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Jornal do Orquidofilo NR. 23 - 2/2026

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Orquidófilo

Jornal do Orquidófilo

Volume 7 – Número 23 – Abr. / Jun. 2026

Propriedade do Clube dos Orquidófilos de Portugal ®

Enviado gratuitamente aos Sócios do clube.

FICHA TÉCNICA

EDITOR José M. M. Santos

REVISOR

Marco Monteiro

ARTIGOS NESTE NÚMERO

Editorial

ORQUÍDEAS PORTUGUESAS:

Gennaria diphylla

Dendrobium nobile: O método Yamamoto

WOC’26 – Conferência Mundial

Entrevista: Sara Machado

Os Vencedores na Expo de Abril

José M. M. Santos

José M. M. Santos

José M. M. Santos

José M. M. Santos

José M. M. Santos Biblioteca Orquidófila

José M. M. Santos

Américo Pereira MORADA

TELEMÓVEL / WHATSAPP PÁGINA OFICIAL EMAIL

PAGAMENTOS DE QUOTAS 2026 clubeorquidofilosportugal@gmail.com Rua dos Geadas, 36 2125-148 Marinhais

José Santos – 96 28 351 28 https://clubeorquidofilosportugal.pt/ IBAN Valor: Individual – 25,00€, Conjunto (2 pessoas) – 30,00€

Editorial

Bem -vindos!

O segundo trimestre do ano é, para mim, essencialmente, o período das exposições de orquídeas. É claro que temos também exposições em outros trimestres – a nossa próxima vai ser nos dias 6, 7 e 8 de Novembro – mas para mim, a saída dos meses mais escuros e a chegada da Primavera despertam em mim o desejo de estar mais com as plantas, começam as florações de muitos géneros, enfim, sinto mais falta depois dos meses mais frios de Inverno.

E este ano tivemos a GRANDE exposição mundial na Alemanha, em Dresden. Já assisti a muitas exposições em muitos lugares, até mesmo outras em Dresden, mas esta foi, de facto, uma grande exposição. Espero que o texto que escrevi e as fotos que selecionei possam dar uma ideia do evento excecional que foi o World Orchid Conference 2026. A associação de orquidófilos alemã responsável pela organização esteve muito bem e o evento foi mesmo memorável.

Também não menos memorável e que nos deu muito mais trabalho, foi a nossa Exposição Orquídeas e Outras Plantas, em Abril, na zona das Palhotas do Jardim Zoológico de Lisboa.

Gosto muito do local mas este ano o S. Pedro estava “de costas viradas” para nós e tivemos alguns dias menos bons, ventosos e desagradáveis. Eu não estava a 100% porque tive uma gripalhada como há muito não me recordo de apanhar. Não ajudou. Felizmente nada depende só de mim e o resto da nossa pequena equipa

trabalhou para que tudo estivesse pronto a tempo e horas, e assim foi.

Aqui deixo um agradecimento especial para os que ajudaram na montagem, sempre o que me custa mais. No primeiro dia fomos só três mas no seguinte já apareceu mais gente para ajudar. A todos os voluntários que ajudaram e que estiveram durante a exposição, e que no final ajudaram a desmontar tudo, o meu muito obrigado. Vocês são uns sócios de primeira categoria.

Também à SIRO e à KB, que patrocinam os nossos eventos e todas as empresas que participam, expõem e trazem os seus melhores exemplares para venda, o meu muito obrigado. Não temos a maior exposição mas temos uma grande qualidade nos expositores presentes, nas plantas que vendem e nos conhecimentos que passam. Todos cinco estrelas O meu agradecimento também aos palestrantes que deram o seu tempo e conhecimentos, tivemos uma boa participação nas palestras e muita gente interessada em aprender mais, o que é sempre muito bom.

A todos os que nos visitaram, o nosso obrigado. Esta foi uma das nossas exposições com mais visitantes. Até à próxima!

Orquídeas Portuguesas

Gennaria diphylla

Por Américo Pereira

A Gennaria diphylla, também conhecida como satirião-de-duas-folhas, é uma espécie autóctone em Portugal, no continente e no arquipélago da Madeira.

