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Caderno de Projeto | Meu Bairro Brincante | Alto Santa Terezinha

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alto santa terezinha

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CADERNO DE PROJETOS Meu bairro brincante é um projeto do Coletivo Massapê sobre criança e cidade. Esta edição aconteceu no Alto Santa Terezinha, em Recife - PE e está inserida no projeto Primeiro a Infância, uma uma realização da ARIES (Agência Recife para Inovação e Estratégia), em parceria com a prefeitura da cidade do Recife e financiado pela Fundação Bernard Van Leer.

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(...) Por isso é que é importante afirmar que não basta reconhecer que a Cidade é educativa, independentemente de nosso querer ou de nosso desejo.

cios, deixando em tudo o selo de certo tempo, o estilo, o gosto de certa época.

A cidade é cultura, criação, não só pelo que fazemos nela e dela, A Cidade se faz educativa pela pelo que criamos nela e com ela, necessidade de educar, de mas também é cultura pela próaprender, de ensinar, de conhepria mirada estética ou de espancer, de criar, de sonhar, de imagi- to, gratuita, que lhe damos. nar de que todos nós, mulheres e homens, impregnamos seus A Cidade somos nós e nós somos campos, suas montanhas, seus a Cidade. vales, seus rios, impregnamos suas ruas, suas praças, suas Paulo Freire fontes, suas casas, seus edifíPolítica e Educação

poema/texto inspiração

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CONTRATANTE

Agência Recife para Inovação e Estratégia (ARIES)

EQUIPE DE PROJETO

Gabriel Santana Lucas Izidorio Maria Isabela Neves Marina Mergulhão Melina Motta Pedro Britto

PARCEIROS

Mário Galvão Prati (Translab.URB) Débora Rorato (Brincare) Hylka Caldas (Brincare) Luisa Silva (Brincare) Rogério Costa (Brincare) Thamires Almeida (Brincare)

COLABORADORES Amanda Alves (Massapê) Bruno Galvão (Massapê) João Wanderley Jonathan Rocha Júlia de Araújo Laryssa Araújo (Massapê) Luciano Ferreira Moiseis Olegario Raissa Monteiro Rozenilda Carneiro

FOTÓGRAFOS Bruno Carvalho Débora Aleluia 6


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su mรก rio 8


APRESENTAÇÃO

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O PROCESSO

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INTERVENÇÕES

100

RESULTADOS

142

RECOMENDAÇÕES

160

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APRESENT

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TAÇÃO

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a infância “Se você pudesse experimentar a cidade a partir de uma elevação de 95 cm – a estatura de uma criança de três anos – o que você mudaria?” Esta é a frase que move a iniciativa Urban 95 da Fundação Bernard Van Leer, que tem como objetivo promover mudanças duradouras nos espaços públicos e nas oportunidades que moldam os primeiros cinco anos cruciais da vida das crianças. O projeto Primeiro a Infância, realizado pela ARIES (Agência Recife para Inovação e Estratégia) em parceria com a Prefeitura da Cidade do Recife e financiado pela Fundação Bernard van Leer tem o objetivo de reali12

zar intervenções urbanas e campanhas educativas com foco na primeira infância, de forma que as crianças possam dispor de espaços públicos para brincar, interagir socialmente e também receber cuidados e estímulos adequados, gerando impacto no desenvolvimento cognitivo, socioemocional e nos indicadores de saúde para toda vida, tendo como território de intervenção o bairro do Alto Santa Terezinha, nas intermediações do COMPAZ Eduardo Campos. O projeto prevê a realização de intervenções urbanas baseadas em planejamento participativo cujo o resultado possa servir de referência e influenciar políticas públicas com foco na primeira


infância. A realização de intervenções requalificará alguns locais estratégicos da comunidade no intuito de melhorar a locomoção das famílias e sua percepção sobre o espaço público no entorno do COMPAZ Eduardo Campos. Para a sua realização, as crianças, adolescentes e pais estarão envolvidos na concepção e desenvolvimento de melhorias para o espaço público proporcionando à comunidade o sentimento de apropriação, incentivo ao uso e manutenção dos espaços.

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meu bairro brincante O Meu Bairro Brincante é um projeto do Coletivo Massapê sobre criança e cidade. Partindo da prerrogativa de que a criança é um sujeito de direitos, o projeto objetiva refletir e agir sobre a inclusão dos pequenos nos processo de planejamento e intervenção dos espaços urbanos, provocando grupos locais, moradores e moradoras, para a importância de cuidarmos da primeira infância a partir da percepção e construção de um espaço urbano que estimule o ato de brincar. Assim, objetivo e a metodologia do Meu Bairro Brincante se encaixa perfeitamente para alcançar os objetivos do projeto Primeiro a Infância no Bairro 14


Alto Santa Terezinha. As ações foram desenvolvidas em cinco etapas: Conhecendo a área; Engajando pessoas; Desenhando lugares; Construindo Juntos e Avaliando o processo. Cada etapa corresponde a um conjunto de atividades e estudos e diagnósticos e levantamentos sobre o local, para realização da intervenção em áreas de concentração e circulação de crianças no bairro.

projeto e tem como finalidade analisar, refletir e medir os avanços alcançados e os impactos do projeto no território, baseando-se nas coletas de dados qualitativos ou quantitativos seguido de uma análise feita acerca do processo metodológico.

Este relatório foi feito a partir de contribuições dos diversos grupos e pessoas que atuaram no projeto, incluindo moradores, cuidadores, as crianças e os profissionais responsáveis pela coordenação e execução do 15


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Para isso, a avaliação foi realizada a partir de duas dimensões: a do processo e a do produto. O projeto está inserido na compreensão de que o território deve favorecer o desenvolvimento integral da criança. O cuidado com a primeira infância não deve ser apenas responsabilidade de setores ligados à Assistência social, Saúde e Educação, mas deve estar integrada em um esforço conjunto de diversas áreas do conhecimento.

um processo contínuo, ligado às experiências vividas pelas crianças em todos os espaços em que esta possa se fazer presente. O projeto Meu Bairro Brincante visa provocar a ativação de uma rede afetiva de atores sociais de uma comunidade em prol das crianças, em especial da primeira infância.

