Propriedade do Clube dos Orquidófilos de Portugal®
Este jornal é distribuído a todos os sócios do Clube.
José M. M. Santos jose.santos.orquideas@gmail.com
Ana Cabanas
Américo Pereira
Dora Russo
Ina Dias
Luís Gonçalves
Michael Benedito
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Paulo Assunção
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Foto da Capa: Tolumnia na Akerne Orchids foto de José Santos
Contracapa: Cattleya híbrido na coleção de Mário Silva Foto de Mário Silva
Bem-vindos!
O Verão traz sempre grandes preocupações para os orquidófilos, o aumento de calor e com ele a batalha para evitar a desidratação das nossas plantas, as queimaduras das folhas pelo excesso de intensidade da luz e o desenvolvimento de pestes que atacam as nossas plantas e que proliferam com o aumento do calor e da humidade E para além de tudo isso é tempo de férias e tempo de estarmos mais ausentes das nossas casas e das nossas orquídeas. Espero que este Verão não tenha sido muito penoso para as vossas coleções. De qualquer maneira, vem aí o Outono e é altura de recuperar o tempo perdido e preparar as vossas plantas para a próxima grande época de floração Para mim, a estação dos Cymbidium este ano começou extraordinariamente cedo. Normalmente tinha os primeiros Cymbidium floridos nos finais de setembro e este ano, já tinha flores abertas no início de Agosto, o que não é muito bom porque com o calor as flores duram menos
Neste número visitamos a coleção de orquídeas do associado Mário Silva e temos bons artigos para vos inspirar: O Sr Américo Pereira apresenta-nos a Dactylorhiza insularis também as suas pequenas Cattleya rupícolas. O Michael Benedito escreve um belíssimo artigo sobre uma raridade, o género Dimorphorchis, que dá dois tipos de flores diferentes em simultâneo. Falando em viagens, a Dora Russo conta-nos como estavam as Orquídeas no Chelsea Flower Show deste ano, eu escrevo sobre as orquídeas que vimos na Greentrip Holanda e a Liz Johnson antecipa um pouco o que vai ser o Congresso Mundial no Equador. Para além destes destaques, há muitas curiosidades e dicas de cultivo dos nossos associados
Queria lembrar que em Novembro iremos ter a nossa primeira exposição de outono, em Oeiras e queria pedir a todos que participassem nesta exposição com as suas orquídeas floridas, que divulgassem o evento pelos vossos conhecimentos e que não deixassem de nos visitar.
Ficamos à vossa espera!
E sem mais desejo-vos uma boa leitura deste novo Jornal do Orquidófilo e boas florações!
Saudações Orquidófilas!
Jornal do Orquidófilo
Novas espécies Satyrium liltvedianum
A 10 de Novembro de 2009, o Dr Timo van der Niet, especialista em Biologia Evolucionária da Universidade de KwaZulu-Natal, que fazia parte de um grupo de pesquisa de Ecologia de Polinização e o Sr Herbert Stärker, de Viena de Áustria, que durante mais de uma década viajou com a sua esposa para a África do Sul para fotografar orquídeas nos seus habitats naturais, viajaram para as montanhas kogelberg, a 70Kms da cidade do Cabo, na África do Sul, para procurar orquídeas
Uns meses antes tinha havido um fogo na área e muitas orquídeas florescem na Primavera a seguir aos fogos Ainda iam no carro quando observaram um grupo de orquídeas de flores brancas e rapidamente foram investigar Inicialmente pensaram tratar-se de plantas de Satyrium candidum, originária das montanhas do Cabo mas após uma observação mais atenta, notaram algumas diferenças na estrutura das flores e decidiram estuda-las com mais atenção Após estudos da flor e teste ao ADN da planta, verificaram estar presentes a uma nova espécie de orquídea do género Satyrium
Um recanto do interior do Orquidário
A planta pode atingir os 24cm de altura e produz entre 6 e 20 flores (número incerto pois algumas flores dos exemplares encontrados tinham sido comidas pelos Antílopes). Ao longo do caule vermelho escuro podem ser observadas estruturas típicas do género Satyrium, umas folhas que circundam o caule formando pequenos reservatórios que acumulam água e que até hoje ainda não se percebeu qual a sua função As flores são brancas e agradavelmente perfumadas. Como é comum nas orquídeas Satyrium, as flores têm dois esporões tubulares com néctar que nesta nova espécie medem 2cm mas em outras espécies chegam aos 12cm. Esse néctar atrai os polinizadores, neste caso borboletas noturnas.
O nome da espécie – S liltvedianum – foi dada em honra a Bill Liltved, um dos autores da importante obra de dois volumes, “The Cape Orchids”, onde se reúnem descrições, fotos e ilustrações de todas as espécies de orquídeas existentes na África do Sul, resultando de cerca de 20 anos de pesquisa e estudo.
Até ao momento só foram encontrados cerca de 50 exemplares desta nova orquídea e todos na mesma zona nas montanhas Kogelberg, colocando-a no topo das listas de espécies em extinção Felizmente a zona é uma área inserida numa reserva e não se encontra ameaçada. Esperemos que consiga sobreviver durante muitos anos ✿
Foto de Herbert Stärker
Perfil do Orquidófilo Mário Silva, sócio nr. 147
Por José Santos
Um recanto do interior do Orquidário
Não foi difícil de encontrar a casa do Sr. Mário, em Trajouce, o associado que visitámos para a reportagem deste número. Bastou chegar ao local marcado e olhar para cima. Não haviam dúvidas, tinham que ser aquelas janelas cheias de orquídeas.
