

Orquidófilo


Volume 7 – Nr. 21
Primavera de 2021
Propriedade do Clube dos Orquidófilos de Portugal®

Este jornal é distribuído a todos os sócios do Clube.
EDITOR COLABORADORES NESTE NÚMERO
José M. M. Santos jose.santos.orquideas@gmail.com
Américo Pereira
Ana Cabanas
Ana Pereira
Antonia Kovacs
Fernando Cecílio
Raymundo F. R. Júnior
Walney Félix da Silva
Paulo Assunção clubeorquidofilosportugal@gmail.com
Rua dos Geadas, 36 2125-148 Marinhais 962835128
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Bem-vindos!
Estimados associados,
Já estamos há mais de um ano “presos” em casa sem podermos confraternizar com os nossos amigos orquidófilos. A nossa Expo Orquídeas Lisboa, no mês de março do ano passado, foi o último evento orquidófilo público que se organizou no nosso país.
É muito tempo sem passeios, sem workshops, sem exposições, sem o prazer de estarmos uns com os outros simplesmente a conversar sobre este hobby que nos une Espero sinceramente que estejamos a aproximar-nos do fim destas limitações e que possamos em breve voltar à

Na Exposição de Orquídeas de Viena de Áustria – Fev. 2020.

vida normal. Felizmente que, enquanto estamos em casa, temos as nossas orquídeas connosco e o tempo que estamos com elas e nos nossos jardins são muito saudáveis e ajudam a ultrapassar esta ausência de contacto com os outros. Foi assim comigo, espero que tenha acontecido o mesmo com vocês.
Entretanto este foi também um tempo de mudanças para mim. Mudei de casa, de cidade, de emprego e estou agora com um novo orquidário e com um projeto de uma loja online de orquídeas, a GREENMAN ORQUÍDEAS. Podem saber mais sobre este meu projeto na página 36.
Neste tempo de inseguranças e incertezas houve outra coisa que faltou. O ânimo e a vontade para fazer coisas Sem os nossos eventos o Clube esteve quase parado Poucos tiveram vontade ou paciência para escrever artigos ou colaborar na revista, o que é compreensível. Para além de algumas colaborações, para montar esta revista, tive de recorrer a um artigo escrito por amigos brasileiros bem como a entrevistas ligadas à orquidofilia Espero que seja interessante para vós Agradeço também à Antónia Kovacs, a nossa associada da Hungria, que escreveu um belo artigo contando as inovações que fez no seu orquidário durante estes meses de quarentena. Também ela passou mais facilmente este tempo dedicando-se às suas plantas
Pelo mesmo motivo só agora vamos fazer a nossa Assembleia Geral mas de uma forma virtual, através do programa Zoom Serão enviados para todos as indicações sobre a reunião Queríamos fazê-la presencial mas não podemos adiar mais e todas as instituições estão a optar por esta forma.
Agradeço mais uma vez a todos os que, com textos, imagens ou ideias, participaram nesta edição
Muita saúde para todos e até breve!


Orquídeas e Beija-flores

Martin Johnson Heade nasceu em Lumberville no estado de Pensilvânia, a 11 de Agosto de 1819. Recebeu os primeiros ensinamentos do pintor Edward Hicks e do primo de Hicks, Thomas, um retratista. A influência destes dois artistas revela-se nos primeiros trabalhos de Heade, retrato pintados de uma maneira dura e pouco sofisticada. Em 1838 começa a viajar e instala-se por dois anos em Roma. O seu início profissional deu-se em exposições em Philadelphia e Nova Iorque com os trabalhos “Retrato de uma Rapariga” e “Retrato de uma
Jovem senhora”. Nas décadas de 1840-1850 começa a viajar mais frequentemente, o que fará durante toda a sua vida, atingindo um grau mais alto de sofisticação nos seus trabalhos e deixa de pintar retratos iniciandose na pintura de paisagem.
Em Nova Iorque, Heade fica amigo do pintor Frederic Edwin Church, famoso pelas suas paisagens retratando montanhas, cascatas e pores-do-sol e especializa-se em paisagens marinhas e com paisagens costeiras de pântanos salgados do norte da América.

Em 1863 viajam juntos para a América do Sul, onde Church já tinha estado por duas vezes e apesar das sugestões de Church para que o amigo tentasse atingir a mesma grandiosidade paisagística que ele, Heade interessava-se mais por imagens mais intimistas e com menos dramatismo. Nesse mesmo ano fez uma série de pequenas pinturas intituladas de “As Joias do Brasil” retratando beija-flores brilhantemente coloridos nas suas paisagens naturais. Essas imagens seriam para um livro sobre essas maravilhosas aves que nunca chegou a ser publicado. No entanto Heade continuou com esse tema durante mais tempo e nos anos 1870s iniciou uma série de pinturas combinando os Beija-flores com Orquídeas e outras flores tropicais.
Ao longo da sua vida fez mais duas viagens pela América do Sul e continuou a pintar Beija-flores e Orquídeas, mas em 1883 casou e estabeleceu-se a sul dos Estados Unidos da América (na Florida), onde produziu muitos outros trabalhos paisagísticos retratando os pântanos norte-americanos e naturezasmortas com folhas e flores de Magnólias.
Em 1904, na data da sua morte, os trabalhos de Heade estavam praticamente esquecidos do mundo artístico e só na década de 1940, numa onde de revivalismo da arte americana, a atenção dos críticos restaurou a sua reputação e os seus trabalhos tiverem a merecida atenção. Infelizmente o artista já não estava vivo para disfrutar o reconhecimento da magia que, em forma de tintas coloridas, colocava nas suas telas. ✿


Jornal do Orquidófilo
Orquídeas Portuguesas
Neottia nidus-avis,
Texto e fotos de Américo Pereira (L.) L. C. M. Richard

A Neottia nidus-avis é uma das espécies mais raras em Portugal, havendo apenas alguns pequenos núcleos conhecidos, situando-se apenas a centro e norte do país, com maior incidência no distrito de Bragança, e particularmente no Parque Natural de Montesinho. O seu estado de conservação é considerado em perigo, devido à gradual e acentuada alteração dos habitats e alterações climáticas.
Deve o seu nome ao caraterístico sistema radicular da planta, denso e em forma de ninho de ave, não possuindo tubérculos, mas podendo ter um curto rizoma. É uma espécie terrestre, robusta, desenvolvendo-se muitas vezes como planta saprófita. Possui um caule ereto e espesso, envolvido por longas bainhas, em substituição das

folhas, possuindo, na parte superior, brácteas lineares. Este é encimado por uma inflorescência cilíndrica e longa, com imensas flores, densamente dispostas na parte superior e mais espaçadas na parte inferior. As flores não possuem esporão, sendo as sépalas e pétalas ovaladas elípticas, dispostas em forma de capacete, com o labelo pendente, longo, ligeiramente dirigido para a frente e escavado na base, num copo nectarífero. O caule, assim como as bainhas as brácteas e as flores, é de cor castanha amarelada.
Na maior parte dos casos comporta-se como espécie autogâmica, podendo, contudo, ser polinizada por pequenos dípteros (insetos) A partir dos rizomas, tem também forte tendência à reprodução vegetativa, formando pequenos
aglomerados de plantas. Ocasionalmente, pode florir e frutificar subterraneamente.
Normalmente vegeta em solos alcalinos a neutros, profundos e frescos, geralmente em bosques de faias, carvalhos, castanheiros e coníferas, emergindo da manta morta das florestas
A época de floração pode estender-se de abril a junho, de acordo com as diferenças de habitats e as condições meteorológicas de cada ano.
A Neottia nidus-avis, apresenta florações muito irregulares, podendo acontecer que, num local onde encontrámos vários exemplares em plena floração, nos anos subsequentes não seja visível qualquer exemplar ✿

Fotos captadas em maio e junho, respetivamente no Parque Nacional Peneda Gerês e no Parque Natural de Montesinho.
Bibliografia:
DELFORGE, P. (2016) – Guide des Orchidées d’Europe, d’Afrique et du Proche-Oriente – 4e Edition Delachaux et Niestlé S A – Paris
Monteiro, J A Brites (2016) –Orquídeas Silvestres de Portugal – Guia de Campo. Edição de Autor.
Neottia
Cattleya amethystoglossa
Por Raymundo Fernandes Reis Júnior e Walney Félix da Silva
Apresentação de “tipo e variedades” e aventuras de descobrimentos
Introdução
A Cattleya amethystoglossa, popularmente conhecida como amestistoglossa ou ametista, é considerada a rainha das “catteyas” do Brasil, o que pode ser comprovada pela exuberância e variabilidade de suas formas, cores e tons, além da evidente elegância audaciosa da sua vegetação.
C amethystoglossa, pertencente à família Orchidaceae, é uma espécie genuinamente brasileira, cujo principal habitat são as matas altas do sul da Bahia e foi registrada pela primeira vez em coleta realizada em 1856. Atualmente, sua ocorrência tem sido notada em outras regiões da Bahia, além de outros estados Classificada por Lindley e Reichenbach, trata-se de uma planta robusta epífita ou rupícola com pseudobulbos cilíndricos e vincados de até um metro de altura (WIKIPEDIA, 2020). A espécie lança raízes vistosas que abraçam e dominam onde tocam, buscando o sustento para resultar em flores maravilhosas.
Imagine-se estar em um meio ambiente forte, lindo e complexo, que é a mata atlântica brasileira, onde se reúne um conjunto de flora diversificada, e, surpreendentemente, deparar-se com um espetacular exemplar de amestistoglossa, é inesquecível.
Portanto, além da indomável paixão por representantes desta espécie, é necessário reunir estudos mais detalhados sobre a mesma, o que possibilitará agregar informação e conhecimento em um artigo capaz de expressar o que podemos chamar de “complexo C. amethystoglossa”.
Distribuição geográfica
Por muito tempo a ametista foi dada como endêmica da Bahia. Pesquisadores, coletores e botânicos, em suas viagens de
Orchid Paradise
descobrimento, deixaram relatos que por muito tempo foram aceites como definitivos.

