na Natureza (SbN). O objetivo é desenvolver produtos de seguro que assegurem a viabilidade operacional e financeira desses projetos, reduzindo riscos e viabilizando o acesso a financiamentos para ampliar sua escala e impacto.
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As SbN podem fornecer até 37% da mitigação necessária para manter o aquecimento global abaixo de 2°C, o que evidencia seu papel estratégico no enfrentamento da crise climática. O Brasil, por sua vez, possui uma vocação natural e privilegiada para liderar esse movimento. O país abriga a maior floresta tropical do mundo, a Amazônia, e dispõe de vasto potencial para geração de créditos de carbono, além de práticas sustentáveis como o manejo florestal sustentável e a agricultura de baixo carbono. Esse potencial não apenas contribui de forma significativa para a mitigação das mudanças climáticas, mas também fortalece a conservação e o uso sustentável dos recursos naturais, promovendo um desenvolvimento ambientalmente responsável e economicamente viável. Estudos recentes apontam que o Brasil pode atrair cerca de US$ 3 trilhões em investimentos até 2050 e consolidar-se como um hub global de soluções climáticas. Nesse contexto, o setor de seguros desempenha um papel central como engrenagem fundamental na valorização dos ativos naturais e na cadeia de produção sustentável. Ao mitigar riscos e oferecer proteção para investimentos em SbN, o setor de seguros contribui para ampliar a participação dessas soluções na economia nacional, potencializando seu impacto positivo no PIB e reforçando o papel das SbN como instrumentos de adaptação e mitigação climática. Essa atuação não apenas fortalece a sustentabilidade ambiental, mas também posiciona o seguro como catalisador de investimentos estratégicos e de longo prazo, integrando proteção, resiliência e desenvolvimento econômico.
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ANEXO II
Dados do Setor de Seguros
01
Estrutura e Dimensão do Mercado (set2025 |Apresentação Institucional)
Número de empresas: •
138 seguradoras (supervisionadas Susep)
•
13 entidades abertas de previdência complementar
•
127 empresas de resseguros
•
18 sociedades de capitalização
•
898 seguradoras e operadoras de planos de saúde suplementar
Empregabilidade: •
270,2 mil empregos (diretos)
•
144,7 mil corretores
02
Participação do Mercado de Seguros na Economia
•
Financia 26,4% da dívida pública nacional.
•
R$ 2,5 trilhões: reserva constituída para repor patrimônio e garantir renda às famílias brasileiras.
•
6,4% do PIB: arrecadação setorial.
•
R$ 70 bilhões em impostos arrecadados (média anual).
03
ALCANCE DO SEGURO NO BRASIL
A lacuna de proteção de seguros representa um risco para os brasileiros e para a economia do país.
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Os dados a seguir evidenciam a necessidade de ampliar o alcance do seguro no Brasil e destacam um quadro preocupante que a CNseg tem se empenhado para transformar. •
Apenas 30% da frota nacional de automóveis ou 21 milhões de veículos contam com seguro automotivo.
•
Somente 25% das residências brasileiras ou 11 milhões de domicílios estão cobertos por seguro residencial. (2022 – último dado disponível).
•
Apenas 8% da área agrícola cultiva do país ou 7,3 milhões de hectares de área plantada estão cobertos pelo seguro rural
•
Planos de previdência privada são contratados por somente 10% população economicamente ativa ou 14,1 milhões de pessoas
•
Planos de saúde suplementar são contratados por apenas um quarto da população brasileira: 26% ou 52,2 milhões de pessoas.
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