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Anuário 2021 Colégio Uirapuru

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ANUÁRIO 2021


Sumário

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126 O TRABALHO EM GRUPO CONECTANDO A CONVIVÊNCIA 130 COLÓQUIO MATEMÁTICO: MATEMÁTICA ENQUANTO CIÊNCIA E ARTE: SIMETRIAS E FENÔMENOS NATURAIS / POESIA COLÓQUIO MATEMÁTICA 138 A IMPORTÂNCIA DA LINGUAGEM VISUAL NA MATEMÁTICA

INTRODUÇÃO

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INFÂNCIA: DO ACOLHIMENTO AO CONHECIMENTO

08 UIRAPURU BEBÊ - O OLHAR PARA AS CRIANÇAS DE 0 A 3 ANOS 13 PARQUE: UM LUGAR PARA CHAMAR DE MEU! 18 PARA ONDE AS GIRAFAS PODEM NOS LEVAR? 25 MISTURAS E EXPLORAÇÃO ALÉM DA SALA DE AULA 30 O BORDADO NO CONTORNO DA APRENDIZAGEM 36 PARA ALÉM DE UM TERRENO ENLAMEADO... OLHOS, OUVIDOS E MÃOS CURIOSAS, EM UM ATO INVESTIGATIVO! 42 TERRITÓRIOS DE BRINCADEIRAS: UM LUGAR DE INVESTIGAÇÃO E CONSTRUÇÃO DE SABERES 46 DA GAROA À TEMPESTADE: CONHECIMENTOS SOBRE CHUVAS ENTRELAÇADOS A AVENTURAS EM ALTO-MAR 50 QUAL A COR DO AMOR: CONSTRUINDO APRENDIZAGENS E EXPERIÊNCIAS ATRAVÉS DA OBSERVAÇÃO, EXPLORAÇÃO E DEGUSTAÇÃO 56 SOB O MESMO CÉU: VIVENCIANDO A APRENDIZAGEM COMO EXPERIÊNCIA COLETIVA 66 O BURACO: QUANDO O ATO DE CAVAR A TERRA SE TORNA UMA INVESTIGAÇÃO DAS CRIANÇAS DA RELAÇÃO DO SEU CORPO COM O ESPAÇO QUE HABITAM

70 ANUÁRIO 2021

PROJETOS: A FASE SIGNIFICATIVA DA APRENDIZAGEM 72 76 84 90 98 106

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110 114 118 122

BICHOS DE CÁ: NATUREZA, ARTE E INFÂNCIA PEQUENOS CIENTISTAS DESCOBRINDO UM MUNDO INVISÍVEL NAS AULAS DE PROJETO MATEMÁTICA, ARTE E CIÊNCIA: UMA REDE DE POSSIBILIDADES WORLD SPEAKERS: “PORTA-VOZES DO MUNDO” / PODCAST TECENDO CAMINHOS: A DISCIPLINA PROJETOS NO FUNDAMENTAL II JOGO DE TABULEIRO: "MATEMATICANDO" COM A CIÊNCIA O APANHADOR DE MEMÓRIAS FANZINE CIENTÍFICO: A ARTE DA NATUREZA “REPENSANDO O CONSUMO DE ENERGIA ELÉTRICA” MUDANÇAS CLIMÁTICAS: COMO PODEMOS PROTEGER O PLANETA?

HUMANIDADES: UM EXERCÍCIO DE CIDADANIA 146 150 156 160 164 170 174

A TRANSPOSIÇÃO DA IMAGEM PARA O TRIDIMENSIONAL NAS AULAS DE GEOGRAFIA LUGAR DE ORIGEM NAVEGANDO POR FONTES HISTÓRICAS VESTÍGIOS DOS QUE VIVERAM ANTES DE NÓS: HISTÓRIA E INVESTIGAÇÃO EM SALA DE AULA PARA FAZER MELHOR FORMAÇÃO POLÍTICA PARA FUTUROS LÍDERES UIRAMUN

178 A ARTE SALVA: ENTRE IMAGENS E AFETOS 180 186 192 196 200 206 210 214

ENTRE LINHAS E PINCELADAS: CAMINHOS PERCORRIDOS CATÁLOGOS DE CORES E TONS: UM OLHAR ALÉM DO QUE SE VÊ DA CABEÇA AOS PÉS: A CONSTITUIÇÃO DA IDENTIDADE TAMBÉM PELO DESENHO O PROCESSO CRIATIVO E A COMUNIDADE ESCOLAR NA SUSTENTABILIDADE ARTE E MATERIALIDADE CONEXÕES E OCUPAÇÕES A FOTOGRAFIA COMO POSSIBILIDADE DE DOCUMENTAÇÃO SINCERA O CORPO HUMANO E A SUA ORQUESTRA MUSICAL


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ODE À CIÊNCIAS: A MULTIDISCIPLINARIDADE EM CENA

USCHOOL: FORMAÇÃO DE SUJEITOS MULTICULTURAIS E MULTILINGUES 338 USCHOOL, QUE INGLÊS É ESSE? 342 UTIGER'S CUB: DE PORTAS ABERTAS PARA O MUNDO 346 WHO'S BEHIND MY BURGER? 350 A CRIANÇA E A COMUNICAÇÃO EM DUAS (OU MAIS) LÍNGUAS 354 WEBSITE UIRATALENTS 358 MEDIA AND COMMUNICATION: FERRAMENTAS PARA A ERA DA INFORMAÇÃO 360 GLOBAL CULTURE MOVIE AWARDS 362 BUSINESS: EVOLUIR SEMPRE! 364 PROGRAMA HIGH SCHOOL DUAL DIPLOMA AFINAL, QUAL É O SEU DIFERENCIAL?

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270 ELETIVAS: A RESSIGNIFICAÇÃO DA EDUCAÇÃO OU A RESSIGNIFICAÇÃO DOS PROCESSOS DE APRENDIZAGEM 272 DISCIPLINAS ELETIVAS: PERSONALIZANDO O ESTUDO ATRAVÉS DE ITINERÁRIOS FORMATIVOS 276 A ELETIVA QUE SALVOU NOSSAS VIDAS 282 CONEXÕES - A PANDEMIA DO COVID-19 ATRAVÉS DE UMA VISÃO TRANSDISCIPLINAR

286 LINGUAGENS: NOVAS FRONTEIRAS, ANTIGOS PARADIGMAS 288 A LEITURA EM VOZ ALTA E O VÍNCULO AFETIVO NO PROCESSO DE CONSTITUIÇÃO DO LEITOR 292 3º ANO E AS ETAPAS DE UMA ENTREVISTA 296 EDUCAÇÃO MIDIÁTICA: O JORNAL E A INTERDISCIPLINARIDADE NAS AULAS DE PORTUGUÊS 300 CONHECENDO A CULTURA INDÍGENA ATRAVÉS DE SUAS LENDAS E MITOS 304 A DESCONSTRUÇÃO DO FINAL FELIZ DESENVOLVER UM REPERTÓRIO LITERÁRIO DIVERSO CONTRIBUI PARA A FORMAÇÃO DE UM LEITOR CONSCIENTE, SITUADO E CRÍTICO 308 A LEITURA COMO FORMA DE EXISTÊNCIA 314 A BIBLIOTECA E AS AULAS DE PORTUGUÊS: UM DIÁLOGO ESSENCIAL 318 O PAPEL FORMATIVO DA BIBLIOTECA DENTRO DA ESCOLA: UMA PRÁTICA PARA A FORMAÇÃO DE COMPETÊNCIAS PARA O SÉCULO XX 324 A TECNOLOGIA E OS MÚLTIPLOS OLHARES 328 GANHADORES DO CONCURSO DE POEMAS 2021

CORPO EM AÇÃO: A CURA PELA PRÁTICA PRÁTICA DE JOGOS NA EDUCAÇÃO FÍSICA COMO INTENCIONALIDADE PEDAGÓGICA 372 MALABARES: APRENDIZAGENS ALÉM DO EQUILÍBRIO 374 DESENVOLVIMENTO COGNITIVO ATRAVÉS DO ESPORTE 376 AS PRÁTICAS PEDAGÓGICAS DA EDUCAÇÃO FÍSICA NAS AULAS REMOTAS DURANTE A PANDEMIA COVID-19: PERCURSO E IDEIAS 368

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EQUIPE PEDAGÓGICA: OS DESAFIOS DA MEDIAÇÃO EFETIVA

384 A IMPORTÂNCIA DA FORMAÇÃO CONTINUADA NO BERÇÁRIO 388 A APRENDIZAGEM DOS PROFESSORES COMO UM PROCESSO CONTÍNUO FUNDAMENTADO NA EXPERIÊNCIA E NA TEORIA QUE A SUSTENTA. 396 O ESPAÇO DO PLANEJAMENTO PARA COMPREENSÃO NO FUNDAMENTAL I: UM CONVITE PARA REFLEXÃO 400 FORMAÇÃO DE PROFESSORES: VIVENCIAR PARA O APRENDER E SENSIBILIZAR PARA O AGIR 416 REESCREVENDO O ENSINO MÉDIO 420 SABERES, AFETOS E DISCIPLINA ARTICULADOS AO COTIDIANO ESCOLAR 448 A VIDA DO NOVO TEMPO REQUER UM GENUÍNO ACOLHIMENTO 452 DISCIPLINA POSITIVA NA FORMAÇÃO DOS PROFESSORES 458 DISCIPLINA POSITIVA: UMA ABORDAGEM PRÁTICA EDUCATIVA PARA TODA A VIDA 464 A ORIENTAÇÃO EDUCACIONAL NO ENSINO MÉDIO: AVANÇOS E DESAFIOS 466 A RESIDÊNCIA DOCENTE NA FORMAÇÃO INICIAL DE PROFESSORES 472 FORMANDOS 3ª SÉRIE DO ENSINO MÉDIO 2021

ANUÁRIO 2021

218 A CIÊNCIA COMO UMA VELA NO ESCURO: UM OLHAR TRANSVERSAL SOBRE O CONHECIMENTO 226 A IMPORTÂNCIA DA EXPERIMENTA(AÇÃO) 230 OLHARES CONECTADOS COM A NATUREZA 242 O QUE VEIO PRIMEIRO, O OVO OU A GALINHA? 248 ESTUDAR CIÊNCIAS É COLOCAR A MÃO NA MASSA 252 AULAS DE CIÊNCIAS E O CURIOSEAR 256 REELABORANDO O ENSINO DE CIÊNCIAS: DA TEORIA À PRÁTICA 262 FAZENDO CIÊNCIA NA PANDEMIA: ESTUDANDO A SAÚDE MENTAL 266 UM DESCANSO DAS TELAS

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ANUÁRIO 2021


Ao redigir a apresentação deste anuário de 2021, esboço um esforço no sentido de me fixar em algo diferente do que manifestar minha perplexidade diante do milagre de termos produzido tantos saberes, durante de mais um ano difícil. Definitivamente não consigo. Basta por passarmos a relação dos títulos elencados, desde “o olhar para as crianças de 0 a 3 anos”, ou “navegando por fontes históricas” ou ainda fechando com o tema da “residência docente na formação inicial de professores, para manifestar o meu reconhecimento pela imensa produtividade de nossa “orquestra” sob a harmoniosa regência da maestra Maura Bolfer”.

Boa leitura.

ANUÁRIO 2021

Arthur Fonseca Filho Diretor

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INFÂN ANUÁRIO 2021

DO ACOLHIMENTO AO CONHECIMENTO

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NCIA É aqui que as crianças desfrutam da sua infância e, pelas múltiplas experiências, associadas às múltiplas linguagens, constroem conhecimentos sobre si mesmas, sobre o outro e sobre o mundo.

ANUÁRIO 2021

A Educação Infantil acolhe a infância e permite que ela seja vivenciada pelas crianças em seu livre brincar nos mais diferentes ambientes do Colégio, nos territórios cuidadosamente estruturados, no faz de conta trazido em cada história lida ou contada, nas pesquisas sobre os elementos da natureza…

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UIRAPURU BEBÊ O OLHAR PARA AS CRIANÇAS DE 0 A 3 ANOS

ANUÁRIO 2021

Michele Leite - Coordenadora Pedagógica

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"O teu olhar transforma o meu, tanto quanto o meu transforma o teu"(SáChaves), e é na troca desses olhares que bebês, crianças e adultos constroem a prática no cotidiano dos espaços do Colégio Uirapuru.

distintos, mas com interligação, o que facilita o acesso para que propostas de aproximação, adaptação e outras vivências sejam possíveis. Embora os ambientes sejam diferentes, o olhar para o desenvolvimento infantil é o mesmo.

Tudo começa no portão, onde pais, filhos e educadores, cheios de expectativas, se entregam à incrível arte do distanciamento e da adaptação. Aos pais, a grande tarefa é entregar seus maiores tesouros nas mãos de outros adultos que passarão a assumir os cuidados e os olhares para seus filhos, aos educadores, a maior das tarefas é transmitir segurança e estabelecer os primeiros vínculos de afeto com a família, para então adentrar o espaço coletivo que pertence apenas às crianças.

A adaptação no berçário acontece durante todo o ano letivo. Desta forma, há um cuidado especial para os bebês que chegam, mas também para aqueles que já compõem os grupos de referência. Assim, elegemos um educador para dispor de tempo de qualidade para a construção de vínculos de afeto e segurança com as crianças, mas não abrimos mão da referência no grupo, pois a aproximação de um novo integrante precisa ser cuidada.

É no entrelaçamento dessas relações que a ação educativa se faz presente todos os dias. No Colégio, o segmento denominado Uirapuru Bebê compreende crianças de 0 a 3 anos, em dois espaços diferentes. O berçário, acolhe as crianças de 4 a 24 meses e o Infantil, crianças de 25 meses a 3 anos. Isso acontece em dois prédios

Nas primeiras fases da Educação Infantil, Infantil 2 e Infantil 3, a adaptação geralmente se dá no início do ano, podendo ou não receber novas crianças nos grupos ao longo dele. O período de adaptação, nesta fase, pode levar um tempo maior, já que as crianças passam a perceber que nesse espaço coletivo, há muitos outros iguais a si, com demandas diferentes, mas que necessitam ainda de um olhar individualizado aos seus desejos e necessidades.


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ANUÁRIO 2021

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Consolidada a adaptação é preciso pensar no tempo e no ritmo das propostas que acontecerão durante o período de encontros na escola. Com os grupos já formados, planejamos o dia a dia tendo em vista três fatores de maior importância: a alimentação, o cuidado e a brincadeira. Para cada aspecto, o adulto traz um olhar diferente para o que vê.

Durante as refeições é sabido que não se pode comer andando, que não se deve brincar com o alimento e que todo alimento oferecido é saudável e possível de ser experimentado, mesmo para as crianças que começam a apresentar preferências alimentares. As crianças são convidadas a fazer parte dessa atividade que é entendida como ponto central na organização do espaço.

A alimentação vai muito além da saciedade do corpo ao ingerir o alimento. Quando servimos as refeições para as crianças, indiretamente trabalhamos com a organização do tempo, com o olhar para o outro, com a cooperação e, principalmente, ajudamos a criança a integrar o que acontece na nossa cultura. Construímos, na relação e no olhar, atitudes que serão levadas por toda a vida.

O cuidado, ação que promove o bem-estar, está diretamente ligado ao envolvimento do adulto e da criança. É durante os momentos de troca, de banho e de higiene bucal que o adulto está mais próximo da criança. É onde a conversa e toda atenção é voltada para essa dupla que, como se estivessem em uma dança, trocam olhares.


A criança aprende pela observação e pela maneira como é cuidada. O cuidado permite à criança que o recebe e ao educador uma relação de confiança e é dessa confiança que se criam os vínculos afetivos. Com os vínculos criados, o próximo passo é o brincar, aqui entendido como principal atividade dos bebês e das crianças, e que ocorre em todos os tempos e espaços da escola. “O brincar é a forma de expressão mais genuína da criança e tem um papel fundamental na cultura da infância". (BRANDÃO, 2021, p. 14). É brincando que o bebê conhece o mundo que habita e, para brincar, basta-lhe o próprio corpo. No berçário, é com imensa alegria que observamos quando descobre as suas mãos. Conforme cresce, o nível de complexidade do corpo e de objetos que podem compor a brincadeira variam, além disso, a troca entre parceiros coetâneos também se faz presente.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: BRANDÃO, Tetê. O brincar, a vida dos bebês. Um diálogo sobre como os bebês brincam. Recife: Vacatussa, 2021. SÁ-CHAVES, Idália. Teu olhar (trans)forma o meu? Um andamento, cinco variações. Disponível em: https://drive.google.com/ file/d/1fjL-KoTAMOiHp1Zy-502DKGF4vs9vMWV/ view. (Acesso: 21/11/2021).

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A adaptação, a alimentação, os cuidados e as brincadeiras ganham a importância que têm pela parceria estabelecida entre as educadoras e as crianças no cotidiano escolar. Pelo olhar, as trocas acontecem, pelo olhar, os vínculos se formam, pelo olhar é possível ver além do que os olhos podem enxergar. O olhar é transformador.

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PARQUE: UM LUGAR PARA CHAMAR DE MEU! Gabriela Plens - Coordenadora Pedagógica

Amigos de escola que se encontram todos os dias na sala de aula e nos espaços da escola, mas, principalmente, amigos de parque que se (re)encontram, (re) conhecem, (re)vivem, (re)conquistam, num constante movimento de convivência.

O novo parque, um lugar feito para a criança, se torna um lugar da criança à medida que ela dá sentido e significado aos materiais e às relações que ali são estabelecidas. É o encontro cotidiano com os parceiros coetâneos e consigo mesma que constrói na criança o seu pertencimento ao mundo social, num grande jogo de representações dos papéis e interpretação das suas experiências. Severino Antônio (2019, p. 60) define o brincar como uma “atividade vital, que educa espontaneamente a sensibilidade, a inteligência, a imaginação. Uma experiência de alegria e liberdade, imprescindível para a inteireza da infância”.

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Todos os adultos, ou talvez quase todos, guardam na memória afetiva bons momentos de brincadeiras em que o corpo era o principal instrumento na relação com o meio. Talvez, pela época em que os adultos de hoje viveram a infância, o limite era o céu, que praticamente era alcançado quando se subia nos galhos das árvores, ou talvez, o limite fosse o chão, que deixava marcas nos joelhos ralados pelas brincadeiras de rolimã ou bicicleta, mas há quem diga ainda que o bom mesmo era brincar de bets ou queimada, desenhando o campo no asfalto com cacos de tijolo. Amigos da rua, primos que se encontravam nas férias, risadas, noites sem dormir, experiências profundas que, com certeza, foram fundamentais para a formação do adulto que cada um é.

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Viver o parque é mais do que um encontro com os brinquedos, pois eles são apenas um décimo da brincadeira, o restante é a criança, que elabora, interpreta e expressa, as palavras de C. (6 anos) mostram o encontro que tem consigo mesmo nas brincadeiras “Eu gosto de subir no telhado da casinha, que é bem alto. Eu me sinto feliz porque eu consigo subir”. C. (6 anos) se refere ao “castelo” do parque, um lugar de percursos e de esconde-esconde, um brinquedo com telhados em diferentes níveis, com rampa de cordas, de escalada e com obstáculos, que possibilitam o abrigo dentro e embaixo, estimulando as brincadeiras coletivas e de interpretação de papéis do imaginário das crianças, além do corpo em exercício. A casa do parque é, sem dúvida, o maior ateliê de representações das crianças que por lá passam cotidianamente. A cada dia e a cada grupo que passa pelo parque, a casa ganha uma nova configuração, com elementos que dão sentido às experiências vividas na vida real e que são traduzidas na brincadeira por meio de gestos e palavras. “- Uma casa na árvore!” (G. 4 anos) “- Uma casa de bonecas…” (A. 6 anos)

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“- Uma casa de Tarzan!” (P. 5 anos)

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De modo geral, as crianças têm grande interesse por brincar de casinha, talvez porque traga a sensação de conforto e segurança e é por meio dela que dão sentido aos seus pensamentos. As mesas e os bancos são arrastados para a parte

debaixo da casa e, sobre elas, algumas pedras, vasos de especiarias, colheres e potes de água. Tudo organizado com bastante cuidado, com direito a toalhas e flores que enfeitam a mesa. Há pais e mães que entram e saem da casa, se revezando na tarefa de cuidar de seus filhos, há bebês e, até mesmo, filhos "adolescentes", que testam os limites colocados pelos “adultos” da brincadeira. Os bebês choram pelo cuidado, enquanto os maiores brincam que estão dirigindo e saindo com os amigos. Enquanto algumas crianças brincam de casinha, outras se empenham em fazer as comidas, assim, alecrim, hortelã, pedras, terra, areia, orbis (bolinhas em gel), argila, farinhas, água se combinam na preparação das refeições ou mesmo pelo simples e inteligente fato de ver os elementos no processo de transformação, como revelado por Y, 4 anos “- Filhas, eu estou fazendo uma comida para vocês. Ela está bem colorida!”, ou ainda “- Vamos ver o que acontece quando a gente mistura a farinha com um pouco de areia e água?”, convida E, 5 anos ao amigo G, 5 anos. Peneiras, copos de metal, bacias, colheres de pau, funis, sprays, martelos, são exemplos de instrumentos que compõem as mesas de experimentação, possibilitando a ação direta e autônoma da criança sobre os materiais num processo de investigação. As brincadeiras permitem que a criança faça suas testagens sociais, ou seja, que exercitem sua capacidade de viver as hipóteses, de errar, de verificar e de acertar, uma possibilidade para que, livremente e de forma descompromissada, vivencie a confiança em si mesma e no outro.


“- EU GOSTO DE BRINCAR AQUI, PORQUE PRECISO DE FORÇA PARA SUBIR. EU IMAGINO QUE SOU UM SUPER-HERÓI SUBINDO EM UM PRÉDIO PARA SALVAR AS PESSOAS”, diz P, 6 anos

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Cubos de elástico, rampa, triângulo e escalada proporcionam brincadeiras com o corpo em que o domínio da força e do controle inibitório são colocados em práticas nos contextos da brincadeira consigo mesmo e com parceiros num contexto de faz de conta ou mesmo pela livre experimentação. A preensão com garras exige da criança a consciência das ações do corpo. É por meio das brincadeiras corporais que as crianças encontram estratégias para lidar com os problemas e, assim, desenvolvem memórias de conhecimento do corpo.

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Enquanto P, 6 anos “sobe no prédio” há outra criança, A, 5 anos, tocando um alarme sonoro (tocos sobre as bacias de metal fixadas no painel sonoro), anunciando “- Amigos… A cidade está em perigo! Nosso alarme já tocou! Vamos salvar o dia!”. Os painéis de exploração sonora, com instrumentos convencionais, clavas, xilofone, pandeiros, além dos não convencionais, cones de plásticos, bacias de metal permitem que as crianças criem suas músicas e seus sons dentro de um contexto lúdico e livre. O parque tem se transformado em múltiplos lugares das crianças, em que memórias estão sendo construídas à medida que ele é habitado pelos grupos. Memórias com o corpo, das brincadeiras vividas, dos cheiros sentidos, das cores vistas, da natureza em composição e, principalmente, das memórias de relações inter e intrapessoais.

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Assim, o novo parque, um verdadeiro ateliê a céu aberto, em que a significância do lugar é dada pela criança, consolida a escola como um lugar de liberdade, de autonomia, de autoria e de protagonismo, um lugar de direito à infância, um lugar para chamar de meu!

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O parque tem se transformado em múltiplos lugares das crianças, em que memórias estão sendo construídas à medida que ele é habitado pelos grupos.


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PARA ONDE AS GIRAFAS PODEM NOS LEVAR? Professoras: Barbara Souza, Fernanda Fuglini, Monize Machado, Virgínia Cruz

Acolher uma criança é, também, acolher o mundo interno da criança, as suas expectativas, os seus planos, suas hipóteses e as suas ilusões. Significa não deixar passar, como se fosse tempo inútil, o tempo que a criança dedica às atividades simbólicas e lúdicas, ou o tempo empregado para tecer as relações “escondidas” com outras crianças. ANUÁRIO 2021

(STACCIOLI, 2013, p. 28).

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“O papai desenha girafas super bem. Ele desenhou 1 girafa para mim.” Assim inicia Jean-Claude, brasileiro autor do livro “Girafas”, obra que norteou um prazeroso e importante projeto para nossas crianças do Infantil 3. Nele, uma criança solicita que seu pai desenhe girafas e, mesmo com certa relutância dele, acaba desenhando 1, 2, 3… até a décima girafa, se apresentando como fugitiva, vejam só! Leve, divertido e colorido, o livro nos transporta para diversas possibilidades, como o pensamento matemático ao longo da contagem de girafas, momentos de faz de conta para vivenciar uma savana, brincadeiras divertidas e estruturação dos desenhos, ampliando as possibilidades representativas da criança para além da figura humana.


Faz de conta que… estamos em uma savana! O projeto iniciou com as crianças encontrando seus livros em lugares altos da nossa jabuticabeira, o que trouxe a magia da altura para esse encontro, afinal, quem seria alta o suficiente para fazer isso com todos os livros? A postura para a leitura já estava presente, como um hábito, aliada aos olhinhos brilhando, tentando descobrir o que aquelas páginas coloridas lhes contariam.

Com territórios ambientados para cada animal, proporcionamos cantos com pedras de diferentes tamanhos, terra úmida para uma savana tropical, diferentes texturas de exploração como folhas secas e sementes, assim como cantinhos escuros para um covil de leões. Instalamos um aromatizador de ambiente com cheirinho “verde” de natureza, assim como um projetor com imagens reais e sons de savana. Durante a vivência, as crianças aproveitaram para fazer experimentações de ambientes, de texturas e marcas passíveis de serem deixadas pelos objetos ali presentes. Um pouco da savana aterrissou no Colégio Uirapuru, proporcionando uma gostosa vivência para nossas crianças de olhares e mãozinhas curiosas.

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Passado algum tempo do projeto, entre registros e brincadeiras, surgiu a dúvida: De onde essas girafas vieram? Que lugar é esse chamado savana? Providenciamos, então, um lugar especial para trazer o cheiro, a textura e os sons de uma savana. Segundo Marcelo Cunha Bueno (2018, p. 83), "uma boa educação depende da nossa capacidade de fazermos bons convites", então nos preparamos para criarmos bons convites, inclusive para um faz de conta cheio de investigações.

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Com as girafas conhecemos muitos jogos e brincadeiras, vejam só! Além do encantamento do faz de conta, o Infantil 3 é carregado de jogos e brincadeiras. É um momento em que a criança entra em contato com objetos que lhe circundam e com seus pares. A partir desses objetos entram no mundo da ludicidade e protagonizam papéis que podem ajudar no desenvolvimento das brincadeiras ou dos jogos corporais.

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O brincar é o principal modo de expressão da infância, é uma das atividades mais importantes para que a criança se constitua como sujeito de cultura. O desenvolvimento da criança acontece por meio do lúdico, ela brinca para crescer (PIAGET, 1971).

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As girafas apresentaram para as crianças brincadeiras e jogos, como: girafinha colorida, que cor?, bingo das cores, a girafa mandou, fazer o quê? e savana colorida, contribuindo de forma significativa para o desenvolvimento global da criança, pensando nas relações sociais de cada uma e também no coletivo.

Por meio de jogos e brincadeiras, favorecemos o desenvolvimento da linguagem, da escuta, da fala, da imaginação, da atenção, da concentração, do respeito ao próximo e afeto. Enquanto as crianças participam desses momentos, é perceptível as relações que criam com o mundo real. Na brincadeira, girafinha colorida, que cor? trouxemos cores e formas geométricas no chão do parque, um espaço organizado para favorecer a aprendizagem e observar a exploração de cada criança, sem que houvesse a intervenção e a comanda do professor mediador. Consequentemente, surgiram curiosidades e perguntas sobre o que viam. ALUNO 1: Tia, sabia que essa forma chama quadrado? ALUNO 2: Amiga, vamos para a cor amarela? ALUNO 3: Tia, já sei! Podemos chamar todos os amigos para brincarem juntos.


convencionais ou não, alguns exemplos: desenharam girafas no caderno de atividades com guache, caneta permanente, no acetato com tinta plástica, utilizaram o chão como suporte para o registro feito com graveto, entre outros. Entendemos que o desenho é uma linguagem em que a criança comunica seu pensamento, ou seja, é a fotografia da sua mente. “O desenho é uma atividade perceptiva, algo que não se completa, mas que convida, sugere, evoca.” (Derdyk, 2020, p. 33). O desenho é a primeira escrita da criança, é nele que ela exprime todos seus desejos, vontades, emoções e aprendizagens.

O projeto "Girafas" possibilitou que as crianças tivessem muitas experiências, e uma delas foi a exploração gráfica, em um primeiro momento diversas girafas apareceram no ambiente em que as crianças estão inseridas, na sala de aula, na entrada do "Tio Cacá", no espaço do lanche e no parque, girafas de vários tipos e tamanhos, girafas altas, baixas, verde com o corpo cheio de bolinhas, amarela com triângulos, vermelha com quadrados, entre outras… A curiosidade permeou a vida de nossas crianças e, a partir disso, foram construindo mentalmente suas hipóteses a respeito da representação figurativa do animal. Desenharam girafas em vários suportes e com vários materiais, sejam eles

Ao longo do ano esses desenhos ficaram mais elaborados, os traços ficaram mais precisos, com enriquecimento de detalhes. A representação da figura humana passa a ganhar cabeça, membros, ainda que esses membros partam desta cabeça. “Desenhar muito e com frequência é a melhor forma para o aperfeiçoamento da destreza e da flexibilidade necessária ao desenhar. Na verdade, são saberes cognitivos procedimentais e qualitativos, pois para desenhar não é necessário que o professor mostre para o aluno passo a passo o que ele deve fazer, dar a ele modelos para copiar, ou desenhos prontos para pintar, mas sim que cada um possa construir seus próprios esquemas para desenhar” (IAVELBERG, 2008, p. 74).

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O encantamento pela chegada das girafas e o surgimento de outras pelo olhar das crianças!

Cada vez mais esses desenhos vão se consolidando, ganhando estrutura, É nas situações vividas e percebidas que as crianças revelam o que mais marcaram em suas brincadeiras e jogos, e então transmitem para o papel.

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As brincadeiras e os jogos têm contribuição muito significativa para o desenvolvimento do desenho, pois é nas vivências corporais que elas começam a ter a percepção do seu corpo, do corpo do outro, do cenário em que estão e que, então, consequentemente avançam em seu desenvolvimento gráfico. O corpo em evidência favorece a consciência de si e do outro, do mundo à sua volta, mundo esse que está cheio de novidades, descobertas, experiências e esperando para que nossas crianças possam desbravar cheias de autonomia, segurança, confiança e com muita, mas muita alegria!

estabeleceram relações de comparação entre objetos, observando também suas propriedades e, em empolgantes momentos, como na brincadeira da “Girafinha Mandou”, demonstraram controle e adequação do uso de seu corpo. Neste breve texto de apresentação, há apenas um pequeno recorte das representações e explorações que nossas crianças do Infantil 3 experienciaram, sentiram e memorizaram durante o projeto.

O pensamento matemático e o pictórico: imaginação, observação, associação e simbolização

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No livro “Girafas”, as crianças do Infantil 3 mergulharam no conto e no reconto de uma história delicada, divertida e cheia de afeto. No texto, a Matemática passeia ludicamente, tanto na narrativa como nas ilustrações das girafas de pescoços muito compridos, estimulando de forma agradável e respeitosa o contato com algo sobre o qual as crianças têm curiosidade natural, isto é, números, quantidades e comparações.

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De acordo com Smole (2000), a criança vive inserida em um contexto social que se encarrega de emitir muitas informações que, em sua maioria, são geradas e percebidas pela criança, enquanto explora o espaço ao seu redor. A partir da escuta, da fala, do pensamento e da imaginação, as crianças externaram ideias, desejos e sentimentos sobre suas vivências através da linguagem oral e brincadeiras. Expressaram-se livremente por meio de desenho, pintura, colagem, escultura, criando produções bidimensionais e tridimensionais. De igual modo,

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: BUENO, Marcelo Cunha. No chão da escola: por uma infância que voa. Cachoeira Paulista/SP: Editora Passarinho, 2018. 120 p. CLAUDE, Jean. Girafas. São Paulo - 1° Edição. Editora:Brinque-book, 2009. DERDYK, Edith. Formas de pensar o desenho: desenvolvimento do grafismo infantil. São Paulo: Panda Educação, 2020. 160 pp. IAVELBERG, Rosa. O desenho cultivado da criança: prática e formação de educadores. Porto Alegre: Zouk, 2008. STACCIOLI, Gianfranco. Diário do acolhimento na escola da infância: Campinas SP: Autores Associados, 2013. PIAGET, J. A formação do símbolo na criança, imitação, jogo, sonho, imagem e representação. São Paulo: Zanhar, 1971. SMOLE, Kátia Stocco. A matemática na educação infantil: a teoria das inteligências múltiplas na prática escolar. Porto Alegre : Penso, 2000.


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MISTURAS E EXPLORAÇÃO ALÉM DA SALA DE AULA. Professoras: Ana Paula Souza e Soraia Moreira

A exploração tátil e o desenvolvimento infantil O trabalho com misturas na Educação Infantil é uma das formas pelas quais podemos proporcionar às crianças experiências com materiais plásticos diversificados, promovendo o conhecimento das propriedades dos materiais, assim como a possibilidade da produção de marcas. (Instituto Avisa Lá)

É por meio do tato que a criança, desde seus primeiros meses de vida, começa a explorar e interpretar o ambiente à sua volta, assim como desenvolver habilidades cognitivas e afetivas. As crianças tendem a aprender mais quando os sentidos são estimulados, por isso as atividades sensoriais são tão importantes na infância.

Para desenvolver as habilidades sensoriais das crianças do Infantil 4, as idas ao parque têm proporcionado além das brincadeiras, momentos de experimentação, pesquisa e transformação com elementos da natureza, entre outros materiais. Convictas da importância dos espaços para a aprendizagem, considerando como sendo um educador a mais, Malaguzzi (2020, p. 107 - 108) nos traz que: A ORGANIZAÇÃO DO ESPAÇO, É UMA CONTRIBUIÇÃO QUE TEM IMPLICAÇÕES AFETIVAS, ESTÉTICAS, SOCIAIS E COGNITIVAS. OS ESPAÇOS ORGANIZADOS DEVEM POSSIBILITAR UMA AMPLA GAMA DE REFERÊNCIAS, ESTÍMULOS, DISPONIBILIDADES DE MATERIAIS QUE SÃO OFERECIDOS À CRIANÇA.

ANUÁRIO 2021

A percepção tátil é a capacidade do ser humano perceber através da pele as características de um objeto (forma, tamanho e textura), além de outras sensações como pressão, temperatura e odor, as quais em conjunto possibilitam a adequada relação com o ambiente e os objetos, assim como a proteção e reação dos indivíduos a estímulos nocivos.

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Com a nova estruturação do parque, os momentos de exploração sensorial se tornaram frequentes. Além de desenvolver a imaginação, criatividade durante o brincar, instigou a curiosidade natural dos alunos, proporcionando um mundo de possibilidades e experimentação.

ANUÁRIO 2021

Através de territórios organizados previamente pela professora, os alunos tiveram contato com diferentes materiais como: amido de milho, farinha de trigo, água, areia colorida, orbis (bolinhas de gel) e materiais da natureza. Nessa perspectiva, segundo o Referencial Curricular Nacional da Educação Infantil (BRASIL, 1998, p. 30, v. 01): O professor é mediador entre as crianças e os objetos de conhecimento, organizando e propiciando espaços e situações de aprendizagens que articulem os recursos e capacidades afetivas, emocionais, sociais e cognitivas de cada criança aos seus conhecimentos prévios e aos conteúdos referentes aos diferentes campos de conhecimento humano. Na instituição de educação infantil o professor constitui-se, portanto, no parceiro mais experiente, por excelência, cuja função é propiciar e garantir um ambiente rico, prazeroso, saudável e não discriminatório de experiências educativas e sociais variadas.

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Com isso, as crianças perceberam a importância das transformações dos materiais e as suas mudanças durante a exploração. Através dos movimentos realizados durante a exploração das misturas (atritar, esfregar, cutucar, apertar), que permitem que as substâncias se modifiquem em sua forma, ocupação do espaço surgindo conceitos relacionados a diferentes texturas, cores, densidade, temperatura, enfim, a visível transformação.

Participando, questionando, testando as suas hipóteses, verbalizando seus conhecimentos prévios, as crianças estiveram construindo ativamente os seus conhecimentos sobre misturas colocando a mão na massa. Durante essas situações a nossa intervenção, como adulto, é indireta, em alguns momentos nos envolvemos juntos na brincadeira, em outros as crianças sabem que estamos disponíveis para brincamos juntos e para ajudarmos com ideias, mas ficamos como observador, pois respeitamos o tempo da brincadeira, priorizando a investigação da criança. As intervenções não restringem e sim sintonizam e dialogam com o brincar sem direcionar. O papel do adulto é como captador de informações, documentando falas, reações e percepções das crianças durante a experimentação. Uma das características fundamentais do trabalho com mistura é a plasticidade*, por meio dessas práticas realizadas, promovemos nos alunos o conhecimento das propriedades dos materiais utilizados, permitimos o contato sensorial prazeroso ou não dos mesmos e possibilitamos que as crianças deixem marcas pelo mundo de diferentes formas. AS CRIANÇAS DEMONSTRAM TAMBÉM CURIOSIDADE SOBRE O MUNDO FÍSICO (SEU PRÓPRIO CORPO, OS FENÔMENOS ATMOSFÉRICOS, OS ANIMAIS, AS PLANTAS, AS TRANSFORMAÇÕES DA NATUREZA, OS DIFERENTES TIPOS DE MATERIAIS E AS POSSIBILIDADES DE SUA MANIPULAÇÃO ETC (BNCC, 2018 P. 42).


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ANUÁRIO 2021


Vejamos algumas falas das crianças nesses momentos:

“Essas bolinhas são úmidas, elas escorregam nos nossos dedos.” “Não pode apertar com força, pois elas esmagam!” “Nossa tia, agora o parque ficou sensacional!” “Eu não acho, ficou muito legal!” “Quando eu coloco meu dedo nesse furinho, sai menos areia.”

ANUÁRIO 2021

“Tia, esfreguei uma pedra na outra e esquentou!”

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*Plasticidade: Segundo o dicionário Michaelis, plasticidade se refere: 1. qualidade do que é plástico; 2. resposta fácil aos estímulos; 3. facilidade de adaptação às condições do meio. Isto é, materiais pelas quais as respostas deixam de ser elásticas, embora as deformações continuem processando-se de forma imediata, ao se retirar a solicitação estas não voltam as características iniciais, permanecendo deformados.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

BRASIL. Ministério da Educação e Cultura. Base Nacional Comum Curricular, 2018. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental. Referencial curricular nacional para a educação infantil/ Ministério da Educação e do Desporto, Secretaria de Educação Fundamental. - Brasília: MEC/SEF, 1998, volume: 1 e 2. (acesso em 15/10/2021). Dicionário Michaelis: disponível em: https://michaelis.uol.com.br/ (Acesso em 05/11/2021) HOYUELOS, Alfredo. A estética no pensamento e na obra pedagógica de Loris Malaguzzi. São Paulo: Phorte, 2020.

OLIVEIRA, Vera Barros de (org). O brincar e a criança do nascimento aos seis anos. Petrópolis, RJ: Vozes, 2000. VYGOTSKY, L.S; LURIA, A.R. & LEONTIEV, A.N. Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem. São Paulo: Ícone: Editora da Universidade de São Paulo, 1998.

ANUÁRIO 2021

INSTITUTO AVISA LÁ, disponível em: https://mail.google.com/mail/u/0?ui=2&ik=03fb 1daab1&attid=0.1&permmsgid=msg-f:171029150 7074698346&th=17bc2d106d8e0c6a&view=att &disp=inline&realattid=f_ktarn7h00 (Acesso em 15/10/2021).

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O BORDADO NO CONTORNO DA APRENDIZAGEM Professoras: Ana Laura Vilhena e Julia Ferreira

“Explorar, conhecer, fruir e analisar criticamente práticas e produções artísticas e culturais do seu entorno social, dos povos indígenas, das comunidades tradicionais brasileiras e de diversas sociedades, em distintos tempos e espaços, para reconhecer a arte como um fenômeno cultural, histórico, social e sensível a diferentes contextos e dialogar com as diversidades”. (BNCC para ensino fundamental – linguagens: arte)

O contorno da aprendizagem.

ANUÁRIO 2021

A criança, em seus primeiros anos de vida, adquire conhecimentos através da busca por novas experiências. Através do seu corpo, percebe o mundo à sua volta e que seu desenvolvimento é estabelecido por meio das trocas que ela realiza com o meio.

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Ao brincar, a criança envolve-se em uma atividade psicomotora extremamente complexa, não só enriquecendo a sua organização sensorial, como estruturando a sua organização perceptiva, cognitiva e neuronal, elaborando conjuntamente sua organização motora adaptativa (FONSECA, 2008, p. 392).

É no brincar que a criança desenvolve diferentes habilidades corporais, na prática das brincadeiras diárias de correr, pular, saltar que a criança reconhece seu corpo, supera seus limites, além de utilizar da comunicação com gestos, atitudes e posturas para o momento do faz de conta. As ações que permitem ao indivíduo unir o corpo, a mente, o espírito, a natureza e a sociedade, de modo que através da conexão "afetividade e personalidade" a criança demonstre seus sentimentos, estão, estreitamente, relacionadas à Psicomotricidade infantil.


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ANUÁRIO 2021


Através da psicomotricidade a criança passa por experiências e desenvolve sua individualidade, sua linguagem e socialização. Sendo assim, não há como pensarmos em aprendizagem se esta não estiver ligada ao movimento. Portanto, o conhecimento da criança do seu próprio corpo dará à ela condições de se situar no espaço, controlar o tempo e desenvolver habilidades e coordenação de gestos e movimentos que auxiliarão no processo de apropriação da leitura e escrita. Fonseca (1988, p.112) diz que “a psicomotricidade atualmente é concebida como a integração superior da motricidade, produto de uma relação entre indivíduo e meio, na qual a consciência se forma e se materializa”. Ainda Fonseca (1988) vê o movimento como realização intencional, como expressão da personalidade e que, portanto, precisa ser observado não tanto por aquilo que se vê e se executa, mas também por aquilo que representa e origina.

ANUÁRIO 2021

A importância da psicomotricidade é apresentada para buscar maior compreensão da necessidade de se trabalhar o corpo e a mente, de modo que a criança domine seus movimentos e melhore sua expressão corporal. Percebese então que a psicomotricidade deve ser trabalhada desde os primórdios de nossa existência, Fonseca (1996, p. 142) coloca que:

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"alfabetizar a linguagem do corpo e só então caminhar para as aprendizagens triviais que mais não são que investimentos perceptivo-motor ligados por coordenadas espaços-temporais e correlacionados por melodias rítmicas de integração e resposta."


A linha como bordado Há grande diversidade de objetos nos espaços em que as crianças estão inseridas, com diferentes características, usos e estéticas. Conhecer o mundo implica conhecer as relações entre os seres humanos, a natureza, os objetos e a forma como interagem com os recursos com os quais dispõem. É diante desse cenário que são oportunizados dentro do colégio, ambientes diversos para que os alunos vivenciem situações de contemplação, apreciação e experimentação. Para que os objetos possam ser utilizados como fonte de conhecimentos para as crianças, é necessário criar situações nas quais elas observem e percebam suas características sensíveis e também suas propriedades não evidentes.

Com tal experiência, compreenderam que o momento trouxe aprendizados, como: destreza com as mãos, paciência, foco e concentração. Aprenderam errando e percebendo que às vezes é necessário desmanchar, refazer e tentar novamente... até a conquista do acerto. Em uma próxima etapa, apreciaram uma exposição com o trabalho dos amigos, contemplaram a beleza de cada linha passada, construída e superada.

ANUÁRIO 2021

Foi durante as aulas de artes, que os alunos do 1º ano aprenderam a confeccionar as primeiras ‘alinhavadas’ com objetos, até então, desconhecidos. Com os olhinhos atentos e as mãos pequenas, puderam experimentar com curiosidade a arte do “bordado” utilizando a criatividade, lã e talagarça. O primeiro contato com a agulha, instrumento pequeno que requer o movimento preciso de pinça, e no entrelaçar, autoria do trabalho.

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Do bordado da talagarça à iniciação da letra cursiva O processo de aprendizagem da língua escrita, não se constitui numa trajetória linear e previsível que as crianças inevitavelmente irão passar. Tanto involuções quanto evoluções fazem parte do desenvolvimento da linguagem escrita de cada um. Para Vygotsky (1998), os gestos têm o significado de uma escrita no ar. É uma maneira de simbolizar atos, ações, sentimentos e objetos dentro do imaginário.

“O gesto é o signo visual inicial que contém a futura escrita da criança, assim como uma semente contém um carvalho”

escrever algo, é necessário ter postura adequada, concentração, controle de movimentos (controlar o movimento do lápis sobre o papel). Além disso, lateralidade, ritmo, orientação espacial, dominância lateral definida, praxia global e fixa, bem como sucessão temporal para as sequências gráficas. Em síntese, é indispensável que a criança domine tais marcos e movimentos, para que depois caminhe em direção à escrita cursiva, desenhando dessa forma seu traço pessoal, expressando-se pela comunicação e construindo assim, sua identidade.

(Vygotsky, 1998, p. 141).

ANUÁRIO 2021

Dentro do contexto da Educação Infantil e anos iniciais do Ensino Fundamental, é impossível não reconhecer a importância e a contribuição dos aspectos motores (já descritos) para o processo de aprendizagem. Visto que tais ações levam a criança a ter noção de seu corpo, a concepção de espaço, a dominar seu tempo e lateralidade, a adquirir habitualmente a coordenação de seus gestos e movimentos, indispensáveis para a aprendizagem da leitura, escrita e matemática.

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E, assim, como o bordado, o traçado da letra cursiva recruta habilidades sensoriais, noções de orientação espacial, auxiliando a criança a ‘exercitar’ a mão para a execução dos movimentos corretos. Portanto, as atividades envolvendo o bordado, se tornam, intencionalmente, prérequisitos para a iniciação da apresentação da letra cursiva, pois para que possam

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, MEC, 2018. FONSECA, Vitor da. Desenvolvimento Psicomotor e Aprendizagem. Porto Alegre. Artmed, 2008. FONSECA, Vitor da. Psicomotricidade. São Paulo. Ed. Martins Fontes, 2º ed., 1988. VYGOTSKY, Lev Semenovitch. A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. São Paulo: Martins Fontes, 1998.


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ANUÁRIO 2021


PARA ALÉM DE UM TERRENO ENLAMEADO... OLHOS, OUVIDOS E MÃOS CURIOSAS, EM UM ATO INVESTIGATIVO! Professora: Fernanda Fuglini

Uso as palavras para compor meus silêncios

Eu fui aparelhado

não gosto das palavras

para gostar de passarinhos.

fatigadas de informar.

Tenho abundância de ser feliz por isso.

Dou mais respeito

Meu quintal é maior que o mundo. Sou um apanhador de desperdícios:

às que vivem de barriga no chão

ANUÁRIO 2021

tipo água pedra sapo. Entendo bem o sotaque das águas. Dou respeito às coisas desimportantes e aos seres desimportantes. Prezo insetos mais que aviões. Prezo a velocidade das tartarugas mais que as dos mísseis.

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Tenho em mim esse atraso de nascença.

Amo os restos como as boas moscas. Queria que a minha voz tivesse um formato de canto. Porque eu não sou da informática: eu sou da invencionática. Só uso a palavra para compor meus silêncios. (Manoel de Barros, 2003)


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As crianças geral, são seres curiosos, observadores, espontâneos, que buscam por sicom sópermeiam as no respostas porprecisam todos lugares em que e, por isso, osos adultos que convivem estar atentos a elas todos os movimentos, desde o mais minucioso até o mais genérico. O Infantil 3 é uma fase que é marcada encantamento, pelos primeiros processos autônomos, pela pertença ao social grupo que empelo que estão e elaborada. pela relação passa inseridas a ser mais A obra Ana Oom, "Trêse porquinhos" foi, um convite à brincadeira àeeinvestigação sobre ode habitat dos seus modos de sobrevivência. A animais fantasia o imaginário das crianças, característica dessa faixa etária, se funde com as crianças observações feitas a partir do real. Um porco foi trazido ao Quintal e, as ideias das sobre os seres das vivossuas começaram a ficar evidentes por meio falas:

As crianças no geral, são seres curiosos, observadores, espontâneos, que buscam por si só as respostas por todos os lugares em que permeiam e, por isso, os adultos que com elas convivem precisam estar atentos a todos os movimentos, desde o mais minucioso até o mais genérico.

ANUÁRIO 2021

O Infantil 3 é uma fase que é marcada pelo encantamento, pelos primeiros processos autônomos, pela pertença ao grupo em que estão inseridas e pela relação social que passa a ser mais elaborada.

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A obra de Ana Oom, "Três porquinhos" foi, um convite à brincadeira e à investigação sobre o habitat dos animais e seus modos de sobrevivência. A fantasia e o imaginário das crianças, característica dessa faixa etária, se funde com as observações feitas a partir do real. Um porco foi trazido ao Quintal e, as ideias das crianças sobre os seres vivos começaram a ficar evidentes por meio das suas falas:

Aluno 1: "- A pele da Pitaya é muita lisa e está gelada” Aluno 2: "- Escuta esse som Luísa, está saindo do nariz dela" Aluno 3: "- Ela é um pouco diferente do livro de história" Aluno 1: "- Ela tem quatro patas e a gente tem duas pernas"


Mas, a imaginação ainda permeava os pensamentos das crianças e elas se comparavam ao animal em suas necessidades pessoais. As crianças foram revelando seus interesses direcionando o percurso para a próxima pesquisa, pois as crianças traziam questionamentos em suas falas:

Aluno 1: "- O que será que a Pitaya come?" Aluno 2: "- Será que ela toma leite, ela parece ser um bebezinho" Todos os questionamentos trazidos pelas crianças a respeito do animal eram pertinentes, já que a Pitaya estava fazendo parte das vivências e a curiosidade transpassava entre os pensamentos dos nossos pequenos pesquisadores. Em uma conversa com os biólogos, as crianças descobriram que os porcos adoram legumes, frutas e verduras, em especial, cenoura, beterraba e espinafre, algumas crianças concluíram em suas falas que os porcos comem muitas coisas importantes para a saúde:

Aluno 1: "- Nossa, essa porquinha está de parabéns, a mamãe dela deve ficar muito feliz". Aluno 2: "- Que Pitaya saudável!" Escolhemos partilhar com as crianças os alimentos preferidos da Pitaya, a cenoura, a beterraba e o espinafre. As experiências sensoriais com os alimentos em que toque, visão, paladar e olfato estavam em conexão possibilitaram a ampliação do pensamento acerca dos alimentos. As crianças foram convidadas para realizar o registro grafoplástico e então representar a comida do porco a partir da observação do próprio alimento. A linguagem do desenho sobre canson foi escolhida para que as crianças dessem forma às suas percepções. Para que as crianças transitassem entre nuances de uma mesma cor, a tinta guache foi escolhida como possibilidade para o preenchimento de massa de cor. As crianças convivem e aprendem com os espaços em que estão inseridas, o entorno que as envolve, possibilita que as suas percepções se aproximem do real, fazendo com que cada vez mais se tornem reflexivas, questionadoras e isso é revelado em suas ações. As crianças acreditavam que os porquinhos tinham suas brincadeiras preferidas e a lama seria uma delas. Por conta disso, as crianças do Infantil 3 foram convidadas a terem um dia muito especial no "Espaço Eco", um lugar em que as crianças têm o contato direto com a natureza, um espaço repleto de árvores, pássaros cantando e um terreno muito convidativo para fazer um lamaçal.

ANUÁRIO 2021

Em cada visita feita à Pitaya (porca hospedada no Quintal), as crianças observavam o animal e traziam novas informações para as rodas de conversa, cada relato feito pelas crianças mostrava seus interesses e expectativas para saber mais sobre o animal e tudo o que o envolvia. As representações grafoplásticas mostravam que as crianças tinham construído um conhecimento imagético sobre o animal e suas principais características físicas.

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Acreditamos que as brincadeiras são atividades propícias para que as crianças desenvolvam em todos os seus aspectos: sociais, emocionais e cognitivos, pois são capazes de expor seus sentimentos, de explorar, manusear, investigar e levantar hipóteses.

As crianças, em suas brincadeiras, nas perguntas que formulam, na maneira de interagir com o mundo à sua volta, expressam curiosidade e movem-se como grandes pesquisadores. Exploram tudo que veem como pequeno cientista

ANUÁRIO 2021

(OSTETTO 2017, p. 95).

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Neste dia, as crianças vieram especialmente trajadas com roupas de "guerra", pois sabíamos que iriam "deitar e rolar na lama", e foi o que aconteceu. Exploraram o espaço de muitas maneiras. Pesquisadoras natas, utilizaram os pés, depois as mãos, não contentes sentaram e pegavam a água com a terra, erguiam e abriam as mãos e observavam a água escorrer por entre os dedos. Aluno 1: "- Esta lama, está mais 'fraca' desse lado" - fazendo referência a uma parte do terreno que tinha mais água.

Outra criança não teve dúvidas sobre o porquê os porquinhos adoram chafurdar na lama. Aluno 2: "- Veja tia, essa lama é o máxima*!" Aluno 3: “- A lama está muito geladinha” Aluno 4: “- Lorenzo, se você pular, suas pernas vai ficar cheias de bolinhas” - sobre as marcas em que a lama deixaria nas pernas do amigo. *A fala da criança foi respeitada no momento da transcrição.


Para Vygotsky (2007), o mais importante em ofertar brincadeiras para as crianças é proporcionar satisfações/prazeres em que elas não tenham em outras práticas cotidianas, ou seja, propor brincadeiras em que não viveriam em suas rotinas diárias. Acreditamos que esse momento de brincadeira é propício para estreitar laços de convivência, se Manoel de Barros estivesse aqui com certeza diria que o Espaço Eco também é maior que o mundo! Que possamos continuar a promover momentos de muitas experiências, brincadeiras e o mais importante, de muitas aprendizagens significativas que ficarão guardadas para sempre na vida das crianças.

Clique no QR Code ou acesse com a câmera do celular e assista a momentos das atividades.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

VYGOTSKI, L.S. O pensamento e a fala. São Paulo: Martins Fontes, 2007. OSTETTO, Luciana Esmeralda. Registros na educação infantil: pesquisa e prática pedagógica. Campinas, SP: Papirus, 2017. OOM, Ana. Os três porquinhos. Recontado por Ana Oom; ilustrações de Madalena Matoso. São Paulo: FTD, 2014.

ANUÁRIO 2021

MELO, Rozana Machado Bandeira de. É brincando que se aprende: a experiência da te-arte na educação infantil. Curitiba: Appris, 2015.

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TERRITÓRIOS DE BRINCADEIRAS: UM LUGAR DE INVESTIGAÇÃO E CONSTRUÇÃO DE SABERES

ANUÁRIO 2021

Professora: Juliana Sewaybricker

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Entendemos o espaço da Educação Infantil como: um contexto no qual aprendizagem ocorre a todos os momentos, como um meio no qual são construídas relações, um espaço contextualmente preparado como estratégia de aprendizagem, um espaço construído pelos materiais (que tanto podem ser naturais como artificiais). Desta maneira, semanalmente, as professoras organizam os espaços de maneira intencional tendo como principal objetivo promover uma experiência única para as crianças. Estas experiências estão diretamente ligadas ao ato de construir que é, em si, um ato social que ganha um grande valor pelo simples fato de compartilhar com outros parceiros coetâneos um espaço e alguns materiais preparados em contextos que contribuem

para que se percebam como criadoras, inventoras e investigadoras. Para a elaboração de cada contexto se pensa nas possibilidades de aprendizagens que podem ocorrer entre as crianças durante a conquista do espaço e na escolha dos materiais e sua disposição (realizado pela professora), uma vez que essa distribuição promove, facilita e potencializa algumas ações e direciona as relações de trocas. A cada território preparado (nome dados aos espaços organizados em sala), as crianças têm a oportunidade de desenvolver a criatividade. É uma experiência completa que implica nas decisões que serão tomadas, na comunicação com os pares, na análise do contexto da brincadeira, no planejamento de sua obra, na avaliação dos materiais dispostos e elaborem hipóteses sobre as suas investigações e criações. Para que isso ocorra, as crianças são convidadas diariamente a escolherem o território de seu interesse, levando em consideração que em cada espaço é ser composto de pequenos grupos de crianças para que ocorra trocas mais significativas.

Trabalhar em pequeno grupo permite às crianças terem experiências significativas, plenas, cheias de significados e ricas em estímulo e em situações sociais. Oferece a cada criança a oportunidade de desenvolver sua autonomia, de se integrar como um membro ativo do grupo, ao mesmo tempo que as inicia na heteronomia social (DUBOVIK, 2018, p. 67).

ANUÁRIO 2021

...O ESPAÇO É UM ACÚMULO DE RECURSOS DE APRENDIZAGEM E DESENVOLVIMENTO PESSOAL. JUSTAMENTE POR ISSO É TÃO IMPORTANTE A ORGANIZAÇÃO DOS ESPAÇOS DE FORMA TAL QUE CONSTITUAM UM AMBIENTE RICO E ESTIMULANTE DE APRENDIZAGEM (ZABALA, 2007, P. 241).

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Em cada construção elaborada pelo grupo, é possível observar as intenções e as ações que as crianças buscam para a criação, assim como em suas falas repletas de contextualização sobre o que é vivenciado, como por exemplo em um grupo que utilizou-se de alguns materiais (peças de madeiras, animais de plástico e grama sintética) para a construção de um zoológico:

Aluno 1 "- Os animais não podem ficar misturados, eles ficam separados por tipo". Aluno 2 "- O leão não pode ficar no cercado com a zebra, então temos que construir uma parede entre as jaulas".

ANUÁRIO 2021

Aluno 1 "- Tem que ser bem alta! Vamos ter que colocar mais três madeirinhas, assim de pé, olha!"

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As experiências das crianças com os diferentes meios sociais são ressignificadas e reconstruídas na escola por meio da brincadeira. É também na brincadeira livre que as crianças experimentam conceitos que um dia lhes serão apresentados de uma maneira mais esquemática, nos jogos de construção. Conceitos de peso, deslocamento, equilíbrio e, até mesmo, de massa são combinados e testados pelas mãos das crianças que ainda estão em processo de domínio e controle.

Em outro momento, no qual um dos territórios era composto por madeiras, pedras, dinossauros de plástico e folhagem:

Aluno 1: "- Vamos construir um parque dos dinossauros? Aluno 2: "- Vamos! Então precisamos de todos os dinossauros, madeiras e pedras" Aluno 3 "- Temos que fazer casinhas para os mais fracos, pois o Tiranossauro Rex é muito forte!" Aluno 2: "- Pega então essas madeiras compridinhas assim e coloque aqui" Aluno 1: "- Assim?" Aluno 2: "- Isso, muito bem! Esta construção está ficando um perfeito parque dos dinossauros, vamos pegar mais coisas para colocar".


O que torna esses momentos mais prazerosos é o processo e o tempo em que essas construções são realizadas. As crianças têm a oportunidade de construir, modificar e, até mesmo, reconstruir, pois esses territórios durante o dia não são retirados, eles ficam dispostos para que a imaginação aconteça e as construções se tornem cada vez mais elaboradas.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: ZABALA, Miguel. Qualidade na Educação Infantil. Artmed: Porto Alegre, 1998. DUBOVIK, Alejandra. Construção e construtividade: materiais naturais e artificiais nos jogos de construção. Phorte: São Paulo, 2018.

ANUÁRIO 2021

As crianças sabem que no outro dia, os mesmos materiais estarão ali no mesmo território, para que elas possam explorar e construir novas experiências conforme seus interesses. Assim, dia após dia, as crianças têm a oportunidade de se envolverem em brincadeiras de diferentes representações, pois um convite lhes foi feito assim que chegam ao Colégio e encontram os ambientes previamente preparados, que revelam a sedução estética feita pelo adulto e repertoria as crianças em novas ações.

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DA GAROA À TEMPESTADE: CONHECIMENTOS SOBRE CHUVAS ENTRELAÇADOS A AVENTURAS EM ALTO-MAR Professora: Monize Machado

QUANDO A CIÊNCIA ESBARRA COM A FANTASIA

ANUÁRIO 2021

“- Olha, tia! O céu está escurecendo… Ou está amanhecendo? Não sei se vai anoitecer, ainda estamos aqui…”

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(diz M., 4 anos, enquanto caminha para o refeitório).

a caminho do refeitório. Após falar brevemente, outras crianças surgiram com evidências da certeira chuva por vir: “- As nuvens estão bem escuras, quase pretas, vai chover mesmo, tia!”. “É verdade, sempre chove quando as nuvens estão gordas assim”. Neste momento, M. (5 anos) interrompe:

Ao retornarmos para a sala, formamos uma roda, desta vez no quintal da sala. Novamente, retomei o curioso diálogo sobre o céu, instigando M. (4 anos) a partilhar com seus amigos o que comentou

“Nem sempre, eu já vi o céu assim outras vezes e não choveu.” Um paradoxo se formou com o surgimento da opinião contrária, iniciando um debate sobre o céu daquele dia.


Afinal, seria possível o céu escurecer daquela forma e não chover? Quando a ciência esbarra na fantasia e no mistério do incerto, um ambiente propício para o pensar científico na infância se inicia. Desde então, a qualquer escurecimento do céu o assunto se faz presente, traçando análises e hipóteses sobre a formação das nuvens e da chuva.

Louise em alto-mar Quando o projeto "Louise" se iniciou, logo no primeiro capítulo a destemida galinha se lança em alto-mar em busca de uma aventura. Enquanto estava apenas em um barco com marujos, sentia que aquilo não era o suficiente. O inesperado acontece, piratas surgem no horizonte e iniciam um ataque ao barco. Em meio à confusão, uma tempestade se forma, levando o barco a afundar e a galinha a agarrar-se à uma madeira e se salvar.

ANUÁRIO 2021

Primeiramente, o livro chegou em uma ilha ao fim da piscina, onde as crianças encontraram também um grande barco, pirata e tesouros. A primeira leitura foi feita na areia, criando um ambiente potente em sensações.

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Uma tempestade se aproxima… Os diálogos sobre as nuvens retornaram, coincidindo com alguns dias de chuva na cidade. O momento foi propício para a retomada dos diálogos investigativos anteriores.

ANUÁRIO 2021

Iniciamos uma roda de conversa sobre a tempestade vivida por Louise, seus sentimentos e sensações. Com apenas um áudio de tempestade no mar, as crianças foram convidadas a deitar em um tapete, fechar seus olhos e se deixar levar pelas sensações da audição, guiadas por breves relatos convidativos, como "se imaginem em um grande barco, no meio do oceano… Grandes ondas começam a se formar e o barco se movimenta fortemente". Depois, as crianças foram convidadas para apreciar uma tempestade projetada em uma parede inteira da sala. As narrações ficaram por conta das mesmas, que criaram barcos com as mesas: O balanço do mar tomou conta de seus corpos, o mistério das ondas e a escuridão da sala proporcionaram instigantes momentos. Comentários como a luz dos raios e os tons de água surgiram durante a conversa.

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Concomitante com o momento, o tempo nos ajudou, iniciando uma forte chuva fora das paredes da sala, o que levou as crianças a correrem na porta da sala apreciar a queda de água no lado externo, relatando sua temperatura, sua força. "- Olha, tia, a chuva está com três dedinhos" (B., 4 anos), fazendo alusão à uma brincadeira de roda que fazemos desde o início do ano, onde os dedos batem ao dorso da mão, criando diferentes sons de chuva quando feito em coletivo, aumentando sua intensidade conforme os dedos são adicionados, até chegarmos em fortes palmas.

A chuva cessou e, após o momento do lanche, pequenos grupos de crianças foram convidadas a retornar à sala, encontrando-a ainda com a tempestade projetada, associada com tintas condizentes com os comentários anteriores quanto às suas cores. Pequenas folhas em formato de postais de viagem estavam dispostas para o registro. Iniciaram, então, a fruição da imagem com a possibilidade de registrá-la, tornando cada postal único. Este momento trouxe a luz à passagem do livro "Fios da Infância", das irmãs Ángeles e Isabel Abellera Bardanca (2018), onde relatam 60 dias chuvosos em Santiago da Compostela e as experiências sensoriais das crianças sobre o momento socialmente visto enquanto enfadonho, por gerar privações espaciais de ambientes externos. Relatam como as crianças trouxeram as nuances da chuva, como ela se modifica, não sendo sempre a mesma. “Certamente chovia, mas nem sempre da mesma maneira ou na mesma intensidade. Lançando mão de um rico vocabulário galego, começamos a refinar um pouco mais as nossas apreciações” (BARDANCA & BARDANCA, 2018, p.72). A LÍNGUA PORTUGUESA NOS PRESENTEIA COM AS MESMAS POSSIBILIDADES, ENRIQUECENDO AS PERCEPÇÕES E DEFINIÇÕES DA CHUVA DEBAIXO DO MESMO CÉU. CHUVISCO, TEMPESTADE, GAROA, TEMPESTADE, "CHOVENDINHO" ETC… O dia pode ser chuvoso, mas o olhar subversivo da infância o transforma, gerando possibilidades em meio a diferentes águas. Qual o nosso olhar perante dias nublados? O que as crianças podem nos ensinar sobre as bonitezas que habitam no cotidiano?


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

BARDANCA, Ángeles Abelleira; BARDANCA, Isabel Abelleira. Os fios da infância. Tradução: Tais Romero. São Paulo: Phorte, 2018. DICAMILLO, Kate. Louise, as aventuras de uma galinha. São Paulo: Editora WMF, 2010.

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No momento em que escrevo ainda estamos realizando o projeto e as crianças ainda têm muito a nos mostrar sobre o que sabem e ainda querem saber.

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QUAL A COR DO AMOR: CONSTRUINDO APRENDIZAGENS E EXPERIÊNCIAS ATRAVÉS DA OBSERVAÇÃO, EXPLORAÇÃO E DEGUSTAÇÃO

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Professora: Jéssica Camargo

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A criança, desde que nasce, deparase com um repertório de símbolos e significados construídos pelas gerações que a precederam e, participando das práticas culturais do seu grupo, reconstrói os significados do mundo físico, psicológico, social, estético e cultural. Naturalmente, as crianças entram em contato com o mundo sensível, agindo sobre ele com afeto, cognição, motricidade; e constroem para si um repertório perceptivo de formas, cores, texturas, sabores, gestos e sons, atribuindo a este mundo, sentidos e organizações diferentes. O desenvolvimento dessa expressão infantil acontece junto com seu desenvolvimento afetivo, perceptivo e intelectual e resulta do exercício de conhecimento de mundo.

Exercício esse de construir noções a partir das suas experiências sensoriais e/ ou corporais. Muitas atividades artísticas são exploradas na Educação Infantil e contribuem com ricas oportunidades para seu desenvolvimento, uma vez que põem ao seu alcance diversos tipos de materiais para manipulação, além da arte espontânea que surge em brincadeiras ou a partir de uma proposta mais direcionada. O momento lúdico, a música, o teatro, a pintura, o desenho, a criatividade, a brincadeira do faz de conta, fazem parte de um momento em que as crianças se expressam, comunicam e transformam a vida na relação com a arte, ou seja, “SOMOS POTENCIALMENTE CRIADORES, POSSUÍMOS LINGUAGENS, FAZEMOS CULTURA”


(PIRES, 2009, p. 47).

O livro relata a história de um pequeno elefantinho cinzento que queria descobrir a cor do amor. Então, o pequeno pergunta a todos os animais da floresta qual seria a cor do amor para eles. Tem como resposta as cores de acordo com os sentimentos e as sensações de cada animal. Ao final do livro o elefante relata para mãe que nenhum animal deu uma resposta concreta para ele, pois cada animal dava uma resposta e pensava em uma cor diferente dos demais. Então, a mãe significa a história, dizendo que a cor do amor “é tão escura como a noite, é tão brilhante como o sol. Pense numa cor e ali está o amor; o amor é toda cor, é tudo em todo lugar. São todas as cores à nossa volta, porque nada mais importa quando você encontra o amor” (STRACHAN, 2005, p. 28). A cada cor apresentada na história as crianças eram convidadas a participar de uma proposta diferente. As propostas de atividades tinham como objetivo a exploração dos sentidos, da criatividade, da observação, do desenho e da autonomia das crianças. Ao apresentar a cor verde, as crianças foram convidadas a irem até o Quintal do colégio, para colher folhas verdes para que assim pudessem criar sua própria tinta na cor explorada. Voltando para sala já com as folhas em mãos, as crianças encontraram a sala organizada como um ateliê, alguns recipientes em cima da mesa, potes e cola. Esse espaço foi criado para que as crianças se sentissem verdadeiros artistas e pudessem criar sua própria tinta. Com a

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Para falarmos um pouco sobre essas expressões artísticas, trago em evidência o projeto “Qual a cor do amor“, do livro de Linda Strachan (2005), o projeto foi aplicado para uma turma do integral do Infantil 4.

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tinta pronta, as crianças foram convidadas a fazer um desenho sobre a cor explorada e pintar com a tinta que fizeram. O DESENHO É UMA FORMA DE EXPLORAÇÃO. QUANDO A CRIANÇA DESENHA, CRIA PONTES ENTRE O MUNDO REAL E O IMAGINÁRIO, EXPRESSANDO SUAS CONCEPÇÕES E PERCEPÇÕES DO MUNDO NO QUAL ESTÁ INSERIDA.

A cada dia o livro nos trazia uma cor diferente e a cada nova cor, uma nova exploração.

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No dia seguinte o elefantinho nos trouxe a cor vermelha, para esse momento tivemos que observar um tomate, para isso, a sala foi organizada com tecidos vermelhos em cima da mesa, lupas, tomates cortados em diferentes formas e tamanhos para que as crianças pudessem observar as diferentes formas do tomate, após a observação, tiveram a oportunidade de fazer um desenho sobre a observação. Após o desenho de observação as crianças puderam provar o fruto e assim explorar mais um dos seus cinco sentidos, o paladar. Para fazer a pintura do desenho utilizamos folha seda vermelha e canetinha, as crianças tiveram que rasgar a folha seda, fazer bolinhas e usar a cola para preencher todo o desenho.

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A proposta era o desenho de observação, rasgadura da seda e o movimento das mãos para formar as bolinhas. Muitas são as aprendizagens que ocorrem no processo do desenho com observação. Esses desenhos são fundamentais nos processos de evolução do traçado. Através de imagens reais, as crianças aguçam, ampliam suas percepções visuais e conquistam a capacidade de aprender a observar. Elas pensam sobre proporções, formas, cores enquanto registram suas percepções.


- Tia, o céu não é só azul, ele é branco também. (L., 5 anos) - O céu tem a mesma cor que meu pijama do espaço. (A., 4 anos) Ao observar o céu as crianças foram criando suas concepções e associando aos seus conhecimentos prévios, sendo assim, criando ponte para a construção de um novo conhecimento e de novas informações. Ao retornar para a sala as crianças encontraram um ambiente organizado, as mesas estavam cobertas com tecido azul, tesoura exposta na mesa, cola, tecidos de diversas tonalidades de azul, folhas de papel com tons de azul e diferentes texturas para que as crianças pudessem explorar a diferença entre uma folha e outra. Os alunos foram convidados a recortar os tecidos e papéis. Após o recorte foram convidados a desenharem um céu e preencher o desenho com os tecidos e papéis recortados por eles. Muitas aprendizagens permeiam este momento, sendo elas, a observação do céu, o desenho, a expressão, o recorte e juntamente a pega correta na tesoura.

O elefantinho chegou mais uma vez e nos apresentou a cor branca, nesse momento as crianças tiveram a oportunidade de brincar com sagu e bichinhos para explorar a nova cor apresentada pelo nosso livro. Nesse momento as crianças puderam explorar o sagu manuseando com as próprias mãos. Ao explorar o sagu, surgiram as seguintes falas: - Parece bolinha de gel. ( A., 4 anos) - Parece arroz também. (E., 4 anos) A exploração é muito importante pois possibilita que, ao manipular os materiais, as crianças descubram os efeitos e as transformações que sua própria ação provoca na interação com o mundo. Após a brincadeira e exploração do sagu, as crianças foram convidadas a elaborar um desenho representando a cor, para preencher o desenho utilizamos algodão branco e cola. Mostramos o algodão para as crianças e disparamos a seguinte pergunta: O que vocês sentem ao tocar no algodão? - Ele é fofinho, Tia. (M.J, 4 anos) - Parece um coelho de gostoso. (Y, 4 anos).

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Chegou o dia de conhecermos a cor azul, convidamos as crianças para observar o céu. Fomos até o pátio do colégio e lá começamos a observar o céu e a conversar sobre suas características como: cor, formato e tamanho. Algumas falas surgiram no meio de nossa observação:

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Esses questionamentos disparados para a criança fazem com que ela formule uma hipótese de resposta baseando-se em seus conhecimentos prévios, assim vamos abrindo caminhos para novas descobertas, novos conhecimentos e novas construções de saberes.

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Já no dia da cor laranja, as crianças encontraram a mesa coberta com um tecido laranja, espelhos, lupas e laranjas. O ambiente foi organizado com o propósito de que as crianças pudessem observar atentamente cada detalhe daquela fruta, tais como: tamanho, cor, formato e textura. O primeiro momento foi a exploração/observação da fruta. Após essa exploração as crianças puderam degustar e saborear a laranja. Para finalizar as crianças foram convidadas a fazer um desenho de observação da fruta usando caneta retro, para o preenchimento do desenho usamos a casca da própria fruta e cola para colar no desenho. Ao usar a casca da laranja para colorir o desenho fez com que o desenho ficasse mais parecido com a fruta real. Nesse momento as crianças tiveram o prazer de explorar e manusear diferentes materiais, usar a imaginação e a criatividade para elaborar o desenho.

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Acredito que a exploração é uma forma de arte, sendo assim, é uma ferramenta poderosa no processo de ensinoaprendizagem das nossas crianças, que, exploram, criam, recriam, se comunicam, expressam suas emoções. Pela exploração têm a oportunidade de potencializar sua criatividade, desenvolver o pensamento crítico reflexivo, o autoconhecimento, o domínio sobre as próprias emoções e o cognitivo. Segundo Barbosa:

POR MEIO DA ARTE É POSSÍVEL DESENVOLVER A PERCEPÇÃO E IMAGINAÇÃO, APREENDER A REALIDADE DO MEIO AMBIENTE, DESENVOLVER A CAPACIDADE CRÍTICA, [...] PERMITINDO AO INDIVÍDUO ANALISAR A REALIDADE PERCEBIDA E DESENVOLVER A CRIATIVIDADE DE MANEIRA A MUDAR A REALIDADE, QUE FOI ANALISADA (2003, P.18). De acordo com minhas vivências dentro da sala de aula, percebi que por meio da arte é possível enxergar diferentes perspectivas e sensações a respeito de um mesmo ponto, e aprender a se relacionar melhor com o mundo. Quando explorada antes da alfabetização formal, é responsável por aguçar os sentidos da visão, audição e tato, além de estimular a imaginação, capacidade diretamente ligada à sua criatividade. Com a exploração e desenho podemos beneficiar o processo de coordenação motora, ampliar a criatividade, ampliar o vocabulário, a comunicação, o trabalho em equipe, expressão dos sentimentos e o pensamento crítico reflexivo.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

BARBOSA, Ana Mãe (Org.) Inquietações e mudanças no ensino da arte. 2 ed. São Paulo: Cortez, 2003. STRACHAN, Linda. Qual a cor do amor? Trad. Gilda de Aquino. São Paulo: Brinque-book, 2005.


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SOB O MESMO CÉU: VIVENCIANDO A APRENDIZAGEM COMO EXPERIÊNCIA COLETIVA Professora: Nayara Lopes

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A CRIANÇA PROCURA COMPLETUDE E ENTENDE QUE ISSO PODE SER ALCANÇADO, NÃO SÓ POR MEIO DO DIÁLOGO INTERIOR, MAS, TAMBÉM, MEDIANTE O DIÁLOGO COM OS OUTROS (FILLIPPINI, 2014, p. 58).

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As experiências de cada criança, contribui para o desenvolvimento do outro e é confrontando ideias e pensamentos que constrói novos saberes. Um processo em que inconscientemente a criança e os adultos avaliam e se avaliam à medida que os pensamentos dos outros apresentam suas hipóteses a respeito de um determinado assunto. Um processo cíclico no qual os objetivos da pesquisa individual de cada criança e do grupo influenciam a aprendizagem de todos aqueles que estão envolvidos. Neste ano de 2021 tivemos a oportunidade de desenvolver um projeto de investigação em parceria com o Colégio Aleph (Peru),

cujo objetivo principal era a construção do pensamento científico da criança. Pautados na premissa de que aprendemos em parceria com o outro, com o confronto de ideias e a construção de novas outras, entendemos que o encontro, ainda que virtual, entre as crianças era importante para o enriquecimento da investigação. Nossas crianças não falavam espanhol e nem as crianças do Colégio Aleph falavam português, mas sabíamos que para isso era preciso que ambos grupos de crianças falassem com o coração, com a curiosidade, com o respeito ao ser humano, afinal, estamos todos "sob o mesmo céu". O conhecimento científico era importante, mas não menos do que ele estava o conhecimento social, cuja convivência e respeito são entendidos como conteúdos da Educação Infantil. Respeito se constrói por meio das relações, pela mediação do outro que ajuda na consciência de que outro é igual a mim mesmo e que todos nós


A investigação teve início em meados de março e grande parte das crianças dessa turma já estava vivendo na escola em sistema presencial. Ainda estávamos vivendo um processo de adaptação diferente de tudo aquilo que podíamos imaginar, pois em meio à pandemia, que ainda enfrentávamos, precisávamos garantir momentos em que as crianças brincassem, se sentissem livres e seguras. As músicas eram constantes em sala de aula e, aparentemente, traziam um conforto e união do grupo. Márcio de Camillo, musicou as poesias de Manoel de Barros, que foram apresentadas também a esse grupo de crianças do Infantil 5, que rapidamente encontrou sentido e conforto na canção "Um bem-te-vi" ( https://www.youtube. com/watch?v=u6ylAkCK7RU), que fazia um convite a olhar as belezas dos raios de sol e

do arrebol. Era a canção preferida do grupo, que constantemente pedia para ouvi-la. As crianças são curiosas e desejosas por entenderem o funcionamento do mundo muito mais do que os adultos, elas querem saber como os passarinhos batem as asas, como é que a fruta já nasce doce, como as estrelas são penduradas no céu, como cai água do céu e se existe mesmo um pote de ouro no final do arco-íris… Enfim, para elas, arrebol era algo novo e precisavam dar sentido àquilo que cantavam cotidianamente. Em uma das rodas de conversa, que ocorrem diariamente, uma das crianças perguntou o que seria esse tal de "arrebol" e, assim que compreenderam o significado, contaram sobre suas experiências com o pôr do sol.

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vivemos num grande planeta, cujas ações e reações estão entrelaçadas e impactam uns nos outros.

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Em paralelo a isso, a equipe pedagógica do Uirapuru e do Colégio Aleph se reuniam para encontrar uma possível investigação que conectasse as crianças de ambos países. As ideias das crianças são surpreendentes e revelam muito mais do que imaginamos que elas saibam sobre o mundo. Seus olhos observam muito mais do que os olhos dos adultos e suas perguntas são mais certeiras e levam a infinitas conexões, por isso, facilmente constroem noções sobre os diferentes conceitos. Entendendo que a curiosidade é uma porta de entrada sem barreiras, a equipe pedagógica entendeu que o céu poderia ser o elo entre as crianças, um céu azul celeste, nuvens brancas, sol, estrelas, luas, chuva, arco-íris: um mesmo céu que abriga crianças do Brasil e do Peru.

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Para dar início à investigação, comunicamos os pais sobre o tema do projeto, incentivando-os a envolverem-se com a investigação dos filhos. A investigação começou com um encontro noturno, feito por meio do hangouts, no qual as crianças puderam, primeiramente, se conectar novamente de uma perspectiva diferente. As crianças queriam mostrar suas casas e seus brinquedos e estavam curiosas por conhecer também a minha casa. Intencionalmente, as crianças foram convidadas a mostrar também a área externa - O que vocês acham de irmos para fora de casa e mostrarmos o nosso espaço para os amigos?” - convidou tia Nayara.

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Rapidamente um diálogo se estabeleceu pela lembrança daquilo que foi vivido por um dos alunos ao sair do Colégio e pela conexão estabelecida com o que fora vivido em sala de aula:

Aluno 1: "- Tia, hoje eu vi o arrebol aqui. Aqui na minha área gourmet, dá para ver o céu de noite e eu vi o arrebol!" Professora: "- Você conseguiu ver o arrebol da sua casa?" Aluno 1: "- Sim, mas só sete minutos, passou sete minutos e não deu para ver mais. O arrebol foi embora agora. Arrebol é o avermelhado no céu". Aluno 2: "- Tia, está começando chover! Está garoando aqui!" Aluno 3: "- Aqui também está quase chovendo, porque tem um monte de nuvens. O meu céu está quase de dia!".


As crianças participantes desta investigação frequentavam a escola no período da tarde e a saída do colégio coincidia com o momento em que era possível observar o arrebol e por conta do deslocamento da escola-casa não o podiam contemplá-lo do começo ao fim. Um convite foi feito às crianças e suas famílias: contemplar o arrebol de suas casas e registrarem o momento através de uma foto. O retorno ao colégio foi marcado por uma roda de conversa, na qual as crianças puderam mais uma vez compartilhar suas observações e perspectivas do sujeito de investigação: ARREBOL.

Professora: "- O que vocês podem me contar sobre o arrebol?" Aluno 1: "- Ele aparece de dia. Porque uma vez eu vi o arrebol e ele não veio à noite e veio de dia". Professora: "- Então, pelo que você está dizendo, o arrebol não aparece de noite?" Aluno 2: "- Não, porque à noite fica aparecendo a lua, as estrelas e o céu escuro". Aluno 3: "- O arrebol acontece quando a gente sai da escola". Aluno 1: "- Eu vi as cores do arrebol. É laranja, vermelho e amarelo". As fotos trazidas pelas crianças da observação que fizeram com suas famílias revelavam as nuances e o entrelaçamento das cores projetadas no céu azul. Uma mescla de azul claro, amarelo, laranja e azul escuro. A aquarela sobre canson foi a linguagem escolhida para que as crianças representassem suas impressões e descobertas.

