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#23 | Pocket Magazine Softex

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Softex – Associação para Promoção da Excelência do Software Brasileiro

Presidente da Softex

Christian Tadeu

Vice-presidente da Softex

Diônes Lima

Coordenação do projeto

Renata Blatt

@2026 – Revista Softex – Associação para Promoção da Excelência do Software Brasileiro. Uma publicação institucional. Qualquer parte desta obra pode ser reproduzida, desde que citada a fonte.

Jornalista responsável

Fabrício Lourenço – DF2887 JP

Assessoria de Imprensa (MLP)

Karen Kornilovicz

Mário Pereira

Revisão

Karine Serezuella

Diagramação e projeto gráfico

Paula Oliveira

Promove Digital

Vivemos um momento em que discutir tecnologia deixou de ser apenas falar sobre inovação. Hoje, falar de tecnologia é discutir soberania, competitividade, educação, inclusão e futuro. E o Brasil começa a compreender, de forma cada vez mais clara, que o desenvolvimento tecnológico não acontece por acaso, ele é construído por meio de estratégia, articulação e investimento em pessoas.

Nesta edição, a Revista Softex reúne temas que ajudam a entender os movimentos que estão transformando o setor de TIC no país e no mundo. Da inteligência artificial à formação de talentos, da presença brasileira em eventos internacionais à diversidade no setor tecnológico, trazemos conteúdos que revelam um ecossistema em constante evolução e cada vez mais conectado aos desafios globais.

A participação histórica do Brasil na Hannover Messe 2026, os estudos do Observatório Softex sobre IA, os debates sobre capacitação para o futuro do trabalho e as reflexões sobre inclusão e sustentabilidade mostram que inovação não se resume à tecnologia em si, mas ao impacto que ela produz na sociedade.

Mais do que acompanhar tendências, é preciso preparar o país para liderar transformações. E essa construção passa, necessariamente, pelo fortalecimento do ecossistema nacional de inovação, pela formação de profissionais qualificados e pela capacidade de conectar conhecimento, mercado e desenvolvimento social.

Boa leitura!

SUMÁRIO

Formação em tecnologia enfrenta gargalos no Brasil e pode limitar competitividade da economia digital, aponta Observatório Softex

10 Adoção de IA no Brasil dobra em dois anos, mas autonomia tecnológica não acompanha o ritmo, aponta Observatório Softex

MERCADO INTERNACIONAL

Brasil encerra participação histórica como país parceiro na Hannover Messe 2026

14

Brasil IT+ supera US$ 1,1 bilhão em exportações e consolida a tecnologia nacional no exterior

Democratizar o acesso à IA e às habilidades digitais é estratégico para o futuro da economia brasileira

SOFTEX MULHER

caminhos práticos para ampliar a liderança feminina na tecnologia

Estudo aponta riscos de vieses de gênero em sistemas de IA usados por jovens

SUMÁRIO

ACONTECE NO SETOR

Assespro celebra 50 anos de liderança e representatividade na TI brasileira 28

Parceria entre FIESC e Softex acelera a transformação digital da indústria catarinense

COMPLIANCE

Gartner revela o que diferencia empresas que lucram com IA 31

Compliance fortalece governança e sustentabilidade das instituições de inovação

ARTIGOS

A infraestrutura invisível da IA: como resfriar data centers sem comprometer o planeta

EVENTOS

Treinamentos periódicos: quando a integridade ganha voz

A oportunidade do Brasil para liderar a transição energética global impulsionada por IA 42

Softex defende estratégia nacional para autonomia tecnológica em painel do XI Congresso da ABIPTI

Formação em tecnologia enfrenta gargalos no Brasil e pode limitar competitividade da economia digital, aponta Observatório Softex

aponta

Aformação de profissionais em áreas estratégicas da economia digital no Brasil ainda enfrenta entraves estruturais que podem comprometer a competitividade do país nos próximos anos. A avaliação é do artigo “Educação e Capacitação em TIC para o Futuro do Trabalho”, publicado pelo Observatório Softex, unidade de pesquisa e inteligência estratégica voltada ao apoio de políticas públicas para o setor de Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs).

A economia digital brasileira segue em expansão e já se consolidou como eixo relevante do desenvolvimento econômico. Em 2024, o setor de Software e Serviços de TIC registrou saldo positivo de mais de 36 mil vagas, com crescimento expressivo nos segmentos de serviços em TI (125%) e indústria de software (104%), segundo dados do estudo de TIC 2025 do Observatório Softex.

ESCASSEZ DE TALENTOS EXPÕE DESCOMPASSO ESTRUTURAL

A presença da tecnologia também se amplia em toda a economia. Hoje, cerca de 799 mil profissionais de TI atuam em outros setores produtivos, número superior aos 491 mil empregados diretamente na indústria de TIC, evidência de que as competências digitais se tornaram transversais a áreas como indústria, agronegócio, saúde e logística.

Apesar do avanço da demanda, o país enfrenta um paradoxo: faltam profissionais qualificados mesmo com a expansão da oferta de cursos. As taxas de evasão em graduações de TI podem chegar a 42%, enquanto apenas 4,2% da população possui habilidades digitais avançadas.

O descompasso é ainda mais evidente em áreas específicas. No mercado de jogos digitais, o Brasil é o maior da América Latina e o décimo do mundo, com movimentação de US$ 2,6 bilhões em 2023 e mais de mil estúdios ativos. Ainda assim, a formação formal é limitada: são 141 cursos superiores e cerca de 1.439 concluintes, com evasão que chega a 66%.

Na indústria de semicondutores, estratégica para a soberania tecnológica, o cenário também é desafiador. O mercado brasileiro deve crescer de US$ 15,08 bilhões para US$ 17,19 bilhões até 2030, enquanto 26% dos empregadores já apontam o setor como vetor de transformação.

Projeção de movimentação do mercado nacional de semicondutores até 2030.

US$ 2,6 bi

Movimentação do mercado de jogos no Brasil, consolidando o país como o 1º da América Latina.

Profissionais de TI atuando em outros setores, além da indústria de tecnologia.

Saldo positivo de novas vagas geradas no setor de TIC em 2024.

36 mil 50% 4,2% 42%

Das contratações em TIC já não exigem diploma de ensino superior completo.

Taxa de evasão registrada em graduações tradicionais de TI no país.

Da população brasileira possui, hoje, habilidades digitais avançadas.

No plano global, a demanda por profissionais pode superar 1 milhão até o fim da década.

CONVERTER FORMAÇÃO EM TALENTO É O PRINCIPAL DESAFIO

Diante desse cenário, o estudo defende a adoção de modelos de formação mais ágeis e conectados ao mercado. Iniciativas como bootcamps, cursos técnicos, laboratórios maker e programas intensivos ganham espaço ao complementar a formação tradicional.

A inclusão produtiva também se destaca como fator estratégico. Com 5,1 milhões de lares sem acesso à internet e cerca de 20,5 milhões de brasileiros excluídos digitalmente, ampliar o acesso à capacitação tecnológica é visto como caminho para expandir a base de talentos e reduzir desigualdades.

“A formação em TIC precisa ir além da ampliação da oferta de cursos. O desafio central é garantir permanência, desenvolver competências práticas e fortalecer a conexão com o mercado de trabalho”, afirma Rayanny Nunes, coordenadora de Inteligência e Design de Soluções da Softex.