de distribuição geográfica
Inicialmente, as primeiras coletas ocorreram na região próxima ao litoral, uma área restrita ao recôncavo baiano Em expedições posteriores, foram realizadas coletas que ampliaram consideravelmente o horizonte geográfico de sua distribuição “Ametistas” foram coletadas em direção ao interior baiano, adentrando a região central, chapada diamantina, região do Rio São Francisco, região sudoeste e sul da Bahia, e também foi coletada no norte da Bahia, embrenhando-se no estado de Pernambuco. Segundo relatos, também já foi coletada no norte do Espírito Santo, no entanto, constata-se que
Mapa
atualmente não é mais encontrada neste estado. Em Minas Gerais é encontrada em região do Vale do Mucurí, Vale do Jequitinhonha e Vale do Rio doce, (Foto 1). Em virtude do seu hábito epífita, eventualmente rupícola, habitam regiões de 150 a 1200m de altitude.
Exposição de C. amethystoglossa no berço de sua origem
Em uma bucólica vila a beira mar no sul da Bahia, em uma região chamada de Costa da Baleia, foi idealizada exposição e feira de C amethystoglossa. Reuniu-se colecionadores e produtores da Bahia, Espírito Santo e Minas Gerais, no que ficou conhecido de “exposição e feira de Cumuruxatiba”, mesmo nome da Vila onde o evento ocorre.
Cumuruxatiba é uma antiga vila de pescadores e aldeia de índios, lugar aconchegante e de povo hospitaleiro, com um bom conjunto de hotéis e pousadas, sempre prontas a receber os visitantes havidos pelo encontro com a tranquilidade em um local aconchegante e com um meio ambiente preservado Possui belas praias e areia fofa, com majestosa formação de rochas a quebrar as ondas, tornando-as macias e suaves, boa para relaxar a beira mar e na sombra de coqueiros A formação geológica de Cumuruxatiba é distinta, pois confere à vila, situada ao nível do mar, uma expressão de um lindo quadro da natureza, com seus lagos e falésias.

No alto, na borda da falésia, fica o restaurante “Catamarã”, propriedade do amigo e orquidófilo Rui. Neste sítio, além da vista fantástica, também se encontra o melhor restaurante do lugar, comandado pela Dona Elizete, de dons culinários dignos de estrela Michelin. É neste cenário onde tudo acontece, todos os anos, no período de 07 de setembro, feriado em comemoração da independência do Brasil. Nestes dias, o mar, a paisagem e a cozinha dividem a atenção com a amestistoglossa. Todo o conjunto da feira e exposição é montado de forma rústica, respeitando-se e combinando com o meio ambiente. Afinal, estamos em território de povos nativos e a natureza reina

C. Amethystoglossa
“Tipo” e “variedades”
Neste artigo, descreveremos a C. Amethystoglossa como planta silvestre (que nasce, cresce e dá flores ou frutos sem cultivo), ou seja, essas plantas tiveram origem no seu habitat natural, e, posteriormente, foram coletadas e estão em coleções particulares. No entanto, os exemplares são submetidos a cruzamentos artificiais entre essas plantas, com o objetivo do melhoramento de formas, cores, tamanhos e quantidades de flores. A natureza naturalmente produz recombinação, gerando variabilidade e evolução, desde que não hajam
Alain e Walnei
Jornal do Orquidófilo
barreiras geográficas e biológicas. O homem procura dar velocidade a esses acontecimentos, combinando variedades isoladas geograficamente e selecionando as combinações que melhor atendem às suas expectativas.
Não trataremos aqui de C. amethystoglossa que sofreu tratamento ou modificação cromossômica por indução, nem de plantas que foram submetidas a cruzamento entre espécies para a produção de híbridos e retrocruzamentos, no intuito de aproveitar a melhor combinação genética desejada.
Neste trabalho, a C. amethystoglossa foi dividida em plantas denominadas “tipo” (plantas classificadas como padrão) e “variedades” (plantas com particularidades que as difere da plantas padrão); mostraremos os dois grupos, as suaspeculiaridades, características e distinção
C. amethystoglossa: “Tipo”
A C amethystoglossa tipo “Ametista” é bem característica, apresenta um tom róseo-claro pintalgado (foto 4). A planta foi avaliada por Lindley e Reichenbach em 1857, para descrição e posterior publicação, é a planta padrão e representa a grande maioria das amostras encontradas na natureza O seu nome amethystoglossa, uma referência a amethystos (ametista) e glossa (língua), em referência a cor do labelo dessa espécie (Toscano e Cribb, 2005)
Apresentaremos a amethystoglossa “tipo” “ametista” partindo de um padrão de forma, cor e disposição das pintas, referindo-se às suas características comuns até um conjunto mais alinhado e harmonioso A sequência de fotos permite visualizar a beleza da espécie em relação à sua arquitetura mais apurada, resultado da seleção de plantas silvestres e também daquelas resultantes de cruzamento entre plantas da mesma espécie, denotando o conjunto de belezas sem igual (Fotos 5 a 9) Salientamos que, nós, apaixonados por orquídeas, temos por hábito dar nomes às amostras encontradas das mesmas, tornando-as um ente querido, o que, na verdade, realmente é o que elas representam.



Foto 4 – C. amethystoglossa ‘Cruz das Almas’
Foto 5
Foto 6 – C. amethystoglossa ‘Gloriosa’



Veremos a seguiras imagens de C. amethystoglossa silvestres de alta qualidade harmônica, plantas de forma impecável e de genoma tetraploide (Fotos 10 e 11). São orquídeas de sépalas e pétalas mais largas e labelo plano, dando um corpo arredondado, características que remetem a uma genética aprimorada na beleza dos contornos das flores, as quais são transmitidas a seus descendentes.


A partir da seleção dos tipos Madona e Zabelê, e do cruzamento entre elas, obtivemos as plantas filhas ilustradas abaixo (Fotos 12 a 14). Podemos observar a simetria e a beleza excepcional das flores de plantas destes tipos no seu estado natural e dos descendentes dos seus cruzamentos A planta da foto 14 homenageia o amigo Alain Benoit, fervoroso ambientalista e amante das orquídeas do Brasil.


Foto 7 – C. amethystoglossa ‘Independência’
Foto 8 – C. amethystoglossa ‘Sandrinha’
Foto 9
Foto 10 – C. amethystoglossa ‘Madona’
Foto 11 – C. amethystoglossa ‘Zabelê’
Foto 12
Foto 13 – C. amethystoglossa ‘Avé Maria’

C. amethystoglossa: “Variedades”
Se a C amethystoglossa “tipo”, por si só, é muito linda, as variedades pertencem a um mundo à parte, devido ao seu grande esplendor e complexidade Esta complexidade é devida aos padrões de cores e interação de detalhes que tornam as variedades um espetáculo maravilhoso
São várias ametistoglossa que se encaixam como “variedades”, as principais são: “Rubra”, “Flâmea”, “Concolor”, “Marginata”, “Salmonia”, “Lisa”, “Amesiana”, “Lilacina”, “Semi-alba”, “Coerulea”, “Albescens”, “Vinicolor”, “Alba e a espetacular e única a “Áurea”͘.
Enquanto se aprecia as fotos, serão contada algumas “histórias de descobrimento” de plantas excepcionais, as aventuras proporcionadas pela sua descoberta e o legado botânico deixado para a ciência e aos apaixonados orquidófilos
Mergulharemos no interior de belas matas tropicais em companhia dos sonhos de desbravadores e colecionadores dos séculos XX e XXI, na apresentação, como troféus, das belezas das amestistas misteriosamente ainda guardadas nestas matas
C. amethystoglossa: Var. “Rubra”
Esta variedade apresenta flor de pétala, sépala e labelo bem escuros e pintas em tons profundos (Fotos 15 e 16).


C. amethystoglossa: Var. “Flâmea”
Possui flor de porte elegante, com pétalas apresentando manchas estriadas como chama, daí o seu nome (Fotos 17 e 18).
C. amethystoglossa: Var. “Concolor”
De flor cor rósea em todo seu corpo, com pétalas, sépalas e labelo em mesmo tom de cor (Fotos 19 e 20).
Foto 14 – C. amethystoglossa ‘Alain Benoit’
Foto 15 – C. amethystoglossa ‘WF1’
Foto 16 – C. amethystoglossa ‘Paixão’


C.
amethystoglossa
: Var. “Marginata”
Flor com máculas margeando as pétalas em toda a sua extensão (Fotos 21, 22 e 23).
C.
amethystoglossa: Var. “Salmonia”
Flor com pétalas, sépalas e labelo em cor salmão (Fotos 24 e 25).
C.
amethystoglossa
: Var. “Lisa”
Flor com pétalas e sépalas rósea e sem pintas ou quase nenhuma (Fotos 26 e 27).