A circulação no espaço urbano deve ser para primeira infância, em especial, uma experiência sensorial e educativa, entendendo que a aprendizagem é 17


a equipe de projeto O Massapê é uma organização social que acredita que as nossas cidades podem ser mais justas, democráticas, saudáveis e vivas. Para isso, usamos o espaço público como ferramenta de fortalecimento da cultura coletiva, integração e educação. Assim, entendendo as cidades como um bem comum, procuramos impulsionar o diálogo entre os diferentes atores urbanos, a partir da conexão entre pessoas, sonhos e cidade. Desde 2016, ano em que o coletivo foi formado, desenvolvemos projetos de inovação social por meio de metodologias de experimentação e prática. No Alto Santa Terezinha, a equipe do projeto Meu Bairro 18


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Brincante contou com a participação de Eduardo Gomes, da ARIES, que deu as diretrizes do projeto e explicou sobre o Urban95 e os conceitos de rotas seguras e caminhos lúdicos e brincantes a serem aplicados nas intervenções. Ainda apresentou à equipe do COMPAZ Eduardo Campos, que cedeu espaços, alguns materiais e ferramentas para as atividades, além de apoiarem com mão-de-obra para rebocar uma parede para o caminho lúdico. As agentes de paz apoiaram nas primeiras visitas e atividades, enquanto ainda faziam parte do projeto Primeiro a Infância. Além disso, tivemos a participação do pedagogo Gabriel 20

Santana, que colaborou com processos de planejamento e execução das ações do projeto, em especial nas oficinas de cocriação com as crianças da escola municipal Alto Santa Terezinha. A sua experiência na educação infantil, como professor mediador de leitura e no desenvolvimento de ações educativas no projeto Parque Capibaribe, contribuíram para o desenvolvimento do projeto. A equipe contou ainda com colaboradores do Translab.urb (Porto Alegre) e do Brincare (Recife), para etapas específicas do projeto. O Translab.urb é um grupo heterogêneo e transdisciplinar que atua em projetos ligados ao urbanismo a partir


de tecnologias sociais, recursos tecnológicos e da conexão entre arte e ativismo, partindo de um entendimento do Urbanismo enquanto cultura coletiva, cruzando com conhecimentos transdisciplinares e empíricos dos agentes transformadores da vida urbana.

com a cidade de uma maneira mais ampla, aliando pedagogia e arquitetura, nas práticas de educação urbana.

O Brincare é um grupo formado por pedagogas que nasceu da ideia de criação de um espaço de contraturno escolar e hoje atua como difusor de um brincar livre baseado em brincadeiras populares, através do poder de decisão consciente e espontaneidade da criança. Assim, a abordagem multidisciplinar se faz essencial para pensar a relação da primeira infância 21


INTERV

O PROCE 22


VENÇÕES

ESSO

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o processo O Urbanismo Colaborativo é um modelo de “fazer cidades” no qual a participação e a colaboração nos processos são a regra e não a exceção.

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A utilização de métodos de cocriação e gestão compartilhada dos espaços públicos visa considerar como os diferentes atores de uma sociedade podem cooperar em prol da qualidade de vida das cidades. Assim, os processos colaborativos são uma oportunidade para projetar as nossas cidades levando em consideração as particularidades da população e abraçando as diferentes experiências em espaços compartilhados, reforçando a sua importância enquanto caminho trilhado coletivamente rumo ao produto e ao impacto esperados em um projeto.


conhecendo a área engajando pessoas

visita guiada visita a área com as Agentes de Paz, pessoas responsáveis pela mobilização local, em articulação contínua entre o COMPAZ e a Comunidade.

painel interativo ferramenta lúdica de coleta de dados sem precisão estatística.

mapeamento de articuladores locais questionários e entrevistas

articulação com lideranças e instituições locais

desenhando lugares

conversa com 34 cuidadores de crianças do Alto Santa Terezinha

ativação urbana oficina de cocriação

atividade desenvolvida com as crianças da Escola Municipal Alto Santa Terezinha para cocriar soluções para as intervenções.

Ocupe Campinho foi uma tarde de atividades lúdico-pedagógicas para crianças e demais moradores da comunidade

validação

construindo juntos

validação das propostas de intervenção construídas com os moradores.

mutirão

mutirão com os moradores para construçao das intervenções

celebração

evento festivo para celebrar o que foi construído

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conhecendo a área Conhecendo a área funciona como o primeiro contato da equipe com o território e tem como objetivo entender a dinâmica do bairro, seus espaços coletivos e como as pessoas os vivenciam e buscando entender quais são os espaços de foco de crianças e onde realizam suas brincadeiras. Para esta etapa realizamos estudos a partir de pesquisas e diagnósticos desenvolvidos pela ARIES e contamos com o apoio das Agentes de Paz, pessoas responsáveis pela mobilização local, em articular de forma contínua o COMPAZ e a Comunidade, para realizarmos visitas de campo e a aplicação do Painel Interativo, uma ferramenta lúdica de coleta de dados. 26


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vista da área de intervenção 29


A partir da identificação de vazios urbanos, das rotas da primeira infância e da conexão espacial com importantes instituições do bairro, como o COMPAZ, a Rádio Comunitária e a Associação de Moradores da Vila Monarca, foi possível identificar o recorte potencial para as intervenções. Este recorte geográfico para as possíveis intervenções, estabelecido pelas pesquisas da ARIES, pela descrição das rotas de crianças das Agentes de Paz e pelas visitas ao local, buscou-se localizar e espacializar os pontos de interesse e relevância

associação de moradores

VIL

AM

ONARCA

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radio comunitária

para a primeira infância, tais como escolas, creches, praças, espaços livres e de brincar e as principais rotas feitas pelas crianças. Além deste levantamento, foram feitas caminhadas de reconhecimento e apresentação às famílias acompanhadas das Agentes de Paz para conhecer os principais locais com focos de crianças que participam das atividades do COMPAZ, dando especial atenção à primeira infância.


escola alto sta terezinha praça da árvore

compaz eduardo campos

E AV

N

AN A ID

B E N É VO LO L A IB

LE G EN

vias e espaço público

DA

instituições rota principal de crianças rota secundária de crianças

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painel interativo ferramenta lúdica de coleta de dados sem rigor estatístico e de aproximação entre a equipe de projeto e a comunidade.

