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Jornal do Orquidofilo Nr. 20 - 2020

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Volume 6 – Nr. 20

Primavera de 2020

Propriedade do Clube dos Orquidófilos de Portugal®

Este jornal é distribuído a todos os sócios do Clube.

José M. M. Santos jose.santos.orquideas@gmail.com

Américo Pereira

Ana Pereira

Dora Russo

Fernando Cecílio

Florinda Lopes

Liz Johnson

Madalena Pereira

Roland Brooks Cooke

Rossana Teresa

Assunção

clubeorquidofilosportugal@gmail.com

Bem-vindos!

Estimados associados,

O ano de 2019 foi, por várias razões, um ano em que não receberam a nossa revista e pelo facto pedimos as nossas desculpas!

As razões são muitas, desde a doença do editor até à falta de material e aos elevados custos que acarretam a publicação e distribuição de um exemplar de cada revista editada

Não vamos deixar de as publicar mas, até a associação estar mais confortável a nível monetário, não conseguiremos cumprir com os 4 exemplares por ano.

Na Exposição de Orquídeas de Viena de Áustria – Fev. 2020.

E outros ajustes irão ser feitos. A associação está a amadurecer. Está no bom caminho e há mudanças que terão de ser feitas e que serão, com certeza, para melhor. Em breve faremos a nossa Assembleia Geral e alguns assuntos terão de ser discutidos e decisões tomadas.

A primeira alteração foi já aplicada. Optámos por um cartão de sócio, em tudo semelhante aos anteriores mas em cartão. A mesma beleza, mais ecológico e com menos gastos para o Clube.

Também as duas exposições locais em que participávamos como convidados, a Exposição de Camélias e Orquídeas de Sintra e a Exposição de Orquídeas de Rio Maior foram ambas canceladas pela organização. Teremos que pensar se vale a pena fazer mais exposições ou fazer outros eventos diferentes como é também a nossa participação nos JARDINS ABERTOS e foi a nossa participação, em colaboração com o Wingarden, na Exposição de Jardins Mediterrâneos, no Algarve.

E de resto achamos que temos aqui uma revista bastante interessante, com temas variados e apaixonantes sobre o mundo das orquídeas. Novamente com 44 páginas cheias de bons assuntos para disfrutar, aprender e partilhar um pouco mais sobre esta nossa paixão Escrevam-nos e comentem se gostaram ou não. Raramente temos algum retorno e a revista dá muito trabalho a fazer. Por vezes ficamos sem saber se vale a pena todo este trabalho.

Agradeço a todos os que, com textos, imagens ou ideias, participaram nesta edição.

Saudações Orquidófilas!

O nosso cartão 2020

Epidendrum medusae

Em 2020 deixámos de ter um cartão em plástico e optámos por um cartão, igualmente bonito mas em cartão. O COP também tem preocupações ecológicas e é desnecessário estarmos a fazer cartões de plástico quando o nosso planeta já tem suficiente plástico. É uma “gota de água no oceano” mas toda a ajuda para não poluir mais a nossa “casa” é bem vinda e creio que todos concordarão nesse aspeto.

E a orquídea escolhida para ilustrar o nosso cartão de 2020 é uma bonita imagem antiga de um Epidendrum medusa, uma orquídea muito bonita e ainda pouco cultivada ainda por cá.

O ano passado, os nossos sócios Rossana e António, que vivem na Suíça, postaram uma foto no grupo do Facebook de um exemplar de cor muito estranha e rara.

Diziam eles: “Adquirimos este exemplar num orquidário na Suíça há cerca de dois anos, presenteando-me agora pela primeira vez com uma lindíssima floração com uma variação cromática, neste caso um labelo branco em vez da sua habitual cor lilás.

Está montada numa placa de xaxim à sombra com regas diárias no verão e de dois

em dois dias no inverno. A adubação é semanal com Rain Mix, suspendendo-a no inverno. Necessita para florir de uma temperatura de 15 graus durante a noite e um máximo de 22 graus durante o dia. Deve ter uma boa ventilação e uma humidade de 60-70%. Estamos curiosos para saber que cor apresentará na próxima floração.”

Também estamos curiosos por saber a cor das próximas flores.

Entretanto o José Santos comprou um exemplar à Ecuagenera em Março também do ano passado e em Julho foi surpreendido também com uma primeira floração, este de cor normal, rosa-escuro ou púrpura.

O modo de cultivo destes dois exemplares é, em quase tudo diferente. O primeiro está montado numa placa de xaxim e o segundo foi plantado num vaso de plástico transparente, mas em vez de estar dentro do vaso, pende de um orifício aberto na parede lateral do vaso A planta da Rossana e do António está no interior, com a temperatura controlada e a planta do José Santos está todo o ano no exterior com temperaturas a variar entre os 5ºC no Inverno e os quase 40

Exemplar da Rossana e do António Santos.

no Verão. No segundo caso, o substrato é composto por casca de pinheiro e musgo e mesmo no Inverno recebe alguma chuva quando ela cai. Na Primavera é regado com alguma regularidade e no Verão diariamente. Ambos são adubados com Rain Mix.

Os Epidendrum medusae, antes chamados de Nanodes medusae, foram registados pela primeira vez por Ernst Hugo Heinrich Pfitzer in 1889, o seu nome deve-se, claro, à franja que rodeia o labelo, fazendo lembrar uma medusa ou, mais provavelmente, como uma referência à deusa Medusa da mitologia grega, que tinha serpentes a revestir a cabeça em vez de cabelos.

Estas orquídeas são originárias do Equador e o seu habitat são as florestas húmidas entre os 1800 e os 2700 m de altitude. Crescem de forma epífita, agarrados em troncos os ramos cobertos de musgos.

Apesar de serem consideradas plantas de floração não muito fácil, podemos ver pelos dois exemplos aqui mostrados que são plantas que se adaptam a ambientes variados

tanto em temperaturas como no tipo de plantação.

Assim, são descritas como de temperaturas temperadas a frias, são plantas que gostam de luz brilhante mas sem sol direto. O ambiente deverá ser húmido e seja onde for plantada (montada, em vaso, em cesto de madeira ou outros) deverá estar sempre pendente.

Esperamos que o nosso cartão vos entusiasme para o cultivo desta magnifica orquídea, cheia de personalidade.

Exemplar mais escuro de um orquidófilo norte-americano.
Exemplar do José Santos

Jornal do Orquidófilo

Orquídeas Portuguesas

Spiranthes spiralis,

A Spiranthes spiralis é uma planta pequena, geralmente entre os 6 e os 30 cm, muito raramente mais. Possui caule verde acinzentado, pubescente (coberto de pelos finos e curtos), envolvido por três a sete bainhas. A roseta basal é composta, normalmente, por três a sete folhas glabras (ausência de pelos), glaucas (de cor verde-mar), ovais a elípticas, de comprimento entre os 2 e os 3 a 4 cm. Esta roseta de folhas surge apenas após a floração, ao lado do caule florido, mantendo-se visível por um período relativamente prolongado de tempo ao longo do ano. As suas inflorescências são laxas, helicoidais (tal como o próprio nome da espécie o pressupõe), sendo compostas por 6 a 30 flores pequenas, quase dispostas na horizontal, brancas esverdeadas. O seu labelo é oblongo, canaliculado, amarelo esverdeado e bordado de branco, destacando-se como relativamente longo e formando com a sépala dorsal e as restantes pétalas um tubo campanulado e estreito. As sépalas laterais apresentam-se sempre mais abertas.

É uma espécie pouco abundante, com populações muitos esparsas, podendo ser localmente abundante. Manifesta-se de norte a sul do país em espaços abertos ou com pouca vegetação, geralmente secos, surgindo sempre em solos alcalinos ou pouco ácidos

É difícil de ser observada na natureza quando não está em floração, dado que tem ausência de folhas nesta fase do ano, sendo nesta altura apenas visível o caule e as inflorescências

É a única espécie das nossas orquídeas silvestres, em solo continental, a florescer no Outono De acordo com os diferentes locais onde se manifesta, podemos apreciar as suas belas florações a partir do final do Verão (primeira quinzena de Setembro), prolongando-se estas pelo Outono, durante os meses de Setembro, Outubro e Novembro. ✿

Bibliografia:

DELFORGE, P. (2016) – Guide des Orchidées d’Europe, d’Afrique et du Proche-Oriente – 4e Edition Delachaux et Niestlé S. A. – Paris

Monteiro, J A Brites (2016) – Orquídeas Silvestres de Portugal – Guia de Campo Edição de Autor

Fotos captadas no Parque Natural Litoral Norte –Esposende, em Cantanhede e Serra do Marão.