Habitat: preferencialmente em locais com alguma sombra, podendo, contudo, estar presente em locais completamente expostos ao sol. Pode desenvolver-se em substratos algo ácidos ou alcalinos e mesmo arenosos. É observada em pinhais, azinhais, sobreirais ou na orla de matos e ou pequenos arbustos.

Morfologia: é uma planta geófita, completamente amarela-esverdeada, com um caule entre os 10 e os 50 cm e duas folhas alternadas, não maculadas, de cor verde brilhante, largamente cordiformes e dispostas bem acima da base do caule, sendo a superior bem mais pequena do que a que está disposta mais abaixo, com nervuras longitudinais bem visíveis e algumas transversais mais finas. A inflorescência alongada possui brácteas mais curtas do que as flores, formando uma espiga densa, com quase todas as flores dispostas unilateralmente, com 10 a 45 flores pequenas e campanuladas, autógamas (que se auto fecundam), podendo ter perfume durante a noite.

Época de floração: sendo uma das nossas orquídeas silvestres mais precoces, a época de floração estende-se pelos meses de Janeiro, Fevereiro e Março, tendo em conta as condições climáticas de cada ano e a área geográfica onde se manifesta, mais a norte ou mais a sul.

, (Link) Parl .

Distribuição geográfica em Portugal: a área de distribuição desta espécie estendese desde o centro ao sul de Portugal Continental (do Parque Natural das Serra de Aire e Candeeiros até ao Algarve), com maior predominância nas zonas costeiras, incluindo a floresta de Laurissilva da Ilha da Madeira e de Porto Santo, onde é, em alguns locais, algo abundante.

Bibliografia:

DELFORGE, P. (2016) – Guide des Orchidées d’Europe, d’Afrique et du Proche-Oriente – 4e Edition. Delachaux et Niestlé S. A. – Paris POWO – Plants of the World Online

Dendrobium Nobile

O Método Yamamoto

Por José M. M. Santos

Jiro Yamamoto começou a sua história com os Dendrobium após a 2ª Guerra Mundial, com 24 anos. Apesar de trabalhar na produção agrícola do seu pai, no cultivo de arroz e trigo, que eram essenciais nos pós-guerra, quando havia uma grande escassez de alimentos, conseguiu ter a visão de que, um dia, no futuro, a vida iria ser melhor e as pessoas já não iriam ter de se preocupar com os alimentos e começariam também a dar mais valor a

outros produtos, não essenciais, menos importantes e mais ligados à beleza, que os fizessem sentir bem e que pudessem exibir… como por exemplo, as flores.

“Neste momento, o Japão sofre com a escassez de alimentos, e basta cultivar arroz e trigo, mas certamente, quando nos recuperarmos, chegará o momento em que poderemos incorporar flores nas nossas vidas e decorá-las.”

Dendrobium Nobile ‘Sunny Eyes’

Em 1951, Jiro Yamamoto ficou deslumbrado com a beleza de uma flor que viu numa foto da capa da revista “Reader’s Digest” O título do artigo era “Cattleya, A Rainha das Flores”. Esse artigo foi para ele como uma revelação divina pois foi nele que ficou a conhecer as Orquídeas

Nessa altura as orquídeas eram muito raras e caras Depois de muito procurar, encontrou um exemplar à venda numa florista, mas o seu preço era muito acima das suas posses e assim, todos os dias, depois do trabalho, Jiro pegava na sua bicicleta e ia até à florista onde ficava a admirar a orquídea exposta na montra Essa orquídea era um Dendrobium de flores púrpura sem qualquer identificação. Com o passar do tempo as flores murcharam e o dono da loja propôs-lhe a compra da planta, já sem flores, por metade do preço. Mesmo sendo ainda um preço muito alto, Jiro comprou a planta que levou para casa com grande felicidade. Mas sem informação sobre os cuidados a ter com a planta, apesar de a manter com uma lâmpada de criar pintainhos e ter todos os cuidados, passaram três anos sem a planta dar uma única flor. Em vez de desanimar, Jiro viu nas suas dificuldades o desafio de cultivo destes Dendrobium e uma oportunidade de entrar no mercado da horticultura

E assim começou a interessar-se por orquídeas, pelos Dendrobium, e começou a cultivá-las numa pequena estufa de madeira, nos intervalos do seu trabalho na agricultura. Numa época em que os preços das orquídeas as tornavam plantas de uma elite muito restrita, o seu objetivo era conseguir melhorar as plantas com cruzamentos, de modo a tornálas mais apetecíveis, mais resistentes e mais baratas. “Quero decorar as janelas de todo o mundo com bonitos Dendrobium.”, afirmava.