Foto 17 – C. amethystoglossa ‘Tiêta’
Foto 18 – C. amethystoglossa ‘Linhares’
Foto 19 – C. amethystoglossa ‘Rosita’
Foto 20 – C. amethystoglossa ‘Marc Pignal’
Foto 21
Jornal do Orquidófilo






Foto 22 – C. amethystoglossa ‘Dona Rita’
Foto 24 – C. amethystoglossa ‘André Stumbo’
Foto 25 – C. amethystoglossa ‘Walney’
Foto 26 – Cattleya amethystoglossa ‘Elton Leme’ Planta ao lado
Foto 23 – C. amethystoglossa ‘Renato Barboza’
Foto 27
Foto 26






C.
amethystoglossa
: Var. “Amesiana”
Possui flor com pétalas e sépalas em cor clara por igual, com pintas lilás escuro e labelo lilás bem suave (Fotos 28 a 30).
C.
amethystoglossa
: Var. “Lilacina”
Possui flor com pétalas, sépalas e labelo na cor lilás e quase sem pintas (Fotos 31 e 32)
C.
amethystoglossa
: Var. “Semi-alba”
Flor com pétalas e sépalas em cor branca e labelo ametista (Foto 33).

Foto 28 - C. amethystoglossa ‘Dona Rita’
Foto 34 - C. amethystoglossa ‘Jussari’
Foto 29
Foto 30 - C. amethystoglossa ‘Lenita’
Foto 31 - C. amethystoglossa ‘Walney’
Foto 32 - C. amethystoglossa ‘Júnior’
Foto 33 - C. amethystoglossa ‘Edmundo Silva’ (Semi Alba)
do Orquidófilo
C.
amethystoglossa
: Var. “Coerulea”
Flor com pétalas e sépalas brancas, pintadas do mesmo tom coeruleo (azul) do labelo, podendo apresentar variações de tons (Fotos 34 a 37).
C. amethystoglossa: Var. “Albescens”
Flor com pétalas e sépalas brancas, com suaves máculas cinza ou rosada e labelo que vai do rosa claro a quase branco (Fotos 38 a 41). A aventura do descobrimento da “Albescens”, será relatada mais adiante
C. amethystoglossa: Var. “Vinicolor”
Maravilhosa Ametista com flor de pétalas e sépalas em cor creme com tom róseo e labelo rosado (Fotos 42 e 43).
C. amethystoglossa: Var.
“Alba”
Flor com pétalas, sépalas e labelo branco pleno (Fotos 44 e 45).
C.
amethystoglossa
: Var. “Aurea”
Flor com pétalas e sépalas amarelo ouro e labelo ametista Foram duas plantas ”áureas” encontradas na natureza até os dias atuais. Infelizmente, uma morreu e não deixou descendentes A “Aurea Roberson” é a planta responsável por todas as “Aureas” hoje conhecidas, seja por descendência direta ou por cruzamentos (Fotos 46 e 47)



Foto 35 - C. amethystoglossa ‘Celeste’
Foto 36 - C. amethystoglossa ‘Caliman’
Foto 39 - C. amethystoglossa ‘Saíra’









Foto 38 - C. amethystoglossa
‘Areia Branca’
Foto 37
Foto 40 - C. amethystoglossa ‘Bioverde’
Foto 41 - C. amethystoglossa ‘Inaia’
Foto 42- C. amethystoglossa ‘Celebridade’
Foto 43 - C. amethystoglossa ‘Brisa’
Foto 44 - C. amethystoglossa ‘Alba do Edmundo’
Foto 45- C. amethystoglossa ‘Alba Lorena’
Foto 46 - C. amethystoglossa ‘Aurea Roberson’

O relato a seguir sobre sua saga, como foi salva e, mais uma vez, como por encanto, foi novamente salva.
As lágrimas do Coronel
A “história” da Cattleya amethystoglossa “Áurea” é bem distinta O seu descobrimento foi resultado da preocupação de um ambientalista e coronel, apaixonado pela flora da mata atlântica, que se aventurou em uma região onde havia um desmatamento ilegal e sozinho, mas confiante no seu carisma, propôs-se a recuperar o máximo das orquídeas e bromélias que abraçam as árvores das úmidas matas.
O coronel, em uma de suas viagens em sua velha camionete, deparou-se com o olhar curioso de mateiros nada hospitaleiros, na entrada de uma fazenda onde se realizava um desmatamento ilegal. Foi necessária uma boa conversa e uma rodada de bebida para “animar a alma” e conquistar a confiança. Uma vez esclarecido o interesse do visitante, foi levado ao local da derrubada.
Massaranduba, Pau-Brasil, Inhaiba, Jacarandá, Ipê Roxo, Ipê Amarelo, etc., muitas árvores lindas, grandes e caídas, cortadas, derrubadas, era só tristeza, sentimento de angústia.
Não faziam mal a ninguém. Só encantavam a alma e faziam brilhar os olhos de um naturalista, agora ali, destruídas para dar lugar a pasto para o gado e virarem aquelas belas toras de madeira em mesas e artigos de decoração
Refeito do choque, o coronel viu que estavam limpas de epífitas, quase não se viam orquídeas, bromélias, monsteras, anthuriun, philodendron Contaram-lhe que haviam sido levadas por comerciantes de plantas. Após insistir, o levara a ter com os que haviam feito a coleta, estavam em local próximo.
Ao sair da fazenda vislumbrou um Ipê amarelo bem alto e cheio de flores. Um dourado sobrevivente. Mal sabia eu que era um prenúncio de algo que iria acontecer após tanta destruição feita pelo bicho homem.
Ao chegar ao encontro dos comerciantes de plantas (os mateiros, assim chamados), viu uma quantidade enorme de orquídeas. Mas, o que chamava a atenção maior, era o um monte de ametistoglossas empilhadas
Depois de uma boa conversa e conquistar a confiança, não o deixaram levar as orquídeas, mesmo sabendo que as levaria para replantio em local onde ficariam protegidas (área de proteção
Foto 47 - C. amethystoglossa ‘Aurea Roberson’
particular). Mas, nada. O máximo foi deixarem levar uma quantidade de várias dezenas de orquídeas que estavam bem estragadas, machucadas pela queda no momento da derrubada das árvores onde se hospedavam.
O coronel acomodo-as na carroceria do carro e partiu, viajou 100 km até a mata onde está localizada uma fazenda de amigos, os quais o recebeu com carinho e preocupação com a natureza. Dia seguinte, após noite de sono merecido, dispõe-se com amigos a replantar as orquídeas sobreviventes na mata.
Lembrou-se da imagem do Ipê amarelo quando falou para o cuidador da área de preservação: cuide bem e avise-me se as caneludas (ametistas) derem alguma flor amarela.
É importante salientar que logo ao chegar à cidade mais próxima, comunicou às autoridades ambientais sobre o crime, e, em menos de 24 horas, houve ação da polícia ambiental, muitos envolvidos foram presos. Infelizmente as orquídeas já tinham sido levadas pelos contrabandistas No entanto, o coronel cumpriu com sua obrigação como cidadão.
Dois anos após o acontecido foi a reserva do amigo ver as plantas salvas Era final de julho, chuva fina e fria. Bem inverno. Muitas das plantas sobreviveram, cresceram, várias deram flor e foram devidamente fotografadas e identificadas Adentrou até o interior onde em árvores altas, para receber melhor luz, colocou as ametistas e foi surpreendido pela mais linda visão Lá estava com belo cacho de flores amarelas, uma bela ametistoglossa. Oito belas flores douradas da cor de “gema de ovo”, “Áurea”, este é seu nome Foi o maior acontecimento do mundo orquidófilo.
Hoje toda ametistoglossa “Áurea” que se encontra nas coleções particulares e em orquidários comerciais são o resultado do cruzamento desta planta única. O seu nome, Cattleya amethystoglossa “Áurea Roberson Maia”, é uma alusão a este orquidófilo, ambientalista e coronel (Foto 48).
Primavera 2021

Faz-se necessário informar que esta orquídea foi dividida em três partes. Uma parte para o Roberson, outra parte para um amigo do mesmo e, a rabeira, o final da planta, com o Walney (Le pape).
Anos mais tarde, devido à forte estiagem na Bahia e no Espiro Santo, no orquidário do Roberson, a água salinizou. Foi um castigo, de súbito, seca terrível, os rios foram secando e o mar levou o sal para o interior Quando se deram conta, as plantas estavam sendo irrigadas com água pesada, salina o suficiente para matar. E a “Áurea” morreu A tristeza ficou
Após saber do sofrimento do amigo, o Walney mandou que o trouxessem ao seu encontro. Ao chegar, o coronel Roberson relatou o sofrimento e tristeza da perda de valiosa orquídea e que o outro amigo, que recebeu uma das partes da “Áurea”, havia vendido a parte dele Portanto, não seria mais possível a “Áurea” voltar ao seu descobridor.
Walney levou o amigo ao seu orquidário, mostrou e disse: Coronel, lembra que você me presentou com um pedacinho da planta, a rabeira? Aqui está ela, hoje grande e florida, o amigo tem sua orquídea sim! Não fique mais triste Deus a criou para você O coronel Roberson, no alto de seus quase dois metros, chorou como uma criança.
Foto 48 – O Coronel e a sua Aurea
Jornal do Orquidófilo
Aventuras de descobrimento da
Cattleya amethystoglossa “Albescens” Areia Branca
Em mata fechada do sul da Bahia, aventurando pelo seu interior, devidamente vestido como tradicional mateiro, em companhia do amigo Índio e, mesmo sofrendo com forte chuva, lama e a presença de cobras, não desistimos de irmos adiante, mata adentro à procura de orquídeas diferentes.
Mas a natureza é sempre forte, e as nossas forças são desiguais, pois, depois de dois dias molhados e sofrendo com mosquitos, tivemos que recuar Mas coletamos alguns exemplares dos gêneros: Encyclia; Epidendrum e Oncidium; e as espécies: Cattleya warneri e Cattleya amethystoglossa Parecia que nada ali sairia de bom. As dificuldades com a chuva nos cansaram. Recuamos para uma nova viagem em tempo melhor
As plantas foram deixadas na casa do Índio, postas em pês de cacaus, para que se desenvolvessem e dessem flor. As ametistas eram as mais sofridas, pois as colhemos de galhos caídos de altas árvores balançadas pela forte chuva.
O amigo índio mora em um sítio em plena mata atlântica com muitas árvores frutíferas e uma bela plantação de cacau orgânico. Um belo riacho de águas cristalinas atravessa a propriedade, tornando o ambiente ainda mais agradável. Em todas as árvores estavam presentes muitas orquídeas, um paraíso para orquidophilos
As orquídeas coletadas na mata brotaram e floriram em seu novo ambiente, e as ametistas, em final de ensolarado setembro, deram belas florações. O Índio ligou e avisou que algo diferente abriu, branco com centro levemente rosado e suaves pintas Uma linda ametista da variedade Albesceis, com boa forma e elegância sem igual.
Depois da sofrida e cansativa aventura, nada melhor que a visão de tão belo presente da natureza. O nome C. amethystoglossa, variedades “Areia Branca”, foi justa homenagem a região onde foi encontrada (Fotos 49). ✿

