Máquinas e Pessoas - uma questão de relacionamento

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E S PA Ç O Q U A L I D A D E

Máquinas e Pessoas – uma questão de relacionamento Pensar a máquina para além da pessoa, é como pensar uma criança para além dos seus pais: ela precisa de orientação (a máquina de manuseamento), de ajuda (a máquina de operacionalidade), de carinho (a máquina de manutenção), de desenvolvimento (a máquina de upgrades). Really.

mesmo dos líderes e/ou decisores. Até que ponto essa resistência poderá ser um impedimento para o desenvolvimento da organização, ou simplesmente para a adopção de uma outra técnica, uma ou outra ferramenta, ou até mesmo a aquisição de um equipamento.

Para que essa relação tenha resultados positivos deve estar sustentada em fortes pilares sistematizados, com um conjunto de processos capazes de contribuírem para uma evolução constante, para que, no futuro, não haja um desfasamento entre o que a máquina é e o que precisa de ser pelas exigências do mercado. É desta preocupação que deverá surgir todo o desenvolvimento de ferramentas e equipamentos que contribuam, constantemente, para a melhoria das nossas prestações, para dar resposta às nossas actuais necessidades e do futuro, bem como as nossas expectativas.

Sabemos perfeitamente que são inúmeras as questões que nos fazem resistir à mudança: homeostasia, inércia, medo, falta de autoconfiança, falta de conhecimento, cinismo, falta de visão, entre muitas outras. Mas existe sempre uma razão da resistência à mudança e da dificuldade de não a ultrapassarmos que é a falta de disponibilidade, ou capacidade, ou competência, por parte do líder/decisor para motivar cada um dos seus colaboradores e toda a equipa. Ou tão simplesmente o próprio líder/decisor, ele mesmo, tomar as decisões correctas e em tempo útil.

Ao nível do futuro interessa atentar para um facto extremamente importante e que se prende com os necessários investimentos a serem feitos pelas empresas. A análise necessária ajuda sempre a determinar com segurança qual o retorno do investimento, quais os esforços a serem feitos, qual a duração da implementação dos equipamentos e ferramentas e quais as resistências possíveis de serem encontradas ao longo do processo de mudança.

O líder/decisor deve então encarar os seus investimentos em facilidades, técnicas e equipamentos, tal como se de pessoas se tratasse: avaliando muito bem as necessidades do mercado, medindo expectativas, tendências e projecções, bem como aferindo cuidadosamente o “perfil de competências” exigível para cada equipamento, a sua entrada ao serviço e o seu acompanhamento durante o período de adaptação – coaching, fazendo uma escrupulosa e atempada “avaliação de desempenho”, constantes levantamentos de necessidades, aplicando sempre “acções de melhoria” e, claro, determinar “medidas de correcção” que se considerem necessárias.

O retorno do investimento traduz-se em duas questões simples: quanto vou ganhar com o investimento e quando. A duração da implementação dos equipamentos e ferramentas prende-se com questões de formação a ser dada aos colaboradores que irão utilizar as novas facilidades, assim como o respectivo acompanhamento técnico; quais os períodos de adaptação aos novos equipamentos/ferramentas, objectivos específicos para cada colaborador, bem como para cada equipamento. A questão mais pertinente e mais difícil de resolver será, sem dúvida, a resistência à mudança que poderá existir por parte dos colaboradores, ou até

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robótica

Este conjunto de preocupações vai fazer o investidor pensar os seus investimentos de uma forma mais absoluta, transversal e, obviamente, mais rentável – realização de investimentos mais conscientes, úteis, inovadores e, acima de tudo, responsáveis. Enfim, tratar das máquinas, ferramentas, equipamentos e toda a empresa como se cuida de uma criança: de muito perto.

por Pedro Sanches Silva – consultor e empresário pedromiguelsanches@gmail.com


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