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Exposição «Redeiras», de Ally Nolan, na Galeria Municipal de Arte de Almada

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GALERIA MUNICIPAL DE ARTE

ALLY NOLAN REDEIRAS

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13.03 – 20.06.2026


Em 2025, a artista irlandesa Ally Nolan esteve em residência artística em Olho de Boi, Almada. Após descobrir que o estúdio onde se encontrava tinha sido uma fábrica de redes da Companhia Portuguesa de Pesca (em atividade entre 1920 e 1984), começou a pesquisar sobre as mulheres que aí trabalhavam, urdindo redes de pesca à mão – as redeiras. Reconhecendo semelhanças entre o ofício das redeiras almadenses e algumas tradições artesanais femininas na Irlanda, onde a produção e o conserto manuais também faziam parte da vida laboral das mulheres, Nolan estabeleceu paralelismos inspiradores para a sua prática artística. Os primeiros estudos foram desenvolvidos utilizando transferências de fotografias de arquivo, bordado manual, acrílico, gravura a laser e burel. O projeto foi sendo continuamente aprofundado, durante cerca de um ano, como resposta às histórias do lugar. A exposição apresenta, assim, peças do acervo do Museu de Almada – incluindo fotografias, documentos de arquivo, utensílios e ferramentas – que contextualizam os trabalhos têxteis recentemente criados pela artista. O foco permanece nas Redeiras, no seu quotidiano e no seu trabalho – repetitivo, especializado e fisicamente desafiador.

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REDEIRAS DE CORAÇÃO GRANDE Alexandrina da Conceição Catarino de Sousa, natural de Oliveira do Hospital, tinha 26 anos quando foi admitida na Companhia Portuguesa de Pesca, em outubro de 1945. Maria dos Santos Pires, natural de Tavira, tinha 39 anos quando entrou, em novembro de 1947. Ambas casadas, trabalhavam à empreitada e foram colegas na Fábrica de Redes. Às vezes levavam pela mão os filhos, Rosa e Zé, que de quando em vez, por entre as brincadeiras, ajudavam as mães a encher as agulhas. A história de vida destas trabalhadoras revela um substrato comum: a procura de melhores condições de vida em Almada à custa de um trabalho exigente. Quantos mais novelos fossem transformados em seções de rede, mais recebiam. As mãos das redeiras não eram delicadas, tinham calos deixados pelos fios. Todo o tronco mexia no esforço de trabalhar as redes, com movimentos repetitivos, ritmados e rápidos. Devido ao esforço físico diário, algumas destas mulheres ficaram com as paredes do coração demasiado musculadas, ao ponto de virar doença e condição. Dizia-se então que eram mulheres de coração grande. In CÂMARA MUNICIPAL DE ALMADA. MUSEU NAVAL (2023) Companhia Portuguesa de Pesca. Uma coleção de histórias. Almada: CMA

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1 REDEIRAS, 2026 Fotografias recortadas e tecidas individualmente à mão numa rede de pesca. Série de fotografias de identificação de redeiras, provenientes dos registos laborais da Companhia Portuguesa de Pesca, conservados no arquivo do Museu de Almada.

2 À MÃO / BY HAND / LE LÁIMH, 2025 Feltragem com agulha e gravação a laser em burel. Esta obra destaca tradições partilhadas entre artesãs portuguesas e irlandesas que trabalhavam com as mãos — fabricando, reparando e transmitindo conhecimento através do toque. A citação bordada à mão que a acompanha amplia a ênfase da obra no trabalho manual e na memória incorporada, reforçando os gestos das mãos enquanto arquivo.

3 Redeiras da Sociedade de Reparações de Navios Fotografia de Júlio Diniz, décadas 1970-80 Museu de Almada


ALLY NOLAN é uma artista irlandesa, cuja prática explora a forma como os têxteis são influenciados pelo lugar, pela comunidade e pela identidade cultural. O seu trabalho reúne técnicas têxteis manuais e digitais para investigar as histórias contidas nos materiais e no trabalho quotidiano que os produz, com um foco particular no trabalho artesanal feminino e no conhecimento que muitas vezes não foi registado ou foi subvalorizado. Partindo da pesquisa em arquivos, narrativas e patrimónios, Nolan trabalha frequentemente com fotografias e documentos históricos para compreender melhor as pessoas e as comunidades que dão corpo às tradições têxteis. A sua prática é influenciada pelos contextos rurais e costeiros, onde as competências artesanais estão intimamente ligadas à vida profissional, à história social e às economias locais. Nolan é licenciada em Design de Moda e em História da Arte pelo National College of Art and Design, em Dublin, e mestre em História da Arte Irlandesa pelo Trinity College Dublin. Recebeu o Prémio de Arte RCSI em 2025 e realizou residências artísticas em Portugal, Noruega, França e Irlanda. Estas experiências ampliaram a sua investigação e revelaram ligações entre as tradições artesanais de diferentes culturas. https://www.allynolan.com

HORÁRIO Terça a sábado: 11H-13H / 14H-19H Encerra domingos, segundas e feriados

GALERIA MUNICIPAL DE ARTE

MORADA Galeria Municipal de Arte Av. Nuno Álvares Pereira, 74 A 2800–177 Almada T. 212 724 724 casadacerca@cma.m-almada.pt

Diretor Municipal de Desenvolvimento Social Eduardo Quinta Nova

Presidente da Câmara Municipal de Almada e Vereadora da Cultura Inês de Medeiros

Diretora de Departamento de Cultura Rute Moura Chefe de Divisão do Centro de Arte Contemporânea Nuno Moura Frente de Casa Elsa de Sousa, Filipe Barbosa EXPOSIÇÃO Produção e montagem Ana Taipas, Paulo Ramos Comunicação Paula Freire Secretariado e Apoio à Direção Carla Novais

APOIO

Textos Ally Nolan, Ana Taipas, Maria José Santos, Maria Miguel Cardoso, Nuno Moura, Paula Freire, Vanessa Almeida Serviço Educativo Ana Sofia Godinho, Elsa de Sousa Apoio à produção Divisão de Museus e Património Cultural – Maria José Santos, Vanessa Almeida Divisão de Bibliotecas e Arquivos/Serviço de Arquivos – Fernanda Cruz Apoio à montagem Divisão de Manutenção do Edificado e Apoio às Atividades Municipais Design Gráfico Joana Machado Impressão Magenta Dimension (materiais gráficos) Gamut (fotografias) Agradecimentos Eurídice Santos, Maria José Santos (netas das redeiras Alexandrina da Conceição Catarino de Sousa e Maria dos Santos Pires)

ORGANIZAÇÃO


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