Foto 49 – Cattleya amethystoglossa ‘Areia Branca’
Agradecimentos:
Aos amigos Roberson Maia e Renato Barbosa, pelos relatos e parceria;
Ao Toscano de Brito, A L V , pelo trabalho de consultoria;
Agradecimento especial à Dra. Bárbara Dantas FontesSoares da UESB, pela revisão do trabalho
Referência Bibliográfica:
CATTLEYA AMETHYSTOGLOSSA In: WIKIPÉDIA, a enciclopédia livre. Flórida: Wikimedia Foundation, 2020 Disponível em: <https://pt wikipedia org/w/index php?title=Cattleya_ amethystoglossa&oldid=55152468>.
Acesso em: 09 jul 2020
TOSCANO DE BRITO, A L V & CRIBB, P 2005 Orquídeas da Chapada Diamantina. Nova Fronteira, Rio de Janeiro. 399p.
A Arte de Marcellus Nishimoto
Retrato do Artista Por José Santos
É natural da cidade de Goiânia, capital do estado de Goiás, na Região Centro-Oeste do Brasil. Estudou design gráfico na Universidade de Brasília na segunda metade da década de 1990. Os seus primeiros estudos em arte foram por volta dos 8 anos de idade quando tive aulas específicas no Museu de Arte de Goiânia. Na sua infância e adolescência, sempre desenhava e pintava, mas nunca imaginou que um dia seria artista profissional. Trabalhou como designer gráfico, diretor de arte, assessor de marketing e até foi chef de um restaurante que teve em Brasília especializado em cafés especiais. Já fez bastantes coisas: umas mais ligadas a arte e outras nem tanto. Quando retornou à sua cidade natal, continuou a trabalhar com design, mas começou a fazer trabalhos artísticos e, de repente, passou a ser mais requisitado pelo o que fazia em termos de arte do que em design. Começou então a especializar-se em aves e plantas nativas do Brasil. Foi um grande sucesso. Recebeu um convite para participar de uma bienal na Europa e os seus trabalhos ficaram expostos na Eslovênia e na Alemanha Hoje em dia, dedica 100% do seu tempo retratando a natureza brasileira.
COP - Como o desenho chegou à sua vida? Teve a influência de alguém (família, amigos, professor ou outros)?
A minha mãe, que é médica, desde muito cedo, percebeu o meu talento para arte. Foi a pessoa que mais me incentivou a ser artista. Mas nunca dei muita atenção ao que ela dizia Achei que seria médico também, mas acabei me formando em design. Mas, mesmo assim, minha mãe repetia que eu deveria ser um artista E de fato ela sempre teve razão. Minha família e amigos têm muito orgulho de terem um artista entre eles.
COP - Foi você que decidiu pintar orquídeas? Porquê? Fale-nos um pouco sobre essa coleção de trabalhos.

O tema das orquídeas apareceu naturalmente a partir do momento em que comecei a pesquisar a flora brasileira. Ao pintar uma ave, faço uma pesquisa das plantas que fazem parte do ecossistema de cada espécie. E as orquídeas são fascinantes. Tanto pelas inúmeras formas e cores quanto pela raridade de algumas delas
Esta minha última coleção são seis orquídeas da América-Latina com aves brasileiras. A série se chama "Visões de um equilíbrio ameaçado”, pois inúmeras espécies de aves e plantas estão desaparecendo do seu ambiente natural. Várias orquídeas que pintei quase não são mais encontradas na natureza devido à coleta criminosa para venda e à degradação do meioambiente pela ação humana
Jornal do Orquidófilo

Petrim (Synallaxis frontalis) na orquídea Cattleya loddigesii

Príncipe macho (Pyrocephalus rubinus) na orquídea Cattleya schilleriana
Jornal do Orquidófilo

responsabilidade na manutenção da vida em nosso planeta. O que faço vai além da mera representação.
COP - Qual é a importância da Gravura Científica?
A gravura científica tem a importante função de ilustrar a grande biodiversidade da Terra. Foi o ponto de partida para que os pesquisadores e artistas começassem a coletar informações sobre a infinidade de formas de vida. E partir desta catalogação, entender como a vida é gerada e como os seres vivem em harmonia e interdependência.
Ferro-velho macho (Euphonia pectoralis) na orquídea Cattleya lobata.
COP - Tem orquídeas em casa? Onde escolheu os seus modelos?
Como moro em apartamento, às vezes trago orquídeas da floricultura para estudá-las Mas, logo que perdem suas flores, dou-as para algum amigo que tem um jardim para cultivá-las. Os modelos escolhidos foram a partir de fotos e de espécimes vivas de colecionadores.
COP - Como artista, o facto de retratar orquídeas, aves e outras plantas e animais tem algum objetivo conservacionista ou é meramente estético? Você se preocupa com a natureza?
O maior sentido do meu trabalho de arte é colocar em destaque a grandeza e a imensa fragilidade da biodiversidade brasileira. Cada pintura traz a personalidade de cada espécie.
Trabalho o nosso fascínio pelas cores e formas exuberantes destes seres, mas há também um alerta subliminar sobre o nosso papel de
COP - Que outros artista você admira dentro da área de gravura da natureza?
São fundamentais os artistas que vieram para o Brasil na comitiva de João Maurício de NassauSiegen (1604 1679), governador da colônia holandesa no Recife, tais como Frans Post (1612

Saíra-militar macho (Tangara cyanocephala) na orquídea Catasetum tenebrosum.
1680) e Albert Eckhout (c.1610–1665). Foram os primeiros a retratarem a diversidade geográfica, da flora e da fauna brasileiras.
O grande botânico Carl Friedrich Philipp von Martius (1794 1868) que estudou profundamente as espécies brasileiras nos seus diferentes biomas.
As ilustrações de história natural do pintor flamengo Joris Hoefnagel (1542 - 1600) que contribuíram para o desenvolvimento da pintura de naturezas-mortas de flores. E influenciou toda a geração de artistas da Idade de Ouro Holandesa (barroco holandês).
As pinturas de flores e insetos de Barbara Regina Dietzsch (1706-1783).
O artista naturalista John James Audubon (1785 – 1851) e seu famoso livro "Birds of America"
As incríveis ilustrações de plantas da Amazônia brasileira da artista botânica inglesa Margaret Mee (1909 1988)
E os artistas contemporâneos Raymond Harris Ching, William T. Cooper, Carl Brenders, Robert Bateman, Rosie Sanders, Fiona Strickland dentre outros.
COP - Você vende suas obras? Onde os nossos sócios podem comprar, se for possível?
As gravuras de alguns dos meus trabalhos podem ser compradas no meu site:
www marcellusnishimoto com/shop
Imagens (Permitido o uso somente para ilustrar a edição do Clube dos Orquidófilos de Portugal de Primavera 2021. Todos os direitos reservados ao artista.)
Todas as obras originais são em aquarela sobre papel Arches hot pressed, 300g. Coleção particular, 2020.


