GALERIA MUNICIPAL DO MONTIJO

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8 março a 18 abril 2026
Galeria Municipal do Montijo

Aufschribesystem 1900
Grafite e lápis de cor sobre papel, 70x100 cm, 2021 pormenor
me levanto sobre o sacrifício de um milhão de mulheres que vieram antes e penso o que é que eu faço para tornar essa montanha mais alta para que as mulheres que vierem depois de mim possam ver além
“Legado”, Rupi Kaur (instapoeta)
A obra e percurso de Catarina Patrício podem ser harmoniosamente associados a toda a força e simbolismo que o Dia Internacional das Mulheres evoca: a celebração das conquistas históricas alcançadas, mas também, a reflexão e o protesto, a reflexão sobre os desafios que ainda há para enfrentar e o protesto contra a violência e a disparidade salarial.
Os desenhos de Catarina refletem a condição humana como uma existência tecida em relações constantes, que ocupa o espaço físico, mas também o espaço conceptual, o espaço das ideias, dos sonhos, das crenças e das esperanças, definindo, assim, o ser humano como um “animal cultural” ou “animal que significa”. A artista usa o seu trabalho para nos mostrar que imagens e palavras não são neutras, que estão intrinsecamente ligadas à história e à cultura. O lápis é a sua ferramenta de transformação social e cultural.
Tal como a primavera sugere renovação, a sua obra propõe um “renascimento” do olhar, exigindo a nossa participação, forçando-nos a ver além das aparências para enfrentar os desafios sociais e culturais do dia a dia, e que o Dia Internacional das Mulheres também vem colocar em evidência.
Por tudo isto e porque chegámos ao mês de março que é ele próprio um convite ao renascimento e à transformação, convocando-nos a celebrar as árvores, a água, a primavera, a poesia, o teatro, e claro, as Mulheres, também aqui vos deixo um convite para a exposição “Proposições e outras cenas”.
O Presidente da Câmara Municipal

Fernando Caria

O meu trabalho vive no espaço do corte e da montagem de imagens enquanto texto — um campo onde o pensamento se inscreve através de operações materiais e técnicas como o desenho. As imagens, breves expressões que transportam sentido, são pela sua função sígnica máquinas de produção de sentido – e todos os aparelhos da memória, todos os enunciados a que se responde, todas as relações entre coisas, são condicionadas histórica e tecnicamente por máquinas de produção de sentido. Interessa-me observar como estes dispositivos constroem não apenas a imagem, mas também a própria possibilidade de pensar através dela. A arte não escapa a esta condição nem a anula; mas pode reproduzi-la, denunciá-la, boicotá-la ou suspendê-la.
Interessa-me esse instante em que a imagem hesita — quando a operação técnica transforma-se em pensamento e a visibilidade torna-se questão. É este espaço de suspensão que procuro. Neste espaço, o trabalho não se limita a observar as imagens, mas intervém nelas — reconfigura os modos de ver e de ler que as produzem. O corte torna-se assim um gesto crítico, uma forma de agir sobre as condições de produção do visível.
Se colecionar imagens-texto é reunir relações de significado, cortar e montar são já operações de significação. As operações de corte desterritorializam as imagens, arrancam-nas dos arquivos e contextos onde circulam; a montagem, por sua vez, reterritorializa-as, criando novas configurações de relação, ritmo e tensão. Se colecionar imagens-texto é desenhar constelações de significado, lances que implicam uma seleção mesmo quando se joga com uma certa arbitrariedade na “misturadora”; já a montagem é uma operação que abre

fendas, expande leituras, admitindo que o sentido se possa deslocar ou transformar. A montagem não apenas organiza o tempo das imagens — cria tempos próprios, simultâneos ou divergentes, em que o olhar se torna também experiência de montagem.
Mas as técnicas de reprodução não se limitam à reprodução mecânica. O desenho guarda traços e vestígios da manualidade humana no seu gesto técnico. É nele que se revela a persistência do corpo dentro do regime técnico da imagem — um corpo que resiste, intervém e reinscreve, reproduz manualmente. A linha riscada pela mão lembra a origem comum entre a escrita e o desenho — sistemas de inscrição onde o pensamento passa para o visível. O traço é vestígio do contacto e também a sua memória: um gesto único, irrepetível, que revela a contiguidade entre corpo, imagem e linguagem.
As imagens reunidas em Proposições e outras cenas — entre a textura e a forma, entre o texto e a figura — são um caminho para pensar a cultura visual como arquivo em aberto, onde cada fragmento pode ser reativado, cada traço reencontra outro tempo, e onde cada imagem, mesmo exaurida de sentido nesta época da híper-saturação do visível que é a nossa, pode ainda dizer.
Nesta reconfiguração, o passado não é restituído, mas atualizado: reaparece no presente da montagem como exercício de memória ativa e crítica. Cada trabalho é, nesse sentido, uma tentativa de pensar a imagem como lugar de resistência — onde o gesto inscreve a possibilidade de outro modo de ver.
https://catarinapatricio.weebly.com/