Cultivar Bulbophyllum

A forma como cultivamos as nossas orquídeas resulta da interação entre três factores: as condições de que dispomos (clima no local de residência, local de cultivo, controle de ambiente, tempo disponível, etc.), as necessidades ambientais das plantas (exigências de temperatura, luz e humidade) e suas características (dimensões da planta, rizoma e folhas, tipo de raízes e hastes florais, etc.).

O que é um facto é que, em número de espécies, este é o maior Género das Orchidaceae. É, também, o Género com mais vasta área de distribuição na Natureza, estando presente nas regiões tropicais e/ou subtropicais de quatro continentes

(América, África, Ásia e Oceânia), onde ocupa habitats muito diferentes, desde o nível do mar até às altas montanhas. Por tudo isto, torna-se evidente que existem espécies de Bulbophyllum com exigências culturais muito diferentes, e a informação sobre a ecologia de cada espécie é indispensável para uma cultura bemsucedida!

São difíceis? Como em tudo: depende! As espécies mais frequentes em cultura são relativamente fáceis (é por isso que são as mais frequentes…) mas existem espécies que foram descobertas há pouco tempo e sobre as quais ainda não há grande informação (o que aumenta o risco

de maus resultados) e outras que muitos orquidófilos já tentaram cultivar e que ganharam a fama de difíceis. Em relação a estas últimas, e com os erros típicos de qualquer generalização, podemos aconselhar que, para quem quiser começar a colecionar este género, não comece com espécies da secção

Macrocaulia, a não ser que consiga proporcionar temperaturas baixas durante o Verão, que evite a secção

Beccariana se não pode dispõe de muito espaço, calor no Inverno e humidade ambiente permanentemente acima dos 80%, e que fuja das secções Epicrianthes e Porpax, que começam a aparecer no comércio apesar de ainda serem muito mal compreendidas, e que

Bulbophyllum (Epicrianthes) davidii uma espécie muito frágil (foto F. Cecílio)

parecem permanentemente sujeitas ao síndroma da “morte súbita inexplicável”. Discutiremos primeiro as espécies de folha persistente, que constituem a esmagadora maioria do Género e a que se aplicam os comentários que se seguem, deixando para o final as espécies de decíduas e semi-decíduas, para cuja cultura teremos de ter em conta fatores específicos.

Temperatura

Os Bulbophyllum vivem em habitats quentes, intermédios ou frios. É fundamental ter informação sobre as zonas geográficas onde crescem as espécies que pretendemos cultivar, mas temos de ter cuidado com a informação muito simplificada sobre temperaturas que algumas fontes fornecem.

As temperaturas ambientes que os relatórios meteorológicos fornecem são medidas ao nível do mar, mas a maioria das espécies de Bulbophyllum não vive ao nível do mar, mas sim nas colinas e montanhas, onde a altitude faz com que as temperaturas sejam mais baixas: em cultura, muitos destes Bulbophyllum seriam excelentes companheiros para Masdevallias Notamos frequentemente que muitas espécies (especialmente miniaturas) abrandam ou param o seu crescimento durante o Verão. Nestas alturas, as flores já abertas duram menos dias e um ou dois dias de temperaturas mais elevadas são o suficiente para fazer abortar os botões florais que a planta produziu Devemos, portanto, procurar informação sobre o clima em que, na Natureza, crescem as espécies que pretendemos cultivar: particularmente importante é a informação sobre a latitude e altitude De uma forma grosseira, quanto mais afastado do Equador e quanto maior

Bulbophyllum (Macrocaulia) hirsutum detesta calor no Verão (foto F. Cecílio)

Bulbophyllum (Lepidorhiza) carunculatum em vaso coberto de esfagno (foto F. Cecílio)

a altitude a que vive uma determinada espécie, mais baixas deverão ser as temperaturas de cultivo. Uma planta do Norte da Índia pode não suportar as temperaturas altas que seriam necessárias para cultivar uma espécie da Tailândia ou Malásia De igual forma, uma planta que vive, na Natureza, ao nível do mar, por

exemplo, algures nas Filipinas, suportará (e exigirá) temperaturas altas, que matariam uma espécie que vive exatamente na mesma ilha, mas nas montanhas, a 1500 metros de altitude.

É esta informação que nos vai permitir evitar desilusões: em primeiro lugar, ajudando a escolher as espécies que mais facilmente

Jornal do Orquidófilo

conseguiremos manter nas condições de cultura de que dispomos, e, num segundo passo, escolhendo, no nosso local de cultivo, em que sítio específico a vamos colocar.

Luz

Os Bulbophyllum são plantas epífitas de floresta e vivem na Natureza fixos aos ramos, à sombra das copas das árvores Esta informação tem implicações na forma como cultivamos as nossas plantas: vemos, desde logo, que precisam de locais com baixa luminosidade.

Para situar as nossas plantas devemos procurar um local com baixa intensidade de luz, um pouco menos que a adequada para as Phalaenopsis. Isto é particularmente importante numa estufa para as plantas em cestos ou montagens, que tendemos a pendurar, aproxi -

mando-as do tecto onde a luz é mais forte. Se forem submetidos a luminosidade exagerada abrandam ou param o seu crescimento e facilmente sofrem queimaduras nas folhas, que enfraquecem as plantas e funcionam como portas de entrada para infeções.

Rega

Vemos por vezes fotos de Bulbophyllum cultivados em substratos de casca grossa, como se fossem Cattleyas. Está errado. Quando observamos as plantas nessas fotos vemos que a maioria dos pseudobolbos antigos estão mirrados por desidratação e as raízes estão fora do substrato, reduzindo a capacidade de a planta absorver água

Os Bulbophyllum precisam de boa drenagem, mas de muita água. São um dos muito poucos géneros de orquídeas em que podemos

seguramente dizer que, se tivermos dúvidas, o melhor é regar mesmo… Em comparação com muitas outras orquídeas, na esmagadora maioria das espécies as suas raízes são curtas, rijas e quebradiças, e quase não ramificam Precisam de estar dentro do substrato para prolongar o tempo de absorção de água, como acontece na Natureza, em que crescem por dentro do musgo que cobre os troncos das árvores em que se fixam Sendo plantas de raízes curtas, não precisam de vasos profundos.

É normal que os pseudobolbos de algumas espécies de Bulbophyllum funcionem como reservatórios de água, inchando e desinchando consoante o estado de hidratação da planta, mas este processo não pode ser muito marcado ou muito prolongado sob pena de os pseudobolbos deixarem se ser capazes de reabsorver água e acabarem por secar, enfraquecen –

Sinal de perigo (ver texto): novo crescimento de Bulbophyllum (Beccariana) monstrabile (foto F. Cecílio)
Bulbophyllum (Sestochilus) facetum em tabuleiro coberto de esfagno (foto F. Cecílio)

do a planta Para além do referido, note-se que muitas espécies deste Género têm folhas com limbo grande, que perdem muita água por transpiração, e pseudobolbos muito reduzidos, com pouca capacidade de armazenamento de água, o que mostra que não estão adaptadas a períodos de secura prolongados. Para conseguir estas condições muitos dos maiores especialistas e colecionadores usam esfagno. Os vasos são cheios com três camadas de materiais diferentes: uma camada de drenagem no fundo, uma camada de um composto normal bem drenado, mas que inclui componentes capazes de reter boas quantidades de água, e, à superfície, uma camada de 3 a 5cm de espessura de esfagno. É sobre o esfagno que se fixam os rizomas das plantas, se necessário ancorados ao substrato com “U”s de arame até se estabelecerem Assim, as raízes, quando emergem, crescem directamente para dentro do esfagno

Humidade ambiente

Para cultivar Bulbophyllum com sucesso e conseguir plantas em boas condições não bastam regas frequentes: a questão da humidade ambiente é incontornável. São, na generalidade, plantas com grande superfície foliar e raízes relativamente curtas, com uma capacidade limitada de absorção de água. Um ambiente muito húmido vai fazer com que percam menos água por transpiração e alargar o tempo de absorção de água pelas raízes. O ideal será conseguirmos no nosso local de cultivo uma humidade relativa ambiente sempre superior a 75%. É difícil… A informação sobre os locais em que vivem na Natureza é sempre muito importante: as espécies de Bulbophyllum habitam regiões normalmente sujeitas a

nevoeiros regulares e prolongados, e muitas das fotos in habitat mostram plantas cobertas por gotículas de condensação As pulverizações são, portanto, indispensáveis. É necessário pulverizar pelo menos uma vez por dia, de manhã, e, no tempo quente, várias vezes ao longo do dia, mas dando tempo para que a água da última pulverização evapore antes da chegada da noite.