Para obter novos exemplares e conhecimento, ele e a mulher, Satoko, iam todas as semanas de bicicleta até à estação e

Jiro Yamamoto

faziam uma viagem de 12 horas até ao mercado das orquídeas de Tóquio onde havia muita troca de informações entre revendedores

E foi o trabalho de uma vida com cerca de 70 anos dedicados às orquídeas e à sua empresa, a Yamamoto Dendrobiums. Uma dedicação que teve muitos opositores, começando pelo seu próprio pai que ameaçou várias vezes destruir a sua pequena estufa de madeira O seu cultivo de “flores que ninguém conhecia” não lhe dava muita reputação e foi necessária uma intervenção da mãe, a seu pedido, para acalmar a raiva do pai Também dentro do mercado de floricultura as suas ideias de produzir orquídeas massivamente para as tornar mais baratas e acessíveis a todos não eram bem vistas. Na indústria da floricultura as orquídeas eram flores raras, caras e só acessíveis a alguns privilegiados e não seria um cultivador rural que ia alterar tudo. Mas com muita resiliência e trabalho, Jiro Yamamoto alterou para sempre o mercado das orquídeas em todo o mundo.

Jiro Yamamoto faleceu em 2022 com 95 anos e o seu trabalho foi tão importante que 80% dos híbridos cultivados atualmente foram criados por ele Durante a sua vida fez mais de 4000 cruzamentos e tem na lista de híbridos da Royal Horticultural Society (RHS) mais de 600 variedades registadas com o seu nome A qualidade e superioridade dos seus híbridos é reconhecida no mercado global e são conhecidos como Dendrobium “tipo Yamamoto” ou Dendrobium Yamamoto, como se fossem um grupo separado de Orquídeas.

Durante a sua vida dedicada aos Dendrobium, Yamamoto recebeu muitos prémios e galardões, tanto no Japão como a nível mundial. Em 1969 recebeu um prémio na prestigiada Royal Horticultural Society e em 1974 recebeu a Taça do Imperador, o mais alto louvor que pode ser concedido a alguém na área da agricultura. Esse prémio, atribuído pelo departamento de Agricultura, Florestas e Pescas japonês, deu-lhe também o direito a uma audiência com o Imperador Showa, no palácio Imperial O pai de Jiro Yamamoto nunca se mostrou muito orgulhoso dos feitos do filho, mas o reconhecimento pelo Imperador fê-lo finalmente compreender a importância do seu trabalho.

Den. Wonderful Smile 'Pink Butterfly’ (Den. Chanson x Den. Medalist)

Atualmente, grande parte dos Dendrobium “tipo nobile” que encontramos à venda no nosso país, a maior parte cultivados na Holanda, são variedades desenvolvidas por Jiro Yamamoto e vendidas para todo o mundo.

Caracterizam-se por serem plantas fortes, com pseudobolbos alongados e eretos, chegando aos 30 cm, com folhas verdes e arredondadas, as flores crescem junto aos pseudobolbos em grupos de 2 a 5 flores, ronda os 7 cm de diâmetro e podem ser encontradas numa grande variedade de cores, entre brancos, amarelos, laranjas e várias tonalidades de rosa. Para além das muitas variedades por si criadas, Yamamoto trabalhou durante anos para melhorar os caules das flores para que fossem mais fortes e para que a queda das flores não acontecesse e também na durabilidade das flores. Atualmente alguns dos seus híbridos mantém as suas florações durante 2 a 3 meses.

O método de cultivo que desenvolveu, hoje chamado de método Yamamoto, é simples e efetivo, colocando as plantas em três etapas de desenvolvimento:

A primeira, quando são pequenas plântulas e são cultivadas em pequenos vasos de 5 cm, normalmente só em musgo. Este período vai até ao desenvolvimento de um segundo pseudobolbo. Sempre com temperaturas acimas dos 18ºC e humidade alta.

