

Volume 3 – Nr. 12
2º Trimestre de 2016

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Volume 3 – Nr. 12
2º Trimestre de 2016

NOVAS ESPÉCIES
Encyclia inopinata
Propriedade do Clube dos Orquidófilos de Portugal®


Este jornal é distribuído a todos os sócios do Clube.
EDITOR
José M. M. Santos jose.santos.orquideas@gmail.com
COLABORADORES NESTE NÚMERO
Ana Pereira
Américo Pereira
Luís Gonçalves Paulo Assunção
EMAIL REVISÃO
clubeorquidofilosportugal@gmail.com
Calçada do Tojal, Nr. 58 RC D 1500-596 Lisboa
962835128
PÁGINA NA NET
http://www.clubeorquidofilosportugal.pt
SOCIEDADE As Orquídeas de Lalique
PERFIL DO ORQUIDÓFILO
Madalena Pereira
ORQUÍDEAS PORTUGUESAS
Dactylorhiza ericetorum
ORQUÍDEAS

8
Cultivar Cattleyas (Sophronitis) ….…. 10
O nosso Cartão de Sócio 2016 12
AS NOSSAS ORQUÍDEAS
Arpophyllum spicatum …………………. 13 Bulbophyllum bicolor
AS NOSSAS EXPOSIÇÕES
Camélias e Orquídeas em Sintra …... 15 Expo Orquídeas Lisboa 2016 ………... 16 As Orquídeas Premiadas ………………. 17
ASSEMBLEIA GERAL 2º Aniversário do Clube .
AGENDA
19
A nossa página na Net 20 Workshops & Exposições 21
BIBLIOTECA ORQUIDÓFILA
A Very Victorian Passion
PARCERIAS
Publicidade …………
20
23
(Acima) Diadema “Orquídeas” foto da página do Museu Gulbenkian Foto da Capa: Cattleya (Sophronitis) cernua foto de José Santos
Contracapa: Dactylorhyza ericetorum Foto de Américo Pereira

Este trimestre, mais precisamente no dia 21 de Abril, o C O P – Clube dos Orquidófilos de Portugal completou o seu segundo aniversário. No início de Maio a comemoração foi feita, para os associados que quiseram participar, com um passeio e piquenique em Sintra onde se realizou também a nossa
Assembleia Geral
Os Corpos Gerentes sofreram algumas mudanças mas quero aproveitar esta oportunidade para agradecer a todos os que fizeram parte dos Corpos Gerentes neste primeiro mandato de dois anos. Por acreditarem neste projeto e por dedicarem a ele o tempo e a atenção que lhes foi possível Neste que foi o mandato da consolidação do C.O.P., o meu pessoal agradecimento a todos.
Agradeço também aos repetentes e aos novos membros dos Corpos Gerentes e a todos os que nos têm ajudado Mais uma vez, Obrigado!
E a primeira mudança neste novo mandato vem com esta mesma revista, o nosso JORNAL DO ORQUIDÓFILO, que passa a ser impresso em papel e distribuído a todos os sócios com as quotas em dia. Serão mais gastos e mais trabalho para os voluntários pois a revista tem um custo (que só agora conseguimos suportar) e dá trabalho ter que ser colocada nos envelopes, escrever os endereços e despachar tudo pelo correio E porque nos damos a esse gasto e trabalho adicional? Porque apesar de concordarmos que um jornal digital é mais ecológico, menos trabalhoso e mais barato, verificamos que nem toda a gente tem acesso fácil a um computador e que haviam sócios que estavam impedidos de ler a revista Assim, o nosso JORNAL DO ORQUIDÓFILO passa a ser uma revista física, trimestral, com um tamanho prático para ler, para levar qualquer lugar e que esperamos seja uma leitura agradável e útil para todos os associados.
E os conteúdos que vos apresentamos neste número são variados e esperamos que interessantes. Temos novas espécies recentemente descritas, uma entrevista à nossa associada Madalena Pereira, um apontamento de arte com as orquídeas de Lalique e o Sr Américo Pereira apresenta-nos a orquídea Dactylorhiza ericetorum que cresce nos nossos campos portugueses. As Sophronitis, agora Cattleya, têm um merecido destaque, assim como algumas orquídeas que floriram em nossas casas. Neste número também fazemos a resenha dos últimos eventos em que participamos e os prémios que foram atribuídos nesses eventos.
Termino repetindo o pedido que faço em todos os números:
- Esta revista é nossa! Contamos com a colaboração de todos para que juntos aprendamos mais sobre orquídeas. Se tiverem informações úteis, fotos, artigos ou ideias, não deixem de nos contactar.
Boas leituras e bons cultivos!!

