Propriedade do Clube dos Orquidófilos de Portugal®
Este jornal é distribuído a todos os sócios do Clube.
José M. M. Santos jose.santos.orquideas@gmail.com
Américo Pereira
Cristina Neves
Dora Russo
Fernando Cecílio
Florinda Lopes
Ina Dias
Michael Benedito
Paulo Assunção
clubeorquidofilosportugal@gmail.com
do Tojal, Nr. 58 RC D
Lisboa
http://www.clubeorquidofilosportugal.pt
Bem-vindos!
Nada me dá mais prazer do que a observação de orquídeas nos seus habitats naturais. Essa é, para mim, a verdadeira aprendizagem Supera sem dúvida qualquer informação escrita. Estar e sentir todo o ambiente onde as orquídeas se desenvolvem felizes, é conhecer as suas preferências, o seu modo de crescimento, as suas particularidades. Foi o que aconteceu, à semelhança de outras, na última Greentrip, às ilhas de Madagáscar e Reunião Nesta revista mostro-vos um pouco do que vi e senti, uma experiência sem igual.
De outras viagens também é feita esta revista, o Américo Pereira percorre os campos da ilha de Creta registando as maravilhosas orquídeas silvestres que encontra no seu caminho
E também regressei a Estepona com um animado grupo de associados do COP onde pudemos ver como o orquidário se está a tornar num habitat “quase” natural.
Com o atraso da saída desta revista e com os custos que acarretam a sua impressão e envio, optamos por aumentar o número de páginas deste exemplar de Outono e Inverno Assim, este número terá 44 páginas onde podem ainda ler sobre o cultivo de Bulbophyllum menos comuns num artigo do Fernando Cecílio, que se estreia nesta revista e também sobre as Neomoorea wallisii, num artigo do Michael Benedito, sobre as suas bonitas e raras orquídeas que cultiva na Madeira.
A reportagem sobre a 2ª Exposição de Oeiras e três testemunhos de sucesso de cultivo de três bonitas exemplares assim como outras notícias e curiosidades completam esta revista.
Espero que seja do vosso agrado.
Saudações Orquidófilas!
As Fadas das Orquídeas
Por José Santos
Cecily Mary Baker foi uma ilustradora inglesa que nasceu em 1895 e que ficou famosa com os seus livros de bonitas ilustrações de Fadas das Flores
A sua educação artística começou desde muito nova com cursos por correspondência e depois na Escola de Arte de Croydon
Começou por pintar postais e fazer ilustrações para revistas juvenis e o seu primeiro livro, Flower Fairies of the Spring foi publicado no ano de 1923.
Uma representação de uma Ophrys apyfera, a Orquídea-abelha. Notem que quando foi escrito se usava a palavra “Orchis” como agora se utiliza “Orchid” Os detalhes do fato do menino-fada são muito engraçados.
Orchid Paradise
Nos anos seguintes publicou outros livros, tanto de Fadas e Flores como livros religiosos. Cecily era devota da Igreja Anglicana e doou muitos dos seus trabalhos para angariar fundos para organizações religiosas e missionárias.
Pintava instintivamente rejeitando quaisquer teorias artísticas, teve no entanto, influências de Kate Greenway e pintores pré-rafaelitas.
Nos seus trabalhos tanto usa técnicas de aguarela como de caneta e tinta-da-china, óleo ou pastel.
Nesta ilustração utilizada para ensinar o abecedário com os nomes das plantas, a letra “O” representava novamente a “Orquídea”. Neste caso uma Orchis mascula, também chamada de “Early Purple Orchid” em inglês
Uma montagem diferente
Por José Santos
Na Greentrip Normandia, no passado mês de Março, o grupo que visitou a “Eric Young Orchid Foundation”, na ilha de Jersey, teve a oportunidade de observar a montagem que estava a ser feita por um dos especialistas da fundação nuns exemplares de Bulbophyllum que tinham acabado de chegar
eram depois simplesmente amarradas com um cordel.
Orchid Paradise
Curiosos, perguntamos o porquê daquela montagem em que eram utilizadas duas placas de cortiça sobrepostas e com as faces rugosas viradas uma para a outra. Entre as duas cortiças só era colocado um pouco de musgo de esfagno e, muito livremente, sem estar com a totalidade das raízes cobertas pelo musgo, ficavam os pseudobolbos do Bulbophyllum. As duas placas
O que nos disseram foi que os Bulbophyllum têm a tendência para, apesar de agarrados aos troncos das árvores, a ficarem pendurados e crescem muitas vezes entre dois troncos, numa ranhura ou numa fissura do tronco, onde se acumulam alguns detritos vegetais e onde a humidade se concentra mas, por gravidade, escorre por essa fissura evitando que as raízes fiquem demasiado tempo molhadas ou demasiado molhadas.
E assim, como achámos esta uma ideia diferente e uma técnica diferente, decidimos partilha-la com todos. Sempre a aprender…
Visita ao Orquidário de Estepona
Por José Santos
Há muito que prometíamos uma visita ao orquidário de nuestros hermanos situado em Estepona, no Sul de Espanha, e aproveitando a sua exposição anual, que se realiza sempre no primeiro fim-de-semana de Novembro, reunimos um agradável grupinho de 28 sócios do C O P e partimos à aventura
Neste nosso Jornal do Orquidófilo, nos números 10 e 11, de 2015 e 2016 respectivamente, já fizemos umas pequenas reportagens, primeiro como apresentação e depois após a visita de uma pequena delegação do Clube, no Outono de 2015, o ano em que abriu ao público Na verdade, a curiosidade era muita, de ver como tanto o fantástico edifício como a colecção
botânica tinham evoluído nestes três anos.
A região de Andaluzia é muito bonita e apesar das várias horas de autocarro, pudemos ir observando a bonita paisagem, espreitando ainda a bonita praça de Sevilha, onde almoçámos a meio do caminho. No dia seguinte, passamos uma agradável manhã no bonito Jardim Botânico e Histórico de la Concépcion, em Málaga, outra bonita cidade incluída no passeio, assim como o Mariposario de Benalmádena, uma estufa de ambiente tropical com muitas borboletas que nos surpreendem a voar sem medo, tão perto de nós que nos chegam a pousar em cima como se fossemos uma flor.
Estepona é uma pequena vila na costa da Andaluzia que, na zona turística onde se insere, será certamente invadida por turistas, especialmente veraneantes que procuram o sol e as praias Mas nos primeiros dias de Novembro, num bonito fim de semana outonal, encontrámos uma agradável e bonita vila para passear a pé e admirar os pátios e paredes floridos e belos restaurantes de tapas e petiscos a merecerem também uma cuidada exploração
Toda a praça onde o Orquidário foi construído é muito bonita, com uma agradável zona verde a circundar o edifício e uns curiosos murais de plantas nas paredes das casas em volta do Orquidário Um verdadeiro Trompe l’oeil botânico com palmeiras e bougainvillias em três dimensões. Muito bonito e resultando espectacularmente bem inseridas naquele ambiente botânico. Existem aliás vários murais com outros temas pela vila
É difícil não ficarmos boquiabertos com a grandeza do edifício do orquidário, toda a sua arquitetura exterior e especialmente interior onde os nossos olhos começam a procurar e a maravilharse com as orquídeas por todo o lado
É quase como estar numa floresta!
