Um Novo Amanhecer
Jul - Ago 2022 / Covid-19
As tradicionais “Festas de Agosto” estão se aproximando e, embora aconteçam em pleno inverno, se parecem mais com a “primavera” já que fazem despontar na cidade e seu entorno, alegria e entusiasmo próprios do local e de sua gente. São festejos que constituem um verdadeiro legado, passado de geração em geração, mantendo-se íntegro e saudável para o bem da própria cidade. Isto se deve, principalmente, à Paróquia São Roque que com responsabilidade e dedicação procura manter esses festejos no trilho correto. Faz dois anos que a Paróquia não festeja seu Santo Padroeiro! A Covid-19 nos obrigou a percorrer uma Via Dolorosa, abraçar a cruz, sentir seu incômodo e pisar em pedregulho. Foram anos de espera inquieta que marcaram dolorosamente nossas almas como Igreja e como Grande Família. No entanto, animados pela fé e pela certeza de que o Senhor caminha conosco, fomos nos ajeitando neste novo percurso. A fé nos fez prosseguir na caminhada! Apesar das tormentas, a barca navegou e chegou a seu porto seguro! É esta experiência coletiva envolvendo incertezas, riscos e dramas que as Festas de Agosto de 2022 querem focar em sua abertura. Experimentamos o peso do isolamento e distanciamento social. Assistimos a vidas sendo ceifadas em escalas nunca registradas anteriormente e enterros feitos às pressas sem assistência de familiares. Não obstante tantas sombras e ondas ameaçadoras, a chama da Esperança continuou viva, iluminando e aquecendo corações nobres que não mediam esforços para, simplesmente, servir e salvar vidas! A Esperança apontava para “Belos Horizontes” já que a Vida há de prevalecer sobre a Morte! O Desfile da abertura das próximas Festas abordará, portanto, a experiência da Vida Nova: Ressurgimento, Renascimento e Recuperação. NOVO AMANHECER! Enquanto há vida, persiste a esperança! E é esta Esperança que nos faz lutar, suportar e prosseguir. Existe no ser humano uma índole colocada pelo Criador, para confiar, acreditar e buscar novos e belos horizontes, inclusive, em tempo de pandemia, transtornos e desastres naturais! Entre os carros alegóricos que enfeitarão o início das festas se destacará a Arca de Noé em pleno dilúvio! A Arca era como se fosse um “grande baú” feito de madeira que serviu como abrigo para Noé, sua família e familiares, animais e posses conforme o relato bíblico (Gn 6,9-22). O dilúvio perdurou dias e suas consequências foram catastróficas (Gn 7,124). Porém, Noé foi salvo e, passado o dilúvio, ergueu um altar sobre o qual ofereceu holocaustos em agradecimento ao Senhor (Gn 8,20). Foto: Dema Cavalcanti
Edição Especial nº 36
A grande arca quer representar o Brasil em meio à tormenta da Covid-19 e tantas outras catástrofes que castigaram o país como: as enchentes na Bahia, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. A barca foi envolvida por ondas ameaçadoras que causaram medo e perplexidade nas autoridades e na população. Tantos transtornos! Tantos desalentos! Tantas revoltas! Porém, não faltaram esforços de pessoas que, no intuito de salvar outras, arriscaram a própria vida pelos serviços prestados em locais de pronto atendimento e em Unidades de Terapia Intensiva junto àqueles que desenvolveram os sintomas mais graves da doença. A tais pessoas o grande agradecimento da população! Indispensável foi a FÉ neste momento turbulento. Ela serviu como luz, força e consolo. Merece destaque o papel de Noé agradecendo a Deus pela salvação que obteve. Ele fez um altar e ofereceu sacrifícios e holocaustos, e aí se realizou a primeira Aliança de Deus com a humanidade registrada no Livro Sagrado. O Senhor fez surgir no céu o arco-íris: “Ponho meu arco nas nuvens, como sinal da aliança que estabeleço entre mim e vós e todos os seres vivos que estão convosco, por todas as gerações futuras” (Gn 9,12). A referência a Noé, sua arca e o arco-íris foi inspirada na arte sacra que adorna a Igreja Matriz São Roque. Observase, no presbitério do Templo acima do quadro do profeta Elias, a alusão a este pacto após o dilúvio destruidor. Um Novo Amanhecer brilhou sobre o Mundo. Uma nova oportunidade foi dada para um novo recomeçar. Eis o segredo da mensagem! O Planeta Terra foi pensado para ser nossa “Casa Comum”, nossa “Arca” e nosso “Jardim”. Que nós saibamos cuidar dele! Que as Festas de Agosto contribuam para este belo e nobre fim! Pe. Daniel Balzan - Pároco