Saudações Orquidófilas!


Encyclia inopinata
Quando o Dr. Carlos Leopardi-verde, da Universidade de Colima e Centro de Investigação Científica do Yucatan e os seus companheiros German Carnevali e Gustavo Romero-Gonzalez, ambos do Centro de Investigação do Yucatan e do Herbário da Universidade de Harvard encontraram esta orquídea em flor, ficaram tão surpresos pela sua cor e forma únicas que lhe deram o epíteto especifico “inopinatus”, que quer dizer “inesperado”.
É uma espécie bastante rara, segundo a equipa de investigadores, só se encontrando em poucas localizações a crescer nas rochas em florestas decíduas na encosta virada para o Pacífico no estado de Oaxaca, no México.
É uma orquídea com cerca de 40cm de altura e que, quando florida, pode atingir os 80 ou 90 cm. Cada inflorescência pode ter entre 3 a 8 flores. A época de floração é entre Março e Julho
As flores são relativamente grandes e as cores variam entre o bronze-esverdeado com riscas púrpuras até aos rosa e creme decoradas com pintas e traços castanho-avermelhados. O labelo é amarelo com riscas vermelho carmim e acastanhado
Uma bonita nova espécie que deverá demorar alguns anos até entrar no circuito comercial. ✿

Catasetum telespirense
Outra bonita espécie, desta vez um Catasetum, foi descoberta durante o trabalho de resgate de epífitas na hidroeléctrica Teles Pires A nova orquídea foi encontrada por pesquisadores do Herbário da Amazónia Meridional do Campus de Alta Flores da Universidade de Mato Grosso Segundo a pesquisadora Célia Lopes, a parceria com a hidroeléctrica tem sido proveitosa Uma notícia bastante positiva e de onde resulta uma nova e bonita espécie ✿

Aqui deixamos umas palavras de pesar pelo falecimento do Sr. Fernando Azeitona, apaixonado por orquídeas, associado do clube e presença assídua nos nossos workshops nos Jardins Sintra. Vamos sentir a sua falta. À sua esposa, os nossos sentidos pêsames.
René Jules Lalique nasceu em França em 1860 e ficou conhecido pelas suas obras em vidro e pelas suas joias Aos 16 anos inicia a sua aprendizagem com o joalheiro Louis Aucoq Depois de alguns cursos em Londres, Lalique trabalha para várias casas prestigiadas no mundo da joalharia como a Aucoq, Cartier e Boucheron Em 1886 abre a sua própria joalharia onde se torna conhecido pelas suas peças em Arte Deco e Arte Nova
Inovou com as suas peças em formas de aves, flores e insetos, bem como pelos materiais pouco comuns que utilizou nas suas peças Juntamente com pedras preciosas introduziu tanto pedras semipreciosas como vidro, esmalte, couro, marfim, nacár, etc.
Em duas das suas peças, “ O pente Orquídea” e o “Diadema Orchids”, Lalique recria maravilhosamente e muito fiel ao original, uma flor de Cattleya e outra de um Paphiopedilum, respectivamente
O pente Orquídea
Esta peça foi totalmente esculpida num só pedaço de marfim As sépalas, partem desde a base da flor e são de esmalte de uma leve tonalidade de pêssego e azeitona A nervura central começa com um leve esmalte cinza seguido de uma fileira de diamantes graduados. A haste, em ouro listado com esmalte castanho prende-se com uma dobradiça de ouro a um pente de chifre de três dentes
Foi adquirida em 1904 por Henry Walter e encon tra-se desde 1931, por herança, no Museu de Arte Walters, em Baltimore, E.U.A. (Foto acima) .