Ainda nesta etapa foi aplicada a ferramenta Painel Interativo, que consiste na exposição de um painel, em um espaço público, com perguntas sobre a área a ser trabalhada e sobre o tema das intervenções: o brincar. O Painel funciona como uma ferramenta de conexão entre a equipe do projeto e os moradores da comunidade, a partir de perguntas simples e diretas que têm como objetivo identificar os locais onde as crianças brincam nos espaços públicos, quais brincadeiras e atividades são feitas na rua e na escola e em qual turno as crianças brincam nesses espaços. Cerca 27 crianças entre 03 e 12 anos responderam as perguntas

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CONHECENDO A ÁREA PAINEL INTERATIVO

+ 40

MORADORES 2 TIPOS de painel interativo: um voltado para as crianças e o outro voltado para os cuidadores

PARTICIPARAM do evento e compartilharam suas vivências!

2 HORAS de atividade para conhecer a área e os moradores

De que horas você brinca na rua? Manhã

Tarde

Noite

11,1%

18,2%

50%

0-3

50%

36,4%

4-6

66,7%

10-12

33,3%

22,2%

50%

16,7%

45,5%

Cerca de 27 crianças compartilharam suas rotinas de brincadeira e participaram do evento.

A maioria das crianças de 0-3 e 4-6 anos brincam durante o dia

As três brincadeiras na escola mais citadas pelas crianças

As três brincadeiras na rua mais citadas pelas crianças

1 2 3

PEGA PEGA BOLA PEGA ESCONDE

1 2 3

7-9

PEGA PEGA PEGA ESCONDE BOLA

A maioria das crianças de 10-12 e metade de 7-9 anos brincam durante a noite

As três brincadeiras preferidas pelas crianças

1 2 3

PEGA ESCONDE BOLA PEGA PEGA 33


e os gráficos obtidos a partir do cruzamento entre a idade das crianças e o turno em que brincam na rua mostram que quanto mais novas, as crianças tendem a brincar mais cedo, enquanto as mais velhas tendem a brincar mais no turno da noite. Analisando o tipo de brincadeira que as crianças mais brincam, percebe-se que, de uma maneira geral, elas se repetem independente dos espaços, seja na escola ou na rua, nos levando a refletir que as crianças vivem os reflexos dos brinquedos e brincadeiras na rua, também no espaço escolar, reforçando a ideia de que eram necessárias intervenções que contemplassem a primiera infância, já que elas ocupam os espaços cole34

tivos do bairro por mais tempo, seja caminhando até a escola e o COMPAZ ou em seu tempo livre, acompanhados de seus cuidadores.


CONCLUSÕES Os dados das visitas e do Painel Interativo serviram para um entendimento breve sobre as experiências do brincar de crianças do Alto Santa Terezinha e que foram fundamentais para conduzir a etapa de engajamento, mobilizando os moradores sobre a importância do brincar, da rua como lugar de encontro e da importância dos espaços públicos como estímulo a criatividade, expressão corporal e linguagem. O entendimento da dinâmica do bairro e a identificação dos espaços potenciais também subsidiaram a escolha das áreas de intervenção do projeto, as quais foram identificadas considerando as rotas exercidas pelas crianças, os vazios urbanos existentes e os equipamentos comunitários relevantes para a população local.

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engajando pessoas Engajando pessoas é uma etapa contínua ao longo do processo, que tem como objetivo mobilizar e engajar as pessoas no projeto, de maneira a compartilhar e legitimar as tomadas de decisão e fazer da participação um dos princípios norteadores do projeto. Para isso, a articulação com os atores locais e o empoderamento das lideranças são pontos chaves para o despertar de um sentimento de apropriação e pertencimento da comunidade com o espaço, bem como o fortalecimento de uma cultura coletiva de integração e uso dos espaços comuns da comunidade. 36


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entrevista utilização de questionários e entrevistas para aproximação e conversa com os moradores.

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A entrevista é o momento de se aproximar das pessoas através de um contato mais direto, com o objetivo de entender as percepções, os sentimentos e as necessidades dos entrevistados e das crianças. Para essa ação, o modelo adotado foram os questionários, sendo aplicados em 34 moradores das redondezas do COMPAZ, visando ampliar nossas noções sobre a relação entre adulto, criança, brincadeira e espaço urbano. Os dados recolhidos revelam alguns indicadores e impressões que tivemos em conversas com moradores e lideranças locais: mais de 50% das crianças do Alto Santa Terezinha tem a rua como espaço de lazer, e no entanto, a rua é vista


ENGAJANDO PESSOAS QUESTIONÁRIO (34 entrevistados) 97,1%

2, 9%

20 ,6 %

79,4%

h

m

Muitos moradores da Villa Monarca moram com crianças. A comunidade no torno do COMPAZ tem grande potencial para intervenções voltadas a infância!

Dos entrevistados nos arredores do Campinho da Vila Mornarca, 79,4% eram mulheres.

63,6%

60,7% 39 ,3

%

% sim

o

nã

a criança que mora com você brinca na rua?

você brinca com seu filho na rua?

25%

33,3% 16,7%

Os três fatores que mais impedem que as crianças brinquem na rua, segundo seus cuidadores

20%

lim arv peza ore , luz

brin

o rqu inh

ida

de

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nç a

icip a tere l alto s zinh tª. a

ral

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nst mi ela ga bri

A maioria das crianças da Vila Monarca estudam na Escola Municipal Alto Santa Terezinha. O beco da Vila Monarca é a principal rota Casa <> Escola

dos

Na villa monarca, muitas crianças brincam na rua . O espaço público é um dos principais lugares ocupados pelos pequenos!

Um espaço pensando também para os cuidadores é fundamental para uma cidade amiga da criança!