Mora num apartamento, num 2º andar e o espaço não é muito, mas acedeu a partilhar connosco a sua coleção para mostrar aos sócios que não é necessário muito espaço para cultivar orquídeas. Na sua casa, divide as suas plantas por duas divisões, na sala e na cozinha, sempre junto à janela para fornecer a luz filtrada que elas.
Janelas de um orquidófilo
necessitam. Os parapeitos das janelas, o varão dos cortinados e os móveis circundantes estão repletos com as suas plantas, algumas dezenas, que trata com carinho e rejubila com as suas florações. Uma coisa é comprar a planta florida, outra é conseguir que as plantas voltem a dar flor. Confidencia-nos que as florações que acontecem na sua casa, resultantes do seu tratamento, tem muito mais valor.
Tudo começou em 2010 quando decidiu comprar uma orquídea para oferecer a uma cunhada. Achou as flores bonitas e comprou outra para si. Foi uma Phalaenopsis que ainda conserva na sua coleção. Depois o interesse aumentou, comprou mais umas quantas e mais outras, informou-se na internet para aprender a tratar melhor delas e conheceu os Jardins Sintra e o Clube dos Orquidófilos na Exposição de Camélias e Orquídeas de Sintra. Daí para frente nunca mais parou.
O que o atrai nas orquídeas é a beleza das flores. Gosta de ir vendo o desenvolvimento das plantas e gosta do desafio de cultivar uma planta e de conseguir que esta dê flores em sua casa.
Foi muito importante ter-se inscrito no Clube e ter participado nos workshops e exposições.
- “Aprende-se muito. A internet pode levar a muitos erros, nada é melhor do que a troca de experiências com outros sócios”.
Não tem preferência entre espécies ou híbridos, compra quando gosta, a flor tem que lhe dizer alguma coisa. De início tinha mais Phalaenopsis mas agora, as suas preferidas são as Cattleya.
Com a sua experiência já de alguns anos, aprendeu que não vale a pena tentar cultivar alguns géneros. Por exemplo as Promenea, com as quais está ter alguma dificuldade e as Masdevallia, que não consegue cultivar no seu espaço.
- “Temos que ter sensibilidade para adaptar
o cultivo ao local de cada um e para algumas não conseguimos encontrar as condições ideais.” - No caso das Masdevallia o seu apartamento é demasiado quente, o que o torna ideal para as suas preciosas Cattleya.
Cattleya híbrido
O seu método de cultivo tem vindo a ser modificado conforme vai experimentando e obtendo melhores resultados.
- “Normalmente quando compro uma orquídea, mudo-a sempre de vaso e substrato. Se está em flor espero que termine a floração e depois mudo sempre a planta.”
Faz a sua própria mistura de cultivo. Compra casca de pinheiro e gosta de lhe juntar pedacinhos de cortiça alentejana, carvão, etc. Depende do género que vai reenvasar. Utiliza muito vasos perfurados na lateral mas por vezes faz demasiados furos e depois a planta seca demasiado e tem que corrigir.
Para além das regas semanais, fertiliza com o fertilizante Rain Mix quinzenalmente.
- “Noto que a floração e a produção de Keikis desgasta muito a planta, por isso, uma boa fertilização é importante para manter a planta saudável.”
Agradecemos ao Sr. Mário por nos ter
recebido em sua casa e ter conversado um bocadinho sobre esta paixão que partilhamos.
Podem acompanhar as florações do Sr. Mário no grupo exclusivo dos sócios do Clube no Facebook. ✿ Cattleya Wine Red
Paphiopedilum Pinocchio var. alba
Jornal do Orquidófilo
Orquídeas Portuguesas
Por Américo Pereira (Sommier) Landwehr
Dactylorhiza insularis
A Dactylorhiza insularis é a espécie mais rara deste género existente em Portugal e simultaneamente uma das mais belas e peculiares É uma planta algo robusta, podendo oscilar entre os 20 e os 40 cm, com caule tubular, algo fistuloso e folhas basais dispostas na vertical, linear-lanceoladas, não maculadas, sendo as superiores bracteiformes. As suas inflorescências são dispostas em espiga laxa, com flores predominantemente em amarelo claro, podendo apresentar alguma variabilidade nas máculas do labelo, sendo observadas algumas com belíssimas e bem vincadas máculas vermelhas, outras com máculas menos visíveis e distintas e até com ausência das mesmas.
São conhecidas muito poucas populações desta magnífica espécie, situando-se essencialmente na zona Norte do país, em Trás os Montes (Macedo de Cavaleiros e Vimioso), mas estando também presentes
mais a centro, em locais como a Serra de Montejunto e a Serra da Lousã. Encontra-se distribuída por solos calcários a ácidos, em espaços pouco arborizados, geralmente bosques de caducifólias, sendo sempre o número de exemplares encontrados muito reduzido, não ultrapassando, por vezes, a meia dúzia de exemplares
A época de floração pode oscilar de Abril a Junho, tendo em conta as condições meteorológicas de cada ano e os locais do país onde se situam Podemos, contudo, considerar que o pico da floração é de finais de Abril a meados de Maio ✿
Bibliografia:
DELFORGE, P (2016) – Guide des Orchidées d’Europe, d’Afrique et du Proche-Oriente – 4e Edition Delachaux et Niestlé S A – Paris Monteiro, J A Brites (2016) – Orquídeas Silvestres de Portugal – Guia de Campo Edição de Autor
Fotos captadas Em Campo de Víboras, concelho de Vinhais e na Serra de Montejunto. Podem seguir os cultivos e os passeios do Sr. Américo Pereira no seu blog ORQUÍDEAS SOLTAS em: http://orquideassoltas.blogspot.pt
Orquídeas com dupla personalidade: O assombroso género Dimorphorchis
Por Michael Benedito
Durante a época dos descobrimentos, em 1521, o famosíssimo navegador português Fernão de Magalhães chegou pela primeira vez à ilha de Bornéu, localizada no sudeste asiático Esta fabulosa ilha alberga um verdadeiro espólio botânico com inúmeras espécies de plantas tropicais endémicas e é considerada a terceira maior ilha a nível mundial. Estima-se que lá existam cerca de três mil espécies de orquídeas, habitando desde os pântanos e florestas tropicais húmidas (cuja temperatura diária ronda os 30ºC) até ao cume das cordilheiras montanhosas (onde por vezes ocorrem geadas)
O género Dimorphorchis é endémico de Bornéu e constitui um verdadeiro prodígio do mundo vegetal O aspeto vegetativo destas orquídeas é bastante semelhante a uma Vanda, com o mesmo tipo de crescimento monopodial; não obstante, distingue-se facilmente pelas grandes inflorescências pendentes, podendo alcançar uns colossais dois metros de comprimento!