O estudo conclui que o principal entrave não está apenas em formar mais profissionais, mas em converter interesse e acesso em qualificação

efetiva e inserção no mercado. Atualmente, até 50% das contratações formais no setor de TIC já não exigem ensino superior completo, o que sinaliza uma mudança na dinâmica de qualificação. Nesse cenário, a formação em TIC se consolida como uma agenda estratégica, cuja capacidade de integrar educação, inovação e mercado será determinante para ampliar a produtividade, sustentar o crescimento da economia digital e posicionar o Brasil em setores de maior valor agregado.

CLIQUE AQUI E BAIXE GRATUITAMENTE A ÍNTEGRA DO ARTIGO “EDUCAÇÃO E CAPACITAÇÃO EM TIC PARA O FUTURO DO TRABALHO”

OBSERVATORIO SOFTEX

Adoção de IA no Brasil dobra em dois anos, mas autonomia tecnológica não acompanha o ritmo, aponta Observatório

Softex

Aadoção de inteligência artificial pelas empresas brasileiras saltou de 16,9% para 41,9% entre 2022 e 2024, ritmo acima da média da OCDE. O crescimento, porém, ainda não se converteu em autonomia tecnológica nem em geração local de valor. O diagnóstico é do policy brief “Diretrizes Estratégicas para uma Inteligência Artificial Brasileira”, divulgado pelo Observatório Softex, unidade de pesquisa e inteligência estratégica voltada ao apoio de políticas públicas para o setor de Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs).

Embora a adoção de IA tenha saltado de 16,9% para 41,9% entre 2022 e 2024, acima da média da OCDE, o documento alerta que esse dinamismo ainda não se converteu plenamente em capacidade produtiva, soberania computacional e captura local de valor. Como destaca o levantamento, “a questão central é com

que grau de autonomia, capacidade produtiva e equidade distributiva o país navegará essa transformação”.

O conteúdo mostra que o Brasil reúne ativos estratégicos raros entre economias emergentes: 198 data centers projetados para 2026, matriz elétrica 88,2% renovável, liderança regional em software e serviços de TIC e um ecossistema crescente de modelos de linguagem em português, com 38 modelos de IA avançados (LLMs) desenvolvidos entre 2020 e 2024. No entanto, gargalos persistem. Segundo o trabalho, 37% das empresas apontam escassez de especialistas em TI como principal barreira à adoção de IA, enquanto 45% ainda operam sem política formal de segurança digital, ampliando vulnerabilidades em um cenário de ataques cada vez mais sofisticados.

BRASIL CORRE RISCO DE SE TORNAR PLATAFORMA DE INFRAESTRUTURA ESTRANGEIRA, ALERTAM PESQUISADORES

Nesse contexto, o Programa IA² MCTI e o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA 2024–2028) surgem como instrumentos vitais para reverter a dependência tecnológica e fortalecer a capacidade nacional de inovação. O IA² MCTI acelerou 35 projetos em 20 cidades de 14 estados, com 85,7% de participação de startups e avanço expressivo em maturidade tecnológica. A média do nível de maturidade tecnológica (TRL) dos projetos aumentou de 3,46 para 6,46 ao longo do ciclo, demonstrando avanço consistente rumo às aplicações práticas. Já o PBIA estrutura R$ 1,15 bilhão em formação de talentos, pesquisa aplicada e infraestrutura crítica.

O documento também alerta para riscos estratégicos associados à infraestrutura digital. Com a rápida expansão de data centers operados por empresas globais, o país pode se tornar apenas um hospedeiro de infraestrutura estrangeira sem desdobramentos produtivos locais. De acordo com o policy brief, o risco sistêmico é o país se tornar uma plataforma de infraestrutura estrangeira sem assegurar soberania de dados. A recomendação dos pesquisadores é vincular incentivos como o REDATA a contrapartidas obrigatórias de P&D nacional, transferência tecnológica e regulamentação de data residency para dados sensíveis do Estado.

Outro eixo crítico é o trabalho. O levantamento mostra que 79% dos desenvolvedores já utilizam ferramentas de IA regularmente, mas a adoção é cautelosa em etapas críticas, indicando uma reorganização do trabalho em direção à supervisão, integração e governança de sistemas inteligentes. Ao mesmo tempo, o déficit de profissionais qualificados se agrava com evasão de 34% em cursos presenciais de TIC e 42,6% no ensino a distância. O documento destaca que encurtar essa distância requer não apenas expansão de vagas, mas revisão do que se ensina e como se conecta a formação às trajetórias de inovação.

Entre as principais recomendações estão: consolidação do LLM Nacional como infraestrutura pública; vinculação do REDATA a contrapartidas obrigatórias de P&D e transferência tecnológica; e revisão curricular em TIC com trilhas para perfis emergentes como AI Security Engineer e Auditor Algorítmico.

O relatório conclui que o Brasil tem condições objetivas de transitar de usuário qualificado a produtor competitivo de IA, desde que integre infraestrutura soberana, base produtiva em chips e software, força de trabalho qualificada e marcos regulatórios robustos.

Segundo Rayanny Nunes, coordenadora de Inteligência e Design de Soluções da Softex, “a janela de oportunidade é real, mas estreita, e as posições competitivas tendem a se consolidar nos próximos três a cinco anos. A coordenação entre Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Ministério da Educação (MEC), Ministério das Comunicações (MCOM), Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e sociedade civil será decisiva para transformar o atual ciclo de adoção em capacidade endógena de projetar, operar e governar sistemas inteligentes alinhados às prioridades nacionais”, afirma.

A íntegra do novo policy brief

“Diretrizes Estratégicas para uma

Inteligência Artificial Brasileira” está disponível para ser baixada gratuitamente no endereço

https://observatorio.softex.br/ policybrief/

SAIBA MAIS

Brasil encerra participação histórica como país parceiro na Hannover Messe 2026

Ao longo de cinco dias de programação intensa na Hannover Messe 2026, o Brasil consolidou sua presença como país parceiro da maior feira industrial do mundo, realizada entre 20 e 24 de abril, na Alemanha. “Foi o fechamento de um ciclo construído ao longo de dois anos, com forte engajamento das empresas e resultados concretos em geração de negócios”, resume Maria Paula Velloso, diretora de negócios da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil).

Segundo ela, a presença de cerca de 140 empresas brasileiras no evento demonstrou, na prática, a capacidade do país de atuar em pé de igualdade com a indústria europeia. A percepção é compartilhada por Gabriela Silva, líder da célula de internacionalização da Softex. “Mais do que uma vitrine, foi uma estratégia coordenada de inserção global, que reforça a imagem do Brasil como um ator relevante no universo da tecnologia e da inovação”, complementa.

Por Karen Kornilovicz

Nesta edição, a Hannover Messe reuniu 3 mil expositores e recebeu 110 mil visitantes de 146 países. A participação de startups, empresas e instituições de ciência e tecnologia foi realizada com o apoio do Brasil IT+, iniciativa da ApexBrasil em parceria com a Softex. O programa, hoje o maior do país nesse segmento, já apoiou mais de mil empresas, gerando mais de US$ 1,1 bilhão em exportações nos últimos dois anos.

Para Bruno Eisinger, cofundador da Infinite Foundry, esta edição marcou um salto qualitativo.

“O mercado europeu já reconhece a tecnologia brasileira. O que vimos agora foi uma discussão mais madura sobre temas como gêmeos digitais, abrindo espaço para novos modelos de negócio”, afirma.

A escolha do Brasil como país parceiro ocorre em um momento de mudança. A retomada da política industrial, impulsionada pela Nova Indústria Brasil, e a entrada em vigor do acordo Mercosul–União Europeia ampliam as possibilidades de integração produtiva e tecnológica. Nesse cenário, a Alemanha, uma das maiores economias do mundo e tradicional parceiro comercial brasileiro, ganha ainda mais relevância como porta de entrada para o mercado europeu. A aproximação vista em Hannover sinaliza não apenas interesse mútuo, mas uma convergência crescente em temas como digitalização industrial, transição energética e manufatura avançada.