4%

sim

pa

36 ,4 o

nã

60,6%

sim

você mora com criança?

gênero

4%

o nã

50%

13,3%

As três intervenções mais desejadas para as crianças no bairro, segundo seus cuidadores

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como espaço de perigo e insegurança, especialmente devido a violência urbana e o excesso de velocidade do tráfego de carros. Sendo assim, esses são um dos principais motivos das famílias resistirem a deixar as crianças brincarem na rua e as opções que se mostraram seguras para as famílias, são a escola, a creche e a pracinha do COMPAZ. Além disso, a articulação com os atores locais possibilitou ampliar o contato com a comunidade, acrescentando no projeto a parceria com o movimento cultural do Alto Santa Terezinha, através da rádio comunitária, localizada na Vila Monarca. Atualmente a rádio se encontra 42

desativada devido à falta de recursos, mas ainda possui um importante papel de agente articulador de movimentos culturais do bairro e também com representantes da Associação dos Moradores.


CONCLUSÕES Nessa etapa percebemos que, apesar da presença das agentes de Paz, a comunidade não tinha um trabalho de base e de mobilização bem consolidado, o que influenciou no andamento das atividades no tempo previsto. Nesse sentido, foi nessa etapa que buscamos nos apresentar como Coletivo e nos aproximar dos agentes comunitários e grupos locais da Vila Monarca, os quais foram nosso ponto de apoio durante todo o processo.

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desenhando lugares Desenhando Lugares é a terceira etapa do processo e consiste em desenvolver soluções para o território de maneira colaborativa. Com processos de ativação, mobilização e interação com os moradores da comunidade, esta etapa visa convidar as pessoas a propor espaços públicos de qualidade de acordo com suas experiências pessoais, sua relação com lugar e com a ampliação do repertório de ideias. As atividades desenvolvidas nesta etapa foram “Ocupe Campinho”, uma tarde de atividades lúdico-pedagógicas; Oficinas de cocriação, realizada na Escola Municipal Alto Santa Terezinha; e o encontro de validação das propostas construídas com os moradores. 44


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ativação urbana ferramenta para refletir sobre o uso dos espaços públicos de uma maneira diferente do cotidiano.

O Ocupe o campinho aconteceu como abertura da etapa Desenhando Lugares e teve como objetivo aumentar o repertório das pessoas sobre o espaço, aproximar o Coletivo Massapê dos moradores e engajar as pessoas ao processo. A atividade contou com a participação do Brincare, um coletivo de educadores engajados na valorização do brincar livre como alternativa para a aprendizagem e o desenvolvimento sensorial e motor; e do Translab. urb, um grupo de Porto Alegre que atua com foco na cidade e no urbanismo participativo e com a participação de cerca de 150 moradores dos arredores do Campo da Vila Monarca.

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A experiência de brincar livre no campinho contou com contação de histórias, pintura, brincadeiras com água e sabão, corda, bambolê e foi complementada por elementos sensoriais espalhados por todo o perímetro do campo como binóculos e câmaras com lentes coloridas e por estrutura efêmera inflável com a qual as crianças puderam interagir ao final do dia.

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oficina de cocriação como cocriar soluções para espaços de uso coletivo?

A oficina de cocriação é o momento de pensarmos conjuntamente as possibilidades que o lugar oferece, criando demandas, soluções e desejos para a área. O local escolhido para essa atividade foi a Escola Municipal Alto Santa Terezinha, uma vez que a maioria das crianças da redondeza do Campo da Vila Monarca estudam nessa escola. Com o objetivo de envolver as crianças no processo de pensar e produzir espaços, as oficinas de cocriação, realizadas na Escola Municipal Alto Santa Terezinha com crianças entre 5 e 6 anos, foram parte fundamental para que pudéssemos elaborar

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propostas que considerem as experiências de brincar expressadas pelas crianças. O primeiro dia de oficina destinou-se a construção coletiva dos percursos feitos pelas crianças até a escola e da identificação do que está presente no imaginário delas sobre esse caminho. Assim, com o objetivo de apreender quais elementos marcam essas rotas, a caminhada sensitiva teve como foco a relação entre as crianças e seus sentidos, a partir da utilização de um kit exploratório (captador de ruídos, olho vivo, detector de obstáculos e detector de coisas boas).

de memórias com os elementos que as crianças recolheram no caminho e os desenhos sobre as suas percepções. Assim, com o compartilhamento desses registros e impressões, foi possível entender a apreensão das crianças acerca dos espaços de intervenção.

O produto da oficina foi um livro 61


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No segundo dia, a atividade consistiu em elaborar brinquedos a partir do imaginário das crianças sobre o brincar. As construções obedeceram a escala de 1:1, e o objetivo da atividade foi estimular a percepção para tornar o bairro mais divertido a partir do olhar das crianças. O produto da oficina foram três brinquedos que exploravam e ampliavam os sentidos humanos. Estas representações foram importantes para compor o quadro de propostas de intervenção e subsidiar o processo de validação. 69


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validação é o momento de compartilhar o que foi apreendido com as crianças e apresentar ao demais moradores os possíveis locais de intervenções e possibilidades para o espaço.

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A atividade de validação aconteceu em um primeiro momento na sede da rádio comunitária e se estendeu para um porta a porta na Vila Monarca, a fim de coletar mais opiniões e ampliar a participação dos moradores e moradoras. A atividade contou com quatro ferramentas: zine de apresentação do projeto; um painel interativo contendo os resultados do levantamento do perfil de famílias e sua relação com o brincar; mural de repertório contendo fotografias de intervenções nos eixos de pintura, desenho, mobiliário e horta; e uma maquete com o perímetro das intervenções, entre o COMPAZ e o Campinho da Vila Monarca.


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Com essas ferramentas foi possível debater com os moradores sobre as possíveis intervenções e adequar algumas opções de usos e equipamentos à realidade local e, com o porta a porta ouvir as pessoas em relação às suas demandas para o bairro e apresentar as atividades desenvolvidas até então na comunidade. Como resultado, foi definido os pontos de intervenção dentro do perímeto que se limita entre aVilla Monarca, a Avenida Aníbal Benévolo, avenida principal que cruza todo o bairro e a rua 82

da Juventude, que circunda o Compaz. Os pontos de intervenção foram definidos a partir do caráter de cada espaço entre espaços de permanência e de passagem.