A segunda etapa, após o reenvasamento para um vaso de 8 cm, com fibra de coco ou uma mistura para epífitas (fibra de coco + casca de pinheiro fina) e quando o novo pseudobolbo cresce até ao desenvolvimento máximo, deixando de ter folhas no topo, e ficando pronto a florir. As plantas devem ser mantidas sempre acima dos 18ºC, com luz intensa sem sol direto e regas com fertilizante de crescimento, rico em azoto. No segundo ano da planta esta irá desenvolver um ou mais

Den. Yasuko Dream ‘Magic’ (Den. Spring Bird x Den Yasuko Sugiyama)

pseudobolbos. Deveremos retirar os mais pequenos e dar a nossa máxima atenção ao mais desenvolvido

A terceira etapa será a preparação da planta para iniciar a floração. Nesta fase a planta deverá ter 3 pseudobolbos de tamanhos diferentes, o primeiro, mais pequeno e sem significado para a floração, os dois seguintes já maiores, principalmente o último. Após o crescimento total dos pseudobolbos, até não terem mais folhas apicais (no topo do pseudobolbo), as plantas estão prontas para florir.

Para estimular a floração deverá haver uma descida de temperaturas, durante 25 noites, abaixo dos 13ºC. As regas também deverão ser reduzidas nesta temporada mais fria Após este período, as plantas devem ser colocadas novamente num local em que as temperaturas mínimas fiquem pelos 18ºC e as máximas nos 25ºC, voltam-se a aumentar as regas e a fertilização deverá ser com menos Azoto e

com maior percentagem de Fósforo e Potássio.

Se tudo correr bem, as nossas plantas deverão estar floridas daí a 50 dias.

Para uma melhor apresentação e efeito visual, é frequente a junção no mesmo vaso ou taça, de plantas em botão que, ao abrirem as suas flores em simultâneo, resultam num espetacular arranjo, muito colorido e muito decorativo.

Conferência Mundial

Este foi um evento que movimentou muita gente e que reuniu, na bonita cidade alemã de Dresden, o que de melhor encontramos pelo mundo da orquidofilia. Um objetivo comum, o hobby, o conhecimento e o cultivo de Orquídeas.

Foi uma semana que ficará na memória de muita gente que visitou ou esteve envolvida na organização da WOC 26 – World Orchid Conference, um evento que foi orientado WOC Trust, pelo EOC – European Orchid Council (Concelho Europeu de Orquídeas) e organizado pela D.O.G. – Deutsche Orchideen Gesellschaft, a associação alemã de orquídeas

A WOC 2026

Estas conferências mundiais são organizadas desde 1954, a cada três anos, e já aconteceram em locais tão diferentes como St. Louis, Honolulu, Londres, Tóquio, Rio de Janeiro, Guaiaquil e Sidney, entre muitos outros países. Na Europa ainda só tinha acontecido três vezes, a mais recente há 20 anos, en Dijon (França) e na Alemanha, há cinquenta anos. Assim, esta edição era aguardada com grande expectativa e estava a

ser organizada e promovida com grande entusiasmo pela associação alemã.

A associação D.O.G. existe na Alemanha desde 1906 e tem o objetivo de promover a orquidofilia e torná-la acessível a todos os entusiastas. Tem cerca de 2200 sócios muito diversificados e que podem ser, desde simples admiradores destas plantas, a cultivadores com meia-dúzia de plantas no parapeito da janela até colecionadores acérrimos que cultivam as suas plantas em estufas de clima apropriado para estas plantas. Colecionadores de selos de orquídeas, cineastas e fotógrafos botânicos estão ao lado de cientistas, cultivadores de larga escala, importadores e floristas A paixão é comum e reúne muita gente. Esta associação está também ligada e colabora com diversas outras instituições botânicas de todo o mundo

Cada Conferência Mundial resulta da submissão de uma proposta que é apresentada e aprovada pelo WOC Trust onde uma ou por vezes várias associações unidas se propõem a organizar o evento. Falando em números, esta conferência reuniu os melhores oradores sobre os mais variados temas ligados às Orquídeas em 70 palestras que atraíram uma vasta audiência de mais de mil participantes vindos de 56 países diferentes.