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As hipóteses apresentadas e as evidências observadas sobre o céu, conduziram os passos seguintes da investigação. O grupo de professores planejou as ações, considerando o interesse de investigação das crianças: O ARREBOL. São os adultos que ouvem e interpretam os interesses das crianças e os transformam em conceitos a serem estudados, sobre isso Edwards (2016, p. 154) diz: “Com o auxílio do professor, a dúvida ou a observação de uma criança leva as outras a explorarem um território jamais percorrido, talvez jamais sequer suspeitado”. O papel do professor nesse momento, é interpretar as falas e teorias verbalizadas pelas crianças, ouvindo por diversas vezes e registrando seus interesses e conhecimentos e, assim, dando continuidade na pesquisa através de uma escuta ativa.

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Em roda, as crianças compartilharam suas teorias e conhecimentos observados, e, através da escuta da professora, a investigação continuou mediante ao interesse despertado pelo grupo: “O arrebol dura apenas 7 minutinhos e depois ele vai embora”, conta G., 5a. Visivelmente as crianças precisavam de mais informações para dar continuidade à pesquisa e foram convidadas a contemplarem o seu céu da escola. Como o arrebol acontece no momento da saída dos alunos da tarde, pedimos mais uma vez o apoio dos pais para que as crianças ficassem até um pouco mais tarde no colégio para uma observação coletiva.

“Como o arrebol começa e quando termina?”, perguntou tia Nayara.

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Com o auxílio de equipamentos fornecidos pelo colégio, registraram através de fotos e vídeos suas verificações sobre o começo e o fim do arrebol.

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Aluno 1: “ - Quando o arrebol fica avermelhado é porque está acabando o dia e a noite chega”. Aluno 2: “ - O arrebol começa quando o céu fica laranja e termina quando fica avermelhado”. Aluno 3: “- A noite chega quando o azul do céu se mistura com o avermelhado do arrebol e depois fica tudo escuro”.


Através das observações e suas verificações, as crianças vão conduzindo os passos seguintes da investigação, trazendo o interesse do grupo como sujeito de pesquisa, participando ativamente de todos os processos, planejamentos e tomadas de decisões. Nesse momento, o adulto faz parte e se torna o pesquisador/investigador juntamente com as crianças, apenas mediando as ideias, ajudando-as a avançar em seus conhecimentos. “ao escutar uma criança estamos dando-lhe lugar, voz e direito, estamos tirando-a do anonimato. Escutar a criança é considerá-la um sujeito que pensa, que toma decisões, que é competente” (PONZIO e PACHECO, 2019, p. 26). Os encontros das equipes dos dois colégios, aconteciam semanalmente para que ambas investigações pudessem ter conexões e, assim, acontecer a troca de experiências e conhecimentos entre crianças dos dois países. As pausas nas pesquisas, muitas vezes são necessárias para a avaliação dos processos que devem ficar evidentes a todos integrantes do grupo (aluno/professor/ equipe). Olhar e analisar o caminho percorrido é prudente para dar continuidade à investigação pautada nos interesses das

crianças. Nesse momento, a construção do mapa mental juntamente com as crianças, foi essencial para a retomada da investigação. Como Malaguzzi, (2016, p. 72) diz: “AS CRIANÇAS ASSUMEM UM PAPEL ATIVO NA CONSTRUÇÃO E AQUISIÇÃO DA APRENDIZAGEM E DA COMPREENSÃO”. Pensando na conexão dos céus do Brasil e Peru e na construção do mapa e sua análise por parte das crianças, uma pergunta fundamental surgiu no grupo para a retomada nas investigações.

“- Será que outras pessoas também conseguem ver o arrebol?", fomenta a tia Nayara.

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Compartilhamos a ideia que a criança seja capaz de fazer perguntas, construir hipóteses e conduzir uma investigação com estratégias próprias. Essa dinâmica de hipótese e pesquisa é própria da infância: cada menino e menina usa essa estratégia para crescer, para conhecer e interpretar o mundo. Se dermos a eles a possibilidade de viver a jornada em uma escola que apoia este jeito natural e o fortalece, estamos no bom caminho para torná-los protagonistas ativos do processo de conhecimento. (GARCIA, PAGANO, PRANDI, 2018, p. 36).

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O professor tem o papel fundamental nesse momento, que é o de problematizar e provocar os pensamentos e criar possibilidades que contribuam com o desenrolar da pesquisa. Num processo de investigação não se oferece a ideia pronta e sistematizada, se faz perguntas potentes para que os alunos possam refletir e traçar novos caminhos, como reflete Malaguzzi, (2006, p. 72): “uma vez que as crianças sejam auxiliadas a perceber a si mesmas como autoras ou inventoras, uma vez que sejam ajudadas a descobrir o prazer da investigação, sua motivação e interesse explodem”. No momento seguinte, as crianças tiveram uma conversa com o Tio Eric, assessor de Ciências e um dos professores presentes nas discussões internas sobre a investigação, em uma sala organizada e preparada para as descobertas e reflexões.

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O ambiente estava escuro, apenas a luz do projetor refletido na parede, lanternas, esferas em diferentes tamanhos e globos para que as crianças explicassem suas teorias provisórias sobre a relação existente entre arrebol-anoitecer-amanhecer. As crianças representaram por meio dos materiais e, posteriormente por meio do desenho, o que pensavam sobre o movimento do sol.

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Aluno 1: “- Todo mundo do mundo inteiro consegue ver o arrebol. Porque quando ele não está aqui, ele está em outro lugar”. Aluno 2: “- Sim. Aqui é o Japão e agora está de noite lá”. Crianças: “- O Sol que ilumina nosso planeta”.


Aluno 2: “- Gente, eu acho que o outro lado é o Japão! `` (manipulando e observando a esfera com uma laterna). Professor: “- Por que você acha isso?” Aluno 2: “- Por que aqui o sol está iluminando, então está de dia. O outro lado está escuro e está de noite. Quando aqui está de dia no Japão está de noite”. Professor: “- E como o sol vai para o outro lado?”. Aluno 2: “- Sabe como é que o sol chega lá? O sol fica no mesmo lugar, enquanto a terra fica girando muito, muito, muito lento”. Professor: “- E onde está o arrebol em tudo isso? Aluno 3: “- Quando a terra fica um pouco iluminada e um pouco escura, é de tarde”.

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Aluno 4: “- Isso, é quando fica quase de noite, aí o arrebol acontece”.

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O encontro com as crianças do Peru… A formação de um grupo é importante para as dinâmicas de aprendizagem que são ativadas no seu interior. A capacidade de confrontar-se, de avaliar e se autoavaliar, de ter pelos pensamentos dos outros, a estreita relação entre objetivos de pesquisa individual e de grupo influenciam as aprendizagens de cada componente e do grupo inteiro. (PIAZZA e BARCHI, 2014, p. 226). A investigação em grupo é enriquecedora para cada criança e, principalmente, para os adultos envolvidos que aprendem a olhar o percurso até o conhecimento. A argumentação e negociação, a capacidade de se aproximar de outros pontos de vista como um recurso para si mesmo é umas das aprendizagens mais potentes que as investigações podem proporcionar aos sujeitos envolvidos. É através das diferentes experiências que as crianças avançam em seus pensamentos e, consequentemente, constroem a relação com o outro de respeito e colaboratividade, assumindo o seu papel de protagonistas em seu próprio processo de aprendizagem.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

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ZERO, Project. Tornando visível a aprendizagem: crianças que aprendem individualmente e em grupo. Reggio Children. - 1ª ed. - São Paulo: Phorte, 2014.

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EDWARDS, Carolyn. As cem linguagens da crianças: a abordagem de Reggio Emilia na educação da primeira infância. Porto Alegre: Penso, 2016. PONZIO, Eloisa e PACHECO, José. Reggio Emilia e Ponte: A gênese de novas construções sociais de aprendizagem. São Paulo: Edição Mahatma, 2019. GARCIA, Joe.; PAGANO, Andressa.; PRANDI, Roberta.; A Reinvenção da Educação Infantil: uma experiência de Reggio Emilia. Curitiba: Editora UTP, Coopselios, 2018.


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O BURACO: QUANDO O ATO DE CAVAR A TERRA SE TORNA UMA INVESTIGAÇÃO DAS CRIANÇAS DA RELAÇÃO DO SEU CORPO COM O ESPAÇO QUE HABITAM Professora: Graziela Ferro

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Brincar do lado de fora com os pés descalços, correr e perceber o vento tocar o rosto, sentir o cheiro da terra molhada, alimentar os animais, colher tomatinho cereja no pé, saborear amoras e pitangas sempre que possível, regar as plantas e perceber que novas flores irão brotar. Acompanhar o nascimento dos pintinhos desde o quebrar dos ovos até criarem penas e se tornarem adultos, construir novas brincadeiras e construções, ser fazendeiro, vendedor de chapéu, mamãe, papai, filhinha, irmão mais velho… a criança pode ser o que ela quiser nesse espaço maravilhoso chamado Quintal Uirapuru.

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As crianças do Infantil 2 semanalmente vivenciam momentos em que são as protagonistas de suas ações e, assim, narram suas histórias, constroem e trocam experiências umas com as outras. As crianças interagem entre elas e com os objetos disponibilizados, assim como os elementos da própria natureza ali presentes, como a terra, a água, as plantas, as pedras e os animais. É imprevisível saber como será a exploração das crianças nos momentos em que permanecem no espaço, pois as suas ações, construções que realizam e a dinâmica da convivência entre elas são livres. A escuta ativa e o olhar atento dos adultos são fundamentais na percepção dos modos de agir, das potencialidades de cada uma, das aprendizagens, dos processos e dos conhecimentos compartilhados nos momentos vividos no Quintal.

No início do ano era tudo muito novo para as crianças, estar em um espaço tão amplo, com tanta coisa a ser explorada intimidava e elas não sabiam por onde começavam suas explorações, para isso a estratégia do professor e da equipe do Quintal foi de mostrar um pouco do que tinha alí a cada visita. Aos poucos as crianças já se sentiam pertencentes àquele espaço e se dividiam em pequenos grupos de interesse para brincar, quando chegam movimentam-se livremente aprendendo a habitar o seu corpo em meio à natureza.

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A vida acontece do lado de fora! Muitas aprendizagens e oportunidades são criadas nesse espaço chamado Quintal, que está à espera das crianças para ser habitado.

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Em uma das visitas ao Quintal, as crianças se depararam com um pequeno buraco na grama e com gravetos começaram a cavar e perceberam que, ao passar o pequeno pedaço de pau na terra, o buraco se modificava. A cada semana esse pequeno buraco se transformava e despertava ainda mais o interesse das crianças, pois assim que chegavam uma turma que acabara de sair deixava a brincadeira de cavar pra outra turma continuar. Com o passar do tempo esse buraco cresceu e o interesse das crianças ao explorá-lo continuou, porém o adulto responsável pelo grupo, criava contextos estimulantes que provoca novos desafios trazendo elementos que pudessem compor as explorações. Pedras, colheres de metal ou pau, potinhos de metal, gravetos, eram disponibilizados ao longo das semanas para que as crianças pudessem explorar e atuar umas com as outras e com a composição dos materiais e, assim, serem protagonistas de suas descobertas, sobre isso, Horn e Barbosa (2022, p. 49) dizem “os ambientes onde as crianças brincam, se relacionam, criam estratégias, convivem, produzem as suas culturas infantis são fundamentais, pois é nessa interação que elas aprendem e se constituem como sujeitos”.

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Em junho de 2021, em uma tarde ensolarada, a água chegou ao buraco como um novo elemento para a provocação dos pensamentos e de novas experiências. As crianças são curiosas sobre o mundo que as cerca, cavar não era o bastante, as crianças precisavam sentir a terra molhada e gelada com as mãos.

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As crianças aos dois anos estão em constante descoberta sobre si e sobre seu entorno, elas experimentam as coisas de todas as maneiras possíveis e, na conquista do buraco, as mãos não foram suficientes, pouco a pouco as crianças foram se acomodando ao buraco até que seu corpo, a água e o buraco eram uma única coisa. Essa experiência mágica chamou o interesse de outras crianças que habitavam os outros

espaços do Quintal e as que se sentiram motivadas também experimentaram o contato da lama com o corpo. Essa descoberta maravilhosa foi totalmente livre e espontânea, os adultos que ali estavam, observavam, escutavam e apreciavam aquele movimento pleno de interação com o espaço e a natureza. As aprendizagens passam pelo corpo e provocam diferentes sensações e conexões cognitivas. O toque na terra ora seca, ora molhada, o cheiro do barro, as texturas e cores contempladas, os sons das gargalhadas possibilitam diferentes experiências sensoriais e processos de aprendizagens.


A investigação do barro, do buraco na relação com seus corpos possibilitou que as crianças conhecessem um pouco sobre o mundo. Com isso, ampliaram suas experiências, investigaram e, desta forma, modificaram o espaço que vivem. As crianças habitam e aprendem em todos os espaços da escola, são elas que direcionam e revelam seus interesses aos adultos, que por sua vez são sensíveis aos gestos e palavras e assim, com consciência e responsabilidade, permitem que as investigações aconteçam.

Enfim, há vida acontecendo do lado de fora! Que nossas crianças possam crescer e viver novos contextos com experiências inspiradoras em nosso Quintal em seu próprio quintal, jardim, pátio que sejam protagonistas do seu brincar livre de maneira afetiva para viver e aprender.

AS CRIANÇAS CARREGAM EM SI A POSSIBILIDADE DE INVENÇÃO DE MUNDOS, ELAS TRAZEM A POTÊNCIA DE TORNAR O MUNDO OUTRO, A PARTIR DOS SEUS QUESTIONAMENTOS E INQUIETAÇÕES, AO TOMÁ-LO NÃO COMO ALGO PRONTO, MAS EM CONSTANTE CONSTRUÇÃO E REINVENÇÃO, ELAS INVESTIGAM E QUESTIONAM O QUE VIVEM, INDAGANDO-SE A RESPEITO DOS SENTIDOS E DOS PORQUÊS DE CADA ACONTECIMENTO (BARBIERI, 2021, p. 16).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: HORN, Maria da Graça Souza. BARBOSA, Maria Carmen Silveira. Abrindo as portas da escola infantil: viver e aprender nos espaços externos. Porto Alegre: Penso, 2022. BARBIERI, Stela. Territórios da invenção: ateliê em movimento/ Stela Barbieri. - 1. ed. - São Paulo: Jujuba. 2021.

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Muitas das investigações das crianças acontecem durante o brincar, elas revelam por meio da curiosidade aquilo que às interessa e inventam problemas para serem resolvidos e explicados. O brincar no buraco ainda continua, mas com uma complexidade diferente, as crianças investigam como aquele buraco cresceu, testam novos objetos para cavar, observam qual objeto flutua ou não. A água passou a ser um elemento importante pois, além de observarem o líquido translúcido se transformar em mais denso e barroso, observam a sua integração com a terra e fazem transposições da água em potes diversos no preparo de “comidinhas” durante o faz de conta.

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PROJET ANUÁRIO 2021

A FASE SIGNIFICATIVA DA APRENDIZAGEM

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Os projetos se configuram como uma potente estratégia para a aprendizagem dos alunos. São constituídos por atividades significativas, encadeadas de acordo com uma dupla orientação: os objetivos didáticos traçados pelo professor e também a produção esperada. Nesta proposta, tanto o professor quanto o projeto em si precisam convidar os alunos à participação ativa, deixando espaço para que ofereçam sugestões sobre como realizar o que é proposto e que explicitem seu questionamento individual em relação ao objeto de estudo, permitindo que auxiliem na tomada de decisões sobre a concretização da produção. É essa multiplicidade de fazeres e olhares que encontramos cotidianamente em nossos espaços de aprendizagem.

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TOS 71


BICHOS DE CÁ: NATUREZA, ARTE E INFÂNCIA Professoras: Juliana Sewaybricker e Monize Machado

“[...] JABUTI TÁ SONHANDO QUE TEM ASAS FOLHAS GRANDES DE JAPÁ”

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(“JABUTI NO JATOBÁ” DE NHAMBUZIM)

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Logo na primeira música do livro que intitula nosso texto, somos apresentados a um jabuti que sonha em voar, enquanto repousa aos pés de um imenso jatobá. Iniciando, então, um livro-poesia-musicada recheado de nomes de uma flora e fauna pouco conhecida por nós, transpassando diferentes sonoridades, regiões e biomas, para assim chegar ao coração de nossas crianças. É doce relembrar a trajetória, como a chegada de cada animal protagonista de uma poesia musicada, as emoções que as canções causavam e a empolgação para a representação do vivido. Se partirmos do belo pressuposto dito pelo pintor James McNeill Whistler de que a música é a poesia do som, assim como a pintura e as artes plásticas são a poesia da visão, não é possível desatarmos estas poesias da Educação Infantil, vista como um lugar fomentador de viveres de uma

infância respeitosa e cheia de bonitezas. Ao longo deste ano, nossas crianças do Infantil 4 vivenciaram com todos os sentidos as canções, vivendo com o corpo todo, tendo suas potências criativas alimentadas desde simples danças circulares ao som das músicas, explorações sensoriais de lamaçais, até registros do que se viveu e observou. Mas, afinal, para que pensamos e proporcionamos esses momentos para nossas crianças?


A CRIANÇA FAZ "POESIA" E "DESENHA" NÃO EXATAMENTE PORQUE UM FUTURO POETA OU FUTURO ARTISTA PLÁSTICO ESTÁ LUTANDO PARA DESABROCHAR NELA, MAS, SIM, PORQUE ESSES ATOS DE CRIAÇÃO SÃO, NAQUELE MOMENTO, NECESSÁRIOS PARA ELA - E PORQUE EXISTEM POTENCIALIDADES CRIATIVAS QUE DIZEM RESPEITO A TODOS E A CADA UM DE NÓS (P. 23). As potencialidades criativas de nossas crianças foram incentivadas e respeitadas ao longo do projeto, tornando o caminho mais prazeroso.

Se pensarmos pelos sentidos, pela audição as crianças puderam conhecer diversos ritmos populares brasileiros, como o Jango que inspirou a musicalidade de “Na trilha, na mata, a pé”, música onde o muriqui, um macaco brasileiro, é avistado por um grupo de pessoas durante uma trilha na mata. Segundo Teca Brito (2003): A MÚSICA É UMA LINGUAGEM UNIVERSAL. TUDO O QUE O OUVIDO PERCEBE SOB A FORMA DE MOVIMENTOS VIBRATÓRIOS. OS SONS QUE NOS CERCAM SÃO EXPRESSÕES DA VIDA, DA ENERGIA, DO UNIVERSO EM MOVIMENTO E INDICAM SITUAÇÕES, AMBIENTES, PAISAGENS SONORAS: A NATUREZA, OS ANIMAIS, OS SERES HUMANOS TRADUZEM SUA PRESENÇA, INTEGRANDO-SE AO TODO ORGÂNICO E VIVO DESTE PLANETA (P. 17).

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Com maestria, Ricardo Japiassu (2007) nos traz as nuances da importância do vivido:

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Pela visão, nossas crianças acompanharam, com uma postura leitora, as canções pelo seus livros, apreciaram cascos de diferentes tatus, observaram os hábitos do João e da Maria, casal de jabutis que habitam nosso Quintal Uirapuru, como também puderam observar as mudanças de cores na pena da arara azul. O que nos leva para as potencialidades do tato, com o qual puderam alterar a orientação das cerdas da pena, analisar as mudanças de cores e observar a pena voltando ao seu formato original. Pelo tato também as crianças vivenciaram um lamaçal, representando os açudes do pantanal, bioma nacional onde muitos animais do livro “Bichos de Cá” de Bartaburu habitam, como a onça-pintada, o tamanduá-bandeira, a arara azul e o jacaré do pantanal.

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Já pelo olfato e paladar, analisaram as frutas que a arara azul e outros animais tanto gostam, trazendo para o momento do lanche uma atenção a mais para os sabores e as texturas. Durante as visitas ao Quintal Uirapuru, a bióloga Mariana, sempre que possível, partilhava os hábitos alimentares de alguns animais, possibilitando a observação e o aroma, mesmo debilitado pelo uso da máscara.

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Para o trabalho tornar-se mais significativo, ele foi interligado com a artes plásticas, na qual, a cada música apreciada possibilitou que o diálogo realizado com a poesia musicalizada, gerasse uma nova forma de interação artística através das produções realizadas pelas crianças acerca de cada animal estudado.

Através de imagens reais do animal e do ambiente preparado as crianças tiveram a possibilidade de aguçarem e ampliarem suas percepções visuais e conquistaram a capacidade de aprender a observar. Elas puderam pensar e refletir sobre proporções, formas, cores enquanto estavam registrando suas impressões.

AS ARTES VISUAIS POSSIBILITAM AOS ALUNOS EXPLORAR MÚLTIPLAS CULTURAS VISUAIS, DIALOGAR COM AS DIFERENÇAS E CONHECER OUTROS ESPAÇOS E POSSIBILIDADES INVENTIVAS E EXPRESSIVAS, DE MODO A AMPLIAR OS LIMITES ESCOLARES E CRIAR NOVAS FORMAS DE INTERAÇÃO ARTÍSTICA E DE PRODUÇÃO CULTURAL, SEJAM ELAS CONCRETAS, SEJAM ELAS SIMBÓLICAS (BRASIL, P. 195).

Foram momentos ricos em aprendizado e prazerosos esteticamente para nossas crianças, possibilitando novos olhares para representações, novas formas de criações e, até mesmo, invenções artísticas, trabalhando tanto o real vivido quanto o imaginário.

Por meio deste trabalho, elas encontraramse diante de uma situação na qual tiveram que desenvolver habilidades das ações visuais e pictóricas, ou seja, o ato de olhar e desenhar ao mesmo tempo, conferindo traços em relação ao animal observado. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: BARTABURU, Xavier. Bichos de Cá. São Paulo; Editora Bamboozinho, 2013. BRASIL. Ministério da Educação e Cultura. Base Nacional Comum Curricular, 2018. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br BRITO, Teca Alencar de. Música na educação infantil. São Paulo; Peirópolis, 2003. BUENO, Marcelo Cunha. No chão da escola: por uma infância que voa. Cachoeira Paulista/ SP: Editora Passarinho, 2018 p. 120. JAPIASSU, Ricardo. A linguagem teatral na escola: pesquisa, docência e prática pedagógica. Campinas: Papirus editora, 2007.

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A cada proposta, as crianças eram convidadas a realizarem uma lâmina na qual o suporte do registro era pintado utilizando uma diversidade de materiais: tintas naturais, lama, guache, aquarela, etc. Porém, para o registro do animal mantivemos uma constância de mostrar imagens reais dos animais, buscando gerar um bom hábito aos olhos. Através do desenho de observação, tivemos como principal objetivo um trabalho no qual ocorresse um maior desenvolvimento dos desenhos.

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PEQUENOS CIENTISTAS DESCOBRINDO UM MUNDO INVISÍVEL NAS AULAS DE PROJETO Professores: Amanda Kyama, Flávia Corrêa, Francileide Cunha, Gisele Prado, Isabella Amaral, Sílvia Ambrozio

O 4º ano em 2021 começou trazendo muitas novidades, além das professoras especialistas, trouxe também as aulas de Projetos, nas quais os alunos, juntamente com as professoras, conhecem o objeto de estudo e determinam o caminho a seguir, estabelecem as metas e os objetivos desejados, desenvolvem o plano de ação e chegam no produto final. Resumindo, através da aprendizagem criativa, os alunos aprimoram a capacidade de assumir uma posição ativa na aprendizagem facilitando o desenvolvimento de liderança e autonomia. Desse modo, gradativamente, tornam protagonistas do próprio aprendizado. E foi desse modo que ocorreu o trabalho com o Projeto "Mundo invisível - pequenos cientistas", no qual os alunos foram convidados a conhecerem criaturas tão pequenas que não conseguimos vê-las sem usar um microscópio, mas que afetam a nossa vida de muitas maneiras.

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A partir desse convite, os estudos, as pesquisas, o estudo do meio, as discussões e a "mão na massa" começaram.

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O primeiro passo foi a escuta do Podcast do Jornal Joca, Podcast Revisteen: Como funciona uma vacina. https://www.jornaljoca.com.br/podcastrevisteen-como-funciona-uma-vacina/


Durante o Podcast, o infectologista cita diversos tipos de vacina e como o vírus é usado na confecção dela. Foi então que as crianças chegaram no ponto a ser estudado "os microrganismos" e o "mundo invisível". Os alunos ficaram com muitas perguntas a serem desvendadas, e foram apresentados ao livro on-line chamado "Vacinas", criado e disponibilizado pela Universidade Federal do Mato Grosso.

Para resgatar os conhecimentos prévios dos alunos, além instigar a curiosidade deles, perguntas essenciais foram disparadas pelas professoras: "Onde podemos encontrar os vírus? O coronavírus pode ser considerado um vírus? Qual o formato do vírus? Como podemos vê-los? Será que existem outros seres tão pequenos quanto os vírus? Como será que se chamam? Já ouviram falar em bactérias? O que são bactérias? Onde elas são encontradas? Por que esses seres são chamados microrganismos? Por que só podemos vê-los pelo microscópio? Como responder a todas essas perguntas? Os alunos tiveram um primeiro contato com o mundo invisível no laboratório do Colégio. Através da observação em microscópios viram bactérias e fungos. E, para registrar suas descobertas, escolheram um dos microrganismos para reproduzirem, fazendo um desenho no site Autodraw.

Após cada leitura, algumas questões eram respondidas, mas tantas outras surgiam. A história da varíola e do uso do vírus vivo na primeira vacina, a ilustração do exército da imunidade do corpo humano e a imunidade adquirida a partir da vacina, o caminho percorrido para se desenvolver uma vacina e para que ela possa ser usada nas pessoas... Tudo isso trouxe mais questionamentos sobre "o mundo invisível". Desse modo, mais assuntos deveriam ser pesquisados nofifs estudos seguintes. As aulas de Ciências também serviram para o estudo e resoluções de dúvidas do assunto.

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https://www.mtciencia.com.br/pequenos_ cientistas/vacinas/mobile/index.html

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Para dar continuidade à descoberta das várias perguntas que as professoras lançaram, o caminho seguinte foi a leitura de matérias e notícias no Jornal Joca. Em grupo, os alunos analisaram as notícias, discutiram os assuntos abordados, fizeram suas anotações e responderam às questões descritas em formulários. Depois, elaboraram uma pergunta sobre o assunto lido e que não foi esclarecida na matéria do jornal, também apresentaram aos colegas o tema da reportagem e a questão a ser investigada.

www.jornaljoca.com.br/ voce-sabia-que-virus/

www.jornaljoca.com.br/ cientistas-descobrem-bacteria-quepode-prolongar-a-vida/

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Na etapa seguinte, os alunos foram convidados a participar do momento de exploração e conhecimento do lugar de vivência dos microrganismos.

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Como já haviam estudado a existência desses seres nas aulas de Ciências, além da importância dos microrganismos no início da vida e a relação entre os seres vivos em uma cadeia alimentar, os alunos relembraram que durante a decomposição da matéria ela se torna alimento para o solo, que é alimento para as plantas, que se torna alimento para os animais e assim sucessivamente.

www.jornaljoca.com.br/ cientistas-ensinam-bacteria-adesenhar-figuras-diversas/

Então, as professoras lançaram novas perguntas essenciais:

Em que outros lugares, além do solo, podemos encontrar essas pequenas criaturas? No chão? No nosso corpo? Nos alimentos? Nos materiais que estão ao nosso redor?


E, para essa pesquisa, acessaram o Museu dos Micróbios (Micropia Museum of Microbes) e, após livre exploração, procuraram as respostas e descobriram onde podem viver os microrganismos. Em grupo, organizaram uma apresentação para mostrar à sala toda, os locais como boca, escova de dentes, no chão, nos alimentos, entre muitos outros.

Durante o estudo das diatomáceas (algas microscópicas) os alunos descobriram sua importância para o planeta e para o ser humano. Ao observarem as obras do artista plástico Klaus Kemp, conhecido como "O diatomista", que apresenta em suas obras, a diatomácea como ser simétrico. Percebendo a simetria nesses microrganismos, mais questionamentos apareceram: Será que existe simetria em outros seres e plantas? Então, os alunos foram ao Espaço Eco (área verde do Colégio) e exploraram a relação da simetria com a natureza. Fizeram as anotações de suas descobertas e reproduziram os quadros de Klaus em filtros de papel.

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Na aula seguinte, ao procurarem mais respostas, acessaram os sites das revistas Ciência Hoje para Crianças, Minas Faz Ciência, Superinteressante e pesquisaram dados para a escrita do texto de divulgação científica sobre microrganismos. (As características desse gênero textual estavam sendo estudadas no bimestre nas aulas de Português).

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Depois de tanto conhecimento adquirido, partiram para a mão na massa. Nesta atividade, pensaram em Língua Inglesa as características de seu mascote e desenharam como ele deveria ser.

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Num outro momento, passaram o esboço para o computador e, na etapa seguinte, confeccionaram seus microrganismos em tecido e enchimento, seguindo as características estudadas.


Então, chegou a hora de documentar todo o conhecimento adquirido. Utilizaram as anotações feitas desde o primeiro momento de estudo e montaram apresentações, slides, “você sabia” e textos de divulgação científica a respeito de fungos e bactérias.

Também como produto final, fizeram um Podcast. Para isso, realizaram um estudo de como fazer uma entrevista e o que é um Podcast. Neste caso, tiveram a ajuda da editora chefe do Jornal Joca, através de encontros on-line.

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Já, na finalização do projeto, os alunos confeccionaram um jogo on-line no site Wordwall. Cada grupo de alunos planejou o jogo e utilizou o conhecimento de programação (aprendidos durante as aulas) para finalizar os jogos e deixá-los prontos para os outros grupos poderem jogar.

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Além de todas as pesquisas e aprendizados, nossos alunos, que iniciaram o projeto discutindo sobre vacinas e coronavírus, pensaram em como ajudar os hospitais que estavam passando dificuldades por conta da grande demanda de materiais hospitalares e alta de preços desses materiais. Desse modo, fizeram uma campanha de arrecadação de tampinhas plásticas e entregaram a unidades hospitalares da cidade, para serem trocadas pelos materiais necessários.

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Por fim, o projeto atingiu as expectativas, pois, através da aprendizagem criativa, os alunos foram levados a desenvolver um pensamento crítico e, através da criatividade, encontrar respostas e pensar reflexivamente em momentos que não ficam apenas nas disciplinas e matérias escolares.

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Observação: O projeto foi inscrito no concurso Professor Transformador realizado pelo Jornal Joca e recebeu a premiação em terceira colocação, disputando com escolas de todo o Brasil.


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MATEMÁTICA, ARTE E CIÊNCIA: UMA REDE DE POSSIBILIDADES Professoras: Amanda Kiyama e Sílvia Ambrózio

Quando paramos para observar atentamente obras da arquitetura, obras artísticas, elementos da natureza e objetos do cotidiano nos deparamos com detalhes que exibem belíssimos padrões e sequências matemáticas. Boaler (2018, p.61) relata que: Os estudantes que se aproximam da matemática como uma forma de busca por padrões - buscando os padrões que existem entre os números e as operações e vendo as consistências como uma forma de padrão, não como uma regra - geralmente a apreciam mais e começam a encontrar padrões ao seu redor.

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O estudo de padrões e sequências despertou muito interesse nos alunos do 4º ano do Colégio Uirapuru. Eles encantaram-se em descobrir e perceber regularidades, padrões em muito mais do que imaginavam.

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Foram muitos momentos nos quais os alunos entraram em contato com essa beleza dos padrões e sequências. Atividades nas quais os alunos exploraram diversos ambientes e ferramentas tecnológicas para investigar, descobrir e construir sequências. Sobre a educação lúdica e criativa, Almeida (1995, p. 41) comenta:

A educação lúdica contribui e influencia na formação da criança, possibilitando um crescimento sadio, um enriquecimento permanente, integrando-se ao mais alto espírito democrático enquanto investe em uma produção séria do conhecimento. A sua prática exige a participação franca, criativa, livre, crítica, promovendo a interação social e tendo em vista o forte compromisso de transformação e modificação do meio. Na realização das atividades propostas no material didático os alunos analisaram a regularidade de sequências numéricas e geométricas, atentando ao fato de que cada uma delas é determinada por meio de um padrão. Na atividade com a ferramenta AutoDraw os alunos criaram sequências com figuras e números. Após a exploração dos recursos da ferramenta em questão, as crianças criaram suas sequências e essas criações foram compartilhadas com toda a turma e organizadas em uma coleção de cada turma.


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Os ambientes do espaço escolar oferecem uma gama de padrões. Então, os alunos saíram em busca de sequências que apresentassem diferentes tipos de padrões. A tarefa recebida pelos alunos era a de percorrer alguns espaços do Colégio e, com um olhar observador e explorador, encontrar sequências e padrões e representá-los no caderno.

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Os alunos do quarto ano vivenciaram o MICROMUNDO "MUNDO INVISÍVEL". Esta proposta trouxe a oportunidade de dar continuidade ao estudo dos padrões e sequências, agora inserindo a simetria.

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A exploração de ambientes na busca de padrões simétricos, como o Espaço Eco, foi uma atividade que engajou os alunos de maneira contagiante. Munidos de pranchetas e folhas para registrar suas observações todos queriam conhecer mais sobre a relação da simetria com a natureza.

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Integrando as observações e relações construídas na investigação realizada no Espaço Eco, as obras de KLAUS KEMP, sugeridas pela equipe da Faber-Castell, foram apresentadas aos alunos.

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Klaus, conhecido como O DIATOMISTA, apresenta um repertório riquíssimo de obras nas quais sua principal matéria-prima são seres microscópicos aquáticos: as DIATOMÁCEAS. Além de suas obras apresentarem fortemente a ideia de simetria, as diatomáceas também são seres simétricos.

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Após apresentar aos alunos as obras de Klaus, o conceito de diatomácea e de simetria, foi proposta a criação de obras inspiradas nas de Klaus.

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Tal atividade se deu a partir de dobras estratégicas feitas no filtro de café e o uso de canetas permanentes coloridas, para assim, criar padrões e designs simétricos no ateliê de arte do Colégio. Neste momento, os alunos colocaram em prática aquilo que haviam aprendido, de maneira livre e criativa

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Sobre a Arte ser uma potência para o ensino mais criativo e envolvente de Matemática, Patricia Tereza Cândido (2019, p.15), comenta: As experiências promovidas no ensino da arte poderiam ser experimentadas nas aulas de matemática: ser envolvente, criativa, provocadora de diferentes falas dos alunos, promotora de um olhar mais sensível e pensante. A partir dessas atividades voltadas a experiência, pesquisa e vivências pudemos observar a construção do conhecimento matemático, científico e artístico em cada aluno do quarto ano.

ALMEIDA, Paulo Nunes de. Educação lúdica: técnicas e jogos pedagógicos. São Paulo: Loyola, 1995. BOALER, Jo; MUNSON, Jen e WILLIAMS, Cathy. Mentalidades Matemáticas na Sala de Aula. Porto Alegre: Penso, 2018. ‌ ÂNDIDO, Patricia Tereza. Olhares que sentem C e pensam: a arte como potência na formação de professores que ensinam matemática. 2019. Tese (Doutorado em Artes) - Universidade Estadual Paulista, São Paulo, 2019.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

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WORLD SPEAKERS: “PORTA-VOZES DO MUNDO" Professores: Adriana Pacheco, Esther Guastella , Camila Santos Guilherme Soto, Mariane Silva , Rafael Pacce, Fabiana Hahmann, Jéssica Ferreira

O projeto World Speakers foi desenvolvido ao longo do ano de 2021 com os alunos do 5os anos e tinha como objetivo dar voz às crianças, colocando-as como ativas no processo de se tornarem “Porta-Vozes do Mundo”. As propostas pedagógicas das diferentes áreas conversaram a fim de desenvolver habilidades que promovessem os educandos a agentes efetivos de mudanças e, assim, contribuíssem para um mundo mais solidário e sustentável.

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O projeto dialoga com os objetivos de desenvolvimento sustentável promovidos pela UNESCO e, como integrantes do PEA, propomo-nos a colocá-los em prática. World Speakers é fruto dessa preocupação e mostra as ações em busca de um mundo melhor.

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O projeto do 5º ano também considerou em sua elaboração os temas do calendário internacional da UNESCO para o ano de 2021 e os assuntos trabalhados pela University of Missouri, parceira do colégio.

• Ano Internacional da Paz e da Confiança;

• Década Internacional da Restauração de Ecossistema;

• Ano Internacional da Economia Criativa;

• Comunidades e cultura;

• Ano Internacional da Erradicação do Trabalho Infantil;

• Paz Mundial;

• Década Internacional da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável.

Ações realizadas: Uma das ações para iniciar as atividades relacionadas ao projeto World Speakers foi a leitura de duas matérias do Jornal Joca - nº 163: "Uma representante da ciência brasileira" e "Brasileira será a única árbitra no Mundial de Clubes". A leitura dos textos teve como objetivo discutir com os estudantes a importância de atuar como protagonistas das mudanças que desejam ver no mundo. Assim como Lygia Pereira, a cientista entrevistada, e Edina Alves, a árbitra brasileira, é preciso tomar a frente e promover as transformações que farão do mundo um lugar melhor de se viver. Motivados pelas leituras, os estudantes foram convidados a pensar ações que refletissem a postura de protagonistas da mudança ou "Porta-vozes do mundo", como propõe o título do projeto (livre tradução para o português) do 5º ano em 2021.

• Explorando os meios de transporte; • Descobertas úteis.

Para começar a pensar em um futuro diferente, deram início a duas ações: coletar papéis e casquinhas de lápis. As crianças desenvolveram um "protótipo - coletor para cascas de lápis" para coletar resíduos. Eles criaram um esboço no papel e planejaram o seu coletor de lápis, idealizando os materiais que seriam utilizados. Os coletores ficariam nos corredores, mas, como o 5º ano estava no ensino remoto, eles foram espalhados pelo colégio. Em casa, cada aluno também teve o seu coletor e continuou a recolher as casquinhas de lápis.

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• Ano Internacional das Frutas e Vegetais;

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PROCESSO DE CONSTRUÇÃO DOS COLETORES DE CASQUINHAS DE LÁPIS

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Também foram coletados papéis e enviados à reciclagem, e deram origem a novos materiais. Já as casquinhas foram utilizadas em composteiras e, como produto final, fizeram parte do adubo gerado.

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Diversas vezes foi abordado o uso de materiais que poderiam ser reaproveitados, criando assim uma nova funcionalidade e significado para um objeto. Em conjunto com os estudantes, fizemos pesquisas acerca dos diferentes movimentos artísticos que usam o reaproveitamento de materiais para a concepção artística, entre eles o movimento da arte contemporânea. Durante as aulas de música relacionadas ao projeto World Speaker, foi feita a conexão com o meio ambiente, apresentando possibilidades de construção

de instrumentos alternativos, e contribuindo com a diminuição dos lixos descartados. Pudemos resgatar a consciência do cuidar do meio ambiente a partir da arrecadação de recursos alternativos que se transformam em instrumentos musicais a partir de um olhar musical, o qual incentivou a criatividade e a sua sonoridade. A partir das confecções dos materiais, os estudantes compreenderam as famílias dos instrumentos, sendo elas a das cordas (violões), dos sopros (corneta) e da percussão (chocalhos, tambores, maracás e clavas).


REGISTRO DA CRIAÇÃO CONCEITUAL DOS INSTRUMENTOS MUSICAIS A SEREM FEITOS COM MATERIAIS RECICLADOS.

Realizamos a filmagem semanal de como a composteira se desenvolveu e registramos as etapas desse processo desde a adição das casquinhas de lápis até a formação de adubo. Já que a coleta de materiais e a construção da composteira foram atividades feitas com o envolvimento de toda a comunidade escolar, os estudantes construíram manuais com informações, dicas e curiosidades, para

explicar o uso, a função e a manutenção das composteiras. Com o objetivo de dar mais ferramentas aos estudantes na construção do projeto anual do 5º ano, foram estudados povos antigos e o uso que faziam dos recursos naturais. Também tratou-se da importância do Rio Nilo para a sobrevivência dos antigos egípcios em meio ao deserto e como se dava o processo de fertilização das margens do rio para a produção agrícola da região. Pensando também no meio-ambiente e relacionando o projeto à degradação da natureza, os estudantes aprenderam sobre a dinâmica populacional de nosso planeta, as causas e as consequências do aumento populacional e os meios de evitar uma maior destruição do meio ambiente. Esses

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Entretanto, a atividade central do projeto foi a confecção de composteiras, para onde foram destinadas as casquinhas de lápis coletadas e que gerou o adubo orgânico. Composteiras são alternativas ambientais sustentáveis para o descarte de material orgânico, garantindo o reaproveitamento de resíduos biodegradáveis que fazem parte do cotidiano escolar.

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estudos serviram como material para o projeto World speakers, gerando conceitos e curiosidades para a elaboração de resultados. Dentro do eixo temático matéria e energia, tratou-se de questões ambientais, como a importância do descarte correto do lixo residual, a utilização e construção de composteiras e as consequências para o meio ambiente do descarte incorreto. Para instrumentalizar os estudantes, explicou-se a organização de um projeto e quais são os pontos importantes a serem seguidos. O tema World Speakers foi introduzido, e foram apresentadas as vinculações que serão feitas com as temáticas do calendário anual da UNESCO e com os temas trabalhados pela Universidade do Missouri.

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A exploração das ferramentas digitais também se fez necessária para a construção desse projeto. Por isso, aprimoramos a utilização das ferramentas Google. O Drive foi um importante aliado para armazenar arquivos na nuvem. As crianças conheceram e entenderam suas funcionalidades. Criaram pastas, as renomearam e fizeram uma cópia de um arquivo.

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Pessoas que vivem em outros países puderam contribuir com falas significativas apresentadas através de um encontro remoto com os estudantes, contando um pouco de como é o processo, os hábitos e as ações que contribuem com a preservação do meio ambiente. Após a realização dessas entrevistas, nossos alunos participaram como repórteres mirins na live do Jornal Joca. Realizamos alguns encontros antes da live para a preparação e organização do tema, afinal até os mais experientes precisam de um treino antes. Nossos alunos contaram como foi o desenvolvimento do projeto World Speakers e o que aprenderam. Também em parceria com o Jornal Joca os alunos conversaram com a jornalista Maria Carolina Cristianini, que contou às turmas como é trabalhar em um jornal e tudo que é desenvolvido nele. Os alunos perguntaram à ela como é realizado o descarte de lixo dentro jornal e contaram que estavam trabalhando com a composteira, e até sugeriram que o Joca poderia também criar uma. Fechando o bate papo, ela nos contou sobre fake news e como as notícias são avaliadas antes de serem disponibilizadas aos leitores.

O Google Documentos também foi apresentado, os estudantes colocaram a mão na massa para aprimorar suas funcionalidades. Eles aprenderam também sobre slogan e logotipo, pois quando se pensa em um projeto, é preciso pensar em sua divulgação e organização.

Considerando a parceria com a University of Missouri, o projeto World Speakers foi trabalhado a fim de construir com as crianças um "plano de fundo", um "tecido" para dar suporte aos debates e às discussões, com o foco no desenvolvimento do conceito de Multicultural World (Mundo Multicultural).

Para complementar o projeto e ampliar o conhecimento de mundo dos estudantes, foram realizadas entrevistas com pessoas que moram em outros países para conhecer um pouco de como é o descarte de lixo e a reutilização de materiais nesses lugares.

As crianças elaboraram, por meio das propostas pedagógicas, uma compreensão acerca de sua identidade, das comunidades que pertencem e, posteriormente, do mundo em que vivem, composto por


continentes, países, estados e cidades. estudaram sobre as diferentes populações, suas especificidades, similaridades e diferenças. Ao visitar alguns países, é comum conhecer um pouco de sua cultura e alguns dos aspectos que a compõem, como espaço natural, pontos turísticos, língua, comida, esportes, população e manifestações artísticas. Todos foram convidados a fazer uma "country research", ou seja, uma pesquisa sobre um país para conhecê-lo melhor e poder dividir essas descobertas com os colegas da turma.

Dando sequência à atividade anual da turma, os professores de projetos, juntamente às demais disciplinas, elaboraram o podcast do Projeto World Speakers. O objetivo estava em divulgar de uma maneira mais atrativa as notícias abordadas em nossas aulas. Buscamos apresentar a teoria aos alunos, apresentando os conceitos e fundamentos do "podcast". Depois de todo esse percurso seguido pelos alunos em 2021 com o projeto World Speakers, chegamos ao término do ano com a certeza de que os alunos aprenderam bastante não só sobre protagonismo e cuidados com o meio ambiente, mas também sobre cidadania e respeito ao próximo.

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Para finalizar o tema "multicultural world", apresentou-se uma matéria do Jornal Joca in english, dentro da sessão culture - secret message is found in the scream. Assim, além de explorar os aspectos linguísticos como novas palavras e estruturas, trabalhou-se com uma proposta mais reflexiva e expressiva, debatendo sobre sentimentos e a possibilidade de expressálos por meio de desenhos utilizando a ferramenta on-line de desenho autodraw.

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Podcast Professores: Adriana Pacheco, Camila Matos, Fabiana Hahmann, Guilherme Soto Jéssica Ferreira, Mariane Silva, Rafael Pacce

Podcast é um programa de rádio que pode ser ouvido pela internet a qualquer hora, por meio do celular ou do computador. Com temas e duração variadas, o ouvinte pode acessar conteúdos em áudio para se informar, para estudar ou para passar o tempo.

ANUÁRIO 2021

Contando com uma equipe de professores do Colégio, o podcast tem o objetivo de trabalhar com assuntos contingentes, internacionais, sociais, políticos, culturais e econômicos, visando a atualização dos alunos diante da quantidade de informações diárias.

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CLIQUE PARA OUVIR ALGUNS PODCASTS DO 5º ANO

EPISÓDIO 1

EPISÓDIO 2

EPISÓDIO 3

EPISÓDIO 4


O objetivo geral do projeto Podcast é integrar o aluno em novas tecnologias que possam informar e auxiliar nos seus estudos. Além de buscar quebrar barreiras na comunicação do aluno, introduzindo-o na divulgação de ideias por meios digitais. Durante o terceiro bimestre, de 2021, os professores de Projetos, com a colaboração dos professores das demais disciplinas, buscaram integrar os alunos do 5º Ano do Ensino Fundamental a esse modelo de divulgação de informações. O podcast do Projeto World Speakers tinha como objetivo divulgar, de uma maneira mais atrativa, as notícias abordadas em nossas aulas.

mundo geek, viagens, moda, filmes e séries, esportes, animais de estimação) até temáticas mais profundas. Cada grupo ficou responsável por criar o nome do canal, o logo e a gravação do primeiro episódio. Na criação do logo, utilizamos a plataforma Canva, já conhecida pelos alunos e de fácil acesso:

Nas aulas iniciais, buscamos apresentar a teoria aos alunos, trabalhando conceitos e fundamentos do "podcast" (O que é? Como surgiu? Como se faz um episódio de podcast?). Para isso, utilizamos plataformas como Youtube, Spotify e Jornal Joca, para de que os alunos explorassem canais e episódios de podcasts, sempre buscando temáticas voltadas para o nosso públicoalvo, crianças de 10 e 11 anos.

Para que eles pudessem se familiarizar com a criação dos episódios e construir os diálogos, as salas foram divididas em grupos de 4 a 5 alunos. Cada grupo, foi responsável pela elaboração de um canal, com nome e logo, e seleção de temas de interesses próprios para criação do episódio piloto. O resultado foi a formação de canais que abordaram temas cotidianos (games,

Para a elaboração do primeiro episódio, os alunos deveriam criar um roteiro contendo uma breve apresentação dos participantes e dos temas que seriam abordados no canal. Após a elaboração do episódio piloto, nos organizamos em novos grupos para criar o conteúdo disponibilizado para a comunidade escolar. Cada sala produziu o seu primeiro episódio, divididos em 5 grupos, nos quais montaram os roteiros que abordaram a temática trabalhada nas aulas de Projetos ("Como fazer uma composteira?", "Prêmio Nobel", "Manual da composteira", "A fome não é Fake" e "Projeto World Speakers Colégio Uirapuru"), contando sobre a composteira e relatos sobre a experiência de entrevistar pessoas de outros países. As gravações foram realizadas no colégio, durante as aulas de Projetos, com participação de todos os alunos.

ANUÁRIO 2021

Os alunos adoraram ouvir alguns episódios de podcast disponibilizados pela plataforma Joca. Em meio aos episódios, apresentamos três que buscavam atender os nossos objetivos iniciais: "episódio 10 - Fazendo o Joca", "O que o Joca fez em 2020?" e "O que o Joca fez em 2019?". O uso desses episódios nos proporcionou ampliar as possibilidades e as abordagens a respeito de nosso projeto e da criação de nosso podcast.

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TECENDO CAMINHOS: A DISCIPLINA PROJETOS NO FUNDAMENTAL II Professora: Gabriela Deliberali

Um coelho, um relógio, poções, uma rainha louca e uma menina curiosa! Com estes elementos e muito mais, o conto clássico Alice no País das Maravilhas é capaz de cativar pessoas de todas as idades. Observe o trecho a seguir:

- O senhor poderia me dizer, por favor, qual o caminho que devo tomar para sair daqui? - Isso depende muito de para onde você quer ir, respondeu o Gato. - Não me importo muito para onde..., retrucou Alice. - Então não importa o caminho que você escolha, disse o Gato.

ANUÁRIO 2021

(CARROLL, 2009, p.74)

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Neste diálogo, se para alguns fica o encantamento da maravilha de um gato falante, para outros pode ficar a estranheza por alguém que não sabe para onde vai. No entanto, em uma sociedade que se move com tanta velocidade, o sentimento de indecisão e as dificuldades para definir objetivos têm se tornado cada vez mais frequentes. A escola como parte da sociedade, sendo por ela influenciada à medida que atua para a transformação da mesma, tem se preocupado em preparar os estudantes para a tomada de decisões e para exercer outras tantas habilidades inerentes à vida no século XXI, como corrobora Nascimento (2010, p. 19):


Em Projetos os estudantes são envolvidos em um contexto e apresentados a um problema, ao resolverem o problema eles desenvolvem um projeto. Desta forma o estudante é instigado a “pensar por projetos” criando uma estrutura cognitiva que o permita reconhecer, compreender e aplicar a metodologia de projetos, neste processo, termos como o que, por que e como, vão ganhando os significados de objetivo, justificativa e metodologia, nomenclatura relacionada à metodologia de projetos empreendedores e acadêmicos. Os problemas, por sua vez, são apresentados em casos, os "cases", como é demonstrado na figura 1, para trabalhar a identificação de problemas. Inicialmente os alunos do 6º e 7º anos analisaram e resolveram cases apresentados pela professora, mas depois aprenderam a criar cases com contextos e perguntas para apresentar problemas e permitir a reflexão de outros, a fim de que os colegas pudessem analisar e resolver os cases criados por eles. Fonte: Gabriela Deliberali

Considerando as demandas e o contexto atual, o Colégio Uirapuru, que sempre valorizou o desenvolvimento de projetos, ampliou seu investimento ao inserir no currículo do Ensino Fundamental II para 2021 a disciplina Projetos. Nesta disciplina, o foco não está apenas na criação de um projeto, produto final, mas em como aprendemos a criar um projeto, considerando o processo. Aqui a perspectiva de nossos alunos se diferencia da perspectiva de Alice, pois eles aprendem a importância da

definição de objetivos e também como elaborar estratégias para alcançá-los, sem abandonar a magia das grandes perguntas.

Análise e criação de Cases sobre sustentabilidade e cidadania em grupo

ANUÁRIO 2021

As mudanças estão ocorrendo e a questão crucial na Educação é: como preparar os jovens que estão conosco hoje para um mundo de valores e de trabalho diferentes dos atuais? A metáfora que explicava o nosso modo de vida no passado era o ato de subir em “uma montanha”, ou seja, caminhar devagar até chegar ao topo e poder descansar; hoje a metáfora que explica a vida é a da “corredeira”: estamos em um bote, é necessário tomar decisões rápidas e estratégicas, sem garantias de encontrar um lugar seguro para aportar no final. Como, neste contexto, o educador irá preparar os seus estudantes para serem líderes perspicazes e eficientes?

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As escolhas dos temas dos projetos de cada bimestre estão relacionadas com o Programa de Escolas Associadas (PEA) da Unesco, também com os saberes desenvolvidos pelas demais disciplinas no bimestre e as demandas trazidas pela comunidade escolar.

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Fonte: Gabriela Deliberali

ANUÁRIO 2021

Outro grande objetivo da disciplina Projetos é promover a articulação entre os saberes trabalhados em outras disciplinas. Esta articulação se dá pela demanda de mobilização de conhecimentos e habilidades das demais disciplinas ao longo do desenvolvimento do projeto, podendo envolver a participação direta ou indireta de outros professores.

Como exemplo de parceria direta, podese citar a parceria entre as disciplinas de Projetos e Inglês no 6º ano para o desenvolvimento do projeto Fome Não é Fake, que envolveu a discussão sobre insegurança alimentar e a criação de materiais de divulgação para colaborar com uma campanha de arrecadação de alimentos para prefeitura municipal de Sorocaba. Em inglês eles estudaram e discutiram a "Food Insecurity" e criaram cartazes de divulgação do projeto convidando as pessoas da comunidade escolar à doarem alimentos. Em Projetos os alunos se preparam para apresentar estes cartazes e o fizeram aos alunos de séries anteriores

Apresentação dos cartazes sobre Food Insecurity para o 2º ano


A partir desta primeira experiência de divulgação, os alunos receberam a missão de responder a pergunta "Como os alunos do 6º ano podem ajudar a combater a fome em Sorocaba?" e para isso iniciaram a elaboração de um projeto que os levou a outros questionamentos como "O que este projeto pretende realizar?", "Qual o motivo e a importância de realizar este projeto?" e "Quais ações precisarão ser realizadas para que o projeto se concretize?". Ao respondê-los os estudantes haviam definido o objetivo, a justificativa e a metodologia do projeto. Ao final do processo, cada grupo materializou suas respostas e descobertas em um produto final diferente, foram criados vídeos, novos cartazes e podcasts (acesse um dos trabalhos pelo QR code da figura 3), todos com o objetivo de disseminar informações que ajudassem a mitigar o problema da fome no município.

No 7º ano houve também a parceria direta entre as disciplinas de Projetos, Português e Arte para a elaboração de um projeto de valorização da cultura afro-brasileira, que participou do concurso Releituras da Memória, proposto pela plataforma Árvore Livros. O projeto visou promover a valorização da cultura afro-brasileira por meio da leitura, para isso a obra escolhida foi “O Apanhador de Nuvens”, que narra a riqueza cultural do país africano Dogon. Ao ler o livro na disciplina de projetos, os estudantes identificaram os elementos culturais do país e levantaram ideias para a elaboração de uma nova história, um fanzine (ficção criada por fãs), que discutisse a importância do reconhecimento da cultura africana e afro-brasileira. Com os elementos culturais identificados e as ideias para uma nova história em mãos, junto às professoras de Arte e Português os alunos desenvolveram uma HQ que contava a busca de uma menina negra em conhecer suas raízes culturais. Ao inscrever este projeto, o 7º ano do Colégio Uirapuru, ficou entre os 10 finalistas da competição, que contou com mais de 300 trabalhos inscritos de todo o país, e recebeu uma menção honrosa pelo feito.

QR Code para Podcast do Projeto Fome Não é Fake.

ANUÁRIO 2021

Trecho do fanzine em HQ inscrito no projeto Releituras da Memória.

CLIQUE PARA OUVIR

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ANUÁRIO 2021

Fonte: Gabriela Deliberali

Nas aulas de Projetos, diversas metodologias ativas de ensino são utilizadas para criação dos trabalhos e a promoção da discussão das obras entre os alunos, como a Assistência pelos Pares, que se trata de um método de divisão de funções para elaboração de feedbacks entre os grupos, entre outras metodologias como Team-based learning (aprendizagem baseada em times), Problem-based learning (aprendizagem baseada em problemas), Rotação por Estações e Role Play, que envolve encenações teatrais, como é representado na figura abaixo.

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Ensaios e apresentação de pequenas encenações (role play) sobre os Objetivos de desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU no 6º ano


Munidos de um roteiro de pesquisa criado previamente pelos estudantes analisaram as instalações do smart campus da Facens e também conversaram com a diretora do smart center, Regiane Relva, para conhecer os recursos de tecnologia 4.0 desenvolvidos ali. Do 6º ao 8º ano a disciplina de projetos prevê uma articulação geral das áreas do conhecimento, mas para o 9º ano, com a aproximação do Ensino Médio que se estrutura pelos itinerários formativos, a disciplina de projetos se divide em Projetos de Ciências Humanas e Projetos de Ciências da Natureza e os alunos escolhem de qual participarão de acordo com seus interesses.

Fonte: Colégio Uirapuru

Dentre os projetos criados pelo 9º ano na área de Ciências da Natureza, pode-se citar o projeto de divulgação científica que trabalhou o processo de pesquisa científica e teve como produto final a criação de vídeos do "Minuto Ciência" em que os estudantes criaram vídeos curtos de divulgação científica e também o projeto "Sustentabilidade" em que os alunos utilizaram softwares e os equipamentos do espaço Maker para modelar protótipos que buscam mitigar os impactos ambientais (Figura 7). Em Ciências Humanas os estudantes pesquisaram e discutiram sobre a educação no século XXI, e como resultado do processo de imersão neste assunto criaram propostas de projetos de intervenção educacional para serem implementados nas escolas, alguns destes envolveram a criação de sites para divulgação de novas profissões, sites sobre boas práticas educacionais e até a organização de palestras sobre saúde mental para estudantes do Fundamental II. Estudo do meio na Facens: preenchimento de roteiro de pesquisa e visita aos espaços da cidade inteligente

ANUÁRIO 2021

O planejamento da disciplina é organizado para promover a ativação do aluno desde o seu engajamento com a pergunta disparadora, até sua participação em diferentes funções no desenvolvimento do projeto. Estudos do meio também compõem as estratégias utilizadas nesta disciplina, no terceiro bimestre os alunos do 8º ano vivenciaram um estudo do meio para conhecer as instalações de uma faculdade local (Figura abaixo), a fim de expandir seu repertório sobre o assunto "Cidades Inteligentes" e assim colaborar com a construção das suas próprias maquetes de instituições inteligente como hospitais, fazendas, escolas e indústrias.

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Fonte: Jean Cardoso

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Ao longo de 2021, muitos outros projetos desafiaram nossos estudantes, que se revezaram na composição de criações materiais e imateriais, digitais e físicas por meio do estudo de temas da atualidade como empreendedorismo, tecnologia 4.0, sustentabilidade, educação financeira, entre outros. Entende-se que estas vivências puderam estimular o desenvolvimento do pensamento crítico, algo que acreditamos que pode ser ensinado e aprendido (HALPERN, 2001 apud LOPES, 2019).

Fonte: Gabriela Deliberali

ANUÁRIO 2021

Protótipos desenvolvidos pelos alunos do 9º ano no espaço Maker

Elaboração de Planta em 3D do negócio empreendedor relacionado aos ODS da ONU


Em todo este processo buscou-se permitir aos estudantes do fundamental II aguçarem o seu olhar, olhar que para Cardoso (1998, p. 349), não acumula e não abarca, mas procura; não deriva sobre a superfície plana, mas escava, fixa e fura, mirando as frestas deste mundo instável e deslizante que instiga e provoca a cada instante a sua empresa de inspeção e interrogação. (...) supõe e expõe um campo de significações, ele, o olhar – necessitado, inquieto e inquiridor – as desejam e procuram, seguindo a trilha do sentido. O olhar pensa; é visão feita interrogação. Espera-se que este "olhar viajante", como é intitulada a obra da fala acima, permita aos estudantes a criação de perguntas, respostas e diálogos, para que entendam para onde vão, se permitindo expandir as possibilidades de caminhos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

CARDOSO, Sérgio. O olhar viajante. In: NOVAES, Adauto e outros. O olhar. São Paulo: Companhia das Letras, 1988, p. 349. CARROLL, Lewis. Aventuras de Alice no país das maravilhas; Através do espelho e o que ela encontrou por lá. Tradução de Maria Luiza X. de A. Borges. Rio de Janeiro: Zahar, 2009. FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. São Paulo: Paz e Terra, 1996. HALPERN, Diane F. Assessing the effectiveness of critical thinking instruction. The Journal of General Education, v. 50, n. 4, p. 238-254, 2001. LOPES, José Pinto et al. Educar para o pensamento crítico na sala de aula. Planificação, estratégias e avaliação. Lisboa: PACTOR, 2019. NASCIMENTO, Ana Paula Nigro Cabral. O Ensino para a Compreensão. CRB-8 Digital, v. 1, n. 2, p. 19-21, 2010.

ANUÁRIO 2021

"A disciplina de Projetos tem nota? E se tem nota, tem prova?" No início do ano esta foi uma pergunta constantemente feita aos professores, que informaram que havia nota, mas que o instrumento avaliativo utilizado para sua composição não era uma prova, a dúvida se encerrou quando foi apresentado aos estudantes o conceito de rubrica avaliativa. Os estudantes puderam compreender que uma rubrica é instrumento avaliativo que organiza os critérios de avaliação de um projeto em diferentes níveis de alcance. Além de conhecer o conceito do instrumento avaliativo, os alunos puderam também participar da construção das rubricas para cada projeto, permitindo que eles planejassem a metodologia dos projetos para cumprir todos os requisitos da rubrica vigente. Em cada bimestre as rubricas avaliaram o produto final de cada grupo e também o desempenho processual de cada aluno, compondo a nota final.

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JOGO DE TABULEIRO: "MATEMATICANDO" COM A CIÊNCIA Professores: Bruna Silva e Karla Oliva

ANUÁRIO 2021

As brincadeiras e os jogos sempre estiveram presentes na infância, estimulando a socialização e oferecendo vivências e experiências novas, o que proporciona às crianças um desenvolvimento de habilidades que serão utilizadas no decorrer de várias situações da vida. O carácter lúdico das brincadeiras e dos jogos estimulam o desenvolvimento de aspectos relevantes quanto ao lado social, cognitivo e afetivo dos participantes (Gehlen, 2013).

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O lado social está associado à interação dos participantes durante o jogo. Nesse momento, as afinidades surgem por meio de ideias e estratégias semelhantes, assim como o respeito às regras e ao adversário. O desenvolvimento cognitivo relacionase às habilidades de comunicação, administração, raciocínio, inteligência emocional, capacidade de liderança e concentração (Santos, 2013). O jogo de tabuleiro é um desses instrumentos interessantes que desenvolvem o lado cognitivo e o respeito às regras. De acordo com Orte & Campos (2014), esse tipo de instrumento lúdico oferece à criança oportunidades de aprendizados sobre como lidar com

o ganhar e o perder, como agir diante de uma frustração, além de estimular a competitividade saudável e a rapidez de raciocínio. De acordo com Gehlen (2013), as atividades lúdicas por intermédio dos jogos, são colaboradoras no processo ensino-aprendizagem, além de garantir descontração, alegrias e desafios ao aluno. A utilização de jogos de tabuleiros com objetivos didáticos requer a seleção de critérios específicos para sua aplicação e a relação do lúdico com o conteúdo ministrado em sala de aula. Sem esta associação, o jogo passa a ser algo descontínuo no aspecto da aprendizagem, em outras palavras, deixa de fazer sentido e passa a ser visto pelos alunos como apenas uma brincadeira. Com a orientação das professoras Karla Oliva e Bruna Domingues, os alunos do 6º ano do Colégio Uirapuru receberam o desafio de criar um jogo de tabuleiro interdisciplinar, envolvendo saberes de Ciências e Matemática. Dessa forma, o projeto pedagógico teve por objetivo desenvolver práticas de ensino dessas disciplinas em jogos de tabuleiro, de modo a oferecer uma aprendizagem significativa com métodos alternativos.


Muitos pesquisadores enfatizam a importância do trabalho colaborativo e interdisciplinar para o desenvolvimento do aprendizado crítico, uma vez que incentiva a formação colaborativa do conhecimento.

ANUÁRIO 2021

O desenvolvimento do projeto iniciou-se com a divisão dos alunos em grupos para que realizassem uma importante conversa sobre os conteúdos que seriam selecionados para elaboração dos jogos e as ideias iniciais dos alunos como por exemplo o tipo de tabuleiro, nome e tema do jogo, materiais a serem utilizados para confecção do tabuleiro e a distribuição de tarefas entre os integrantes do grupo.

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É muito importante que os alunos saibam de que forma estão sendo avaliados para que tenham maior controle do seu processo de aprendizado, possam avaliar seus próprios trabalhos antes de entregar ao professor e melhorem seu desempenho (Biagiotti, 2005).

ANUÁRIO 2021

Iniciou-se a construção dos jogos de tabuleiro! As ​​​​​​ reuniões dos grupos para planejamento e confecção foram realizadas durante as aulas, sempre com o acompanhamento e orientação das professoras. A atenção quanto ao uso do conteúdo das disciplinas para a produção do jogo foi contínua. A cada encontro, uma nova etapa do desenvolvimento do jogo era realizada e, pouco a pouco, as ideias dos estudantes se materializaram nos itens físicos como as peças, as cartas e o tabuleiro, e também nas estratégias de jogabilidade.

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Findada a elaboração dos jogos, os estudantes tinham em mãos um produto final que, além de divertido, permitia a mobilização de saberes inerentes ao 6º ano. Para compartilhar as conquistas, os grupos apresentaram os projetos para os colegas de sala contando um pouco mais sobre o processo de criação do jogo e deram o "start" para o conhecimento e a diversão: jogar! Foi um momento de grande empolgação, pois os jogos foram trocados entre os grupos e eles puderam conhecer as propostas e os jogos variados, cada qual com suas características, particularidades, desafios e objetivos específicos.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: ORTE & CAMPOS - Psicologia Aplicada. A Importância dos Jogos de Tabuleiro. Texto disponível em http://orteecampos. com.br/a-importancia-dos-jogos-detabuleiro/#:~:text=Os%20jogos%20 de%20tabuleiros%20ajudam,de%20 estrat%C3%A9gias%20para%20buscar%20um. Acesso 08/10/2021.

BIAGIOTTI, L.C.M. Conhecendo e aplicando rubricas em avaliações. Texto disponível em http://www.abed.org.br/congresso2005/por/ pdf/007tcf5.pdf. Acesso em 08/10/2021.

GEHLEN, S. M. Jogos de tabuleiro: uma forma lúdica de ensinar e aprender. Texto disponível em http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/ portals/cadernospde/pdebusca/producoes_ pde/2013/2013_unicentro_edfis_artigo_salete_ marcolina_gehlen.pdf. Acesso 14/10/2021.

SANTOS, D. SILVA. O papel dos jogos de tabuleiro na aprendizagem. Texto disponível em https://meuartigo.brasilescola.uol.com.br/ pedagogia/o-papel-dos-jogos-tabuleiro-naaprendizagem.htm. Acesso 15/10/2021.

ANUÁRIO 2021

Durante todo o período de criação do jogo de tabuleiro, a criatividade, o raciocínio lógico-dedutivo e as etapas de experimentação foram nitidamente aplicadas, favorecendo a evolução do processo ensino-aprendizagem. As etapas da experimentação foram norteadas pela metodologia científica, possibilitando o levantamento de hipóteses e a conquista de resultados. Analisando esses aspectos, o incentivo ao uso de jogos de tabuleiro, com princípio pedagógico, deve continuar sendo estimulado, despertando o interesse em novas descobertas e formas de aprendizado.

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O APANHADOR DE MEMÓRIAS Professores: Marina Tranquilin, Gabriela Deliberali e Maria Teresa Tesolini

"Para viver democraticamente em uma sociedade plural é preciso respeitar e valorizar a diversidade étnica e cultural que a constitui. Por sua formação histórica, a sociedade brasileira é marcada pela presença de diferentes etnias, grupos culturais, descendentes de imigrantes de diversas nacionalidades, religiões e línguas." (BRASIL, 1997).

ANUÁRIO 2021

A pluralidade cultural é uma característica marcante no Brasil, dessa forma, trabalhá-la na educação se torna um fator fundamental na ampliação de horizontes, tanto para o professor quanto para o aluno, a partir de uma abertura de consciência de que a realidade em que vivemos é apenas parte de um mundo complexo.

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A escola deve ser um lugar de aprendizagem do ponto de vista da igualdade, da cidadania e do respeito à diversidade e pluralidade do ser humano, ao cooperar na formação dos alunos com a consolidação de uma cultura de paz e respeito. Nesse sentido, o concurso Releituras da Memória surgiu com o intuito de incentivar as escolas e alunos na investigação e no questionamento sobre suas origens, suas histórias e suas culturas, principalmente com relação às identidades de culturas que muitas vezes foram silenciadas e pouco representadas, como as histórias de pessoas negras e indígenas.

No Colégio Uirapuru, o projeto Releituras da Memória envolveu as disciplinas Arte, Português e Projetos, e foi realizado a partir de um concurso proposto pela plataforma Árvore Livros, para escolas de diversas partes do Brasil, no qual foram inscritas mais de 300 instituições, e os alunos do 7º ano de 2021 representaram o nossa instituição. Entre as regras estabelecidas para o Ensino Fundamental nos anos finais, estava a leitura de um dos livros da plataforma e a construção de uma Fanfic(1).

1. Fanfic: a palavra é uma abreviatura inglesa do termo fan fiction, um conceito que se refere à criação de qualquer tipo de obra a partir de uma história já existente. Este tipo de ficção é feito por fãs que recriam histórias de outros autores.


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O livro selecionado pelo colégio foi O apanhador de nuvens: uma aventura no país Dogon, de Bêka e Marko, um livro que narra, por intermédio da linguagem da História em Quadrinhos, as tradições de um país africano, o país Dogon. A leitura da obra foi realizada por todos os alunos do 7º ano na disciplina de Projetos com a professora Gabriela Deliberali. Durante as aulas de leitura dos livros, os alunos das cinco turmas puderam contribuir com ideias sobre como criar uma fanfic baseada no livro e que também valorizasse a cultura negra e sua representatividade. Após o momentos de leitura, diálogo e reflexão, foi oferecido aos alunos a participação voluntária da construção da fanfic, em um processo de cinco encontros, que aconteceram fora do horário de aula. Após a inscrição dos alunos, formou-se um grupo que se reuniu em encontros virtuais junto das professoras Marina Tranquilin (Arte), Maria Teresa Tesolini (Português) e Gabriela Deliberali (Projetos).

ANUÁRIO 2021

No primeiro encontro, aconteceu um brainstorm, no qual os alunos propuseram novas ideias e também formas de reunir e selecionar as ideias de todo o 7º ano. Criou-se uma narrativa textual e nos encontros seguintes os alunos transformaram o texto em uma História em Quadrinhos.

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No momento de conversa do primeiro encontro, surgiu a ideia de fazer uma história que estabelecesse uma ligação com o enredo do livro O apanhador de nuvens e que, ao mesmo tempo, representasse aspectos positivos da história dos afro-brasileiros. Para isso, os alunos decidiram utilizar a história para questionar a ausência da valorização da cultura negra.

No enredo da fanfic uma menina negra, personagem principal, procura a biblioteca para um trabalho escolar e inicia a busca por livros sobre suas raízes e a história do seu povo, mas não encontra quase nada, então ela segue em busca de descobertas. Em casa, quando conta para sua mãe a decepção de saber tão pouco sobre sua cultura, ela lhe dá um livro que diz ser muito especial. Na leitura da história, a aventura se passa como se a menina entrasse no livro e ali fizesse lindas descobertas sobre seu povo e suas raízes. Quando sai da viagem pela obra, a menina se alegra ao se ver representada em algo que não envolve só sofrimento, como a escravidão, por exemplo, mas aspectos que mostram a força, a inteligência e o respeito ao seu povo. Ao final, após a viagem pela literatura, a menina faz uma apresentação na escola, na qual mostra orgulhosa a história do seu povo.


Como resultado do concurso, entre tantas escolas e projetos diversos, o Colégio Uirapuru ficou entre os 10 finalistas e recebeu menção honrosa. Fruto de um trabalho gratificante em equipe, que envolveu alunos e professores, num processo criativo desempenhado com interesse, harmonia e determinação. Para conhecer a obra completa acesse:

Destacamos neste projeto o envolvimento essencial e brilhante de Maria Teresa! Professora, parceira e amiga que ao longo de sua vida despertou o apreço pela leitura nos alunos do 7º ano do Colégio Uirapuru e em todos com quem conviveu.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: FANFIC - CONCEITO, E O QUE É. Conceitos. Disponível em: <https://conceitos.com/fanfic/>. Acesso em: 22/09/2021. Brasil. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: pluralidade cultural. Brasília : MEC/SEF, 1997.

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FANZINE CIENTÍFICO: A ARTE DA NATUREZA Professores: Marina Tranquilin, Claudia Marques, Fernanda Sanches e Karla Oliva

ANUÁRIO 2021

“Explorar movimentos, gestos, sons, formas, texturas, cores, palavras, emoções, transformações, relacionamentos, histórias, objetos, elementos da natureza, na escola e fora dela, ampliando seus saberes sobre a cultura, em suas diversas modalidades: as artes, a escrita, a ciência e a tecnologia” (BNCC, 2018).

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Proporcionar diferentes formas de aprendizagem é proposto pela BNCC (Base Nacional Comum Curricular) desde a Educação Infantil até o Ensino Médio e se tornou uma importante ferramenta que oportuniza aos alunos diferentes caminhos na busca pelo conhecimento. O Fanzine Científico surgiu, nesse sentido, como um projeto interdisciplinar de Arte e Ciência que busca tais possibilidades. Esse projeto foi desenvolvido numa espécie de diário gráfico, no qual os alunos

realizaram desenhos de observação da natureza e fizeram registros textuais sobre características e estruturas percebidas nas espécies animais e vegetais, com as quais tiveram contato no período de sua elaboração do Fanzine(1). As habilidades e competências trabalhadas em Arte no desenvolvimento do projeto se relacionaram em viabilizar aos alunos a produção de obras que valorizassem sua autonomia, sua crítica e autoria, ao identificar o processo criativo como parte


significante do produto final. Além disso, buscaram expressar por meio da Arte e da Ciência a atitude de busca pessoal ou coletiva, ao articular a percepção, a imaginação, a emoção, reflexão e sensibilidade, na realização de produções artísticas(2).

1. O Fanzine é uma revista de publicação alternativa, independente feita de fãs de um determinado assunto, objeto ou arte e voltado para fãs do mesmo conteúdo. Há dois tipos de produção de Fanzines: os impressos, geralmente feitos em papel sulfite, e os e-zines, sites que possuem a mesma finalidade e filosofia de um Fanzine." (MAGALHÃES, 1993) 2. As habilidades e competências utilizadas são baseadas no Currículo de Arte desenvolvido no Colégio Uirapuru e na Base Nacional Comum Curricular (BNCC do Ensino Fundamental).

ANUÁRIO 2021

Também na disciplina de Arte foram apresentadas aos alunos como fonte de inspiração referências de trabalhos artísticos de ilustração da botânica de Margaret Mee, além de sketchs de anatomia e observação da natureza feitos por Leonardo da Vinci, artista renascentista já estudado no início deste ano letivo, compilados em seus famosos códices, que inclusive pudemos conhecer através da exposição virtual "500 Anos de Leonardo" no site do MIS (Museu da Imagem e do Som). .

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Uma vez conhecido o conceito do Fanzine, e tendo em vista as referências de Artes Visuais apresentadas, cada aluno criou o seu, que serviu como base para os registros realizados durante o desenvolvimento da atividade. Em Ciências, os alunos tiveram a parte conceitual sobre animais e plantas e observaram espécies nativas e/ou exóticas presentes na região, em especial as existentes no Quintal e no Espaço Eco do colégio. Apesar de nem todas as visitas presenciais aos referidos espaços terem sido realizadas, contamos com a colaboração da equipe de Biologia da escola, que preparou estimulantes videos in loco para que os alunos pudessem, mesmo a distância, conhecer tais espaços e sua biodiversidade.

ANUÁRIO 2021

Tanto nas aulas de Arte como nas de Ciências, os alunos apuraram seus olhares e registraram suas observações através de anotações e desenhos científicos dos espécimes analisados. As duas disciplinas se uniram de tal forma que criaram conexões benéficas para o aprendizado dos alunos. O depoimento destes, junto do processo criativo de cada um, demonstraram o ótimo resultado do projeto. Seguem abaixo algumas falas registradas por pelos alunos dos sétimos anos:

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"Eu amei fazer o Zine pois além de ser um jeito novo de desenho, nos proporcionou um novo método de estudo, mesclando o desenho com a disciplina de Ciências. Achei a ideia genial pois Arte e Ciências são minhas matérias favoritas" (Isabela Campos, 7º B).

"A experiência de fazer esse trabalho foi única e vou levar para a vida." (Manuela Sortino Tobias, 7º D).

"Eu amei fazer o Zine. Foi uma ótima experiência! Eu gostei da ideia de fazer um trabalho que unisse Ciências e Arte, assim consegui estudar e aprimorar minhas técnicas de desenho. Também gostei da parte em que usamos o Leonardo da Vinci como exemplo" (Catarina Ximenes, 7º D).


O trabalho conjunto desempenhado pela equipe do colégio associado ao envolvimento dos alunos no decorrer da atividade foi muito positivo e obteve como fruto fanzines ricos em registros e informações, realizados num processo de aprendizagem que contemplou diversas possibilidades, demonstrando toda a energia e vivacidade dos corpos docente e discente em meio às idas e vindas da pandemia, em um sistema híbrido que ensinou a todos que mesmo separados, estamos sempre juntos.

MAGALHÃES, Henrique. O que é Fanzine. Coleção primeiros passos, nº 283 São Paulo, Brasiliense, 1993.

ANUÁRIO 2021

O Fanzine Científico é um dos projetos enviados ao PEA da Unesco e fez parte da Hora do Cientista, evento digital de divulgação científica, realizado através das redes sociais do Colégio Uirapuru. Esse riquíssimo projeto também foi exposto no Espaço Cultural do Colégio Uirapuru e virtualmente no site do Colégio.

BNCC http://basenacionalcomum.mec.gov.br/ images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf. Acesso em: 15/09/2021

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:


“REPENSANDO O CONSUMO DE ENERGIA ELÉTRICA” Professoras: Claudia Marques, Denise Sarmento e Marlon Mendes

O "fazer ciência" no Ensino Fundamental 2 do Colégio Uirapuru nunca para e, assim, a preocupação em aproximar os conceitos científicos ao cotidiano dos discentes é constante. Desta forma, no segundo semestre de 2021, os professores de Ciências, Arte e Matemática se uniram para desenvolver um projeto enriquecedor com os alunos do 8º ano, visando obter uma reflexão acerca do consumo de energia elétrica em nosso cotidiano.

ANUÁRIO 2021

O Colégio Uirapuru é uma escola associada ao PEA-UNESCO que é um conjunto de escolas que se compromete em aplicar os ideais, valores e prioridades traçados pela UNESCO e, nesse ano, dentre os intuitos, há os objetivos relacionados ao desenvolvimento sustentável, sendo o objetivo 7 ligado à energia acessível e limpa.

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A fim de contemplar as habilidades do eixo Matéria e Energia da Base Nacional Curricular Comum (BNCC, 2018), o assunto "consumo de energia elétrica" foi abordado no terceiro bimestre da disciplina de Ciências e, assim, os alunos estudaram diversos temas, contemplando desde fontes de energia renováveis e não renováveis, tipos de energia, consumo e os valores pagos às concessionárias até as leis da Física aplicadas em eletricidade, como a primeira Lei de Ohm.


criando argumentos lógicos e propostas de intervenção. O primeiro contato dos alunos com o projeto aconteceu, então, através da visão teórica de análise e interpretação de dados. Posteriormente, as turmas foram divididas em grupos, que segundo (Cohen, 2017, p. 07) "o trabalho de grupo produtivo aumenta e aprofunda a oportunidade de aprender conteúdos e desenvolver a linguagem e, portanto, tem o potencial para formar salas de aula equitativas". Assim, com os grupos formados, os alunos definiram o tema da pesquisa, o público-alvo, elaboraram as perguntas que ajudariam na compreensão de cada caso e pensaram nos possíveis caminhos para proposta de intervenção. Os grupos, então, tiveram um período definido para coleta e processamento dos dados obtidos com a pesquisa e, para finalizar essa etapa, os alunos elaboraram uma apresentação com gráficos e tabelas das informações evidenciadas nas pesquisas. No fim da socialização, cada grupo escolheu um tema, baseado nos dados, para desenvolvimento da próxima etapa do projeto.

ANUÁRIO 2021

A etapa inicial do projeto trouxe uma certa novidade que causou curiosidade em nossos alunos, afinal, eles esperavam que um projeto relacionado ao fazer científico acontecesse nas aulas de Ciências mas, diferente disso, quem deu início ao projeto foi o Professor Marlon nas aulas de Matemática, alinhado com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC, 2018), que traz como competência, interpretar informações de natureza científica e social obtidas da leitura de gráficos e tabelas, realizando previsão de tendência, interpretação crítica e

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E, para o produto final, com apoio da professora de Arte, Denise Sarmento, os alunos desenvolveram e criaram um vídeo, com formatos variados, a fim de informar ao públicoalvo novidades e curiosidades sobre o consumo de energia elétrica em nosso cotidiano, desde mídias em formato de telejornal, vídeos interativos, jogos e até mesmo encenações.

ANUÁRIO 2021

Falar sobre sustentabilidade na sala de aula, apesar de não se mostrar desafiador, pois os alunos compreendem, discutem e apresentam diversas ideias, apresenta obstáculos posteriores, visto que, no cotidiano atual, mudanças de hábitos são sim desafiadores, pois a sociedade humana é constantemente bombardeada por padrões de consumo e conforto para que, então, atinja a tão sonhada felicidade.

