Inovação

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DA ME SA DO DIREC TO R

Inovação J. Norberto Pires norberto@robotics.dem.uc.pt Departamento de Engenharia Mecânica, Universidade de Coimbra

O

nosso futuro depende da nossa capacidade de inovar e da destreza que tivermos em converter essa ideia na correspondente atitude perante a vida no dia-a-dia.

Inovar não é complicar, ou usar mais tecnologia e continuar a fazer da mesma forma. É justamente simplificar, recorrendo a tecnologia. Inovar não é tornar mais caro, mais complexo ou só acessível a especialistas. É uma aposta decisiva em tornar mais simples e mais disponível requerendo menos treino. A eficiência é um objectivo fundamental. Inovar não se escreve num papel para memória futura. Escreve-se para que seja explorado e seja uma vantagem competitiva. Escreve-se num projecto, num plano de acção, num processo de desenvolvimento, etc. A competitividade é outro benchmark de um processo de inovação, a par da eficiência. Inovar não é demonstrar que somos muito inteligentes e sabemos muitas coisas. É colocar essas capacidades e conhecimentos na forma como trabalhamos, ensinamos, produzimos e nos relacionamos com os outros, na forma como o queremos fazer de forma mais organizada e eficiente. Inovar não define vencedores nem vencidos. Fornece exemplos, modelos a seguir. Todos ganham. Inovar não é uma opção nem uma coisa a ponderar. Também não é uma emergência, é só uma coisa fundamental para o nosso futuro colectivo. Para pessoas e países ambiciosos não parece haver alternativa. Para essas pessoas e países a inovação não se obtém por decreto, ou por uma lei da assembleia da república. Não é uma coisa com datas definidas, que começa hoje e termina na próxima terça-feira, nem é uma coisa da moda, estilo buzzword. Vem isto tudo a propósito de um relatório da Comissão Europeia sobre empreendedorismo e inovação na Europa: Innobarometer 2004 (Novembro de 2004). Em Portugal, 90% dos empresários confessa que não investe em inovação, na contratação de pessoal com formação superior e avançada nem na parceria com instituições de I&D. Os números deste relatório mostram um país que não faz a mínima ideia do que é inovar: 85% dos empresários diz que fez alterações significativas nos seus produtos nos últimos 2 anos, mas 90% diz que não apostou em I&D, nem em parcerias com instituições de I&D, nem contratou pessoal com formação superior. Ou seja, ou copiou ou vende tecnologia feita no estrangeiro. Dá que pensar, não é?

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Inovar não define vencedores nem vencidos (...)


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