CONCLUSÕES Nesta etapa a relação entre a equipe de projeto e a comunidade se estreitou, devido às atividades de aproximação que também possibilitaram a percepção sobre a dinâmica das crianças e dos moradores, a fim de alcançar o objetivo do projeto: fortalecer e criar espaços públicos amigáveis às crianças. A oficina nos permitiu entender que para tornar o Alto Santa Terezinha um Bairro Brincante voltado para a primeira infância, devemos construir equipamentos que os permitam explorar suas habilidades motoras e sensoriais. E por fim, a validação nos mostrou que o porta a porta e o corpo a corpo é a ferramenta mais importante para mobilizar a comunidade! Assim, a etapa “desenhando lugares juntos” foi fundamental para pensar as intervenções a partir de quem mais conhece o lugar: aqueles que o ocupam. 83


construindo juntos Esta é uma etapa de culminância, em que juntos botamos a mão na massa para executar as propostas de intervenção cocriadas, com o objetivo de mobilizar moradores, crianças, grupos comunitários participantes e voluntários, despertando o sentimento de pertencimento para se engajarem na construção de um ambiente mais coletivo. Uma das virtudes do processo de construção ser de mão na massa é a lógica de aprender fazendo. Por mais simples que seja a intervenção, o modelo de mutirão estimula os cidadãos a serem agentes de transformação dos seus bairros. 84


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mutirão hora de colocar a mão na massa para construir os sonhos!

Com o objetivo de construir coletivamente o espaço, o mutirão é uma valiosa ferramenta de engajamento, pois a prática, além de incentivar o trabalho coletivo, fortalecendo a comunidade, desperta o sentimento de apropriação e pertencimento com o lugar. Os mutirões contaram com a participação dos moradores e das crianças do bairro em dois finais de semana de muita mão na massa. As intervenções foram divididas em três eixos de atuação: pintura, mobiliário e sinalização. Esses eixos foram frutos direto do processo de consulta aos cuidadores e crianças e na análise sobre os dados coletados até esta etapa.

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No segundo final de semana de mutirão, recebemos a visita de Tim Gill, especialista em primeira infância, que estava em Recife no presente momento. Tim fez a visita ao Alto Santa Terezinha com o objetivo de conhecer o COMPAZ Eduardo Campos, o Projeto Primeiro a Infância e o território onde estava sendo desenvolvido o projeto Meu Bairro Brincante.

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Tivemos a oportunidade de apresentá-lo um breve histórico do processo colaborativo realizado na comunidade e as intervenções que estavam sendo desenvolvidas ao longo do dia no Largo do Campinho, bem como refletir sobre o processo a partir dos seus questionamentos.


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Depois de tantos aprendizados compartilhados, laços criados, decisões tomadas e roupas sujas de tinta, a celebração do projeto acontece com uma viva e espontânea ocupação do espaço construído. A celebração é um momento festivo, tão importante quanto todas as outras etapas. É hora de reunir todas as pessoas que participaram do projeto, direta ou indiretamente, e também convidar outros atores engajados na causa. Neste projeto a celebração ocorreu ao final dos mutirões 98

em um momento de comunhão e compartilhamento de ideias entre todas as pessoas envolvidas ao longo do dia.


CONCLUSÕES Por ser um momento de intensa troca, partilha e interação com e entre a comunidade, o mutirão foi uma eficaz ferramenta de engajamento social. A etapa despertou o senso de coletividade na comunidade e enfatizou a importância da construção colaborativa nos espaços públicos. Essa etapa foi fundamental na confirmação da eficácia do processo de mobilização na comunidade e no processo de pedagogia urbana, uma vez que contou com grande participação e entusiasmo dos moradores na construção conjunta das intervenções.

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INTERV

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VENÇÕES

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VIL

Após análises e levantamentos do processo participativo e da validação dos moradores, as áreas de intervenção foram escolhidas a partir de seus potenciais de oferecer espaços voltados para as crianças e seus cuidadores. Além dessas características, alguns espaços já eram utilizados como áreas de estar de forma improvisada pelos moradores, dada a falta de equipamentos públicos nesses locais.

LARGO DO BECO

AM 102

ON

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Dessa forma, as intervenções estiveram distribuídas em três pontos, conectadas entre si através de pintura e sinalização.

CAM BRIN


ESTAR DO MIRANTE

COMPAZ

MINHO NCANTE

AV

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A

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L

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LO

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o largo do campinho

104


esse era o principal espaço de permanência dos moradores e olha só como ele era... 105


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Com visão privilegiada para o Campo da Vila Monarca e localizado entre dois importantes lugares de articulação, a Associação dos Moradores e A Rádio EcoCultural, o Largo do Campinho surge como lugar de permanência dos moradores da Vila. Mesmo escasso de estrutura para a estadias prolongadas, o Largo era ocupado, principalmente a partir do fim da tarde, como um espaço de descanso e interação social por crianças e adultos. Reconhecendo sua potencialidade, a intervenção propôs a construção conjunta de um banco brincante de madeira, com diferentes alturas, passível de ser um lugar de descanso para os cuidadores e lúdico para as crianças. Notando a grande incidência de sol neste lugar e para impulsioná-lo como espaço de lazer, a intervenção contou com a implementação de uma cobertura flexível de tecido, que ao incidir o sol, proporciona faixas de luz 108

e sombra, as quais conferem ao lugar um caráter brincante. Nessa mesma perspectiva de explorar os sentidos, a pintura foi feita a partir de cores fortes nos muros que conformam o Largo e de pinturas interativas, além de elementos sensoriais, como rodízios e canos lúdicos nas paredes.