A presença contínua no evento, segundo ele, tem permitido às empresas brasileiras ajustar sua abordagem e compreender melhor as dinâmicas locais, um fator decisivo para avançar em contratos e parcerias.

A mesma leitura aparece no setor de plataformas digitais. Fernando Cymrot, fundador da CWS Platform, destaca a importância da feira como ponto de aceleração da estratégia internacional. Com mais de uma década de atuação e presença em diferentes segmentos industriais, a empresa vê na Europa um mercado natural para expansão. “Estar na Hannover Messe com uma comitiva estruturada amplia as conexões e encurta o caminho para novos negócios”, analisa.

ICTS BRASILEIRAS AMPLIAM

PRESENÇA INTERNACIONAL

A participação das instituições de ciência e tecnologia (ICTs) brasileiras reforçou um movimento importante: a internacionalização como estratégia permanente, e não esporádica. Com operações consolidadas em Portugal e acordos em expansão na Europa, o Vertex chegou à feira com uma agenda robusta. A instituição já mantém contratos com empresas na Suíça e na Itália e vê a presença em Hannover como uma forma de ampliar visibilidade e credibilidade. Para seu presidente, Jean Paul T. Neumann, o reconhecimento internacional da tecnologia desenvolvida no Brasil é um ativo que precisa ser explorado de forma consistente.

Caminho semelhante foi trilhado pelo CESAR. A instituição, que historicamente mantém conexões globais, vem estruturando uma atuação mais próxima junto a parceiros europeus. A estratégia passa por presença local e desenvolvimento conjunto de soluções, em um movimento contínuo de troca. “Internacionalizar é também trazer conhecimento de volta e fortalecer o ecossistema brasileiro”, afirma Juliana Queiroga, responsável pela operação europeia.

O saldo positivo da participação brasileira vai além dos números, com a geração de um expressivo ganho reputacional em um momento em que o país renova sua agenda industrial e busca abrir novas frentes de cooperação internacional. A organização do pavilhão brasileiro e a diversidade das soluções apresentadas, viabilizadas pela articulação entre governo, setor produtivo e academia, contribuíram para intensificar a presença do Brasil no radar global de oportunidades.

ENTENDENDO OS IMPACTOS DO ACORDO MERCOSUL-UNIÃO EUROPEIA

A entrada em vigor do Acordo Mercosul–União Europeia representa um marco para a inserção internacional do Brasil, ampliando o acesso a mercados, atraindo investimentos e elevando o padrão de competitividade das empresas nacionais. Para auxiliar na compreensão dos impactos desse novo cenário, a Softex disponibiliza dois conteúdos gratuitos sobre o tema.

O primeiro é o estudo “Impactos Estratégicos do Acordo Mercosul–UE”, desenvolvido pelo Observatório Softex. A publicação oferece uma análise técnica independente e aprofundada sobre o acordo, indo além da redução de tarifas para explorar seus efeitos sob a ótica da tecnologia, da inovação e do desenvolvimento produtivo. O material detalha como exigências regulatórias mais robustas, compromissos de sustentabilidade (ESG) e novas demandas de governança e rastreabilidade estão redesenhando as oportunidades de inserção do Brasil nas cadeias globais de valor. A publicação também reforça a necessidade de investir na qualificação de capital humano e no fortalecimento da Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) como forma de evitar uma especialização regressiva da economia brasileira e promover uma inserção internacional mais competitiva e sustentável.

O conteúdo completo pode ser baixado aqui.

Quem deseja se aprofundar ainda mais no tema, pode acessar o webinar “Impactos Estratégicos do Acordo Mercosul–UE”, realizado pelo Brasil IT+ e que contou com a participação de Raul López, da Arge Insights, profissional com mais de 15 anos de experiência internacional. No encontro, são discutidos os desdobramentos do acordo para o setor de tecnologia, com foco em desenvolvimento de negócios, estratégias de vendas e no fortalecimento da conexão entre Europa e América Latina.

ASSISTA O VÍDEO COMPLETO

Brasil IT+ supera US$ 1,1 bilhão em exportações e consolida estratégia de internacionalização tecnológica

OBrasil IT+ atingiu em 2025 a marca de US$ 1,1 bilhão em exportações geradas por empresas participantes do programa.

Desenvolvida pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) em parceria com a Softex, a iniciativa reúne empresas de software, prestadoras de serviços, startups e Instituições de Ciência e Tecnologia (ICTs), com o objetivo de ampliar a presença brasileira no mercado global de tecnologia.

Considerado o mais abrangente plano de internacionalização competitiva do setor no país, o Brasil IT+ já beneficiou mais de 1.000 empresas interessadas em expandir suas operações para o exterior.

Ela atua na conexão dessas organizações com mercados estratégicos, investidores e hubs internacionais, promovendo acesso qualificado a oportunidades de negócios e inovação.

Por Karen Kornilovicz

O avanço do programa ocorre em um contexto de crescente demanda global por soluções digitais e serviços tecnológicos. Ao fomentar a inserção internacional, o Brasil IT+ contribui para a diversificação de mercados, redução de riscos econômicos e fortalecimento da imagem das empresas brasileiras no exterior.

CONEXÕES GLOBAIS E IMPACTO NO ECOSSISTEMA

Segundo Christian Tadeu, presidente da Softex, ampliar a presença da TI brasileira no exterior é umas das prioridades centrais para o desenvolvimento do setor. “Este convênio reforça o papel estratégico da internacionalização como vetor de crescimento sustentável e inovação. Ao apoiar a entrada de empresas brasileiras em novos mercados, o Brasil IT+ contribui para a diversificação de riscos, reduz a exposição às oscilações econômicas internas e amplia a credibilidade das marcas no ambiente global”, afirma.

Além dos resultados em exportações, o programa tem ampliado a visibilidade do ecossistema brasileiro de inovação, fortalecendo a presença de startups, empresas e ICTs em mercados considerados prioritários.

A atuação inclui missões internacionais, participação em eventos globais e articulação com parceiros estratégicos.

Para Gabriela Silva, líder de internacionalização da Softex, a estratégia do programa está alinhada a resultados concretos.

“A internacionalização se consolidou como uma decisão estratégica, e cada destino do calendário de 2026 foi pensado para gerar impacto concreto. É nesse contexto que o Brasil IT+ se destaca ao conectar empresas a ecossistemas inovadores, investidores, grandes compradores e hubs internacionais”, detalha.

Com um modelo consolidado e foco em retorno sobre investimento, a expectativa é que o Brasil IT+ continue impulsionando globalmente a inovação brasileira, fortalecendo a competitividade do setor e ampliando a participação do país no cenário mundial de tecnologia.

Clique aqui para saber mais sobre o Projeto Setorial Brasil IT+ e todos os benefícios que ele oferece às empresas aderidas.

Democratizar o acesso à IA e às habilidades digitais é estratégico para o futuro da economia brasileira

Atransformação digital e a Inteligência Artificial estão acelerando a demanda por profissionais qualificados no Brasil, ao mesmo tempo em que escancaram um desafio estrutural: a baixa inclusão digital da população. Nesse cenário, iniciativas de capacitação gratuita ganham papel estratégico para preparar trabalhadores para a economia 4.0 e ampliar oportunidades de emprego e renda. Um dos principais exemplos é a Escola do Trabalhador 4.0, programa liderado pelo

Ministério do Trabalho e Emprego em parceria com a Microsoft e a Softex, que já soma mais de 2,2 milhões de inscritos em cursos gratuitos de tecnologia e produtividade.