A pulverização deve ser feita com um bico espalhador que produza gotículas o mais pequenas possível e, para quem tenha um grupo razoável de plantas ou cultive numa estufa sem sistema de nebulização vale bem a pena investir num pulverizador elétrico de grande capacidade (15 a 20 litros). Têm uma pequena bateria recarregável e são relativamente baratos, por volta de 40€ consoante a marca e a loja onde se comprar, e, para além da comodidade que proporcionam, vêm normalmente equipados com vários bicos diferentes, incluindo um de nebulização

A água das pulverizações deve ser o menos mineralizada possível, sendo sempre ideal a água da chuva Se, nas Ilhas e na zona a Norte do Mondego a água da torneira é, normalmente, hipossalina, no restante território nacional devemos usar para as pulverizações a água da chuva, água destilada ou água mineral hipossalina É sempre útil e importante pedirmos uma análise profissional à nossa água da torneira

Consideramos, como dissemos, a pulverização indispensável, mas esta traz um perigo importante O rizoma dos Bulbophyllum está forrado de brácteas, e por isso, os novos crescimentos (folhas e pseudobolbos) desenvolvem-se dentro de um “copo” formado pela bráctea anterior e onde se acumula a água das pulverizações, provocando, por vezes, o apodreci -

Primavera 2020

mento do crescimento do ano e pondo em risco a sobrevivência de toda a planta Temos de estar atentos. Conseguimos reduzir este risco fazendo pulverizações com uma névoa muito fina, evitando que se acumule grande quantidade de água nas folhas e pulverizando no sentido contrário ao do crescimento dos novos lançamentos. No fim de cada pulverização é importante passar revista às plantas e absorver a água acumulada no interior dos novos crescimentos com um pouco de papel absorvente.

Substrato e suporte

Para além do referido em relação à necessidade de humidade e as suas implicações no substrato escolhido, é importante discutir a forma de cultura: vamos cultivar as nossas plantas em vaso, em cesto ou montadas?

Uma vez mais isso depende das características morfológicas da espécie a considerar. Poderíamos dividir os Bulbophyllum em espécies “simpáticas”, e “rebeldes” ou “fugidias”: enquanto algumas espécies têm pseudobolbos juntos, o que torna fácil cultivá-las em vaso, outras têm cada pseudobolbo separado do seguinte por uma secção de rizoma que pode atingir os 25 cm, tendendo a crescer de forma anárquica ao longo de todo o espaço de cultivo… O que fazer neste último caso? O método que nos foi recomendado por dois grandes colecionadores deste género, e que tem funcionado bastante bem, é o envasamento em tabuleiros perfurados. Utilizamos um modelo de cesto para “molas de roupa”, comprado numa loja chinesa, que tem 25cm de comprimento. Permite o envasamento com as três camadas de substrato já referidas e dá

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espaço para a planta crescer, “espalhando-se” naturalmente. Os tabuleiros são retangulares e com as mesmas dimensões, o que facilita o aproveitamento a 100% do espaço de prateleira ou bancada.

As espécies que produzem hastes florais longas e quase pendentes ficam melhor em cestos, uma vez mais com o sistema de composto discutido acima.

Algumas espécies crescem na natureza ao longo dos ramos horizontais das árvores, ramificando pouco e produzindo cada novo pseudobolbo um pouco mais longe, fazendo linhas que chegam a atingir vários metros. Estas espécies ficam bem montadas em troncos o mais longos possível, embora, por questões de gestão de espaço no local de cultivo, seja melhor ter estes suportes pendurados. Deverão ser fixas ao suporte sobre uma pequena almofada de esfagno, que vamos prolongando ao longo do suporte à medida que a planta vai crescendo, devendo cada novo crescimento ser

igualmente fixado ao tronco.

Um caso particular pode ser aqui referido: o Bulbophyllum beccarii é uma espécie espetacular, e que tem vindo a aparecer à venda nas nossas exposições Cresce, na Natureza, ao longo de troncos verticais, com os novos crescimentos a rodear o seu

suporte, formando como que uma espiral que se enrola ao longo do tronco Tal como o Bulbophyllum anceps, é mais fácil de cultivar fixado num tronco vertical, mas, nestes casos, é importante garantir que a face superior das folhas fica voltada para o suporte, como acontece no seu habitat natural

Bulbophyllum (Sestochilus) santosii em tronco coberto de esfagno (foto F. Cecílio)
Bulbophyllum (Beccariana) beccarii . Correta montagem em tronco (foto F. Cecílio)

Substrato

Todos os livros e artigos dizem o mesmo: o substrato deve reter a humidade, mas proporcionar uma rápida drenagem da água em excesso

Como conseguir isso?

Os diferentes orquidófilos usam dezenas de componentes diferentes na composição dos seus substratos, e conseguem bons resultados com substratos muito diferentes, pelo que não existem ingredientes milagrosos. O que é fundamental é perceber como poderemos, com os ingredientes de que dispomos e que conhecemos bem, satisfazer as necessidades das plantas

O nosso substrato base para qualquer planta envasada é constituído sempre pelos mesmos três componentes: casca de pinheiro, argila expandida e esfagno cortado à tesoura A proporção de cada componente na mistura é

muitas vezes adaptada “a olho” às condições culturais exigidas por cada espécie, aumentando a quantidade de casca, leca ou esfagno consoante pretendemos mais drenagem ou retenção de água.

Passámos a utilizar apenas a casca Orchiata: é casca de uma espécie de pinheiro (Pinus radiata) que não temos em Portugal, e que leva muito mais tempo a decompor, já vem partida, calibrada, lavada e tratada. Quanto à argila expandida, recomendamos a Hydroton, vendida em Portugal pela Siro, infelizmente apenas em embalagens de 5kg; crivamo-la para obter duas granulometrias. É formulada para a hidroponia e muito mais absorvente que a Leca para construção, que, frequentemente, tem a superfície dos grânulos vidrada O esfagno é o responsável pela retenção de água no substrato.

Os

Bulbophyllum

de folha caduca

Bulbophyllum (Pleiophyllus) lemniscatoides a terminar a fase de crescimento vegetativo e a iniciar a floração. As folhas dos pseudobolbos do ano estão a secar e algumas (no pseudobolbo da direita) já caíram e começam a desenvolverse a hastes florais. (Foto F. Cecílio)

Algumas espécies são, naturalmente, caducifólias. Esta característica parece ser uma adaptação ao clima: durante a estação menos chuvosa as plantas perdem as folhas, limitando assim a perda de água por transpiração, e ficando reduzidas aos pseudobolbos Estes são, nestas espécies, relativamente grandes em relação ao tamanho total da planta, e funcionam como reservatórios de água durante a estação seca e órgãos fotossintéticos Esta forma de crescimento aparece em espécies de muitas secções, mas é preponderante nas Secções Tripudianthes e Pleiophyllus (que inclui a antiga Secção Lemniscata). São plantas que precisam de alguns cuidados especiais de cultura: são espécies pequenas ou miniatura e devem ser cultivadas em montagem. Os novos crescimentos aparecem na Primavera e, durante o período de crescimento, precisam de muita água, exigindo regas diárias e adubação semanal; as folhas amarelecem e caem quando as

Substrato base: casca Orchiata, argila Hydroton,esfagno cortado e casca de ostra (foto F. Cecílio)

Jornal do Orquidófilo

Bulbophyllum (Epicrianthes) neilkonradii, uma espécie mais complicada. (foto F. Cecílio)

plantas terminam a formação dos pseudobolbos do ano e, a partir daí, as regas devem ser muito reduzidas (mantendo, no entanto, uma humidade ambiente elevada e as pulverizações) devendo a planta ser vigiada constantemente para evitar que os pseudobolbos “mirrem” muito, caso em que devemos fazer uma rega moderada É nesta altura que surgem as novas hastes florais

Cultivar Bulbophyllum na marquise

Apesar de a necessidade de humidade ambiente elevada tornar mais fácil o cultivo dos Bulbophyllum em estufa, eles podem, com alguma atenção em cuidados especiais, ser cultivados em casa Um dos autores cultiva-os com sucesso nessas condições.