LARGO DO CAMPINHO banco de madeira

banco com diferentes alturas


-

Notando a importância de marcar os lugares como forma de apropriação e orientação, a sinalização, nesse lugar, foi feita a partir de três tipos de placas: Placas institucionais, que indicavam os lugares de articulação (Associação dos Moradores e A Rádio EcoCultural); Placas Mensagens, as quais abordavam dizeres que conectam com

a infância (“Aqui tem brincadeira”); e a Placa Totem, com informações sobre o projeto.

elemento sensorial rodízios

elemento sensorial canos lúdicos

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beco da vila monarca

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essa Ê a entrada do beco da Vila Monarca, a principal rota da primeira infância. quer ver como ela ficou? 115


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Com a perspectiva de trazer caminhos brincantes e a fim de conectar os espaços de intervenção, o Beco da Vila Monarca se tornou um ponto de exploração dos sentidos das crianças! A intervenção se baseou principalmente na pintura lúdica do percurso, na qual as casas ganharam novas cores e desenhos em seus muros e fachadas. Para um caminho mais chamativo, a abertura do beco que conecta com a Av. Aníbal Benévolo ganhou uma pintura convidativa e chamativa, voltada para as crianças, que convida quem passa na rua. No intuito de criar mais verde durante o percurso, de proporcionar maior interação natural com as crianças e de incentivar o cuidado dos moradores em relação ao espaço público, foram colocados kits de jardins e mudas de plantas nas janelas e paredes dos moradores que autorizaram a intervenção. Durante o caminho, foram também fixadas Placas Mensagens, 118

as quais abordavam dizeres voltados à infância, reconectando os moradores a essa época e alertando a passagem das crianças; e Placas Convite, visando convidar as pessoas e articular os lugares de intervenção. Todos esses elementos possuem relação com o universo infantil, permitindo que os espaços majoritariamente de passagem desse local do bairro sirvam também como espaços lúdicos, possibilitando que a passagem seja uma experiência sensorial, motora e brincante!


BECO DA DA VILA MONARCA ONARCA pintura colorida pintura colorida no muro das casas no muro das casas kit jardineira com base de garrafa pet

pintura lúdica no tamanho das crianças

kit jardineira com base de garrafa pet

pintura lúdica no tamanho das crianças 119


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caminho brincante

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o que antes era sรณ uma passagem, foi transformado em um caminho brincante! 123


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Reconhecido como um elemento segregador, o Muro do COMPAZ, que separa esse equipamento das residências ao redor, foi ressignificado e introduzido um novo uso: Um mural lúdico, com pinturas interativas e elementos sensoriais. Com o intuito de remeter ao universo infantil e alimentar a imaginação dos pequenos, a pintura conta uma história com as imagens, alude elementos abordados pelos pequenos durante as etapas do projeto e explora os sentidos das crianças, sendo dividida em visão, audição e tato. Aliado a isso, os elementos sensitivos propõe aos pequenos interagir com o caminho e se reconhecerem no ambiente em que estão, através de escaladas de madeira, canos lúdicos que aumentam o som, barras com objetos que desencadeiam barulho, além de elementos de madeira que reforçam o sentido visual. 126

No decorrer do caminho, também foram fixadas Placas Mensagens, abordando dizeres lúdicos e que remetem a brincadeiras infantis; e Placa Totem, explicando o projeto “Meu Bairro Brincante”. Assim, enquanto caminham com seus cuidadores, as brincadeiras’ podem ser exploradas pelos pequenos!

CAMINHO BRINCANTE tato escalada e engrenagens


audição ferro sonoro

visão espelho e muitas cores

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estar do mirante

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olha essa vista do morro! como tornar esse espaรงo amigรกvel para as crianรงas? 137


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Localizado às margens do muro que delimita o COMPAZ, o mirante foi uma intervenção pensada para que as crianças interajam com a paisagem do bairro e explorem as visadas do morro que desce à sua frente! Observando e conversando sobre a dinâmica dos moradores e das crianças no local, o mirante foi posto como uma grande oportunidade para um espaço de permanência voltado para as crianças e seus cuidadores. Para isso, foi validado pela comunidade um banco escorrego, feito de blocos de concreto e madeira. O mobiliário lúdico, ao mesmo tempo que oferece um espaço de descanso, convida os moradores a olharem para as crianças e suas brincadeiras. Alinhado a isso, a pintura assumiu um caráter brincante, com jogos desenhados no chão e um mural colorido atrás do mobiliário, delimitando o espaço da intervenção. 140

Com a intenção de trazer mais verde ao lugar e estreitar a relação das crianças com a natureza e o cuidado do espaço público, foram construídas jardineiras com blocos de concreto, ao lado do banco. A sinalização contou com a Placa Totem, que explica o projeto Meu Bairro

ESTAR DO MIRANTE jardineira bloco de concreto apoio bloco de concreto


Brincante e a Placa Mensagem, com dizeres voltados às crianças e as brincadeiras infantis, enfatizando aos moradores que a cidade também é dos pequenos!

tecido cadeira de praia

madeira

escorrego

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RESULTAD 142


DOS

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resultados questionário Medir os impactos e resultados de uma intervenção contribui para entender se os objetivos centrais e secundários do projeto foram atingidos, além de também oferecer dados que ampliam o conhecimento sobre o território, entendendo as potencialidades e limitações dos espaços, de maneira a indicar recomendações de curto, médio e longo prazo para a contínua melhoria e manutenção destes locais. Para esta etapa foram usados dois tipos de ferramentas de avaliação: observação do uso do espaço, que foi feita pela equipe do projeto e aplicação de questionários com os moradores. 144


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RESULTADOS

QUESTIONÁRIO (22 entrevistados)

você mora ou convive com crianças?

as crianças que moram com você brincam em algum dos espaços transformados pelo projeto?

qual a faixa etária dela?

se sim, quantas?

se sim, quais dos espaços?

36% 46% com que frequência elas brincam nesses espaços?

na sua opinião, o projeto contribuiu para a criação de um espaço adequado para crianças de 0 a 6 anos?

100%

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avaliação dos locais transformados pelo projeto nos seguintes aspectos:

para você, quais responsabilidades sobre o espaço são dos moradores?