Diadema “Orquídeas”
É uma das mais conhecidas peças de Lalique. É composta por três Paphiopedilum, dois esculpidos em chifre e um em marfim. A Orquídea em marfim tem ainda uma pequena pedra de cristal citrino ao centro, na coluna da flor O pente de três dentes, também em chifre , é articulado ao diadema por uma charneira em ouro.
Esta peça foi adquirida em 1904 por Calouste Gulbenkian e pode ser admirada no museu Gulbenkian em Lisboa, bem como várias outras peças de Lalique.
A Orquídea foi uma das flores símbolo do movimento estético do séc. XIX e foi tratada pelos joalheiros do período da Arte Nova com muito realismo
A peça de Lalique foi baseada numa flor real resultando numa joia de extraordinária elegância e um forte sentido erótico. (Foto à esquerda). ✿
Fontes: http://gulbenkian pt/museu/collection-item/diademaorquideas/ http://www thefrenchjewelrypost com/en/itjoailliers/lalique-au-gulbenkian/ http://art.thewalters.org/detail/39518/orchid-comb/
Por Ina Dias
Um recanto do interior do Orquidário

Fomos desta vez recebidos em casa da Madalena que nos mostrou as suas orquídeas na sua casa e no seu jardim, onde nos sentamos um bocadinho para conversar e assim conhecer melhor esta nossa associada.
O seu interesse por orquídeas começou há muito tempo e falar delas traz-lhe boas recordações da sua infância quando com a sua mãe visitavam jardins pelas cidades por onde passavam, em África, quando o seu pai viajava em trabalho Mais tarde, já como estudante de biologia, em Coimbra, decidiu apresentar uma separata cujo tema foram as Orquídeas E assim conheceu-as um bocadinho melhor
A sua primeira orquídea foi um Epidendrum radicans que lhe foi dado pela sua mãe, esse exemplar, conserva-o até hoje e tem por ele um carinho especial.
O hobby das orquídeas começou, como a grande maioria das pessoas, por algumas Phalaenopsis em
casa, daí para uma verdadeira paixão, foi um pequeno passo e hoje em dia conta com mais de duas centenas de orquídeas que cultiva tanto no interior como exterior, na sua casa
As suas prediletas são as Cattleya por serem mais aparatosas e porque se recorda que, quando jovem, se encantava com os ramos de noiva feitos de belíssimas Cattleyas, as primeiras orquídeas que conheceu.
Tem orquídeas por todo o lado. No interior, cultiva na cozinha, onde tem o seu “infantário” com as mais pequenas, os keikis e as que precisam de uma atenção mais constante e no seu atelier estão as Cattleyas, Dendrobium e outras que não sobrevivem a temperaturas mais baixas Estas últimas são cultivadas com uma iluminação especial para plantas, o que faz toda a diferença.
“As orquídeas trazemme boas memórias da minha mãe e de África .”


No exterior tem uma pequena estufa que não é aquecida e três outras zonas onde cultiva Cymbidium, Zygopetalum, Masdevallia, Paphiopedilum, Laelia, Stanhopea e Dendrobium, entre outras. Prefere cultivar em vaso porque para si é mais fácil de, assim, as manter em melhores condições.
Da sua coleção, elege a Cattleya Chia Lin, um híbrido exuberante , pelas suas cores e perfume.
Há muitas orquídeas que gostaria de ter, entre elas estão a Maxillaria pachyura, as Chysis e o Paphiopedilum spicerianum. Um dos seus sonhos seria colecionar todas as espécies que têm no nome o restritivo especifico “magdalenae”, existem várias e tinha tudo a ver com ela.
Achamos que qualquer motivo é um bom motivo para colecionar orquídeas e esse do nome é bastante interessante Agradecemos ter-nos recebido e ficamos à espera de notícias da evolução da sua colecção ✿


“As minhas favoritas são as Cattleya por serem as mais aparatosas.”