É notória a evolução da decoração do espaço onde as orquídeas são
cultivadas todo o ano no mesmo local, dando a oportunidade ao visitante de, ao mesmo tempo, poder observar orquídeas em floração, o mais procurado, mas também em botão ou simplesmente em crescimento, como aconteceria no seu habitat
Aconselha-se uma visita feita com tempo e com calma
Há muito para ver, para descobrir e para aprender. Se fizer o mesmo percurso duas vezes irá ver que, à segunda, encontrará mais espécies em flor e notará detalhes interessantes na forma como estão as plantas dispostas Podemos sempre tirar ideias e algumas mesmo adapta-las para o cultivo nas nossas casas Isto sem esquecer que cada local de cultivo tem as suas características e que diversas orquídeas têm métodos de cultivo diferentes.
Sendo aquele o fim de semana do evento anual do Orquidário, tivemos ainda os bónus de encontrar orquídeas à venda pelos vendedores espanhóis, especialistas em orquídeas, Pantrópica, Flora del Trópico e Orquídeas Rubí, de assistir a algumas demonstrações educativas de cultivo e tivemos direito a uma visita guiada pelo Manuel Lucas, o curador e responsável pelo Orquidário, que já há alguns anos participa nas exposições organizadas pelo nosso clube tanto no Zoo de Lisboa como em Oeiras. Foi um fim-de-semana muito agradável, com amigos simpáticos e muitas orquídeas. Um programa certamente a repetir ✿
Stanhopea na Madeira
Por José Santos
Os últimos meses têm sido um verdadeira aventura para o nosso associado Michael Benedito.
São grandes os trabalhos desde que recebeu uma oferta do Sr Richard Hartley, um famoso cultivador de orquídeas e detentor da Coleção Nacional de Stanhopea no Reino Unido
Foram cerca de 2000 Stanhopea e mais 600 exemplares dos géneros Anguloa, Ida, Lycaste e Acineta as plantas que lhe foram oferecidas Estas orquídeas eram exemplares em excesso que o Sr Hartley tinha na sua colecção e que vão agora para a Ilha da Madeira, para um novo jardim botânico em construção na casa do Michael, que entretanto voltou para casa após ter estado vários anos em Inglaterra a estudar e a trabalhar nos Royal Botanic Gardens Kew
A viagem das orquídeas desde a Inglaterra até à ilha da Madeira foi um trabalho gigantesco, com muitos nervos à mistura e uma conta de mais de 5000€ de transporte Para suportar os custos dos portes o Michael pediu ajuda criando um Crowdfunding e foram muitos os que contribuíram para esta empreitada
O C.O.P. decidiu também ajudar e, juntamente com donativos de associados conseguiu contribuir com 620,00€
Em Outubro de 2018 o trabalho foi hercúleo pois antes das plantas chegarem foi necessário preparar o espaço para as acolher e também, em Inglaterra, houve todo um trabalho de embalagem e encaixotamento dos exemplares.
No início de Novembro, após umas semanas de ansiedade, as plantas chegaram finalmente ao Funchal e foram descarregadas no seu destino. A ilha da Madeira tem o clima ideal para o cultivo destas orquídeas não sendo necessário qualquer aquecimento artificial.
Em Novembro o Michael esteve presente na Exposição de orquídeas de Oeiras onde deu uma palestra sobre Stanhopea assim como notícias das suas plantas Em Março irá estar também na Expo Orquídeas Lisboa onde nos dará com certeza mais notícias.
No início de 2019 o Michael diz-nos que as plantas estão bem, estão a recuperar do stress do transporte e já começaram a dar novos rebentos. Neste momento inicia-se a construção de uma nova estufa para orquídeas em casa do Michael.
Desejamos-lhe o maior sucesso!
As nossas Orquídeas Os nossos cultivos
Zygonisia Cynosure
Pleurothallis pubescens
de Ina Dias de Dora Russo
Adquiri esta Zygonisia no principio do ano com flor numa exposição e voltou a florir em outubro, deu duas florações este ano.
É um hibrido de Aganisia cyanea com Zygopetalum Skippy Ku e dá uma flor muito bonita com tons de lilas- azulado.
Quem está habituado com os Zygopetalum também se dá com bem com a Zygonisia porque o cultivo é semelhante.
Apesar de gostar de uma temperatura moderada, eu tenho-a na varanda abrigada da chuva e do sol direto. Aguenta bem o frio da minha zona que nunca baixa muito.
Gosta de humidade mas com uma boa drenagem. Por isso tenho em casca de pinho media com leca e um pouco de perlite, muito pouco.
Na algumas partes do Brasil , como na Amazonia, é conhecida pela orquídea azul .✿
Adquiri a planta há pouco mais de um ano, e esta é a sua primeira floração em minha casa
Está habitualmente numa varanda orientada a nascente, protegida do sol pela folhagem de algumas orquídeas mais tolerantes aos raios de sol matinais. De Inverno é colocada no interior.
Encontra-se cultivada em vaso de plástico transparente, com uma mistura de leca, casca de pinheiro fina e musgo de esfagno, e é regada normalmente duas vezes por semana e fertilizada uma vez por mês (quando me lembro)
Quando está no interior, é regada uma vez por semana.
Agora é a sua vez! Envie-nos uma foto de uma orquídea cultivada por si e diga-nos como faz, onde a tem, qual o substrato, como a rega… enfim, o que achar que possa ser útil aos outros orquidófilos que tenham ou queiram vir a ter essa orquídea. Uma foto e dez linhas é o suficiente. Escrevam e enviem tudo para o nosso email (clube.orquidofilos.portugal@gmail.com).
As nossas Orquídeas
Os nossos cultivos
Phragmipedium Hanne Popow
de Cristina Neves
Este Phragmipedium é um híbrido primário que resulta do cruzamento entre as espécies Phragmipedium besseae (Dodson & J.Kuhn 1981) - Seed parent x Phragmipedium schlimii (Rolfe 1896) - Polen Parent
Este híbrido foi criado com plantas selecionadas da vasta coleção do Orquidário “Popow Orchids” em Wolfsburg no norte da Alemanha, e registado em 1991 na Royal Horticultural Society pelo Sr. Hilmar Peter Doll, que na altura lhe deu o nome de Hanne em homenagem à esposa do Sr. Popow. Este criador registou mais de 250 híbridos, principalmente de Paphiopedilum, mas este é seguramente um dos seus maiores sucessos, sendo posteriormente utilizado na criação de inúmeros outros híbridos registados
Sendo um dos seus progenitores o Phragmipedium besseae, a sua flor tem uma forma análoga à deste, mas em tons muito mais suaves. Do outro progenitor, Phragmipedium schlimii, herdou a sua “bolsa”, redonda, volumosa e proeminente em relação às pétalas e sépalas As flores podem apresentar vários tons de rosa, desde o mais pálido, quase branco, ao rosa mais púrpura As pétalas laterais são quase perfeitamente dividas na horizontal com um tom de rosa mais forte em cima e quase brancas em baixo O labelo é também riscado em branco e rosa.
Sendo considerado de muito fácil cultivo, ele deve ser regado frequentemente, mantendo o substrato sempre ligeiramente húmido e com temperaturas variando entre uma mínima de 12 e máxima de 25 graus A fertilização deve ser escassa pois não tolera excesso de sais nas raízes. Um pequeno e delicioso Phragmipedium que floresce sequencialmente A flor dura entre uma a duas semanas e cai habitualmente antes da seguinte abrir, portanto é raro ver-se uma haste com duas flores A flor cai quando está ainda no
seu auge, muito perfeita e bonita, o que é uma pena. Por causa disto circulam histórias de alguns criadores colarem as flores com super-cola quando as levam para alguma exposição, para não arriscar que caiam. É muita imaginação !!! Uma pequena joia que fica bem em qualquer coleção.