O meu Bulbophyllum não quer
florir…
Acontece por vezes termos plantas que não conseguimos fazer florir, porque não produzem hastes florais ou porque os botões caem antes de abrir. O problema pode ter várias causas: luz, disponibilidade de água, temperatura ou disponibilidade de nutrientes
Luminosidade
O local onde colocamos cada planta resulta sempre de um compromisso: os Bulbophyllum precisam de luz baixa, mas a maior parte deles reduz a floração ou deixa de florir se for cultivado com luz insuficiente. Nesta situação as plantas apresentam, normalmente, sinais de estiolamento: as folhas ficam mais longas e estreitas, os entrenós ficam mais longos e os pseudobolbos mais “magros” que os anteriores. Em muitos casos também há alteração da cor das folhas e dos novos crescimentos Nestes casos devemos experimentar mudar a planta para um local um pouco mais iluminado, tendo sempre atenção aos sinais de excesso de luz, como o amarelecimento das folhas, queimaduras ou paragem de crescimento
É também importante frisar que uma mudança de orientação da luz numa planta que está a produzir hastes florais pode, muitas vezes, levar à queda dos botões já formados, pelo que devemos evitar mudar de sítio uma planta que se prepara para florir.
Disponibilidade de água
Os Bulbophyllum vivem nas regiões mais húmidas do planeta, mas também estão sujeitos a alterações climáticas sazonais. São climas tropicais ou equatoriais, caracterizados por duas estações que se alternam: uma estação húmida, mais quente e chuvosa, e uma estação “seca”, mais fria e com menos chuvas O termo “seco” é muito relativo, dado que o que varia é a frequência das chuvas e a humidade ambiente por baixo das copas das árvores da floresta, o local onde as plantas vivem, se mantém sempre elevada: é apenas uma estação mais “seca” em comparação com a estação das chuvas...
de Fernando Cecílio e Ana Pereira

Bulbophyllum (Physometra) physometrum
Uma espécie um pouco mais difícil de fazer florir (foto F. Cecílio)

Bulbophyllum leptocaulon
Acordar cedo para ver a flôr aberta! (foto F. Cecílio)
Esta variação, tal como a variação do fotoperíodo, está implicada nos processos metabólicos que desencadeiam a formação de hastes florais Assim, uma planta que não floresce pode estar à espera do período de “secura” relativa que lhe dá o sinal para florir.
Como regra geral podemos recomendar que, quando os novos crescimentos estão terminados e os seus pseudobolbos completamente desenvolvidos, devemos submeter as nossas plantas a um choque hídrico, não parando completamente, mas reduzindo marcadamente as regas durante três ou quatro semanas, mas sempre mantendo a humidade ambiente elevada. Se virmos sinais de que os pseudobolbos começam a “mirrar” está na altura de regar de novo.
Disponibilidade de nutrientes É costume dizer-se que os orquidófilos são gente paciente, mas todos tentamos acelerar o desenvolvimento das nossas plantas. Para isso, adubamo-las.
Os adubos ricos em Azoto (o “N”, na fórmula N-P-K) podem induzir estiolamento das partes vegetativas das plantas e levá-las a deixar de florir.

Bulbophyllum (Ione) lopalanthum ( = Sunipia grandiflora)
A flor é linda, mas só raramente se consegue fazer florir (foto F. Cecílio)
A questão resolve-se com um cuidado adicional: após a fase de crescimento dos pseudobolbos do ano devemos passar a adubar com um adubo mais pobre em Azoto e mais rico em Fósforo e Potássio (os “P” e “K” da mesma fórmula). Nós adubamos com Rain Mix, mas, para quem não usa um adubo específico para orquídeas pode usar nesta fase, por exemplo, o Complesal 5-8-10, que aparece à venda nas Agrilojas, ou outro de outra marca, mas de fórmula equivalente.
As florações “clandestinas” …
“Tenho um Bulbophyllum que dá flores mas os botões nunca abrem!”. Não seria a primeira vez que ouvíamos este comentário.
O que se pode estar a passar é que muitas espécies de Bulbophyllum miniatura, especialmente das Secções Peltopus e Polymeres, têm um horário tão rígido como qualquer Repartição de Finanças: as flores abrem durante a madrugada, ainda antes de nascer o Sol, e fecham por volta das 9.30h da manhã. Fazem isto durante cerca de uma semana (menos dias em tempo quente) até murcharem de vez e caírem Para vermos as flores, a solução não passa por qualquer técnica cultural, mas apenas pelo uso de um vulgar despertador. ✿
Obras na Quarentena
Por Antonia Kóvacs
Quando era pequena vivíamos junto a uma floresta onde fazia muitos passeios com a minha mãe. Eu levava comigo vários instrumentos porque escavava plantas com raiz e depois plantava-as no balcão do nosso apartamento. Regava-as e cada dia olhava se dariam flores. Acho que foi assim que começou a minha paixão com as flores
Quando comprámos a nossa moradia e convidámos os nossos amigos para vê-la, um deles trouxe uma orquídea. Coloquei-a na janela da cozinha e com a maior surpresa durante meio ano deu flores lindas, de cor de manteiga Fiquei encantada e acho que foi assim que começou a minha paixão com as orquídeas... e não apenas a minha, mas sim a do meu marido também pois ele também ficou “contaminado” por estas lindas flores.
Ambos ficámos encantados com as orquídeas e quando era possível comprávamos algumas, mas muitas delas morreram. Fiquei triste, tudo indicava que as orquídeas infelizmente não eram capazes de sobreviver as condições da casa e o nosso amor por elas ficaria mesmo “platônico” Foi assim que o meu marido se decidiu a construir uma estufa. Ele tornou-me muito feliz, mais felizes ainda as orquídeas que assim acabaram por desfrutar tanto temperatura como humidade adequadas para viver.
Enquanto via a estufa a ficar cada dia mais concreta, ficava cada vez mais entusiasmada por poder ser mãe cuidadosa das minhas flores. Resultou que quando a estufa ficou pronta o meu entusiasmo já tinha ultrapassado o tamanho dela. Não havia nada a fazer, a estufa veio a ser pequena e o meu marido começou a construir outra maior
A área da estufa pequena é 8 m2 , 1 metro de largura por 8 metros de comprido. Foi construída pegada à parede exterior da nossa casa. A estufa maior foi construída perto da pequena, mas não junto Entre as duas ficou um espaço tipo “corredor” aberto.
A estufa pequena veio a ser a casa dos Cymbidium, ou seja, ficou como estufa fria Em comparação a estufa maior ficou com uma área de 15 m2 , 3 metros de largura por 5 metros de comprido e tornou-se estufa quente. Com tempo a estufa quente foi ampliada, mantendo a mesma largura passou a ter 10 metros de comprido, em total 30 m2 .

Acima, à esquerda a estufa pequena de 8 m2, à direita a estufa grande de 15 m2
Em baixo, já com a ampliação da estufa grande com um 30m2
Laelia anceps

A estufa quente foi construída a 1 metro de profundidade abaixo do nível do chão, em total tem 2 metros de altura nos lados, 2,5 metros no meio Desta maneira o chão ajuda a aquecer no Inverno e em refrescar no Verão; aproveitando este facto naturalmente se necessita aquecer a estufa no Inverno e refrescá-la no Verão Tudo que está em cima do nível do chão quer dizer todas as paredes e o teto são de vidro O teto é de vidro especial com filtro UV contra os raios queimadores do sol.
Não devemos esquecer-nos dum pormenor: a nossa moradia é duma aldeia próxima de Budapeste, Hungria, clima continental. O clima continental tem os dois estremos: muito frio no Inverno quando a temperatura é capaz de descer até 20 °C negativos e muito calor no Verão quando a temperatura sobe até 40 °C positivos. Assim o primeiro problema a solucionar foi a temperatura, ou seja, aquecer a estufa no Inverno e tornar a estufa fresca nos dias quentes e abafados de calor do Verão.
Assim, entrámos em 2020 a pensar como seria possível aumentar um pouco mais o tamanho da estufa quente visto que o número das Cattleya, Vanda e Dendrobium, etc. cresceu sem parar. A minha ideia foi fechar o “corredor” aberto que se estendia entre as duas estufas e juntá-lo com a estufa quente Assim conseguimos ganhar mais 16 m2 e no total obter 46 m2! Começámos as obras no fim de fevereiro de 2020 A quarentena veio mesmo “a calhar” no sentido de poder prestar máxima atenção à construção da estufa, tanto que acabámos de fazer tudo, eu e o meu marido – quase tudo foi feito com as nossas próprias mãos Aprendi a colocar azulejos, pôr argamassa e tanto mais que nunca pensava que pudesse fazer!

Já com o corredor fechado e um total de 46 m2
As duas partes foram conectadas por uma escadinha Por isso mesmo na parte nova no Verão faz mais calor e no Inverno faz mais frio pois a profundidade que faz o seu efeito na parte antiga, na parte nova já não funciona. Mesmo que a parte nova feita no lugar do “corredor” seja apenas a metade (16 m2) da parte antiga (30 m2) foi necessário reforçar tanto o aquecimento como a ventilação.
Outra diferença entre a parte antiga e a nova é o chão: na parte antiga tenho pedras pequenas no chão, colocadas em cima do sistema do aquecimento subterrâneo. Na parte nova o chão é de betão



Acima, a zona das escadas. Os dois lados. Ao meio, a parte nova. Em baixo, o interior da estufa antiga.
Vários Paphiopedilum híbridos
Enquanto a estufa quente tinha sido construída aproximadamente a 1 metro de profundidade, o “corredor” não foi escavado igualmente debaixo, mas sim foi montado ao nível do chão Foi necessário fazer assim por causa da luminosidade: baixando o “corredor” para ter o mesmo nível do que a parte nova os raios do sol não penetravam no seu interior Sendo assim, formou-se um desnível entre a parte antiga e nova.

Jornal do Orquidófilo

A parte antiga tem pedrinhas no chão; nesta parte a maioria das plantas estão atadas em troncos de árvore
Á esquerda é o lugar das antigas janelas que foram removidas quando ampliámos o interior da estufa No lugar das janelas ficou o peitoril que virou um lugar excelente para as Cattleya
A moldura da janela foi aproveitada para poste das lâmpadas. A lâmpada de cima é a iluminação normal, a de baixo tem 3500 lúmen e só se usa no Inverno quando o sol se põe muito cedo pois pelas 15:00 horas já é noite completa.