O género Dactylorhiza é um dos que em Portugal tem maior representatividade em número de plantas, sendo abundante nas regiões do Centro e Norte do país, sobretudo nas zonas montanhosas A Dactylorhiza ericetoum é a mais pequena das espécies e uma das mais belas e mais variáveis em termos de padrões e coloridos
É uma planta de médio porte, de 10 a 35 cm de altura, podendo atingir esporadicamente mais Possui caule/haste fina, com 3 a 5 folhas de tamanho variado, quase todas basilares, lineares lanceoladas, sendo as superiores bracteiformes, levemente arqueadas em direção ao solo e quase sempre maculadas na parte superior, de um vermelho acastanhado.
A inflorescência é alta, composta por 10 a 35 flores grandes, dispostas densamente em espiga cónica ou ovalada, podendo apresentar um número muito diversificado de padrões, sobretudo no seu labelo Sépalas laterais lanceoladas, dispostas na vertical ou, por vezes, na horizontal, maculadas no seu interior. Labelo fortemente orbicular, trilobado, com o lobo médio reduzido, normalmente mais curto do que os lobos laterais, sendo estes arredondados e com os bordos ligeiramente ondulados, com cores que podem oscilar entre o branco, o rosa, o vermelho e os tons mais lilases. Sépala dorsal e restantes pétalas dispostas em forma de capacete. O esporão é grosso e relativamente curto, ligeiramente inclinado para baixo
Tem como habitat predominante as zonas de montanha, em solos ácidos e húmidos, sempre em altitudes consideráveis, em prados não cultivados (destinados a fenos), em zonas de turfeiras ou mesmo em matos pouco densos e rasteiros, sempre em espaços abertos ou muito pouco arborizados
A época de floração ocorre desde finais de Maio até meados a finais de Julho, de acordo com a altitude e as condições climatéricas de cada ano
Na Serra do Gerês, em locais do habitat da Gymnadenia conopsea, podem, muito raramente, ser observados híbridos desta com a Dactylorhiza ericetorum ✿
Bibliografia: DELFORGE, P (2005) – Guide des Orchidées d’Europe, d’Afrique et du Proche-Oriente – 3e Edition Delachaux et Niestlé S
A. - Paris



Variação hipercromática


Por José Santos

Já há algum tempo que o género Sophronitis foi reagrupado no género Cattleya mas ainda hoje as pequenas orquídeas que faziam parte desse género continuam a ser chamadas de Sophronitis
As plantas são bastante pequenas e com pseudobolbos ovais, pequenos e compactos São originárias da América do Sul, e encontradas no Brasil, Paraguai e Argentina.
A minha experiência com as pequenas Cattleya (Sophronitis) resumem-se a dois exemplares de Cattleya cernua que coloquei há quase 10 anos numa placa de cortiça com cerca de 30 x 30 cm e uma pequena Cattleya brevipedunculata comprada há poucos meses. A próxima será certamente uma Cattleya coccinea pois há já outros sócios que a têm nas suas coleções e que florescem com algum sucesso no exterior, durante todo o ano.
O habitat destas pequenas Cattleya é definitivamente montanhoso e húmido. Algumas espécies são encontradas a crescer nas árvores (Epífitas), outras nas rochas (Litófitas) e ainda outras, menos exigentes, podem ser encontradas tanto nos troncos e ramos, por vezes finos, das árvores como em zonas rochosas
Umas das características das Cattleya é gostarem de boa luz intensa, podendo até receber alguma luz solar direta desde que nas horas de menor intensidade Estas pequenas Cattleya não deixam de gostar de luz, mas temos que ter algum cuidado com a intensidade devido ao tamanho menor das plantas Isto apesar de alguns cultivadores escreverem que só com bastante intensidade de luz e sol direto se obtém as melhores florações Eu tenho alguma reserva porque a intensidade da luz solar não é igual em todos os sítios
a diversas altitudes e o nosso sol de Verão pode causar bastantes danos, especialmente a plantas mais pequenas e frágeis.
No entanto para muitos cultivadores a chave para o sucesso no cultivo destas Cattleya não é nem a intensidade da luz nem o tipo de cultivo nem substrato, mas sim o facto de podermos oferecer temperaturas baixas a estas espécies assim como altas humidades.
No seu habitat natural, a altitudes consideráveis, estas orquídeas crescem em locais ou em condições que lhes proporcionam uma humidade alta e constante Sendo de pequeno porte, a cobertura das suas raízes por detritos vegetais (húmus) ou por musgos ajuda a que estas mantenham uma certa humidade mais ou menos permanente Podem mesmo ficar mais secas durante as horas de mais calor durante o dia, mas ao cair da noite aparecem as nuvens que cobrem as florestas aumentando novamente a humidade.
Esta humidade não é só necessária para o bom desenvolvimento da planta, mas também para o perfeito crescimento e abertura das flores. Sem os níveis corretos de humidade, as flores não se desenvolvem, ficam com dobras ou com as pontas queimadas