Nota: Agradeço ao Sr. Alexej Popow as informações que me disponibilizou
Os Outros Bulbophyllum
Por Francisco Cecílio
Introdução
A maioria das nossas colecções inclui um ou vários Bulbophyllum; não é surpreendente, pois é o segundo maior Género de Angiospérmicas (plantas com flores verdadeiras) e o maior da Família Orchidaceae: inclui mais de 2200 espécies (e todos os anos são descobertas mais umas quantas) e distribui-se ao longo das regiões tropicais da América e Caraíbas, África e ilhas anexas, Ásia (que tem o maior número de espécies) e Oceânia, incluindo muitas das ilhas do Oceano Pacífico; só na Nova Guiné, considerada o ponto de
origem e de irradiação do género, estima-se que existam mais de 750 espécies diferentes.
É um Género que ocupa habitats desde o nível do mar até altitudes vizinhas dos 3500m, incluindo, portanto, plantas que crescem em condições que nós, orquidófilos, designamos por “quentes”, “intermédias” ou “frias”, comportando espécies de diferentes tamanhos, desde algumas com folhas que atingem 1,80m, até espécies médias, pequenas e muitas espécies miniaturais. É um género extremamente variável na morfolo -
gia quer floral quer das partes vegetativas, e as diferenças entre espécies são por vezes tão marcadas que custa a crer que pertencem a um único género Esta variabilidade levou os investigadores especializados em Bulbophyllum a dividir o Género em Subgéneros e Secções, grupos de espécies mais semelhantes entre si, e alguns especialistas chegam a reconhecer mais de 120 Secções Também têm sido produzidos híbridos artificiais de Bulbophyllum, que aparecem frequentemente à venda Quando analisamos as fotos de
Bulbophyllum (Lepidorhiza) cootesii (foto F. Cecílio)
Bulbophyllum publicadas pelos orquidófilos nacionais verificamos que a enorme variedade no Género não se reflecte nas nossas colecções: na práctica, cultivamos muito poucas plantas diferentes…
Este artigo tem dois objectivos: chamar a atenção para Secções e espécies interessantes, mas pouco conhecidas ou cultivadas no nosso País e discutir brevemente os princípios básicos de cultura aplicáveis a este Género
O que é um Bulbophyllum?
É uma orquídea simpodial com pseudobolbos de um único entrenó (ao contrário dos Dendrobium, por exemplo), com hastes florais que emergem directamente do rizoma, e com um labelo articulado com a base da coluna, que, mudando de posição quando lá pousa um insecto polinizador, o aperta contra a coluna, facilitando a polinização.
Na Natureza são polinizados por moscas, pelo que os aromas que usam para as atrair são, muitas vezes, desagradáveis. São descritos como cheirando a animais mortos, carne ou peixe podre, etc. No entanto, só um pequeno número de espécies é que tem cheiros tão desagradáveis e intensos que se tornam incomodativos, enquanto outras não parecem ter cheiro ou têm mesmo aromas agradáveis a flores ou frutas.
Bulbophyllum há muitos! (como chapéus )
Tentamos cultivar as plantas que conseguimos obter. Se, em alguns géneros (os Paphiopedilum, por exemplo) a dificuldade em obter plantas se deve aos preços obscenos que algumas espécies atingem, noutros casos, como os Bulbophyllum, existem muitas espécies (a maioria) que pura e simplesmente não aparecem no
comércio na Europa. Apesar disto, alguns comerciantes estrangeiros que frequentam as exposições que se vão realizando em Portugal, vão trazendo espécies antes indisponíveis, e os vendedores pela Internet e alguns vendedores especialistas e garden centers nacionais também disponibilizam um número crescente de plantas. Não é, hoje, difícil fazer uma colecção de Bulbophyllum com uma centena de espécies.
Não nos é possível discutir a totalidade das Secções referidas (não conhecemos muitas delas…), pelo que optamos por inventariar alguns grupos e/ou espécies que, pela nossa experiência e pelas suas características ou facilidade de cultivo, consideramos desejáveis em qualquer colecção.
Dada a abundância de espécies, não discutiremos neste artigo os híbridos artificiais.
As Secções Brachyantha, Cirrhopetalum, Cirrhopetaloides e Ephippium
São das mais cultivadas em Portugal. São facilmente identificáveis pelas inflorescências em pseudo-umbela, formando “leques” ou “hélices” de flores e, em muitos casos, florindo várias vezes por ano e produzindo múltiplas hastes florais em cada estação.
Gostaríamos de chamar a vossa atenção para algumas espécies menos comuns, mas igualmente bonitas e fáceis de cultivar, uma delas pequena, o B. pumilio, e duas miniaturas: o B. electrinum e o B. tingabarinum
Bulbophyllum (Sestochilus) dearei (foto F. Cecílio)
Jornal do Orquidófilo
Todas são de cultivo fácil, o B pumilio em vaso e as duas miniaturas em montagem, com elevada humidade ambiente e regas muito frequentes (com uma redução da frequência no Inverno) adubação regular durante a Primavera, Verão e Outono e temperaturas intermédias, fornecendo algum aquecimento no fim do Outono, Inverno e princípio da Primavera, e defendendo as plantas dos mais fortes calores de Verão
Podem ser cultivadas em estufa ou numa marquise, desde que se lhes consiga proporcionar permanentemente uma elevada humidade ambiente. Em nenhum caso devemos permitir que os pseudobolbos “mirrem” por desidratação…
As Secções Leopardinae e Sestochilus
Incluem espécies de flores médias a grandes (para o género), oriundas de diferentes áreas climáticas, mas fáceis de cultivar com os cuidados adequados. Algumas espécies crescem com os pseudobolbos muito próximos, o que facilita a cultura em vaso, mas outras têm os pseudobolbos relativamente afastados, tornando-as ideais para o cultivo em tabuleiros.
Da Secção Sestochilus fazem parte espécies já bastante nossas conhecidas, como o B. facetum, lobbii, smitinandii, etc, mas recomendamos aqui o B dearei: é uma espécie pequena, fácil de cultivar em vaso ou montagem, e com grande variação nas flores, pelo que pode ser interessante cultivar vários clones diferentes
Entre os Leopardinae encontramos muitas espécies interessantes e pouco conhecidas, mas muito merecedoras da nossa atenção pela facilidade de cultivo em tabuleiro ou vaso largo e baixo, e pela beleza das flores Destacamos aqui o B costatum e o B transarisanensis, uma espécie miniatura de flores grandes, que, apesar de poderem dar algum trabalho a encontrar, constituirão um ponto de interesse para qualquer colecção
Bulbophyllum (Cirrhopetaloides) tingabarinum (foto F. Cecílio)
Bulbophyllum (Brachyantha) pumilio (foto F. Cecílio)
Bulbophyllum (Cirrhopetalum) electrinum (foto F. Cecílio)
Bulbophyllum (Leopardinae) costatum (foto F. Cecílio)
As Secções Peltopus e Polymeres
Estas Secções, cuja espécie mais conhecida em cultura é o B. maxillare (= B. blumei) incluem mais de duas centenas de plantas pequenas ou miniatura, muitas delas muito floríferas e de fácil cultura. São plantas que devem ser cultivadas em montagem e que incluem espécies originárias de zonas “quentes”, “intermédias” ou “frias”. Na maioria das espécies as
flores são pequenas (1 a 2 cm) e sem cheiro, abrindo durante a noite e fechando a meio da manhã durante cerca de uma semana.