A parte nova tem betão no chão. As Cattleya estão postas no peitoril da antiga janela ou penduradas aqui As que estão postas no peitoril são plantas grandes em potes de plástico pretos que estão furados nos lados
Ao fundo da foto vê-se um dos 5 ventiladores pequenos que estão sempre ligados para mover o ar Em baixo em torno do lugar há uma calha de água que em principio foi feita para criar mais humidade mas infelizmente não resultou Junto à calha, os pontos pretos são aspersores que funcionam manualmente. As válvulas são viradas para o chão, a água depois evapora do chão molhado.
Vários Paphiopedilum híbridos
Quanto ao aquecimento - primeiro instalámos radiadores normais que se usam dentro das casas, mas logo nos primeiros dias de uso vimos que não eram adequados para o lugar. Eles faziam muito calor perto, mas mesmo utilizando ventiladores o calor curiosamente não se dispersava como se esperava Sem dúvida tivemos de alterar o sistema, mas como? O meu marido pesquisava na internet soluções como aquecer estufas até encontrar uma antiga cooperativa agrícola que na altura já estava
encerrada e vendiam muito material em segunda mão A cooperativa tinha estufas onde cultivavam legumes e aqueciam-nas com radiadores especiais instalados em cima do chão, pedaços de tubos de cerca de 1m de cumprido e 15cm de diâmetro que tinham lâminas pequenas em redor A cooperativa tinha 4000 metros destes tubos usados... um “estoque” inesgotável! Comprámos tubos aquecedores pela primeira vez, daí a alguns anos voltámos a comprar e agora em 2020 também.
Apresentação de orquídeas vencedora da autoria do Wingarden.
Os tubos aquecedores são colocados em torno de toda a estufa, a 10-15cm acima do chão As vandas estão penduradas justamente em cima dos tubos aquecedores e junto fizemos piscinas e pequenos chafarizes de água para criar mais humidade pois as vandas precisam muita humidade Estes tubos não são bonitos, mas funcionam bem, fazem calor com temperatura constantemente equilibrada por todo o interior, menos junto com o chão Fizemos um Inverno assim, mas antes do próximo Inverno além dos tubos especiais instalámos aquecimento subterrâneo também O termostato está posto em 21 °C.

Vários Paphiopedilum híbridos
Os radiadores normais foram trocados por tubos aquecedores especiais Algumas Vanda estão penduradas em cima dos tubos, junto uma piscina de água
Quanto à humidade – além das piscinas e pequenos chafarizes mencionados – era necessário aumentar a percentagem da humidade do ar em todo o interior, não apenas no lugar das Vanda Até a estufa ter 30 m2 parecia suficiente escoar água no meio e no fundo da estufa onde fizemos grossas paredes de pedra. A água corria constantemente nestas paredes, cada parede era um círculo fechado com pequena bomba de água. A humidade nunca baixava, sempre estava com cerca de 70% Depois das obras a humidade drasticamente baixou e havia dias quando mal chegava 25% Ou seja, depois das obras o antigo sistema de humidade já não era suficiente Como na parte nova não foi possível colocar paredes de pedra para escoar água – por um lado porque o espaço é estreito, por outro lado porque tem paredes de vidro – fizemos um canal de água em torno do lugar, junto à parede Trabalhámos imenso com isto, para conseguir inclinação adequada do canal, para que a bomba de água tivesse bastante força, mas infelizmente tudo foi em vão pois não ajudou em criar mais humidade Depois disto tentámos estabelecer um sistema de tubagem e válvulas para vaporizar água, mas também não resultou porque as válvulas – mesmo que sejam os melhores que se podia comprar –faziam gotas grandes, a água muitas vezes caía nas folhas, pétalas e estas ficavam muito molhadas Então em vez de pôr a tubagem e as válvulas em cima, junto com teto, coloquei-os em baixo, junto ao chão de betão pois – pensava eu – molhando o betão automaticamente se fazia humidade e assim acontecia, mas só enquanto as válvulas funcionavam Gastava-se muitíssima água desta maneira e além do exagero de água era impossível andar por esta parte porque sempre haviam grandes poças de água no chão. Fiquei muito aflita pois nada resultou Depois de pensar e pesquisar muito, acabei por comprar uma humidificadora infra, industrial Esta máquina faz gotas de água tão pequenas que não se veem, as gotas desfazem-se perfeitamente no ar e as folhas ficam secas Comprei a máquina da representação húngara duma empresa alemã Para medir a humidade coloquei higrómetros em cada parte da estufa pois tinha uma impressão que haviam cantos mais secos – mas mesmo assim este investimento valia a pena porque a percentagem da humidade na maior parte da estufa chegou a ter entre 60-70%, mas
Apresentação de orquídeas vencedora da autoria do Wingarden.
Jornal do Orquidófilo
realmente haviam dois lugares onde nunca ultrapassava 50% Para estes lugares instalámos duas humidificadoras infra pequenas “auxiliares”. Com as humidificadoras, com as piscinas e chafarizes junto com os tubos aquecedores a humidade ficou boa e isto vê-se nas plantas pois desde então as raízes estão mesmo gordas, brotam mais folhas e nascem filhotas que depois crescem bem.

Humidificadora infra industrial e dois ventiladores
Quanto à sombra - quando construímos as primeiras estufas era fácil fazer sombra pois era suficiente colocar um vidro especial no teto. É um vidro de filtro contra os raios UV que se usa principalmente nas estufas Os anos passaram e o vidro de filtro já não protegia suficientemente pois cada Verão ficou mais quente e o sol queimava cada vez mais Enquanto na minha infância nos dias quentes do Verão a temperatura raramente subia mais de 30 graus, hoje em dia não é raro ter dias com mais de 40 graus e a força do sol também tem ficado mais intensa A situação melhorou na estufa ao colocar uma rede de proteção em cima do teto durante o Verão. Este tipo de rede usa-se também nos pomares ou nas vinhas. Mas depois das obras surgiu um problema pois a estufa ficou maior e assim ficou mais complicado, até impossível colocar a rede em cima. Tive de solucionar a situação porque sem proteção dentro fazia mais de 45 graus, um verdadeiro forno Foi óbvio que em vez de usar uma rede de proteção em cima do teto colocada por fora, teríamos de encontrar algo que pudesse estar debaixo do teto ou seja colocado por dentro
Vários Paphiopedilum híbridos
Por fim foi o meu marido que solucionou o problema Ele fabricou 4 portadores de rede e fixouos em cima da estufa, debaixo do teto. Na parte antiga da estufa quente cada portador de rede tem 1,5 metro de comprido enquanto na parte nova (o que foi feito do “corredor”) são de dimensão menor. Dentro dos portadores há uma mola que permite puxar a rede para fora e estende-la sobre as plantas. A rede que se enrola dentro dos portadores é dum tecido especial de poliéster com pequenos buracos que faz sombra e ao mesmo tempo filtra bem os raios UV O meu marido é um verdadeiro engenhoca!

Rede de sombra e ventoinhas.
Quanto à ventilação – instalámos dois ventiladores grandes no teto e cinco pequenos em torno da estufa nas paredes laterais. No Verão todos os ventiladores funcionam sem parar, no Inverno só os dois grandes que estão fixados no teto. Parecem ser eficazes porque graças ao movimento do ar nestes últimos tempos tenho tido poucos piolhos nas plantas Nunca tive tão poucos como agora
Apresentação de orquídeas vencedora da autoria do Wingarden.
Quanto à iluminação – devido aos dias curtos do Inverno (o sol nasce pelas 08:00 horas de manhã e põe-se pelas 16:00 horas da tarde) é necessário usar lâmpadas para substituir a luz natural. O meu marido instalou 4 lâmpadas de led de consumo baixo Cada uma é de 38 Watt e de 3500 lúmen Quanto ao preço/qualidade estas lâmpadas pareciam melhor. As que dão mais lúmen são mesmo muito caras.
Casa das máquinas - as humificadoras infras precisam água limpa e uma própria bomba para abastece-las com a água filtrada. A maquinaria tem de estar em lugar seco, assim foi instalada na parte traseira da estufa fria Neste mesmo lugar colocámos o esquentador de água para o aquecimento. E por fim acabámos por ter aqui o sistema de rega também. A estufa fria assim deixou de existir pois tornou-se uma casa de maquinas para servir a estufa quente. Coitados dos Cymbidium que ficaram sem casa, tive de os mudar para outro lugar. Não tenho muitos e um junto com outro aproveitando todo o espaço, cabem na janela da nossa dispensa. Esta janela é relativamente grande pois tem um espaço interior de aproximadamente meio metro por um metro, como na dispensa não tem aquecimento, a temperatura está entre 10-15 °C, a humidade anda em torno de 50%. Embora floresçam aqui, mereceriam um lugar melhor – isto seria o próximo problema para resolver De todas as formas a antiga estufa fria funciona muito bem como casa das máquinas.
canaliza-se das calhas para os tanques, cada tanque tem “o seu pedaço de calha” Quando a água entra nos tanques passa-se por um filtro para deixar a impureza fora
Os dois tanques da estufa - tanto o tanque por fora como o por dentro conectam-se diretamente com um barril de 60 litros colocado na casa de máquinas Cada dos dois tanques tem a sua mangueira que é capaz de canalizar a água do tanque para o barril com a força dumas pequenas bombas postas dentro dos tanques grandes. Há um botão que decide qual dos tanques vai abastecer o barril de 60 litros com água. No Verão usa-se mais o tanque que está fora da estufa, atrás dela; enquanto no Inverno usa-se o tanque que está dentro da estufa, debaixo do chão Razão disto é que a água no tanque de fora geralmente fica congelada durante o Inverno Quando o barril de 60 litros está cheio, desliga-se a bomba posta no tanque e a água para de passar Depois de esperar alguns segundos, outra bomba de água entra em funcionamento e desta vez a água do barril vai para dentro da estufa através duma outra mangueira. No fim da mangueira aplicámos um aspersor manual, um tipo de esguicho longo. No Inverno rego todas as plantas uma vez por semana e rego só as raízes das vandas no meio, entre duas regas. No Verão costumo regar todas as plantas a cada dois dias Para poder regar todas as plantas uso uns 40-50 litros de água por cada rega No Inverno não ponho fertilizante na água, no Verão ponho-o cada segunda vez Uso o fertilizante da Akerne Orchids Quando uso fertilizante, isto é misturado com a água no barril de 60 litros