O cultivo destas orquídeas poderá ser feito em pequenos vasos ou montadas em placas de cortiça ou xaxim No último caso, deveremos ter em atenção as regas mais frequentes pois as plantas montadas secam mais rapidamente
As temperaturas ideais variam de espécie para espécie mas aí concordo com os cultivadores que dão bastante importância a deixarmos algumas espécies apanharem frio para obtermos melhores florações Os meus dois exemplares de C. cernua estiveram vários anos na estufa aquecida e só começaram a florir quando as coloquei na rua, onde agora ficam todo o ano com temperaturas variando entre as mínimas de 5 graus no Inverno e as máximas de mais de 30 graus no Verão
As regas são mais frequentes e proporcionais ao aumento da temperatura, especialmente no Verão. No Inverno, apesar de protegida, ela apanha alguma chuva e terá bastante humidade dos vasos circundantes que ficam bastante molhados se chover.
Outros parâmetros que é bom não ficarem esquecidos para um cultivo destas orquídeas com sucesso serão a drenagem do substrato, se cultivadas em vaso, e a circulação de ar, bastante importante nas plantas que precisem de um pouco mais de humidade pois previne o desenvolvimento de fungos e evita que a planta fique demasiado encharcada por demasiado tempo, o que pode levar ao apodrecimento.
Cattleya brevipedunculata
É originária do estado de Minas Gerais, no Brasil e tanto cresce em árvores como em encostas rochosas. É uma das Cattleya que gosta de boa luz tolerando até algum sol directo e temperaturas intermédias / quentes.
Cattleya coccinea
Cresce nas florestas desde o Rio de Janeiro ao Rio Grande do Sul, no Brasil É uma planta que gosta de menos luz e de temperaturas um pouco mais baixas, podendo, no nosso país, ser cultivada, em algumas zonas, todo o ano no exterior Existem muitas variações na cor destas Cattleya.
Cattleya cernua
Podendo ser encontrada na zona de Espirito Santo, a sul do estado de S. Paulo, no Brasil, mas também no Paraguai e Bolívia Cresce nas rochas ou em árvores a baixas altitudes.
É considerada uma Cattleya de temperaturas intermédias mas, segundo a minha experiência, adapta-se bem a ambientes com temperaturas frias. As flores são das mais pequenas neste género, entre 2 a 3 cm
Todas estas Cattleya são muito particulares no seu crescimento e floração Nada nos garante que, porque num ano obtivemos uma boa floração, que esta se vá repetir no ano seguinte. São também plantas que não gostam de ser mudadas ou que as raízes sejam incomodadas. Se tiver que a reenvasar, tente danificar o menos que puder as raízes e se as tiver montadas, tenha a atenção que a planta vai ficar nesse pedaço de cortiça (ou outro material) durante vários anos. Escolha uma cortiça com um tamanho considerável e pensando já no crescimento da planta
Se um dos seus problemas é a falta de espaço, estas pequenas Cattleya podem ser uma boa opção O seu cultivo e floração é um desafio mas os resultados são muito gratificantes. ✿
Para o cartão de sócio do clube deste ano, escolhemos uma gravura de uma Sophronitis grandiflora que foi publicada em 1888 na obra Lindenia Iconographie des Orchidées dos autores Lucien Linden e Emile Rodigas.
Sophronitis grandiflora é um nome que, hoje em dia, está desactualizado. O nome actual é Cattleya coccinea.
O nosso cartão deste ano é também o primeiro que é de plástico rígido, sendo assim mais prático e resistente para andar sempre na carteira pronto a ser apresentado para usufruir dos descontos que pode ter em vendedores exclusivos (ver página 18 nesta revista).

Esta é uma planta de grande porte, com pseudobulbos longos, finos e ligeiramente achatados, encimados por uma única folha, também longa e coriácea. As suas inflorescências são em forma de espiga, com inúmeras flores pequeninas (cerca de 1 cm) e densamente dispostas em espiral.
Esta é uma planta adulta, que cultivo em vaso médio/grande, num substrato para epífitas, composto à base de casca de pinheiro grossa, alguma argila expandida, perlite e fibra de coco. Pode também ser adicionada alguma cortiça
Tem exigências de cultivo algo semelhantes às Cattleya, suportando contudo temperaturas mais baixas do que estas Requer um local com boa luminosidade, sem sol directo, temperaturas intermédias, boa ventilação e elevada humidade do ar Rego e fertilizo com frequência na Primavera e no Verão, duas a três vezes por semana, espaçando consideravelmente nas estações mais frias e chuvosas. ✿
(foto à direita)
de José Santos
Tenho esta planta há dois anos e depois de uma primeira floração muito acidentada, comida no dia em que abriu por uma lesma, já floriu mais duas vezes em Março e Maio deste ano
Está na estufa aquecida e é cultivada num pequeno vaso de plástico suspenso. O substrato é uma mistura de casca de pinheiro (1-2 cm) com fibra de coco. É regada com frequência, duas a três vezes por semana porque gosta de ser mantida húmida Fertilizo duas ou três vezes por mês.✿ (foto à direita)