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Os vídeos criados pelos alunos foram publicados na "Hora do Cientista" através das redes sociais do colégio, visando divulgar as informações relevantes levantadas pelos alunos de como economizar energia elétrica é possível, mesmo no contexto atual, onde somos cercados pelo conforto e consumo (Disponível no link: https://drive.google.com/drive/folders/1bQJ 8MZOkAfjWxkj_8IxspwpZOhzhIZam


Desconstruir esse caminho utópico é um grande desafio a todos, não somente adolescentes, mas, certamente, aos adultos também. Gadotti (2005) já afirmou a necessidade de construir pedagógico da sustentabilidade, repensando nossos consumos através da área de conhecimento que nomeou Ecopedagogia, onde deve-se construir a noção de um cidadão planetário, preocupado com a saúde do nosso planeta Terra.

O projeto se mostrou desafiador, produtivo e muito relevante, inicialmente aos próprios professores e alunos, visto que enxergar um caminho possível sobre as próprias atitudes e sobre o próprio consumo é algo provocador, porém necessário.

ANUÁRIO 2021

Ao desenvolver esse projeto os docentes buscaram desenvolver uma noção planetária, que representa uma reorganização da nossa visão, da educação como espaço de inserção do indivíduo, não numa comunidade local, mas numa comunidade que é, ao mesmo tempo, local e global (Gadotti, 2005).

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MUDANÇAS CLIMÁTICAS: COMO PODEMOS PROTEGER O PLANETA? Professoras: Aline de Aquino, Ana Carolina Benzoni, Marcela Lemos

ANUÁRIO 2021

As mudanças climáticas são alterações no estado do clima da Terra que persistem por um longo período de tempo. Esse fenômeno pode ter origem natural ou antrópica. Atualmente essas mudanças têm ocorrido de forma intensa em razão da ação do homem.

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O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) publicou no mês de Agosto um relatório intitulado: Climate Change 2021: the Physical Science Basis, mostrando que as mudanças climáticas causadas pelos seres humanos são irreversíveis e vão se agravar nos próximos anos se nada for feito para mudar o quadro da crise climática e ambiental do planeta. Em 2016, a ONU propôs os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) para que a humanidade conseguisse dissociar crescimento econômico de pobreza, desigualdade social e mudanças climáticas. O objetivo dos ODSs é promover sociedades pacíficas e inclusivas e contribuir para que as sociedades consigam economizar água, energia, emissões de carbono e consigam criar empregos, fortalecer minorias e melhorar a qualidade de vida da humanidade. A partir de 2021, o colégio é signatário

do Movimento Escolas pelo Clima. O movimento é coordenado pela Reconectta que é certificado pelo Sistema B especializado em auxiliar escolas a trabalharem a sustentabilidade como um valor no projeto pedagógico. Como o tema é assunto trabalhado no colégio, nasceu a ideia do projeto. O projeto sobre mudanças climáticas foi realizado com a primeira série do ensino médio de forma interdisciplinar. As disciplinas envolvidas foram: Biologia, Geografia, História, Química, Matemática, Ética e Cidadania e Linguagens que, de alguma forma, trabalham com o tema proposto ao longo do ano. A disciplina de Linguagens participou do projeto para orientar os alunos na elaboração de slides e na preparação para a apresentação por meio de um TedTalk. Os alunos foram divididos em grupos e cada um pesquisou sobre um assunto relacionado e mais detalhado sobre o tema do projeto e cada grupo contou com a ajuda de um professor orientador (que foi selecionado de acordo com a temática mais próxima de sua disciplina).


Fonte: esquerdaonline.com.br

Fonte: unsplash.com

Os trabalhos foram elaborados principalmente durante as aulas de Ética e Cidadania, onde os grupos foram provocados a buscar fontes científicas, gráficos e dados, fazer questionamentos a respeito dos temas escolhidos e identificar as diferentes narrativas ligadas às questões das mudanças climáticas. E antes do início da elaboração dos trabalhos, as pesquisas do tema geral - Mudanças Climáticas - foram aprofundadas em algumas aulas a partir de leituras de artigos científicos e apresentação de debates e entrevistas com acadêmicos sobre o assunto para "aquecer" as discussões posteriores.

slides para compor a apresentação que se deu em formato TedTalk, ou seja, por meio de uma conferência para disseminar as informações pesquisadas pelos alunos.

Nas aulas seguintes, os alunos passaram a elaborar pesquisas específicas e detalhadas sobre os seus temas. Foi construído um banco de referências de informações principais, um roteiro de apresentação e

O projeto permitiu estimular a visão crítica, o envolvimento e a participação dos jovens nos temas propostos, estimulando a cidadania, promovendo o aprendizado e a conscientização das mudanças climáticas, a importância da preservação e conservação ambiental e ainda o desenvolvimento de habilidades de organização, trabalho em grupo e oratória.

ANUÁRIO 2021

Os assuntos abordados pelos grupos foram: Mudanças Climáticas e Saúde, Segurança alimentar, qualidade do ar e da água, estratégias de adaptação e de mitigação, acordo de Paris, Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, Sequestro de carbono, Glaciação, Ecocídio, refugiados climáticos, Ecoética, acidificação dos oceanos, fontes alternativas de energia, elaboração de infográficos, COP-26, créditos de carbono e química verde.

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Dentro de mudanças climáticas, eu e meu grupo estudamos sobre a chuva ácida e as principais causas para uma possível alteração do clima da região. A emissão de gases poluentes (um exemplo do causador da chuva ácida) influência no ph das nuvens de uma certa área. Essa região terá o ph da chuva alterado, podendo ocasionar a contaminação, por exemplo, de lagos, rios, solos, afetando a economia de um país e até mesmo, saúde das pessoas. Então... acredito ter sido um estudo de muita aprendizagem, contribuindo tanto para nossa vida acadêmica dentro da escola, quanto na parte conceitual e ganho de experiência. Trabalhos em grupo são muito eficientes, adorei o tema adotado pela escola e espero outros que venham pela frente sejam assuntos interessantes da atualidade. Gabriel Martoni Tezolini

Pra mim fazer este trabalho de mudanças climáticas foi uma experiência incrível, realmente foi para muitos uma pesquisa interessantíssima de se fazer, me sinto até como se estivesse apresentando um seminário na Universidade. Trabalhos como esses, um TedTalk especificamente nos ajudam (estudantes) a sair um pouco da "mesmisse" do dia a dia de trabalhos escolares, ainda mais, em grupo, onde quase sempre tudo se resume a uma pesquisa rasa, alguns dados ali e aqui e só, e quase sempre o tema acaba sendo muito focado e específico e não podemos desenvolver nossa criatividade. Porém, agora com esse Ted, consigo com um tema, ainda que direcionado, fazer relações com diversos assuntos envolvendo diversas matérias e gerando uma ruptura naquele pensamento de que as áreas de conhecimento são separadas (Exatas, Humanas, Línguas, Biológicas).

ANUÁRIO 2021

Com certeza foi uma experiência gratificante e que vai me fornecer muito repertório de

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diversos assuntos. Aprendi, por exemplo, muito sobre o que estamos passando agora no Brasil, com as bandeiras tarifárias de energia e o porquê dessa situação, me ajudando a compreender cada vez mais profundamente o cenário que a gente vive atualmente. Enzo Pace


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ANUÁRIO 2021


O TRABALHO EM GRUPO: CONECTANDO A CONVIVÊNCIA Professores: Amália Diniz e Verônica Senhuk

Quando pensamos em escola nos vêm em mente as múltiplas habilidades que esse espaço nos propicia a desenvolver. Dentre tantas, destacamos nessa escrita a habilidade de conviver, de dividir o espaço e as ideias com os demais, tal como no livro "Nicolau tinha uma ideia", de Ruth Rocha, acreditamos que uma ideia compartilhada se transforma em outras ideias e assim acontecem as aprendizagens entre pares. Pensando em atividades que propiciem essa troca de conhecimentos entre as crianças, nós, professoras do 2º ano organizamos e pensamos em situações didáticas de trabalhos em grupos, pensando não somente nas habilidades cognitivas que eles proporcionam a quem o vivencia, mas também no repertório socioemocional que o aluno adquire durante a proposta, questões como convivência, resolução de conflitos, definições dos papéis dentro daquele grupo pré-determinado pela professora.

ANUÁRIO 2021

Durante o trabalho em grupo, a criança coloca em jogo suas potencialidades e suas fragilidades dando sinais ao professor, que por sua vez deve estar atento a todo o processo, para que possa orientar cada criança a disponibilizar ao grupo aquilo que ela tem de melhor, promovendo a interação colaborativa.

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Segundo Cohen e Lotan (2017, p. 1) trabalhar em grupo é "alunos trabalhando juntos em grupos pequenos de modo que todos possam participar de uma atividade com tarefas claramente atribuídas". Dessa forma é papel do professor formar grupos potentes e exercer uma comunicação clara para que as crianças possam atender os comandos e realizar as tarefas que lhes são solicitadas. “A BNCC de História no Ensino Fundamental – Anos Iniciais, contempla, antes de mais nada, a construção do sujeito. O processo tem início quando a criança toma consciência da existência de um “Eu” e de um “Outro”. O exercício de separação dos sujeitos é um método de conhecimento, uma maneira pela qual o indivíduo toma consciência de si, desenvolvendo a capacidade de administrar a sua vontade de maneira autônoma, como parte de uma família, uma comunidade e um corpo social” (2018, p. 405).

O livro didático adotado pelo 2º ano traz a questão da convivência entre as pessoas em algumas comunidades. Essa proposta permitiu aos alunos conhecerem características do modo de vida dos moradores de uma comunidade quilombola e a reflexão: "Será que todas as pessoas convivem da mesma forma em todos os lugares?" Para ampliar o repertório acerca dessa discussão, os alunos foram convidados a conhecerem o livro "Crianças como você" que traz uma verdadeira viagem por diversas culturas do mundo e mostra o cotidiano das crianças em vários países. A partir desse contato, e de novas descobertas, os grupos buscaram informações sobre as crianças. Dessa forma, foi possível perceber o reconhecimento de si em relação ao grupo, dos pares mais próximos e do cotidiano, costumes e cultura de crianças de outras localidades do mundo. A proposta do trabalho em grupo foi a seguinte:

ANUÁRIO 2021

As crianças foram convidadas a elaborar um painel como mostra a tabela abaixo:

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As crianças precisavam buscar informações estabelecidas previamente no texto do livro "Crianças como você" e em seguida inseri-las de forma organizada no painel. Após o preenchimento sobre a criança de outra localidade, era necessário discutir e comparar as informações comuns entre si para completar o quadro. Após toda dinâmica de trabalho, os alunos socializaram os hábitos e as formas de convívio que foram descobertas para a turma. A atividade permitiu aos alunos conhecer algumas formas de convívio em diferentes comunidades e identificá-las na comunidade onde vivem. Segundo a BNCC (2018, p. 357): No decorrer do Ensino Fundamental, os procedimentos de investigação em Ciências Humanas devem contribuir para que os alunos desenvolvam a capacidade de observação de diferentes indivíduos, situações e objetos que trazem à tona dinâmicas sociais em razão de sua própria natureza (tecnológica, morfológica, funcional). A Geografia e a História, ao longo dessa etapa, trabalham o reconhecimento do Eu e o sentimento de pertencimento dos alunos à vida da família e da comunidade.

ANUÁRIO 2021

O convite para comparar, analisar e inferir dados de um texto não propicia somente o desenvolvimento de habilidades previstas na BNCC, mas também promove a descontinuação dos preconceitos, a solidariedade entre os povos, a promoção das multiculturas existentes no planeta e o (re)conhecimento de si no outro.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: BRASIL, Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília. MEC, 2018. p. 357. COHEN, E. G. Planejando o trabalho em grupo: estratégias para salas de aula heterogêneas. 3ª ed. Porto Alegre: Penso, 2017. p. 1. KINDERSLEY, Barnabas. Crianças como você. São Paulo: Ática, 2016. ROCHA, Ruth. Nicolau tinha uma ideia. São Paulo, Salamandra, 2017.


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ANUÁRIO 2021


O COLÓQUIO MATEMÁTICO: “MATEMÁTICA ENQUANTO CIÊNCIA E ARTE: SIMETRIAS E FENÔMENOS NATURAIS".

ANUÁRIO 2021

Professores: André Luigi, Eric Pizzini e Kátia Yabiku

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O termo latim collöqui (“conversar”, “conferenciar”) derivou em colloquïum, que chegou ao nosso idioma como colóquio. O conceito faz referência à conversação entre duas ou mais pessoas. Outro uso da noção de colóquio diz respeito à reunião que permite debater um assunto, com a participação de um número limitado de pessoas. Neste sentido, o colóquio pode associar-se a mesa redonda, conferência, painel ou debate. No Colégio Uirapuru, as eletivas de Aprofundamento em Matemática do Ensino Médio (2ª e 3ª. Séries) tem como um dos principais objetivos: o aprofundamento de conteúdos matemáticos para além

do exigido na grade curricular comum, atendendo às necessidades do grupo e a formação de alunos pesquisadores e artífices do seu processo de aprendizagem, visando um trabalho coletivo, colaborativo e participativo. Nos últimos anos, o projeto pedagógico aplicado nas eletivas de Aprofundamento em Matemática contou com a elaboração de um projeto de pesquisa (em grupo) e foram avaliados: pré-projeto e projeto final. Essa pesquisa foi selecionada, discutida, interpretada, com o acompanhamento do professor, que sendo o mediador do processo de aprendizagem teve como papel principal a orientação motivadora.


De acordo com Leite (2007), o estudante quando se envolve numa metodologia de ensino por projetos adentra numa experiência educativa em que o processo de construção e reconstrução do conhecimento está em consonância com as práticas vivenciadas. Ainda segundo o autor, o estudante deixa de ser apenas um aprendiz do conteúdo para transformar-se em um ser humano capaz de desenvolver uma atividade complexa e, nesse processo, se apropriar de um objeto de conhecimento cultural.

Segundo Demo (2006) a pesquisa científica inicia-se na proposta do professor de motivar o aluno a elaboração própria, dentro dos respectivos contextos, de modo aproximativo, crescente, atrativo, passando pela pesquisa como método essencial para a obter a compreensão da teoria e a sua aplicabilidade, salientando que o uso de material didático deve trazer o espírito questionador e que se faz necessário o diálogo persistente com a realidade para que se faça sentido ao que se aprende.

Nasce o Colóquio Matemático Uirapuru: interface entre pesquisa e ensino em 2020

A escolha desses projetos foi feita pela relevância teórica, correlacionando o fenômeno discutido com a devida linguagem matemática e pela precisão da análise elaborada pelos alunos ao conectar as ferramentas trabalhadas ao longo da eletiva com o devido formalismo matemático demonstrado nos artigos estudados.

ANUÁRIO 2021

Dada a relevância dos trabalhos, o projeto estendeu-se para I Colóquio Matemático na própria instituição de ensino, com a participação aberta aos alunos das fases finais do Ensino Fundamental 2 e alunos do Ensino Médio, pais de alunos e professores. Dada a pandemia da COVID-19 o evento se deu através de plataformas digitais. Os trabalhos foram apresentados para uma banca composta por professores da Universidade de São Paulo e do Impa-RJ, sendo estes da grande área da Matemática (engenharia e matemática aplicada) que contribuíram através de palestras e discussões matemáticas de alto nível, com a participação ativa da comunidade que gerou várias perguntas aos alunos e aos professores participantes.

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O I Colóquio Matemático intitulado: A importância da Matemática em ambientes de pesquisa e nas diversas áreas do conhecimento, ocorreu no mês de Novembro, de forma virtual, através da Plataforma YouTube, contando com a participação de professores convidados da Universidade de São Paulo (USP-São Carlos) e IMPA (RJ), da grande área de exatas, que ministraram palestras e assistiram/avaliaram os trabalhos apresentados pelos alunos. O evento transcorreu de forma descontraída, com a condução feita pelos professores de Matemática e Física do colégio. No primeiro momento, tivemos a apresentação de um poema, intitulado Matemática da Vida, escrito por uma das alunas do curso de Aprofundamento em Matemática, que teve por objetivo mostrar a matemática como ciência e arte, e suas belezas na natureza.

ANUÁRIO 2021

Os temas das palestras ministradas pelos professores foram: Encontrando Padrões (USP-São Carlos) e Levitando uma gotícula com física, matemática e computação (IMPA-RJ), assuntos do núcleo duro da matemática e física sendo abordados para o público geral.

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Os temas apresentados pelos alunos foram: Breve Estudo Sobre Geometria Inversa - Geometria Plana, Um estudo sobre a aplicação de cálculo no estudo da física - Cálculo Derivadas (2ª série – Aprofundamento em Matemática), Cálculo do Fluxo Sanguíneo e Um Estudo sobre Epidemiologia Matemática: A Doença de Chagas (3ª série – Aprofundamento em Matemática e Física). Houve a participação da comunidade, através do chat, com perguntas que foram lidas pelos professores e repassados aos alunos e convidados, que puderam responder e interagir com o público.

Foram muitas perguntas e discussões pertinentes, onde os alunos puderam demonstrar criatividade, clareza, organização e participação efetiva na elaboração do produto apresentado e ainda, demonstrar competência no desenvolvimento da pesquisa científica, a qual foi associada ao seu cotidiano e a importância desta nos estudos futuros acadêmicos e profissionais. Para Bassanezi (2002), é preciso buscar estratégias alternativas de ensino aprendizagem, que aliem a compreensão e a utilização, e complementa, que a Modelagem Matemática é um processo que alia a teoria e a prática, motivando o aluno na procura do entendimento da realidade que o cerca e nesse sentido, é também um método científico que estimula o indivíduo a assumir o seu papel cidadão.


Esse momento trouxe a proximidade entre dois segmentos que dificilmente dialogam e/ou trocam experiências, e nos estimulou a difundir no colégio o Colóquio Anual de Matemática, visando o contato dos alunos e professores com as universidades. Para a equipe de docentes o colóquio inspirou o aprofundamento no estudo do Cálculo Diferencial e Integral nas eletivas para a 3ª série do ensino médio, e propiciou novos horizontes de atuação.

O colóquio matemático amadurece: uma abordagem interdisciplinar via Cálculo e novos horizontes. Solidificando a interdisciplinaridade em 2021.

ANUÁRIO 2021

Desenvolvido há cerca de 300 anos por Newton e Leibniz, o cálculo é uma das ferramentas matemáticas mais utilizadas pelas ciências para reduzir a complexidade de problemas diversos.

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No ano de 2021, a Eletiva de Aprofundamento em Matemática investiu no estudo de Cálculo Diferencial e Integral, visando atender as necessidades dos alunos que desejam aprofundar-se na área de exatas. Por meio de projetos coletivos, os alunos entraram em contato diretamente com problemas que conectam a interdisciplinaridade – matemática, física e a tecnologia. Verificando que os conceitos de física, podem ser representados através de uma modelagem matemática e lidos na forma de equações, funções matemáticas e gráficos, ou seja, a física pode utilizar a linguagem simbólica da matemática. O Cálculo Integral e Diferencial, estudado em aula, agora

aplicado a um problema real e, ainda, o recurso tecnológico como instrumento para prever o resultado do processo teórico. Um dos principais objetivos da disciplina é formar a percepção da aplicação cálculo na vida do aluno, para isso foi proposto um trabalho ao aluno, composto por uma apresentação de um recorte de artigo científico, escolhido por ele, em que o cálculo é um facilitador do entendimento do mesmo. O seguinte fluxograma expressa a metodologia utilizada ao longo do curso.

ANUÁRIO 2021

Metodologia utilizada ao longo do curso: análise de ferramentas do cálculo em artigos e projetos reais. Retroalimentação autoral: os alunos como parte ativa do processo investigativo.

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Dentre os vários temas pesquisados pelos alunos, temos desde o estudo da dinâmica de muitos corpos e suas aplicações, até estudos da condutividade e resistividade elétrica de dispositivos. Tais temas foram desenvolvidos ao longo de outubro e a interface matemática/física foi estudada: como os conceitos do cálculo integral e diferencial foram utilizados para o estudo proposto e como tais aplicações são modeladas com estes conceitos. Seguindo a metodologia exposta, os artigos foram

analisados e coube ao aluno a explicitação dos conceitos vistos e como os tópicos abordados em sala de aula poderiam servir como base para a pesquisa escolhida. O produto final do projeto consistiu na apresentação do trabalho a uma banca de professores e foram escolhidos (segundo a relevância da pesquisa) dois deles para serem apresentados no II Colóquio Matemático do Colégio Uirapuru que ocorreu no mês de novembro, contando com professores pesquisadores convidados para o debate e arguição.


Dentre as diversas apresentações, temas como a matemática na música, nas reações nucleares, aplicações na Física e no estudo do movimento, foram debatidas e tópicos aprofundados foram levantados pelos palestrantes e audiência.

ANUÁRIO 2021

Desta forma, o Colégio Uirapuru, junto à sua equipe de Matemática e Física, caminha na construção de uma cultura na área da pesquisa científica, através do Colóquio Anual de Matemática, onde alunos e professores embarcam numa viagem cheia de descobertas e desafios que inspiram a buscar novas formas de compreender as ciências exatas e aplicálas no seu cotidiano.

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POESIA COLÓQUIO DE MATEMÁTICA

Dos conceitos às demonstrações, Nossa vida é feita de funções.

Em minhas mãos porto uma lapiseira

O cálculo está na química,

Capaz de desenhar novos mundos

Na música e nas progressões.

E, com a sua escrita, derrubar fronteiras.

A matemática está no cotidiano com clareza, Como nas simetrias da natureza.

Porto a natureza de um fractal,

...

O poder de representar o real

Porto uma lapiseira

E a saída para o imaginário.

Porque também posso escrever errado.

O que ela escreve no papel é visionário.

Errar algumas contas, ver apenas um significado.

Tudo parte de uma ideia inicial, A pulsação de um peito sem igual. O esboço de uma hipótese que aguarda a sua metamorfose.

Dessa lapiseira no papel, Surge a arte e a ciência, A matemática e sua essência. É o primeiro passo de uma experiência.

Mas, alguém depois de mim, Pode encontrar métodos mais diretos E começar novos projetos.

Diferentes estudos podem ter compatibilidade, Não é uma disputa, é contribuição para a sociedade. Eu posso não saber o que o outro descobriu, Mas meu erro pode ser crucial para o quanto ele evoluiu.

ANUÁRIO 2021

A beleza da ciência matemática

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Na produção da matemágica,

É não permanecer estática.

Os números são minhas ferramentas.

Então, escrevo:

Desenho alguns algarismos

Calculo novas respostas,

Para o significado que se apresenta.

Multiplico as perguntas.

Faço mais algumas contas

Na natureza, a matemática já está posta,

Que o nosso Universo representam.

Mas sua compreensão pode ser profunda.


A matemática é a arte de investigar

A sua aplicação está em toda parte.

O padrão que a gente ainda não indagou.

Desde quando nosso raciocínio nos faz questionar

E disponibilizar ferramentas, Para a humanidade alçar seu próximo voo. Ela encontra simetrias e soluções Para a pergunta que a gente ainda não formulou.

E ela surge para tentar explicar. Ao traduzir a matemática, Minha lapiseira cruza fronteiras entre ciência e arte

Como ciência e arte, ela facilita a nossa convivência, A matemágica surge da mesma forma que a ciência: Com uma pergunta. "Quanto volume pode preencher um recipiente?", "Qual é a velocidade da nossa mente?", "E se eu criptografar uma conversa?", "A qual distância o meu braço arremesa?".

Figuras geométricas podem formar a arte, A variação de frequências compõe a música. Assim como, da linguagem matemática, a arte faz parte,

Uma simples pergunta sobre um fenômeno natural Para que a matemática encontre uma resposta fundamental. Volume, programação, física ou biologia, Em todos os campos, os números fazem magia.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: BASSANEZI, R.C. 2002 Ensino-aprendizagem com modelagem matemática. Ed. Contexto. São Paulo, SP, Brasil DEMO, P. 2006. Pesquisa: princípio científico e educativo. 12 ed. Editora Cortez. São Paulo, SP, Brasil. LEITE, Lúcia Helena ÀLVAREZ. 2007. Pedagogia de projetos e Projetos de Trabalho. Presença Pedagógica, v. 73, p. 62-69.

ANUÁRIO 2021

E suas contas também são uma forma de expressão pública.

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A IMPORTÂNCIA DA LINGUAGEM VISUAL NA MATEMÁTICA Professora: Sílvia Ambrózio

Utilizar diferentes linguagens – verbal (oral ou visual-motora, como Libras, e escrita), corporal, visual, sonora e digital –, bem como conhecimentos das linguagens artística, matemática e científica, para se expressar e partilhar informações, experiências, ideias e sentimentos em diferentes contextos e produzir sentidos que levem ao entendimento mútuo (BRASIL, 2018, p.7).

ANUÁRIO 2021

É senso comum que a disciplina de Matemática é voltada para a precisão das respostas, à repetição de algoritmos e memorização de fórmulas. Todavia, a Matemática quando combinada à criatividade, à socialização de ideias, ao fato de existir flexibilidade no raciocínio ela adquire traços de relevância.

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A Matemática consiste em mais do que um conjunto de números, símbolos, formas e analogias desconectadas que precisam ser memorizados. É uma disciplina que pode ser observada, analisada, representada por vários pontos de vista, apresentando muitos aspectos e caminhos para determinar uma resposta. No desenvolvimento do raciocínio matemático as ideias podem ser registradas por imagens, por cálculos, por modelos, por desenhos, de maneira abstrata, entre outros.

De acordo com Boaler (2018) "A Matemática é uma disciplina muito ampla e multidimensional, e requer raciocínio, criatividade, estabelecimento de conexões e interpretação de métodos; ela é um conjunto de ideias que ajudam a iluminar o mundo e está em constante mudança". Aprender Matemática está diretamente ligado aos significados que os alunos atribuem aos conteúdos estudados, à compreensão que instituem ao objeto de conhecimento, às conexões que estabelecem com a vida real e a aplicação da aprendizagem em seu cotidiano. Cândido (2001) relata que “para que a aprendizagem ocorra ela deve ser significativa e relevante, sendo vista como uma compreensão de significados, possibilitando relações com experiências anteriores, vivências pessoais e outros conhecimentos [...] permitindo a utilização do que é aprendido em diferentes situações escolares ou não”.


Quando proporciona-se atividades nas quais se desenvolve uma aprendizagem matemática cooperativa, visual, criativa e aberta, promove-se maior engajamento de alunos e evidencia-se a importância do empenho individual no processo de aprendizagem. Possibilita, também, autonomia ao aluno para que o mesmo trace seus próprios caminhos, escolha suas próprias estratégias, explore e estabeleça as conexões necessárias. A Base traz: Assim, espera-se que eles desenvolvam a capacidade de identificar oportunidades de utilização da matemática para resolver problemas, aplicando conceitos, procedimentos e resultados para obter soluções e interpretá-las segundo os contextos das situações (BRASIL, 2018, p. 261).

Propor situações nas quais os alunos busquem suas próprias ideias, procurem diferentes formas para representar a resolução e propor momentos de discussões e análise das resoluções apresentadas contribuem para que os mesmos reflitam sobre a existência de diferentes maneiras, caminhos de resolver o mesmo problema. Também de acordo com a Base: Enfrentar situações-problema em múltiplos contextos, incluindo-se situações imaginadas, não diretamente relacionadas com o aspecto prático-utilitário, expressar suas respostas e sintetizar conclusões, utilizando diferentes registros e linguagens (gráficos, tabelas, esquemas, além de texto escrito na língua materna e outras linguagens para descrever algoritmos, como fluxogramas, e dados). (BRASIL, 2018, p. 263).

ANUÁRIO 2021

Para Boaler (2018) "A Matemática é uma disciplina conceitual, e é muito importante que os alunos pensem lenta, profunda e conceitualmente acerca das ideias matemáticas, sem se apressar em usar métodos que tentem memorizar".

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Diferentes resoluções para o problema: Ana repartiu algumas maçãs entre ela e seus cinco amigos. Todos receberam meia maçã. Quantas maçãs inteiras Ana repartiu? Estudos recentes no campo da neurociência indicam que cinco áreas são ativadas em nosso cérebro quando pensamos de forma matemática, conforme BOALER (2018). E que duas delas estão intrinsecamente atreladas ao visual. Conceitos matemáticos podem ser apresentados e pensados por uma abordagem visual, ilustrativa. Representações visuais contribuem para um aprendizado mais efetivo e enriquecedor, alargando a percepção e compreensão que os alunos têm sobre a aprendizagem. As imagens auxiliam na visualização das ideias, das possibilidades de estratégias a utilizar, direcionando o caminho a seguir. "Nosso cérebro quer pensar visualmente sobre matemática''. (BOALER, 2018, p.9).

ANUÁRIO 2021

Promover diferentes formas de ver, entender e ampliar ideias matemáticas por meio de abordagens visuais propiciam aos alunos compreensões novas e profundas acerca do objeto de estudo. Alunos com proficiência em Matemática raciocinam com profundidade, fazem conexões e elaboram representações para registrar suas resoluções, até mesmo utilizando recursos visuais ou simbólicos. Segundo Cândido (2001) o desenho é pensamento visual e pode adaptar-se à qualquer natureza do conhecimento, seja ele científico, artístico, poético ou funcional.

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Aluna recorrendo à distribuição em grupos anteriormente ao uso do algoritmo


As imagens ajudam os alunos a ver as ideias matemáticas, o que auxilia a compreensão. Os recursos visuais também facilitam o pensamento de alta complexidade, ativam a comunicação e ajudam as pessoas a ver a criatividade na matemática. Caminhos da Matemática se desenvolvem no cérebro por meio do aprendizado e da prática. O desenho de como pensamos, a representação por imagens das relações que nosso cérebro estabeleceu no desenvolvimento da compreensão da situação que deve ser analisada e resolvida proporciona múltiplas aprendizagens. Usar materiais manipuláveis e visuais promovem uma vivência em diferentes contextos e interação com uma matemática cotidiana, relevante e inspiradora. Algumas dessas práticas podem ser representadas por: • preencher uma vasilha com água até completá-la e estimar quanto de líquido foi necessário para enchê-la utilizando objetos reais como unidade de medida (copos, por exemplo); • dobrar e cortar uma folha de papel em duas partes; • brincar com massinha separando-a em em partes iguais para divisão com amigos; • separar objetos de acordo com um critério estabelecido (cores, tamanhos, formas); • contar pontos de jogadores em um determinado jogo para determinar o vencedor.

O percurso iniciou-se com atividades nas quais os alunos pudessem compreender a essência desta operação: a de dividir uma determinada quantidade em partes iguais. No princípio, nas resolução de atividades propostas, os estudantes recorreram à representação visual dessa repartição para determinar a solução. Muitos foram os momentos nos quais as crianças vivenciaram situações nas quais o recurso visual foi empregado. A seguir, destacam-se alguns instantes da sequência didática de divisão proposta para os alunos do 4º ano do Colégio.

Exemplo 1 Tina comprou 48 novas canetas coloridas. Ela vai organizá-las em 4 estojos, colocando a mesma quantidade de canetas em cada uma. Quantas canetas coloridas ela colocará em cada estojo?

ANUÁRIO 2021

O recurso da Matemática como visual foi essencial para o ensino da operação de divisão nas turmas do 4º ano do ano de 2021.

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Exemplo 2 Maurício organizou sua coleção de gibis. Para isso, guardou seus 52 gibis em 4 caixas diferentes, de modo que todas as caixas possuem a mesma quantidade de gibis. Quantos gibis Maurício guardou em cada caixa?

Exemplo 3 O professor Michel vai promover um campeonato com 72 alunos. Em cada time, é preciso colocar 8 jogadores. Quantos times serão formados para o campeonato?

Contudo, o recurso visual não foi utilizado apenas nas resoluções de situações que envolviam a operação de divisão. Ele apresentou-se como um caminho potente e seguro em outras situações de aprendizagem propostas nas aulas de Matemática aos alunos do 4º ano.

ANUÁRIO 2021

Seguem mais exemplos de situações nas quais os alunos optaram pela utilização do recurso visual para organizar suas ideias e reflexões.

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Exemplo 4 Um motorista de ônibus trabalha diariamente, das 8h às 12h, sem intervalo, numa mesma rota que demora cerca de 2h do início até voltar ao ponto de partida. Se a rota completa tem cerca de 52 km, então, em cada manhã de trabalho, esse motorista dirige aproximadamente:


Exemplo 5 Em uma garrafa térmica, como a da foto abaixo, cabem 500ml de chá. Para armazenar 2 litros de chá, vou precisar de:

Ao sugerir atividades com desenhos, imagens e proporcionar momentos nos quais os alunos podem exercitar seus cérebros em setores que reforçam a compreensão da Matemática, ambientes criativos e estimulantes são concebidos, favorecendo o entusiasmo e o engajamento dos alunos na construção de seu conhecimento.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

BOALER, Jo; MUNSON, Jen e WILLIAMS, Cathy. Mentalidades Matemáticas na Sala de Aula. Porto Alegre: Penso, 2018. BOALER, Jo. Mentalidades Matemáticas na Sala de Aula. Porto Alegre: Penso, 2018.

‌ ÂNDIDO, Patricia Tereza. Olhares que sentem e pensam: a arte como potência na formação de C professores que ensinam matemática. 2019. Tese (Doutorado em Artes) - Universidade Estadual Paulista, São Paulo, 2019. SMOLE, Kátia Stocco (org), DINIZ, Maria Ignez (org). Ler, escrever e resolver problemas: habilidades básicas para aprender Matemática. Porto Alegre: Artmed, 2001. Recursos Visuais Melhoram O Desempenho Em Matemática. Youcubed, 2021. Disponível em <https:// www.youcubed.org/pt-br/resources/recursos-visuais-melhoram-o-desempenho-em-matematica/>. Acesso em: 21 de outubro de 2021.

ANUÁRIO 2021

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, 2018.

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HUMANI ANUÁRIO 2021

UM EXERCÍCIO DE CIDADANIA

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IDADES Conhecer o passado para entender o presente e projetar o futuro possibilita consciência de nossos direitos e de nossos deveres, da sociedade que temos e da sociedade podemos ter e nos ajudam a entender nosso papel social, a partir do exercício do raciocínio histórico-crítico.

ANUÁRIO 2021

O trabalho pedagógico ancorado na área de Humanidades - História, Geografia, Formação Política para Futuros Líderes - tem como foco desenvolver conhecimentos para além dos fatos históricos, das relações humanas estabelecidas nos espaços geográficos, se estruturando como oportunidade para o exercício da cidadania.

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A TRANSPOSIÇÃO DA IMAGEM PARA O TRIDIMENSIONAL NAS AULAS DE GEOGRAFIA

ANUÁRIO 2021

Professora: Cleisi Tezzotto

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A aprendizagem da Geografia no Ensino Fundamental pressupõe preparar o aluno para uma "leitura de mundo", partindo de seu lugar de viver, é o momento também, de iniciar o processo de “alfabetização geográfica". A alfabetização geográfica tem como norteadores os conceitos de espaço geográfico, paisagem, lugar, região e território, que permitem aos alunos localizar os lugares e atribuirlhes significados, bem como, refletir e estabelecer relações com sua vida cotidiana. No processo de ensino-aprendizagem de Geografia, a alfabetização geográfica precisa acontecer paralelamente ao processo de alfabetização cartográfica.


A alfabetização cartográfica propõe atividades que desenvolvem as seguintes noções: pontos, linha, área, lateralidade, orientação, localização, referências, noção de espaço e tempo.

Com isso, montanhas, rios, serras, planaltos, planícies e outros elementos que constituem as paisagens em diversos locais do nosso Planeta foram alvos de investigação e discussão para os alunos do 3º ano.

Para isso, é importante o desenvolvimento de habilidades como representar, localizar e orientar, habilidades também previstas na BNCC, documento oficial que regulamenta e organiza as competências e habilidades que os estudantes devem possuir em todos os âmbitos do conhecimento, (BRASIL, 2018). O trabalho com as representações cartográficas, especificamente a observação de imagens e a construção de maquetes de relevo tem como principal objetivo "possibilitar uma visão tridimensional das informações que no papel aparecem em forma bidimensional" (Simielli, 2017, p.132), por se tratar de um meio didático que possibilita visualizar e descrever as formas de relevo e sua dinâmica, permitindo a sistematização do que foi aprendido sobre a linguagem cartográfica .

Nesse sentido, a construção de maquetes tem o papel de produzir e transmitir informação, nela cria-se a imagem visual modulando as três dimensões do plano, latitude, longitude e altimetria. Isso proporciona entendimento das relações existentes entre os fenômenos e os elementos presentes, tais como, relevo, vegetação, formação de rios, entre outros.

ANUÁRIO 2021

Segundo Almeida e Passini (1994, p.13) "a representação do espaço permite ao aluno atingir uma nova organização estrutural de sua atividade prática e da concepção de espaço".

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Por meio da pergunta disparadora: Quais são as características das paisagens naturais e como elas são transformadas? Os alunos iniciaram uma investigação sobre as características presentes em imagens de paisagens naturais e humanizadas. Nesse momento, teve o reconhecimento de alguns elementos naturais relacionados ao relevo. E por meio da observação das imagens do Monte Everest, localizado no Nepal e do Pico da Neblina, localizado no estado do Amazonas, surge a próxima pergunta investigativa: Quais são as características que essas duas imagens têm em comum? A partir desse momento, o relevo se torna o objeto de estudo dos alunos. Através da observação de imagens, perceberam que os diferentes tipos de relevo são constituídos por diferentes altitudes e que sua medição tem como ponto de partida o nível do mar.

ANUÁRIO 2021

Outro aspecto observado nas aulas foi o poder da ação de elementos naturais como o vento e a água da chuva, dos rios e do mar na formação do relevo. Nesse instante, os alunos perceberam que as águas dos rios seguem as curvas do relevo, indo dos locais de maior altitude, onde se encontram as nascentes, para os locais de menor altitude.

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Finalizado os estudos dos planos bidimensionais (imagens), então chegou o momento de transpor para o tridimensional (maquete). Em grupos, os alunos realizaram o planejamento da maquete, discutiram quais elementos a comporiam e como ficariam dispostos na paisagem. O segundo passo foi colocar a mão na massa, com papel machê, realizaram a primeira etapa da construção, que foi fundamental para o levantamento da discussão sobre proporção e análise de toda a estrutura contida na maquete.

O momento seguinte, após a secagem da modelagem do papel machê, foi a pintura e fixação de alguns elementos naturais como pedras, galhos, areia, folhas entre outros elementos que deram cor e vida para a maquete. Para finalizar toda essa gama de informações e conhecimentos, os alunos realizaram a exposição para o 2º ano, que seguiu de uma breve apresentação oral dos elementos representados na maquete.


O principal objetivo da apresentação da maquete foi sistematizar todo o processo de aprendizagem, uma vez que os alunos colocaram em cheque todos os conceitos sobre relevo e paisagem, fazendo uso das linguagens cartográficas e iconográficas que descobriram durante todas as aulas. Assim, entre imagens e maquetes todos os alunos investigaram o relevo em todas as suas dimensões, ressignificaram o espaço lido e estudado e tornaram-se verdadeiros geógrafos mirins.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: ALMEIDA, R. D. de; PASSINI, E.Y. O espaço geográfico: ensino e representação. 12. Ed. São Paulo: Contexto, 2002.

http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/ BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf (acesso em 10/10/2021). SIMIELLI, M. E. R.; GIRARDI, G.; MORONE, R. MAQUETE DE RELEVO: UM RECURSO DIDÁTICO TRIDIMENSIONAL. Boletim Paulista de Geografia, [S. l.], n. 87, p. 131–148, 2017. Disponível em: https://publicacoes.agb.org.br/index.php/boletimpaulista/article/view/699. Acesso em: 10 out. 2021.

ANUÁRIO 2021

BRASIL. Base Nacional Comum Curricular: MEC, 2018. Disponível em :

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LUGAR DE ORIGEM Professora: Francileide Cunha

Falar sobre Lugar de Origem é retomar nossas raízes, conhecer e valorizar diferentes modos de vida, hábitos e costumes. Falar sobre Lugar de Origem é conhecer e entender a história dos nossos antepassados, que contribuíram para a identidade e pluralidade cultural durante a formação do nosso país atual. Falar sobre Lugar de Origem vai além do que conhecer a História, é se ver parte integrante e atuante da História. Falar sobre Lugar de Origem é conhecer, entender e compartilhar sua própria história.

ANUÁRIO 2021

Falar sobre Lugar de Origem é orgulhar-se de quem somos e preocupar-se em deixar fontes históricas que contribuam para a formação das gerações futuras.

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Falar sobre Lugar de Origem é se perguntar: Quem são nossos antepassados? Como viveram em comunidade? O que acreditavam enquanto crença? Como preparavam seus alimentos? O que compunham suas receitas? Vestimentas e adornos? Quais eram seus pensamentos, lazer, entretenimentos? Falar sobre Lugar de Origem é estudar História e Geografia! (Lugar de Origem - Fran Cunha)

Foi falando sobre Lugar de Origem que desenvolvemos durante o bimestre, com os alunos do 4º ano, o Projeto Museu da Memória e as aulas semanais de História e Geografia.


Cada encontro foi pensado no sentido de valorizar conhecimentos prévios, validar, formular, reformular, ampliar hipóteses e desenvolver competências de acordo com a BNCC (Base Nacional Comum Curricular) relacionados a:

* Utilizar linguagens cartográficas, gráfica, iconográfica e diferentes gêneros textuais e tecnologias digitais de informação e comunicação;

* Identificar, comparar e explicar a intervenção do ser humano na natureza e na sociedade, exercitando a curiosidade * Agir pessoal e coletivamente com respeito, autonomia, responsabilidade; * Construir argumentos com base nos conhecimentos das Ciências Humanas, para negociar e defender ideias e opiniões que respeitem e promovam os direitos humanos, exercitar a responsabilidade voltado para o bem comum e a construção da democracia.

As atividades envolveram pesquisa sobre as origens dos antepassados, procurando entender as diferentes formas de migrações realizadas em nosso país, identificar suas próprias origens, migrantes e com formações genealógicas diferentes, como indígena, africana, asiática, europeia, entre outras.

ANUÁRIO 2021

* Valorizar e utilizar os conhecimentos historicamente construídos sobre o mundo físico, social, cultural e digital para entender e explicar a realidade;

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Os alunos também foram convidados a selecionar um acontecimento considerado marco importante de suas vidas para compartilhar com a comunidade escolar, validando vivências pessoais. Esse momento foi durante todo o processo de realização das aulas materializado através de um objeto ou de uma foto escolhida por eles, criando uma fonte histórica de suas histórias afetivas e culturais. A socialização dessas atividades favoreceram a troca entre conhecimentos, ampliando repertórios individuais. Para a apresentação deste trabalho, foi estendido convites aos grupos dos terceiros anos, assim, os quartanistas puderam conscientizar-se de suas configurações como sujeitos históricos, agentes construtores da História, que

"não é resultado apenas da ação de figuras de destaque ou pessoas consagradas, mas sim de todos que convivem em sociedade”

ANUÁRIO 2021

(BEZERRA, In: KARNAL, 2003, p. 45 -46).

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Visando a alfabetização cartográfica, fomos conhecer através da exploração de mapas o processo de ocupação do território brasilerio e a produção do espaço geográfico, identificando a localização dos países de origem dos nossos antepassados, continentes onde estão inseridos, percebendo a importância dos povos que marcam a história da colonização do Brasil, como indígenas, portugueses e africanos. Conhecer os principais fluxos da imigração, entender os motivos pelos quais as famílias deixaram sua terra natal para residir em solo brasileiro, certamente despertou nos alunos curiosidade e empatia.

"O desafio é criar uma experiência memorável e afetiva" (Faber Castell Aprendizagem Criativa - 4ºano).

As fontes históricas narrando longas viagens na imensidão do mar, as condições precárias de higiene e alimentação, como o relato do imigrante italiano Luigi Toniazzo, apresentado em nosso livro didático, gerou movimento de comoção, indignação e até mesmo questionamentos dos alunos, atribuindo sentido às dinâmicas das relações entre pessoas e grupos sociais.


"Minha avó, conta que a minha bisavó veio em um navio. Ela veio sozinha, com os filhos. Meu bisavô tinha morrido há pouco tempo. Então ela veio só!" “Como estávamos amontoados naquele navio, meu Deus, quando embarcaram outros passageiros! Naquele bendito vapor, éramos mais de 2500 pessoas ocupando a terceira classe, apertados como sardinhas em latas".

"Meu avô disse que tinha a primeira classe do navio… a segunda classe… eles vendiam uma quantidade de passagens, até encher… mas na terceira classe, eles vendiam muito mais do que cabia no navio!"

(DREGUER e MARCONI, 2018 p. 110). "Minha bisavó morreu com 103 anos! Ela já era bem velhinha, mas me contou que veio em um navio, abraçada com o meu bisavô. Eu entendia tudo que ela falava."

ANUÁRIO 2021

(depoimentos alunos - 4º ano - 2021)

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ANUÁRIO 2021

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E o Brasil? Como recebia aqueles que aqui chegavam com o sonho de refazer suas vidas na América, na busca por emprego, melhores condições de vida… Onde se hospedavam? Havia um lugar especial?


Através de diversas leituras compartilhadas e apreciação de vídeos, como a exemplo do texto "Hospedaria de imigrantes" e do vídeo "Imigrantes de São Paulo - Um dia na hospedaria", ampliamos nossos repertórios e informações sobre como isso provavelmente aconteceu. Milhares de imigrantes se hospedaram nas dependências do atual Museu da Imigração, antiga Hospedaria. Destas paredes, hoje revestidas de Histórias, foram formadas a identidade nacional e a cultura do nosso atual país - Brasil. Perceber a importância, elaborar suas próprias argumentações para entender o resultado da mistura dos povos e das culturas que para cá migraram, por vontade própria ou a força, compreender que "a cultura está sempre em transformação, recebendo novos elementos a cada geração" (vídeo "Cultura brasileira e Identidade nacional". 3'16) é o primeiro passo que a escola deve promover, para que assim, possa desenvolver nos alunos o interesse frente ao conhecimento da História, da Geografia, das Ciências Humanas, podendo vir a desenvolver competências relacionadas ao construir argumentos, defender ideias , exercitar a responsabilidade e construção da democracia.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: ADICHIE, Chimamanda Ngozi - O perigo de uma história única. Companhia das Letras. São Paulo. 2019 DREGUER, Ricardo e MARCONI, Cássia. Presente História. Ed.Moderna. 5ª Edição. Guia e recursos didáticos para o professor - 2018. BEZERRA, Holien G. Ensino de História: conteúdos e conceitos básicos. In: KARNAL, Leandro (Org.). Histórias na sala de aula.São Paulo: Contexto, 2003. BURD, Leo - Programa de aprendizagem criativa: 4º ano do ensino fundamental: guia do professor. São Paulo - Bloccolab - gestão editorial. GUELLI. Neuza, NIGRO. Cintia. Presente Geografia. Ed. Moderna. 5ª Edição. Guia e recursos didáticos para o professor - 2018. Link de vídeos compartilhados em aulas https://www.youtube.com/watch?v=OifRLBt_ov0 - o imigrante (acesso em outubro/2021) https://www.youtube.com/ watch?v=i1UY6zHKjbg&t=9s - Imigrantes de São Paulo - Um dia na hospedaria. (acesso em outubro/2021) https://www.youtube.com/ watch?v=0v583AWWlHw&t=5s - cultura brasileira e identidade nacional (acesso em outubro/2021).

ANUÁRIO 2021

A história única cria estereótipos, e o problema com os estereótipos não é que sejam mentira, mas que são incompletos (ADICHIE, 2019. p. 26).

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NAVEGANDO POR FONTES HISTÓRICAS Professora: Gisele do Prado As Ciências Humanas no Ensino Fundamental têm um papel importante no sentido de ajudar a descobrir o mundo aos olhos do educando, oferecendo instrumentos que possibilitem o desenvolvimento de sua capacidade de análise, interpretação e sistematização de realidade social (RIBEIRO, MASCARENHAS E ARAÚJO, 2005, p. 1-2).

De acordo com a BNCC (Brasil, 2018), o papel do aluno no processo de aprendizagem é aprender a pensar historicamente. E o que é pensar historicamente? Partindo da premissa de que História é algo para pensar sobre determinado assunto, e não memorizar, cabe aos alunos, refletir sobre a sociedade, a vida, as mudanças e permanências. É contribuir para que os alunos desenvolvam noções de tempo, espaço e interpretem o mundo.

ANUÁRIO 2021

E como proporcionar essa aprendizagem aos educandos?

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Para que os estudantes se apropriem do conhecimento, um dos requisitos necessários é relacionar o que aconteceu no passado com o presente, desenvolvendo uma visão crítica dos acontecimentos. Para isso, os conteúdos precisam fazer sentido a partir de fatos atuais, assim como, propor atividades que promovam interação entre os pares, oportunizando o protagonismo e apropriação do conhecimento.

A fim de promover a autonomia dos alunos, cabe ao professor oferecer ferramentas para que tenham tal habilidade. A postura ativa ganha mais ênfase a partir de procedimentos fundamentais para uma análise histórica: - Identificação: a partir de uma pergunta, o aluno deve ser capaz de reconhecer a questão ou o objeto a ser estudado. - Comparação: propõe uma ampliação dos conhecimentos, ao comparar as relações entre os fatos históricos, percebendo as diferenças e semelhanças. - Contextualização: o aluno é instigado a localizar momentos e lugares específicos em que determinados fatos históricos ocorreram. - Interpretação: o educando posiciona-se criticamente, argumentando e levantando hipóteses. - Análise: o assunto é problematizado. Tais procedimentos permeiam as aulas de História e contam com as múltiplas fontes históricas oferecidas, favorecendo o pensamento crítico.


Fonte histórica, documento, registro, vestígio são todos termos correlatos para definir tudo aquilo produzido pela humanidade no tempo e no espaço, a herança material e imaterial deixada pelos antepassados que serve de base para a construção do conhecimento histórico (SILVA e SILVA, 2005 p. 158). Como já foi citado, o ensino de História precisa fazer sentido às crianças e cabe ao professor oportunizar caminhos que possam levá-las a descobrir e se apropriar dos fatos no passado e no presente. Sendo assim, é nesse ponto que convidamos nossos alunos a navegar pelas fontes históricas. Durante as aulas, eles têm contato com diversas fontes: registros governamentais, cartas, diários, jornais, livros, pinturas, gravuras, fotografias, utensílios domésticos, instrumentos de trabalho, brinquedos, entre outras. Algumas contidas no livro adotado, outras incluídas nos materiais complementares, visando ampliar os conhecimentos, através da atitude historiadora.

Entre as atividades desenvolvidas com as fontes históricas, uma em especial despertou a curiosidade e o desejo dos alunos de pesquisar e socializar suas ideias com comprometimento e desenvoltura. Tudo começou com a dinâmica Brainstorming, onde foram convidados a responder duas perguntas “O que é estudar História?” e “O que são fontes históricas?” Em cada resposta compartilhada, foi possível perceber o quanto têm de conhecimento sobre o papel da História no dia a dia das pessoas.

ANUÁRIO 2021

Historiadores e pesquisadores definem que o uso de fontes em aula é estabelecer o contato com o “real”, com situações concretas do passado abstrato. Isso ocorre porque os documentos são mais atrativos, estimulantes para as crianças e dialogam com as metodologias ativas.

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"Aprender História é não cometer os erros do passado. Exemplo: a guerra foi ruim, mas aprendemos que não iremos cometer o mesmo erro. Também aprendemos sobre as doenças como a peste negra, o surgimento de novas tecnologias e o mais importante, é aprender História" (Aluno A).

"Estudar História é rever o seu passado, rever todas as coisas ruins que já aconteceram, para não acontecerem novamente. Ou, aprender coisas boas e repetir. Exemplo: o leiteiro entregava leite fresquinho para as pessoas e isso era bom. Com a tecnologia, isso acabou, mas agora está voltando" (Aluno B).

ANUÁRIO 2021

"Fonte histórica é algo que traz uma história do passado e isso é passado de geração em geração" (Aluno C).

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Partimos para a segunda parte da sequência proposta: estudar as mudanças ocorridas no modo de vida das pessoas na cidade, mais especificamente, sobre as formas de lazer. Em grupos, receberam diferentes imagens/fotografias: do passado - cinemas antigos, serenata, lazer no rio, o rádio como lazer e filmes antigos. Representando os dias atuais: cinemas, ciclovias, televisão, jogos de tabuleiros e televisão. Foram orientados para que primeiramente observassem as imagens e, em seguida, conversassem sobre suas primeiras impressões. Após esse momento, receberam uma ficha com perguntas relacionadas às imagens - as etapas para um pensar historicamente - identificação, comparação, contextualização, interpretação e análise.

A professora Circe Bittencourt (2005), destaca que, em sala de aula, é interessante separar a imagem do texto e da legenda num primeiro momento de discussão sobre um tema, para que haja, por parte dos alunos, uma leitura natural, deixando que eles relatem o que veem, e sem uma legenda predeterminada, portadora de sentido. Depois, sugere a autora, que se aprofundem as questões, a partir de uma problematização detalhada acerca da imagem escolhida. Investigando a fonte histórica a partir de sua contextualização e historicidade: quem fez, quando fez, como e porque foi produzida. Bittencourt propõe ainda a importância de comparar ilustrações, imagens, de um mesmo tema em períodos diferentes ou comparar diferentes versões de um


Foi significativo observar nos grupos, o repertório de cada um, que somado aos dos companheiros, é simplesmente encantador. E esse encantamento, é reflexo da parceria estabelecida pelo trabalho em grupo. A última etapa consistiu em cada grupo apresentar suas conclusões aos demais amigos. Nessa etapa, os alunos ouvintes elaboraram perguntas e a análise foi mais uma vez colocada em prática. À medida que se apresentavam, constataram como o lazer do passado era realizado e como é atualmente, as mudanças e permanências, e o porquê ao longo dos anos deixaram de ser realizadas. A interdisciplinaridade os ajudou a revelar informações relacionadas ao avanço da tecnologia, crescimento da população, poluição nos rios e à vida agitada das pessoas hoje em dia - temas trabalhados simultaneamente.

A vontade de continuar navegando por fontes históricas, não parou por aí. Os pequenos curiosos, partiram em busca por objetos que oferecessem uma oportunidade de pensar historicamente. O prazer em levar para a escola e compartilhar com os amigos, aguçou a curiosidade e surgiu assim o convite para que todos investigassem com os pais, a presença de uma fonte na família. Fotografaram, pesquisaram a história do objeto e compartilharam com a classe, através de um vídeo. E assim, os alunos dos terceiros anos, continuam pelos mares do pensar historicamente, com as múltiplas fontes históricas.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: Atitude historiadora: o uso de fontes históricas em sala de aula. Curso da Moderna. Plataforma Moderna. BRASIL. Base Nacional Curricular. Brasília/MEC. Disponível em: http//basenacionalcomum.mec. gov.br BITTENCOURT, Circe. Livros didáticos entre textos e imagens. In:(org). O Saber histórico na sala de aula. São Paulo: Contexto, 2005. RIBEIRO, Miriam Bianca Amaral; MASCARENHAS, ngela Cristina B; ARAÚJO, Simei Silva. As Ciências Humanas no Ensino Fundamental. In: XXIII Simpósio Nacional de História. Londrina: UEL, 2005. SILVA, Kalina V.; SILVA Maciel H. Dicionário de conceitos históricos. São Paulo: Contexto, 2005.

ANUÁRIO 2021

mesmo tema numa mesma época, desta forma, os alunos podem elaborar o seu, a partir do seu universo de representações, uma leitura significativa sobre os acontecimentos registrados nas imagens, bem como seus próprios conceitos.

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VESTÍGIOS DOS QUE VIVERAM ANTES DE NÓS: HISTÓRIA E INVESTIGAÇÃO EM SALA DE AULA Professora: Gabriela Antonio

Ao longo de gerações o ensino de História foi associado a um esforço, muitas vezes tedioso, de decorar datas, nomes e personalidades ditas importantes. Nesse processo, ter uma boa relação com as aulas de História dependia quase que exclusivamente da figura do professor. Aqueles bons contadores de história, que prendem a atenção de uma sala de aula repleta de estudantes curiosos, fizeram e fazem a diferença na relação que temos com o passado.

ANUÁRIO 2021

Nos últimos anos, porém, a reflexão sobre o ensino de História tem construído importantes questionamentos: por que ensinar e aprender História? Como construir um ensino de História que coloque os estudantes em um lugar central, não apenas como espectadores da narrativa construída pelos professores? Essas perguntas norteiam a prática docente, levando professores e professoras a repensar o modelo tradicional de ensino e construir práticas pedagógicas que fomentem o desenvolvimento da autonomia no processo de ensino aprendizagem.

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O historiador Marc Bloch (2011, p. 45), ao refletir sobre o ofício do historiador, afirma que "não se pode negar, no entanto, que uma ciência nos parecerá sempre ter algo de incompleto se não nos ajudar, cedo ou tarde, a viver melhor". Sendo uma ciência que se dedica a estudar as transformações da humanidade ao longo do tempo, ensinamos e aprendemos História para repensar nosso lugar no mundo, consolidando ferramentas para a leitura da sociedade e, principalmente, para a formação de cidadãos críticos e atuantes na construção de um mundo melhor. BLOCH, Marc. Apologia da História ou o ofício do historiador. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2011.


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ANUÁRIO 2021


O papel dos estudantes nesse processo é fundamental. Não se pode negar a curiosidade com a qual olhamos para as sociedades do passado, seja ao assistir um filme ou documentário, seja ao visitar destinos particularmente marcantes por seus aspectos culturais e arqueológicos. É com esse mesmo olhar de curiosidade que os estudantes dos 6º e 7º anos foram convidados a investigar diferentes sociedades a partir dos vestígios históricos deixados por esses povos.

ANUÁRIO 2021

"ELABORAR QUESTIONAMENTOS, HIPÓTESES, ARGUMENTOS E PROPOSIÇÕES EM RELAÇÃO A DOCUMENTOS, INTERPRETAÇÕES E CONTEXTOS HISTÓRICOS ESPECÍFICOS, RECORRENDO A DIFERENTES LINGUAGENS E MÍDIAS, EXERCITANDO A EMPATIA, O DIÁLOGO, A RESOLUÇÃO DE CONFLITOS, A COOPERAÇÃO E O RESPEITO" É UMA DAS PRINCIPAIS COMPETÊNCIAS A SEREM DESENVOLVIDAS NO ENSINO FUNDAMENTAL SEGUNDO A BASE NACIONAL CURRICULAR COMUM (BRASIL, 2018).

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Norteados por esse princípio, os estudantes do Colégio Uirapuru entraram em contato com diferentes fontes históricas no ano de 2021.A análise de fósseis dos mais antigos hominídeos nas aulas sobre o surgimento dos seres humanos permitiu que os estudantes refletissem sobre as origens da humanidade, reconhecendo a África como o berço da humanidade e descobrindo que a ciência histórica está em constante transformação. O contato com os vestígios dos primeiros habitantes do território que hoje chamamos de Brasil ampliou o repertório cultural sobre os povos originários, valorizando a riqueza arqueológica e histórica da nossa sociedade e o trabalho de importantes pesquisadores ao entrar em contato

com pinturas rupestres, construções e ferramentas elaboradas pelos ameríndios. A visita virtual aos acervos do Museo Chileno de Arte Precolombino aproximou os estudantes dos mais diversos vestígios dos povos que viveram na América antes da chegada dos Europeus, fomentando o pensamento científico por meio da elaboração de suposições e inferências sobre o modo de vida desses povos. O trabalho com vestígios e documentos históricos desenvolve a autonomia à medida que o conhecimento é construído a partir do uso do repertório prévio, do estabelecimento de relações e do exercício da capacidade de argumentação baseada em evidências científicas. Colocados no centro do processo de ensinoaprendizagem, os estudantes vivenciam o ensino de história a partir de uma relação entre passado e presente. São os questionamentos e problemas do presente que nos movem à olhar para o passado, não para reconstruir aquilo que se viveu como se pudéssemos construir uma história linear e evolutiva das civilizações, mas para reconhecer a atuação de sujeitos históricos - pessoas como nós - que viveram, se relacionaram, construíram e significaram o mundo em que viveram.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: BLOCH, Marc. Apologia da História ou o ofício do historiador. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2011. BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. Brasil: Mec, 2018. Disponível em: http:// basenacionalcomum.mec.gov.br/abase/. (acesso em 12/10/2021).

ANUÁRIO 2021

É inevitável cometermos os erros do passado, uma vez que a História é cíclica. Porém, abrindo espaço para a ciência e para a verdade, com um olhar atento e investigativo sobre o passado, criamos caminhos e pontes para repensarmos nosso lugar no mundo. Reconhecendo e respeitando a diversidade cultural, exercendo a cidadania à medida que nós também vivemos, nos relacionamos e construímos a sociedade à qual pertencemos. São escolhas cotidianas, que nos inspiram a enxergar o mundo à nossa volta e a pensar em caminhos para a transformação social.

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PARA FAZER MELHOR (1)

Professora: Ana Bastos Professores que têm uma visão de educação democrática admitem que o aprendizado nunca está confinado a uma sala de aula institucionalizada. (Bell Hooks, Educação democrática, 2003)

Para começar, melhor perguntar Eu sou uma professora democrática?

ANUÁRIO 2021

Essa pergunta, à semelhança de tantas outras, tais como: Você é racista? ou Você é homofóbico?, ou ainda, Você é reacionário?, tem resposta pronta no capital cultural das sociedades cristãs ocidentais. Em geral, raramente são pensadas, refletidas, desconstruídas e reconstruídas, mas tão somente reproduzidas conforme o habitus do grupo (Bourdieu, 2015).

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Como alguém educada na escola reformada em 1971 pelo regime autocrático, até bem pouco tempo, eu pensava que sem dúvida alguma a democracia estava em tudo que eu fazia em sala de aula e fora dela. Vivia acorrentada prometeicamente a duas certezas: a democracia é fato conquistado e eu, se vi a redemocratização acontecer, sou uma professora democrática. Isso implicava ver a mim mesma como uma guerreira em defesa do conteúdo da disciplina História. Aos estudantes, cabia saber as fases da

Revolução Francesa ou as dissimulações discursivas do nazismo. Tudo isso, porque a história ensina para a vida. Ledo engano! A história é vida e vida é presente que se apropria de memórias do que passou, para imaginar futuro, a fim de poder fazer diferente amanhã. E nós somos o amanhã de ontem, todos e todas carregamos os sonhos e desejos não apenas dos que venceram, mas sobretudo, dos que foram derrotados. Comecei a desconstruir a minha prática docente por ações bastante simples de debate e discussão de conceitos fundamentais, por exemplo, Democracia. Aproveitei que havia uma demanda por educação digital e me engajei em cursos sobre metodologias mais ativas. Fiz as formações que o colégio ofereceu com a intenção de aprender um novo jeito de continuar a ser professora de história. No meio desse movimento todo, apareceu um material de divulgação do curso em Metodologias Ativas no Instituto Singularidades.

1 Este texto é uma adaptação do ensaio entregue ao Módulo Linguagem e educomunicação: espaços dialógicos e multimodalidades, ministrado pelo professor Marcelo Ganzela M. de Castro, junto à Especialização em Metodologias Ativas do Instituto Singularidades.


Para mudar, melhor avaliar Peço licença para apresentar e avaliar uma série didática que construí e apliquei no primeiro bimestre de 2021 sob influência do que venho aprendendo na Especialização em Metodologias Ativas. A autoavaliação vai partir da apropriação que fiz do conceito de educomunicação e multiletramentos, a fim de abrir uma janela para a formação política democrática. A educomunicação acontece quando a/o educador/a faz uso reflexivo e crítico dos meios de comunicação de massa ao organizar e dirigir situações de aprendizagem na educação formal e não formal. Não se trata apenas de tomar uma mídia digital como ferramenta didática, mas sobretudo de promover a autonomia, o protagonismo e a plena cidadania da/ os aprendizes através da apropriação de modos de comunicação, no firme propósito de intervir nas experiências da comunidade. Esse processo, por conseguinte, precisa estar atrelado a uma visão problematizadora das condições de vida e de convívio social da/os estudantes. Para desenvolver tais posturas de observação da realidade social, tanto quanto para que a/os estudantes estejam habilitados a falar sobre o que vivem, quais problemas conseguem perceber, e, a partir disso, engajá-los em soluções, é imprescindível o multiletramento.

É comum as pessoas associarem multiletramento a letramento digital, a ter habilidade com diferentes linguagens digitais, analógicas, orais, visuais, audiovisuais, simbólicas e materiais. Não estão erradas! Mas eu proponho começarmos por algo bem simples e daí seguir para o complexo. Vamos, primordialmente, observar o uso de textos diversificados, analógicos e digitais, na intenção de multiplicar linguagens e modos de aprender e ensinar. Tendo em vista tais considerações, sigamos para a descrição da série cujo principal objetivo era desenhar a estrutura simbólica do Imperialismo que ainda serve para legitimar discursos autoritários e racistas no tempo presente.(2)

DADOS INSTITUCIONAIS Série/ano e segmento: 9º ano EFII Componente curricular: História Conteúdo: Imperialismo e II Revolução Industrial Número de aulas: 5 blocos de aulas com 90 minutos cada bloco (a seguir chamados apenas aula) Competência (Currículo do colégio): I. Entender seu papel enquanto ser social, mediante o exercício do raciocínio históricocrítico em detrimento de juízos de valor. Habilidades (BNCC): (EF08HI23) Estabelecer relações causais entre as ideologias raciais e o determinismo no contexto do imperialismo europeu e seus impactos na África e na Ásia. (EF08HI26) Identificar e contextualizar o protagonismo das populações locais na resistência ao imperialismo na África e Ásia.

ANUÁRIO 2021

No muito que venho aprendendo, destaco a potencialidade crítica, educativa e comunicativa das tecnologias digitais. Eu já usava vídeos em aula, construía discussões para pensarmos as mídias de massa na vida de toda/os nós, contudo, diante das dificuldades para lecionar durante a pandemia e estando junto à especialização, passei a explorar os recursos digitais para aprender e ensinar visando a construção do engajamento crítico da/os estudantes.

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DESCRIÇÃO DA SÉRIE DIDÁTICA 1ª fase (aula 1): estímulo e problematização Exibição do vídeo Change your channel | Mallence Bart-Williams | TEDxBerlinSalon (2015) Esse vídeo viralizou em 2015 porque a economista e ativista germano-serraleonesa Mallence Bart-Williams faz a denúncia da herança de miséria e racismo deixada na África pelas práticas imperialistas europeias do século XIX. Tudo falado e documentado em um TEDx na cidade de Berlim, vale lembrar que nessa cidade, entre 1884 e 1885, as potências industriais europeias dividiram entre si a África, na conhecida Conferência de Berlim.

ANUÁRIO 2021

O vídeo foi assistido duas vezes. No fim da primeira vez, a professora estimulou a/os estudantes a expressarem suas impressões gerais e capturou algo que pudesse indicar o alvo da discussão (no caso, a contradição entre as riquezas africanas [natureza e povos] e a imagem de pobreza divulgada pelos exploradores do continente). No final da segunda, a/os estudantes responderam um formulário com perguntas sobre as características naturais e culturais do país de Mallence (Serra Leoa), a exploração das riquezas africanas pelos europeus, a imagem que os europeus construíram e divulgam sobre os africanos e a África.

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2ª fase (aulas 2 e 3): sistematização do conteúdo A/os estudantes receberam dois comandos complementares: leitura do tema no livro didático (Moderna Compartilha 2021) e dois tipos de exercícios: os analíticos do próprio livro e a síntese reflexiva proposta pela professora, com os seguintes pontos: • determinar o contexto histórico e geográfico da expansão imperialista • estabelecer as relações entre II Revolução Industrial e exploração colonial imperialista • relacionar cientificismo, indústria e imperialismo Logo após a correção dos exercícios, a/os estudantes partiram para o fechamento da fase de sistematização. Através da Rotina de Pensamento 3, 2, 1, a/ os estudantes registraram no jamboard da turma: 3 palavras que completassem a seguinte frase - O Imperialismo foi… 2 perguntas que estivessem relacionadas à seguinte sentença - O Imperialismo explorou diferentes povos e territórios por meio da violência. 1 imagem (com referência) sobre o Imperialismo e que tivesse relação com as palavras e as perguntas. Os jamboards foram abertos em classe para lermos as palavras, vermos as imagens e juntos respondermos as perguntas.

2. As informações a seguir reproduzem um extrato do planejamento escolar da série e do segmento. 3. Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=ZYfcgMO8dn0 Acesso 05/fev/21


3ª fase (aulas 4 e 5): reconhecimento crítico das práticas de violência material e simbólica do Imperialismo

4ª estação: negros e negras no Brasil hoje

Rotação por estações de estudo

Instruções: escrever uma lista de personagens negros e negras que conheceram na escola, em seguida, consultar um artigo de divulgação dos resultados do Censo IBGE 2018(8) sobre as populações negras e pardas no Brasil, e por fim, argumentar porque a lista é tão curta em um país de maioria populacional negra e mestiça.

Título da atividade: Imperialismo: genocídios materiais e simbólicos 1ª estação: genocídio do povo herero Objetivo: identificar a ação genocida dos alemães contra os hereros durante a ocupação da atual Namíbia. Instruções: assistir a um episódio do documentário Expedição Namíbia(4) e fazer registros(5) no caderno sobre o genocídio do povo herero pelos alemães. 2ª estação: identitarismo branco

Objetivo: mostrar práticas de exclusão racial vividas no Brasil.

Após a execução da rotação, a professora retornou a cada uma das estações para discutirmos o tema da violência material (assassinatos e genocídios, práticas que serviram como precedentes históricos do Holocausto) e simbólica (racismo e exclusão social, cultural e econômica).

Objetivo: refletir sobre o que seja "a pauta identitária" dos movimentos sociais dos grupos que sofrem racismo e/ou exclusão social.

3ª estação: como o racismo funciona? Objetivo: indicar as relações entre racismo e discurso. Instruções: assistir a um trecho da entrevista da intelectual e artista Grada Kilomba(7) sobre os discursos que instituem práticas de racismo herdeiras dos processos coloniais. Em seguida, registrar no caderno informações sobre as características do racismo atual.

4. Expedição Namíbia O primeiro genocídio do século XX, 2015.Disponível em https://www. youtube.com/watch?v=YsOnW5mHvJg Acesso 23/ fev/2021 5. Os registros sempre são perguntas que provocam a seleção de dados que vão integrar a informação que se deseja retirar do tema da estação, nesse caso, o que foi o genocício do povo herero da Namíbia em 1906. 6. SAFATLE, Vladimir. Identitarismo branco. El País, setembro de 2020 Disponível em https://racismoambiental.net.br/2020/09/05/ identitarismo-branco-por-vladimir-safatle/ Acesso 10/out/2020

ANUÁRIO 2021

Instruções: executar a leitura de extratos do artigo Identitarismo branco de W. Safatle(6), sobre as práticas culturais dos grupos brancos hegemônicos de negação das artes e das ideias dos povos originais da América e da África. Em seguida, registrar no caderno informações sobre o identitarismo branco e colonial.

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Para finalizar (sem fim), melhor reconhecer

ANUÁRIO 2021

Se focarmos nos recursos usados nessa série de situações de aprendizagem, seremos capazes de perceber o multiletramento. Porque, por um lado, há modalidades diferentes de textos servindo de fonte para o estudo, assim como usos de ferramentas digitais para produção de registros da aprendizagem. Por outro lado, vale lembrar que R. ROJO (2012) aponta para a importância da multiplicidade cultural das populações e a multiplicidade semiótica de constituição dos textos, já que as produções culturais que circulam correspondem a um conjunto de textos híbridos de diferentes letramentos. E isso pode ser visto desde a fala de duas mulheres negras, Mallence e Kilomba, sobre a cultura africana e o discurso divulgador do racismo, até o artigo em que um filósofo branco brasileiro, W. Safatle, reconhece e denuncia as práticas discriminatórias e autoritárias do identitarismo branco no conhecimento científico e filosófico ocidental. Entremeados por leituras junto ao livro didático, exercícios coletivos e individuais, registros analógicos (caderno) e digitais (jamboard), consulta a dados e pesquisas públicas (Censo IBGE 2018) que serviu para pensar o racismo no Brasil atual.

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No entanto, quando me volto para o necessário transbordamento da temática sobre a comunidade escolar duvido bastante da eficiência da série. Ainda não há da minha parte, como professora responsável por fazer acontecer uma ação coletiva de aprendizagem democrática, uma efetividade formativa. Apesar de ter consciência de que a sala de aula é o ponto de partida do processo de formação política democrática, ainda não sou capaz de construir autênticos eventos de aprendizagem para a coletividade ou a comunidade escolar. No caso dessa série, ficou muito boa, mas

é acadêmica, pois não gerou um produto capaz de promover a intervenção da/ os estudantes na comunidade. Ou seja, tem potência para contribuir na formação política da/os estudantes, mas perde força quando se pensa que é necessário ultrapassar os muros da escola. Fica então a pergunta:

como ter uma prática de formação política com efetividade pedagógica transbordante, que ultrapasse muros e cumpra autêntico papel de defesa e salvaguarda da cidadania democrática?

7. Grada Kilomba – conversa sobre Memórias da Plantação, Projeto antirracismo do Colégio Equipe, 2020 Disponível em https://youtu.be/2ez7eJtgoA Acesso 23/fev/2021 8. Número de brasileiros que se declaram pretos cresce no país, diz IBGE, UOL, MAIO 2019 Disponível em https://noticias.uol.com.br/ cotidiano/ultimas-noticias/2019/05/22/ibge-emtodas-as-regioes-mais-brasileiros-se-declarampretos.htm Acesso 28/fev/2021


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: BACICH, Lilian e MORAN, José. Metodologias ativas para uma educação inovadora. Uma abordagem teórico-prática. Porto Alegre: Penso, 2018. ROJO, R. H. R. & MOURA E. Multiletramentos na escola. SP: Parábola, 2012. BOURDIEU, Pierre. Escritos de Educação. 16ª ed. Petrópolis/RJ: Vozes, 2015. HOOKS, bell. Ensinando a transgredir. A educação como prática da liberdade. SP: Martins Fontes, 2020.

ANUÁRIO 2021

ROJO, R. H. R. & MOURA E. Multiletramentos na escola. SP: Parábola, 2012.

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FORMAÇÃO POLÍTICA PARA FUTUROS LÍDERES

ANUÁRIO 2021

Professores: Aline de Aquino e Eduardo Torres

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A eletiva “Formação Política para Futuros líderes” surgiu do interesse crescente, por parte dos discentes, em política, seja no sentido prático - política das instituições públicas, dos movimentos sociais, protestos de rua e dos processos eleitorais em escala mundial -, seja no sentido teórico - teorias, correntes de pensamento e ideologias, que moldam a ação dos indivíduos, dos partidos políticos e da política institucional. Por isso, é necessário discutir e aprender em relação à política.

existentes na sociedade e, como integrantes da sociedade, não há como fugir da política.

A ideia é promover um processo de educação política, ou seja, de acesso a informações e conhecimentos cuja finalidade é disponibilizar aos alunos, que estão se formando enquanto cidadãos, um repertório que lhes permita compreender as nuances dos debates políticos no Brasil e no Mundo. E que também os capacite para participar ativamente da política.

O que é política?: este tópico foi introdutório e a abordagem se deu sobre a origem do termo política e a realpolitik;

Além disso, a ideia é formar jovens líderes que causem impacto na sociedade, já que a política está em nossos bairros e municípios. A educação política preza pela conscientização do cidadão e sua participação na transformação do local onde vive. É um processo de tomadas de decisão coletiva sobre diversos problemas

A política, em um contexto geral, envolve tolerância às diferenças, direito ao oposto, ética, responsabilidade e o reconhecimento do outro. Nesse sentido, a disciplina foi ministrada para os alunos da 2ª série do Ensino Médio, que já desenvolveram algumas habilidades que propiciam o pensar na coletividade e o exercício de empatia. A disciplina abordou os seguintes temas:

Filosofia política: o objetivo deste tópico foi abordar as questões a respeito da convivência entre o ser humano e as relações de poder. Os pensadores estudados foram Hobbes, Maquiavel e Rousseau; Política como gestão de conflitos: neste tópico foram abordadas as possibilidades de resolver conflitos internacionais por meio pacífico (que existem vários como o meio diplomático, arbitragem e os meios políticos, bem como o funcionamento de instituições como a Corte Internacional de Justiça);


Principais correntes teóricas: como conservadorismo, liberalismo e marxismo para que os alunos, de modo crítico, analisassem a diferença entre as correntes de pensamento bem como a forma como foram colocadas em prática; Funcionamento do Estado: neste item foi analisado o contrato social firmado entre a sociedade e o Estado, bem como a estrutura do Estado e suas funções e a constituição e suas organizações (em artigos, parágrafos e divisão); Políticas públicas: que são ações do poder público para minimizar problemas existentes na sociedade, contribuindo para o bem-estar da população. As políticas públicas atuam em questões específicas (como saúde, educação, lazer, transporte, meio ambiente, assistência social e habitação) e, quando bem implementadas, podem se tornar leis;

Formação de partidos políticos: a formação do partido político, a elaboração de planos de governo são fundamentais para a sociedade escolher seus representantes. Os alunos aprenderam como proceder com a elaboração desses materiais, os locais (virtuais) onde buscar as informações dos candidatos a representantes da população.

ANUÁRIO 2021

Participação política: aqui os alunos aprenderam como pode ser feita participação política da sociedade e sua atuação em nível municipal, estadual e federal;

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Os alunos sempre trabalharam com leituras de textos acadêmicos, filmes e sites relacionados aos conteúdos abordados. A eletiva foi ministrada por três professores que se alternavam durante as semanas de aula. Em alguns encontros, os três professores entravam para fechamento de um assunto. O intuito da participação de mais um professor foi promover pontos de vistas distintos sobre política e os diferentes temas que envolvem o debate político.

ANUÁRIO 2021

Promover este tipo de debate, que é diferente do debate partidário, é uma maneira de garantir a pluralidade da escola, uma pluralidade de opções para que os alunos e os professores convivam com o diferente e o contraditório. O debate político contribui para uma escola política, para que os futuros líderes aprendam a conviver com as divergências. Na disciplina, cada professor promoveu, através dos temas e atividades propostas, reflexões em que as divergências apareceriam; no entanto, o exercício realizado foi absorver a argumentação divergente, fazer uma reflexão sobre a mesma, procurando entender as bases de pensamento e, a partir desse ponto, questionar e debater de modo político.

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Ao mesmo tempo, procuramos comunicar que os caminhos do liberalismo, conservadorismo e marxismo, estão presentes nas nossas posições políticas, sendo uma realidade, e que devemos compreender suas bases antes de, alimentados pela ignorância ou temor, rejeitar sumariamente sua influência no mundo em que vivemos.


Essa eletiva não apenas ajudou a construir uma melhor visão de mundo, mas também me ajudou a compreender melhor o que é ser um cidadão e os benefícios que eu posso oferecer exercendo a minha cidadania. Lucas Zocca Thomazetti

Júlia Lima de Paulo Lloyd

ANUÁRIO 2021

A eletiva de líderes é uma excelente oportunidade não apenas para ampliar os conhecimentos sobre as diferentes ideologias e filosofias sociais, como também auxiliar na formação de opinião dos alunos. Ao trazer trabalhos interativos que exigem visão crítica, somos incitados a conhecer áreas da política e ideias que dificilmente abordamos durante as disciplinas normais, sendo assim uma ótima maneira de conhecer informações fundamentais para a boa formação do aluno como cidadão ativo.

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UIRAMUN Professores: Aline de Aquino e Gustavo Marichal

NÓS, OS POVOS DAS NAÇÕES UNIDAS, RESOLVIDOS a preservar as gerações vindouras do flagelo da guerra, que por duas vezes, no espaço da nossa vida, trouxe sofrimentos indizíveis à humanidade, e a reafirmar a fé nos direitos fundamentais do homem, na dignidade e no valor do ser humano, na igualdade de direito dos homens e das mulheres, assim como das nações grandes e pequenas, e a estabelecer condições sob as quais a justiça e o respeito às obrigações decorrentes de tratados e de outras fontes do direito internacional possam ser mantidos, e a promover o progresso social e melhores condições de vida dentro de uma liberdade ampla.

E PARA TAIS FINS, praticar a tolerância e viver em paz, uns com os outros, como bons vizinhos, e unir as nossas forças para manter a paz e a segurança internacionais, e a garantir, pela aceitação de princípios e a instituição dos métodos, que a força armada não será usada a não ser no interesse comum, a empregar um mecanismo internacional para promover o progresso econômico e social de todos os povos.

ANUÁRIO 2021

RESOLVEMOS CONJUGAR NOSSOS ESFORÇOS PARA A CONSECUÇÃO DESSES OBJETIVOS.(1)

174 1. Preâmbulo da Carta das Nações Unidas


As organizações internacionais, como a Organização das Nações Unidas, são espaços de discussões e buscam soluções relacionadas aos problemas coletivos, pois têm capacidade jurídica para que direitos e deveres sejam respeitados e implantados de acordo com a legislação vigente. Portanto, as simulações das organizações internacionais são verdadeiros laboratórios das ciências humanas para elaboração de discursos e defesas de política externa. É importante ressaltar que, o Brasil faz parte da ONU e suas ações e resoluções interferem direta ou indiretamente no dia a dia da população brasileira. O modelo das Nações Unidas (MUN) é melhor descrito como uma simulação operacional que imita as ações de um corpo diplomático realmente existente – as Nações Unidas. Os participantes assumem funções de embaixadores de países que se envolvem com questões contemporâneas de grande relevância para as Nações Unidas. Conjuntamente com outros países aprendem a negociar, a construir planos de ação sob a forma de resoluções. Philips e Muldoon (1996) descrevem o modelo das Nações Unidas como forma de ensino e aprendizagem sobre questões transnacionais, diplomacia e governança global. A estrutura de simulação é altamente flexível e pode ser entregue a uma variedade de contextos e níveis de aprendizagem. Cada simulação tem sua própria duração e estruturação de pauta de

discussão. Para apoiar o preparo dos alunos há uma riqueza de textos e publicações na rede acadêmica e na ONU. Além disso, entende-se, a partir de relatos de alunos e ex-alunos, que a participação nesse tipo de simulação influencia a postura profissional e pessoal. A primeira simulação da ONU do colégio Uirapuru foi realizada em 2017. O nome dado a simulação, seguindo os critérios da Organização das Nações Unidas, foi UIRAMUN (Uirapuru Model Nations). A iniciativa veio por parte de alunos que participavam de modelos de simulação externos. Houve um engajamento muito grande por parte dos discentes, tanto para a preparação quanto para a movimentação, concessões e formulação das resoluções. É uma proposta pedagógica que atende aos princípios construtivistas de aprendizagem ativa, reflexiva e autenticamente contextualizada. Além disso, estimula o pensamento complexo, à medida que cada um dos discentes se vê obrigado a analisar múltiplos pontos de vista para construir uma proposta de resolução.