Outro

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resultados de observação A equipe do projeto realizou observações sobre o uso dos espaços de estar no Mirante e no Largo do Beco no intuito de compreender os impactos da intervenção para a comunidade, o perfil dos usuários e os tipos de uso do espaço, de maneira a entender melhor as potencialidades e limitações dos mesmos. Para perceber as diferentes dinâmicas, foram realizadas observações durante 30 minutos no período da manhã (entre 8h00 e 10h00) e da tarde (entre 17h00 e 19h00) em dois dias de semana e um dia de final de semana. 148


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RESULTADOS - ESTAR DO MIRANTE OBSERVAÇÃO DE USOS M 8h 9h 10h sex (13/03) sáb (14/03) ter (17/03)

mobiliário construído em pé sentado em mobiliário sentado improvisado criança brincando

150

T 17h 18h 19h

estar do mirante largo do beco


permanência no estar do mirante

83%

65% %

%

35

17

final de semana

dia de semana

idade

f

gênero

m

2%

0 - 3 anos

19%

4 - 6 anos 7 - 12 anos 19%

44%

45% 55%

Total de permanência

Em pé

8%

8%

12 - 19 anos 20 - 60 anos + 60 anos

43 pessoas 38%

Sentado em mobiliário

42%

Sentado improvisado

6%

Criança brincando

14%

151


152


Através das observações, percebe-se um maior uso do espaço no período da tarde, possivelmente devido à forte incidência solar no período da manhã, enquanto à tarde o muro do Compaz sombreia o espaço, tornando-o mais confortável para o estar. Percebe-se ainda, além da presença das crianças no espaço, uma grande presença de adultos. Isso acontece provavelmente devido à carência de espaços livres na localidade e reforça a ideia de que um espaço para a primeira infância também é um espaço adequado para os cuidadores.

de criação de espaços múltiplos e flexíveis, que sejam capazes de acolher vários tipos de uso e de usuários, onde a brincadeira e a sociabilidade convivem harmonicamente. A quantidade de pessoas “em pé” e “sentadas em mobiliário improvisado” em alguns horários indica que, apesar da transformação do espaço, a intervenção ainda não foi suficiente para suprir a demanda por espaços de estar e descanso do local.

Além disso, revela a necessidade 153


RESULTADOS - LARGO DO CAMPINHO OBSERVAÇÃO DE USOS M 8h 9h 10h sex (13/03) sáb (14/03) ter (17/03)

mobiliário construído em pé sentado em mobiliário sentado improvisado criança brincando

154

T 17h 18h 19h

estar do mirante largo do beco


permanência no largo do campinho 69%

60% %

%

40

31

dia de semana

final de semana

idade

f

gênero 9%

m

7%

13%

0 - 3 anos 4 - 6 anos 7 - 12 anos

13%

47%

33% 67%

Total de permanência

Em pé

12 - 19 anos 20 - 60 anos

11%

+ 60 anos

36 pessoas

31%

Sentado em mobiliário

40%

Sentado improvisado

0%

Criança brincando

27% 155


Analisando as informações obtidas com as observações, percebe-se que, assim como no estar do mirante, a permanência é maior no período da tarde, possivelmente devido à incidência solar. A coberta instalada na intervenção tem um maior efeito sombreador no horário entre as 11h00 e as 13h00, quando o sol está mais centralizado e mais intenso, tendo, sobretudo, uma função de amenizar a insolação. Assim como no estar do mirante, identificou-se um forte uso dos espaços por adultos/cuidadores. Aqui percebe-se ainda que dois terços das pessoas que ocuparam o espaço nas observações são mulheres. Isso se 156

deve ao fato de que, ainda hoje, muitas vezes elas assumirem o papel de ficar em casa e cuidar das crianças. Apesar de a intervenção ter sido capaz de atender uma parte da demanda por um espaço de estar e brincar, nota-se que essa demanda não foi totalmente suprida, já que em alguns horários algumas pessoas ainda permanecem em pé.


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objetivos

ampliar e qualificar os espaços de permanência criar rotas seguras e amigáveis à primeira infância fortalecer os espaços públicos existentes como espaços de brincar, interagir socialmente e recepção de cuidados e estímulos adequados à primeira infância coletar dados a partir da experimentação e prática para projetos futuros de caráter permanente fortalecimento de uma cultura coletiva de cuidado com os espaços públicos e atenção à relação das crianças com a cidade 158

totalmente parcialmente atingido atingido

não atingido


justificativa

durante as observações foi possível identificar que os cuidadores e crianças que antes permanenciam em espaços improvisados agora utilizam os mobiliários instalados. a sinalização, as pinturas lúdicas, e os elementos sensoriais fizeram com que aumentassem as interações e brincadeiras nas rotas de intervenção .

a instalação de mobiliários brincantes, os elementos sensoriais e as pinturas lúdicas fortaleceram o espaço como lugar de brincar.

como o tempo de mobilização e diagnóstico coletivo foi pequeno , as informações das análises devem ser utilizada de forma cuidadosa e não conclusiva. apesar disso, vários dados foram obtidos e que podem auxiliar num desenvolvimento de projeto permanente. o objetivo de construir conjuntamente o espaço, incentivar o trabalho coletivo, despertar o sentimento de apropriação e cuidado do lugar é um processo contínuo e cuidadoso. embora as etapas do projeto contassem com a participação dos moradores é preciso dar uma continuidade aos processos de cuidado com o espaço a partir da iniciativa desses atores. 159


RECOMEN

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NDAÇÕES

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próximos passos o processo é contínuo e não deve parar por aqui!