Dimorphorchis lowii – Flor basal (proximal)
Dimorphorchis lowii – Flor apical (distal)
Dimorphorchis lowii – Hábito vegetativo
O caule da inflorescência está totalmente coberto por conspícuos tricomas castanhos e possui uma consistência semelhante a borracha, o que lhe confere grande flexibilidade e evita que seja danificado e se parta durante as intempéries tropicais
O significado etimológico da palavra
Dimorphorchis é relativo ao facto de serem produzidos dois tipos distintos de flores numa mesma inflorescência, embora que em número desigual. (di - dois; morpho - forma; orchisorquídea).
Existem cerca de duas a cinco flores proximais, localizadas na base da inflorescência, que produzem um aroma forte e agradável sendo que este é mais intenso durante a alvorada e diminui progressivamente ao longo do dia. As flores distais são desproporcionalmente em maior quantidade e ocupam a parte posterior da haste floral. Distinguem-se das restantes pelo facto de não emanarem qualquer tipo de aroma e por ostentarem uma coloração e padrão distintos, com as pétalas e sépalas mais unduladas e contorcidas
Contudo, a presença em simultâneo dos dois tipos de flores é algo exclusivo na família das orquídeas e exerce um fascínio que captura a imaginação dos orquidófilos amantes do incomum. O género Catasetum também é conhecido por produzir florações distintas, mas neste caso as flores são unissexuais, sendo que uma mesma planta pode gerar flores masculinas ou femininas dependendo das condições ambientais. No género Dimorphorchis ambas as variantes das flores são funcionalmente hemafroditas, sendo que o formato do labelo é também idêntico nas duas versões.
Ninguém sabe ao certo qual a pressão evolutiva que levou este género de orquídeas a produzir dois tipos distintos de flores em simultâneo. Uma vez que ambas as flores apresentam características diferentes, julga-se que se trata de uma estratégia que emprega dois tipos distintos de polinizadores e que atua como medida de segurança, como por exemplo no caso das populações de polinizadores sofrerem flutuações sazonais imprevisíveis .
O facto das flores proximais emitirem fragrância e serem em menor quantidade implica que não necessitam de ser avistadas pelo polinizador, uma vez que a fragrância é facilmente difundida e transportada no ar húmido da floresta.
Dimorphorchis rossii var. graciliscapa – Flor proximal
Dimorphorchis rossii var. graciliscapa – Flor distal
Dimorphorchis rossii var. graciliscapa – Duas plantas em floração
Jornal do Orquidófilo
Dimorphorchis rossii var. graciliscapa. Note-se a diferença a nível de pigmentação que demonstra algum grau de polimorfismo entre diferentes indivíduos.
As flores distais são inodoras e estão presentes em maior número, criando no seu conjunto uma estrutura com grande impacto visual a longa distância, para compensar o facto de não produzirem qualquer aroma. Abelhas coletoras de cera e resina já foram avistadas a visitar as flores de plantas selvagens, mas ainda pouco se sabe sobre a ecologia e polinização deste género
São plantas raras em cultivo, uma vez que requerem imenso calor e humidade para se desenvolverem bem e demoram imensos anos até chegarem à maturidade.
A Dimorphorchis rossii possui 3 variantes cuja classificação oscila entre o nível sub-específico ou específico, consoante o taxónomo. São todas morfologicamente semelhantes, com uma envergadura foliar máxima de 70cm As inflorescências surgem no final da primavera e são
produzidas singularmente ou aos pares, medindo cerca de um metro de comprimento.
A Dimorphorchis lowii é a espécie com maior porte, sendo que um exemplar adulto atinge facilmente um a dois metros de altura, com uma envergadura foliar de um metro e meio.
Não obstante, as folhas são graciosamente arqueadas, fazendo com que ocupem menos espaço, mas mesmo assim muitos orquidófilos ficam desencorajados de tentar, uma vez que as plantas que se encontram à venda são quase sempre juvenis e podem alcançar um preço considerável. Todavia, o seu cultivo é em tudo semelhante ao género Vanda: crescem melhor envasadas em substrato com granulometria grosseira e regas semanais. Requerem boa luz para florir e não toleram temperaturas abaixo dos 12ºC
Congresso Mundial de Orquídeas
Por Liz Johnson
Preparativos para o Equador
O comité organizativo equatoriano prepara umas boas vindas calorosas, ao bom estilo sulamericano, a todos os delegados, juízes e participantes inscritos.