Para Lucia Rodrigues, diretora de Habilidades em Inteligência Artificial da Microsoft Brasil, democratizar o acesso às habilidades digitais e à Inteligência Artificial é uma questão estratégica para o desenvolvimento econômico e social do país.

POR QUE A CAPACITAÇÃO EM INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL SE TORNOU UMA PRIORIDADE TÃO URGENTE PARA EMPRESAS E PROFISSIONAIS?

Nesta entrevista, ela destaca o papel das empresas de tecnologia na redução das desigualdades, os desafios para ampliar a participação feminina no setor e a urgência de preparar a força de trabalho para um mercado cada vez mais orientado por tecnologia, automação e IA.

QUAL É O PAPEL DAS GRANDES

EMPRESAS DE TECNOLOGIA NA REDUÇÃO DAS DESIGUALDADES SOCIAIS E PROFISSIONAIS?

As empresas de tecnologia têm um papel fundamental na redução das desigualdades porque não basta apenas oferecer acesso às ferramentas digitais. É necessário também garantir que as pessoas tenham conhecimento para utilizá-las de forma produtiva. A tecnologia é hoje um dos principais impulsionadores da sociedade, criando oportunidades de desenvolvimento profissional, geração de renda e inclusão. Na Microsoft, acreditamos que democratizar o acesso à tecnologia e à capacitação é essencial para ampliar a igualdade de oportunidades. Essa visão está diretamente conectada à missão da empresa de capacitar cada pessoa e organização do planeta a conquistar mais por meio do conhecimento e da inovação.

A Inteligência Artificial existe há décadas, mas durante muito tempo esteve restrita a especialistas e profissionais altamente técnicos. Com a chegada da IA generativa, houve uma transformação importante porque a tecnologia passou a interagir em linguagem natural, tornando seu uso muito mais acessível para atividades do dia a dia, como criação de conteúdo, análise de dados e aumento de produtividade. Essa facilidade ampliou significativamente tanto o interesse quanto a demanda por aprendizado em IA. Hoje, existe uma necessidade urgente de capacitar a força de trabalho para acompanhar a velocidade com que a Inteligência Artificial vem sendo incorporada às empresas e às rotinas.

DADOS MOSTRAM QUE APENAS

UMA PEQUENA PARCELA DA POPULAÇÃO BRASILEIRA POSSUI HABILIDADES DIGITAIS ACIMA DO BÁSICO. QUAL O IMPACTO DESSA REALIDADE PARA A COMPETITIVIDADE E A INCLUSÃO PRODUTIVA DO BRASIL?

POR QUE A INCLUSÃO DIGITAL E A CAPACITAÇÃO EM TECNOLOGIA SÃO ESTRATÉGICAS

PARA O CRESCIMENTO ECONÔMICO DO BRASIL?

Esse é um desafio extremamente preocupante. Uma pesquisa recente da Anatel mostrou que apenas 15% da população brasileira possui habilidades digitais acima do básico, ou seja, competências exigidas pela maioria das empresas atualmente, como produção de conteúdo, uso de planilhas, ferramentas digitais e comunicação profissional. Outros 20% têm apenas conhecimentos básicos, ligados principalmente ao uso de aplicativos bancários e redes sociais. Isso significa que grande parte da população está excluída das oportunidades do mercado de trabalho digital. A inclusão digital é estratégica para destravar o crescimento econômico do Brasil, modernizar a indústria e aumentar a capacidade do país de gerar produtos e serviços de maior valor agregado.

A inclusão digital é um fator essencial para destravar o crescimento econômico do Brasil e acelerar a diversificação da economia além da dependência de commodities. Hoje, o país ainda exporta muitos produtos brutos que acabam sendo transformados em soluções de alto valor agregado em outros mercados por meio da tecnologia e da inovação. Para mudar esse cenário, é fundamental investir na modernização da indústria e na formação de uma população capacitada para utilizar tecnologia de forma produtiva.

Quando ampliamos o acesso às habilidades digitais e à Inteligência Artificial, criamos uma base mais qualificada de profissionais, lideranças inovadoras e empresas capazes de desenvolver produtos e serviços mais sofisticados e competitivos. Isso fortalece toda a cadeia de desenvolvimento econômico, impulsiona produtividade, inovação e geração de valor. Democratizar o acesso ao conhecimento digital e à IA não é apenas uma pauta educacional ou social — é uma estratégia fundamental para o futuro da economia brasileira.

A PRESENÇA FEMININA NA TECNOLOGIA AINDA É BAIXA NO PAÍS. QUE INICIATIVAS SÃO

FUNDAMENTAIS PARA AUMENTAR A PARTICIPAÇÃO

DAS MULHERES NO SETOR E REDUZIR ESSE DESEQUILÍBRIO HISTÓRICO?

O principal desafio ainda é cultural. Existe um viés histórico que associa a área de tecnologia ao universo masculino, e isso influencia diretamente a escolha profissional das meninas e jovens mulheres. Na Microsoft, temos trabalhado para desconstruir esse cenário com ações concretas, como garantir equilíbrio de gênero nos processos seletivos e incentivar a presença de professoras mulheres nos cursos de tecnologia. É importante mostrar desde cedo que a tecnologia é uma carreira para todos, independentemente de gênero. Quanto maior a diversidade no setor, maior também será a capacidade de inovação e desenvolvimento da indústria brasileira.

Quer aprofundar essa conversa?

Ouça o episódio completo do nosso bate-papo com Lucia Rodrigues no podcast TI Com Elas.

Livro “Mulheres em Tecnologia” mostra em detalhes por que diversidade se tornou estratégica para empresas e governos

Discutir diversidade na tecnologia deixou de ser apenas uma pauta social. O tema passou a ocupar espaço nas estratégias de inovação, competitividade e desenvolvimento econômico de empresas e governos. É nesse contexto que o livro Mulheres em Tecnologia: Como a diversidade e inclusão vão mudar o jogo nas empresas e na sociedade, de Beatriz Oliveira e Mariana Carvalho, se apresenta como uma leitura relevante para lideranças empresariais, startups, gestores públicos e profissionais do ecossistema de inovação.

A obra aborda um desafio ainda persistente no setor: a baixa represen-

tatividade feminina nas áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM). Apesar de a tecnologia concentrar algumas das carreiras mais promissoras da atualidade, as mulheres seguem sub-representadas em posições técnicas e de liderança.

Segundo dados do estudo W-Tech, do Observatório Softex, as mulheres representam apenas 19,2% das especialistas em TI no país, cerca de 89,7 mil profissionais frente aos quase 470 mil em atividade.

Indo além das estatísticas, a publicação conecta dados históricos, estudos e experiências reais para demonstrar como a falta de diversidade impacta diretamente a inovação.

Sistemas enviesados, produtos que ignoram parte da população e ambientes de trabalho excludentes aparecem entre as consequências apontadas pelas autoras. Ao mesmo tempo, apresenta caminhos práticos para empresas, lideranças e profissionais interessados em ampliar a inclusão no setor.

Organizada em cinco capítulos, o livro percorre temas que vão da importância da diversidade de gênero na tecnologia a recomendações práticas para organizações e aliados. Um dos destaques é a série de entrevistas com sete mulheres de diferentes perfis e trajetórias profissionais, que compartilham desafios, avanços e experiências vividas no mercado brasileiro de tecnologia. Nesta análise, as autoras identificam que essa desigualdade resulta de diversos fatores estruturais, incluindo a falta de incentivo desde a infância.

