Farol do Cabo Mondego
Os Faróis e as suas origens Das almenaras aos fachos e o exemplo da Torre de Buarcos (Redondos)
Lat.: 40° 11.460'N | Long.: 8° 54.310'W
Isolado, implantado na orla marítima da extremidade SW do Parque Florestal da Serra da Boa Viagem, a uma altitude de 97 m, o atual Farol do Cabo Mondego encontra-se a 3 milhas NNW da barra da Figueira da Foz. Começou a ser construído no ano de 1917, num terreno cedido pela empresa exploradora das Minas do Cabo Mondego. A sua construção resultou da necessidade de modernização e relocalização do Farol Velho e, provavelmente, de interesses da própria empresa de exploração mineira. Em 22 de novembro de 1922 foi inaugurado o novo farol do Cabo Mondego, apagando-se, definitivamente, a luz do 1º farol - o farol Velho. A sua ótica era proveniente do farol do Penedo da Saudade de S. Pedro de Moel. O edifício é formado por dois corpos longitudinais de um piso e uma torre central, de planta quadrangular, onde assenta a grande lanterna circular rematada com cúpula vermelha, alcançando, torre com respetiva lanterna, 15 metros de altura. A sua luz tem um alcance luminoso de 28 milhas.
No ano de 1928, o farol passou a utilizar a incandescência pelo vapor a petróleo. Em 1941 foi eletrificado e a ótica principal foi substituída por uma lâmpada de incandescência elétrica de 3000 W. Foi também instalado um sinal sonoro constituído por uma trompa de ar comprimido, que veio a ser alterado em 1953 por um diafone da casa Barbier. Em 1947 o farol foi ligado à rede elétrica de distribuição pública e em 1950 foi instalado um radiofarol, desativado em 2001. O aparelho ótico foi automatizado em 1988 com a instalação de um novo sinal sonoro e mecanismos para a rotação e substituição das lâmpadas. Em 1995, foram instalados os repetidores dos alarmes do equipamento. Em 2004 o Farol do Cabo Mondego foi classificado como Imóvel de Interesse Municipal.
PT
Ficha técnica Textos Divisão de Cultura Manuela Silva, Marco Penajoia, Marta Fernandes Revisão de textos Bárbara Ferreira Natércia Simões Fotografias AHCravo Gorim, Rodrigo Pinto, Sérgio Morgado, Arquivo Fotográfico Municipal
Porto
Design gráfico Eduardo Oliveira abril de 2023
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ROTA DOS FARÓIS E FAROLINS DA FIGUEIRA DA FOZ
Buarcos apresenta uma localização geoestratégica, do ponto de vista defensivo/comercial, e é ainda reconhecida pelo seu pendor náutico e portuário. Esta realidade desencadeou, desde muito cedo, uma necessidade de ir alumiando as suas margens costeiras. Perante os últimos vestígios arqueológicos, junto à embocadura do Mondego (Forte de Santa Catarina), existe a hipótese de aqui ter existido um farol romano. As almenaras podiam ser fogueiras convencionadas, que ardiam de noite no topo das torres ou em atalaias, isto é, em determinados locais elevados, destinados, principalmente, a darem sinal de rebate pela aproximação do inimigo. Um dos pontos escolhidos para o fim referido era o marco geodésico construído sobre um cunhal da antiga fortificação medieval de Buarcos, e que integrava a linha defensiva do Mondego. Seguiram-se os fachos, estes teriam uma chama mais aperfeiçoada comparada com as almenaras. Eram grandes archotes que prestaram excelentes serviços de farolagem, para aquela época, orientando a navegação no litoral e a respetiva entrada nos portos. Havia «Companhias do Facho», compostas de oficiais, sargentos e soldados, sendo notáveis os serviços desses corpos
Lat.:40° 10.007'N Long.: 8° 52.625'W
do exército, por exemplo, na Guerra Peninsular. Um auto da Câmara da Figueira refere-se a duas requisições desses fachos, feitas pelo alferes da 8ª Companhia de Ordenanças, António Maurício de Oliveira, da Figueira, e por outro oficial da mesma patente, Bento Gonçalves Amaro, de Redondos. A Câmara aprovou que lhes fornecessem: duas barracas, dois mastros de batel, dois moitões com adriças, uma carrada de mato, uma bandeira, um lampião e o azeite preciso, sendo estes fornecimentos pagos pelo município. Este cunhal, adaptado da Torre de Buarcos, tem 12 m de altura e em meados do séc. XX ainda poderia ser alcançado através de degraus.