Um recanto do interior do Orquidário

de Ana Pereira
Esta planta foi comprada em Setembro de 2015 e nessa altura foi mudada para um tronco de cortiça que funciona como vaso Está no interior virado a Sul, logo com muita luminosidade e temperaturas durante o dia entre 18 e 22ºC e à noite entre os 12 e os 18ºC As regas são semanais com adubo Rain Mix. Esta foto mostra a primeira floração, bastante abundante, enchendo os dois pseudobolbos de flores. (foto acima)✿
Já andava atrás desta bela orquídea há algum tempo e em Maio de 2015, tive a sorte de quando menos esperava ser presenteado por este exemplar, vinda de Ponta Delgada - Açores. Na altura e devido à minha falta de tempo, quem a acomodou no vaso e ao novo local, foi a minha mãe. Está num vaso um pouco grande demais mas tem-se adaptado muito bem e tem crescido a olhos vistos. Tenho-a no exterior onde está exposto a temperaturas entre os 5 graus no inverno e os 30 e tal no verão Está à sombra embora com um pouco de sol mas só nos meses mais frios do ano. É cultivada num vaso de plástico cheio de argila expandida e casca de pinheiro e costumo regar muitas vezes ao longo do ano. No Inverno menos porque leva com a chuva Está com 3 belas flores e com uma 4ª a caminho. (foto abaixo)✿

Agora é a sua vez! Envie-nos uma foto de uma orquídea cultivada por si e diga-nos como faz, onde a tem, qual o substrato, como a rega… enfim, o que achar que possa ser útil aos outros orquidófilos que tenham ou queiram vir a ter essa orquídea. Uma foto e dez linhas é o suficiente. Vejam os exemplos nestas duas últimas páginas, escrevam e enviem tudo para o nosso email.

Como sempre uma fantástica afluência, não fosse Sintra o destino ideal para turistas e passeios de fim de semana E com uns bonitos dias de sol, é claro que as camélias e as orquídeas mereciam uma visita!
A exposição do Clube contou com 76 exemplares de orquídeas dos nossos associados de onde a organização dos Parques de Sintra premiou a Epicattleya René Marques como melhor híbrido e o Bulbophyllum bicolor como melhor espécie, ambas do José Santos, e a bonita Fredclarkeara After Dark como a melhor orquídea, pertencente ao Luís Gonçalves.
Agradecemos aos Parques de Sintra, a todos os associados que estiveram presentes e ajudaram antes, durante e na desmontagem da exposição, a quem gentilmente cedeu as suas plantas para a exposição e a todos os que nos visitaram Um evento a repetir ✿

Boa disposição à mesa do Clube
Foi a nossa primeira exposição oficial, totalmente organizada pelo Clube e correu muito bem. O tema desta primeira exposição foi “Os Caçadores de Orquídeas” e para a nossa mostra de orquídeas dos associados, contámos com 92 exemplares que foram dispostos num cenário de um acampamento de um botânico e/ou caçador de orquídeas Esta apresentação foi idealizada pela Dora Russo e pelo Paulo Assunção e mereceu os nossos parabéns.
Nas exposições dos vendedores presentes, um júri internacional premiou a OrchisRafa com a medalha de bronze, o Wingarden com prata e os Jardins de Sintra com a medalha de ouro A lista das plantas vencedoras neste evento está na nossa página sendo de salientar a melhor orquídea, um bonito e grande exemplar de Dendrobium Hilda Poxon, do Luís Gonçalves e a escolha do público, o Cymbidium Cliff Hutchings, do José Santos.
Para além das vendas e das exposições, decorreu no Sábado um dia de palestras temáticas sobre orquídeas com oradores nacionais e internacionais e no Domingo houve ainda a apresentação do livro “Guia de Campo – Valores Naturais de Alqueva – Orquídeas Silvestres” de Ivo Rodrigues.
O salão do Jardim Zoológico que alugámos para o evento demonstrou ser ideal, não só pela sua localização, como pelo espaço em si, e será, com certeza o local que escolheremos para uma próxima exposição, na Primavera do próximo ano.
O balanço deste evento foi muito positivo para o Clube, não só pelas receitas, mas também pelos comentários e elogios de quem nos visitou. Foi um fim de semana de camaradagem e boa disposição entre todos os voluntários que ajudaram e restantes participantes e vendedores. Será com certeza uma experiência a repetir!