São recomendadas pelo pouco espaço que ocupam e pela relativa facilidade de cultivo.
Conclusão
Muitas outras Secções incluem espécies interessantes e desejáveis do ponto de vista do colecionador
Pretendemos, desta vez, alertar a comunidade orquidófila para um género aqui mal representado e que pode trazer mais variedade e interesse às coleções nacionais ✿
Bulbophyllum (Leopardinae) transarisanensis (foto F. Cecílio)
Bulbophyllum (Leopardinae) transarisanensis (foto F. Cecílio)
Bulbophyllum (Polymeres) pardalotum Clone A (foto F. Cecílio)
Bulbophyllum (Polymeres) pardalotum Clone B (foto F. Cecílio)
Bulbophyllum (Peltopus) bolsteri (foto F. Cecílio)
As Orquídeas de Creta
Por Américo Pereira
Um Paraíso desconhecido
Creta é a maior e a mais povoada das ilhas gregas, com um forte desenvolvimento turístico, devido essencialmente à seu património histórico e cultural, ao ambiente natural, à qualidade das suas praias e da água do mar e uma agricultura e pecuária diversificadas, que lhes permite usufruir de produtos de excelência a vários níveis.
Para mim, esta visita constituiu uma enorme e agradável surpresa: pela amabilidade e simpatia das suas gentes, pelas suas magníficas paisagens, pela sua riqueza em termos culturais, onde se destaca o património histórico e arquitetónico e ainda pela sua interessantíssima gastronomia.
A sua dimensão permite-lhe ter uma enorme diversidade paisagística e consequentemente uma enorme variedade de habitats, que vão desde o nível do mar até cerca dos 2500 metros de altitude, que suportam uma biodiversidade incrí -
Anacamptis boryi
Orchis pauciflora
Orchis simia
Neotinea lactea
vel no que toca à sua flora e onde se destacam um sem número de endemismos. Cerca de dez por cento do total das plantas que aí habitam são plantas endémicas, o que, por si só, constitui um enorme incentivo para os apreciadores
No que toca às orquidáceas esta situação também é um facto e é uma enorme surpresa para os amantes das orquídeas silvestres, não só pelas inúmeras espécies que aqui podemos encontrar, como também pelo número significativo de endemismos presentes, no que toca a esta magnífica família Será este o motivo principal desta minha abordagem, tentando mostrar o mais detalhadamente possível este universo, evidenciando sobretudo as espécies mais significativas e os locais onde podem ser observadas
Para podermos encontrar o maior número de plantas em floração numa só visita, a data ideal para uma deslocação a esta ilha será a primeira quinzena de Abril, embora ficando de fora do nosso alcance algumas outras também muito interessantes.
Entre as cerca de quarenta espécies floridas, que foi possível observar ao longo de uma semana, destacam-se surpreendentemente as do género Ophrys, assim como algumas do género Orchis e um ou outro género com menor número de espécies.
Assim, a nossa viagem começou com uma visita à região montanhosa de Thripti, com passagem por alguns locais também muito interessantes, tais como Patsides, Vrachokipos, Istro e Kavousi, onde pudemos observar, entre algumas já nossas conhecidas, novidades como a Ophrys cretensis, a Ophrys cretica, a Ophrys episcopalis, a Ophrys doerfleri, a Ophrys gortynia e a Serapias orientalis. Chegados a Thripti, nosso destino principal neste dia, deparamo-nos com mais algu -
Neotinea tridentata Serapias orientalis
Orchis sitiaca
Jornal do Orquidófilo
mas novidades como a Orchis anatolica e a Orchis sitiaca. Neste mesmo local, já da parte da tarde e após um generoso almoço num restaurante local, foi a vez de algumas das nossas “vedetas” para esta viagem a Creta, entre elas a Ophrys omegaifera, a Ophrys ariadnae, a Ophrys iricolor, a Ophrys fleischmannii e a Ophrys heldreichii
A Tulipa saxatilis, a Tulipa cretica e o Cyclamen creticum estão também entre algumas outras observações privilegiadas para esta localidade de Thripti.
No dia seguinte, a nossa deslocação foi bastante mais longa (com um total de cerca de 300 Km) e teve como destino principal Spili O destino final foi antecedido com paragens em Vourvoulitis, Vori, Xirokampos e Orne Todas estas etapas intermédias foram ricas em observações, com especial relevo para a Serapias bergonni, a Ophrys knossia, Ophrys candica, Ophrys cinereophila e Ophrys spruneri, entre outras mais já nossas conhecidas
Após o almoço, onde nos foi proporcionado degustar mais algumas das delícias da gastronomia local, encetámos a subida à zona montanhosa de Spili, onde nos deparámos nitidamente com um “mar de orquídeas”, ficando nós imediatamente com a sensação, que mais tarde se veio a confirmar, de que o tempo seria reduzido para nos podermos embrenhar detalhadamente com cada uma das espécies ali presentes. Aqui os destaques vão para algumas espécies como a Orchis sitiaca, Orchis quadripunctata, Orchis pauciflora, Anacamptis boryi, Neotinea lactea, Neotinea tridentata, Ophrys creberrima, Ophrys phryganae, estando também presentes muitas outras espécies já vistas noutras paragens. Este local é também o habitat da belíssima e muito rara Tulipa doerfleri
Orchis quadripunctata
Ophrys candica
Ophrys omegaifera
Ophrys spruneri
Ophrys cretica
Ophrys grigoriana
Ophrys heldreichii
Ophrys iricolor
Ophrys episcopalis
Ophrys ariadnae
Jornal do Orquidófilo
Tulipa saxatilis
Tulipa doerfleri
Tulipa saxatilis bakeri
Anemona coronaria
Em mais uma jornada desta nossa expedição pelas orquídeas e outras plantas, desta fantástica ilha, teve lugar mais uma longa etapa com o destino final de Grigoria, local este que deu nome à rara e belíssima Ophrys grigoriana Pelo caminho houve lugar para uma paragem, onde pudemos, entre outras, fotografar os primeiros exemplares da Ophrys grigoriana. Foi depois altura de atravessar e belíssima aldeia de Grigoria, rodeada de magníficas montanhas e logo depois parar numa encosta que se nos revelaria também uma grande surpresa. Entre mais exemplares da mesma espécie observada na paragem anterior, conseguimos ainda apreciar excelentes exemplares da Orchis simia e da Ophrys basilissa, esta já em final de floração. Neste mesmo local, muitas das outras espécies de orquídeas já vistas noutras deslocações dos dias anteriores, estavam também em plena floração, o que tornava este espaço noutro ponto privilegiado para todos os apaixonados por orquídeas silvestres.
Nos restantes dias houve ainda oportunidade para visitar alguns lugares míticos da ilha, não só em termos botânicos como históricos Foi o caso do Planalto de Omalos, um paraíso para a Tulipa saxatilis subsp bakeri e a Anemone coronaria e ainda o Planalto de Lasíti, com as suas aldeias típicas e a imensa flora que o carateriza, tendo como um dos expoentes o Dranunculus vulgaris. Não pudemos também deixar de lado uma visita às magníficas ruinas de Knossos, do riquíssimo Museu Arqueológico de Heraklion, assim como os imponentes vestígios da presença Veneziana na parte baixa da capital (Heraklion) e do porto de mar A belíssima e histórica cidade de Chania mereceu também uma visita, sendo a segunda mais populosa da
ilha e uma das mais cosmopolitas. Embora muitas outras espécies de orquídeas tivessem sido observadas, no relato desta viagem centrei a minha atenção naquelas que serão mais significativas e nossas desconhecidas, sobretudo as endémicas, deixando propositadamente de lado as que podemos ver também em Portugal e ou nas vizinhanças.