Os eventos sociais organizados conjuntamente com qualquer WOC (World Orchid Congress) são sempre grandes momentos que antecipamos e os eventos que nos esperam em Guayaquil estão pensados para serem memoráveis.
Um dos eventos será a Noite Equatoriana, a acontecer no histórico Seminario Park (também conhecido por Iguanas Park). Para celebrar as tradições de Guayaquil, os convidados poderão assistir a música típica ao vivo bem como saborear a comida tradicional nas várias mesas espalhadas pelo parque iluminado pelas luzes da Metropolitan Cathedral of San Pedro Apostol. 14
Para evitar que se ande a tropeçar nas iguanas pela noite fora, a equipa da casa tem um plano perfeito, As iguanas serão alimentadas ao entardecer e como é hábito, assim que ficam cheias, sobem para os ramos mais altos das árvores para dormir. Aparentemente o plano irá resultar pois já foi utilizado inúmeras vezes em outras noites de eventos no parque. Será com certeza uma noite espetacular para os convidados do Congresso Mundial de Orquídeas.
Para os juízes e delegados, haverá um banquete de encerramento que será algo especial. Será nas margens do rio Guayas no Palácio de Cristal. Um evento memorável para terminar o que se espera ser um congresso memorável.
Sobralia sp.
Para alguém que visite o Equador e a cidade de Guayaquil, é de considerar incluir uma visita a Cuenca no seu itinerário. A cidade de Cuenca é classificada como World Heritage e as suas bonitas construções antigas e ruas estreitas valem a pena serem admirados. Se puderem, visitem a um Domingo pois o mercado estará aberto e as gentes das áreas rurais fora da cidade vem para assistir à missa. Ao mesmo tempo vão ao mercado para comprar e vender os seus produtos e este será muito concorrido.
Outro destino não muito distante de Cuenca são as ruínas de Ingapirca (o templo Inca do sol) que é o exemplo mais conhecido de cidade com arquitetura Inca e Cãnari
E claro, há sempre a possibilidade de visitar as Galápagos, de avião a partir de Guayaquil.
Mas para mim as orquídeas são com certeza a atração principal e tive a sorte de ter sido convidada em Novembro do ano passado para julgar as orquídeas da 6ª Exposição Internacional de Orquídeas em Cuenca, na Casa da Provincia em frente ao Parque de San Blas.
Neste cenário mágico, as apresentações de orquídeas brilhavam com as suas cores vibrantes. Entre os géneros em exposição estavam Cyrthochilum, Restrepia, Trichocentrum, Dracula, Masdevallia, Brassia, Dendrobium, Epidendrum, Phalaenopsis, Cattleya, Cymbidium, Ludisia, Barbosella, Miltoniopsis, Lepanthes, Oncidium, Stelis, Zygostates, Zygopetalum e Phragmipedium. De facto havia uma grande variedade de plantas, espécies e híbridos, e foram organizadas para julgamento em oito classes.
As equipas de julgamento tinham júris dos E U A , da Austrália, Bélgica e Sul da América e eu, a única inglesa. Não foi uma tarefa fácil porque um grande número de espécies era representado só por algumas plantas, por vezes só uma O sol e as altas temperaturas também não ajudaram e o facto de que muitas plantas tiveram que ser desqualificadas por não estarem identificadas
O show era de entrada gratuita e os vendedores de orquídeas ofereciam muitas e desejáveis plantas Infelizmente não pude trazer nenhuma devido à documentação exigida de Fitossanitários e CITES. No entanto no congresso
WOC22 haverão certificados disponíveis para quem quiser trazer orquídeas mas as licenças de importação ficarão ao cargo de cada um.
Será certamente uma conferência de alta qualidade e um show prometedor. Espero encontra-los lá. ✿
Ellianthus capitatus
Telipogon sp
O cultivo das Cattleya rupícolas
Por Américo Pereira
Cultivar as espécies de Cattleya rupícolas pode constituir um desafio aliciante e simultaneamente compensador, tentando responder às peculiaridades deste grupo tão particular, sobretudo pelas caraterísticas das suas plantas e pelo tipo de habitats a que estão associadas. Caraterizam-se essencialmente por serem plantas de pequeno porte, sendo algumas delas mesmo miniaturas, que se desenvolvem no seu estado natural nalgumas regiões do Brasil, em zonas montanhosas de altitude, que, na sua maioria, podem oscilar entre os 800/1000 e 2200 metros, sobre rochas/fendas rochosas, em espaços abertos e bem expostos ao sol, fator que as levou a ser conhecidas como rupícolas.
Todas elas pertenciam, até há bem pouco tempo, ao género Laelia ou, segundo alguns auto- 16
res, Hoffmannseggella, mas que, mais uma vez na sequência de estudos baseados em evidências de ADN, passaram a integrar também o género Cattleya, designação taxonómica oficialmente aceite, hoje em dia.
Na sua grande maioria são plantas unifoliadas, com pseudobulbos fusiformes e ou piriformes, encimados por folhas ovaladas lanceoladas, espessas e rígidas, dispostas na vertical. As suas inflorescências destacam-se bem acima da planta e podem ser compostas por uma a várias flores, diversificadamente coloridas e atrativas, com belíssimas formas e texturas delicadas.