Outro diferencial é o olhar voltado ao contexto nacional. Embora o debate sobre diversidade em tecnologia seja global, as autoras ressaltam que os desafios brasileiros possuem características próprias, influenciadas por fatores culturais, sociais e econômicos.

Mulheres em Tecnologia tem um olhar voltado ao contexto nacional, reforçando uma discussão cada vez mais presente no setor de inovação: diversidade não se limita à representatividade. Ela também está relacionada à capacidade de desenvolver soluções mais eficientes, humanas e alinhadas à complexidade da sociedade contemporânea.

IA reproduz estereótipos de gênero entre

jovens estimulando a desigualdade, alerta relatório

Para compreender os rumos da igualdade de gênero, é necessário observar como os jovens interagem com as tecnologias digitais. Cada vez mais, decisões relacionadas a relacionamentos, construção de identidade e planos de futuro são mediadas por sistemas de inteligência artificial. No entanto, essas ferramentas não operam de forma totalmente neutra.

Em muitos casos, os algoritmos reproduzem padrões presentes nos dados com os quais foram treinados. Como resultado, acabam refletindo e até reforçando vieses históricos existentes na sociedade. Em vez de oferecer respostas plenamente objetivas, a inteligência artificial tende a

replicar estereótipos e a devolvê-los aos usuários, o que pode contribuir para perpetuar desigualdades entre as novas gerações.

Segundo o relatório Miragem da IA: um reflexo incômodo com alto impacto nos jovens, divulgado pela consultoria LLYC, sistemas de Inteligência Artificial (IA) utilizados em chatbots e plataformas digitais podem reforçar padrões históricos de desigualdade de gênero entre jovens. A pesquisa foi publicada no contexto do Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, e analisa como respostas geradas por algoritmos influenciam percepções e decisões de usuários na faixa etária de 16 a 25 anos.

O estudo examinou 9.600 recomendações produzidas por cinco sistemas de Modelos de Linguagem de Grande Escala (Large Language Models –LLMs), incluindo ChatGPT, Gemini e Grok, ao longo de 2025, em 12 países. De acordo com a análise, em 56% das respostas direcionadas a jovens do sexo feminino surgem referências que as caracterizam como mais frágeis ou vulneráveis. A pesquisa também indica que sistemas de IA sugerem que mulheres busquem validação externa seis vezes mais frequentemente do que homens.

PAPEL CRESCENTE DOS CHATBOTS COMO FONTE DE ACONSELHAMENTO

A análise também aponta diferenças no tipo de aconselhamento oferecido pelos algoritmos. Em interações com mulheres, os sistemas recorrem com maior frequência a linguagem empática e expressões de apoio emocional, enquanto respostas dirigidas a homens tendem a apresentar orientações mais diretas e focadas em ação. O relatório observa ainda que a tecnologia redireciona até 75% das recomendações profissionais feitas a mulheres para áreas como saúde e ciências sociais, enquanto associa trajetórias masculinas com engenharia ou posições de liderança.

Outro ponto abordado no estudo envolve o papel crescente dos chatbots como fonte de aconselhamento. Dados citados pela organização Plan International indicam que 31% dos adolescentes relatam que conversar com um chatbot pode ser tão satisfatório quanto dialogar com amigos. Nesse contexto, o relatório argumenta que respostas produzidas por sistemas automatizados podem influenciar a formação de identidade e escolhas profissionais dos usuários.

Os pesquisadores também identificaram padrões associados a expectativas sociais e familiares. Nas respostas analisadas, atributos ligados ao cuidado aparecem mais frequentemente vinculados às mães do que aos pais, e conselhos relacionados à aparência são direcionados com maior frequência às mulheres. Segundo os autores, esses padrões refletem dados presentes nos conjuntos de treinamento da IA, o que pode levar à reprodução de normas sociais existentes no conteúdo utilizado para desenvolver os sistemas.

SAIBA MAIS AQUI

ACONTECE NO SETOR

Assespro completa 50 anos

AAssociação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação (Assespro) completa 50 anos em meio à expansão da economia digital e ao avanço da transformação tecnológica no Brasil. Criada em 1976, a entidade surgiu para representar empresas nacionais de tecnologia da informação em um período em que o mercado brasileiro ainda dava os primeiros passos em software, serviços digitais e computação corporativa.

Na década de 70, computadores eram restritos a grandes organizações e o setor de tecnologia operava de forma limitada. Ao longo das últimas cinco décadas, a entidade acompanhou a evolução da indústria de tecnologia da informação, marcada

pela chegada da computação em nuvem, da inteligência artificial, da segurança cibernética e da economia baseada em dados. A atuação institucional passou a incluir discussões sobre inovação, transformação digital, empreendedorismo tecnológico e políticas públicas para o setor.

O avanço da economia digital também ampliou a relevância de entidades de representação empresarial no debate sobre inovação e desenvolvimento tecnológico. Ao completar meio século de atuação, a Assespro mantém foco em políticas voltadas à competitividade do setor de tecnologia da informação, à ampliação do empreendedorismo digital e ao fortalecimento da indústria brasileira de tecnologia.

FIESC e Softex articulam parceria para acelerar transformação digital na indústria

catarinense

Opresidente da Federação das

Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC), Gilberto Seleme, recebeu o presidente da Softex, Christian Tadeu, para a articulação de parcerias estratégicas voltadas ao fortalecimento da inovação e ao aumento da competitividade da indústria catarinense.

Durante a agenda, foram discutidas oportunidades de cooperação em tecnologias de fronteira, como inteligência artificial e semicondutores. “A convergência entre as iniciativas da Softex e a capacidade técnica dos nossos Institutos SENAI é o caminho para consolidar Santa Catarina como líder em transformação digital”, destacou Seleme.

Tadeu conheceu ainda a infraestrutura do Instituto SENAI de Inovação em Florianópolis, referência no desenvolvimento de soluções que integram software e hardware para setores como defesa, aeroespacial e saúde.

“Ver a qualidade da pesquisa aplicada aqui reforça o potencial de escala para as empresas brasileiras no cenário global”,

analisa o presidente da Softex, que acrescenta ainda que a rede de Institutos SENAI é um parceiro chave para a execução de projetos de alto impacto.

O diretor regional do SENAI/SC, Fabrízio Pereira, destaca que a entidade está disponível para colaborar com a Softex. “Nossa rede conta com mais de 350 especialistas, entre mestres e doutores, que atuam em laboratórios de ponta para converter tendências digitais em soluções. Essa parceria com a Softex permitirá que o conhecimento em software se materialize em produtos e processos mais inteligentes para a indústria”, pontua.

A REDE INSTITUTO SENAI

A trajetória recente dos Institutos SENAI de Tecnologia e Inovação em Santa Catarina evidencia um crescimento consistente e acelerado na carteira de projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I). Em 2025, o portfólio ativo alcança R$ 726 milhões, resultado de uma evolução contínua desde 2017, quando somava R$ 15,6 milhões.

Ao longo desse período, o avanço foi impulsionado por marcos estratégicos como a ampliação da infraestrutura tecnológica, a consolidação de parcerias com a indústria e instituições de fomento, além da diversificação das áreas de atuação, que vão de manufatura avançada e sistemas embarcados à biotecnologia e robótica.

Gartner aponta desafios para ampliar uso de IA nas empresas

Empresas que obtêm resultados mais consistentes com Inteligência Artificial estão ampliando investimentos em dados, governança, analytics e qualificação profissional. A análise é do Gartner, consultoria global de pesquisa e tecnologia, que identificou diferenças relevantes entre organizações que avançaram em projetos de IA e aquelas que ainda enfrentam dificuldades para gerar retorno operacional e financeiro.