O único espaço disponível para a coleção era uma “marquise” virada Nascente, onde as temperaturas variam desde um máximo de 38ºC até mínimos próximos dos 10ºC

Estas grandes variações tornaram necessárias estratégias para controlar estas diferenças tão grandes de temperaturas e consequentemente de humidade.

A primeira foi pôr umas cortinas, optando por cores claras de forma a deixar passar o máximo de luz, mas evitar as queimaduras nas folhas através do vidro.

No Verão chega a pulverizar três vezes ao dia, com uma rega semanal por imersão, com meia dose de adubo (Rain Mix).

No Inverno é necessário providenciar aquecimento durante noite para que a temperatura não desça abaixo dos 14/15 graus Nesta altura pulveriza 1 a 2 vezes por semana e faz uma rega semanal com água morna

No início optou por envasar em taças de barro, mas rapidamente mudou para taças de plástico: infelizmente o barro, sendo poroso, acabava por absorver a humidade do substrato e, sobretudo no Verão, era bastante difícil manter a humidade.

Nestas condições, utiliza como substrato uma mistura de casca de pinheiro média com alguma leca e musgo de esfagno cortado

Conclusão

Entre as muitas espécies do género Bulbophyllum é sempre possível encontrar algumas que podem trazer mais variedade e interesse às nossas coleções, mas, para evitar desgostos, é muito importante evitar a “compra por impulso” para não investir em espécies que não vão suportar as condições de cultura de que dispomos; em vez disso, procurar informação e selecionar as espécies que vamos adquirir. ✿

Os pontos fundamentais a considerar serão:

- Para qualquer Bulbophyllum, garantir condições para manter humidades ambientes elevadas

- Escolher espécies que suportem as temperaturas que podemos proporcionar: evitar as que necessitam de Verões frescos e, se não podemos garantir aquecimen–to no Inverno, evitar as espécies de baixas latitudes e altitudes, mais exigentes quanto a este ponto

- Evitar espécies cujo modo de desenvolvimento crie problemas no espaço de cultivo de que dispomos: se não temos muito espaço, apostar nas espécies miniatura ou nas que crescem com os pseudobolbos muito aproximados.

Matrizes e não-matrizes

Muita gente me pergunta "O que são "matrizes"? O que faz com que uma planta seja considerada boa matriz e outra não?“

Resumindo, uma matriz é uma planta que possui certas características interessantes que são herdadas por seus descendentes. Notem bem que há uma diferença grande entre "ser uma planta top de linha" e ser uma "matriz". Muitas vezes são até opostos: um clone pode ser espetacular, mas não conseguir transmitir essas virtudes aos descendentes. Já outra, que pode ser até não tão "boa" pode ter um potencial genético excelente.

Dois casos em flor hoje no orquidário. De um lado, a tradicional Rlc. Pastoral 'Innocence' (Rlc. Deésse x C. Mademoiselle Louise Pauwels). Embora seja famosa e belíssima em si, a "Pastoral" não se presta como matriz, notadamente na produção de albas, porque não é uma alba "pura", e consequentemente sua progênie resultará em 99% de colorido rosa ou lilás. Ela possui outro "defeito" que é a haste floral curta, provocando mau arranjo floral. E tem uma

irritante tendência a abortar floração. Tudo isso é transmitido à descendência. Daí que a Rlc. Pastoral não é considerada uma "matriz" e sim um produto final na linhagem (com algumas raras exceções).

De outro lado, a Rlc. Six Bells 'Peace' ' (Rlc. Ranger Six x C. Empress Bells). Vejam que a forma nem é redonda, algo comum nas albas de hoje em dia. Mas há 3 características dela que fazem a diferença: é uma Rlc. alba pura, algo bastante raro (herdado de sua mãe, a Rlc. Ranger Six), e assim produz 100% de albas quando cruzada com uma Cattleya alba, tem um amarelo muito expressivo no labelo (herdado da avó, C. Esbetts) e apresenta uma

haste floral imensa, de até 30cm, o que destaca as flores da folhagem e produz um arranjo muito melhor.

E como bônus, não falha uma floração sequer, sempre no Dia das Mães, época de grande demanda Tudo isso é fielmente passado à progênie. O que faz dela uma matriz.

Rlc Pastoral Innocence AM AOS
Rlc Six Bells Peace AM AOS

Orquídeas em Taiwan

Dendrobium usitae ‘Red Coral’

A Exposição Internacional de Orquídeas de Taiwan (TIOS – Taiwan International Orchid Show) realiza-se, todos os anos, na Plantação em Tainan É uma das maiores e mais importantes exposições do calendário orquidófilo O evento é organizado pela Associação Taiwanense de Cultivadores de Orquídeas (TOGA – Taiwanese Orchid Growers Association) e é, no fundo, uma montra da sua industria de orquídeas

A exportação de orquídeas, desde os boiões até plantas perto da floração, é muito importante para a economia e foi feito um grande investimento na pesquisa e na produção Actualmente Taiwan exporta cerca de 100 milhões de dólares em orquídeas por ano, sendo a maior parte, Phalaenopsis. Metade é exportada para os Estados Unidos, 20 a 30% para o Japão e 10% para a Europa

e a Austrália. Algumas das orquídeas que podemos encontrar nos supermercados e centros de jardinagem têm a sua origem em Taiwan. Alguns produtores na Holanda importam os boiões com pequenos seedlings ou plantas jovens que, quando florescem, são vendidas para toda a Europa.

A importância deste evento foi sublinhada, na sua cerimónia de abertura, pela presidente de Taiwan, a Senhora Tsai Ing-wen.

O tema deste ano foi a história de Tainan e as apresentações refletiram o passado da cidade. A mais espetacular de todas foi a da TOGA, a associação organizadora. Ocupava toda uma sala com milhares de florações vibrantes, representando a história de Tainan, desde os comboios de transporte de açúcar até aos fogos de artifício celebratórios.

Dendrobium polyanthum ‘Lin-ol’
Um outro nível de display de orquídeas pela TOGA (Taiwanese Orchid Growers Association)

Jornal do Orquidófilo

A competição individual de plantas foi deslumbrante com vencedores de classe de grande beleza. O meu favorito foi um Rhynchostylis Chorchalood ‘Lai’ que recebeu o prémio de Grande Campeão (melhor planta do evento). Este magnifico exemplar (um híbrido Rhy gigantea x Rhy retusa) estava no seu pico de floração, combinando as grandes flores do gigantea com as longas e densas inflorescências do retusa.

Outros notáveis vencedores na sua classe foram o Dendrobium usitae ‘Red Coral’ e o Dendrobium polyanthum ‘Lin-ol’, ambos exemplares enormes e no seu melhor. O esguio Den. Polyanthum produziu uma cascata de flores de bom tamanho e forma e labelo brilhante e a cor surpreendente do Den. Usitae impressionou-me na sua seção de vencedor.

O Paphiopedilum Wu’s Giant Frog ‘T.C.Wu#1’ também se salientou numa apresentação com uma bonita taça com sete flores imaculadas e folhagem perfeitamente limpa.

Um momento importante na edição deste ano foi a apresentação de uma Medalha do Congresso

Rhynchostylus Chorchalood ‘Lai’
Paphiopedilum Wu’s Giant Frog ‘T.C.Wu#1’
Representação dos comboios do Açucar de Tainan

Mundial de Orquídeas pela excelente contribuição individual para o mundo das orquídeas ao Sr ShehShun Chen de Taiwan. Esta foi a oitava medalha atribuída mundialmente

O Sr Chen, de 93 anos, conhecido afetuosamente como “Shun-Bei”, Tio Shun, devotou toda a sua vida às orquídeas, importando um grande número de espécies e híbridos para Taiwan que tiveram um impacto significativo na hibridação de orquídeas local.

Um dos co-fundadores da Associação de Cultivadores de Orquídeas de Taiwan (TOGA) em 2001, o Sr. Chen é desde o início, o presidente honorário da associação Participou pela primeira vez numa Conferencia Mundial de Orquídeas como orador em 1964 e tem trabalhado incansavelmente para que Taiwan fosse o país organizador da WOC entrando em concurso em 2005 Depois de uma década de esforços, teve a satisfação de ver Taiwan ser o anfitrião escolhido e Taichung irá acolher o evento em 2020.

O Sr. Chen aceitou amavelmente o prémio com um discurso em chinês e em inglês e aguarda ansiosamente por receber calorosamente os seus amigos internacionais que vão visitar Taichung no WOC 2020.