Através do processo projetual e do engajamento de atores locais, assim como da análise do impacto da intervenção na dinâmica de vida de cuidadores e crianças aqui sintetizados, pode-se entender que a intervenção realizada pelo projeto é apenas um ponto de partida para ações futuras mais efetivas e de maior escala, as quais possam consolidar a visão de desenvolvimento integral da infância através do contato com a multiplicidade da cidade e dos espaços públicos. Esperamos que os espaços transformados funcionem como estímulo para novas iniciativas do poder público e dos próprios moradores, através do forta-

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lecimento do sentimento de pertencimento e apropriação dos espaços coletivos e comunitários. Diante das análises, reflexões e aprendizados sobre o impacto do projeto e do próprio processo de escuta e colaboração com os moradores dos entornos das intervenções, é possível sugerir melhorias e recomendações que fortaleçam as intervenções e a dinâmica de vida de cuidadores e crianças do bairro. Sendo assim, foram desenvolvidas tabelas de recomendações direcionadas à ARIES, nossa contratante, e ao Poder Público, divididas em curto, médio e longo prazo, para os espaços do Largo do Campinho, Estar

do mirante e Caminho Brincante. Recomendamos ainda que todo processo de intervenções futuras seja sempre em contato com os moradores, sempre buscando inserir as crianças, especialmente na faixa etária de 0 a 6 anos e junto às importantes instituições comunitárias, como Associação de Moradores da Vila Monarca e a Rádio Ecocultural.

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RECOMENDAÇÕES LARGO DO CAMPINHO

longo prazo instalar novos brinquedos, dando preferência a brinquedos coletivos que fortaleçam o senso comunitário e valorizem as dimensões sensoriais, motoras e cognitivas das crianças, evitando brinquedos padronizados e repetitivos; apoiar e incentivar os grupos comunitários a fazer atividades no território; criação de espaços de partipação, no sentido de atualizar-se sobre as demandas da comunidade em relação a primeira infância.

médio prazo fazer a manutenção dos brinquedos e mobiliários quebrados; realizar ações pedagógicas de engajamento cidadão; inserir jardineiras de piso e verticais por todo o perímetro de intervenção; pavimentar o piso do beco da Vila Monarca; manter conservado e em bom estado os grafites existentes, e propor novos murais com artistas locais.

curto prazo distribuir pontos de iluminação para pedestres; substituir a coberta do Largo do Campinho por um material mais durável; instalar lixeiras com desenhos lúdicos e acessíveis à altura das crianças;

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RECOMENDAÇÕES CAMINHO BRINCANTE

longo prazo instalar novos brinquedos, dando preferência a brinquedos coletivos que fortaleçam o senso comunitário e valorizem as dimensões sensoriais, motoras e cognitivas das crianças, evitando brinquedos padronizados e repetitivos; apoiar e incentivar os grupos comunitários a fazer atividades no território; substituir o muro por um elemento vazado ou retirá-lo.

médio prazo instalar corrimão por todo o percurso do mirante; realizar ações pedagógicas de engajamento cidadão; inserir jardineiras de piso e verticais por todo o perímetro de intervenção; fortalecer a sinalização sobre o cuidado com o espaço; manter conservado e em bom estado os grafites existentes, e propor novos murais com artistas locais.

curto prazo distribuir pontos de iluminação para pedestres; fazer manutenção do mobiliário instalado; instalar lixeiras com desenhos lúdicos e acessíveis à altura das crianças; pintura do muro das casas que ladeiam o Caminho Brincante; 166

construção de calçada acessível.


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RECOMENDAÇÕES ESTAR DO MIRANTE

longo prazo instalar novos brinquedos, dando preferência a brinquedos coletivos que fortaleçam o senso comunitário e valorizem as dimensões sensoriais, motoras e cognitivas das crianças, evitando brinquedos padronizados e repetitivos; fazer um monitoramento e atualizaçao do levantamento de demandas. retirar o muro e integrar o espaço da comunidade ao espaço do COMPAZ, trabalhando o agenciamento dessa conexão;

médio prazo instalar corrimão por todo o percurso do mirante; realizar ações pedagógicas de engajamento cidadão; inserir jardineiras de piso e verticais por todo o perímetro de intervenção; rebocar o muro do COMPAZ para fazer ação de pintura com os moradores; manter conservado e em bom estado os grafites existentes, e propor novos murais com artistas locais.

curto prazo distribuir pontos de iluminação para pedestres; fazer manutenção do mobiliário instalado; instalar lixeiras com desenhos lúdicos e acessíveis à altura das crianças; construção de uma calçada acessível. 168


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considerações finais Mais do que apenas viver nas cidades, as pessoas têm o direito à liberdade de se expressar, se reconhecer e fazer parte do exercício de “fazer cidades”. Quando você passa a interagir mais com os espaços de uso coletivo da cidade, cria-se outro tipo de relação. O sentimento de identidade, pertencimento e apropriação cria lugares mais vivos, seguros e felizes. Por sua vez, a presença das crianças nos espaços públicos sinaliza a existência da vivacidade e inclusão do ambiente. A criança cria inúmeras possibilidades de construir e desconstruir os espaços urbanos, e, considerando-a como sujeito social pleno, dotada de capacida170

de de ação e participação, Meu Bairro Brincante é um projeto que busca a integração plena dos pequenos em todo o processo. Se por um lado, a presença das crianças nas cidades possibilita espaços mais vivos, seguros e saudáveis, por outro lado para as crianças estar presente nos espaços públicos tem extrema importância no seu desenvolvimento mental, emocional, motor e social em um processo de aprendizagem contínuo da criança, além da construção da sua identidade e de seu reconhecimento enquanto ser no espaço e na sociedade. Meu Bairro Brincante, portanto, tem total sintonia com os preceitos e objetivos do Projeto


Primeiro a Infância da Agência Recife para Inovação e Estratégia, que preconiza a relação da criança - sobretudo na primeira infância - com o espaço urbano e reforça essa importância por meio não só de formações sobre o tema, como também de atividades de transformação efetiva das áreas públicas que envolvam o engajamento da comunidade através das crianças pequenas e de seus cuidadores.

inclusão do tratamento dos espaços públicos nas pautas das gestões municipais, a atenção às iniciativas cidadãs que já estão sendo desenvolvidas e um novo olhar para a inclusão dos pequenos nos processos de pensar e fazer cidades.

Nosso desejo é que este caderno também possa orientar e inspirar mais formas de cooperação para desenvolvimento de projetos de melhoria e ativação dos espaços públicos das nossas cidades para a primeira infância, a fim de alcançar a 171


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www.massapecoletivo.org massape.coletivo@gmail.com @coletivomassape 174


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