O estudo ouviu 353 líderes de dados, analytics e Inteligência Artificial. Segundo o Gartner, empresas consideradas mais bem-sucedidas investem proporcionalmente até quatro vezes mais em áreas como gestão de mudança, governança de dados e

formação de equipes especializadas. Apesar disso, apenas 39% dos executivos afirmaram confiar plenamente nos atuais investimentos em IA e em seus impactos financeiros.

Para a consultoria, a evolução da Inteligência Artificial nas empresas dependerá menos de iniciativas isoladas e mais da integração entre tecnologia, dados e processos de negócio. Rita Sallam, vice-presidente de pesquisa do Gartner, avalia que líderes de dados e analytics terão papel estratégico até 2030 ao estruturar bases de dados confiáveis, inteligência contextual e sistemas capazes de apoiar decisões automatizadas em escala.

Entre as principais mudanças apontadas pelo Gartner para os próximos anos estão:

1.

ADOTAR UMA ESTRATÉGIA

“AI-FIRST”

Utilizar a Inteligência Artificial como elemento central na transformação dos modelos de negócio e operações.

2.

INTEGRAR HUMANOS E AGENTES DE IA

Combinar equipes multidisciplinares com agentes inteligentes para ampliar produtividade e eficiência operacional.

3.

TRANSFORMAR CONTEXTO EM INFRAESTRUTURA CRÍTICA

Garantir acesso contextualizado, seguro e governado aos dados utilizados pelos sistemas de IA.

4.

CONECTAR PRÁTICAS DE ENGENHARIA

Integrar engenharia de dados, software e IA para acelerar a implementação em escala corporativa.

FORTALECER CONFIANÇA E GOVERNANÇA

Desenvolver mecanismos voltados à privacidade, mitigação de vieses e conformidade regulatória.

REINVESTIR GANHOS EM INOVAÇÃO

O Gartner avalia ainda que empresas devem abandonar ciclos excessivos de testes e provas de conceito para focar na aplicação prática da Inteligência Artificial em larga escala. A expectativa é que temas como automação corporativa, análise avançada de dados, computação contextual, segurança da informação e produtividade com IA ganhem espaço nas estratégias de transformação digital e inovação empresarial nos próximos anos. 6.

Utilizar ganhos de eficiência gerados pela IA para impulsionar crescimento e novos modelos de negócio.

COMPLIANCE

Por Caroline Barroso da Silva

em Governança, Compliance e Proteção de Dados na Pelo Mundo com Compliance Assessoria

Compliance fortalece governança e sustentabilidade das instituições de

inovação

Aintegridade e a transparência têm assumido papel cada vez mais estratégico para instituições que atuam no ecossistema de tecnologia e inovação. Em um cenário marcado pelo fortalecimento das normas de governança e pelo aumento da fiscalização sobre o Terceiro Setor, os programas de compliance passaram a ser fundamentais para garantir segurança jurídica, credibilidade e sustentabilidade institucional.

Nesta entrevista, Edvar Pera Junior, diretor-executivo do Núcleo Softex Campinas e Conselheiro da Softex, analisa a relevância do compliance para organizações sem fins lucrativos e destaca como práticas estruturadas de governança contribuem para ampliar a confiança, mitigar riscos e fortalecer o impacto social das instituições.

1. POR QUE O COMPLIANCE SE TORNOU TÃO IMPORTANTE PARA INSTITUIÇÕES DO ECOSSISTEMA DE TECNOLOGIA E INOVAÇÃO?

A consolidação de um ecossistema de tecnologia e inovação forte e competitivo exige mais do que excelência técnica. As instituições precisam atuar com integridade, governança e transparência. Desde a Lei Anticorrupção (Lei nº 12.846/2013) e do Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil (MROSC – Lei nº 13.019/2014), o ambiente regulatório brasileiro passou a exigir das organizações práticas cada vez mais estruturadas para garantir segurança jurídica, evitar irregularidades e assegurar que os recursos tenham a destinação correta e gerem impacto social.

2. QUAL É O PAPEL DOS

PROGRAMAS DE COMPLIANCE

EM INSTITUIÇÕES SEM FINS LUCRATIVOS?

3. DE QUE FORMA A ADOÇÃO DE PRÁTICAS DE COMPLIANCE FORTALECE AS INSTITUIÇÕES?

Além de mitigar riscos, o compliance amplia a capacidade das instituições de atrair investimentos e doações. A adoção de práticas éticas e transparentes melhora o relacionamento com apoiadores, parceiros e com todo o ecossistema em que a organização está inserida. Em um contexto de maior atenção da sociedade e dos órgãos de fiscalização sobre o Terceiro Setor, a governança se torna essencial para fortalecer a credibilidade e garantir sustentabilidade institucional.

Os programas de compliance estabelecem diretrizes de conduta que envolvem desde a captação de recursos até a prestação de contas. Para instituições sem fins lucrativos, especialmente aquelas ligadas ao desenvolvimento tecnológico, não basta ter uma causa relevante; é necessário ser transparente e confiável. Programas estruturados ajudam a profissionalizar práticas, reduzir riscos financeiros e de imagem e fortalecer a cultura de responsabilidade contínua dentro da organização.

Por Caroline Barroso da Silva Especialista em Governança, Compliance e Proteção de Dados na Pelo Mundo com Compliance Assessoria

Por Lorrane Mendes

Responsável pelo Programa de Compliance de Proteção de Dados

Treinamentos periódicos: quando a integridade ganha voz

Os programas de integridade costumam ser lembrados por seus normativos, políticas e procedimentos. São elementos indispensáveis para orientar a atuação institucional, estabelecer responsabilidades e fortalecer a governança. No entanto, a efetividade dessas estruturas depende de algo que não pode ser formalizado em um documento: a compreensão e o comprometimento das pessoas.

É nesse contexto que os treinamentos periódicos assumem um papel relevante. Mais do que momentos de capacitação, eles representam oportunidades para aproximar os temas relacionados à integridade da realidade vivenciada pelas equipes. Afinal, valores institucionais só se tornam parte da cultura organizacional quando deixam de existir apenas no plano formal e passam a fazer sentido no cotidiano.

Ao longo do tempo, é natural que processos sejam atualizados, novos desafios surjam e diferentes interpretações apareçam diante de uma mesma situação. Por isso, a construção de uma cultura de integridade não acontece de forma pontual. Ela exige diálogo contínuo, espaços de reflexão e oportunidades para que os colaboradores compreendam não apenas o que deve ser feito, mas também porque determinadas condutas são importantes para a organização.

Essa percepção se torna ainda mais evidente nos processos de integração de novos colaboradores. O ingresso em uma instituição representa o primeiro contato com sua cultura, seus princípios e sua forma de atuar. É nesse momento que a integridade deixa de ser apenas um conceito institucional e começa a ser apresentada de maneira concreta, por meio das orientações, exemplos e práticas compartilhadas.

Abaixo alguns registros internos dos treinamentos com foco em integridade.

Na Softex, os treinamentos fazem parte desse processo contínuo de fortalecimento da cultura organizacional e cada vez mais da Cultura de integridade. Cada encontro representa uma oportunidade de compartilhar conhecimentos, esclarecer dúvidas e reforçar o compromisso institucional com a ética, a transparência e a responsabilidade.

A experiência demonstra que a integridade se fortalece quando é compreendida, discutida e vivenciada pelas

pessoas. Nesse sentido, os treinamentos periódicos não são apenas uma etapa do Programa de Compliance da Softex, mas uma forma de manter viva a cultura que sustenta a atuação da organização. Por fim, vale reforçar a importância de outros atores dentro da Softex que facilitam o disseminar dessa cultura, como a Célula de Recursos Humanos com foco em treinamento interno.

