Um Dia Por Lisboa - Sugestões da Comissão de Moradores do Bairro Azul -
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I – Respirar (Ambiente e Paisagem) O que fazer: .
Plano Verde da Cidade - Arqº Ribeiro Telles
. Criação de mais áreas verdes, sejam elas novos jardins, corredores verdes, ruas com árvores de alinhamento (intercalando estacionamento com árvores, por ex., em ruas que hoje se limitam a ter estacionamento automóvel), arborização de simples espaços entre prédios (contrariar o que se fez no Bairro de Alvalade, junto à Av. do Brasil, por ex., onde se cimentaram os espaços vazios previstos no plano original como ajardinados), interiores de quarteirões, pequenos bosques ou simples triângulos entre estradas. . Plantação de sub-bosque, com arbustos e árvores de pequeno porte sem que se podem os ramos baixos de modo a permitir um melhor enquadramento paisagístico do espaço verde e a criar barreiras visuais e sonoras eficazes (fundamental, sobretudo, junto às grandes circulares e em grandes espaços verdes). . Quando se plantam novas árvores, sejam elas em alinhamentos de rua ou jardins, estas devem apresentar já alguma dimensão e protecção adequada, em vez das árvores raquíticas e frágeis que vemos serem sistematicamente partidas ao mínimo vento ou toque de automóveis. . Manutenção permanente dos espaços verdes, pelo que os cadernos de encargos das encomendas desses espaços devem contemplar sempre esta matéria tão descurada, de modo a contrariar o desmazelo habitual. .
Implantação de sistemas de rega gota-a-gota.
. Requalificar os pequenos jardins e espaços verdes que existem nos Bairros envolvendo a população na sua preservação e manutenção. . Jardins históricos da cidade, Jardins dos Museus, etc.– revitalizá-los e criar um Calendário de Eventos nestes jardins. . Controlar eficaz e sistematicamente níveis de poluição atmosférica e sonora. Disponibilizar, de forma simples, essas informações à população. . Higiene Urbana – sistemas de recolha de lixos mais eficazes tendo em conta p. ex: a população idosa. . Os contentores para recolha selectiva de lixos (reciclagem) devem ser reposicionados de modo a não constituírem um atentado à qualidade ambiental do espaço onde se encontram (eventualmente enterrados ou outra solução a estudar de modo a um melhor enquadramento ambiental e paisagístico).
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. Campanhas de sensibilização para devolver à população o orgulho pela sua cidade e aplicação de multas: dejectos caninos, lixo, grafitti, alimentação de pombos e animais vadios, etc. . Coordenação entre os diferentes serviços que actuam no subsolo da cidade: água / gás / electricidade / telefones / TV Cabo, etc. Fiscalização eficaz desses trabalhos após a sua conclusão à superfície. . Controlar os estaleiros de obras e trabalhos na via pública – devidamente sinalizados, limpos, protegidos por tapumes, etc. .
Mais Arte Pública com concursos de ideias.
O que não fazer: .
Comprometer terrenos inviabilizando o Plano Verde da Cidade.
. Ocupar os logradouros com construção (acabar com o artigo do PDM que possibilita a ocupação de 20 % dos logradouros, pelo menos nas áreas históricas). . Destruir os jardins de bairro transformando-os em meros relvados que servem de cobertura a parques de estacionamento. .
Uniformizar jardins e espaços verdes.
. Destruir o mobiliário urbano existente nos antigos jardins da cidade: bancos, bebedouros, candeeiros, etc. em nome de uma modernização abusiva.
II – Relacionar (Vida Urbana e Quotidiano) O que fazer: . Revitalizar espaços de encontro, espaços públicos emblemáticos, praças, largos, etc: Praça do Comércio, etc. . Requalificar espaços públicos “destroçados” pelo tráfego: Sete Rios, Praça de Espanha, etc. . Criar mais esplanadas de qualidade e requalificar as existentes - escolha criteriosa dos concessionários. . etc.
Tirar partido de coretos e quiosques – com esplanadas adjacentes, eventos,
.
Requalificação e tirar partido dos miradouros, antigos postos de turismo, etc.
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.
Revitalizar os antigos cinemas (por ex: Tivoli. E que fazer do Ódeon?).
. Revitalizar e criar um calendário de actividades nos museus e equipamentos municipais: Museu de Santo António, Museu da Cidade, etc. (Em ambos os exemplos dever-se-ia requalificar os espaços existentes e alargá-los – o Museu Antoniano é local de romaria de crentes de todo o mundo e pouco tem para oferecer; o Museu da Cidade termina em 1910, para além de não ter exposto muito do que o subsolo tem oferecido em escavações recentes, por exemplo. Criar novas exposições permanentes, de maior dinamismo e eficácia, para além de exposições temporárias temáticas). . Festas da Cidade – dar às festas uma dimensão mais cultural, por ex: com a abertura de espaços públicos habitualmente fechados à população; concertos; exposições, etc. Internacionalizar as Festas. . Vigilância e Segurança particularmente nos eixos e equipamentos turísticos (p.ex: eléctrico 28). O que não fazer: . Destruir o carácter dos incaracterísticos.
espaços, tornando-os
todos
iguais, frios
e
III – Mover (Mobilidade e Estacionamento) O que fazer: .
Prioridade absoluta aos peões.
.
Melhorar a rede de transportes públicos e reintroduzir os eléctricos na cidade.
.
Criar mais corredores bus.