A Exposição e venda reuniu cerca de uma centena de stands entre viveiros alemães e internacionais, assim como instituições botânicas e ocupou uma área de 5000 m2 no centro de exposições de Dresden. Num total, este evento atraiu 56,000 visitantes nos cinco dias, atribuiu 640 prémios, tanto a plantas individuais como a apresentações e exibições. Uma exposição de arte botânica apresentou

cerca de 50 trabalhos dos melhores artistas contemporâneos e muitos deles estiveram presentes com demonstrações e workshops.

Nos trabalhos expostos esta ilustração de uma Aerangis ellisii de Deborah Lambkin foi a grande vencedora.

E depois as plantas, milhares e milhares de orquídeas de todos os tamanhos, cores e formas, desde as mais conhecidas e comerciais até às espécies, raras, exemplares extraordinários com dezenas de anos, novos híbridos nunca vistos, coleções fabulosas em exibição, as novas tendências, plantas pelóricas, de folhas variegadas, flores enormes, perfumadas, uma quantidade e qualidade extraordinária que deixou os visitantes extasiados com tanta diversidade e beleza.

Dendrobium da Secção Formosae Cymbidium (Harriet Ishitani x devonianum) ‘Exotic’

Miltoniopsis Paphiopedilum micranthum

Como já aconteceu em outras exposições anteriores, desde a Mundial, em Guaiaquil (Equador), assim como as exposições europeias de Budapeste, Londres, e Paris, tem havido uma delegação portuguesa a visitar estes eventos. É uma forma de expandirmos os nossos horizontes, aprendermos com os nossos pares internacionais e conhecermos mais sobre as orquídeas. Desde 2009 que eu organizo as viagens Greentrips, para viajantes que gostem de plantas e, especialmente de orquídeas, são viagens culturais, mas também botânicas que, em 17 anos, já nos levaram a muitos lugares distribuídos pelo nosso belo planeta.

E numa exposição mundial aqui pertinho, na nossa Europa, não poderíamos faltar. A maior parte do nosso grupo de visitantes são membros do C.O.P.

e muitos deles já fizeram várias viagens comigo. Numa viagem deste tipo, há sempre quem tenha só um ligeiro interesse por plantas, especialmente os cônjuges ou familiares dos orquidófilos que vão como acompanhantes e o seu interesse é mais pelas cidades, pelas culturas, museus, do que propriamente pelas plantas.

Assim, porque nem só de plantas se tratam as Greentrips, iniciámos os nossos cinco dias de passeio por um tour cultural em Berlim, uma cidade sempre bonita, de onde seguimos em autocarro privado para Dresden. A cidade de Dresden é uma cidade muito bonita, com belos monumentos, museus e palácios, as cervejarias típicas são bons restaurantes e é uma cidade onde facilmente se anda a pé, se vê as vistas e se visitam os locais de interesse cultural.

Foi o que fizemos e aqui o grupo dividiu-se, todos visitaram a exposição de orquídeas, mas um grupo ficou satisfeito com uma manhã passada na feira e outros – os orquidoidos – preferiram estar dois dias inteiros com as orquídeas. Assim foram organizadas visitas alternativas e guiadas à Ópera, ao Palácio Zwinger e à zona mais antiga da cidade. A exposição e venda de plantas no congresso de orquídeas decorreu durante cinco dias inteiros, dos quais nós estivemos presentes nos dois primeiros e fomos ainda à Noite das Orquídeas, um evento mais de confraternização que acontece na Sexta-feira à noite e onde temos tempo para conversar, beber uma bebida, há música ao vivo. Um momento mais calmo onde se pode desfrutar de outra forma as orquídeas. E é muito bom porque sem as multidões durante o dia, conseguimos rever amigos, conversar um bocadinho, tirar fotos, confraternizar, e foi muito bom.

E o grupo português teve ainda oportunidade de visitar a bela cidade de Praga, no caminho o Parque Prüonichý onde a Primavera despertava e em Praga, para além de toda a parte histórica, ainda fomos ao Jardim Botânico visitar a estufa da Fada Morgana que estava linda e cheia de plantas extraordinárias.