Não havendo aqui espaço para a descrição morfológica de cada uma delas, penso que as fotos “falarão” de forma mais eloquente do que qualquer texto descritivo, sobretudo para os “amadores” como nós, destas andanças. ✿
Orchis quadripunctata f. ‘semi-alba’
Orchis anatolica
Neomoorea wallisii
Por Michael Benedito
O género Neomoorea é constituído por apenas uma espécie, mas creio que tem um historial botânico extremamente interessante
O primeiro nome que foi atribuído à planta que hoje em dia designamos de Neomoorea wallisii foi, na verdade, Lueddemannia wallisii Em termos botânicos, a palvra basiónimo refere-se sempre ao nome que é dado a uma nova espécie, quando é descrita pela primeira vez Neste caso, o basiónimo foi atribuído pelo botânico alemão Henrich Gustav Reichenbach, que descreveu e publicou a planta em 1876 como Lueddemannia wallisii.
Entretanto, em 1890, o botânico inglês Robert Allen Rolfe descrevera a mesma planta como Moorea irrorata, em homenagem ao seu grande amigo irlandês Frederick Moore, que foi curador e trabalhou no Jardim Botânico de Glasnevin por mais de quarenta anos.
Rolfe desconhecia que Reichenbach já havia feito uma publicação e atribuído um nome à planta catorze anos mais cedo. Naquela altura havia um elevado número de espécies a serem descritas e quando uma mesma planta é descrita mais do que uma vez, o código de nomenclatura botânica dá precedência ao nome mais antigo.
Curiosamente surgiu um outro problema: o nome Moorea já tinha sido utilizado pelo botânico francês Charles Lemaire para descrever um género de gramíneas em 1855, logo não poderia ser novamente usado para descrever uma orquídea Assim sendo, Moorea irrorata
Outono - Inverno 2018
tornara-se num nome inválido e quatro anos mais tarde, Rolfe voltou a publicar a espécie como Neomoorea irrorata, ou seja, a nova Moorea. O epíteto específico irrorata deriva do latim irroratus que significa borrifar ou aspergir, alusivo à estrutura cristalina do interior da flor, que parece ter sido borrifada com água Outros géneros de orquídeas passaram por uma incongruência semelhante, tais como Neofinetia, Neobenthamia, Neocogniauxia, Neodryas e Neotinea.
Vinte anos mais tarde, Rudolf Schlechter apercebera-se de que Lueddemannia wallisii (Rchb. 1876) e Neomoorea irrorata (Rolfe 1904) tratavam-se da mesma planta, durante uma revisão taxonómica. O nome mais antigo é indubitavelmente Lueddemannia wallisii, mas como a planta em questão não poderia pertencer ao género Lueddemannia devido a
diferenças morfológicas, Schlechter publicou a espécie como Neomoorea wallisii em 1924. O epíteto específico wallisii é em homenagem ao horticultor alemão Gustav Wallis, que coletou e introduziu na Europa mais de mil novas espécies de plantas ornamentais. Este epíteto específico tem precedência sobre irrorata, por ter sido publicado primeiro. A planta é ainda hoje em dia designada por Neomoorea irrorata com alguma frequência, mas este nome é inválido e sinónimo de Neomoorea wallisii É uma planta com hábito terrestre, que vegeta as florestas tropicais intermédias a quentes, sempre abaixo dos 2000m de altitude. Gosta de locais com alguma sombra, preferencialmente em substratos bastante orgânicos e com boa retenção de humidade. É endémica da região biogeográfica que corresponde ao estreito do Panamá e a norte da Colômbia.
É uma planta muito atrativa, mesmo fora da época de floração, devido às enormes folhas que fazem lembrar uma palmeira.
A espécie atinge proporções consideráveis, com pseudobolbos de 18cm de altura encimados por um par de folhas plicadas, que atingem um metro de comprimento nas plantas adultas. As inflorescências verticais são produzidas em simultâneo com o surgimento dos novos rebentos, mas as flores abrem antes ou com o aparecimento das folhas (floração proterântica a sinântica) e cada haste pode produzir até 20 botões florais
As flores medem 6cm diâmetro e abrem em sucessão. São de tonalidade avermelhada com o centro branco, mas à medida que envelhecem ficam amarelas nesta região, o que confere uma gradação de cor do topo para a base da inflorescência quando as flores estão todas abertas: um efeito peculiar!
Têm um leve aroma a citrinos e são polinizadas pelas famosas abelhas coletoras de fragrâncias do grupo Euglossine.
Relativamente ao seu cultivo, o problema principal é a falta de espaço, porque uma planta jovem pode facilmente se transformar numa colónia e ocupar dois metros quadrados decorridos alguns anos. Regra geral, a planta duplica de tamanho anualmente com boas condições de cultivo e floresce na primavera.
Gosta de boa luz, nunca sol direto, e regas abundantes durante o verão. O substrato deve ser bem drenado e simultaneamente ser capaz de reter alguma humidade por vários dias. Substratos demasiado porosos secam depressa e farão com que as novas brotações fiquem com as folhas deformadas em acordeão. A Neomoorea não gosta de frio e a temperatura mínima noturna no inverno deverá rondar os 15ºC. Pode tolerar temperaturas noturnas ligeiramente mais baixas, desde que durante o dia a temperatura oscile sempre acima de 18ºC ✿
Angraecum sesquipedale
Foto de José Macedo
Madagáscar e Reunião
Orquídeas e Outras Maravilhas
Por
José Santos
Há cerca de 200 milhões de anos, a deriva dos continentes separou uma pequena parte de terra entre o que viriam a ser a futura Índia e o continente africano. Assim nasceu a quarta maior ilha do mundo – Madagáscar – cujos habitantes ancestrais, a sua fauna e flora, evoluíram afastados de tudo criando espécies únicas e muito originais!
No passado mês de setembro tive a oportunidade de passar duas semanas nessa magnifica ilha numa das minhas viagens de grupo, as GREENTRIPS – viagens para visitar as joias naturais do nosso planeta.
É impossível viajar para um destino como Madagáscar sem associar a extrema pobreza da população com o excessivo uso dos seus recursos naturais A ilha está esgotada A terra é utilizada sem planeamento nem controlo.
É difícil implementar ideias ecológicas quando grande parte da população apenas sobrevive do pouco que tem e do que consegue tirar da natureza.
Ao longo dos muitos quilómetros que percorremos na zona central, de Oeste para Este, pudemos presenciar o desgaste da terra que outrora foi verde e luxuriante e hoje está desertificada, transformada em campos de plantações de árvores de crescimento rápido
Jornal do Orquidófilo
(para serem ardidas para fazer carvão) ou em campos de arroz.
Madagáscar tem hoje 10 % da sua floresta e desta, só cerca de 1% é considerada floresta primaria, ancestral. Essa floresta está hoje protegida e encontra-se distribuída em áreas isoladas praticamente por toda a ilha, como grandes oásis num deserto árido. São florestas lindíssimas, habitadas por seres fantásticos e que nos levam a imaginar como seria Madagáscar quando os portugueses ali chegaram (a meiocaminho das índias) no ano de 1500.