. Libertar os passeios de tudo o que é inútil pensando, em particular, nos deficientes, idosos, crianças, etc. . Edifícios sem elevadores – concurso de ideias para, acautelando as questões estéticas e patrimoniais, introduzir sistemas inovadores que permitam aos idosos sair de sua casa e vir à rua. . Acesso às colinas – concurso de ideias para introdução de sistemas inovadores de acesso p.ex: ao Castelo de S. Jorge.
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. Reduzir o tráfego automóvel na cidade, em especial no centro histórico alargado. . Criar ruas de trânsito condicionado, de sentido único, em toda a área histórica habitacional. . Criar parques de estacionamento periféricos, junto a estações metropolitano, comboios e autocarros, gratuitos ou de preço muito reduzido.
de
. Criar parques de estacionamento para moradores, pequenos comerciantes, etc., acautelando devidamente todas as questões estéticas, ambientais e patrimoniais. . Stands de venda de automóveis, oficinas, rent-a-cars – retirados carros e serviços do centro da cidade. .
Controlar eficazmente o estacionamento irregular.
.
Libertar os bairros residenciais do trânsito de atravessamento.
.
Velocidade máxima permitida nos Bairros Residenciais – 30 Kms.
.
Criar mais zonas pedonais.
. Requalificar largos e pequenas praças de bairro em função do seu usufruto pedonal e não automobilístico. O que não fazer: . Incentivar o transporte automóvel individual com o alargamento das vias, cortes de árvores e passeios, criação de grandes parques de estacionamento no centro da cidade, viadutos, túneis, etc.
IV - Projectar (Urbanismo, Construção e Reabilitação) O que fazer: . Projectar a cidade reforçando a sua identidade e tudo o que Lisboa tem de diferente e único. . Incentivar o retorno à cidade, contrariando o fenómeno de desertificação do centro, com a criação de habitação a preços controlados para jovens (a cidade precisa recuperar a população perdida e tem necessidade de, na sua área concelhia ter cerca de 1 milhão de habitantes, ou seja, o dobro do que tem actualmente, atraindo os moradores do subúrbio mas que nela trabalham).
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. Recuperar o património municipal construído, com critérios de qualidade, sobretudo o de carácter habitacional, e alugá-lo, ou, em grande parte, vendê-lo a preços controlados, de modo a incentivar o retorno à cidade. . Criação de escolas com qualidade nas áreas históricas habitacionais de modo a incentivar o retorno da população jovem com filhos. . Incentivos fiscais para quem comprar e recuperar casas antigas, ou apartamentos em edifícios com mais de 40 anos, por exemplo com isenção alargada do IMI. .
Travar as demolições abusivas.
.
Apostar numa Verdadeira Reabilitação Urbana versus “fachadismo”.
.
Reabilitar os eixos turísticos: p.ex: percurso por onde passa o eléctrico 28.
.
Novos projectos com qualidade respeitando a identidade dos locais.
.
Comércio tradicional: protecção dos espaços.
. Alargar o conceito de Bairro com valor histórico a Bairros do Século XIX e primeira metade do século XX: Bairro do Arco do Cego, Campo de Ourique, Bairro Azul, Bairro das Colónias, Bairro de Alvalade, etc. Sua requalificação e humanização. . Acautelar a situação dos edifícios do Estado que são emblemáticos para a cidade e que, mudando de função, devem continuar a ser espaços públicos. O que não fazer: .
Projectar a cidade para o automóvel: construção de túneis, vias rápidas, etc.
.
Cortar a ligação da cidade com o rio.
. Destruir o património da cidade nomeadamente o património do século XIX e século XX . . Destruir estabelecimentos “modernização”. .
de
comércio
tradicional
em
nome
da
Vender património municipal emblemático da cidade: p.ex: Palácio Pombal.
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V - Governar (Administração, Transparência e Participação) O que fazer: . Reestruturar e simplificar os serviços, com atribuição clara de poderes e responsabilidades, para tornar a CML num parceiro que estimule e não entrave a participação e a modernização da Cidade. . Melhorar a articulação entre os seus diversos serviços da CML de forma a haver uma aumento de pró-actividade. . Fomentar as parcerias público/privadas – envolvendo os Movimentos de Cidadãos - p.ex: para a obtenção de patrocínios para a reabilitação de edifícios, espaços públicos, etc. . Aumentar o diálogo com os Movimentos de Cidadãos e com as Juntas de Freguesia, de forma a aproveitar a sua experiência local e a dinamizar a sua participação interessada. . Reagrupar as Juntas de Freguesia tornando-as estruturas modernas e mais eficazes próximas dos arrondissements parisienses. A CML como a conhecemos hoje não tem capacidade de resposta por ser demasiado centralizada. . Nada prometer se não houver a certeza de o poder fazer. As promessas devem ser compromissos assumidos com data de concretização. Os Cidadãos precisam de estar conscientes de que parte do que ambicionam para a sua Cidade poderá não ser exequível a curto prazo, mas não podem ser deixados a sonhar. . Definir claramente os planos de desenvolvimento e melhoria das condições de vida na Cidade e aplicá-los com coerência e firmeza. Por exemplo, ninguém questiona que a Cidade precisa de ser acolhedora para quem nela vive – uma Cidade verdadeiramente amiga do Cidadão. Ora, não é possível falar deste direito continuando-se a planear e a facilitar o crescimento da enxurrada de automóveis que nela entra todos os dias, a estacionar de forma anárquica, muitos com apenas uma pessoa no interior. O que não fazer: .
O que tem sido feito.
2007-06-19
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