Empreender e inovar em Portugal

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COLUNA

Empreender e Inovar em Portugal EMPREENDER PARA MUDAR Portugal só tardiamente se apercebeu da mudança de paradigma e dos novos modelos de negócio da Sociedade de Informação e Conhecimento. Esta mudança só foi apercebida por todos nós, pela imposição da redução rápida do défice público, operação ainda em curso, que se tem revelado de grande dificuldade dado que a ineficiência da administração pública, a constante mudança dos partidos políticos na governação do país, não cria períodos de estabilidade que permitam as reformas estruturais que, cada dia que passa, se tornam mais urgentes. E se as empresas têm um handicap negativo, dados os custos de contexto, o desemprego tem subido nos últimos anos a um nível que a nossa sociedade não estava habituada, provocando ainda por cima um maior agravamento nas contas públicas no pior dos sentidos. A isto, junta-se a necessidade de contracção da administração pública, cuja reforma está em curso actualmente, configurando o desaparecimento de muitos empregos, especialmente de baixo valor acrescentado e por conseguinte aumentando o desemprego em sectores da sociedade portuguesa com menos formação académica e profissional e maior dificuldade de reintegração em novos empregos cada vez mais exigentes do ponto de vista do conhecimento. Esta situação deveria ter sido prevista antecipadamente e deveriam ter sido definidas políticas públicas que permitissem combater as largas camadas de população com fraca componente académica e sem formação profissional adequada para as mais modernas profissões nas empresas ou na futura administração pública que urge relançar numa perspectiva moderna e sustentada nas tecnologias de informação e comunicação.

parcerias, obrigatoriamente com uma forte componente de internacionalização. Este conceito não pode ser um conceito exclusivamente de uma élite de pessoas e empresas que cada vez mais se desenraízam do país que não consegue alargar a sua base de crescimento às largas camadas da população portuguesa, provocando uma exclusão de uma maior camada da população. As políticas públicas e, em particular a política de inovação, têm de dar uma resposta efectiva na promoção e alavancagem do crescimento sustentado da economia portuguesa, melhorando a capacitação científica e tecnológica dos portugueses e promovendo a sua capacidade de emprego, fortalecendo o espírito empreendedor e estabelecendo condições para a criação de empresas quer sejam de base tecnológica quer sejam em áreas tradicionais. O terceiro sector, ou seja, do social, vai ter carências cada vez maiores, quer por causa da baixa qualificação da sua população quer pelo envelhecimento da sua população, pelo que deverá ter uma atenção muito especial e onde haverá seguramente enormes oportunidades de promover a criação de novas actividades e empresas. Neste sentido a política de inovação terá de privilegiar a criação de novas empresas e portanto fomentar o empreendedorismo nas suas mais diversas componentes. Esta é hoje a maio e mais importante responsabilidade social da universidade em Portugal. Comprometer-se com a reconversão do tecido empresarial nacional, criando em largas camadas dos alunos um espírito empreendedor.

Joaquim Borges Gouveia DEGEI/Universidade de Aveiro bgouveia@ua.pt

elevado conhecimento tecnológico mas também com elevada formação em gestão, cidadãos com enorme responsabilidade social e com governos, organizações e empresas socialmente responsáveis. Só cidadãos com elevado conhecimento científico e tecnológico e mais responsáveis socialmente, conseguem, num momento de ruptura como é o actual, definir novos rumos para uma sociedade moderna e livre. O crescimento e o desenvolvimento sustentável passa pela promoção de uma cultura de empreendedorismo, designadamente junto dos jovens, estimulando-os a criar empresas de base tecnológica, da adaptação de cursos de formação para gestores e quadros de PMEs, pela oferta no local do trabalho de sistemas de ensino e formação em gestão e consultoria, de conhecimentos e disseminação de conhecimentos sobre tecnologias dirigidas às PMEs para que estas empresas possam identificar, seleccionar, adaptar e utilizar as novas tecnologias de informação e produção com o objectivo de aumentar a competitividade e garantir a empregabilidade dos colaboradores das empresas.

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Alguns passos têm vindo a ser dados mas a política de inovação ainda é muito vista como um política de ciência e tecnologia, vista do lado da oferta, isto é da administração, e não claramente vista do lado da procura, isto é das empresas e do mercado.

A criação de emprego e a sua sustentação são um dos principais objectivos de uma sociedade moderna. Hoje o desemprego combate-se com a criação de empresas e, para isso, é preciso que este espírito empreendedor faça cada vez mais parte da nossa formação de todos os dias. Uma sociedade que não cria empresas e por consequência emprego, não é uma sociedade viável no mundo moderno.

E não segundo o paradigma do desenvolvimento sustentável, baseado num modelo em rede, funcionando em cooperação e construindo

Para que o empreendedorismo tenha sustentação, é preciso que o sistema de ciência e tecnologia tenha capacidade de formar pessoas com

robótica

A criação de núcleos de investigação e desenvolvimento nas empresas deverá tornar-se numa tarefa prioritária para a universidade portuguesa. Não só contribuirá para a criação de mercado de investigação, desenvolvimento e inovação, mas também a criação de emprego muito qualificado nas empresas, contribuindo decisivamente para o objectivo de aumentar significativamente a intensidade de I+D+i (Investigação + Desenvolvimento + Inovação) de origem privada. A Universidade portuguesa tem em todos estes desafios um papel da máxima relevância pois


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