ARTIGOS

A infraestrutura invisível da IA: como resfriar data centers sem comprometer o planeta

Achegada da inteligência artificial (IA) não foi apenas uma mudança tecnológica. Ela representou uma revolução energética em escalas globais. Uma única pesquisa com a IA consome, em média, cerca de dez vezes mais eletricidade do que uma busca tradicional na internet – e essa demanda cresce de forma acelerada. Projeções da Agência Internacional de Energia (AIE) indicam que, até 2030, os data centers poderão responder por aproximadamente 3% do consumo global de eletricidade - quase o dobro do patamar atual em uma expansão quatro vezes mais rápida que os demais setores.

Esse salto traz, contudo, um desafio sem precedentes. O legado existente dos data centers não foi projetado para lidar com cargas de calor tão

elevadas. A refrigeração por ar (air cooling), que por décadas ancorou a operação dessas infraestruturas, vem sendo pressionada até seus limites técnicos diante de gabinetes cada vez mais densos e potentes. Por isso, é indispensável ir além do modelo tradicional e optar por soluções avançadas e sustentáveis de refrigeração líquida para atingirmos todo o potencial da IA.

Hoje, é comum encontrar racks operando entre 40 kW e mais de 100 kW - volume impraticável para sistemas baseados exclusivamente em ar. A tendência é de rápida escalada, com racks totalmente populados com GPUs baseadas na arquitetura NVIDIA já consumindo cerca de 132 kW. E a próxima geração deve alcançar 240 kW por rack, enquanto o setor se prepara, no horizonte, para densidades da ordem de 1 MW por rack.

Diferentemente das CPUs tradicionais, as GPUs e outros aceleradores de IA concentram cargas térmicas intensas e localizadas, exigindo soluções de resfriamento altamente eficientes e direcionadas para assegurar desempenho e confiabilidade. É nesse contexto que a refrigeração líquida exerce um papel crítico, podendo ser até 3 mil vezes mais eficaz do que o ar na redução de calor justamente por capturar a energia térmica na origem, no nível do componente.

Apesar da refrigeração por ar ser o padrão há décadas, ela já não acompanha a evolução das cargas computacionais. A refrigeração líquida é uma alternativa mais eficiente e um dos poucos caminhos viáveis para acomodar o crescimento da IA. Sem isso, será impossível acompanhar o progresso das densidades energéticas e das exigências térmicas.

A refrigeração líquida pode diminuir o consumo de energia entre 30% e 60% e, em determinadas arquiteturas, eliminar completamente o uso de água, superando em eficiência soluções adiabáticas baseadas em ar. A economia de energia e água se traduz

diretamente na redução da pegada de carbono. Ainda assim, apesar da adoção crescente, o impacto ambiental total da refrigeração líquida segue menos compreendido do que o dos sistemas tradicionais.

Depois da infraestrutura de TI, os sistemas de refrigeração são os maiores consumidores de energia em data centers. Por isso, representam uma das maiores oportunidades de ganho em eficiência. O consumo energético é influenciado por decisões que vão desde a escolha do local e do clima até detalhes técnicos, como o tipo de rejeição de calor e a temperatura do fluido na entrada dos equipamentos de TI.

O uso de água também varia conforme o desenho do sistema, o clima local e as temperaturas operacionais. Embora os circuitos de refrigeração líquida sejam fechados e não consumam água diretamente nos racks, a pegada hídrica total depende de como o calor é dissipado externamente. Dessa forma, o consumo de água continua sendo um impacto ambiental direto e mensurável que os operadores podem gerenciar e otimizar.

Já as emissões de gases de efeito estufa estão fortemente associadas ao consumo de energia, especialmente em regiões com matrizes elétricas intensivas em combustíveis fósseis. Outros fatores, como a seleção de componentes, o ciclo de vida dos equipamentos e a gestão segura dos fluidos refrigerantes, assumem um protagonismo relevante.

Instalar refrigeração líquida é o primeiro passo. A sustentabilidade real depende de decisões inteligentes de projeto e de uma operação bem planejada. Um dos principais parâmetros é a temperatura do fluido de entrada nos racks. Simulações mostram que, em um data center operando com racks de 40 kW em Paris, elevar essa temperatura em 20°C pode enxugar o consumo energético em cerca de 40% em sistemas não adiabáticos - e a maior parte do ganho ocorre nos primeiros 5°C. Em sistemas adiabáticos, a economia de energia chega a 30%, ao passo que a de água chega entre 40% e 60%.

O tipo de rejeição de calor é outro ponto determinante. Arquiteturas mais sustentáveis tendem a empregar chillers resfriados a ar com modos economizadores que utilizam o ar ambiente e suprimem praticamente o consumo de água, em contraste com torres de resfriamento tradicionais, intensivas em água e com elevada pegada de carbono incorporada.

A escolha de componentes eficientes, aliada a planos de manutenção proativos e sistemas de controle integrados, contribui para mitigar o consumo operacional e o carbono embutido ao longo do ciclo de vida. A refrigeração líquida viabiliza a reutili-

zação do calor residual - algo pouco eficiente em instalações refrigeradas a ar. O calor de maior qualidade pode ser reaproveitado em aquecimento distrital ou processos industriais a fim de ampliar os benefícios ambientais.

A transição para a refrigeração líquida exige planejamento cuidadoso e visão de longo prazo. Infraestrutura física e planejamento de TI devem andar em paralelo, evitando gargalos que mantenham o hardware ocioso por falta de capacidade térmica. Projetos flexíveis e escaláveis, muitas vezes híbridos, permitem acomodar diferentes gerações de equipamentos e facilitar migrações futuras.

Parcerias precoces entre fabricantes de hardware, especialistas em refrigeração e integradores de sistemas são fundamentais para estabelecer boas práticas e garantir soluções otimizadas. Iniciativas conjuntas, como os projetos de referência desenvolvidos pela Schneider Electric em colaboração com a NVIDIA, exemplificam o valor de um ecossistema integrado.

Na era da IA, a refrigeração deixou de ser um elemento de apoio invisível para se tornar um habilitador estratégico da inovação e uma fonte de vantagem competitiva. A implementação da refrigeração líquida responde à necessidade técnica de remover calor, ao mesmo tempo em que gera

ganhos estruturais de sustentabilidade, promovendo eficiência energética e hídrica, queda de emissões, otimização do espaço físico e suporte a densidades cada vez maiores.

Com dados confiáveis, planejamento estratégico, projetos flexíveis e parcerias sólidas, operadores de data centers têm à disposição os instrumentos necessários para construir infraestruturas resilientes e sustentáveis capazes de alavancar o futuro impulsionado pela IA.

Hannover Messe: a oportunidade do Brasil para a liderança global na transição energética impulsionada por IA

Não é por acaso que o Brasil foi escolhido como País Parceiro da Hannover Messe 2026. Esse movimento sinaliza algo maior: a ambição de uma nação que busca acelerar a transformação industrial com base em energia renovável, digitalização e tecnologias sustentáveis — ao mesmo tempo em que reforça sua relevância geopolítica em um cenário de cadeias de suprimentos cada vez mais pressionadas.

Isso representa a abertura de uma rara janela de oportunidade para o Brasil demonstrar não apenas potencial, mas uma real capacidade de entrega, sustentada por uma base industrial significativa, uma matriz energética competitiva e, acima de tudo, competência para acelerar a produtividade por meio da tecnologia.