Cultivo:
O cultivo destas plantas tem sido uma experiência interessante e que, na base da experimentação,
Cattleya ghillanyi
Cattleya briegeri
da troca de informações e da consulta permanente de fontes credíveis sobre esta matéria, me tem permitido uma evolução constante, até conseguir o objetivo essencial e que é, para além do bom desenvolvimento das plantas, a obtenção permanente e consistente de belas florações. Consegui, logo desde o início, plantas bem desenvolvidas e saudáveis, mas tinha enorme dificuldade em conseguir florações, pelo que passei a centrar a minha atenção em dois aspetos fundamentais: a constituição do substrato e as condições de exposição solar Nesta sequência, penso que cheguei aos resultados pretendidos. Continuando a utilizar sempre vasos pequenos (cerca de 8 a 10 cm de diâmetro), alterei o substrato, que passou a ser constituído fundamentalmente por quatro componentes em partes mais ou menos iguais: 25% de rocha granítica, 25% de rocha com alto teor de ferro, 25% de argila expandida e 25% de casca de pinheiro Geralmente, no fundo, coloco
apenas cerca de 1 a 2 cm de esfagno, apenas com o objetivo de reter alguma humidade. A granulometria destes pedaços oscila entre os 1,5 a 2 cm. Como crescem naturalmente sobre rochas algo férreas, penso que foi extremamente importante a adição da rocha com esta composição e que vou recolhendo em algumas viagens pelo país. Este aspeto também pode ser contornado adicionando alguma limalha de ferro.
A segunda alteração foi mudar as plantas para a parte da estufa com a luminosidade mais intensa, junto às paredes exteriores, onde apanham algum sol durante uma parte da tarde. O ambiente é temperado, com elevado grau de humidade e bem ventilado A maioria destas espécies podem mesmo suportar o frio do nosso Inverno, desde que não expostas a geadas constantes.
Rego com alguma frequência durante as estações mais quentes e secas, deixando, contudo, secar entre regas por algum tempo, fator que também é importante, pois é um pouco
aquilo que acontece no seu estado natural, pela exposição a grandes amplitudes térmicas e pluviométricas Respeito um acentuado período de descanso durante o Inverno, deixando de regar quase totalmente, nessa estação do ano.
Utilizo o fertilizante Akerne Rain Mix em quase todas as regas, sempre com doses de baixa concentração (adiciono apenas metade ou menos de metade da dose indicada pelo fornecedor) e deixo de fertilizar durante o Inverno. Se optarmos por qualquer outro fertilizante, mantêm-se os mesmos princípios e as mesmas exigências
Tendo sido esta a minha experiência, ao longo de alguns anos, não pretendo que nenhuma destas indicações possa servir como uma visão dogmática, podendo haver outras experiências bem diferentes e igualmente válidas. ✿ Cattleya fournieri
Cattleya lucasiana
Por Dora Russo
Orquídeas no Chelsea Flower Show
Apresentação da Orchid Society of Great Britain
Como acontece desde 1913, também este ano se realizou uma das mais prestigiadas exposições de flores, jardins e tudo o que a este fantástico mundo diz respeito. Como não poderia deixar de ser as orquídeas marcaram presença Aliás como curiosidade, somente três empresas estão presentes desde a primeira exposição e uma delas é de orquídeas, a McBean’s Orchids, o viveiro de orquídeas mais antigo do Reino Unido, que este ano brindou-nos com uma enorme diversidade de Cymbidium, Phalaenopsis e Oncidium.
O universo das orquídeas também esteve muito bem representado pela Eric Young Orchid Foundaction. Esta fundação localizada na Ilha de Jersey trouxe para o Chelsea Flower Show deste ano uma variedade de espécies de habitats completamente diferentes. Não faltaram as Masdevallia, Lycaste, Oncidium, Restrepia, Phaphiopedilum, Anguloa, mas no entanto era a Sudamerlycaste locusta que cativava mais olhares.
A mostra de orquídeas da Orchid Society of Great Britain também tinha a capacidade de prender a atenção de qualquer orquidófilo por uma boa hora. A diversidade de espécies, cores e
Paphiopedilum Vera Pellechia
Sudamerlycaste
e a própria apresentação estavam absolutamente maravilhosas, acabando por ser difícil destacar alguma planta em particular.
Para além dos stands só de orquídeas a Jacques Amand, empresa especializada em bolbos, mostrou alguns interessantes exemplares de orquídeas terrestres como Cypropedium, Calanthe, Pleione e Bletilla.
Dada a enorme diversidade de orquídeas encontradas este ano, ficamos ansiosos pela próxima edição do Chelsea Flower Show, da minha parte espero voltar. ✿
Apresentação da Eric Young Orchid Foundation
locusta
Orchideen Hoeve Garden Park
Por José Santos
Greentrip Holanda 2017
Foi quase por acaso que descobrimos este jardim nas proximidades de Amsterdão e sem quaisquer referências, só o que encontrámos no site do jardim, lá decidimos incluir este destino na nossa viagem. Ao entrar no autocarro com todo o grupo, a guia não nos deu grandes garantias de vermos muitas orquídeas. Ficámos apreensivos.
O “Orchideen Hoeve” (O Céu das Orquídeas, traduzindo à letra) é uma mistura de parque temático e jardim coberto que inclui um centro de jardinagem e um restaurante. Para quem gosta de plantar, seria o paraíso, certo? E afinal não nos desiludimos pois houve muito para ver.
Este jardim é constituído por várias áreas onde pudemos admirar muitas orquídeas e outras plantas.
A primeira área que visitámos foi um jardim que recria o ambiente de uma floresta tropical onde não faltam alguns macaquinhos Saguis que andavam por lá à solta. Seguindo caminhos labirínticos num ambiente muito verde, lá começamos a descobrir, aqui e ali, orquídeas penduradas no cenário da floresta. Seguiu-se uma área onde um bando de papagaios australianos (Loris) voavam sem vergonha à nossa volta e pousam em nós para se alimentarem de uma papa que se comprava em pequenos copos Um grupo muito barulhento e colorido muito divertido.