A próxima Exposição e Conferência Mundial de Orquídeas vai ter lugar na cidade de Taichung, em Taiwan, em data ainda a definir.

Taichung não é uma cidade muito conhecida para nós que vivemos na Europa, mas é a segunda maior cidade de Taiwan, um lugar moderno e vibrante e onde se encontra a sede de “Giant”, a maior fabricante de bicicletas do mundo

O evento WOC acontecerá numas novas instalações de última geração que abriram no mês de Novembro de 2019 para receber o seu primeiro evento, a Exposição Mundial de Flora de Taichung

Em dois grandes pavilhões maravilhosamente iluminados, podem ser admiradas exposições de quintas de fungos (cogumelos) e conservação. O tempo, no dia da visita, não esteve no seu melhor o que me impossibilitou de tirar quaisquer fotos no exterior dos deslumbrantes complexos

A cidade de Taichung tem muitas outras atrações incluindo uma moderna sala de ópera desenhada pelo arquitecto Toyo Ito e o Museu Nacional de Ciências Naturais que alberga alguns tesouros como o fóssil de um dinossauro com penas. Os pontos altos culturais da cidade são melhorados por mercados noturnos muito coloridos e grandes oportunidades de compras, fazendo de Taichung um centro muito atrativo para os visitantes com uma grande variedade de interesses

A conferência será no hotel Fullon, um hotel construído para conferências a uma curta distancia do local da exposição (serão providenciados transportes) Serão apresentadas cerca de 100 palestras e os organizadores continuam ainda a aceitar inscrições de potenciais oradores Mais informações estão disponíveis no site do evento www woc23 com

Serão possíveis visitas a cultivadores e outros locais de interesse O Centro de Conservação de Cecilia Koo (KBCC) será um dos locais a não perder mas acredito que as visitas sejam muito limitadas a este espantoso lugar que aloja não só uma vasta quantidade de plantas nas suas coleções vivas mas também o seu programa de criopreservação.

Se alguma vez pensaram em visitar as famosas estufas de cultivo de orquídeas e outros locais turísticos de Taiwan, esta é uma grande oportunidade. Juntem-se a nós para o WOC23. ✿

Até à data do fecho desta edição, o evento foi adiado, por precauções devido ao Corona Vírus, ainda sem nova data.

Jornal do Orquidófilo

Orquídeas e Flora da Colômbia

O slogan com que nos brindam à chegada é “Colômbia, o único risco é não querer regressar!” E foi com esse sentimento que voltei a Portugal após duas semanas plenas de maravilhas e com a certeza de querer regressar!

Naturalmente diversa

É um país que ainda sofre com a memória da ditadura de Pablo Escobar, das guerrilhas e da sombra do submundo do narcotráfico. É um dos países mais povoados e que agora sofre também pela sua proximidade e fronteiras com a Venezuela Mas é um país de gente positiva e que recupera a custo do seu passado negro, mas preparandose para um futuro mais luminoso O turismo é um sector comercial que está em franca expansão e com todas as maravilhas naturais, uma história tão rica, a fabulosa gastronomia e a maneira naturalmente simpática de receber os visitantes, uma visita à Colômbia será, como foi para mim, uma magnífica surpresa!

A Cordilheira dos Andes molda grande parte dos países que

atravessa por toda a zona ocidental da América do Sul, e é na Colômbia que os Andes se dividem em três cadeias montanhosas, a Ocidental, a Central e a Oriental, assim, o país acumula uma enorme variedade de paisagens e zonas climáticas separadas por estas três estruturas geográficas de grande relevo Entre elas, correm diversos rios, sendo os principais o rio Cauca e o rio Magdalena e ao viajar por este país pude admirar zonas muito diferentes entre vales verdejantes, altos picos montanhosos, vulcões, zonas de selva amazónica, campos de plantações de café, bosques andinos muito variados, as zonas costeiras do Oceano Pacífico e a Norte, as zonas quentes do mar do Caribe

Por todo o país se vê muito verde, mesmo na super populada cidade de Bogotá, a capital, com mais de 9 milhões de habitantes, tanto como a população total de Portugal numa só cidade Tanto a zona antiga como as zonas circundantes são muito interessantes para uma visita. Depois de Bogotá seguimos para Vila de Leyva, de arquitetura colonial e onde visitei um jardim particular, muito

bonito, e que lembrava um pequeno jardim inglês Não o que esperávamos encontrar ali São muitos os parques e reservas naturais e nessa zona fica o Santuário de Fauna e Flora de Iguaque onde se puderam observar várias espécies botânicas

Seguindo para a região do Eixo Cafeeiro, em Pereira, ficamos na Hacienda la Herencia, uma quinta muito bonita, aproveitada para o turismo e com muito para oferecer para além da simpatia Na hacienda conhecemos o Bambu Guadua (Guadua Angustifolia), uma espécie de Bambu das zonas tropicais da América do Sul considerada uma das mais fortes e resistentes matérias vegetais, utilizado muito em construções de edifícios Este bambu, com cerca de 25 cm de diâmetro, é dito como “tão forte como o aço” Os bosques de bambu são, portanto, muito importantes para as populações da Colômbia. Também no Eixo Cafeeiro, depois de uma visita a uma plantação de café, onde aprendi que se plantam muitas bananeiras para dar sombra ao café, visitei o Jardim Botânico de

Vale de Cocora, habitat das Palmeiras da Cera

Quíndio, um maravilhoso parque botânico que apresenta a coleção nacional de Palmeiras, um borboletário, e vários pontos de observação de aves e outra fauna bem como um museu de Geologia e um Museu etnobotânico Fomos recebidos pelo presidente do parque com quem conversámos e que nos deu a provar uma grande variedade de maravilhosos frutos, muitos deles para nós desconhecidos.

Uma das mais raras Palmeiras da Colômbia é a Palmeira da Cera, do género Ceroxylon, constituído por 12 espécies, 7 delas existentes na Colômbia e que, devido à desflorestação, à criação de gado e ao uso das folhas para manifestações religiosas, estão em perigo de extinção. Estas palmeiras, também chamadas de Palmas brancas produzem no seu tronco liso uma matéria cerosa utilizada para fins industriais e produção de velas Ao visitarmos o vale de Cocora pude ver vários exemplares, desta que é a Árvore nacional da Colômbia e é a palmeira mais alta do mundo, atingindo os 60 m de altura. Nesse local deixei a minha pequena pegada natural plantando um exemplar destas palmeiras aderindo a um programa de recuperação e reflorestação de áreas protegidas. Talvez pela sua geografia, pela diversidade de ambientes e microclimas ou pelo seu relevo surpreendente, a Colômbia é o terceiro país com maior biodiversidade. Nele podemos encontrar cerca de 45 mil espécies de plantas, o equivalente a quase 20% da Flora mundial. No que respeita à família Orchidaceae, são conhecidas cerca de 4270 espécies de orquídeas naturais da Colômbia e destas, 1543 são endémicas, o que quer dizer que só são encontradas na Colômbia. Uma riqueza reconhecida pelo país e também mundialmente, pois a proteção de

Um pequeno almoço frugal e com orquídeas – Cattleya trianae

espécies em perigo é alvo de vários estudos e programas de recuperação por diversas entidades, governamentais e mesmo particulares, ligadas por exemplo a universidades.

A minha Greentrip pela Colômbia

Nesta minha viagem que fiz em dezembro do ano passado, foram diversos os locais que visitámos para

ver orquídeas apesar de que estas plantas são constantes e não há lugar onde não sejam encontradas. Criado em 1979 e de administração particular, o fabuloso Jardim Botânico de Quíndio, onde fomos recebidos pelo presidente, tinha uma grande variedade de plantas, entre elas a coleção nacional de palmeiras e muitas raridades botânicas. O orquidário estava a ser criado e não tinha muitas espécies.

Plantação de uma Palmeira de Cera
Um bosque de Bambu Guadua
Huntleya burtii

Jornal do Orquidófilo

Mas a nível de cor e diversidade, fomos compensados com muitas e coloridas borboletas e pelas aves que vimos nos pontos de observação, entre elas os fabulosos beija-flores.

