Novos desafios

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DA MESA DO DIRECTOR

Novos desafios J. Norberto Pires Prof. da Universidade de Coimbra CEO do Coimbra Inovação Parque

As cidades têm um papel fundamental na economia do século XXI. Se desenvolveram a sua capacidade para atrair e fixar pessoas, aliando-as a infra-estruturas bem pensadas e de qualidade, podem constituir verdadeiros pólos de desenvolvimento do país. A associação em rede com outras cidades permitirá desenvolver zonas metropolitanas alargadas com serviços coordenados e complementares, condições de vida atractivas e elementos diferenciadores que constituam mais-valias para a vida das pessoas e das empresas. É importante que as cidades percebam que têm de se organizar para estabelecer nas pessoas a ideia simples: tenho de estar aqui porque viver aqui é excitante. No cenário actual de enormes dificuldades financeiras e económicas, o foco está a ser colocado na capacidade de criar valor tendo por base as competências que fomos capazes de desenvolver, as sinergias e redes que fomos capazes de colocar no terreno, bem como as infra-estruturas de suporte que soubemos planear e construir. Isso constitui uma mais-valia sólida que permite perspectivar o futuro de forma sustentável. Para além disso, é necessário adoptar uma atitude mais proactiva na promoção da criatividade e do empreendedorismo na população em geral, e nos mais novos em particular, com o objectivo de criar a consciência colectiva da necessidade de esforço, iniciativa pessoal e original como forma de encarar a vida e planear o futuro. Este esforço é particularmente necessário junto de escolas secundárias onde é importante fazer chegar o exemplo de empreendedores e respectivos trajectos de vida, bem como demonstrar formas alternativas e originais de trabalhar, para que os jovens possam alargar horizontes e se apercebam que dependem de si e do que aprenderam. É preciso que eles percebam que o seu futuro depende da qualidade da educação que tiveram, mas também, em grande medida, da sua atitude perante a vida. Será esse binómio que lhes permitirá aproveitar as oportunidades que a vida lhes proporcionará, mas também criar as suas próprias oportunidades, seja por conta própria ou por conta de outrem. Os cursos de empreendedorismo, o contacto com empresas inovadoras e a relação das escolas com a Universidade e centros de saber, são ainda mais críticos nestas faixas etárias. É importante perceber que tudo isto tem de ser interligado para que a atractividade do país aumente. Estes objectivos devem ser materializados procurando coordenar as valências já existentes no pais, fazendo parcerias com parceiros nacionais e internacionais, de experiência e resultados demonstrados, no sentido de garantir uma organização simples e eficaz, procurando financiamento público e privado como forma de alargar a sua actividade. É preciso também coordenar os espaços industriais do país, planear o seu desenvolvimento e ser capaz de criar e manter a rede de parcerias com todos os elementos do ecossistema de inovação e criatividade do pais. Captar investimentos participando nos eventos, fóruns, organizações e certames onde se apresente Coimbra como uma opção de qualidade para o investimento na área industrial, dando a todos os pedidos a resposta adequada e acompanhando a respectiva instalação no pais.

É preciso ainda ser proactivo na ligação com a cultura, pois uma cidade atractiva tem de ser excitante do ponto de vista cultural, multifacetada e cosmopolita, sabendo que esses são elementos chave para fixar pessoas de qualidade que procuram locais interessantes para as suas empresas, mas também para viver. É preciso promover as necessárias ligações à educação, através das escolas, promovendo o espírito empresarial e empreendedor, como forma de alertar os mais novos para os novos tempos em que muito se espera dessa nossa capacidade. É preciso ainda uma ligação evidente ao turismo porque muitos dos que nos visitam são empresários e devem levar uma imagem de um país diferente, capaz de acolher e ser o palco ideal das boas iniciativas empresariais que colocam o foco em recursos humanos de qualidade, na ligação aos centros de saber e na investigação em consórcio. É esta estratégia conjunta, que une e tira partido das várias valências do pais, que tornará Portugal atractivo para o investimento estrangeiro de qualidade que é necessariamente aquele que aposta nas nossas capacidades e as usa como vantagem competitiva. Apostar em nós próprios, numa lógica de dentro para dentro, tendo como objectivo fixar as boas iniciativas, é a melhor forma de ser atractivo e apostar nas iniciativas de fora para dentro (investimento estrangeiro) mas também de reforçar a nossa capacidade de colocar no mercado internacional aquilo que fazemos (de dentro para fora). Dá que pensar, não é? J. Norberto Pires

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