Foto 1 – Melhor Exemplar da Exposição Camélias e Orquídeas em Sintra, Fredclarkeara After Dark, de Luís Gonçalves, sócio 011;
Foto 2 – Melhor Híbrido da Exposição Camélias e Orquídeas em Sintra, Epicattleya René Marques ‘Flame Thrower’ , de José Santos, sócio 001;
Foto 3 – Melhor Espécie da Exposição Camélias e Orquídeas em Sintra, Bulbophyllum bicolor, de José Santos, sócio 001;
Foto 4 – Medalha de Prata – Secção Orquídeas Híbridas, na Expo
Orquídeas Lisboa 2016, Dendrobium Stardust ‘Firebird’, de Ana Pereira, sócia 066;
Foto 5 - Medalha de Bronze – Secção Orquídeas Híbridas, na Expo
Orquídeas Lisboa 2016 - Phalaenopsis mannii black x Phalaenopsis schilleriana, de Alberto Cabral, sócio 131;
Foto 6 - Medalha de Prata – Secção Orquídeas Espécie, na Expo
Orquídeas Lisboa 2016 - Dendrobium schrautii de Ina Dias, sócia 003






Foto 7 – Melhor Exemplar da Expo Orquídeas Lisboa 2016, Dendrobium Hilda Poxon, de Luís Gonçalves, sócio 011;
Foto 8 – Medalha de Ouro, Secção de Orquídeas Espécie na Expo Orquídeas Lisboa 2016 - Dendrobium sukhakulii de Rafael Santos, sócio 094;
Foto 9 – Medalha de Ouro, Secção Orquídeas Espécie, na Expo Orquídeas Lisboa 2016 - Coelogyne cristata citrina de de José Santos, sócio 001;
Foto 10 – Medalha de Ouro, Secção Orquídeas Híbridos e Prémio “Escolha do Público”, na Expo Orquídeas, Lisboa 2016 - Cymbidium Cliff Hutchins 'New Horizon' de José Santos, sócio 001.


(Fotos 1, 2, 3, 4, 9 e 10 de José Santos, foto 5 de Alberto Cabral e foto 6 e 7 de Luís Fernandes, Foto 8 de Rafael Santos)

No dia 21 de Maio, celebrámos o 2º aniversário do Clube com um passeio pelos Parques de Sintra onde pudemos visitar o Vale dos Lagos, no Parque da Pena, as Estufas e os jardins e Chalet da Condessa d’Edla Na sala da Abegoaria tivemos a Assembleia Geral de 2016.
Foi um bonito passeio, num belo dia primaveril, onde se comeu muito bem e a boa disposição e camaradagem imperaram.
Agradecemos aos Parques de Sintra por nos cederem o seu espaço mais uma vez e também à Dora Russo pelo bonito bolo de aniversário que fez para a comemoração.
Em breve receberão a Acta desta Assembleia, bem como a nova lista dos Corpos Sociais que foram aprovados.
Poderão ver mais fotos deste dia no nosso site