O Éden dos orquidófilos

Na região do Eixo Cafeeiro visitámos uma quinta, uma típica fazenda que tinha muito mais do que café. Chama-se Finca Romélia e o seu proprietário é um apaixonado por orquídeas. Ali fizemos uma magnifica visita seguida de almoço, onde nos mostraram a sua coleção privada de cerca de 850 espécies de orquídeas e vários híbridos, muitos dos quais de produção própria e plantas únicas. Haviam orquídeas por todo o lado, nos jardins, nos vários quartos e salas da casa, nos alpendres, a crescer em troncos de árvores, em vasos, montadas em Bonsais, e nas traseiras da casa, duas árvores estavam podadas de modo a que a sua copa se estendesse como um telhado verde. Sob essa proteção natural, ficava a fabulosa coleção de orquídeas, as mais preciosas, algumas minúsculas, como o Bulbophyllum moniliforme, cujos pseudobolbos não medem mais de 2 ou 3 milímetros até a uma fabulosa coleção de Cattleya e as suas variações de cores, sendo, para mim, o ponto alto da visita, a magnifica floração de uma Huntleya burtii. Outro fantástico e raro exemplar que pudemos observar pela primeira vez com uma bonita floração foi uma Neomoorea wallisii Posso sem dúvida afirmar que o Paraíso das Orquídeas fica na Finca Romélia! Na floresta do Parque Natural Arví, aventurei-me num trilho onde muitas orquídeas foram reintroduzidas e ali estavam para ser admiradas a crescer e a florir na natureza. Encyclia, Scaphosepalum, Masdevallia, Dracula, Stelia, Pleurothallis, Maxillaria e Dichaea

Pleurothallis sp com mosca
Um Orquidário natural em Finca Romélia

foram alguns dos géneros que vimos floridos. E depois ainda fomos ver a estufa onde tinham a sua coleção particular, outra perdição Para além das orquídeas vimos também o famoso Antúrio negro e muitas bromélias e tillandsias

A Flor Nacional da Colômbia

Como não podia deixar de ser, é uma orquídea. É a bonita Cattleya trianae, cujo nome homenageia o naturalista colombiano José Jerónimo Triana e que é chamada também de “Orquídea do Natal” por florir em dezembro Tanto esta como grande parte das orquídeas colombianas, cresce entre os 1000 e os 3000 m de altitude, em zonas de floresta nebulosa e de forma epífita, ou seja, não crescem com as raízes no solo, mas sim agarradas aos troncos das árvores.

Podem ver um pequeno vídeo que coloquei no Youtube filmado na Finca Romélia seguindo o link https://youtu.be/cij_2Vz0Jh4 ✿

Dracula benedictii
Dracula gorgona
Em Finca Romélia com o proprietário Epidendrum sp.

As Laelia “Mexicanas”

Laelia rubescens

Embora o género Laelia não seja exclusivo do México, quando falamos nas Laelia “mexicanas” estamos a referir-nos a todas as espécies na generalidade, pois todas existem neste imenso país, sendo que a maioria são endémicas e algumas outras coabitam em países vizinhos, como a Guatemala, El Salvador, Nicarágua, Honduras e Belize

Podemos encontrar algumas Laelia de pequeno porte (Ex: Laelia speciosa, Laelia furfuracea e Laelia aurea) sendo a generalidade das restantes espécies plantas de médio porte (Ex: Laelia anceps, Laelia autumnalis, Laelia x gouldiana e Laleia albida), caraterística que, para além da sua beleza, as faz apetecíveis para qualquer colecionador, sobretudo para aqueles que têm espaços mais exíguos

A fácil adaptação ao nosso clima mediterrânico, sem necessidade de ambientes artificialmente aquecidos, também é, por si só, um argumento de

considerável interesse e relevante para uma boa maioria dos nossos orquidófilos

Laelia anceps
Laelia albida

Com excepção da Laelia aurea, as restantes espécies são nativas de habitats de altitude, entre os 1000 e os 3000 metros, o que as torna plantas ideais para cultivar em climas frios, podendo, no nosso país, ser cultivadas no exterior, desde que não expostas a geadas ou correntes de ar geladas

O ambiente de cultivo (interior ou exterior) deve possuir excelente ventilação, luminosidade intensa, sobretudo no Inverno, e um teor médio de humidade relativa do ar (entre 40 e 60%)

Sendo na generalidade plantas epífitas, a forma ideal de as cultivar é montadas, preferencialmente em placas de cortiça e ou de madeira, sobretudo para as espécies de pequeno porte Quando optamos por pedaços de madeira teremos que escolher as que não possuem taninos ou outras substâncias tóxicas, dando preferência, por exemplo, aos troncos de vinha e aos troncos ou raízes de urze, sempre bem secos e limpos. O cultivo em pequenos cestos suspensos também é uma boa opção, pois garantem bom arejamento e rápida drenagem da água de rega Opcionalmente, sobretudo para as espécies de médio porte, também poderão ser utilizados vasos e um substrato à base de uma mistura de casca pinheiro de média e grossa granulometria (1,5 a 2,5 cm) e argila expandida.

As regas deverão ser frequentes na fase de desenvolvimento dos novos pseudobulbos, sobretudo quando optamos pela cultura em montagens ou em cestos e menos frequentes quando cultivadas em vaso, deixando sempre, neste último caso, secar o substrato entre regas Durante o Inverno deve ser respeitado um prolongado período de repouso (descanso hídrico), reduzindo quase totalmente as regas. Se o tempo for frio e chuvoso nunca devemos regar, ato este que pode tornar-se desastroso, podendo mesmo provocar a morte das plantas

É ainda importante proporcionar um acentuado diferencial térmico entre o dia e a noite, para que as florações possam ser regulares e abundantes.

O fertilizante a aplicar deverá ser o mais equilibrado possível e rico em micronutrientes, (Ex: Akerne Rain Mix) É aconselhável aplicar sempre doses de baixa concentração com apenas metade da dose indicada pelos fornecedores Dado que estas plantas não possuem grande capacidade de absorção de nutrientes de uma só vez, é preferível aumentar o número semanal de fertilizações, em detrimento de quantidades elevadas por cada aplicação. Para respeitar o período de repouso invernal, não devem ser feitas quaisquer adubações desde a segunda metade do Outono e durante o Inverno.

Laelia autumnalis
Laelia speciosa
Laelia anceps
Laelia furfuracea
Laelia speciosa
Laelia

As nossas Orquídeas Os nossos cultivos

Resiliência, um exemplo em Epicattleya Rene Marques de Madalena Pereira

Neste nosso mundo cada vez mais cheio de dificuldades, é muito desejável que nos tornemos cada vez mais resilientes. Este é um conceito de que se fala cada vez mais como necessário à sobrevivência

Ora, a resiliência é uma competência atribuída aos humanos que podemos definir como a capacidade de resistir ao stress provocado por acontecimentos indesejáveis e de os tornar cada vez mais fortes e capazes de ultrapassar esses mesmos acontecimentos negativos, sem grandes danos psicológicos.

Hoje, cada vez mais usamos esse termo relacionando-o com animais e pelos vistos também o poderemos usar com as plantas. Ao fim e ao cabo, isto é um assunto nada ignorado por nós, orquidoidos, quando compramos uma orquídea de clima quente e conseguimos que ela se adapte à nossa varanda, que é pouco ou nada quente e ainda para cúmulo ventosa, temos a sorte de que ela não morra e ao fim de uns quantos anos ela nos premeie com a 1ª flor.

“A historia que eu vou contar” deu-se com a minha Epicattleya Rene Marques. Na minha casa

já há pouco espaço (onde é que eu também oiço isto?? ) e por tal facto, tenho de Inverno, a estufa apinhada Mesmo assim, depois de alguns anos a florir no exterior, decidi colocá-la na estufa, com o intuito de ver se com um calorzinho a mais, obtinha florações mais ricas

Este ano ela presenteou-me não com uma, mas com duas hastes florais, uma com 4 botões e a mais baixa com 3 botões, o que me alegrou bastante. Porém, tendo eu de fazer algum contorcionismo para me mover entre as plantas sem as deitar ao chão ou partir, num movimento menos cuidadoso parti a haste menor.

Oh desgosto!!! E agora? Todo o esforço de a ter mais aquecida esboroava-se Pensei e se eu lhe colocasse uma tala? Já que a porção distal da haste não se tinha destacado por completo, poderia ser que “colasse” e os botões ainda se salvassem e desabrochassem.

Parti para a prática, a tala teria de ser leve e eu precisaria também de uma “ligadura” ou algo que fixasse à tala a haste acidentada. Havia em casa umas pequenas hastes plásticas que achei poderem servir Com artes de socorrista e na

As nossas Orquídeas Os nossos cultivos

Epicattleya Rene Marques

Zygopetalum x Propetalum

( Continuação) de José Santos

ausência de ligadura adequada, usei adesivo. Lá ficou a haste com a sua tala azul, mais pendente, mas ainda assim razoável (foto1).