Orchid Paradise
Num ambiente mais calmo mas continuando nos “trópicos” na próxima sala entrámos num borboletário com imensas borboletas coloridas a
Phragmipedium
voar à nossa volta.
Ao sairmos da estufa das borboletas, seguiramse várias estufas de orquídeas, uma estufa de espécies variadas, outra de sapatinhos, outra de híbridos de Phalaenopsis e um enorme espaço de híbridos de Cymbidium todos floridos que imagino serem para o comércio de flor de corte pois seriam de certeza várias centenas de plantas em flor.
Para além da grande variedade, gostei de observar como eram cultivados os vários géneros de orquídeas. Apesar de ser um grande espaço coberto, em condições diferentes das minhas, tiram-se sempre ideias Aprende-se sempre
Antes de finalizar e de almoçarmos num serviço de porcelana com bonitas orquídeas pintadas, tivemos ainda tempo para ficarmos boquiabertos com os maravilhosos cestos pendurados. Não tinham orquídeas mas eram fabulosos Begónias, Petúnias, Fuchsias eram as plantas escolhidas para estes cestos cujas flores caiam em cascatas de cor. Muito bonito.
Assim, como podem imaginar, não demos a viagem por perdida. As plantas à venda não eram nada de especial mas saímos felizes com tanta flor.
Bifrenaria harrisoniae
Vanda tricolor no Orchideen Hoeve Garden Park
Visita à Akerne Orchids
Por José Santos
Greentrip Holanda 2017
Depois de uma bonita viagem na Holanda, esta GreenTrip terminou na Bélgica, com a visita a um espaço que há muito tempo gostava de conhecer, a Akerne Orchids, um dos mais prestigiados cultivadores de orquídeas, especializado em orquídeas botânicas, de toda a europa.
A história da Akerne Orchids, começa na vila de Ekeren, cujo nome Celta é Akerne, com a compra de uma Cattleya labiata ‘mossiae’ pelo casal Dirk e Diane Bruyninckx em 1971 Começou como um hobby e rapidamente se transformou na história de sucesso que pudemos presenciar.
Depois de muitas medalhas ganhas nas mais variadas exposições de orquídeas europeias, o sucesso da casa Akerne Orchids deve-se, na
minha opinião, à seriedade como Dirk, Diane e agora o seu filho Kenneth encaram a orquidofilia, o cultivo de orquídeas e o negócio da venda de orquídeas. A chave de tudo revela-se pelo facto de que, antes da venda, há uma paixão por orquídeas e a sabedoria que se ganha com uma grande parte da vida dedicada às orquídeas.
A Akerne Orchids esteve presente na primeira exposição de Camélias e Orquídeas de Sintra em que o Clube dos Orquidófilos de Portugal participou. Nesse evento, tivemos a oportunidade de assistir a uma interessante palestra sobre Cymbidium chineses e as suas particularidades de cultivo.
Jornal do Orquidófilo
Infelizmente, por ser um negócio familiar, a Akerne Orchids evita fazer viagens muito longas e cansativas sendo que normalmente só participa em algumas das maiores exposições europeias perto da Bélgica e Portugal nunca mais esteve na sua lista de eventos. No entanto as suas orquídeas continuam a poder ser encontradas em Portugal pois tenho feito algumas importações para os Jardins Sintra.
O centro de cultivo é composto por várias estufas com diferentes ambientes, frio, intermédio e quente São 700 m2 divididos em três seções, as estufas de crescimento dos seedlings e divisões, as estufas de venda, abertas ao público, onde se pode escolher o que quisermos dos milhares de orquídeas disponíveis e as estufas com a sua coleção particular que albergam mais de 8000 plantas, de onde são escolhidos os progenitores para os cruzamentos que ali são feitos bem como a rainha da coleção, a Cattleya labiata ‘mossiae’ culpada por ter contaminado a família Bruyninckx com a febre das orquídeas.
A visita ficou a saber a pouco mas o nosso grupo teve ainda o privilégio de uma visita guiada à área que está normalmente vedada ao público e assim pudemos admirar muitas das orquídeas da
Masdevallia
Maxillaria
Dracula Dryadella
sua coleção privada e pudemos conversar um pouco sobre o método de cultivo que utilizam nas suas estufas
Os milhares de orquídeas são cultivadas em vários tipos de vasos e muitas são montadas em placas de cortiça, o substrato é, basicamente, casca de pinheiro e notei que muitas plantas eram cultivadas num pequeno cesto de plástico colocado dentro de um vaso de plástico, dando uma excelente drenagem e arejamento às raízes, assim evitando que fiquem demasiado molhadas e apodreçam
As orquídeas são regadas exclusivamente com água da chuva onde é adicionado o produto chave, produzido ali, e que é já uma imagem da marca Akerne, o fertilizante RAIN MIX.
Nesta nova etapa para o centro de cultivo, em que os pais se reformaram, sem se afastarem completamente, e que o filho, Kenneth tomou as rédeas da Akerne Orchids, desejo as maiores felicidades e faço votos para que continue com a qualidade que nos tem vindo a acostumar. São cada vez menos estes grandes cultivadores de orquídeas e para os colecionadores é importante que existam pois o vício, se não pode ser eliminado, tem que ser alimentado com produtos de excelência, cada vez mais difíceis de encontrar.
Sophronitis
Lycaste Sudamerlycaste
do Orquidófilo
As nossas orquídeas
Os nossoscultivos
Cymbidium Hoosai var.