Das plantas vencedoras do WOC 2026, destaco uma Myrmecocattleya Bordighera ‘Carlo’, um híbrido primário de Cattleya intermedia e Myrmecophila tibicinis, que ganhou vários prémios, entre eles o de melhor planta do show. Esta planta, de um orquidófilo italiano, era tão grande que tiveram de desmontar uma parede da estufa onde ela estava há mais de 20 anos para a tirar e levar à exposição. Demorou 19 horas a chegar a Dresden, mas todo o trabalho valeu a pena porque foi galardoa-

da a grande vencedora. Outros exemplares também deslumbrantes, um Paphiopedilum Houghtoniae, um híbrido histórico e multifloral de Paphiopedilum haynaldianum com Paphiopedilum rothschildianum, ganhou o melhor híbrido e um belíssimo Angraecum sesquipedale foi premiado como a melhor espécie.

Myrmecocattleya Bordighera ‘Carlo’
Paphiopedilum Houghtoniae

Angraecum sesquipedale

Foi uma belíssima exposição, difícil de superar, mas já está agendado o próximo Congresso Mundial para 2029, em Tóquio, no Japão, e se há alguém que consegue ter exemplares mais fantásticos e deslumbrantes são os orquidófilos japoneses. Uma visita a este evento será uma belíssima forma de celebrar os 20 anos das viagens Greentrips.

Se tiverem curiosidade em ver mais fotos e um vídeo que filmei deste evento, vão à página do Clube dos Orquidófilos de Portugal (http://www.clubeorquidofilosportugal.pt) ou na minha página pessoal (https://josemmsantos.com/) e redes sociais onde encontram muito para admirar.

Myrmecocattleya Bordighera ‘Carlo’ BEST IN SHOW

Entrevista Sara Machado

Na passada exposição do C.O.P., no Jardim Zoológico, em Abril, os visitantes tiveram a oportunidade de admirar os trabalhos de ilustração de orquídeas da Sara Machado. Foram muitos os trabalhos que estiveram em destaque a decorar a área de exposição das plantas dos associados e a Sara também esteve presente com um stand onde expôs e vendeu os seus trabalhos

Com a junção de todas as imagens que ilustrou, a Sara elaborou um magnífico poster que esteve em exibição no nosso evento e que, com a sua autorização, reproduzimos uma parte como capa deste jornal

Quisemos conhecer um pouco mais a Sara e o seu trabalho e estivemos à conversa, resultando na entrevista que passamos a transcrever.

Como e quando na tua vida descobriste os desenhos e a pintura? Foste influenciada ou encorajada por alguém?

Desde pequena que os meus pais tinham de andar sempre com canetas e lápis para trás e para a frente, porque eu não queria brincar com mais nada. Passava horas a desenhar, tinha imensos livros para colorir, mas rapidamente evoluí para desenhar os meus próprios desenhos para colorir. Das memórias mais antigas que tenho, são da minha mãe a cozinhar e eu na mesa ao pé dela muito quieta a desenhar com aguarelas. Por isso esta paixão foi muito suportada pelos meus pais, e quando lhes disse que queria ir para artes eles não estranharam, nem estavam à espera de outra coisa

No 8º ano de escolaridade, estava meio perdida e não sabia o que queria seguir no

secundário, mas tive a sorte de ter uma professora de educação visual muito querida que nos incentivava a desenhar por nós próprios todos os dias Ao início não me apetecia muito, mas voltei a tomar-lhe o gosto e melhorando a minha técnica e desde aí que não voltei a parar

Como surgiu a coleção das orquídeas? E porquê Orquídeas? Tens Orquídeas?

Quando comecei a pós-graduação em ilustração científica, um dos nossos trabalhos era pegar numa família e fazer um projeto à volta dela. Tinha tanta liberdade de escolha que estava sem saber o que fazer, pedi à minha namorada para me dizer o que devia desenhar e ela sugeriu as orquídeas. Foi assim que começou este projeto, virei-me para a minha orquídea e desenhei-a… e depois mais 37.

Que técnicas foram utilizadas nestes trabalhos?

Para este trabalho usei apenas aguarela, que costuma ser o meu material de escolha.

Houve algum gosto especial pela ilustração botânica ou tens algum interesse em ilustração científica?

Sempre gostei mais de desenhar natureza do que qualquer outra coisa, também foi por isso que procurei continuar os meus estudos com uma pós-graduação.