ANUÁRIO 2021

Após a criação da ONU, em outubro de 1945, modelos das Nações Unidas com simulações passaram a ser realizadas em vários países. Um dos modelos mais antigos é o Harvard Model United Nations que realizou sua primeira conferência em 1953. Desde então, os MUN´s, ou seja, os modelos de simulação de negociações internacionais, têm se espalhado pelo mundo todo.

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Os modelos de simulação estão ganhando destaque no Brasil. Do ponto de vista pedagógico, os modelos da ONU desenvolvem competências e habilidades e permitem conhecer melhor assuntos de grande relevância internacional e das organizações internacionais, no que se refere à própria estrutura da organização bem como às normas jurídicas e ao peso nos contextos nacionais. Para a internacionalização, há uma necessidade de preparar estudantes para uma cultura mais diversificada e sua inserção no mundo. Os modelos de simulação oferecem aos alunos a oportunidade de debater e produzir conhecimentos que representam pontos de vista, paradigmas e crenças. Os alunos apresentam um alto grau de engajamento devido à natureza diplomática da simulação e debatem temas interdisciplinares. Os modelos de simulação colaboram com uma sala de aula política, com alunos ativos, providos de capacidade argumentativa e trabalho em equipe.

ANUÁRIO 2021

O Uiramun de 2021 teve a participação dos alunos do 9º ano e do Ensino Médio. Cem alunos estiveram envolvidos no evento. A abertura ficou a cargo dos professores Tanguy Baghdadi (IBMEC) e João Silva (UFRR), cujos temas foram sobre a relação de Cuba com os EUA e sobre o Oriente Médio, sendo que tais discursos se ajustaram à simulação porque esta foi composta por dois comitês: o Conselho de Segurança e a Assembléia Geral das Nações Unidas.

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A Assembleia Geral é composta por todos os países membros da ONU, ou seja, 193 países com representação igualitária. As sessões da Assembleia Geral sempre se iniciam no mês de Setembro com os discursos de todos os países membros e se prolongam até Janeiro do ano seguinte. A partir de Janeiro, a agenda deve ser cumprida até Setembro, quando se inicia uma nova rodada de sessões. Na simulação do colégio, os alunos discutiram o fim do embargo econômico estadunidense a Cuba.

Houve estímulo à sociabilidade, ao desenvolvimento da capacidade de argumentação, ao desafio da elaboração de medidas para conflitos já pensados por “verdadeiros” diplomatas e à abertura dos horizontes da percepção, quando a política externa do país defendido diverge da opinião pessoal. A contextualização de um ambiente formal propicia também ao participante aprender a se comportar e se impor em situações diplomáticas. A contribuição do projeto depende de como cada participante absorve a experiência. No geral, há aprimoramento da retórica, da capacidade de negociação, da expressão em público e do respeito a opiniões divergentes. A Simulação permitiu, além de conhecer melhor os colegas de outras turmas, um aprendizado de modo interativo e não tradicional, sendo uma ferramenta de ensino alternativo bastante eficaz. Além disso, a participação no evento permitiu aos alunos conhecerem questões de interesse global e a leitura de temas sempre atuais.

ANUÁRIO 2021

O Conselho de Segurança é o único órgão internacional capaz de adotar medidas obrigatórias para os 193 países membros. É formado por 15 países: cinco são permanentes (Estados Unidos, França, Reino Unido, Rússia e China) e dez não permanentes. Os membros não permanentes têm mandato de dois anos e há uma distribuição geográfica equitativa desses membros. No Uiramun, o Conselho de Segurança discutiu a situação do Oriente Médio, principalmente do Afeganistão.

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A ARTE S ANUÁRIO 2021

ENTRE IMAGENS E AFETOS

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SALVA Acompanhada da dimensão estética ou linguagens poéticas, a Arte contribui para o desenvolvimento da criatividade, das percepções e sensações, da mistura das cores, das composições com os mais diversos materiais, dos ritmos do corpo articulados aos sons internos e externos. Como nos diz Vecchi (2017, p. 35) "beleza e estética são agentes de salvação para mulheres e homens, e que a sua proposição como direitos fundamentais e inalienáveis seria de grande benefício para a humanidade inteira". É assim que vemos a Arte, é assim que temos pensado a Arte, é assim que temos desenvolvido a Arte.

ANUÁRIO 2021

Materializada pelas linguagens plástica, cênica, musical, cinética - como forma de expressão dos pensamentos, dos sentimentos, dos afetos dos seres humanos -, a Arte está presente no cotidiano escolar.

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ENTRE LINHAS E PINCELADAS: CAMINHOS PERCORRIDOS Coordenadora Pedagógica: Gabriela Plens Recreacionista: Thais Cruz

ANUÁRIO 2021

O ser humano já nasce com uma forte necessidade de interagir e se comunicar com os seus semelhantes, à medida que se desenvolve encontra meios para atingir o outro, primeiro pelas expressões sonoras que buscam a satisfação das necessidades vitais, depois pelos balbucios, gestos corporais e expressões faciais, até que a linguagem verbal passe a ser um instrumento para a comunicação com o meio.

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Desde bem pequeno o ser humano tem a necessidade de deixar suas marcas impregnadas nas diferentes superfícies e, tão logo descobre um instrumento riscante, deixa marcas nos sofás, nas paredes e, até mesmo, nas geladeiras… Bem, as marcas são meios de demonstrar seus pensamentos, desejos e até mesmo sensações advindas do momento em que se vive. O desenho é a primeira escrita da criança, um processo criativo que é articulado principalmente por meio da sensibilidade estética que é proporcionada e que

repertoria o sujeito para a construção de seus traços. Através do desenho, a criança consegue expressar suas emoções, sensações e percepções daquilo que vê, uma forma de interpretar o mundo ao seu redor. Estimular a construção da sensibilidade das crianças de forma que elas possam expressar de forma viva suas percepções e sensações é um dos objetivos das oficinas do ateliê de pintura proporcionado no Integral do Infantil 5. Para isso, obras são oferecidas às crianças como uma provocação que possibilite novas formas de pensar e interpretar o que se contempla.


As primeiras pinceladas das crianças, eram reveladas por linhas delineadas pelo pincel, como um meio para dar forma e limitação ao que estava sendo criado. Era possível perceber o quanto as crianças ainda se mostravam mais preocupadas com a intencionalidade dos traços e, de certa forma, um pouco mais “rígidas” em suas experiências com a leveza da tinta no pincel.

ANUÁRIO 2021

As primeiras experiências nos ajudaram a perceber o quanto a sedução estética era importante para o desenvolvimento da criatividade, de modo que as crianças pudessem se sentir mais sensibilizadas por aquilo que viam e, assim, se entregar de forma mais livre na sua interpretação.

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Foram as constantes experiências, permeadas pela sedução estética, que as crianças foram ressignificando seus traços e as linhas, antes tão “rígidas”, deram lugar a leves pinceladas cheias de expressão e sensibilidade.

ANUÁRIO 2021

As crianças foram encontrando meios para que os diferentes pincéis, ora usado mais inclinado, ora apenas com a pontinha, ora com toda intensidade das cerdas, se tornassem um instrumento à favor da intencionalidade do pensamento e dos sentimentos.

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ANUÁRIO 2021

Os detalhes e até mesmo aquilo que é irrepresentável aos olhos dos adultos, passam a ser delineados pela tinta que desliza pelo papel. O cheiro da laranja, as explosões dos gominhos que se transformam em sabor, o gosto ácido e doce que escorre pela garganta, vêm à tona, quando a criança toca o fruto e o materializa em seus pensamentos. Para a criança “tudo está ligado a tudo. Tudo se transforma em tudo. Há uma delicada e intensa percepção do pequeno, do mínimo, do detalhe quase sempre despercebido pelo olhar adulto” (ANTÔNIO, 2009, p. 39), como é possível perceber na experiência em que a multissensorialidade foi estimulada.

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As crianças foram transformando o seu próprio olhar sobre a arte que produziam e iam encontrando beleza quando olhavam as paredes do espaço em que conviviam "Gosto quando deixamos nossa sala colorida”, diz Pedro 5 anos. Era possível observar o quanto as crianças se percebiam como produtoras de cultura, de obras que revelavam suas próprias características. Ainda que as obras fossem semelhantes quanto à observação/representação de um determinado objeto, era possível perceber as especificidades, traços e marcas pessoais de cada criança, afinal, segundo Antônio (2019),

ANUÁRIO 2021

“A criança pensa por imagem”, o que é fundamental para ler e interpretar o mundo.

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ANTONIO, Severino. A poética da infância: conversas com quem educa a criança. Cachoeira Paulista. São Paulo. Editora Passarinho, 2019.

ANUÁRIO 2021

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:

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CATÁLOGO DE CORES E TONS: UM OLHAR ALÉM DO QUE SE VÊ… Professores:Francine Silva, Helena de Sá e Graziela Ferro

A Educação Infantil é um lugar privilegiado no qual a criança tem oportunidade de vivenciar situações diversas de experiências, investigação e interação com o outro, com os outros. O espaço coletivo amplia as possibilidades de aprendizagem.

ANUÁRIO 2021

As crianças do Infantil 2 estão em constante descoberta de si e do mundo ao seu redor, elas são curiosas, ativas e criativas.

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Sabemos que as crianças estão descobrindo as coisas do mundo e as cores estão em todo lugar, existem muitas tonalidades daquilo que se pode ver. Para isso foram propostas aprendizagens importantes e significativas considerando o conhecimento de si durante a exploração das tintas e a relação entre os pares enxergando a ação do outro nos momentos de experimentação. Os contextos de observação foram diferentes para cada criança, elas observavam as cores e criavam outras tonalidades da cor desejada, acrescentando pigmentos branco ou preto até alcançarem o tom esperado.

Pensando neste lugar de ação e protagonismo das crianças, os ambientes e materiais foram pensados para que a partir da experiência estética elas fossem impactadas e se sentissem convidadas diante das diferentes possibilidades de experimentação, corporificando suas descobertas. AS CRIANÇAS CARREGAM EM SI A POSSIBILIDADE DE INVENÇÃO DE MUNDOS. ASSIM COMO OS ARTISTAS, ELAS TRAZEM A POTÊNCIA DE TORNAR O MUNDO OUTRO A PARTIR DOS SEUS QUESTIONAMENTOS E INQUIETAÇÕES. AO TORNÁ-LO NÃO COMO ALGO PRONTO, MAS EM CONSTANTE CONSTRUÇÃO E REINVENÇÃO, ELAS INVESTIGAM E QUESTIONAM O QUE VIVEM, INDAGANDOSE A RESPEITO DOS SENTIDOS E DOS PORQUÊS DE CADA ACONTECIMENTO. (BARBIERI, 2021, P. 16).


Através de suas percepções um repertório de tonalidades foi sendo descoberto. Ao perceberem os tons que se encontram nos objetos que manipulamos, na sala, no parque, no quintal, no campo e lugares que habitamos, criamos uma caixa de tesouros com os tons investigados.

A cada semana uma cor foi selecionada através de uma roleta com 4 cores, azul, verde, amarelo e vermelho. A partir da cor selecionada, cada criança recebeu uma paleta, com as tonalidades da cor escolhida para a investigação. Após observar os diferentes ambientes, à procura destes tons, as crianças produziram suas misturas, para descobrirem as diferentes possibilidades de pigmentações.

ANUÁRIO 2021

Seguindo as palavras de Barbieri (2021), sobre a potência das crianças em construírem e reinventarem mundos, iniciamos o processo investigativo a partir dos ambientes já conhecidos e habitados por elas, observando atentamente os espaços “onde a vida acontece”.

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Organizamos os ambientes e nos mantivemos nos bastidores, instigando e observando todo o caminho de descobertas, onde as crianças foram as regentes de suas ações, com autonomia para a escolha de proporções e manipulação do material, experimentando e criando suas tonalidades diante de suas testagens.

ANUÁRIO 2021

Durante todo o processo, garantimos a variedade de materiais, suportes e superfícies para investigação em diferentes propostas. Utilizamos de diferentes pincéis, bacias e conchas para que se servissem com tintas, água e anilina para suas pinturas.

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As pigmentações foram exploradas, pelas crianças, em superfícies variadas onde puderam ver sua forma mais líquida escorrendo pela folha, ou mais espessa sendo fixada na parede. As mãos, pernas e pés também ficaram livres para que a tinta fosse experimentada sobre a pele, causando diferentes sensações e uma imensa satisfação de conhecer o próprio corpo. Confirmando assim as palavras do teólogo e pensador Gandhy Piorski (2016, p. 109)

“O tato é a mãe dos sentidos, pois a pele, esse imenso órgão comunicador entre o corpo e os sentidos é o abrigo de toda a sensorialidade”. Esse modo de descobrir o mundo não é fragmentado, é completo com a inteireza de uma relação de busca e entrega.


Após muita exploração e novas aprendizagens, as folhas de papel A4, um dia brancas e agora cheias de histórias e descobertas, se transformaram em um catálogo de cores, organizado de forma individual, sendo assim, um por criança.

Uma folha sobreposta à outra, vermelho, amarelo escuro, “verde igual meu tênis” , “azul do céu de hoje”, foram algumas das criações e misturas feitas pelas crianças. Foram momentos incríveis! O intuito do catálogo de cores é a criança poder guardar com ela um pouco das histórias e descobertas feitas pelas mesmas durante esse período de investigação e que poderão ser levadas para a vida toda, sendo parte de seu repertório visual, emocional e das lembranças.

ANUÁRIO 2021

As cores não são, elas estão! Estão no céu, azul ao amanhecer de um dia de verão, ou cinza, quando se prepara para a chuva. Pensando por essa perspectiva, as crianças tiveram a possibilidade de criar, imaginar, investigar e descobrir, que as cores são o mundo ao redor, elas juntas, formam e transformam os objetos, a natureza, os alimentos.

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As professoras iniciaram o projeto baseando-se em um mapa de expectativas e, ao longo do processo, foram, investigando e aprendendo junto com as crianças, reconhecendo o rico conhecimento prévio que trouxeram de suas casas, famílias e vivências. Um vídeo muito especial foi elaborado, no qual as protagonistas: as crianças, demonstram através de suas expressões maravilhadas fragmentos de suas descobertas. A magia aconteceu, o encantamento estava em todas as situações, a emoção nos olhos, a cada descoberta, se tornou um sentimento motivador durante todo o processo.

ANUÁRIO 2021

Assim, esperamos que toda essa vivência seja levada para a vida e que possam se lembrar dos momentos compartilhados com os amigos, professoras, e todos os envolvidos nos espaços do Infantil 2 no ano de 2021.

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REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:

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ANTONIO, Severino. A poética da infância: conversas com quem educa a criança. Cachoeira Paulista. São Paulo. Editora Passarinho, 2019.

ANUÁRIO 2021

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DA CABEÇA AOS PÉS: A CONSTITUIÇÃO DA IDENTIDADE TAMBÉM PELO DESENHO. Professores: Eliene Barbosa e Nayara Lopes

ANUÁRIO 2021

A criança desenha, entre outras coisas, para se divertir. Um jogo que não exige companheiros, em que a criança é dona de suas próprias regras. Nesse jogo solitário, ela aprenderá a estar só, “aprender a ser só”. O desenho é o palco de suas encenações, a construção de seu universo particular (DERDYK, 2020).

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No Infantil 5, brincadeiras corporais e análise de imagens com corpos em movimentos, permeiam as rodas de conversa contribuindo para o enriquecimento deste corpo que agora sai do real para o pictórico. As crianças revelam, através de suas falas, situações percebidas e vividas durante diversas propostas, quando analisam com riquezas de detalhes os movimentos que realizam e transferem para o papel as observações relatadas e a percepção de si no meio em que está. Entende-se que desenhar vai além de um riscar de cores o papel, é neste ato que as crianças validam tudo o que percebem do mundo e podem se colocar livremente nas situações vividas dentro e fora da escola. Buscar aprimorar este indivíduo, que agora coloca-se em segunda dimensão, é conhecer a si mesmo e compreender o mundo.

As posições em um jogo ou brincadeira, as reações e as emoções expressas durante sua execução são parte de um estudo minucioso para que este indivíduo, agora pictórico, ganhe forma e identidade. “Todas as faces são iguais?” “Em todos os momentos nosso rosto fica igual?” “O que acontece quando mudamos de expressão?” São intervenções como estas, realizadas durante as rodas de conversa, que ampliam a compreensão de si, enriquecendo os desenhos com detalhes e características numa representação cada vez mais próxima da realidade.

ANUÁRIO 2021

“Cada fase corresponde a transformações significativas do plano gráfico em sintonia com o desenvolvimento do sujeito e com o incentivo ao seu potencial criador” (IAVELBERG, 2021, p. 49 e 50).

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Professora: No jogo da queimada, qual movimento você faz para não ser queimado? Aluno 1: Preciso ficar assim! (faz o movimento de agachar-se) Aluno 2: A gente precisa pular bem alto, para não ser queimado! Professora: E como o corpo fica nesse momento que você está agachado? Aluno 1: Fica assim, minha perna fica assim! (aluno mostra a perna dobrada) Professora: E como o corpo fica quando pula? Aluno 2: (nesse momento o aluno faz o movimento e mostra a posição das pernas). Meu corpo fica desse jeito!

ANUÁRIO 2021

Aluno 3: Eu coloco a minha mão na frente, como se fosse um escudo!

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Somos sujeitos, em constante movimento, movimentos dos quais muitos são imperceptíveis. Resgatar e observar cognitivamente essas ações do corpo torna-se imprescindível para a constituição do desenho, trazendo identidade e singularidade ao registro da criança.

“Desenhar não é copiar formas, figuras, não é simplesmente proporção, escala. A visão parcial de um objeto revelará um conhecimento parcial desse mesmo objeto. Desenhar objetos, pessoas, situações, animais, emoções, ideias são tentativas de aproximação com o mundo. Desenhar é conhecer, é apropriar-se (DERDYK, 2020, p. 28). Perceber-se também auxilia neste enriquecimento. Quantidade dos dedos das mãos, seus detalhes como digitais, pregas, formato das unhas, observação da pele; investigação das características do rosto, tais como: cílios, sobrancelhas, cor dos olhos, da boca, do nariz... A análise feita da cabeça aos pés ajuda no progresso deste desenho que se constitui.


Ao longo do tempo no Infantil 5 foram registrados, em um caderno de rascunho, as percepções que as crianças tinham como resposta às rodas de conversa, caderno este que servia como coletânea de resgate para a reflexão de desenhos posteriores. Acredita-se que “a repetição visa automatizar, incorporar, dominar um gesto adquirido, um movimento inventado, um rabisco criado” (DERDYK, 2020, p.46) para isso, o caderno de rascunhos nos serviu como aprimoramento dos traços do corpo humano. Após os ensaios pictóricos de si mesmas, neste caderno, as crianças construíram em pequena escala uma maquete da brincadeira queimada, trazendo para este trabalho todos os movimentos adquiridos, estudados e analisados durante o processo de aprendizagem. “A criança projeta no desenho o seu esquema corporal, deseja ver sua própria imagem refletida no espelho do papel. (...) Existe um vontade de representação como também existe uma necessidade de trazer à tona desejos interiores, comunicados, impulsos, emoções, sentimentos [movimentos e individualidades]. Será que com o adulto não ocorre o mesmo?” (DERDYK, 2020, p. 39).

Desenhar não somente é um ato de exercício da criatividade, mas também é comunicar-se, trazer a imagem do vivido, percebido e agora, analisado.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: DERDYK, Edith. Formas de pensar o desenho: desenvolvimento do grafismo infantil / Edith Derdyk. - 3. ed. - São Paulo: Panda Educação, 2020. 160pp. IAVELBERG, Rosa. O desenho cultivado das crianças: prática e formação de educadores/ Rosa Iavelberg. - 3. ed. rev. e atual. - Porto Alegre: Zouk, 2021

ANUÁRIO 2021

Dentro do trabalho com o corpo humano, as crianças do Infantil 5 são convidadas a continuar o processo de comunicação através dos desenhos, porém, agora utilizando critérios e fontes de análise e percepções sobre os indivíduos retratados, enriquecendo seus traços e detalhes de quem ele é.

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O PROCESSO CRIATIVO E A COMUNIDADE ESCOLAR NA SUSTENTABILIDADE Professora: Gabriela Policeno

"Há um tipo de inteligência criadora. Ela inventa o novo e introduz no mundo algo que não existia. Quem inventa não pode ter medo de errar, pois vai se meter em terras desconhecidas, ainda não mapeadas. Há um rompimento com velhas rotinas, o abandono de maneiras de fazer e pensar que a tradição cristaliza. (ALVES, 1995, p. 149-150).

ANUÁRIO 2021

Pensar em aprendizagem criativa é compreender que o aluno passará por um processo de construção partindo da experimentação, o que promoverá e conduzirá o sujeito a situações que apresentarão falhas e acertos e que tudo isso fará parte da construção de um pensamento que cria hipóteses e soluções para situações cotidianas.

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A parceria entre a Faber-Castell e o Colégio Uirapuru proporciona aos alunos a criação de micromundos que promovem um novo olhar ao espaço da sala de aula, que se transforma de acordo com o tema proposto: uma incrível viagem pelo Sistema Solar; um laboratório onde podemos desenvolver novas criaturas; uma viagem para descobrir os mistérios do centro da Terra e uma cidade com ruas pensadas por crianças.

As propostas são desenvolvidas de forma bimestral e contam com um tema para cada um deles, onde os alunos são convidados a ouvir as narrativas que os envolvem e despertam a curiosidade. Durante a construção dos projetos desenvolvemos atividades que propiciam a organização das ideias para que o processo desenvolva-se de maneira efetiva, garantindo a organização do fluxo criativo que auxilia em um resultado prático e que faça sentido para o educando. O desenvolvimento de atividades que proporcionam o estímulo da criatividade e competências socioemocionais é previsto na Base Nacional Comum Curricular e visa o desenvolvimento do cidadão integral. "Os micromundos são ambientes educacionais que estimulam a exploração livre, a colaboração e o desenvolvimento de projetos pessoalmente significativos para os alunos… além de promover a infraestrutura, com mais versatilidade e flexibilidade dos espaços, a Aprendizagem Criativa é focada na troca, na horizontalidade, na participação e interação dos alunos.” (BURD). Micromundo e (é) sustentabilidade


Partindo dos questionamentos inserimos a ideia de sustentabilidade nos projetos e incentivamos a criação de protótipos que solucionassem as problemáticas verbalizadas e, após a construção, os alunos aplicaram a tecnologia de suas invenções a produtos que promovem o uso de fontes de energia alternativa e que podem facilitar a vida cotidiana. Tudo isso possibilita o desenvolvimento do pensamento crítico, com o aluno questionando a realidade, realizando um trabalho com soluções pensadas em equipes , através de diálogos, da empatia e a reflexão sobre os princípios éticos ao usar determinados produtos ou serviços.

ANUÁRIO 2021

Quando as narrativas fazem sentido ao aluno ele consegue envolver a comunidade escolar e os problemas nela inseridos. Para as atividades do "Laboratório de criaturas", por exemplo, as crianças foram divididas em grupos e estimuladas a pensar sobre as características físicas e comportamentais dos animais, observando seus talentos e elaborando uma nova criatura, com capacidades extraordinárias: as barbatanas de um peixe, que inspirou a criação de uma hélice para barcos ou a aerodinâmica dos tubérculos da baleia jubarte, aplicada às tecnologias das usinas eólicas. Quando conversamos sobre a energia eólica muitas perguntas vieram à tona: é possível pensarmos em diferentes formas de energia, como a dos ventos e a solar? A água do mundo pode mesmo acabar? Qual é a capacidade dos recursos naturais renováveis se são explorados de maneira intensiva?

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Não poderíamos deixar um projeto sustentável, com uma visão global, terminar sem uma ação envolvendo toda a comunidade escolar e famílias de nosso colégio. A campanha "Lacre Transforma", que visa arrecadar lacres de latas de metal, nasceu da ideia do consumo consciente e de quanto lixo nós produzimos e não reciclamos. O material foi escolhido devido à sua facilidade de armazenamento e à proporção que ele traz, já que poderá ser trocado por algo maior: o lacre, tão pequeno que parece não fazer diferença, pode transformar-se em algo tão grande? Foi diante desse questionamento que realizamos os estudos sobre o material e a quantidade necessária para realizarmos a troca por uma cadeira de rodas, com intuito de doá-la para uma instituição de saúde de Sorocaba, que já realiza essa coleta. Para que déssemos início a campanha, realizamos uma exposição contendo todos os trabalhos e protótipos construídos pelos alunos do 3º ano. A moeda de troca, que garantiu o acesso dos alunos de outros anos, foi a doação de lacres. Bastava doar para visitar uma feira onde muitos saíram inspirados e puderam contribuir com suas ideias no painel "Uma ideia para mudar o mundo".

ANUÁRIO 2021

E tudo isso começou com uma simples pergunta: Professora, qual é o Micromundo de hoje?

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"Ser criativo não se resume a ter uma ideia legal, muito menos a obter um bom resultado em algo. A criatividade é o processo, é o caminho que percorremos da ideia inicial até os resultados. São os erros e as decisões que tomamos para contornálos, os acertos e seus aprendizados e, acima de tudo, os relacionamentos que desenvolvemos ao longo do percurso." (PENIDO)


DERDYK, Edith. Formas de pensar o desenho: desenvolvimento do grafismo infantil - 3. ed. São Paulo: Panda Educação, 2020. 160pp. IAVELBERG, Rosa. O desenho cultivado das crianças: prática e formação de educadores - 3. ed. rev. e atual. - Porto Alegre: Zouk, 2021

ANUÁRIO 2021

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

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ARTE E MATERIALIDADE Professora:Adriana Pacheco

A arte tem um aspecto material que não pode ser desprezado. Para ser produzida, a obra necessita de suportes e materiais. Em todas as artes, “o artista manuseia e modifica a matéria, para executar seu trabalho, canaliza seus insights para a matéria” (LAURENTIZ, 1988, p. 103). Manipulando a matéria, o artista estabelece uma relação de identificação, já que por meio dela reconhece a problemática do fazer e do transformar matéria em materialidade. O conceito de materialidade engloba o potencial expressivo e a carga informacional dos suportes e materiais. Para Argan

ANUÁRIO 2021

“A MATÉRIA PICTÓRICA NÃO É APENAS O MEIO COM QUE SE EXPLICITAM AS SENSAÇÕES, E SIM UMA SUBSTÂNCIA SENSÍVEL OU IMPRESSIONÁVEL QUE ABSORVE E APROPRIA-SE DA EXTENSÃO E DURAÇÃO DAS SENSAÇÕES” (ARGAN, 1999, P. 542).

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Como linguagem, a arte desenvolve no indivíduo não só a percepção visual como a capacidade de simbolizar e dar significado para as coisas. A arte é uma linguagem que permite criar mundos e realidades diferentes, permitindo, assim, uma ampliação de novos horizontes, estimulando a sensibilidade, promovendo a humanização dos indivíduos.

A arte é uma linguagem, que está presente nas nossas vidas e permeia a todo momento. Ela convida a construir um pensamento, um sentimento, uma reflexão e imaginação. No ano de 2021, trabalhei um repertório muito amplo, que se refere à experimentação da materialidade. Essa mudança foi um processo transformador que iniciou na Educação Infantil na experimentação de materiais , de aromas e texturas e que se intensificaram no Ensino Fundamental, permitindo ao aluno como sujeito autoral em sua obra. Dessa forma, a arte estimula a criação artística e o prazer da descoberta, ela é conteúdo e é forma de conhecimento. A educação estética tem como lugar privilegiado o ensino de Arte, entendendo por educação estética as várias formas de leitura, de fruição que podem ser possibilitadas às crianças, tanto a partir do seu cotidiano como de obras de Arte. Compreender o contexto dos materiais utilizados, nas propostas, das pesquisas dos artistas é poder conceber a Arte não só como um fazer, mas também como uma forma de pensar em e sobre Arte (BARBOSA, 2008, p. 71-72).


No segundo ano, estudamos a artista Tarsila do Amaral e, para entendermos o significado de suas obras, foi necessário um estudo sobre as memórias de vida através da leitura do livro “Encontro com Tarsila”. Para estudar as artes visuais foi necessário ler, observar, analisar, questionar as produções artísticas de Tarsila. Como resultado do trabalho, os alunos produziram uma pintura em tela e usaram materiais plásticos para explorar as formas do trabalho da artista.

ANUÁRIO 2021

Ostrower (2007), afirma que as grandes experimentações surgem no processo artístico nas aulas de arte, oferecendo aos alunos e adota o termo "materialidade", ao invés de matéria, por ser mais abrangente, referindo-se às diversas matérias que são utilizadas nos diversos campos de trabalho, sejam eles artísticos, científicos, tecnológicos ou artesanais.

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Materialidade é "tudo que está sendo formado e transformado pelo homem". "Cada materialidade abrange, de início, certas possibilidades de ação e outras tantas impossibilidades. Se as vemos como limitadoras para o curso criador, devem ser reconhecidas também como orientadoras, pois, dentro das delimitações, através delas, é que surgem sugestões para se prosseguir um trabalho e mesmo para ampliá-las em direções novas. De fato, só na medida em que o homem admita e respeite os determinantes da matéria com que lida como essência de um ser, poderá o seu espírito criar asas e levantar voo, indagar o desconhecido"(OSTROWER)

ANUÁRIO 2021

“A IMAGINAÇÃO CRIATIVA ESTÁ SEMPRE VINCULADA À UMA MATÉRIA, É UM PENSAR ESPECÍFICO SOBRE UM FAZER CONCRETO”. ''A IMAGINAÇÃO NECESSITA IDENTIFICAR-SE COM UMA MATERIALIDADE. CRIARÁ AFINIDADE E EMPATIA COM ELA, NA LINGUAGEM ESPECÍFICA DE CADA FAZER".

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Desvinculada do concreto, diz respeito somente ao sujeito que imagina, não terá ressonância e nem finalidade. "Formar importa em transformar". A matéria, ao ser configurada, será impregnada de um conteúdo expressivo, passará a ser uma forma simbólica, significativa, e tornará possível a comunicação. Assim como o homem, a matéria é histórica, está vinculada a um contexto, que tem suas normas e determinados meios disponíveis.

No terceiro ano, quando trabalhamos com Lygia Clark, observamos a exploração de suportes e materiais, passando da superfície bidimensional do quadro para ganhar a tridimensionalidade do espaço. A proposição da obra de Lygia, permite pensar que é possível romper com as categorias tradicionais das artes plásticas, não são pinturas nem esculturas, são obras que convidam à experimentação, ao toque.


No quinto ano , o trabalho de Arte teve um processo muito forte desenvolvido com o projeto '' World Speakers", a maneira que a pesquisa que relaciona a arte e a "materialidade" possibilitou um outro olhar para a Arte. O trabalho do exercício de apreciação com os alunos estimulou o olhar sobre as obras de arte, aguçando a curiosidade sobre a vida dos artistas, suas esculturas e suas confecções arquitetônicas. Foi perceptível o enriquecimento do saber dos alunos e o quanto contribuiu para a construção de uma nova relação com a arte e a sustentabilidade com o meio ambiente.

No quarto ano, a "materialidade'' se fez presente em vários momentos. Conseguimos entrelaçar a linguagem da Arte e das disciplinas de Língua Portuguesa, Matemática e Biologia. Os alunos se expressaram através dos temas abordados em sala de aula.

ANUÁRIO 2021

Trabalhamos instalações artísticas quando as crianças criaram um carro alegórico trazendo suas memórias, confeccionamos uma cortina de palavras significativas, criamos também microorganismos usando ferramentas no outdraw e depois produzimos em três dimensões.

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"QUANDO ESTAMOS CURIOSOS EM APRENDER ALGO ISSO DESPERTA EM NÓS A VONTADE DO APRENDER, NOS MOTIVA EM SABER MAIS SOBRE TAL ASSUNTO, NOS MOTIVA CONHECER O QUE AINDA NÃO SABEMOS, NÓS ADULTOS SOMOS DESSE JEITO E COM AS CRIANÇAS ESSA CURIOSIDADE É AINDA MAIS AGUÇADA E, DEVE SER TRABALHADA ESSA CURIOSIDADE EM SALA DE AULA PARA DESPERTAR A VONTADE DE APRENDER.” (MOTA, NOVO 2019).

ANUÁRIO 2021

Dessa maneira, as aulas de Arte contemplaram as seis dimensões do conhecimento, que, de forma indissociável e simultânea, caracterizam a singularidade da experiência artística (BRASIL, 2018): a criação, a crítica, a estesia, a expressão, a fruição e a reflexão. Essas dimensões sustentam o processo de ensino e aprendizagem em Arte e levam às crianças a novos conhecimentos e culturas.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: BRASIL, Base Nacional Comum Curricular. Educação é a Base. Brasília / Mec, 2018. BARBOSA, Ana Mae. A imagem no ensino da Arte. São Paulo: Perspectiva, 2008.

ARGAN, Giulio Carlo. Arte Moderna. São Paulo: Companhia Das Letras, 1992. SANTANA, Renata e PRATES, Valquiria. Ligia Clark linhas vivas. São Paulo: Paulinas, 2013. 5ª edição. NOVO, Benigno Núñez e MOTA, Antonio R. Pinheiro. A educação deve despertar a curiosidade. Independently Published, 2021

ANUÁRIO 2021

OSTROWER, Fayga, Criatividade e processos de criação.21º edição Petropólis:Vozes,2007

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CONEXÕES E OCUPAÇÕES Professora: Denise Lopes

Certo dia ocorreu algo inusitado durante a minha aula. Na verdade, foi algo simples e corriqueiro, mas que, ao invés do fato passar despercebido, deixou-me pensativa por alguns dias e provocou-me reflexões relacionadas ao fazer docente e ao ano de 2021, marcado pela retomada das aulas presenciais na maior parte do ano letivo. Pois bem, era uma manhã de sol e lá estava eu, conduzindo um grupo de alunos do 8º ano para o novo prédio do colégio onde usaríamos o Laboratório Maker e todos os seus recursos para realizar mais uma aula de Arte que, no caso, era a confecção de um edifício arquitetônico reaproveitando as caixas de papelão dos novos computadores da escola. No meio da calçada, cruzei com uma senhora que por ali passava. Essa senhora abriu os braços em nossa direção e sorriu, com um sorriso impossível de se esconder, mesmo debaixo da máscara. Ela olhou em minha direção e disse efusiva: “Que saudade dos meus tempos de professora!”. Eu, é claro, correspondi ao seu sorriso e, a minha leitura carinhosa da situação, levou-me a respondê-la:

A senhora também é professora? Foi professora da Educação Infantil? Para minha surpresa, a resposta foi:

ANUÁRIO 2021

Não… Eu fui professora de Arte!

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Mal pude acreditar em tamanha coincidência e, assim, a respondi: Olha só! Eu também sou professora de Arte!


O que aconteceu naquele momento, não consigo descrever. Só sei dizer que nossos olhos se cruzaram em um silêncio que dizia tudo. Uma conexão ali se formou, como se uma soubesse tudo da outra e compreendesse o propósito de estar ali e de viver a arte-educação como um movimento contínuo, um ciclo, eternizado nas marcas que deixamos e nas pessoas que por nós foram passando. Compreendo o saudosismo daquela senhora e me vejo da mesma forma daqui bons anos. Retomo, assim, um pensamento da artista plástica e professora Mirian Celeste em um texto que foi apresentado pela Profa. Maura no início do ano em um momento de formação e reflexão sobre o ensino de arte no colégio.

ANUÁRIO 2021

QUE CADA UM DE NÓS, PROFESSORES, ALIMENTADORES DE TANTAS VIDAS QUE POR NÓS TRAFEGAM, SAIBAMOS CONSTRUIR NOSSO PRÓPRIO CICLO VITAL, COM AMOR E TRABALHO, SOBREVIVENDO ATRAVÉS DAS POTENCIALIDADES DE NOSSOS ALUNOS TRANSFORMADAS POR NÓS EM AÇÕES. E QUE TAMBÉM POSSAMOS ALIMENTAR NOSSAS CABEÇAS COM NOVAS E RENOVADAS IDEIAS… (MARTINS, 1992, P. 21).

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Dessa forma, considero que a melhor maneira de manter e construir o "ciclo vital" em arte-educação é oportunizar encontros e conexões com o objeto da arte, o fazer artístico, o fruir estético e a reflexão sobre os processos vivenciados. Tais ações tornam-se fundamentais para não só desenvolver as potencialidades dos nossos alunos mas, também, para contribuir na construção da expressão pessoal da realidade lida por cada um deles. A alegria do reencontro com as aulas presenciais e a possibilidade de criar projetos artísticos presencialmente com o grupo, utilizando todos os recursos e espaços da escola foram algumas das marcas desse ano letivo e, por conta disso, nomeei todas as experiências e exposições de trabalhos criadas por nossos alunos de "ocupações".

ANUÁRIO 2021

Assim, nessas ocupações, todos tiveram oportunidade e espaço para para que seus repertórios pessoais fossem revelados e lidos, além do desenvolvimento de suas consciências críticas acerca de cada habilidade desenvolvida e cada conteúdo discutido. Afinal, criar em um ambiente favorável e com situações desafiadoras são estímulos geradores potencialmente envolventes e significativos.

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Tais ações se revelaram em projetos das turmas do 8º ano que envolveram o estudo da arte cinética, da arquitetura, presença da arte no espaço urbano, além de reflexões sobre a história da animação, dentre outros projetos. Os alunos do 9º ano tiveram a oportunidade de conhecer e refletir sobre o cenário da arte contemporânea brasileira, das diversas formas de expressão artística, crítica e estética.


No Ensino Médio, as turmas da 1ª série aprofundaram seus estudos e conhecimentos sobre a Arte Brasileira e, as da 2ª série conheceram, refletiram e produziram diversos projetos envolvendo vanguardas artísticas. Para fechar o ano, essas turmas se envolveram no projeto da pintura do muro do pátio da escola para ser apresentado no Sarau, evento que, esse ano, contou com o tema "Esperançar - uma homenagem à educação" e levou os nossos alunos a traduzirem esse tema em poética, com lindas pinturas que, agora, fazem parte da ocupação artística de nossa escola.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC/SEB, 2018. MARTINS. Mirian Celeste. Aprendiz da Arte. Trilhas sensíveis do olhar pensante. São Paulo: Espaço Pedagógico, 1992.

ANUÁRIO 2021

Assim, da mesma forma que aquela senhora se recordou com tanto entusiasmo de seu tempo de professora, ao retomar o ano de 2021, também o faço de maneira orgulhosa, certa dos caminhos percorridos junto de meus alunos e de experiências que marcaram e transformaram, definitivamente, as nossas vidas.

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A FOTOGRAFIA COMO POSSIBILIDADE DE DOCUMENTAÇÃO SINCERA Professora: Lorena Bueno

O FOTÓGRAFO DEVE TRANSMITIR O QUE SEU OLHO VÊ NO MOMENTO DE DISPARAR, É PRECISO ROMPER OS LIMITES DA CÂMERA. [...] CADA UM TEM SUAS LUZES INTERIORES. A FOTOGRAFIA É FEITA COM O PASSADO DE CADA UM, COM SUA IDEOLOGIA. (MORALES, EJARCEGI 2019)

ANUÁRIO 2021

Quando nos deparamos com uma fotografia que foi registrada por nós, a memória daquele fragmento vivido vem juntamente com a reflexão sobre o que estava acontecendo, unindo atributos que caracterizam o registro fotográfico (luz, ângulo + sentimento e afeto).

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E eu me questiono… Qual o valor, o alcance e os limites das fotografias enquanto meios de conhecimento da cena passada? Como podemos empregá-las enquanto instrumentos de pesquisa? Como fazer o registro fotográfico sem invadir o espaço do aluno? Percebo que vivo em uma comunidade de troca constante: eu e vocês. No início das minhas experiências com a fotografia no cotidiano escolar, confesso que a timidez e a pouca intimidade com o registro invadiram

o meu corpo adulto e as fotos foram surgindo apenas com a ação dos alunos: a expressão física em conjunto com as hipóteses formuladas pelos sujeitos de aprendizagem. Por vários dias refleti sobre caracterizar ou não os sujeitos. Cheguei à conclusão de que desmistificar esses corpos era realmente o que precisávamos: não é necessário saber de quem são aquelas mãos, mas sim o que elas estavam investigando.


Quem me conhece sabe o quanto sou questionadora, e uma questão relevante desde 2019 até o presente momento é: qual o ponto de encontro entre nós e a fotografia? Hoje eu respondo: a documentação. Um novo olhar, minucioso, necessário, uma prospectiva, um diagnóstico. Documentar democratiza também o processo de aprender, pois permite a reflexão sobre a própria prática, permite a troca entre todo o corpo docente.

ANUÁRIO 2021

“PODEMOS DESCOBRIR UMA NOVA CONCEPÇÃO DE CRIANÇA, DE INFÂNCIA, DE EDUCAÇÃO E DE ESCOLA E COM ISSO AMPLIAR AS POSSIBILIDADES DE AÇÃO” (VALVERDE E MELLO, 2021, P. 9).

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A documentação pedagógica fotográfica naturalmente conta uma história, serve para nossa reflexão e construção pedagógica. O nosso objetivo é criar uma fonte de informação, buscar elementos para que os próximos passos sejam mais precisos.

ANUÁRIO 2021

Estamos em uma escola onde os corpos estão acordados, vivendo, buscando alternativas para aprender Assim como a fotografia precisa de luz para existir, acredito que é com o outro que eu me contorno. Vejamos uma míni-história:

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Em uma busca de desconstrução do que é bonito e feio trago a minha contribuição a isso: O MUNDO COTIDIANO ESCOLAR É EXTRAORDINÁRIO! Necessitamos de registro para viabilizar as teorias que as crianças formulam. Só o registro, nem bonito, nem feio… mas sincero.


Onde o registro acontece? Por todo o espaço físico da escola, pois é onde o encontro ocorre. Um livro muito especial que levo no bolso é, No chão da escola: por uma infância que voa, de Marcelo Cunha Bueno (2019) e, em uma das suas páginas mágicas, há um trecho que diz: “CRIANÇA PROCURA OS MISTÉRIOS DO MUNDO PARA ENCONTRAR SEU SENTIDO DE SER E ESTAR AQUI!” (P. 120).

"PROCURO UM LUGAR PARA SENTAR, AQUI TEM UMA HISTÓRIA". (CARRIERI, 2020) O modo como eu vivo os fatos nos corredores da escola diz muito sobre o meu olhar para o mundo. Eu vejo poesia e trago isso para os nossos registros, cujos protagonistas, na verdade, são os alunos em união com os professores e auxiliares. Eu só construo memórias.

É isso! É só olhar para frente ou do seu lado esquerdo ou direito ou até mesmo para trás que as hipóteses estão acontecendo, juntamente com a aprendizagem, pego o celular entro na câmera…

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

MORALES, Manuel. e LEJARCEGI, Gorka. Sebastião Salgado: “Foi dito que eu faço estética da miséria. Rídiculo! Eu fotografo meu mundo.” El País, 24 jun. 2019. Disponível em: https://brasil.elpais.com/brasil/2019/05/20/ eps/1558350781_612997.html.Acesso em: 10 mai. 2021. CARRIERI, André. Notas pessoais de um curso: Diálogos, 2020. VALVERDE, Sonia Valverde. MELLO, Suely Amaral. Documentar: Um novo olhar. Campinas: Editores Pedro e João, 2021.

ANUÁRIO 2021

BUENO, Marcelo Cunha. LAGE, João Vitor. MORICONI, Renato. No Chão da escola: por uma infância que voa. Cachoeira Paulista: Editora Passarinho, 2019.

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O CORPO HUMANO E A SUA ORQUESTRA MUSICAL Professor: Rafael Marques

Com o intuito de ampliar a musicalidade de forma natural, leve e objetiva, o trabalho musical desenvolvido no Uirapuru se fez presente a partir da linguagem corporal, expressiva, colaborativa e percussiva através do corpo, quando a partir deste movimento, os alunos passaram a se perceber, tal como a descoberta de um bebê ao se ver em um espelho.

ANUÁRIO 2021

Entende-se que o ensino musical é amplo, técnico e bastante complexo, assim como o processo de alfabetização, que por sua vez tem várias etapas a serem respeitadas até a sua maturação.

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A partir deste raciocínio, o ensino da música toma corpo, pelo simples fato de se respeitar as diversas etapas, priorizando o sentir antes de mais nada. Sentir, ouvir, expressar, reproduzir e por fim a alfabetização musical.

Com isso, os alunos se destacam musicalmente porque independente de instrumentos concretos, percebem o corpo como principal reprodutor de diversas sonoridades, o que se torna abrangente e uma chave para a transposição do corpo para o efetivo instrumento musical. Já dizia Ludwig Beethoven: "A MÚSICA É CAPAZ DE REPRODUZIR, EM SUA FORMA REAL, A DOR QUE DILACERA A ALMA E O SORRISO QUE INEBRIA". Uma das atividades que mais instiga as crianças é quando percebem que dentro de cada um deles há uma "orquestra musical". Essa é, para mim, uma grande ferramenta de aprendizagem lógica dos movimentos harmônicos do corpo humano. Estima-se que o corpo humano tenha aproximadamente 80 órgãos, cada um com sua função e tal importância, número que se aproxima ao de uma orquestra sinfônica, que integra aproximadamente 80 músicos. Cada qual com a sua função e devida importância.


E NO CORPO HUMANO? A QUE ÓRGÃO SE COMPARA? O CORAÇÃO! A orquestra desenvolve um trabalho harmônico sendo dividida em quatro naipes: Percussão, Metais (Trompas, Trompetes, Trombone, Tuba), Madeiras (Clarinetes, Flautas, Fagotes, Oboés) e Cordas (Violino, Viola, Cello, Contrabaixo), totalizando 12 divisões de instrumentos, salvo quando há piano e harpa no arranjo interpretado. Curiosamente, os sistemas do corpo humano são constituídos por órgãos que, juntos, realizam funções essenciais para a manutenção da vida. Os sistemas se dividem em: respiratório, circulatório, muscular, nervoso, digestório, sensorial, endócrino, excretor, urinário, esquelético, reprodutor, imunológico e tegumentar, chegando a um número bastante aproximado aos instrumentos da orquestra. Até o momento, as comparações foram baseadas em curiosas coincidências, mas e a escuta e os sons reproduzidos pelo corpo humano? Você já parou para perceber as diferentes sonoridades que o seu corpo reproduz? Aí está algo que difere totalmente do ato de perceber os sons! O escutar é diferente do ouvir! Quando em uma aula de música se trabalha a percepção auditiva, os alunos são estimulados à escuta ativa, aquela que se registra, que se percebe. Diferente

do ato de ouvir, que é indiferente ao registro e suas percepções. O corpo humano reproduz sons curtos e longos, fortes e fracos e com uma infinidade de timbres. Coloque seu ouvido na barriga de uma outra pessoa e observe! O que você escuta? Pare e perceba o movimento harmônico dos nossos órgãos, seus sons graves, agudos, fortes e fracos, curtos e longos. É uma verdadeira orquestra! Mas de nada adiantariam todos os magníficos instrumentos da orquestra se não existissem os músicos que, com vasta habilidade, conduzem seus instrumentos, esses que alimentam os três elementos básicos musicais: ritmo, melodia e harmonia. Tal como a corrente sanguínea, fluído vital do corpo humano, capaz de transportar nutrientes essenciais, como oxigênio, hormônios e anticorpos aos mais remotos tecidos e órgãos do organismo. Segundo Aldous Huxley, "o que mais se aproxima de expressar o inexprimível é a música". Por sua vez, a música em seu conjunto rítmico, harmônico e melódico se faz como a arte de se viver!

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: CAIUSCA, Alana. https://www.educamaisbrasil. com.br/enem/biologia/orgaos-do-corpohumano BEETHOVEN, Ludwing. https://www.pensador. com/frase/MzA3NTU/ HUXLEY, Aldous. https://www.pensador.com/ frase/NDI5/

ANUÁRIO 2021

Uma outra comparação é a percussão. Em uma orquestra, esse naipe é responsável pelo ritmo e a pulsação da obra executada.

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ODE À CI ANUÁRIO 2021

A INVESTIGAÇÃO EM CENA

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IÊNCIA O uso dos diferentes espaços - laboratórios de Física, Química e Biologia, o Quintal, o Espaço Eco, a Biblioteca, o parque, a praça e a própria sala de aula -, com intencionalidade científica, permite desenvolver a observação, o levantamento de hipóteses, o estudo das teorias já consolidadas, a construção de novos conhecimentos.

ANUÁRIO 2021

Pensar em Ciência nos remete ao ensino, à aprendizagem por investigação, que tem como premissa o pensamento científico, o pensamento complexo. Para nós, ecoa como aulas que, por premissa, são acompanhadas de um ambiente estimulante, alegre e cheio de possibilidades pautadas no método científico.

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A CIÊNCIA COMO UMA VELA NO ESCURO: UM OLHAR TRANSVERSAL SOBRE O CONHECIMENTO.

ANUÁRIO 2021

Professor: Eric Bernardo

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Pensar no mundo em que vivemos, sem passar pelo crivo científico, será uma tarefa árdua: os recentes avanços para a tecnologia 5G e o desenvolvimento de computadores com velocidade de processamento inimagináveis, os chamados computadores quânticos, evidenciam que as fronteiras tecnológicas estão em franca expansão. A chamada inteligência artificial também domina o cenário social: as séries e os vídeos recomendados, e mesmo as palavras "sugeridas" à medida que este texto é escrito, são sintomas do uso de algoritmos que "pensam" e integram lógicas causais complexas para tornar o cotidiano mais fácil. Fica claro que, apesar do uso da tecnologia ser diferente em cada aplicação, temos um fio condutor, uma metodologia que propiciou o desenvolvimento de tais ferramentas: a metodologia científica. Desavisadamente, poderíamos partir da seguinte premissa: se a sociedade caminha para um amplo

uso da tecnologia, ela está mais "científica", mais "racional". A sociedade, ao consumir mais mercadorias advindas da aplicação do método científico, está, estruturalmente, mais científica. Esta hipótese é embasada empiricamente? Segundo pesquisa, aproximadamente 7% dos brasileiros acreditam no formato plano da Terra, e o Brasil estaria cotado para sediar um evento que tratasse o tema. Outros dados revelam que o sarampo, doença até então erradicada no Brasil, volta a aparecer em alguns estados. A hesitação em relação à vacinação, apontada como um dos fatores responsáveis pelo retorno dessas doenças, também poderia ser um fator para explicar o lento avanço no combate à pandemia da Covid-19 em diversos países. A circulação de notícias falaciosas e não científicas, relacionadas a pandemia, foi feita via redes sociais: de cada 100 notícias falsas veiculadas, 76


Carl Sagan, importante físico estadunidense, em seu livro "O mundo assombrado pelos demônios: a Ciência vista como uma vela no escuro”, nos fornece um cenário distópico e preciso: MINHA PREOCUPAÇÃO É QUE, ESPECIALMENTE COM A PROXIMIDADE DO FIM DO MILÊNIO, A PSEUDOCIÊNCIA E A SUPERSTIÇÃO PARECERÃO MAIS SEDUTORAS A CADA NOVO ANO, O CANTO DE SEREIA DO IRRACIONAL MAIS SONORO E ATRAENTE. ONDE O ESCUTAMOS ANTES? SEMPRE QUE NOSSOS PRECONCEITOS ÉTNICOS OU NACIONAIS SÃO DESPERTADOS, NOS TEMPOS DE ESCASSEZ, EM MEIO A DESAFIOS DE AUTOESTIMA OU CORAGEM NACIONAL, QUANDO SOFREMOS COM NOSSO DIMINUTO LUGAR E FINALIDADE NO COSMOS, OU QUANDO O FANATISMO FERVE AO NOSSO REDOR – ENTÃO, HÁBITOS DE PENSAMENTO CONHECIDOS DE ERAS PASSADAS PROCURAM SE APODERAR DOS CONTROLES./ A CHAMA DA VELA ESCORRE. SEU PEQUENO LAGO DE LUZ TRÊMULA. A ESCURIDÃO SE AVOLUMA. OS DEMÔNIOS COMEÇAM A SE AGITAR (SAGAN, 2006)

Sagan explicita o paradoxo de nosso tempo: o aumento da circulação de informação, da velocidade do digital, do "acesso" ao conhecimento em si, não implica em uma racionalidade estrutural; e sua transformação em mercadoria, operando em lógicas de mercado e de depósito bancário, retroalimenta as "pseudociências" e a retórica do saber nãocientífico. Onde nós, enquanto instituição escolar, estamos neste complexo sistema?

ANUÁRIO 2021

foram feitas via WhatsApp, sendo que de cada 100 brasileiros, 95 utilizam esta rede todos os dias. A sociedade, ao consumir mais mercadorias advindas da aplicação do método científico, está, estruturalmente, mais científica?

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A escola enquanto espaço científico: qual o nosso papel?

ANUÁRIO 2021

A Base Nacional Comum Curricular, (BRASIL, 2018) documento oficial do Ministério da Educação, garante, via aspectos regidos pela Constituição Brasileira, as diretrizes nacionais para a educação em todos seus segmentos. A Base é pautada na metodologia científica, com propostas pedagógicas norteadas pelo método, nas mais diversas áreas do conhecimento. Nesta análise, da Ciência enquanto método, o Colégio conta com uma Assessoria na área de Ciências Naturais, para que a estruturação do pensamento científico ao longo dos segmentos possa ocorrer de maneira coesa e contínua. A proposta, então, é polivalente: analisar, no prisma de cada segmento, o pensar científico para além da disciplina curricular básica e estruturar uma linha de ação em todo o processo de ensino, desde a Educação Infantil até o fechamento no Ensino Médio.

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Na práxis, a assessoria tem se desenvolvido em três eixos: formação contínua de professores, revisão de materiais didáticos produzidos pelas equipes docentes e uso de espaços pedagógicos para a prática científica. Ao longo deste primeiro ano de assessoria, foram feitos vários cursos de formação docente, encontros entre especialistas de várias áreas para o aprimoramento e constante atualização pedagógica dos professores, onde o enfoque era revisitar nossas práticas e compreender que a lógica científica deve ser inerente ao nosso ambiente, e não escrita apenas em termos de competências de habilidades. O material didático também foi reestruturado, e o leitor poderá encontrar neste anuário a

dinâmica de produção deste material no Ensino Fundamental e como essa produção também está sendo desenvolvida em diversos segmentos. O uso de espaços com intencionalidade científica também é pensado: laboratórios, práticas em cultura Maker, robótica, dentre outros, são constantemente revisitados para que possamos desenvolver o método a partir do seu primeiro passo, a observação de fenômenos. Abaixo, são detalhadas as práticas feitas dentro de cada segmento.


Ensino Infantil: um espaço para a observação lúdica.

ANUÁRIO 2021

Dada a especificidade dos primeiros anos da educação básica, a assessoria procurou a formação docente como ferramenta para promover o desenvolvimento contínuo das professoras, estruturando a metodologia científica, enquanto prática, e fornecendo subsídios para sua aplicação lúdica dentro das salas de aula. Exemplos de aplicação não faltam: tivemos o projeto “Sob o mesmo Céu” onde as crianças do Infantil 5 puderem realizar observações noturnas de estrelas e constelações, utilizaram a tecnologia de aplicativos para desvendar as formas da noite e discutiram em sala de aula como o movimento Terra-SolLua afeta tais observações. Elas também tiveram a oportunidade de trocar experiências com crianças do Peru, pois todo o trabalho foi feito em parceria com o Colégio Aleph, propiciando um rico debate cultural. Os horizontes para a Educação Infantil são promissores: a aplicação da observação de fenômenos de maneira lúdica, ativa e científica.

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Ensino Fundamental I: um espaço para a experimentação.

ANUÁRIO 2021

À medida que os educandos vão progredindo no ambiente escolar, com o processo de alfabetização e a construção de um vocabulário científico mais sólido, a assessoria focou em formações pedagógicas mais específicas para esta faixa etária: o uso de simuladores para laboratórios virtuais e experimentações em telas foi um dos focos, e como tais ferramentas podem ser utilizadas de maneira científica e viva. Além do aspecto virtual, também realizamos projetos em Cultura Maker, como a construção de aeromodelos planadores, onde os alunos foram estimulados a pensar como engenheiros, levantando hipóteses e validandoas na prática: por que um dado planador não conseguiu planar? Seria um problema da asa? Da interação com o vento? A práxis científica foi vivenciada e debatida pelos alunos. Para os próximos passos, a construção de mais projetos no espaço Maker, nos laboratórios e, até mesmo, no Quintal, fazem parte do horizonte da assessoria no segmento.

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Ensino Fundamental II: um espaço para a criação de projetos.

ANUÁRIO 2021

Nesta etapa, contamos com o amadurecimento dos educandos, tanto na parte pessoal quanto na esfera acadêmica. Assim, o enfoque da assessoria foi no embasamento teórico para a construção da disciplina de projetos e também na discussão do novo material de Ciências, feito de maneira autoral pelos docentes do Colégio. Na disciplina de Projetos, houve debates transversais sobre a atuação dos alunos em projetos dos mais diversos escopos, trabalhando desde cidades inteligentes e economia verde até saúde mental no ambiente escolar e criação de novas eletivas pensadas e feitas pelos alunos. A discussão dos projetos entre os pares acadêmicos e a aplicação projetos para outros alunos e professores, tornou científica e viva as experiências propostas. As perspectivas para o próximo ano são igualmente desafiadoras: com um horizonte mais ameno para a pandemia, repensar as práticas de projetos para além dos muros da escola, reavaliando o contexto comunitário em que vivemos, de maneira científica e empírica.

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Ensino médio: um espaço para a consolidação científica e cidadã.

ANUÁRIO 2021

No Ensino Médio da Educação Básica, o enfoque dado foi no constante aprimoramento dos currículos dos itinerários formativos, e na construção de aulas de ciências pautadas no debate de conceitos e no uso de simuladores. Após um ano pandêmico, onde a tecnologia teve um papel duplo, de um lado possibilitando uma maneira de ensinar, e de outro, mecanizando as relações, a assessoria propôs um retorno com o uso de simuladores e pequenas práticas experimentais feitas em sala de aula. Nos itinerários formativos realizamos, propostas de transdisciplinaridade entre as áreas do conhecimento e práticas em laboratório ou no espaço Maker. Para o próximo ano, já está em construção um currículo científico com práticas periódicas em laboratórios, integrando a metodologia científica para além do vestibular, projetos de iniciação científica júnior e iniciativas que envolvam os alunos como fomentadores da pesquisa e divulgação científica.

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Horizontes científicos: devemos lutar por uma sociedade mais científica e democrática? Deve-se ressaltar que todas as ações descritas são coletivas, e passam por constantes reformulações. Tal como o próprio método científico, é esperado que haja uma contínua refutação e validação de práticas, tornando o espaço escolar científico, crítico e plural. Este debate pautado em referenciais e em métodos formará um espaço de resistência científica, de combate intermitente às pseudociências, às fake news e à retórica não científica de maneira geral. Pensar o ensino de Ciências é, portanto, um horizonte tangível para mudanças: não apenas no campo de desenvolvimento tecnológico, mas também, no campo de vista democrático. A Assessoria em Ciências visa, portanto, um pensamento sistêmico: entender a Ciência não apenas como disciplina obrigatória, mas enquanto método, e de que forma cada segmento educacional se estruturar dadas as suas peculiaridades. Dialogar com os educandos de forma a criar espaços de discussões científicas, partindo da observação, hipóteses e construção de campos teóricos, repercute em uma sociedade onde não há mais apenas o consumo de ciência enquanto mercadoria, mas há a construção de um cidadão com repertório crítico e argumentativo: há a possibilidade real de um horizonte mais democrático e científico.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: https://istoe.com.br/para-milhoes-de-brasileiros-a-terra-e-plana/ (Acesso em: 14/10/2021). https://emais.estadao.com.br/noticias/comportamento,primeira-convencao-brasileira-sobre-terraplanismoocorre-em-novembro,70003019443 (Acesso em: 14/10/2021). http://www.enf.ufmg.br/index.php/noticias/1590-a-volta-do-sarampo-por-que-as-taxas-de-vacinacaodiminuiram (Acesso em: 14/10/2021). https://www.thelancet.com/action/showPdf?pii=S0140-6736%2821%2900443-8

https://portal.fiocruz.br/noticia/pesquisa-revela-dados-sobre-fake-news-relacionadas-covid-19 . (Acesso em: 14/10/2021). https://canaltech.com.br/apps/95-porcento-dos-brasileiros-que-usam-o-whatsapp-abrem-o-app-todos-osdias-171055/ (Acesso em: 14/10/2021). http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf (Acesso em: 14/10/2021). SAGAN, Carl. O mundo assombrado pelos demônios. São Paulo: Companhia de Bolso, 2006.

ANUÁRIO 2021

https://media.nature.com/original/magazine-assets/d41586-021-01084-x/d41586-021-01084-x.pdf

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A IMPORTÂNCIA DA EXPERIMENTA(AÇÃO)

ANUÁRIO 2021

Professora: Fernanda Slonik

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A experimentação proporciona o desenvolvimento na criança da importância de refletir de forma científica, ampliando a leitura de mundo e estimulando habilidades tais como observação, levantamento de hipóteses, obtenção e organização de dados, reflexão e discussão.

Partindo dessa premissa, desenvolvemos o tema fotossíntese com a seguinte pergunta disparadora: "As plantas precisam de luz?". Seguimos com uma roda de conversa em que as crianças puderam explanar seus conhecimentos prévios sobre o assunto, aguçando ainda mais a escuta ativa e a reflexão.

"É POSSÍVEL PRODUZIR CONHECIMENTO A PARTIR DE AÇÕES E NÃO APENAS ATRAVÉS DE AULAS EXPOSITIVAS, TORNANDO O ALUNO O SUJEITO DA APRENDIZAGEM" (VIVIANI; COSTA, 2010, P. 50-51).

Propusemos então, um estudo de campo no Espaço Eco Uirapuru no qual os alunos realizaram uma trilha observando as plantas e as partes que as constituem e iniciaram o levantamento de hipóteses. Retornamos para sala de aula com ideias borbulhantes e discussões potentes permeadas por observação e conhecimentos prévios.

Nessa perspectiva as atividades experimentais auxiliam o educando a desempenhar um papel ativo na construção do próprio aprendizado e se evidencia uma potente ferramenta ao professor possibilitando constatar e problematizar o conhecimento prévio de seus alunos, estimular a pesquisa, a investigação e a busca da solução de problemas. A postura experimental permite a exploração do novo e a incerteza de se alcançar os resultados esperados da pesquisa, além da ideia de tornar o aluno o sujeito da ação (FRACALANZA et al., 1986 apud RONQUI, 2009).


Seguimos para o Quintal Uirapuru, onde convidamos os alunos a realizarem um experimento e verificarem se realmente a planta precisa de luz para sobreviver. Para essa ação disponibilizamos a cada aluno um copo plástico, uma bolinha de algodão, 3 grãos de feijão e um pouco de água, em seguida o biólogo Vinicius ensinou os processos para o plantio. Ao finalizarem o plantio do feijão, as crianças levaram para casa uma ficha de observação e o copo plástico com o feijão plantado e diariamente descreveram suas observações por meio da escrita e do desenho. Após uma semana de observação e registro do experimento, as crianças retornaram com a ficha de observação para sala de aula e compartilharam suas observações e desenvolvimento do feijão em uma roda de conversa. Alguns alunos relataram que o feijão não nasceu e não se desenvolveu, ou demorou para esse processo ocorrer, com isso, a professora realizou alguns questionamentos tais como "Qual a quantidade de água que você colocou?", "Seu feijão ficou em um lugar iluminado?", entre outros questionamentos em que os alunos refletiram e constataram que para o feijão nascer e se desenvolver era necessário adicionar pouca água diariamente e localizar o copo com o plantio em um lugar com iluminação solar ou artificial.

Para essa ação contamos novamente com ajuda do biólogo Vinícius que nos cedeu uma planta média em um vaso e também utilizamos folha de papel alumínio. Cobrimos quatro folhas com papel alumínio e a cada semana retiramos o papel alumínio de uma folha para observarmos e verificarmos o que acontece com a folha na ausência de luz.

ANUÁRIO 2021

Com toda essa reflexão, lançamos então outra pergunta disparadora, "Por que as plantas precisam de Sol para sobreviver?". A partir desse questionamento, realizamos uma roda de conversa para explanar os conhecimentos prévios dos alunos e em seguida propusemos outro experimento.

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ANUÁRIO 2021

Após cobrir as folhas com papel alumínio, construímos um cartaz e dividimos em três partes, na primeira parte os alunos desenharam como a folha estava antes de cobrirmos com papel alumínio, na segunda parte os alunos escreveram, em post it, suas hipóteses do que ocorreria com a folha coberta e depois de uma semana, ao abrirmos a primeira folha coberta, os alunos observaram o que ocorreu com a folha, realizaram um desenho de como ela ficou e colocaram na terceira parte.

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Novamente realizamos uma roda de conversa para verificação das hipóteses levantadas anteriormente e suas reflexões acerca do assunto trabalhado. O experimento durou 4 semanas. Ao final do experimento os alunos constataram que a planta necessita do Sol para sobreviver, pois ele é um dos elementos necessários para realização da fotossíntese. Exibimos um vídeo lúdico e explicativo sobre o processo, a fim de constatar que a planta fabrica seu próprio alimento. As atividades experimentais contribuíram para o aprendizado dos alunos de forma significativa e prazerosa aliando a teoria à prática. Os alunos demonstraram a compreensão do assunto explanado e realizaram relações com o cotidiano, aguçando ainda mais o pensamento criativo e investigador dos alunos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: VIVIANI, Daniela; COSTA, Arlindo. Práticas de Ensino de Ciências Biológicas. Centro Universitário Leonardo da Vinci – Indaial, Grupo UNIASSELVI, 2010.Acesso em 05/11/2021 https://www.revistaea.org/artigo. php?idartigo=1754 RONQUI, Ludimilla; SOUZA, Marco Rodrigo de; FREITAS, Fernando Jorge Coreia de. A importância das atividades práticas na área de biologia. Revista científica da Faculdade de Ciências Biomédicas de Cacoal – FACIMED. 2009. Cacoal – RO.

ANUÁRIO 2021

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OLHARES CONECTADOS COM A NATUREZA Professoras:Dalva Meniconi e Mônica Marques

As crianças têm o prazer de rabiscar, gesticular, de se afirmar. Quando o lápis escorrega no papel, as linhas surgem através delas e se investe na magia que vem carregada de significados, podendo oferecer uma infinidade de combinações possíveis na materialização do desenho, uma vez que são registros gráficos fundamentais para representar formas que nos rodeiam com ideias, criando uma linguagem que vai além das palavras.

ANUÁRIO 2021

Acreditamos nas crianças como protagonistas, respeitando a individualidade, autonomia, diversidade e segurança, criando espaços de ideais, em que se combinam elementos de sensibilização e de indagação, que mostram o desenvolvimento da linguagem da linha, possibilitando procurar, explorar, observar, desenhar e combinar, utilizando materiais diversificados oferecidos nos ambientes.

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Pensando na linha como linguagem no mundo natural e social, partimos da ideia de investigar ambientes do Colégio que se conectam com a natureza, oferecendo a oportunidade de observar e notar que elas estão em todas as partes, de múltiplas formas e entrelaçadas com outras linguagens. Assim começamos a organizar novas experiências, partindo de um ambiente já familiarizado pelas crianças, Espaço Eco, espaço esse em que as crianças identificam como uma floresta ao seu alcance, aproximando-as do imaginário. Para promover esse processo organizamos um momento em roda para o entrelaçamento de vozes e conhecimentos prévios sobre FLORESTA, levando as crianças a fazerem linhas no contexto natural. “FLORESTA É UM LUGAR QUE TEM OXIGÊNIO, PARA AS PESSOAS RESPIRAREM”, CLARISSA, 5 ANOS. “FLORESTA É UM LUGAR DOS ANIMAIS E DAS PLANTAS”, BENTO, 5 ANOS. “É UM LUGAR ONDE AS PLANTINHAS NASCEM E CRESCEM”, ATENA, 5 ANOS.

ANUÁRIO 2021

“CASINHA DOS BICHOS”, EDUARDO, 5 ANOS.

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ANUÁRIO 2021

Assim, a primeira abordagem foi a construção do mapa mental, em que as crianças realizaram um relato gráfico, uma experiência particular, que permitiu deixar sua marca, seus saberes, suas observações com intencionalidade, como também a criatividade e a imaginação.

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Uma das formas de proporcionar essa experiência de investigação, após a elaboração do mapa mental, foi a vivência com uma cuidadosa seleção de materiais de referência, na qual as ideias se concentravam em torno do tema floresta (livros, fotografias, elementos naturais, folhas, gravetos, pinhas, pedras, raízes e tocos), caixinha de som com áudio de floresta (sons de animais, vento, rios...). Com uma intencionalidade pedagógica, esse momento permitiu que as crianças validassem alguns de seus conhecimentos sobre floresta, uma vez que essa observação promoveu uma coleta de dados, possibilitando a interação com o entorno de obter informações sobre o que veem, ouvem, tocam e assim discutem sobre suas ideias e compartilhassem informações que se transformaram em fonte de inspiração para novas investigações. "FLORESTAS AJUDAM NA SOBREVIVÊNCIA DAS PESSOAS”, MAURÍCIO, 5 ANOS. “DEIXAM O AR LIMPO E PURO”, MARIA CLARA, 5 ANOS. “EXISTEM DIVERSOS TIPOS DE PLANTAS, SENSÍVEIS, COM ESPINHOS, QUE FICAM PENDURADAS, FOLHAS COMPRIDAS E CURTAS”, SOPHIE, 5 ANOS.

ANUÁRIO 2021

“É A CASA DOS ÍNDIOS”, BENTO, 5 ANOS.

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Para dar forma às suas ideias, desenhá-las e construí-las, utilizaram alguns materiais e ferramentas (tecido cru, folha de sulfite e canetas pretas). Em pequenos grupos, as crianças perceberam em seus desenhos diferentes modos de construí-los, ampliálos, mudá-los ou encaixá-los por meio de ajustes gráficos, com intencionalidade, partindo de uma prática de observação. Essa vivência permitiu ao grupo a possibilidade de ver as produções dos seus colegas, observá-las, compará-las e usá-las como fonte de informação. Então, nos sentamos novamente em roda para conversarmos sobre o caminhar da nossa investigação e foram lançadas algumas perguntas para instigar novas reflexões. “Vocês já visitaram ou conhecem alguma floresta? O que observaram nesse espaço?” “JÁ VISITEI, TINHA PLANTAS, MAS NÃO TINHA BICHOS”, BENTO, 5 ANOS. “EU PASSEI POR UMA TRILHA, CHEIA DE PLANTAS”, ATENA, 5 ANOS. “JÁ VI NA FLORESTA ESQUILO, COELHO E ÁRVORES”, MARIA CLARA, 5 ANOS.

ANUÁRIO 2021

“NA FLORESTA TEM MUITA TERRA, ÁRVORES E PASSARINHOS”, GABRIELA, 5 ANOS.

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“AQUI PERTO DO COLÉGIO TEM UMA FLORESTA, É SÓ ATRAVESSAR A RUA!" GUILHERME FRANCO, 5 ANOS. “É MESMO, PERTO DO CAMPO E LÁ TEM ARANHAS E PEDRAS”, JOÃO PEDRO, 5 ANOS. “ACHO QUE NA PRAÇA TEM UMA FLORESTA”, MAURÍCIO, 5 ANOS. “NO QUINTAL TAMBÉM TEM BICHOS, GRAMA E PLANTAS” ISABELLA, 5 ANOS.

As crianças compartilharam as recordações de suas vivências, refletiram sobre as diferentes percepções de floresta e de seus conhecimentos, assim despertaram interesse em explorar os espaços do colégio. Partindo das observações, para complementar as hipóteses das crianças sobre lugares que parecem florestas, convidamos para a Praça do Colégio, espaço esse de uso comum, onde as crianças interagem com a natureza observando seus elementos como uma via de desenvolvimento da linguagem da linha, ao caminhar pelos arbustos, observar as plantas e suas cores, sentir o cheiro das flores, o movimento do ar, as texturas das árvores, a temperatura da terra, o formato dos gravetos, das semente e das folhas. Para esse momento de observação, investigação e expressão das descobertas, preparamos um ambiente que provoca a curiosidade nas crianças, as formas, o desenho e o tamanho, assim, disponibilizamos materiais como: folhas brancas A3, estojo de aquarela e pincéis.


As crianças foram instigadas a olharem para a natureza cotidiana de maneira mais analítica, observando detalhes das cores e de suas nuances, como relata Guilherme, 5 anos: “Verde, rosa, vermelho, marrom, roxo as cores do jardim”. As texturas e as formas dos galhos e folhas também foram percebidas pelas crianças, fazendo-as perceber que existem espécies que as diferencia, como relatado por Isabella, 5 anos “Existem muitos tipos de árvores e plantas”, por Lucas, 5 anos “Galhos compridos e cheio de folhas verdinhas”.

ANUÁRIO 2021

O caminhar pela trilha do jardim favoreceu às crianças a possibilidade de sentir o cheiro das flores e plantas e observar nas árvores o movimento do ar, como relata Daniel, 5 anos, “Árvore balançando com o vento”.

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No transcorrer dos dias da investigação sobre floresta, foi realizada uma nova trilha no espaço Eco com a orientação do biólogo Vinicius Biazatti. Esse encontro propiciou às crianças uma nova conexão com a natureza. Em que tinham o propósito de investigar e observar as transformações da natureza. As ferramentas para experimentar a linha no papel agora, eram pranchetas com papéis A4 e canetas para registrarem suas observações. Então convidamos a todos para realizar a trilha e no caminho lançamos alguns questionamentos para instigar novas reflexão sobre esse espaço. “Hoje ao observar a “floresta” vocês percebem algo diferente de alguns meses atrás?” O que observam de diferente?” “Como aconteceu a transformação da natureza?”

ANUÁRIO 2021

No decorrer da trilha perceberam que a floresta já não era a mesma do início do ano, agora entre os meses de julho e agosto estava bem diferente, a cada parada, a cada descoberta detectamos a presença da linha em seus desenhos, uma vez que estavam carregados de significados e intencionalidades, em descrever por meio da linha gráfica todas as suas interpretações sobre o espaço.

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Ao final da trilha sentamos em roda embaixo das árvores para compartilharem suas observações e comunicar suas ideias, seus pensamentos através das marcas gráficas (desenhos), que representavam o que descobriram, criando uma linguagem com as linhas. As crianças relataram algumas percepções da floresta como: “Muitas folhas caídas no chão”, “Árvores com as folhas amareladas e acinzentadas”, “Está cheia de galhos”, “A cor da floresta está verde clara e marrom”, “Hoje conseguimos ver um ninho e uma colmeia no topo das árvores”. Outro assunto que refletimos nessa roda foi “Como aconteceu a transformação da natureza?” e as crianças relataram suas hipóteses sobre esses acontecimentos. “AS PESSOAS ESTÃO CORTANDO MUITAS ÁRVORES E A FLORESTA ESTÁ MORRENDO”, BENTO, 5 ANOS. “O SOL QUEIMOU TODAS AS FOLHAS, AS ÁRVORES E TUDO FICOU SECO”, RAFAELA, 5 ANOS. “FOI A ÁGUA DA CHUVA, ELA HIDRATA, MAS COM MUITA ÁGUA AS PLANTAS MORREM”, PEDRO MANDARO, 5 ANOS.

“FOI A QUEIMADA QUE SECOU AS PLANTAS”, JULIA, 5 ANOS.

ANUÁRIO 2021

“O VENTO FORTE É QUE ARRANCOU TODAS AS FOLHAS E JOGOU NO CHÃO”, ISABELLA, 5 ANOS.

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Nesse momento o tio Vinicius, após escutar todos os depoimentos, contribuiu com alguns conhecimentos sobre as transformações das florestas em relação às estações do ano. Após duas semanas, convidamos as crianças para retornar ao espaço Eco, com a intenção de observar a natureza de perspectivas diferentes.

ANUÁRIO 2021

As crianças foram organizadas em grupos e dirigidas a pontos estratégicos para realizar a experiência de observar e relatar através de suas marcas gráficas (desenhos) a floresta como se fossem animais que observam as plantas da perspectiva térrea “formiguinhas” e aérea “pássaros”. Essa proposta teve a intensão de organizar esse espaço físico para desenhar, a fim de promover situações espaciais e corporais: desenhar em pé, sentado, deitado, gerando assim consequências e posturas distintas da relação da criança com a mão, os olhos, os sentidos, o instrumento, o suporte e o espaço. O desenhar deitado possibilitou às crianças criarem desenhos mais intimistas e confidenciais. O desenhar em pé possibilitou uma amplitude gestual, uma amplitude do olhar diferente da proporcionada pelo desenhar no chão.

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As crianças traçaram, desenharam linhas que tornaram diversas formas, ora combinando ou não uma com as outras, percebendo e interpretando que aqueles desenhos no papel partiram delas, por algo que não foram lhes dados, mas criado por elas mesmas.


Nessa visita ao espaço Eco, os cheiros e sons, não passaram despercebidos pelas crianças, como relatado por Pedro Calvilho, 5 anos “O som dos passarinhos parece música.”, Daniel, 5 anos “A água tem um som forte e alto.” e Maria Clara, 5 anos “Fuuu faz o vento nas folhas.” Para não deixar os pensamentos se perderem, um novo território foi preparado com uma intenção provocativa para conhecer uma nova tinta, o nanquim e com ferramentas (pincéis) em diversos tamanhos e espessuras. Essa exploração instigou as crianças a observarem a intervenção do nanquim no papel ao traçar as linhas. A experiência de usar um novo material propiciou o desenvolvimento de novas habilidades gráficas, em que as crianças tiveram que pensar, explorar e experimentar estratégias para o uso deste material e instrumentos. Assim, as linhas como linguagem ganharam novos traçados ao expressarem seus pensamentos.

Surgiu então uma nova questão: "Será que todas as florestas são iguais?", em roda as crianças compartilharam suas ideias aos amigos. “TEM A SAVANA NA SELVA”, ATENA, 5 ANOS. “TEM FLORESTA NO MEU CONDOMÍNIO, MAS FICA FECHADA POR GRANDES", JÚLIA, 5 ANOS. “EU SEI QUE TEM ALGUMAS QUE OS CASTORES CORTAM AS ÁRVORES E REPRESAM AS ÁGUAS”, JOÃO PEDRO, 5 ANOS. “EXISTE FLORESTA QUE TEM CACHOEIRA”, THEO, 5 ANOS. “TEM OS BOSQUES ONDE VIVEM OS BICHINHOS E TÊM CASAS ABANDONADAS”, MAURICIO, 5 ANOS. “TEM FLORESTA ONDE OS LENHADORES MORAM E PLANTAM ÁRVORES PARA CORTAR E FAZER COISAS COM A MADEIRA COMO: LENHA, LÁPIS E BANCO”, EDUARDO, 5 ANOS.

ANUÁRIO 2021

Dubovik, (2020, p. 30) destaca que esses momentos são conceitos de jogos gráficos que se constituem como uma prática de observação com intencionalidade em que a criança pode perceber em seus diferentes modos de construí-los, de ampliá-los, de diagramá-los, de torná-los mais complexos, de mudá-los por meio de ajustes gráficos, construindo, assim, relatos gráficos.

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Tio Vinícius compartilhou seus conhecimentos ampliando os nossos sobre as florestas. No decorrer desta conversa as crianças fizeram uma conexão com um dos livros que estávamos lendo o livro “Na floresta”, contos de fadas dos Irmãos Grimm em quadrinhos. A apreciação das ilustrações dos contos como: “João e Maria”, por Federico Pazos; “João de Ferro”, por Pablo Cabrera; e “O príncipe sapo”, por Liniers, propiciou a observação da diversidade de estilos de ilustração, em alguns contos, cores suaves e o traço delicado, em outras, cores vibrantes e traços bem marcados. Aproveitando essa conexão convidamos as crianças a formarem pequenos grupos para a observação das ilustrações dos autores e representá-los partindo das suas perspectivas. Nesse momento as crianças concluíram que os estilos de traços e as cores apresentadas pelos ilustradores do livro simbolizavam as estações do ano comparando as modificações do entorno das florestas que compunham o cenário. Em cada conto as crianças relatavam suas observações, como: “NO JOÃO DE FERRO, AS CORES SÃO CLARAS E O TRAÇO É MUITO FINO”, ISABELLA, 5 ANOS.

ANUÁRIO 2021

“A COR ACINZENTADA E MARROM SÃO AS QUE MAIS APARECEM”, ALICE, 5 ANOS.

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“O PRÍNCIPE SAPO, AS ÁRVORES ESTÃO TORTAS, AS FOLHAS ESTÃO ESTICADAS POR CAUSA DO VENTO!”, DANIEL, 5 ANOS. “NO JOÃO E MARIA APARECEM MUITAS FLORES, AS CORES ESTÃO FORTES!”, ATENA, 5 ANOS.


Entre o diálogo e o processo desse grafismo trocaram hipóteses de como desenhar uma árvore balançando, quais cores poderiam representar a primavera e como fazer o movimento do vento. Nessa vivência foi possível observar que as crianças construíram juntas, exploraram, trocaram ideias, experimentaram, fizeram negociações e construíram aprendizagens. Para o relato gráfico dessas conclusões disponibilizamos os materiais para o grafismo (giz pastel e giz de gel, lápis grafite, canetinhas, lápis de cor) e como suporte a folha sulfite A4. O livro “Na floresta” foi utilizado como material de investigação. A intenção era trabalhar a linha, a forma, a observação dos detalhes, a escolha das cores, disponibilidade no papel, dando ampla liberdade na escolha desses materiais e na representação dos seus pensamentos e de trocas com seus pares. No transcorrer da investigação da linguagem da linha foi possível observar o processo de conhecimento individual e coletivo em como criaram relações com outras crianças, do modo que se apropriam do novo, de que maneira que conheceram e exploraram os materiais e ferramentas. Assim desenvolvendo habilidades e competências que as levaram a ampliar seus repertórios gráficos.

