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Boletim Informativo "Igreja Viva e Peregrina" jan-fev 2023

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ESPERANÇA: VIRTUDE QUE NOS FAZ CAMINHAR

Ano XXV - nº 156

Acabamos de festejar as festas de fim de ano e do ano novo, e até este Boletim Paroquial chegar às mãos de nossos leitores, a vida já terá voltado à normalidade. Mas continua ecoando aquela saudação tantas vezes repetida na virada do ano: “Feliz Ano Novo”, como que apontando para algo mágico e bom, mesmo sabendo que a vida continua com seus múltiplos desafios. Trata-se, obviamente, de uma saudação enunciada sob fortes emoções e congraçamentos. Mas nem por isso deve ser rejeitada! Festejar faz bem e desejar melhoras aos demais, melhor ainda! No entanto, o que está por trás destas congratulações é o desejo de um futuro sempre melhor alicerçado na Esperança que norteia o homem. Aliás, sem esta virtude não se caminha, já que a vida é feita de um caminhar lento, cheio de desafios a serem vencidos. Isto é válido para a vida pessoal, familiar e social. Viver é se aventurar rumo ao futuro. Não se confunde esta virtude com uma simples espera passiva. Ao contrário, trata-se de um ímpeto que faz avançar. A esperança é tão importante que a sabedoria popular a cunhou na alma do povo simples. Diversos são os ditos populares que traduzem bem este desejo. Conhecidos são os ditados: “A esperança é a última que morre”... “Não desista dos seus sonhos”... “Um dia a tempestade há de passar”... Todas essas falas expressam verdades, fruto de experiências vividas e apontam para um novo amanhecer. Até nos piores pesadelos se pode vislumbrar uma luz. Basta querer enxergá-la! Mas, voltando ao ditado acima, a esperança não pode morrer, pois, morrendo não haverá mais jeito! Ela é a última que morre! O filósofo da Grécia Antiga, Aristóteles, expressava-se de modo semelhante quando afirmava: “a esperança é o sonho do homem acordado!” Somente estando acordado se pode sonhar! E este sonho se chama Esperança! Quando um sujeito vegeta e não vive, perde a capacidade de sonhar e recomeçar. Mas temos outro motivo para falar da Esperança. Para nós cristãos, a esperança é um dom divino plantado na alma humana; dom que impulsiona para seguirmos adiante, na certeza de que Deus caminha conosco. Além de ser uma virtude humana, a esperança é uma Virtude Divina. Daí o nome desta Virtude na catequese da Igreja - “Virtude Teologal”. Aliás, este ensinamento consta na arte sacra que adorna nossa Igreja Matriz. Repara-se, nos quadriláteros no teto da nave central junto à porta principal e ao presbitério, as iconografias referentes à Fé, à Esperança e à Caridade.

Janeiro / Fevereiro 2023

O símbolo da Virtude da Esperança (Spes) é a “âncora” nas mãos do Serafim, ao lado da Virtude da Caridade (Caritas) simbolizada pelo “coração ardente” nas mãos do Arcanjo. O símbolo da “âncora” é proposital. A âncora, firme e segura, mantém protegida a embarcação flutuante. Ela quer afirmar que Deus é nossa Esperança. A promessa feita a Abraão é o juramento do próprio Deus (Gn 22,16-17): Javé nunca deixa seu Povo desprotegido. Ele é Deus Conosco!

Mas tem outro detalhe! A âncora possui uma corda à qual o cristão deve se agarrar. A Carta aos Hebreus traz referência a este pormenor: “...Tudo deixamos para nos agarrar firmemente à esperança que nos foi oferecida. Ela é segura e firme, é penetrante...” (Hb 6,18-19). E aqui o autor bíblico aponta para Jesus! O cristão tem algo seguro e firme que lhe dá segurança: Cristo Senhor! Deus se empenhou radicalmente com o futuro e a salvação dos homens, e esse futuro e salvação se tornaram realidade em Cristo. Sem esta âncora, a correnteza do mundo nos levará a perigosos naufrágios. Hoje, fala-se muito de “âncora fiscal” que se faz necessária para a estabilidade econômica do país. A âncora do cristão é o Senhor! No entanto, esta catequese só tem sentido para o cristão “acordado” e vigilante. E, quanto ao discípulo “acordado”, o próprio Jesus salienta em sua parábola: “Felizes os servos que o senhor encontrar acordados quando chegar. Em verdade, vos digo: ele mesmo vai arregaçar sua veste, os fará sentar à mesa e passará a servi-los” (Lc 12,38). Quando se cochila na fé acaba dormindo e passa o risco de não abrir as portas para o Noivo que volta numa hora imprevista (Mt 25,6). A tais pessoas o Senhor chama de “insensatas” (Mt 25,2). E à luz desta perspectiva que o nosso “Feliz Ano Novo” ganha sentido, pois aponta para um horizonte que se deve contemplar de olhos abertos! Queremos contribuir para que o mundo seja melhor! Feliz Ano Novo! Caminhemos na esperança de dias melhores!

Pe. Daniel Balzan - Pároco


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Boletim Informativo "Igreja Viva e Peregrina" jan-fev 2023 by Comunicação Paróquia São Roque - Issuu