Esses trabalhos já tinham sido expostos antes da nossa exposição?

Não, ainda nunca tinham sido expostos.

E quais foram as reações do público?

A receção foi muito positiva! Quase toda a gente que passou por lá parava e ficava a apreciar os desenhos. Também tive o prazer de vender alguns originais e umas reproduções.

Dentro da pintura ou artes plásticas, fazes outros tipos de trabalhos?

Sim, faço de tudo um bocado Licenciei-me em arte Multimédia com especialização em animação na faculdade de Belas artes. Pinto com meios tradicionais, como acrílico, aguarela, guache, carvão e óleo, e também com meios digitais.

O que gostas mais de pintar?

Gosto muito de fazer ilustração científica e nos últimos tempos tenho me focado muito mais nessa área, mas continuo a adorar fazer personagens e ilustrar histórias que invento Também recentemente entrei no mundo dos jogos e da animação para jogo.

Vês a pintura no teu futuro?

Sem dúvida nenhuma, pintura é o meu futuro, se a vida assim o permitir. Espero conseguir continuar a produzir arte e a partilhá-la com o mundo

O que achas interessante revelar sobre o teu trabalho que não foi dito?

Que planeio ampliar o projeto, continuá-lo e adicionar mais ilustrações à coleção e quem sabe transformá-la num livro!

Podem seguir a Sara Machado em várias plataformas em: flow.page/merwannabe

Paphiopedilum henryanum

Os Vencedores Na Exposição de Abril

Realizou-se nos dias 10, 11 e 12 de Abril a nossa Exposição Orquídeas e Outras Plantas, no Jardim Zoológico de Lisboa e foi uma das mais visitadas de sempre.

Agradecemos a todos os que nos visitaram e a todos os que disponibilizaram o seu tempo para ajudar durante o evento, e principalmente os que trouxeram as suas plantas para a mesa de exposição das orquídeas dos associados.

Foram 13 associados que, ao emprestarem as suas plantas floridas, permitiram que a exposição dos associados se realizasse com 90 plantas expostas e que, como é habitual, fizéssemos também o nosso concurso onde são escolhidos e premiados os melhores exemplares expostos. É um concurso amador mas é sempre do interesse dos visitantes observarem as plantas que foram premiadas. Há sempre curiosidade e, apesar de existir

uma competição saudável, sem grandes disputas, é um concurso no qual gostaríamos que participassem mais associados. Não deveria haver vergonha, se é essa a razão, de expor as suas plantas e de entrar na competição, que é amigável e sem qualquer ganho que valha a pena alguma rivalidade Lembramos que os associados só entram na competição se assim o desejarem, podendo as plantas ser expostas mas não entrar a concurso.

Os júris são sempre convidados pelo C.O.P. e procuramos alguém que seja conhecedor das plantas, e que tenha experiência com orquídeas. Este ano pedimos à equipa da Flora Henriques para escolher os melhores exemplares de entre as plantas expostas. Os nossos agradecimentos por terem concordado participar como nossos júris E assim, esta foi a lista dos vencedores da Primavera de 2026.

Best In Show – Melhor Exemplar

Cattleya intermedia orlata ‘Rio’, da Florinda Lopes

Melhor Espécie

1º - Jumellea arachnantha, do Wingarden.

2º - Cymbidium aloifolium, do Wingarden.

3º - Coelogyne cristata, da Margarida Henriques.

Melhor Híbrido

1º - Dendrobium New Guinea, do Wingarden.

2º - Cymbidium Memoria Amelia Earhart, da Dora Russo.

3º - Dendrobium Memoria Christa Erdmann, do Wingarden.

Melhores Miniaturas

1º - Aerangis hildebrandtii, da Susana Cravo.

2º - Dendrobium striolatum, do Luís Gonçalves.

3º - Coelogyne wenzelii, da Conceição Bernardes.

Menções Honrosas

Dendrobium speciokingianum, do Wingarden.