Claro que todos os dias falava com a Epiccatleya, lhe perguntava como se sentia e a necessidade que ela tinha de cooperar com o tratamento, enfim ser compreensiva e… resiliente Mas para minha frustração, nada acontecia a não ser que a ponta da haste foi murchando e ficou castanha! Por falta de tempo e descoroçoada nem tirei a tala

Pois meus amigos orquidófilos, ao fim de 1 mês, depois de ouvir a minha conversa diária e já meio chatinha, na extremidade distal da tala , eis que aparece uma pontinha verde que cresceu e cresceu e não é que se transformou numa nova haste de novo com três botões novos?

Passadas umas semanas os botões desabrocharam em três flores, de tamanho, colorido e viço perfeitamente normais Podem imaginar a minha satisfação. Claro, com a foto feita (Foto2), não faltaram encómios à menina.

Aqui está uma prova cabal de que há RESILIÊNCIA se não em todas, pelo menos em algumas das nossas “orquídeas”. Bom, não vos posso é afiançar que as minhas lengalengas de incentivo foram também responsáveis por esta reação. Mas como elas funcionam com as pessoas…

Agora é a sua vez! Envie-nos uma foto de uma orquídea cultivada por si e diga-nos como faz, onde a tem, qual o substrato, como a rega… enfim, o que achar que possa ser útil aos outros orquidófilos que tenham ou queiram vir a ter essa orquídea. Uma foto e dez linhas é o suficiente.

Escrevam e enviem tudo para o nosso email (clube.orquidofilos.portugal@gmail.com).

Uma planta que gosto muito pela combinação das cores amarelo com as manchas castanhas das pétalas e sépalas e púrpura do labelo.

É um híbrido de Zygopetalum com um Propetalum (Promenea x Zygopetalum) e o cultivo é igual ao cultivo dos Zygopetalum, logo bastante fácil.

Esta planta, que já tenho há vários anos, está durante todo o ano no exterior numa mesa cheia de plantas. Não apanha sol nem chuva diretos mas as temperaturas variam entre os 5 e os 40 graus.

É cultivado em substrato para epífitas da Siro, é regado uma ou duas vezes por semana Não tem período de repouso no Inverno e floresce nos bolbos novos e mais do que uma vez ao ano. ✿

As nossas Orquídeas

Os nossos cultivos

Myoxanthus mejiae

de Dora Russo

Adquiri esta planta há três anos, pelo simples facto de achar que tinha um aspeto pouco vulgar Trata-se de uma espécie epífita, originária da Venezuela, que cultivo em casca de pinheiro, num pequeno vaso de plástico

As regas são habitualmente semanais, mas é uma planta muito resistente, tolerando longos períodos sem rega

Apresenta caules compridos, parcialmente cobertos por uma sucessão de bainhas secas

A parte inferior do caule é revestida de pequenos pelos e no topo existe uma única folha lanceolada e rígida

Cultivo-a durante o inverno, no interior, mas o resto do ano está numa varanda a nascente, onde por vezes é alcançada por alguns raios solares

As curiosas flores desta planta começam a surgir no início da primavera. São pequenas e solitárias, com aproximadamente um centímetro, e ficam suspensas por um pequeno pedúnculo, voltadas para baixo. As suas cores são entre o castanho e o amarelo e apresentam-se salpicadas de pintas vermelhas. A antera também é vermelha e toda a coluna se movimenta quando se toca na flor.

As Nossas Exposições

Exposição dos associados, Oeiras 2019

A Exposição de Orquídeas de Oeiras realizou-se nos dias 16 e 17 de Novembro, no edifício da AERLIS, mas este ano, e pela primeira vez, com todos os expositores reunidos num só salão o que, na nossa opinião, resultou melhor do que nos anos anteriores.

O tema desta edição foram as Phalaenopsis, a planta de interior mais vendida em todo o mundo. O tema foi também escolhido pela presença do autor francês David Lafarge, que deu uma palestra sobre o tema e apresentou o seu livro “Phalaenopsis, Une Orchidée Méconnue” e nos enviou um pequeno texto sobre a sua experiência no nosso evento e que passamos a reproduzir:

“Participei na exposição de Oeiras a convite do José, que me contactou pelo Facebook O José convidou-me a falar sobre Phalaenopsis e sobre o

Orchid Paradise

meu livro sobre estas orquídeas aos membros da associação. Desde a chegada, com um amigo de Bordéus, que fomos bem recebidos no aeroporto, com grandes sorrisos De seguida, a descoberto do local da exposição, em plena preparação das decorações e instalação dos vendedores foi igualmente boa

Depois de uma noite em Lisboa com o meu amigo Jean-Bernard Frémont, que decidiu vir somente no dia anterior, voltámos à exposição no Sábado de manhã, às 9h, para participarmos no julgamento das plantas. Na companhia do Professor Luís Pedrosa, do Manuel Lucas (Orquidário de Estepona) e do Alex Portilla (Ecuagenera), observámos com atenção as 131 plantas apresentadas pelos seus cultivadores. Primeira boa surpresa, todas as plantas tinham um número e estavam cuidadosamente identificadas pelos membros do clube, o que facilitou muito o trabalho dos juízes. Segunda surpresa, ao contrário do que acontece em França ou em outros países, os juízes devem acordar por unanimidade numa lista de prémios, em vez de retornar uma planilha de pontuação com um calculo médio para conhecer os vencedores. A jovem associação conta já com mais de 300 sócios

Jornal do Orquidófilo

que são bons cultivadores As 131 plantas apresentadas foram testemunha da sua dedicação e da sua paixão por orquídeas! Outra prova do seu interesse foi, na palestra que dei, mesmo às 11h da manhã de Sábado, atraiu um público muito atento ao que eu tinha para dizer em francês e à tradução do José para português À noite tivemos um jantar muito bom, em ambiente caloroso e amigável, com os membros do clube, vendedores e outros palestrantes Este fim-de-semana em Oeiras foi uma experiência muito boa e uma ocasião para reencontros amigáveis Quero voltar a outras exposições do Clube. David Lafarge.

E foi este o grupo de júris que avaliou as nossas orquídeas neste evento. Da esquerda para a direita, o Professor Luís Pedrosa, os franceses Jean-Bernard Fremont e David Lafarge, o espanhol Manuel Lucas, do Orquidário de Estepona e Alex Portilla, da Ecuagenera, do Equador, não podendo faltar a fabulosa ajuda de Narya, a Rottweiler mais simpática que conhecemos

Vários Paphiopedilum híbridos
Jean-Bernard Fremont (esquerda), eu e o autor
David Lafarge, na foto da praxe.
Apresentação de orquídeas vencedora da autoria do Wingarden.

Índice das fotos e lista de Premiados na Exposição de Orquídeas de Oeiras 2019 Fotos de Florinda Lopes

[1] Melhor Apresentação de Orquídeas, de OrchisRafa;

[2] Melhor Espécie e Melhor Exemplar da Exposição, Catasetum fimbriatum var inconstans, de Michael Benedito;

[3] 2º Prémio – Melhor Espécie, Pleurothallis pectinata, de Ana Pereira;

[4] 3º Prémio - Melhor Espécie, Lycaste schilleriana, de Susana Cravo;

[5] 1º Prémio Melhor Híbrido, Cycnoches Jumbo Mickey, de Nuno Gama; [6] 2º Prémio Melhor Híbrido, Phragmipedium Hanne Popow, de Cláudia Pacheco;

[7] 3º Prémio Melhor Híbrido, Zygopetalçum Angel Blue, de Florinda Lopes; [8] 1º Prémio Melhor Miniatura, Schoenorchis micrantha, de Ana Pereira;

[9] 2º Prémio Melhor Miniatura, Barbosella dusenii , de Ana Pereira;

[10] 3º Prémio Melhor Miniatura, Sophronitis brevipendunculata, de Luís Gonçalves;

[11] Menção Honrosa, Paphiopedilum insigne, de Ana Cabanas;

[12] Menção Honrosa, Restrepia sp , de Luís Gonçalves; [13] Menção Honrosa, Leptotes unicolor, de Cláudia Pacheco;

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[12]
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Orquídeas na Arte

É uma das vertentes que gostamos de apoiar, a arte que representa as orquídeas. E na Exposição de Oeiras de 2019 tivemos trabalhos expostos, em óleo e em aguarela, da artista espanhola Nathalie Guichard

Podem contactar a artista no seu site https://guichardart wordpress com/ ou pelo Instagram em paintings_nathalie_guichard.