Sun Moon
Maxillaria molitor
de Ina Dias de Luís Gonçalves
É um Cymbidium com flor pequena dum rosa pálido e com um riscado mais escuro, é uma flor muito mimosa As sua folhas são variegadas, com dois tons de verde mais escuro e mais claro, que o torna diferente. Esta dentro de casa, Só na Primavera e Verão é que o ponho na rua, num local abrigado e mais húmido. Está plantado em casca de pinheiro com um pouco de terra de orquídea (para Cymbidium) Rego mais vezes no verão mas ponho pouca agua para não encharcar, no inverno diminuo as regas, deixando quase secar para voltar a regar. ✿
Adquirida em Outubro de 2016, apresento esta magnifica floração da Maxillaria molitor Não estava nada á espera , creio que com a mudança de ares, resolveu brindar-me com as suas flores. O perfume não é assim muito agradável, mas compensa com a coloração e o efeito em triangulo da flor. Sendo uma planta de altitude, resolvi coloca-la no exterior, abrigada do sol, num vaso com de casca de pinheiro, argila expandida e algum esfagno. E creio que se adaptou-se muito bem Uma boa compra para quem tem espaço exterior ✿
Agora é a sua vez! Envie-nos uma foto de uma orquídea cultivada por si e diga-nos como faz, onde a tem, qual o substrato, como a rega… enfim, o que achar que possa ser útil aos outros orquidófilos que tenham ou queiram vir a ter essa orquídea. Uma foto e dez linhas é o suficiente. Escrevam e enviem tudo para o nosso email (clube.orquidofilos.portugal@gmail.com).
Jornal do Orquidófilo
Sobralia virginalis de Ana Cabanas
Obtive a Sobralia Virginalis na Expo Orquídeas em 2016, uma vez que tenho um certo fascínio pelas Sobralias. Está é a minha segunda Sobralia.
Coloquei a num vaso juntamente com a Sobralia crosea, achei que faria um efeito bonito quando florissem as duas ao mesmo tempo mas ainda não tive o privilégio que acontecesse.
Coloquei terra de Orquídea e Casca de Pinheiro no substrato, desde a Primavera que a tenho tido no exterior com regas frequentes, com as primeiras geadas de Outono a Sobralia resentiuse com o frio então coloquei-a no interior numa varanda com muita luz.
A Sobralia gostou da mudança e deu a sua primeira floração, a flor só dura 1 dia mas dá 2 flores consecutivas na mesma haste. ✿
Cymbidium dayanum de Ina Dias
É um dos meus preferidos . A sua flor é pequena e este ano deu uma haste com 9 flores. Gosta de temperatura quente por isso tenho dentro de casa, nunca deixo baixar dos 10/12 graus. Rego mais no verão que no inverno, mas deixo secar entre as regas, mais no inverno que no verão. No verão deixo secar ligeiramente nos dias mais quentes.. Tenho só em casca pinheiro pequena.
Encyclia ionocentra de Rossana Teresa e António
Santos
Adquirimos esta orquídea há 4 anos num Orquidário na Suiça. Está cultivada em apartamento com substrato Orchiata médio e nos meses de Março a Outubro na varanda A temperatura ronda os 25 graus durante o dia e 18 à noite.
Aprecia boa luminosidade As regas são quinzenais e a adubação é semanal com Rainmix, com metade da dose recomendada pelo fornecedor No Inverno deve-se suspender as regas por completo.
Floresce normalmente em Agosto com várias hastes florais.✿
Sobralia virginalis
Cymbidium dayanum
Encyclia ionocentra
As nossas orquídeas
Os nossoscultivos
Pholidota chinensis
de Américo Pereira
A Pholidota chinensis é uma planta que se desenvolve de forma epífita ou litófila, nas florestas húmidas e chuvosas, de baixa a elevada altitude, entre os 300 e os 2500 metros. Tanto pode manifestar-se em locais sombrios, como em áreas abertas, sobre locais rochosos e húmidos, ou sobre as árvores.
É uma espécie de pequeno porte, ideal para climas frios, podendo ser cultivada em estufa temperada ou fria, ou mesmo no exterior, embora em local protegido das geadas e do sol direto. Normalmente, floresce na primeira metade da Primavera
Eu cultivo-a num pequeno vaso, com cerca de 10 cm de diâmetro, numa mistura para epífitas, composta por casca de pinheiro média (1,5 a 2,5 cm), argila expandida e perlite, garantindo uma excelente capacidade de drenagem.
O local de cultivo é bem ventilado, com bom grau de humidade, boa luminosidade, mas sombreado o ano todo, de forma a evitar as queimaduras nas folhas
Rego apenas o necessário para manter sempre o substrato ligeiramente húmido, evitando encharcamentos. Fertilizo com o Akerne Rain Mix, duas vezes por semana, com doses de baixa concentração No Inverno suspendo as fertilizações.
Quando o vaso for pequeno, ou o substrato apresentar sinais de degradação, deverá proceder-se imediatamente ao transplante.
Orquídeas - Verdadeiras Jóias
Adorno para cabelo, de Phillipe Wolfers
Na revista do 2º trimestre de 2016 (Nr. 12) escrevi um pequeno texto sobre René Lalique e as suas joias em forma de orquídea, magníficos trabalhos de joalharia Arte Deco e Arte Nova.
Hoje apresento-vos um contemporâneo de Lalique que, apesar não ser tão famoso, se distinguiu também pelos seus trabalhos de joalharia em Arte Nouveau sendo um dos mais prestigiados mestres joalheiros belgas.