DUBOVIK, Alejandra e CIPPITELLI, Alejandra. A linha como linguagem: repertório do visível. Tradução Bruna Heringer de Souza Villar. São Paulo: Phorte, 2020. DERDYK, Edith. Formas de pensar o desenho. O desenvolvimento do grafismo infantil. 3. ed- São Paulo: Panda Educação, 2020.

ANUÁRIO 2021

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

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O QUE VEIO PRIMEIRO, O OVO OU A GALINHA? Professoras: Marina Serrano e Raquel Avena

O estudo de Ciências da Natureza para o Ensino Fundamental tem como principal compromisso desenvolver o letramento científico dos alunos, ou seja, fazer com que o indivíduo compreenda e interprete o mundo à sua volta através de processos investigativos que promovam a observação, os experimentos e o levantamento de hipóteses e argumentações. O objetivo de um trabalho baseado na investigação, nessa etapa do ensino fundamental, é menos que as crianças adquiram conhecimentos compatíveis com o científico e mais que desenvolvam a observação dos fatos da vida, comecem a enxergar problemas nas coisas ao seu redor, arriscando-se a dar palpites para suas próprias indagações. (CAMPOS, 1999, p. 153).

Partindo desta premissa, a Base Nacional Comum Curricular (BRASIL, 2018) apresenta a unidade temática Terra e Universo, que propõe o estudo sobre os fenômenos naturais e os acontecimentos a eles relacionados, levando a uma maior compreensão das regularidades inseridas na humanidade.

ANUÁRIO 2021

Foi com a pergunta:

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O QUE VEIO PRIMEIRO, O OVO OU A GALINHA?, que os alunos do primeiro ano iniciaram um importante aprendizado de Ciências, o tempo.

Antes mesmo de entrarem no assunto ovo, os alunos passaram por várias etapas de conhecimento a respeito do tema tempo. O tempo é o tempo chuvoso? Ensolarado? Tempo frio? Ou o tempo em que ficamos na escola? Quanto tempo dormimos? ... Estes questionamentos foram inseridos no dia a dia dos alunos para que pudessem refletir, discutir e, até mesmo, discordar sobre o tempo em nossas vidas.


Começaram a perceber que essa passagem do tempo no relógio, influencia na passagem do tempo do dia para a tarde, da tarde para a noite e, assim por diante, até que se passe um dia inteiro, depois as semanas, os meses e os anos. Mas, além do tempo contado no “tic tac”, perceberam que esse tempo também é revelado pelos movimentos que a Terra faz em torno de si e, ao mesmo tempo, em torno do Sol e que, estes deslocamentos interferem nas passagens das estações do ano, apresentando assim, a primavera, o verão, o outono e o inverno.

Os alunos começaram a perceber que esta pequena palavra de apenas cinco letras, traz um enorme espetáculo em nossas vidas. MAS, COMO O TEMPO INTERFERE NOS SERES VIVOS, DE QUE MANEIRA PODEMOS VER OU OBSERVAR QUE O TEMPO PASSA, PARA OS ANIMAIS, PARA AS PLANTAS E ATÉ MESMO PARA OS SERES HUMANOS? Com esta indagação, propusemos aos alunos que observassem esse período, como o tempo age no desenvolvimento dos seres vivos, e neste primeiro momento, no ovo da galinha. Antes de iniciar esta observação, os alunos foram previamente orientados sobre os ovíparos, ou seja, animais que botam ovos, e o embrião se desenvolve longe/ separado do corpo da mãe, diferentes de nós, seres humanos, e de algumas espécies de animais como cachorro e gato, que nos desenvolvemos dentro da barriga de nossas mães.

ANUÁRIO 2021

Num primeiro momento entraram em contato com o tempo que o tempo tem, como conseguimos medir o tempo, quais são os equipamentos que utilizamos para visualizar esta passagem. Alguns exemplos de relógio foram apresentados aos alunos, como do sol, a ampulheta, o digital e o de ponteiros e, a partir desta primeira situação, foram conhecendo um pouco mais sobre como contamos o tempo, através dos ponteiros do relógio que nos mostram segundos, minutos e horas. Perceberam que existem relógios digitais, onde os números aparecem facilmente no visor e que são os mais comuns em seus ambientes de vivência.

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Os biólogos do Quintal Uirapuru forneceram muitas informações sobre os ovos, porque alguns são claros, outros escuros, outros manchados e contaram que os instintos animais dos ovíparos também são muito aguçados e, o próprio organismo, é capaz de produzir uma cor de casca de ovo que se camufla no ambiente, ou que a alimentação dos animais também interfere nesta coloração.

ANUÁRIO 2021

Os alunos viram que os ovos são frágeis e quebram, como aconteceu com uma unidade estudada, mas viram que dentro havia apenas a clara e a gema, ué, mas cadê o pintinho? Depois de muita conversa, perceberam que para se desenvolver, o ovo precisa de calor, mas do calor da mãe. Como a mamãe galinha não estava no Quintal, foram apresentados à uma mamãe postiça, a chocadeira. Aprenderam que este maquinário faz o papel da mãe, de fornecer o calor necessário para que o embrião se desenvolva, ou seja, dentro da chocadeira, a temperatura era de aproximadamente 37,5 ºC/ 38 ºC.

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A galinha botou o ovo lá no Sítio Reino Animal, o ovo veio para o Quintal Uirapuru, e ali ele precisaria se desenvolver, então, iniciamos a observação do tempo que é preciso para que este fenômeno ocorra.

APÓS 21 DIAS, O OVO ECLODIU! O PINTINHO NASCEU!

Além da chocadeira, conheceram a ovoscopia, técnica que consiste em colocar o ovo contra uma fonte de luz em um local escuro. Observar o ovo em pequenos grupos gerou grandes descobertas e questionamentos: ALUNO 1 “- POR QUE SERÁ QUE TEM UMA MANCHINHA ESCURA?” ALUNO 2 “- TAMBÉM TEM UMA PARTE MAIOR MAIS CLARA!” Em roda, alunos e professores conversavam e discutiam sobre suas observações. Descobriram que a mancha escura era o pintinho em desenvolvimento, a mais clara a câmara de ar. A cada semana todos esperavam ansiosamente a ida ao Quintal. Quais mudanças estariam por vir? Novamente, com auxílio do ovoscópio, visualizavam o desenvolvimento do pintinho dentro ovo: ALUNO 1 “- A MANCHA ESCURA ESTÁ MAIOR! O PINTINHO ESTÁ CRESCENDO...” ALUNO 2 “- A MANCHA CLARA FICOU MENOR!”

ALUNO 4 “- ESTOU VENDO O FORMATO DO BICO!” ALUNO 5 “- ESTÁ SE MEXENDO!”

ANUÁRIO 2021

ALUNO 3 “- VI UMA PATINHA!”

ALUNO 6 “- OLHA, TEM VEIAS DENTRO OVO, IGUAL A GENTE.”

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Durante os primeiros dias, ele permaneceu dentro da criadeira com luz artificial para aquecer, na temperatura e umidade necessárias para o desenvolvimento, agora fora do ovo. Cada etapa deste desenvolvimento foi registrada com entusiasmo! Mas... e outras aves? Também demoram o mesmo tempo para se desenvolverem? Como são os ovos de outras espécies? Iniciamos um novo estudo sobre o desenvolvimento de outros ovos: Faisão Coleira, Perdiz, Galinha Brahma e Galinha Garnisé.

Muitos olhos brilharam com estas experiências… muitos queriam levar os animais que nasceram para casa, mas o mais importante, todos compreenderam que o tempo faz parte da nossa vida, de diferentes maneiras mostrando que a sucessão do tempo rege e orienta o ritmo das atividades dos seres humanos e de outros seres vivos.

MAS E VOCÊ? SABE DIZER O QUE VEIO PRIMEIRO, O OVO OU A GALINHA?

As etapas de investigação e observação foram feitas semanalmente, os alunos puderam se deparar com uma nova ótica na comparação no tempo de desenvolvimento de diferentes espécies. Perceberam que o tempo de desdobramento de cada um é diferente, ou seja, passa em ritmos desiguais, mas que as etapas destes ciclos são muito parecidas, como o surgimento do embrião, o aparecimento da câmara de ar, das veias, o crescimento deste embrião, até a eclosão do ovo.

ANUÁRIO 2021

Vivenciaram também o não desenvolvimento de um embrião, perceberam que isso faz parte da vida, também dos animais.

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As descobertas, as investigações, as frustrações foram simbolizadas através de um cuidado extremo com os animais que, enfim, nasceram no Quintal. O tempo esperado, vivido, observado, também foi um tempo de união e parceria entre os professores e os novos moradores daquele espaço.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, 2018. CAMPOS, Maria Cristina da Cunha, Didática de Ciências: O ensino-aprendizagem como investigação, São Paulo, FTD, 1999.


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ANUÁRIO 2021


ESTUDAR CIÊNCIAS É COLOCAR A MÃO NA MASSA Professoras: Cleisi Tezzotto, Gabriela Policeno e Juliana Cares

Uma pessoa pode ouvir detalhadamente sobre as maravilhas vistas ao visitar os Lençóis Maranhenses e como as correntes marinhas e a variação das marés alta e baixa deixam os sedimentos aparentes. Entretanto, nada mais prazeroso e enriquecedor do que estar no local e unir prática e teoria.

ANUÁRIO 2021

O mesmo ocorre no estudo em ambiente escolar. Usar o corpo e o espaço físico da escola contribui na compreensão de muitos conceitos. No estudo de Ciências, os alunos foram convidados a se transformarem em jovens cientistas e investigar fenômenos que estão no cotidiano e relacioná-los com registros científicos.

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Para isso, foi preciso desconstruir a concepção de espaço para se estudar. Todo canto do colégio permite uma exploração. O levantamento de hipóteses e interesse dos alunos sobre os assuntos elencados pela BNCC (2018) de acordo com a série é o pontapé inicial para o experimento.

"Ao longo do Ensino Fundamental, a área de Ciências da Natureza tem um compromisso com o desenvolvimento do letramento científico, ou seja, a capacidade de compreender e interpretar o mundo (natural, social e tecnológico), mas também de transformá-lo" (SILVA, 2020). Pensando nas habilidades a serem desenvolvidas pelos alunos, diferentes formas de registros foram organizadas, roteiros de estudo e de observação, registros através de desenhos, esquemas, fotos, textos e vídeos, que são incorporados ao portfólio de cada aluno. Para o 3º ano, partiu-se a exploração do som em diferentes elementos, como a água, utilizando diferentes objetos e potes para observar a formação de ondas, seguindo para os experimentos sobre a passagem de luz.


As ondas sonoras transferidas pelos gases da atmosfera são capazes de fazer com que a água de um recipiente se mova. Para isso, a equipe do Quintal Uirapuru preparou o espaço para a investigação do tema e, divididos em grupos, os alunos realizaram a montagem de dois experimentos que comprovaram a teoria.

Experimento 2: substituímos a colher e a assadeira por uma caixa de som portátil e colocamos o pote de plástico sobre ela. As vibrações criadas quando batemos a colher de pau na assadeira, ou reproduzimos a música pela caixa de som demonstraram, com maior clareza, que os gases são transferidos para a atmosfera e chegam aos nossos ouvidos através das ondas sonoras. Quanto mais forte o barulho, maior a vibração. É válido lembrar que a construção do conhecimento ocorre de maneira coletiva, por isso a importância dos trabalhos em grupo. Uma das atividades realizadas tratou de reunir os conhecimentos adquiridos ao longo de um dos bimestres sobre os cinco grupos de vertebrados através de esquemas e imagens. Toda a turma contribui para a formação de um banco de imagens desses animais e antes da realização da proposta, tiveram como tarefa a retomada das informações.

ANUÁRIO 2021

Experimento 1: cobrimos a parte superior de um pote de plástico com uma sacola e a prendemos com um elástico; colocamos alguns grãos de arroz e um pouco de água com corante alimentício em cima da sacola plástica; em seguida fizemos muito barulho batendo a colher de pau na assadeira bem próximo ao pote de plástico, sem tocá-lo.

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Divididos em grupos, as crianças trouxeram imagens de animais diversos que ficaram dispostas sobre a mesa. Dialogamos sobre os animais vertebrados, pedimos para que realizassem a observação dessas fotos e os separassem em grupos, justificando sua resposta. Para a composição poderiam inserir desenhos e informações com base no texto disponibilizado. Após a explicação da atividade os alunos visitaram as bancadas preparadas pela equipe do Quintal Uirapuru, onde puderam observar os cinco grupos trabalhados: peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos; sanar as dúvidas, observar os animais de perto e constatar as informações contidas no cartaz, que ficou exposto em sala de aula e nos rendeu ricas conversas e retomada de conteúdo. Durante a realização da aula, em um espaço amplo, como o Quintal Uirapuru, os jovens cientistas puderam ainda relacionar elementos (penas, ovos, pelo, bicos, garras etc) e animais vivos trazidos pela equipe de biologia para enriquecer a proposta. Funções definidas dentro do grupo escolhido aleatoriamente, eles definiram a forma de organização das informações e uso das imagens, retomando anotações e discutindo diferentes pontos de vista.

ANUÁRIO 2021

E por falar em diferentes ambientes para a realização das aulas de Ciências, os laboratórios de biologia e de química abriram as portas para os jovens cientistas. Durante a aula sobre invertebrados, um assunto de certa complexidade devido a variedade de seres vivos reunidos neste grupo, eles tiveram acesso a diferentes espécies preservadas em formol. A proposta, além de contemplar o conhecimento científico, também ressaltou regras e procedimentos para o uso dos equipamentos e do espaço.

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Espaço é o que não falta. Procedimentos investigativos nortearam os estudos sobre o solo, a modificação e preservação do ambiente ao nosso redor (erosão). No Eco Uirapuru, um espaço com vegetação diversa, ampliamos o olhar para as diferentes cores e texturas. Qual é o solo mais indicado para o plantio? Para essa investigação os alunos receberam

três diferentes tipos de solo: humífero, arenoso e argiloso. As amostras ficaram à disposição para observação e manuseio, o que proporcionou o levantamento de algumas observações pelas crianças sobre as características dos solos, como: – TIA, O SOLO HUMÍFERO É BEM ESCURO! – QUE LEGAL! O SOLO ARGILOSO É BEM ÚMIDO, A ÁGUA NÃO ENTRA NELE! – OLHA, O SOLO ARENOSO É ÁSPERO!


Aleatoriamente distribuímos um vasinho com um tipo de solo e alguns grãos de feijão. Cada aluno realizou o plantio, recebeu as informações sobre os cuidados necessários e levou seu experimento para casa. Durante 30 dias as crianças observaram, em casa, o que aconteceu com o experimento. Alguns feijões apresentaram germinação e diferença na coloração, mas não se desenvolveram, outros tiveram um crescimento significativo, mas morreram após alguns dias. Quando levamos nossos experimentos para a sala realizamos a comparação e respondemos a algumas questões levantadas previamente: será que faltou luz para as plantas que não cresceram? Você lembrou de regar o seu feijão? Nos solos que pudemos acompanhar o crescimento a espessura do caule era a mesma? As folhas estão na mesma cor? Há algum broto? Concluímos que o tipo de solo interfere em diferentes aspectos e que existe um deles que é mais adequado, pois promove o crescimento saudável da planta.

Os experimentos realizados ampliam mais do que nossas conclusões: nos fazem investigar o mundo que nos cerca através de atividades que promovem uma visão global, despertam a curiosidade, confirmam ou refutam hipóteses e nos levam a fazer novas perguntas.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: SILVA, Herbert. Área de Ciências da Natureza na BNCC. Disponível em https://observatorio. movimentopelabase.org.br/area-de-ciencias-danatureza-na-bncc/ Acesso em 19 out. 2021. CARVALHO, Azevedo. Ensino por investigação: problematizando as atividades em sala de aula. Disponível em https://educimat.ifes.edu.br/images/stories/ Publica%C3%A7%C3%B5es/Livros/Ifes_LivroPraticas-Experimentais-_2012.pdf Acesso em 23 out. de 2021.

ANUÁRIO 2021

"Essa é uma proposta de ensino que tem se configurado como uma importante estratégia para propiciar a aprendizagem de conceitos científicos em sala de aula, pois a busca de soluções requer a participação ativa dos alunos. Refere-se a uma ação que não se limita a manipulação ou observação, mas a uma constante busca de relação com as experiências e diferentes potencialidades dos estudantes” (CARVALHO, 2009; AZEVEDO, 2012).

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AULAS DE CIÊNCIAS E O CURIOSEAR Professora: Esther Guastella

A ciência está no nosso dia a dia, e os estudantes do 5º ano perceberam isso logo na primeira aula quando falamos sobre método científico. Todas as aulas de Ciências ao longo de 2021 foram permeadas por descobertas, investigação, questionamentos e curiosidades.

ANUÁRIO 2021

Para isso, a construção autoral do material didático de Ciências foi de extrema importância para enfatizar essas situações durante as aulas, promovendo períodos que instigaram os estudantes a pensarem, quetionarem, a colocarem a mão na massa e, por fim, elaborarem conclusões e sistematizarem o conteúdo.

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Segundo Sasseron e Carvalho (2008) o ensino de Ciências por investigação relaciona-se com a criação de um ambiente investigativo, para que assim, a cultura científica dos estudos seja ampliada e também ocorra o letramento científico. Com isso, realizamos muitas aulas em espaços diferentes da sala de aula, como o Quintal Uirapuru, Espaço Eco, laboratório de Ciências e Química, espaço maker, auditório e refeitório.

Iniciamos o ano compreendendo mais da natureza que nos cerca, voltados para quatro objetivos de desenvolvimento sustentável: água potável e saneamento, energia limpa e acessível, cidades e comunidades sustentáveis e, vida na água (ONU). Refletimos no decorrer das aulas do primeiro bimestre, sobre a importância da água no nosso cotidiano, os estados físicos e o ciclo da água, suas etapas de tratamento para que ela se torne potável e também sobre água virtual.


Conforme fomos avançando as habilidades e competências, surgiram palavras novas, palavras científicas. Buscando o conhecimento dos conceitos fundamentais, fomos criando um dicionário científico aula a aula. Dessa maneira, os estudantes ampliaram seu vocabulário científico e também compreenderam conceitos-chave para entender pequenas e grandes situações do dia a dia.

ANUÁRIO 2021

Continuamos a cureosear a Ciência explorando conceitos físicos. “Por que alguns objetos boiam e outros afundam?”, “Por que um metal esquenta muito mais rápido que um vidro?”, “Como a luz do meu quarto acende?”, “Existem outras formas de energia além da elétrica?” e “Como a energia elétrica é gerada?”. Todas essas situações foram pesquisadas pelos estudantes do 5º ano e eles se surpreenderam a cada conclusão que chegavam, pois compreenderam fenômenos que viam e faziam todos os dias e, também, relacionaram a ciência, a tecnologia, a sociedade e o meio-ambiente à cada aula.

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ANUÁRIO 2021

Voltamos das férias de julho, mas os estudantes não pararam de viajar. Partimos para cureosear o espaço, os planetas e as estrelas! Exploramos o que há no espaço, as características de cada planeta do nosso Sistema Solar, os movimentos da Terra e, uma aula ambientalizada para pensarmos sobre as constelações e seu uso antigamente. Aprendemos a ler mapas celestes e a identificar os pontos cardeais por meio da constelação Cruzeiro do Sul, a mais importante do nosso Hemisfério.

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Voltamos das férias de julho, mas os estudantes não pararam de viajar. Partimos para cureosear o espaço, os planetas e as estrelas! Exploramos o que há no espaço, as características de cada planeta do nosso Sistema Solar, os movimentos da Terra e, uma aula ambientalizada para

pensarmos sobre as constelações e seu uso antigamente. Aprendemos a ler mapas celestes e a identificar os pontos cardeais por meio da constelação Cruzeiro do Sul, a mais importante do nosso Hemisfério.


Para encerrar o ano, a Ciência se mostrou presente não só em fenômenos do cotidiano, mas também nos próprios estudantes, entramos no corpo humano. Passamos pelo sistema digestório observando atentamente e analisando tudo o que acontece com alimento em cada etapa do processo e, como os sistemas circulatório e respiratório estão interligados. Fomos ao refeitório e ao laboratório para descobrir funções que nosso corpo executa que não havíamos pensado antes, e verificar nossas hipóteses.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: SASSERON, Lúcia Helena; DE CARVALHO, Ana Maria Pessoa. Almejando a alfabetização científica no ensino fundamental: a proposição e a procura de indicadores do processo. Investigações em ensino de ciências, v. 13, n. 3, 2016. ONU. Objetivos de desenvolvimento sustentável. Disponível em: <https://brasil.un.org/pt-br/sdgs>. Acesso em 15/10/2021

ANUÁRIO 2021

Assim, encerramos o ano de 2021, levando a ciência presente todos os dias, em tudo o que fazemos e vemos. Com um pensamento reflexivo e questionador, um olhar atento, e o cureosear instigando a realização de investigações.

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REELABORANDO O ENSINO DE CIÊNCIAS: DA TEORIA À PRÁTICA Professores:Claudia Marques, Eric Bernardo, Esther Guastella Gabriela Deliberali e Jean Cardoso e Karla Oliva

A natureza da ciência é permeada pela investigação, pela curiosidade e pelo levantamento de hipóteses, a fim de encontrar possíveis respostas e então elaborar conclusões. Essas características foram contempladas em todas as aulas de Ciências, a fim de realizar o letramento científico dos estudantes, por meio do aprendizado investigativo.

ANUÁRIO 2021

Assim como a construção do saber científico é um processo constante e ininterrupto, as formas de ensinar Ciências também se renovam à cada descoberta de como o cérebro aprende e, também, com o surgimento de demandas dos estudantes, direcionando os docentes a praticarem novas metodologias e abordagens para ensinar ciências.

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Buscando oferecer um ensino que contemple as características apresentadas, no ano de 2021, a equipe de professores de Ciências do Ensino Fundamental II do Colégio Uirapuru, formada por Karla Oliva, Claudia Marques, Jean Cardoso e Esther Guastella, iniciou a elaboração do material didático autoral de Ciências da Natureza pautado no método de ensino por investigação. Segundo Sasseron (2015) o ensino por investigação permite que o professor ajude e estimule os estudantes a resolver problemas a eles apresentados à medida que interagem com seus colegas, com os materiais à disposição e com os conhecimentos já sistematizados e existentes.

Ao ensinar através de atividades investigativas, a relevância maior é o processo de aprendizagem dos estudantes, onde há o deslocamento do foco da aquisição de conteúdos científicos para um mergulho na cultura científica, desenvolvendo assim o “fazer científico” (Trivelato e Tonidandel, 2015).


Todas as aulas iniciam com uma contextualização, a fim de resgatar conhecimentos prévios dos alunos acerca do tema. Em seguida é lançada a questão disparadora, que norteia o tema e já informa ao aluno o grande objetivo do capítulo a ser estudado. A etapa que sucede é a famosa mão na massa, que é composta por atividades que permitem aos alunos explorar, testar e interpretar os conceitos da aula, enquanto os alunos são desafiados por essas atividades, os professores circulam e interagem com eles a fim de instigá-los a atingir os objetivos

dos desafios propostos. E, na etapa final, os docentes sistematizam os aprendizados junto aos alunos, para que a construção do conhecimento seja consolidada e todas as dúvidas sejam sanadas. A composição das práticas prevê uma ampliação da utilização dos ambientes do colégio como os laboratórios científicos, o espaço Maker, a espaço cultural, o pátio, o Quintal Uirapuru, e até mesmo ambientes virtuais, como os simuladores digitais, sendo todos aproveitados para a concretização de práticas relacionadas aos temas das ciências da natureza. O material se estrutura em unidades que refletem os três grandes eixos da Base Nacional Curricular Comum (BRASIL. 2018): Vida e Evolução, Terra e Universo e Matéria e Energia. Cada unidade se desdobra em alguns capítulos que compõem uma sequência didática relacionada a um conjunto de habilidades. Esta organização pedagógica auxilia os professores na estruturação dos planos de aula e é disponibilizada digitalmente aos estudantes de forma intuitiva no Google Classroom.

ANUÁRIO 2021

A partir do ensino por investigação, a construção do material didático de Ciências, do Ensino Fundamental II, se estabelece em etapas que visam permitir aos alunos assumir protagonismo em seu processo de aprendizado. Isso significa que a cada aula o estudante é exposto ao fazer científico, seja com o uso de recursos digitais ou através de aulas práticas e, o docente, com o papel de orientar e mediar, pode sistematizar os conhecimentos desenvolvidos durante o processo ativo do aluno.

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Ao longo de cada plano de aula, as propostas são apresentadas em forma de convites que são representados por ícones próprios, como por exemplo: “Você é o cientista!” para quando o momento envolve a realização de experimentos e demonstrações; “Momento Da Vinci” para situações com desenho de esquemas, estruturas e mapas mentais; “Vamos investigar?” para solicitação de pesquisas, entre outros.

À medida que o material foi sendo vivenciado pelos alunos do 6º ao 9º ano, se tornou perceptível o crescente engajamento dos estudantes nos temas apresentados e nas atividades propostas. Esse processo tem se mostrado favorável ao desenvolvimento do letramento científico que, segundo Trivelato e Tonidandel (2015), deve ser o alvo das aulas de Ciências da Natureza, pois permite que o cidadão analise situações cotidianas, compreenda problemas e desafios socioeconômicos e ambientais e tome decisões considerando conhecimentos técnico-científicos, situações contempladas nas propostas desenhadas pelos professores para o material didático.

ANUÁRIO 2021

Além de respeitar a natureza da Ciência e aplicar os preceitos do Ensino de Ciências por investigação, a composição desse material parte da proposta institucional de se fazer uma verdadeira "condição formadora" à medida que corrobora para que no Ensino Fundamental II aconteça o aprofundamento e a solidificação dos conhecimentos básicos na área das Ciências da Natureza, bem como a ampliação da formação humana pela perspectiva das características individuais e também das ações coletivas. Desta forma, o estudo de Ciências transcende a questão curricular: o processo investigativo e a metodologia científica formam a base para uma sociedade crítica e democrática.

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Imagens que podem ser utilizadas na publicação: 9º ANO

ANUÁRIO 2021

8º ANO

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7º ANO

ANUÁRIO 2021

6º ANO

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: BRASIL. Base Nacional Curricular Comum. Brasília/MEC, 2018. Disponível em: http://basenacionalcomum. mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf. (Acesso em 23 de set. 2021). TRIVELATO, S. & TONIDANDEL, S. Revista Ensaio | Belo Horizonte. v.17 n.especial | p. 97-114 | novembro | 2015 . Disponível em: https://www.scielo.br/j/epec/a/VcyLdKDwhT4t6WdWJ8kV9Px/?lang=pt&format=p df. (Acesso em 23 de set. 2021).

ANUÁRIO 2021

SANSSERON, L. Revista Ensaio | Belo Horizonte | v.17 n.especial | p. 49-67 | novembro | 2015. Disponível em: https://www.scielo.br/j/epec/a/K556Lc5V7Lnh8QcckBTTMcq/?format=pdf&lang=pt. (Acesso em 23 de set. 2021).

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FAZENDO CIÊNCIA NA PANDEMIA: ESTUDANDO A SAÚDE MENTAL Professora:Claudia Marques

ANUÁRIO 2021

A disciplina eletiva da 1ª série do Ensino Médio do itinerário formativo Ciências da Natureza-Matemática, intitulada "O Homem Vitruviano", em homenagem ao Leonardo da Vinci, lecionada no ano de 2021, teve como tema central a saúde global do indivíduo, desenvolvendo diversas reflexões relevantes, desde a alimentação saudável, atualizações científicas na saúde, até a abordagem sobre saúde mental em tempos de pandemia.

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A pandemia da COVID-19 trouxe alterações bruscas no cotidiano de toda a sociedade e a saúde mental se tornou uma preocupação em todas as faixas etárias. Apesar das modificações na rotina de todos, diversos autores publicaram e questionaram sobre a saúde mental dos jovens em específico, devido a diversos fatores, como exposição intensa a telas, falta de convívio social, uso excessivo das redes sociais, dentre outros (Henriques, 2021).

Diversos malefícios ao sono, por exemplo, se fizeram mais presentes durante a quarentena no dia a dia dos jovens, visto que as alterações da rotina foram muitas e, ao ficarem somente dentro de casa, passaram a dormir mais tarde, aumentando também o número de sonecas durante o dia e até mesmo durante o período de aulas remotas. Nas escolas e instituições que conseguiram desenvolver o ensino remoto, houve o desenvolvimento pedagógico dos jovens, fazendo com que as habilidades continuassem a serem treinadas e abordadas, porém a exposição excessiva a telas e a falta de interação social trouxe instabilidade emocional, irritabilidade e até mesmo depressão para muitos alunos. As mudanças sociais foram bruscas em toda a sociedade, pois em poucos dias, todos perderam o convívio social diário, seja no trabalho, na escola e até mesmo nos ambientes de lazer. Pode-se ressaltar que esses danos foram maiores entre jovens e crianças, pois nessa faixa etária há a formação da individualidade, bem como a inserção social em grupos, fazendo muita falta essa troca entre os pares.


Uma outra problemática agravada na pandemia foi o processo de espetacularização do “eu”, onde aumentou demais a necessidade de expor a sua existência e transparecer o tempo todo nas telas; e assim, o indivíduo criou a dependência no olhar do outro e transformou-se sempre em show (Dal Bello, 2008).

Pensando em todos esses pontos em relação aos jovens durante a pandemia, no segundo semestre de 2021, a docente da disciplina "O Homem Vitruviano" orientou os alunos na criação, no desenvolvimento e na análise de dados do projeto "Saúde mental" na pandemia, tendo como público alvo adolescentes de 12 a 14 anos.

Posteriormente, os alunos desenvolveram um questionário, elaborado em sua maior parte em questões quantitativas sobre o tema, que foi aplicado através do Google Formulários para os adolescentes do 8º e 9º anos, a fim de desenvolver a coleta de dados para posteriores análises. A partir dessa coleta de informações e respostas, os alunos tiveram apoio dos professores Eric Bernardo e André Luigi, da área de Ciências Exatas, para que obtivessem noções básicas sobre análises estatísticas e conseguissem trabalhar com os dados coletados, para que finalmente houvesse possíveis considerações finais sobre a pesquisa realizada.

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Cada grupo de alunos definiu um subtema a ser abordado dentro da temática saúde mental na pandemia, sendo eles: o sono na pandemia, mudanças alimentares na quarentena, depressão, concentração nas aulas remotas e híbridas, ansiedade e rotina de atividade física na pandemia. A partir do subtema, puderam levantar uma hipótese acerca desse assunto e então pensar em como testá-la.

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O enriquecedor projeto finalizou através de uma apresentação com todo o desenvolvimento do projeto: introdução, objetivos gerais e específicos, metodologia, resultados e discussão e considerações finais. Para essa apresentação, professores foram convidados para formarem uma banca de avaliação do projeto, onde itens como desenvolvimento do projeto, linguagem culta e científica, postura e linguagem corporal e apresentação oral foram analisados. A elaboração e aplicação desse projeto favoreceu a reflexão sobre a temática, e muitos alunos, logo no início, puderam relatar suas experiências acerca da quarentena e das mudanças sociais da pandemia. A partir disso, esses mesmos alunos puderam confirmar suas percepções através da coleta de dados e análises estatísticas sobre os subtemas.

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O grupo que abordou a temática sobre ansiedade encontrou dados que indicam aumento da frequência da ansiedade nos adolescentes no período pandêmico. Já o grupo que que abordou a concentração, verificou que grande parte das pessoas teve sua concentração afetada de forma ampla pela pandemia, tanto na vida social quanto na acadêmica.

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Ao questionarem sobre depressão, os alunos não declararam muitos indícios sobre o aumento de casos entre os adolescentes. De forma contrária, os alunos que perguntaram acerca da frequência das atividades físicas, constataram que houve queda na frequência dos exercícios, apesar de serem vistos como aliados à saúde mental.

O sono dos adolescentes também foi afetado durante a pandemia, conforme os dados coletados pelos alunos, de forma que houve mudança na rotina de sono, bem como momentos de ansiedade e preocupação, atrapalhando as horas de sono. E por fim, ao elaborarem questões sobre a rotina alimentar dos adolescentes, a maioria das crianças que foram analisadas, não relataram discrepâncias significativas em seus hábitos alimentares. O maior ganho para esse grupo de discentes foi o processo de letramento científico, já que ao criarem uma hipótese, pensarem na metodologia, coletarem dados e analisarem essa coleta, perceberam o quão sério é o processo de "fazer ciência", e que nesse desenvolvimento há regras e passos do método científico a serem seguidos, que trazem seriedade e relevância para a ciência na sociedade.


Dados Coletados pelos alunos:

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: Ciência e Saúde Coletiva. Disponível em: https://www.cienciaesaudecoletiva.com. br/novidades/o-uso-intensivo-da-internetpor-criancas-e-adolescentes-no-contextoda-covid19-e-os-riscos-para-violenciasautoinflingidas/109?id=109&id=109&id=109. Acesso em 05 de out. 2021.

Revista Galileu. Disponível em: https:// revistagalileu.globo.com/Ciencia/Saude/ noticia/2021/10/mulheres-e-jovens-sao-maisafetados-por-depressao-e-ansiedade-napandemia.html. Acesso em 13 de out. 2021. DAL BELLO, C. PUC-SP. Disponível em: https:// revistas.pucsp.br/index.php/galaxia/article/ view/1502/974. Acesso 13 de out. 2021.

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HENRIQUES, D. Disponível em: https://pebmed. com.br/saude-mental-isolamento-social-e-homeschooling-em-adolescentes-durante-a-pandemia/ . Acesso em 24 de set. 2021.

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UM DESCANSO DAS TELAS

ANUÁRIO 2021

Professora:Claudia Marques

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Os anos letivos de 2020 e 2021 foram arrematados de mudanças e incertezas, sendo que até 20 de março de 2020 estávamos todos na escola, aulas presenciais, práticas e teóricas, contato físico e muita interação social; e a partir dessa data fomos todos correndo para casa e iniciamos uma quarentena para frear a proliferação do vírus Sars-Cov 2.

Não há dúvidas que muitos progressos tecnológicos foram positivos e, na realidade do Colégio Uirapuru, através de simuladores, plataformas, vídeos e interações remotas, a sala de aula continuou através das telas, e os conteúdos prosseguiram e foram abordados. A pandemia intensificou o uso de tecnologia e acelerou as transformações na sala de aula (Marra, 2021).

Os docentes e a gestão escolar iniciaram então um longo e detalhado processo de reinvenção pedagógica, aprendemos em meses recursos tecnológicos e descobrimos novas plataformas, que provavelmente demoraríamos 10 anos ou mais para desenvolver em um momento típico. Mas ao contrário disso, esse grande período atípico e desafiador, nos levou a muitos recursos a fim de prosseguirmos o trabalho de habilidades junto aos nossos alunos.

Ao abordarmos novas tecnologias na atividade docente, arrastamos as novas abordagens para o ensino presencial, enriquecendo também esse novo momento, desde o ensino híbrido até o retorno de todos os alunos para a sala de aula. As novas técnicas são vistas, então, como as principais aliadas dos professores, que mesmo sendo um desafio, tem o ganho de inovar as antigas práticas (Grossi, 2021).


De forma geral, as práticas pedagógicas que utilizam as tecnologias digitais acabam estimulando mais os aspectos visuais e auditivos dos discentes, deixando muitas vezes em déficit o experienciar, o sentir, ou seja, o aspecto sinestésico da aprendizagem. Além desse déficit gerado no ensino, todos fomos poupados de contato físico e experiências que nos traziam o desenvolvimento de outros sentidos além da visão e audição.

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O ensino de Ciências no 8º ano do Ensino Fundamental não foi exceção, e o uso de novas práticas tecnológicas e plataformas digitais se fez presente nesses dezoito meses de ensino remoto e híbrido, momentos em que os alunos mergulharam em simuladores 3D sobre conceitos da física, sobre o corpo humano e os seus processos fisiológicos e, até mesmo, sistema solar. As experiências foram inúmeras e garantiram o desenvolvimento das habilidades no ano letivo em questão.

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Pensando nesses fatores, em nova unidade a ser desenvolvida no 4º bimestre, as aulas de Ciências do 8º ano do Ensino Fundamental, foram elaboradas a fim de proporcionar o desenvolvimento da sinestesia, proporcionando aos alunos, um descanso das telas, e desenvolvendo outras competências, desde encenações até a pintura de estruturas de isopor.

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A unidade desenvolvida no 4º bimestre teve como tema central o eixo Sol, Terra e Lua, bem como os movimentos desses astros e as principais consequências de cada movimento, como as fases da Lua, os eclipses solares e lunares, o dia e a noite e, também, as estações do ano. Para vivenciar o movimento anti-horário da Lua em sua órbita ao redor da Terra, foi desenvolvida uma aula prática com o intuito de expandir as simulações das fases de Lua Cheia, Minguante, Nova e Crescente para além das telas, utilizando bolas de isopor, tintas, palitos de churrasco e lâmpadas.

O pintar e o sujar as mãos visou atingir o sinestésico, pois utilizaram muito o tato para elaborar o sistema Terra, Sol e Lua. Segundo diversos autores, mover e tocar, montar e desmontar coisas estimula o aprendizado do indivíduo que necessita da sinestesia, além do visual e do auditivo. É papel do professor tentar abordar os diferentes âmbitos a serem utilizados no processo de ensino-aprendizagem (Mazuroski Jr et al., 2008). Na aula sobre o movimento de rotação da Terra, bem como o desenvolvimento dos dias e das noites, a metodologia ativa utilizada foi a dramatização através da abordagem Role-play, onde papéis de Terra à noite, Terra durante o dia e o Sol, foram atribuídos aos alunos para representar esse movimento do nosso planeta. Visto que o aluno pode se mostrar muito além da linguagem oral e escrita, o desenvolvimento dos movimentos, os gestos, as encenações enriqueceram


o processo de aprendizagem sobre o tema, além de estimular a criatividade (Monteferrante-Deliberali & Antonio, 2019). REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: IDOETA, B. A., 2021. ‘Abstinência de telas': Como conter o uso excessivo de eletrônicos por crianças na pandemia. BBC News. Disponível em: https:// www.bbc.com/portuguese/geral-58714218. Acesso em 26 de out. 2021. GROSSI, M. G. R. Usar tecnologias digitais nas aulas remotas durante a pandemia da COVID-19? Sim, mas quais e como usar? Olhar de professor, Ponta Grossa, v. 24, p. 1-12, e-15879.059, 2021. MARRA, R. Escolas passam a usar tecnologias do ensino remoto em sala de aula. Folha de São Paulo. Disponível em: https://www1.folha.uol. com.br/educacao/2021/09/escolas-passam-a-usartecnologias-do-ensino-remoto-em-sala-de-aula. shtml. Acesso em 25 de out. 2021. MAZUROSKI Jr., A.; AMATO, L. J. D.; JASINSKI, L.; SAITO, M. Variação nos estilos de aprendizagem: investigando as diferenças individuais na sala de aula. ReVEL. Vol. 6, n. 11, agosto de 2008. ISSN 1678-8931 [www.revel.inf.br]. MONTEFERRANTE, Deliberali, G A; Antonio, D G; Metodologias ativas:do ensino criativo à aprendizagem significativa. p, 1-93, 2019. CEETEPS.

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O equilíbrio entre atividades digitais e outras mais dinâmicas, se faz necessário nessa nova fase da educação que vivemos após grandes períodos de quarentena e ensino remoto. Os avanços tecnológicos obtidos durante a pandemia são relevantes para o processo de aprendizagem, e o uso será presente no ensino presencial. Só não podemos nos esquecer de estimular outras habilidades e retornar o uso de atividades com mais movimento, gestos e toques, para que a sinestesia volte a ser presente na sala de aula (Idoeta, 2021).

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ELETIVA 270

A RESSIGNIFICAÇÃO DOS PROCESSOS DE APRENDIZAGEM


AS: As eletivas ressignificam os processos de aprendizagem, permitindo que os alunos reconheçam suas singularidades nas diversas áreas do conhecimento.

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As disciplinas eletivas compõem os itinerários formativos do Ensino Médio - Ciências Humanas e Linguagens, Ciências da Natureza e Matemática, Língua Estrangeira - e têm como características principais a pluralidade, a transdisciplinaridade, a relação indissociável entre o conhecimento científico, cultural e tecnológico e flexibilização de metodologias e estratégias de aula.

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DISCIPLINAS ELETIVAS: PERSONALIZANDO O ESTUDO ATRAVÉS DE ITINERÁRIOS FORMATIVOS Professores:Amanda Francatto, Daniela Almenara, Eduardo Torres e Éric Pizzini

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O novo ensino médio: mudanças e diretrizes da Base Nacional Comum Curricular.

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Com carga horária alterada e diferentes possibilidades de formação, o Novo Ensino Médio começará a ser implementado, obrigatoriamente, nas escolas públicas e privadas do país a partir do ano de 2022. Antecipando as diretrizes curriculares definidas nesta proposta, o Colégio Uirapuru vem introduzindo, nos últimos anos, as ideias e principais modificações previstas neste cronograma nacional. Aqui, falaremos das disciplinas oferecidas como eletivas. Seu processo de criação e implantação e seus objetivos pedagógicos e socioculturais.

Em adição às disciplinas chamadas do núcleo comum (cursada por todos os alunos), as eletivas surgem como componentes escolhidos pelos alunos de acordo com suas habilidades, seus interesses pessoais e sua intenção de aprimorar saberes a serem aplicados em seus projetos de vida. O principal objetivo das Eletivas é formar pessoas que reconheçam as suas singularidades nas diversas áreas do conhecimento. A ideia é oferecer uma proposta de currículo flexível com base na relação indissociável entre o conhecimento científico, cultural e tecnológico. Além disso, há possibilidade de flexibilização de metodologias e estratégias de aula, visando êxito na aprendizagem.


Itinerários formativos: pluralidade e transdisciplinaridade.

Um dos elementos disparadores do interesse juvenil, é que cada disciplina possui um patrono, ou seja uma figura que se destaca dentro da área de saber do assunto proposto. Dentro das possibilidades oferecidas na área das Ciências Humanas e Linguagens, para os três anos de Ensino Médio, existe a intencionalidade de cruzar conhecimentos, interagindo com as Ciências da Natureza e Matemática, proporcionando ferramentas de compreensão e de contextualização sócio-histórica. Um exemplo desta retroalimentação acontece em uma das disciplinas do eixo da área de biológicas, com a disciplina chamada “Frankenstein”. Este personagem da ficção científica, nascido na obra de Mary Shelley publicada em 1818, não fala exclusivamente sobre um monstro que aterroriza a seu criador, mas sobretudo, de um novo momento da humanidade, no qual a tecnológica industrial e científica, foram proporcionando novos horizontes ao homem, colocando em evidência a real capacidade de desenvolvimento da humanidade e ao mesmo tempo, levantando críticas e desconfianças sobre este poder ilimitado do cientista de criar um mundo vertiginoso.

Como dito, Frankenstein não é só terror. É indústria, é ciência, é economia, é sociedade; em outras palavras, é a representação do século XIX que muda a realidade do mundo. Em termos literários, é uma das obras mais destacadas do romantismo. E tudo isto é colocado à disposição do aluno para criar um conhecimento aparentemente específico, mas com uma composição de diferentes saberes que cumpram com o objetivo desta proposta que são as disciplinas eletivas. Outro destaque, e sabendo que este Novo Ensino Médio visa atender os desafios educativos do século XXI, pode chamar a atenção, pois em um mundo de amplas redes de comunicação, seja justamente a capacidade de se fazer compreender uma das tarefas mais desafiadoras. Foi com este intuito que pensamos na disciplina de Debate e Oratória chamada "Eu tenho um sonho", cujo patrono é Martin Luther King, na qual a construção lógica do argumento, e sua comunicação oral, através de ferramentas da retórica clássica são o modelo para desenvolver o poder da fala. Não podemos pensar que esta disciplina fica estritamente na área das humanidades e linguagens, pois muitos dos assuntos a debater estão relacionados às outras áreas de conhecimento. Logo há uma necessidade de entrelaçar as técnicas de oratória, da retórica, à pesquisa e naturalmente à escrita, para poder comunicar e se fazer compreender.

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As novas disciplinas propostas para os três anos do Ensino Médio foram pensadas para dialogar com outros saberes, seja dentro da sua própria área de conhecimento, ou com aquelas consideradas, a priori, distantes. Este entrelaçamento, tem como objetivo mostrar que nenhuma aula é uma ilha, mas um arquipélago que se toca permanentemente pelo fluxo constante de saberes.

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Uma das propostas que ganha amplo destaque dentro deste Novo Ensino Médio, é a disciplina "Cosmos", que tem como patrono Carl Sagan. Este cientista, com um tom poético e filosófico irresistível, representa o que queremos imprimir neste modelo de conhecimento, a diversidade de saberes que compõem os conhecimentos.

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"Cosmos" congrega na sua abordagem assuntos matemáticos, físicos e históricos, cada um se entrelaçando ao outro. Por exemplo, compreender que as civilizações antigas, como os Maias, se relacionavam com o firmamento, recriando o céu

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noturno na arquitetura e planejamento das suas cidades, como se fosse um espelho, reconstruindo e reafirmando nossa relação com o universo. Da mesma forma, o elemento mítico que explica o mundo e a vida, muitas vezes desde as constelações, pois como afirmou Sagan, somos poeira estelar, e estamos permanentemente voltados para nossa morada infinita. Desta forma, compreender o Universo, nascimento e morte de estrelas, trajetórias planetárias, não se finda em complicadas relações matemáticas, mas expande-se, cruzando culturas, modos de viver e nossa complexa relação com a finitude da vida.


Já as Eletivas em Língua Estrangeira, nessa mesma direção, abordam a dinamicidade das culturas por meio do uso da Língua Inglesa a fim de organizar coletivos constituídos para a reflexão crítica de si e da relação com outro. Transgredindo pelas mais diversas áreas do conhecimento, as Eletivas motivam a valorização da diversidade de saberes e vivências culturais, além de instigar o pensamento crítico dos alunos por oportunizar a vivência das diferentes linguagens: literária, cinematográfica, artística, científica, dos negócios, dentre outros. Seja por meio da observação participativa, escrita etnográfica e análise de diversas expressões culturais como em Global Discourse (patrona Grada Kilomba) ou por meio da retrospectiva histórica da comunicação até os dias atuais, como proposta em Media & Communication (patrono Truman Capote), o principal intuito das Eletivas em Língua Inglesa

é desenvolver nos alunos recursos para interagirem no mundo e com o mundo por meio de situações reais de comunicação em Inglês. Vale ressaltar ainda que as aulas enfatizam a comunicação nas formas oral e escrita, em que a gramática indutiva é parte integrante das disciplinas, já que estimulam o aluno a reconhecer e produzir as estruturas linguísticas desta língua com precisão.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. Brasília/ MEC, 2018. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/ historico/BNCC_EnsinoMedio_embaixa_site_110518. pdf. (Acesso em: 13/10/2021).

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Seguindo esta lógica, de saberes que se cruzam, de conceitos que se expandem e entrelaçam de maneira transdisciplinar, o curso "Física-Matemática", ministrado para a terceira série do ensino médio, opera como um prisma em uma interface já debatida: a linguagem matemática como base para a modelação de fenómenos naturais. A metáfora é válida pois a eletiva não se restringe a uma mera aplicação de conceitos, mas abre um espectro de possibilidades de aplicações, relacionando formalismo matemático, pesquisa científica e apresentação de projetos no Colóquio Matemático feito pelo colégio, que já conta com duas edições. Fica evidente a proposta plural do itinerário formativo: além do embasamento teórico matemático e a aplicação em modelos físicos, trabalha-se o rigor da pesquisa, com a argumentação retórica fundamental para o jovem do século XXI.

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A ELETIVA QUE SALVOU NOSSAS VIDAS Professoras:Maria Carolina Silva e Mônica Martinez

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Esse é um texto que relata o nascimento de uma eletiva ousada e plural, por isso não consegue contemplar e esgotar a riqueza do processo. É também um texto sobre como a prática docente é, desde o princípio, permeada pela dificuldade de conciliar o desejo de uma educação libertadora e a possibilidade real de aplicá-la em um currículo educacional historicamente fragmentado. Mais: esse é um texto que homenageia a parceria entre duas professoras e o engajamento de uma turma particularmente especial - a Terceira Série do Ensino Médio em 2021.

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De fato, uma das questões que mais movimentam as discussões docentes é a distância entre teoria e prática. De um lado, o mundo das ideias - este, habitualmente, controlado - e sua aparente transparência; de outro, o mundo da prática - este, habitualmente, heterogêneo e atravessado constantemente pelo contingente, pelo inusitado. Um exemplo interessante (e que rege essa breve discussão) é o conceito de "interdisciplinaridade". Esse princípio, presente na BNCC (Base Nacional Comum Curricular), permite às instituições e, em específico, aos educadores a possibilidade de se considerar o caráter complexo e

integrado do conhecimento para superar a excessiva fragmentação dos saberes. Na teoria, a riqueza da integração dos diferentes campos de saber; na prática, a dificuldade de trabalhar conteúdos que foram historicamente separados, como se o conhecimento linguístico fosse apenas uma responsabilidade das disciplinas de Língua Portuguesa ou os construtos históricos fossem tarefas exclusivas das disciplinas de Ciências Humanas. Dentro desse contexto, desde o princípio permeado por essa contradição teóricoprática, que nasceu a disciplina eletiva linguagens e humanidades, cujo patrono é o maior educador brasileiro, Paulo Freire. Uma eletiva pensada para além da ideia de disciplina, com rigor estrutural e avaliativo, já que o objetivo central do desenho das aulas é a possibilidade de construir - por meio do conhecimento - um coletivo forte, plural e, portanto, dissensual, discordante, heterogêneo. Para isso, duas professoras, que partem de lugares diferentes, mas complementares, e uma turma que, gradativamente, acreditou em uma experiência educacional que se dá na relação, na possibilidade de se deslocar entre a linguagem e a história, entre a teoria e a prática.


Na sequência, considerando o cenário polarizado brasileiro, sentimos a necessidade de discutir mídia e propaganda. Segundo a britânica Claire Wardle – que, em 2015, fundou a ONG First Draft News(1) para desenvolver diretrizes éticas e fornecer ferramentas para a reportagem jornalística e o compartilhamento de informações no meio digital –, a desinformação permite a reflexão sobre as certezas/incertezas

de leitura a partir dos textos que circulam nas mídias, bem como qual o modo mais seguro de buscar informações sem cair nas armadilhas da desinformação a saber: (i) a manipulação da mídia, da sociedade civil, do estado de direito e das eleições pelo governo; (ii) a ascensão da polarização tóxica; (iii) a digitalização que possibilita a disseminação da desinformação. Em busca de respostas, estudamos a circulação dos discursos que materializa intolerâncias e discriminações: de um lado, o pretenso desejo pela ruptura da polarização política; de outro, a manutenção desse processo, pois a interação entre locutores e interlocutores nas mídias se dá por meio do confronto, da defesa e do ataque, e é materializada em práticas discursivas que produzem efeitos hostis, que naturalizam diferenças de grupo para potencializar a competição, executando diariamente a ideia que há apenas um grupo legítimo enquanto o restante da sociedade representa um perigo para o funcionamento da nação. Para isso, selecionamos os autores Patrick Charaudeau (2006) - e a apresentação do discurso como uma prática de construção de sentidos entre interlocutores -, Victor Klemperer (2009) - e o modo como o nazismo, em grande medida, atingiu seu apogeu por meio de práticas de linguagem -, e o manual de Adolf Hitler para dominar mentes e corpos, com sua biografia "Minha Luta" (2001).

1. Em 2017, em parceria com o jornalista iraniano-canadense Hossein Derakshan, Wardle publicou o relatório Information Disorder: toward an interdisciplinary framework for research and policy making (em tradução livre – desordem da informação: rumo a um quadro interdisciplinar de pesquisa e formulação de políticas). Disponível em: https://rm.coe.int/information-disorder-toward-an-interdisciplinary-frameworkfor-researc/168076277c

ANUÁRIO 2021

Inicialmente, decidimos que cada bimestre seria regido por um tema. A partir disso, o trabalho não cessou de nos desafiar a escolher diferentes leituras, diferentes modos de aplicação do conhecimento a partir dos acontecimentos cotidianos. Para o primeiro bimestre, o tema "violência" revelou que os nossos olhos estão adestrados para a identificação de violências explícitas - como a bomba explodindo, o ônibus queimando, o tiro sendo disparado - porém estão cegos para outras, como aquela originária do discurso - como aquele que diminui e silencia o outro por ele/ ela ser diferente ao padrão esperado - e do sistema - como aquele que naturaliza a desigualdade e romantiza a pobreza por meio da meritocracia. Lemos Slavoj Zizek e Herbert José de Souza, para aprender a identificar diferentes formas de violência e analisar conjunturas, identificando diferentes acontecimentos (históricos e discursivos), atores, cenários, relações de força e, por fim, a articulação entre estrutura e conjuntura, na tentativa de desconstruir a possibilidade de julgamentos ingênuos, já que não existem respostas rápidas para problemas complexos.

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ANUÁRIO 2021

De fato, o problema não está em discordar, em conviver com a polêmica e com os discursos antagônicos, pois, como já dito, eles são partes constituintes da linguagem (e, portanto, dos sujeitos do discurso) e são importantes para as democracias, mas sim no modo como a polarização política é construída discursivamente pelo campo midiático a fim de, como afirma Foucault, “conduzir condutas”, já que o poder age como um vetor das relações de poder – ele “não se dá, não se troca, nem se retoma, mas se exerce” (Foucault, 2017, p. 274). Com isso em mente, e depois de um primeiro semestre estrelar, com inúmeros deslocamentos analíticos, decidimos formar a tríade fundadora do curso: violência - mídia - educação.

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No terceiro bimestre, já envolvidas por um sentimento extremamente forte e libertador, decidimos assumir como tema a educação, tentando contextualizar a vida escolar dos nossos alunos (e a nossa vida enquanto docentes) dentro de uma perspectiva mais ampla, capaz de discutir a civilização e a barbárie, com o texto "Quem é bárbaro?", de Francis Wolff. Nele, entendemos que há barbárie na civilização, portanto, precisamos de muito rigor para propor julgamentos dessa ordem. Sem dúvida, esse foi um dos momentos mais especiais do percurso do curso, pois vimos nos nossos alunos a tomada de consciência sobre suas próprias interpretações do mundo, como as visões sobre o que é ser mulher, o que é ser brasileiro no século XXI, o que é assistir aos jogos olímpicos em um ano pandêmico. Atravessados pelos princípios de Wolff, migramos para um outro texto denso e absolutamente potencial para discutir o papel da educação - Educação após

Auschwitz - de Theodor Adorno. Segundo o autor, a principal responsabilidade da educação é que Auschwitz não se repita. Essa afirmação pode parecer evidente, já que não há dúvidas que o Holocausto foi uma das maiores atrocidades da história da humanidade, porém compreender a ação da educação pós tragédia humanitária é também compreender o que fazemos com a rotina escolar, como encaramos as disciplinas e suas ramificações, como avaliamos e somos avaliados quando, no final da linha da Educação Básica, temos uma avaliação meritocrática e quantitativa, que alimenta a prejudicial sociedade do desempenho, esta capaz de esvaziar os sujeitos de empatia e de saúde mental. Assim, o filósofo defende que o Holocausto não está superado, no sentido que as estruturas que o sustentam continuam presentes: na automatização das decisões, na obediência impensada, na disciplina vazia, na ilusão do sucesso. A educação pode ser, dialeticamente, tanto instrumento de manutenção de estruturas conservadoras quanto lugar de construção da democracia através do esclarecimento. E, como chave de ouro, escolhemos um autor que, infelizmente, é pouco lido, mas muito julgado. Em 2021, comemora-se o centenário de nascimento de Paulo Freire, o patrono dessa eletiva. Selecionamos a obra "Pedagogia do Oprimido", texto escrito durante os anos de exílio do autor no Chile durante o regime militar brasileiro. No capítulo 2, convidamos nossos alunos a ler o texto que atribui a Freire julgamentos extremamente equivocados sobre um suposto "doutrinamento comunista". Incentivamos, inclusive, que cada um deles procurasse no texto qualquer indício que desse margem para críticas negativas sobre o trabalho de Freire para o Brasil. A tese do capítulo (e talvez a principal ideia de


Com essa oportunidade de discutir abertamente um assunto que, infelizmente, tornou-se tabu pelo caráter polêmico, vimos em nossos alunos o reconhecimento de seus próprios processos escolares. Em todas as aulas fomos agraciadas com olhos atentos, críticos que questionam como se livrar da lógica bancária - essa, sim, ostensivamente presente na prática escolar, já que compreende o aluno como um receptor passivo e o professor um "doador" de conhecimento, verticalizando a relação ensino-aprendizagem e focalizando o conhecimento como um produto a ser consumido, mas não necessariamente compreendido e aplicado no cotidiano. Ouvimos relatos da seguinte natureza: "finalmente entendi a razão da minha resistência à escola, pois sempre me senti vazio e nunca entendi o motivo", "se eu tivesse lido esse capítulo antes teria sofrido menos e compreendido que meu limite não é motivo para me sentir menor ou menos importante", "agora entendo o motivo de Freire ser tão atacado: ele não exclui ninguém, pelo contrário, acolhe todos, por isso é tão perigoso: ele empodera e liberta".

De volta ao objetivo central do curso e das aulas - a possibilidade de construir por meio do conhecimento - um coletivo forte, plural e, portanto, dissensual, discordante, heterogêneo - elegemos o quarto e último bimestre como o espaço ideal para a aplicação das leituras, da experiência de leitura construída e do crescimento exponencial da maturidade juvenil. Entregamos as aulas nas mãos dos alunos; na verdade, nós assumimos o posto interino de alunos e transferimos os jovens para o posto de professores, de condutores das aulas. O resultado? A melhor experiência das nossas vidas. Sem dúvida, vimos em cada apresentação (a maioria delas em grupo) a pulsação do sentimento freiriano de comunidade, de liberdade e de respeito ao conhecimento. A cada nova apresentação, a certeza que a educação só é possível se for afetuosa, se permitir que todos expressem suas angústias e anseios, se discutir elementos que parecem óbvios, mas que na verdade revelam a naturalização das desigualdades, das violências e de uma vida baseada com consumir até o limite da própria saúde. Nada mais justo, por fim, que apresentar os professores da eletiva - estudantes da Terceira Série do Ensino Médio - e os temas que escolheram para salvar nossas vidas nesse ano tão difícil. Sem dúvida, o ano de 2021 pulsaria menos existência sem os olhos atentos dessa turma maravilhosa de formandos 2021...

ANUÁRIO 2021

Freire durante seus anos de pesquisa) é a educação bancária, em oposição à outra de base libertadora. O resultado? As melhores aulas do ano de 2021.

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ANUÁRIO 2021

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Professores e professoras

Tema selecionado

Enzo Nassif, Giovanni Miguel, José Guilherme Belini, João Gabriel Moreno, Rodrigo Spinardi e Tiago Basso

Padrão estético na sociedade contemporânea

Alicia Pinheiro, Ana Clara Toscano, Camila Lopes, Fernanda Ferreira, Manuela Aprá, Maria Clara Cavalcanti, Mariana Cabral, Vinícius Guia e Vinícius Netto

E não conseguíssemos nos ver em superfícies refletoras?

João Pedro Bossolla, Julia Friedrich, Julia Stopa, Laura Camis, Lucas Freitas, Luiza Chagas, Sophia Rubel

O lugar da mulher na comédia

Ana Carolina Sousa, Anna Luiza Moura, Fabiana de Paula, Giovanna Ribeiro, Juliane Zaetum, Julia Brand, Serena Lanças

Redes sociais e estereótipos

Alexandre Cardum, Rodrigo Birque, Maurício e Victor Blessa

A influência dos atletas nas dinâmicas sociais

Eduarda Guitte, Lívia Farto, Luana Pires, Laura Marcelo, Yasmin Ruas

Transumanismo: uso da tecnologia para aprimorar a experiência humana

Mariana Sanches

A arte como linguagem: do lúdico ao imprescindível

Julia Palma

As mulheres na ciência

Gustavo Beretta, João Zalla, Luigi Giannini, Pedro Tambara, Pedro Ribeiro

Por que o Brasil é um país atrasado?


Professores e professoras

Tema selecionado

Bruno Grigolli, Francisco Comitre, Henrique Mattucci, Larissa Stofer, Maria Eduarda Alves, Rafael Vaz e Vinicius Bernal

Teoria dos laços e a sociedade do fanatismo

Felipe Pereira Bonert, Enzo Ducceschi, Paola Móra, João Vítor Angelieri, Fernando Torres e Henrique Lacreta

Análise da terceira temporada da série "Sex Education"

Augusto Carriel, Caio Rossigalli, Fernando Rocha, Guilherme Mazuca, João Cachada, Leonardo Caetano, Pedro Cavalcanti, Roberto Galvão e Thiago Kashivagui

A história do rock

Felipe Freddo, Luiz Felipe Sampaio, Marina Melo, Nathalia Veneri, Thomas Stecca, Vitor Ribeiro, Yasmin Franklin

Viagem no tempo

Ana Cristina Rodrigues, Isabela Wilfer, Larissa Gabriela, Maria Eduarda Nascimento e Rafaela Arcanjo

Qual é o medo que está te movendo agora?

Keren Jardini, Isabella Canalle, Luísa Nogueira, Tais Alfredo

Quem é gostoso? Como nosso desejo é construído culturalmente

ADORNO, Theodor W. Educação após Auschwitz. In. Educação e emancipação. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1995. CHARAUDEAU, Patrick. Discurso das Mídias. São Paulo: Contexto, 2006. CHOMSKY, Noam. Mídia: propaganda política e manipulação. São Paulo: Martins Fontes, 2013. FOUCAULT, Michel. A ordem do discurso. São Paulo: Edições Loyola, 2014. FOUCAULT, Michel. Microfísica do poder. 6.ed. Rio de Janeiro/São Paulo: Paz e Terra, 2017. FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2021. HITLER, Adolf. Minha Luta. São Paulo: Centauro, 2001. KLEMPERER, Victor. LTI: a linguagem do Terceiro Reich. Rio de Janeiro: Contraponto, 2009. SOUZA, Herbert J. Como se faz análise de conjuntura. Petrópolis: Editora Vozes, 2000. WOLFF, Francis. Quem é bárbaro? In: Civilização e Barbárie. São Paulo: Companhia das Letras, 2004. ZIZEK, Slavoj. Violência. São Paulo: Boitempo, 2012.

ANUÁRIO 2021

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

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CONEXÕES: A PANDEMIA DO COVID-19 ATRAVÉS DE UMA VISÃO TRANSDISCIPLINAR Professores: Eric Bernardo, Daniela Almenara, Maria Carolina Silva e Mônica Martinez

ANUÁRIO 2021

A eletiva "Conexões" se propõe a discutir problemáticas relevantes da atualidade através de uma visão ampla e transdisciplinar, mas que se estrutura no conhecimento prévio e individual de cada aluno. Por meio da diversidade de informações que cada ser humano adquire ao longo da vida - livros, filmes, músicas, viagens, - os temas são investigados, estabelecendo uma série de relações possíveis nos campos da História, Física, Literatura, Sociologia, Filosofia, entre outros.

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Como a proposta é mostrar relações a partir de questões atuais, o foco de análise de todo um bimestre foi a pandemia do Covid-19 e as mudanças significativas e estruturais que ela trouxe ao redor do mundo. Desde o início, pensamos em uma abordagem transdisciplinar, ou seja, diversas possibilidades de análises científicas para que o assunto fosse compreendido em toda a sua complexidade.

Para tal, os alunos foram apresentados aos referenciais teóricos da transdisciplinaridade e pensamento complexo de Edgar Morin - "As disciplinas fechadas impedem a compreensão dos problemas do mundo. A transdisciplinaridade, é o que possibilita, através das disciplinas, a transmissão de uma visão de mundo mais complexa". Era a partir desse raciocínio metodológico que os alunos deveriam analisar as informações apresentadas pelos professores de diferentes disciplinas. Para iniciar as discussões, foram apresentados os aspectos biológicos da pandemia, especialmente aqueles relacionados à identificação do vírus, da doença e do comportamento de transmissão, comparando com outros momentos em que agentes infecciosos impactaram as populações em escala global. Focando no assunto tratamento e vacinas, os alunos foram alertados para a singularidade do momento que atravessamos: a construção científica em


Seguindo a proposta biológica apresentada, fez-se necessário o estudo dos dados relativos à pandemia, e da modelagem matemática apropriada: a tradução do fenômeno natural com o devido tratamento estatístico e da análise de dados pertinentes. Neste ponto, foi enfatizado que a análise de tais dados para a extração de parâmetros científicos robustos é fundamental para que a tomada de decisão seja feita de maneira sólida e científica. Quais dados devemos utilizar, quais parâmetros serão calculados, quais modelos serão abordados, como quantificar taxas de crescimento, transmissibilidade, mortalidade, testagem, vacinação, dentre diversos outros aspectos, foram tratados de suas múltiplas facetas algébricas e estatísticas. Aqui, o debate em sala e a exposição crítica de dados, forneceram subsídios para que os alunos pudessem compreender que a obtenção de valores e unidades, o cálculo de parâmetros e formulação de modelos são recortes de um espectro mais complexo, e nos fornecem uma linguagem possível, e necessária, de atuação. Tais linguagens, algébrica e estatística, dialogam com outros campos de conhecimento, tecendo uma estruturação complexa e sistêmica, e a escolha dos dados, dos modelos propostos e de como eles podem ser apresentados para o público, dos símbolos e das tônicas utilizadas, representam não apenas a retórica matemática, mas também operam em outras camadas do discurso.

Segundo Possenti, “o discurso é entendido como um tipo de sentido – um efeito de sentido, uma posição, uma ideologia – que se materializa na língua embora não mantenha uma relação biunívoca com recursos de expressão da língua” (2009, p. 22). A perspectiva teórica do discurso como “camada” exige dos analistas um claro rigor para comprovar os procedimentos de análise mobilizados, de forma a permitir a descoberta dos sentidos e seus respectivos deslizamentos.

ANUÁRIO 2021

tempo real. Discutimos o rigor na obtenção de dados, a aparente contradição entre rapidez de desenvolvimento, segurança e qualidade dos resultados e a importância da manutenção de uma base científica sólida e permanente para o sucesso no enfrentamento de situações de calamidade.

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ANUÁRIO 2021

Nesse contexto discurso, a pandemia da Covid-19 tem sido objeto de inúmeros discursos, marcados por saberes, poderes, crenças e "verdades" sustentados pela ciência ou interpelados por fake news, cujos embates e estratégias estabelecem a divisão entre os diferentes discursos: preservação da vida versus preservação do mercado, crença na vacinação versus repúdio à vacinação, isolamento social versus imunidade de rebanho, tratamento precoce funciona versus tratamento precoce é uma fraude, entre outros. Ou seja, a disputa por verdades no espaço social gera conflitos de informação e contribui para a desinformação da população, pois o alcance das notícias falsas é muito superior aos contraargumentos apresentados por instituições científicas, com pesquisas sérias e dados fundamentados.

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É importante compreender, então, como as informações chegam até nós por meio de escolhas intencionais de linguagem. As cores de um gráfico, a posição das informações em uma tabela, a ordem dos termos na oração, a pontuação, a mobilização de certas imagens em detrimento de outras, o modo como o jogo lexical é construído são alguns dos recursos mobilizados para apresentar diferentes discursividades e construir realidades. Uma mesma informação, a depender do modo como é manipulada, pode ser lida e interpretada de diferentes formas, especialmente se não nos atentarmos à situação de produção na qual foi produzida, os atores da ação, as relações de força envolvidas, etc. Por isso, atentar-se ao funcionamento da linguagem é uma das formas mais efetivas de exercitar o pensamento crítico, já que esse gesto analítico diminui a ingenuidade nos processos de leitura e amplia os horizontes de análise.

Todas essas informações técnicas e científicas são primordiais para o entendimento da pandemia e de seus desdobramentos, mas a produção do conhecimento científico é - historicamente - algo muito distante da vida da população geral. Seja pela (des)organização de políticas públicas educacionais, pela (des)valorização da educação e/ou pela elitização do acesso à educação, é perceptível a facilidade com que as fake news e desinformação germinam, adubadas pelo negacionismo científico. As percepções dos alunos mostraram que estamos no caminho certo: "Tudo está conectado. As disciplinas se intercalam, contudo se completam. Para entender a diferença entre a ciência e a fé, precisamos considerar que o método científico baseia-se em fatos, dados, padrões, enquanto que a crença é apenas um sentimento, um desejo. A física nos ajuda a compreender os dados, a biologia interpreta as relações biológicas para um determinado padrão, ela assume verdades, assim como afirmar que precisamos respirar. Afinal, o que mais é uma conta matemática do que uma similar a redação? Ambas têm início, meio e fim, as duas tem lógica e querem comunicar algo. Em uma democracia, existe o diálogo e o debate, pensamentos diferentes mas que ganham credibilidade ao se apoiar em fatos, razão, alcançada apenas ao compreender, além de entender, o interdisciplinar como um todo, não só como partes. O conhecimento é demorado, por isso temos mais perguntas do que respostas, mas ele é feito de conexões." (Bruna Brasil Alexandre)


"Ao juntar quatro matérias para discutir sobre o mesmo tema, ainda mais sendo um relevante nos últimos tempos, nos mostra, não somente uma abrangência maior sobre como o coronavírus afetou a população mundial na área da saúde, mas sim como a pandemia trouxe e trará consequências para o futuro. O que eu particularmente mais gostei da aula, foi sobre como o coronavírus está relacionada diretamente com política, entender como as nossas escolhas, em forma de sociedade, está ligada com a criação de políticas públicas para conseguir assegurar uma melhor qualidade de vida a população e como estas devem ser criada em conjunto com a ciência."

Assim, a escola e o conhecimento científico configuram-se como lugares de resistência ao senso comum e à desinformação, pois se estabelecem por meio do aprimoramento do debate, da percepção da realidade e dos fatos, da apreciação da dúvida e do questionamento. Em suma, para nos denominarmos democráticos, precisamos encarar a ciência como um direito, uma questão de dignidade humana - onde uma é, sincreticamente, alimentada pela outra.

(Larissa de Souza Jesus)

(Thainá Costa Luz Maria)

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: MORIN, Edgar. Introdução ao Pensamento Complexo. Porto Alegre: Editora Sulina, 2015. MORIN, Edgar. Entrevista com Edgar Morin. Disponível em: https://www.fronteiras.com/ entrevistas/entrevista-edgar-morin-e-precisoeducar-os-educadores. (Acesso em 05/08/2021). POSSENTI, Sírio. O discurso não é uma camada. In: POSSENTI, Sírio. Os limites do discurso: ensaios sobre discurso e sujeito. São Paulo: Parábola, 2009.

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"Eu achei o estilo da aula ótimo! Acho que juntar várias matérias para falar de um assunto ajuda bastante, não só porque incentiva o aluno a gostar do conteúdo (já que mostra aplicação na vida real), mas também porque muitas vezes a gente acaba ficando com uma visão limitada de alguns assuntos, justamente por eles serem considerados parte de só uma matéria/área do conhecimento."

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LINGUAG ANUÁRIO 2021

NOVAS FRONTEIRAS, ANTIGOS PARADIGMAS

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GENS: Nesse contexto, há destaque para dois elementos primordiais, capazes de agir como catalisadores desse processo: as diferentes linguagens - oral, escrita, literária, informativa, midiática, tecnológica, entre outras - reconhecidas e utilizadas para fortalecer a constituição de um leitor consciente, situado e crítico, que encontra na leitura uma forma de existência; e a biblioteca, um espaço cultural dinâmico, com papel formativo, onde o empréstimo de livros é apenas uma de suas diversas funções.

ANUÁRIO 2021

O século XXI apresenta novas fronteiras para o conhecimento, colocando em xeque antigos paradigmas que precisam ser revisitados e aprimorados.

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A LEITURA EM VOZ ALTA E O VÍNCULO AFETIVO NO PROCESSO DE CONSTITUIÇÃO DO LEITOR Professora: Taís Lino

É comum nos perguntarmos até quando devemos ler para as crianças, qual o sentido da leitura em voz alta para aquele que já sabe ler.

ANUÁRIO 2021

Embora possa parecer uma coisa comum, a leitura cotidiana, funciona como um “banho” de afeto e de vínculo. Afeto porque, para se ler, é preciso estar inteiro ali, 100% disponível para aquela ação e o vínculo é o resultado da parceria no processo de formação de leitores fluentes.

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Ler, muitas vezes, é penoso, demanda esforço, o que, para muitas crianças, só se torna prazeroso com o tempo e com ajuda de outros – de um leitor mais experiente, como um colega, um adulto ou um professor. Vencer os desafios que ler de modo autônomo e crítico exigem pode, sim, ser extremamente prazeroso.

Tomar consciência, progressivamente, das dificuldades e poder contar com a ajuda de um leitor mais experiente é um primeiro passo para uma relação mais prazerosa com a leitura. A leitura mediada é indispensável neste processo, ela é importante porque vai abrindo portas, é deste encontro que se tem o desenvolvimento do comportamento leitor. É lendo em voz alta para a criança, mesmo para aquelas que já sabem ler, que possibilitaremos o modelo do ritmo, da entonação, da concentração e da pronúncia correta de palavras mais difíceis. Mas a partir daqui destacarei a leitura como mais uma possibilidade de se estabelecer o vínculo afetivo e é desse lugar que conversaremos sobre a prática de se ler em voz alta para crianças já leitoras.


Durante toda a leitura, tendo a professora como porta voz, a magia acontece por trás das entonações vocais que registram uma afinidade com as emoções. A voz de quem lê é regulada a partir da relação com o seu público.

Segundo Ilan Brenman (2012) a leitura em voz alta promove o brilho nos olhos, o relaxamento corporal e a aproximação do objeto-livro. É dessa relação de uma leitura gratuita pela voz do outro, que o aluno pode compreender que o ganho está, não nas respostas certas de perguntas incertas e, sim, no próprio prazer de entrar em contato com a arte literária. O PRIMEIRO PASSO PARA A LEITURA É A AUDIÇÃO DE LIVROS. A AUDIÇÃO DA LEITURA FEITA POR OUTROS TEM UMA TRIPLA FUNÇÃO: COGNITIVA, LINGUÍSTICA E AFETIVA (MORAIS, 1996, p. 172).

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No 2º ano a leitura mediada pela professora faz parte do cotidiano, um momento muito aguardado pelos alunos que envolve o grupo todo. Iniciamos nossa caminhada de leitura compartilhada com o livro de Eva Furnari, Felpo e Filva. Sempre envolvendo os pequenos leitores com a fantasia do imaginário, a chegada dos livros acontece de forma mágica. Os personagens saltam das páginas do livro, e dão a impressão que estão sentados próximos às crianças no decorrer da leitura mediada.

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Após o contato com Felpo e Charlô, caminhamos para as Fábulas narradas por Monteiro Lobato. A leitura em voz alta desse gênero literário possibilitou o brincar com as palavras, criando uma nova relação com o conhecimento. As morais das histórias eram desembrulhadas no coletivo e ressignificadas com a leitura silenciosa que muitas crianças faziam questão de retomar após as leituras compartilhadas. Esse movimento registra a importância da passagem da leitura mediada para a leitura silenciosa. Ler em voz alta para um leitor em formação, é aproximá-lo da ponte que o levará para a ação leitora individual e silenciosa.

vários sentimentos, como alegria, medo, revolta e empatia. Conduzidos pela voz da professora, os alunos acompanharam o desenrolar da vida de Matilda ao longo de muitos dias. Uma leitura de fôlego, longa, que possibilitou a descoberta que a espera é prazerosa e divertida. Onde escutar o outro permite compartilhar experiências, aprender e evitar alguns perigos e a tomar alguns atalhos. Dessa vivência as crianças puderam perceber que a escuta a faz sentir-se bem e cuidada.

Na sequência viajamos para o centro do livro de Roald Dahl. O autor, que encanta expressivamente os seus leitores, é uma fábrica de fazer histórias e foi em todo esse encantamento que os alunos do 2º ano mergulharam em uma das suas mais famosas histórias, Matilda.

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O livro Matilda, chegou voando e assim como a personagem viaja para dentro dos livros, as crianças do 2º ano foram convidadas a embarcar numa viagem, recheada de momentos especiais. Uma leitura, que envolveu os pequenos leitores página por página.

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Toda leitura compartilhada requer alguns cuidados, entre eles: ler um capítulo integralmente a cada vez, para assegurar o fio condutor da história e retomar o que aconteceu nos trechos anteriores, antes de prosseguir com a leitura, em especial, quando continuamos a ler para elas somente no dia seguinte. Essa leitura, em especial, permeou

"A VOZ LIDA DAS HISTÓRIAS PERCORRE 360°. ENTRA PELOS OUVIDOS E PODE ALCANÇAR DISTÂNCIAS QUE, ÀS VEZES, NEM DESCONFIAMOS (BRENMAN, 2012, P. 135).


O vínculo estabelecido durante uma leitura de fôlego é permeado pela expectativa da próxima página, é intensificado pela entonação da parte tão esperada para o desenrolar daquele conflito e por muitas vezes a voz do leitor se mistura com a voz do contador de histórias. O professor de Psicologia Educacional, Sérgio Antonio da Silva Leite (2010), nos conta que a razão e o afeto estão intimamente relacionados quando se trata da constituição do leitor.

"O HOMEM QUE LÊ EM VOZ ALTA NOS ELEVA À ALTURA DO LIVRO. ELE SE DÁ, VERDADEIRAMENTE, A LER (...) ESCUTEM, ESCUTEM E VEJAM COMO É BOM OUVIR UMA HISTÓRIA (PENNAC, 1993, P. 91). Foi dessa forma, que o vínculo afetivo durante a leitura em voz alta foi constituído ao longo do trabalho no 2º ano. Que possamos continuar desembrulhando tesouros e recebendo leituras na voz do outro.

Assim como nos presenteia com seus direitos de leitores, Daniel Pennac também autoriza a leitura como vínculo afetivo para até mesmo com os leitores experientes. Para ele, a doação da leitura para o outro é um meio de oferecer tesouros a quem nos importamos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

LEITE, Sérgio Antonio da Silva. Afetividade e o processo de constituição do leitor. São Paulo: Unicamp, 2010. MORAIS, José. A Arte de Ler. Tradução: Álvaro Lorencini. São Paulo: Editora Unesp, 1996. MORAES, José. Criando leitores. Barueri, SP: Manole, 2012. PENNAC, Daniel. Como um romance. São Paulo: Rocco, 1993.

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BRENMAN, Ilan. Através da vidraça da escola: formando novos leitores. Belo Horizonte: Aletria, 2012.

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3º ANO E AS ETAPAS DE UMA ENTREVISTA Professoras: Bárbara Crudo e Juliana Cares

Por trás de toda ação eficiente, há um planejamento consolidado. Antes de uma grande entrevista, o jornalista estuda sobre o assunto, avalia pontos de vistas distintos e faz um levantamento de suas dúvidas. A partir dessa perspectiva da importância da pesquisa, os alunos do 3º ano foram convidados a se aprofundar na estrutura textual do gênero entrevista. Para isso, percorreram várias etapas, desde a compreensão do que é uma entrevista e a organização do texto, até a execução da mesma.

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Através da parceria com o Jornal Joca, entregue quinzenalmente, as crianças descobriram quais são os tipos de entrevistas mais comuns dentro do jornal impresso ou digital, além de dicas importantes, utilizadas pelos jornalistas profissionais para se prepararem e executarem uma entrevista de qualidade.

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"A ENTREVISTA É UM DOS GÊNEROS TEXTUAIS COM FUNÇÃO PREDOMINANTEMENTE INFORMATIVA, EM GERAL VEICULADA PELOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO. É UMA CONVERSA ENTRE DUAS OU MAIS PESSOAS EM QUE PERGUNTAS SÃO FEITAS AO ENTREVISTADO PARA SE OBTER AS INFORMAÇÕES NECESSÁRIAS DENTRO DE UM DETERMINADO TEMA EM QUE ELE SE DESTAQUE, QUE TENHA VIVÊNCIA OU FAÇA PARTE" (MANSANI, 2017).

Vale ressaltar aqui a importância do estudo e da pesquisa sobre o tema abordado e o levantamento das perguntas previamente para que o entrevistador consiga organizar sua fala e o rumo da conversa. Claro que nada é engessado, curiosidades que surgem ao longo do bate-papo são relevantes para informações interessantes. Sabendo quais são os tipos de entrevistas, os alunos tiveram acesso às edições impressas com um olhar apurado, na busca por características que os permitissem identificar falas de entrevistados no meio de uma notícia e a organização de uma ping-pong (as entrevistas em que a organização se dá por pergunta/resposta). Pesquisa e estudo iniciado, mas não encerrado, os alunos foram para a prática apoiados nos temas abordados na aula de História, os jornalistas mirins percorreram o colégio entrevistando profissionais que pudessem contar um pouco sobre a descendência e a cultura trazida por outros povos que permaneceu na cultura familiar.


Paulo Freire e Antonio Faundez (1985, p. 24) afirmam que o conhecimento tem início se o aluno souber fazer perguntas.

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"SOMENTE A PARTIR DE PERGUNTAS É QUE SE DEVE SAIR EM BUSCA DE RESPOSTAS, E NÃO O CONTRÁRIO: ESTABELECER AS RESPOSTAS, COM O QUE TODO O SABER FICA JUSTAMENTE NISSO, JÁ ESTÁ DADO, É UM ABSOLUTO, NÃO CEDE LUGAR À CURIOSIDADE NEM A ELEMENTOS POR DESCOBRIR".