Biblioteca

ORQUIDÓFILA

HAPPY ORCHID

Autor: Sara Rittershausen

Editora: Penguin Random House, 2018 144 páginas escrito em inglês

Mantendo a tradição de uma família de especialistas em orquídeas e escritores, a autora inglesa, Sara Rittershausen, dos viveiros de orquídeas Burnham Nurseries, sediados na Cornualha, apresenta-nos nesta sua mais recente publicação, um bonito livro para iniciantes e amadores na arte de cultivar orquídeas.

Uma edição de capa dura e com um design gráfico muito agradável, limpo e moderno, onde se cruzam fotos de boa qualidade com desenhos feitos em computador tanto para ilustrar as espécies descritas como na representação esquemática de características do cultivo das orquídeas.

As primeiras trinta páginas são um resumo básico, mas muito informativo dos temas principais que, alguém que tem algumas orquídeas ou se quer iniciar no cultivo de orquídeas deve saber como ponto de partida.

As restantes páginas nomeiam e descrevem 143 orquídeas, incluindo espécies e híbridos, que representam um bom leque de géneros, bastante variado, de modo a que o leitor possa aprender e conhecer a grande diversidade da família botânica das Orchidaceae.

É um livro muito fácil de ler e de consultar e com a informação muito sucinta e bem esquematizada para que o leitor, com toda a facilidade, possa aceder aos dados que procura As orquídeas, descritas por ordem alfabética, são orquídeas que facilmente se encontram à venda em qualquer país, num viveiro especializado em orquídeas ou numa exposição. Em cada uma, podemos descobrir detalhes sobre o seu crescimento, origem, dados fisiológicos, e detalhes de cultivo (as regas, a localização ideal, tipo de ambiente, reenvasamentos, como fertilizar e o que fazer para incentivar essa orquídea a florir). Podemos, para cada orquídea, encontrar outras de parentesco próximo e com cultivos semelhantes

Em complemento, a autora apresenta-nos ainda 5 orquídeas de cultivo mais fácil, as 5 mais maravilhosas, 5 ideias de bonitas apresentações de orquídeas, 5 sugestões de cultivos combinados com outras plantas de outras famílias botânicas e também 5 formas de cultivar uma orquídea de forma suspensa.

Um livro muito útil para qualquer iniciante e que o prepara para futuras aventuras, mais complexas, no mundo da orquidofilia. ✿

O NOSSO DESDOBRÁVEL

INFORMATIVO

Temos disponíveis panfletos desdobráveis com informação sobre orquídeas e sobre o nosso Clube para serem divulgados em locais onde possam ter interesse em orquídeas e onde possamos angariar novos associados para o Clube

Aos interessados em distribuir pelas vossas áreas de residência, por favor contactem-nos que vos enviaremos alguns exemplares

Biblioteca

ORQUIDÓFILA

Na última exposição de Oeiras tivemos o privilégio de ter a apresentação do livro PHALAENOPSIS, UNE ORCHIDÉE MÉCONNUE pelo seu autor, o francês David Lafarge que assinou todos os livros vendidos na exposição.

Este é o melhor e mais atualizado livro sobre o género Phalaenopsis que podemos encontrar. Muito bem escrito, com fotos e esquemas de boa qualidade. Tudo o que poderíamos desejar saber sobre Phalaenopsis está neste livro, tanto questões mais botânicas, como sistemática e taxonomia, assim como questões mais práticas, como o seu cultivo, multiplicação e problemas fitossanitários e ainda secções sobre julgamento de phalaenopsis em exposições e vários anexos interessantes, para além de uma apresentação completa das espécies e principais híbridos de Phalaenopsis. De leitura obrigatória.

PHALAENOPSIS

UNE ORCHIDÉE MÉCONNUE

Autor: David Lafarge

Editora: Naturalia Publications, de 2019 225 páginas Em francês.

Pelo facto de o livro ter sido escrito em francês, a língua materna do autor, e pela sua reconhecida qualidade, têm sido vários os pedidos para ser feita uma edição em inglês, que colocaria a obra acessível mundialmente pois o inglês é, hoje em dia, uma língua mais falada do que o francês.

Mesmo assim, as editores não têm demonstrado interesse em traduzir e editar uma nova versão inglesa. E assim, o autor está neste momento, e até ao dia 18 de Março, a tentar reunir fundos para uma edição de autor, em inglês. Se puder, ajude na publicação desta obra pelo site: https://www.kickstarter.com/projects/652835644 /phalaenopsis-a-completeguide?fbclid=IwAR2tfwXq1PgDEcUXZXiuOzaWe6Umy-DK8MHxUbUm2u62-Yrw3frXiEa1xc ✿

Biblioteca

ORQUIDÓFILA

Para quem gosta de livros, uma viagem é também uma ocasião para aumentar a biblioteca e foi isso que me aconteceu na viagem Greentrip Colômbia, no final do ano de 2019 Enquanto andámos a ver orquídeas nas florestas, parques e jardins, consegui trazer mais 3 exemplares sobre as orquídeas colombianas

Este é o “Manual de Cultivo de Orquídeas” vendido pela Sociedad Colombiana de Orquideologia. Um manual que funciona como primeira obra para os orquidófilos colombianos mas que, para mim, tem interesse na maneira como explica o cultivo na Colômbia, das várias orquídeas mais conhecidas, tanto espécies e híbridos mais comerciais como alguns géneros que existem na Colômbia e que, para mim, o seu cultivo é mais desconhecido.

Assim, temos aqui o saber dos colombianos sobre o cultivo de Masdevallia, Dracula, Pleurothallis, Restrepia, Catasetum, Acineta, Stanhopea, Gongora, Coryanthes, Chonfrorhyncha, Bollea, Huntleya, Anguloa, Lycaste e tantas outras.

O segundo livro foi comprado ao autor ao visitarmos o seu centro de jardinagem. Pela conversa que tivemos com ele, o Sr. Thomas Toulemonde L., deu para ver que é, ou foi, porque agora parece mais afastado da vida das associações, um personagem importante e grande conhecedor das orquídeas e em especial das Cattleya colombianas Este é um livro que aprofunda as variações de cor dessas Cattleya. Muito interessante

E depois, um livro histórico, de gravuras científicas de espécies de orquídeas colombianas desenhadas nos anos 60 por Helmuth SchmidtMumm Uma maravilha onde se podem encontrar ilustrações de tamanho real das espécies mais representantes da Colômbia Um autêntico tesouro ✿

WORKSHOPS EXPOSIÇÕES

JARDINS SINTRA - SINTRA

Sábado, 28 de Março, às 15h00

Géneros PHALAENOPSIS e VANILLA

Orientado por José Santos

Sábado, 25 de Abril, às 15h00 CATASETUM, CYCNOCHES e familiares

Orientado por José Santos

Sábado, 23 de Maio às 15h00

Cultivo de DENDROBIUM

Orientado por José Santos

PARCERIAS

O Clube dos Orquidófilos de Portugal tem parcerias com as seguintes empresas que se disponibilizaram a oferecer vantagens aos nossos associados:

JARDINS SINTRA LDA

10% de desconto em todas as orquídeas e produtos para orquidofilia.

LUSO BONSAI

20% de desconto em orquídeas, exceto botânicas, montadas e plantas sem flor.

MESTRE JARDINEIRO

10% de desconto em todas as plantas.

WINGARDEN & HOME

10% de desconto em todas as orquídeas e produtos para orquídeas.

BROMÉLIAS DO BREJO

Oferece 20% do valor de uma compra em plantas na loja online. Não aplicável em Feiras.

MERCADO DAS FLORES

10% de desconto em todas as orquídeas e produtos para orquidofilia.

Se conhecer alguma empresa que possa querer publicitar os seus serviços ou produtos ou fazer uma parceria com o Clube, escreva-nos para o nosso email com a sua sugestão.

DRESDNER ORCHIDEENWELT

De 2 a 5 de Abril, 2020 Dresden, Alemanha

RHS LONDON ORCHID SHOW

7 e 8 de ABRIL, 2020 Londres, Inglaterra

JARDINS ABERTOS

23 e 24 de MAIO, 2020 Estufa Fria, Lisboa

EXPOSICÃO DE ORQUÍDEAS DE OEIRAS

14 e 15 de Novembro de 2020 Aerlis, Oeiras

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