Vários Paphiopedilum híbridos
Quanto à rega – é uma questão fundamental e muito complexa Tenho 4 tanques, cada um de 1000 litros para coletar água da chuva. Dois tanques são da estufa – um deles está atrás da estufa por fora; outro está escondido debaixo do chão, dentro da estufa Outros dois tanques estão postos nos cantos do jardim e servem por um lado como reserva de água para a estufa, por outro lado para regar o próprio jardim Se não chove durante muito tempo e a água esgota dos tanques da estufa, é possível canalizar e repor água nas estufas dos tanques do jardim. Em torno da nossa casa, debaixo do teto temos calhas para coletar a água da chuva A água
Depois das obras vimos que a humidade não era suficiente Fizemos um canal de água em torno da parte nova, junto à parede A cor preta é uma tinta especial de isolamento no interior do canal Infelizmente não resultou No chão também se vé a tampa do tanque de água subterrâneo
Jornal do Orquidófilo
Há alguns anos comecei a cultivar as orquídeas em troncos de madeira Levámos troncos para dentro da estufa, aplicamo-los num bloco de pedra grande que assim serve como pé Depois atei as orquídeas nos troncos e usei musgo Sphagnum para embrulhar as raízes Nem todas as espécies sobreviveram assim, geralmente as Cattleya não gostam de ficarem atados nos troncos enquanto que as espécies de Dendrobium aclimatizam-se muito bem assim e dentro de pouco tempo fazem filhotes e florescem – mais do que nos vasos. As Vanda também gostam de ficar nos troncos, principalmente mais no alto. Tenho a maioria das Vanda penduradas em arame de alumínio que se estendem debaixo do teto, outras estão nos troncos As Phalaenopsis não gostam de estar atadas nos troncos, preferem vasos colocados em cima dos radiadores É impressionante como florescem nestes lugares. Pela experiencia as Cattleya gostam de estar justamente na divisão dentro da estufa que se encontra entre a parte mais antiga e a mais nova. ✿


Schomburgkia e outras montadas na árvore.




Vanda recebida do grupo GREENTRIP PRAGA 2014
Comprada na EXPO ORQUÍDEAS LISBOA 2017 e começou a florir em 2019
Duas Vanda da Feira de Viena. A rosa foi recebida do grupo GREENTRIP 2020.
Cattleya comprada na Feira de Dresden em 2015
As nossas Orquídeas
Os nossos cultivos
Dendrobium tetragonum giganteum e D. tetragonum alba
de Ana Cabanas


Adquiri o Dendrobium tetragonum giganteum no Horto Jardins Sintra há já uns 4 anos e só não deu flor em 2020, penso que devido a não ter tido agua suficiente Encontra-se num vaso, só com casca de pinheiro. Neste momento borrifo todos os dias a parte superior do vaso, no inverno rego de 2 em 2 semanas e no verão de semana a semana, caso haja um pico de calor rego de 2 em 2 dias. Encontra-se na minha varanda que tem calor todos os dias, apesar de este ano ter tido temperaturas de 13º graus durante o dia devido a este Janeiro anormalmente frio
Adquiri o Dendrobium tetragonum Alba no Schwerter Orchideenzucht há já uns 3 anos só não deu flor no ano de 2020, pela mesma razão que mencionei anteriormente. Encontra-se numa placa de barro, este rego todos os dias, uma vez que o barro absorve a humidade toda que fica no pouco musgo que tem. É cultivado no mesmo local que o Dendrobium tetragonum giganteum
Este ano floriram os dois ao mesmo tempo ✿
Abriu uma nova Loja Online para os apaixonados por Orquídeas e outras plantas para colecionadores!
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Esperamos pela sua visita em: https://greenman-orquideas.pt/
Biblioteca
ORQUIDÓFILA

ORCHIDS OF ROMANIA
Autores: Nora De Angelli e Dan Anghelescu
Editora: Publicação de autor, 2020 300 páginas escrito em inglês
Este livro é uma obra de arte!
Não só nos mostra muito do que é o mundo das orquídeas silvestres como nos dá a conhecer as 71 espécies de orquídeas existentes na Roménia bem como as suas muitas subespécies e híbridos. Dentro das descrições encontramos informações sobre o género, a nomenclatura, descrição da planta, flores e do seu habitat Tudo muito completo e de fácil leitura e compreensão, como aliás é normal num livro deste tipo.
O que difere neste livro e que lhe acrescenta muitíssimo valor é o cuidado da edição de capa dura, qualidade do papel e as fabulosas fotografias que o ilustram É relativamente fácil fazer fotos de orquídeas bonitas com flores de orquídeas, sendo estas bastante belas. É difícil de errar Mas no que respeita a este livro, não são só
bonitas imagens, salienta-se a sua extrema qualidade, e o cuidado e atenção ao detalhe, onde podemos observar os mais pequenos detalhes dos exemplares representados estando estes muitas vezes acompanhados de fauna local, o que as torna ainda mais interessantes.
Este é um livro resultante da necessidade de tirar a população geral do desconhecimento das riquezas botânicas do seu próprio país e a vontade de as mostrar ao mundo
Desde as montanhas rochosas dos Cárpatos, pelos desfiladeiros do Danúbio, as Gargantas de Kazan até à Dobruja, entre o Danúbio e o Mar Morto e no planalto da Transilvânia. Foram milhares de quilómetros percorridos pelos autores por toda a Roménia Este livro é o resultado de 5 anos de pesquiza e trabalho intensivo. E está muito bom!
Para quem estiver interessado em adquirir este livro, pode fazê-lo diretamente com a autora e pelo email noradeangelli15@gmail com ✿


O NOSSO DESDOBRÁVEL INFORMATIVO
Temos disponíveis panfletos desdobráveis com informação sobre orquídeas e sobre o nosso Clube para serem divulgados em locais onde possam ter interesse em orquídeas e onde possamos angariar novos associados para o Clube
Aos interessados em distribuir pelas vossas áreas de residência, por favor contactem-nos que vos enviaremos alguns exemplares
Biblioteca ORQUIDÓFILA
Também em Portugal foi publicado um Guia de Campo das Orquídeas Silvestres da zona da Arrábida. Aqui vos deixamos o nosso parecer deste livro e uma entrevista com o autor

ORQUÍDEAS SILVESTRES
ARRÁBIDA – GUIA DE CAMPO
Autor: Armando Frazão
Edição de Autor, de 2020
171 páginas
Bilíngue – Português / Inglês
Um belíssimo guia de campo para quem quer ir “caçar-orquídeas” com a camera fotográfica.
Sendo um livro sobre as orquídeas da Arrábida poderá no entanto ser utilizado para identificar orquídeas em qualquer local do país pois estas espécies poderão ser encontradas em outras zonas. É um guia prático e de fácil utilização, como deve ser um livro deste tipo.