Os Gigantes
O voo de Paris levou-nos para a capital, Antananarivo, onde só estaríamos algumas horas até ao próximo voo para Morondava, um desvio para uma área seca e muito castigada, mas essencial na nossa visita. Queríamos conhecer os gigantes anciãos de Madagáscar. Não podíamos deixar de visitar a Avenida dos Baobás Os exemplares maiores e mais majestosos estão avaliados como tendo mais de 2000 anos. São mais de 200 exemplares de grande porte, com cerca de 30 metros de altura ao longo de uma estrada rudimentar com mais de 2500 metros de comprimento A espécie dominante é a Adansonia grandidieri, endémica de Madagáscar, podendo também ser encontrados neste local alguns exemplares das espécies Adansonia rubrostipa e Adansonia za. São árvores impressionantes, sublimes e esperar pelo magnifico por-do-sol para fotografar os Baobás ao crepúsculo será uma das experiências que dificilmente esquecerei.
O Evoluir da Paisagem
Durante os vários dias seguintes, o grupo viajou em dois mini-autocarros por estradas esburacadas, umas alcatroadas, outras não, desde Morondava, a Oeste, com diversas paragens, até ao Paraíso dos lagos da costa Este, separados do oceano índico por uma fina língua de areia. Nessa longa viagem, sempre acompanhados de locais a pé, rebanhos de Zebus, os mais diversos veículos motorizados carregados de tudo o que é possível
Baobás, foto de José santos
Epífitas, foto de José Santos
Cynorkis sp., foto de José Santos
imaginar (patos, carvão, cereais, tijolos, etc) fomos vendo a alteração da paisagem. No início mais plano e seco, quase só com alguns arbustos e depois com algumas elevações já trabalhadas em socalcos e transformadas em campos de arroz, o alimento da dieta-base de Madagáscar. No campo dos frutos a Banana é a rainha, logo seguida dos Ananases. Madagáscar tem a espécie mais rara de banana, a Ensete perrieri, uma parente próxima da banana cultivada em todo o mundo, mas vimos vários tipos de bananas à venda, assim como Papaias, Anonas, Mangas, Maracujás, Cocos e as deliciosas Jacas. É engraçado como as plantas estão espalhadas por todo o mundo Nos jardins encontramos de tudo, Bougainvillias, Azáleas, várias espécies de palmeiras, muitas Árvores-do-viajante (Ravenala madagascariensis), endémicas de Madagáscar Como proteção contra intrusos, junto a muros ou como sebes é muito comum encontrar as bonitas Euphorbia milli
Quando chegamos à zona central de ilha a paisagem muda de novo tornando-se mais acidentada e mais arborizada Ao longo de toda a viagem vamos vendo fogos florestais sem qualquer controle. O guia riu-se quando estranhámos nunca termos visto um bombeiro São os locais que deitam fogo à mata. A madeira ardida é muito importante para a produção de carvão que se vende ao longo das estradas e nas feiras, a principal fonte combustível para os locais. A floresta secundária (plantada) é composta principalmente por espécies exóticas, Pinheiros da zona do México e Eucaliptos australianos, as espécies são diferentes das que temos cá, os Eucaliptos têm uma casca grossa e rugosa, não ardem tão facilmente.
Uma zona importante é a região “Col de Tapia”, perto de Antsirabe, onde encontrámos as florestas de Tapia (Uapaca bojeri), que resistem ao fogo devido à sua casca espessa. Lembram um pouco os nossos Sobreiros e os seus frutos, os “Voapaka”, são comestíveis.
Depois de tanta terra vermelha e seca, as florestas montanhosas e chuvosas da costa Este são completamente diferentes e foram saudadas com agrado pelo seu verde. Vários tipos de Ficus,
Ravenala madagascariensis, foto de José Santos
Angraecum eburneum, foto de José Santos
Jornal do Orquidófilo
Lianas, Fetos, Bambus e tantas outras plantas de clima tropical húmido compõem estas florestas mais cerradas e coloridas.
Nas zonas de floresta também a fauna é muito mais diversa e tivemos oportunidade de ver Lémures, Aves, Camaleões e outros répteis em liberdade nos parques naturais de Ranomafana e de Andasibe-Mantadia.
Mais uma vez mudamos de paisagem e de Brickaville seguimos de barco pelo canal fluvial Pangalanes e atravessando o lago Rasoabe até à ilha de areias brancas e águas mornas de Akanin’ny Nofy (quer dizer “Ninho dos Sonhos”) rodeada pelo lago Ampitake E é mesmo um sonho Casas de Madeira, palmeiras na praia, frutos tropicais, o som dos chamamentos dos Lémures à distância e plantas exóticas, entre elas as carnívoras Nepenthes madagascarensis e Nepenthes masoalensis, numa margem pantanosa do lago e orquídeas, muitas orquídeas
Orquídeas de Madagáscar
Tal como acontece na fauna e restante flora desta zona insular, a família Orchidacea está muito bem representada em Madagáscar onde podemos encontrar cerca de mil espécies de orquídeas e 90% dessas espécies são endémicas. Inicialmente, antes de chegarmos às florestas, as únicas orquídeas que encontrávamos estavam plantadas nos jardins por onde íamos passando e aí, curiosamente e como já aconteceu em outros países, só encontrávamos espécies exóticas que não eram originárias de Madagáscar, Epidendrum da América do Sul, Coelogyne cristata, dos Himalaias, Dendrobium, Arachnis e outros géneros asiáticos.
No entanto, assim que fomos para os parques naturais das zonas tropicais, os guias botânicos que nos acompanharam mostraram-nos várias espécies endémicas e outras mais conhecidas na floresta
Bulbophyllum analamazoatrae, foto de José Santos
Um género bem representado em Madagáscar são os Angraecum e tivemos sorte de ser a época de floração dos Angraecum sesquipedale (a orquídeaestrela, também conhecida como a orquídea de Darwin) e do Angraecum eburneum conseguindo ver, em vários sítios, bonitos exemplares em flor
Outras que vimos pela primeira vez foram os Bulbophyllum françoisii, Bulbophyllum analamazoatrae, Bulbophyllum auriflorum e o fantástico Bulbophyllum ocultum. Quando andávamos a procurar Camaleões numa parede rochosa que escorria água, um meio completamente alagado, encontramos umas dezenas de Cynorkis lowiana também em flor, que localmente são chamadas de “Bailarinas”
Aprende-se sempre muito ao vermos orquídeas e outras plantas a crescerem nos seus habitats naturais Aí podemos ver as condições que preferem e que nos levam depois a aperfeiçoar os cultivos dessas plantas nas nossas casas.
Outra das orquídeas que fomos encontrando por toda Madagáscar foi a Planta da Baunilha, a Vanilla Planifolia, que não sendo originária de Madagáscar, é cultivada ali em grande quantidade
Bulbophyllum sp., foto de José Santos
Bulbophyllum françoisii, foto de José Santos
Cynorkis lowiana, foto de José Santos
Situada a 800 Km a Leste de Madagáscar, a Ilha de reunião tem uma área de 2510 Km2. Muito mais pequena do que Madagáscar, mas, como termo de comparação, é mais extensa do que o arquipélago dos Açores todo junto (2333 Km2).