Philippe Wolfers (1858 –1929) nasceu numa família de joalheiros cujo negócio
se iniciou em 1812. O seu atelier, em Bruxelas, produziu um grande número de joias para as famílias reais europeias. Estudou arte na Académie Royale dea Beaux-Arts, em Bruxelas e em 1873 visitou a Feira Mundial em Viena onde se apaixonou pelos objetos de arte decorativa japoneses que o influenciaram, a ele e a muitos outros artistas, ao movimento de Arte Nouveau.
Em 1889, Wolfers construiu uma vivenda em estilo Arte Nouveau em La Hulpe e pouco tempo depois abria o seu próprio atelier de joalharia onde empregava cerca de 30 artesãos que tornavam os seus desenhos em magnificas joias.
Era um pequeno negócio, comparado com Lalique, mas tal como o seu contemporâneo parisiense, Wolfers baseava-se na natureza, na flora e na fauna, para criar magnificas joias
que desafiavam as convenções, usando materiais e processos diferentes como pedras preciosas, marfim e vidro esculpidos, com trabalhos de metal e esmaltes de estilo japonês.
Um dos bonitos exemplos é o ornamento para cabelo em forma de orquídea, feito em 1905-7, em ouro, diamantes e rubis aplicados em esmalte em plique-à-jour. Sem dúvida uma obra de arte, hoje presente no museu Victoria and Albert, em Londres.✿
BIBLIOTECA
ORQUIDÓFILA
THE FORGOTTEN ORCHIDS OF ALEXANDRE BRUN
Autor: Phillip Cribb, Editora: Marshall Editions, de 1992
159 páginas.
Um maravilhoso livro que resulta da compilação uma série de pinturas feitas por Alexandre Brun (1853 – 1930), um artista francês que ficou conhecido pelos seus trabalhos marítimos, pelos retratos e gravuras, publicadas em jornais, de eventos navais durante a guerra. No final do Séc XIX o cultivo de orquídeas era um hobby da aristocracia. As atrações eram a existência de uma grande variedade de espécies, a sua raridade e o seu alto valor, proibitivo para as classes mais baixas O status de quem possuía tais plantas rapidamente tornou a orquidofilia uma moda entre os mais ricos A dificuldade de cultivo aliava-se à sua singularidade. Um passatempo exclusivo de quem podia suportar os custos de uma estufa aquecida
Não era para todos…
Emile Libreck foi um jovem aristocrata parisiense a quem as orquídeas fascinaram e que era suficientemente rico para aderir a essa moda Mas foi mais além. Entusiasmado com os bons resultados das florações das suas orquídeas, com as quais foi premiado com uma medalha de bronze em 1895 pela Société Nationale d’Horticulture de
France, da qual se orgulhou toda a sua vida, em 1892, solicitou ao pintor Alexandre Brun, amigo da família, que imortalizasse as florações das suas orquídeas em obras de arte
Não sendo um ilustrador botânico, Brun conseguiu captar os maravilhosos detalhes das orquídeas nas suas obras. Sendo aguarelas, são também trabalhos curiosos devido aos fundos escuros raramente utilizados pelos ilustradores botânicos. Assim que foram terminadas, as obras foram guardadas em dois fantásticos volumes com capas de cabedal onde foi gravada a palavra Orchidées
A intenção de Emile era de que as obras voltassem às mãos do artista após a sua morte, mas por razões familiares as pinturas acabaram por ficar perdidas até 1980, armazenadas num cofre de Londres E quase 100 anos depois, as mesmas orquídeas de Emile Libreck voltam a ganhar uma medalha de Ouro atribuída pela Royal Horticultural Society quando foram exibidas na sua exposição anual de orquídeas em 1981.
Este livro revela-nos 59 das preciosas aguarelas de Alexandre Brun identificadas e com uma introdução histórica de Phillip Cribb Para além de podermos admirar as brilhantes orquídeas de Emile Libreck este livro dá-nos também uma documentação histórica das variedades que, no final do século XIX, em plena orchidomania, eram já cultivadas E é surpreendente!
Um livro para todos os apreciadores de orquídeas e da sua história.
O NOSSO DESDOBRÁVEL
Informam-se todos os associados que temos disponíveis panfletos desdobráveis com informação sobre orquídeas e sobre o nosso Clube para serem divulgados em locais onde possam ter interesse em orquídeas e onde possamos angariar novos associados para o Clube.
Aos interessados em distribuir pelas vossas áreas de residência, por favor contactem-nos que vos enviaremos alguns exemplares.
Orquidófilo
WORKSHOPS EXPOSIÇÕES
JARDINS SINTRA - SINTRA
Sábado, 21 de Outubro, às 15h00
MILTONIA e MILTONIOPSIS
Orientado por José Santos
Sábado, 18 de Novembro, às 15h00
MICRO-ORQUÍDEAS
Orientado por José Santos
Sábado, 16 de Dezembro, às 15h00 VANDAS
Orientado por José Santos
PARCERIAS
O Clube dos Orquidófilos de Portugal tem parcerias com as seguintes empresas que se disponibilizaram a oferecer vantagens aos nossos associados:
JARDINS SINTRA LDA
10% de desconto em todas as orquídeas e produtos para orquidofilia.
LUSO BONSAI
20% de desconto em orquídeas, exceto botânicas, montadas e plantas sem flor.
MESTRE JARDINEIRO
10% de desconto em todas as plantas.
WINGARDEN & HOME
10% de desconto em todas as orquídeas e produtos para orquídeas.
BROMÉLIAS DO BREJO
Oferece 20% do valor de uma compra em plantas na loja online. Não aplicável em Feiras.
ORCHISRAFA
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Se conhecer alguma empresa que possa querer publicitar os seus serviços ou produtos ou fazer uma parceria com o Clube, escreva-nos para o nosso email com a sua sugestão.