Long ago, the future



Neon-modernity


Aufschribesystem 1900 Grafite e lápis de cor sobre papel, 70x100 cm, 2021
The first casualty of war is truth, Carvão e grafite sobre papel, 120x129 cm, 2023 página anterior



Il faut défendre la société
Grafite e gouache sobre papel, 70x100 cm, 2021


and free will


Welcome home






Catarina Patrício
Catarina Patrício é Doutorada em Comunicação pela NOVA-FCSH, na especialidade cultura contemporânea e novas tecnologias, e realizou
estudos de pós-doutoramento na mesma faculdade. Foi bolseira da Fundação para a Ciência e Tecnologia em doutoramento (2009-2014) e em pós-doutoramento (2015-2020). Artista Visual, formada em
Pintura pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa (1998-2003), e Mestre em Antropologia pela NOVA-FCSH, estudou fotografia na FH Bielefeld em 2000. Catarina Patrício é desde 2010 professora no departamento de cinema e artes dos media da ECATIUniversidade Lusófona. Investigadora integrada no CICANT, publica ensaios e expõe obra artística regularmente.
https://catarinapatricio.weebly.com/
Catarina Patrício (n. Lisboa, 1980), artista visual com prática centrada no desenho contemporâneo. Vive e trabalha em Lisboa. Formação
Pós-Doutoramento em Comunicação, especialidade e, Cultura
Contemporânea e Novas Tecnoilogias, NOVA-FCSH (2022)
Doutoramento em Comunicação, especialidade Cultura
Contemporânea e Novas Tecnologias, NOVA-FCSH (2014)
Mestrado em Antropologia, NOVA-FCSH (2008)
Licenciatura em Pintura, Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa (2003)
Estudos de Fotografia, FH Bielefeld, Alemanha (2000)
Bolsas
Bolsa DGArtes para “O Resto e o Gesto: Desenhos para o século XXI” (2014)
Bolsa de Criação Artística, Fundação Calouste Gulbenkian (2015)
Bolsa FCT de Doutoramento (2009–2014) e Pós-doutoramento (2015–2020)
Coleções Públicas
Museu Nacional de Arte Contemporânea (MNAC)
Fundação Côa Parque
Fundação Adelino Amaro da Costa
Fundação Eng. António de Almeida
Coleção Norlinda e José Lima
Red Bull Art Collection
Exposições Individuais Selecionadas
Balada do Condado Laranja (2024), MNAC, Lisboa
Garagem Patrício (2023), Marvila Studios, Lisboa
Out of the blast (2022), Galeria São Mamede, Lisboa
Maybe you understand fiction better than real life (2021), Galeria São
Mamede, Porto
Exposições Coletivas Selecionadas
Biografia do Traço: Desenhos da coleção MNAC 1836//2024 (2024), MNAC, Lisboa
Nós podemos, nós fazemos! (2024), Galeria Municipal do Montijo
Descuradas (2023), Centro de Arte Oliva, São João da Madeira
ArtMadrid (2022)
Drawing Room Lisboa (2021)
Prémio Amadeo de Souza-Cardoso (2020), Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso, Amarante
Ensaios em Publicações, Seleção
“Crónica de um narrador perdido na época da possibilidade da informação planetária” (2024), Stolen Books.
“On the mediality of ethnographic tools” (2024), Revista de Comunicação e Linguagens.
“A Geoestética (de Baalbek a Palmira) e a Terra como Objeto Político” (2021), Documenta.
“A Cut-Conversation on Techno-Aesthetics” (2025), JSTA (ensaio visual).
“A Garganta” (2023), Revista de Comunicação e Linguagens (ensaio visual).
Atividade Académica
Professora, Departamento de Cinema e Artes dos Media, Universidade Lusófona (desde 2010) e investigadora integrada no CICANT.
Professora Auxiliar Convidada, NOVA-FCSH (2022–2023).
FICHA TÉCNICA CATÁLOGO
Título Proposições e outras cenas: Desenho | Catarina Patrício
Edição Câmara Municipal do Montijo
Autor Câmara Municipal do Montijo
Organização Galeria Municipal do Montijo | Ana Reis Silva
Texto Catarina Patrício
Fotografias Catarina Patrício
Projeto Gráfico Gabinete de Comunicação e Relações Públicas
Divulgação Gabinete de Comunicação e Relações Públicas
Impressão Tipografia Belgráfica Lda.
Tiragem 300 exemplares
Depósito Legal 560640/26
ISBN 978-989-9222-14-4
FICHA TÉCNICA EXPOSIÇÃO
Produção e Organização Galeria Municipal do Montijo | Ana Reis Silva
Design Gráfico Gabinete de Comunicação e Relações Públicas
Montagem Galeria Municipal do Montijo | Ana Reis Silva
Divisão de Obras, Serviços Urbanos e Ambiente
Montijo, março 2026
Galeria Municipal do Montijo
Rua Almirante Cândido dos Reis, 12 – 2870-253 Montijo
telefone 21 232 77 36 • e-mail cultura@mun-montijo.pt terça a sábado das 9h00 às 12h30 e das 14h00 às 17h30
galeriamunicipalmontijo www.mun-montijo.pt
Parceria com a Galeria São Mamede