Nos últimos 3 meses foram publicados na página do Clube alguns artigos que consideramos interessantes para quem quer conhecer mais orquídeas e que servem como complemento aos Workshops que damos nos Jardins Sintra
Na secção ORQUÍDEAS podem encontrar os novos artigos sobre:
- Coelogyne cristata;
- O género Vanda;
Em “Orquídeas Portuguesas” poderá ler sobre:
- Ophrys dyris
Também na secção NOTÍCIAS, poderá ler alguns artigos sobre a actividade no Clube e no mundo orquidófilo:
- Prémios na Expo Orquídeas Lisboa 2016;
- 2º Aniversário do Clube;
Na Área de Sócios, temos alguns artigos exclusivos para os associados:
- Ficha de Cultivo de Cymbidium;
- Ficha de Cultivo de Phalaenopsis;
- Recuperar Orquídeas Fantasma;
- História da Orquídea Perdida;
- Vandas na Tailândia.
Já está em funcionamento a Área de Sócios onde os associados do Clube poderão ter acesso a conteúdos exclusivos para associados no Clube Estarão também disponíveis os números antigos do JORNAL DO ORQUIDÓFILO.
Como aceder à ÀREA DE SÓCIOS?
Todos os sócios irão receber um email com um username e uma password que lhe dará acesso aos conteúdos exclusivos
Algumas regras:
Cada password é única e não deverá ser divulgada a ninguém A divulgação da password a estranhos poderá levar a interrupção do acesso ao sócio que desrespeitou esta regra.
A Área de Sócios só está disponível para sócios com as quotas em dia. Se deixar de pagar as suas quotas, deixa de ser sócio e perde o acesso à Área de Sócios. Um atraso nas quotas poderá levar à suspensão do acesso que será retomado assim que as quotas estiverem regularizadas.
A página na Net, assim como este jornal, está aberto à participação de todos. Entre em contacto connosco e partilhe os seus conhecimentos.
Sábado, 23 de Julho, às 15h00 BRASSIA, ENCYCLIA e PROSTHECHEA
Orientado por José Santos
Sábado, 20 de Agosto, às 15h00 CYMBIDIUM, PHALAENOPSIS e TRATAMENTO DE PRAGAS
Orientado por José Santos
Sábado, 24 de Setembro, às 15h00 LYCASTE, SUDAMERLYCASTE e ANGULOA
Orientado por José Santos

Informamos a todos os associados que temos disponíveis panfletos desdobráveis com informação sobre orquídeas e sobre o nosso Clube para serem divulgados em locais onde possam ter interesse em orquídeas e onde possamos angariar novos associados para o Clube.
Aos interessados em distribuir pelas vossas áreas de residência, por favor contactemnos que vos enviaremos alguns exemplares
UK – 26TH BRITISH ORCHID COUNCIL SHOW & CONGRESS
5 e 6 de Novembro de 2016
Norwich, Reino Unido
WORLD ORCHID CONGRESS
De 8 a 12 de Novembro de 2017
Guayquil, Equador
EUROPEAN ORCHID CONFERENCE AND EXHIBITION
De 23 a 25 de Março de 2018
Paris, França


A VERY VICTORIAN PASSION – THE ORCHID PAINTINGS OF JOHN DAY 1863 - 1888
Edição de 2004 , pela Blacker Publishing & The Royal Botanic Gardens, Kew
Autores: Philip Cribb e Michael Tibbs 463 páginas. Escrito em inglês Abril /
Este livro é um tesouro! Não só pelas magníficas gravuras de John Day mas também pelo que representa para a botânica e para a história da orquidofilia.
John Day foi um aristocrata inglês que viveu no séc. XIX, a norte de Londres, onde reuniu uma das melhores colecções de orquídeas da época.
Quando muitas novidades botânicas chegavam pela primeira vez à Europa e eram vendidas em leilões a preços só ao alcance dos mais ricos, as orquídeas eram cobiçadas pelos poucos coleccionadores que rivalizavam com os principais jardins botânicos europeus.
Tudo era novidade, as plantas e o seu cultivo, diferente de todas as plantas que conheciam. Cada nova floração era um acontecimento na sociedade britânica vitoriana apaixonada pela botânica. Como ainda não existiam as fotografias, eram importantes os herbários e as gravuras botânicas. John Day, para além de um coleccionador de orquídeas e cultivador de sucesso, teve aulas de pintura e registou em fantásticas aguarelas as florações que ia obtendo. O sucesso destas gravuras foi tanto que outros cultivadores lhe forneciam as suas orquídeas floridas para serem retratadas pelos seus pincéis. No final da sua vida, John Day deixou um legado de 53 cadernos de gravuras executadas num período
de 25 anos. Esses cadernos registam e documentam as primeiras florações de orquídeas da sua colecção e das maiores colecções inglesas, incluindo a colecção dos Jardins Botânicos de Kew Dessa importante herança botânica, hoje pertencente aos Kew Gardens, foram reunidas as melhores gravuras e textos, aos quais os autores acrescentaram notas biográficas e muitas informações úteis sobre a história e a sociedade da época resultando neste fabuloso livro que tem tanto de belo como de importante para qualquer orquidófilo que queira avançar um pouco mais na sua aprendizagem sobre as orquídeas e a sua história
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