E é uma ilha completamente diferente de Madagáscar De origem vulcânica, com dois vulcões principais, o “Piton des Niéges”, actualmente extinto, e o “Piton de la Fournaise” em actividade e que, na sua última erupção em setembro de 1992, acrescentou mais alguns hectares à ilha devido à lava que foi expelida e que foi solidificar no mar
É uma ilha com muitos microclimas e basicamente com duas estações: o Verão, de outubro a março, com altas temperaturas e chuvas intensas e de abril a setembro, o Inverno mais frio e seco. Devido a ser uma ilha muito acidentada, podemos encontrar várias temperaturas muito distintas em simultâneo, em locais diferentes da ilha. É também uma ilha muito fustigada por ciclones
A Ilha de Reunião
Paisagem de floresta na Ilha de Reunião, foto de José Santos
Dendrobium sp., foto de Paulo assunção
Fotografando a Jumellea rossii, foto de Paulo assunção
A paisagem contrasta entre as florestas verdes e cheias de fetos arbóreos e as zonas vulcânicas em maior altitude e muito áridas Uma das curiosidades que pude observar é a colonização dos mantos de lava pela flora local, primeiro musgos e líquenes, depois arbustos baixos, e na lava mais antiga já com pequenas florestas, fetos até a zonas antigas muito arborizadas, verdadeiras florestas tropicais
A Ilha Reunião orgulha-se de manter ainda 40% de área florestal sendo 10% floresta ancestral. Ao passearmos na floresta encontramos muitas espécies exóticas, oriundas dos vários cantos do mundo que já colonizaram a ilha.
Perfumes e Especiarias
Em Saint Phillipe, visitámos o Jardim dos Perfumes e Especiarias onde aprendemos muito sobre as plantas que estão na origem das muitas especiarias, os seus benefícios e como são obtidas essas especiarias, assim como muitas plantas cujas essências e óleos são utilizados na perfumaria. Muito interessante aprender sobre a Curcuma,
Jumellea rossii, foto de Paulo assunção
o Gengibre, as pimentas e tantas outras plantas e fantásticas frutas exóticas.
A cozinha local utiliza muitas destas especiarias ali produzidas e são muito famosos os condimentados pratos de culinária crioula.
A nível de culturas, vimos bastante cultivo de ananás e também uma enorme produção de canade-açúcar.
A Baunilha
É também famosa na ilha de Reunião a cultura da baunilha e eu não podia deixar de visitar uma quinta destas orquídeas tão diferentes e cujo fruto é tão utilizado na culinária mundial As plantas da Baunilha são oriundas do México, mas há muito tempo que se cultivam tanto em Madagáscar como na Ilha de Reunião, pelas condições climáticas propícias. A Baunilha (maioritariamente a espécie Vanilla planifolia) é uma orquídea epífita, uma trepadeira que cresce subindo pelas árvores ao longo dos troncos. As flores são polinizadas manualmente porque ali não existem polinizadores naturais e porque as flores têm uma duração muito
Jornal do Orquidófilo
curta, abrem de manhã e murcham ao final do dia Na quinta que visitei, as Baunilhas cresciam nas árvores da floresta e no início da época das florações, os cultivadores baixam as plantas para que as flores fiquem acessíveis para serem manualmente polinizadas. Num dia de trabalho, das cinco da manhã ao meio-dia, um cultivador pode polinizar manualmente cerca de mil flores que irão originar as vagens que, meses depois, até dois anos, poderão ser utilizadas como o aromatizante mais conhecido do mundo e utilizado tanto em pratos doces como salgados. A qualidade da Baunilha depende do método de maturação do fruto (a vagem) e quanto mais longo e natural, melhor é o produto final.
Orquídeas
A ilha de Reunião tem cerca de 158 espécies de Orquídeas que crescem nas suas florestas, não existem espécies grandes, coloridas e de flores espampanantes, mas encontram-se várias espécies muito interessantes, tanto terrestres como epífitas. Para além da Baunilha, outra orquídea muito comum na Reunião é utilizada para fazer um chá com propriedades medicinais, é a Jumellea rossii. Nas nossas caminhadas na floresta vimos várias orquídeas, mas muito poucas em flor Felizmente conseguimos ver uma destas bonitas Jumellea em flor. Nos jardins particulares e muito floridos da ilha, viam-se muitas outras orquídeas, trazidas de outros pontos do planeta, Epidendrum da América do Sul, Arachnis, Spathoglottis e Dendrobium asiáticos, entre muitas outras Apesar de nos jardins se verem principalmente espécies exóticas os guias estavam preocupados com a proteção das espécies silvestres que eram colhidas das florestas sendo necessária a criação de um plano urgente para a sua protecção. ✿
Paisagem vulcânica na Ilha de Reunião, foto de Paulo Assunção
Baunilhas, foto de José Santos
Flor de Vanilla planifilia, foto de José Santos
Jornal do Orquidófilo
As Nossas Exposições
Por José Santos
Aconteceu no fim-de-semana de 24 e 25 de Novembro, a segunda edição da EXPOSIÇÃO DE ORQUÍDEAS DE OEIRAS, mais uma vez no excelente espaço AERLIS, em Oeiras.
Uma exposição com o tema “As Orquídeas na Arte” em que homenageamos os ilustradores botânicos que, ao longo dos tempos, retrataram as orquídeas
Uma exposição cheia de atractivos para o visitante, com bonitos exemplares expostos das colecções privadas dos associados e muita escolha num bom leque de vendedores tanto nacionais como internacionais. Assim, estiveram presentes as empresas portuguesas especialistas em orquídeas, Jardins Sintra, Mestre Jardineiro, OrchisRafa e Wingarden e também a Ecuadorquideas (Equador), a Florália (Brasil), a OLA Orquídeas (Brasil) e a Pantópica (Espanha). Outros vendedores de outro tipo de plantas estiveram representados pela Aromas, Cores e Plantas, com plantas suculentas e a Bromélias do Brejo, com Bromélias e Tillandsias. Houveram ainda representações da marca SIRO ® pela empresa Leal e Soares o artesanato de tecidos de As Linhas da Sara e os doces e licores da Casa das Encosturas. Muito para admirar e comprar!
Orchid Paradise
Phalaenopsis Penang Violacea var. Alba
No campo da formação, o dia de Sábado foi repleto de bons temas pelos melhores especialistas nacionais e estrangeiros. O Manuel Lucas, representando a Pantrópica e o Orquidário de Estepona, apresentou uma interessante palestra sobre o género Bulbophyllum, Carlos Espejo, da empresa OLA Orquídeas, falou-nos sobre as Hoffmannseggella, o Michael Benedito, da ilha da Madeira, que nos falou sobre a coleção
de Stanhopea que recebeu de Inglaterra (ver pág. 9) e sobre o género Stanhopea em geral. O Américo Pereira (do blog Orquídeas Soltas) falou sobre “O Fascínio e Exotismo do género Maxillaria” e o Prof. Luís Pedrosa sobre os “Novos híbridos de Orquídeas”. No segundo dia, numa vertente mais prática, o Manuel Lucas fez uma montagem de um raro Bulbophyllum beccarii, montagem essa que pela sua raridade foi filmada e está disponível no Youtube em https://youtu.be/d7ca2BR2qtM. Do Wingarden o Clayton Ribeiro falou sobre o “Cultivo de Angraecum”, o Jorge Freixial (Bromélias do Brejo) sobre montagens com Tillandsias e Orquídeas e o José Santos sobre o cultivo geral de Orquídeas.
híbridos
Sendo esta edição sobre o tema da arte ilustrativa, estiveram em exposição um conjunto de trabalhos de alunos do curso de pintura do “Grupo do Risco” representando orquídeas
Como é habitual, não faltaram também os habituais concursos de orquídeas e de decorações com orquídeas cujos resultados publicamos nas páginas seguintes.