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Ao analisar a relação entre a fala dos autores e o primeiro contato com entrevista dos alunos do Colégio Uirapuru, é possível compreender que a professora pode muito falar sobre a teoria, explicar como as construções da região sul do país foram influenciadas pela cultura alemã, mas ao entrevistar uma pessoa que viveu no Rio Grande do Sul, e que pode contar como essas construções interferem no aquecimento em dias frios, ah! Com certeza, são descobertas que fazem toda a diferença. Seguindo com a proposta da entrevista, os alunos continuaram o estudo sobre a estrutura textual da entrevista e aliado a isso, partiram dos experimentos científicos realizados nas aulas de Ciências para ampliar a pesquisa sobre impactos ambientais e a ação humana. Vale ressaltar aqui que o próprio ensino da Ciência, em todos os níveis do colégio, tem se baseado na pergunta, na curiosidade aguçada a partir de um assunto e principalmente, na busca por respostas a partir da experimentação, do mão na massa.

ANUÁRIO 2021

A primeira etapa foi a leitura de um texto e a observação de dois vídeos sobre o assunto, além de serem apresentados à entrevistada, a partir de um perfil pessoal e profissional dela.

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Em seguida, após um levantamento de conhecimentos dos familiares e curiosidades deles sobre o tema, as turmas selecionaram três perguntas que seriam feitas a uma profissional da área. Ao todo, doze perguntas foram encaminhadas para a bióloga e professora Karla Oliva. Entretanto, os questionamentos não foram simplesmente encaminhados, os alunos trabalharam a oralidade e gravaram as perguntas, que também foram respondidas através de um vídeo.

O objetivo do vídeo era aproximar a entrevistada dos jornalistas mirins e garantir o engajamento para a próxima etapa do projeto: a escrita de uma entrevista a partir do modelo ping-pong, também encontrado no Jornal Joca.


Links das entrevistas: Entrevista Juliana Cares Joca Entrevistas Uirapuru Entrevista Profa. Karla

Como produto final desse projeto, reunimos as perguntas e respostas redigidas por cada turma em um único arquivo, semelhante ao modelo tão admirado da seção repórtermirim do Joca, a entrevista ping-pong sobre impactos ambientais, realizada com a bióloga Karla Oliva, foi publicada em um folheto informativo para a comunidade escolar do Colégio Uirapuru.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: FREIRE, Paulo; FAUNDEZ, Antonio. A pedagogia da pergunta – Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1985. 3ª edição. MANSANI, Mara. Coloque os alunos para fazer (e escrever) entrevistas. Site Nova Escola, 02 de outubro de 2017. Acesso em 1 de setembro de 2021. Disponível em https://novaescola.org.br/ conteudo/6902/blog-alfabetizacao-como-fazerentrevistas

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Ao receberem o vídeo com as respostas da nossa entrevistada, os alunos tinham o desafio de organizá-las agora, redigindo a entrevista no modelo ping-pong apresentado e tão conhecido nas edições do Jornal Joca. Era necessário elaborar uma introdução sobre a entrevistada e, em seguida, redigir com muita atenção e fidelidade, as perguntas e respostas dadas por Karla Oliva.

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EDUCAÇÃO MIDIÁTICA: O JORNAL E A NTERDISCIPLINARIDADE NAS AULAS DE PORTUGUÊS

ANUÁRIO 2021

Professora: Flávia Corrêa

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CAMPO JORNALÍSTICO-MIDIÁTICO – Trata-se, em relação a este Campo, de ampliar e qualificar a participação das crianças, adolescentes e jovens nas práticas relativas ao trato com a informação e opinião, que estão no centro da esfera jornalística/midiática. Para além de construir conhecimentos e desenvolver habilidades envolvidas na escuta, leitura e produção de textos que circulam no campo, o que se pretende é propiciar experiências que permitam desenvolver nos adolescentes e jovens a sensibilidade para que se interessem pelos fatos que acontecem na sua comunidade, na sua cidade e no mundo e afetam as vidas das pessoas, incorporem em suas vidas a prática de escuta, leitura e produção de textos pertencentes a gêneros da esfera jornalística em diferentes fontes, veículos e mídias, e desenvolvam autonomia e pensamento crítico para se situar em relação a interesses e posicionamentos diversos e possam produzir textos noticiosos e opinativos e participar de discussões e debates de forma ética e respeitosa (BRASIL, 2018, p. 140).


Um dos materiais que faz parte da vida cotidiana dos alunos do Fundamental 1 é o Jornal. Com ele as crianças aprendem mais sobre diversos assuntos, treinam a leitura em voz alta, têm contato com gráficos e infográficos, se divertem com as tirinhas e desenvolvem a atenção ao se envolverem com os passatempos da última página. Contudo, essa leitura atrelada ou não a algum assunto estudado, nunca se dá simplesmente como um entretenimento. Ao propor a leitura e análise de alguma matéria, a professora planejou essa aula e escolheu o assunto a ser abordado, seguindo-se então a atividade a ser trabalhada na sala.

Já nas aulas de Português, os professores têm muitas ofertas de textos que compõem um jornal, como entrevistas, notícias, carta do leitor, sinopses e dicas de livros, entre outros, e pode escolher o texto midiático mais interessante para a aula a ser dada. A participação dos alunos nessa escolha também é respeitada em diversas atividades.

De acordo com o Guia para uso do jornal em projetos interdisciplinares - Lendo o mundo com o Joca: “A ÊNFASE DO TRABALHO É O JORNAL E, POR MEIO DELE, A LEITURA DE MUNDO E O PRINCÍPIO UNIFICADOR DO CONHECIMENTO EM TORNO DO INDIVÍDUO, VALORIZANDO SEU COTIDIANO, SUA EXPERIÊNCIA DE VIDA, A SINGULARIDADE, O AMBIENTE A SUA VOLTA E O ACASO, ENTRE OUTROS PONTOS” (GOUVÊA, 2021, p. 6).

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O jornal impresso é entregue aos alunos durante as aulas de Português, mas ele circula por todas as aulas. Nas aulas de Matemática, pode ser usado para um cálculo de um valor que aparece na notícia, ou uma reportagem sobre o uso do dinheiro e Educação Financeira. Nas aulas de Ciências, a sessão de Ciência e Tecnologia é a mais visitada. Nas de Geografia, a análise de mapas; nas de História, quando um fato histórico condiz com o que se está estudando no bimestre. E, nas aulas de Inglês, com um caderno em que as principais notícias aparecem já traduzidas, no qual as crianças podem treinar uma leitura mais autônoma e a interpretação de texto na língua inglesa.

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Pensando dessa maneira, não há motivos, nas aulas de leitura, para uma divisão de diferentes saberes. A criança pode ler um texto sobre a descoberta de uma nova estrela, que se encaixaria nas aulas de Ciências, mas, ao mesmo tempo, está treinando a velocidade de leitura e prosódia, além de interpretar o texto e correlacionar com vivências e conhecimentos anteriores.

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Ao se trabalhar com a leitura do jornal, o professor espera que o aluno utilize procedimentos de leitura, como encontrar as informações implícitas e explícitas no texto e inferir o sentido de uma palavra ou expressão; utilizar os suportes do texto para sua compreensão, como a leitura de quadrinhos, fotos, além da identificação da finalidade dos gêneros textuais que aparecem no jornal; fazer uma relação entre textos ao ler/ouvir/assistir a mesma informação em diferentes meios de comunicação; relacionar entre recursos expressivos e efeito de sentido, ao ler uma

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charge ou uma tirinha e, por fim, entender o texto através de coerência e coesão no processamento do texto. Mas, ao se trabalhar com a interdisciplinaridade dos textos jornalísticos, o professor propicia que o aluno consiga adquirir estratégias de conhecimento para além do saber escolarizado, em uma visão de ensino-aprendizagem em que o docente leve o aluno a aprender, transformar e agir sobre o que está acontecendo ao seu redor. Entender sobre fake news e saber distinguir um fato da opinião relativa a esse fato faz parte das aulas em que a interdisciplinaridade aparece. Em uma aprendizagem colaborativa e criativa, os alunos, ao se manifestarem a respeito do assunto lido, estarão auxiliando os colegas no entendimento da matéria jornalística. Também se deparam com diferentes opiniões e aprendem a respeitá-las.


O aluno lê sobre uma descoberta científica ou sobre o desmatamento, mas além disso lê para criar repertório de vida, conhecimento de mundo. O aluno escreve uma notícia sobre acontecimentos escolares utilizando a pirâmide invertida e o lead (características do texto jornalístico), mas além da escrita está treinando argumentos e coerência de pensamentos. A criança faz uma apresentação sobre as notícias do aquecimento global e está também treinando oratória, impostação de voz e melhor dicção. Ao criar um jornal, não está apenas aprendendo sobre as diversas sessões e gêneros textuais, estará pensando em quais assuntos são mais interessantes para o público alvo e como atingi-lo. Enfim, ao se deparar com a diversidade de textos e a interdisciplinaridade, o aprender torna-se mais estimulante para o aluno e pode abrir, desde cedo, o olhar desse estudante para o mundo em que vive.

BRASIL. Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Educação é a Base. Brasília, ME/CONSED/ UNDIME, 2018. GOUVÊA, Mônica de Souza (org.). Lendo o mundo com o Joca: Guia para uso do jornal em Projetos interdisciplinares. Marília Sandoval, Paula Takada e Priscila Ramos de Azevedo. São Paulo: Editora Magia de Ler, 2021.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

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CONHECENDO AS CULTURAS INDÍGENAS ATRAVÉS DE SUAS LENDAS E SEUS MITOS Professoras: Flávia Meletti e Isabella Amaral

Convém destacar as temáticas voltadas para a diversidade cultural e para as múltiplas configurações identitárias, destacando-se as abordagens relacionadas à história dos povos indígenas originários e africanos. Ressalta-se, também, na formação da sociedade brasileira, a presença de diferentes povos e culturas, suas contradições sociais e culturais e suas articulações com outros povos e sociedades (BNCC, 2017, p. 401).

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Durante as aulas de Português, os alunos do 4º ano tiveram contato com a obra de Walde-Mar de Andrade e Silva, artista plástico, escritor, ator e pesquisador de culturas indígenas. O livro Lendas e Mitos dos índios brasileiros trouxe para os alunos uma coletânea de histórias contadas por vários povos indígenas, além de ilustrações que misturam a arte de pintar e a interpretação das lendas.

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E foi no decorrer da leitura desses mitos e lendas que as crianças começaram a entender as culturas de alguns povos indígenas. Ao falarmos de leitura, devemos entender que esta compreende a interação ativa das diversas práticas de linguagem com textos escritos, orais e multissemióticos, assim como a sua interpretação. Por esse motivo, os alunos não apenas leram as

lendas do livro, também assistiram a vídeos que contavam diferentes versões da mesma história, estudaram notícias no Jornal Joca sobre os grupos indígenas com maior população no território brasileiro, observaram mapas com os principais produtos comercializados pelos diferentes povos, escutaram lendas lidas pela professora, bem como assistiram a entrevistas de um autor de livros infantis, Daniel Munduruku, do povo Munduruku. Na biblioteca, tiveram contato com diversos livros que abordavam lendas indígenas, além de livros escritos por autores indígenas. Descobriram que uma mesma história pode ser contada de diversas maneiras e que os povos mais antigos, através da tradição oral, passavam as lendas de pai para filho, juntando a família na hora que o mais sábio punha-se a discorrer com detalhes a lenda do dia.


Ao mesmo tempo, as crianças estudaram as nações indígenas nas aulas de História e conheceram a arte indígena nas aulas de Arte. Além da leitura e exploração de diversos textos, os alunos conheceram palavras usadas em nosso cotidiano e que têm origem em línguas indígenas. E ainda visitaram sites com dicionários em Tupiguarani/ Português.

Esse trabalho conjunto possibilitou aos alunos maior oportunidade de conhecer o processo de construção do país, além de entender a história indígena do passado e do presente, deixando de tratar o indígena como um estereótipo, e reconhecendo os aspectos positivos desses povos em relação à cultura brasileira.

ANUÁRIO 2021

Perceberam que os antepassados dos indígenas, quando não sabiam como explicar a origem de algo, como animais, plantas, estrelas, narravam histórias repletas de emoção, descobertas, acontecimentos misteriosos e sobrenaturais. Contadas de maneira simples, as lendas e os mitos brasileiros despertaram a curiosidade e atenção de nossos alunos.

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ANUÁRIO 2021

A matéria do site educacional Mundo Educação, ao tratar dos benefícios da cultura indígena no currículo escolar, diz: “Trabalhar a questão indígena na escola é fazer com que o país conheça a si próprio, oferecendo ao aluno condições para estar em contato com as tradições de seu país, em especial o Brasil que apresenta uma rica cultura, buscando sua valorização, promoção e preservação”.

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Ao longo deste estudo percebemos que, os alunos, que no começo pensavam no índio como um personagem distante, começaram a notá-lo como pertencente e importante para nosso país. O espanto pela vestimenta diferente tornou-se respeito e admiração pela arte da confecção de adornos e cocares.

A indiferença ao pensar em lendas, transformou-se em curiosidade, em querer aprender como eles explicavam os fatos sem a ajuda da Ciência. Os diversos estigmas dos indígenas foram desmistificados quando conheceram a biografia de autores indígenas que cursaram faculdade e aprenderam diversas línguas. O conhecimento de que no Brasil se fala somente Português, foi substituído pela compreensão de que além da Língua Portuguesa, há muitos brasileiros que falam outras línguas.(1)

1. Atualmente, entre 150 e 180 línguas indígenas são faladas no Brasil, país em que ainda se encontra uma das maiores densidades linguísticas do mundo. (Documentação de línguas indígenas).


Por fim, constatamos o êxito no trabalho com mitos e lendas indígenas ao levar os alunos a olharem além de seu mundo. E, como diz Daniel Munduruku em seu livro Coisas de índio - versão infantil: “Quero dizer aos pequenos leitores que existem outros modos de viver e que esses modos não são melhores ou piores, são apenas diferentes”.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: BRASIL. Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Educação é a Base. Brasília, MEC/CONSED/ UNDIME, 2017. SILVA, Walde-Mar de Andrade e. Lendas e mitos dos índios brasileiros. São Paulo: FTD, 2015.

Os benefícios da cultura indígena no currículo escolar. Mundo Educação/ UOL. Disponível em: <https://mundoeducacao.uol.com.br/educacao/ os-beneficios-cultura-indigena-no-curriculoescolar.htm> Acesso em 16 de out. de 2021 GOV.BR. Fundação Nacional do Índio. Museu do índio. Documentação de línguas indígenas. Disponível em:<https://www.gov.br/ museudoindio/pt-br/assuntos/pesquisa/linguasindigenas> Acesso em 16 de out. de 2021

ANUÁRIO 2021

MUNDURUKU, Daniel. Coisas de índio: versão infantil. São Paulo: Callis, 2019.

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A DESCONSTRUÇÃO DO FINAL FELIZ: DESENVOLVER UM REPERTÓRIO LITERÁRIO DIVERSO CONTRIBUI PARA A FORMAÇÃO DE UM LEITOR CONSCIENTE, SITUADO E CRÍTICO

ANUÁRIO 2021

Professoras: Gabriella Gomes, Larissa Basso, Stephanie Claro e Tatiana Pasin

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Repertório literário é a terminologia utilizada para se referir ao acervo pessoal e único de conhecimentos que uma pessoa adquire e desenvolve — contemplando memórias, palavras, emoções e referências — advindos das leituras literárias realizadas ao longo da vida. Nesse sentido, o trabalho com a leitura em sala de aula objetiva expandir o repertório do aluno como ferramenta para que ele, inserido histórica e socialmente no mundo, experiencie as múltiplas dimensões presentes no discurso: afetiva, social, histórica, psicológica, política, crítica. Essa vivência, ao revelar a intencionalidade presente nas palavras, atua como instrumento potencializador do processo de formação do sujeito crítico, como bem reflete Wittgenstein: “os limites de minha linguagem denotam os limites de meu mundo” (1968, p. 111).


Era uma vez uma princesa que vivia em uma castelo solitária, amaldiçoada por uma bruxa má. Certa vez, um belo príncipe apareceu pelas redondezas e salvou a princesa do feitiço. Eles se casaram e foram felizes para sempre. Quem já não leu diversas vezes histórias parecidas com essa? Os contos maravilhosos fazem parte da fase inicial de leitura de todas as crianças e abrem as portas ao mundo da imaginação, como princesas, príncipes, bruxas, dragões, fadas, feiticeiros e muitas outras personagens, e o famoso desfecho viveram felizes para sempre. O 6º ano, nas aulas de Português, pôde conhecer um novo jeito de contar histórias por meio da leitura da obra "Baús de trocas: novos contos de fada para ler e contar". Uma nova versão do conto maravilhoso surgiu, ampliando o repertório literário de todos os alunos, pois

já no primeiro conto conheceram uma personagem que viajou com o príncipe pelo mundo todo e "nunca se soube se eles foram felizes para sempre, mas conta-se que viveram muitas aventuras, chegaram a lugares distantes, saborearam pratos exóticos e conheceram gente de todo tipo" (LEMOS, 2011, p. 20). Nessa obra, a autora, Marilene Lemos, trouxe muitos contos que não iniciavam com "Era uma vez", as personagens nem sempre eram membros da família real, mas personagens como grupos de amigos que saíram para fazer uma viagem, um mercador em sua rotina de trabalho e uma família circense passando pelas suas dificuldades. Os enredos não se resumiam à busca da pessoa amada e os desfechos não eram um "final feliz". Essa leitura proporcionou aos alunos um novo olhar sobre o conto maravilhoso, possibilitando um novo jeito de contar histórias e um amadurecimento do leitor crítico. "A GENTE É COMO UM PEDAÇO DA NOITE. DE LONGE, ESTRELAS PERFEITAS. DE PERTO, ESTRELAS TORTAS" (CARRASCO, 2016, p. 96).

ANUÁRIO 2021

Durante o ensino fundamental II, a ampliação do repertório literário é praticada com vistas a fornecer ao aluno o contato com gêneros e temáticas que o levem a refletir com criticidade sobre as diferentes realidades sociais.

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Esta foi a conclusão recebida pelo 7º ano ao finalizar a obra "Estrelas Tortas", de Walcyr Carrasco. Com base nas observações levantadas em sala de aula, eles puderam perceber que, por vezes, o conhecimento de outras realidades nos leva a entender melhor diversas situações, e que não há uma fórmula única para o almejado “felizes para sempre”, mas sim uma mistura de apoio, empenho e fé em nós mesmos.

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A partir da história de Marcella (uma adolescente que fica paraplégica devido a um acidente de carro), os alunos desenvolveram um trabalho de reportagem no qual uniram ficção e realidade de modo a apresentar a personagem como sendo uma das muitas vítimas da imprudência presente no trânsito brasileiro. Assim, eles puderam perceber as nuances do gênero textual proposto, criando um trabalho repleto de intertextualidade e desenvolvendo elementos para o amadurecimento das suas habilidades como leitores e como indivíduos imperfeitamente perfeitos.

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Já no 8º ano, a oportunidade de conhecer outras realidades aconteceu a partir do diário mais famoso já publicado: O diário de Anne Frank. Nessa obra não-ficcional, autenticada como documento de guerra, Anne Frank, uma adolescente judia, nos conta como é o seu cotidiano dentro de um esconderijo no qual vive clandestinamente para fugir da perseguição nazista, juntamente com sua família e outros quatro judeus. O contexto histórico, trabalhado como base para entendimento da literatura, criou campo para que o aluno pudesse exercitar a empatia, e os relatos e vivências adolescentes proporcionaram identificação em alguns pontos. Assim, ao longo do bimestre, durante as aulas de Português, o oitavo ano discutiu

a importância do diário durante o período de confinamento de Anne, o cotidiano afetado pela guerra, as consequências do isolamento forçado, a importância de uma rede de apoio, os desafios da sobrevivência em contextos extremos e tantas outras vertentes que surgiram a partir da leitura e troca em sala de aula. Isso fez com que os alunos se sensibilizassem frente às questões políticas e refletissem sobre como elas impactam individualmente cada pessoa que venha a ser inferiorizada e colocada em situações tão preocupantes como o extermínio sistemático da população judia, que, longe de um final feliz, culminou no trágico fim de uma vida tão jovem. No 9º ano, uma das formas de construção de repertório crítico ocorreu no estudo da obra "Capitães da areia", de Jorge Amado, publicado, pela primeira vez, em 1937. O romance, que tem como cenário a cidade de Salvador, discorre sobre a vida de um grupo de meninos abandonados e marginalizados que buscam sobreviver em uma sociedade desigual e preconceituosa. Durante as aulas de Português, o texto de Jorge Amado foi estudado sob o viés da verossimilhança, analisado e comparado frente às questões sociais presentes à sua época de publicação com os que ainda enfrentamos na sociedade atualmente. Dessa forma, as reflexões provenientes da análise do romance e do contexto que o norteia serviram como ponto de partida para a elaboração do produto final do trabalho com o texto literário: a roteirização e gravação de podcasts que, além de contemplarem a contextualização da obra, ocuparam-se também da proposição de soluções e diálogos possíveis para o enfrentamento dos problemas levantados pelos alunos, desenvolvendo, portanto, o posicionamento crítico e oportunizando o exercício da argumentação.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: BRASIL. Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Educação é a Base. Brasília, MEC/CONSED/ UNDIME, 2017. SILVA, Walde-Mar de Andrade e. Lendas e mitos dos índios brasileiros. São Paulo: FTD, 2015.

Os benefícios da cultura indígena no currículo escolar. Mundo Educação/ UOL. Disponível em: <https://mundoeducacao.uol.com.br/educacao/ os-beneficios-cultura-indigena-no-curriculoescolar.htm> Acesso em 16 de out. de 2021 GOV.BR. Fundação Nacional do Índio. Museu do índio. Documentação de línguas indígenas. Disponível em:<https://www.gov.br/ museudoindio/pt-br/assuntos/pesquisa/linguasindigenas> Acesso em 16 de out. de 2021

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MUNDURUKU, Daniel. Coisas de índio: versão infantil. São Paulo: Callis, 2019.

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A LEITURA COMO FORMA DE EXISTÊNCIA Professoras: Mônica Martinez e Patrícia Silva

“A leitura do mundo precede a leitura da palavra”. Paulo Freire (1988)

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Em sentido amplo, podemos declarar que, como afirma Paulo Freire, a leitura do mundo precede a leitura da palavra, pois ler ultrapassa a compreensão dos signos linguísticos: as palavras adquirem sentido nas relações entre o leitor, a linguagem e o autor. Nessa interação, os discursos contidos no texto adquirem muitos sentidos, tantos quantos venham a ser o número de leitores (GERALDI, 2011).

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No cenário escolar, encarado como microcosmo da sociedade, a expressão de um amplo espectro ideológico, pedagógico, político, didático, científico, artístico e cultural faz da tarefa de pensar o maior atributo que a escola deve estimular. Não é uma tarefa simples estudar os sintagmas, os sólidos geométricos, a genética, a colonização americana, o desenvolvimento sustentável, porém esses (e tantos outros) saberes componentes da base curricular da Educação Básica originam-se em perguntas que estimulam a reflexão, a problematização e estão relacionadas a mudanças na vida dos indivíduos e das sociedades. Assume-se, portanto, que a cadência da construção do conhecimento

passa, necessariamente, pela leitura, já que ela é o catalisador central para que um indivíduo se torne, de fato, um sujeito crítico. Ler, sem dúvida, não é um mero ato de decodificação ou mesmo adivinhação de sentido, é sobretudo uma prática social. Acredita-se, como Escola, em um valor intrínseco ao trabalho com a linguagem: quando a leitura é concebida e ensinada como prática social, por meio de professores-leitores, os alunos agem de forma proativa e descobrem que ler é um instrumento necessário para resistir, selecionando e organizando as informações a fim de construir sentidos para a realidade que os cercam. É como diz Michèle Petit, em sua obra “A arte de ler – ou como resistir à adversidade”: ler é tornar-se hábil no uso da língua, é conquistar uma inteligência mais sutil, mais crítica, tornando-se capaz de explorar a experiência humana, atribuindo-lhe sentido e valor poéticos. Além disso, a leitura também traz em si a interação, que possibilita o diálogo entre


Nesse contexto, o ensino, inserido dentro da concepção de leitura como construto básico para a promoção da consciência sobre si e sobre a sociedade, favorece a formação de leitores como indivíduos críticos e participativos. Contudo, a formação de leitores críticos em um contexto de incontáveis informações e de um bombardeio constante de textos não é algo simples. As diversas informações trazem em si mesmas contradições, as quais produzem inumeráveis dúvidas acerca do que é veiculado pela mídia, pelo meio acadêmico e ou mesmo pelo parecer científico. A sociedade requer da escola essa ação – a ação que ensina a leitura como resistência.

Eni Orlandi, uma das maiores linguistas do Brasil, responsável pela difusão e fortalecimento da análise do discurso de filiação francesa no país, estuda as perspectivas do silêncio (ORLANDI, 2014), como o silêncio fundador, “aquele que existe nas palavras, que significa o nãodito”; a política do silêncio, que se divide em silêncio constitutivo e silêncio local; e o silêncio como resistência, cuja análise está alicerçada no(s) mecanismo(s) usado(s) por vozes sociais reprimidas pela ideologia dominante. Esse texto, então, tem como finalidade relatar a leitura (de si, das materialidades discursivas, do mundo) para ressignificar o silêncio e dar voz a todos os corajosos que decidem se aventurar pelo exercício fundamental (e exaustivo) da construção leitora.

ANUÁRIO 2021

o que somos, como nos relacionamentos com o outro, o que sabemos e o que o texto nos apresenta. Sendo assim, é necessário que a escola realize a prática de leitura como algo bem mais amplo: não basta decifrar letras ou um encadeamento delas – deve-se compreender os limites do texto e interpretá-lo. Ler está relacionado à forma como os indivíduos se apropriam do conhecimento, de como agem em contextos em que a interpretação é exigida e abre espaço para uma nova forma de conceber, entender e representar o mundo e a si mesmo. Os textos agem, normalmente, como soldados: podem permitir nossa entrada, podem não permitir nossa entrada, podem nos convidar para uma batalha.

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RELATO DE LEITURA

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Antoine Compaignon, na obra Literatura pra quê? (edição de sua aula inaugural realizada no Collège de France, em 2006), discute a importância da leitura e do estudo da literatura no século XXI. Segundo Compaignon, a literatura nos proporciona uma maneira de resgatar a experiência do outro, muitas vezes distante de nós no tempo, no espaço e nas circunstâncias. É apenas por meio da literatura que nos tornamos sensíveis e atentos à diversidade de valores que se presentificam em sociedade. É a literatura, em suma, que nos auxilia no desenvolvimento e na manutenção de um olhar empático para a realidade.

Dentre as leituras realizadas ao longo do ano, destacamos algumas pela relevância da discussão e por seu poder de transformação dos sujeitos. Com O marinheiro, teatro estático de Fernando Pessoa, publicado em 1915, os alunos foram confrontados com a noção de sujeito, as diferentes vozes que regem nossa existência e a constatação da necessidade de autoconsciência. Em A falência, publicado em 1901, Júlia Lopes de Almeida coloca em discussão a desigualdade de gênero e o racismo estrutural, o que levou os alunos a reorganizarem suas próprias convicções a respeito de tais temas.

Assim, muito mais do que identificar as características das escolas literárias ou relacioná-las ao contexto histórico-social no qual cada movimento artístico está inserido, os alunos do Ensino Médio foram motivados a discutir o mundo a partir das leituras propostas ao longo do ano. Nesse processo, a leitura proporcionou a cada um não apenas o conhecimento do outro, mas de si mesmo, já que a busca pelo entendimento do outro passa, necessariamente, pelo entendimento de nós mesmos.

Niketche e Terra sonâmbula, produções de autores moçambicanos (Paulina Chiziane e Mia Couto, respectivamente), colocam em evidência a reconstrução de Moçambique após a Guerra Civil que dizimou o país. Nas duas obras, a palavra assume força criadora e propulsora de mudanças, evidenciando aos alunos a importância da literatura. Na visão do professor Antonio Candido, a literatura tem como uma de suas funções a de organizar o nosso caos, interno ou externo, de maneira que nos seja possível estar no mundo de maneira crítica e consciente.


A primeira, publicada em 1932, por Aldous Huxley, apresenta uma sociedade controlada pelo estado científico, extremamente totalitário. Os sujeitos desse meio, quando sentem medo ou tristeza, utilizam-se de uma droga - o Soma - para fugir da realidade e aceitar um sistema de castas extremamente rigoroso. Desse livro, é bonito notar a possibilidade de ver a juventude discutindo a medicalização da vida - há remédios para dormir, para acordar, para focar nos estudos, para esquecer os problemas, entre outros - e também como o conhecimento, quando nas mãos de ditadores, pode ser um recurso que aprisiona e não liberta.

A segunda, sem dúvida, é o grande sucesso nas turmas, pois consegue atingir leitores adolescentes e adultos, incluindo as famílias e outros professores que se interessam pelo tema. Publicado em 1953, por Ray Bradbury, essa obra é capaz de angustiar tanto quanto de mostrar como os livros são poderosos e despertam o medo em todos que querem manipular e silenciar a força do coletivo. Em um futuro distópico, tomado por telas interativas e casas a prova de fogo, a função dos bombeiros é queimar livros, que derretem com a temperatura de 451 fahrenheit, justificando o título do livro. Essa sociedade é proibida de ler livros, já que, de acordo com o Estado, a leitura gera tristeza - o que é comumente interpretada pelos leitores como a tristeza do despertar para novas realidades - e questionamento. O livro surpreende a cada novo capítulo, em especial, porque destaca, com muita força, o poder do conhecimento, do privilégio que temos quando nos alfabetizamos e aprendemos a ler o mundo com olhos mais críticos.

ANUÁRIO 2021

Além dessas leituras fundamentais para a formação humanitária em literatura, um outro estilo também conquistou nossos leitores: as distopias. Essa modalidade de histórias ganha cada dia mais destaque no mercado editorial, pois é extremamente cativante flertar com um "amanhã sombrio", mas que, de fato, diz muito sobre o presente e o modo como o passado, quando não resolvido, retorna como farsa. Para esse trabalho, com o objetivo de desenvolver o gênero resenha crítica, adotamos três obras de referência Admirável Mundo Novo, Fahrenheit 451 e O Conto da Aia.

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A terceira, uma produção contemporânea, ficou muito conhecida por conta da série norte-americana The handmaid's Tale. Escrita pela canadense Margaret Atwood, em 1985, esse livro se passa em um futuro próximo, quando o Estado teocrático e totalitário de Gilead - nos Estados Unidos decide anular e retirar todos os direitos das mulheres. Nessa sociedade, as mulheres são divididas em categorias, de acordo com suas funções, como as Aias - que existem exclusivamente para procriar, permitindo que as Esposas dos Comandantes possam ter filhos mesmo sendo inférteis. O interessante sobre essa obra: ela tem a capacidade de empoderar as meninas sobre suas realidades, reconhecendo a lógica patriarcal que parece adormecida, porém segue como uma violência muito atuante em nosso cotidiano. É comum recebermos e-mails com relatos de assédio moral ou físico das nossas jovens, tomada de consciência também possível por meio dessa leitura tão especial.

Como se pode notar, a riqueza de temas é uma das diretrizes do trabalho com leitura, especialmente para conseguirmos acalmar as mentes agitadas com e pela tecnologia, e direcionar nossos esforços para processos que envolvam a leitura profunda, capazes de transformar realidades. Certa vez, Drummond disse que a leitura é uma fonte inesgotável de prazer, mas, por incrível que pareça, a quase totalidade, não sente esta sede. Se de fato o poeta tem razão, assumimos essa provocação como projeto pedagógico: formar leitores para além do prazer porque antes de tornar a leitura prazerosa, ela precisa ser significativa e imprescindível para o exercício da cidadania, mesmo que cause incômodo. Por fim, encerramos essa breve reflexão com uma questão: se ler é tão importante, por que é tão difícil criar esse hábito? Longe de uma resposta fácil, tendo em vista que não há respostas simples para problemas complexos, esperamos que esse texto seja um convite para que todos - alunos, famílias, professores e funcionários - atuem como multiplicadores de conhecimento, na escola ou fora dela, capazes de assumir um compromisso diante dos processos leitores. Se ler é tão importante, devemos olhar com muita responsabilidade para cada gesto que alfabetiza, questiona, amplia e aprende. Se ler é existir, então que essas palavras sejam gotas de existência nesse nosso árido cotidiano.

ANUÁRIO 2021

Viva a leitura!

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: ATWOOD, Margaret. O conto da Aia. São Paulo: Rocco, 2018. BRADBURY, Ray. Fahrenheit 451. Rio de Janeiro: Biblioteca Azul, 2017. CANDIDO, Antonio. "O direito à literatura". In: ______. Vários escritos. 5.ed. Rio de Janeiro: Editora Ouro sobre Azul, 2011. COMPAIGNON, Antoine. Literatura pra quê? Trad. Laura Taddei Brandini. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2009. FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler. São Paulo: Paz & Terra, 2021.

GERALDI, João Wanderley. (org.) O texto na sala de aula. 5.ed. São Paulo: Ática, 2011. HUXLEY, Aldous. Admirável mundo novo. Rio de Janeiro: Biblioteca Azul, 2019. PETIT, Michèle. A arte de ler – ou como resistir à adversidade. São Paulo: Editora 34, 2012. ORLANDI, Eni. As formas do silêncio. Campinas: Editora da Unicamp, 2014.

ANUÁRIO 2021

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia. São Paulo: Paz & Terra, 2021.

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A BIBLIOTECA E AS AULAS DE PORTUGUÊS: UM DIÁLOGO ESSENCIAL Professora: Mariane Esteves

ANUÁRIO 2021

Todo apaixonado por livros se sente em casa dentro de uma biblioteca. O fascínio causado por este lugar não vem apenas dos exemplares disponíveis, mas também de todas as histórias contidas nas numerosas páginas encontradas por ali. Ao ler um livro, estabelecemos diálogo com seu autor e suas ideias, e temos a oportunidade de nos refazer enquanto leitores e atores sociais.

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Aprender a se comunicar em uma língua passa também pelo conhecimento de histórias e personagens que ajudam a construí-la. Nossos estudos do Português certamente não seriam os mesmos sem a inovação literária trazida por Machado de Assis ou sem a revolução linguística gerada por Guimarães Rosa. E o que dizer de nossos poetas contemporâneos e seus textos inquietantes sem mencionar a coragem poética de Carlos Drummond de Andrade? Realmente não há maneiras de pensar o Português sem nos lembrarmos dos mestres que nos mostraram o que é possível fazer com as palavras. Indescritível é a sensação que temos ao encontrar nas palavras de outros nossos sentimentos mais profundos e pessoais.

Certa vez, ao ler a obra "Notas sobre o luto", de Chimamanda Ngozi Adichie, percebi o quanto ela falava sobre a humanidade quando buscava explicar os ensinamentos que tivera com a morte de seu pai: "Aprende quanto do luto tem a ver com palavras, com a derrota das palavras e com a busca das palavras". As palavras revelam ao mundo exterior o que se passa dentro de nós e acabam por fazer o papel de pontes entre o mundo real, do qual muitas vezes desejamos distanciamento, e o mundo interior, aquele que pulsa em nós e costuma se comportar com um rei bem mandão. Difícil encontrar alguém que não tenha um livro ou um personagem com o qual se identifique. Aquele protagonista que enfrenta desafios para conquistar seus objetivos ou tem que recomeçar quando tudo parece ter dado errado conta muito sobre nós e nossas vidas. E o que dizer daqueles romances que parecem inspirados em nossa vida mais íntima, mas que não revelamos, às vezes, nem a nós mesmos? A literatura tem esse poder: revelar um eu por vezes desconhecido.


No 5º ano, as aulas de biblioteca oportunizam essa revelação. Elas acontecem durante a aula de Português e aproximam os alunos do universo literário e dos elementos que o permeiam e são importantes para sua formação. Os encontros quinzenais são momentos preciosos de contato com cronistas, poetas ou jornalistas e evidenciam o que está por trás da produção de obras tão caras à literatura brasileira e estrangeira. Entretanto, a aula tão aguardada pelos alunos não é somente um espaço para mudar de ambiente e fazer empréstimos de livros. Aprendizados importantes, como identificar fontes de informação confiáveis, fazer referências bibliográficas, identificar as funções de diferentes tipologias textuais e trabalhar o uso de imagens dentro do texto, são alguns exemplos de atividades que foram desenvolvidas com os alunos e que vão além das expectativas iniciais dos encontros.

ANUÁRIO 2021

Além disso, algumas vezes, as aulas de biblioteca estabeleceram diálogo direto com as de Português e trataram de temas trabalhados nesta disciplina, como a presença do eu lírico em poemas e a importância das invenções apresentadas no livro "História das invenções", de Monteiro Lobato, uma das obras literárias lidas com os alunos da série.

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Contrariando a origem etimológica da palavra "biblioteca", que, de acordo com Cunha (1997), vem do latim "biblio" (papel ou rolo) e "teca" (depósito), as aulas na casa dos livros mostram que ali não é um lugar de depositar livro como se eles fossem apenas materiais inertes sem serventia alguma ou com funcionalidade circunscrita ao ambiente acadêmico. Há algo além que precisa vir à tona, e as descobertas de que os livros contam sobre a vida prática dentro e fora da escola são imprescindíveis. Além disso, não há como dissociar o estudo da língua do estudo do texto. Como propõe Maria José Nóbrega em entrevista à revista Nova Escola, mesmo com as novas diretrizes trazidas pela Base Nacional Comum Curricular (BRASIL, 2018), o papel do texto permanece central, mesmo em aulas de Português mais concentradas em conteúdos gramaticais.

ANUÁRIO 2021

Ainda de acordo com a estudiosa da língua, as crianças já dominam totalmente a gramática do Português aos cinco anos de idade. Elas sabem, por exemplo, que orações como "O ganhou menino presente" não são possíveis de serem compostas na nossa língua. Essa gramática internalizada, e que todo falante nativo domina com excelência, precisa ser explorada para que as crianças transponham para o universo da escrita e da análise textual um conhecimento do qual já dispõem.

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Nesse sentido, a parceria com as aulas na biblioteca ajudam a concretizar e sistematizar o conhecimento da língua e as possibilidades que ela cria. Ao entrarem em contato com diversos textos e autores, os alunos são despertados para as possibilidades mil de uso do Português, o idioma que usamos para falar, sentir e sonhar.

Umas das aulas mais envolventes na biblioteca certamente foi a que discutiu a identificação de fontes confiáveis de informação, pois os alunos, integrantes de uma geração nativa digital, já conheciam bastante sobre o assunto e quiseram expor suas opiniões sobre ele, principalmente no que diz respeito aos perigos trazidos pelas "fake news", informações falsas propositalmente divulgadas com a intenção de ofender a figura de alguém ou de alguma instituição. Foi bastante importante discutir o papel dos livros e dos intermediários da leitura, como professores e bibliotecários, como filtros da informação. Além disso, os alunos puderam colocar a mão na massa e buscar índices - local e data de publicação do material, autor, apresentação do assunto em discussão, por exemplo - que apontassem o grau de confiabilidade de textos apresentados a eles dentro de uma coletânea para análise. O resultado foi ainda mais empolgante e os alunos conseguiram perceber as marcas capazes de indicar os textos mais confiáveis. Esse conhecimento, aprendido por meio da prática, certamente ficará para sempre na vida de cada um e será de grande valia também para a vida além dos muros da escola. Outro momento valioso das aulas de biblioteca foi a descoberta de que os diferentes autores podem construir eu líricos ou pontos de vista narrativos a serviço de suas intenções literárias. Lembro-me de um exemplo apresentado para os alunos de uma obra em que o narrador-personagem era uma boneca e ela contava sobre sua experiência de vida após sua dona ganhar outros brinquedos. O mais interessante certamente foi perceber a intenção do autor ao dar voz a um


personagem inesperado, pois somente ele seria capaz de transmitir aos leitores suas sensações diante do quadro de abandono que estava vivendo. Surpreendente foi também o encontro na biblioteca em que os alunos puderam ver na prática as descobertas derivadas ou mencionadas no livro "História das invenções", de Monteiro Lobato. Ao contar sobre descobertas revolucionárias, como a roda, o livro mostra que muitas facilidades e conquistas que vemos hoje são fruto de um passado bem extenso e cheio de experimentações. Se antigamente havia a corneta acústica para auxiliar os deficientes auditivos, hoje temos aparelhos modernos que facilitam bastante a vida de seus usuários.

As aulas de biblioteca foram a demonstração clara de que a arte está viva dentro de cada um de nós e nos aproxima do mundo físico que existe fora da pele que habitamos. Como diz Fernando Pessoa, "quem não vê bem uma palavra, não pode ver bem uma alma". Certamente nossos alunos saem dessa experiência mais conscientes do significado amplo da palavra biblioteca.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: Desvendando o ensino de gramática com textos. Disponível em https://novaescola.org. br/conteudo/12150/desvendando-o-ensinode-gramatica-com-textos#. Último acesso em 07/10/2021. ADICHIE, C. N. Notas sobre o luto. Tradução de Fernanda Abreu - 1ª edição - São Paulo: Companhia das Letras, 2021. BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2018. disponível em:http:// basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_ EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf. (Acesso em 03/11/2021). CUNHA, Antônio. Dicionário etimológico da língua portuguesa. 2. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1997. WILDE, Oscar cit in Alain ROGER – “Natureza e cultura, a dupla artialização”, in Adriana VERÍSSIMO SERRÃO (coord.) – Filosofia da Paisagem, uma antologia. Lisboa: Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa, 2011, p. 155.

ANUÁRIO 2021

Como foi possível notar, semelhante ao que diz Oscar Wilde, "a vida imita a arte mais do que a arte imita a vida", pois os livros revelam mais sobre nós do que poderíamos imaginar. Ele nos levam a lugares desconhecidos, mas, ao mesmo tempo, fazem com que retornemos para casa, sendo assim o caminho de volta e de concretização dos nossos sonhos, desejos e aprendizados.

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O PAPEL FORMATIVO DA BIBLIOTECA DENTRO DA ESCOLA: UMA PRÁTICA PARA A FORMAÇÃO DE COMPETÊNCIAS PARA O SÉCULO XXI

ANUÁRIO 2021

Dalila Queiroz, Educadora da Biblioteca Gabriela Constantino, Gestora da Biblioteca

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A infodemia parece ser uma nova palavra que surge aos ouvidos de muitos educadores, comunicadores, pais e alunos. Segundo a Academia Brasileira de Letras, "no início de 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) utilizou o termo infodemia para se referir à “propagação em massa de informações, muitas delas falsas, sobre a pandemia do coronavírus”, mas muitos anos antes disso, "o cientista político e jornalista David J. Rothkopf, cunhou o termo em seu artigo “When the Buzz Bites Back”, publicado no jornal The Washington Post, em 11 de maio de 2003, em meio à epidemia da SARS (Síndrome Respiratória Aguda Grave)". Apesar da coincidência do termo aparecer em meio a graves epidemias sanitárias, seu

conceito está ligado fortemente ao excesso de informação que é veiculada sobre determinado assunto, gerando confusão e desinformação na população. Também podemos atribuir o debate deste conceito à Base Nacional Comum Curricular (2018), que prevê competências e habilidades relacionadas à leitura, ao entendimento e à disseminação de materiais jornalísticos e informacionais, para os alunos do ensino fundamental e médio. Mas uma área que já tratava desses assuntos, há muitos anos e que é pouco trabalhada na área da educação, é a biblioteconomia. O bibliotecário, como profissional da informação, tem a obrigação de tratar a informação, separando-a das


A expressão Information Literacy, que em português pode ser traduzida como Letramento Informacional, surge nos anos 1970, nos Estados Unidos, "em um relatório intitulado The information service environment relationships and priorities, de autoria do bibliotecário americano Paul Zurkowski" (DUDZIAK, 2003, p. 24). Um conceito que é novo para nós brasileiros, mas não é tão recente assim no âmbito educacional internacional. Aqui no Brasil, há bibliotecários especializados no assunto como a Profa. Dra. Bernadete Santos Campello, referência em letramento informacional e que é a responsável pela tradução e organização da maior parte dos conteúdos informacionais da área. A information literacy apresenta um significado que vai além da soma de suas partes (information e literacy). Admitindo que informação é um conceito muito complexo que engloba muitas definições e interpretações, conforme a área de conhecimento na qual se insere [...] Porém, de forma simplificada, a informação é o conjunto de representações mentais codificadas e socialmente contextualizadas que podem ser comunicadas, estando, portanto, indissociadas da comunicação. Quanto à literacy, segundo Lyman, pode ser definida como “a habilidade de compreender matérias, ler criticamente, usar materiais complexos e aprender por si mesmo” (DUDZIAK, 2003, p. 23).

Outro termo que vem aparecendo com frequência é a educação midiática e, este sim mais jovem que seu colega letramento informacional, está atrelado às competências e habilidades que levam os alunos a ser capazes de ler informações impressas ou digitais de forma crítica e reflexiva; acessar, analisar criar e participar ativamente da sociedade em que está inserido, de forma consciente. Compreendendo como funcionam as mídias, e tornando agentes ativos e reflexivos de seus próprios conteúdos, e não espectadores passivos. Um aluno letrado nessas habilidades e competências, que teve acesso à uma educação midiática e ao letramento informacional de qualidade, será uma leitor crítico, questionador e que entenderá dos processos de produção de conteúdos informacionais, saberá enfrentá-los corretamente, vai refletir sobre determinadas notícias, artigos, propagandas, campanhas publicitárias, informações que chegam por aplicativos e redes sociais ou até mesmo em conversas com amigos e familiares. Este aluno não será enganado por desinformações ou notícias falsas e, por consequência, não compartilhará esses conteúdos com outras pessoas, além de ser um cidadão comprometido com a divulgação da verdade e dos fatos.

ANUÁRIO 2021

inverdades e dos conteúdos mal apurados, trazendo fatos verídicos, baseados em pesquisa e com rigor metodológico e científico para o meio acadêmico. Dentro da biblioteconomia, a Information Literacy é um nicho de estudos sobre a formação de usuários da informação capacitados a selecionar, recuperar, divulgar e consumir informação de qualidade e com responsabilidade.

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ANUÁRIO 2021

Esse letramento precisa partir da escola e principalmente da biblioteca, local de organização da informação e do conhecimento. A biblioteca pode ser um local potente para se compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva (BNCC, 2018).

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Sabemos que o indivíduo letrado não só realiza a leitura de palavras e símbolos, mas também compreende os significados e as aplicações em diversos contextos e, por isso, a ele deve ser apresentado o maior número de gêneros e linguagens possível, de modo que as informações favoreçam a construção do repertório individual. Por oferecer acontecimentos narrativos diversos, onde imagens e texto dialogam entre si, dá-se a necessidade de preparar o aluno para a leitura também dessas múltiplas percepções, possibilitando o reconhecimento, interpretação e leitura dos diferentes signos que os cercam, seja na escola ou fora dela. Somos bombardeados a todo momento por informações diversas que circulam de uma forma muito rápida, pois a tecnologia está presente a todo momento e de uma maneira muito forte em suas vidas, por isso, se faz necessário esse duplo letramento. E que local melhor do que a biblioteca escolar para esse contato? A biblioteca escolar do século XXI não é mais o local de armazenamento e preservação do conhecimento, é nela que a informação é organizada, disseminada, analisada e contextualizada, a partir da mediação do bibliotecário, especialista em mídias, sejam elas físicas ou digitais. Aqui, entendemos por mídias como o suporte da

informação: meio pelo qual a informação chega até o receptor, podendo ser o jornal, o livro, o e-book, a internet, o rádio, a televisão, etc.

Ciclo Midiático


Ferrari (2020, p. 26) diz que o letramento digital e informacional não é uma novidade, mas se faz cada vez mais necessário, ganha cada dia mais espaços em nossas vidas, necessitando de urgência diante do enorme fluxo de informações a que estamos expostos diariamente. As informações estão aí e necessitamos filtrá-las, questioná-las e não apenas consumi-las. A autora do Guia da Educação Midiática (2020, p. 57) complementa que a Educação midiática não se trata de uma disciplina isolada, mas de um conjunto de habilidades para acessar, analisar, criar e participar do ambiente informacional e midiático em que está inserido. Ela descreve essas habilidades em forma de uma mandala, construída a partir de três grandes eixos: Ler, Escrever e Participar.

ANUÁRIO 2021

O conhecimento sobre o cérebro leitor e as instruções para suas iterações futuras requerem a junção de múltiplas disciplinas – desde a neurociência cognitiva e a tecnologia, até as humanidades e a ciências sociais. Nenhuma dessas disciplinas é suficientemente sozinha para tomar o tipo de decisões que temos que tomar; cada um acrescenta alguma coisa de essencial às combinatórias de conhecimento necessárias para desenvolver a posição de sábia ignorância de Nicolau de Cusa. Neste contexto, eu proponho o desenvolvimento de um cérebro leitor duplamente letrado (WOLF, 2019, p. 199).

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Bom, esses são os eixos e habilidades que norteiam a educação midiática que desejamos construir e formar em nossos alunos, para que usem tanto na escola, como fora dela. Mas como cabe ao professor e aos espaços informacionais, como as bibliotecas, desenvolver essas habilidades?

uma aprendizagem significativa, fazendo uso de recursos de mídia em sala de aula; guiando os para práticas seguras, éticas e legais no ambiente digital e também fora dele; criar experiências que os envolva a participar da sociedade e assim contribuir de maneira crítica, reflexiva, ética e responsável.

Para Ferrari (2020, p. 59) esses profissionais da educação necessitam de constantes formações e estarem cientes de seus objetivos como formadores de cidadãos digitais, isso implica em: explorar novas abordagens pedagógicas proporcionadas pelas tecnologias de informação e comunicação a qual se tem alcance; promover e estimular a curiosidade para um aprendizado contínuo; facilitar

O fascínio que a rede desperta nas crianças e adolescentes precisa ser entendida pela escola e seu potencial como fonte de informação não pode ser desprezado pelos educadores. É preciso planejar urgentemente ações pedagógicas adequadas para o uso da rede, assumindo os bibliotecários o seu papel de mediadores entre o aluno e a informação. Transferindo para o universo virtual as competências

ANUÁRIO 2021

Mandala de Habilidades Midiáticas e Informacionais.

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O papel do bibliotecário neste cenário é de mediador da informação: serve tanto para os professores da escola, quanto para os alunos. Neste sentido, cabe ao bibliotecário trazer recursos e aprendizados que potencializam essas habilidades dentro do programa escolar para que a aquisição destas habilidades aconteça e se mescle de forma homogênea aos conhecimentos ensinados pela escola. Percebe-se, assim, que os autores brasileiros que trataram da information literacy, embora trabalhando em perspectivas distintas, têm em comum o fato de perceberem a necessidade de ser este o momento de se ampliar a função pedagógica da biblioteca [...] e de se repensar o papel do bibliotecário (CAMPELLO, 2003, p. 29). A biblioteca escolar é mais do que um local de armazenamento dos livros: é um espaço potente, de formações educativas que permite ao usuário, seja aluno, professor ou familiar, acessar conteúdos informacionais de qualidade, com mediação de profissionais habilitados na curadoria dos mesmos. A biblioteca do século XXI, moderna e atualizada, serve como um ponto de referência da informação dentro da escola, e à medida que os anos vão passando, a biblioteca enquanto instituição vai dissociando-se da imagem feita nos primórdios de sua consolidação, de apêndice escolar e inacessível aos usuários. Afinal, conforme os anos vão passando, o conceito de biblioteca e de leitor vai se aprimorando e cabe à biblioteca e ao bibliotecário acompanhar esta passagem de geração para geração.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS. Infodemia. Disponível em: https://www.academia.org.br/nossa-lingua/novapalavra/infodemia. Acesso em 07 nov. 2021. BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, 2018. CAMPELLO, Bernadete Santos; et al. . A biblioteca escolar: temas para uma prática pedagógica. 2ª ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2016. CAMPELLO, Bernadete. O movimento da competência informacional: uma perspectiva para o letramento informacional. Brasília: Ci. Inf., v. 32, n. 3, p. 2837, set./dez. 2003. Disponível em: https://sgasavuploads.s3-accelerate.amazonaws.com/uploads/ mdm/1/DG/G03298/71c73969741c63f2551f94b fcf8d6d60.pdf?X-Amz-Algorithm=AWS4-HMACSHA256&X-Amz-Date=20211107T155815Z&X-AmzSignedHeaders=host&X-Amz-Expires=28800&XAmz-Credential=AKIAIR2QYGSIW7F3K6– WA%2F20211107%2Fus-east-1%2Fs3%2Faws4_ request&X-Amz-Signature=cf0b53325ad7125800161588 4fd70d14e26aaf0222c7412928a39748b7d98396. Acesso em 07 nov. 2021. DUDZIAK, Elisabeth Adriana. Information Literacy: princípios, filosofia e prática. Brasília: Ci. Inf. , v. 32, n. 1, p. 23-35, jan./abr. 2003. Disponível em: https://sgasav-uploads.s3-accelerate.amazonaws. com/uploads/mdm/1/DG/G03298/3934c21b71b67a9 375df504735985a5c.pdf?X-Amz-Algorithm=AWS4HMAC-SHA256&X-Amz-Date=20211107T155820Z&XAmz-SignedHeaders=host&X-Amz-Expires=28800&XAmz-Credential=AKIAIR2QYGSIW7F3K6– WA%2F20211107%2Fus-east-1%2Fs3%2Faws4_ request&X-Amz-Signature=e30abd9f26c1f7ceeb866610 6a1b92bca7373feca4b5ff2c5752640ee4b924cc. Acesso em: 07 nov. 2021. FERRARI, Ana Claudia. Guia da Educação Midiática. São Paulo: Instituto Palavra Aberta, 2020. LABIRINTO do saber. Competência em Informação e Midiática (CoInfo). Disponível em: https://labirintodosaber. com.br/competencia-em-informacao-e-midiatica. Acesso em 07 nov. 2021. OCHS, Mariana. Mandala Informacional e Midiática. Educamídia, 2019. Disponível em: https://marianaochs. com/Curriculo-EducaMidia. Acesso em 07 nov. 2021. WOLF, Maryanne. O cérebro no mundo digital: os desafios da leitura na nossa era. São Paulo: Contexto, 2019.

ANUÁRIO 2021

desenvolvidas na sua prática com o mundo impresso, o profissional bibliotecário estará numa posição privilegiada para exercer essa função de mediador nesse meio de comunicação, que veio para ficar (CAMPELLO, 2016, p. 36).

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A TECNOLOGIA E OS MÚLTIPLOS OLHARES

ANUÁRIO 2021

Professora: Camila Mattos

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Quando pensamos no futuro, uma das bases fundamentais para o aprendizado dentro da educação dos tempos modernos são as tecnologias digitais. Elas estão presentes em todos os ambientes da sociedade, e a escola traz essas ferramentas como aliadas ao processo de ensino e aprendizagem.

comprometida para aprender todas essas novidades que chegam a todo momento. A cada dia são aprimoradas as habilidades e competências que tornam mais fortes os aspectos comunicativos, criativos, colaborativos, com a expansão da autonomia, senso crítico e o espírito empreendedor entre nossos estudantes.

As novas gerações têm uma afinidade sem igual com os mais diversos dispositivos, desde muito pequeninos sabem manusear muito bem um smartphone, um tablet ou até mesmo um computador. Porém todos esses recursos sempre vêm associados, pelos educandos, como algo para o lazer, diversão ou passatempo. Com a pandemia, isso não foi diferente, intensificando ainda mais a utilização dessas tecnologias. Como nos adequar a todo esse novo cenário de modificações sociais?

Existiram momentos desafiadores? Creio que eles ainda existem, mas adoramos um bom desafio, pois eles fazem com que o envolvimento seja ainda maior e que busquemos mais conhecimentos. Os conceitos de escola tradicionais não se encaixam mais nos novos tempos, em nossa escola acreditamos sim que nossos alunos são detentores do saber e a troca de aprendizados é sempre mútua. Assim a implementação das novas práticas fomentam a curiosidade dos alunos e potencializam o seu desempenho.

Nossa equipe, antes mesmo do ensino remoto, já explorava e aplicava softwares, plataformas, sites, aplicativos e muitas outras ferramentas dentro e fora de sala de aula. Desde 2013 a Tecnologia Educacional dentro de nossa instituição trabalha para apoiar professores, orientadores, coordenadores e claro, nossos alunos. Percebemos que cada ano temos novos recursos que surgem no mundo digital que vivemos, portanto estamos em constante formação. Temos uma equipe

A capacitação docente para o uso eficiente das ferramentas digitais proporcionam aos nossos educadores segurança para trabalhar os mais variados conteúdos fazendo conexões com o mundo lá fora. Acreditamos que a formação continuada é essencial para a manutenção da qualidade de nosso trabalho, assim encontramos em todos os espaços profissionais inovadores. Lima e Machado trazem em seu texto contribuições e partilham da ideia da importância da formação docente.


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ANUÁRIO 2021


Não adianta um conhecimento básico na área da tecnologia. O professor tem que buscar soluções para superar obstáculos. Isso tudo, fará que o professor seja um potencializador na utilização das tecnologias, proporcionando a construção do conhecimento em seus alunos e tornando-os cidadãos críticos e atuantes (LIMA e MACHADO, 2017, p. 44 - 50).

ANUÁRIO 2021

Nossas parcerias deixam as atividades desenvolvidas em todos os espaços escolares mais lúdicas, envolventes e divertidas às crianças, permitindo que aprimorem seus olhares digitais, permitindo o domínio na manipulação dos recursos acadêmicos, ampliando seu repertório de conhecimento, para que busquem sempre ir além, criando seus próprios caminhos de experimentação dentro do grande mundo tecnológico.

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Grandes aliados na utilização das tecnologias em sala de aula são os dispositivos móveis. O Colégio conta com iPads, que tornam o aprendizado divertido para os pequenos da Educação Infantil. Os Chromebooks acompanham nossos alunos do 2º ao 7º ano do Ensino Fundamental I e II, esses equipamentos são pessoais e vão e voltam na mala como um material de uso diário do educando. Para complementar o time, este ano chegaram os potentes Macbooks da Apple na nossa instituição, eles integram os materiais dos alunos do 8º ano à 3ª Série do Ensino Médio, além de serem um grande amigo dos professores. O ensino híbrido é uma poderosa metodologia de ensino que envolve nossos segmentos e equipes, desenvolvida por autores que nos apoiam neste trabalho. Para Bacich, Neto e Trevisani (2015), O ENSINO HÍBRIDO “É UM ECOSSISTEMA MAIS ABERTO E CRIATIVO. PODEMOS ENSINAR E APRENDER DE INÚMERAS FORMAS, EM TODOS OS MOMENTOS, EM MÚLTIPLOS ESPAÇOS”.


Nesse sentido, muitas novidades permearam nosso cotidiano e estamos cada vez mais mais entusiasmados para aprimorar e nos apropriar da utilização das ferramentas e dos dispositivos que temos dentro da nossa escola. O próximo ano trará novas possibilidades de trabalho e, com certeza, muita inovação no mundo digital, onde estaremos cada vez mais imersos e tirando proveito de tudo que a tecnologia pode nos proporcionar.

BACICH, L.; NETO, A. T.; TREVISANI, F. M. (Org.). Ensino híbrido: personalização e tecnologia na educação. In: MORAN, J. Educação híbrida: um conceito-chave para a educação, hoje. Porto Alegre: Penso, 2015. p. 27-29. MACHADO, F. C.; LIMA, M. F. W. P. O uso da Tecnologia Educacional: Um Fazer Pedagógico no Cotidiano Escolar. Scientia cum Industria, V. 5, N. 2, 2017.

ANUÁRIO 2021

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

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GANHADORES DO CONCURSO DE POEMAS - 2021 Categoria I - 6º ano Autor

Título

Ano

1º Lugar

BÁRBARA DIAS MAZZINI

DIVERSIDADE POÉTICA

6º ANO B

2º Lugar

PEDRO HAGENBECK ANDRADE REIS

DIVERSIDADE PELO MUNDO

6º ANO D

3º Lugar

GABRIELLA DA SILVA SOUZA VAZ

CADA UM COM SUA CULTURA

6º ANO E

ANUÁRIO 2021

Categoria II - 7º ano

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Autor

Título

Ano

1º Lugar

MANUELA VIEIRA DANTAS

O BRASIL

7º ANO D

2º Lugar

ANTONIO TIBÚRCIO DE LUNA NETO

BRASIS EM UM BRASIL

7º ANO D

3º Lugar

PEDRO AUGUSTO CASTELLI ALBUQUERQUE

DIVERSIDADE CULTURAL

7º ANO B


Categoria III - 8º ano Autor

Título

Ano

1º Lugar

SARAH VENTURA MATTOX

POLICROMIA CULTURAL

8º ANO B

2º Lugar

MARIA RITA DIEBE MACIEL

ALMOÇO DE DOMINGO: SALADA MISTA

8º ANO A

3º Lugar

GUILHERME BELLINI PINHEIRO

FOBIA DE VARIEDADE

8º ANO D

Autor

Título

Ano

1º Lugar

BETINA LENTINI GIBOTTI

AS SEMELHANÇAS MAIS DIVERSAS

9º ANO D

2º Lugar

SOFIA FARINELLI GONÇALVES

DIVERSO PRECONCEITO

9º ANO D

3º Lugar

ISADORA RONZANI ALARCON KABZAS CECCHINI

JANELA DA ALMA

9º ANO D

ANUÁRIO 2021

Categoria IV - 9º ano

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DIVERSIDADE POÉTICA BÁRBARA DIAS MAZZINI 6º ANO B

DIVERSIDADE PELO MUNDO PEDRO HAGENBECK ANDRADE REIS 6º ANO D

Poesia não tem igual, assim como a cultura. Enquanto uma utiliza ponto final, a outra usa vírgula. Uma anda descalça, outra usa sapato.

Para cada viagem que faço uma nova aventura posso obter, novas culturas presenciar e com a vida aprender a voar no novo horizonte planar e ver as possibilidades que a imaginação pode me dar.

Multiformas de poesia, assim como culturas, diferentes palavras, como diferentes costumes. Poesia romântica, nem todas são nem a visão de cada povo, não adianta insistir, temos que distinguir e saber que diversidade cultural e poesia não há igual!

A cada lugar que passo, um novo olfato, um novo paladar, muitas coisas para descobrir e ouvir, línguas, crenças, religiões diferentes, presentes e tradições. Brasil, França e Japão cada um com um jeito histórias, pessoas e com um lugar no meu coração. Muito a se viver e encontrar, muitas histórias, países, lugares para se visitar, pois nesse mundo,

ANUÁRIO 2021

Diversidade é o que mais vamos encontrar.

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CADA UM COM SUA CULTURA GABRIELLA DA SILVA SOUZA VAZ 6º ANO E

O BRASIL MANUELA VIEIRA DANTAS 7º ANO D

Um cabeludinho outro sem cabelo, um cabelo bonitinho outro sem fazê-lo.

O país bonito, grande, verde e azul, Composto de pessoas não como eu e tu, De qualquer e de todo lugar, Isso tudo no nosso lar.

Uns tomam banho outros só passam perfume. Parece estranho, Mas isso é que nos une.

Tudo interessante, tudo tão lindo, Muitos já vieram e outros vem vindo, Vendo o mundo em só um lugar, É, e sempre será, o melhor lugar para se estar.

Meninos altos, Meninos baixos Não importa sua altura, Mas sim a doçura.

Dialetos e cores não nos separam, Juntos porque outros lutaram Para a liberdade e o direito de votar, Dando a todos o direito de ser quem será.

ANUÁRIO 2021

Todos diferentes, almas diferentes. Cada um com sua cultura, Cada um com seus interesses.

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BRASIS EM UM BRASIL ANTONIO TIBÚRCIO DE LUNA NETO 7º ANO D

DIVERSIDADE CULTURAL PEDRO AUGUSTO CASTELLI ALBUQUERQUE 7º ANO B

É nosso Brasil, Nação maravilhosa e grandiosa, Não por ser um só Brasil E sim pelos Brasis neste país.

A diversidade cultural está em toda população mundial, todas as religiões e costumes estão às margens dos rios até o alto dos cumes.

Somos um país rico, Rico em cultura, Rico em história, Rico em povos Que semearam nossas glórias, Povos diferentes e simultaneamente iguais.

Às vezes as pessoas são brancas, verdes ou escuras, mas devemos respeitar todas as culturas.

Aqui é tudo nosso. Nossos jeitos Nossas falas, Nossas crenças, Nossas diversidades. Simultaneamente é igual e diferente.

ANUÁRIO 2021

E o povo brasileiro, Povo guerreiro Que atura e vai à luta. Independente de raça e crença, Sempre batalha.

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Aqui É tudo junto e misturado, Verde e amarelado, Apesar de diferentes, São todos da mesma gente.

Você não precisa nem perguntar, diversidade cultural está em todo lugar.


POLICROMIA CULTURAL SARAH VENTURA MATTOX 8º ANO B

ALMOÇO DE DOMINGO: SALADA MISTA MARIA RITA DIEBE MACIEL 8º ANO A

Dos limites de cada trópico às extremidades de cada polo tem uma pintura colorida em azul.

Abro a porteira, vejo minha tia encher a peneira de arroz e feijão, meu avô amassa o kibe, meu pai colhe o agrião.

Dentro de cada livro palavras com séculos de revoluções salvadores da tradição. Voando em cada avião viajantes que guardam outra visão trazendo parte da outra dimensão. Os novatos logo pousarão alguns apenas olharão Outros para sempre aqui estarão. E o tempo vai misturando cada lugar colorido com as cores que combinam, outras ele só vai jogando. Mas o que importa é que ele está pintando, cores acabam se sobressaindo, algumas se misturando. No final, o tempo cria uma tela abstrata com cada pingo de tinta em seu lugar, retrata uma nova figura a arte da cultura. .

Minha tia canta rimas em espanhol, o macarrão em caracol é roubado pelo meu outro nono que entre linhas e cerol faz um lampião reluzente como o sol. Bevenuto os amigos que ampliam a diversão com sushi e hot dog, crianças comem de montão. Ao fim do dia, após essa salada mista de sabores e emoção, o ar espalha na multidão os sabores das nações entrelaçadas pelo vento, que em um tempero certeiro, alcançam os cardápios dos brasileiros. E dessa mistura de peças de outras famílias, espalhadas no mundo vasto, todas juntas no salão se encontram em uma só harmonia, se encontram em uma só canção.

ANUÁRIO 2021

Em cada pedaço de terra cada canto de continente tem um conto escrito em verde.

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ANUÁRIO 2021

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FOBIA DE VARIEDADE GUILHERME BELLINI PINHEIRO 8º ANO D

AS SEMELHANÇAS MAIS DIVERSAS BETINA LENTINI GIBOTTI 9º ANO D

Em toda sua igualdade, a cultura é desigual, Como a asa de uma pomba branca que desce e sobe sem padrão. Essa pomba sempre voa acima da flor de lótus, criando uma grande sombra, prejudicando seu crescimento. Flor que nasce na lama, essa que suja um belo jardim.

A arte de sermos quem somos é esplêndida, Porém ao fazê-la, Nunca é de fato enaltecida.

Esses elementos coexistem numa sequência onde a humanidade se apoia e conflita contra o divino que os motiva. Diversidade é diferença, e por tanto desavença. Diferença que traz medo, Diferença que vê e que transforma, Diferença que afasta.

Quantas vidas já não foram arrancadas À mil e uma pancadas, Pelo iniludível e puro fato de conter, Ser e nascer com distintas quantidades De melanina na pele?

Tal simbolismo corresponde a uma cultura humana, que embora coexiste, não coopera consigo mesma, não coopera com o ambiente e não coopera com liberdade. Como propomos a diversidade, responda com sinceridade, será que um dia aquela pomba branca vai ser livre de verdade?

O quão julgados são aqueles Que apenas querem ser e representar suas origens, Mas não podem por não serem considerados suficientes Ou não terem a devida força resiliente.

Quantas vida já não foram arrancadas, Além de truncadas, Pelo indubitável e autêntico fato de ser mulher E apenas tentar viver livre e abertamente, Além de igualmente, Em uma sociedade onde apenas um gênero é capaz De sonhar alto e ser repleto e voraz? Diversidade cultural é em si identidade, Harmonia e cumplicidade. Diversidade é cultural é o caminho para a paz, Respeito e tenaz, Mas que ainda necessita de muita resiliência, Luta, persistência, Amor e solidariedade, Para assim ser aceita aos olhos da sociedade.


DIVERSO PRECONCEITO SOFIA FARINELLI GONÇALVES 9º ANO D

JANELA DA ALMA ISADORA RONZANI ALARCON KABZAS CECCHIN 9º ANO D

No Nordeste chamam de abestado, amofinado, azuretado Já no Centro-Oeste, a coisa é curumim, miudinho ou gaiato No Sul pode ser também: “Bah, tchê guri!” E no Sudeste, todos já ouviram pelo menos uma vez: “Mano, vem aqui!”

Num mundo com infinitas possibilidades é preciso olhar além, enxergar não apenas com os olhos, mas com o coração também. A natureza é bela e nos encanta pela mistura de texturas, cores, sons e aromas, A cada dia uma nova paisagem surge diante de nossos olhos Despertando e aguçando nossos sentidos.

Então me responda: Se os jeitos são tantos Por que te incomoda Como falam em diferentes recantos? Tem cristão, espírita Umbanda e candomblecista, Mas afinal, me diga Por que te atormenta o que o outro acredita?

Assim é o mundo em que vivemos, Uma bela mistura de raças, sabores, perfumes, crenças e idiomas. Manter a janela da alma aberta para a diversidade cultural É vivenciar dentro de nós emoções sem igual.

E também, não para por aí, As variedades de festas, comidas, músicas São imensas, sem fim.

Nosso país e colorido e vibrante E ainda assim, é triste de ver Que o preconceito continua dominante.

ANUÁRIO 2021

Carnaval e congada Samba e bossa nova Brigadeiro e feijoada Isso, ninguém reprova.

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ANUÁRIO 2021

USCHOO 336

FORMAÇÃO DE SUJEITOS MULTICULTURAIS E MULTILINGUES


OL ANUÁRIO 2021

Promover o uso das múltiplas linguagens, como prática social, integrando currículo de Missouri ao currículo regular é o foco do USchool. Nesse processo, revisitamos teorias de ensino e aprendizagem, reestruturamos o currículo, nos apropriamos das tecnologias digitais, fomentamos debates construtivos de experiências vivenciadas e estudos realizados pelos alunos e ampliamos os espaços dialógicos durante as aulas, promovendo engajamento e participação social.

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USCHOOL: QUE INGLÊS É ESSE?

ANUÁRIO 2021

Amanda Francatto: Professora e Coordenadora Pedagógica de Inglês

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Muito se tem discutido sobre a reformulação da proposta pedagógica do Inglês no Colégio e de que forma esta promove o uso da linguagem, ou das múltiplas linguagens, como prática social em sala de aula. Porém, que ideia é essa por trás da formação de sujeitos multiculturais e multilingues? Cada dia mais, sentimos a necessidade de construção de um mundo mais solidário e compartilhado e, para tal, faz-se necessário reformulações nos contextos educativos. Ademais, a falta de consciência sobre o papel que ocupa o ensino da Língua Inglesa em suas diferentes formas de aprendizagens nas dinâmicas de inclusão e exclusão social escolar sempre nos preocupou. Nessa direção, compartilhando um ideal de justiça social e fortalecidos pela necessidade de mudanças do contexto escolar, nos unimos como equipe e expandimos nossa parceria com a Universidade do Missouri, ao integrar seus programas ao currículo do regular, rumo à transformação. Práticas pedagógicas que fazem com que o estudante perceba o seu viver como múltiplo e que, ao experimentar essa multiplicidade como uma forma de ir além de si e encontrar com o outro, promove condições de conviver com o diferente.

Afinal, vivemos em sociedade e problematizá-la também é papel da escola. Em tempos de retomada às atividades presenciais, a escola transmissora de conhecimentos e de habilidades específicas parece ter perdido espaço (felizmente), pois as salas de aula tornarem-se laboratórios pós-covid 19 e, falar somente de conteúdos obrigatórios da escola deixou de fazer sentido. Nesse movimento de rever os espaços formativos para ressignificar as práticas educativas, direcionamos grandes esforços às reestruturações curriculares, revisões de teorias de ensino-aprendizagem, à reorganização das disciplinas escolares para propostas mais interdisciplinares bem como nos apropriamos do uso das tecnologias digitais, sobretudo daquelas que se mostraram a serviço das descentralização das práticas do professor. Fez-se necessário também criar espaços sociais para que o processo de ensino-aprendizagem pudesse fomentar debates construtivos de experiências vivenciadas pelos sujeitos e criar condições para que os estudantes reconheçam a diversidade de saberes ancorados nas experiências de vida de cada um deles.


À medida que entendemos a escola como um espaço de produção cultural, que visa desenvolver sujeitos imersos ao hibridimos cultural e à permeabilidade das linguagens, propomos a construção intencional de novos recursos que, quando combinados, mobilizados e materializados a partir de demandas do contexto escolar e da sociedade, poderão possibilitar a interação dos estudantes com o mundo, o que pressupõe a interação com o Outro. Porém, que desenvolvimento é esse? Trata-se do trabalho com a compreensão e a problematização dos sujeitos com os quais interagem, assim como de si mesmos como agentes em transformação. Envolve, dessa forma, uma preocupação com a constituição dos estudantes na criação de possibilidades que venham a ser experiências marcantes, ricas em saberes, modos de ser, pensar, agir e viver em sociedade. Objetiva-se, nesse sentido, compreender a transformação dos estudantes de forma coletivizada, colaborativa e dinâmica, propondo

processos de ensino-aprendizagem organizados para além das ideias imperialistas e estereotipadas tão comumente utilizadas em livros didáticos desta língua. A partir de interações que valorizem a diversidade de conhecimentos de mundo, saberes linguísticos, recursos multimodais, emoções e experiências de vida como possibilidades de ampliação de recursos de todos os participantes do contexto educacional, propomos a reformulação das posições dialógicas dos estudantes por meio de um ensino-aprendizagem da Língua Inglesa como locus de formação para a cidadania. Enfocando experiências positivas, mas também negativas no desenvolvimento e apropriação dos estudantes, oferecemos ajuda, ao longo desse processo, para que se desenvolvam como seres humanos, mas também possibilidades para que se (re)definam, pois é no encontro com o Outro, na interação com o diferente é que criamos oportunidades de expansão do desenvolvimento.

ANUÁRIO 2021

Mesmo que historicamente tenha sido reduzido à formação para o mercado de trabalho, aqui no Colégio o ensinoaprendizagem da Língua Inglesa organizase a partir de situações para que os estudantes mobilizem seus recursos para interagirem com o mundo. De que forma? Incentivando-os para que se conheçam como criadores de cultura. Longe dos modismos educacionais vigentes ou de métodos/abordagens que prometem o mundo, essa proposta de educação investe na constituição de saberes para integrar o repertório do estudante, que ao buscar formas de expressar-se e constituir-se como sujeito falante em Língua Inglesa, passa a transferir seus conhecimentos da Língua Portuguesa à Inglesa como uma prática comum.

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Desenvolver o repertório dos estudantes implica, nessa direção, uma miscelânia de recursos, habilidades e competências que vão além do repertório linguístico em Língua Inglesa, mas que também se dá por elementos não linguísticos, como as formas de se vestirem, os modos como agem em sala de aula, nas redes sociais, sendo a junção disso tudo o que chamamos de repertório.

ANUÁRIO 2021

Essas múltiplas práticas discursivas, nas quais os sujeitos multilíngues se engajam para que seu mundo faça sentido, vão além da alternância de códigos (Português e Inglês), mas visam promover entendimento e compreensões mais profundas acerca do que é viver em sociedade, formando processos intersubjetivos na relação entre o eu e o Outro. Dessa forma, o ensinoaprendizagem da Língua Inglesa do Colégio Uirapuru proporciona novas formas de engajamento e participação social para os estudantes, porque ao refletirem sobre o seu contexto social, também repensam suas próprias compreensões e transformações nesse processo. Ao ampliarmos os espaços dialógicos em sala de aula, notamos que os estudantes passam por um movimento de abertura que permite a entrada de posicionamentos alternativos, adesão de outras vozes e possibilidades de negociação de significados.

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Ressignificar parece ser uma possibilidade de usar as linguagens e a cultura com mais dinamicidade, levando em conta as multimodalidades do discurso, seus sistemas simbólicos e a pluralidade da sociedade. São os sujeitos multilingues e multiculturais que usam a Língua Inglesa em território brasileiro e sorocabano como uma prática social, podendo essa ser intencional e ideológica, mas necessariamente a possibilitadora de engajamento crítico em sala de aula, bem como o meio pelo qual essas relações poderão ser transformadas. Afinal, mudanças educativas implicam mudanças sociais.


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ANUÁRIO 2021


UTIGER'S CUB: DE PORTAS ABERTAS PARA O MUNDO Professora: Jessica Ferreira

Cub, é assim que descrevemos os filhotes de alguns animais, como o tigre. Olhamos para os alunos do Infantil 3, assim como o tigre para seus filhotes: o início de uma jornada de descobertas e aprendizagem que os transformarão, gerando integrantes fundamentais para a futura sociedade. Sabemos que na aquisição da língua inglesa, mais que conhecer, é indispensável apropriar-se do idioma na nossa atual sociedade e isso se torna muito mais prazeroso, divertido e feliz quando nos é transmitido com afeto. Como o Infantil 3 é o primeiro contato com a língua nesse programa do Colégio, a inserção do idioma pelas vivências e experiências concretas da vida cotidiana das crianças e seus saberes é fundamental para que cresçam com um vínculo com a diversidade de culturas que a língua traz e que abriga nosso mundo.

ANUÁRIO 2021

Nossos cubs, grandes exploradores, vêem o mundo de forma mágica e, por isso, nós trabalhamos com intencionalidade educativa, para que as crianças se apropriem do conhecimento e se encantem com as possibilidades que a segunda língua traz.

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Todos os projetos foram pensados baseados na concepção de educar e cuidar, entendendo o cuidado como algo indissociável do processo educativo, de acordo com a BNCC (2018) na etapa da Educação Infantil, com conteúdo próprio para o desenvolvimento da idade, agregando valor e respeito às crianças deixando de ser só mais um curso de inglês. Assim, os seis direitos de aprendizagem e desenvolvimento na Educação Infantil (destacados em negrito) fazem-se indispensáveis nos projetos, que exploraram tudo de mais incrível das crianças. Iniciamos o ano com o projeto Everyday Language, onde é apresentado aos pequenos o que os rodeia: o ambiente, a rotina, a cultura. Assim, trazemos o olhar para a sala de aula, os objetos, materiais

escolares, o parque, refeitório, o almoço, os alimentos, o banheiro, a higiene, as ações mais comuns (como brincar, correr, pular, sentar etc), as interjeições, o calendário, os números, o tempo e as músicas, que são grande parte do nosso dia a dia, e que na nossa rotina sempre são observados no dia presente. Conversamos e cantamos sobre hoje. Com isso, trabalha-se o direito de explorar! Os movimentos, gestos, sons, formas, texturas, cores, palavras, emoções, transformações, relacionamentos, histórias, objetos, elementos da natureza e a escola ampliam os saberes sobre a cultura e, consequentemente, a língua.

ANUÁRIO 2021

As práticas pedagógicas no UTiger trazem situações desafiadoras que ajudam nas conexões com o familiar e o diferente. Através de projetos, damos voz às crianças, para que se sintam pertencentes à escolha dos temas, das brincadeiras e das atividades trabalhadas, sempre apoiadas na bagagem que trazem e também no inédito, no novo, visando novas conquistas, avanços e possibilidades.

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ANUÁRIO 2021

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Outro projeto muito importante e desenvolvido com a ajuda deles é Toys. Os brinquedos e as brincadeiras são instrumentos do direito de brincar! Cotidianamente de diversas formas, em diferentes espaços e tempos, com diferentes parceiros (crianças e adultos), o brincar amplia e diversifica o acesso a produções culturais, seus conhecimentos, sua imaginação, sua criatividade, suas experiências emocionais, corporais, sensoriais, expressivas, cognitivas, sociais e relacionais. Também vivenciamos os projetos Me e My Family. Conhecer-se e construir sua identidade pessoal, social e cultural

desenvolve consciência e pertencimento. Conversamos sobre o nome e como ele é nossa representação como seres sociais, sobre a idade e o papel deles como crianças, observamos semelhanças e diferenças sobre as partes do corpo e como isso os integra como seres humanos únicos e também como grupo. Essa também é uma forma de aproximar a família no ambiente escolar, mostrando a possibilidade de ambos terem seu papel fundamental na vida deles. No projeto Animals Around Me abrimos um mundo de possibilidades para diferentes manifestações artísticas, para desenvolver o gosto pela leitura e para expressar-se:


Todos os projetos são vivenciados através de leituras, músicas, passeios, brincadeiras e atividades com registros adoráveis dos pequenos em seus portfólios. Aqui, o participar ativamente, tanto comigo quanto com outras crianças, do desenvolvimento das propostas, da realização das atividades, assim como a escolha das brincadeiras e dos materiais, desenvolve diferentes linguagens e elabora conhecimentos, decisões e posicionamentos. É nítido nossa preocupação com o desenvolvimento global dos nossos cubs, para que eles possam sempre conviver com a língua, com outras crianças e adultos, em pequenos e grandes grupos, utilizando diferentes linguagens, ampliando o conhecimento de si e do outro, do mundo, respeitando as cultura e as diferenças entre as pessoas, integrando a individualidade e coletividade sem que percam a mais singela forma de existir: a infantil. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA: BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, 2018.

ANUÁRIO 2021

como sujeito dialógico, criativo e sensível, suas necessidades, emoções, sentimentos, dúvidas, hipóteses, descobertas, opiniões, questionamentos, por meio de diferentes linguagens e ambientes. Conhecemos os animais que moram em casa, no zoológico e no sítio. Visitamos espaços verdes, conhecemos alguns animais mais exóticos pessoalmente, seus sons, suas texturas e suas características, representamo-nos e damos vida a todos eles.

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WHO'S BEHIND MY BURGER? Professoras: Bruna Silva e Deia Casagrande

ANUÁRIO 2021

As metodologias ativas proporcionam aos estudantes formas diferentes de guiar seu conhecimento, fugindo do modelo de ensino onde o professor detém todo o conhecimento dentro da sala de aula. Assim, a participação dos alunos deixa de ser passiva para ser ativa, com orientação do professor, objetivando a aprendizagem de conceitos e o desenvolvimento de competências e habilidades. Project-based learning (PBL) é uma das metodologias usadas para nortear, elaborar e aplicar os projetos no Utiger. Durante esses projetos, os alunos se mostram cada vez mais engajados e motivados a aprender, pois eles são protagonistas do seu aprendizado (Tavares e Potter, 2018).