Gongora atropurpurea, da Cristina Neves

Masdevallia caesia, da Susana Cravo

Cattleya intermedia orlata ‘Rio’
Cymbidium Memoria Amelia Earhart e Dendrobium speciokingianum
Dendrobium New Guinea (Dendrobium macrophyllum x atroviolaceum)
Aerangis hildebrandtii
Coelogyne cristata
Masdevallia caesia
Cymbidium aloifolium e Dendrobium Hilda Poxon

Biblioteca

ORQUIDÓFILA

LINDENIA: ICONOGRAPHY OF ORCHIDS

Autor: Jean Jules Linden

Editora: Naturalia Publishing 5 Volumes 2300 páginas. Escrito em inglês.

Já tinha escrito nesta revista (Vol. 2, Nr. 10 de 2015) sobre o livro JEAN LINDEN, Explorer Master of the Orchid, de Nicole Ceulemans, uma bonita e interessante biografia ilustrada de Jean Jules Linden, um botânico e explorador belga, nascido em 1817 que se dedicou às orquídeas e revolucionou os métodos de cultivo das orquídeas na Europa do séc. XIX.

Durante a sua vida, Jean Jules Linden documentou centenas de orquídeas que iam sendo recolhidas na natureza, nos mais diversos locais do mundo e que

eram depois trazidas para a Europa onde se tentava o seu cultivo e floração.

As descrições de muitas destas orquídeas, muitas delas descritas pela primeira vez, continham detalhes preciosos para quem tentava cultiva-las em condições muito diferentes das dos seus habitats naturais. Eram plantas raríssimas e de grande valor e estas informações, que continham descrições das plantas, os lugares de descoberta e recolha desses exemplares, bem como registos sobre a aclimatação na europa e a sua difusão pelos jardins botânicos ou grandes colecionadores, eram preciosas pois delas podia depender o sucesso da sua manutenção.

Estes textos, acompanhados de ilustrações botânicas feitas no locais, eram representações fieis dos exemplares encontrados, geralmente a aguarela. Foram publicados durante muitos anos em forma de revista mensal, mesmo após a morte do seu patrono, pelo filho Lucien Linden, em colaboração com outros botânicos.

No final, a compilação de todas estas revistas botânicas denominadas de Lindenia, foram reunidas em 17 volumes.

Estes 5 volumes que aqui vos mostro são as reedições dos primeiros 5 volumes dessa obra extraordinária.

Esta reedição está muito cuidada e reproduz com fidelidade os textos da época escritos por Jean Linden e colaboradores. Os cinco volumes têm capa dura e capa de proteção decorada com uma imagem da capa original e fazem, no seu conjunto, um total de 2300 páginas e 814 ilustrações de grande qualidade. Estes cinco volumes representam as edições de

1885 a 1906 e estão distribuídos da seguinte forma: Volume I, de 1885 a 1888; Volume II, de 1888 a 1891; Volume III, de 1891 a 1894; Volume IV, de 1894 a 1898; Volume V, de 1898 a 1906.

É uma obra interessantíssima, uma autêntica enciclopédia de orquídeas. O que mais gosto, para além das fabulosas ilustrações botânicas, que estão lindíssimas, são os detalhes e conselhos de cultivo para cada espécie.

É de referir que, sendo uma reedição fac-símile, estes volumes são uma reprodução exata dos originais, logo, muitas identificações não estão atualizadas.

A mesma editora fez uma reedição limitada e numerada de um livro mais pequeno, de 155 páginas denominado PESCATOREA – ICONOGRAFIA DAS ORQUÍDEAS, também de Jean Linden, com a colaboração de J. E. Planchon, G. Reichenbach fil. e G. Luddemann que foi impressa originalmente em 1860 e aborda descrições de orquídeas e respetivas ilustrações desde 1854 a 1860 e é dedicada ao Sr. J. P. Pescatore, descrito no prólogo, como possuidor de uma fortuna colossal, grande promotor da horticultura e possuidor da maior coleção de orquídeas do continente europeu.

O Sr. Pescatore faleceu inesperadamente com 62 anos. A primeira espécie descrita neste volume é o Odontoglossum pescatorei, nome dado a esta orquídea por Jean Linden em honra do Sr. Pescatore.

Para quem se interesse por história das orquídeas, ilustrações botânicas ou cultivo de Orquídeas, estas obras são essenciais.

Capas das obras LINDEN e PESCATOREA. A minha edição da primeira é em inglês e da segunda é em português.

Clube dos Orquidófilos de Portugal

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