As primeiras cinquenta páginas dão-nos a conhecer tanto a fisiologia de uma orquídea como o seu tipo de crescimento e tipos de habitats onde podemos encontrar orquídeas. Podemos conhecer mais sobre aspetos botânicos como a estrutura da planta e flor, polinização, germinação e propagação vegetativa bem como dados geológicos, climáticos e outros que influenciam a sua sobrevivência Também a Conservação é abordada como um fator importante para a preservação destas pequenas joias da botânica portuguesa
O restante livro é constituído pela descrição de várias espécies de uma forma bastante acessível onde podemos, facilmente, obter as mais diversas indicações sobre o tipo de orquídea, nomes comuns e científicos, época de floração, o tipo de habitat e tipo de solo onde pode ser encontrada, bem como uma descrição da planta e da flor.
De salientar ainda a qualidade deste guia, desde o papel à impressão, muito importantes para podermos admirar as magnificas fotos e esquemas apresentados. ✿
O autor, Armando Frazão
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ORQUIDÓFILA
Entrevista com Armando Frazão, o autor do livro ORQUÍDEAS SILVESTRES, ARRÁBIDA – Guia de Campo.
COP – Fale-nos um pouco sobre você. Alguns dados biográficos
Armando Frazão - Nasci em Angola, em 1971. Filho de pais portugueses, era a primeira geração da família nessa ex-colónia Veio o 25 de Abril e vim para Portugal, para o interior centro no agora conhecido concelho de Pedrógão Grande. Cresci aí até aos 18 onde estudei na área de Científiconaturais (já tinha esse gosto)
Mas na entrada para a Universidade percebi que a única saída realista para um biólogo na altura era dar aulas Acabei por entrar noutra opção, o Instituto Superior Técnico onde me formei em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores. Comecei a trabalhar ainda durante o curso na área da informática e essa foi a minha vida profissional durante uns 25 anos. Mas assim que terminei o curso (que me durou bem mais que os 5 anos) passei a ter tempo e disponibilidade mental para outros assuntos. Descobri primeiro a fotografia e depois, através da fotografia, voltei à natureza que eu sempre gostei. Cheguei a ter um website com mais de 1000 fotografias de cerca de 500 espécies de artrópodes. Era o “Bugs por Armando Frazão”. Acabei por ter que o descativar por questões “técnicas” dos alojamentos e por falta de vontade de recriar tudo numa tecnologia diferente Foi nessa fase que apurei a arte da macrofotografia que depois viria a ajudar-me imenso com as orquídeas. Por dificuldades financeiras que geraram dificuldades técnicas, deixei de conseguir fazer macrofotografia tão próxima como gostava na transição para a fotografia digital. Andei um tempo na paisagem e só depois vieram as orquídeas Também ainda participei em atividades ambientais tendo feito inclusivamente parte dos órgãos sociais do núcleo de Lisboa do FAPAS. Em 2010 lancei-me noutra aventura pessoal, comecei a escrever. Tenho 4 livros de ficção publicados, para além deste livro de orquídeas. Também foi importante porque aprendi muito so -
bre como se produz um livro e todos os aspetos técnicos que isso envolve.
Depois de uma alteração drástica a nível profissional, há cerca de 4 anos, deixei de trabalhar profissionalmente na área da informática
Todos os conhecimentos e experiência que fui adquirindo permitem-me aventuras multidisciplinares e ser muito independente nos meus projetos pessoais
COP - Quando e como tomou conhecimento do mundo das orquídeas silvestres?
A.F. - Foi através do meu amigo Alcino Alves, a quem dedico o livro das Orquídeas Silvestres da Arrábida Ele organizava todos os anos o Passeio Anual das Orquídeas, que na altura era na Serra do Risco e conheceu-me através do FAPAS. Convidou-me a ir ao passeio e eu passei a ir sempre, “nem que chovam picaretas”, como se dizia. Isto deve ter acontecido há uns 20 anos. A aprendizagem sobre o tema foi gradual e depois acabei por herdar a organização do passeio quando o Alcino deixou de o poder fazer Só o ano passado, por causa da pandemia, é que não houve passeio (que, entretanto, eu transferi para a zona de Palmela) Felizmente, nunca choveram picaretas para testar a determinação do pessoal!
COP - O que o atrai na observação / estudo das plantas da família Orchidaceae?
A.F. - Certamente uma série de fatores. Primeiro a atenção ao detalhe que eu treinara antes com os insetos e aranhas levou-me a “ver” muito mais facilmente os detalhes destas flores. E os detalhes físicos são extraordinários. Também o serão com outras flores, mas Depois o facto de serem plantas pouco conhecidas despertou-me uma curiosidade muito maior
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Entrevista com Armando Frazão, o autor do livro ORQUÍDEAS SILVESTRES, ARRÁBIDA – Guia de Campo.
Com as fotografias comecei a estudar mais sobre elas e isso criou um círculo vicioso de aprendizagem -> observação -> estudo/investigação.
E isto veio abrir-me todo o mundo fascinante das orquídeas e das relações delas com o meio e com os outros seres vivos que é coisa que não se apreende apenas por observação As ligações com os polinizadores e com os fungos através das micorrizas são absolutamente fascinantes.
Há depois a questão de as espécies de orquídeas serem em número suficiente para ser um assunto prolongado e interessante, mas pequeno suficiente (em Portugal) para se conseguir abarcar uma grande parte desse conhecimento. Permite projetos exequíveis, relativamente completos e apresentáveis ao público sem ser preciso dedicarlhes literalmente a vida toda.
COP - O que o levou a escrever este livro sobre as Orquídeas da Arrábida? Tem algum(s) objetivo(s)?
A.F. - A ideia surgiu há uns 6 ou 7 anos depois de perceber o acervo fotográfico que eu já tinha. Nessa primeira ideia o livro seria mais um livro de fotografias de orquídeas do que um livro de orquídeas
Essa ideia do “simples” livro de fotografias rapidamente evoluiu para outra coisa.
Os guias que até agora existiam nunca me encheram as medidas Nas palavras do meu editor, são catálogos e não verdadeiros livros. Têm como objetivo descrever ao máximo detalhe, mas não em agarrar o leitor Todas aquelas mensagens de conservação e de conhecimento que se vão adquirindo, daquilo que efetivamente causa a ligação emocional e nos impele a gostar e a continuar não estão nesses guias Nem mesmo o cuidado estético.
O mundo académico nesta área é muito hermético Aliás, o mundo académico tem tendência em ser hermético em geral E não há “pontes” interessantes para o público em geral. “Interessantes” no sentido de despertar curiosidade
a quem não a teria naturalmente, aos não aficionados, e não ser demasiado técnico.
Acabou por ser esse o objetivo final do livro Agarrar naquele conceito estético da fotografia e a capacidade que isso tem para atrair audiência e juntar-lhe uma introdução ao mundo da ciência que é o que nos permite ir para além da ideia de querer simplesmente ter aquela estética num vaso ou emoldurada na parede.

Claro que a linguagem tem que ser diferente do que existe nos guias mais comuns Tem que ser simples para toda a gente conseguir entender, tem de ter estórias que façam a ligação emocional, mas ainda tem que manter o rigor científico mesmo que isso implique não aprofundar tanto. Não sei se se passará assim com toda a gente, mas quando há essa relação emocional e se percebe o que está por detrás daquele ser vivo, não passa pela cabeça arrancar a flor e levá-la para casa. E entristece-me ver os comportamentos lesivos para as plantas e para os ecossistemas que as suportam E isso faz agir de uma maneira completamente diferente do que faria se não tivesse o conhecimento.
A parte do “aprofundar” acabou por me forçar a criar toda aquela parte didática inicial sobre a biologia das orquídeas. Porque para poder afinal de contas mostrar alguns dos pormenores fascinantes destas plantas tem que se ir um pouco
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Entrevista com Armando Frazão, o autor do livro ORQUÍDEAS SILVESTRES, ARRÁBIDA – Guia de Campo.
mais longe. Isto não existe nos guias habituais. E não é essencial para se usar a parte do guia. Mas é o que permite aprender mais sobre o assunto e depois fortalecer a tal ligação emocional
Também não havia um levantamento sério das orquídeas da Arrábida com inúmeras citações de espécies mal identificadas, algumas já extintas, outras que não se conheciam Este acabou por ser também um dos objetivos. Se se quiser olhar para isto de um modo mais ligeiro, é ter uma “coleção” completa
E no final, pelo menos a parte do guia de campo, ainda é também um livro de fotografia.
Toda esta prosa é sobre o que me levou a criar este livro O que me permitiu criar este livro é outra coisa. O que permitiu isto foi o precipitar de eventos que me levaram ao desemprego! Mas foi para bem!
Porque para fazer um livro destes exige uma dedicação enorme, em todos os aspetos. Demorei mais de 3 anos a fazer o livro já depois do levantamento feito ao longo dos 15 ou 17 anos anteriores de fotografia Com um emprego regular não sei se conseguiria fazer o mesmo em 10 anos.
COP - Alguns conselhos de conservação para quem quer ir para o campo procurar orquídeas silvestres?
A.F. - O conselho base para quem não queira ir mais longe no assunto é não levar as orquídeas para casa. Há plantas únicas que, por falta de conhecimento, podem ser levadas para casa e acabou tudo.
O conselho mais sério é aprender sobre o assunto, perceber as relações, perceber que as orquídeas não vivem sozinhas e que os seus habitats funcionam como um todo.
Conselhos mais práticos, são evitar o pisoteamento excessivo, ter cuidado com grupos demasiado grandes e não olhar só para as orquídeas. Destruir completamente outras plantas para se conseguir a fotografia ideal não é boa ideia
Ainda acho que o conhecimento é o melhor caminho para a conservação. Mas tenho que frisar que não me refiro ao conhecimento das localizações
das plantas mais raras e vulneráveis. Não é esse conhecimento que é importante para a conservação

COP - Como e onde é que os interessados podem adquirir o seu livro?
A.F. - O modo mais fácil agora é mesmo através do autor, nomeadamente através do website do livro. Depois espero que o livro comece a aparecer nas plataformas digitais portuguesas mais conhecidas (Wook, FNAC e Bertrand) e outras lojas online. O website do livro é http://orchids armandofrazao com No rodapé desse website há ligações para outros sites do autor. Podem também assistir ao vídeo de apresentação do livro em: https://youtu be/bvVW-O8UbIM ✿
WORKSHOPS
ONLINE – via ZOOM
Sábado, 29 de Maio, às 15h00
Assembleia Geral e visita ao Orquidário do José Santos
Sábado, 26 de Junho, às 15h00 MONTAGENS COM ORQUÍDEAS
Orientado por José Santos
PARCERIAS
O Clube dos Orquidófilos de Portugal tem parcerias com as seguintes empresas que se disponibilizaram a oferecer vantagens aos nossos associados:
JARDINS SINTRA LDA
10% de desconto em todas as orquídeas e produtos para orquidofilia.
LUSO BONSAI
20% de desconto em orquídeas, exceto botânicas, montadas e plantas sem flor.
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Se conhecer alguma empresa que possa querer publicitar os seus serviços ou produtos ou fazer uma parceria com o Clube, escreva-nos para o nosso email com a sua sugestão.
Até à data não existem Exposições de




























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