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Com muita energia, iniciamos o segundo projeto do ano, que trata não só de quem está por trás das nossas refeições, mas também o que está por trás de todo esse processo, desde a agricultura até o momento em que o alimento está no prato. Durante o bimestre os alunos exploraram as profissões, os locais de trabalho, a indústria alimentícia, os alimentos, a pirâmide alimentar, as refeições, as maneiras diferentes de preparar alimentos, os utensílios de cozinha, a agroecologia, os setores econômicos, receitas e a origem dos ingredientes usados para preparar as refeições.


Para começar o projeto, os alunos tiveram a oportunidade de compartilhar com a turma com o que sua família trabalha. Foi um momento muito bacana para que eles conhecessem um pouquinho mais sobre as famílias e pudessem praticar tanto o vocabulário quanto a gramática usando a frase My mom is a dentist, por exemplo. Foi conversado também sobre os locais de trabalho fazendo a assimilação entre as profissões e places in town (tema abordado no primeiro projeto do ano), além de discutir e refletir sobre o que os profissionais fazem no seu dia a dia e quais são suas funções.

Depois, os alunos estudaram mais a indústria alimentícia, trabalhando as profissões mais específicas, as atividades envolvidas nesse ramo e o processo como um todo que está por trás das nossas refeições. Foi muito gratificante perceber que os alunos já de início entenderam a ideia do projeto, demonstraram um senso crítico e perceberam que a indústria é complexa, depende de muitas pessoas e de muitas etapas para que nossas refeições estejam prontas e quentinhas no prato.

ANUÁRIO 2021

Todo ano, comemora-se no mundo o Earth Day cuja finalidade é conscientizar a população dos problemas da contaminação, conservação da biodiversidade e outras preocupações ambientais para proteger a Terra. Através desta celebração, realizaram comparação entre as profissões trabalhadas anteriormente e o trabalho voluntário, além de analisar os benefícios que esse tipo de trabalho pode trazer para a sociedade e para nós mesmos.

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Uma vez que o tema envolvia alimentos, os estudantes estudaram mais sobre os grupos alimentares e a pirâmide alimentar. Cada aluno fez sua própria pirâmide baseada no que ele(a) normalmente come e, assim, puderam analisar seus hábitos alimentares comparando a quantidade de alimento consumido de cada grupo: fruits and vegetables, starchy food, protein, dairy and fat. Com as pirâmides prontas, compartilhamos, também, nossos likes e dislikes durante as refeições de café da manhã, almoço e jantar.

ANUÁRIO 2021

E como preparar as refeições? Foi o que estudou-se em seguida, tanto as diferentes formas de preparar um alimento, quanto os utensílios que podem ser encontrados em uma cozinha, através de jogos e a leitura,

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feita usando IPADs no Espaço Cultural, do livro Pancakes, Pancakes!, de Eric Carle, que conta a história de um garoto que ajuda sua mãe a fazer deliciosas panquecas. Durante a leitura foi trabalhado a origem dos ingredientes, o vocabulário e as características de uma receita. Para analisar o processo de escrita dos alunos e trabalhar a construção de frases em inglês, os alunos e as professoras elaboraram um livro de receitas em que cada criança escolheu uma receita que gostava muito e a escreveu em inglês. Foi um processo muito rico para o desenvolvimento de writing skills e, também, para colocar em prática o vocabulário trabalhado anteriormente.


na produção dos nossos alimentos, além de aprender sobre o funcionamento de uma composteira e plantar verduras e legumes. Finalizamos o projeto através de uma cooking class onde os alunos montaram seu próprio hambúrguer, e relembraram os conceitos aprendidos durante o projeto, como por exemplo a origem dos ingredientes e em qual grupo alimentar cada um está. O objetivo pedagógico é sempre passível de avaliação e, portanto, para medir o desempenho dos alunos nas aulas do Utiger, utilizamos a rubrica. Esta forma de avaliação e autoavaliação permite a personalização de critérios, como por exemplo collaboration, communication, creativity, critical thinking, commitment e, também, a possibilidade do aluno aumentar seu desempenho ao olhar para si e entender o que pode ser melhorado. Desta forma, os alunos atribuíram notas para cada critério ao avaliar os resultados obtidos e seu desenvolvimento ao longo do projeto. Como sempre, as aulas aconteceram de forma lúdica, divertida e interativa, estimulando a autonomia, a criatividade, o respeito, o comprometimento e, sobretudo, a colaboração dos alunos para que eles possam ser responsáveis pela construção do seu conhecimento.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: TAVARES, Juliana Franco. POTTER, Louise Emma. Project-based learning applied to the language classroom. Tech-in education. São Paulo, 2018. BIAGIOTTI, L.C.M. Conhecendo e aplicando rubricas em avaliações. Texto disponível em: <http://www.abed.org.br/congresso2005/por/ pdf/007tcf5.pdf>. (Acesso em 08/10/2021).

ANUÁRIO 2021

Além de todas as atividades desenvolvidas em sala de aula, foi feita uma visita na cozinha do restaurante Karupyá para explorar o funcionamento de um restaurante como por exemplo o processo de compra e estocagem de alimentos, lavagem, preparo, organização dos cardápios e muito mais. Também foi falado sobre a agroecologia, lá no Quintal Uirapuru, através de diversas atividades desenvolvidas pelo biólogo Vinicius trabalhando o conceito, as características e os benefícios que a agroecologia pode gerar

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A CRIANÇA E A COMUNICAÇÃO EM DUAS (OU MAIS) LÍNGUAS Professora:Fabiana Hahmann

O contato com duas línguas causa muita curiosidade e faz com que as crianças possam criar hipóteses sobre o que estão aprendendo, questionando as línguas de uma maneira positiva, contribuindo para que os conceitos de ler e escrever possam se ajustar com o passar do tempo.

ANUÁRIO 2021

Sabemos que práticas escolares de multiletramento têm o potencial para transformação e mudança, devido ao dinamismo e flexibilidade de propostas híbridas e integradas, levando sempre em consideração a faixa etária e a competência linguística dos envolvidos.

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Podemos exemplificar essa prática com o seguinte diálogo entre um aluno e sua professora durante uma aula numa escola bilíngue de São Paulo. A criança, M. de 5 anos, cuja língua mãe é o Inglês, está iniciando suas aulas de Português: M.: O alfabeto em Português é muito parecido com o alfabeto em Inglês... P: E se eu te falar que é o mesmo alfabeto? M.: Sério?

Ofelia Garcia (2009), uma importante estudiosa dessa área, acredita que boas práticas pedagógicas devem levar o aluno a: • Decodificar textos utilizando ferramentas básicas tais como: estruturas convencionais, padrões linguísticos, o alfabeto, os sons, a grafia das palavras; • Utilizar suas experiências com outros textos ou discursos; • Saber do papel social e transformador que os textos exercem dentro e fora do âmbito escolar; • Analisar e criticar os textos, decifrar se eles representam um determinado ponto de vista ou grupo social.


É importante que a escola que esteja trabalhando duas (ou mais) línguas em seu programa de aulas tenha uma proposta pedagógica com a intenção de formar indivíduos aptos, do ponto de vista linguístico e cognitivo, a construir suas identidades a fim de vivenciar suas potencialidades nesse mundo globalizado e conectado que vivemos.

ANUÁRIO 2021

Nesse sentido, frente a uma cultura híbrida, identidades alternadas e múltiplas, o “multilinguismo” tornou-se um fato social da vida no século XXI. Por isso, a “translinguagem”, ou seja, o caminho percorrido entre duas (ou mais) línguas, é expressada em realidades diárias das interações educacionais e sociais das crianças.

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Antonieta Megale (2005), coordenadora do curso de Bilinguismo no Instituto Singularidades-SP, destaca que um dos fatores mais importantes na experiência da criança com duas ou mais línguas é que essas línguas sejam igualmente valorizadas. Com isso, a escola, a criança e a família compreendem que nenhuma das línguas é mais ou menos importante que a(s) outra(s). Essa perspectiva deve permear todo o planejamento dos objetivos do programa proposto. A autora supra-citada nesse texto nos traz mais alguns exemplos a fim de percebermos quão perto essa realidade está de nós:

T. 5 anos: "Minha irmã vive in Bahia". (Brasileiro, pais brasileiros) Mãe da H. 3 anos: "H., say arigatô to the teacher". (Brasileira, mãe japonesa) J. 5 anos: "Teacher, lá nos Estados Unidos eles falam igual você". (Brasileiro, recém-chegado de uma viagem aos EUA)

ANUÁRIO 2021

A. 5 anos: "Teacher, eu vou na festa das minhas primas gemelas". (Brasileira, mãe Argentina)

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B. 3 anos: "Eu escolhi o dress pink". (Brasileira, pais brasileiros)


S: "Esse é o Tourism By Kids! You are listening to Tourism By Kids! Nesse Podcast vamos falar sobre turismo, lugares e curiosidades. Já dando um spoiler, no próximo Podcast vamos falar sobre Miami".

Sendo assim, ao refletirmos sobre as crianças que estão em pleno desenvolvimento da comunicação em dois (ou mais) idiomas, percebemos que essas práticas contribuem de maneira significativa para a construção da identidade cultural de cada uma delas. Então, por meio de programas interessantes e desafiadores, podemos contribuir para promover sujeitos mais compreensivos e mais instrumentados para lidarem com a interculturalidade e com a diversidade.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: GARCIA, Ofelia. Bilingual Education in the 21st Century: A Global Perspective. Oxford 2009; MEGALE, Antonieta. BILINGÜISMO E EDUCAÇÃO BILÍNGÜE – DISCUTINDO CONCEITOS. ReVEL. V. 3, n. 5, agosto de 2005.

ANUÁRIO 2021

Aqui no Colégio Uirapuru, a partir do quinto ano, as crianças iniciam o contato com o Inglês de uma maneira mais dinâmica, com mais exposição e material internacional. Sendo assim, podemos observar esse caminho entre as línguas Inglês e Português na rotina das atividades. Por exemplo, um projeto sobre "Podcasts", as alunas A., G. e J., de 10 anos, explicaram seus objetivos:

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WEBSITE UIRATALENTS Professoras:Jimena Verdaguer e Marina Thaumaturgo

Objetivos: por que o Uiratalents? Surgiu o desejo de criar um espaço interativo entre professores, alunos e pais, onde trabalhos discentes pudessem ser compartilhados ao longo do ano, e não apenas em eventos escolares específicos, como seriam o Intervalo Cultural, o Uiramun ou o Festival das Letras.

O SITE

ANUÁRIO 2021

O site foi elaborado de forma a que possam constar os trabalhos dos alunos, organizados por ano. Dentro de cada ano há novos links para os tipos de trabalho: poemas, artigos, e peças de teatro autorais - cujas peças pioneiras iniciaram na eletiva ELA (English Language Arts) em 2021. Ao final de cada página será colocado um espaço onde visitantes possam deixar comentários. Este ano o site será incorporado como instrumento de apresentação de trabalhos para o Festival das Letras do 9º ano.

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Clique no link abaixo para navegar no site. website Uiratalents ou acesse: https://sites.google.com/ colegiouirapuru.com.br/ uiratalents2021/página-inicial


1 PAPEL DOS ALUNOS

Os professores da eletiva ELA e demais colegas que queiram participar são responsáveis pela supervisão dos alunos responsáveis pelo site. Será um trabalho em conjunto, onde professores orientam e sugerem o layout e os trabalhos a serem incorporados. Professores e alunos dividem tarefas de forma a que o site sempre esteja visualmente atraente e atualizado, com conteúdos novos e interessantes.

Os alunos da eletiva ELA que tiverem interesse podem se prontificar a participar do processo de manutenção do site. Eles serão responsáveis por animar demais alunos da escola a enviar os seus trabalhos para publicação, além de fazer a substituição de imagens e de cores esporadicamente. O ideal é adicionar conteúdo a cada bimestre.

ANUÁRIO 2021

1 PAPEL DOS PROFESSORES

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1 PAPEL DOS PAIS

ANUÁRIO 2021

Os pais poderão navegar pelo site e prestigiar os trabalhos dos filhos. Conseguem deixar comentários, servindo como estímulo e novas entregas - e a cada bimestre podem acompanhar o desenvolvimento do corpo discente, além de desfrutar de leituras interessantes.

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PARA O FUTURO... O Uiratalents visa ser uma porta para a descoberta de novos talentos, ser um espaço onde alunos possam se expressar e dar vazão à criatividade, sem momento específico para isso. Sabemos que a inspiração é rebelde: muitas vezes vem sem ser convidada, e ao ser desejada se esconde. Nesses momentos do desenrolar das letras, o site é uma sala de estar.

ANUÁRIO 2021

Com sorte seria uma forma de manter um acervo sempre disponível para a comunidade, onde é possível ver o passado, o presente e o provável futuro dos alunos do Colégio Uirapuru.

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MEDIA AND COMMUNICATION: FERRAMENTAS PARA A ERA DA INFORMAÇÃO Professor: Thiago Zanetti

ANUÁRIO 2021

A internet revolucionou diversas áreas da existência humana. Não precisamos mais visitar lojas para comprarmos nossos produtos, ou ir à locadora para assistirmos aos nossos filmes preferidos. Quase tudo hoje está a apenas um clique de distância e a informação é, provavelmente, o produto mais impactado por esta revolução. Vivemos, definitivamente, na Era da Informação. E é justamente a maneira como nos relacionamos com a informação o principal objeto de estudo da disciplina eletiva Media & Communication.

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Ao longo dos quatro bimestres do curso, abordamos diversos assuntos relacionados ao modo como consumimos informação. Inicialmente, no primeiro bimestre, compreendemos como nós, Homo Sapiens, desenvolvemos nossa habilidade de nos comunicarmos e o quanto isso moldou nossas culturas e organizações sociais. Através do estudo dos principais meios de comunicação através dos séculos, compreendemos melhor como nossa sociedade caminhou das pinturas rupestres até a internet e como este caminho acabou moldando a nossa relação com as mídias digitais.

No segundo bimestre, trabalhamos o conceito de bias (ou viés). O mito da imparcialidade jornalística foi discutido partindo do princípio de que nós, os leitores (ou consumidores da informação), temos dentro de nós uma série de experiências, opiniões, conceitos e preconceitos. Essa discussão é fundamental em tempos em que estima-se que 47% da população brasileira se informa, primariamente, através das redes sociais. Posteriormente, no terceiro bimestre, debatemos o tema onipresente das notícias falsas, popularmente conhecidas como fake news. Ainda estamos estudando todas as consequências da proliferação de sites


Por fim, encerramos o curso buscando ideias e soluções para as questões discutidas ao longo do ano, mas desta vez munidos do conhecimento obtido nos bimestres anteriores. A abordagem de temas mais teóricos, como retórica, por exemplo, adicionou ainda mais ferramentas ao repertório dos alunos, que estão certamente preparados para uma relação mais saudável com a vasta quantidade de informação à qual são expostos todos os dias.

PROJETOS Os projetos desenvolvidos ao longo do curso foram, majoritariamente, elaborados sobre temas escolhidos pelos próprios alunos. No primeiro bimestre, os alunos se dividiram em grupos e criaram sites abordando diferentes elementos da internet. Outro projeto marcante aconteceu no terceiro bimestre. Foi solicitado aos alunos que escolhessem uma notícia falsa e analisassem o impacto da mesma sobre a sociedade. Alguns grupos optaram por falar sobre os rumores de microchips nas vacinas contra o coronavírus, enquanto outros escolheram passagens históricas em que havia interesses eleitorais ou religiosos por trás das notícias.

CONCLUSÃO Compreender como a informação funciona e se propaga é uma habilidade fundamental para a vida no século XXI, e o desenvolvimento do pensamento crítico é a base para que esse entendimento seja posto em prática. Por isso, a disciplina Media & Communication cumpriu com seus objetivos e deu aos alunos as ferramentas necessárias para que continuem questionando o mundo ao seu redor.

ANUÁRIO 2021

de notícias, mas sabemos que boa parte deles não possui os recursos para verificar as informações que veiculam. Além disso, uma parcela destes sites espalha fake news deliberadamente por uma série de motivos, que vão da política até questões ideológicas ou econômicas.

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GLOBAL CULTURE MOVIE AWARDS Professor: Flávio Garibaldi

Criada em 2020 pelos professores Thiago Zanetti e Flávio Garibaldi, a eletiva Global Culture tem como objetivo proporcionar aos alunos e alunas oportunidade de vivenciar diferentes linguagens (literária, cinematográfica, artística, entre outras) como elemento constitutivo de sua formação crítica e reflexiva.

ANUÁRIO 2021

Durante esses anos letivos, a eletiva caracterizou-se pela parceria efetiva entre a classe e os professores, tanto no compartilhamento de conhecimentos, repertório e experiências, como em sugestões sobre os possíveis temas a serem trabalhados nos bimestres seguintes.

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No primeiro semestre deste ano, o tema trabalhado pelos alunos foi música. Durante as aulas, eles tiveram contato com diversos gêneros e artistas, refletiram sobre a importância da música em diferentes contextos históricos e sociais e pesquisaram sobre gêneros específicos de vários países. O tema indústria musical, sugerido por uma das alunas, foi outro exemplo bem sucedido da parceria entre a turma e os professores. O assunto gerou debates interessantes, leituras de artigos e uma série de apresentações que enriqueceram as aulas, encerrando o primeiro semestre.

No segundo semestre, o tema proposto pela turma foi cinema. Iniciou-se então um projeto grandioso e desafiador para todos: criar um curta metragem! Durante o terceiro bimestre, os alunos estudaram diferentes gêneros cinematográficos, elementos de um filme, bem como a estrutura de um roteiro. Esse conteúdo foi fundamental para que os alunos pudessem entender o processo e focar no projeto do quarto bimestre. Organizados em grupos, os alunos trabalharam na organização dos roteiros, cronograma das filmagens e outros processos que envolvem a criação de um filme. Além disso, o diretor sorocabano Marcelo Domingues participou de uma das aulas, respondendo perguntas e compartilhando dicas importantes para os grupos. Envolvidos e dedicados ao projeto, a turma propôs um evento no qual os filmes fossem exibidos. A partir dessa ideia, os professores e alunos criaram o evento Global Culture Movie Awards. Trabalhando mais uma vez em parceria, a classe criou os troféus, organizou as categorias de premiação, os convites e os convidados. O evento, que contou até com tapete


ANUÁRIO 2021

vermelho, foi realizado no Anfiteatro do colégio no dia 2 de dezembro. Os cinco filmes produzidos foram apresentados para os professores e coordenadores do colégio. Após a exibição, os convidados votaram nos melhores trabalhos, por categoria, e os vencedores levaram para casa um troféu criado no espaço Maker. Esse foi o nosso "Oscar®"!

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BUSINESS: EVOLUIR SEMPRE!

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Professor: Lucas Caiuby

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Ao final de 2019, ao concluir-se o primeiro ano da disciplina anteriormente denominada "Finanças Pessoais e Empreendedorismo", o sentimento era de satisfação. Cumpriu-se o objetivo de oferecer aos alunos da 2ª série do Ensino Médio um primeiro contato formal com técnicas, ferramentas e vocabulário relacionados à gestão de recursos pessoais e familiares, apontando também o caminho para o desenvolvimento de negócios próprios.

Logo no início de 2020, primeiro ano da nova estrutura da disciplina, surge um inesperado desafio: a pandemia da COVID-19, cujo impacto ainda assola o mundo, obrigou pessoas e instituições a repensar seus modus operandi - algo que não foi diferente no meio escolar. As novas ferramentas e metodologias ali implementadas serviram não somente para o ano de 2020, mas permitiram que a disciplina continuasse sua evolução em 2021.

Todavia, notou-se um sentimento complementar ao de "missão cumprida", de que uma ótima oportunidade estava sendo deixada à mesa: por que não dar mais um passo nessa trajetória e adentrar o ambiente de negócios em si, explorando a realidade de empresas e outras organizações de grande porte em seus esforços diários para atingir seus próprios objetivos?

Com um primeiro semestre pouco presencial e muito virtual, os temas originais de finanças pessoais foram praticamente todos explorados e estudados com a utilização de recursos audiovisuais à distância:

Assim, como uma evolução para mergulhar em definitivo no mundo corporativo, nasceu a disciplina de "Business" - sim, em Inglês, pois esse é o idioma global utilizado para boa comunicação entre empresas de todo o globo, que permite a empresas do Brasil contratarem serviços de corporações ou indivíduos na Índia, China ou qualquer outro local. A Língua Inglesa foi adotada, portanto, como meio para a aprendizagem - e não como fim.

1. TÉCNICAS E BOAS PRÁTICAS SOBRE COMO GERENCIAR DE MANEIRA ADEQUADA AS FINANÇAS PESSOAIS, PRIORIZANDO POUPANÇA E INVESTIMENTOS, CONTROLANDO O ORÇAMENTO DOMÉSTICO E EVENTUAIS DÍVIDAS ADQUIRIDAS; 2. DESENVOLVER A CAPACIDADE DE REFLETIR SOBRE O VALOR DO TRABALHO E DO DINHEIRO, DE MODO A EXPLORAR E FUNDAMENTAR SUAS ESCOLHAS PROFISSIONAIS;


Destacaram-se, no primeiro semestre, as aulas em que Google Sheets e Microsoft Excel foram apresentadas sob a ótica do controle de despesas - afinal, tratam-se de importantes ferramentas utilizadas não somente por indivíduos e famílias, mas também por grandes empresas para a organização financeira. Na sequência, um tema muito apreciado pelos alunos entrou em pauta: investimentos. Iniciando pelos produtos mais simples, como Poupança, passando por toda a gama de renda fixa até chegar em ações e câmbio, os alunos puderam ter contato e aprender expressões, nomenclaturas e a lógica empregada nesses produtos financeiros, cada vez mais presentes em notícias, estatísticas macroeconômicas, anúncios de bancos e fintechs. Ao adentrarmos os temas Empreendedorismo e Negócios, já com aulas presenciais, foram apresentados conceitos organizacionais como Missão, Visão e Valores, estimulando a reflexão sobre o papel das empresas não só na busca pelo lucro, mas como parte de um ecossistema complexo; o que significa e como compreender estratégia, notadamente explorando os ensinamentos do Professor Michael Porter e suas cinco forças competitivas; entre outros. Foram temas desenvolvidos em atividades em grupo, analisando organizações de grande

porte, o que trouxe um contraponto interessante às atividades individuais do primeiro semestre. Para encerrar o ano letivo, os alunos apresentaram - sempre em Língua Inglesa - análises sobre as mesmas grandes empresas, agora sobre um viés de Marketing e posicionamento de mercado, utilizando técnicas como Funil de Vendas, Análise SWOT e Matriz BCG. Considerando a profundidade e tempo dedicado a esses temas em específico, os resultados foram bastante satisfatórios. Ao fim, fica claro que a disciplina novamente cumpriu com seus objetivos em um novo ano repleto de adversidades, colaborando para o desenvolvimento dos alunos através do enriquecimento de seu repertório em língua inglesa, de ferramentas para que se tornem cidadãos financeiramente responsáveis e, por fim, da exposição ao universo corporativo, sua linguagem e características.

ANUÁRIO 2021

Nesse período, as atividades avaliativas foram individuais - algo que não necessariamente foi prejudicial à aprendizagem, visto que os alunos sentiram-se mais à vontade para tratar de questões como objetivos pessoais e hábitos de consumo, vis-à-vis abordar tais temas em discussões em grupo.

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PROGRAMA HIGH SCHOOL DUAL DIPLOMA AFINAL, QUAL É O SEU DIFERENCIAL? Professora: Jimena Verdaguer

ANUÁRIO 2021

Considere um dia normal na vida de uma pessoa comum, que está de folga. Ela acorda, pode dar um passeio, depois vai comprar mantimentos ou comer em um restaurante. Mais tarde naquele dia, ela pode ir ao cinema ou a um show e, em seguida, voltar para casa - ou decidir ficar em casa e assistir a um filme de lá. Podemos identificar nesse singelo exemplo pelo menos dois ou três momentos que envolvem duas disciplinas cursadas no plano de graduação do High School Dual Diploma: Economics e Marketing.

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Quando falamos em Economia, queremos dizer essencialmente que as pessoas têm que tomar decisões sobre o que comprar ou deixar de comprar. Essas decisões serão úteis em maior ou menor grau para sua saúde financeira, de acordo com o conhecimento que possuem; esta informação permite-lhes embasar as suas reflexões num raciocínio fundamentado, que leva em consideração muitos fatores: o passado, o presente e o futuro, que

afetam qualquer movimento que se faça nesse nosso dia de folga. Os alunos dessa disciplina aprendem a identificar o que move a economia, como os consumidores tomam decisões e como isso afeta qualquer negócio; como o comércio internacional pode afetar os empresários locais, e como o dinheiro de qualquer indivíduo é afetado por fatores como inflação, dívida e financiamento. Discutimos o que realmente move a economia, o que a desestabiliza, e porquê as pessoas são limitadas pela escassez - a menos que você seja Elon Musk. Mesmo assim, ele é limitado pelos recursos disponíveis no planeta, e pelo seu próprio relógio biológico. Ninguém escapa disso, de uma forma ou de outra.


Agora vamos voltar ao nosso exemplo introdutório. Nossa pessoa comum. Ao decidir ir a um restaurante, ela embaralha e peneira as opções e, eventualmente, escolherá uma. Essa decisão será influenciada por tudo o que essa pessoa viu, leu ou ouviu falar sobre o lugar. E é aí que reside o nosso assunto. O marketing trata do uso de estratégias para melhor satisfazer as necessidades dos consumidores. Uma definição menos romântica e mais realista seria tentar convencer as pessoas a consumir. No entanto, embora tentemos convencer, é importante oferecer realmente algo de valor. Os alunos se aprofundam em conceitos essenciais, como oferecer resolução de problemas e criar valor dando realmente às pessoas algo para lembrar, e assim inspirar a fidelidade do cliente. Nessa linha, eles começam

a trabalhar na criação de seu produto e no lançamento de uma campanha - que envolve pesquisar o mercado, identificar os seus consumidores, pesquisar os concorrentes e se atualizar nas últimas tendências. Redes sociais, televisão, rádio .... trabalhando com vídeo, texto, slides e som.... analisando a eficácia dos anúncios de marcas consolidadas, e as razões por trás disso. Munidos dessa percepção, eles potencialmente se tornam consumidores muito mais meticulosos, além de profissionais solícitos. Essas disciplinas fornecem aos adolescentes simulações práticas - a serem ampliadas em 2022 - que apaziguam reclamações frequentemente feitas por alunos brasileiros do Ensino Médio: Por que preciso aprender isso? Depois que sair da escola, nunca mais vou usar! Bem ... esse absolutamente não é o caso do currículo proposto pela Mizzou. Estas disciplinas dão ferramentas indiscutivelmente importantes aos seus alunos - muitos que talvez não tenham a oportunidade de estudá-los de maneira formal mais tarde, dependendo do curso que escolherem na universidade. Este programa oferecido em parceria com a Universidade do Missouri não é apenas relevante para a vida, mas também aumenta a sua qualidade, assim como a do ex-aluno e das pessoas ao seu redor.

ANUÁRIO 2021

Os alunos também entram em contato com o mercado de ações, vendo as possibilidades que existem em termos de ampliação de sua renda, além de seu futuro emprego. Também falamos sobre a importância de poupar e analisar cuidadosamente quando obter ou não empréstimos. Em seguida, é feito um estudo sobre os tipos de negócios disponíveis, as características de cada um, seguido por sessões de brainstorming sobre o tipo de produto ou serviço que eles poderiam oferecer - e qual estrutura de negócios seria a melhor para isso. Terminamos nossa exploração estudando as transações internacionais e se elas são benéficas. No geral, os alunos saem bem equipados para atuar na sociedade a partir de um lugar de consciência, capazes de administrar da melhor forma seus recursos - tanto financeiros quanto de qualquer outro tipo.

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CORPO EM ANUÁRIO 2021

A CURA PELA PRÁTICA

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M AÇÃO: Jogos cooperativos, jogos competitivos, treinamentos esportivos, malabares são possibilidades de atividades físicas que, praticadas com regularidade, promovem a saúde e a qualidade de vida para os alunos.

ANUÁRIO 2021

As atividades físicas, proposta de modo intencional, colocam o corpo e a mente em ação e desenvolvem a cultura corporal do movimento, a consciência corporal, a coordenação motora, o trabalho em equipe, o respeito às regras, a construção de valores, os cuidados com o corpo, a socialização, o autoconhecimento, o pensamento cognitivo, a maturidade emocional.

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A PRÁTICA DE JOGOS NA EDUCAÇÃO FÍSICA COM INTENCIONALIDADE PEDAGÓGICA Professor:Roberto Vazatta

ANUÁRIO 2021

Toda escola deve proporcionar aos alunos momentos agradáveis e prazerosos que desenvolvam a aprendizagem de maneira eficaz para toda a vida. Nas aulas de Educação Física, aqui no Uirapuru, todo processo é levado muito a sério e o planejamento é voltado para o desenvolvimento integral das crianças e dos jovens.

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Através do movimento e do esforço muscular encontramos subsídios fundamentais para a vida psíquica e o corpo é um dos primeiros e mais importantes veículos do conhecimento e das relações afetivas, sendo um ótimo instrumento de trabalho das emoções. Acreditamos que jogos, brincadeiras e esportes são práticas didáticas necessárias para a aprendizagem do aluno, juntamente com a construção do conhecimento favorecendo diversas habilidades. Sendo assim, as aulas direcionadas com esses instrumentos requerem um planejamento minucioso.

Os jogos são desenvolvidos já na Educação Infantil e intensificados a partir do Fundamental I. De acordo com Haidt (2003, p. 42), “os jogos são atividades físicas ou mentais realizadas com certas regras ou normas previamente elaboradas e discutidas, exatamente para que tudo aconteça de uma forma educativa e organizada”. Kishimoto (2000, p. 96) afirma que “as crianças ficam mais motivadas a usar a inteligência, pois querem jogar bem; sendo assim, esforçamse para superar obstáculos, tanto cognitivos quanto emocionais”. Estando mais motivadas durante o jogo, ficam também mais ativas mentalmente. A prática de jogos nas aulas é tratada com intencionalidade pedagógica. Os alunos não estão somente brincando, mesmo que muitas vezes as brincadeiras estejam inseridas nos jogos, mas construindo novos significados partindo de experiências anteriores, preparando uma estrutura onde se encontram novas ideias e saberes.


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ANUÁRIO 2021


Desenvolvemos vários jogos nas aulas e, como exemplo, um jogo especial chamado “Tomada do Castelo” é ensinado aos alunos à partir do 2º ano do fundamental I. Com o objetivo de invadir o castelo adversário e, ao mesmo tempo, proteger o seu, as crianças são divididas na quadra em duas equipes e, com muita movimentação, pega-pega, organização e cooperação, se empenham neste super desafio. Contando com muita diversão, este jogo desenvolve diferentes perspectivas: criativa, afetiva, histórica, social e cultural. Jogando a criança inventa, descobre e desenvolve habilidades.

ATRAVÉS DOS JOGOS AS CRIANÇAS DESENVOLVEM: • capacidades físicas como agilidade, velocidade, força, equilíbrio, coordenação motora, orientação espaço-temporal;

• capacidade de reflexão e tomada de decisões estratégicas. Aprender a fazer a leitura do jogo, para então tomar as decisões individuais e em grupo;

• destrezas motoras de locomoção como correr, saltar, saltitar, esquivar e suas combinações;

• o respeito às regras, colegas de equipe e adversários;

• destrezas motoras manipulativas como lançar, receber, rebater, conduzir, driblar, chutar e suas possíveis combinações;

• concentração e foco, independente do momento que esteja passando no jogo; • capacidade de aprender a lidar com resultados bons e ruins, frente a si mesmo, seus colegas de equipe e adversários.

ANUÁRIO 2021

A prática de jogos podem desenvolver vários ensinamentos aos alunos, dar mais sentido às tarefas e aos conteúdos, aprender com mais prazer, encontrar modos lúdicos de construir conhecimentos, saber observar melhor uma situação, observar o que é produtivo, corrigir erros, antecipar ações e coordenar informações.

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Portanto, utilizados adequadamente e com intencionalidade pedagógica, os jogos podem representar uma excelente opção para resgate da motivação interna dos alunos, resultando numa aprendizagem mais agradável e significativa. Tanto as potencialidades quanto as afetividades são harmonizadas no desenvolvimento das habilidades de maneira muito prazerosa e divertida, desenvolvendo o social e o cognitivo. Então, o que acha? Vamos jogar?


ANUÁRIO 2021

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: HAIDT, Regina Célia Cazux. Curso de Didática Geral. 7ª ed. São Paulo: Ática, 2003. KISHIMOTO, Tizuko. Jogo, brinquedo, brincadeira e a educação. São Paulo: Cortez, 2000.

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MALABARES PRÁTICA ALÉM DO MOVIMENTO Professor:Leon Lopes

ANUÁRIO 2021

A cada dia que passa a educação precisa buscar novas possibilidades e ferramentas para uma formação mais adequada às novas características dos educandos atuais. Essa não é uma tarefa de fácil execução, diante de tantas inovações tecnológicas e de informações que mudam muito rapidamente fica cada vez mais desafiador construir um saber que traga significado real. Diante deste cenário o Circo ganhou um espaço especial dentro da escola, pensado não apenas como “mais uma atividade” ele vem para somar de maneira positiva e acolhedora, afinal de contas o espetáculo está para ser vivido e não somente assistido.

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O Circo pode ser trabalhado de muitas maneiras diferentes, cada modalidade com suas peculiaridades e brilho especial que trazem alegria à quem assiste e ainda mais pra quem pratica. Uma das inúmeras possibilidades que o circo nos traz é a do Malabares, modalidade praticada comumente dentro dos picadeiros, mas que nem sempre pertenceu a este meio. Existem relatos históricos de malabaristas em tumbas egípcias entre os anos de 2055 a. C a 1650 a.C, ele é tão antigo quanto a própria Matemática, foi muito praticado por artistas de rua antes de ser inserido em teatros e picadeiros, desde então vem ganhando cada vez mais

espaço e praticantes em todo o mundo. O malabarismo pode se definido como uma habilidade física, executada com destreza por um malabarista, que envolve a manipulação de objetos por diversão, entretenimento, arte, ou esporte, existem diferentes tipos de malabares, de contato, equilíbrio e arremesso, além de malabares com fogo. cada modalidade tem sua característica. Entendemos que a escola precisa ser um dos principais meios de ensino/ aprendizagem e produção de cultura, considerando o circo como uma parte importante da “cultura corporal” (SOARES et al., 1992). Neira (2006, p.6) diz que a educação visa desenvolver múltiplas potencialidades humanas, em sua riqueza e diversidade, para o acesso às condições de produção do conhecimento e da cultura”. Pensando em desenvolvimento psicomotor sabe-se que a prática do malabarismo pode levar ao aumento da lateralidade, postura corporal, percepção espacial, auto superação, lançamentos e recepções (WERNECK, 2015), e pode promover a sociabilização, pois estimula o desenvolvimento motor, capacidade de reação e raciocínio eficaz e seguro (MANSUR et al., 2007) possibilitando experiências corporais únicas que vão além do imaginado.


Acreditamos ser oportuno refletir sobre como a criança tem em seu mundo um olhar único e mágico para tudo que está à sua volta. Infelizmente com o passar dos anos essa magia dá lugar a inúmeras responsabilidades, fazendo com que esse olhar passe a ser diferente, já não enxergamos tantas possibilidades de felicidade, deixamos de lado as coisas simples que nos faziam felizes e adentramos a vida adulta deixando toda a mágica numa caixinha escondida bem lá no fundo. É importante reconhecer que esta caixinha não deve ser mantida fechada por muito tempo, aproveitar do seu conteúdo é manter aquele olhar mágico ainda vivo em nós e isso nos possibilita seguir em frente aproveitando tudo que há de bom à nossa volta, basta acreditar para poder ir além do que jamais imaginamos. Felizmente existem maneiras de manter essa caixinha sempre aberta e o Circo é uma delas. Dentro da lona acontece algo mágico que nos permite ser crianças novamente, sentir o mesmo frio na barriga ao ver os acrobatas saltando de um lado para o outro, ficar espantados ao tentar entender como o Mágico realizou aquele truque, aplaudir em pé o malabarista, sentir o cheiro da pipoca fresca e o gosto da maçã do amor, ver as bailarinas com suas coreografias muito

bem trabalhadas e rir até doer a barriga com os palhaços. No Circo cada momento é único e as possibilidades são infinitas, ao acompanhar um espetáculo não há lugar onde nossa mente não alcance. “Educar através do circo é transformar os ensinamentos em magia, as dificuldades em malabarismo, o improvável em realidade e a vida em alegria!” Circo Social Alchymist.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: MANSUR, M. et al. Influência do Malabarismo na Aprendizagem, Reposta ao Estímulo Visual e Memória de Idosos. Revista Mackenzie de Educação Física e Esporte, Santos, v.6, n.3, p.87-92, 2007. NEIRA, Marcos Garcia. Educação física: desenvolvendo competências. São Paulo: Phorte, 2a ed., 2006a. SOARES, Carmem Lúcia et al. Metodologia do ensino de educação física. São Paulo, Cortez, 1992. (Coleção magistério 2o . Grau, Série formação do professor). WERNECK, J.N. Reflexões sobre processo de ensinoaprendizagem nas artes da lona. 2015. 40 f. TCC (Graduação) - Curso de Artes Cênicas, Universidade de Brasília, Brasília, 2015.

ANUÁRIO 2021

Apesar de toda experiência e desenvolvimento corporal adquirida através das práticas circenses o que mais chama a atenção é o sorriso e a alegria das crianças em meio às atividades. O objetivo não é que tenhamos malabaristas profissionais, mas sim que cada um reflita sobre sua prática e enxergue suas dificuldades, não como limitadoras, mas sim como mais um desafio a ser superado com empenho e dedicação, cada momento de dificuldade traz consigo uma possibilidade de superação.

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DESENVOLVIMENTO COGNITIVO ATRAVÉS DO VOLEIBOL Professora: Crisálida Gonçalves

ANUÁRIO 2021

O voleibol, como jogo desportivo coletivo que é, tem uma contribuição excelente para a formação da criança e do jovem.

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É um desporto situacional por requerer grande capacidade de adaptação a contextos que se modificam continuamente e num curto espaço de tempo, uma vez que, sendo um esporte de antecipação, repulsão da bola e não de transporte, sem contato físico com o adversário, exige uma performance psicomotora e técnica muito bem estruturada, uma vez que o erro é punido pelas regras. Assim, todas as ações da modalidade envolvem, de alguma forma, o processo cognitivo, onde o praticante, em diferentes situações, precisa montar as suas estratégias e tomar as decisões muito rapidamente para conseguir o êxito sobre o adversário. Esta modalidade tem uma grande demanda cognitiva, exigindo percepção, memória, concentração, raciocínio, imaginação, habilidade intelectual, resolução de problemas, entre outras.

Praticar voleibol é complexo, uma vez que, requer do praticante uma combinação de capacidades motoras coordenativas, condicionais e cognitivas, sendo que, quanto mais alto o nível do jogo, maior é a exigência na utilização dessas capacidades. Por ser um desporto com características “abertas”, ou seja, quando a mesma envolve um ambiente imprevisível e em contínua mudança com situações pouco previsíveis, o desempenho psicomotor está diretamente relacionado às capacidades de se prever e responder às mudanças acontecidas no ambiente. A capacidade de reagir prontamente a um estímulo é vital na obtenção do sucesso de um atleta em desportos com características como as do voleibol. Para preparar uma saída motora apropriada, o organismo tem que ser eficiente na codificação de estímulos relevantes.


A necessidade de tomar decisões rápidas no menor tempo possível é difícil para qualquer praticante, independente do seu nível. No voleibol, o tempo de reação está, inevitavelmente, atrelado a outras capacidades, como por exemplo, a atenção e a memória, devido ao cenário de alta imprevisibilidade, característico da maioria das ações do jogo. O jogador tem que ser seletivo em focar aquilo que é mais importante naquele momento, sendo, portanto, a tomada de decisão, uma variável que antecede a execução do movimento. Assim, o sucesso desportivo, não está unicamente centrado no gesto técnico, mas também nas funções cognitivas implicadas nas tais tomadas de decisões.

O esporte, quando adotado numa abordagem educativa, pode tornar-se um ótimo meio para trabalhar a formação integral e crítica da criança e do jovem, contribuindo, significativamente, nos aspectos físicos, emocionais, cognitivos e psicológicos, estabelecendo uma condição de vida mais saudável aos praticantes.

ANUÁRIO 2021

No contexto escolar, que nos encontramos, a prática do voleibol além de trabalhar as funções cognitivas, exerce um papel fundamental no desenvolvimento de habilidades intelectuais, culturais, corporais e sociais. Nesta perspectiva, este esporte se caracteriza como um excelente instrumento educacional visando o desenvolvimento integral dos alunos.

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AS PRÁTICAS PEDAGÓGICAS DA EDUCAÇÃO FÍSICA NAS AULAS REMOTAS DURANTE A PANDEMIA COVID-19: PERCURSO E IDEIAS Professor: Francisco Adamecz Filho

ANUÁRIO 2021

Em função da alta propagação do vírus do Covid-19, a OMS decretou estado de pandemia em 11 de março de 2020, o que corroborou para o início de um processo de quarentena em diversos lugares do mundo (OMS, 2021). Exigindo estratégias de proteção para a diminuição do contágio, inúmeros estabelecimentos de diversos segmentos tiveram seus serviços interrompidos ou restringidos, dentre eles a Educação.

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No Colégio Uirapuru, as aulas remotas iniciaram-se alguns dias após o anúncio da quarentena decretada pelo governo do estado. Mas, como aconteceu todo esse processo? Quais as etapas foram necessárias para o desenvolvimento das práticas pedagógicas? Quais os recursos, as ferramentas tecnológicas e atividades utilizadas para as aulas? Reflexões e análises sobre esse momento são importantes, pois também acredita-se na importância do registro histórico como fonte de futuras pesquisas e intervenções.


A partir dessas consequências, demandouse formas alternativas de continuidade do processo de ensino aprendizagem, como a utilização das plataformas digitais. Recursos como: Google Classroon, Hangoout Meet, Zoom, Teams, Youtube, Whatsapp, canais de TVs, entre outras ferramentas, serviram de subsídios para desenvolver ações alternativas no processo educacional (GONÇALVES & AVELINO, 2020; COSTA et al, 2020).

Cabe neste momento algumas análises e reflexões: para a formação profissional inicial e continuada que, em plena pandemia, em pleno isolamento social, os docentes tiveram que sanar. Ou seja, ferramentas tecnológicas que antes não eram agregadas em planos de ensino e de aulas, foram obrigados a inseri-las e aprendê-las. Do outro lado, os estudantes e as famílias, que também tiveram que se adaptar ao novo mecanismo. Agora refletindo em termos nacionais, neste momento as profundas desigualdades regionais e socioeconômicas que marcam a sociedade brasileira, se apresentam ainda mais evidentes e muito provável que este modo de acesso à Educação não tenha sido nada democrático (GONÇALVES & AVELINO, 2020).

ANUÁRIO 2021

As epidemias são episódios de existência breve, mas intensa e arrebatadora e é esse caráter de crise, de ruptura com uma determinada estrutura que o equilíbrio é rompido, surgindo tensões e conflitos, perturbando a ordem até então estabelecida. Com a alteração das rotinas educacionais em pouco tempo observouse o surgimento de novos desafios nesse cotidiano. (GONÇALVES & AVELINO, 2020).

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ANUÁRIO 2021

Entretanto, se inovação pode ser definida como algo novo, que provoque mudança na forma de realizar alguma atividade, podemos imaginar então, que todas transformações no processo educacional durante a pandemia do COVID-19, possam trazer resultados positivos futuros, visto que os docentes inovaram, buscaram mecanismos e soluções para desenvolver suas aulas. Inovador é o que se opõe ao tradicional e que para haver inovação é necessário a reformulação de todo o processo, na finalidade da educação a serviço das necessidades da sociedade. Além do mais, os alunos não são iguais uns aos outros. São diferentes em diversos sentidos e apresentam relações diferentes com o saber e com os interesses. Desse modo, Santana (2000), diz que o desafio do professor é não estar preocupado só com o ensinar e sim, de criar condições para que os alunos aprendam, ou seja, utilizar estratégias diferentes.

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Essas estratégias, denominadas de práticas pedagógicas, configuram-se como os fundamentos de modo organizado para atender determinadas expectativas educacionais necessárias, fazem parte de um caminho (FRANCO, 2015). Assim que decretada a pandemia e as aulas no Colégio Uirapuru foram suspensas, a direção logo providenciou meios, via plataforma Google for Education (Google para Educação), para que todos os segmentos, educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio, pudessem permanecer em contato com os alunos e continuar a relação de ensino e aprendizagem. Com reuniões via Google Meet (Plataforma de Videoconferência), começamos a organizar como iríamos realizar o trabalho.

Com a perspectiva de que talvez, o isolamento e a suspensão das aulas fossem durar poucos dias, ou algumas semanas, a primeira proposta da direção e coordenação do Colégio para a Educação Física, foi que gravássemos vídeos com atividades, dicas de brincadeiras e jogos para que os alunos pudessem realizar em casa e que também não precisassem de muitos materiais. Nessa etapa, foram incluídos diversos temas e atividades, como as lúdicas, recreativas, cooperativas, até algumas que pudessem fazer com os familiares também. Utilizamos diversos materiais recicláveis ou alternativos ou ainda que utilizassem o que tivessem em casa naquele momento. Alguns exemplos de atividades enviadas aos alunos nos diferentes segmentos: Acerte o alvo, Bilboquê com copo plástico, Equilibrar cabo de vassoura, Malabares, Futebol na cadeira, Futebol de peteleco, Lista de exercícios, entre outros.


Após determinar os temas e conteúdos e para quais turmas seriam destinados, iniciamos o processo de elaboração e confecção do material a ser apresentado nas aulas. Neste processo, procuramos elaborar materiais que pudessem transmitir conteúdos e ao mesmo tempo fossem atrativos, reflexivos, instigantes, com movimentos, cores e associações com a realidade. Na maioria das aulas, usamos o Google Apresentações, que tem um formato de apresentação de slides o que possibilita a inserção de textos, fotos e vídeos, sendo um meio dinâmico e de fácil manejo e o Google Forms (aplicativo para criação de formulários de pesquisas e questionários online). Também usamos com algumas turmas os aplicativos Kahoot e o Quizziz, que se baseiam em testes com perguntas e respostas, motivando e dinamizando o tema abordado.

ANUÁRIO 2021

Após algumas semanas os órgãos competentes determinaram a prorrogação da quarentena e a direção do Colégio optou por iniciar a transmissão das aulas de modo remoto e assim, as aulas de Educação Física também foram incluídas nesta nova proposta e iniciou-se um novo desafio, adequar novamente. A primeira ação foi verificar o planejamento das turmas e adequar as unidades didáticas. Nas primeiras reuniões as dúvidas e questionamentos eram maiores do que as respostas. Como trabalhar os conteúdos nas aulas remotas? A Educação Física sempre se pautou pelo movimento, pela ação motora dos corpos e pela gestualidade corporal. Mas é preciso salientar o imenso, vasto e diversificado acervo advindo das práticas corporais e culturais produzidas pela humanidade ao longo dos tempos e assim, apoiados no espírito de equipe seguimos em frente.

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Para o conteúdo das apresentações dos diversos temas, elaboramos ideias que partiam de um contexto histórico, conceituação, caracterização, comparação, significância, análise, reflexão e contexto com a realidade. Além de proporcionar um pensamento crítico e reflexivo sobre as questões que envolvem as práticas corporais. A seguir, algumas ideias de aulas aplicadas nos diferentes segmentos com a utilização do Google Apresentações: 1 – Esportes: Atletismo, Vôlei, Futebol, Handebol, Basquete, Esportes Aquáticos, Esportes de Raquete, Esportes pelo Mundo (Corfebol, Croquet, Floorball, Lacrosse, Mambol, Pelota basca, Pesapallo, Ringtennis, Sepaktakraw, Softball);

ANUÁRIO 2021

2 – Jogos e Brincadeiras: Queimada, Amarelinha, Jogo da garrafinha, Brincadeiras de rua, Jogos de tabuleiro, Pega-pega, Pique Bandeira; 3 – Diversos: Malabares, Recreação, Circuito de Exercícios, Jogos da Trilha, Desafio das Posições do Corpo, Corrida Maluca, Festa Junina, Desafio do Equilíbrio, Just Dance, Capoeira; entre outros.

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Vale salientar que as apresentações, bem com as atividades propostas, foram adaptadas buscando adequar o conteúdo de acordo com o segmento e turma. Outro ponto importante, em todos os vídeos salientamos a questão da segurança, para que sempre solicitassem o auxílio de um adulto, bem como realizasse a atividade em um local seguro e sem riscos de acidente. Pensando no trabalho dos professores, uma equipe é formada por um grupo de pessoas que têm em comum, o esforço para resolução de um problema ou de um determinado trabalho. Em particular no Colégio Uirapuru, nossa equipe sempre

foi muito bem coordenada e liderada por pessoas que têm os mesmos ideais educacionais, sociais e humanos. Para deixar exposto o quanto nossa equipe estava engajada em realizar o melhor trabalho possível, citamos a seguir os relatos cedidos gentilmente pelo coordenador da equipe, Professor Roberto Vazatta e pela Coordenadora Geral do Colégio, Maura Boffer.


Para o Professor Roberto Vazatta: “Na Educação Física do Colégio Uirapuru, com o surgimento da pandemia, todos os professores prontamente encararam o desafio. O esforço e comprometimento de toda a equipe foi fundamental para que os alunos participassem das aulas. Foram momentos de transformações, momentos imprescindíveis de aprendizado, em que os professores também se transformaram com toda a certeza em profissionais muito melhores ”.

Para a Coordenadora Geral do Colégio Maura Boffer: “Entendo que o componente curricular Educação Física, parte da área de Linguagens, ganha dimensão e importância nos últimos anos como campo específico de conhecimentos e práticas, contribuindo para o desenvolvimento dos sujeitos nos campos cognitivo, físico, emocional e social. O trabalho já reconhecido pelas práticas presenciais e que precisou ser reestruturado por conta da pandemia para as atividades remotas, só foi possível em especial no Colégio Uirapuru, pela articulação no Projeto Pedagógico Institucional e pela qualificação, flexibilidade e ousadia da nossa equipe docente”.

Concluímos que, partindo da premissa de que nunca havíamos vivido um momento pandêmico como este e de não ter havido precedentes até então neste modo de aplicação de aulas, que todos os professores da equipe de Educação Física do Colégio Uirapuru se uniram para superar as dificuldades, aprender, evoluir, reinventar, discutir e elaborar aulas que pudessem contribuir com o desenvolvimento dos alunos, além de manter a disciplina ativa dentro da grade curricular. Dedico este texto a todos os professores que não pouparam forças para fazer o melhor pela educação, pelos alunos e pela sociedade.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

COSTA, DP; FREITAS, AA; OLIVEIRA, ICS. Aulas remotas durante a pandemia da Covid-19: o que dizem graduandos em Pedagogia. Congresso Internacional de Educação e Tecnologia / Encontro de Pesquisadores em Educação a Distância, 24/08/20. FRANCO, MAS. Práticas pedagógicas de ensinar-aprender: por entre resistências e resignações. Educação e Pesquisa [online]. 2015, v. 41, n. 3 pp. 601-614. GONÇALVES, NKR; AVELINO, WF. Estágio supervisionado em educação no contexto da pandemia da covid-19. Boletim de Conjuntura (BOCA) Ano II, Vol 4 n10, Boa Vista, 2020. SANTANA, I. Práticas pedagógicas diferenciadas. Escola Moderna, Nº8 5ª série, 2000.

ANUÁRIO 2021

AGÊNCIA BRASIL. Mais de 5 milhões de crianças e adolescentes ficam sem aulas em 2020. Mariana Tokarnia. Publicado em 29/04/2021.

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EQUIPE PED ANUÁRIO 2021

OS DESAFIOS DA MEDIAÇÃO EFETIVA

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DAGÓGICA: Os desafios da mediação efetiva - com os professores, com os alunos, com as famílias - sempre requerem estudo contínuo da equipe, seja no âmbito escolar ou no âmbito externo. A formação continuada da equipe pedagógica também se desdobra em formações em cada um dos segmentos, aprofundando conhecimentos, refletindo sobre situações do cotidiano, melhorando as formas de comunicação, ampliando as metodologias… Enfim, encontrando novos modos de pensar e de fazer educação.

ANUÁRIO 2021

Equipe pedagógica - coordenadora geral, coordenadores pedagógicos e orientadoras educacionais - é responsável pela gestão pedagógica e educacional, cada membro com suas responsabilidades específicas, mas alinhados entre si, num movimento de complementaridade.

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A IMPORTÂNCIA DA FORMAÇÃO CONTINUADA NO BERÇÁRIO Fernanda Rodrigues, Coordenadora Pedagógica

A formação continuada proporciona constante aprendizado, aperfeiçoamento dos saberes e assegura uma qualidade nas propostas para o desenvolvimento das crianças. Estimula uma perspectiva críticoreflexiva, possibilitando um pensamento autônomo.

ANUÁRIO 2021

Acreditamos que a formação constante nos traz segurança em resolvermos situações do dia a dia com sabedoria, resiliência, sempre pautadas em nossas trocas de experiências, estudos e práticas pedagógicas.

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Quando ampliamos nossos conhecimentos, embasados em teorias que acreditamos fazer sentido, adquirimos novos olhares, novas posturas e, consequentemente, novos saberes. Aqui no Berçário, temos este olhar e acreditamos que um trabalho de excelência precisa ser alimentado com encontros de formação e reflexão, para que as profissionais envolvidas estejam sempre atualizadas e preparadas para condução do desenvolvimento das crianças, garantindo

assim, um ambiente adequado e olhares focados no aprimoramento constante de suas práticas pedagógicas. Organizamos encontros onde trabalhamos com textos para reflexão, assim garantimos mudanças de atitudes e olhares, nos apropriando sempre de conceitos teóricos que nos dão embasamento para uma prática eficaz. Outra abordagem destes encontros, são orientações mais dirigidas e pontuais em reuniões. Conversamos sobre a rotina das crianças, a função do educador, as observações que fizemos ao longo do mês e de maneira clara e prática, esclarecemos dúvidas ou apontamos sugestões de práticas a serem seguidas. Com estas reuniões possibilitamos caminhos para que as berçaristas se apropriem, internalizem e transformem em conhecimento aquilo que chegou como informação.


Nessa perspectiva, acreditamos que para que as berçaristas se apropriem de conceitos pertinentes à faixa etária de seu grupo com aprofundamento em conceitos adequados, fazemos encontros por grupos e apresentamos abordagens importantes, que vem ao encontro das nossas crenças, dando condições para que desenvolvam um trabalho de qualidade, priorizando a observação.

ANUÁRIO 2021

Também trazemos especialistas para conversar com a equipe e abordar temas relevantes ao Berçário e por isso trouxemos este ano, a nutricionista Grazielly (que atende o espaço Uirapuru Bebê) junto com a Ana Laura, que é a responsável por toda alimentação e organização deste setor. Neste encontro abordamos a importância da alimentação para os bebês, como oferecermos, postura do educador, incentivo a experimentar alimentos novos, valorizando sempre a construção de hábitos alimentares e tornando estes momentos muito prazerosos.

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Alguns temas trabalhados neste ano: • O BRINCAR NA VIDA DOS BEBÊS • ORGANIZAÇÃO DOS ESPAÇOS • PROPOSTAS E SUGESTÕES DE PRÁTICAS COM OS BEBÊS • OLHARES ATENTOS

Para nós, a prática e a reflexão constantes contribuem para uma ressignificação dos conceitos e assim, nos permite ampliar olhares valorizando as trocas de experiências. Acreditamos que estas ações devam ter como ponto principal a formação do indivíduo como um todo, interiorizando os conceitos e se apropriando para a vida.

• FUNÇÕES DO EDUCADOR • ALIMENTAÇÃO • DESENVOLVIMENTO PSICOMOTOR, ENTRE OUTROS.

A FORMAÇÃO NÃO SE CONSTRÓI POR ACUMULAÇÃO (DE CURSOS, DE CONHECIMENTOS OU TÉCNICAS), MAS SIM ATRAVÉS DE UM TRABALHO DE REFLEXIVIDADE CRÍTICA SOBRE AS PRÁTICAS E DE RECONSTRUÇÃO PERMANENTE DE UMA IDENTIDADE PESSOAL

ANUÁRIO 2021

(NÓVOA, 2002, P. 57).

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA: NÓVOA, Antônio. Formação de professores e trabalho pedagógico. Lisboa/Portugal: Educa, 2002

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A APRENDIZAGEM DOS PROFESSORES COMO UM PROCESSO CONTÍNUO FUNDAMENTADO NA EXPERIÊNCIA E NA TEORIA QUE A SUSTENTA. Gabriela Plens, Coordenadora Pedagógica

EL APRENDIZAJE ES UN PROCESO CONTÍNUO FUNDAMENTADO EN LA EXPERIÊNCIA, QUE REQUIERE LA RESOLUCIÓN DE CONFLICTOS, QUE IMPLICA TRANSACCIÓN ENTRE LAS PERSONAS Y EL AMBIENTE, Y QUE ESTA TRANSACCIÓN SE SIMBOLIZA A TRAVÉS DEL TÉRMINO ‘EXPERIÊNCIA’

ANUÁRIO 2021

(VAILLANT E MARCELO, 2001, P. 15).

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EL CONOCIMIENTO SE PRODUCE EN DIFERENTES SITUACIONES, Y EN FUNCIÓN DE LAS SIGUIENTES CARACTERÍSTICAS: EL CONOCIMIENTO NOS ES SOLAMENTE UNA CUESTIÓN DEL PENSAMIENTO Y DE LA PERSONA, SINO DE LAS RELACIONES QUE ESAS PERSONAS MANTIENEN; APRENDER (LLEGAR A CONOCER) IMPLICA MANTENER RELACIONES FUNCIONALES CON EL PROPIO AMBIENTE; LA BUENA ENSEÑANZA CREA OPORTUNIDADES PARA APRENDER A PENSAR Y ACTUAR EN RELACIÓN AL AMBIENTE

A palavra esperançar é o que nos move no constante processo de responsabilidade de formação dos sujeitos para a vida e é por isso que buscamos enxergar coisas boas mesmo em meio às dificuldades. A pandemia despertou em nós o desejo, ainda maior, de colocar as crianças em ações cujas experiências promovam aprendizagens entrelaçadas e que dão sentido às conexões cognitivas, sociais e emocionais. Aprendemos a olhar ainda mais para os processos individuais das crianças e para aquilo que tinham conquistado como aprendizagem e, por conta de tudo isso, nosso retorno presencial com formações teve como premissa a experiência subjetiva de cada criança e também com cada professora.

(VAILLANT E MARCELO, 2001, P. 28).

Ao longo do ano compartilhamos algumas leituras e, com elas, nossas experiências de sala de aula. Nos colocamos como pesquisadoras das ações das crianças, dos seus processos de aprendizagens, nos comprometemos com a maior inovação que poderíamos oferecer às nossas crianças: nossa contínua formação profissional dentro da própria escola, para o exercício de uma prática significativa.

ANUÁRIO 2021

2021 começou como um ano especial, pois a esperança da vida e a luta por um ensino significativo nunca esteve tão presente em nossa vida na escola. Nós, professoras da Educação Infantil, passamos por inúmeros desafios do ensino remoto, assim como os demais colegas de outros segmentos. Porém, a interação física, o toque, os olhos nos olhos, as expressões faciais tão fundamentais nas experiências com as crianças pequenas foram interrompidos pelo processo de recolhimento social vivido meses antes.

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Nosso processo formativo se iniciou com a leitura compartilhada do livro "O cérebro no mundo digital: os desafios da leitura na nossa era", da neurocientista Maryanne Wolf, que revela em sua obra a necessidade da intimidade com a literatura e seus efeitos sobre a formação da mente do indivíduo. Como pesquisadora, ela traz em sua obra uma grande preocupação com a profundidade e, ao mesmo tempo, com a superficialidade que a leitura pode despertar nos sujeitos.

ANUÁRIO 2021

Ainda que mostre ao leitor aspectos da leitura aprofundada e sua importância, assim como a ameaça de cada vez mais se tornar menos praticada pela sociedade, Wolf traz conforto e esperança de que é possível construir habilidades de leitura nas crianças tanto para livros impressos quanto para os textos do que circulam no ciberespaço.

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Nos preocupamos muito com a formação social de nossas crianças e entendemos que a convivência é um conteúdo da Educação Infantil. A obra de Marianne Wolf nos fez compreender que a literatura tem um papel significativo no desenvolvimento da empatia, uma vez que as histórias permitem que os indivíduos se coloquem no lugar de outras vidas e voltem para a sua abastecidos de experiência e novos pontos de vista. Assim, dia após dia, as professoras oportunizaram às nossas crianças experiências leitoras dos mais variados mundos e com personagens diversos, que as levaram a lugares de encontro consigo mesmas.


As discussões sobre os capítulos contribuíram também para a consciência e tomada de atitude em relação ao nosso próprio percurso leitor, seja no campo profissional como pessoal. Para Nóvoa (2009), a formação de professores deve ser concebida em um contexto de responsabilidade profissional dentro das próprias escolas, onde se vive e se reflete sobre as rotinas de trabalho, sejam elas profissionais, pessoais, coletivas ou mesmo de gerenciamento da instituição, reforçando sempre a pessoa-professor e o professorpessoa.

No decorrer desse ano ousamos colocar em prática um dos princípios: o espaço como terceiro educador. Transformamos as salas de aula e outros espaços em territórios a serem conquistados, em laboratórios de pesquisa. Estabelecemos um contrato de gentileza e assim, uma professora preparava o espaço para a outra do período seguinte. Novamente desejávamos práticas em que as crianças tivessem múltiplas experiências e dessem sentido àquilo que queriam saber ou viver. Os materiais, estruturados ou não, eram organizados de maneira intencional e possibilitaram não apenas a exploração livre, mas a experimentação de conceitos ainda que esses não estivessem tão explícitos às crianças da Educação Infantil, como ocorre em segmentos posteriores.

ANUÁRIO 2021

As vivências advindas da cotidianidade da escola desenvolvem no professor um olhar para a observação reflexiva, ou seja, uma observação que é intencionalmente orientada a partir de um ponto de vista teórico. Desenvolve-se um olhar para o processo daquilo que está sendo feito pela criança e, assim, a prática é orientada pela reflexão sobre esses processos de aprendizagens.

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Havia uma constante troca entre as professoras que compartilhavam umas com as outras suas expectativas, incertezas, mas acima de tudo, suas experiências advindas da observação das crianças na relação com o espaço. Segundo Abrahan (1986), quando os professores desenvolvem relação com parceiros de excelência e quando permitem serem afetados, têm maior facilidade nas relações empáticas e solidárias. Esses profissionais desenvolvem uma representação positiva de si mesmos, revelam suas próprias personalidades e pensam nas reações, sentimentos e ideias das crianças com quem convive. A troca entre a equipe possibilitou que as professoras contassem sobre as experiências das crianças e sobre as aprendizagens construídas nos mais diversos contextos criados. Os livros "Construção e construtividade: materiais naturais e artificiais nos jogos de construção" e "A linha como linguagem: repertório do vísivel", ambos escritos pelas Alês da escola Fabulinos (Argentina), foram um convite para que olhassemos também para os processos e experiências das crianças.

ANUÁRIO 2021

Cada grupo de professoras por fase (Infantil 2, 3, 4, 5 e 1º ano) se dedicou a uma das obras referenciando teoricamente a proposta pedagógica vivida com as crianças em que atuam.

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Entendemos ainda mais que as construções das crianças são produtos do seu intelecto e que somos nós, as professoras, que oportunizamos momentos em que elas fazem suas escolhas com autonomia e autenticidade. Pudemos ver o quanto as crianças ressignificam suas experiências de vida nas brincadeiras.

ANUÁRIO 2021

Nos encontro formativos continuamos nos apaixonando pelos desenhos das crianças, que por muitos anos foram temas das nossas propostas formativas. E vimos, com a escrita das Alês, e nas discussões sobre o livro "A linha como linguagem", que as crianças utilizam os desenhos como forma de expressar e representar as teorias provisórias que têm sobre um determinado assunto.

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As formações no contexto da escola são oportunidades para que os professores encontrem condutas de respeito, confiança e preocupação com aquilo que se ensina e como se ensina e, assim, construam seus percursos de autenticidade docente: “La formación del profesorado debe contribuir a que los profesores se formen como personas, comprendan su responsabilidad en el desarrollo de la escuela, y adquiran una actitud reflexiva acerca de su enseñanza” (VAILLANT e MARCELO, 2001, p. 38). Encerramos o ano com rodas de reflexão e mais uma vez com a experiência sendo transpassada em nosso corpo e mente. Ateliês foram montados para que pudéssemos experimentar e criar intimidade com os materiais oferecidos nos contextos às crianças e para que nossos pensamentos fossem representados por meio de múltiplas linguagens.

ANUÁRIO 2021

A tinta, a argila, o grafismo, a natureza e o digital foram algumas das linguagens estudadas cujo foco eram os materiais e as materialidades como possibilidades para o aprofundamento das pesquisas das crianças. Os vídeos de Pareja (2021) foram fundamentais no processo de formação continuada, pois acolheram nossas dúvidas e nos repertoriaram para a construção de novos modos de pensar.

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Mas foram nas rodas e nas oficinas que tivemos a oportunidade de troca, de ressignificação daquilo que faz sentido e vai ao encontro do projeto político pedagógico e do currículo da Educação Infantil. Reaprendemos a moldar, a traçar, a pincelar, a contemplar o belo e assim ressignificamos as propostas com as crianças.


Um professor que tenha a oportunidade de viver a experiência da escola pode vir a ser alguém que aprenda de maneira crítica e seja capaz de avaliar a informação, alguém que tenha construído um saber que se ajuste à realidade e que o use com flexibilidade diante das situações. Enfim, alguém que adquira o gosto pelo conhecimento e que se comporte como um sujeito disposto a aprender por toda a vida

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: ABRAHAM, Ada. El enseñante es también una persona: un inédito enfoque interdisciplinario que arroja nueva luz sobre la condición íntima del educador. Gedisa Editorial. Barcelona, Espanha, 1986. DUBOVICH, Alejandra; Cippitelli, Alejandra. Construção e construtividade: materiais naturais e artificiais nos jogos de construção. Phorte. São Paulo, 2018. ________. A linha como linguagem: repertório do visível. Phorte. São Paulo, 2020. NÓVOA, António. Professores – Imagens do futuro presente. Educa. Lisboa, 2009. PAREJA, Josiane. Materiais e Materialidades na Educação Infantil. Ateliê Carambola. São Paulo, 2021. VAILLANT, Denise, Marcelo, Carlos. Las tareas del formador. Ediciones Abjibe. Archidona, Málaga, 2001. WOLF, Maryanne. O cérebro no mundo digital: os desafios da leitura na nossa era. São Paulo. Contexto, 2019.

ANUÁRIO 2021

É importante que os professores tenham consciência daquilo que fazem e propõem, que conceitualizem suas aulas e façam escolhas pertinentes sobre aquilo que as crianças precisam construir como conhecimento. Do mesmo modo, a consciência do que se faz contribui para a construção da pessoalidade no interior da profissionalidade: “El análisis de la práctica observada o experienciada, a la luz de las creencias y conocimientos propios, permite poner en cuestión las propias ideas y avanzar hacia una mayor autoconsciência del conocimiento professional” (Kolb, apud Vaillante e Marcelo, 2001, p. 26).

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O ESPAÇO DO PLANEJAMENTO PARA COMPREENSÃO NO FUNDAMENTAL I: UM CONVITE PARA REFLEXÃO

ANUÁRIO 2021

Andréa Furtado Vazatta, Coordenadora Pedagógica

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Constituídos em grupos de estudos, professores do Fundamental I, se lançaram no decorrer deste ano, como pesquisadores dos saberes que envolvem a aprendizagem para compreensão.

Com a capacidade de transferência dos contextos, lançamos mão daquilo que sabemos e usamos esses saberes de forma criativa, flexível e fluente, em diferentes contextos.

Vale ressaltar que a compreensão é uma construção feita pela mente humana para dar sentido a muitos fragmentos de conhecimento. O processo se dá quando o indivíduo é capaz de formular perguntas e realizar investigações.

De acordo com Grant Wiggins e Jay McTighe (2019, p. 39), a transferência "é uma habilidade essencial porque os professores só podem ajudar os alunos a aprender um número relativo de ideias, exemplos, fatos e habilidades em cada campo de estudo: portanto, precisamos ajudá-los a transferir sua aprendizagem para outros contextos, situações e problemas".

Segundo Bloom (1956, p. 1), a compreensão se concretiza quando internalizamos o conhecimento, encontrando o desafio do pensamento reunindo habilidades e fatos, por meio da efetiva aplicação, análise, síntese e avaliação. A sua estruturação deve focar em conceitos centrais e verificação de hipóteses (aprendizagem em espiral).

Nossos encontros de formação foram mensais, sendo constituídos por: reuniões de tematização com toda a equipe, grupos de estudos, divididos em três áreas de conhecimento e, por fim, pela leitura compartilhada, com foco no olhar humanizado e marcado pelas relações.


Reuniões de Tematização

Grupos de Estudos

Leitura compartilhada

Planejamento reverso.

Diretrizes para o ensino reflexivo da ortografia.

Fotos para percepção pela Cianotipia.

A prova como instrumento avaliativo do trabalho do professor e da promoção do aluno. Ação do planejamento reverso.

Olhares que sentem e pensam: a arte como potência na formação de professores que ensinam matemática.

Perguntas essenciais: a porta de entrada para compreensão.

Mentes sem barreiras.

Quem educa marca o corpo do outro.

Cada um dos temas apresentados na tabela revelou algum aspecto inquietante sobre a compreensão e a construção do planejamento para o curiosear.

ANUÁRIO 2021

Para Dowbor (2008, p. 97), “quando o professor planeja de forma participativa, seu movimento é o de estar aberto à troca de experiências com os colegas de trabalho para a leitura do grupo de suas necessidades e desejos; estar aberto às leituras sobre o que tem de desenvolver com relação a conteúdos específicos e necessários à faixa etária com que trabalha; está aberto ainda a entrar em contato com seu desejo, para descobrir que gostaria de descobrir com seu grupo”.

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Aprendemos porque somos seres humanos e nos tornamos humanos através do ato de conhecer o mundo, ou seja, nosso processo de "humanização" é marcado pelas relações de aprendizagem que vivenciamos ao longo da nossa história de vida. E, assim, se tornou tão empolgante a construção da reflexão em nossas reuniões pedagógicas, todos envolvidos no planejamento para compreensão e nas perguntas essenciais que devem ser realizadas ao longo de todo processo do planejar.

ANUÁRIO 2021

Consideremos algumas das falas dos professores no Brainstorming sobre as perguntas essenciais como a porta de entrada para a compreensão.

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Através desses pensamentos, das leituras e dos questionamentos, constituímos nossas reflexões com os professores e a coordenação pedagógica, considerando a argumentação discursiva na possibilidade do conhecer, do confrontar e o do transformar os sentidos do nosso planejamento para compreensão.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: WIGGINS, GRANT. Planejamento para a compreensão: alinhando currículo, avaliação e ensino por meio do planejamento reverso. 2. ed. (ampliada). Porto Alegre: Penso. 2019. BLOOM, B. S. (Ed.). Taxonomy of educacional objectives: classification of educacional goals: handbook 1: cognitive domain. New York: Longman, Green e Co, 1956. DOWBOR, F. F.. Quem ama marca o corpo do outro. 2.ed. - São Paulo: Cortez, 2008. COVEY, S. R. The seven habits of highly effective people: powerful lessons in personal change. New York: Free, 1989.

ANUÁRIO 2021

Ressaltamos a fala de Covey (1989, p. 98), que "começar com o fim em mente significa iniciar com uma compreensão clara do destino. Significa saber para onde você está indo de modo que compreenda melhor onde você se encontra no momento para que seus passos sejam sempre na direção certa".

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FORMAÇÃO DE PROFESSORES: VIVENCIAR PARA O APRENDER E SENSIBILIZAR PARA O AGIR

ANUÁRIO 2021

Gabriela Deliberali, Coordenadora Pedagógica

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“SÓ SE PODE VIVER PERTO DE OUTRO, E CONHECER OUTRA PESSOA, SEM PERIGO DE ÓDIO, SE A GENTE TEM AMOR. QUALQUER AMOR JÁ É UM POUQUINHO DE SAÚDE, UM DESCANSO NA LOUCURA” (ROSA, 2019), foi o que li na parede do Museu da Língua Portuguesa e, apesar de já ter lido a obra do brilhante João Guimarães Rosa, foi em uma segunda-feira à tarde que este trecho me chamou a atenção. Estava em um evento para gestores de escolas, onde eram apresentadas e discutidas propostas para a educação, quando minha amiga e parceira Andréa apontou para a parede e li esta frase, as palavras fizeram muito sentido à luz do que vivi enquanto coordenadora no ano de 2021.


Costumo dizer que as atribuições de um coordenador pedagógico se dividem em três momentos: o para ontem, o para hoje e o para amanhã. Citar o ontem pode despertar estranheza, mas descreve muito bem as urgências que cercam a rotina escolar e precisam de um agir rápido e assertivo. Em um cenário pandêmico esse tipo de situação apareceu mais do que gostaríamos nas escolas e na sociedade como um todo. Quanto ao hoje, nele se concentra o apoio ao professor nas ações inerentes ao trabalho pedagógico diário, como a elaboração de seu planejamento e instrumentos avaliativos. Com a visão do todo, o papel do coordenador pedagógico é valorizar o que já é potente na prática do professor e indicar para ele onde pode investir para que sua prática seja cada vez mais coerente e consolidada dos pontos de vista pedagógico e educacional.

A formação é o que atravessa o professor em sua rotina, cada qual com seu objetivo. As formações pedagógicas podem desestabilizar a medida que confortam, permitem conviver perto do outro e conhecê-lo para propor parcerias dar fluidez ao trabalho, trazem novas metodologias e abordagens e, independente do objetivo. Todas são um pouco de amor e saúde na loucura, como diria Rosa, e música para os ouvidos como parafrasearei ao longo desta narrativa.

ANUÁRIO 2021

Para o amanhã estamos falando de profilaxia (prevenção) e investimento, aquilo que o coordenador realiza para convidar o grupo de professores para refletir em aspectos do cotidiano e também se redirecionar para novas metodologias e abordagens de ensino: A formação continuada.

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Ao longo do ano de 2021, aconteceram encontros de formação periódicos para a equipe de professores do Ensino Fundamental II, neste texto foram narrados e discutidos cinco deles, que aconteceram ao longo dos 4 bimestres do ano letivo. Cada encontro trouxe objetivos teóricos, práticos e metodológicos distintos e, à medida que os assuntos eram discutidos e estudados, de forma prática eram apresentados aos professores estratégias e metodologias de ensino com potencial para serem aplicadas em sala de aula. As escolhas metodológicas das formações partiram do pressuposto de que para aplicar o professor precisa antes acreditar e se sensibilizar pela proposta, algo que se consolida mais pela vivência do que pelo ouvir falar. E para celebrar estes momentos, vamos cantar?

1º Bimestre Como canta Jorge Ben Jor: em Fevereiro tem carnaval! Moro num país tropical, abençoado por Deus E bonito por natureza (mas que beleza) Em fevereiro (em fevereiro) Tem carnaval (tem carnaval)

ANUÁRIO 2021

(País Tropical, Jorge Ben Jor)

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Na estação Estação 1 denominada "Esperançar é se levantar, esperançar é ir atrás" o objetivo era permitir aos professores refletir sobre as competências que os estudantes do século XXI precisam desenvolver e, partindo do que se deseja alcançar, definir o que os docentes podem fazer para possibilitar que os alunos alcancem essas competências. Iniciando com um registro individual, que depois se tornou um plano estratégico coletivo, os professores estabeleceram metas coletivas para a formação social e cidadã dos alunos em 2021. A ação de definir objetivos para planejar métodos, mais tarde ganhou o nome Planejamento Reverso, metodologia estudada em outro encontro formativo.


Considerando que "esperançar é construir", a Estação 2 desafiou os professores a utilizarem suas habilidades manuais respeitando os protocolos de saúde estabelecidos para fevereiro de 2021. Inspirados por uma música infantil sobre caixas, eles precisaram transformar uma caixa de papelão ressignificando-a. No cartão informativo da Estação havia instruções descrevendo quais materiais eram de uso pessoal, como manipular os materiais de uso coletivo, quais materiais higienizar antes e após o uso e quais deveriam ser manipulados com luvas descartáveis. Reconhecendo o potencial criativo da equipe, esta Estação foi uma das formas de instrumentalizar os professores para que pudessem continuar aplicando suas várias metodologias em um período delicado do ponto de vista da saúde.

ANUÁRIO 2021

Esta é uma discussão que poderia ser mediada de modo expositivo com: Façam isso! Não façam aquilo! Mas entendendo que para aplicar uma estratégia, é importante que o professor acredite nela, como aponta Antônio Nóvoa (2011, p. 12) “Ensinamos aquilo que somos e naquilo que somos se encontra muito daquilo que ensinamos”, para que possa aplicá-la, antes o professor precisa vivenciá-la.

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Entendendo que a comunicação é importante para o trabalho coletivo, na Estação 3 denominada "esperançar é não desistir! Esperançar é levar adiante!" o desafio foi refletir sobre a comunicação. Inspirados em uma tirinha ilustrada pelo autor norte-americano Bill Watterson, os professores definiram estratégias de comunicação respeitosas e eficientes entre: Professor(a) e professor(a); Professor(a) e coordenador(a); Professor(a) e estudante.

A frase de Paulo Freire, e também este encontro, se encerra com "Esperançar é juntarse com outros para fazer de outro modo…” e, para juntar-se, os professores primeiro se dividiram. Dois integrantes do grupo receberam a missão de encenar uma situação que envolvia a postura e recepção do professor frente às opiniões dos alunos, e os demais integrantes deveriam analisá-la. O tipo de encenação proposta partia da metodologia Role-play, que pode ser utilizada para colher hipóteses e incitar discussões por meio de encenações rápidas. Nesta estação os professores discutiram a importância da escuta atenta e o olhar sensível às falas e ações dos alunos.

ANUÁRIO 2021

A partir desta e de outras vivências tenho notado que a implementação de novas metodologias de ensino tende a se consolidar quando o professor tem a oportunidade de aprendê-las à medida que a vivencia. É desencorajador e incoerente um formador apresentar uma metodologia de ensino inovadora a um grupo de professores se valendo apenas de estratégias de ensino tradicionais, pois dificulta o vislumbre da aplicação prática.

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Ao longo do ano pude notar a articulação das discussões dessa formação nas ações dos professores, desde a introdução de novas metodologias, como Role-Play nas aulas e materiais didáticos autorais, até o cuidado com os procedimentos de saúde nas atividades coletivas. Para além das ações na escola, também foi gratificante receber falas de professores que aplicaram as estratégias desse encontro em seus grupos de estudos e atividades formativas que desenvolvem.


2º Bimestre Já anunciou Almir Sater: O mês de maio enfim chegou! Azul do céu brilhou E o mês de maio, enfim chegou Olhos vão se abrir, pra tanta cor É mês de maio, a vida tem seu esplendor (Mês de Maio, Almir Sater)

Para o encontro que inaugurou o 2º bimestre os professores foram convidados a realizar a leitura do primeiro capítulo do livro Planejamento para a compreensão – alinhando currículo, avaliação e ensino por meio do planejamento reverso (WIGGINS e McTIGHE, 2019). Além da leitura prévia, os professores realizaram registros sobre a leitura direcionados pelas perguntas: "O que você leu?", "O que pensa sobre o que leu?" e "Como o que leu pode influenciar em sua prática pedagógica?".

ANUÁRIO 2021

Para esta formação havia dois objetivos: discutir e propor a implementação do planejamento reverso e demonstrar uma forma de propor agrupamentos que respeitassem o distanciamento recomendado para o mês de maio.

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No início do encontro, os professores foram orientados a formar agrupamentos com conformações específicas. Em seguida receberam o desafio de analisar uma figura que continha o ciclo de etapas de um planejamento tradicional. A partir das discussões foram convidados a transformar o ciclo de acordo com o conceito de Planejamento reverso.

ANUÁRIO 2021

Desde este encontro reconheço mudanças significativas no planejamento de muitos membros da equipe docente. Acredito que as reflexões que construíram com os colegas neste momento contribuíram para a formação de uma estrutura de pensamento que possibilita o caminhar para uma prática que favorece a compreensão e a aprendizagem.

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ANUÁRIO 2021


3º Bimestre Disse Emilinha Borba: para quem vive contente agosto não existe. Azul do céu brilhou Agosto, volta às aulas de novo! Professores e estudantes cheios de energia para iniciar o segundo semestre do ano que para eles é mês de alegria, como canta a canção: Há quem diga que agosto é um mês que traz desgosto deve ser superstição uma simples brincadeira ou apenas impressão

Pois pra quem vive contente mês de agosto não existe mais pra quem não é feliz, ai,ai até fevereiro é triste

ANUÁRIO 2021

(Canção De Agosto - Emilinha Borba)

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O encontro formativo do 3º bimestre se iniciou com um pedido peculiar aos professores: o envio de uma foto que representasse seu período de férias. Movidos pela gentileza e a curiosidade, os professores enviaram lindas fotos de paisagens de suas viagens, de refeições feitas a muitas mãos, e de momentos de aconchego com a família. Este encontro formativo teve o objetivo de fortalecer o capital mais importante de uma equipe: o capital humano. Em 2014 CAPELO e POCINHO evidenciaram a importância do relacionamento interpessoal entre professores para a autoeficácia

docente. Entende-se que para o trabalho docente os laços vão além do gostar do outro, é imprescindível que o grupo de professores especialistas esteja alinhado para construir uma boa experiência de formação e desenvolvimento para os alunos. Para fazê-lo os professores se organizaram em grupos pré-estabelecidos e receberam um conjunto de imagens que mostravam as fotos de colegas de outros grupos com um enquadramento que revelava apenas um detalhe da foto completa. Ao finalizar cada grupo dizia a quem acreditava que pertencia a foto e o motivo pelo qual acreditava nisto.