Uma exposição que já tem o seu espaço garantido e que voltará certamente em 2019
Exposição dos associados. (Foto de Florinda Lopes)
Jornal do Orquidófilo
Índice das fotos e lista de Premiados na Exposição de Orquídeas de Oeiras 2019 Fotos de Florinda Lopes
[1] Melhor Apresentação de Orquídeas, de OrchisRafa; [2] Melhor Espécie e Melhor Exemplar da Exposição, Bulbophyllum longissimum, de Michael Benedito; [3] 1º Prémio – Melhor Híbrido, Paphiopedilum Pinocchio, de Cristina Neves; [4] Melhor Miniatura e 2º Prémio Melhor Espécie, Dryadella liliputiana, de Mafalda Scott; [5] 3º Prémio Melhor Espécie, Sophronitis brevipendiculata, de Luis Gonçalves; [6] 2º Prémio Melhor Híbrido, Paphiopedilum Sukakhulii Híbrido, de Cristina Neves; [7] 3º Prémio Melhor Híbrido, Dendrobium Green Elf, de Helena Cerveira; [8] 3º Prémio Melhor Miniatura, Isabelia virginalis, de Ana Pereira; [9] 2º Prémio Melhor Miniatura, Barbosella sp , de Michael Benedito; [10] Menção Honrosa, Paphiopedilum insigne, de Susana Cravo; Outros prémios (sem foto) Menção Honrosa, Cymbidium híbrido de Jardins Sintra; Menção Honrosa, Bulbophyllum rothschildianum, de Nuno Gama;
2º Prémio Apresentação de Orquídeas, Jardins Sintra; 3º Prémio Apresentação de Orquídeas, Wingarden.
Orchid Paradise
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Biblioteca
ORQUIDÓFILA
THE ORCHID
Autor: Lauren Gardiner e Phillip Cribb
Editora: Andre Deutsch / Royal Botanic Gardens
Kew, 2018
224 páginas e 40 gravuras
Um verdadeiro tesouro, esta edição dos Jardins Botânicos Reais de Kew Uma caixa que contém o livro e um conjunto de reproduções de gravuras botânicas históricas das orquídeas descritas na obra literária
O único aspecto que lamento é que as 40 gravuras sejam impressas em 20 folhas, duas por cada folha. No caso que querermos emoldurar ou colocar numa outra forma de apresentação, temos sempre uma gravura que se perde, pois, cada folha tem uma frente e um verso.
Esta é, primeiro que tudo, uma obra histórica que celebra a grande diversidade botânica da família Orchidaceae e principalmente a história e eventos que caracterizam 40 espécies escolhidas de entre as cerca de 30.000 existentes.
Sem critério aparente a não ser a grande variedade, o livro revela gravuras, cartas, descrições e personagens envolvidas em 40 das
mais icónicas espécies Relatos de descobridores, caçadores de orquídeas, botânicos e cultivadores fazem a história de cada espécie apresentada.
Uma obra com uma edição cuidada e de muita qualidade. As gravuras e documentos reproduzidos fazem parte do enorme arquivo botânico, um dos maiores do mundo, dos Royal Botanic Gardens, Kew.
Porque as Orquídeas não são só plantas de flores exóticas, conhecer estes documentos e estas histórias é essencial para qualquer orquidófilo.
Livro escrito em inglês ✿
FIELD GUIDE TO THE ORCHIDS OF MADAGASCAR
Autor: Phillip Cribb e Johan Hermans
Editora: Royal Botanic Gardens Kew, 2009 456 páginas.
Este foi o livro que utilizei tanto na preparação da viagem GREENTRIP MADAGÁSCAR E REUNIÃO como durante a viagem, para identificação de alguns exemplares que fomos encontrando É um livro muito completo e muito explicativo sem se tornar cansativo. Dá-nos uma boa introdução tanto para as Orchidaceae como para a Ilha de Madagáscar, a sua geografia e os vários
Biblioteca
ORQUIDÓFILA
tipos de habitats e climas que podemos encontrar em Madagáscar. Toda a informação está bem demonstrada com fotos, mapas e esquemas de qualidade
São cerca de 400 páginas de apresentação das muitas espécies de orquídeas existentes em Madagáscar agrupadas em 57 géneros Todas as espécies têm uma pequena descrição e um mapa de localização muito útil na identificação de uma planta
Ficamos ainda a conhecer um pouco da flora mais característica de Madagáscar e no final encontramos um bom glossário para quem não está familiarizado com termos botânicos.
Os únicos aspectos que lamentei foram o facto dos géneros não estarem ordenados por ordem alfabética o que, ao utilizarmos como um guia de campo, tornava mais rápida a pesquiza, e o peso do livro que tive que carregar durante as longas caminhadas pela floresta, nada prático. ✿
O NOSSO DESDOBRÁVEL
Informam-se todos os associados que temos disponíveis panfletos desdobráveis com informação sobre orquídeas e sobre o nosso Clube para serem divulgados em locais onde possam ter interesse em orquídeas e onde possamos angariar novos associados para o Clube. Aos interessados em distribuir pelas vossas áreas de residência, por favor contactem-nos que vos enviaremos alguns exemplares.
ORCHIDÉES DE LA REUNION
Autor: Patrice Bernet
Editora: Naturae Amici Éditions, de 2010
368 páginas.
(Foto do autor de Rossana Teresa)
Outro livro que nos recordará sempre a viagem à Ilha de Reunião onde conhecemos o seu autor, com quem tivemos a oportunidade de conversar, passear na floresta e ver algumas orquídeas
Um livro de grande qualidade que nos dá uma boa apresentação da ilha de Reunião e das suas 158 espécies de orquídeas.
Com fotos de grande beleza para conhecermos estes belíssimos e raros exemplares.
Um livro muito completo que pudemos trazer autografado pelo autor. ✿
Jornal do Orquidófilo
WORKSHOPS EXPOSIÇÕES
JARDINS SINTRA - SINTRA
Sábado, 2 de Fevereiro, às 15h00
O Género COELOGYNE
Orientado por José Santos
Sábado, 16 de Março, às 15h00
Cultivo de PHALAENOPSIS
Orientado por José Santos
Sábado, 13 de Abril, às 15h00
Cultivo de DENDROBIUM
Orientado por José Santos
PARCERIAS
O Clube dos Orquidófilos de Portugal tem parcerias com as seguintes empresas que se disponibilizaram a oferecer vantagens aos nossos associados:
JARDINS SINTRA LDA
10% de desconto em todas as orquídeas e produtos para orquidofilia.
LUSO BONSAI
20% de desconto em orquídeas, exceto botânicas, montadas e plantas sem flor.
MESTRE JARDINEIRO
10% de desconto em todas as plantas.
WINGARDEN & HOME
10% de desconto em todas as orquídeas e produtos para orquídeas.
BROMÉLIAS DO BREJO
Oferece 20% do valor de uma compra em plantas na loja online. Não aplicável em Feiras.
ORCHISRAFA
10% de desconto em todas as orquídeas e produtos para orquidofilia.
Se conhecer alguma empresa que possa querer publicitar os seus serviços ou produtos ou fazer uma parceria com o Clube, escreva-nos para o nosso email com a sua sugestão.