Para capturar esse potencial, porém, precisamos evoluir nossa narrativa. Não somos apenas fornecedores de matérias-primas. O que o Brasil pode oferecer — e o que o mundo demanda — é a capacidade de orquestrar efici-

ência e rastreabilidade em cadeias complexas, utilizando automação, analytics e inteligência artificial para minimizar desperdícios, otimizar a eficiência energética e acelerar a tomada de decisões operacionais orientadas por dados.

Essa visão é consistente com o que defendo há anos: IA não é um fim em si mesma; é um meio. O que separa aqueles que geram valor daqueles que apenas seguem tendências é a clareza de propósito, a governança e a capacidade de transformar tecnologia em execução e resultados concretos.

O Brasil ocupa uma posição única: pode combinar uma matriz energética competitiva e renovável com uma agenda de transformação industrial e atração de investimentos. A própria Hannover Messe vem destacando o Brasil como um parceiro confiável e sustentável em um ambiente global de incertezas, ao mesmo tempo em que aponta a complementaridade Brasil-Alemanha para cadeias produtivas de baixo carbono.

RESILIÊNCIA INDUSTRIAL EM UM MUNDO VOLÁTIL

Um ponto precisa estar claro: recursos naturais, sozinhos, não garantem competitividade. Em 2026, o diferencial não será apenas possuir energia limpa, minerais críticos ou capacidade agrícola. O diferencial estará em transformar esses ativos em vantagem industrial por meio de produtividade, previsibilidade e escala — e isso exige tecnologia aplicada, dados confiáveis e metodologias eficazes que garantam execução atrelada a resultados.

A economia global tornou-se mais cara e mais imprevisível. A escalada das tensões em rotas estratégicas é

um lembrete direto de como o mundo opera sem uma “rede de segurança”. Quando um corredor logístico ou energético sofre interrupções, o impacto se espalha rapidamente, afetando energia, fretes, seguros, fertilizantes e custos industriais, entre outros fatores. Nesse ambiente, resiliência industrial deixa de ser um discurso e se torna uma exigência.

Nesse contexto, a resiliência industrial passa a ser um pré-requisito, e a cooperação entre Brasil e Alemanha ganha um novo significado — não como uma agenda genérica de oportunidades, mas como uma estratégia de continuidade operacional em um mundo volátil.

OS TRÊS PILARES: TRANSFORMAR EFICIÊNCIA EM VANTAGEM COMPETITIVA

Em momentos de pressão logística e energética, a pergunta que deve ser feita não é “como crescer a qualquer custo?”, mas sim “como produzir mais com menos, mantendo estabilidade e qualidade?”. É aí que a agenda da eficiência se torna uma vantagem competitiva, materializando-se em três frentes práticas.

1.

A primeira é a Inteligência Artificial aplicada às operações, com uma mentalidade “AI-first” do planejamento ao chão de fábrica, utilizando IA para prever vulnerabilidades, otimizar consumo, minimizar variabilidade e elevar a produtividade. Isso exige dados estruturados e foco em problemas reais, e não tecnologia pela tecnologia.

2.

A segunda é a modernização industrial com velocidade e pragmatismo. A transformação acontece de forma empírica por meio da integração, simplificação e modernização de sistemas legados. Muitas vezes, a “próxima fronteira” é invisível, residindo nos bastidores, nos fluxos entre sistemas e na tomada de decisões em tempo real.

3.

A terceira é a sustentabilidade como critério para arquitetura, processos e decisões, indo além do discurso para orientar escolhas. Trata-se de tecnologia com propósito, baseada em eficiência energética, confiança e impacto.

Na indústria, isso não é abstrato. Estamos falando de um setor intensivo em capital e energia, no qual pequenos ganhos percentuais em produtividade e consumo geram impactos financeiros e ambientais significativos. Em muitos casos, fábricas consomem energia em escala comparável à de cidades inteiras — e reduzir esse consumo em 5% ou 10% muda completamente o jogo.

A transição energética global está reorganizando prioridades, e o Brasil surge como parceiro natural da Europa na estruturação de novas rotas de suprimento. No entanto, o sucesso dessa aliança depende de superarmos o antigo modelo de

exportação de valor bruto. A parceria Brasil-Alemanha deve ser concebida como uma cadeia completa, integrando energia limpa, manufatura avançada e inteligência operacional.

Mais do que uma vitrine, a Hannover Messe 2026 foi um marco para consolidar o Brasil como parceiro estratégico de longo prazo, capaz de entregar a eficiência e a resiliência que o mercado global exige. Para os líderes industriais, a escolha é clara: não se trata de esperar a próxima ruptura para reagir, mas de redesenhar agora a forma como produzimos e decidimos — transformando volatilidade em estratégia por meio de tecnologia aplicada e propósito.

EVENTOS

Softex defende estratégia nacional para autonomia tecnológica em painel do XI Congresso da ABIPTI

Representantes do governo, academia e setor produtivo reuniram-se no último dia 6 de maio, em São Paulo, para discutir os caminhos da soberania tecnológica no Brasil. O debate integrou o XI Congresso da Associação Brasileira das Instituições de Pesquisa Tecnológica e Inovação (ABIPTI) e teve como foco áreas críticas para a segurança nacional e o desenvolvimento do país.

O painel reuniu Lisandro Granville, diretor-presidente da RNP; o contra-almirante Charles Wilson Gomes Conti, do Ministério da Defesa; e Christian Tadeu, presidente da Softex. A mediação foi conduzida por Sílvio Bittencourt da Silva, diretor do Parque Tecnológico de São Leopoldo (Tecnosinos).

Abrindo os debates, Christian Tadeu foi incisivo: “nenhum país é soberano se depende da tecnologia dos outros”. Segundo ele, o Brasil ainda consome mais tecnologia do que produz, um cenário que amplia a dependência externa, gera vulnerabilidades digitais e reduz a competitividade global.

O executivo destacou que a soberania tecnológica deixou de ser um conceito abstrato. Em um ambiente global marcado por disputas geopolíticas, ativos como dados, infraestrutura digital, inteligência artificial e cibersegurança passaram a ocupar posição central. “O mundo já entendeu que tecnologia é poder”, afirmou.

Para Christian, soberania não significa isolamento, mas capacidade de escolha. Envolve definir prioridades, selecionar parceiros e construir autonomia para inovar e liderar. Entre os temas estratégicos, ele citou inteligência artificial, cibersegurança, semicondutores, governança de dados e computação quântica.

Apesar dos desafios, o presidente da Softex avalia que o Brasil reúne condições para avançar. “Temos mercado, talento e um ecossistema em expansão e precisamos transformar esse potencial em estratégia”, disse, defendendo uma maior articulação entre governo, academia e setor produtivo.

“A soberania se constrói com convergência: um governo que direciona, uma academia que desenvolve e empresas que executam,” ressaltou.

Christian também destacou o papel da Softex na articulação desse ecossistema, lembrando que há 30 anos a entidade atua na formação de talentos, no apoio à inovação e na conexão com mercados internacionais. Só no ano passado, mais de 4,5 milhões de pessoas foram alcançadas por suas iniciativas, com 383 mil capacitações realizadas e apoio a mais de 2 mil empresas e 1,7 mil startups.

A relação entre tecnologia e segurança nacional foi outro ponto destacado. “Não há segurança nacional sem segurança digital, e não há segurança digital sem capacidade tecnológica própria”, afirmou. Para Christian, a dependência pode parecer eficiente no curto prazo, mas acaba por gerar fragilidades ao longo do tempo.

“Soberania tecnológica não é discurso. É decisão. E o momento de decidir é agora”, concluiu.

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