A cada fala na apresentação os professores revelavam percepções, características e os laços existentes entre eles. Os erros nas apostas se tornaram motivo de risadas e os acertos de aplausos. Ao final das apresentações foi declamado poema que abriu espaço para falas da coordenadora pedagógica sobre a importância do reconhecimento da equipe em suas potencialidades e características, sendo cada membro dotado de um nome, uma história, uma formação que merece ser respeitada. A fala se estendeu para a afirmação da relevância da pluralidade do grupo e do reconhecimento do excelente trabalho que ambos desenvolvem.

ANUÁRIO 2021

Do ponto de vista metodológico, o encontro também demonstrou uma forma de trazer pequenos traços de personalização às propostas coletivas.

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Para Tim Maia em todas as estações é tempo de estar junto, na escola o fazer coletivo também.

Quando chega o inverno eu quero estar com você Que o outono volte eu quero estar com você

Porque (é primavera) Eu te amo (é primavera) Te amo meu amor (Primavera - Tim Maia)

Como nascem os projetos pedagógicos entre disciplinas? Dentre as muitas situações que possibilitam o desenvolvimento das propostas está a parceria e o conhecimento da prática do outro. Para incentivar os professores a conhecerem o trabalho dos colegas e também a refletirem sobre seu próprio trabalho sob as lentes dos pares, no segundo semestre foram organizadas duas reuniões denominadas de Socialização de Planejamento. As reuniões aconteceram no fim do inverno para o 3º bimestre e no início da primavera para o 4º bimestre com o objetivo dos professores partilharem seu planejamento bimestral.

ANUÁRIO 2021

A reunião do 3º bimestre aconteceu no Quintal Uirapuru, iniciou-se com uma roda formada ao redor do grande tapete com a reflexão do papel do planejamento, partindo de falas de Madalena Freire (2005) sobre grupo:

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Grupo é... A cada encontro imprevisível. A cada interrupção da rotina: algo inusitado. A cada elemento novo: surpresas. A cada elemento já parecidamente conhecido: aspectos desconhecidos. A cada encontro um desafio, mesmo que supostamente já vivido. A cada tempo: novo parto, novo compromisso fazendo história. A cada conflito: rompimento do estabelecido para a construção da mudança. A cada emoção: faceta insuspeitável. A cada encontro: descobrimentos de terras ainda não desbravadas. Grupo é grupo (FREIRE, 2005, p. 154).


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ANUÁRIO 2021


Em seguida, em grupos os professores percorreram três estações tematizadas pelas áreas de Linguagens, Ciências Exatas e da Natureza e Humanidades respectivamente denominadas de: Estação dos Pássaros, Estação dos Lagartos e Estação das Penas, ambientadas próximas aos animais que habitam o espaço como filhotes de aves e um simpático lagarto.

ANUÁRIO 2021

Em cada estação havia os planejamentos dos colegas da mesma série e ao fazer a leitura e discutir com o grupo, os professores deixavam sugestões, elogios e/ou convites de parceria. Ao final da rotação, o professor encontrava seu próprio planejamento com os registros dos pares. Ao fim da reunião todos retornaram ao tapete para compartilhar com o grande grupo sua vivência.

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Anteriormente a formação direcionou o olhar do grupo para o outro, nesta houve um redirecionamento para a própria prática, os professores foram convidados a voltarem o olhar para si mesmos, num processo de autoconhecimento que deveria ser registrado em um tecido ao longo do bimestre. Para fazê-lo os professores receberam um kit com uma pedaço de tecido, uma meada de linha e uma agulha,

como inspiração foi indicado um vídeo do CineSesi que apresentava bordados inspirados na Cidade Coração (Cordisburgo - MG), onde nasceu Guimarães Rosa. Com os materiais os professores poderiam bordar, desenhar, ou realizar outra ação que materializa-se um pouco de si naquele tecido, respondendo a pergunta: Quem é você? A inspiração do bordado nasceu da vivência de uma formação elaborada pela coordenadora Maura Bolfer para a equipe de gestão do colégio. Por meio desta prática, Maura convidou coordenadores pedagógicos e orientadores educacionais a olhar em para as peculiaridades da vida, representando quem se é e o que se vive neste momento, para refletir sobre os detalhes da prática pedagógica e educacional na escola. O convite foi tão profundo, que estendi ao meu grupo de professores.


No momento "Olhar para o Hoje" discutiuse o formato da avaliação da prova bimestral do 4º bimestre e como este poderia se alinhar ao processo de ensino e aprendizagem que ocorreria ao longo do bimestre, inserindo no planejamento situações de preparo e aprendizado para que a avaliação fosse coerente com o processo de ensino. Esse fazer junto é uma articulação importante dentro da gestão pedagógica, quando os combinados e procedimentos didáticos são elaborados junto à equipe docente há maior efetividade em comparação a situações em que os professores são informados do que deve ser feito. Professores são seres pensantes, essa característica do profissional não pode ser desconsiderada no fazer pedagógico, sobre isso corrobora a crítica de ALVARADO-PRADA, FREITAS e FREITAS (2010, p. 375) ao dizer que: DE FATO, NAS PRÁTICAS DESSAS CONCEPÇÕES CONSUMISTAS, OS PROFESSORES SÃO DESCONSIDERADOS COMO SERES PENSANTES, CAPAZES DE REFLETIR, DE CONSTRUIR E PROPOR NOVAS CONCEPÇÕES E PRÁTICAS DE SUA PRÓPRIA FORMAÇÃO CONTINUADA QUE ENRIQUEÇA SEU PENSAR E FAZER PEDAGÓGICO.

O “Ouvir o Amanhã” se referia ao momento para compartilhamento do planejamento do bimestre entre a equipe, para que em aula os professores pudessem demonstrar as ligações entre o conhecimento construído naquele momento pelos alunos nas diversas disciplinas. Para fazê-lo, os professores foram organizados em dois círculos, um interno e outro externo, em que os integrantes do círculo interno rotacionavam para partilhar oralmente seu planejamento com os integrantes do círculo externo e depois cada círculo se reunia para realizar as trocas entre si.

ANUÁRIO 2021

No 4º bimestre, diferentemente do bimestre anterior, há pouco tempo para ajustes e inserções, devido a isso, o objetivo da socialização de planejamento tende a se concentrar na formação de pequenas parcerias e na realização de inferências. Considerando este cenário, a reunião de socialização se dividiu em três momentos denominados: Olhar para o Hoje, Ouvir o Amanhã e Tocar o Futuro.

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A escolha da metodologia utilizada para este momento teve o intuito de apresentar uma nova estratégia de compartilhamento para que os professores pudessem aplicá-la em aula, a ideia surgiu de uma sugestão da Coordenadora Geral Maura.

ANUÁRIO 2021

Por fim o “Toque no amanhã”, se constituiu como um momento para olhar o todo: examinar os conteúdos anuais para cada disciplina do ano escolar. Assim, considerando o que foi feito ao longo de 2021, os professores iniciaram o esboço de como as ações poderiam se articular em parcerias para o ano seguinte.

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Este também foi o dia marcado para trazer os tecidos entregues no bimestre anterior. Para iniciar a partilha, foram apresentadas algumas ilustrações de livros infantis feitos por ilustradoras Sandra Jávera e Anna Aparicio Català, as imagens escolhidas se associavam a representações da rotina escolar, inferindo a importância de registros gráficos nas representações mais complexas. Então cada um apresentou seu tecido explicando como ele revelava "quem sou" e o que "estou vivendo", cada fala foi apreciada pela equipe e nos permitiu conhecer um novo pedaço do outro.


DAS FORMAÇÕES PARA A FORMADORA Enquanto professora em 2020, ouvi de minha coordenadora pedagógica, que toda ação do coordenador pedagógico é formativa, naquele momento pensei ter compreendido sua fala, mas ao longo de 2021 em minha prática como coordenadora pedagógica pude vivenciar a complexidade dela. Diferente de um formador externo que aplica a formação e vai embora, o coordenador pedagógico fica, verifica e analisa as implicações de cada uma de suas ações e precisa se valer da rotina para exercer seu papel de formador de formadores nos momentos mais diversos da rotina escolar. Este cenário vai além das formações continuadas oficiais, uma conversa sobre planejamento, um pedido de ajuste na avaliação, uma sugestão para a prática, uma troca de experiências, o ouvir empático do outro sobre seus desafios pessoais, tudo se constitui como oportunidade de formação que não é unilateral, mas compartilhada, em que imprimo algo no outro e outro em mim.

A oportunidade de vivenciar e proporcionar a formação de professores no chão da escola é algo que se eterniza em mim com muita gratidão pelo colégio Uirapuru. Manter a postura formativa de um coordenador pedagógico pode ser desafiador, em alguns momentos até solitário, mas em muitos outros se constitui como compartilhado e provido de verdadeira afetividade. Esta prática se alia à premissa institucional "Compromisso com Você" ao valorizar, formar, sensibilizar e investir na equipe pedagógica que compõem o Ensino Fundamental II do Colégio Uirapuru. E é assim vivendo perto de outro, o conhecendo, sem o perigo de ódio, mas com amor ao que se faz e o que se acredita que se consolida o nosso trabalho enquanto equipe.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

CAPELO, Regina; POCINHO, Margarida. Autoeficácia docente: predição da satisfação dos professores. 2014. FREIRE, P. Pedagogia da Esperança- um reencontro com a pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro. Paz e terra, 1992 FREIRE, M. A paixão de aprender. In SÃO PAULO (Estado). Secretaria de Estado da Educação. Guia do formador do Programa de Formação de Professores Alfabetizadores – módulo 1. São Paulo: Editora, 2005. NÓVOA, António. O Regresso dos Professores. Pinhais: Melo, 2011. ROSA, João Guimarães. Grande sertão: veredas. Editora Companhia das Letras, 2019.

ANUÁRIO 2021

ALVARADO-PRADA, Luis Eduardo; FREITAS, Thaís Campos; FREITAS, Cinara Aline. Formação continuada de professores: alguns conceitos, interesses, necessidades e propostas. Revista Diálogo Educacional, v. 10, n. 30, p. 367-387, 2010.

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REESCREVENDO O ENSINO MÉDIO Daniela Almenara, Coordenadora Pedagógica

O último segmento da Educação Básica, tradicionalmente associado à transição dos adolescentes para o Ensino Superior e o "mundo adulto" tem sido especialmente chacoalhado pelas mudanças e desafios do século XXI. Além dos impactos ainda em assimilação, trazidos pela pandemia da Covid-19 e pelo período de ensino não presencial, as preocupações de quem acolhe os alunos nesse período tão importante da vida dos alunos perpassam aspectos de mudanças legais, estruturais e sociais cada vez mais urgentes.

ANUÁRIO 2021

Trabalhar no Ensino Médio não é tarefa fácil. O estereótipo do professor especialista, de apostila na mão, estratégias mnemônicas não é real há tempos. No colégio Uirapuru, a tarefa dos docentes tem sido desafiadora.

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Um dos cenários enfrentados é a nova proposta de carga horária e organização curricular - O Novo Ensino Médio. Mais do que uma mudança estrutural, a adequação à divisão das horas em formação comum e itinerários eletivos prevê um estudo minucioso dos conteúdos, das competências e habilidades que irão compor cada um dos blocos. Este trabalho pedagógico é, sem dúvidas, protagonizado pelo professor.

Sem precedentes históricos, a adoção tradicional de um material didático único de referência se faz ineficiente. Os docentes estão selecionando, avaliando e produzindo sequências didáticas autorais, coletâneas de referência e exercícios de aprofundamento o tempo todo. Refletindo sobre formas de avaliar e manter a atenção dos alunos sem a, antes mais óbvia, premissa de aprovação no vestibular. O acesso ao ensino superior é outro ponto de atenção. Embora ainda muito valorizado no Brasil, não aparece mais como caminho exclusivo para os anos futuros do egresso do Ensino Médio. Se escolhida, a educação universitária pode ser alcançada através de processos avaliativos que variam do ENEM à entrevista individual, do vestibular ao debate competitivo. Há ainda quem prefira adiar esse passo, fazendo intercâmbios culturais e investimentos em outros aspectos pessoais e emocionais antes da faculdade. Mais uma vez, o professor precisa sair da frente da lousa e caminhar na direção do aluno. Precisa exercitar a escuta, precisa se preparar para o novo e acolher as inseguranças mais diversas. A aula, cenário de conforto do educador, é cada vez mais desafiadora e a busca de estratégias diferenciadas é constante.


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ANUÁRIO 2021


Um terceiro momento de autoria do professor é justamente a preparação e execução das disciplinas de itinerários formativos. Inovadoras, essas ementas são pensadas e materializadas pelo trabalho dos docentes e coordenação pedagógica. São horas de leitura, aperfeiçoamento e definição de planejamentos nunca aplicados. São esforços contínuos com o objetivo de transferir a formação humana e profissional do professor para alunos que estão começando a digerir a complexidade da Natureza, das Linguagens, da Política. É o professor-autor na prática. É o aprender ensinando, todo dia.

ANUÁRIO 2021

Diante de tantas novidades e dificuldades, surge um novo professor: especialista, mas incompleto. O trabalho em equipe tem sido um dos maiores destaques deste ano tão único. É gratificante e emocionante verificar o movimento de todos em busca do seu melhor, do melhor para o aluno. É ver nascer a interdisciplinaridade da intenção e da comunicação contínua. E sempre que uma turma se despede na terceira série, cresce a certeza de que os desafios estão sempre aumentando, mas a sensação de ter feito o melhor possível vale a pena.

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ANUÁRIO 2021


SABERES, AFETOS E DISCIPLINA ARTICULADOS AO COTIDIANO ESCOLAR: A PARCERIA DA COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA E DA ORIENTAÇÃO EDUCACIONAL

ANUÁRIO 2021

Maura Bolfer, Coordenadora Geral

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Sonhos de educação. E educação, para além da escola, é escolha – do mundo que queremos no presente, dos saberes que valorizamos, do futuro que sonhamos. Educação é a ação de criar, nutrir, cultivar. É cultivar o ato de aprender. (André Gravatá)


O projeto pedagógico de uma escola passa pela regulamentação legal do ensino, das diretrizes curriculares nacionais e da base nacional comum curricular, mas também, pelas crenças, pelo referencial teórico, pelas experiências e pelos sonhos dos membros que compõem a equipe pedagógica. Como bem nos diz André Gravatá (2013), na epígrafe deste texto, nossos sonhos estão "para além da escola". É esta a nossa escolha. Queremos alunos que pensem grande, que pensem criticamente, que pensem socialmente, que pensem criativamente. Para isso, também nós - coordenação pedagógica, orientação educacional e corpo docente - precisamos pensar grande, pensar criticamente, pensar socialmente, pensar criativamente. Só assim, faremos da educação "ação de criar, nutrir, cultivar".

Assim como cada segmento estrutura uma proposta de formação continuada centrada nas demandas das necessidades formativas de seus professores, há uma proposta organizada pela Coordenação Geral para desenvolver ao longo do ano com a equipe de coordenação pedagógica e orientação educacional. Essa proposta tem como objetivo pensar na prática profissional, que tem como premissa o ensino como profissão e a aprendizagem em uma perspectiva democrática (Darling-Hammond e Bransford, 2019). Realizamos dez encontros ao longo do ano e nos propusemos a estudar e refletir sobre o planejamento para a compreensão (Wiggins e McTighe, 2019), a disciplina positiva (Nelsen; Lott e Glenn, 2017) e os saberes e afetos do ser professor (Cipriano, 2019).

ANUÁRIO 2021

Para isso precisamos cuidar da nossa formação continuada dentro desta perspectiva, articulando saberes, afetos, disciplina no cotidiano escolar presentes nas ações conjuntas da coordenação pedagógica e da orientação educacional.

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PLANEJAMENTO PARA A COMPREENSÃO Desde os finais dos anos 90, o relatório "Educação um tesouro a descobrir", redigido por Jacques Delors, elaborado em reunião promovida pela Unesco, apresenta os chamados "quatro pilares da educação para o século XXI", apontando a necessidade de se aprender ao longo da vida:

APRENDER A CONHECER: aqui, o foco está no desenvolvimento de estratégias que possibilitem aos alunos/aos professores a busca constante pelo conhecimento, de modo autônomo;

APRENDER A CONVIVER:

ANUÁRIO 2021

desenvolver mecanismos favoráveis à convivência com os pares, com as pessoas de modo geral, mantendo o respeito, a empatia, a ética nas relações;

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APRENDER A FAZER: a dimensão aqui está nas possibilidades de uso dos mais diversos conhecimentos, isto é, colocá-los em ação, nas resoluções de problemas e demandas do dia a dia;

APRENDER A SER: desenvolver a identidade, que tem como premissa o senso ético e estético, a criatividade, a definição de valores.

Considerando esses quatro pilares, articulados às metodologias ativas de aprendizagem, ao refinamento do uso dos recursos tecnológicos a escola, que já fazem parte do cotidiano do Colégio, entendemos que já é hora de pensarmos em uma nova perspectiva de planejamento. Entre nós, já é prática a realização do planejamento anual - configurado no Plano Escolar -, que se desdobra no planejamento bimestral, organizado semana a semana, aqui chamado de "cronograma semanal".


Nos últimos tempos entendemos que esse planejamento pode ser mais potente para o desenvolvimento das ações pedagógicas, se for estruturado na perspectiva do planejamento para a compreensão, também chamado de pensamento reverso. De acordo com Wiggins e McTighe (2019), o planejamento para a compreensão (reverso) tem como foco a aprendizagem do aluno, a partir daí é que serão estruturadas as estratégias de ensino.

O planejamento reverso Wiggins e McTighe (2019) está estruturado em três estágios: 1) identificar os resultados desejados (O que os alunos devem saber, compreender e ser capazes de fazer? Quais conteúdos merecem ser compreendidos? Quais compreensões duradouras são desejadas?); 2) determinar evidências aceitáveis (Quais evidências de aprendizagem serão demonstradas na avaliação? Como documentar e validar se as aprendizagens desejadas foram atingidas?); 3) planejar experiências de aprendizagem e instrução (Quais conhecimentos (fatos, conceitos, princípios) e habilidades (processos, procedimentos, estratégias) estruturantes os alunos precisarão para ter um desempenho efetivo? Quais atividades serão mais potentes? Quais materiais e recursos serão mais apropriados?). Essas perguntas já estão em nossas reflexões, junto aos professores, já aparecem em alguns de nossos cronogramas, mas entendemos que era necessário nos debruçarmos em estudo teórico que pudesse nos trazer referências para que o planejamento se reestruture, de modo a melhor registrar o encaminhamento das aulas.

ANUÁRIO 2021

O cronograma semanal descreve: a(s) competência(s), a(s) habilidade(s), o conteúdo programático, as estratégias e recursos didáticos e as atividades avaliativas. Essa organização é fundamental para distribuir de modo equilibrado os conteúdos, para compartilhar com os professores da mesma série a fim de estabelecerem parcerias interdisciplinares e, também, para melhor acompanhamento da coordenação pedagógica e da orientação educacional.

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Vejamos algumas das constatações em nossos encontros, sempre à luz das ações da coordenação pedagógica e da orientação educacional. COMO O ENSINO PARA A COMPREENSÃO IMPACTA NAS RELAÇÕES DA COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA COM OS PROFESSORES? Uma vez buscando um professor que estimula seus alunos a transferirem sua aprendizagem para outros contextos, situações e problemas, aquele professor que não dá respostas prontas, mas sim instiga o aluno a refletir sobre o processo através de perguntas, auxiliando o aluno a reconhecer os recursos que precisará para resolver o problema em questão. O professor que também por meio das perguntas, poderá reconhecer se o aluno já ou ainda não mobilizou seus próprios recursos. Esse professor, que muito mais oferece o suporte necessário para que os alunos organizem seus pensamentos e os direcione para um caminho que faça sentido para cada um deles, cobrará de seus alunos, sobretudo, uma tomada de consciência que a coordenação e orientação deverão ser capazes de bancar. Se o professor é o responsável por orquestrar o processo de ensino-aprendizagem, mais do que nunca precisamos confiar no trabalho e na avaliação desses professores. Não há como controlar o processo, nosso papel passa a ser muito mais o de contribuir com conversas reflexivas sobre o planejamento, metodologias e avaliação (Amanda).

Em minhas formações criarei mais articulações de compreensão para que os professores: • tenham a compreensão que o livro didático não é fonte de compreensão dos alunos. (Segundo Grant Wiggings o livro deveria entrar apenas na terceira aula); • reorganizem o trabalho em grupo constando pelo menos dois indicadores de soluções contra postas e que a espiral deve ser invertida a qualquer momento com as novas formulações de perguntas e não apenas de respostas certas; • encontrem caminhos para transferência, podendo assim, ajudar os alunos a transferirem a aprendizagem limitada para muitos outros contextos, situações e problemas;

ANUÁRIO 2021

• evitem as ideias inertes;

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• priorizem o planejamento e o objetivo específico da compreensão do aluno, em torno de ideias mais efetivas e eficientes na aprendizagem; • invistam na investigação e não na cobertura; • que na compreensão da necessidade dos três tipos de descobertas: descobrir incompreensões potenciais dos alunos;descobrir as perguntas, os problemas, os pressupostos e as áreas sombrias; descobrir as principais ideias da essência da compreensão de um assunto, idéias que não são óbvias (Andrea).


Reforça a necessidade de organizar planejamentos, estratégias e formas de avaliação que ultrapassem a cobrança do "saber" fatos isolados, ou os julgamentos sem argumentação. Trabalhar para compreensão da taxonomia de Bloom e sua aplicabilidade. Fica clara a necessidade de atualização constante do trabalho docente e das reflexões sobre a prática. "Ensinar tópicos ou habilidades específicas sem tornar claro seu contexto na estrutura fundamental mais ampla de um campo de conhecimento é contraproducente" (Brune, p. 43) (Dani).

TER "CLAREZA DE NOSSOS OBJETIVOS" CONTRIBUI PARA POTENCIALIZAR AS AÇÕES DA ORIENTAÇÃO EDUCACIONAL COM OS ALUNOS?

ANUÁRIO 2021

Podemos repensar a forma como apresentamos o projeto de estudos para os alunos ou até mesmo como conduzir muitas ações do nosso cotidiano escolar, partindo de perguntas que nortearão o processo de compreensão, por parte dos alunos, sobre a importância de uma rotina escolar saudável, de como desenvolver uma postura de estudante ou porque é necessário lançar mão de estratégias de estudos que possibilitam uma maior compreensão dos conteúdos estudados. As perguntas a serem feitas aos alunos, permitem transformar o que queremos ensinar em um processo de investigação, possibilitando uma compreensão profunda ao invés de apenas receberem as informações sobre o processo de estudo ou os comportamentos que um aluno deve ter para considerar que tem postura de estudante. Ficou evidente, também, que ao planejar nossas ações precisamos ter em mente as evidências das aprendizagens desejadas quando pensamos, por exemplo que pretendemos por meio do desenvolvimento do projeto de estudos desenvolver hábitos de estudos que permitam aos alunos resultados mais satisfatórios no seu desempenho escolar. Para isso será importante avaliar as evidências durante o processo, explorando todas as oportunidades do aluno repensar e revisar o conhecimento que estão construindo. Neste sentido, penso que para o próximo ano a intenção será desenhar um novo modelo de projeto de estudos onde os alunos farão parte dessa construção, pois envolvendo-os no processo sentirão pertencentes e poderão revelar suas aprendizagens no momento que estão explicando, interpretando, aplicando, muitas vezes mudando a perspectiva e se autoavaliando (Cris).

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Entendo que é possível realizar reflexões com os alunos sobre os objetivos dos professores e das disciplinas, para que entendam e faça mais sentido o que é pretendido em um contexto geral. Desse modo, os alunos compreendem o porquê de estarem fazendo o que estão fazendo e no momento de organização e orientação de estudos, eles mesmos conseguem trazer contribuições de estratégias e entender melhor quais os melhores planejamentos para que obtenha os resultados que precisa. A partir do planejamento reverso dos professores, o ensino faz mais sentido para os alunos (Marcela). Para que meus alunos compreendam as evidências, preciso manter a organização e frequência das postagens dos estudos orientados no classroom da Orientação Educacional, pois interfere na organização da rotina e nos materiais didáticos que os alunos precisam separar, continuar com as intervenções e conversas individuais com os alunos, garantir estudos adequados, desafiadores, reflexivos, interativos, capazes de serem realizados autonomamente (Thaís).

ANUÁRIO 2021

COMO PODEMOS REPRESSENTAR AS SEIS FACETAS DA COMPREENSÃO?

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(Sabrina)


ANUÁRIO 2021

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ANUÁRIO 2021

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(Michele)


PENSANDO NA SUA ATIVIDADE DIÁRIA, ESCREVA UM EXEMPLO DE COMPREENSÃO QUE IMPACTA NA SUA AÇÃO COM O PROFESSOR E/OU COM O ALUNO. Quanto mais a gente fala com o professor/berçarista em relação a cada aluno, nas suas especificidades, características e desenvolvimento mais o profissional irá ter a compreensão global do seu aluno e desta forma poderá colaborar para que o aluno , ou grupo de alunos, possam investigar, pesquisar, analisar e desta forma realmente compreender o que foi idealizado no planejamento. Abrir-se para o conhecimento, investigação e reflexão não deve ser uma ação pensada só para a criança, mas para o adulto que compartilha as descobertas pensadas e planejadas para determinado grupo de crianças (Fernanda, Gabi Plens, Carol, Michele). A compreensão é melhor assimilada e duradoura quando os alunos conseguem transferir suas ideias. Para tanto eles são levados a fazer inferências através de experimentação, perguntas, críticas e principalmente pela prática. Na educação física temos o privilégio de trabalhar literalmente na prática com os alunos experimentando e estimulando seus conhecimentos, suas habilidades físicas e coordenativas. Um exemplo de compreensão está na aplicação com maior intensidade de jogos no 2º ano do fundamental. Um jogo especial chamado “Tomada do Castelo” é ensinado e praticado nesta fase. Com o objetivo de invadir o castelo adversário e ao mesmo tempo proteger o seu, as crianças são divididas na quadra em 2 equipes e, com muita movimentação, pega-pega, organização e cooperação se empenham neste desafio.

ANUÁRIO 2021

Contando com muita diversão, este jogo desenvolve perspectivas criativa, afetiva, histórica, social e cultural. Jogando, a criança inventa, descobre, desenvolve habilidades e experimenta novos pontos de vista. Tanto as potencialidades quanto as afetividades da criança são harmonizadas no desenvolvimento das habilidades sociais e cognitivas. A compreensão do jogo e seus desafios se torna duradoura através da descoberta e experimentações (Beto).

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REPRESENTE (COMO QUISER: ESQUEMA, COLAGEM, DESENHO…) AS RELAÇÕES QUE VOCÊ ESTABELECE COM O ESCULPIR E ESCAVAR PARA PLANEJAR AÇÕES QUE GERAM APRENDIZAGENS, SEJAM AS SUAS, AS DOS PROFESSORES E/OU DOS ALUNOS.

ANUÁRIO 2021

(Flavia)

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(Flora) Ao longo de nossos estudos, concluímos que planejar e compreender são ações presentes no planejamento reverso, que é uma ferramenta fundamental para materializar o currículo de cada segmento e de cada disciplina. É pela compreensão que alcançamos o entendimento mais profundo das complexidades da vida real e conseguimos planejar para uma educação mais autêntica e refletida.


DISCIPLINA POSITIVA

Os princípios que fundamentam a filosofia da disciplina positiva - respeito mútuo, gentileza, senso de aceitação e importância - ampliam nossos modos de ser e agir, seja como professor(a), como coordenadora pedagógica, como orientadora educacional, como coordenadora geral e como pessoa. Procuramos ser firmes e gentis, ao mesmo tempo. Estruturamos ações que permitem sermos aceitos(as) e importantes para as pessoas com as quais convivemos, assim como facilitamos para que essas mesmas pessoas também se sintam aceitas e importantes em nossos grupos. Criar um ambiente de respeito mútuo - por meio da comunicação assertiva, da partilha, da cooperação, da resolução de problemas e da autorregulação - contribui para a convivência saudável e para a construção de conhecimentos e é sempre nossa meta. Isso só é possível em coletividade e em um grupo colaborativo. Neste processo, percebemos que estamos em frequente evolução e constatamos que: - "o mais importante e bonito, do mundo é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas mas que elas vão mudando. Afinam ou desafinam. Verdade maior. É o que a vida me ensinou. Isso me alegra de montão" (ROSA, 2001, p. 39);

- nesta nossa jornada "o que carece é a companheiragem de todo no simples, assim irmãos" (ROSA, 2001, p. 264); - "o correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem. O Deus quer é ver a gente aprendendo a ser capaz de ficar alegre a mais, no meio da alegria, e inda mais alegre ainda no meio da tristeza" (ROSA, 2001, p. 334); - "é no junto dos que sabem bem, que a gente aprende o melhor" (ROSA, 2001, p. 361); - "somente com a alegria é que a gente realiza bem - mesmo as tristes ações" (ROSA, 2001, p. 434); - "o pássaro que se separa do outro, vai voando adeus o tempo todo" (ROSA, 2001, p. 459). Seguimos acreditando que estamos sempre em processo de desenvolvimento, ampliando nossos conhecimentos, refletindo sobre nossas práticas - juntos, uns com os outros -, tendo a coragem e a alegria como motores de nossas ações, voando como pássaros que compartilham o mesmo ideal de educação e de escola.

ANUÁRIO 2021

No ciclo de formação sobre "disciplina positiva", revisitamos conceitos que já fazem parte da gestão da sala de aula, bem como da vida de nossa equipe. Nesse processo ressignificamos algumas práticas, aprendemos e ensinamos outras.

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SABERES E AFETOS DO SER PROFESSOR Toda nossa equipe pedagógica coordenação geral, coordenação pedagógica e orientação educacional - é, antes de tudo, professor, professora. Sim, escolhemos ser professores e ao longo de nossa jornada, fomos nos identificando com a gestão pedagógica e educacional.

ANUÁRIO 2021

Para nós, a docência é premissa fundamental para melhor exercermos nossas atribuições na gestão. Uma das atribuições da coordenação pedagógica é, junto com os professores, estruturar e acompanhar a organização curricular de cada segmento - definição de competências, habilidades, conteúdos, estratégias didáticas, procedimentos de avaliação. Outra é identificar as necessidades formativas dos professores e desenvolver processos internos de formação continuada. Dessas duas, outras se desdobram.

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Entre as atribuições da orientação educacional, destacamos o acompanhamento dos processos de aprendizagem dos alunos, mediados pelas relações estabelecidas com os professores. Juntas, coordenação pedagógica e orientação educacional, de modo articulado, atuam com os professores para que as melhores experiências de aprendizagem possam ser vivenciadas pelos alunos. Ao estudarmos o livro "Saberes e afetos do ser professor", de Emilia Cipriano (2019), nos olhamos como professores e buscamos imagens que representam cada capítulo e remetem aos conhecimentos - base para o ensino - que se transformam em saberes e aos afetos necessários na construção das relações interpessoais.


Professor professa: coerência entre a teoria e a prática; olhares atentos para as pessoas e para a essência; história de vida e experiências; afeto; interações, disponibilidade; valores e princípios; humildade intelectual, para sempre aprender mais; sensibilidade.

Educação requer inclusão:

ANUÁRIO 2021

que começa pelo "olho no olho", oportunizado pela roda, que permite partilha de experiências, interação, troca de conhecimentos, convivência e acolhimento. É o professor que está atento à construção do sentimento de pertencimento ao grupo, numa ética individual, mas articulada coletivamente.

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Saberes e afetos:

ANUÁRIO 2021

conhecimento cognitivo e conhecimentos teóricos sem afetividade podem não ser suficientes para trazer os alunos para a aprendizagem. É necessário que sejam mobilizados, afetados pelo processo, que sintam a atenção do professor, o cuidado com a intencionalidade da proposta pedagógica, que se sintam olhados na coletividade a partir da sua individualidade.

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Formação - a forma e a ação:

ANUÁRIO 2021

foco na aprendizagem significativa, na conexão de saberes contextualizados que são internalizados e colocados em ação sempre que necessário.

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Razão e intuição: sensibilidade que considera a escola como espaço de autoria, onde a fala do professor, o exercício de observação aprimora as relações entre os pares, entre o professor e os alunos e entre os alunos, considerando-os na sua totalidade.

Autoavaliação e o outro:

ANUÁRIO 2021

o papel da avaliação é fonte de indicadores que iluminam as escolhas pedagógicas que podem ser mais assertivas para o processo de aprendizagem. Também iluminam a possibilidade de autoavaliação.

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A escola e os sentidos:

ANUÁRIO 2021

na escola aprendemos a olhar o outro, a observar o que o outro está fazendo. Isso fazemos usando nossos sentidos humanos, que também se desenvolvem na escola, de modo intencional: visão, audição, tato, olfato e paladar.

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O ensino na era digital: a informação internalizada é que estrutura a construção do conhecimento. Para isso, o engajamento dos alunos é fundamental, eles precisam encontrar sentidos e significados nos conteúdos. As aulas interativas, acompanhadas do trabalho coletivo podem facilitar esse processo. É preciso que o mundo digital seja considerado nas propostas pedagógicas, contribuindo na superação de desafios e na facilitação de recursos.

ANUÁRIO 2021

A pergunta como ponto de partida:

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a pergunta é uma ferramenta potente que pode revelar o desejo de aprender, pode revelar que há escolhas, que já mais de um jeito de olhar o mundo, de conhecer e conhecer-se. O ensino por problemas ou por projetos sempre tem como eixo norteador uma pergunta e envolve cooperação, comunicação, documentação.


Educação e interação: os saberes são construídos à medida que atribuímos sentidos e significados às informações. Esse processo, permanente de construção, é mediado pelo professor que costura, articula, relembra, retoma, ressignifica, constrói conexões entre os saberes.

A diversidade nossa de cada dia:

ANUÁRIO 2021

escola demanda postura generosa de compartilhar saberes, na perspectiva de um trabalho coletivo que se conecta com a ideia de redes. É pensar na necessidade de escutar nossos interlocutores e, também, nos escutarmos, de entendermos as experiências referenciais para cada participante do processo e como interferem nos modos de pensar, de construir novos pensamentos.

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Violência - presente!:

ANUÁRIO 2021

a convivência no ambiente escolar nem sempre é harmoniosa, afinal, reúne pessoas de diferentes faixas etárias, de diferentes culturas, de diferentes histórias de vida, mais tolerantes e menos tolerantes… Como espaço educativo, é necessário promover momentos de reflexão sobre os diferentes pensamentos e comportamentos que se manifestam. É preciso que os profissionais que atuam na escola, bem como os alunos, tomem consciência das fragilidades e aprendam a lidar com elas a partir das trocas entre pares, mediadas ou não pela coordenação pedagógica e/ou orientação educacional, assumindo um compromisso solidário de ajuda mútua.

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Troca entre pares:

Cueva de las manos, Argentina. Arte rupestre do período paleolítico Referência: https://www.culturagenial.com/historia-da-arte-guia-cronologico/

ANUÁRIO 2021

pensar que o trabalho na escola é sempre uma ação coletiva, nos encaminha à necessidade de colaboração, de sentir-se representado pelos pares, de diálogo/troca (seja de experiências bem sucedidas ou não, de novos conhecimentos, de situações de alunos), de ter objetivos comuns.

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Que tal um contrato ético?: alinhar princípios, valores, visão, missão, objetivos e metas são fundamentais para construirmos um projeto de escola. Sem esses elementos não formamos uma coletividade e inviabilizamos uma convivência que contribua positivamente para os processos de ensino e aprendizagem. "O Projeto Político Pedagógico é o instrumento que reflete a proposta educacional da instituição de ensino. Para a construção desse projeto, várias questões precisam ser alinhadas no que se denomina "CONTRATO ÉTICO", a partir do qual se deve constituir a rede de conhecimento, a rede de saberes, a coerência entre o discurso e a prática" (Flora).

Valorização do professor:

ANUÁRIO 2021

profissão é, antes de tudo, projeto de vida. Trabalhar com "educação é função estruturante da humanidade. (...) É decisivo para a construção do futuro". É preciso termos clareza dessa potência. É preciso continuidade de estudos e partilha de conhecimentos e de experiências.

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Nós nos eternizamos:

ANUÁRIO 2021

"todo profissional que contribui de alguma forma para o desenvolvimento da sociedade teve um professor como referência na sua trajetória". É nesse processo de vida que podemos ser eternizados na história de nossos alunos, e eles em nossa vida, a partir da nossa competência técnica, estética e política, ressignificando saberes e afetos.

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A ARTE DE EDUCAR E BORDAR

"... fazer a reinvenção das formas de amor, recriar a existência e buscar capacidades latentes na comunhão das forças, das ideias e das utopias, e fazer reviver, no cotidiano do mundo, na luminosidade das sombras, a leveza e a alegria de conviver". (Regina Célia Sarmento)

Estes versos abriram o convite à arte de bordar, celebrando a trama da convivência num movimento para tecermos juntos uma trajetória outra de existência, em 30 de junho de 2021.

ANUÁRIO 2021

O poema destaca a importância da vida em conjunto, do afetar e do deixar ser afetado pelo outro. É desse encontro que surge o que há de mais precioso na vida.

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Os versos nos ensinaram a estarmos uns para os outros: a ouvir, a enxergar, a identificar a necessidade de quem está ao nosso lado e que muitas vezes passa despercebido. Ao invés de olharmos para nós mesmos, o poema nos estimulou a olhar para fora, a ir ao encontro do outro e percebermos como nos constituímos mutuamente ao convivermos.


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ANUÁRIO 2021


Fomos convidadas à experiência de bordar, sem a pretensão dos pontos, alinhavando livremente, brincando com movimentos da agulha, misturando cores… Foi uma oportunidade para exercício de encontro conosco mesmo, ao som de uma música ou no silêncio dos pensamentos… Foi o encontro com um processo de parada e de concentração nos movimentos da agulha e das linhas, que levaram à descoberta da arte de bordar na contemporaneidade, o livre bordar, batizado pela família Dumont (https://www.matizesdumont.com/blogs/ news/historia-do-bordado-feito-a-mao).

Os registros, em forma de bordado, acompanhados da harmonia das palavras, nos mostram o mergulho que cada um fez em si mesmo, no seu contexto, no seu processo de desenvolvimento.

Esta experiência de bordar, se relaciona muito com nossos fazeres, com a arte de educar em conjunto, de ousar naquilo que fazemos, de experimentarmos novas possibilidades…

Esses pequenos "retalhos-luz", juntos, revelam que

Recebemos um retalho, simbolizando um "retalho-luz" para arriscarmos no bordado. Esse "retalho-luz" foi inspirado no poema de Kátia Tavares (2020), mostrando que não somos simples retalhos, não estamos soltos no ar, nossos caminhos se cruzam o tempo todo, não somos anônimos (aqui todo mundo tem nome!)

ANUÁRIO 2021

Nós somos "retalhos-luz", fomos escolhidos para estarmos aqui, fazendo o que fazemos, tecendo juntos a nossa formação, a formação dos professores, a formação dos alunos, a formação da sociedade…

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Experienciamos e descobrimos o novo. Descobrimos o novo nas linhas dos bordados, que teceram pequenas e profundas narrativas de um tempo que se fez presente e se eternizou em cada pequeno "retalho-luz".

"Minha ciranda não é minha só Ela é de todos nós A melodia principal quem Guia é a primeira voz Pra se dançar ciranda Juntamos mão com mão Formando uma roda Cantando uma canção" (Lia de Itamaracá).

É esse o movimento do nosso fazer pedagógico/educacional, é essa a nossa canção, múltiplas vozes que se juntam em uma primeira voz para entoar um canto novo que reverbera no cotidiano do Uirapuru. Um trabalho solidário, que junta mão com mão, que forma um coletivo na roda da educação, guiado pelas nossas crenças, pelas teorias, pelas metodologias, pelos conhecimentos, pelas reflexões, pelas relações, que se eterniza nas pessoas, no processo de vida. Que estejamos/sejamos sempre presentes! Presentes, juntos, ressignificando saberes, afetos, modos de ser e estar no mundo.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: DARLING-HAMMOND, Linda e BRANSFORD, John. Preparando os professores para um mundo em transformação. Porto Alegre: Penso, 2019.

NELSEN, Jane; LOTT, Lynn e GLENN, H. Stephen. Disciplina positiva em sala de aula. Barueri/SP, 2017, 4ª edição. ROSA, Guimarães. Grande sertão veredas. São Paulo: Nova Fronteira, 2001. SANCHES, Emilia Cipriano. Saberes e afetos do ser professor. São Paulo, Cortez, 2019. TAVARES, Kátia. Educar, educar-se no chão e no céu da escola. In: ANTÔNIO, Severino e TAVARES, Kátia. O voo dos que ensinam e aprendem: uma escuta poética. Cachoeira Paulista: Passarinho, 2020. WIGGINS, Grant e McTIGHE, Jay. Planejamento para a compreensão: alinhando currículo, avaliação e ensino por meio do planejamento reverso. Porto Alegre: Penso, 2019.

ANUÁRIO 2021

GRAVATÁ, André e outros. Volta ao mundo em 13 escolas. São Paulo: Educ. Ação/Telefônica, 2013.

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A VIDA DO NOVO TEMPO REQUER UM GENUÍNO ACOLHIMENTO Orientadoras Educacionais: Sabrina Del Campo e Thaís Peluzo

Iniciar o ano letivo de 2021, seguindo com o processo de retomada das atividades escolares presenciais, nos direcionou para uma reflexão fundamental em tempos de grandes desafios; como acolher genuinamente a todos?

ANUÁRIO 2021

A poetisa Cora Coralina muito nos inspirou ao afirmar a importância do amor à vida, à força de vontade, a crença nos valores humanos e a relevância do processo da caminhada humana;

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[...]

[...]

a quem o tempo

Aprendi que mais vale lutar

muito ensinou.

Do que recolher dinheiro fácil.

Ensinou a amar a vida.

Antes acreditar do que duvidar.

Não desistir da luta.

(CORALINA, 1947, p. 145).

Recomeçar na derrota. Renunciar a palavras e pensamentos negativos. Acreditar nos valores humanos. Ser otimista.


Como, lindamente, escreveu Carlos Drummond de Andrade (2018, p. 18), "não há tempo consumido nem tempo a economizar. O tempo é todo vestido de amor e tempo de amar." Amando, recebemos a todos os alunos com seus olhares atentos, pensamentos, aparentemente, recheados de curiosidades sobre o contexto que seria experimentado, contemplando a alegria de estarem entre amigos, num ambiente que sempre estimaram e sedentos por compartilharem a vida! Obviamente, que as marcas do vivido em relação à saúde da humanidade "pairavam no ar". Diante desse cenário, autoconhecimento, autocuidado, autogestão, resiliência emocional e autonomia do aluno, foram aspectos de investimentos intensos de nossa parte, cuidando de todos de maneira individual, proporcionando espaço para diálogos e reflexões sobre os aspectos emocionais/ sociais.

Partindo do contexto atual, a reflexão no viés psicanalítico também se fez presente e muito nos ensinou a respeito da relevância da transferência em âmbito educacional, além da importância de se contemplar a criança como sujeito. AQUI, TRATA-SE DE SUPOR A CRIANÇASUJEITO COMO UM SÓ, E DE AMPLIAR O ATO EDUCATIVO DE MODO A INCLUIR SUA DIMENSÃO LIBIDINAL, CONSTITUTIVA E IMPLICADA NA CONSTRUÇÃO DO SUJEITO DO DESEJO, ATO QUE SE DÁ AO MESMO TEMPO EM QUE SE DÁ O ATO PEDAGÓGICO. (KUPFER, 2007, P. 289).

Diante dessa perspectiva, o educador ocupa um determinado espaço, assumindo, então, uma atuação que está a serviço dessa criança-sujeito, disponível, acessível e inspirador nessa relação do aluno com o conhecimento, enlaçando genuinamente, o aluno no processo de aprendizagem.

ANUÁRIO 2021

Evidente que seus inúmeros registros também nos motivaram a pensar sobre a importância do acolhimento com dignidade e respeito, dando amplo lugar à escuta ativa e empática, ao envolvimento, ao movimento de afetar o outro proporcionando estabelecimento de vínculos afetivos, engajamento, senso de pertencimento, responsabilidade e cooperação, validando as inquietudes e os sentimentos dos alunos e das famílias neste processo de adaptação ao novo jeito de viver em sociedade, mantendo forte elo entre todos os envolvidos da comunidade Uirapuru.

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Ao longo do período escolar estratégias/ recursos como organização da rotina semanal e do material escolar, estudo orientado, o uso sistemático do caderno de estudos, o cronograma de estudos para os instrumentos avaliativos e recursos como mindfulness (Pennan e Williams, 2015) e disciplina positiva (Nelsen, 2015), fizeram-se presentes no cotidiano escolar, fortalecendo a trama do desenvolvimento do protagonismo consciente do aluno. A atenção plena não "trata" nossas dificuldades, mas as revela e traz uma consciência penetrante às suas forças propulsoras. Lida com os temas subliminares de nossa vida. E quando eles são expostos à luz da consciência, algo notável acontece: os temas negativos começam a se dissolver aos poucos, por si só. (PENNAM e WILLIAMS, 2015, p. 187).

ANUÁRIO 2021

Fomos e somos privilegiados pela condição de proximidade aos alunos, implicandonos ativamente, enquanto comunidade escolar, em ensiná-los as habilidades da vida que ajudarão no desenvolvimento social e pessoal, impactando diretamente o processo de aprendizagem.

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Crianças adquirem responsabilidade quando têm a oportunidade de aprender habilidades sociais e de vida valiosas para desenvolver um bom caráter em um ambiente de gentileza, firmeza, dignidade e respeito (NELSEN, 2015, p. 3).

Compreender o papel da escola em relação ao desenvolvimento pleno do sujeito, nos fez pensar em nossa atuação de maneira cada vez mais aprofundada, visto que somos agentes mediadores, facilitadores ao acesso à vida e suas especificidades, o que segundo VOLTOLINI (2011, p. 33 e 34), de acordo com os estudos freudianos escreveu: O processo de aprendizagem implica a-prender, ou apreender, como se diz com frequência, mas nem sempre compreendendo o que se quer dizer com isso. Apreender indica muito mais uma operação ativa, de ir lá e pegar algo no campo do Outro, do que receber passivamente algo do que outro que me ensina. Não há dúvidas de que há ensino, ação deliberada de alguém que visa pôr ensignos alguma coisa, mas o que se aprende não está condicionado estritamente por isso. O mais importante nessas observações é a constatação de que qualquer influência que alguém possa ter sobre outro de um campo que se estabelece entre ambos, unindo-os como personagens de um romance em que a dramática instalada por esse encontro, incontrolável à sua determinação, é mais decisiva do que os esforços enviados conscientemente na condução de um trabalho.


Na condição de educadores e diante do contexto escolar, é inerente ao nosso trabalho promover condições que favoreçam, que sejam molas propulsoras do desenvolvimento da formação humana em todas as suas facetas, dessa conexão com o contexto, com o outro, com o conhecimento, consigo mesmo, etc… E, assim, realizamos o trabalho com a consciência de que o aluno/sujeito é, está, se constitui e se transforma. Olhar para trás e repensar em nossas ações e interações, nos faz levar em consideração o registro de Andrade:

E, nessa trama, no "chão da escola", nos desdobramos para que o vivido fosse realmente experimentado, proporcionando marcas que pudessem ser significativas e eternizadas na vida de cada um de nossos alunos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: ANDRADE, Carlos Drummond. Amar se aprende amando: poesia de convívio e de humor. São Paulo: Companhia das Letras, 2018. ANDRADE, Carlos Drummond. Os dias lindos. São Paulo: Companhia das Letras, 2013. CORALINA, Cora. Vintém de cobre: meias confissões de Aninha. 6ª ed., São Paulo: Global Editora, 1997, p.145. FERNÀNDEZ, Alícia. A inteligência aprisionada. Porto Alegre: Artes médicas, 1990. KUPFER, Maria Cristina Machado. Educação para o futuro: psicanálise e educação. São Paulo: Escuta, 2007. NELSEN, Jane. Disciplina Positiva; (Tradução Bernadette Pereira Rodrigues e Samantha Schreier Susyn), 3º Edição. Manole: Barueri S.P., 2015. PENNAM, Danny; WILLIAMS, Mark. Atenção Plena - Mindfulness - Como encontrar a paz em um mundo frenético. Sextante: Rio de Janeiro, 2015. VOLTOLINI, Rinaldo. Educação e Psicanálise. Zahar: Rio de Janeiro, 2011.

ANUÁRIO 2021

O importante não é estar aqui ou ali, mas ser. E ser é uma ciência delicada, feita de pequenas observações do cotidiano, dentro e fora da gente. Se não executamos essas observações, não chegamos a ser: apenas estamos, e desaparecemos. (ANDRADE, 2013, p. 18).

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DISCIPLINA POSITIVA NA FORMAÇÃO DOS PROFESSORES

ANUÁRIO 2021

Orientadoras Educacionais:Cristina Sato, Flávia Proença e Marcela Lemos

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O grande desafio da educação é garantir a cada criança e adolescente uma educação de qualidade e reduzir as dificuldades presentes no processo ensino-aprendizagem. Com a nova diretriz, publicada no dia 22 de dezembro de 2017, através da Resolução CNE/CP nº 2, que institui e orienta a implantação da BNCC Base Nacional Comum Curricular (BRASIL, 2018), a ser respeitada obrigatoriamente ao longo das etapas e respectivas modalidades no âmbito da Educação Básica, as escolas passam a contemplar de forma explícita e intencional outro desafio: o ensino de habilidades socioemocionais nos planejamentos curriculares, consideradas essenciais na construção de uma educação de qualidade e para um melhor ambiente social no Século XXI, acompanhando, inclusive, tendência mundial, neste sentido, o Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional para a Educação do Século XXI (DELORS et al., 1996). De acordo com o Relatório para a UNESCO, o processo educativo do ser humano, dentro de todo o seu ciclo vital, deve-se pautar por quatro pilares, o aprender a aprender, o aprender a fazer, o aprender a conviver e o aprender a ser.

A inovação destas propostas começa pela concepção de que o sujeito do aprendizado é ativo, autônomo, diferentemente das visões tradicionais da educação, no qual o discente é um receptor passivo das informações passadas pelo professor (FREIRE; Pedagogia tradicional). Além disso, esta nova concepção também aponta dois pontos que a pedagogia tradicional não enfatiza, ou seja, o aprender a ser e o aprender a conviver. Para que este objetivo seja alcançado, reflexões se fazem necessárias para compreendermos o estado atual e superarmos os desafios que a educação e a sociedade brasileira oferecem, no sentido da sociedade brasileira, no que se refere à educação e como está ocorrendo o ensino nas escolas. Hoje pensamos na educação não somente com o foco no desenvolvimento de habilidades acadêmicas, mas também no desenvolvimento de habilidades socioemocionais.


Durante o ano de 2021, iniciamos o processo de formação da equipe das orientadoras educacionais, sob a luz dos princípios da Disciplina Positiva. O objetivo da formação à priori, foi muni-las de conhecimentos teóricos e práticos, por meio de dinâmicas de grupo, para que em seguida as mesmas iniciassem o processo de formação dos professores de todos os segmentos do Colégio. A Disciplina Positiva, é uma abordagem que tece os ensinamentos de habilidades socioemocionais, visando uma disciplina efetiva de forma sistemática e intencional, cultiva um ambiente e uma cultura positiva. Ela é baseada no trabalho de Alfred Adler (1870-1937) e Rudolf Dreikurs (18971972), psiquiatras vienenses. Adler, viveu em Viena na época nazista. No meio de tanta tensão observou um problema na estrutura da sociedade e a solução para esse problema era uma solução social, ensinar as outras pessoas a ajudar outras pessoas para reconstruir a comunidade. O trabalho de Adler não era um movimento político, mas sim um movimento psicológico que ele queria que todos tivessem acesso. Adler era um psiquiatra que acreditava que não somos nunca uma pessoa isolada. Nós precisamos da nossa comunidade e uma comunidade saudável. Ele acreditava que a saúde se alcançava por meio da colaboração. Para as crianças o objetivo é oferecer oportunidades para que desenvolvam o seu ser e sua autoestima como um membro valorizado da família,

da turma em sala de aula e eventualmente como um membro que contribui para a sociedade. Contribuir é uma necessidade básica. Para a filosofia da Disciplina Positiva, todo ser humano é igualmente merecedor de dignidade e respeito. Mas, o que aconteceu com a nossa sociedade? Que problemas geracionais nós estamos passando. Quando você foi para a escola, que tipo de educação você teve e quando você leva o seu filho para a escola, que tipo de educação você quer para ele e que oportunidades novas nós podemos criar a partir do hoje? De acordo com os princípios da Disciplina Positiva, o foco está nas 10 competências que traz a Base Nacional Comum Curricular (1. Conhecimento, 2. Pensamento científico, crítico e criativo, 3. Repertório cultural, 4.Comunicação, 5. Cultura digital, 6. Trabalho e projeto de vida, 7. Argumentação, 8. Autoconhecimento e autocuidado, 9. Empatia e cooperação e 10. Responsabilidade e autonomia). Normalmente as competências, autoconhecimento e autocuidado, empatia e cooperação e responsabilidade e autonomia, são apontadas como um grande desafio pelos professores. Assim, para a disciplina positiva, à medida que essas competências passam a ser ensinadas, conseguimos abrir espaço e otimizar de forma mais eficiente o desenvolvimento das outras competências e principalmente as competências acadêmicas.

ANUÁRIO 2021

O Colégio Uirapuru, preocupado em oferecer uma educação acadêmica de excelência e que visa o desenvolvimento das habilidades socioemocionais, buscou teorias e práticas científicas que dialogam com os princípios filosóficos da instituição educacional.

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Ao lecionar nas escolas, os professores trabalham com uma diversidade cultural de crianças e adolescentes. Portanto, a escola é um espaço rico de diversidade cultural e social, para o qual cada criança e adolescentes traz sua bagagem cultural repleta de valores, crenças, costumes, entre outros. Os princípios da Disciplina Positiva traz para a educação uma oportunidade de valorizar a relação entre esta diversidade cultural encontrada em sala, ensinando as crianças e os adolescentes a viver juntos em uma sociedade plural. Mas como uma educação baseada nos princípios da Disciplina Positiva pode vir a contribuir com uma educação de qualidade com foco no desenvolvimento acadêmico e habilidades socioemocionais, princípios importantes para o convívio em uma sociedade plural?

ANUÁRIO 2021

Pensando em uma sala de aula, com uma diversidade cultural, conforme mencionado anteriormente, os conflitos sociais podem surgir desde a educação infantil e tornar-se mais acentuados nos demais segmentos da educação. Sendo assim, os princípios da Disciplina Positiva proporcionam uma aprendizagem voltada para a não violência, justiça, tolerância e solidariedade. Estabelece assim, valores sociais para um convívio pautado nos princípios democráticos e de igualdade. De acordo com Teresa Lasala, Jody Mcvittie e Suzanne Smitha (2018, p. 17):

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As práticas implementadas por meio da Disciplina Positiva são a base para justiça social e a equidade em nossas comunidades de aprendizado e nas estruturas físicas escolares. A Disciplina Positiva também é uma prática restaurativa focada no desenvolvimento de habilidades para reparar erros e curar relacionamentos. Quando colocada em prática de maneira como foi concebida, a Disciplina Positiva é preventiva: à medida que indivíduos na comunidade desenvolvem mais habilidades de autorregulação e resolução de problemas, os incidentes disciplinares diminuem.


Partindo desta perspectiva, todas as ferramentas dessa filosofia seguem alguns critérios: 1) respeito mútuo, respeito é ser firme e gentil ao mesmo tempo, e esse é um conceito fundamental. A gentileza é o respeito com o outro e a firmeza é o respeito consigo mesmo e com as necessidades da situação. 2) Senso de aceitação e importância. Se sentir aceito e importante são os objetivos primários de todos os seres humanos, principalmente para as crianças e os jovens. A Disciplina Positiva acredita que o mal comportamento se origina dessa falta de se sentir aceito e importante. Neste caso, a criança ou o jovem, age de maneira inapropriada para tentar se sentir incluída. Além disso, a Disciplina Positiva ensina as competências de maneira implícita. Por meio de dinâmicas de grupo, desenvolve-se autoconsciência, autogestão, consciência social, tomada de decisões responsável e habilidades de relacionamento. O Relatório para a UNESCO (DELORS, 1996) coloca que o objetivo da Educação não deve ser apenas criar indivíduos capazes de fomentar o crescimento econômico, mas também que sejam capazes de se desenvolverem como seres humanos, apontando para uma tendência mundial de humanização das escolas, nas quais as dimensões do aprender a ser e do aprender a conviver são muito importantes.

Viñao Frago (2004) defende que o professor tem um papel chave dentro da cultura escolar, no sentido de estabelecimento ou mudanças de práticas e pautas que determinam, de fato, a organização escolar e o processo de ensino-aprendizagem em sala de aula. Neste sentido, o autor defende a formação dos professores como uma das principais ferramentas para a mudança da cultura escolar. Apesar de reconhecer a importância da participação da comunidade e da gestão escolares, para a implementação de reformas educacionais, o Relatório para a UNESCO (DELORS, 1996), reconhece que nenhuma destas é possível, sem a participação dos professores. O documento coloca que é importantíssimo que os gestores escolares se atentem às condições sociais, culturais e materiais dos próprios professores, sugerindo, também, fomentar a formação deles através de programas de educação permanente. Neste sentido, para que os alunos adquiram as habilidades de aprender a ser e a aprender a conviver, a qual denominamos habilidades socioemocionais, no sentido de aquisição de um modo de ser tolerante e respeitoso para com o outro, que facilite a convivência com este, é importante que os professores recebam formação continuada sob a luz dos princípios da Disciplina Positiva. Durante o segundo semestre, as orientadoras do Fundamental I iniciaram a formação dos professores de acordo com os princípios da Disciplina Positiva. No ano de 2022 será a vez dos professores do FII e Ensino Médio.

ANUÁRIO 2021

Neste sentido, Lasala, Mcvittie e Smitha propõem uma abordagem que ensina respeito mútuo, promove a excelência acadêmica e ensina os alunos, de uma maneira estruturada e por meio de vivências em grupo, as habilidades básicas que eles precisam para desenvolver um forte senso de pertencimento e importância.

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Acreditamos que as habilidades socioemocionais e de vida devem ser ensinadas explicitamente em níveis elementares e secundários. Assim como leitura ou matemática, se as habilidades socioemocionais não são sistematicamente ensinadas, elas não serão internalizadas nem se tornarão parte do repertório de habilidades que enriquecem a criança ao longo da vida. As crianças também se beneficiam de instruções coordenadas, explícitas e sensíveis ao desenvolvimento para a prevenção de problemas específicos.

ANUÁRIO 2021

A Disciplina Positiva é uma ferramenta muito valiosa e efetiva tanto para pais quanto para professores. Por meio de parceria e boa comunicação, crianças e adolescentes têm a possibilidade de se sentirem valorizados e respeitados, de modo a crescerem e se desenvolverem como seres humanos críticos, atentos, respeitosos e responsáveis.

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Consideramos que, assim como o trilho do trem precisa de dois lados para manterse no eixo e em equilíbrio, no contexto escolar temos um trilho que representa o desempenho acadêmico, e o outro que representa as habilidades socioemocionais. Neste contexto, o Colégio Uirapuru vem desenvolvendo o programa da Disciplina Positiva, oferecendo às orientadoras e aos professores, ferramentas para desenvolver competências para criar um ambiente de respeito mútuo, por meio da comunicação, cooperação, resolução de problemas e habilidades de autorregulação, bem como conhecimentos e ideias de como aprofundar o aprendizado, a aplicação e o entendimento dos alunos. O resultado é uma educação de qualidade com equidade.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, 2018. DELORS, Jacques. Educação: Um tesouro a descobrir. Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional para a Educação do Século XXI, 1996. Disponível em: http://dhnet.org.br/dados/ relatorios/a_pdf/r_unesco_educ_tesouro_descobrir. pdf FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 50. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 165. 2001.

NELSEN, Jane. Disciplina positiva em sala de aula: como desenvolver o respeito mútuo, a cooperação e a responsabilidade em sala de aula/Jane Nelsen, Lynn Lott, H. Stephen Glenn; tradução Bete P. rodrigues, Fernanda Lee. 4. ed. rev e ampl. Barueri, SP: Manole, 2017. VIÑAO FRAGO, Antonio. Escuela para todos: educación y modernidad en la España del siglo XX. Madrid: Marcial Pontes, 2004. Educação e Pesquisa, São Paulo, v.30, n.1, p. 139-159, jan./ abr. 2004

ANUÁRIO 2021

LASALA, Teresa; MCVITTIE, Jody; SMITHA, Suzanne. Positive Discipline in the scholland classroom manual. Positive Discipline Association, Obra em inglês impresa nos Estados Unidos, 2018.

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DISCIPLINA POSITIVA: UMA ABORDAGEM PRÁTICA E EDUCATIVA PARA TODA A VIDA

ANUÁRIO 2021

Orientadoras Educacionais: Sabrina Del Campo e Thaís Peluzo

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A Disciplina Positiva é uma abordagem diferente. Imagine um trem tentando chegar ao seu destino em apenas um trilho. Isso não é possível. O trem precisa de dois trilhos, assim como nossas escolas. O primeiro trilho é o acadêmico, e o segundo trilho é o desenvolvimento socioemocional. A Disciplina Positiva é composta por métodos que convidam os alunos a focar em soluções em vez de serem receptáculos de punições e recompensas (NELSEN, 2015, p. 1). Neste ano, também, aprofundamos os nossos estudos a partir da disciplina positiva. A abordagem filosófica e prática que, por meio de estratégias e ferramentas promove uma educação firme e gentil, afetuosa e empática na relação entre adultos e crianças, entre os pares coetâneos, nas experiências e ações/reações das crianças diante da vida!

Os nossos estudos, sobre a obra de Jane Nelsen "Disciplina positiva em sala de aula: como desenvolver o respeito mútuo, a cooperação e a responsabilidade em sala de aula", foram estruturados em quatro encontros de formação de professores do Ensino Fundamental I. Esses momentos, conforme os registros das imagens, foram precedidos pelas leituras individuais dos capítulos e vividos por meio de relatos de experiências, dinâmicas, reflexões e práticas a partir das ferramentas da disciplina positiva estudadas com muita satisfação, disposição e engajamento de toda a equipe na expectativa de, conforme Nelsen nos afirma, sermos cada vez mais eficiente com os nossos alunos. Seremos mais eficazes com as crianças se sempre perguntarmos a nós mesmos: Isso que estou fazendo é fortalecedor ou desencorajador (NELSEN, 2015, p. 1).

ANUÁRIO 2021

Essa condição de estabelecimento de diálogo, limites, respeito, cooperação, entre outros aspectos imprescindíveis na formação humana, fazem parte do nosso cotidiano de modo emblemático o que, a partir dos estudos dessa abordagem, experimentamos, diariamente, o refinamento de nossas ações que são recheadas por intencionalidade.

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Entender e conhecer as necessidades dos discentes, as quais são explicitadas, também, a partir dos seus comportamentos, apoiá-los na construção do repertório interno em relação ao desenvolvimento do autocontrole e autoconhecimento, sustentando a estruturação das habilidades de vida sociais e intrapessoais, atendendoos de maneira consistente, educando com respeito é uma missão de todos nós adultos envolvidos nesta jornada especial de vida! Crianças adquirem responsabilidade quando têm a oportunidade de aprender habilidades sociais e de vida valiosas para desenvolver um bom caráter em um ambiente de gentileza, firmeza, dignidade e respeito (NELSEN, 2015, p. 3). Diante desse pressuposto, também, nos implicamos em ouvir, genuinamente, como se chama de acordo com a Disciplina Positiva "escuta ativa", uma ferramenta que temos nos debruçado à compreendê-la e experimentá-la em sua plenitude.

ANUÁRIO 2021

Para que a escuta ativa aconteça em sua efetividade, tem sido cada vez mais necessário compreender que ouvir dispõe além da escuta com os ouvidos, à escuta em sua integridade/totalidade, com a percepção do outro em sua fala e ação, expressão das emoções e sentimentos que endossam a comunicação expressa pela fala. Escutando o outro despido de si mesmo, colocando-se verdadeiramente no lugar do comunicador.

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As ferramentas que estudamos durante a formação dos professores, além da escuta ativa, como autorreflexão, funções na sala de aula, entre outras, nos oferecem oportunidades valiosas para aguçar boas reflexões antes das ações, manter o foco em soluções, autocuidado e autogestão, como Nelsen nos aponta, para uma cidadania responsável.


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ANUÁRIO 2021


Cidadania responsável requer um alto grau de interesse social - o desejo e a habilidade de contribuir de maneira útil socialmente. Em uma sala de aula na qual a Disciplina Positiva é aplicada, os alunos resolvem os problemas juntos e aprendem as ferramentas de respeito mútuo, cooperação e colaboração. Eles vivenciam o uso do seu poder, e esse empoderamento interno reduz a necessidade de criar problemas para se sentirem poderosos (NELSEN, LOTT e GLENN, 2017, p. 25).

ANUÁRIO 2021

Acreditamos que ao aplicar a Disciplina Positiva, a qual em sua essência é educar com respeito estabelecendo limites e uma conexão sincera, pautada no amor e confiança, proporcionamos uma relação mais harmônica e leve frente aos desafios e experiências ao longo da vida dos nossos alunos. Eles reconhecendo a sua importância nas relações, as suas habilidades pessoais, percepção do seu próprio poder e também de influência, compreendendo as suas emoções, desenvolvendo a autodisciplina e autocontrole, a habilidade de se relacionar se comunicando, cooperando, negociando, com capacidade de lidar com as causas, ações e consequências do cotidiano com responsabilidade, adaptabilidade, flexibilidade, se apresentarão diante da experiências humanas inteiros, íntegros e mais capazes nessa jornada incrível que é viver!

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NELSEN, Jane. Disciplina Positiva. Barueri: Manole, 2015, 3º Edição. NELSEN, Jane. Disciplina positiva em sala de aula: como desenvolver o respeito mútuo, a cooperação e a responsabilidade em sala de aula. Barueri, Manole, 2017.

ANUÁRIO 2021

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

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A ORIENTAÇÃO EDUCACIONAL NO ENSINO MÉDIO: AVANÇOS E DESAFIOS

ANUÁRIO 2021

Orientadora Educacional:Marcela Lemos

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O trabalho da Orientação Educacional apresenta consolidação no cenário escolar brasileiro há algumas décadas, mas foi com o início da pandemia em 2020 que este profissional se tornou imprescindível, principalmente em virtude ao apoio, majoritariamente remoto, prestado a alunos e famílias. Neste ano de 2021, a orientação educacional retomou os atendimentos presenciais, mantendo e aprimorando a importância que o trabalho teve em 2020.

De modo geral, o trabalho da Orientação Educacional no Ensino Médio tem como objetivo principal a consolidação do processo de autonomia dos alunos que vêm do Ensino Fundamental II. É uma construção que acontece a partir do primeiro dia de aula na primeira série e que vai se ampliando e aprofundando até o dia da formatura e, aqui no Uirapuru, com as comissões organizadoras e intervalos culturais.

Diferentemente da Coordenação Pedagógica, o Orientador Educacional, de acordo com Sanches (1999, p. 39) "promove atividades em que o objetivo é desenvolver no aluno uma atitude de reflexão sobre o seu lugar na sociedade da qual participa, com questões propostas para chamá-lo à realidade social e profissional". Esta é uma análise geral a respeito do trabalho da Orientação Educacional e que também se relaciona, de acordo com a autora, à promoção de condições para que os alunos assumam seus atos e conquistem amigos, favorecendo relações afetivas que os ensinam a responsabilidade de serem presentes nos grupos e, ao mesmo tempo, atentos às suas obrigações de estudantes.

Desde a primeira série do Ensino Médio os alunos são incentivados a olhar para si mesmos de forma crítica e autônoma. Tal autonomia, no entanto, não significa um trabalho totalmente independente e solitário por parte do estudante, mas, começa com a auto-observação de seus sentimentos e atitudes diante de diversas situações escolares. Vamos tomar como exemplo um aluno que tem vontade de melhorar seu desempenho escolar e que não sabe como fazer isso, pois em sua auto-observação percebe que estuda e se dedica. A partir de atendimentos com a Orientação Educacional, este aluno tem a oportunidade de perceber quais as ferramentas que já


Apesar disso, engana-se quem pensa que a Orientação Educacional cuida apenas dos aspectos acadêmicos dos alunos (notas, provas, boletins e estratégias de estudos). Dois dos maiores desafios e avanços dessa profissão estão ligados às questões da saúde mental e do apoio das famílias. Muitas são as ocasiões nas quais os alunos sentem confiança de compartilhar situações pessoais diversas com a Orientação Educacional. Durante os atendimentos aos alunos, o profissional da escola pode ter condições de identificar a necessidade do estudante de ser encaminhado para um atendimento especializado a partir das demandas trazidas. E é por isso que o outro aspecto principal do atendimento da Orientação Educacional é o apoio das famílias. Ter esta parceria com os pais e responsáveis é fundamental para que o indivíduo aluno se sinta amparado e apoiado pela escola e sua família. Por meio de diversas conversas com as famílias, o Orientador Educacional é capaz de construir o "quebra-cabeças" que aquele aluno é na escola e, ao ter mais recursos, consegue ajudá-lo melhor. Ao longo do ano, as mais diversas situações que precisam do apoio da Orientação Educacional acontecem e, para isso, o olhar atento, gentil e firme são necessários para a realização do objetivo principal, colocado no início do texto por Sanches, como sendo a atitude de reflexão. Não é raro nos depararmos com alunos que nos procuram para contar de insights que tiveram de sua

realidade após conversas com a Orientação Educacional. Por isso da necessidade da construção de uma cultura que trate os sujeitos com autonomia e responsabilidade coletiva, afinal, a escola é a coletividade em sua essência e as leituras feitas pelo profissional da orientação dão condições para que sejam tomadas decisões de gestão a respeito do andamento das turmas. Sendo assim, entende-se que o principal objetivo da Orientação Educacional no Ensino Médio no cenário pós-pandemia é o de estabelecer limites com firmeza e gentileza, apoiar o caminhar dos estudantes ao longo dos desafios encontrados e ouvir com paciência e atenção às demandas, ensinando-os a lidar com a liberdade e a responsabilidade de ser um jovem que exerce sua cidadania de forma saudável e respeitosa.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: SANCHES, Cida. Orientação Educacional e o adolescente. Um estudo da ação do orientador educacional por meio do método história de vida profissional. Coleção Estudos Acadêmicos. Editora Arte e Ciência. São Paulo, 1999.

ANUÁRIO 2021

possui - neste caso pode ser a disciplina e a dedicação - e o que pode ser melhorado ou trazido para a sua realidade - que neste caso possivelmente é a mudança da estratégia de estudo. No Ensino Médio a estratégia de estudo é um dos aspectos fundamentais para o sucesso acadêmico do aluno.

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A RESIDÊNCIA DOCENTE NA FORMAÇÃO INICIAL DE PROFESSORES Coordenadora Geral:Maura Bolfer

Desde o início de seu funcionamento, em 1989, o Colégio Uirapuru já trouxe, como tradição originária na OSE - Organização Sorocabana de Ensino, a figura da "auxiliar de classe" para as turmas da Educação Infantil e do Ensino Fundamental I. De início, as auxiliares de classe eram alunas do curso de Magistério (nível médio), depois do curso Normal Superior (graduação) e nos últimos anos do curso de Pedagogia (graduação).

ANUÁRIO 2021

Esses cursos de formação de professores sempre foram vinculados ao Colégio, que acredita e investe na profissão docente.

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Desde 2016 somos parceiros da Faculdade Prof. Wlademir dos Santos - WlaSan - que funciona no Colégio. Neste formato, as alunas da WlaSan realizam a formação acadêmica das 18h20 às 21h50 e das 7h às 13h ou das 12h às 18h são auxiliares de classe no Uirapuru. A função de auxiliar de classe corresponde ao que chamamos de residência docente no curso de Pedagogia. O principal objetivo do curso é formar o professor e o profissional da educação de modo que, pelo estudo e pela reflexão sobre seus fazeres torne-se profissional competente.

Nessa proposta de formação docente, a centralidade na aprendizagem apoia-se no desenvolvimento da pessoa, ou seja, no desenvolvimento de suas capacidades intelectuais, de suas habilidades humanas e profissionais, de suas atitudes e valores relacionados à atividade profissional. A residência docente consiste em atividade supervisionada, tutelada e remunerada que instrumentaliza e qualifica o aprendiz de professor para o mercado de trabalho. O programa de residência docente inclui atividades de assistência e colaboração em aulas e tarefas didáticas, de participação em cursos, oficinas e grupos de estudo e de vivência em diferentes setores do colégio de aplicação. A residência docente – vivenciada e experienciada diariamente por quatro anos – promove, de certo modo, o que Tardif (2002) chama de saber experiencial. Um saber “ligado às funções dos professores” (p. 109), um saber prático (a serviço da ação), um saber interativo (construído e mobilizado na interação com os pares e com os alunos), um saber heterogêneo


(que mobiliza conhecimentos e modos fazeres diversos), um saber aberto, poroso e permeável (integra novas experiências e conhecimentos oriundos da prática), um saber personalizado (traz a subjetividade), saber existencial (traz as marcas da história de vida), um saber temporal (que é evolutivo e dinâmico), um saber social (construído em diversas fontes sociais).

A experiência supõe um acontecimento exterior a mim. Mas o lugar da experiência sou eu. É em mim (...) onde se dá a experiência, onde a experiência tem lugar. (...) Um momento de ida porque a experiência supõe um movimento de exteriorização, de saída de mim mesmo (...) que vai ao encontro com isso que passa, ao encontro do acontecimento. E um movimento de volta porque a experiência supõe que o acontecimento afeta a mim, que produz efeitos em mim, no que eu sou, no que eu penso, no que eu sinto, no que eu sei, no que eu quero (LARROSA, 2011, p. 6-7).

Podemos dizer que a experiência, à medida em que afeta o sujeito, produzindo efeitos no que é, no que pensa, no que sente, no que sabe e no que quer, transforma-o, modifica seus saberes, constrói seus saberes. A aprendizagem compartilhada, vivida na residência docente, tem como pano de fundo a abordagem histórico-cultural que valoriza a importância do outro nos processos de ensino e aprendizagem, acreditando que na interação dialógica emergem novos sentidos e significados que ampliam a compreensão sobre a prática docente. Essa construção se dá nas relações diárias, com os professores-formadores e com as professoras da educação básica, num movimento permanente que constitui os sujeitos, agregando valores e modos de ser e estar no mundo.

ANUÁRIO 2021

Esse saber é marcado pela experiência como acontecimento. Acontecimento exterior ao sujeito, mas “que me passa”, como nos diz Larrosa (2011, p. 3).

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ANUÁRIO 2021

Os depoimentos de algumas alunas da Pedagogia e auxiliares de classe no Uirapuru, revelam um pouco dessa experiência na faculdade e na residência docente, como veremos a seguir.

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ANUÁRIO 2021


Os registros revelam a formação docente “como um processo de desenvolvimento e estruturação da pessoa que se realiza com duplo efeito de uma maturação interna e de possibilidades de aprendizagem, de experiências dos sujeitos” (GARCÍA, 2005, p. 19). Observamos nas falas das alunas uma reflexão sobre si mesmas, tendo como objeto as vivências na residência docente, articulada à formação acadêmica.

ANUÁRIO 2021

Na residência docente reconhecem a importância do diálogo, da formação humanizadora, do olhar afetivo, da criatividade e do encantamento, do ensino significativo a partir da fundamentação teórica da prática e da individualidade e subjetividade implicados nos processos de aprendizagem. É nesse processo, como descrito a seguir na fala das alunas, que desenvolvem a “capacidade de análise do contexto social que rodeia os processos de ensino-aprendizagem” (GARCÍA, 2005, p. 44).

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A articulação da faculdade com a escola de educação básica se configura como uma oportunidade para aprender a ensinar. É na residência docente, que as alunas se conscientizam que a escola é uma instituição em desenvolvimento, que tem estrutura e intencionalidades próprias, que conhecem de fato o planejamento e a implementação de um currículo, que encontram a possibilidade de relacionar as ações de ensino – que promovem aprendizagens – com o projeto pedagógico, que se socializam e aprendem os comportamentos docentes que constituem sua identidade profissional, numa rede colaborativa.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: GARCÍA, Carlos Marcelo. Formação de professores – para uma mudança educativa. Porto: Porto, 2005. LARROSA, Jorge. Experiência e alteridade em educação. Revista Reflexão e Ação, Santa Cruz do Sul, v.19, n2, p.04-27, jul./dez. 2011

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TARDIF, Maurice. Saberes docentes e formação profissional. Petrópolis: Vozes, 2002, 2ª edição.

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FORMANDOS

ANUÁRIO 2021

3ª SÉRIE ENSINO MÉDIO 2021 Ana Carolina de Carvalho Sousa

Alexandre Cavalheiro Cardum

Alicia Franco Pinheiro

Ana Clara Toscano

Ana Cristina Rodrigues Henrique

Anna Clara Jonas Portero

Anna Luiza Amorim Moura

Augusto Franco Pinto Carriel Antonio

Bruno Ayrosa Grigolli

Bruno Las Casas Ralid

Caio Cavichioli Schuermann de Barros

Caio Henrique Rossigalli Rodrigues

Camila Serra Lopes

Eduarda Guitte Concato Carneiro Farhat

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Enzo Reis Nassif

Ernesto Simões Strangis Cumino

Fabiana Herbst Gonçalves de Paula

Felipe Freddo Leonotti

Felipe Pereira Bonert

Fernanda Gabriela Ferreira da Silva

Fernando Henrique Ferreira Rocha

Fernando Torres Guimarães Couto

Francisco Pinheiro Comitre

Gabriel Verlangieri de Souza

Giovanna de Oliveira Ribeiro

Giovanni Pontes Miguel

Guilherme Vendramin Mazuca

Gustavo Beretta de Oliveira Mattos

Henrique Martini Lacreta

Henrique Mattucci Domingues Pereira

Isabela Cardozo Silveira

Isabela Wilfer Francisco

Isabella Canalle Ferreira da Silva

João Gabriel Garcia Moreno

João Pedro Scotto do Vale Cachada

João Pedro Tavel Bossolla

João Pedro Zalla Bueno de Moraes

João Tezolini Sugahara

ANUÁRIO 2021

Enzo Ducceschi Mariano Moura

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ANUÁRIO 2021

João Vítor Angelieri Quagliatto

José Guilherme Santos Belini

Júlia Brand Katsumata

Júlia de Palma Gomes

Júlia Ferreira Stopa

Julia Silveira Friedrich

Juliane Zaetum de Oliveira

Keren Luvizotto Jardini

Larissa Gabriela Ferreira

Larissa Gouveia Rosa

Larissa Schulz Stofer

Laura Brito Oliveira Camis

Laura Feitosa Marcello

Leonardo Michelin Caetano

Leonardo Souza Flores

Lívia Brançam de Freitas Farto

Luana Rozette Pires

Lucas Mendes Castanho Xavier de Freitas

Luigi Garcia Giannini

Luís Afonso Martins Adriano

Luís Felipe Almeida Mutton

Luísa Carolina Pinto Nogueira

Luiz Felipe Escribano Sampaio

Luiza Chagas Facciolli

Manuela Aprá Gomes Pinto

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Maria Eduarda de Barros e Alves

Maria Eduarda de Campos Nascimento

Maria Fernanda Belanga Larrubia

Maria Vitoria Pace

Mariana Alves Cabral

Mariana Monteiro Sanches

Marina Oliveira Melo Soares

Matheus de Moraes Gomes

Maurício Denari Ayres

Nathália Lesia Taraborelli Veneri

Paola Móra Dias

Pedro Andrade Ribeiro

Pedro Henrique Galvão Maia de Moura

Pedro Henrique Paiva Cavalcanti

Pedro Lustosa Tambara

Rafael Ferreira da Silva Pereira Vaz

Rafael Hipolito de Abreu

Rafaela Arcanjo Láo

Régisson André de Lara Filho

Roberto Brandão Galvão Neto

Rodrigo Massami Birque

Rodrigo Prudente de Aquino Spinardi

Serena Mayumi Shirata Lanças

Sophia Tomaz Rubel

ANUÁRIO 2021

Maria Clara Pereira Liausu Cavalcanti

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Taís Alfredo

Thiago Kashivagui Gonçalves

Thomaz Stecca Coelho

Tiago Montanha Basso

Victor Augusto Blessa Duarte

Vinícius Bernal Pedrozo de Souza Santos

Vinícius Miguel da Guia

Vinícius Netto Pereira

Vitor Garcia Ribeiro

Yasmin Pereira Franklin

ANUÁRIO 2021

Yasmin Ruas Souza

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Direção Arthur Fonseca Filho Arthur Fonseca Neto Renato Machado de Araújo Fonseca

Coordenação Geral Maura Bolfer

Coordenação Pedagógica Daniela Peres Almenara

Orientação Educacional Marcela Araujo de Mello Lemos

Representante 3ª Série A Prof. Eduardo Andrés Ruz Torres

Representante 3ª Série B Profa. Mônica Miliani Martinez

Representante 3ª Série C Prof. André Luigi da Silva

Oradores

Paraninfo Éric Pizzini Bernardo

ANUÁRIO 2021

3ª A - Ana Cristina Rodrigues Henrique 3ª B - Henrique Mattucci Domingues Pereira 3ª C - Manuela Aprá Gomes Pinto

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ANUÁRIO 2021

COLÉGIO UIRAPURU - ANUÁRIO 2021 Diretor Geral: Arthur Fonseca Filho Diretor Administrativo: Arthur Fonseca Neto Diretor Financeiro: Renato Machado de Araujo Fonseca Coordenadora Geral: Maura Bolfer Projeto Editorial: bëwe - building brands

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ANUÁRIO 2021

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Emília

18031-005


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